Abram comigo a Palavra de Deus na carta do apóstolo Paulo aos Gálatas, em Gálatas 6:14:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.
Agora abram a carta do apóstolo Paulo aos Efésios, em Efésios 2:1-5:
E Ele vos vivificou, estando vós mortos em vossos delitos e pecados,
nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo,
segundo o príncipe das potestades do ar,
do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
entre os quais também todos nós outrora vivíamos nas concupiscências da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos,
e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais:
mas Deus, sendo rico em misericórdia,
pelo Seu grande amor com que nos amou,
estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos.
Agora, na primeira carta do apóstolo João, em 1 João 2:15-17:
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a vanglória da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.
E o mundo passa, e a sua concupiscência;
mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
E então, na carta do apóstolo Paulo aos Colossenses, em Colossenses 1:19-23:
Porque foi do agrado do Pai que nEle habitasse toda a plenitude;
e, por meio dEle, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas,
havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz — por meio dEle, digo, tanto as coisas que estão na terra como as que estão nos céus.
E a vós, que outrora éreis alienados e inimigos no entendimento pelas vossas obras más,
agora Ele vos reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a morte,
para vos apresentar santos, sem mácula e irrepreensíveis diante dEle:
se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes,
sem vos afastardes da esperança do evangelho que ouvistes,
o qual foi pregado a toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, fui constituído ministro.
Vamos fazer mais uma oração.
Amado Senhor, estamos felizes por estarmos aqui em Tua presença nesta noite. Ao nos aproximarmos do ministério da Tua Palavra, queremos simplesmente confessar que, sem Ti, nada podemos fazer.
Amado Senhor, precisamos daquela unção que somente Tu podes dar. Tu não nos deixaste sem provisão para um momento como este.
Por meio da obra consumada do Senhor Jesus, Tu nos providenciaste, a um grande custo, um remédio e tornaste essa unção uma realidade gloriosa na Pessoa do Espírito Santo.
Portanto, amado Senhor, pela fé nos firmamos nessa unção, nessa graça e nesse poder nesta noite — tanto para a exposição da Tua Palavra como para a tradução e a compreensão dela.
Penetra em nossos corações nesta noite, Senhor. De alguma maneira, vem ao nosso encontro e desafia-nos. Não permitas que continuemos os mesmos.
Senhor, estamos vivendo dias incrivelmente perigosos. Tudo está acontecendo tão depressa e se deteriorando rapidamente.
Precisamos de Ti, Senhor. Fala aos nossos corações. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O tema desta conferência é, na verdade, uma continuação do tema do ano passado: o caminho para o propósito eterno de Deus — a cruz.
Não há alternativa à cruz. A única maneira de um ser humano ser salvo é por meio da obra de nosso Senhor Jesus na cruz.
E a única maneira de este mundo ser redimido — isto é, o mundo físico — é por meio da cruz de nosso Senhor Jesus.
Não há outro caminho para que um filho de Deus seja transformado à semelhança do Senhor Jesus. É de uma simplicidade absoluta. No entanto, justamente por ser tão simples, todos nós deixamos isso passar despercebido.
Entramos em tamanha complexidade teológica, quando Cristo crucificado é o único caminho que Deus estabeleceu.
Agora, minha responsabilidade nestes poucos dias é tratar de a cruz e o mundo. Pessoalmente, considero esse assunto muito difícil, por causa da complexidade do uso da palavra inglesa world, “mundo”.
Por exemplo, considerem o versículo que lemos em Gálatas 6:14:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.
A palavra grega usada aqui é kosmos. Há duas palavras traduzidas para o inglês pela mesma palavra, world, “mundo”.
Uma delas é kosmos, que designa todo o universo material: tudo o que há nele, toda a beleza do universo material e todos os seres humanos.
Depois temos outra palavra, aion — era. Na verdade, ela passou para o inglês. Falamos dos éons do tempo.
Essa palavra às vezes é traduzida como era, eras ou períodos. Ela transmite a ideia de algo contínuo.
Em Efésios 2:2, as duas palavras são usadas:
Nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo.
A palavra traduzida em inglês como curso é aion, era: “segundo a era deste mundo”.
Ora, isso não faria muito sentido em inglês, e, com razão, a American Standard Version de 1901 — que considero uma boa versão — traduz: “segundo o curso deste mundo”. Trata-se da duração, do curso deste mundo.
De modo geral, essas duas palavras adquiriram um sentido desfavorável na Bíblia.
Considerem, por exemplo, Gálatas 1:4:
O Qual Se deu a Si mesmo por nossos pecados, para nos livrar deste presente mundo mau, segundo a vontade de Deus.
E então, é claro, como já dissemos, em Efésios 2:2-3:
Nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo,
segundo o príncipe das potestades do ar,
do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
entre os quais também todos nós outrora vivíamos nas concupiscências da nossa carne,
fazendo a vontade da carne e dos pensamentos,
e éramos, por natureza, filhos da ira.
Depois, em 1 João 2:15:
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
A palavra aqui é kosmos. Não ameis o mundo nem as coisas que estão no mundo.
Afinal, o que João quer dizer? Pensem no que o próprio Deus disse em João 3:16:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira.
“Mundo” — kosmos.
Estou dando um nó na cabeça de vocês. Algo aconteceu a este mundo.
É isso que quero dizer quando afirmo que essas duas palavras gregas adquiriram, de modo geral, um significado muito desfavorável, quase sombrio, na Palavra de Deus.
É claro que, para João, tudo era sempre preto ou branco. Nunca havia tonalidades entre os dois.
Mas ele explica o que quer dizer, em 1 João 2:16-17:
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a vanglória da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.
E o mundo passa.
Estou procurando introduzir o assunto. Vamos chegar ao lado mais prático.
Tiago também era uma pessoa muito incisiva. Foi assim que ele se expressou em Tiago 4:4:
Adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?
Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.
Essas são palavras duras — extremamente severas. “Adúlteras”: vocês romperam sua aliança matrimonial com Deus. Vocês se entregaram a outro espírito, um espírito mundano, o espírito que está neste mundo.
Depois ele usa a palavra inimizade. Prefiro a tradução da Bíblia American Standard: hostilidade. É a mesma ideia — um inimigo de Deus. Bastante forte, não é?
Deixem-me voltar um pouco. O que aconteceu, então, a este mundo? A este mundo que Deus criou, a respeito do qual está registrado em Gênesis 1:31:
E viu Deus tudo quanto havia feito, e eis que era muito bom.
O que aconteceu? Ao que parece, quando foi criado, o mundo era puro. Era uma obra de Deus.
Bem, temos a queda de Satanás e de um terço dos anjos, e a queda do homem.
Essa queda, começando com Satanás e os anjos e chegando a Adão, ao ser humano, mudou e alterou este mundo substancialmente e em sua essência.
Algo entrou no mundo que era inteiramente alheio a Deus.
Vocês se lembram do que o apóstolo Paulo diz em Efésios 6:12:
Não lutamos contra carne e sangue,
mas contra os principados, contra as potestades,
contra os dominadores deste mundo de trevas,
contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Quando Deus criou o homem, ele era o ápice da criação natural. Penso nisso como um triângulo.
Bem na base estão todas as criaturas que Darwin chamou de “lodo primordial”. Depois temos os peixes, os répteis, os insetos e todas as outras coisas, à medida que subimos.
Depois temos as aves. Depois os animais. Depois os mamíferos, em certo sentido os mais próximos do ser humano. E então temos o homem. Esse era um triângulo.
Mas outro triângulo descia do céu: Pai, Filho e Espírito Santo. A ideia era que o Espírito de Deus habitasse no ser humano e que o mundo inteiro fosse governado e supervisionado pelo homem.
Isso não é tão absurdo quanto pode parecer. Afinal, como foi que Noé colocou todos aqueles animais dentro da arca? Vocês já pensaram nisso?
Tenho três cachorros e três gatos, e já dá trabalho colocá-los dentro de casa. Como Noé conseguiu colocá-los lá dentro? Ele era capaz de se comunicar com eles.
O medo do homem não existia na criação animal até o dilúvio.
Agora, quando o homem caiu, foi como se o cubo da roda tivesse sido arrancado — como se o próprio coração que dava energia ao funcionamento do universo tivesse sido destruído.
O homem, em vez de ser um ser centrado em Deus, consciente de Deus e dependente de Deus, tornou-se um ser centrado em si mesmo, consciente de si mesmo e dependente de si mesmo.
A partir daí, temos a história humana como a conhecemos. Em toda parte, é o homem: meu engrandecimento, minha glória, minha realização. Tudo sempre gira em torno do homem.
Ele constrói impérios para sua própria glória. É o humanismo — a última grande filosofia anticristã deste mundo: o homem caído, e tudo no mundo centrado no homem caído.
Deus pretende reunir todas as coisas em Cristo. Satanás, para se apoderar do homem, quer reunir todas as coisas no homem — o homem em união com espíritos e demônios.
Isso não é teoria. Algo aconteceu quando o homem caiu. O mundo adquiriu um novo caráter. Como eu disse, ele foi alterado substancialmente e em sua essência.
É claro que preciso dizer a vocês que este mundo ainda é muito belo. Mas ele foi alterado em sua essência e substancialmente.
Satanás habita nele.
Agora, alguns de vocês dirão: “Acho que você está indo um pouco longe demais”. É mesmo? Por que vocês acham que Satanás é chamado de príncipe deste mundo?
João 12:31 fala do “príncipe deste mundo”. Por que vocês acham que todas essas coisas sobre as quais lemos aconteceram ao mundo? Por que ele mudou?
Deixem-me ler alguns versículos de Gênesis 3:17-19. Deus está falando com Adão:
Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher,
e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela;
maldita é a terra por tua causa;
com trabalho comerás dela todos os dias da tua vida;
espinhos e abrolhos também te produzirá;
e comerás a erva do campo;
no suor do teu rosto comerás o pão,
até que tornes à terra;
porque dela foste tomado:
pois és pó, e ao pó tornarás.
Algo aconteceu quando o homem caiu. Espinhos e abrolhos. Até onde devemos levar isso?
Às vezes, as pessoas vêm me perguntar: “Os mosquitos surgiram depois da Queda? E as vespas? As moscas? As baratas — especialmente aquelas enormes?” De onde vieram todos eles?
É claro que, se vocês os eliminassem, todo o ciclo da natureza seria alterado. Mas algo aconteceu quando o homem caiu.
João, em sua primeira carta, em 1 João 5:19, diz:
O mundo inteiro jaz no maligno.
Ainda podemos ver tanta beleza neste mundo. Às vezes adoramos a Deus pela beleza deste mundo quando ela nos impressiona pela primeira vez.
Também sabemos que, embora o próprio homem tenha caído, ele foi feito à imagem de Deus. Há uma marca nas profundezas do ser humano. Mesmo quando ele é depravado, mesmo quando é perverso e pervertido, mesmo quando está caído, essa marca ainda está ali. É impressionante.
Essa mudança demoníaca é vista com maior clareza em Romanos 12:2:
E não vos conformeis com este mundo;
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.
Agora, aqui não é kosmos; é aion. Não sejam conformados, moldados ou formados por esta era.
Mas todos nós somos. Estamos dentro do molde. E, mesmo quando nos tornamos cristãos, muitos acham impossível sair dele. O apóstolo está falando com crentes.
Saiam do molde. Não deixem que esta era forme vocês — sua maneira de enxergar as coisas, sua mentalidade.
Se vocês continuarem a leitura, o que ele diz em Romanos 12:2?
E não vos conformeis com esta era;
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.
Isso significa outra mentalidade. Como está em Filipenses 2:5:
Haja em vós este mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.
Vocês sabem qual é o maior problema na vida cristã? O molde deste mundo, a forma deste mundo. Ele impede o crescimento da vida cristã, estraga-a, acaba por corrompê-la e, no fim, a destrói.
Então você se torna um monumento, uma lápide. Um dia você foi salvo. Um dia você andou com o Senhor. Mas, de uma maneira ou de outra, perdeu tudo isso.
Você já não ouve o Senhor. Já não vê o Senhor. Já não está vivo para o Senhor.
É a mesma coisa com a igreja. O maior destruidor da igreja é a mentalidade deste mundo.
Quantas vezes ouvi isso nas reuniões da igreja: “O que está acontecendo? Precisamos usar o bom senso”.
O que querem dizer com bom senso? Querem dizer a mentalidade do mundo.
Vou dizer a vocês o que é bom senso. Se Deus é Deus, então nada é impossível. E, se o Senhor Jesus nos foi dado como Cabeça da igreja, o verdadeiro bom senso significa ouvir o que o Cabeça está dizendo.
Caso contrário, essa outra mentalidade destrói a igreja.
Tornamo-nos prósperos. Temos a Mesa do Senhor. Temos reunião de oração. Temos reuniões evangelísticas. Temos toda a programação — e o Senhor Jesus está do lado de fora, e ninguém sabe.
Ele não é Rei.
A palavra mais comovente e cheia de tristeza de Jesus é esta, em Apocalipse 3:20:
Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta,
entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, Comigo.
Tenho certeza de que, se tivéssemos aqui membros da igreja de Laodiceia e lhes perguntássemos: “Vocês acreditam que venceram?”, eles diriam: “Sim, conhecemos o Senhor. Tivemos um ensino bíblico maravilhoso. Somos uma igreja bastante viva, sabe? Acho que vencemos”.
E eles nem sequer sabem que Jesus está do lado de fora. Nem os presbíteros, nem os diáconos — ninguém.
O Senhor Jesus nunca disse: “Se um grupo inteiro de vocês abrir a porta”. Ele reduziu a questão a uma só pessoa: “Se alguém”.
A mentalidade deste mundo, o molde deste mundo — isso é a paralisia da igreja.
É por isso que todo movimento do Espírito de Deus desde o Pentecostes morreu em poucas gerações. A mentalidade do mundo assumiu o controle. É ser conformado com este mundo.
Ah, irmãos e irmãs, creio que esse é um assunto muito sério.
Olhem para a obra do Senhor. Por que ela se torna uma rotina? O fogo se apagou. O apóstolo Paulo disse a Timóteo, em 2 Timóteo 1:6:
Reavives o dom que há em ti.
Por quê? Ele se apaga. Torna-se sem poder.
É o mesmo problema. Ah, querido amigo, vale a pena pensar nisso.
Isso é o mundo: o meio mais sedutor que Satanás pode usar para destruir a obra de Deus.
É claro que é absolutamente verdade que existem todo tipo de coisas mundanas, e podemos nos separar delas. Fumar — eu não fumo. “Ah, eu sou crente.”
Certa vez, estive em uma igreja em que as pessoas nunca iam ao cinema, nunca iam ao teatro, nunca iam ouvir uma orquestra, nunca fumavam, e a maioria delas nem sabia qual era o cheiro da fumaça do tabaco.
Nunca bebiam álcool. Até na Mesa do Senhor era aquele horrível vinho sacramental.
Sempre me pergunto: como a igreja de Corinto conseguiu se embriagar com vinho sacramental? Mas isso é outro assunto.
Mas, vejam, aquelas pessoas com quem eu estava realmente acreditavam que estavam separadas do mundo.
Contudo, o verdadeiro mundo estava muito vivo ali: ciúme, um espírito que não perdoa, amargura, facções, divisão, ambição. Todas essas coisas estavam bem ali, no meio deles.
Você pode se separar das coisas exteriores do mundo, e não estou dizendo que não deva fazê-lo. Se o Senhor falar com você, você precisa obedecer a Ele.
Se Ele disser: “Abandone seu esporte, ou você não vai crescer”, então você precisa obedecer. E eu poderia continuar dando exemplos.
Ouçam novamente 1 João 2:16:
A concupiscência da carne,
a concupiscência dos olhos
e a soberba da vida.
A palavra vida aqui não é a palavra usada para vida eterna ou vida espiritual. É a palavra da qual derivam biologia, biológico e assim por diante. É a vida natural.
A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba — a vanglória, o orgulho ostentoso — da vida natural: isso é o mundo.
Bem, acho que devemos começar a encerrar, se vocês ainda não estiverem todos dormindo. Meu assunto é a cruz e o mundo.
Vocês sabem — e às vezes penso que muitos cristãos desconhecem isso — que, quando Jesus morreu, Ele estabeleceu o fundamento para a redenção deste mundo, isto é, do mundo natural, do mundo físico?
Ele não morreu apenas pelos seres humanos, mas morreu até mesmo pela criação natural: para redimi-la da maldição, para redimi-la do vazio e da futilidade de sua existência.
Não fazemos ideia do que Deus originalmente pretendia para a criação natural. Precisamos ter cuidado, mas isso é bíblico.
Não estou pedindo que vocês saiam por aí abraçando árvores. Estou apenas dizendo que a obra redentora do Senhor Jesus se estende não apenas ao ser humano, mas a toda a criação natural.
Ouçam Colossenses 1:19-20:
Porque foi do agrado do Pai que nEle habitasse toda a plenitude;
e, por meio dEle, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas,
havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz — por meio dEle, digo, tanto as coisas que estão na terra como as que estão nos céus.
Portanto, ao encerrarmos nesta noite, aqui está o primeiro ponto: a cruz e este mundo.
“Ah”, vocês dizem, “não entendo o que você está dizendo”. Está bem. Romanos 8:18-21:
Porque considero que os sofrimentos do tempo presente não são dignos de ser comparados com a glória que há de ser revelada a nós.
Porque a ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus.
Pois a criação foi sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa dAquele que a sujeitou, na esperança
de que a própria criação também será libertada da escravidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
A criação — isto é, a criação natural — aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Ela caiu, não por sua própria vontade, mas por causa do homem. Ela aguarda o fruto da cruz.
Quando os redimidos chegarem a esse ponto, então toda a criação natural irromperá em vida e glória.
Muitas vezes nos esquecemos de algo em Apocalipse 4–5. Vocês sabem onde está o pequeno Cordeiro, como tendo sido morto.
Vocês se lembram daquele grande clamor que se eleva em Apocalipse 5:9:
Digno és Tu, pois foste morto,
e com o Teu sangue compraste para Deus
homens de toda tribo, língua, povo e nação.
Depois, todos os anjos, miríades de miríades, O louvam.
Agora ouçam isto. Apocalipse 5:13:
E a toda criatura que está no céu, na terra, debaixo da terra e no mar,
e a todas as coisas que neles há, ouvi dizer:
Àquele que está assentado no trono e ao Cordeiro
sejam a bênção, a honra, a glória e o domínio, para todo o sempre.
Aí está a cruz.
E os quatro seres viventes — os quatro seres vivos — disseram: “Amém”. Então, o que vocês diriam? Amém.
Não sei quantos de vocês já pensaram nos querubins. Eles aparecem em Ezequiel: rodas dentro de rodas, movendo-se em todas as direções.
Os mesmos seres viventes estão ao redor do trono em Apocalipse 4–5. Eles não são anjos. Serafins são anjos; querubins não são.
O que são eles? Não quero desviar vocês do que estamos falando, mas sempre me lembro do senhor Sparks dizendo que pensava nos querubins e procurava compreendê-los.
Ele disse: “Uma coisa eles não são: aqueles bebezinhos rechonchudos que vocês veem com asinhas”.
Mas ele disse — creio que nisso seguia G. H. Pember — que se trata de toda a criação: a criação animal, as aves, os animais domésticos, os animais selvagens e também o homem, redimidos pela graça de Deus.
Portanto, aqui está algo maravilhoso: um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça. O princípio demoníaco do pecado se foi, e em seu lugar está a justiça.
É maravilhoso: o mundo e a cruz.
Mas, antes que todos nós caiamos no sono — se vocês ainda não estiverem aproveitando para dormir aqui —, preciso dizer uma última coisa.
O homem foi gloriosamente salvo pela obra de Cristo crucificado. A cruz é o caminho para a glória.
Não é maravilhoso o que lemos em Efésios 2:2? O texto fala de andar segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, o espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Não havia esperança para nós. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, nos vivificou juntamente com Cristo.
Como Ele nos vivificou? Por meio da obra da cruz. Ele tomou o velho homem e o crucificou — a velha criação, crucificada.
Então há uma nova criação, um novo homem. Se vocês continuarem a leitura de Efésios 2, chegarão a isso: um novo homem no Messias. É tão maravilhoso. É a obra da cruz — a cruz e a redenção.
Agora, esse novo homem é centrado em Cristo, consciente de Cristo e dependente de Cristo.
Ouçam novamente a palavra com a qual começamos, em Gálatas 6:14:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.
Essa é a única maneira de você dar ao Senhor Jesus a primazia em sua vida e em seu serviço.
É a única maneira de Ele ser o Cabeça vivo, atuante e efetivo da igreja.
É a única maneira de você servir a Deus: a mentalidade do mundo quebrada, o molde desta era quebrado, nossa mente renovada e, assim, nós transformados, para que possamos experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Deixem-me terminar fazendo uma pergunta.
Você que é líder, você que é responsável pela vida de outras pessoas: o mundo está crucificado para você, e você está crucificado para o mundo?
Você, querido filho de Deus, você, jovem: o mundo está crucificado para você, e você está crucificado para o mundo?
Você está brincando com o tipo errado de fogo. Se estiver brincando com o mundo, ele vai corromper você, seduzir você e destruir você.
Vamos orar?
Amado Senhor, toca em nossos corações. Não permitas que continuemos as mesmas pessoas — meros degustadores de sermões. Livra-nos do conhecimento meramente acadêmico.
Senhor, confronta-nos. Não nos deixes escapar. Queremos, nestes dias, avançar para a plenitude do Teu propósito. Queremos ver o Teu propósito eterno cumprido.
E queremos orar: Senhor, permite que participemos desse cumprimento.
Se isso significa que precisamos perder a vida do nosso eu — e é isso mesmo que significa —, que o Teu Espírito Santo nos capacite a abrir mão dessa vida do eu.
Ouve-nos, Senhor. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.