Por favor, abram no Evangelho segundo João, em João 12:24-26. Vamos ler esses versículos.
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.
Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estou, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, nossos corações se prostram diante de Ti. Mais uma vez, Tu nos mostraste o Teu grande amor. Colocaste diante de nós a cruz e a Ti mesmo crucificado.
Querido Senhor, o Teu amor nos constrangeu. Há apenas um caminho diante de nós: precisamos seguir-Te. Mostra-nos mais uma vez o caminho para seguir-Te.
Queremos seguir-Te o mais de perto possível. Livra-nos do mundo, livra-nos da lei e livra-nos da nossa carne, para que todo o nosso ser seja possuído por Ti e o Teu nome seja honrado em nós.
Prepara-nos para a Tua volta. Senhor, ansiamos por ver-Te. Vem depressa. Em Teu precioso nome oramos. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos reunir nestes dias. Embora pareça que estamos falando muito sobre a cruz, irmãos e irmãs, precisamos nos lembrar de que se trata de Cristo crucificado.
É Ele Quem faz da cruz o que ela é hoje. A cruz é apenas um caminho, um meio — o único caminho, o caminho determinado por Deus. Esse caminho nos conduzirá a Cristo e nos conduzirá ao propósito eterno de Deus.
O que deve estar sempre diante de nós é o propósito eterno de Deus: Cristo e Sua igreja. Que o Senhor, ao longo destes dias, nos conduza pelo caminho da cruz, para que realmente cheguemos ao propósito eterno de Deus.
Falamos sobre a cruz e o mundo. Por que precisamos ser libertos do mundo? Para que Cristo seja o nosso mundo.
Falamos sobre a cruz e a lei. Por quê? Para que Cristo, em Sua graça, seja a nossa lei.
E falamos sobre a cruz e a carne. Por que precisamos ser libertos da nossa carne? Porque queremos que Cristo seja tudo e em todos para nós.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, tenhamos Cristo sempre diante dos nossos olhos. Ao olharmos firmemente para Cristo, Ele nos dará força para tomar a nossa cruz e segui-Lo.
Primeiro, falamos sobre a cruz e o velho homem. O velho homem é Adão, mas Adão é uma pessoa corporativa. Todos os que nasceram neste mundo estavam em Adão. Essa era a nossa posição anteriormente.
Mas, graças a Deus, quando nosso Senhor Jesus foi crucificado na cruz, a Bíblia nos diz que o nosso velho homem foi crucificado com Ele. Assim, somos libertos do poder do pecado, para que possamos servir ao nosso Deus.
Essa é a posição que temos em Cristo Jesus. Hoje, já não estamos em Adão; estamos em Cristo Jesus. Porque estamos em Cristo Jesus, morremos para o pecado e fomos vivificados para Deus. Essa é uma posição que precisamos sempre manter pela fé.
Depois, falamos sobre a cruz e a carne. Da nossa posição, passamos agora à nossa condição. Da verdade eterna, passamos à experiência no Espírito Santo.
Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Sabemos que as obras da carne são muito manifestas. Podem ser vistas facilmente. Mas, graças a Deus, aqueles que estão em Cristo Jesus andam pelo Espírito Santo, e o Espírito Santo luta contra a carne e nos liberta da nossa carne, para que vivamos segundo o Espírito. Isso será vida e paz.
Nesta manhã, gostaríamos de dar um passo adiante. Vamos compartilhar sobre a cruz e a vida do eu.
A vida do eu é a vida da carne. Em outras palavras, a cruz não trata apenas das obras da carne. A cruz vai mais fundo, até a própria vida da carne.
Se a vida da carne não for tocada, mesmo que os atos da carne tenham sido tratados, vocês perceberão que a obra ainda está incompleta.
Na obra da cruz do nosso Senhor Jesus e na obra do Espírito Santo, Ele vai muito fundo, até a própria vida da nossa carne, para que Cristo realmente seja a nossa própria vida.
Para compreendermos isso, especialmente por causa dos mais jovens, provavelmente precisamos voltar ao princípio — ao tempo em que Deus criou o homem.
Vemos em Gênesis 2:7 que Deus usou a terra vermelha, o pó da terra, para formar um corpo humano.
O salmista disse que o nosso corpo foi feito de modo assombroso e maravilhoso. Pensem: Deus pôde tomar o material mais comum e fazer um corpo humano, que é uma obra-prima.
Por meio desse corpo, temos consciência do mundo. Pelos cinco sentidos, entramos em contato com o mundo ao nosso redor.
A Bíblia nos diz que Deus soprou o Seu fôlego de vida nas narinas daquela forma. O fôlego de vida sai do próprio Deus e penetra naquela forma terrena.
Esse sopro de Deus se torna o espírito do homem. Porque Deus é Espírito, Ele soprou no homem, e esse sopro se tornou o espírito do homem, para que o homem pudesse se comunicar com Deus.
Nosso espírito nos dá consciência de Deus.
Então, quando o sopro de Deus entrou naquela forma terrena, um terceiro elemento foi formado. A Bíblia diz que o homem se tornou uma alma vivente.
A alma é onde reside a personalidade. Com a nossa alma, conhecemos a nós mesmos. Ela nos dá consciência de nós mesmos.
Você sabe o que é porque tem uma alma. Por meio do seu pensamento, da sua emoção e da sua vontade — das suas opiniões —, você expressa a si mesmo. A Bíblia diz que o homem se tornou uma alma vivente.
Há uma vida criada no homem. Há uma vida criada em nossa alma que nos torna vivos. Foi assim que fomos criados.
Agora, no que diz respeito à ordem de Deus, nosso espírito deveria ocupar a posição mais elevada, porque é por meio do nosso espírito que entramos em contato com Deus, Que é Espírito.
Quanto à vida da nossa alma, quando foi criada, ela era neutra. Isto é, não era pecaminosa, nem justa, nem santa.
Naquele momento, a alma vivente não tinha o conhecimento do bem e do mal. Por isso, precisava buscar a direção do espírito. Ela dependia do espírito.
Pelo espírito, o homem conhecia a vontade de Deus, para que pudesse obedecer a Deus e realizá-la em seu corpo. Foi assim que fomos criados.
Vocês se lembram de que Deus colocou o homem no jardim do Éden. Era um jardim de prazer, porque Deus criou todo tipo de árvore e todo tipo de árvore frutífera para servir de alimento ao corpo físico do homem.
No meio do jardim, Deus plantou uma árvore chamada árvore da vida.
Deus já havia dado ao homem uma vida criada; o homem havia se tornado uma alma vivente. Por que, então, Deus colocaria uma árvore da vida no meio do jardim?
Porque essa árvore da vida representa a própria vida de Deus. É a vida divina, a vida incriada de Deus. Isso mostra que o desejo do coração de Deus é dar Sua própria vida ao homem.
O homem foi criado à imagem de Deus e segundo a Sua semelhança. Em outras palavras, em toda a criação, o homem é o único que tem a capacidade de receber Deus em si.
É a vontade de Deus que o homem receba Sua vida incriada em sua vida criada. Isso o capacitaria a cumprir todas as missões que Deus lhe confiou, e o homem cumpriria o propósito de Deus para ele.
Mas, ao lado da árvore da vida, Deus plantou outra árvore. Ela é chamada de árvore do conhecimento do bem e do mal.
Algumas pessoas pensam que a árvore do conhecimento do bem e do mal era uma árvore ruim, porque Deus disse ao homem:
De toda árvore do jardim comerás livremente.
Isso incluía a árvore da vida. Mas, a respeito da árvore do conhecimento do bem e do mal, Deus disse:
Não comerás dela; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Então, as pessoas pensam que a árvore do conhecimento do bem e do mal devia ser uma árvore ruim. Não sei se vocês concordam comigo. Eu penso que Deus jamais colocaria uma árvore ruim no jardim do Éden. Não poderia ter sido uma árvore ruim.
A meu ver, ela era a segunda melhor. A árvore da vida era a melhor, porque nos dava a própria vida divina de Deus.
Se comêssemos da árvore da vida, essa vida divina entraria em nosso espírito e se tornaria a vida do nosso espírito. A árvore do conhecimento do bem e do mal, porém, era, na verdade, alimento para a nossa alma, assim como todas as outras árvores eram alimento para o nosso corpo.
Não há conhecimento mais elevado do que o conhecimento do bem e do mal. O conhecimento científico e a filosofia não podem ser comparados ao conhecimento da ética — do bem e do mal.
Aquela árvore seria alimento para a alma do homem, porque a nossa alma anseia por conhecimento. Nossa alma se satisfaz com o conhecimento, especialmente com o conhecimento do bem e do mal.
Por que Deus proibiu o homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal? Primeiro: porque Ele queria que o homem comesse da árvore da vida.
Segundo: porque Ele sabia que, sem a vida de Deus, o conhecimento do bem e do mal levaria você à morte. Você sabe o que é bom, mas não tem a vida nem o poder para fazer o bem. Você sabe o que é o mal, mas cede ao mal. O resultado é a morte.
É por isso que Deus queria que o homem buscasse a vida do espírito. Por essa vida, ele seria capaz de viver e cumprir o propósito de Deus.
Mas, se o homem comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, decidiria por si mesmo o que é bom e o que é mau. Ele se tornaria independente de Deus. Como Satanás sugeriu:
Sereis como Deus.
O resultado é a morte.
Infelizmente, nossos antepassados, em vez de comerem da árvore da vida, comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal.
O Senhor disse:
No dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Mas Adão viveu mais de novecentos anos e teve muitos filhos e filhas. Seu corpo parecia estar vivo, e sua alma parecia estar viva. O que estava morto?
Seu espírito estava morto. Seu espírito perdeu a capacidade de se comunicar com Deus, Que é Espírito. A morte é a cessação da comunicação com o ambiente próprio de cada um.
Quando o corpo está morto, perdeu a comunicação com o mundo ao seu redor. Quando a alma está morta, o homem está morto para si mesmo. Quando o espírito está morto, perdeu sua comunicação com Deus.
Qual é a condição do homem caído? Seu espírito está morto. Isso não significa que o espírito não exista. O espírito ainda está ali, mas perdeu sua função própria.
É por isso que as pessoas podem se comunicar com espíritos malignos, mas não podem se comunicar com Deus, Que é Espírito. O homem se torna carne — alma e corpo sem a função governante do espírito.
E quanto à vida do homem? Na Bíblia, às vezes a palavra alma é usada para representar o homem. Por exemplo, quando Jacó foi para o Egito, Gênesis diz que setenta almas entraram no Egito, porque a alma representa o homem.
A alma é o “eu”, o “mim”, onde reside a personalidade. Depois que o homem caiu, a vida dessa alma não foi apenas contaminada, mas também dominada pelo pecado.
Em vez de buscar em Deus a direção, o homem caiu para dentro de si mesmo. O homem se tornou um homem caído, um homem da carne, uma pessoa egoísta e centrada em si mesma.
O eu é a própria vida da alma. Essa é a nossa situação.
Irmãos e irmãs, se vocês tratarem apenas dos atos da carne, será como tratar de todos os galhos. É preciso tratar da própria raiz da árvore.
Como a cruz do nosso Senhor Jesus trata da própria vida do nosso homem caído — da vida da carne, que é o eu?
Na Palavra de Deus, em muitos lugares, vida e alma são a mesma palavra. Por exemplo, se você amar a sua vida, vai perdê-la. Essa palavra vida pode ser traduzida como alma.
Você pode dizer: “Se você amar a sua alma, vai perdê-la. Se perder a sua alma neste mundo por amor ao Senhor, vai ganhá-la para a eternidade”.
Essa questão da alma e da vida é, na verdade, o eu. É o “eu”; é o “mim”; sou eu mesmo. Essa é a nossa condição.
A cruz do nosso Senhor Jesus precisa penetrar profundamente no próprio núcleo, na própria vida da nossa carne. Essa própria vida da alma, que é o eu, precisa ser tratada.
Em João 12, nosso Senhor Jesus entrou em Jerusalém pela última vez. Quando Ele entrou em Jerusalém, grandes multidões O seguiram. Até alguns gregos que vieram à festa queriam ver Jesus.
Parecia que o mundo inteiro estava agora seguindo nosso Senhor Jesus. Era o momento mais glorioso da vida do nosso Senhor Jesus enquanto Ele estava na terra.
Quando esses gregos pediram a ajuda de André e Filipe, Jesus lhes respondeu em João 12:23:
É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.
Talvez até os discípulos tenham pensado: “Este é o momento em que nosso Senhor será glorificado. Agora Ele Se assentará no trono. Ele governará o mundo inteiro”.
Mas, estranhamente, logo depois de nosso Senhor dizer que havia chegado o momento de Sua glorificação, Ele continuou:
Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
Para o nosso Senhor, o momento de ser glorificado era a Sua morte. Ele é o grão de trigo.
Nosso Senhor Jesus é o único grão de trigo. Deus Se tornou homem. O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade.
Ele disse que, se o grão de trigo caísse na terra, mas não morresse, ficaria só. Ele falava de Si mesmo, porque Ele é o grão de trigo que caiu na terra. Ele veio a este mundo e tomou a forma de homem.
Ainda que tivesse vivido neste mundo por trinta e três anos, ou até por menos tempo, Ele demonstrou ao mundo o que o homem deveria ser — o tipo de homem que Deus procura. Ele o demonstrou.
Considerem o monte da transfiguração: Ele foi transfigurado, a glória O encheu, e Moisés e Elias apareceram e conversaram com Ele. Estavam falando sobre Sua partida — como Ele sairia deste mundo.
Ele veio a este mundo esvaziando-Se e tomando a forma de homem. Agora, como partiria deste mundo? Eles estavam conversando sobre essa questão.
Enquanto conversavam, Pedro acordou e viu que Moisés e Elias estavam prestes a partir. Ele queria que permanecessem, então falou impulsivamente:
Senhor, bom é estarmos aqui. Façamos três tabernáculos: um para Ti, um para Moisés e um para Elias.
Deus o interrompeu. Uma nuvem gloriosa os envolveu, e eles ouviram a voz:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo; a Ele ouvi.
De repente, Moisés e Elias desapareceram. Quando abriram os olhos, viram somente Jesus.
Irmãos e irmãs, se nosso Senhor Jesus tivesse partido deste mundo no monte da transfiguração, haveria apenas aquele único grão de trigo.
Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus Se recusou a partir no monte da transfiguração. Ele desceu do monte e tomou a firme decisão de ir a Jerusalém.
Esse grão de trigo não precisava apenas cair na terra; precisava morrer. Se morresse, produziria muito fruto.
Em outras palavras, a casca exterior daquele grão de trigo precisava se decompor, para que a vida em seu interior pudesse sair e se multiplicar em muitos grãos.
Nosso Senhor Jesus explicou essa parábola em João 12:25:
Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.
Nosso Senhor é o primeiro grão de trigo. Ele caiu na terra e morreu. Seu homem exterior foi quebrado, e assim a vida em Seu interior foi liberada. Ela produziu muito fruto, e você e eu somos o resultado disso.
A vida da alma do nosso Senhor Jesus era sem pecado. A vida de Sua alma não era egoísta. Mas até Ele precisou ir à cruz e morrer, para que Sua vida pudesse ser liberada e dada a todos nós.
Quanto mais a vida da nossa alma — o nosso eu — precisa ir à morte. Se a vida da nossa alma não for à morte, a vida de Cristo em nós não terá oportunidade de produzir fruto.
Nosso Senhor Jesus disse: “Se você amar a vida da sua alma — isto é, a si mesmo —, vai perdê-la. Se odiar a vida da sua alma neste mundo, vai guardá-la para a vida eterna”.
Vamos usar outra ilustração. Abram em 2 Coríntios 4:7-12. Vamos começar a leitura no versículo 7.
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós;
em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados;
perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
De modo que em nós opera a morte, mas em vós, a vida.
Nós, que cremos no Senhor Jesus, somos apenas vasos de barro. Olhemos para nós mesmos. Embora este corpo tenha sido feito de maneira maravilhosa, sua natureza é terrena. Somos apenas vasos de barro.
Mas, graças a Deus, Ele colocou um tesouro no vaso de barro. Sempre me pergunto: se você tem um tesouro, colocaria esse tesouro em um vaso de barro? Talvez o colocasse em uma caixa de ouro.
Mas essa é a maravilha de Deus. Ele está disposto a colocar o tesouro no vaso de barro. O tesouro, é claro, é nosso Senhor Jesus.
Deus coloca Cristo Jesus em você, o vaso de barro, e em mim, o vaso de barro. Mas o propósito de colocar o tesouro ali não é que ele simplesmente seja guardado e fique escondido.
O propósito de Deus é que a grandeza extraordinária do poder do tesouro seja manifestada por meio do vaso de barro. Não é o poder do vaso de barro; é o poder do tesouro.
O vaso de barro é opaco. Somente o tesouro tem luz. O propósito de Deus é que a luz do tesouro seja manifestada.
Mas como ela pode ser manifestada? O tesouro está escondido no vaso de barro, e o vaso de barro precisa ser rachado. Se esse vaso de barro não for quebrado, o poder do tesouro não terá oportunidade de se manifestar.
Isso diz respeito a todos nós. Temos Cristo, o tesouro, em nós, e o poder do tesouro deve ser manifestado. Mas nós, como vasos de barro, aprisionamos esse tesouro dentro de nós.
Amamos o nosso eu e, porque amamos o nosso eu, nos recusamos a ser rachados. Nos recusamos a ser quebrados. Valorizamos o vaso de barro mais do que valorizamos o tesouro dentro do vaso.
Não é verdade que todos amamos a nós mesmos? Embora o nosso eu seja tão feio, ainda assim o amamos. Não queremos abrir mão dele.
Porque amamos a vida do nosso eu, Cristo não tem oportunidade de manifestar Seu poder.
Mas, graças a Deus, é aí que o Espírito Santo começa a trabalhar. O Espírito Santo dispõe o nosso ambiente. Ele dispõe as pessoas ao nosso redor. Ele dispõe as nossas circunstâncias. Ele ordena os acontecimentos segundo a Sua sabedoria.
Ele dispõe tudo ao nosso redor a fim de nos rachar e nos quebrar.
É por isso que vemos que somos atribulados de todos os lados, mas não angustiados. Às vezes, nos encontramos cercados, e parece que não temos saída. Mas, graças a Deus, embora estejamos cercados, ainda há um caminho para o alto que Deus abre para nós.
Às vezes, não vemos nenhum caminho aparente, mas nosso caminho não está completamente fechado. Gosto da tradução de Phillips:
Chegamos ao fim dos nossos recursos, mas não ao fim da nossa vida.
Talvez não conheçamos nenhuma saída, mas, de algum modo, Deus abre o caminho para o alto.
É quase como a paisagem na China. Há um ditado que diz que a paisagem de Guilin supera todas as outras. Eu já estive lá. Na verdade, em Yangshuo propriamente dita, não há nada. O que é bonito é o trajeto de Guilin a Yangshuo.
É preciso ir de barco. Quando o barco começa a navegar, você chega a um ponto em que parece que o rio termina. Mas, quando chega ali, descobre uma passagem ao lado. É aí que está a verdadeira beleza da paisagem.
Nossa vida é assim. Às vezes, o Espírito Santo nos conduz adiante, e chegamos a um beco sem saída. Sentimos que tudo acabou para nós. Mas, de repente, você descobre que Deus abre uma saída.
Então o texto diz:
Perseguidos, mas não desamparados.
As pessoas podem nos perseguir, mas Deus jamais nos desamparará.
Depois:
Abatidos, mas não destruídos.
Mais uma vez, gosto da tradução de Phillips:
Derrubados, mas não nocauteados.
Você pode ser derrubado, mas ainda não foi nocauteado. Você se levanta de novo e continua lutando.
Creio que todos nós já passamos por experiências assim. Essas são as disposições do Espírito Santo.
Por que Ele coloca você em uma condição assim? Ele tem um propósito por trás disso. Ele quer quebrar você — quebrar a vida do seu eu —, para que Cristo seja manifestado.
A Bíblia diz que levamos no corpo o morrer de Jesus. No original, isso tem o sentido de levar em seu corpo o ser entregue à morte de Jesus.
A morte do nosso Senhor Jesus tem poder. Sua morte é capaz de levar você à morte. Quem quer morrer? Quem está disposto a morrer? Mas a morte do nosso Senhor Jesus tem o poder de levar você à morte, para que a vida de Jesus seja manifestada em você.
Irmãos e irmãs, este é o caminho que Deus providenciou para nós: quebrar-nos para que Ele possa nos edificar.
O que é quebrado é o nosso eu, e o que é edificado é Cristo. Não há outro caminho. Se você tentar preservar sua vida, vai perdê-la. Se estiver disposto a perder a vida do seu eu neste mundo por amor a Cristo e por amor ao evangelho, então vai ganhá-la para a eternidade.
Agora, gostaríamos de analisar isso um pouco mais. Veremos como a cruz trata de cada aspecto da vida da sua alma.
A vida da sua alma, o seu eu, se expressa por meio da sua emoção. Quem está usando a sua emoção? É o seu eu, a vida da sua alma, que está usando a sua emoção. Sua emoção expressa você mesmo.
Ao mesmo tempo, é a nossa mente, o nosso pensamento, que expressa a nós mesmos. É a nossa vontade, o nosso desejo e a nossa opinião que expressam a nós mesmos.
Veremos como a cruz opera nessas áreas.
Abram em Mateus 10:37-39. Vamos começar a leitura no versículo 37.
Nosso Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que não havia vindo trazer paz à terra, mas espada. Ele veio pôr o homem em conflito com seu pai, a filha com sua mãe e a nora com sua sogra. Os inimigos de um homem seriam os da sua própria casa.
Quem ama pai ou mãe mais do que a Mim não é digno de Mim; e quem ama filho ou filha mais do que a Mim não é digno de Mim.
E quem não toma a sua cruz e vem após Mim não é digno de Mim.
Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á.
Nosso Senhor Jesus sabe que a vida da nossa alma, o nosso eu, precisa ser purificada. Mesmo na questão do amor — o amor humano, que é a expressão mais elevada e mais nobre —, encontramos o eu por trás dele. Não é amor puro; é governado pelo eu e pelo egoísmo.
Nosso Senhor Jesus quer purificar até a nossa emoção. Ele disse que, se você amar seu pai ou sua mãe, seu irmão ou sua irmã, seu marido ou sua esposa, seus filhos, ou até a sua própria vida, mais do que a Ele, você não é digno Dele.
Essa é uma exigência muito rigorosa. Se você quer seguir o Senhor, se quer ser semelhante ao seu Senhor, precisa amá-Lo acima de todos esses amores.
Às vezes, depois que cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo dispõe as nossas circunstâncias. Deus quer que amemos nosso pai e nossa mãe, porque esse é o primeiro mandamento com promessa.
Nos tempos do Antigo Testamento, se um filho não honrasse seu pai e sua mãe, ou até amaldiçoasse seu pai e sua mãe, deveria ser morto. Deus quer que amemos nosso pai e nossa mãe.
Mas Deus quer purificar o nosso amor do eu. Haverá momentos em que a exigência do nosso Senhor Jesus e a exigência dos nossos pais parecerão entrar em conflito.
Quando você se encontrar em uma situação assim, o que fará? Amará o Senhor mais do que ama seu pai ou sua mãe?
Isso não significa que você não deva amar seu pai e sua mãe. Mas você ama o Senhor mais do que seu pai e sua mãe? Vai seguir o Senhor ou vai seguir seus pais?
Se seus pais disserem que você não deve crer no Senhor Jesus, você simplesmente obedecerá aos seus pais ou obedecerá ao Senhor Jesus?
Então a cruz se estabelece, e o Senhor nos chama a tomar a nossa cruz e segui-Lo. A morte entra na dimensão do amor da vida do seu eu, para que o nosso amor seja purificado e Cristo possa expressar a Si mesmo por meio do nosso amor.
Agora, abram em Mateus 16.
Em Mateus 16, Deus revelou nosso Senhor Jesus aos Seus discípulos, e nosso Senhor Jesus revelou a igreja aos Seus discípulos. Depois disso, Ele disse: “Preciso ir a Jerusalém e ser morto, mas, ao terceiro dia, serei ressuscitado dentre os mortos”.
Então vocês veem o que Pedro fez. Pedro segurou o Senhor e talvez até O tenha sacudido um pouco. “Senhor, não faças isso. Tu não deves morrer.”
Nosso Senhor Se voltou e disse:
Para trás de Mim, Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
Logo em seguida, em Mateus 16:24-25, Jesus disse aos Seus discípulos:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á.
Aqui vemos que nosso Senhor Jesus está tratando da nossa mente natural. A mente de Pedro era centrada em si mesmo. Ele não queria que Jesus fosse à cruz e morresse porque ele próprio não queria fazer isso.
Por trás daquela mente estava o eu. Por trás do eu estava Satanás. Portanto, precisamos aprender a tomar a nossa cruz na área da nossa mente, para que sejamos libertos dela.
Agora, abram em Lucas 14:26-27. Nosso Senhor Jesus Se voltou para as multidões e disse:
Se alguém vem a Mim e não odeia seu próprio pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.
Quem não leva a sua própria cruz e não vem após Mim não pode ser Meu discípulo.
Depois, Ele disse que é preciso sentar e calcular o custo. Você é capaz de pagar o preço de Me seguir? É capaz de abandonar tudo e Me seguir?
Não se deixe apenas empolgar emocionalmente por um momento. Sente-se e calcule o custo, para que possa tomar sua decisão.
Isso significa que a nossa vontade precisa ser purificada. Se você estiver disposto a fazer isso, Ele lhe dará o poder para fazê-lo. Se não estiver disposto, não experimentará a grandeza extraordinária do Seu poder.
Irmãos e irmãs, por que o Senhor nos chama a tomar a nossa cruz e segui-Lo? Porque, ao fazermos isso, a vida do eu — a própria vida da alma na carne — pode morrer, e a vida de Cristo em nós pode ser liberada e manifestada.
Então, o que sairá de você será Cristo, e não você mesmo.
Antes de tudo, o Senhor diz:
Negue-se a si mesmo.
Já mencionei isto: negar a si mesmo significa abrir mão do seu direito.
Pedro negou a Pessoa errada. Deveria ter negado a si mesmo, mas negou a Cristo. Quantas vezes fazemos a mesma coisa.
Irmãos e irmãs, quem pode negar a si mesmo? Ninguém pode. Martinho Lutero disse: “Não tenho medo dos papas e dos cardeais. Tenho medo do papa que está dentro de mim”.
Somos como Jó? Jó disse: “Eu me sustento a mim mesmo”. Como podemos negar a nós mesmos? Precisamos ver o Senhor Jesus. Se Ele Se revelar a nós, nada será impossível.
Durante estes últimos dias, falamos sobre Jesus Cristo e Ele crucificado. Nesta manhã, ao participarmos da mesa do Senhor, Jesus Cristo crucificado foi apresentado abertamente diante de nós. Ele Se revela a nós.
Se O virmos, negaremos a nós mesmos. Se não O virmos, não poderemos negar a nós mesmos.
Jó viu a glória de Deus; por isso, abominou a si mesmo e se arrependeu no pó e na cinza. É disso que precisamos.
Precisamos ver o nosso Senhor. Precisamos ver Suas mãos sangrando. Precisamos ver Seus pés sangrando. Precisamos ver Sua cabeça sangrando. Precisamos ver o sangue e a água saindo do Seu lado.
Precisamos ouvi-Lo dizer:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Precisamos ver o Seu amor. Somente o Seu amor pode nos constranger a negar a nós mesmos e nos tornar dispostos a tomar a nossa cruz e segui-Lo.
Que o Senhor nos ajude, para que não apenas saibamos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e que nós, que somos de Cristo, crucificamos a carne com suas paixões e concupiscências, mas também estejamos dispostos a perder a vida do nosso eu por amor a Cristo, para que possamos segui-Lo.
Que o Senhor, nos dias que virão, esteja sempre diante dos nossos olhos. Se olharmos para Jesus, pelo Seu amor e pela Sua graça, seremos capazes de segui-Lo.
Querido Senhor, uma visão de Ti é tudo de que precisamos. Revela-Te a nós, para que todos nos levantemos, abandonemos tudo, tomemos a nossa cruz e Te sigamos.
Pela Tua graça, nós Te seguiremos onde Tu estás.