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    Christ As Our Bridegroom © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Christ As Our Bridegroom
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    Lambert, Lance

    Cristo como Noivo: a Noiva, a Cidade e a Soberana Vocação de Deus

    Nesta manhã, lemos diversas passagens das Escrituras. Primeiro, na Segunda Carta aos Coríntios, 2 Coríntios 11:2-3:

    Porque tenho zelo por vós com zelo de Deus: pois vos desposei com um só Esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.
    Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, a vossa mente seja de alguma maneira corrompida e se aparte da simplicidade e da pureza que há para com Cristo.

    Depois, em Apocalipse 19:4-10:

    E os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que está assentado no trono, dizendo: Amém; Aleluia.
    E saiu uma voz do trono, dizendo: Dai louvores ao nosso Deus, todos vós, Seus servos, e vós que O temeis, pequenos e grandes.
    E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de poderosos trovões, dizendo: Aleluia; porque reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso.
    Regozijemo-nos, e alegremo-nos sobremaneira, e demos-Lhe a glória: porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e a Sua esposa já se preparou.
    E foi-lhe concedido que se vestisse de linho fino, resplandecente e puro: porque o linho fino são os atos de justiça dos santos.
    E ele me disse: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são convidados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.
    E prostrei-me aos seus pés para o adorar. E ele me disse: Não faças isso: sou conservo teu e de teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus: adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.

    Apocalipse 21:9-27 e Apocalipse 22:1-5:

    E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, cheias das sete últimas pragas; e falou comigo, dizendo: Vem cá, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
    E transportou-me no Espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, tendo a glória de Deus.
    O seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe, límpida como cristal.

    Tinha uma grande e alta muralha; tinha doze portas, e, às portas, doze anjos; e nomes inscritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
    Ao oriente havia três portas; ao norte, três portas; ao sul, três portas; e ao ocidente, três portas.
    E a muralha da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

    E aquele que falava comigo tinha como medida uma cana de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e a sua muralha.
    E a cidade é quadrangular, e o seu comprimento é igual à sua largura: e mediu a cidade com a cana, doze mil estádios: o seu comprimento, a sua largura e a sua altura são iguais.
    E mediu a sua muralha, cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo.
    E a construção da sua muralha era de jaspe: e a cidade era de ouro puro, semelhante a vidro puro.

    Os fundamentos da muralha da cidade estavam adornados de toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda;
    o quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista.
    E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma só pérola: e a rua da cidade era de ouro puro, como vidro transparente.

    E nela não vi templo: porque o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro são o seu templo.
    E a cidade não necessita do sol nem da lua para que a iluminem: porque a glória de Deus a iluminou, e a sua lâmpada é o Cordeiro.
    E as nações andarão à sua luz: e os reis da terra trarão para ela a sua glória.
    E as suas portas de modo algum se fecharão de dia, porque ali não haverá noite:
    e a ela trarão a glória e a honra das nações.
    E de modo algum entrará nela coisa alguma impura, nem aquele que pratica abominação e mentira: mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

    E mostrou-me um rio de água da vida, resplandecente como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro, no meio da sua rua.
    E de um e de outro lado do rio estava a árvore da vida, que produzia doze espécies de frutos, dando o seu fruto a cada mês: e as folhas da árvore eram para a cura das nações.
    E não haverá mais maldição alguma: e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro: e os Seus servos O servirão;
    e verão a Sua face; e o Seu nome estará na fronte deles.
    E não haverá mais noite: e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol; porque o Senhor Deus os iluminará: e reinarão pelos séculos dos séculos.

    Oração Inicial

    Agora, vamos orar juntos.

    Pai, chegamos juntos ao fim desta conferência. Queremos agradecer-Te, Senhor, por toda a Tua graça e por todo o Teu amor demonstrado para conosco nestes dias. Tu tens sido tão fiel, Senhor, e queremos dar a Ti toda a glória, o louvor e a honra.

    E, Senhor, ao chegarmos a este último encontro nesta manhã, queremos mais uma vez permanecer naquela unção que Tu nos deste por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus — aquela unção de graça e poder. Agradecemos-Te porque ela pode ser uma realidade tanto no falar quanto no ouvir, por causa da Pessoa do Espírito Santo.

    Ó Pai celestial, que este momento permaneça vivo para cada um de nós. Oramos para que sejamos libertos de todos os pensamentos a respeito das várias viagens que precisamos fazer ou dos trabalhos de arrumação que precisam ser realizados. Senhor, livra-nos de todas essas coisas e ajuda-nos, nesta hora, a ouvir a Tua voz e a receber de Ti.

    Senhor, ilumina-nos de tal maneira que sejamos conquistados para Ti mais profundamente do que nunca. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.

    Cristo como Noivo

    É impressionante para mim como estas conferências passam depressa. Sempre parece que teremos tanto tempo — uma semana inteira, muito mais do que nas conferências comuns. Parece que temos bastante tempo e tantos encontros, mas, de repente, já é sábado; então chega o domingo, e tudo termina.

    Nesta manhã, quero finalmente dizer algo sobre Cristo como nosso Noivo. É claro que esse é o significado mais evidente destas palavras em 2 Coríntios 11:2-3:

    Porque tenho zelo por vós com zelo de Deus: pois vos desposei com um só Esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.

    Noivo — Cristo como nosso Noivo. Consideramos Cristo como nossa cobertura, como nossa justificação, como nossa expiação. Consideramos Cristo como Aquele que batiza no Espírito Santo e em fogo, Aquele que nos imerge na Pessoa do Espírito Santo e nos envolve inteiramente na grandeza da Divindade.

    O tempo todo, Ele nos conduz a descobertas vivas de Sua grandeza, Sua beleza, Sua graça e Seu amor. É maravilhoso conhecer o Senhor Jesus como Aquele que batiza no Espírito Santo e em fogo.

    Consideramos o Senhor Jesus como a Cabeça — nossa Cabeça. Reter firmemente a Cabeça e descobrir o Corpo; encontrar uns aos outros à medida que temos um relacionamento vivo com o Senhor Jesus, a Cabeça.

    Não tenho dúvida alguma de que a chave de todo serviço e trabalho genuínos, no que diz respeito ao reino de Deus, é ouvir o Senhor. É a capacidade de ouvir o que o Senhor está dizendo, de ouvir o que o Espírito está dizendo às igrejas em qualquer momento da história.

    Consideramos Cristo como Rei: Rei dos reis e Senhor dos senhores; Rei dos judeus; Rei de Israel; Aquele que finalmente virá. Ah, como é maravilhoso considerar Jesus como Rei.

    O Retorno Literal e a Coroação de Cristo

    Todos nós entendemos, quaisquer que sejam os círculos cristãos em que vivemos, que entramos na era do Espírito, na era do celestial, na era do espiritual. De alguma forma, psicologicamente, isso pode nos levar a pensar que a volta do Senhor Jesus não será uma vinda literal, real.

    Agora, não há dúvida: quando o Senhor Jesus vier, será algo tão espiritual quanto qualquer outra coisa neste mundo. Mas, quando o Senhor Jesus vier, Ele voltará com o corpo com o qual andou nesta terra durante trinta e três anos — Seu corpo real; com uma cor em Seu cabelo, um tom em Sua pele, uma cor em Seus olhos.

    Ele voltará de fato com as próprias marcas em Suas mãos, em Seus pés e em Seu lado, que recebeu na última parte de Sua vida terrena. O Senhor Jesus está vindo. Acho simplesmente maravilhoso até mesmo pensar nisso.

    Isso, por assim dizer, dá concretude a tudo. De repente, desperta-nos para o fato de que, um dia destes, haverá uma coroação que relegará qualquer coroação britânica ao mundo das sombras. A posse de seu presidente não será nada em comparação com a coroação do Rei quando Ele voltar.

    Fico imaginando: a glória daquele cortejo, de alguma maneira com bandas tocando — celestiais e também na terra, suponho —, grandes estandartes sendo carregados. Vejo Abraão caminhando com Isaque e Jacó, e suas esposas e filhos; depois, todos os demais, ao longo de toda a história. Vejo os apóstolos chegando e, finalmente, o próprio Rei.

    Que coisa maravilhosa será quando Ele vier. E vocês? Eu mal posso esperar.

    O senhor Sparks sempre dizia: “Vocês já perceberam que, quando as pessoas cantam um hino sobre a vinda do Senhor, por mais abatidas que estejam, todas se animam?” É como se não pudessem evitar. Mesmo que queiram continuar abatidas, algo acontece em seu espírito. É uma espécie de testemunho do Espírito com o espírito delas de que isso é tão certo e seguro quanto a própria Palavra de Deus.

    A Nova Criação e as Bodas do Cordeiro

    Bem, meus amigos, é maravilhoso pensar nisso. O Senhor criou um céu e uma terra — um universo que foi arruinado e submetido à corrupção e ao pecado. Mas Deus redimirá a própria terra e os céus.

    Haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça. O propósito de Deus para o povo judeu não será simplesmente descartado; Ele o redimirá. Algo acontecerá entre as nações. Seu glorioso propósito para o homem não será abandonado em derrota. Ele terá um homem redimido, um novo homem, unido ao Senhor Jesus no centro daquela nova criação.

    Bem, e quanto a essa questão do Noivo? Vocês sabem, a Bíblia termina com um casamento. Todo mundo gosta de um casamento. As pessoas podem temer funerais e podem temer apresentações de crianças — ou batizados, como alguns os chamariam —, mas todo mundo gosta de um casamento.

    E a Bíblia termina com um casamento: o casamento do Cordeiro com a esposa do Cordeiro. Agora, esse casamento não é o fim de tudo, como se fosse um fim em si mesmo. Um casamento não é um fim em si mesmo. É o encerramento de uma fase da vida e o começo de uma nova fase.

    Toda uma série de experiências chegou ao fim tanto para o marido quanto para a esposa, e agora eles entram em uma nova fase, unidos como um só. É assim, de fato, que a Bíblia termina.

    Vimos isso em Apocalipse 21:3-7. Ouçam estas palavras:

    E ouvi uma grande voz que vinha do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens, e Ele habitará com eles, e eles serão os Seus povos, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus:
    e Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima; e a morte já não existirá; nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor: as primeiras coisas passaram.
    E Aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse: Escreve: porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
    E disse-me: Estão cumpridas. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, darei gratuitamente da fonte da água da vida.
    Aquele que vencer herdará estas coisas; e Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    Toda uma fase terminou: luto, morte, clamor, dor — todo esse parêntese do pecado, todo esse glorioso processo de sermos conduzidos à salvação de Deus. Toda essa fase se encerrou.

    As primeiras coisas passaram.
    Eis que faço novas todas as coisas.

    Não apenas Meu bebê, não apenas Minha criança, mas:

    Ele será Meu filho.

    Como ouvimos de nossos irmãos ao longo desta semana, ele herdará estas coisas porque cresceu. A primeira fase passou. Agora, tudo está no início de uma nova fase.

    A Centralidade da União com o Noivo

    Nós nem sequer sabemos exatamente o que acontecerá nas eras vindouras. Não sabemos o que Deus fará nessas eras que virão. As pessoas fazem todo tipo de pergunta aos servos do Senhor quando eles abordam esse assunto.

    Elas vêm depois e dizem: “Você poderia me dizer se vamos comer nas eras vindouras?” Como se isso importasse! Quero dizer, realmente, isso importa? Deus tem todo o interesse em nos manter vivos. Ele não nos salvou para que desapareçamos nas eras vindouras. Se não tivermos alimento concreto desse tipo, haverá alguma outra maneira pela qual seremos mantidos vivos.

    Depois dizem: “Vamos reconhecer uns aos outros?” É claro que talvez algumas pessoas não queiram reconhecer certas outras — não sei —, mas as pessoas sempre perguntam: “Vamos reconhecer uns aos outros?”

    Tenho a impressão de que vocês e eu saberemos intuitivamente quem é quem. Não acho que alguém terá de me mostrar quem é Abraão. Penso o mesmo a respeito de Moisés. Não vou reconhecê-lo por um dos retratos de Michelangelo, ou por qualquer outra coisa; talvez ele não se pareça em nada com o retrato de Michelangelo. Mas acho que, interiormente, saberei: “Aquele é Moisés”.

    Acho que conheceremos uns aos outros. E penso que será ainda mais extraordinário: provavelmente eles conhecerão vocês. Não sei se os santos conseguem nos ver aqui embaixo, mas, se conseguem, estão muito interessados. Vejam, somos todos da mesma família. Todo mundo se interessa pela família. Somos todos da mesma família, de fato.

    Mesmo que não conseguíssemos reconhecer uns aos outros logo no início, não acho que levaríamos mais de mil anos para descobrir quem é quem. Mas essas são questões ridículas. “Vamos usar roupas?”, as pessoas me perguntam. Vocês não acreditariam no que crentes maduros nos perguntam — todo tipo de coisa.

    Sim, mas essas coisas não são nada. O que eu quero saber é: o que vamos fazer? Isso realmente me interessa. Fico pensando no que vamos fazer, porque isso não nos foi dito.

    Algumas pessoas têm a ideia de que ficaremos para sempre em uma espécie de coro eterno de aleluias. Mas, como disse ontem à noite, não consigo acreditar que Deus seja tão centrado em Si mesmo a ponto de Se satisfazer com um interminável, interminável coro de aleluias. Pensem nisso: não há noite, e aquilo continua, continua e continua! Quero dizer, até o Senhor iria querer que trocassem o disco.

    As pessoas têm aquela ideia dos hinos da escola dominical: vamos ficar cantando, dedilhando nossas harpas e flutuando nas nuvens. Não admira que as pessoas achem que talvez seja entediante. Eu não penso assim.

    Deus criou este universo, e ele é tão maravilhoso. Contudo, é apenas uma sombra do que Ele desejava — uma simples sombra do que Ele desejava. Como vocês acham que será quando tudo isso for liberto de sua escravidão à corrupção e começar a se desenvolver e a avançar rumo àquilo que Deus pretendia originalmente? E então me pergunto: será que Deus tem planos muito maiores em andamento?

    O que mais me entusiasma é que a Bíblia termina com o casamento. É como se Deus estivesse dizendo: “Não encham a mente com aquilo que vocês vão vestir, com o que vão comer ou com a questão de reconhecerem uns aos outros. O principal é saber que vocês e o Noivo finalmente são um”.

    Porque esse é o cerne de toda a questão. Não se deixem envolver por todas as outras coisas. A questão é que tudo culminará na apresentação de uma virgem pura a Cristo como seu único Esposo. Então o casamento propriamente dito acontece, e os dois seguem pela eternidade, por assim dizer, para fazer a vontade de Deus.

    Se conseguirmos fixar assim o coração nessa meta, creio que isso determinará muitas coisas em nossa vida. Muitas questões serão subitamente vistas com contornos muito claros e definidos.

    A Noiva como a Cidade Santa

    É interessante que essa noiva, essa esposa do Cordeiro, seja descrita em Apocalipse 21 e 22 como uma cidade. Essa cidade, essa cidade santa, essa Nova Jerusalém, é descrita nesses mesmos capítulos como uma noiva e como uma esposa.

    Por estar na Bíblia, a maioria de nós está de alguma forma familiarizada com essa extraordinária combinação de duas coisas. Mas, na verdade, quando pensamos nisso, é uma combinação muito estranha, muito fora do comum, muito incomum.

    Vocês já ouviram alguém descrever sua esposa como uma cidade? Nunca, jamais ouvi alguém descrever sua esposa como uma cidade. Ela pode ser tão grande quanto Nova York ou Londres, mas ele nunca a descreveu como uma cidade. Ela pode ser tão irrefletida quanto algumas das grandes cidades do mundo, mas nunca ouvi um marido dizer: “Esta é a minha cidade”.

    Se não estivesse na Bíblia, seria ridículo. Não admira que as pessoas não tenham iluminação nem entendimento a respeito disso. Elas só conseguem considerar essa cidade como uma cidade literal, falando de caminhar por suas ruas de ouro e atravessar suas portas de pérola. Mas a mente humana não consegue conceber que essa cidade, com sua rua, suas muralhas e suas portas, seja uma noiva.

    No fim da Bíblia, é como se Deus tivesse unido duas verdades supremas em uma só. A noiva representa intimidade, união, comunhão, convivência — o amor mais profundo conhecido pela humanidade.

    Duas pessoas tornando-se uma: compartilhando o mesmo nome, a mesma vida, o mesmo patrimônio e a mesma herança, o mesmo futuro, a mesma família. Não há nada em toda a experiência humana tão íntimo, tão profundo, quanto o significado do casamento.

    Aqui, no fim da Bíblia, temos essa verdade maravilhosa. Nós a encontramos lá no início da Bíblia, em Gênesis 2. Nós a encontramos em Gênesis 1:27, quando Ele criou o homem:

    Macho e fêmea os criou.

    Mas, em Gênesis 2, temos todo o quadro de como Adão não conseguia encontrar uma auxiliadora idônea, alguém que lhe correspondesse. Finalmente, como ouvimos nesta semana, Deus o fez dormir e tirou algo dele, a partir do qual criou a mulher. Esses dois são da mesma natureza; são partes constituintes de uma só vida, complementando-se mutuamente.

    Em outras palavras, o que Deus está dizendo em toda a Bíblia é isto: “Não estou interessado em mecanismos, nem em maquinaria, nem em conhecimento. Estou interessado apenas naqueles que Me amam de todo o coração”.

    “Salvarei aqueles que não Me amam de todo o coração. Eu lhes darei uma salvação eterna porque os amo tanto. Mas tenho certeza de que ninguém chegará ao lado de Meu Filho, na plena glória do reino vindouro, se não O amar com todo o seu amor.”

    “Não terei para Meu Filho uma noiva que esteja ali pelo que pode obter; que esteja ali para manipulá-Lo, para extrair Dele tudo o que serve à sua própria realização, glória e bem-estar. Não terei uma noiva assim para Meu Filho.”

    Os únicos que estarão ali serão aqueles que seguiram o Cordeiro para onde quer que Ele vá. Eles entregaram a vida pelo Cordeiro. A noiva estará ali.

    Cântico dos Cânticos e o Amor Divino

    O outro aspecto é a cidade. Posso acrescentar mais uma coisa a respeito disso? Não é interessante — será mera imaginação? — que, se vocês pegarem esta Bíblia e a abrirem mais ou menos bem no meio, onde ela se abre? Em Cântico dos Cânticos.

    Bem no centro desta revelação está esse extraordinário livrinho chamado Cântico dos Cânticos. O que é Cântico dos Cânticos? É a história do amor de Deus por Seu povo e do amor de Seu povo por Ele: o Noivo e a noiva.

    A tradição judaica diz que Salomão entrou em êxtase, e Deus lhe deu uma visão de Seu amor por Seu povo e do amor de Israel por Ele — por Deus. Digo isso porque vocês verão em alguns comentários que certos autores chegam ao ponto de chamar Cântico dos Cânticos de uma cantiga espalhafatosa. Ele é uma revelação.

    A Cidade como Centro de Governo

    O outro aspecto dessa cidade, dessa noiva, desse casamento no fim da Bíblia, é que se trata de uma cidade. Agora, o que é uma cidade — uma capital? Esta não é apenas uma cidade; é uma capital.

    Uma capital é o lugar onde normalmente se concentra toda a administração nacional, onde está sediado todo o governo. Esse é o lugar do governo; esse é o lugar da administração; esse é o ponto central da política nacional ou imperial.

    Aqui temos outra imagem. Temos a imagem de Deus desejando homens e mulheres capazes de governar, capazes de exercer domínio, capazes de reinar com Ele, capazes de administrar Sua vontade, capazes de realizar Sua obra.

    Voltem ao começo da Bíblia, e quase a primeira palavra que Deus disse ao homem foi:

    Dominai.

    Então vocês prosseguem e encontram o jardim, e Ele colocou o homem nele como se fosse, de fato, um jardim de infância.

    O próprio Deus plantou o jardim. O restante do mundo era um mundo de vida, uma infinidade de vida. As pessoas têm a ideia de que, quando Deus criou tudo, todas as coisas já estavam em seu devido lugar. Mas por que Deus disse a Adão:

    Sujeitai a terra.

    Era um mundo de vida. Não se pode ter vida sem que haja uma explosão de atividade. Vocês já descobriram isso? Comunidades que não têm muita vida — ali está todo mundo, um cemitério. Mas, assim que há vida, há uma efervescência. Ela brota por todos os lados, em toda parte.

    Vida, vida, vida — ela precisa ser podada, precisa ser conduzida, precisa ser disciplinada, precisa ser mantida em ordem.

    Esse jardim de infância em que Deus colocou Adão, no Éden — creio que Seu verdadeiro objetivo era que, depois que Adão e Eva aprendessem a guardar o jardim, a mantê-lo protegido, a cultivá-lo e a cuidar dele, acrescentassem mais uma porção de terra.

    Talvez acrescentassem mais metade de sua extensão de um lado, depois mais metade do outro lado, mais metade ao norte e mais metade ao sul. Eles sujeitariam essa porção e a cultivariam; depois avançariam para outra, até que, pouco a pouco, tivessem conquistado o mundo inteiro e transformado o mundo em um jardim.

    Então Deus diria: “Agora vocês aprenderam o que é físico. Agora passaremos a outra dimensão”. Domínio, domínio, domínio. Ele queria que aprendessem como poderiam governar em comunhão com Ele; como poderiam aprender qual era Sua vontade e, então, administrar Sua vontade.

    Chegamos ao fim da Bíblia e descobrimos que esse casamento não diz respeito apenas a uma noiva e a uma esposa; diz respeito a uma capital. Em outras palavras, Deus finalmente alcançou aquilo que ansiava e desejava quando criou homens e mulheres: pessoas em comunhão com Ele, que conseguem compreender Seu coração, compreender Sua mente e Sua vontade, e são capazes de realizá-la.

    O Desposório e o Casamento Vindouro

    Agora, meus queridos amigos, talvez valha a pena dizer algo sobre o antigo costume judaico do desposório. Aqueles de vocês na plateia que são judeus provavelmente não precisarão que eu diga muito a esse respeito, porque os antigos costumes judaicos são bem conhecidos nas famílias judaicas.

    Muito frequentemente, até cerca de cinquenta anos atrás, nas boas famílias judaicas, um filho era prometido em casamento a uma menina praticamente desde o nascimento. As famílias se reuniam e diziam: “Se vocês tiverem uma filha, gostaríamos que sua filha se casasse com nosso filho”.

    O desposório acontecia quando eles eram muito jovens. É um grande choque para muitas pessoas considerar a possibilidade de que a virgem Maria tivesse apenas treze ou quatorze anos quando deu à luz o Senhor Jesus. É um choque terrível para a maioria das pessoas. Elas imaginam que ela tivesse pelo menos vinte e poucos anos.

    Mas o fato é que nenhuma moça judia prometida a um marido chegaria ao final da adolescência sem se casar. Elas eram desposadas quando jovens. Foi isso que tornou tão séria a situação de José quando descobriu que Maria estava grávida.

    No início, foi um choque terrível para ele. Foi o Senhor que lhe explicou tudo. Mas não é que eles já estivessem de fato casados; ainda não tinham celebrado as bodas. Por isso, de início, ele pensou que o melhor seria deixá-la discretamente.

    Isso não significava assassinato, nem nada parecido. Significava que, de maneira muito discreta, sem alarde, o desposório seria cancelado. A mãe e o pai de Maria teriam então de encontrar alguém disposto a se casar com ela — provavelmente alguém cujos pais não tivessem recursos suficientes para pagar um grande dote.

    Isso se devia a esses antigos costumes do desposório. Quando uma pessoa era desposada, aquilo era muito mais do que um noivado. Não se rompia esse compromisso. Os dois estavam absolutamente vinculados — absolutamente vinculados. Era como estar casado sem que o casamento tivesse acontecido.

    Mas, então, quando chegava o momento, e a noiva tinha alcançado a idade adequada, e ambas as famílias entendiam que o filho e a filha estavam prontos, realizavam-se as bodas e o casamento.

    Espero que isso os ajude um pouco, porque aqui está a coisa maravilhosa: todos nós estamos desposados com o Senhor, mas o casamento ainda não aconteceu. O casamento ainda está adiante. A ceia das bodas do Cordeiro, a festa de casamento, ainda está adiante.

    Estamos desposados. Não estamos noivos à maneira ocidental. Estamos desposados no sentido em que Paulo disse: “Tenho zelo por vocês com zelo de Deus. Eu os desposei. Agi como intermediário. Eu os desposei para apresentá-los como virgem pura a Cristo”.

    A Busca de Paulo pelo Prêmio

    Agora, se abrirmos em Filipenses 3:5-11, considero esse testemunho do apóstolo Paulo uma das coisas mais extraordinárias da Bíblia — certamente um dos testemunhos mais extraordinários da Bíblia. Ouçam:

    Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu;
    quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, achado irrepreensível.
    Mas o que para mim era ganho, isso considerei perda por causa de Cristo.
    Sim, deveras, considero todas as coisas como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por Quem sofri a perda de todas as coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo.
    E ser achado Nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus pela fé.
    Para O conhecer, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, conformando-me à Sua morte;
    se, de algum modo, eu puder alcançar a ressurreição dentre os mortos.

    Por favor, observem as palavras:

    Para que possa ganhar a Cristo.

    Sublinhem-nas. “Para que possa ganhar a Cristo” — ou conquistar a Cristo — é a expressão usada. Não há dificuldade em compreender que Cristo é a dádiva de Deus para nós, pela graça. Contudo, Paulo diz:

    Para que possa ganhar a Cristo.

    Depois, observem que ele não diz simplesmente “a ressurreição dos mortos”, mas “a ressurreição dentre os mortos”. Literalmente, é isto: “Se, por quaisquer meios disponíveis, eu puder alcançar a ressurreição para fora dentre os mortos”.

    Então Paulo diz, em Filipenses 3:12-14:

    Não que já tenha obtido, ou já seja perfeito: mas prossigo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
    Irmãos, não julgo ainda havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão adiante,
    prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Lembrem-se: esse apóstolo já havia escrito a Primeira e a Segunda Cartas aos Tessalonicenses, a Primeira e a Segunda Cartas aos Coríntios, a Carta aos Romanos e a Carta aos Gálatas. Eu pensaria que qualquer pessoa capaz de escrever cartas desse tipo já tivesse alcançado. Eu pensaria que alguém capaz de falar como ele falou em 2 Coríntios, alguém que fora arrebatado ao terceiro céu, já tivesse alcançado.

    Mas ele diz:

    Não que já tenha obtido, ou já seja perfeito: mas prossigo.

    Isso é tremendo quando pensamos na riqueza que Paulo nos transmitiu. Pensem em 1 Coríntios 12, 13 e 14; pensem em Romanos 5, 6, 7 e 8. Contudo, ele diz:

    Não julgo ainda havê-lo alcançado.

    Meus queridos amigos, digo que esse é um dos testemunhos mais extraordinários da Bíblia. Do que o apóstolo está falando? O que é esse prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus?

    Literalmente, é “o prêmio da vocação para o alto, de Deus, em Cristo Jesus”, ou, como alguns expressam, “o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus”. Observem: é em Cristo Jesus. O chamado é em Cristo Jesus. É um chamado para o alto em Cristo Jesus, e há um prêmio desse chamado.

    O que é isso? O apóstolo abriu o coração e afastou o véu, e, de repente, estamos olhando para dentro. Aqui está um homem com mais clareza sobre a justificação do que qualquer outro escritor do Novo Testamento. Aqui está um homem que fez as nações compreenderem que tudo é pela graça, e não por nossas próprias obras. Contudo, ele está falando de ganhar a Cristo.

    Agora, como tenho dito em muitos lugares, isso não parece boa doutrina reformada. O que o apóstolo Paulo está fazendo? Se não crêssemos, como eu creio, na inspiração absoluta da Palavra de Deus, poderíamos pensar que o apóstolo se equivocou aqui. Que ele não quis dizer “para que possa ganhar a Cristo”, porque nós não ganhamos a Cristo. Cristo é a dádiva indescritível de Deus para nós. Ele nos é dado pela graça.

    O que é esse alcançar a ressurreição? Todos alcançarão a ressurreição. Até os piores pecadores do mundo, os mais perdidos, serão ressuscitados no último dia para comparecer diante do grande trono branco. Há uma ressurreição dos crentes, mas não a alcançamos por meio de obras. Seremos ressuscitados primeiro e estaremos para sempre com o Senhor.

    O que é essa ressurreição especial? Penso em Hebreus 11:35, onde se diz que alguns recusaram o livramento quando eram torturados, buscando uma ressurreição superior.

    O Noivo como o Prêmio

    Agora, meus amigos, não quero tornar pesado este último encontro, mas é assim que vejo a questão. Paulo sentia que havia algo que poderia perder, mesmo sendo crente. Não era a salvação. Ele sentia que havia algo relacionado ao Senhor Jesus que poderia perder, e não era o Senhor Jesus como Salvador.

    Talvez possamos colocar de outra maneira: o apóstolo Paulo sentia que havia algo que poderia ganhar. Qual é a questão? Sugiro a vocês que o prêmio é Cristo como Noivo.

    Quero ser absolutamente claro quanto a isso, para que ninguém saia dizendo: “Meu Deus, meu Deus, nunca ouvi de um servo do Senhor um ensino tão contrário ao protestantismo”. Ah, tudo é pela graça de Deus: o Salvador é dado pela graça de Deus. O Noivo é conquistado pela graça de Deus. Tudo é graça.

    Cada crente nascido de novo é um membro em potencial da noiva. Cada pessoa salva pela graça de Deus é um membro em potencial da esposa do Cordeiro. Mas, meus queridos amigos, sua salvação lhes é dada pela graça de Deus em nosso Senhor Jesus; é por se apropriarem da graça de Deus e fazerem pleno uso dela que vocês ganharão Jesus como Noivo.

    Foi isso que incendiou o espírito do apóstolo Paulo. Era como se, de repente, ele tivesse percebido: “Não perco minha salvação, mas posso ser desqualificado. Tendo pregado a outros, eu mesmo posso ser desqualificado”.

    Considero todas as coisas como perda, para que possa ganhar a Cristo.

    Ele não quis dizer: “Vou tentar fazer tudo o que puder para agradar a Deus, para que, no fim, Ele diga: ‘Bem, talvez Eu deva deixar Paulo chegar até o fim. Ele se saiu tão bem. Vejam como são longos seus momentos devocionais; vejam seus dias de jejum’”. Não é assim que Deus pensa.

    Deus deu graça a cada crente. É o que você faz com essa graça que determina se finalmente se tornará parte da noiva. Vocês perceberam aquela pequena e impressionante declaração em Apocalipse 19:9?

    Bem-aventurados aqueles que são convidados à ceia das bodas do Cordeiro.

    Você não pode ser a noiva e ser convidado à ceia das bodas na condição de noiva. Em uma festa normal de casamento, há a noiva e o noivo, e há os convidados. Isso é tão maravilhoso: mesmo que você não venha a ser a noiva, ainda há algo a receber. Não penso que sejam anjos. Então, quem são esses bem-aventurados convidados à ceia das bodas do Cordeiro? Não podem ser a noiva.

    A Apropriação da Graça

    Fazer pleno uso da graça de Deus e apropriar-se dela é a chave de tudo. É a chave de algumas parábolas do Senhor Jesus. Ele contou a história de um homem que, ao viajar para um país distante, chamou três servos. A um deu cinco talentos; a outro, dois talentos; e a outro, um talento.

    Vocês se lembram da história? O homem com os cinco talentos saiu e negociou com eles. Isso parece terrivelmente comercial. Talvez não compreendamos plenamente. Mas ele saiu, pegou os cinco e negociou com eles. O que obteve? Obteve dez.

    Então o homem com dois talentos saiu com seus dois e negociou com eles. Obteve quatro. Agora, quem era o espiritual? Aquele que disse: “A graça de Deus é a graça de Deus. Vou cantar sobre ela, ler sobre ela, estudá-la e enterrá-la”?

    É isso que fazemos. Então o homem voltou. Chamou os três servos para prestar contas. O primeiro disse: “O senhor me deu cinco talentos. Negociei com eles”. “Muito bem, servo bom e fiel”, disse o senhor. “Agora vou lhe dar responsabilidade sobre muito mais.”

    Depois ele disse: “E você?” O servo com dois talentos disse: “O senhor me deu dois talentos. Negociei com eles. Receio não ter conseguido dez”. “O que conseguiu?” “Quatro.” “Muito bem, servo bom e fiel. Vou lhe dar responsabilidade sobre muito mais em Meu reino.”

    Então o terceiro servo disse: “Senhor, eu tinha aquele talento que o senhor me deu. Deixei-o bem embrulhado, dentro de uma caixa, e enterrado”. “Servo mau e negligente”, disse o senhor. “Tirem dele o único talento que tem e deem ao que tinha cinco talentos e os transformou em dez.”

    Nós pensamos: “Que coisa terrível”. Mas o ponto da parábola é simplesmente este: o Senhor estava falando daquilo que Ele dá. Todos recebem algo do Senhor. Ele dá graça suficiente.

    Se seu chamado é maior e você é chamado a fazer mais, receberá mais graça, proporcional ao seu dom e ao seu chamado. Se você tem menos, receberá menos graça. Mas Deus sempre dá graça suficiente para o chamado com que o chamou e para o ministério que lhe deu.

    Você não tem absolutamente nenhuma desculpa para enterrar tudo. Pode multiplicar o que Deus lhe deu, de modo que não tenha cinco, mas dez; não dois, mas quatro. Contudo, muitos de nós temos exatamente a mesma graça que tínhamos quando a recebemos. Não fizemos nada com ela.

    Para mim, isto é muito, muito importante: fazer pleno uso da graça de Deus e apropriar-se dela. Deus lhe deu graça. Você não pode apenas cantar sobre ela, estudá-la, ou simplesmente lembrá-la e enterrá-la. Precisa fazer pleno uso dela, apropriar-se dela plenamente.

    Este é o testemunho do apóstolo:

    Considero todas as coisas como perda.

    Como esse homem poderia considerar tudo como perda sem se apoderar da graça de Deus? Ninguém pode sofrer pelo Senhor, sacrificar sua vida pelo Senhor, entregar sua vida pelo Senhor, ou seguir um caminho difícil e impopular, e permanecer sem contaminação e sem prejuízo em seu relacionamento com o Senhor Jesus, a menos que aprenda a se apoderar plenamente da graça de Deus todos os dias, a cada hora de cada dia.

    Ah, meus amigos, Deus não nos chama para algo impossível. Não é como se Ele dissesse: “Agora, se vocês querem o Noivo, quero que se contorçam. Quero que entrem em tamanha tensão e esforço”. Isso é religião.

    Deus nos deu graça. Por que Ele nos salvou? Salvou-nos para que nos tornássemos a noiva — a esposa do Cordeiro. Foi por isso que nos salvou. Vocês acham que Deus tem algum interesse em que não se tornem parte da noiva? É claro que não. Ele deu toda a graça de que vocês e eu precisamos para nos tornarmos parte da noiva.

    As Qualidades da Noiva

    Quais são as qualidades que o Noivo procura na noiva? Sei que alguns de vocês já ouviram bastante sobre isso, mas quero me deter nesse assunto e, depois, concluir com um último pensamento.

    Amor e Lealdade Devotada

    Penso que a primeira qualidade que o Noivo procura naquela que está desposada com Ele, se ela há de finalmente chegar às bodas, é o amor — no começo, no fim e em tudo o que há entre eles.

    Vocês imaginam que algum noivo se interessaria por uma noiva que não o amasse? Isso seria pedir uma revolta. Estamos falando da qualidade de uma lealdade absoluta e devotada — um amor real, completo.

    No começo, no fim e em tudo o que há entre eles. Nada mais em vocês O satisfará. Vocês podem ter toda a fé para mover montanhas; isso não O impressiona. Quero lhes dizer uma coisa: vocês podem mover montanhas — não é nada de extraordinário.

    Eu gostaria que algumas pessoas realmente movessem mais algumas. Mas o fato é que, para Deus, mover montanhas não é nada de extraordinário. As pessoas simplesmente não usam a fé que Deus lhes deu. Elas não têm fé como um grão de mostarda para mover uma montanha; precisam ter uma fé do tamanho de uma montanha para mover uma montanha.

    Vocês podem ter tamanha fé, mas isso não impressiona Deus. Não impressiona o Senhor Jesus. Podem ter dinheiro, um ministério melhor e discorrer sobre verdades mais profundas — sobre as coisas profundas do Espírito. Isso não O impressiona.

    Ele quer que vocês tenham conhecimento, pleno conhecimento, mas não é isso que impressiona o Noivo. Vocês poderiam sacrificar-se, entregar o corpo para ser queimado e dar todos os seus bens para alimentar os pobres. Isso não impressiona o Noivo se não houver amor.

    A única qualidade que deve estar por trás de toda a fé, de todo o conhecimento e de todo o sacrifício é o amor. Essa é, afinal, a única qualidade que o Noivo procura: um amor total e real, que leve a uma vida inteira de devoção a Ele.

    Vocês saberão aonde Ele vai. Compartilharão Seu encargo. Seguirão Seus passos. Não me digam que qualquer outra coisa os levará até o fim, a não ser o amor de Deus derramado em seu coração.

    Não admira que João tenha dito: “Filhinhos, conservem-se no amor de Deus”. Suponho que poderíamos colocar isso em linguagem coloquial de hoje: continuem apaixonados por Deus.

    E, a propósito, às pessoas aqui que são grandes defensoras do feminismo: preciso dizer algo sobre o próprio Noivo, sobre o amor do Senhor Jesus Cristo? Seu amor por vocês é absoluto. Ele arriscou tudo, por assim dizer, e Seu compromisso com vocês é leal, fiel, absoluto e incondicional.

    Caráter e Beleza Espiritual

    A segunda qualidade que o Noivo procura na noiva é o caráter. É aqui que sinto que a cristandade caiu de cara no chão — certamente a cristandade protestante. Pelo que se ouve, nem pareceria que precisamos crescer no Senhor. Estamos apenas dizendo: “Converta-se — isso é tudo. É tudo o que importa”.

    Vocês conseguem imaginar? O Noivo é Rei dos reis e Senhor dos senhores, e vai Se casar com alguém imaturo, que não consegue compreendê-Lo, que é insensível, egocêntrico e interessado apenas em si mesmo.

    Ela é salva, mas não sabe ler Seu coração. Não sabe perceber o que Ele deseja. Não tem ideia de como cuidar das coisas da casa. Não sabe nada do preço que a trouxe para esse relacionamento. É uma cabeça vazia.

    Em Cântico dos Cânticos, no final, quando o noivo e a noiva estão juntos, a noiva se volta para o noivo e diz: “O que faremos por minha irmãzinha? Ela ainda não cresceu”. Lembram-se da história?

    Meus queridos amigos, não pode haver casamento sem que algum trabalho seja realizado no caráter da pessoa. Há três coisas que constituem essa noiva, essa cidade: ouro, pedras preciosas e pérola.

    O ouro representa a vida e a natureza de Jesus. Mas não é apenas a vida e a natureza de Jesus; é a vida e a natureza de Jesus em vocês e em mim. Jesus disse à igreja em Laodiceia, em Apocalipse 3:18:

    Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo.

    O que Ele quis dizer? Tudo é pela graça, mas ao custo da experiência.

    “Minha graça torna disponível o ouro de Minha vida e natureza, mas o custo é a sua experiência.” Isso não se tornará realidade em sua vida sem custo. Chegaremos a circunstâncias e situações nas quais o ouro da vida e da natureza do Senhor Jesus se torna uma realidade em nós, e a escória, a madeira e a palha de nossa própria natureza superficial são consumidas pelo fogo.

    Não consigo imaginar que o noivo mais belo desejasse se casar com uma noiva feia. Mesmo que não se tratasse de beleza física, certamente ele procuraria beleza de caráter e de personalidade.

    As pedras preciosas são formadas por intensa pressão e calor nos lugares escuros da terra. Creio que as pedras preciosas representam a comunhão dos sofrimentos de Cristo. Em outras palavras: representam as excelências e a beleza do Senhor Jesus produzidas em nós quando compartilhamos Seus sofrimentos.

    Meus queridos amigos, tão poucos de nós querem conhecê-Lo, e o poder de Sua ressurreição, e a comunhão de Seus sofrimentos. Somos inteiramente a favor do poder, inteiramente a favor das riquezas, inteiramente a favor da vida, mas não queremos a comunhão de Seus sofrimentos.

    Essa pedra preciosa, da qual essa cidade — a noiva — é produzida, é a excelência e a beleza do Senhor Jesus. Preciso ter cuidado ao dizer isso, mas já conheci pessoas muito feias que são salvas pela graça de Deus. Elas não podem mudar sua aparência física, mas, minha nossa, que coisa maravilhosa acontece quando Deus começa a gravar pelo fogo, em uma vida, as belezas, as glórias e as excelências do Senhor Jesus.

    Isso irradia da pessoa. Torna-a bela.

    As portas eram de pérola. É claro que vocês já ouviram dizer que uma pérola se forma a partir de um grãozinho sem valor. Um pequeno fragmento de pedra ou de areia, sem valor algum, penetra na parte mais macia da ostra. Então toda a vida da ostra é mobilizada, e ela coloca uma camada ao redor daquele grão para tentar se livrar dele — depois outra camada, e outra, e outra.

    E eis que se produz uma pérola — uma pérola de maravilhosa beleza. Ninguém saberia que, no centro daquela pérola, há um grãozinho sem valor.

    É isso que chamo de sofrimento inexplicável e excepcional que Deus chama alguns de Seus santos a suportar. O apóstolo Paulo falou disso como aquela estaca, aquele espinho na carne. Alguém o descreveu como algo semelhante à agonia de ser empalado.

    Surgem na vida das pessoas, na vida dos crentes, coisas inexplicáveis das quais nenhum ministério de libertação jamais as livrará. Nenhuma medida de experiência da vida e do poder da ressurreição de Jesus jamais as expulsará. É uma estaca dada por Deus, um mensageiro de Satanás, para quebrantar e enfraquecer.

    E eis que há um grãozinho sem valor no centro da vida daquele servo do Senhor, mas toda a vida e a graça de Jesus são mobilizadas nessa vida para revestir aquele grão de beleza, repetidas vezes.

    A Minha graça te basta.

    E assim uma pérola é produzida. Agora, meu querido amigo, isso é caráter. O que o Noivo procura na noiva? Ele procura caráter. Ele procura beleza.

    Maturidade e Capacidade para o Reino

    Depois, maturidade. Já mencionei isso, mas quero enfatizar. Essa palavra “maturidade”, no Novo Testamento, corresponde à palavra “perfeito” e, na verdade, no grego significa completo ou plenamente desenvolvido.

    Como alguém pode se casar e cumprir todas as responsabilidades do casamento se ainda não chegou à maturidade? A maturidade física é o requisito mínimo.

    Aqueles que prosseguem até o pleno crescimento — são esses. O apóstolo diz em seu testemunho:

    Não julgo ainda ter obtido, nem ter alcançado; mas prossigo.
    Esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus.

    Crescer, meus queridos amigos. Certamente vocês não pensam que o Senhor Jesus queira uma rainha imatura? Vocês realmente creem que Ele quer compartilhar Seu trono com alguém incapaz de compreender, alguém insensível, egocêntrico e interessado apenas em si mesmo?

    Não. A esposa do Cordeiro precisa ser semelhante ao Cordeiro. Ele quer alguém que tenha crescido, alguém que tenha capacidade e habilidade, alguém com capacidade para compartilhar com Ele os encargos e as responsabilidades do reino — alguém capaz de assumir essas responsabilidades e esses encargos.

    Penso que é por isso que Deus coloca alguns de nós, quando dizemos: “Senhor, irei até o fim”, em situações e circunstâncias muito estranhas, e junto de pessoas muito estranhas. Penso que o Senhor está ampliando nossa capacidade. Ele está aumentando nossa capacidade.

    Ele não pode fazer isso de outra maneira senão colocando você em uma situação que é demais para você. Então você clama ao Senhor. Acha aquilo terrível, mas se apropria de Sua graça e atravessa a situação. Depois, um mês mais tarde, está de volta à estaca zero, clama novamente ao Senhor, e Ele o faz atravessar.

    Você se pergunta: “Que tipo de vida é esta?” Mas sabe o que o Senhor está fazendo? Ele está estendendo e ampliando sua capacidade. Está criando uma habilidade em você. Ele tem um futuro em vista.

    Entendimento, Obediência e Governo

    Por último, quais são as qualidades de vida que Ele procura na noiva? Não sei se normalmente seria assim entre as moças, mas isso certamente é verdade em uma casa real. Ele procura caráter, capacidade e habilidade para governar.

    Antigamente, havia muito cuidado na escolha de uma rainha. Ela precisava ter a linhagem adequada e representar a aliança correta entre casas reais. Mas, muito mais importante, precisava ser alguém capaz de dar àquela casa real um herdeiro dotado de inteligência, caráter e qualidade.

    Vocês, nos Estados Unidos, sendo uma boa e velha república, talvez não compreendam esse aspecto prático das casas reais. Para vocês, isso é história passada. Mas a maior parte da história europeia, e boa parte da história do mundo, foi construída sobre alianças entre casas reais e sobre a geração de inteligência, qualidade, capacidade e herdeiros para os territórios reais.

    Não era uma dessas histórias de Hollywood, em que algum príncipe via uma princesa deslumbrante, ao estilo de Hollywood, e decidia se casar com ela. Não era assim que se fazia, infelizmente para eles. De modo geral, suas noivas eram escolhidas com muito cuidado.

    Transpondo isso para uma dimensão inteiramente diferente, o Senhor Jesus está procurando alguém com capacidade para governar. Acho isso tremendo. Vocês sabem o que Ele está procurando? Alguém que consiga compreendê-Lo.

    Não pode haver governo verdadeiro se você não compreende o Senhor. As pessoas pensam que governo é simplesmente autoritarismo. Isso não faz sentido. O governo começa com o entendimento do Senhor, com um conhecimento pleno, um conhecimento profundo do Senhor.

    Ele quer que haja capacidade para ouvir o que Ele está dizendo. Algumas pessoas ouvem palavras, mas não ouvem o que está sendo dito. Quando o Senhor começa a trabalhar em nós, Ele não quer que ouçamos apenas palavras; quer que ouçamos o que Ele está dizendo.

    Depois, há algo além de simplesmente compreender o Senhor e conhecer o Senhor. Há o entendimento de Sua vontade — não apenas ouvir o que Ele está dizendo, mas obedecer.

    O Noivo está procurando uma noiva que avance para o governo — o governo com Ele. O que podemos dizer em conclusão?

    Conclusão: a Graça que Conduz a Noiva às Bodas

    O prêmio é o Noivo. É conhecer o Senhor Jesus como Noivo, é repousar no coração do Noivo — o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Meus queridos amigos, não acho que alguém esteja preparado para a disciplina, a aflição ou as circunstâncias e situações excepcionais às quais somos conduzidos, a menos que tenha recebido uma visão do fim.

    É claro que a única coisa que compensará tudo é que, quando chegar o casamento e acontecer a ceia das bodas, a noiva não passará o tempo todo falando de quanto sacrificou, de tudo o que enfrentou, de todas as aflições e tribulações, das espinhas que precisaram desaparecer, da pele ruim, disto e daquilo.

    Penso que, naquele glorioso dia de casamento, tudo o que a noiva conseguirá dizer será: “Foi a graça de Deus que me salvou, a graça de Deus que me guardou e a graça de Deus que me capacitou a chegar até este dia”.

    Ela estará tão absorvida pelo Noivo. E que futuro nós também temos! E quanto espaço há agora para o Espírito Santo realizar uma obra em nosso relacionamento uns com os outros, em nossos locais de trabalho, em toda a nossa vida familiar, em nossa vida pessoal e em nossas circunstâncias e situações pessoais.

    Ah, como o Espírito Santo é cheio de graça. Vocês sabem, quase a última palavra da Bíblia é esta, em Apocalipse 22:17:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem.

    Espero que cada um de nós, pela graça de Deus e no poder do Espírito Santo, possa responder e dizer:

    Assim seja, vem.