Por favor, abram na Carta aos Efésios.
Vou ler toda a passagem em inglês e, depois, pedirei ao meu irmão que a leia em chinês.
Por isso, também eu, tendo ouvido acerca da fé no Senhor Jesus que há em vós,
e do amor que tendes para com todos os santos,
não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós em minhas orações;
para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele,
sendo iluminados os olhos do vosso coração,
para que saibais qual é a esperança do Seu chamamento,
e quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos,
e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder,
a qual Ele operou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos e fazendo-O assentar-Se à Sua direita nas regiões celestiais,
acima de todo principado, autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se nomeia, não somente nesta era, mas também na vindoura;
e sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés, e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas,
a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele que tudo enche em todas as coisas.
Vamos fazer uma oração.
Nosso Pai, queremos agradecer-Te mais uma vez por nos reunires neste momento. Nós nos reunimos em Teu precioso nome e cremos que a Tua presença está aqui conosco.
Oramos para que abras a Tua Palavra aos nossos corações, porque a Tua Palavra é viva e eficaz. Oramos, Senhor, para que a Tua Palavra não apenas passe por nós, mas que, pelo Teu Espírito Santo, plantes a Tua Palavra em nossos corações, para que sejamos transformados e conformados à Tua própria imagem, para o louvor da Tua glória.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
O tema desta conferência é a visão espiritual. Gostaríamos de abordar esse tema por meio das duas orações do apóstolo Paulo.
Sabemos que, em sua carta aos Efésios, ele orou duas vezes. A primeira oração está registrada no primeiro capítulo, e a segunda, no terceiro capítulo.
Ora, sabemos que a oração é a voz do coração. Portanto, vemos que Paulo, do fundo do coração, orou pelos santos em Éfeso. Suas orações eram de acordo com sua própria experiência.
Ele havia experimentado o Senhor dessa maneira e orou pelos crentes de Éfeso para que eles também tivessem a mesma experiência.
Nesta manhã, vamos considerar juntos a primeira oração. É a oração pelo espírito de sabedoria e de revelação.
Sabemos que Paulo, quando era jovem, se chamava Saulo, que significa “pedido”. Ele recebeu esse nome em homenagem ao primeiro rei de Israel.
Ele era um jovem muito incomum. Era brilhante e capaz, e a maioria dos jovens assim busca o mundo e as coisas do mundo.
Mas ele era diferente. Ele enxergava além do mundo e buscava as coisas espirituais.
Ele via que o mundo era passageiro e buscava o que era eterno. Assim, quando era jovem, estudou a lei e se tornou fariseu.
Ele estava mais adiantado do que seus contemporâneos. Era um jovem muito zeloso e realmente tinha no coração o desejo de servir a Deus.
Mas, infelizmente, ele foi instruído segundo a tradição dos pais. Embora a tradição dos pais do judaísmo seja a melhor tradição do mundo, foi segundo essa tradição que ele perseguiu a igreja, porque consideravam nosso Senhor Jesus um impostor no judaísmo. Portanto, Ele deveria ser perseguido e eliminado.
Paulo tornou-se um líder nessa perseguição. Ele pensava que estava servindo a Deus, mas era espiritualmente cego.
Mas, graças a Deus, Deus olha para o coração. Deus viu que aquele jovem era sincero, porque ele realmente desejava o que era eterno e realmente pensava que estava servindo a Deus.
Então Deus olhou para o seu coração e teve misericórdia dele. Saulo perseguia os cristãos não apenas nas cidades judaicas, mas também nas cidades gentílicas. Foi por isso que ele estava a caminho de Damasco.
Ele conseguiu documentos dos sacerdotes para ir a Damasco, prender aqueles que criam no Senhor Jesus e levá-los a Jerusalém para serem condenados.
Quando se aproximava da cidade de Damasco, de repente uma luz resplandecente, mais brilhante do que o sol do meio-dia, brilhou sobre ele. Atingido por aquela luz, ele caiu no chão.
Aquela luz era tão intensa que cegou seus olhos físicos. Mas, graças a Deus, essa mesma luz abriu seus olhos interiores.
Ele viu o Justo. Pensava que Jesus era um impostor, que Ele era injusto. Mas agora viu que esse mesmo Jesus é o Justo.
Jesus era o único Justo que podia voltar ao céu e ver Deus, porque ninguém podia permanecer diante de Deus, pois nós não éramos justos.
Mas ali ele descobriu que Jesus é o Justo. Reconheceu que Ele é o Filho de Deus, enviado à terra, porque aprouve a Deus revelar Seu Filho nele.
Encontramos isso em Gálatas 1:16. E ele ouviu uma voz do céu:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.
Não era uma voz irada. Era uma voz cheia de compaixão: “Você não sabe o que está fazendo. Está machucando a si mesmo. Por que dá coices contra o aguilhão?”
“Você não entende que tem um Senhor? Não entende que é como um boi? Não entende que está sob um jugo?”
“Você deveria fazer o trabalho do seu Senhor, mas é teimoso. É rebelde. Dá coices contra o aguilhão. Quer seguir seu próprio caminho.”
“Eu procuro tocá-lo com o aguilhão para lembrá-lo de que você tem um Senhor. Você não pode fazer a sua própria vontade; deve fazer a Minha vontade. Mas você dá coices contra o aguilhão e machuca a si mesmo.”
Essa visão celestial no caminho de Damasco o libertou da cegueira espiritual. Ele viu o Senhor, e isso transformou sua vida.
Em vez de ser Saulo, o fariseu, ele se tornou Paulo, o apóstolo. Sabemos que Paulo significa “pequeno”. Antes, ele era aquele que o mundo desejava, mas agora se reconhecia como pequeno, como nada. Toda a sua vida foi transformada.
Foi a partir dessa experiência que ele fez essa oração pelos crentes de Éfeso.
Queridos irmãos e irmãs, há uma coisa que precisamos reconhecer: quando se trata das coisas espirituais, somos cegos.
Não importa quão brilhante você seja, não importa quão intelectual seja, você pode ser capaz de compreender muitas e muitas coisas. Mas, diante das coisas espirituais, você é totalmente cego.
Não pense que é capaz de compreender as coisas espirituais. Não pense que pode experimentar as coisas espirituais, porque a Palavra de Deus nos diz isso muito claramente.
Se vocês abrirem em 1 Coríntios 2:14:
Ora, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus,
porque lhe são loucura;
e não pode conhecê-las,
porque elas se discernem espiritualmente.
Aqui, a Palavra de Deus nos fala muito claramente a respeito do homem natural. O homem natural é o homem que vive pela alma. O homem natural se refere a uma pessoa não regenerada.
Vocês se lembram de que, quando Adão pecou, o Senhor já havia dito:
No dia em que comeres do fruto proibido, morrerás.
Mas vemos que Adão e Eva viveram centenas de anos e geraram filhos e filhas.
Contudo, a Palavra dizia:
No dia em que dele comeres, certamente morrerás.
O que morreu naquele dia? O espírito do homem morreu. O espírito do homem foi separado da comunhão com Deus.
O homem então passou a viver na esfera da alma e do corpo. Tornou-se um homem natural, vivendo pela alma e pelo corpo, por seus desejos e paixões. Tornou-se um homem carnal, governado por aquela vida criada, caída e não regenerada, sem a atuação do espírito.
Isso se refere às pessoas não regeneradas. Mas vemos na Bíblia que, às vezes, também se aplica aos crentes, porque um crente que não anda segundo o Espírito, que não anda de acordo com a mente do Espírito, ainda vive segundo a vida natural.
Ele ainda vive segundo si mesmo, como se não tivesse espírito. Até mesmo em 1 Coríntios 3:3, vemos Paulo dizer:
Ainda sois carnais.
Embora vocês tenham sido salvos, não vivem por essa nova vida em seu espírito.
Vocês ainda vivem pela sua própria vida, pela vida natural da alma. Ainda são carnais e, sendo carnais, ainda são naturais.
Portanto, irmãos e irmãs, não pensem que o homem natural se refere apenas aos incrédulos. Se vocês não vivem segundo o Espírito de Deus, se não vivem segundo a nova vida em seu espírito e ainda vivem na vida natural, então ainda são carnais — o homem natural.
O homem natural não recebe as coisas do Espírito Santo. Não pode recebê-las, porque elas lhe são loucura.
As coisas deste mundo lhe parecem sábias. Ele busca as coisas do mundo e despreza as coisas espirituais. Não pode recebê-las. Não pode conhecê-las, porque as coisas espirituais precisam ser discernidas espiritualmente.
Queridos irmãos e irmãs, quero enfatizar esse ponto, porque muitos dentre o povo de Deus não entendem isso. Pensam que, por serem salvos, todo o mundo espiritual está aberto para eles.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês não vivem segundo o Espírito, não são diferentes das pessoas deste mundo. Vocês desprezarão as coisas espirituais. Pensarão que aqueles que buscam as coisas espirituais são tolos e se considerarão sábios por buscar as coisas desta terra.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, diante das coisas espirituais, por menores que sejam, somos completamente cegos em nossa vida natural.
Espero que isso realmente penetre profundamente em nosso entendimento. Não pense que, por ser brilhante, você pode compreender rapidamente as coisas espirituais. Talvez as compreenda intelectualmente. Talvez pense que entende, mas não entende.
Você ainda está fora da esfera espiritual, a menos que haja revelação.
Irmãos e irmãs, lembrem-se da época em que foram salvos. Talvez vocês tenham sido criados em uma família cristã.
Eu fui criado em uma família cristã. Meu pai era pastor. Ele amava o Senhor, e tínhamos um culto doméstico todas as noites.
Nosso pai reunia os filhos na sala e lia para nós a Palavra de Deus. Depois, todos nos ajoelhávamos, e ele orava por nós.
Fui criado nesse ambiente. Desde o jardim de infância, sempre estudei em escolas cristãs. Eu mesmo lia a Bíblia. Também orava. Frequentava a igreja com muita fidelidade. Sabia tudo a respeito do evangelho.
Mas eu não o havia recebido. Eu cria que o evangelho de Jesus Cristo era verdadeiro. Sim, Ele veio salvar pecadores — mas eu não era pecador. Então, que Cristo salvasse os pecadores. Eu era bom demais para ser salvo.
Essa era a minha condição antes de ser salvo. Eu era totalmente cego para as coisas espirituais. Estava completamente excluído do céu.
As pessoas olhavam para mim e pensavam que eu era cristão, mas eu não era. Naqueles dias, eu até servia a Deus. Até pregava.
Eu pregava assim: pegava um bom sermão de um pregador famoso, decorava e repetia. Mas estava separado do céu.
Para mim, Deus era um Deus distante. Não havia comunhão.
Isso só mudou quando, um dia, Ele abriu meus olhos interiores. Uma Palavra viva foi falada ao meu coração:
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados,
e nos purificar de toda injustiça.
De repente, todos os fardos desapareceram. Fui liberto. Eu podia olhar para o céu e dizer: “Aba”.
Precisamos de revelação.
Vocês se lembram de quando Pedro confessou Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo. O Senhor disse:
Não é algo que a carne possa te dizer.
É Meu Pai, que está nos céus, Quem te revela isso.
Irmãos e irmãs, ao se lembrarem de sua conversão, não foi assim que aconteceu? Embora os detalhes sejam diferentes, o princípio é o mesmo. Por natureza, éramos cegos para as coisas espirituais, mas aprouve a Deus revelar Seu Filho em nós.
Quando o espírito de sabedoria e de revelação é concedido, de repente seus olhos se abrem. Você pode testemunhar, assim como o homem que nasceu cego:
Antes eu era cego, mas agora vejo.
Esse é o nosso testemunho. Mas, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: o que aconteceu naquele momento é um princípio que se aplica a toda a sua vida espiritual.
Cada passo da sua vida espiritual começa com o espírito de sabedoria e de revelação sendo concedido por Deus. Sem esse espírito de sabedoria e de revelação, somos completamente cegos, excluídos das coisas espirituais.
Ora, o que é o espírito de sabedoria e de revelação? A sabedoria se refere ao conteúdo da revelação.
Ou seja, a sabedoria de Deus, o propósito de Deus e o caminho de Deus — aquilo que está em Deus — agora nos são revelados.
Vocês sabem, nosso Deus é o maior mistério de todo o universo. Ninguém conhece Deus por meios naturais.
Os atenienses eram muito inteligentes e, ainda assim, precisaram ter um altar com a inscrição: “Ao Deus desconhecido”. Não é possível conhecer Deus a menos que Ele Se revele.
Se Deus Se ocultasse, ninguém jamais O conheceria de maneira alguma, porque Ele está muito além de nós.
Mas damos graças a Deus porque, por Seu amor por nós, agrada-Lhe revelar-Se — revelar-nos Seu coração, revelar-nos Sua mente, revelar-nos Seu caminho e revelar-nos Seu Filho amado.
Queridos irmãos e irmãs, tudo começa com o espírito de sabedoria e de revelação.
Quando Deus revela, algo acontece em nosso espírito. Ele Se revela em nosso espírito.
Graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, esse espírito morto é vivificado e renovado para a vida. O Espírito Santo habita em nosso espírito, e ali Ele pode revelar-Se a nós.
Irmãos e irmãs, vocês verão que tudo isso acontece na parte mais íntima do nosso ser.
Damos graças a Deus porque Ele nos deu Sua Palavra. Esta Bíblia nos dá toda a revelação, a revelação plena de Deus. Ao longo dos séculos, Deus nos deu Sua Palavra, e agora temos em nossas mãos a Bíblia, que é a revelação plena de Deus.
Toda a sabedoria de Deus está ali. Mas, quando você lê a Bíblia, isso significa que, por lê-la, você tem toda a revelação de Deus? Não.
A Bíblia é a revelação plena de Deus porque é soprada por Deus. É o sopro de Deus. É o Espírito de Deus, e é a verdade eterna.
Ela nunca muda. Sempre opera. Não é afetada pelo tempo nem pelo espaço. É a verdade eterna.
Essa verdade eterna deve tornar-se viva e eficaz em cada um de nós.
O mesmo Espírito que soprou essas palavras é o Espírito que falará novamente a nós por meio da Palavra.
Quando isso acontece, a Palavra se torna viva e eficaz. A verdade eterna se torna sua experiência pessoal e viva.
É isso que significa o Logos tornar-se Rhema. É o mesmo Espírito que faz essa Palavra escrita tornar-se uma Palavra viva em nossos corações. Quando isso acontece, você recebe revelação.
A revelação não é algo completamente estranho à Palavra de Deus. Se alguém diz que recebeu uma revelação fora da Palavra de Deus, ela é falsa.
A revelação é aquilo que está escrito sendo vivificado em nossa vida. De repente, uma luz brilha em nosso espírito, e podemos exclamar: “Isso é verdade!”
Esse é o espírito de sabedoria e de revelação. Tudo começa dentro do nosso espírito. Vem de Deus. Deus lhe concederá o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de Deus.
Essa é a única maneira de conhecer Deus.
Mas, irmãos e irmãs, quando recebemos essa revelação, algo acontece em nosso espírito. Há luz em nosso espírito. Sabemos que algo aconteceu. O que Deus falou é real. Há poder ali.
Podemos ver, mas não conseguimos explicar. Em nosso espírito, sabemos. Mas nossa mente precisa ser iluminada.
Por isso, vemos na oração de Paulo que ele não diz apenas que Deus lhes concederá o espírito de sabedoria e de revelação; ele também diz:
Sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais.
Em outras palavras, aquilo que você viu em seu espírito precisa ser compreendido e conhecido, para que você possa explicá-lo.
Primeiro, há luz em seu espírito. Depois, o Espírito Santo opera nos olhos do seu coração.
Ora, o que são os olhos do coração? São a nossa mente, o nosso entendimento.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus, depois de Sua ressurreição, apareceu aos Seus discípulos e procurou mostrar-lhes como o Antigo Testamento profetizava a respeito Dele. Em Lucas 24:45, nosso Senhor abriu o entendimento deles, e eles começaram a compreender a Bíblia.
É como tirar uma fotografia. Você usa uma câmera e tira uma foto. Uma imagem fica registrada no filme, mas você não consegue vê-la.
É preciso tratar o filme com um líquido, e então a fotografia aparece.
Acontece da mesma maneira. A revelação está em seu espírito e, depois, seu entendimento é iluminado. Então você começa a conhecer e compreender, e consegue explicar isso a outras pessoas.
O que é revelado? O que você viu? O que começa a conhecer e compreender?
Nos versículos seguintes, há três coisas. A sabedoria e a revelação começam a ser compreendidas de três maneiras.
Sendo iluminados os olhos do vosso coração,
para que saibais qual é a esperança do Seu chamamento,
e quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos,
e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos.
O que é o pleno conhecimento de Deus? Como sabemos o que está na mente de Deus? Como sabemos o que Ele está fazendo? Aqui vemos que nosso Deus está fazendo três coisas.
Primeiro: qual é a esperança do Seu chamamento?
Quando se trata de chamamento, muitas vezes pensamos no meu chamado ou no seu chamado. “Sou chamado para ser médico. Sou chamado para ser engenheiro. Sou chamada para ser dona de casa.”
Sempre pensamos no chamado em termos de nós mesmos, e sempre pensamos no chamado como fazer alguma coisa. Com o que devemos nos ocupar?
Mas, quando você tem revelação, começa a ver que não se trata do seu chamamento; trata-se do chamamento Dele.
Deus nos chamou. Ele nos chamou com um chamamento santo, um chamamento celestial e um chamamento do alto.
Ele nos chamou não tanto para fazer, mas muito mais para ser. O chamamento de Deus diz respeito ao nosso ser. Ele nos chama para ser algo.
Irmãos e irmãs, o que Deus nos chamou para ser? Qual é esse chamamento supremo, esse chamamento muito acima do nosso chamado pessoal?
Há esse chamamento que todos compartilhamos. Segundo Efésios, é o de ser o Corpo de Cristo.
Ao ler até o final do capítulo, vemos que devemos ser a igreja, o Corpo de Cristo.
Não há chamamento mais elevado do que esse. Você pode ser chamado para ser presidente dos Estados Unidos, mas o que é isso comparado a fazer parte do Corpo de Cristo?
Somos chamados para fazer parte desse Corpo. Somos chamados para ser a plenitude de Cristo. Somos chamados para ser Sua glória.
Queridos irmãos e irmãs, será que alguma vez compreendemos isso? Não é com esse chamamento que devemos nos ocupar?
Observem a esperança de sermos chamados para ser o Corpo de Cristo. Qual é a esperança do Corpo?
Quando o Corpo atingir a plena maturidade, esse Corpo será a Noiva de Cristo. Essa é a nossa bendita esperança. É isso que todos aguardamos.
É por isso que precisamos amadurecer. Se não formos maduros, esse Corpo não poderá ser a Noiva.
É por isso que precisamos pagar qualquer preço para que isso se cumpra. A esperança do Seu chamamento — essa é a primeira coisa revelada.
A segunda coisa é: quais são as riquezas da glória da Sua herança nos santos?
Quando pensamos em herança, pensamos na nossa herança em Cristo. Ah, como é rica, como é gloriosa a nossa herança em Cristo!
Mas ainda não fomos libertos de nós mesmos. Sempre pensamos em nós mesmos: “O que nós temos? O que Ele é para nós?” Somos centrados em nós mesmos.
Mas, quando a luz celestial brilha sobre você, você é liberto de si mesmo, do seu pequeno eu, e é levado para essa esfera imensurável.
Você começa a pensar na herança Dele. Não sabe que o Pai celestial nos deu como presente ao Seu Filho amado?
Deus nos deu Seu Filho como presente. Ao mesmo tempo, Ele nos deu como Seu presente ao Seu Filho amado. Encontramos esse pensamento em João 17.
É verdade que Cristo será a nossa herança. Ele é a terra que mana leite e mel. Mas, ao mesmo tempo, Deus nos fez Sua herança.
Deus nos receberá como herança. E quais são as riquezas da glória da Sua herança? Vocês conseguem imaginar isso?
Quando pensamos em Cristo como nossa herança, essa expressão é verdadeira: as riquezas da glória da nossa herança em Cristo Jesus. Mas Paulo diz:
As riquezas da glória da Sua herança nos santos.
Será que pode ser assim? É possível? Para o homem, é impossível; para Deus, é possível.
Onde está o poder para transformar um deserto tão pobre e árido em uma terra que mana leite e mel? Como isso pode acontecer? Onde está o poder?
Nessa revelação, ele nos diz:
E qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos.
Ele quer que creiamos que existe um poder. É um poder que supera todos os outros. É um poder maior do que o poder nuclear.
Esse poder já foi demonstrado. Foi demonstrado na vida de nosso Senhor Jesus.
É o poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos. É o poder que O colocou à direita de Deus nas regiões celestiais.
É o poder que está acima de todo principado, autoridade e de todo nome que se nomeia. É o poder que colocou todas as coisas debaixo dos Seus pés. É o poder que O fez Cabeça sobre todas as coisas.
Já vimos esse poder demonstrado na vida de nosso Senhor Jesus. Deus colocou todas as coisas debaixo dos Seus pés. Ele Se tornou Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu Corpo, a plenitude Daquele que tudo enche em todas as coisas.
O que aconteceu com a Cabeça acontecerá com o Corpo. O Corpo deverá experimentar o mesmo poder.
Esse poder nos liberta de todas as coisas que nos dominam. Ele nos liberta não apenas do pecado e do poder do pecado, mas também do mundo e das coisas do mundo.
Ele nos liberta da carne, até mesmo da vida do nosso eu. Liberta-nos de todas as tentações e provações, para que sejamos cheios de Cristo, que tudo enche em todas as coisas.
Quando Deus vem contemplar Sua herança nos santos, Ele vê Cristo em Sua plenitude. Essas são as riquezas da glória da Sua herança nos santos.
Aquele que nos chamou é fiel.
Querido Senhor, nós nos prostramos diante de Ti, reconhecendo que aquilo que tens vai muito além de tudo o que jamais imaginamos.
Estamos dispostos a nos colocar aos Teus pés e orar:
Seja feita a Tua vontade.
Em Teu precioso nome oramos. Amém.