Por favor, abram no livro de Apocalipse — Apocalipse 2.
Apocalipse 2:5
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras;
senão, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.
Apocalipse 2:7
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Teu nome, temos a confiança de que Tu estás aqui conosco. Reconhecemos que estamos em solo santo. Ensina-nos a tirar os nossos sapatos, para que possamos ouvir o que Tu tens a dizer aos Teus servos.
Fala, pois os Teus servos ouvem. Que sejamos servidos e que a Tua obra seja feita. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nesta manhã, tivemos comunhão a respeito do modelo do serviço espiritual. Agradecemos a Deus por Ele nos ter chamado para servi-Lo.
Sempre que pensamos nisso, percebemos que honra Deus nos concedeu. Quem somos nós, para que Ele deseje que O sirvamos? Nós O louvamos e Lhe agradecemos por nos ter tornado dignos. Em nós mesmos, jamais seremos dignos de servi-Lo; tudo é pela Sua graça.
Não há nada de que possamos nos gloriar. Se queremos nos gloriar, nós nos gloriamos na graça do nosso Senhor Jesus.
Quando estamos servindo, a primeira e principal pergunta que devemos fazer é esta: existe algum modelo para o serviço espiritual? Há requisitos espirituais? Como podemos servi-Lo de maneira que realmente satisfaça o Seu coração?
Não estamos simplesmente fazendo qualquer coisa. Estamos servindo ao nosso Mestre, e precisamos saber o que o nosso Mestre realmente deseja.
Nosso Senhor Jesus nos diz:
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo;
se alguém Me servir, o Pai o honrará.
A primeira questão no serviço é seguir o Senhor. Onde quer que o Senhor esteja, ali devemos estar. Somente nessa condição somos capazes de servi-Lo.
Qual é o modelo do nosso serviço? Não é outro senão o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o perfeito Servo de Deus, e, assim como Ele serve, também nós devemos servir.
Ele nos chama a tomar o jugo com Ele e a aprender Dele, porque Ele é manso e humilde de coração.
Ao servirmos ao Senhor, precisamos examinar a nós mesmos repetidas vezes diante Dele, para que o nosso serviço não se afaste daquilo que Deus deseja.
Precisamos examinar se o nosso serviço está de acordo com a natureza de Deus. Deus é um Deus vivo. A menos que O sirvamos em vida, o nosso serviço não será aceito.
Por vida, não quero dizer a nossa vida natural. Refiro-me à vida do nosso Senhor Jesus. A Sua vida em nós é o único meio de servi-Lo.
Quando estamos servindo, precisamos perguntar se há vida ou se simplesmente servimos por rotina. Podemos servir de uma maneira que julgamos conhecer, sem depender da vida de Cristo em nós.
Essa é a primeira questão que precisamos examinar.
Nosso Deus é Espírito; portanto, devemos servi-Lo em espírito. Como o nosso irmão mencionou, o serviço não é algo exterior. Não é apenas uma atividade, nem mesmo apenas uma atividade religiosa. É um serviço interior.
Os fariseus serviam a Deus. Estudavam a Bíblia e conheciam a letra da Palavra. Chegavam até ao extremo de seguir todas as tradições dos antepassados.
A Bíblia nos dá princípios. Ao longo dos séculos, surgiram rabinos para interpretar a Bíblia e dizer às pessoas como os seus princípios deveriam ser aplicados em cada situação. Por exemplo, a Bíblia diz que no sétimo dia não se deve trabalhar. Mas o que é trabalho? Os rabinos explicavam isso, e os rabinos posteriores interpretavam os ensinamentos daqueles que os haviam precedido.
Assim, linha após linha, interpretaram a Palavra de Deus com tantos detalhes que até a própria Palavra de Deus ficou soterrada.
Pensavam que estavam servindo a Deus, mas o nosso Senhor Jesus disse muito claramente que serviam a Deus com os lábios, mas não com o coração. Esse serviço é inaceitável.
Irmãos e irmãs, quando estamos servindo, nosso coração precisa estar envolvido. Temos de servi-Lo em espírito; caso contrário, o serviço não será aceito.
Deus é verdade. Se O servimos, temos de servi-Lo em verdade — isto é, segundo a Palavra escrita de Deus. É por isso que é tão importante conhecer as Sagradas Escrituras e guardar ricamente a Palavra de Deus em nosso coração, para então servi-Lo de acordo com a Palavra.
Quando examinamos a nós mesmos quanto à natureza do serviço, devemos perguntar: estamos de acordo com o padrão? Isso é algo que precisamos considerar de tempos em tempos.
Também mencionamos que, ao servi-Lo, temos de fazê-lo de acordo com a visão que Ele nos deu. Graças a Deus, nosso Deus é um Deus de propósito. Antes mesmo da fundação do mundo, Ele estabeleceu em Si mesmo um propósito segundo o Seu beneplácito.
Esse é o propósito eterno de Deus. Em outras palavras, é aquilo que Deus deseja. É o prazer do Seu coração; é o que Ele quer. De acordo com esse propósito, Ele trabalha ao longo dos séculos.
Quando falamos de visão, não estamos pensando em algo nebuloso ou misterioso. Estamos falando do próprio coração de Deus.
Estamos falando daquilo que Deus desejava antes mesmo da fundação do mundo. Antes de criar qualquer coisa, Deus já tinha um propósito.
Esse propósito é que o Seu Filho amado seja tudo. Ele entregou todas as coisas ao Seu Filho amado e quer que o Seu Filho amado tenha o primeiro lugar em todas as coisas.
Tudo no universo deve revelar, manifestar e expressar o Seu Filho amado. É por isso que Ele colocou toda a Sua plenitude e todas as Suas riquezas no Seu Filho amado, para que o Seu Filho tenha a preeminência sobre todas as coisas.
Deus ama tanto o Seu Filho. Ele disse:
Não é bom que o homem esteja só.
Não é bom que o Seu Filho esteja só. Antes mesmo da fundação do mundo, Deus propôs dar ao Seu Filho uma noiva, uma esposa — e essa é a igreja, a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas.
No coração de Deus há esse propósito, e todas as Suas obras estão de acordo com ele. É nesse propósito que somos chamados a servir.
O grande problema entre o povo de Deus, na questão do serviço, é que desconhecemos o propósito eterno de Deus. Em outras palavras, falta-nos visão. Como nos falta essa visão celestial, nosso serviço se afasta do propósito de Deus.
Podemos estar muito ocupados trabalhando, e podemos estar trabalhando para Deus, mas não estamos trabalhando com Deus, porque isso não está de acordo com a visão celestial.
Toda obra feita de acordo com a visão celestial é um serviço que permanecerá para sempre. Quando não está de acordo com a visão, falta alguma coisa.
À medida que continuamos a servir, precisamos examinar a nós mesmos: nosso serviço ainda está dentro da visão ou já se afastou dela?
Também precisamos perguntar: qual é o resultado do nosso serviço? A vida está sendo transmitida?
A menos que estejamos dispostos a entregar a nossa vida, a vida de Cristo em nós não poderá ser liberada. O apóstolo Paulo nos diz que temos esse tesouro em vasos de barro, e o vaso de barro precisa ser quebrado para que a luz do tesouro possa resplandecer.
Temos de fazer esta pergunta: a vida está sendo transmitida? Se a vida não está sendo transmitida, não podemos considerar isso serviço espiritual.
Também devemos perguntar: com que poder estamos servindo? Às vezes, podemos começar a servir com o poder da nossa vida natural e, pouco a pouco, aprendemos que Deus não aceita fogo estranho.
Temos de servi-Lo com um fogo que vem do alto, pelo poder do Espírito Santo. Às vezes, encontramos uma mistura: há o poder de Deus, mas também há muito do nosso próprio poder. Isso precisa ser purificado, para que o nosso serviço seja inteiramente no poder de Deus.
Servir a Deus não é algo simples. Temos de estar sempre diante do Senhor, permitindo que a luz de Deus brilhe sobre nós, para que, na Sua luz, vejamos a luz.
Se realmente nos expusermos à Sua luz, pergunto-me se haverá alguém que possa dizer: “Meu serviço está inteiramente de acordo com Deus”. Duvido que haja alguém.
De alguma forma, percebemos que sempre misturamos as coisas e nos afastamos com muita facilidade do pensamento original de Deus. É muito fácil incorporar muitas coisas de fora, adotar os métodos do mundo ou até os métodos do mundo religioso. Então percebemos que o nosso serviço se deteriorou muito.
Você está realmente satisfeito com o seu serviço ou percebe que ele não corresponde ao desejo de Deus?
Não sei como vocês se sentem. Só posso lhes dizer como eu me sinto. Quanto mais sirvo ao Senhor, mais percebo como é pequena a parte do meu serviço que realmente está de acordo com Deus. Reconheço que sou um fracasso diante de Deus.
Quando examinamos a situação de hoje — quando olhamos para nós mesmos sob a luz de Deus ou olhamos para as igrejas ao redor do mundo —, qual é a nossa reação? Estamos plenamente satisfeitos ou realmente sentimos que precisamos nos humilhar diante do Senhor dia após dia, porque nosso serviço é inaceitável a Deus?
Entre as pessoas de hoje, especialmente aquelas que realmente querem servir a Deus, há um sentimento comum: nós falhamos.
Mas, graças a Deus, nós podemos falhar, porém Deus nunca falha.
Nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos o caminho da restauração. Como podemos ser restaurados àquilo que Deus originalmente deseja?
Nos últimos dois dias, temos falado sobre o serviço. Parece que a principal ênfase tem sido nas pessoas que servem, e não na obra que fazemos.
Todos somos chamados a servir, mas, quando estamos servindo a Deus, há uma obra definida a ser realizada. No entanto, na obra de Deus, a obra não pode ser separada da pessoa, porque não é algo técnico nem terreno. É algo espiritual; é algo vivo.
Há uma relação tão profunda entre a pessoa que serve e a obra que ela realiza. É por isso que a ênfase na Palavra de Deus está sempre no ser, e não no fazer.
Nossa ideia natural de serviço é fazer. Fomos redimidos pelo Seu precioso sangue e agora queremos servi-Lo. Imediatamente perguntamos: “O que vou fazer? O que posso fazer? O que devo fazer para servi-Lo?”. Nossa ênfase está sempre no fazer.
Contudo, o curioso é que a ênfase de Deus está sempre no ser.
Certo dia, depois de o nosso Senhor Jesus alimentar os cinco mil com cinco pães e dois peixes, as pessoas quiseram obrigá-Lo a ser rei, porque Ele podia resolver o problema da alimentação delas.
No dia seguinte, encontraram o Senhor, e Ele disse:
Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna.
Eles perguntaram:
Que faremos para realizar as obras de Deus?
Isso está em João 6. Toda a ideia deles estava centrada no fazer.
Nosso Senhor Jesus respondeu:
A obra de Deus é esta: que creiais Naquele que Ele enviou.
Vocês entendem a resposta? A pergunta deles era: “Quais são as obras de Deus que devemos fazer?”. O Senhor disse: “Creiam em Mim. Essa é a obra de Deus”.
Na obra de Deus, o ser é o fundamento. Se aquilo que somos não estiver correto, não importa o que façamos: pode parecer muito religioso e muito bem-sucedido, mas ainda assim pode se opor a Deus e deixar de servir ao propósito de Deus.
É por isso que, nestes últimos dias, a ênfase tem sido nas pessoas — naquilo que elas são. A menos que Ele primeiro opere em nós, não há como Ele operar por meio de nós.
Estamos familiarizados com Romanos 12:1:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso serviço espiritual.
Por que devemos apresentar o nosso corpo? Por causa das misericórdias de Deus. Ele demonstrou tamanha misericórdia para conosco. Ele nos levantou e nos capacitou a sentar com príncipes. Nós O louvamos e Lhe agradecemos pelas misericórdias que nos demonstrou.
Ele não apenas lavou os nossos pecados; Ele nos libertou do poder do pecado. Ele nos deu o Espírito Santo, para que possamos andar diante Dele. Ele não apenas nos justifica; Ele nos glorificará.
Todas essas misericórdias de Deus devem nos constranger. Não podemos mais viver para nós mesmos. Não podemos trabalhar para nós mesmos. Temos de viver para Ele e trabalhar para Ele. Isso é apresentar o nosso corpo.
Apresentar o nosso corpo como sacrifício vivo — o que é um sacrifício?
Um sacrifício é algo colocado sobre o altar e morto. Antigamente, quando o coração dos filhos de Israel era tocado pelo amor de Deus e eles queriam demonstrar sua gratidão, tomavam dos seus rebanhos uma ovelha ou um boi e o levavam ao templo.
Amarravam o animal às pontas do altar. O sacerdote vinha, abatia o animal, e ele era queimado como aroma agradável a Deus.
O que isso significa? Eu não posso matar a mim mesmo para Deus. Esse animal me representa. Coloco as mãos sobre o animal; identifico-me com essa ovelha, e ela morre para Deus.
Isso é um sacrifício. Quando pensamos em sacrifício, não se trata de fazer alguma coisa. Como um animal morto pode realizar algum trabalho?
Ser um sacrifício vivo é adoração espiritual. Não se trata de fazer alguma coisa; trata-se de ser colocado sobre o altar e permitir que Deus faça a Sua obra em você.
Consagração não é fazer alguma coisa para Deus.
Quando fui salvo, havia um ensinamento de que, se você fosse salvo e realmente amasse o Senhor, deveria se oferecer para ser pregador.
Ainda me lembro disso com muita clareza. Foi em 1930, e eu tinha quinze anos. Graças a Deus, Ele me havia salvado. No último dia da conferência, o pregador colocou um grande mapa da China na parede.
Ele disse: “Se vocês são salvos e amam o Senhor, devem se oferecer para ser pregadores. Essa é a maneira de se consagrarem. Depois, podem escolher para onde querem ir”.
Eu tinha apenas quinze anos. Sabia que era salvo. Havia buscado a salvação durante um ano inteiro, e agora Ele havia Se encontrado comigo. Fiquei tão tocado pelo amor de Cristo que disse a mim mesmo: “Quero ir para o lugar mais distante, o lugar mais difícil, para demonstrar meu amor por Cristo”.
O pregador disse que poderíamos subir à plataforma, colocar o dedo no mapa e indicar o lugar para onde queríamos ir. Subi e coloquei o dedo na Mongólia, porque, naquela época, pensávamos que a Mongólia era o lugar mais distante e mais difícil.
Eu estava falando sério. Mas, até hoje, nunca fui à Mongólia.
Por quê? Porque, para mim, naquela época, servir a Deus significava fazer coisas para Ele. Eu não me importava com a vontade de Deus. Queria servi-Lo segundo a minha própria vontade. Não me importava com o poder com que servia; empregaria toda a minha força e esperaria que Ele ficasse satisfeito.
Irmãos e irmãs, é assim mesmo? Está muito longe disso.
O Senhor precisou me ensinar muitas lições. Precisou me diminuir cada vez mais. Precisou me colocar cada vez mais baixo. Precisou fazer muita obra na minha vida antes que eu começasse a servi-Lo em pequena medida.
Ao olhar para trás, sinto tanta vergonha de mim mesmo. Quanto do meu serviço permanecerá por toda a eternidade?
Quero encorajar vocês, irmãos e irmãs — vocês que O têm servido por anos —, a permitir que Ele os examine repetidas vezes. O serviço de vocês é realmente serviço? A obra que estão fazendo realmente procede da vida? Ele primeiro operou em vocês, e essa obra agora está sendo expressa por meio de vocês?
Ela está em conformidade com Cristo? Ainda está de acordo com a visão celestial? Tenho feito concessões? Tenho adotado os métodos do mundo?
Se você for honesto, se realmente se apresentar diante do Senhor repetidas vezes, não poderá deixar de reconhecer que é um fracasso. Então, será que há alguma esperança?
Graças a Deus, Ele é o Deus da esperança. Em Joel 2, Ele diz:
Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto.
Ao olharmos para trás, talvez estejamos em desespero. Perdemos a esperança em nós mesmos e na obra que estamos fazendo. Perguntamo-nos se o propósito de Deus algum dia será realizado com pessoas como nós.
Mas, graças a Deus, Ele é o Deus da restauração. Ele é capaz de nos restaurar.
Todos sabemos que o nosso Senhor Jesus é o nosso Salvador. Enquanto esteve na terra, Ele deu a Sua vida por nós. Derramou o Seu sangue para expiar os nossos pecados. Liberou a vida por meio da morte, para que pudesse nos dar essa vida.
Ele é o nosso Salvador e o nosso Redentor. Na cruz, Ele disse:
Está consumado.
A obra da redenção está consumada. Ele fez a obra de Deus; realizou tudo. Então, foi ressuscitado dentre os mortos.
Agora, Ele está assentado à direita de Deus, esperando que todas as coisas sejam colocadas debaixo dos Seus pés. Mas o que o nosso Senhor está fazendo hoje?
Ele está fazendo uma grande obra no céu. Enquanto esteve na terra, Ele foi o Apóstolo, o Salvador e o Redentor. Agora, à direita de Deus, tornou-Se o nosso grande Sumo Sacerdote.
A Bíblia diz que Ele vive para sempre e é capaz de nos salvar completamente.
Como Apóstolo, Ele abriu o caminho para nós. Como Sumo Sacerdote, Ele nos salva completamente. Tudo o que realizou na terra, Ele agora aplica a cada um de nós.
Ele enviou o Seu Espírito Santo a este mundo. Ele está no céu, e o Espírito Santo está em cada um de nós. Por meio da Sua intercessão, o Espírito Santo opera em nós, revela Cristo a nós, conduz-nos à plenitude de Cristo e nos capacita a servir em espírito e em verdade.
Essa é a obra do nosso Senhor Jesus no céu, até que todas as obras de Deus sejam realizadas. Nosso Senhor Jesus é o grande Sumo Sacerdote. Dependemos Dele a cada hora. Ele está intercedendo por nós.
Lembrem-se de Pedro. Pedro pensava que amava o Senhor e estava disposto a morrer com Ele. Os outros discípulos poderiam fugir, mas Pedro, não. Ele disse: “Estou disposto a morrer Contigo”.
O Senhor disse:
Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo;
Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça;
tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.
Agradecemos ao Senhor por termos um Sumo Sacerdote que é capaz de nos conduzir até o fim, de nos levar à glória e de nos capacitar a servir a Deus à maneira de Deus. Quanto precisamos cooperar com Ele!
Há uma pessoa na Bíblia que, penso eu, pode ser um verdadeiro exemplo de como um vaso quebrado pode se tornar um vaso de honra. Refiro-me a João Marcos.
Sabemos que Marcos nasceu em uma família que amava a Deus. Sua mãe, Maria, parece ter vindo de uma família abastada. O cenáculo onde o nosso Senhor celebrou a Última Ceia pertencia a Maria, e foi também naquele cenáculo que os cento e vinte se reuniram para orar durante dez dias.
Ao que tudo indica, Marcos veio ao Senhor por meio de Pedro, porque Pedro o chamou de “meu filho Marcos”. Esse jovem parecia ter um coração voltado para o Senhor.
Quando Barnabé e Paulo foram a Jerusalém levar a oferta dos cristãos gentios para ajudar os crentes dali, levaram João Marcos consigo ao retornar a Antioquia. Marcos era primo de Barnabé, e Barnabé sentia que esse jovem era promissor e poderia ser usado por Deus.
Em Atos 13, enquanto profetas e mestres ministravam ao Senhor, o Espírito Santo disse:
Separai-Me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Esses dois irmãos foram separados e partiram em uma viagem missionária. Levaram João Marcos consigo como auxiliar na obra.
Foram a Chipre e pregaram o evangelho por toda aquela ilha. Depois, saíram de Chipre e foram a Perge, na Panfília. Ali, a Bíblia diz que Marcos os deixou e voltou para Jerusalém.
Por que Marcos foi embora? Penso que provavelmente por duas razões. Primeiro, esse jovem estava acostumado a uma vida confortável. Quando acompanhou os dois apóstolos, descobriu que a vida era difícil demais.
O segundo problema, mais sério, era este: quando Barnabé e Saulo foram comissionados para a obra, Barnabé estava à frente. Barnabé havia encontrado Paulo e era o líder do grupo.
Mas, durante os dias em Chipre, Deus começou a usar Paulo. A Bíblia passou a falar de “Paulo e seus companheiros”. Parecia que a liderança havia mudado de mãos. Paulo se tornou o líder.
Talvez Marcos não pudesse aceitar que Paulo, em vez de seu primo, continuasse como líder. Não conseguia se submeter a Paulo, por isso foi embora e voltou para Jerusalém.
Graças a Deus, Deus não desistiu dele. Em Jerusalém, Marcos recebeu ajuda de Pedro. Pedro era alguém que havia falhado, mas o Senhor o restaurara. Por isso, sabia como ajudar esse jovem.
Pedro também levou Marcos à Babilônia. Em 1 Pedro, escrita na Babilônia, Pedro menciona “meu filho Marcos”.
Mais tarde, quando Paulo e Barnabé voltaram a Antioquia depois da conferência em Jerusalém, planejaram sair novamente e visitar os lugares onde haviam pregado antes. Barnabé queria levar Marcos com eles.
Barnabé era o filho da consolação. Era um homem cheio de amor e compaixão, e queria ajudar esse jovem. Mas Paulo era rigoroso quanto à disciplina. Entendia que, por Marcos os ter deixado e abandonado, não era digno de acompanhá-los.
Houve uma discussão tão acirrada entre eles que se separaram. No entanto, graças a Deus, por meio de Barnabé, Marcos foi preparado de tal maneira que, mais tarde, quando Paulo escreveu Colossenses 4, mencionou Marcos como um dos seus cooperadores, útil no reino de Deus.
Depois, em 2 Timóteo, antes de ser martirizado, Paulo escreveu:
Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério.
Não se desespere. Existe algo chamado desespero espiritual, mas ele deve produzir salvação. Deve levar você a olhar para o Senhor, que pode fazer o impossível.
Você falhou, mas Ele nunca falha.
O primeiro Evangelho foi escrito por Marcos. Nesse Evangelho, ele nos mostra que Jesus é o perfeito Servo de Deus. Esse jovem passou a seguir Cristo aonde quer que Ele fosse.
Graças a Deus, nós podemos falhar, mas Ele nunca falha. Há esperança para cada um de nós. A questão é se vamos nos humilhar, aceitar a disciplina que Deus nos impõe, estar dispostos a nos arrepender e praticar as primeiras obras.
Nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.
Qual é a obra de Deus? Qual é a obra que somos chamados a realizar? Deus tem apenas uma obra. É a obra que o próprio Deus faz, a obra que o nosso Senhor Jesus continua a fazer e a obra que Ele nos chama a cumprir.
Por que o nosso Senhor Jesus veio a este mundo? Muitas vezes dizemos que Ele veio buscar e salvar o perdido. Isso é verdade, mas é olhar para o aspecto exterior.
Se olharmos mais profundamente, o Evangelho de João nos apresenta a história interior de Cristo. Ele nos diz por que o nosso Senhor Jesus veio a este mundo. Ele veio buscar a Sua noiva.
Nosso Senhor Jesus é o Noivo. Ele veio a este mundo para buscar a Sua noiva. No entanto, ao longo do Seu ministério, as pessoas que encontrou eram cegos, coxos, leprosos, mortos e pecadores. Ele não conseguia encontrar a Sua noiva.
Por isso, Ele precisou morrer para formar uma noiva. Somente quando tinha a cruz diante de Si começou a revelar o que estava em Seu coração:
Edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Nosso Senhor Jesus veio a este mundo para edificar a igreja. Quando a igreja estiver madura, ela será a Sua noiva.
Essa é a obra de Deus. Essa é a obra na qual o nosso Senhor Jesus estava empenhado, e essa é a obra que Ele nos ordena fazer.
Os requisitos para realizar essa obra são tão elevados. Ela exige a vida do Filho; exige a entrega da vida.
A obra de Deus é uma só. A obra de Deus pode envolver muitas coisas, mas a obra em si é uma só: Ele quer edificar a Sua igreja, o Seu corpo, a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas. Ele quer encontrar uma auxiliadora semelhante a Ele.
Essa é a obra de Deus, e é nela que o nosso serviço está centrado. Pode haver muitas atividades diferentes, mas todas devem servir a essa única obra de Deus.
No livro de Atos, vemos que, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu, e cento e vinte crentes individuais foram batizados em um só Espírito, formando um só corpo. Esse corpo começou a crescer, e muitos outros foram acrescentados a ele.
Que começo glorioso! A presença de Deus era tão real que, se o pecado entrasse na igreja, era imediatamente disciplinado.
Havia uma congregação de pessoas que perseveravam na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações.
Mas, cerca de trinta anos depois, quando João escreveu o livro de Apocalipse, encontramos o nosso Senhor Jesus no céu. Em Apocalipse 1, João recebeu uma visão na ilha de Patmos. Essa visão era do Senhor ressuscitado como Sumo Sacerdote.
Ele não apenas ministra a cada um dos redimidos; também ministra a todas as igrejas em todo o mundo.
Quando vocês leem as sete cartas, como se sentem? Somente duas igrejas receberam elogios, e apenas uma igreja foi elogiada sem repreensão. As demais, o Senhor chamou ao arrependimento.
Esse quadro não era verdadeiro apenas no primeiro século. Estamos agora no início do século XXI, e o mesmo quadro está diante de nós.
Certa vez, perguntaram a um irmão: “Qual é a passagem das Escrituras mais difícil de cumprir?”. Ele respondeu: “Efésios 5”.
Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela;
para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,
para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa,
sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante;
porém santa e sem defeito.
Qual é o propósito de Deus? Qual é a obra de Deus? A obra de Deus é que a Sua igreja seja completa e seja uma igreja gloriosa.
O que é glória? Glória é a manifestação de Deus. Sempre que Deus Se manifesta, há glória.
Ele está trabalhando em favor do Corpo de Cristo. Quando esse Corpo estiver maduro, Ele virá buscar a Sua noiva.
Durante vinte séculos, os crentes têm esperado a volta do nosso Senhor Jesus. Mas Ele não voltará até que a noiva esteja pronta.
É sempre o noivo que espera pela noiva. Às vezes, pensamos que estamos esperando pelo Senhor. Vocês não sabem que o Seu coração anseia mais do que o nosso? Ele tem esperado por vinte séculos.
Nós somos a razão da Sua espera, porque não estamos prontos. Não cumprimos a nossa responsabilidade. A igreja ainda não está plenamente preparada.
Como Ele pode realizar a restauração? Deus tem um caminho melhor. Quando a maioria falha, Deus levanta um remanescente.
É por isso que, ao lermos Apocalipse 2 e 3, vemos o Senhor falando a cada igreja. Ele procura ver a Si mesmo expresso em maturidade, mas não encontra isso. Por essa razão, chama as igrejas ao arrependimento.
O que significa arrependimento? Significa voltar para Ele. Ele Se revelou a nós; devemos obedecer-Lhe e segui-Lo.
Quando o Senhor olha para a igreja em geral, encontra-Se do lado de fora da porta. Quanto isso deve feri-Lo!
Isso não pode ser realizado pela igreja em geral, mas precisa ser realizado. Como será realizado?
Ao final de cada carta, Ele diz:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Ao que vencer—
Em outras palavras, infelizmente, a maioria não responde àquilo que Ele deseja de toda a igreja. Por isso, Ele nos chama a ouvir o que o Espírito diz às igrejas.
Aquele que ouve é aquele que volta para Ele. Seja o que for que Ele tenha revelado, essa pessoa responde e O segue. Esses são os vencedores da igreja.
Em Apocalipse 12, nascerá um filho varão. Assim que o filho varão nasce, é arrebatado para Deus e para o Seu trono. Então haverá uma guerra no céu. Miguel e seus anjos lutarão contra Satanás e seus anjos.
Os ares são o quartel-general do inimigo, e Satanás será lançado para baixo. Os ares serão desimpedidos para que o nosso Senhor desça do trono aos ares.
Quem são essas pessoas? São os vencedores da igreja — a noiva.
Em Apocalipse 19, chegaram as bodas do Cordeiro, e a Sua esposa se preparou. Foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro.
Então, no final de Apocalipse, encontramos novamente a noiva, a esposa do Cordeiro, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus.
Por que há duas menções? Se vocês lerem Apocalipse com atenção, verão que há um intervalo de mil anos. A primeira menção é antes do milênio; a segunda é depois do milênio, quando começa a eternidade.
Antes do milênio, a noiva é composta por todos os vencedores da igreja. Eles representam toda a igreja. Como eles vencem, Deus considera a obra concluída.
No tribunal de Cristo, todas as nossas obras serão provadas. Se edificarmos com ouro, prata e pedras preciosas, nossa obra permanecerá.
Hoje, se não respondermos ao nosso Senhor, se não formos obedientes à visão celestial, se não seguirmos o Cordeiro aonde quer que Ele vá, não teremos parte no Seu reino. Não poderemos reinar com Ele por mil anos, porque não estaremos aptos.
Ele consegue ganhar apenas uma minoria, não todos. Aqueles que estiverem do lado de fora da porta da festa de casamento estarão nas trevas; serão disciplinados até que amadureçam.
Se você não estiver disposto a pagar o preço hoje, um dia pagará, porque o propósito de Deus não pode ser frustrado.
Romanos 8 nos diz:
Aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho.
E aos que predestinou, a esses também chamou;
e aos que chamou, a esses também justificou;
e aos que justificou, a esses também glorificou.
Deus jamais pode falhar. Sua obra precisa ser realizada. Todo filho de Deus redimido será maduro um dia. Todos faremos parte dessa noiva, unidos a Cristo para sempre. Todos seremos Seus servos. Veremos a Sua face, e o Seu nome estará em nossa testa.
Graças a Deus, nós podemos falhar, mas Deus nunca falha. Seu propósito precisa ser cumprido. Sua vontade precisa ser feita.
Estamos agora em um momento muito importante. Cremos que o Senhor pode vir a qualquer momento.
Nós O seguimos? Fazemos a obra que Ele faz ou estamos fazendo as coisas do nosso próprio jeito?
Que cada um aqui, nesta manhã, pela graça de Deus, se coloque nas Suas mãos. Nós não somos capazes. Nós falhamos, mas Ele teve êxito. Tudo o que precisamos fazer é nos colocar nas Suas mãos, e Ele cumprirá o Seu propósito.
Querido Senhor, nós verdadeiramente nos humilhamos diante de Ti, reconhecendo que somos filhos desobedientes e servos inúteis.
Sabemos que, em nós mesmos, isso é impossível. Mas nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu não nos abandonarás. Tu não nos lançarás fora. Quando a Tua mão estiver sobre nós, Tu cumprirás o Teu propósito.
Ó Senhor, queremos Te louvar e Te adorar. Pedimos em Teu precioso nome.