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    Stephen's Vision -- Dying Victoriously © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Stephen's Vision -- Dying Victoriously
    Stephen's Vision -- Dying Victoriously
    Miller, Ed

    A morte vitoriosa por meio da visão de Cristo

    Bom dia, irmãos.

    Ao nos voltarmos novamente para a preciosa Palavra do Senhor, lembramos daquele princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável, um princípio que não podemos deixar de lado. Não podemos ficar sem ele. E esse princípio é a dependência total do Espírito Santo de Deus.

    Como somos gratos por Ele nos ter dado o Seu Espírito para que possamos conhecer a mente de Cristo, ter a mente de Cristo. Ele sonda as profundezas de Deus e as revela a nós por meio da Sua vida.

    Antes de orarmos juntos, deixem-me compartilhar este versículo do Salmo 97. Salmos 97:11:

    A luz é semeada para o justo,
    E a alegria, para os retos de coração.

    Eu gosto muito dessa expressão: a luz é semeada, e a alegria é semeada. A luz e a alegria estão ligadas ali.

    Sabem, nós dizemos: “Aquilo que o homem semear, isso também colherá”. Isso é verdade quanto à natureza daquilo que se semeia, mas não quanto à quantidade. Você nunca colhe a mesma quantidade que semeou. Sempre colhe mais do que semeou. Você semeia uma semente e colhe um campo. Isso vale tanto para o bem quanto para o mal. Você semeia o vento e colhe a tempestade, como diz o profeta.

    Acho precioso que Deus queira nos dar luz, mas não apenas um raio de luz. Ele quer semear luz como se semeiam sementes, para que tenhamos uma colheita de luz. E, junto com a luz, Ele mencionou a alegria.

    Será que, nesta manhã, podemos pedir ao Senhor não apenas: “Dá-nos luz”, mas: “Semeia luz como sementes, e alegria para os retos de coração”, para que tenhamos a colheita de tudo o que essa revelação significa? Então, vamos confiar juntos no Senhor, pois Ele deseja semear luz como sementes.

    Pai, nós Te agradecemos muito porque podemos vir como Teus filhos e simplesmente invocar-Te para que realizes aquilo que estabeleceste em aliança conosco e prometeste. Pedimos que, de maneira real, nesta manhã, Tu semeies luz como sementes e semeies alegria como sementes.

    Nós Te louvamos, Senhor, pela nossa união Contigo: não somos como um ramo encostado numa árvore, colado a uma árvore, amarrado a uma árvore ou até pregado a uma árvore. Mas, Senhor, somos um ramo unido ao nosso Senhor Jesus Cristo. A Tua própria vida, seiva e vitalidade são a nossa vida, seiva, vitalidade e fruto.

    Por isso, nesta manhã, confiamos em Ti e Te pedimos, Senhor, que faças aquilo em que tens prazer: ilumina o nosso Senhor Jesus. Ao chegarmos ao fim destas meditações, ajuda-nos a reunir todas essas coisas e a firmá-las em nosso coração, nós Te pedimos.

    Semeia luz como sementes, nós pedimos, porque o nosso Senhor Jesus é digno disso, e reivindicamos essa bênção em Seu nome, que tudo vence. Amém.

    A confirmação das verdades acerca da morte

    Peço que abram novamente em Atos 7, por favor.

    Antes de começarmos a examinar a Palavra, deixem-me compartilhar o que está em meu coração nesta manhã. No ano 2000, tive o privilégio de sofrer um infarto fulminante. Depois dessa experiência, muitos irmãos vieram me perguntar: “O que você aprendeu do Senhor por meio disso? Que grande luz Deus lhe deu por meio dessa experiência?”

    Para ser muito sincero com vocês, irmãos: nenhuma. Eu pensei que receberia uma nova revelação do Senhor. Acho que alguns de vocês sabem que tenho tido dificuldade para enxergar o Senhor nas cartas a Timóteo. Então, no quarto em que me recuperava, a primeira coisa que fiz foi pedir uma Bíblia. Pensei que Ele tivesse poupado minha vida para me dar alguma luz sobre Timóteo. Mas isso não aconteceu.

    O que Ele me deu foi confirmação. Recebi confirmação. Antes do infarto, eu já cria em certas verdades; mas, depois, enxerguei essas verdades e passei a crer nelas de uma maneira renovada.

    Creio que é isso que Deus colocou em meu coração nesta manhã: compartilhar com vocês algumas verdades que nos confirmem na fé. Sinceramente, não acredito que eu vá dizer hoje alguma coisa que vocês já não tenham ouvido muitas e muitas vezes. Mas estou orando para que Deus a confirme.

    Ao buscarmos a revelação de Cristo acerca da hora da morte, que Deus confirme em nosso coração tudo aquilo que sabemos ser verdadeiro. Nem sempre precisamos de uma nova revelação. Às vezes, precisamos apenas ser vivificados. Estou confiando no Senhor para vivificar o coração de vocês e confirmar algumas dessas coisas que já sabemos.

    Ao chegarmos, em nosso estudo, a esta última consideração sobre Estêvão, servo de Deus, já examinamos a contribuição dele para a história da redenção. Deus lhe concedeu a graça de ser o primeiro a descobrir quem ele era em Cristo. Foi o primeiro a descobrir onde estava — onde sua vida realmente estava —, nos lugares celestiais.

    Deus não apenas abriu os olhos dele para lhe mostrar, individualmente, quem ele era e onde estava; Ele abriu ainda mais os seus olhos. Estêvão viu o quadro mais amplo: viu a igreja, a igreja invisível. Viu que Deus não está limitado em Seus métodos, em Seu tempo ou em Seu lugar. Ele não pode ser fixado a um lugar ou a um edifício. Onde quer que Ele apareça ao Seu povo, ali é terra santa.

    Ele viu que a igreja é espiritual, que as mudanças que acontecem nessa igreja são mudanças redentoras, que todos os crentes estão sobre o mesmo fundamento e que há um sacerdócio universal de todos os crentes.

    Por causa dessa visão, Estêvão permaneceu sob um céu aberto, contemplou um Salvador exaltado, identificou-se com esse Salvador e foi transformado por essa visão. Por causa dessa visão, ele pôde ter uma vida cristã vitoriosa e, agora, também uma morte vitoriosa.

    Nesta manhã, gostaria de examinar essa última parte: a visão que Estêvão teve é, sem qualquer ressalva, suficiente para sustentar a mim, a vocês, a todos nós, na hora da morte. Podemos ter uma morte triunfante.

    Agora, deixem-me fazer algumas observações que, creio, nos prepararão para examinar esse assunto de morrer vitoriosamente. É um tema sobre o qual alguns cristãos não gostam de conversar. Lá onde moro, esse é um dos meus temas preferidos. Gosto muito de falar sobre isso. Mas nem sempre encontro essa mesma disposição quando quero compartilhar algumas dessas coisas.

    Especialmente num grupo como este, tenho ouvido falar muito sobre vencedores. Sabem, se vocês não morrerem, não poderão vencer a morte. Então, acho que isso faz parte de vencer. Bem, isso não é cem por cento verdadeiro, porque já vencemos a morte, não é? Na Pessoa de Jesus Cristo, nosso Substituto. Portanto, sei que esse é o fato.

    Tenho certeza de que todos vocês já ouviram esta expressão: “Se o Senhor tardar, faremos isto ou aquilo”. Não é a minha expressão preferida. Não gosto muito dela. Prefiro: “Se o Senhor quiser, faremos isto ou aquilo”. Para isso, encontro respaldo nas Escrituras.

    É interessante que, com relação à volta do Senhor, a única vez em que a palavra tardar é usada na Bíblia é em Hebreus 10:37. Está escrito:

    Ainda dentro de muito pouco tempo,
    Aquele que vem virá e não tardará.

    Portanto, na única vez em que tardar é usado, o texto diz que Ele não tardará. Não diz: “Se o Senhor tardar”.

    Em condições normais, tenho quase certeza de que todos nós vamos morrer, se o Senhor quiser. Vocês entendem o que estou dizendo. Existe a possibilidade de sermos a geração que não morrerá, e eu não sei se somos. Mas, provavelmente, todos nós vamos morrer.

    Por isso, não levem a vida tão a sério. Vocês não vão sair dela vivos. Todos nós teremos de morrer. Como podemos, então, ter uma morte vitoriosa?

    A morte de Estêvão como convite ao estudo

    A maneira como Deus escreveu esse relato me parece um convite a todos os cristãos para contemplarem o cristão na hora de sua morte. Pelo que está registrado, com exceção do nosso próprio Senhor Jesus, nenhuma outra morte é descrita como a morte de Estêvão. É o maior relato que temos no Novo Testamento.

    É quase como se o Espírito Santo estivesse dizendo: “Estudem isto. Um dia vocês estarão nessa situação. Estudem isto”.

    Assim como Estêvão viveu com dignidade real, temos o registro de que também morreu com essa dignidade.

    A morte é o problema mais insolúvel do ser humano. A vida é cheia de problemas, como vocês sabem. Eles vêm de todos os tipos, formas e tamanhos. Alguns problemas têm soluções simples. Outros têm soluções complicadas. Alguns ainda não encontraram solução. Mas, quanto ao maior problema, esse é a morte. Não existe solução para ela à parte da revelação que Deus faz de Si mesmo.

    Acrescentem a isso o fato de Estêvão ter morrido como mártir — uma morte violenta. Há três tipos de mártires mencionados na Bíblia.

    Há um tipo como o apóstolo João. Ele estava disposto a ser mártir. Era uma testemunha, mas nunca teve essa oportunidade; não chegou a se tornar mártir. Imagino que esta sala esteja cheia desse tipo de mártir — mártires de coração. Vocês se identificaram com Cristo e, se Deus algum dia os chamasse para isso, Ele lhes daria a graça para morrer, e vocês seriam capazes de fazê-lo.

    Você não pode avaliar uma situação antes de receber a graça para ela. Não pode dizer: “Como eu me sairia na fogueira?”, porque ainda não está lá. Se chegasse lá, receberia a graça para honrar o Senhor naquela situação.

    Depois, há mártires como aquelas criancinhas que Herodes matou — aqueles bebês inocentes. Foram assassinados como se fossem Jesus, por causa do Seu nome, por causa da Sua causa; mas não tinham vontade própria nessa questão. Não escolheram isso. Foram mártires sem poder escolher.

    Então, há o mártir como Estêvão. Que Deus abençoe esse grupo. Eles estavam dispostos e tiveram o privilégio de morrer pelo nome e pela causa do nosso Senhor Jesus Cristo.

    Estêvão se torna a ilustração de Deus de alguém que teve vitória sobre o problema mais insolúvel do ser humano. Como ele morreu de forma violenta, não se trata apenas de vitória sobre o problema mais insolúvel do ser humano, mas de vitória sobre esse problema em sua forma mais agravada. Na vida de Estêvão, vocês têm um exemplo extremo de morte vitoriosa.

    Ele não adoeceu. Não envelheceu. Não morreu de alguma doença. Teve uma morte muito violenta. Quando vocês observam como ele morreu e como adormeceu naquela situação, só podem dizer: “Nossa, então isso deve ser possível”. E é possível, sim.

    Se tivermos a visão que ele teve, poderemos ter a vida que ele viveu e a morte que ele morreu. Se ele teve vitória, então todos os problemas menores estão incluídos nessa vitória.

    A morte tragada pela vitória

    Eu crio oportunidades para ter versículos preferidos. Tenho versículos preferidos sobre tudo. Eles vão mudando, mas isso é apenas uma desculpa para deixar um versículo penetrar em minha alma.

    No momento, meu versículo preferido sobre vitória é 1 Coríntios 15:54, apenas a última parte:

    Tragada foi a morte pela vitória.

    Não é um versículo maravilhoso? Tragada foi a morte pela vitória.

    Se vocês se levantassem amanhã de manhã, pegassem o jornal e encontrassem uma manchete dizendo: “O câncer foi tragado pela vitória”, o que isso significaria? Provavelmente significaria que descobriram a cura do câncer. Daquele momento em diante, talvez aplicassem algum tipo de vacina, e quem teria câncer não o teria mais.

    Mas “o câncer tragado pela vitória” não ajuda muito aqueles que já tiveram câncer. Essa vitória apenas diz: “Daqui para a frente, não haverá mais sofrimento”. Mas aqueles que já foram devastados, já foram feridos e já derramaram lágrimas — essa vitória não os ajuda.

    Mas a morte foi tragada pela vitória. Essa é uma vitória diferente, porque não apenas cuida do futuro: a vitória que Cristo nos deu sobre a morte alcança o passado até Adão e desfaz todo o dano que a morte já causou.

    Isso, sim, é vitória. Não é apenas uma vitória que apaga o incêndio; é uma vitória que reconstrói a casa.

    A única vitória de que vocês deveriam estar desfrutando, de que eu deveria estar desfrutando, é aquela ilustrada por “tragada foi a morte pela vitória”. Basta dizer assim: o problema mais insolúvel foi tragado pela vitória. Como a morte é o problema mais insolúvel, qualquer problema menor também é tragado pela vitória.

    Em outras palavras, se você tem um problema, o tipo de vitória que Deus quer lhe dar não é apenas uma resposta a esse problema, mas uma resposta que volte ao passado e desfaça todo o dano que esse problema já causou. Esse é o tipo de vitória que Deus tem para você e para mim. Ele não apenas resolverá o problema, mas transformará a maldição em bênção.

    Foi esse o tipo de vitória que Estêvão teve. Eu diria que há uma boa probabilidade de que, na vida ou na morte, nunca enfrentemos o que Estêvão enfrentou. E Deus lhe deu vitória.

    Ouçam Atos 7:59-60:

    E continuavam apedrejando Estêvão, que invocava o Senhor, dizendo: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
    E, pondo-se de joelhos, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado.
    E, tendo dito isto, adormeceu.

    Não é lindo? É algo realmente extraordinário. Estêvão adormecendo em paz sob uma chuva de pedras me diz que qualquer cristão pode ter paz na hora da morte, em quaisquer circunstâncias. É isso que gostaríamos de examinar e conversar a respeito.

    A vida em união com Cristo

    Para preparar nosso coração para isso, vou pedir que abram em outra passagem. Vamos chegar a Atos, mas quero que abram em 1 Tessalonicenses. Tenho lhes transmitido essa verdade durante todo o fim de semana, de uma forma ou de outra, mas esta passagem a apresenta claramente: 1 Tessalonicenses 5:9-10.

    Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo,
    Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele.

    Não é uma verdade preciosa? Quer estejamos acordados, quer estejamos dormindo, viveremos juntamente com Ele.

    O que é a vida cristã, segundo esse versículo? É viver juntamente com Ele. O que é a morte, segundo esse versículo? É viver juntamente com Ele. É a mesma coisa. Exatamente a mesma coisa. Quer estejamos acordados, quer estejamos dormindo, a única coisa que muda é o grau.

    Quer estejamos fisicamente vivos, quer estejamos mortos; quer ainda estejamos neste corpo, quer estejamos fora dele; quer ainda estejamos na terra, quer estejamos no céu; quer estejamos no tempo, quer estejamos na eternidade — Ele morreu para que, dormindo ou acordados, vivamos juntos em união com Cristo.

    Agora, se você nunca teve a visão de Estêvão, não sabe quem é e não sabe onde está a sua vida, então a morte será uma grande mudança para você.

    Milhares de cristãos temem a morte. Crentes têm medo de morrer. Temem isso porque não estão preparados para a mudança. Ou, então, aguardam ansiosamente a morte porque querem uma mudança. Querem que a morte os livre do fardo que chamam de vida cristã.

    Eles têm aquela ideia expressa na canção: “Sou apenas um pobre peregrino, viajando por este deserto”. E essa é a vida inteira deles. Não fazem ideia. Não tiveram a visão. Sua vida não está cheia até a borda e transbordando por todos os lados, o tempo todo.

    Pensam que a morte os libertará de uma coisa para que tenham algo qualitativamente diferente. Não é principalmente isso. Não se você tem a visão de Estêvão e sua vida é um céu na terra.

    Viver é Cristo, e morrer é ganhar mais de Cristo. Esse é o ganho: simplesmente mais de Cristo. Se eu dissesse a muitos cristãos: “O que vem depois da morte é mais daquilo que vocês têm agora”, eles diriam: “Não. Por favor, não é isso que eu quero. Não me diga isso”.

    Mas, se você teve a visão de Estêvão, entende o que isso significa. A salvação não começa quando você morre e é sepultado. A salvação continua quando você morre e é sepultado — apenas outra fase da mesma salvação.

    Quer você esteja acordado, quer esteja dormindo, trata-se simplesmente de união com Ele, para que vivamos juntamente com Ele.

    Para fins de análise, estou dividindo isso em dois pontos: como viver vitoriosamente e como morrer vitoriosamente. É a mesma coisa. Exatamente a mesma coisa. Tudo o que dissemos ontem sobre viver vitoriosamente continua sendo verdade quando chega a hora de morrer.

    Há completude e plenitude. Há uma manifestação da vida de Cristo. Há um Salvador ativo, completando Sua obra e cumprindo Seus propósitos.

    A visão de Estêvão acerca de dois mundos

    Vamos ler Atos 7:55-60 mais uma vez, para termos a passagem diante de nós.

    Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus em pé à direita de Deus;
    E disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé à direita de Deus.
    Mas eles clamaram em alta voz, taparam os ouvidos e, de comum acordo, avançaram contra ele;
    E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram: e as testemunhas depuseram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo.
    E apedrejavam Estêvão, que invocava o Senhor, dizendo: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.
    E, pondo-se de joelhos, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.

    Novamente, o versículo 60: ele clamou em alta voz. Como sugeri ontem, essa voz alta ilustra a morte triunfante que ele teve.

    Deixem-me apresentar ao coração de vocês a maneira como gostaria de abordar isso. São apenas verdades que nos confirmam — verdades que conhecemos —, mas, para termos algo em que apoiar nossos pensamentos, creio que nos ajudará observar Estêvão em relação a três mundos.

    Primeiro, seu relacionamento com o mundo para o qual estava indo. Ele olhou para o alto e viu o Senhor; em relação a esse mundo, tinha esperança.

    Depois, há outro mundo: o mundo em seu coração. Nesse mundo, ele tinha paz.

    E há ainda outro mundo: o mundo que estava deixando. Para esse mundo, ele deixou um fruto extraordinário.

    Portanto, se examinarmos o mundo para o qual ele estava indo, o mundo interior — o mundo em seu coração — e o mundo que estava deixando, creio que poderemos considerar alguns desses princípios.

    O mundo acima: a esperança no Filho do Homem

    Observem, antes de tudo, como Estêvão estava maravilhosamente concentrado, não apenas no mundo para o qual estava indo, mas no próprio Senhor. Ele estava ocupado com Cristo — muito consciente de dois mundos.

    Creio que, quanto mais perto da morte um cristão chega, mais consciente fica de dois mundos: o mundo físico e, é claro, o mundo espiritual.

    Atos 7:55-56 diz:

    Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus em pé à direita de Deus;
    E disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé à direita de Deus.

    Agora, onde estava Estêvão quando teve essa visão? Algumas pessoas imaginam que ele já estava do lado de fora, sendo apedrejado, e que, enquanto as pedras voavam, viu o Senhor Jesus à direita de Deus. Não, ele ainda não estava do lado de fora.

    Segundo o relato, ele estava no tribunal. Ainda estava dentro da sala do conselho. Estava diante do Sinédrio quando teve essa visão.

    Foi muito semelhante ao que aconteceu com nosso Senhor Jesus em João 17. Quando Ele estava no cenáculo, João 17:1 diz que Jesus falou essas coisas e levantou os olhos ao céu — Ele estava no cenáculo. Com estes olhos, só poderia olhar até o teto; mas não se tratava destes olhos. Ao levantar os olhos ao céu, Ele olhou através do teto.

    Assim, quando Estêvão teve sua visão, o Sinédrio não teve a mesma visão. Ele viu o Senhor; eles apenas o viram. Ele olhou através do teto, do telhado, das nuvens, e viu o Senhor Jesus em pé à direita de Deus.

    Ele estava olhando com outros olhos. Estava olhando com os olhos da fé e tinha plena consciência de dois mundos. Não ignorava o que acontecia diante dele. Sabia exatamente o que estava acontecendo nesta terra, mas também tinha olhos para o outro mundo.

    Estêvão poderia estar cego e dentro de uma caverna, e ainda assim teria visto o Senhor Jesus à direita de Deus. Isso não tinha nada a ver com estes olhos. Ele estava concentrado. Estava ocupado com o Senhor.

    Já estava acostumado a ver a revelação do Senhor nas Escrituras, como destacamos ontem. Agora, na hora de sua morte, o Senhor lhe dava essa maravilhosa revelação.

    Creio que esse princípio está escrito por toda a Escritura: quanto mais perto você chega da hora de sua partida, mais consciente fica de dois mundos, especialmente daquele mundo.

    O jubileu ilustra isso em Levítico 25. Uma vez a cada cinquenta anos, no Dia da Expiação, faziam soar aquela maravilhosa trombeta, e as dívidas de todos eram canceladas. Deus havia dado as terras dos patriarcas às famílias por sorteio, e era Sua vontade que elas nunca deixassem de lhes pertencer.

    Se, por má administração financeira ou por alguma dificuldade, você precisasse se desfazer de sua propriedade, ao fim dos cinquenta anos a receberia de volta. Suponham que Jerry tivesse uma propriedade e precisasse de dinheiro. Ele viesse a mim e dissesse: “Você quer comprar meu pomar de maçãs?”

    “Quanto custa?”

    “Bem, você vai ficar com ele por quarenta anos. Depois, terá de devolvê-lo.” Como ficarei com ele por quarenta anos, o preço é alto. Tenho de pagar bastante dinheiro por ele.

    Mas suponham que ele só me vendesse a propriedade depois de trinta anos. Agora ela custa menos, porque não ficarei com ela por tanto tempo. Se ele me vendesse a propriedade no quadragésimo quinto ano, ela custaria uma pechincha, porque só ficaria comigo por cinco anos. Tenho de devolvê-la a ele.

    Quanto mais perto você chega do jubileu, mais as coisas perdem o seu valor. Esse é o grande princípio. Quanto mais perto você chega do dia da morte, mais visível aquele mundo se torna; e este mundo, digo a vocês, irmãos, simplesmente vai desaparecendo.

    Isso não vale apenas para a morte. Novamente, é a mesma coisa: viver e morrer, quer estejamos acordados, quer estejamos dormindo.

    Paulo tinha isso em mente em 2 Coríntios 5:6-9. A passagem fala de andar por fé, e não por vista. Depois, ele diz:

    Ausentes do corpo, presentes com o Senhor.

    Você lê isso e diz: “Deve estar falando de quando deixamos o corpo e vamos estar com o Senhor”. Ele está falando disso, mas também está falando da vida.

    Ele diz que há duas maneiras de viver: ausente do corpo e presente com o Senhor, ou presente no corpo e ausente do Senhor. Você pode viver por fé ou por vista.

    Por que os inimigos do Senhor Jesus puderam açoitar Pedro e João, e eles começaram a se alegrar? Porque não estavam em casa. O coração deles estava na outra pátria.

    Por que puderam espancar Paulo e Silas, e isso os levou a cantar hinos? Porque não estavam em casa. Estavam ausentes do corpo.

    Por que puderam apedrejar Estêvão? Porque ele não estava em casa.

    Quer Estêvão estivesse servindo às mesas, pregando diante do Sinédrio ou lá naquele vale sendo apedrejado, era tudo a mesma coisa: acordado ou dormindo, viver juntamente com Ele.

    Mas Estêvão não estava em coma. Não estava num estado de estupor catatônico. Sabia o que estava acontecendo. Não era tolo. Ficamos com essa ideia de que ele só via o céu e não sabia o que estava acontecendo. É claro que sabia. Não era como aquela fotografia do vovô sorrindo sobre a lareira, que continua sorrindo enquanto a casa pega fogo.

    Ele sabia exatamente o que estava acontecendo, mas teve essa morte vitoriosa porque estava concentrado no Senhor. O que foi literalmente verdadeiro para Estêvão é verdadeiro ao longo de toda a vida cristã. Como nos concentramos no Senhor naquela hora! E, quanto mais perto chegamos, mais verdadeiro isso se torna.

    Lembro-me de uma ilustração disso quando minha querida mãe morreu. Minha mãe era cristã, e meu pai tinha acabado de se tornar cristão. Havia duas cenas. No plano terreno, havia caos. Era um daqueles dias: neblina, chuva, mau tempo. Meu sobrinho estava do lado de fora, olhando pela janela, e as ambulâncias chegaram. Ela havia sofrido um infarto. As luzes piscavam, os socorristas tentavam reanimá-la, e meu pai andava de um lado para o outro. Essa era a cena na terra.

    A cena que Deus me deu quando minha mãe morreu foi a de Cânticos 2:10. Era o Noivo falando à noiva:

    Levanta-te, minha amada, minha formosa, e vem.
    Porque eis que passou o inverno;
    A chuva cessou e se foi.
    As flores aparecem na terra;
    Chegou o tempo do canto das aves.
    Levanta-te, minha amada, minha formosa, e vem.

    Era isso que estava realmente acontecendo. No plano terreno, com estes olhos, havia caos e aflição. Mas o Noivo estava simplesmente chamando minha mãe para Si.

    Isso me faz lembrar de 2 Reis 2, quando Eliseu foi avisado de que Elias partiria. A chave, se você quer a bênção, é manter o foco. Continue olhando.

    Vocês já viram um tornado? Eu já vi na televisão. Aposto que seria difícil não olhar para aquela nuvem quando ela se aproxima. Dizem que o som é como o de um trem. Se Deus disser: “Você é Eliseu aqui. Mantenha o foco. Não tire os olhos dele”, e de repente aparecer um trem, vou querer desviar o olhar. Mas Eliseu manteve o foco.

    Havia cinquenta filhos dos profetas, e a Bíblia diz que eles só viram o redemoinho. Esse redemoinho chega, deixa tudo de cabeça para baixo e revira tudo dentro de casa. Mas Eliseu manteve o foco. Viu o que realmente estava acontecendo. Viu o carro e viu Elias ser levado ao céu. Eles só viram o tornado.

    Na hora da morte, isso não vale apenas para quem está morrendo. Quando você está perdendo pessoas queridas — se Deus levar seus filhos, sua esposa, alguém da família ou um amigo próximo —, mantenha o foco no Senhor e veja o que realmente está acontecendo. Caso contrário, você só verá o tornado que entrou, virou a casa de cabeça para baixo e deixou tudo em ruínas.

    O ponto é que existem dois mundos. Não quero entrar em misticismo aqui, mas tive o privilégio de ver muitas pessoas morrerem — não depois de mortas; vi essas pessoas deixarem este mundo. Estive ali, à beira do leito. Há uma diferença qualitativa em alguém que teve a visão que Estêvão teve.

    Já vi cristãos morrerem e, às vezes, a situação fica um pouco impressionante. Não sei se eles veem alguma coisa. Minha esposa e eu estávamos orando com um rapaz de dezoito anos que tinha apenas alguns momentos de vida. De repente, ele se iluminou e começou a falar de todos aqueles anjos no quarto. Pensei: “Nossa!” Acho que ele viu alguma coisa. Não sei.

    Já vi irmãos idosos se sentarem na cama com os olhos arregalados. Vi um homem que mal conseguia mover um músculo e que, de repente, se ergueu, com os olhos e a boca escancarados como tampas de latas de lixo. Não sei o que ele viu. Acho que Deus mantém isso encoberto por um véu.

    Não dou muito peso a experiências assim, mas o princípio é verdadeiro: você se torna consciente de dois mundos.

    O que Estêvão viu já era verdadeiro antes de ele ver. Se nunca tivesse visto, ainda assim seria verdadeiro. Sua visão não fez Jesus estar em pé à direita de Deus. Ele estava lá, quer Estêvão O visse, quer não. Mas o fato de Estêvão vê-Lo fez diferença na vida de Estêvão.

    Quando olhou para o alto, ele viu o Filho do Homem. Quero dizer algumas coisas sobre esse título. Vocês já estudaram esse título?

    Vinte e oito vezes no Novo Testamento lemos “o Filho do Homem” — oitenta e duas vezes nos Evangelhos: trinta vezes em Mateus, quinze em Marcos, vinte e cinco em Lucas e doze em João. Filho do Homem, Filho do Homem, Filho do Homem.

    Ninguém jamais chamou Jesus de Filho do Homem, exceto o próprio Jesus. Ele foi o único que usou esse título. Uma vez, em João, o título saiu da boca de outra pessoa, mas estavam citando o que Ele havia dito. Esse era o título preferido de Jesus para Si mesmo.

    Ele tinha prazer nesse título porque ele expressava Sua condição de Parente-Redentor. Era Sua identificação conosco: Filho de toda a humanidade, Irmão mais velho, meu Substituto, meu Representante, o último Adão.

    João 1:14 diz:

    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós.

    Isso significa que Deus, para nos salvar, teve de assumir a humanidade. Ele Se tornou homem, nascido em Belém de uma virgem.

    Vocês pensam, como muitos cristãos pensam, que, quando Jesus Se tornou homem, Deus Se tornou homem por trinta e três anos e meio? Ele viveu trinta anos no anonimato; depois, por três anos e meio, exerceu Seu ministério; então morreu por nós, foi sepultado, ressuscitou e subiu ao céu. Depois que subiu ao céu, Sua humanidade terminou? Ele voltou a ser apenas Deus?

    Algumas pessoas têm essa ideia, mas isso é muito maior. Espero que vocês compreendam a maravilha disso. Quando Deus decidiu, na eternidade, tornar-Se homem, foi uma decisão para sempre. Ele sempre será o Deus-Homem. Sempre.

    Se alguém lhe perguntasse: “Você cuidaria do meu animal de estimação — meu cachorro, gato, papagaio, peixe, gerbil, ou qualquer outro animal?”, aposto que uma das primeiras coisas que você diria seria: “Por quanto tempo?”

    Cuidar do meu animal por um dia? Um fim de semana? Uma semana? Um mês? Mas, se alguém disser: “Quero dizer até meu animal morrer ou você morrer”, então talvez haja algum outro irmão disposto a cuidar dele.

    Mesmo com algo tão precioso quanto uma criança: “Você cuidaria do meu filho?” “Por quanto tempo? Um fim de semana? Vocês vão viajar por uma semana?” “Não, estou falando de ficar com meu filho para sempre e criá-lo.”

    Quando Jesus tomou a decisão de Se tornar homem, você pergunta: “Por quanto tempo?” Para sempre. Para sempre.

    Quando Estêvão olhou para o alto, se tivesse visto o Filho de Deus como muitos santos viram, talvez tivesse caído diante Dele como eles caíram e ficado aterrorizado como eles ficaram. Mas, de alguma maneira, viu o Filho do Homem e pôde se identificar com Ele. Aquele era seu Representante. Era Alguém com Quem podia se identificar.

    Aquele era seu Substituto. Não haverá outro momento em que você desconfie tanto de si mesmo quanto quando estiver prestes a morrer. Espero que você nunca tenha confiança na carne, mas, se estiver em seu leito de morte, sabe que não pode ter confiança na carne.

    Você pode dizer: “Bem, vou fazer isso na minha própria força”. Tente sair da sepultura na sua própria força. Você não consegue. Não há motivo para confiança nisso.

    Naquele dia em que você for morrer, terá de depender dos méritos Dele, das obras Dele e da justiça Dele. Essa é a minha esperança de entrar no céu. Foi isso que Estêvão viu. Ele se concentrou em Cristo e, porque Ele era o Filho do Homem, Estêvão teve esperança.

    O mundo interior: a paz por meio da entrega

    Muito bem, vamos descer agora. Há outro mundo. O cristão que está morrendo também tem um mundo aqui dentro. Quando lemos o relato, vemos que Estêvão tinha uma paz maravilhosa em seu coração.

    Morrer triunfantemente tem muito a ver com o que acontece aqui dentro. Há várias ilustrações disso. O fato de ele estar sendo apedrejado e estar mais concentrado no Senhor, no céu, do que no que acontecia em sua vida mostra isso.

    Para Estêvão, era como se não houvesse ninguém na terra. Como se não houvesse mundo aqui. Parecia que não havia carne nem dor. Quando eu estou concentrado no Senhor, quando você está concentrado no Senhor, teremos a paz que excede todo entendimento.

    Essa é uma expressão maravilhosa. Não há nenhuma razão natural para essa paz. Todos nós conhecemos irmãos que estão nessa situação em seus leitos de morte, ou já estiveram, e temos visto essa paz extraordinária.

    O mundo olharia e diria: “Há todos os motivos para essa pessoa estar abatida e infeliz — nuvens e escuridão”. Mas, apesar das circunstâncias exteriores, há essa paz interior inexplicável, essa força que não se pode explicar, esse sustento inexplicável que vem do Senhor.

    Estêvão sabia muito bem que o arrastavam para aquela borda rochosa do vale de Josafá, junto ao monte das Oliveiras, de onde se avistava o Getsêmani. Ele não era tolo. Sabia que estavam atirando pedras nele e, mesmo assim, tinha paz.

    O que será lançado sobre nós provavelmente não serão pedras de um inimigo. Talvez muita coisa seja lançada sobre você, mas por seus amigos. Podem vir agulhas, quimioterapia, soro intravenoso, radioterapia e medicamentos. Você pode receber muita coisa, mas essas não são pedras de um inimigo.

    Quando leio que Estêvão, recebendo as pedras de um inimigo, adormeceu, penso: não é uma maneira maravilhosa de descrever isso? Ele adormeceu. Isso, sim, é paz interior.

    É possível, meus irmãos, ter paz neste mundo, independentemente do que seja lançado contra vocês? A resposta é um sim sem qualquer ressalva.

    Mas essa paz, se vocês lerem o texto, está ligada a outra verdade preciosa. Não se trata apenas de Deus ter lhe dado paz. Há uma verdade ligada a isso, e ela está em Atos 7:59:

    E apedrejavam Estêvão, que invocava o Senhor, dizendo: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.

    Se ele não soubesse que estava morrendo, não poderia ter dito: “Recebe o meu espírito”. Ele sabia que estava morrendo.

    Vocês veem o que Estêvão fez. Talvez digam: “Bem, foi a primeira vez que ele fez isso”. Acho que já havia feito isso mil vezes antes: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. Ele entregou seu espírito ao Senhor.

    O que é o espírito? É você. É a sua vida. Seu espírito é você. Ele entregou sua vida ao Senhor.

    Não foi a primeira vez que entregou seu espírito ao Senhor. Foi apenas mais uma vez em que entregou seu espírito ao Senhor. Ele vinha fazendo isso durante toda a sua vida cristã.

    Quando cantamos “Toma a minha vida”, estamos pedindo a Deus que nos mate? Estamos falando de entregar nossa vida, de colocá-la nas mãos Dele. Foi isso que Estêvão fez. Chegou àquela hora da morte e a entregou a Jesus. Entregou sua vida a Ele e, então, recebeu aquela paz. Foi aí que adormeceu.

    A paz vem quando você entrega tudo ao Senhor. Tenho certeza de que, na vida cristã, esse é o seu hábito. Espero que seja. Você entregou suas finanças a Ele, seu casamento a Ele, seus filhos a Ele, seus netos a Ele, seu trabalho a Ele, sua saúde a Ele e seus relacionamentos a Ele.

    Você entregou a Ele estas questões: “Onde devo morar? O que devo fazer? Quando devo ter filhos? Que nomes devo dar aos meus filhos?” Você entregou isso a Ele. É exatamente disso que se trata o que Estêvão fez.

    Quando ele entregou tudo ao Senhor, recebeu uma paz preciosa.

    Eu lhes disse que gosto de ter versículos preferidos. Todos os anos tenho um versículo para o ano. Neste ano, meu versículo é a segunda parte de Isaías 9:7:

    Do aumento do Seu governo e da paz
    Não haverá fim.

    Não é maravilhoso? Não haverá fim para o aumento do Seu governo, do Seu senhorio e da Sua paz.

    Vocês percebem isso, irmãos? Posso estar totalmente entregue ao Senhor neste momento e estar ainda mais entregue amanhã.

    Vocês dizem: “Se você está totalmente entregue agora, como pode estar mais entregue amanhã?” Porque minha capacidade de entrega aumenta. Não há fim para o aumento do Seu governo. Seu senhorio continua aumentando, e Sua paz continua aumentando. Não há fim para o aumento da Sua paz.

    Cada passo que dou no Seu senhorio é um passo que dou na Sua paz. Quando você chega a esse ponto, entregue ao Senhor, essa paz que excede todo entendimento vem ao seu coração.

    Estávamos conversando sobre plenitude outro dia, e um irmão me perguntou a respeito dessa ideia de plenitude. “Não há progresso? Você não cresce nessa plenitude? Do jeito que você está falando, todo mundo está cheio.”

    Sim, você cresce, mas cresce em capacidade. Primeiro, você é um dedal e está cheio. Depois, é um copinho e está cheio. Depois, uma xícara e está cheia. Depois, uma jarra e está cheia. Depois, uma banheira e está cheia. Há muitas banheiras aqui — estou só brincando.

    O ponto é que não há fim para o aumento do Seu governo nem para o aumento da paz.

    Quanto ao mundo acima, vejo o meu Senhor. Minha única esperança de entrar no céu é o Filho do Homem — Seus méritos, Sua bondade, Sua justiça, Sua salvação. Posso olhar para lá, não importa o que aconteça aqui embaixo.

    E quanto ao mundo aqui dentro: entrego tudo a Ele e tenho paz. “Senhor Jesus, recebe o meu espírito.”

    Gosto muito das palavras “recebe o meu espírito”, porque Estêvão não ficou confuso diante das causas secundárias.

    Se fosse eu, olhando apenas para o plano terreno, provavelmente diria: “Senhor Jesus, eles estão tirando a minha vida”. Ele não disse: “Senhor Jesus, eles estão tirando a minha vida”. Disse: “Senhor Jesus, Tu estás levando a minha vida. Recebe o meu espírito”.

    As pedras não mataram Estêvão. Jesus o levou.

    Aquele acidente não levou seu ente querido. Jesus o levou. Não diga que o câncer o levou. O câncer não o levou. Jesus o levou. A síndrome da morte súbita infantil não levou meu neto de quatro meses. Jesus levou meu neto de quatro meses.

    Digo a vocês: precisamos desse foco. Precisamos enxergar isto: “Recebe o meu espírito”. Nós o entregamos a Ele.

    Alguns cristãos me divertem. Como eu disse, gosto de falar sobre a morte; eles não gostam. Então falo ainda mais, porque sei que não gostam, e me divirto com isso.

    Muitos cristãos já me disseram: “Não tenho medo de morrer. Só não quero estar lá quando acontecer”. Dizem: “Quero morrer dormindo”.

    Acho que querem dizer: “Não quero sofrer muito. Espero que o Senhor simplesmente me leve enquanto eu estiver dormindo”.

    Não é interessante que Estêvão morreu — ele adormeceu? Com tudo aquilo acontecendo, acho que qualquer pessoa que tenha a visão de Estêvão morrerá dormindo, neste sentido: não importa o que venha a acontecer com o seu corpo. Você adormecerá no sentido de ter aquela paz que excede todo entendimento. O sono é apenas uma imagem do descanso no Senhor.

    O mundo deixado para trás: o fruto redentor

    Mais uma coisa. Estêvão olhou para o alto e viu seu Substituto, seu Representante, sua esperança. Olhou para dentro e entregou a situação ao Senhor. Na hora da morte, seja qual for a morte que Deus permita que você tenha, você pode entregá-la — entregar sua vida ao Senhor, colocá-la nas mãos Dele — e terá paz. Provavelmente estará mais tranquilo do que todos os que estiverem ao redor da sua cama, porque você tem essa maravilhosa visão.

    E quanto ao mundo lá fora?

    Há um princípio que percorre toda a Bíblia. Eu não sabia como chamá-lo, então simplesmente o chamo de viver de maneira redentora, uma verdade redentora. Vocês percebem que tudo o que entra em sua vida tem um propósito redentor? Com isso, quero dizer que não é principalmente para você. É principalmente para outra pessoa, ou para muitas outras pessoas. Talvez seja para uma ou duas gerações adiante. Você não sabe.

    É por isso que você não consegue entender um décimo de um por cento do que está acontecendo em sua vida, e eu não consigo entender um décimo de um por cento do que está acontecendo na minha. Não se trata de nós. É Deus realizando Sua obra. Tudo tem um propósito redentor, inclusive a hora de sua morte.

    Isso está ilustrado em Estêvão. Como compartilhei ontem, todo fruto é ilustrado por Atos 7:60:

    Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.

    Aquele perdão foi um milagre tão grande — aquele espírito perdoador —, porque ele tinha visto a visão e Deus estava trabalhando. Esse foi um dos testemunhos que deixou.

    Mas parece que, na vida e na morte, Estêvão estava ocupado com o Senhor. Não estava pensando no fruto. Não disse: “Como posso deixar um testemunho para esses sujeitos desprezíveis que estão me apedrejando?” Ele não pensou assim. Não estava pensando no fruto. Estava pensando no Senhor.

    Estava concentrado no Senhor. Viveu com os olhos no Senhor e deixou aquele testemunho.

    Então Atos 7:58 diz:

    E, lançando-o fora da cidade, começaram a apedrejá-lo: e as testemunhas depuseram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo.

    Isso, sim, é fruto. Isso, sim, é influência redentora. Mencionei na aula introdutória como Estêvão foi o precursor do apóstolo Paulo. Eu sabia disso, vocês sabem disso, mas Estêvão não sabia.

    Ele não disse: “Bem, há um jovem aqui. Aposto que, se Deus salvar o inimigo número um no mundo, ele poderá se tornar o amigo número um de Cristo”. Ele não pensou nisso. Estava apenas olhando para Cristo, e Deus estava produzindo todo aquele fruto maravilhoso.

    Santo Agostinho disse que a igreja deve Paulo às orações de Estêvão. Não sei até que ponto ele poderia estar errado, se é que estava; provavelmente estava certo nisso. Certamente existe uma ligação orgânica.

    Mas esse não é todo o fruto. Vejam Atos 8:1:

    E Saulo consentia na morte dele. E naquele dia levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas regiões da Judeia e de Samaria, exceto os apóstolos.

    A morte de Estêvão marcou uma mudança. O texto diz que todos foram dispersos. Vocês conhecem a palavra grega traduzida como dispersos? É a palavra usada para semear sementes.

    Então Atos 8:4 diz:

    Portanto, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a Palavra.

    Por causa de Estêvão, houve uma grande perseguição, e Deus começou a semear os cristãos por toda parte. Quando foram, começaram a pregar a Palavra.

    A morte de Estêvão desencadeou uma perseguição. Eles foram dispersos como sementes. À medida que lemos adiante, vemos que um grande avivamento irrompeu em Samaria. Houve a conversão do eunuco etíope, a conversão de Cornélio em Cesareia, e uma igreja foi formada em Antioquia.

    É algo extraordinário. Acrescentem a tudo isso o que Deus fez por meio de Paulo — a colheita de almas que veio por meio de suas viagens missionárias. Todo esse fruto veio de Estêvão, e ele não fazia ideia. Não tinha nenhuma noção disso.

    Não estava tentando levar um avivamento a Samaria, à África, a Cesareia ou a Antioquia. Ele disse: “Só quero ver Jesus”. Essa era sua esperança. Quando entregou tudo a Jesus, encontrou sua paz. E, quando entregou tudo a Jesus, vejam o fruto. Deus havia feito algo maravilhoso.

    O fruto coletivo de uma visão compartilhada

    Deixem-me terminar com uma consideração sobre o corpo de Cristo.

    Outro dia, recebi um e-mail: “Querido irmão”. No e-mail, ele escreveu um provérbio. Acho que as pessoas já o tinham ouvido antes. Eu nunca tinha ouvido. Comecei a compartilhá-lo com vários irmãos, e eles disseram: “Ah, sim, já ouvi isso”. Mas eu nunca tinha ouvido.

    Foi isto que ele disse:

    O homem pode contar as sementes de uma maçã,
    Mas só Deus pode contar as maçãs de uma semente.

    Vocês já tinham ouvido isso? Pensem um pouco nisso. Só Deus pode contar as maçãs de uma semente.

    Quem sabe quanto fruto ainda está sendo produzido por causa de Estêvão? Eu, por exemplo, faço parte da recompensa de Estêvão. Só Deus pode contar as maçãs de uma semente.

    Vamos terminar com essa consideração sobre o corpo de Cristo. Vejam o fruto de um só homem que teve a visão.

    E se, irmãos, cada irmão nesta assembleia tivesse a mesma visão? Vocês conseguem imaginar o fruto que viria? Vejam o que veio de um só homem olhando somente para Cristo. Vejam o que Deus fez por meio daquele homem. O avivamento se espalhou por toda parte.

    Se Deus fizesse isso no corpo — uma assembleia inteira de Estêvãos que tiveram a visão, que aprenderam a permanecer sob um céu aberto, contemplar um Cristo glorificado, identificar-se com esse Cristo e ser transformados por essa revelação —, só Deus poderia contar as maçãs de uma semente. Não há como dizer o que Deus fará.

    Bênção e oração final

    Deixem-me terminar com esta bênção da Palavra de Deus, Salmos 121:5-8:

    O Senhor é quem te guarda;
    O Senhor é a tua sombra à tua direita.
    O sol não te ferirá de dia,
    Nem a lua de noite.
    O Senhor te guardará de todo mal;
    Ele guardará a tua alma.
    O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada,
    Desde agora e para sempre.

    E isso inclui a sua última saída. O Senhor guardará a sua entrada e a sua saída, desde agora e para sempre.

    Vamos orar.

    Nosso Pai celestial, nós Te agradecemos muito porque podemos ter uma vida vitoriosa e uma morte vitoriosa. Podemos ver em nosso Parente-Redentor tudo o que somos, nossa vida, tudo Nele; podemos entregar ao Senhor Jesus a nossa vida e ter a paz que excede todo entendimento; podemos deixar todo o fruto Contigo e simplesmente continuar concentrados em Ti.

    Senhor, Tu nos darás essa visão? Oro por cada homem aqui e por qualquer pessoa que venha a ouvir estas verdades por qualquer meio, para que aprendamos o que significa permanecer, pelo Espírito Santo, sob um céu aberto.

    Que aprendamos o que significa contemplar constantemente nosso Redentor exaltado, o Filho do Homem, em pé à direita de Deus, vitorioso. Que sejamos constantemente transformados em conformidade com Sua morte e em conformidade com Seu caráter, para que Tu recebas a glória.

    Pedimos em nome de Jesus. Amém.