Abram comigo no Evangelho de Marcos, capítulo 13. Vou ler alguns versículos deste capítulo.
Marcos 13:5-8
E Jesus começou a dizer-lhes: Acautelai-vos para que ninguém vos engane.
Muitos virão em Meu nome, dizendo: Eu sou Ele; e enganarão a muitos.
E, quando ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis:
é necessário que estas coisas aconteçam; mas ainda não é o fim.
Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino:
haverá terremotos em diversos lugares; haverá fomes:
estas coisas são o princípio das dores de parto.
Marcos 13:9-10
Mas olhai por vós mesmos:
porque vos entregarão aos concílios; e sereis açoitados nas sinagogas;
e comparecereis perante governadores e reis por Minha causa, para lhes servir de testemunho.
E é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
Marcos 13:23
Mas acautelai-vos: eis que de antemão vos tenho dito todas as coisas.
Marcos 13:33-37
Olhai, vigiai e orai: porque não sabeis quando será o tempo.
É como um homem que, partindo para outro país, deixou a sua casa,
deu autoridade aos seus servos, a cada um a sua tarefa,
e ordenou também ao porteiro que vigiasse.
Vigiai, pois: porque não sabeis quando vem o senhor da casa,
se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, ou pela manhã;
para que, vindo de repente, Ele não vos encontre dormindo.
E o que vos digo, digo a todos: Vigiai.
Pai celestial, queremos agradecer-Te nesta manhã porque podemos nos voltar para Ti ao nos aproximarmos da Tua Palavra. Queremos agradecer-Te mais uma vez porque fizeste uma provisão específica para nós.
Queremos nos valer dessa provisão, dessa unção, tanto para falar quanto para ouvir. Faz deste último encontro desta conferência um tempo muito abençoado e memorável, Senhor, por causa da Tua atuação em nosso coração.
Reúne tudo e leva as coisas à sua conclusão, nós Te pedimos, Senhor. Mesmo que esqueçamos muitas coisas, que a Tua presença permanente e a percepção de que estás falando e agindo acompanhem cada um de nós.
Senhor, Tu conheces os dias em que vivemos e sabes da nossa necessidade de ouvir o que estás dizendo. Ajuda-nos, Senhor, a assimilar e a não interpretar mal o que nos estás dizendo. Isso pedimos juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Chegamos agora ao último dos nossos encontros nesta conferência. Devo dizer que, em alguns momentos, realmente me perguntei se eu estaria aqui para participar desta conferência. Acho que o irmão Stephen foi quem teve fé de que eu chegaria até aqui. Sou muito grato por ter estado aqui, ainda que apenas na parte final destes dias.
Ao chegarmos ao fim, tenho um último encargo que, em certo sentido, como nosso irmão disse há pouco, não tem nada de profundo. Realmente, em certo sentido, não há nada de profundo no que tenho a dizer e, além disso, nada de novo. Mas acho que preciso reafirmar certas coisas e enfatizá-las à luz dos dias em que estamos vivendo.
O mais maravilhoso na vinda do Senhor Jesus é que ela é o ápice de toda a história.
Não há como você e eu lermos honestamente a Palavra de Deus e esvaziarmos a vinda do Senhor Jesus por meio de uma interpretação espiritualizada, como se fosse alguma era milenar dourada que, de alguma forma, desceria sobre este mundo devastado pela guerra, cansado e infeliz.
A Bíblia diz com toda a clareza: da mesma maneira como Ele foi, Ele voltará. Até uma criancinha no meio daquele grupo de discípulos que viu o Senhor Jesus subir ao céu e ouviu as palavras dos anjos —
Ele virá outra vez da mesma maneira.
— teria entendido que, assim como o Senhor Jesus ascendeu corporalmente à glória, Ele voltaria a esta terra.
Seus pés voltariam a pisar o solo deste planeta. Seus pés voltariam a estar sobre o monte das Oliveiras, em Jerusalém. É o ápice de toda a história.
Em Seu retorno, todos os gloriosos planos de Deus encontram seu pleno cumprimento. Na verdade, eu iria além e diria o seguinte: na minha avaliação, a obra expiatória do Senhor Jesus Cristo não está realmente completa até que Ele de fato volte, porque é então que teremos nossos corpos redimidos.
Seremos transformados num abrir e fechar de olhos, num instante. Seremos transformados e teremos corpos semelhantes ao Seu.
Em outras palavras, a segunda vinda do nosso Senhor Jesus, o retorno do Messias, é a conclusão de todo o movimento de Deus para a salvação. Isso não é maravilhoso?
Isso significa que, até que Ele venha, há algo incompleto em você e em mim. Posso dizer imediatamente o que é: você e eu temos corpos que estão se deteriorando. Podemos ter espíritos que foram justificados e almas que estão sendo conquistadas por Sua graça e por Sua atuação, mas ainda temos corpos em cujos membros o pecado está presente.
Virá um dia em que isso será removido. Tão completa, tão plena, tão maravilhosa e tão eterna é a nossa salvação que ela não diz respeito apenas ao espírito e à alma; diz respeito também ao nosso corpo físico. Teremos um corpo semelhante ao Seu.
Mal posso esperar. Fico entusiasmado com a ideia de atravessar paredes, subir verticalmente, descer, ir de um lado para outro — todo tipo de coisa assim. As pessoas ficam tão entusiasmadas com a ideia de levar um homem à Lua. Que importância tem levar um homem à Lua ou fotografar o outro lado de Marte, quando podemos ter um corpo semelhante ao Seu, em outra dimensão de experiência?
O retorno do Senhor Jesus é o ápice de toda a história.
É um fato muito interessante, se me permitem destacá-lo novamente, que o Senhor Jesus falou mais sobre Sua segunda vinda do que sobre Sua cruz. Isso não desvaloriza a obra da cruz. Mas, se examinarmos a quantidade de conteúdo que Ele nos deu a respeito de Sua vinda, veremos que é muito, muito maior do que aquilo que Ele disse sobre a cruz.
Isso não desvaloriza a cruz nem a obra da cruz. Mas significa o seguinte: até que Ele volte, a obra está incompleta. Tudo faz parte de uma sinfonia, e Sua segunda vinda é o último movimento dessa sinfonia. É o movimento final de toda a obra.
Certamente isso deveria fazê-los erguer a cabeça e permitir que uma centelha de êxtase atravessasse seu espírito. Mesmo que haja perseguições, tribulações, angústia e pressões — e eu não sei o que está à nossa frente —, só de pensar que estamos tão perto da consumação da nossa salvação, tão perto da vinda do reino de Deus, de um novo céu e uma nova terra nos quais habita a justiça, isso deveria, digo eu, nos encher de entusiasmo.
Há aspectos dessa vinda sobre os quais podemos estar em absoluta unidade. Há muita controvérsia, confusão e diferença de opinião a respeito da segunda vinda do nosso Senhor Jesus. Mas, em certas questões, podemos ser categóricos e estar em absoluta unidade. Podemos ser unânimes.
Ele voltará literalmente. No corpo em que foi, Ele voltará, com as marcas em Suas mãos, em Seus pés e em Seu lado — glorificadas, mas presentes para sempre, para que cada um de nós as veja. Elas serão uma lembrança gloriosa do preço da nossa salvação e daquele grande amor e misericórdia que conquistaram cada um de nós para Ele.
A segunda coisa é esta: Sua segunda vinda será a confirmação definitiva de que Ele é o Messias, o Filho do Deus vivo. Será a confirmação de Sua pessoa, a confirmação de Sua obra e a confirmação de Suas palavras.
Até lá, as pessoas podem discutir, duvidar, fazer o que quiserem. Mas, quando Ele vier, isso será a confirmação definitiva de que Deus nos deu o Senhor Jesus Cristo como Salvador do mundo.
Em nenhum outro nome há salvação;
porque nenhum outro nome há, dado debaixo do céu entre os homens,
pelo qual homens e mulheres devam ser salvos.
Em terceiro lugar, será a justificação de todos aqueles que O seguiram. Ah, quantas vezes fomos tentados a fazer concessões! Quantas vezes fomos tentados a encontrar um caminho mais fácil! Quantas vezes teria sido mais fácil suavizar a proclamação da verdade, deixar certas coisas de fora ou não ir até o fim com o Senhor!
Mas essa segunda vinda do Senhor Jesus será a justificação de todos aqueles que seguiram o Cordeiro por onde quer que Ele vá — aqueles que pagaram o preço, custasse o que custasse, para segui-Lo e não fazer concessões em nenhum aspecto da vida.
Será a gloriosa justificação deles. Então, se chorarmos, serão lágrimas de alegria e lágrimas de alívio que Deus terá de enxugar do nosso rosto. Vai nos parecer tão tolo termos discutido com Deus sobre o modo como Ele nos conduziu, termos nos rebelado contra os caminhos pelos quais Ele queria nos levar ou termos nos agarrado a alguma coisa quando Ele nos pediu que a entregássemos.
Ficaremos tão felizes porque o Espírito de Deus nos capacitou a abrir mão das coisas, a fazer Sua vontade e a segui-Lo. Não teremos um único arrependimento. Você consegue imaginar alguém ali dizendo: “Ah, como eu gostaria de ter me agarrado àquilo! Gostaria de não ter concordado em seguir por aquele caminho com Ele”?
Nem sequer falaremos disso. Diremos apenas: “Ah, a graça de Deus que me colocou contra a parede! A graça de Deus que me levou a uma situação em que eu tive de me render! A graça de Deus que me acompanhou e quase me pressionou a ir até o fim com Ele! Ah, como sou grato!”
Acho que haverá muitas lágrimas — muitas lágrimas de alívio e de alegria só de pensar que Deus, em Seu grande amor, levou a sério aquilo que Lhe dissemos e nos colocou contra a parede, de modo que tivéssemos de ir até o fim com Ele.
Pensem naqueles que perderam a vida. Pensem em irmãos como Watchman Nee, que passou mais de vinte anos na prisão. Ah, a justificação dessas pessoas na glória! Então, à luz do eterno peso de glória, sua aflição parecerá apenas uma leve aflição — passageira e temporária, comparada com o eterno e extraordinariamente grande peso de glória que ela produziu.
Além disso, será a confirmação definitiva da Palavra de Deus. Ah, às vezes a Palavra de Deus parece tão tola! Que me perdoem se entenderem mal o que quero dizer, mas às vezes a Palavra de Deus parece tão tola, não parece?
Quando consideramos a teoria darwinista, ela parece tão inteligente, aparentemente tão lógica. E vejam aonde está levando o mundo: ao aborto. Nos Estados Unidos, foram destruídos mais seres humanos do que o equivalente a um terço dos judeus que morreram no Holocausto. Vocês sabiam disso?
Antes de o senhor Begin — que Deus o abençoe por isso — abolir o aborto em Israel, um milhão de jovens vidas israelenses haviam sido exterminadas: um sexto de todos os integrantes do nosso povo que morreram no Holocausto.
Ah, meus queridos amigos, essa teoria darwinista parece tão inteligente: somos apenas a evolução da matéria; de algum modo, viemos de uma espécie de lodo primordial, de matéria vegetal em decomposição, ou seja lá do que for. Nem sempre dizem que descendemos dos macacos, mas, de alguma forma, viemos de uma gosma verde e fomos subindo, subindo e subindo.
Se este século é o resultado de subir e subir, acho que seria bom descer. Com os milhões e milhões e milhões de pessoas que morreram nas mãos de seus semelhantes, nas circunstâncias mais horríveis, será esse o processo ascendente da evolução?
Parece tão inteligente, não é? Hitler, é claro, e os nazistas introduziram o aborto; legalizaram o aborto. Pouco depois, legalizaram a eutanásia — a morte dos doentes mentais por suposta misericórdia — e, naturalmente, isso levou ao genocídio: à destruição do povo judeu e, algo frequentemente esquecido, de cento e cinquenta mil ciganos. No fim, teria levado à destruição dos povos eslavos.
Uma vez que você aceita que o ser humano não é nada além de matéria, que não foi criado à imagem de Deus, que não é um indivíduo em quem Deus colocou algo da eternidade, você pode destruí-lo e exterminá-lo.
A segunda vinda do Senhor Jesus será a confirmação definitiva da Palavra de Deus: de que o ser humano foi criado à imagem de Deus; de que o ser humano deve prestar contas e é responsável diante de Deus; de que todo ser humano terá de comparecer diante de Deus.
Uso isso como ilustração. Há muitas outras coisas. A Palavra de Deus diz muitas outras coisas que, às vezes, contrariam a filosofia moderna e as atitudes deste mundo. Às vezes, por causa da nossa formação e da nossa cultura, é muito mais fácil acreditar na ideia que está em moda hoje do que na Palavra de Deus.
Mas vou lhes dizer uma coisa: a Palavra de Deus vive e permanece para sempre. Quando essas ideias já tiverem sido descartadas há muito tempo, a Palavra de Deus continuará a mesma, tão poderosa, tão viva e tão criadora quanto sempre foi.
Tudo o mais passa, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre. Quando o Senhor Jesus voltar, essa Palavra de Deus será confirmada diante das nações do mundo. Então, todo o universo saberá que a Palavra de Deus é a verdade e que ela é eterna.
Graças a Deus por isso. Na minha pequena vida, nunca vi uma pessoa cuja vida tivesse sido totalmente transformada, virada do avesso, renovada e refeita por uma palavra de Shakespeare, Goethe, Confúcio ou qualquer outra pessoa.
Eles podem ter coisas maravilhosas a dizer e, às vezes, pode haver ali a percepção de um gênio. Mas nunca encontrei uma pessoa nascida de Deus por meio de uma palavra de Shakespeare, ou que tivesse entrado em união com o Deus vivo por meio de alguma palavra de Goethe ou de Confúcio.
Mas tomem este velho Livro que as pessoas desprezaram, contra o qual falaram, que contradisseram, desvalorizaram e depreciaram, e o que vocês encontram? Aqui, no século XX, um dependente de drogas, em cujo coração entra uma palavra deste Livro, é salvo e refeito. Ou um alcoólatra, que ninguém consegue salvar — em seu coração, pelo Espírito de Deus, entra esta Palavra viva de Deus, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e algo acontece naquela vida.
Mesmo que você e eu não tenhamos vivido experiências tão dramáticas como ser salvos do alcoolismo ou da dependência de drogas, não temos todos conhecido a Palavra de Deus tornando-se viva e entrando em nosso coração? Às vezes, este Livro se ergueu de tal maneira que quase me atingiu. Isso não aconteceu com vocês, ou sou o único a ter esse tipo de experiência?
Quando, de algum modo, em algo que você conhece há anos, uma frase de repente salta diante de você e o alcança, você nunca mais é o mesmo. Nunca mais é o mesmo. Algo aconteceu.
É a Palavra de Deus, viva e eficaz, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, que divide alma e espírito.
Também será a prova de que somente quando Deus for Rei o universo estará em harmonia. Mal posso esperar por esse dia, quando finalmente será demonstrado diante das nações do mundo que somente quando o Senhor Jesus for Rei e Senhor de tudo, quando Ele ocupar o lugar de governo, todo este universo finalmente entrará em harmonia.
Não haverá mais guerra. Não haverá mais greves. Não haverá mais corrupção. Não haverá mais deterioração. A justiça absoluta será o fundamento de todo governo.
Ah, não consigo lhes dizer como anseio pelo dia em que a justiça e a verdade serão a base de todo governo neste mundo, em vez de termos de presenciar chefes de Estado abraçando e beijando matadores, assassinos e homicidas, oferecendo-lhes banquetes e homenagens exageradas e falsas em nome da coexistência.
Que esse dia venha logo, quando não teremos de coexistir com o mal; quando não teremos de nos sentar à mesa e participar de um banquete com um homem que assassinou centenas de milhares de outros seres humanos; quando não teremos um presidente descrevendo Mao como uma das maiores luzes que já brilharam no Oriente.
Que venha o dia em que a justiça, a verdade, a misericórdia e o amor sejam o fundamento do governo — quando o governo for exercido com base no que é certo, e não no que é politicamente conveniente ou diplomático. Esse dia virá quando o Rei vier.
Ele será um Rei que reinará em justiça. O cetro de Seu trono é um cetro de justiça — não uma coisa dura, pesada e sombria que as pessoas associam à estreiteza de pensamento e à intolerância, mas algo tão amplo, tão amoroso, tão universal, tão magnífico em sua concepção e, ainda assim, absolutamente justo e verdadeiro.
Que dia maravilhoso temos pela frente!
Naquele dia, quando o Senhor vier, todo o universo de repente fluirá em harmonia. Ah, os profetas mal conseguem se conter quando falam disso. Falam de um leopardo e um cabrito alimentando-se juntos e de um leão comendo palha como um boi.
Falam de uma criancinha brincando com uma cobra e colocando a mão no ninho de víboras. Nada, em todo o santo monte de Deus, ferirá nem fará mal, mas a glória do Senhor cobrirá a terra como as águas cobrem o mar. Ah, que dia maravilhoso!
O apóstolo Paulo fala disso. Ele diz que toda a criação natural geme de dor, com dores de parto, aguardando a manifestação da glória dos filhos de Deus.
Como será maravilhoso quando este velho mundo, que mesmo em seu estado caído e sem harmonia é belo — a natureza com dentes e garras ensanguentados, como a descreveu um autor de hinos —, quando toda esta criação for de repente libertada da escravidão à corrupção e à divisão e se tornar aquilo que Deus planejou que fosse.
Os profetas não conseguem se conter. Falam de campos e colinas cantando de alegria. Falam das árvores dos bosques e dos campos batendo palmas de alegria quando o Senhor vier. Vocês nunca viram uma árvore batendo palmas, viram? Não acho que isso seja literal, mas significa que toda esta criação natural romperá os grilhões da sua escravidão.
Mesmo agora, ela é tão bela, apesar de sua desarmonia e de sua queda. Não é tão bela? O que será quando o Rei vier e tudo for libertado para se tornar aquilo que originalmente deveria ser? Ah, que maravilha — o Rei!
Há muitas outras coisas que poderíamos dizer sobre as quais todos estamos em absoluta unidade nessa questão. Mas, quando chegamos à segunda vinda do Senhor Jesus propriamente dita, existem basicamente três escolas de pensamento.
Uma perspectiva é que o Senhor Jesus voltará e isso acontecerá em um único movimento. Não haverá arrebatamento — certamente não haverá uma partida antes de qualquer tribulação. Todos terão de passar pela tribulação, segundo essa escola de pensamento, e, no fim, o Senhor virá.
Há uma simplicidade atraente nisso. Numa primeira leitura, parece muito claro, muito lógico, muito simples. Todos iremos até o fim. Eles dizem que não há duas vindas do Senhor, mas apenas uma.
Essa perspectiva também tem a vantagem adicional, se vocês quiserem chamá-la de vantagem, de que os pais da Igreja e os reformadores acreditavam nessa interpretação da segunda vinda do Senhor Jesus.
Há uma segunda perspectiva, hoje muito difundida entre o povo de Deus, que começou há cerca de dois séculos, principalmente com os líderes daqueles que vieram a ser conhecidos como os Irmãos Cristãos — homens piedosos e notáveis.
Essa perspectiva sustenta que, se examinarmos a Palavra de Deus, não podemos aceitar que haja apenas um único movimento final. Por um lado, somos informados de que Ele virá como um ladrão — de maneira oculta, furtiva e inesperada. Por outro lado, somos informados de que Ele virá com fogo flamejante, trombetas soando e toda a terra tremendo; de que Seu sinal aparecerá nos céus.
Eles dizem: “Vejam, parecem existir dois conjuntos bastante diferentes de passagens bíblicas a respeito de Sua vinda. Como vocês explicam isso?” Eles dizem que o Senhor virá para os Seus e, depois, virá com os Seus.
Agora, preciso lhes dizer que vejo problemas em ambas as perspectivas. Se adotarmos a primeira, teremos problemas muito reais. Não posso entrar neles por causa do tempo nesta manhã, e não quero perturbar ninguém que preze essa primeira perspectiva, porque entre nós certamente há pessoas que encontraram satisfação e tranquilidade em uma ou outra dessas interpretações.
Só posso dizer que, quanto a mim, se quiser ser absolutamente honesto, encontro problemas reais nessa primeira escola de interpretação que não podem ser eliminados por explicações. Mas também preciso lhes dizer que tenho problemas com a segunda escola de interpretação, tão reais quanto os da primeira. Ah, meu Deus — e agora, o que fazemos?
Mais ou menos na mesma época em que essa segunda escola de interpretação começou a surgir e a ganhar aceitação, outra perspectiva foi exposta por alguns homens e mestres da Palavra de Deus bastante notáveis: D. M. Panton, G. H. Pember, G. H. Lang, Austin-Sparks, mais recentemente, e outros.
Eles entendiam que as escolas anteriores deixavam muito a desejar. Diziam que haveria dois movimentos no retorno do Senhor: Ele viria para os Seus e, no fim, viria com os Seus. Mas diziam — e esta é a característica singular — que somente aqueles que estivessem preparados seriam levados. Os demais seriam deixados para passar pela tribulação e seriam purificados nela.
Algumas pessoas dizem que isso cria mais problemas do que resolve. Mas preciso lhes dizer que, no que me diz respeito, acho que resolve quase todos os problemas. Dito isso, também devo dizer que essa perspectiva não está livre de problemas. Ainda existem alguns problemas muito reais.
Sempre tive receio do que chamo de teorias de ajuste. Isto é, você adota uma perspectiva e força as Escrituras a se encaixarem nela. Você assume uma linha de interpretação e depois pega as outras coisas e, de algum modo, vai pressionando até finalmente fazê-las se alinhar com a perspectiva que adotou.
Posso dizer algo que espero que seja realmente útil, e não confuso? Suspeito que, se o nosso Senhor Jesus realmente quisesse que tivéssemos uma interpretação absolutamente fechada dos detalhes de Seu retorno, Ele poderia ter feito um breve discurso complementar no qual declarasse claramente a sequência exata dos acontecimentos. Mas Ele nunca fez isso.
Vocês querem me dizer que Ele não sabia de parte da confusão que resultaria daquilo que o Novo Testamento diz sobre esse assunto? Claro que sabia. Portanto, chego a esta conclusão: isso é intencional.
É intencional. Em outras palavras, o Senhor está mais interessado em que Seu povo ande com Ele pela fé, com os ouvidos atentos ao Espírito de Deus nos últimos dias, do que em que tenha um sistema absolutamente fechado daquilo que chamamos de escatologia — os acontecimentos do fim.
Não é interessante que o Senhor Jesus tenha dito: “Acautelai-vos, acautelai-vos, acautelai-vos. Vigiai e orai. Vigiai. Estejam preparados”?
Se você e eu estivermos realmente preparados, isso importa? Se estivermos preparados e Ele vier apenas para aqueles que estão preparados, seremos levados. Graças a Deus por isso. Se estivermos preparados e Ele vier para todos os crentes nascidos de novo e levar todos para estar com Ele, graças a Deus estamos preparados. Não seremos envergonhados.
Se tivermos de passar por angústia e tribulação antes de Sua vinda, pelo menos estar preparados significará que estamos prontos para o que quer que venha. Portanto, para mim, o ponto central da questão é: estejam preparados.
Acho bom termos convicções honestas sobre esse assunto. Tenho minhas próprias convicções a respeito da vinda do Senhor. Pessoalmente, creio que a terceira perspectiva é a mais bíblica e, para mim, a mais evidente.
Mas, dito isso, não vou me separar de nenhum irmão ou irmã que pense de maneira diferente de mim nessa questão da vinda do Senhor. Quero ser aberto e amoroso e, ainda assim, manter minhas convicções, assim como vocês mantêm as suas.
O que quero ver em vocês, e o que quero encontrar em mim mesmo, é uma preparação para Sua vinda — não um espírito irremediavelmente dogmático sobre todos os detalhes de Sua vinda, que nos torne facciosos e divisivos, mas um espírito de verdadeiro amor, abertura e humildade, no qual você e eu possamos manter firmemente nossas convicções sobre Seu retorno, sem um espírito agressivo.
Uma coisa podemos dizer: Ele está vindo. Sua vinda está mais próxima a cada dia.
As pessoas dizem: “Bem, o apóstolo Paulo não esperava que Ele viesse durante sua vida?” Sim. “Então deve estar muito mais perto do que estava no tempo dele.” É tudo o que posso dizer.
As pessoas parecem pensar que, porque o apóstolo Paulo achava que Ele voltaria durante sua vida, devemos descartar toda essa ideia. Que absurdo! Será que alguém se aproxima mais do Senhor Jesus sem ser avivado pelo pensamento de Sua vinda?
Quando você se aproxima do eterno, é como se Sua vinda estivesse prestes a acontecer, porque você deixou o tempo e entrou na dimensão da eternidade. Consigo entender perfeitamente como, em diferentes épocas, as pessoas pensaram: “O Senhor está vindo”.
A única coisa que tenho a dizer é que hoje não temos apenas o cumprimento de certos sinais; temos aquele sinal singular relacionado ao povo judeu, que é a confirmação de todos os outros.
Qual é a necessidade vital de todos nós? O que significa estar preparado? Essa preparação é a prioridade; todo o restante é secundário. A maneira como entendemos a vinda do Senhor, os detalhes dela e tudo o mais são secundários em relação à questão de estarmos preparados.
Nosso Senhor poderia ter resolvido toda essa questão, como eu disse, com algumas palavras bem escolhidas. Mas, em vez disso, Ele usou Sua voz para dizer: “Acautelai-vos. Acautelai-vos. Estejam de sobreaviso. Estejam alertas. Estejam vivos. Sejam vigilantes. Estejam despertos. Estejam preparados”.
Há três coisas, pelo menos no âmbito espiritual, às quais creio que precisamos estar atentos e dar atenção se quisermos estar preparados.
A primeira é esta: precisamos permitir que o Espírito Santo resolva as muitas questões da nossa vida, custe o que custar. Deixem-me enfatizar isso novamente. Falei um pouco a esse respeito ontem à noite; deixem-me dizer mais uma vez: vocês nunca se arrependerão de permitir que o Espírito Santo resolva hoje as questões da sua vida.
Nunca encontrei uma pessoa que viesse me dizer: “Estou tão arrependido de ter resolvido aquela questão com Deus”. Mas encontrei muitas pessoas que vieram me dizer: “Desperdicei dez anos da minha vida porque nunca resolvi aquela questão sobre a qual Deus estava falando comigo”.
As questões podem ser de todo tipo. Pode ser algo em sua vida do qual Deus está dizendo que você deve abrir mão. Pode ser algo tão pequeno. Pode ser uma coisa tão pequena quanto handebol, basquete ou até natação.
Agora, não me entendam mal. Não é como se Deus estivesse dizendo que nadar é errado. Isso seria absurdo. Mas, às vezes, porque Deus está disciplinando você, Ele diz: “Sabe essa coisa que significa tanto para você? Quero que você a entregue a Mim”.
Então começamos a discutir. Dizemos: “Não seja tolo. Não há nada de errado nisso. Chupar bala — o que há de errado nisso?” Mas a questão não é chupar bala, nadar ou qualquer outra coisa. É a sua obediência.
Uma palha mostra a direção em que o vento está soprando. É por isso que, às vezes, uma experiência espiritual extraordinária, capaz de transformar uma vida por sua influência e poder, depende de uma pequena questão em sua vida que parece totalmente insignificante.
Às vezes, as questões podem ser outras. Talvez Deus esteja chamando você para servir em algum lugar, em alguma parte difícil da terra, e, no momento, você não esteja muito disposto.
Ou talvez o Senhor queira que você se comprometa com aqueles irmãos e irmãs em uma comunhão real, mas você permanece o tempo todo à margem. Você consegue ver todas as falhas e deficiências daqueles irmãos e irmãs e diz: “Ah, se ao menos fossem melhores, se ao menos fossem mais numerosos, se fossem mais espirituais”, ou alguma outra coisa.
E Deus está dizendo no fundo do seu coração: “Comprometa-se. Comprometa-se. Comprometa-se”. Mas você diz: “Como posso me comprometer? Eles são um grupo tão desajeitado. São tão pobres. São tão insignificantes. São tão pequenos. Por que eu deveria me comprometer com isso?”
Mas muita coisa depende dessa questão do seu compromisso com o Senhor Jesus na pessoa de seus pobres irmãos e irmãs. Você sabe que esse é o princípio de Belém?
Nosso Senhor Jesus enfrentou exatamente essa questão. Quando, em algum lugar na eternidade, o Pai disse:
Quem irá por Mim?
A quem enviarei?
Poderia ter acontecido de o Senhor Jesus dizer: “O quê? Nascer nessas circunstâncias, no meio dessa gente? Eles não se importam. Não Me querem. Não são muito espirituais. Queres dizer que tenho de nascer de um ser humano, nessas circunstâncias?”
O Senhor pode estar chamando você para entrar em circunstâncias assim — circunstâncias de limitação, circunstâncias que aparentemente estão cheias de insignificância. Ele pode estar chamando você para se comprometer com pessoas simples, com problemas pequenos e horizontes muito limitados.
No entanto, Deus está dizendo em seu coração: “Se você Me seguir, sairá disso com um horizonte mais amplo e um caráter mais desenvolvido”. Vejam, queridos irmãos e irmãs, o que importa para Deus não é o conhecimento, mas o caráter.
O caráter é de importância suprema para Deus. Ele não quer que o reino de Deus seja povoado por incontáveis multidões de crianças sem caráter desenvolvido. Elas não têm caráter; nada jamais foi desenvolvido nelas.
Ele quer pessoas semelhantes ao Seu Filho, cujo caráter tenha sido desenvolvido, ampliado e, de alguma forma, amadurecido pelas coisas que sofreram.
Quanto às questões sobre as quais Deus fala com você, só você pode enfrentá-las e dizer sim a Ele. Às vezes, isso exigirá algo de sua parte. Se me permitem falar da minha própria experiência: se você não consegue ser honesto e dizer: “Eu quero”, por que não pede a Ele que o torne disposto a estar disposto?
Esse pode ser o primeiro passo numa direção em sua vida que terminará em bênçãos inimagináveis.
Se quisermos estar preparados, você e eu precisamos resolver essas questões. Às vezes, elas estão no nosso próprio coração. Às vezes, estão relacionadas ao serviço. Às vezes, estão relacionadas à comunhão do povo de Deus.
Às vezes, Deus está chamando você para realizar um trabalho humilde em sua congregação, na congregação do povo de Deus, mas você preferiria um ministério de púlpito. Talvez você se sinta qualificado para um ministério de púlpito e, no entanto, em seu coração, Deus esteja lhe pedindo que faça alguma pequena tarefa corriqueira que, você sabe muito bem, ninguém jamais notará.
Como Kenny disse há pouco, tudo isso é como a parte oculta de um iceberg: só Deus vê. Mas, quando o Senhor vier, não haverá um único copo de água dado em Seu nome que fique sem recompensa.
Não há um único serviço — não visto, ignorado, oculto — que não tenha sido registrado pelo nosso Senhor. É precisamente esse tipo de serviço que nos conduz ao trono.
Às vezes, como eu disse ontem à noite, podemos ter choques. Gostaria de saber se há alguém aqui nesta manhã que nunca tenha tido um choque com outro ser humano. Se houver, eu adoraria conhecê-lo.
Na verdade, quanto mais vontade própria, mais personalidade e mais força de caráter você tiver, provavelmente mais choques terá tido.
Algumas das questões consistem simplesmente em nos humilharmos uns diante dos outros. Sabem, o Senhor falou sobre lavar os pés dos santos. Vocês sabem de quem era a tarefa de lavar os pés dos santos? Era do escravo que ocupava a posição mais baixa na casa.
A tarefa dele era ficar à entrada do pátio da casa e, assim que alguém chegasse das estradas ou dos caminhos empoeirados, lavar os pés dessa pessoa com água fresca. Às vezes, a água tinha pétalas de rosa, porque os pés, como provavelmente todos sabem, têm um cheiro um tanto desagradável.
Não teria sido mais agradável se o Senhor tivesse dito: “Aperte a mão do seu irmão e da sua irmã”, ou: “Coloque a mão no ombro deles e diga: ‘Louvado seja o Senhor’”? Conheço muitas pessoas que colocam a mão no ombro dos irmãos e irmãs e dizem: “Louvado seja o Senhor”, e isso não significa coisa alguma.
Lavar aqueles pés de cheiro desagradável significa que você precisa se abaixar. Você não pode fazer alguém se levantar de modo que você permaneça de pé, ereto, enquanto lava os pés dessa pessoa. Lavar os pés de outro irmão ou irmã significa que você precisa se abaixar diante deles. É simples assim.
É estranho como encontramos uma rigidez dentro de nós quando se trata de lavar os pés uns dos outros. Não é tão fácil nos humilharmos uns diante dos outros, não é tão fácil acertar alguma coisa, não é tão fácil pedir perdão.
É claro que, às vezes, conseguimos fazer isso de uma maneira muito espiritual. Vamos até alguém e dizemos: “Quero pedir seu perdão, mas você foi tão terrível e é tão difícil que acabou comigo. Mas o Senhor falou comigo, e agora venho pedir seu perdão, embora eu saiba que você continua o mesmo”.
Já vi muitas dessas supostas reconciliações, em que as pessoas enfiam a faca de uma maneira muito espiritual e procuram outra pessoa para descarregar alguma irritação.
Seria muito melhor ir e conversar francamente com alguém, dizendo: “Sabe, acho você extremamente irritante. Será que você e eu poderíamos encontrar alguma maneira de ficar à vontade um com o outro?” Pelo menos isso seria honesto. Nem sequer sei se é isso que o Senhor quer.
Lavar os pés dos santos não é jogar uma bacia de água fria no rosto deles. Mas, se Deus pudesse tratar você de tal maneira que fosse humilhado e quebrantado, talvez você se esquecesse da outra pessoa, com toda a sua falta de jeito e dificuldade, e pela primeira vez conseguisse vê-la como um meio de glória e graça.
Se quisermos estar preparados, não precisamos apenas permitir que o Espírito Santo resolva essas questões em nosso coração; precisamos também tomar a nossa cruz.
Para estar preparado, você precisa tomar a sua cruz. O que significa o que o Senhor Jesus disse?
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Seria muito mais fácil se Ele dissesse: “Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a cruz e siga-Me”. Algumas pessoas acham que uma enxaqueca é a sua cruz, ou que uma dor no quadril é a sua cruz, ou que uma esposa difícil é a sua cruz, ou que um marido mal-humorado é a sua cruz, ou que filhos difíceis são a sua cruz, ou que um chefe muito exigente é a sua cruz.
Isso é desvalorizar completamente a obra da cruz. O que o Senhor Jesus quis dizer quando disse:
Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Na verdade, nunca carregavam uma cruz inteira. Antigamente, a estaca ficava no chão. Eles carregavam a trave transversal. Quando você via um homem atravessando as ruas de Jerusalém com aquela trave às costas, isso significava que ele já estava praticamente morto.
Suas opiniões já não importavam. Suas circunstâncias já não importavam. As dificuldades que tinha nos relacionamentos já não importavam. Ele era um homem morto.
Foi Tozer quem disse: “Quando um homem é crucificado, não consegue olhar para trás”. Pela primeira vez, ele só consegue olhar em uma direção.
Se alguém quiser seguir-Me, negue-se a si mesmo,
tome a sua sentença de morte e venha após Mim.
Deus sentenciou você à morte; então por que você luta por seus direitos?
Uma das versões mais recentes coloca isso de maneira muito simples e direta:
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a todo direito sobre si mesmo,
tome a sua cruz e venha após Mim.
A questão dos direitos é o grande assunto hoje: direitos, direitos, direitos — direitos das mulheres, direitos dos homens, direitos desta cor, direitos daquela cor, direitos desta nacionalidade, direitos daquela nacionalidade, desta raça, daquela raça.
Tudo isso entrou profundamente na igreja porque desperta algo em nós que já é muito poderoso: “Eu tenho direitos. Não vou deixar que mandem em mim. Não vou deixar que me dirijam. Não vou deixar que me pisem. Não vou ser usado como capacho. Se alguém acha que pode me empurrar de um lado para outro ou me colocar contra a parede, está muito enganado. Eu tenho direitos”.
O coração do evangelho é este:
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a todo direito sobre si mesmo,
tome a sua cruz e venha após Mim.
Se você enxergasse que Deus sentenciou à morte o seu velho homem ou a sua velha mulher, acho que de repente perceberia: que importância tem a opinião? Importa se alguém tem uma ideia errada a respeito da sua reputação? Importa se alguém mancha o seu nome? Para uma pessoa morta, não.
Você e eu nunca poderemos estar preparados para a vinda do Senhor, ou para o que está vindo sobre a face da terra, a menos que entreguemos a nossa vida. Caso contrário, nosso tesouro estará em nós mesmos, em nossas circunstâncias e em nossos bens, e não no Senhor.
Estamos tão unidos a essas coisas que somente quando renunciamos a todo direito sobre nós mesmos podemos nos desprender delas. Isso não significa que você não deva ter bens, mas significa que não deve se considerar dono deles.
Vocês conseguem imaginar o que está à nossa frente nos dias futuros se você e eu continuarmos centrados em nós mesmos, egoístas, buscando nossos próprios interesses e vantagens? Conseguem imaginar? Não somos pessoas confiáveis.
O inimigo só precisa explorar o nosso medo e, quando a questão for morrer ou fazer concessões, faremos concessões para salvar a própria pele. Se tivermos de escolher entre um caminho mais fácil e um mais difícil, escolheremos o mais fácil, porque não renunciamos a todo direito sobre nós mesmos, não tomamos nossa cruz nem O seguimos.
Não há maneira de o caráter ser desenvolvido no crente a não ser pela obra da cruz. Nenhum filho de Deus avançou muito até encontrar em seu caminho, crua, ensanguentada e incontornável, a cruz do Senhor Jesus.
Quando esse momento chega, ou você prossegue com Ele para uma nova dimensão de experiência, vida e poder cristãos, ou sai do caminho e entra numa trilha lateral, na qual permanecerá quarenta anos no deserto.
Você ficará andando em círculos, cantando as mesmas coisas, fazendo as mesmas orações, tendo os mesmos problemas e, na verdade, sem chegar a lugar algum. Terá maná seis dias por semana, água da rocha e uma coluna de nuvem e de fogo para guiá-lo, mas nunca entrará na terra prometida.
Deus não abandona você, mas foi você quem escolheu isso, não Ele.
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a todo direito sobre si mesmo,
tome a sua cruz e siga-Me.
Não estaremos seguros para os dias que estão à nossa frente a menos que conheçamos algo da cruz em nossa vida.
Como podemos começar a explorar e experimentar as riquezas insondáveis e inescrutáveis do Senhor Jesus se primeiro não formos separados da nossa própria autoconfiança, das nossas próprias forças e dos nossos próprios talentos? Não há outro caminho.
Se você e eu quisermos estar preparados para a vinda do Senhor, precisamos experimentar a unção do Espírito Santo e Sua plenitude. Não há outro caminho.
Muitos anos atrás, quando conversávamos sobre o fim, perguntei ao senhor Sparks: “O que você acha que caracterizará os últimos dias para o povo de Deus?” Ele respondeu: “Curiosamente, muitos anos atrás, quando eu era jovem, fiz a mesma pergunta a A. B. Simpson”.
“E ele disse: ‘A única coisa que caracterizará a parte final desta era será uma redescoberta da pessoa e da obra do Espírito Santo’.”
Não tenho dúvida quanto a isso. Nada além de uma experiência dinâmica da unção e do poder do Espírito Santo sustentará o povo de Deus na fase final e o capacitará a vencer.
Quando as pessoas me dizem que têm medo de uma experiência intensa demais, não sei o que há de errado com elas. Precisamos de poder e graça sobrenaturais para condições sobrenaturais.
A Bíblia diz que, nos últimos dias, os demônios inundarão toda a terra. As trevas a cobrirão; haverá a atuação de Satanás, usando milagres, sinais e grandes manifestações impressionantes de poder que enganarão até os eleitos, se possível.
Precisamos da unção e da plenitude do Espírito Santo. Meus irmãos e irmãs, não tenham medo de nenhuma experiência com o Espírito Santo. Busquem a Deus para que Ele os mergulhe no Espírito Santo.
É muito mais maravilhoso estar imerso na pessoa do Espírito Santo do que ter o Espírito Santo preso dentro de você. Pela maneira como algumas pessoas falam, parece que elas têm o Espírito Santo. Mas acho que seria muito mais maravilhoso se o Espírito Santo tivesse vocês.
Então, quando alguém é tomado pelo Espírito de Deus, as pessoas dizem: “Bem, espere um pouco. Não quero ficar desequilibrado. Não quero me tornar extremista. Não quero perder o controle”.
Vocês estão me dizendo que Deus, o Espírito Santo, vai torná-los desequilibrados, extremistas e descontrolados? Só porque algumas pessoas se comportam de maneira muito lamentável e chamam isso de obra do Espírito Santo não significa que o Espírito Santo vá torná-los descontrolados, extremistas, desequilibrados e ofensivos.
Quando o Espírito Santo toma posse de um ser humano, Ele o torna belo. Ele assume sua formação e começa a quebrantá-lo. Quando o Espírito Santo toma posse de alguém, começa a pôr o dedo em todo tipo de coisa na vida dessa pessoa. Começa a fazer a luz brilhar em lugares escuros.
Não há nada a temer no Espírito Santo. Ele é como uma pomba — tão manso, tão sensível — e, ao mesmo tempo, Ele é fogo. Ele queimará toda a falsidade e todo o verniz.
Não tenham medo do Espírito Santo. Mas deixem-me dizer uma coisa: se você e eu não tivermos experiência com o Espírito Santo, passaremos por muita dificuldade nos dias que estão à nossa frente. Podem acreditar.
Quando não temos nossa própria experiência com o Espírito Santo, precisamos depender dos líderes. Precisamos obter orientação de outros santos. Estamos o tempo todo perguntando: “Não sabemos a vontade de Deus. Poderia me dizer, por favor? Como devo fazer isso? Para que direção devo olhar? Devo ir por este caminho? Devo ir por aquele? Por favor, explique”.
As pessoas telefonam para alguém a mil milhas de distância e dizem a um irmão: “Irmão, você poderia me dizer? Devo aceitar esse emprego ou não?” Isso não é um grande absurdo?
Na Palavra de Deus, está escrito que o sinal da nova aliança é que todos conhecerão o Senhor, do menor ao maior. É claro que você deve buscar comunhão, mas somente quando achar que sabe o que o Senhor quer.
Quando algo estiver claro para você, então procure seus irmãos e diga: “Agora me digam, vocês acham que estou certo em fazer isso? É isso que penso que o Senhor quer para mim”.
Precisamos do Espírito Santo. Que Deus nos ajude nessa questão.
Bem, queridos amigos, acho que nosso tempo acabou. Mas deixem-me terminar com estas palavras sobre os atalaias. O Senhor Jesus encerrou esse importante discurso sobre Sua segunda vinda com as palavras:
O que vos digo, digo a todos: Vigiai.
Devemos vigiar apenas pela nossa própria vida? Não creio. Quais são os deveres de um atalaia? Os deveres de um atalaia são proteger os interesses do rei e da cidade.
Ele precisa permanecer acordado enquanto os outros dormem. Precisa identificar de longe qualquer movimento que possa prejudicar os interesses do rei e da cidade. Portanto, o grande requisito de um atalaia é a capacidade de permanecer acordado.
De que serve um atalaia que está sempre adormecendo? A segunda coisa a respeito de um atalaia é esta: ele precisa ter uma visão perfeita. Não se colocam atalaias cegos.
Ele precisa conseguir identificar com os olhos um único movimento que possa ser o início de um ataque à cidade.
Irmãos e irmãs, você e eu somos atalaias. Não está escrito em Isaías 62?
Isaías 62:6-7
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, coloquei atalaias;
jamais se calarão, de dia nem de noite:
vós que fazeis lembrar ao Senhor, não descanseis,
nem Lhe deis descanso, até que Ele estabeleça,
e até que faça de Jerusalém um louvor na terra.
Foi a Ezequiel que Deus disse:
Filho do homem, fiz de ti um atalaia sobre esta nação, sobre toda a casa de Israel.
Se, quando Eu disser que o juízo está chegando, deres o alarme e tocares a trombeta,
e aquele homem não der ouvidos e morrer, ele morreu em seu pecado.
Tu salvaste a ti mesmo.
Mas, se não tocares a trombeta nem deres o alarme,
e o juízo vier e levar aquele homem,
o seu sangue requererei da tua mão.
Querido povo de Deus, temos uma responsabilidade solene, dada por Deus, pelo mundo em que nos encontramos. Nós — isto é, a igreja do Senhor Jesus Cristo, onde quer que esteja em toda esta terra — somos a única comunidade na terra que tem conhecimento do que vai acontecer.
Somos a única comunidade em todo o mundo que pode tocar a trombeta e dar o alarme.
Infelizmente, como também temos medo da palavra profética, ela se tornou o território de grupos de fanáticos e o domínio de excêntricos e seitas. O resultado é que eles ocuparam o lugar em que a igreja de Deus deveria estar firmemente estabelecida, e são eles que estão continuamente falando disto, daquilo ou de alguma outra coisa.
Que vergonha para nós, quando os mórmons estão preparados para três anos de cerco — cada família mórmon —, enquanto os verdadeiros crentes parecem pensar que não precisam fazer absolutamente nada a respeito de coisa alguma.
Quando os russelitas — as chamadas Testemunhas de Jeová — têm mais consciência de que estamos nos últimos dias do que o próprio povo de Deus, isso acontece porque ficamos com tanto medo dos extremistas e dos excêntricos que nos afastamos de todo o assunto da profecia e o deixamos nas mãos das seitas e dos excêntricos.
Isso não significa que Deus deixará de requerer o sangue da nação das mãos da igreja, caso ela não tenha advertido as pessoas — não apenas por palavras, mas por sua própria conduta, comportamento, modo de viver e por algo que Deus tenha feito em seu interior.
Ela se torna uma comunidade profética, uma testemunha profética para o mundo.
Há uma pequena expressão numa profecia de Isaías que não sei se costuma ser aplicada corretamente, mas está em Isaías 21:11.
Isaías 21:11-12
Alguém me chama de Seir:
Atalaia, que resta da noite?
Atalaia, que resta da noite?
O atalaia disse: Vem a manhã, e também a noite.
Graças a Deus, uma manhã está chegando. Esse amanhecer do dia de Deus é aquilo para o que toda a Palavra de Deus dirige sua atenção.
Quando ela nos fala da noite que está chegando e das coisas da noite e das trevas — dragões, serpentes, bestas, falsos profetas, igrejas meretrizes e Babilônia com todo o seu esplendor e glória —, não coloca tudo isso diante dos nossos olhos para nos deixar com medo.
Ele nem sequer concentra a atenção nessas coisas da noite. Essas coisas da noite estão passando. São temporárias. A palavra profética dirige toda a nossa atenção para a chegada do dia de Deus.
Aquele dia de glória, aquele dia de poder, aquele dia de justificação, aquele dia de alegria, aquele dia em que os redimidos voltarão a Sião com riso na boca — esse é o dia para o qual toda a Palavra de Deus dirige a atenção.
Irmãos e irmãs, temos uma noite diante de nós. Não sabemos por quanto tempo teremos de atravessar essa noite. Certamente, na minha avaliação, teremos de passar por uma parte dela.
Se entendo as palavras do apóstolo Paulo em sua segunda carta, teremos de ver pelo menos o início da manifestação do homem do pecado antes de o Senhor nos levar. Se for assim, teremos de suportar uma parte dessa noite.
Estamos prontos? Estamos preparados? Estamos vivos? Estamos despertos?
A noite passará, mas o dia do Senhor é para sempre. Essa é a questão.
Você e eu estamos vivendo à luz daquele dia, como se ele pudesse chegar amanhã — preparados para Sua vinda, preparados para sermos usados por Ele, preparados para ser testemunhas, seja na vida, seja na morte?
Deus está nos chamando. Não sabemos quanto tempo temos. As pessoas vêm me dizer que eu disse que temos vinte anos. Algumas vêm me dizer que eu disse que temos quatro anos, e outras dizem que eu disse que temos sete anos.
Não me lembro de ter dito alguma vez que temos quatro anos, sete anos ou vinte anos. Talvez eu tenha dito que achava que haveria uma guerra mundial dentro de determinado período. Não sei quando o Senhor virá. Sei que Ele está vindo.
Não sei quando Ele virá, mas sei isto: pode ser esta noite.
Pessoalmente, acho que ainda temos um pouco mais pelo que passar, mas pode ser esta noite, porque posso estar errado. Pode ser esta noite. Portanto, há apenas uma coisa a fazer: preparem-se.
Não permitam que aquele estranho espírito que existe em todos os seres humanos tome conta de vocês: “Bem, acho que vou fazer alguma coisa a respeito disso na semana que vem. Amanhã. Mañana”.
Amanhã, amanhã, amanhã — o amanhã nunca chega. De repente, vocês descobrirão que uma semana se torna um mês, um mês se torna um ano, um ano se torna cinco anos, cinco anos se tornam dez anos, e vocês ainda estão na mesma condição em que estão hoje.
O Senhor terá vindo antes que vocês estejam preparados.
Portanto, vamos acertar nossa vida e estar preparados — e, mais do que preparados, sejamos aqueles atalaias que Deus pode usar para despertar outros, ajudar outros e trazer outros a Si.
Que Deus nos ajude a estar preparados pessoalmente, a fazer parte da comunhão do povo de Deus, na qual nos preparamos juntos, e a viver num mundo em que apresentamos a Palavra da vida às multidões ao nosso redor, que não sabem para onde estão indo nem o que está acontecendo.
Vamos orar?