Bom dia, irmãos e irmãs.
Esta conferência me lembra, de certa forma, o livro de Atos. Em Atos 2:47, lemos:
E o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Graças ao Senhor, Ele continua acrescentando pessoas ao nosso número, dia após dia, e podemos experimentar mais Dele e da comunhão uns com os outros.
Vamos abrir novamente em Apocalipse 3. Os versículos desta carta à igreja em Sardes têm sido os versículos que orientam o nosso tema.
Ao anjo da igreja em Sardes escreve:
Isto diz Aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas:
Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
Sê vigilante e fortalece as coisas que permanecem e que estavam para morrer;
porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do Meu Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido;
guarda-o e arrepende-te.
Vamos orar mais uma vez.
Senhor, assim como cantamos naquele cântico, há nele uma simplicidade e uma beleza: simplesmente desejar que nossos olhos sejam abertos para Te ver, Senhor.
Senhor, queremos deixar de lado as coisas que nos distraem. Queremos deixar de lado as coisas que disputam o nosso afeto. Queremos voltar o nosso coração para Ti nesta manhã, Senhor, para que possamos Te contemplar. Para que possamos contemplar a beleza do Senhor.
Senhor, nós Te agradecemos por teres chamado cada um de nós para Ti. Nós Te agradecemos pelo precioso preço que pagaste, para que pudéssemos Te conhecer como nosso Pai celestial. Estar na Tua presença, Senhor, é bom.
Senhor, não queremos simplesmente estar aqui na Tua presença. Ao nos oferecermos a Ti hoje, desejamos que a Tua própria vida, por meio do Teu Espírito, realize uma obra poderosa dentro de cada um de nós.
Senhor, desperta-nos. Desperta-nos para Te ver no frescor da Tua vida. Desperta-nos para Te ver na Tua vitória. Desperta-nos para Te ver sobre o Teu trono como o Rei dos reis e o Senhor dos senhores; e que todas as outras coisas percam o seu brilho à luz da Tua glória e graça.
Oramos em nome de Jesus. Amém.
Temos considerado juntos, nas reuniões da manhã, este pensamento da carta à igreja em Sardes:
Fortalece as coisas que permanecem.
Sabemos que, quando o Senhor escreveu essas cartas, ao olhar para aquelas sete igrejas, havia uma coisa que Ele procurava: a própria expressão da vida de Seu Filho em Seu povo. É isso que Ele ainda procura na hora em que estamos vivendo. Ele procura isso em nossa vida individual e em nossa vida em conjunto: que a vida de Seu Filho seja expressa.
Naquela carta de amor que Ele escreveu à igreja em Sardes, Ele observou algumas coisas e os chamou a despertar e a fortalecer as coisas que permaneciam. Por terem adormecido e caído na letargia, eles haviam se enfraquecido.
É trágico ver, ao longo da história da igreja e até hoje, como nos encontramos nessa condição de fraqueza. Mas somos muito gratos porque nosso Senhor não nos condena nem nos lança fora. Em amor, Ele diz:
Fortalece as coisas que permanecem.
Sabemos que somos fortalecidos por uma única coisa: mais e mais da vida de nosso Senhor Jesus Cristo. Trata-se de retornar àquela simplicidade e pureza da devoção a Ele.
Nós nos tornamos tão complicados e nos esquecemos do que ouvimos. Esquecemos a grande herança que temos. O Senhor, em Sua misericórdia, diz: “Lembrem-se. Lembrem-se do que compartilhei com vocês. Não se lembrem apenas do que compartilhei; lembrem-se de como vocês ouviram”.
Lembrem-se daquele coração simples, aberto para receber, com fome e sede. Agora recebemos tanto que, muitas vezes, não nos sentamos aqui como pessoas que têm fome e sede. Sentamo-nos como críticos, avaliando a mensagem, como conhecedores exigentes, comparando-a com a maneira como outra pessoa a apresentou ou dizendo que algo tinha um sabor melhor de outro jeito.
Mas a Palavra do Senhor é fresca e nova para nós a cada dia. Que ela não se torne velha, e que não nos coloquemos numa posição elevada, pensando que já sabemos. Quando ouvimos pela primeira vez, havia aquele lugar aos Seus pés: um lugar de humildade para receber Dele, porque víamos que não sabíamos e que somente Ele tinha as palavras de vida. Era isso que desejávamos: aquela vida.
Que o Senhor continue nos trazendo de volta a isso. Ele diz:
Não tenho achado íntegras as tuas obras.
Somos um povo com propósito. Ele nos chamou com um propósito, mas diz: “Eu lhes dei este propósito, porém não o tenho achado completo aos Meus olhos”.
Você pode pensar que já avançou bastante aos seus próprios olhos, mas qual é o nosso padrão? Nosso padrão é Ele. É a maneira como Ele vê. Ele diz que não o tem achado completo. Um dia, tudo isso estará completo; então, graças ao Senhor por termos o dia de hoje, por ainda podermos nos dedicar ao chamado que o Senhor tem para nossa vida.
Que, nesta hora, despertemos e permitamos que o Espírito Santo em nós, na força de Sua vida, nos fortaleça de maneira nova e renovada.
Temos usado os livros de Esdras e Neemias como lições de como o Senhor deseja fortalecer Seu povo quando ele se encontra num período de fraqueza.
Quando o livro de Esdras começa, o povo de Deus estava na Babilônia. Eles não estavam onde deveriam estar. Não estavam na cidade de Deus, porque se encontravam na Babilônia em consequência de sua infidelidade. O Senhor havia permitido que fossem levados para o cativeiro.
Dissemos que a Babilônia fala de confusão religiosa. O próprio nome Babilônia significa confusão. Havia tanta religião e religiosidade na Babilônia que o povo de Deus estava num lugar de confusão.
Se olharmos ao nosso redor hoje, qual é a nossa condição geral? Há clareza sobre Quem é o Senhor? Há clareza sobre o que o Senhor deseja? Há entre o povo de Deus aquela simplicidade de que Jesus Cristo é o Senhor?
Não. É trágico, irmãos e irmãs, mas hoje estamos num lugar de grande confusão. Mais uma vez, porém, o Senhor, em Sua misericórdia e bondade amorosa, diz: “Saiam dessa confusão e voltem para Mim. Voltem a Jerusalém para serem esse testemunho. É o lugar onde coloquei o Meu nome. Voltem a essa simplicidade e pureza”.
Por que o povo de Deus deveria voltar para lá? Eles foram chamados a retornar a Jerusalém, não simplesmente para morar ali e formar seu próprio grupinho santo.
Sim, eles reconstruíram o altar, que dava testemunho da cruz e falava de Cristo: de tudo o que Ele havia feito e de nossa aceitação Nele. Reconstruíram a casa, que também fala de Cristo. Mas era uma casa à qual todos poderiam vir.
Eles não deveriam voltar a Jerusalém simplesmente para ter sua própria vida comunitária. Deveriam ser um testemunho sobre a terra naquele tempo e naquela hora.
Essa foi, na verdade, uma das falhas da nação de Israel. Quando Deus os escolheu, deveriam ser apenas uma pequena nação isolada, separada para desfrutar do Senhor? Não. Deveriam ser um testemunho da vida do Senhor nesta terra, para que muitos fossem trazidos para junto Dele.
Mas Israel falhou nisso. Permaneceram isolados, voltados para si mesmos. É trágico ver quantos de nós, nos dias em que vivemos, estamos formando nossos próprios grupinhos santos: nossos pequenos grupos para ficarmos à vontade, nós e o Senhor, e pronto.
Podemos nos esquecer de que estamos nesta terra, não apenas individualmente, mas coletivamente como povo de Deus, para ser um testemunho de Jesus Cristo. Devemos ser a própria expressão de Sua vida nesta terra, na hora em que estamos vivendo.
Devemos mostrar ao mundo de trevas que existe uma luz capaz de tirá-los do reino das trevas e levá-los para o reino do Filho do Seu amor. Como precisamos retornar à simplicidade de ser esse testemunho.
Agradecemos ao Senhor porque, em Sua soberania, Ele inclinou o coração de um rei pagão, Ciro, para que o povo de Deus tivesse liberdade de retornar a Jerusalém.
É trágico que, embora houvesse milhões ali e todos estivessem livres, alguns tenham escolhido o conforto da Babilônia. Tinham suas casas, seus negócios e sua pequena vida religiosa. Tinham uma boa vida e iam permanecer ali.
Mas havia aqueles que sabiam onde estava seu coração. Seu coração estava em Jerusalém, e eles escolheram se levantar, deixar para trás as coisas da Babilônia e retornar a Jerusalém: não por causa de si mesmos, mas por causa Dele.
Irmãos e irmãs, quando somos salvos, pensamos que tudo é por nossa causa; e, louvado seja Deus, esse é um sentimento maravilhoso. Ele nos amou e nos salvou. Mas, à medida que o Senhor trabalha dentro de nós, Ele quer que nossos olhos sejam abertos para ver que o mundo inteiro não gira ao nosso redor.
O mundo inteiro deve girar em torno de Cristo, e estamos aqui para servi-Lo, servir ao Seu propósito e ser esse testemunho: ser essa expressão de Sua vida.
A vida Dele é expressa por meio de nossas assembleias? Quando as pessoas olham para nossas assembleias, o que estão vendo? Elas veem a beleza do Senhor?
Graças ao Senhor por termos esta hora, por podermos parar em momentos como este, reconsiderar e permitir que o Senhor atraia nosso coração de volta àquela simplicidade.
Agradecemos ao Senhor porque houve aqueles que retornaram. Como dissemos, eles reconstruíram o altar e reconstruíram a casa. Mas o Senhor não havia terminado ali.
Ele levantou Esdras, um homem versado na lei de Deus: um escriba que tinha a própria Palavra de Deus em seu coração. Em Esdras 7:10, vemos que Esdras havia disposto o coração para estudar a lei do Senhor, praticá-la e ensinar Seus estatutos e ordenanças em Israel.
Por que Esdras havia feito isso? Era simplesmente por causa de si mesmo? Não. Esdras tinha no coração aquilo que lemos mais adiante, em Esdras 7:27. Ele retornou a Jerusalém com a Palavra viva de Deus em seu coração, para que a casa de Deus fosse fortalecida, embelezada e adornada.
Haveria uma manifestação maior da vida de Cristo — se pudéssemos usar naquela época esses termos do Novo Testamento —, uma expressão maior de Sua vida entre o povo de Deus. O Senhor ainda deseja que Sua casa manifeste a beleza do Senhor.
Esdras não era alguém que apenas falava; ele vivia o que dizia. Seu andar e seu falar estavam em harmonia. É isso que o Senhor deseja: que a mensagem e o mensageiro estejam unidos e que a vida de Cristo se manifeste por meio de Seus mensageiros.
Fomos lembrados de que todos somos mensageiros de Deus. Quer estejamos em casa, na vizinhança, nas assembleias, no trabalho ou na escola, todos somos mensageiros de Deus.
O que precisamos perguntar com sinceridade diante do Senhor é isto: “Senhor, que mensagem estou levando? Que mensagem estou levando?”
Eu me lembro — e alguns de vocês já ouviram este testemunho — de que estou no mundo dos negócios há cerca de trinta anos. Certa vez, um dos meus sócios faleceu, e tive a oportunidade de falar em seu funeral.
Muitas vezes, você espera por oportunidades de compartilhar o evangelho e testemunhar de Jesus Cristo entre seus colegas de trabalho. O Senhor abriu essa porta. Todos os nossos colegas, clientes e muitas pessoas da comunidade estavam ali.
Meu sócio, graças ao Senhor, havia conhecido o Senhor no último ano de sua vida. Pude compartilhar como ele foi salvo e fiquei muito grato por esse privilégio.
Depois, na recepção — acho que se chama recepção; não sei como se chama aquela reunião depois de um funeral —, uma pessoa de outro escritório da empresa veio até mim e disse: “Max, estou tão feliz de saber que você é cristão. Eu também sou cristão”.
Foi um momento de alegria, mas então ele disse outra coisa: “Zach, eu sempre soube que você era uma boa pessoa, mas nunca soube que era cristão”.
Ele quis dizer isso como um elogio. Estava dizendo algo agradável. Mas, nossa, como aquilo atravessou meu coração!
O que conhecemos e temos? Qual é a nossa mensagem? Queremos simplesmente ser conhecidos como pessoas de moral, boas pessoas num mundo mau? Ou queremos que as pessoas saibam que somos cristãos?
Quando ele disse aquilo, tive dificuldade para manter a expressão. Sabe, naquela hora você precisa manter a fachada. Dana falou ontem à noite sobre o orgulho do homem. Eu tive de manter a fachada naquele momento, mas, quando cheguei em casa, o Senhor tratou comigo.
Agradeço ao Senhor por aquele irmão que disse essas palavras. À medida que nos entregamos ao Senhor e temos esse desejo, Ele nos dará oportunidades assim. O Espírito Santo, falando por meio uns dos outros, pode atingir coisas em nosso coração das quais não temos consciência alguma.
É algo maravilhoso e libertador ser livre no Senhor e permitir que Sua vida se manifeste, se realmente O buscarmos.
Graças ao Senhor, não havia dúvida alguma sobre Quem Esdras representava. Não havia dúvida quanto ao seu chamado ou à mensagem presente em sua vida.
Vemos em Esdras que, ao retornar como sacerdote, ele trouxe o Senhor diante do povo e levou o povo diante do Senhor.
Ontem paramos em Esdras 9, então gostaria que lêssemos os versículos com os quais encerramos: Esdras 9:1-5.
Acabadas, pois, estas coisas, os príncipes se chegaram a mim, dizendo:
“O povo de Israel, os sacerdotes e os levitas não se separaram dos povos destas terras, segundo as suas abominações: as dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus.
Porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, de modo que a linhagem santa se misturou com os povos destas terras; e a mão dos príncipes e dos governantes foi a primeira nesta infidelidade.”Ouvindo eu este assunto, rasguei a minha veste e o meu manto, arranquei cabelos da cabeça e da barba e me assentei atônito.
Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel, por causa da infidelidade dos que haviam voltado do exílio; e eu permaneci assentado, atônito, até a oferta da tarde.
À hora da oferta da tarde, levantei-me da minha humilhação, com a veste e o manto rasgados; caí de joelhos e estendi as mãos ao Senhor, meu Deus.
Quando Esdras trouxe a Palavra de Deus, quando Esdras trouxe a própria presença do Senhor, que impacto isso teve? Esdras não havia dito uma palavra, mas a própria presença do Senhor trouxe convicção de pecado. As pessoas sabiam que haviam pecado.
Sabiam que, como diz Esdras 9:2, a linhagem santa havia se misturado com os povos da terra. Não havia separação; havia mistura e casamentos com o povo da terra.
Eles eram uma linhagem santa. Irmãos e irmãs, na hora em que estamos vivendo, o que somos? Somos um povo santo. Somos um sacerdócio santo. Somos chamados para ser separados.
O próprio nome pelo qual somos conhecidos — santos — significa aqueles que foram chamados para fora e separados para o Senhor. Irmãos e irmãs, em nosso testemunho, somos aqueles que estão separados ou aqueles que se misturaram com as coisas deste mundo?
Aprecio o testemunho de Esdras aqui. Mais uma vez, ele não chegou para atacar as pessoas. Simplesmente trouxe o Senhor para a situação, e o Espírito Santo trouxe convicção de pecado na presença do Senhor.
Quando você observa a história, nos períodos de grande avivamento, é a presença de Deus e o mover de Seu Espírito Santo entre as pessoas que trazem os crentes de volta aos joelhos e lhes permitem retornar àquele lugar de santidade para Ele.
Com toda a sinceridade, se olhássemos para todo o vocabulário da linguagem cristã e classificássemos nossas palavras favoritas, com que frequência colocaríamos santidade no topo?
Amamos “amor”, “graça” e “misericórdia”. Poderíamos continuar e continuar. Mas onde está a santidade? Não é um assunto popular, porque, de alguma maneira, o inimigo nos enganou, fazendo-nos pensar que santidade é escravidão e legalismo.
Mas a santidade é, na verdade, a maior libertação que jamais experimentaremos, porque somos libertos de nós mesmos para desfrutar da bondade do Senhor.
De que somos separados? Somos separados da tirania deste mundo para desfrutar da vida de Deus. Somos separados da escravidão de nós mesmos e de nosso próprio pecado, para que possamos desfrutar de Sua bondade.
O inimigo tem feito um excelente trabalho ao transmitir a mensagem errada sobre a santidade. E, francamente, nós, como crentes, também temos feito um trabalho bem ruim.
Se dizemos que alguém quer viver uma vida santa, pensamos, antes de tudo, que essa pessoa precisa vestir preto. Você reconhece uma pessoa santa quando ela entra na sala: os ombros estão curvados, ela se inclina um pouco e anda bem devagar. Pessoas santas nunca andam depressa; são muito cuidadosas em cada movimento.
Temos esse conceito de santidade que começa do lado de fora e vai para dentro. Mas, se o Espírito Santo abrisse nossos olhos para ver que a santidade é a maior libertação que experimentaremos depois de sermos salvos, desfrutaríamos da bondade do Senhor sobre a qual cantamos.
Cantamos todos esses cânticos sobre desfrutar de Sua bondade, mas saímos e nos sentimos miseráveis porque estamos enredados. Porém, o Senhor nos chama de volta a Si para nos libertar.
Na santidade, vemos a beleza da santidade, esplendor e majestade. Ah, quanta libertação há no Senhor! Que os conceitos do inimigo sejam destruídos, para que não tenhamos vergonha nem receio de dizer: “Sim, somos um povo santo em Cristo, e somos livres”.
Que o Senhor nos ajude nisso.
Era isso que estava acontecendo com aquele povo. Quando o Espírito Santo e a Palavra de Deus vieram, eles foram convencidos do pecado. Vemos como os que estavam em Jerusalém haviam se casado com pessoas da terra; tinham essas mulheres estrangeiras.
Do que estamos falando quando mencionamos mulheres estrangeiras, e como isso se aplica a nós? Não estamos dizendo que, se alguém é de outro país, você deve se divorciar dessa pessoa. Estamos fazendo uma aplicação espiritual aqui.
Mas isso pode ser bem simples. Mais uma vez, tentamos complicar tanto as coisas. O que é uma pessoa estrangeira? Um estrangeiro é alguém cuja origem está em outro país. Nasceu em outro reino. Sua origem é diferente. É só isso.
O que é uma esposa? Uma esposa é alguém a quem você está unido, alguém com quem tem intimidade, alguém a quem você se entregou.
Essas pessoas haviam se entregado e se unido intimamente às pessoas da terra. Como isso aconteceu?
Geralmente, essas coisas acontecem por meio de um afastamento lento e gradual do primeiro amor por Ele. O amor de muitos esfriará. Há um processo lento de esfriamento.
Se você voltar a Esdras 4, essas mesmas pessoas — os adversários — vieram e disseram: “Deixem-nos ajudar vocês a construir o edifício. Deixem-nos ajudar vocês a construir essa casa de Deus”. Qual foi a resposta? Como estavam numa condição de primeiro amor pelo Senhor, disseram: “Não, não temos nada em comum com vocês. Vocês não podem entrar. Somos separados de vocês”.
Mas, depois, à medida que aquele amor esfriou, começaram a se misturar e a se casar com eles. Isso trouxe dissipação e distração.
Sabemos, pelo testemunho da vida de Salomão, que, quando ele chegou ao auge, o ponto de virada veio ao se casar com mulheres estrangeiras. Elas desviaram seu coração, e isso abriu um caminho para o inimigo entrar e derrubar o reino.
Isso criou aquela brecha pela qual o inimigo pôde entrar. Aquele que era o maior sobre a terra acabou perdendo o reino no tempo de seu filho, por causa de seus pecados.
É trágico, quando se observa a cronologia, perceber quanto tempo houve entre Salomão e Jezabel. Às vezes, você lê e pensa que foram centenas e centenas de anos. Não foi tanto tempo assim; não houve tantas gerações entre Salomão e Jezabel.
Isso deveria ser advertência suficiente para nós. Precisamos permitir constantemente que nosso relacionamento com o Senhor seja renovado dia após dia.
Lembrem-se: as pessoas de quem estamos falando aqui estavam em Jerusalém. Haviam deixado a Babilônia. Haviam retornado. Estavam vivendo em Jerusalém para ser um testemunho do Senhor, mas permitiram que elas mesmas entrassem em alianças profanas.
Um dos maiores privilégios que temos é nos reunir com irmãos e irmãs que desejam se encontrar e ser um testemunho do Senhor na simplicidade de Sua vida. Mas sua maior bênção também pode se tornar sua maior fraqueza, se você começar a tratar essa bênção como algo garantido.
Durante boa parte da minha vida, no ensino médio, na faculdade e no serviço militar, pratiquei esportes. Uma tática nos esportes é que, quando um time tem alguém especialmente forte na defesa, você pode tentar contornar essa pessoa. Mas uma maneira de atacar o ponto mais forte de alguém é ir diretamente contra ele.
Às vezes, nossa força é termos a Palavra de Deus e a bênção da comunhão uns com os outros. O inimigo pode atacar diretamente essa força, e começamos a tratar tudo como algo garantido. Acabamos embalados no sono em meio a toda a bondade que temos.
É por isso que Ele vem e diz: “Despertem. Despertem, porque a hora em que vocês vivem se aproxima”.
Como essa questão das mulheres estrangeiras se aplica a nós hoje? O Senhor está falando ao nosso coração. Estamos vendo figuras aqui, mas, ao aplicá-las ao nosso coração, precisamos perguntar: a que nosso coração se uniu intimamente que não é do Senhor?
A que nosso coração se uniu intimamente que pertence a outro reino ou ao mundo? Que alianças profanas fizemos? Quais são as mulheres estrangeiras de hoje?
Podemos começar a dar nomes a elas. Podem ser coisas como nosso trabalho. Quantas vezes ouvimos a expressão: “Ele é casado com o trabalho” ou “Ela é casada com a carreira”? Isso diz muita coisa.
Nossas mulheres estrangeiras podem ser nossas aspirações acadêmicas, a família ou qualquer outra coisa que venha nos distrair e dissipar, afastando-nos de nossa vida com o Senhor.
Um sinal de que temos uma aliança ou ligação profana com alguma coisa do mundo é nos encontrarmos vivendo uma vida dupla.
Dizemos: “Esta é minha vida com o Senhor, e esta é minha vida profissional. Esta é minha vida com o Senhor, e esta é minha vida escolar. Esta é minha vida com o Senhor, e esta é minha vida pessoal, na qual posso desfrutar de tudo o que quiser”.
Sutilmente, começamos a dividir nosso tempo. Sabemos o suficiente para dar ao Senhor o tempo Dele e caímos nessa duplicidade de vida.
Há outra característica de uma esposa. Normalmente, uma esposa adota o sobrenome do marido. Antes, eu podia afirmar isso de forma absoluta; agora é preciso dizer “normalmente”.
Hoje, se você olhar ao redor, muitas coisas adotaram o nome “cristão”. Isso as torna de Cristo apenas porque levam o nome cristão? Qual é a origem delas?
Temos ginástica cristã, ligas de futebol cristãs, grupos de teatro cristãos, música cristã; e a lista continua.
Lá onde moro, em Richmond, uma cidade bastante conservadora, havia um anúncio de um grupo de ioga cristã. Aquilo me pegou de surpresa. Pensei: “Como funciona a ioga cristã?”
Alguém disse: “Só nos envolvemos com o lado físico. Não tocamos no outro lado”. Mas você pode pensar que está separando as duas coisas; os principados e potestades não estão separando as duas.
Caímos em armadilhas sutis. Muitas vezes, há coisas de que gostamos; então as limpamos, damos um polimento, aliviamos nossa consciência, colocamos nelas o nome cristão e dizemos: “Agora é aceitável”.
Irmãos e irmãs, só porque um grupo de cristãos faz alguma coisa, isso não a torna uma atividade cristã. Qual é a questão? A questão é a origem. É do Senhor ou é do mundo?
Não quero ir a um extremo aqui. A questão não é se você participa, por exemplo, de um grupo de teatro ou não. A questão é se estamos tentando colocar nele o nome cristão e, de alguma maneira, torná-lo bom.
Essa é a questão do coração. Francamente, se alguma coisa tem a palavra “cristão”, muitos de nós simplesmente entramos nela sem pensar. Precisamos ser despertados para a hora em que estamos vivendo.
É interessante, irmãos e irmãs, como nós, o povo de Deus, cantamos belas músicas e cânticos sobre o Senhor. Como lemos em Salmos 16:11:
Na Tua presença há plenitude de alegria;
à Tua direita há delícias perpetuamente.
Cantamos: “Senhor, estou cativado pela Tua beleza”. “Senhor, Tu és todo o meu prazer.”
Então, aonde vamos para nos divertir? Por que sempre vamos ao mundo em busca de diversão?
Mais uma vez, temos essa vida dupla. Pensamos: “Tenho minha vida cristã e vou ser sério. Mas, se eu quiser me divertir um pouco, preciso do meu tempo; então vou para o mundo”.
Caímos nessa armadilha, e a mensagem que transmitimos é que não há diversão no Senhor.
Há uma expressão interessante: a imitação é a maior forma de elogio. É trágico ver hoje quantos de nós, como crentes, imitamos o mundo e suas atividades, em vez de o mundo nos imitar.
Que mensagem estamos transmitindo? Irmãos e irmãs, há uma alegria e um prazer no Senhor dos quais temos sido roubados.
O mundo diz: “Venha aqui. Vou lhe dar prazer. Você pode se deleitar nisto e naquilo”. Mas o Senhor quer que testemunhemos que Ele é nosso tudo em todos.
Contudo, muitas vezes acrescentamos um “mas” no final: “Mas vou ali me divertir”.
Olhem para os Salmos. Uma coisa que aprecio no salmista é seu coração. Davi diz em Salmos 37:4:
Deleita-te também no Senhor;
e Ele te concederá os desejos do teu coração.
Cremos nisso? Ou pensamos: “Ah, esse é um velho antiquado e religioso. Ele nem tem desejos de verdade, então não é grande coisa”?
Isso se aplica a nós, os mais jovens? Nós, os mais jovens?
Alguma vez dizemos: “Senhor, Tu disseste que, se eu me deleitar em Ti, Tu me concederás os desejos do meu coração”? O que descobrimos é que, à medida que começamos a nos deleitar Nele, nosso coração começa a mudar.
O que passa a ser nosso desejo? Mais Dele, mais dos irmãos e irmãs, e uma alegria na qual entramos.
O salmista também escreveu, em Salmos 40:8:
Deleito-me em fazer a Tua vontade.
Cantamos sobre ter prazer em fazer a vontade de Deus, mas, quando ela é colocada diante de nós, estamos nos deleitando nela?
Abram em Salmos 119. Aprecio muito Salmos 119:92.
Enquanto vocês procuram, Salmos 94:19 diz:
Quando os meus pensamentos ansiosos se multiplicam dentro de mim,
as Tuas consolações deleitam a minha alma.
Quando os pensamentos ansiosos se multiplicam dentro de nós, cremos que Suas consolações deleitam nossa alma? Ou precisamos ir a outro lugar em busca de consolo para nossa alma?
Agora, olhem para Salmos 119:92.
Se a Tua lei não tivesse sido o meu deleite,
então eu teria perecido na minha aflição.
Que promessa preciosa: deleitar-se no Senhor e em Sua lei, a Palavra de Deus. Caso contrário, eu teria perecido.
Gostaria que todos, em algum momento, lessem Salmos 119. Sabemos que Salmos 119 trata da Palavra de Deus e usa muitos termos diferentes para se referir a ela. Também sabemos que a Palavra viva de Deus é nosso Senhor Jesus. Ele Se fez carne e habitou entre nós.
Leiam Salmos 119 e, nas expressões de louvor à Palavra de Deus, coloquem ali o nome de Jesus. Vamos fazer isso com alguns versículos.
Não estamos falando de legalismo. Quando lemos “lei”, muitas vezes pensamos: “Ih, legalismo. Estamos livres da lei”. Mas sabemos que Ele era a Palavra que Se fez carne; então vamos colocar o nome Dele ali.
Se Jesus não tivesse sido o meu deleite,
então eu teria perecido na minha aflição.Nunca me esquecerei de Jesus,
pois por Ele Tu me vivificaste.Sou Teu, salva-me,
pois tenho buscado Jesus.Os ímpios me espreitam para me destruir;
considerarei diligentemente Jesus.
Ah, como isso abrirá este salmo de maneira maravilhosa, e poderemos entrar no deleite que há Nele.
O inimigo nos rouba tantas coisas, e caímos em tantas situações. Irmãos e irmãs, quem estamos imitando? A quem estamos elogiando na hora em que estamos vivendo?
Cantamos que saberão que somos cristãos pelo nosso amor e pela vida que veem. Quem dera nós, como povo de Deus, realmente manifestássemos o nome de Jesus e a vida de Jesus.
Mesmo que nos encontremos nessa situação, uma coisa que o Espírito Santo diz é: “Experimentem-Me e provem-Me”. Alguma vez experimentamos o Senhor dessa maneira — da maneira correta?
“Senhor, Tu disseste que serias meu deleite, que todas as minhas fontes de alegria poderiam ser encontradas em Ti. Tenho buscado minhas fontes de alegria e prazer em muitas outras coisas deste mundo, mas, Senhor, quero encontrar minhas fontes de alegria e meu deleite em Ti.”
Se formos ao Senhor com esse coração sincero, Ele nos mostrará mais de Si mesmo. Ele revelará mais e mais de Si mesmo, para que sejamos libertos das escravidões, das alianças profanas e das ligações que fizemos com este mundo.
Que sejamos aqueles que respondem ao chamado dirigido ao povo em Esdras: ser separados e ser esse povo santo. Que não tenhamos medo de ser um povo santo nesta hora.
De onde vieram essas mulheres estrangeiras? Se vocês lerem a lista em Esdras 9, verão que eram de povos que Israel já havia conquistado e expulsado da terra. Eles os haviam derrotado. Haviam saído do Egito, e esses povos haviam sido derrotados.
Mas, de alguma maneira, haviam permitido que voltassem a entrar. Conheciam a vitória sobre eles, mas, com o passar do tempo, houve um processo lento e gradual em que as coisas foram entrando novamente, entrando novamente.
Isso pode acontecer tão facilmente em nossa vida, especialmente quando já temos alguns anos no Senhor. O inimigo vai mentir para nós e dizer: “Você consegue lidar com isso. Agora você é maduro o suficiente para lidar com essa situação”.
Ele diz: “Claro, quando você era um cristão novo, não conseguia lidar com aquele ambiente. Claro, quando você era um cristão novo, não conseguia lidar com aquele tipo de filme. Claro, quando você era um cristão novo, não podia andar com aquele tipo de gente. Mas, agora que é um cristão maduro, com quatro anos de caminhada, você consegue lidar com isso”.
Então ele diz: “Olhe para Jesus. Ele foi comer com pecadores. Veja tudo o que Ele fez”. Mas nunca conta o restante da história. Jesus queria estar com os pecadores, mas o que Ele fazia? Ele não participava de seus pecados. Ele compartilhava o evangelho.
De alguma maneira, caímos na armadilha de pensar: “Eu consigo lidar com isso. Não vai me fazer mal”. Pensamos que isso é sinal de força, mas, irmãos e irmãs, na verdade é sinal de fraqueza.
É sinal de fraqueza em nossa consciência. Quando conseguimos estar numa situação, num ambiente ou assistindo a um filme em que há palavrões e o nome do Senhor é profanado o tempo todo, e isso não nos afeta, esse não é o sinal de um cristão forte.
Esse é o sinal de alguém com uma consciência fraca. Precisamos que nossa consciência seja despertada.
O mundo nos diz que precisamos ser tolerantes com o pecado, que precisamos tolerar todas essas coisas. Isso é uma grande bobagem. Não precisamos ser tolerantes com o pecado. Não precisamos tolerar que as pessoas profanem o nome do nosso Senhor.
Amamos o pecador, sim, mas odiamos o pecado. A tragédia hoje é que nós, como crentes, temos acolhido demais o pecado e tentado ser tolerantes demais para agradar ao mundo, para sermos considerados pessoas de mente aberta, e não propagadores de ódio.
Ah, que o Espírito Santo abra nossos olhos para vermos como precisamos ser despertados, para que nossa consciência seja forte e não sejamos conhecidos como pessoas tão tolerantes.
É difícil. Não vou dizer que não é. Em nossa família, temos um irmão jovem que é homossexual.
Você pode usar frases bonitinhas, como: “Odeie o pecado e ame o pecador”. Mas, quando começa a aplicar isso diariamente com alguém em sua vida que mantém uma prática homossexual, fica difícil. Não estou dizendo que é fácil.
Mas o Senhor está abrindo um caminho para nós, para que não sejamos encontrados aprovando e suportando tanto do pecado que o inimigo lança arrogantemente contra nós na hora em que estamos vivendo.
Estamos apenas enganando a nós mesmos se pensamos que isso não tem efeito sobre nós. Que nossa consciência seja fortalecida nesta hora para conhecer a diferença entre o santo e o profano.
Esdras era um escriba versado na lei. Ele sabia o que era santo e o que era profano.
Irmãos e irmãs, como aqueles que estão vivos em Cristo, como santos — os Seus santos —, sabemos, em nossa vida, quais são as coisas santas e quais são as profanas?
Ao nos oferecermos ao Senhor, que Ele, de Sua maravilhosa maneira amorosa, nos convença do pecado para nos libertar.
Um dos efeitos trágicos disso é visto perto do final do livro de Neemias. Abram em Neemias 13.
Mais uma vez, em Neemias, embora Esdras tivesse realizado essa obra em seu tempo, pessoas haviam entrado. A descendência santa havia se misturado com pessoas deste mundo.
Vemos em Neemias 13:24 um dos versículos mais trágicos das Escrituras. Ele fala do povo de Deus e de seus filhos.
Quanto a seus filhos, metade falava a língua de Asdode, e nenhum deles sabia falar a língua de Judá, mas a língua de seu próprio povo.
Nenhum deles sabia falar a língua de Judá. Irmãos e irmãs, que língua nossos filhos estão falando? Que língua nossos jovens estão falando?
Ao observarmos a maneira como vivemos, que língua estamos ensinando a eles? Quando falamos de língua aqui, estamos falando da linguagem do coração: a linguagem com a qual você expressa seu amor.
Stella e eu vamos com frequência ao Brasil. Tenho estudado português e consigo manter uma conversa. Mas, se quero expressar adoração, oração ou o afeto do coração, sempre preciso voltar à minha língua materna.
Qual é a língua materna do coração de nossos filhos? Qual é a língua materna? Qual é a origem da linguagem presente em nossa vida?
Temos apenas uma linguagem cristã que adotamos para as reuniões e quando estamos entre crentes, enquanto nossa língua materna aparece quando estamos com outras pessoas?
Neste país, temos muitos programas de ESL, inglês como segunda língua. Mas me pergunto se, no cristianismo, temos muitos CSLs: cristianismo como segunda língua. O cristianismo é uma segunda língua ou é a primeira língua do nosso coração?
Que o Senhor nos mostre. Descobrimos qual é a linguagem do nosso coração num período de prova e dificuldade. A que linguagem voltamos quando expressamos nossos verdadeiros sentimentos? Quando algo acontece, o que sai de nós?
Sei o que acontece comigo às vezes, quando alguma coisa acontece. Sei o que sai de mim. Graças ao Senhor pelo sangue do Cordeiro, que nos purifica de nossos pecados.
Que Ele trabalhe dentro de cada um de nós de maneira mais plena, para que a língua materna em nós e em nossos filhos seja a linguagem do Senhor: aquela linguagem de amor por Ele que, de maneira correta, lhes seja muito natural.
Que não seja algo que adotamos apenas quando estamos perto de outros crentes.
Às vezes, pensamos que as coisas com as quais estamos envolvidos não têm muitas consequências, mas estamos apenas enganando a nós mesmos. Qualquer coisa que não seja do Senhor, que esteja fora de Sua esfera, tem consequências trágicas.
Que sejamos despertados para isso, especialmente ao falarmos destes últimos dias. Estamos dispostos a ser diferentes? Estamos dispostos a ser aqueles que são separados para Ele?
Agradeço ao Senhor porque Esdras pôde entrar nessa situação e trazer o Senhor para ela. Que sejamos aqueles que trazem o Senhor para as situações, para que as pessoas sejam libertas de maneira maior e possam segui-Lo mais plenamente a cada dia.
O que Esdras fez nessa situação? Vemos, voltando a Esdras 9, que Esdras caiu por terra. Ele se humilhou. Prostrou-se, atônito, diante do Senhor em oração.
Tocamos nisso ontem: Esdras não se colocou acima dos outros. Não os desprezou nem os condenou, mas se identificou com eles.
Há muitas coisas que podemos aprender com essas orações. Para quem gosta de curiosidades bíblicas, nos livros ligados ao período do exílio e do retorno — Daniel, Esdras e Neemias —, o capítulo 9 é sempre o capítulo da oração.
Se você está tentando lembrar quando Daniel orou, é Daniel 9. Quando Esdras orou? Esdras 9. Neemias? Neemias 9. Algumas coisas são simples: a simplicidade de Cristo. Capítulo 9.
Vamos extrair alguns pontos sobre essa questão da oração. Há semelhanças entre essas orações. Gostaria de considerar quatro pontos gerais. Isso não é uma fórmula, e eles nem sempre aparecem na mesma ordem, mas são pontos que devemos observar.
Ao voltarmos a Esdras 9, lemos os versículos 3 a 5 e vemos como Esdras se coloca naquele lugar de humildade. Em Neemias, vemos o uso de pano de saco. Daniel se prostra com o rosto em terra diante do Senhor.
Quando foi a última vez que olhamos para a condição do povo de Deus e isso nos levou a cair de joelhos diante de Deus?
Gostamos de ficar em pé e levantar as mãos em louvor. Estamos em pé o tempo todo, e podemos fazer isso. Mas com que frequência nos ajoelhamos? Qual é a proporção, em nossa vida, entre ficar em pé e nos ajoelhar?
Na minha própria vida, essa proporção é bem ruim. Não vou ficar aqui em pé e agir como se estivesse de joelhos o tempo todo, mas é algo que quero que o Senhor me ensine, para que eu seja fortalecido.
Ao olhar para Esdras e Neemias desta vez, fui tocado de maneira nova pelas orações desses queridos irmãos e por seu encargo pelo povo de Deus. Fui profundamente convencido.
Posso ficar em pé e levantar as mãos. Vocês não levantam as mãos na Costa Oeste; desculpem. Às vezes, ficam em pé. Eu precisava dar pelo menos uma cutucada.
Mas gostamos muito de ficar em pé. Estamos realmente de joelhos? Estamos realmente naquele lugar de humildade diante do Senhor? Que o Senhor nos ensine isso.
Olhem agora para Neemias 9. Vamos considerar um segundo aspecto: reconhecer Quem é o Senhor e os Seus direitos.
É maravilhoso ver como, no versículo 1, há jejum e pano de saco; mas então chegamos ao versículo 5 e vemos a maneira maravilhosa como ele vê e reconhece Quem é o Senhor.
Bendizei ao Senhor, vosso Deus, de eternidade em eternidade.
Bendito seja o Teu glorioso nome,
exaltado acima de toda bênção e louvor!
Só Tu és o Senhor.
Tu fizeste os céus,
o céu dos céus e todo o seu exército.
Ele prossegue, em Neemias 9:7:
Tu és o Senhor que escolheste Abraão.
Ele relata como o Senhor viu a aflição dos que estavam no Egito, realizou sinais, dividiu o mar e fez tudo por eles.
Não é essa a imagem que temos de nosso amado Salvador? Ele fez tudo por nós. Não houve contribuição da parte deles. “Tu fizeste tudo.”
Como precisamos ver que, ao entrarmos nesses momentos, nos achegamos com base em tudo o que Cristo fez por nós.
Então, olhem para o final de Neemias 9:33. Em tudo pelo que haviam passado, qual era o testemunho de Neemias a respeito do Senhor?
Contudo, Tu és justo em tudo o que veio sobre nós;
pois Tu procedeste fielmente,
mas nós agimos perversamente.
Em toda a aflição pela qual haviam passado, o Senhor era justo. Ele havia tratado com eles fielmente, mas eles haviam agido perversamente.
Reconheceram Quem Ele é e reconheceram sua verdadeira condição. Mais uma vez, Neemias se identifica com eles: “Nós agimos perversamente”. Não há desculpa.
Vocês perceberão nas orações de Esdras, Neemias e Daniel que não há desculpas para a maneira como agiram. Eles dizem: “Pecamos. Desobedecemos a Ti. Tu nos deste a lei. Tu a colocaste diante de nós. Tu providenciaste tudo. Não ouvimos os Teus profetas. Nós Te ignoramos, nos rebelamos e fizemos o que bem entendíamos”.
“Nós pecamos.” Isso é assumir a responsabilidade: uma expressão pouco popular na sociedade moderna.
Eles assumiram a responsabilidade. Deus havia providenciado tudo para eles, e eles negligenciaram e rejeitaram tudo isso.
Como precisamos ver que estamos na mesma categoria. Quando nos sentamos aqui e olhamos para tudo o que Deus providenciou para nós — se a única coisa que Ele tivesse providenciado além de Si mesmo, o que já é tudo, fosse simplesmente esta conferência —, olhem para os vinte anos desta conferência.
Pensem no tesouro, no banquete e nos festins que foram colocados diante de nós. Ah, o Senhor derramou Seu coração, e nós negligenciamos isso.
Que o Senhor nos desperte nesta hora. Mais uma vez, muito disso vem de uma convicção pessoal. Quando foi a última vez que pegamos uma fita da conferência de 1985 e a ouvimos?
Nem sei qual foi a mensagem de 1985. Mas quando foi a última vez que voltamos a 1995, quando o Senhor falou? Naquele ano, tínhamos tanta certeza de que o Senhor havia falado conosco. Ele Se moveu. Veio e tocou nosso coração.
Foi maravilhoso como o Senhor entrelaçou a mensagem entre os diferentes irmãos que falaram. Ah, como foi grandioso! Mas o que o Senhor disse naquela ocasião? Qual era Sua mensagem? Nós a trazemos à memória? Voltamos a ela e permitimos que permaneça viva e fresca em nosso coração?
Davi disse que sua herança era bela para ele. Nossa herança é bela para nós? Temos uma herança tão grande. Ela é bela para nós?
À medida que alguns de nós ficam um pouco mais velhos, apreciamos um pouco mais nossa herança. Mas há um tesouro ali, e precisamos voltar a cavar aqueles poços.
Precisamos voltar a cavar alguns dos poços de nossos pais. O inimigo os encobriu e disse: “Não há nada aí embaixo. Não mexa nisso. Dá trabalho demais tirar essas pedras”.
Não, precisamos cavar um pouco. Talvez uma fita cassete não caiba em nosso aparelho de MP3 por ser tão antiga, mas alguém vai lhe emprestar um toca-fitas para que você possa ouvir uma daquelas fitas antigas.
Podemos entrar na herança que temos Nele.
Abram agora em Daniel 9. Vamos extrair de Daniel alguns pontos sobre como ele reconheceu o verdadeiro pecado do povo.
Em Daniel 9:4, ele começa reconhecendo Quem é Deus:
Ah, Senhor, Deus grande e temível,
que guardas a aliança e a misericórdia para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos.
Então ele diz:
Temos pecado, cometido iniquidade, agido perversamente e nos rebelado.
Ao longo de toda a oração, ele é específico, prostrando-se diante do Senhor em busca de misericórdia.
Uma coisa que observamos nessas orações — e algo que o Senhor precisa nos ensinar nesta hora — é que eles não se arrependeram apenas de suas ações pecaminosas; arrependeram-se das motivações que produziram o pecado.
Muitas vezes, quando pecamos, pedimos perdão por nossas ações, e devemos fazer isso. Mas, por trás da ação, havia algo dentro de nós que a provocou.
Pode ser amor a si mesmo, orgulho, ganância ou alguma outra coisa. Precisamos voltar ao Senhor e confessar isso. Precisamos reconhecê-lo diante Dele.
“Senhor, por minha ambição pessoal, tratei mal aquele irmão e disse que ele não podia fazer aquilo, porque eu queria a glória.” Ambição pessoal.
Sempre há uma causa para nossas ações. Muitas vezes, e mais uma vez eu confesso, pedimos perdão por nossas ações, mas precisamos ir além disso.
Essas pessoas estavam orando pelo povo de Deus e se entregaram nas mãos do Deus misericordioso: não por causa de si mesmas, mas pelos interesses Dele.
Olhem para Daniel 9:17.
Agora, pois, ó nosso Deus, ouve a oração do Teu servo e as suas súplicas; e, por amor de Ti, ó Senhor, faze resplandecer o Teu rosto sobre o Teu santuário desolado.
Ó meu Deus, inclina o Teu ouvido e ouve! Abre os Teus olhos e vê as nossas desolações e a cidade que é chamada pelo Teu nome.
Porque não apresentamos as nossas súplicas diante de Ti por causa de quaisquer méritos nossos, mas por causa das Tuas grandes misericórdias.
Ó Senhor, ouve! Ó Senhor, perdoa! Ó Senhor, atende e age! Por amor de Ti mesmo, ó meu Deus, não tardes, porque a Tua cidade e o Teu povo são chamados pelo Teu nome.
Eles estavam ali por causa do Senhor. “Senhor, por amor de Ti, levanta-nos. Por amor de Ti, atrai-nos de volta a Ti.”
À medida que o Senhor nos cativa cada vez mais, colocando sobre nós mais do desejo de Seu coração, que sejamos aqueles que, ao nos encontrarmos em certas situações, nos lançam sobre a misericórdia do Senhor por amor Dele, para que Seu nome seja honrado na hora em que estamos vivendo.
Agradeço ao Senhor por Esdras e Neemias, porque eram pessoas que entravam nas situações e as enfrentavam de frente.
Hoje, como foi mencionado ontem à noite, muitos de nós somos medrosos. Vemos uma situação difícil e saímos correndo.
Esdras e Neemias entravam numa situação, enfrentavam-na de frente e traziam o Senhor para aquela situação.
Em termos do Novo Testamento, Esdras e Neemias eram pacificadores.
Bem-aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
O filho tem no coração os interesses do pai. Esdras e Neemias viram a situação, e não agiram por causa de si mesmos, mas por causa de seu Pai. Queriam ver reconciliação.
Havia uma ruptura. Eles trouxeram o Senhor e trouxeram cura para a situação. Bem-aventurados os pacificadores.
Não temos tempo hoje, mas uma das maiores necessidades na igreja de Deus é de pacificadores. Temos entre nós pessoas demais que apenas mantêm a paz.
Eu adoro apenas manter a paz. Você simplesmente separa as duas pessoas: “Você se senta aqui. Você se senta ali”. Elas vêm à reunião, sorriem e saem pela porta odiando uma à outra com todas as forças.
Um pacificador enfrenta a situação de frente no Senhor. Você não faz isso em sua própria força, mas traz o Senhor para a situação e encontra o caminho Dele para aquela situação.
Quando aquele que apenas mantém a paz vai embora, as duas pessoas começam a brigar novamente.
Graças ao Senhor porque Ele fez a paz. Graças ao Senhor porque podemos celebrar isso hoje à noite, à Sua mesa, declarar Sua vitória e declarar que Ele fez a paz para que possamos ser um com os outros.
Como precisamos nos arrepender e vir com o coração preparado, porque muitas vezes somos aqueles que estão destruindo a paz.
Ele veio e entregou Sua vida para que fôssemos um. Ele fez toda a provisão para nós por meio da vitória do Calvário, da qual nos lembraremos hoje à noite.
Ah, que o Senhor levante pacificadores dentro da casa de Deus nesta hora.
Agradecemos ao Senhor porque, quando Esdras e Neemias chegaram, o povo respondeu. Eles se arrependeram, se separaram e, embora houvesse muitas lágrimas e muita angústia, se separaram das alianças profanas e prosseguiram no Senhor.
Ao estarmos aqui hoje e considerarmos essas coisas, enquanto o Senhor toca nosso coração, algumas das coisas às quais nos unimos não são fáceis de deixar.
Não estou falando de divórcio. Estamos falando de uma aplicação espiritual aqui. Estou no mundo dos negócios há muitos anos, e alguns de nós talvez tenham se casado com seus negócios.
Quando o Senhor nos toca e quer que voltemos a colocar as coisas sobre um fundamento e numa perspectiva corretos, isso é difícil. Na verdade, é impossível em nós mesmos, porque envolverá negar a nós mesmos.
Mas Ele conhece nossa situação. Ao nos chamar de volta a Si e nos chamar a despertar, Ele vê a situação em que estamos.
Talvez tenhamos hipotecado nossa casa até o limite para manter um negócio funcionando. Talvez vivamos refinanciando tudo. Dizemos: “Não posso mudar agora, porque não tenho condições de arcar com isso”.
Não podemos nos dar ao luxo de não mudar.
Muitas vezes, quando conversamos com pessoas do mundo dos negócios ou oferecemos orientação financeira pessoal, elas dizem: “Não tenho condições de fazer isso”. O que isso muitas vezes significa é: “Não estou disposto a pagar o preço para fazer isso”.
Isso pode nos custar uma humilhação pública. Pode nos custar algo que nos faça dizer: “Bem, meus filhos não vão ter isto, e não vão ter aquilo”.
Qual é o maior presente que podemos dar aos nossos filhos? É tudo isto e aquilo? Ou é quando um filho olha e vê seu pai deixando muitas coisas de lado para que o Senhor tenha o primeiro lugar em sua vida?
O que conta na eternidade? Não podemos nos dar ao luxo de não pagar o preço, porque Ele já pagou tudo.
É triste ver como muitos de nós permitimos que tantas coisas que não são Dele entrassem e passassem a ditar nossa vida. Ao termos estas oportunidades, que o Senhor realmente trabalhe dentro de nós.
É assim que a casa de Deus é fortalecida: à medida que Sua vida é trazida para o nosso meio, Seu testemunho é fortalecido.
Qual é a beleza da casa? É Cristo. Vemos Cristo à medida que Ele é manifestado de maneira mais plena e maior.
Ele é nosso Senhor. Sua volta é apressada, e somos o povo que se ocupa dos Seus interesses.
Então, oramos para que, nesta hora em que estamos vivendo, nos apresentemos a Ele. Onde houver aspectos e áreas de nossa vida que Ele queira tocar e tratar, para nos separar e nos trazer de volta a Si, que tenhamos um relacionamento sincero com Ele e Lhe demos o direito de fazer isso.
Agradecemos ao Senhor porque houve alguém como Esdras. Graças ao Senhor pela maneira como o povo de Deus respondeu. Graças ao Senhor por aqueles guerreiros de oração e intercessores que suplicavam pelos interesses de Deus entre o povo de Deus.
Que o Senhor toque nosso coração de maneira maior, para levantar pessoas como Esdras, esses pacificadores e esses intercessores entre o povo de Deus hoje.
Ontem à noite, ao encerrar, Dana abriu um momento para oração. Queremos fazer isso novamente nesta manhã: que possamos dedicar alguns momentos a considerar a Palavra de Deus em nosso coração e permitir que o Senhor fale. Então, conforme o Senhor conduzir, alguns poderão orar em voz alta, e Mike encerrará.