Por favor, abram em 1 Coríntios 5. Vamos ler os versículos de 1 a 8. Na verdade, queremos abordar os capítulos 5 e 6 nesta manhã.
Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem mesmo entre os gentios se encontra: haver quem possua a mulher de seu pai.
E vós estais ensoberbecidos, e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem cometeu tal ação.
Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, acerca daquele que praticou tal ação:
em nome de nosso Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus,
seja esse homem entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.
Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?
Expurgai o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois também a nossa Páscoa, Cristo, já foi sacrificada:
pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da maldade, mas com os pães asmos da sinceridade e da verdade.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, nós Te louvamos e Te agradecemos pelo Teu imenso e maravilhoso amor por nós. Tu nos amas até o fim. Oh, como Te louvamos e Te agradecemos porque jamais nos abandonarás, mas continuarás a buscar-nos até que a Tua beleza, a Tua vida, o Teu caráter e a Tua glória sejam manifestados entre o Teu povo.
Ó Senhor, nós Te louvamos e Te agradecemos pela Tua preciosa Palavra. Pedimos que o Teu Espírito Santo nos abra a Tua Palavra e abra o nosso entendimento. Oramos para que a Tua Palavra caia em boa terra e produza fruto para Ti.
Reconhecemos, Senhor, que, sempre que nos reunimos, estamos na Tua presença. Estamos em terra santa. Ensina-nos a nos humilharmos diante de Ti como Teus servos. Abre todo o nosso ser para Ti e permite que a Tua Palavra faça a Sua obra em nós, nos transforme e nos conforme à Tua bendita imagem. Damos a Ti toda a glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Temos compartilhado juntos sobre este assunto tão importante: o nosso chamado. Nós, como remidos do Senhor, fomos chamados para uma comunhão maravilhosa. Somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Agora, vocês conseguem imaginar que pessoas como nós sejam chamadas por Deus, em Seu grande amor por nós, à comunhão de Seu Filho, Jesus Cristo?
Pensem na comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Com Quem Ele tem comunhão? É um compartilhar sem nenhuma reserva, em perfeita harmonia. Ele tem comunhão com Seu Pai no Espírito; e, da mesma forma, o Pai Se abre completamente ao Filho, sem reter coisa alguma de Seu Filho, compartilhando tudo com Seu Filho amado.
E pensem que Deus abriu essa comunhão divina, santa, perfeita e eterna a nós, que somos remidos. Portanto, temos esse privilégio. Cada um de nós que foi remido pelo Senhor foi chamado.
E, porque somos chamados a essa comunhão, não devemos conhecer coisa alguma, senão Jesus Cristo, e Este crucificado. O apóstolo Paulo disse que, ao chegar entre os coríntios, havia decidido:
Nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.
E por quê? Porque é Jesus Cristo, e Este crucificado, que nos introduz nessa comunhão. É Jesus Cristo, e Este crucificado, que nos capacita a ter comunhão. Esse é o único caminho, esse é o único conteúdo e essa é a única possibilidade. Portanto, precisamos conhecer apenas Jesus Cristo, e Este crucificado.
E, se fizermos isso, seremos verdadeiramente um, assim como Ele e o Pai são um.
Sabem, quando vocês começam a ler esta carta aos coríntios, ficam admirados de que Paulo pudesse dizer, logo no início, que todos devemos falar a mesma coisa, que devemos estar unidos em uma mesma mente e em um mesmo parecer. Ora, como isso pode acontecer?
Se formos realmente fiéis ao nosso chamado e realmente conhecermos apenas Jesus Cristo, e Este crucificado, então não haverá divisão, pois Cristo não está dividido. Caso contrário, haverá divisão — não apenas no mundo, mas também na igreja. E é isso que encontramos nos primeiros quatro capítulos desta primeira carta aos coríntios.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de entrar no segundo problema que a igreja em Corinto tinha. Mais uma vez, ficamos admirados de que esse não fosse um assunto sobre o qual os crentes de Corinto consultaram Paulo na carta que lhe escreveram.
Paulo disse: “Isso é algo que se ouve por toda parte”. Em outras palavras, ao falar da divisão, ele disse que os da casa de Cloe lhe haviam contado sobre as divisões entre eles. Mas, neste caso, ele não precisava que alguém lhe contasse, porque era algo amplamente divulgado. Era conhecido em toda parte. Mesmo sem estar em Corinto, Paulo ouviu falar disso.
Estranhamente, os crentes de Corinto nem sequer perguntaram a Paulo sobre esse problema, porque, para eles, isso não era nada. A consciência deles estava tão insensível que consideravam aquilo algo comum, algo com que não precisavam se preocupar. Mas o apóstolo Paulo, com sua percepção aguçada, sua espiritualidade e seu discernimento, considerava aquilo um problema gravíssimo. Precisava ser abordado e precisava ser tratado.
Agora, qual é o problema? O problema é o incesto. Um irmão da igreja em Corinto tomou a mulher de seu pai, e isso era algo que nem sequer se encontrava entre as nações.
No entanto, quando isso aconteceu, a igreja em Corinto não disse nada nem fez nada, como se aquilo não tivesse importância. Mas, quando Paulo ouviu falar disso, viu que era uma grave ruptura da comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Era uma contradição, uma afronta, uma violação daquela comunhão — daquela comunhão sagrada —, algo tão profano e tão impuro.
E o espírito de Paulo foi profundamente tocado. Então ele disse: “Embora eu não esteja com vocês em corpo, em espírito estou com vocês. E, em espírito, já julguei esse assunto. Juntamente com todos vocês, entreguei esse homem a Satanás, para que seu corpo seja destruído, a fim de que seu espírito seja salvo”.
Irmãos e irmãs, quando Paulo tratou dessa situação, ele partiu de uma perspectiva mais elevada. Em outras palavras, não estava olhando apenas para esse pecado ou para outras questões — como vocês encontrarão no capítulo 6, em que ele menciona que um irmão recorria aos tribunais do mundo para acusar outro irmão.
Ao tratar de todas essas coisas negativas entre o povo de Deus, Paulo partiu de uma perspectiva mais elevada. Isto é, olhou para elas do ponto de vista positivo — do ponto de vista do propósito de Deus, do coração de Deus e da vontade de Deus.
Por isso, neste capítulo, ele menciona a questão de celebrarmos a festa com pães asmos. Essa é a sua abordagem.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos que Paulo disse:
A nossa Páscoa, Cristo, já foi sacrificada.
Graças a Deus, quando participamos da mesa do Senhor, temos a realidade da festa da Páscoa que os filhos de Israel celebravam ano após ano.
Quando estavam no Egito como escravos, Deus os remiu por meio do cordeiro pascal. Cada família preparava um cordeiro sem defeito e, no décimo quarto dia, matava aquele cordeirinho e colocava o sangue nos umbrais da porta de sua casa.
Todos os membros da família se reuniam dentro daquela casa e comiam o cordeiro pascal. Enquanto comiam, à meia-noite, o anjo destruidor enviado por Deus percorreu toda a terra do Egito para matar todos os primogênitos daquela terra, tanto de homens como de animais — desde Faraó até o escravo.
Mas, quando aquele anjo via o sangue na porta, passava por cima daquela casa. Por isso se chama Páscoa. Por causa do sangue do cordeiro, do cordeiro pascal, os filhos de Israel foram poupados.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos que isso é um tipo, e que o antítipo — o cumprimento — está em nosso Senhor Jesus Cristo. Deus enviou Seu Filho unigênito a este mundo como o Cordeiro de Deus. Ele veio para tirar o pecado do mundo e, por isso, foi morto na cruz do Calvário, e Seu precioso sangue foi derramado.
Porque o nosso Cordeiro pascal foi sacrificado, o anjo destruidor passa por nós sem nos atingir. Nossos pecados são perdoados. Somos poupados. Somos remidos. Satanás e o mundo foram julgados, mas nós fomos libertos. Isso é a Páscoa. Cada um de nós tem a sua Páscoa.
No entanto, vocês verão que os filhos de Israel, imediatamente após a Páscoa — no dia seguinte à Páscoa —, tinham de celebrar a Festa dos Pães Asmos. Na verdade, essas duas festas estão unidas.
No Novo Testamento, vocês encontrarão ocasiões em que a Festa dos Pães Asmos é chamada de festa da Páscoa, porque são uma só celebração. Não se pode separar essas duas festas. Mesmo no dia da Páscoa, come-se pão sem fermento; e, depois disso, durante sete dias, os filhos de Israel deveriam comer somente pão sem fermento. Nas casas dos filhos de Israel, não deveria haver fermento algum.
Segundo o costume dos judeus, antes da Páscoa eles tinham de examinar sua casa com o maior cuidado. Examinavam a casa para ver se havia algum fermento restante. Tinham de eliminar todo o fermento de sua casa. Por quê?
Porque, em Êxodo, somos informados de que, se alguém comesse algo fermentado durante a Festa dos Pães Asmos, seria eliminado da comunidade de Israel. Em outras palavras, seria privado de todos os privilégios da aliança de Deus com os filhos de Israel. Era algo sério.
A Páscoa dura apenas um dia, porque o nosso Senhor Jesus foi sacrificado uma vez por todas. Não pode haver uma segunda vez. É uma única vez, e Ele o fez para sempre. Mas a Festa dos Pães Asmos continua durante sete dias.
Por quê? Porque, nas Escrituras, o número sete representa perfeição e plenitude nesta terra. Na eternidade, o número é doze; mas, na terra, sete é um número perfeito. Portanto, isso significa simplesmente que a festa da Páscoa era celebrada durante um dia, mas a Festa dos Pães Asmos tinha de ser celebrada durante sete dias. Em outras palavras, é algo contínuo.
Para nós, é algo que dura a vida inteira. Para os filhos de Israel, eram apenas sete dias; mas, para a igreja, é uma festa que dura toda a vida. A igreja está celebrando a Festa dos Pães Asmos, e continuaremos a celebrá-la até a volta de nosso Senhor Jesus.
Então, aqui vocês encontram o apóstolo Paulo dizendo:
A nossa Páscoa, Cristo, já foi sacrificada.
Reconhecemos isso, aceitamos isso e cremos nisso. Mas, se cremos nisso, o que devemos fazer depois dessa Páscoa? Celebremos a Festa dos Pães Asmos.
Portanto, para dizer de maneira simples, a igreja hoje está celebrando a Festa dos Pães Asmos. A própria igreja é uma nova massa. É farinha, três medidas de farinha, para ser oferecida a Deus como uma oblação, como uma oferta de alimentos.
Assim, irmãos e irmãs, todos nós estamos nos dias de celebração da Festa dos Pães Asmos. Vocês podem perceber a seriedade disso: se houver algum fermento na igreja, ele precisa ser eliminado, porque contradiz até mesmo o significado da Páscoa, o significado da nossa salvação. É uma contradição àquilo que Deus fez.
Nós, que fomos remidos, devemos celebrar a festa com sinceridade e verdade — não com malícia e maldade, não com fermento, mas com pães asmos.
Agora, o que é o fermento? Não é permitido oferecer fermento a Deus junto com a oferta de alimentos. Em outras palavras, quando você apresenta a oferta de alimentos — a farinha, o pão —, precisa oferecê-la a Deus sem fermento. Se tiver fermento, não será aceita.
Sabem, há duas coisas que não podem ser apresentadas nessa oferta: fermento e mel. Nem mel, nem fermento. Por quê?
O que é o fermento? O fermento é uma porção de massa que se acrescenta à farinha. Ao colocar o fermento na farinha, ela começa a fermentar. Então vocês veem a massa começar a crescer, a inchar.
O resultado é que aquela farinha, aquela massa, fica maior do que realmente é, mais macia e mais saborosa para as pessoas. É isso que o fermento faz.
Usamos fermento quando fazemos pão. Lembro-me de que, quando aprendi a fazer pão chinês, usei fermento e vi como a massa crescia e inchava. As pessoas gostam de pão fermentado. Se não tiver fermento, ele é duro. É difícil de digerir e não é tão saboroso. Sabem, isso é o fermento.
Mas, nas Escrituras, o fermento sempre representa algo mau e corrupto.
Vocês se lembram de Mateus 16:6 e Mateus 16:12. Um dia, nosso Senhor Jesus Cristo estava atravessando o mar e, de repente, disse:
Acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
Os discípulos disseram: “Bem, esquecemos de trazer o pão”. Mas nosso Senhor Jesus disse: “Vocês não se lembram? Cinco pães e dois peixes alimentaram quantas pessoas, e quanto sobrou? E vocês se lembram de que, em outra ocasião, quatro mil pessoas foram alimentadas, e quantos cestos sobraram?”. Ele disse: “Não estou falando de pão físico. Estou falando da doutrina dos fariseus e dos saduceus”.
Agora, o que é a doutrina dos fariseus? Sabemos que os fariseus eram a seita mais rigorosa do judaísmo. Fizeram do estudo da Bíblia — isto é, do Antigo Testamento — a ocupação de sua vida. Não apenas estudavam, mas também procuravam cumprir cada letra.
Mais do que isso, criam nos ensinamentos e nas tradições dos antepassados e os seguiam. Em outras palavras, quando vocês abrem o Antigo Testamento, encontram ali a Palavra de Deus, mas também encontram princípios sobre como todos esses ensinamentos devem ser aplicados.
Ao longo dos anos, surgiram rabinos — grandes rabinos — que procuraram interpretar esses textos do Antigo Testamento e fazer aplicações deles. Suponhamos que o texto diga que, no sábado, você não deve fazer nenhum trabalho. Agora, o que é trabalho?
Se você estiver com fome e passar por um campo de trigo, pode colher as espigas. Isso não é trabalho. Mas não pode esfregá-las. Se as esfregar, isso é trabalho. Há todo tipo de regra. No sábado, você só pode caminhar certa distância; se ultrapassá-la, está trabalhando. Nos tempos modernos, quando você entra em um elevador, se apertar o botão, está trabalhando. Isso você não pode fazer.
Agora, o que é a doutrina dos fariseus? O que é o fermento dos fariseus? Eles fazem a Palavra de Deus inchar. Acrescentam algo a ela — pensamentos, ideias e interpretações humanas — e a fazem inchar, tornando-a maior do que é.
Misturam a verdade com a falsidade, o ensino humano com a Palavra de Deus, até que tudo se ajuste ao gosto das pessoas. Por isso, nosso Senhor Jesus, quando esteve nesta terra, chamou-os de hipócritas, porque guardavam as tradições dos antepassados e violavam a Palavra de Deus.
Quem pode acusar esses fariseus de não conhecerem a Palavra? Não, eles conheciam a Bíblia. Eram mestres. Mas não guardavam os mandamentos de Deus; misturavam tradições humanas com a pura Palavra de Deus. Isso é fermento.
E o que é o fermento dos saduceus? Os saduceus eram outra seita do judaísmo. Na verdade, no tempo de nosso Senhor Jesus, a família do sumo sacerdote era composta de saduceus. Eles eram racionalistas. Submetiam a Palavra de Deus ao raciocínio humano.
Se alguma coisa não se ajustava à razão deles, diziam: “Isso não é verdade”. Por isso, não criam na ressurreição. Não criam em espíritos nem em anjos. Não criam nessas coisas porque elas estavam além do raciocínio humano.
Se vocês disserem que eles não criam na Bíblia, lembrem-se de que eles estudavam a Bíblia. Procuravam guardar os ensinamentos morais e a ética da Bíblia, assim como as pessoas de hoje. Elas amam o Sermão do Monte, considerando-o o mais elevado ensino ético do mundo. Mas será que o praticam? Será que conseguem praticá-lo?
Ora, esse é o fermento dos saduceus. Se vocês disserem que eles não creem, eles são uma seita do judaísmo. Se disserem que creem, eles não creem. É aí que está a confusão.
Nosso Senhor Jesus disse:
Acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
Por quê? Porque, se algo for cem por cento erro, todos perceberão e ninguém acreditará. Mas, se vocês misturarem o erro com a verdade, isso é fermento. Ele faz crescer, faz inchar, mas agrada ao gosto humano.
No entanto, nosso Senhor Jesus deixa isso muito claro: celebrar a Festa dos Pães Asmos é algo para toda a vida. Portanto, todo pecado, toda maldade, todo fermento precisa ser eliminado.
Agora, como celebramos a Festa dos Pães Asmos? Lembrem-se do que a Bíblia diz:
Celebremos a festa.
Isso é uma celebração? O que vocês celebram? Celebram algo que nosso Senhor Jesus já realizou por nós.
Pensem nisso. Ele é o nosso Cordeiro pascal. Ele nos libertou do pecado, do mundo, do nosso velho homem, da carne e de toda a criação. Ele nos libertou completamente. Agora somos uma nova massa.
Portanto, celebramos. Como vocês celebram a Festa dos Pães Asmos? A Escritura diz:
Celebremos a festa, não com o fermento velho.
Vocês não podem celebrar com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da maldade, mas com os pães asmos da sinceridade e da verdade.
Vocês veem aqui um contraste. Se celebram com malícia e maldade, isso é o fermento velho. Se celebram com sinceridade e verdade, isso é pão sem fermento.
Agora, o que é malícia? Na nossa Bíblia chinesa, malícia é traduzida como “veneno oculto”. É um veneno que está escondido. Isso é malícia.
E o que é sinceridade? Sinceridade é transparência — algo completamente aberto, transparente, sem nada escondido, claro como cristal.
E o que é maldade? Maldade é o oposto da verdade. Tudo o que não é verdade aos olhos de Deus é maldade. A verdade é a Palavra de Deus. A verdade é Cristo. Tudo o que não é Cristo, tudo o que não está de acordo com a Palavra de Deus, não é verdadeiro; é maldade.
Portanto, não podemos celebrar a Festa dos Pães Asmos com malícia e maldade. A única maneira correta de celebrar é com sinceridade e verdade — nada encoberto, nada escondido; tudo puro, transparente, aberto, de acordo com a Palavra de Deus.
Irmãos e irmãs, queremos fazer uma pergunta: por que a igreja em Corinto reagiu daquela maneira? Com um pecado tão horrível em seu meio, eles não lamentaram. Não fizeram nada. Consideravam aquilo muito comum. “Está tudo bem. Isso não importa.”
Não sabemos que, se houver fermento, mais cedo ou mais tarde toda a massa ficará fermentada? É por isso que vocês precisam eliminar o fermento. Não podem permitir nem mesmo um pouco de fermento, porque, por fim, ele se espalhará por toda a massa.
Isso é algo gravíssimo, mas os crentes de Corinto não lhe davam importância alguma. Por quê?
Já mencionamos no início — não hoje, mas anteriormente — que os coríntios eram conhecidos naquela época por duas coisas. Eram conhecidos por sua eloquência. Você fala como um coríntio: com eloquência.
Mas havia outra coisa: você vive como um coríntio — de maneira corrupta. Era assim que eles eram. Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus derramou Seu sangue. Ele os lavou. Eles foram santificados; foram justificados.
Mas como puderam ser tão negligentes a ponto de nem sequer considerar isso algo sério? Provavelmente, ao contrário, julgavam-se muito liberais, de coração aberto e amorosos.
Por quê? Basicamente, porque não acolheram a cruz de nosso Senhor Jesus em sua vida. Criam na obra objetiva da cruz, mas não permitiam que a cruz operasse em sua própria vida.
Queriam viver uma vida cômoda, à sua maneira. Tudo o que lhes agradava, queriam fazer. Rejeitavam a operação da cruz em sua vida, e é por isso que vocês veem tudo o que era velho — o fermento velho — vindo à tona.
Portanto, irmãos e irmãs, Jesus Cristo, e Este crucificado, é absolutamente central para a vida cristã e para a igreja. Se vocês não conhecem Jesus Cristo, e Este crucificado, se não permitem que Jesus Cristo, e Este crucificado, entre em sua vida — não apenas como um ensinamento —, acabarão ficando como a igreja em Corinto.
Todos nós falamos: “Não julgue”. “Se você julgar os outros, será julgado.” Em Mateus 7:1, está escrito:
Não julgueis, para que não sejais julgados.
Se você julgar os outros, será julgado; portanto, não julgue.
Mas, irmãos e irmãs, se vocês lerem a Palavra de Deus com atenção, verão que há duas formas diferentes de julgar. Uma delas é má. Não devemos julgar dessa maneira.
Isto é, se julgamos criticando, desprezando, vangloriando-nos e sendo arrogantes — pensando que somos perfeitos e que os outros não são —, esse tipo de julgamento é proibido. Deus é o nosso Juiz.
Se julgarmos as pessoas com um olhar crítico, o mesmo julgamento acabará vindo sobre nós. Mas isso não significa que não devemos julgar. Por quê? Se vocês lerem todo o capítulo 7 de Mateus, encontrarão:
Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados; e com a medida com que medirdes vos medirão a vós.
Se você vir seu irmão com um argueiro no olho, vai até ele e diz: “Irmão, você está com um argueiro aí”. Agradeço ao Senhor porque nosso Senhor era carpinteiro. Na casa de um carpinteiro, quando se trabalha com madeira, todas aquelas pequenas partículas ficam voando e podem facilmente entrar nos olhos.
Nosso Senhor disse que, se você for até seu irmão e disser: “Você está com um argueiro no olho; deixe-me tirá-lo”, deve lembrar-se de que há uma trave no seu próprio olho. Como você ousa julgar seu irmão? Julgue a si mesmo primeiro. Tire a sua trave e, então, verá com mais clareza.
Isso significa que você simplesmente deixa seu irmão como está? Não. Depois, você ajuda aquele irmão a tirar o argueiro do olho. Em outras palavras, não significa que você não faz nada nem diz nada, como se não tivesse visto. De maneira nenhuma.
Julgar tem outro significado, e Deus quer que julguemos. Julgar é discernir. Precisamos julgar entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Se não houver esse senso de julgamento, que tipo de vida teremos?
Deus é amor, mas Ele julga. Precisamos discernir. Naturalmente, precisamos julgar a nós mesmos primeiro.
Se permitirmos que o Espírito Santo nos julgue e que a cruz opere em nós, teremos discernimento espiritual para ver o que está acontecendo com os outros. Teremos capacidade de servi-los e de ministrar a eles. Sem julgamento, não pode haver ministério.
Por isso, a Bíblia diz:
O que é espiritual discerne todas as coisas.
Se vocês nem sequer conseguem discernir, como podem ajudar? Como podem ministrar?
Então, aqui vocês veem que há dois tipos de julgamento. Vejam o julgamento de Paulo. Ele disse: “Estou com vocês em espírito. Meu espírito e vocês estão juntos, julgando esse assunto. Eliminem esse fermento”.
Em outras palavras, isso é julgar em espírito, não na carne. Se vocês julgam na carne, isso está errado, porque estão sendo arrogantes. Pensam que são perfeitos. Quem são vocês para julgar?
Mas, se for no Espírito, há humildade, há amor e há ministério. Esse é o julgamento que precisamos ter. A igreja em Corinto não tinha discernimento para julgar.
Paulo precisou tocar a consciência deles, procurar despertá-los, para que discernissem, julgassem e até executassem o julgamento. Caso contrário, se permitissem que aquilo continuasse, mais cedo ou mais tarde toda a igreja seria levedada. Eliminem o fermento.
Ao ler 1 Coríntios 5, vocês talvez pensem que Paulo foi severo demais: “Entreguem essa pessoa a Satanás. Que seu corpo seja destruído”. Por quê? Para que seu espírito seja salvo. Há amor por trás disso.
Depois, se vocês continuarem a leitura no capítulo 6 — e até mesmo em 1 Coríntios 5:12 —, Paulo diz:
Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?
Em outras palavras, não temos o direito de julgar os que estão de fora. Deus os julga. Mas temos a responsabilidade moral de julgar os que estão dentro, os que participam juntos dessa comunhão. Precisamos julgar uns aos outros.
Isto é, precisamos ministrar uns aos outros, ajudar uns aos outros a celebrar com sinceridade e verdade. Caso contrário, falhamos em nossa responsabilidade.
Prosseguindo no capítulo 6, Paulo pergunta se não sabemos que um dia julgaremos o mundo. Os santos julgarão o mundo. Se hoje vocês agem como o mundo, como poderão julgar o mundo no dia que virá?
É por estarem separados do mundo que vocês podem julgá-lo. Um dia, Deus entregará o julgamento do mundo ao Seu próprio Filho e aos que estão com Ele.
Se fomos escolhidos para julgar o mundo, Paulo pergunta: “Não há entre vocês alguém que possa julgar entre os irmãos?”. Será que os irmãos precisam recorrer aos tribunais do mundo para resolver suas questões? Não há nenhum sábio entre vocês? Por que vocês defraudam seu irmão? Por que não estão dispostos a sofrer o prejuízo?
Mais do que isso, ele diz:
Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?
Pensem nisso. Os anjos são superiores ao homem, e um dia o homem julgará os anjos. Então, que tipo de pureza, que tipo de caráter precisa ser formado no homem?
Irmãos e irmãs, não nos enganemos. Não há nada de errado em julgar, se isso for feito no espírito correto. O errado é não julgar.
Como os pais podem criar seus filhos sem julgar? Sem julgamento, não há disciplina. É isso que vocês veem hoje neste país. Se você julga, não está amando. Para amar, não diga nada. Deixe as pessoas fazerem tudo o que quiserem.
Queridos irmãos e irmãs, como o nosso raciocínio está distorcido! Se vocês realmente estudarem a Palavra de Deus, descobrirão que a verdade e o amor são um.
Se há verdade, há amor. Se há amor, precisa haver verdade. Vocês não podem amar o que é falso. Se amam o que é falso, não estão realmente amando; estão odiando.
Se você vir um irmão em falta, e você mesmo já esteve nessa falta, já passou por isso, arrependeu-se e recebeu a operação da cruz em sua vida — se vir um irmão fazendo a mesma coisa e não disser nada, não fizer nada, deixar aquilo continuar e chamar isso de amor —, você está odiando seu irmão.
Você precisa ajudar seu irmão. A Bíblia diz que os espirituais devem ajudar os fracos, aqueles que podem cair; mas tome cuidado para que você também não seja tentado.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, toda a nossa maneira de pensar precisa ser corrigida. Hoje pensamos que, se você ama, não se preocupa com a verdade, porque, se disser a verdade, isso causará problemas. As pessoas vão reagir. As pessoas vão ficar magoadas. “Oh, não magoe ninguém. Está bem, tudo está bem. Não há nada de errado.”
Você está odiando seu irmão. O que acontecerá quando ele comparecer diante do tribunal de Cristo? Estaremos agindo como Caim: “Sou responsável pelo meu irmão?”. Deus diz: “Você é responsável”.
O amor sacrifica a si mesmo para aperfeiçoar o outro. Esse é o amor de Cristo. Esse é o amor de Deus. Esse é o verdadeiro amor.
Sabem, quando leio 1 Coríntios 6, fico pensando — e me pergunto se vocês também ficam — por que, perto do fim daquele capítulo, em 1 Coríntios 6:12, Paulo diz:
Todas as coisas me são lícitas; mas nem todas as coisas convêm.
Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.
Agora, por que Paulo diz essas coisas de repente? “Todas as coisas me são lícitas.” Em outras palavras, antes estávamos debaixo da lei, mas, graças a Deus, agora estamos debaixo da graça. Porque estamos debaixo da graça, todas as coisas são lícitas.
Vocês entendem isso? Em outras palavras, estão acima da lei e, por estarem acima da lei, tudo o que fazem é lícito. Mas, ainda assim, ele diz: “Nem todas as coisas convêm”. Sim, vocês podem. Vocês são livres.
Lembro-me de que, no início dos anos sessenta, naqueles dias em que se falava dos “filhos de Deus” e de todas essas coisas, algumas pessoas entravam em uma loja e simplesmente levavam coisas sem pagar. Por quê? “Somos filhos de Deus. Tudo pertence ao nosso Pai. Todas as coisas são lícitas. Sou livre. Estou acima da lei.”
Irmãos e irmãs, às vezes interpretamos a liberdade dessa maneira. “Todas as coisas me são lícitas. Somos os remidos do Senhor. Somos filhos de Deus, crianças de Deus. Portanto, estamos acima da lei. Podemos fazer qualquer coisa. Todas as coisas são lícitas.”
Mas lembrem-se: nem todas as coisas são proveitosas. Sim, todas as coisas são lícitas, mas não se deixem dominar por nenhuma. Se vocês forem dominados por alguma coisa, tornam-se escravos. Já não são os filhos de Deus; tornam-se escravos.
Então vocês percebem quantas vezes interpretamos a nossa liberdade dessa maneira. Isso é abusar da liberdade que Deus nos deu.
Talvez os crentes de Corinto dissessem: “Graças a Deus, somos salvos. Estamos acima da lei, portanto todas as coisas são lícitas. Podemos fazer qualquer coisa”. E Paulo disse: “Agora, lembrem-se: nem todas as coisas são proveitosas. Se algo não é proveitoso, não o façam. Se vocês ficarem debaixo do domínio disso, não o façam”.
E o que é a verdadeira liberdade? Somos livres do pecado. Somos livres do mundo. Somos livres até de nós mesmos, da nossa carne. Somos livres para adorar a Deus. Somos livres para servi-Lo. Isso é liberdade — a verdadeira liberdade.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, aqui vocês veem que havia fermento na igreja em Corinto, e, no entanto, eles não tinham consciência disso. Sua consciência precisava ser despertada para que eliminassem aquele fermento e celebrassem a festa com sinceridade e verdade.
Agora, quando vocês leem 2 Coríntios, muitos comentaristas acreditam que o homem mencionado por Paulo ali — aquele que havia sido julgado por todos os irmãos e irmãs, reconhecido sua culpa e se arrependido — é o mesmo homem. Paulo diz: “Perdoem-no. Recebam-no”.
Muito provavelmente, o homem a quem ele se refere é esse homem que havia cometido incesto.
Assim, que o Senhor tenha misericórdia de Sua igreja. Que Ele preserve Sua igreja da corrupção. Que Ele tenha uma igreja gloriosa, santa e irrepreensível, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante.
Deus, tem misericórdia de nós.
Amado Senhor, agradecemos pelo Teu amor por nós. Agradecemos porque não nos deixas seguir sem correção. Agradecemos porque tocas nas nossas manchas e rugas. Agradecemos porque removes todo o fermento, porque desejas que sejamos santos, sem mácula, na Tua presença.
Ó Senhor, tem misericórdia de nós. Em Teu nome. Amém.