Começaremos com a passagem das Escrituras que é o tema desta conferência, na carta do apóstolo Paulo aos Efésios, em Efésios 1:9-10.
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade,
Segundo o Seu beneplácito, que propôs em Cristo,
Para uma dispensação da plenitude dos tempos,
A fim de reunir todas as coisas em Cristo,
As coisas nos céus e as coisas sobre a terra; nEle, digo eu.
Agora, se vocês puderem abrir comigo no Evangelho de Mateus, capítulo 24, leremos apenas um versículo: Mateus 24:44.
Portanto, estai vós também preparados:
Porque o Filho do Homem virá numa hora em que não pensais.
Abram também na segunda carta do apóstolo Pedro, em 2 Pedro 3:11-13.
Visto que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas,
Que pessoas deveis ser em toda santa conduta e piedade,
Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus,
Por causa do qual os céus, em fogo, serão dissolvidos,
E os elementos se derreterão com intenso calor?
Mas, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça.
Na carta do apóstolo Paulo aos Romanos, em Romanos 12:1-5:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto espiritualmente inteligente.
E não vos conformeis com esta era: mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém pensar; antes, pense com sobriedade, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.
Pois, assim como temos muitos membros em um só corpo, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo e, individualmente, membros uns dos outros.
E, finalmente, novamente na carta do apóstolo Paulo aos Efésios, em Efésios 5:15-21:
Vede, pois, cuidadosamente como andais, não como insensatos, mas como sábios;
Remindo o tempo, porque os dias são maus.
Portanto, não sejais tolos, mas compreendei qual é a vontade do Senhor.
E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito;
Falando uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e fazendo melodia em vosso coração ao Senhor;
Dando sempre graças por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, a Deus, o Pai;
Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Vamos nos curvar juntos para mais uma palavra de oração.
Amado Senhor, queremos simplesmente Te agradecer nesta noite porque Tu estás aqui. Estamos reunidos na Tua presença e, ao chegarmos agora à ministração da Tua Palavra, Senhor, precisamos de Ti. Nós Te louvamos porque fizeste provisão para nós em todos os aspectos, tanto para quem fala como para quem traduz e para quem ouve.
Queremos, pela fé, nos firmar nessa unção que Tu nos proporcionaste a um preço tão alto, por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus, e que tornaste uma realidade tão viva na Pessoa do Espírito Santo. Queremos nos firmar nessa unção, nessa graça e nesse poder, pela fé.
Preenche este tempo com a Tua presença, Senhor. Que possamos ouvir a Tua voz para além da voz humana. Que tudo o mais desapareça e nos deixe, Senhor, somente Contigo.
Desafia-nos, Senhor. Temos falado sobre despertar. Senhor, se ainda estamos entorpecidos, se ainda estamos dormindo, Senhor, desperta-nos.
Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Bem, não creio que seja necessário dizer qual é o tema. A esta altura, todos já sabem: reunir todas as coisas em Cristo, sejam as coisas no céu ou as coisas na terra — tudo reunido nEle.
Minha responsabilidade tem sido falar sobre estar preparado para Cristo, preparado para a Sua vinda.
Já dediquei uma noite a tratar de todo esse assunto de maneira geral, falando sobre o ponto da história ao qual chegamos. Não direi mais nada a respeito, a não ser isto: chegamos a esse ponto.
Nos próximos anos, veremos cada vez mais claramente que não vale a pena viver neste mundo. Se você nunca ansiou pela vinda do Senhor, começará a ansiar por ela de uma maneira como nunca antes ansiou pela Sua vinda.
Estamos num momento tremendo da história: a deterioração da nossa sociedade, o retorno ao paganismo, a rejeição da lei de Deus e da Palavra de Deus, que tornaram tão grandes as nações ocidentais — que produziram tanta civilização, assim chamada.
O espírito da iniquidade, o mistério da iniquidade — o que é o mistério da iniquidade? É simplesmente isto: Satanás é o conspirador. Ele é o coordenador, o mentor. Não é algo humano. Não se trata de filosofia humana, de ideologias humanas, de partidos políticos ou de sistemas educacionais. Por trás de tudo isso está esse arqui-inimigo de nosso Senhor Jesus.
No fim, ele será personificado num ser humano: o anticristo. O espírito do anticristo está neste mundo desde o princípio, mas, na fase final da história mundial, em que nos encontramos agora, ele será personificado numa pessoa.
Não será um indivíduo com chifres, como já disse, mas alguém muito atraente, aparentemente democrático — uma mistura de autocracia e democracia, ferro e barro, duas coisas que não combinam.
De qualquer maneira, já falamos o suficiente sobre isso. O fato é que o Senhor está vindo.
Ninguém sabe o dia nem a hora, nem mesmo o Filho, nem os anjos — somente o Pai. Chegará um momento, em algum ponto de um futuro não muito distante, em que o Pai dirá: “Pode começar”, e o fim virá.
Será simplesmente maravilhoso ver o Senhor nas nuvens do céu, com poder e grande glória. É empolgante pensar nisso. Quer estejamos vivos, quer já tenhamos morrido, todos estaremos lá.
Achamos que as pessoas que morreram vão, de alguma forma, ficar de fora. Não, não, não. Elas serão ressuscitadas primeiro, e depois nós, os que estivermos vivos e permanecermos, seremos arrebatados juntamente com elas. Bem, isso é algo tremendo.
Ontem à noite, falei sobre quatro imperativos para estarmos preparados para a vinda do Senhor.
O primeiro imperativo sobre o qual falei ontem à noite era muito simples: devoção absoluta e total à Pessoa do Senhor Jesus. Não há alternativa, e não há substituto.
O conhecimento não substitui isso. A religião não substitui isso. As cerimônias não substituem isso. A vida da igreja, em si mesma, não substitui isso, se a transformarmos numa coisa.
É essa devoção pessoal ao Senhor Jesus.
Não direi mais nada a respeito, exceto que, no fim, até mesmo a uma igreja — uma assembleia — tão extraordinária como a igreja em Éfeso, o Senhor disse:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
Se não te arrependeres e não voltares às primeiras obras, removerei o candeeiro do seu lugar.
Isso parece incrivelmente duro e severo para uma comunidade. Entendemos isso no caso de Laodiceia e de algumas das outras, mas também no caso de Éfeso? Isso dá uma ideia de quanta importância o Senhor atribui a essa questão da devoção pessoal.
Conhecer o Senhor — você conhece o Senhor? Você realmente conhece o Senhor, ou só O conhece pelo que leu? Você O conhece? Ele é Alguém que você realmente conhece?
A devoção pessoal nos conduz a um conhecimento pessoal do Senhor Jesus. De qualquer maneira, não devo retomar esse assunto. Já falamos o suficiente ontem à noite.
Depois, falei sobre uma fé ativa, viva e operante. Todos nós temos a ideia de que precisamos ter uma quantidade enorme de fé para que alguma coisa aconteça. Não precisamos. Você precisa de muito pouco — um grão de mostarda, tão pequeno que poderia soprá-lo para longe.
Mas essa pequena fé, do tamanho de um grão de mostarda, pode unir você à infinitude de Deus, e então nada é impossível. Assim é a fé. Ela vem de ver o Senhor.
Quando você vê o Senhor com os olhos do coração, espontaneamente o dom de Deus em você — a fé — é ativado. Ele une você ao Senhor, e então coisas tremendas acontecem.
Em terceiro lugar — sobre o que falei em terceiro lugar? Vocês sabem, estou ficando velho. É terrível.
Um ouvido atento. Muito obrigado. Fico contente que vocês tenham assimilado isso.
Não consigo pensar em nada mais importante do que ter um ouvido atento. Tão poucos cristãos ouvem o Senhor, e, entre os que dizem ouvir o Senhor, alguns são malucos.
Quero dizer, preciso ser honesto. Já estou há muitos e muitos anos entre o povo de Deus, e muita gente me diz: “O Senhor disse isto. O Senhor disse aquilo”. O Senhor nunca disse nada parecido. A maneira como as coisas acontecem em suas circunstâncias e situações demonstra que o Senhor nunca lhes falou sobre essas coisas.
Mas agradeço a Deus por aqueles que conheci na vida e que realmente ouviram o Senhor — algumas pessoas bastante extraordinárias.
Lembro-me daquelas duas missionárias que passaram quase toda a vida na fronteira do Nepal, esperando para entrar. Por quê? Porque, quando foram salvas, Deus as chamou para o Nepal e disse que as usaria para estabelecer a igreja no Nepal: a doutora Lily O’Hanlon e Lucy Steele.
Elas passaram a vida na fronteira do Nepal até aquele dia — nunca me esquecerei dele — em que chegou o telegrama. Eu participava de uma pequena reunião de oração. Os jovens achavam que eu era maluco por ir orar pelo Nepal uma vez por semana com todas aquelas pessoas de cabelos brancos. Mas eu estava lá quando o telegrama chegou.
Nunca me esqueci disso. Eu me senti tão grande, tão importante, por ter participado da vitória numa batalha para entrar no Nepal. O telegrama dizia: “Amanhã atravessaremos a fronteira para o Nepal. Recebemos permissão do rei do Nepal”.
Daí surgiu toda a obra do Senhor no Nepal.
Ou penso em outra irmã idosa e maravilhosa que, aos dezoito anos, ouviu do Senhor: “Tu Me servirás no Afeganistão”. Ela passou a vida inteira na fronteira do Afeganistão, no que hoje é o Paquistão.
Então chegou a hora da aposentadoria. Bem, ela não queria se aposentar, mas a missão tinha uma política de aposentadoria, e a aposentaram. Ela disse: “Está bem, vou arranjar uma casinha e continuar com meu ministério de oração”.
Aos oitenta — estou certo? — aos oitenta e dois anos, alguém bateu à porta. Era um emissário de Cabul.
“Você é a senhorita Christiansen?”
“Sou.”
“Você é enfermeira especializada?”
“Sou.”
“O rei quer que você venha cuidar do príncipe herdeiro, que tem problemas graves nos olhos.”
Aquela senhora extraordinária, numa idade em que a maioria de nós pensa que já está quase cambaleando para a sepultura, entrou no Afeganistão. O doutor Wilkie e todo um grupo de crentes se juntaram a ela. Afegãos vieram ao Senhor — a maioria deles foi martirizada mais tarde pelo Talibã.
Que coisa maravilhosa é ouvir o Senhor, realmente ouvir o Senhor. Um ouvido atento é essencial para você estar preparado para a vinda do Senhor.
Depois, falei sobre prioridades: a necessidade de colocar nossas prioridades em ordem.
Se estamos buscando primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, então não precisamos nos preocupar com roupa, comida, finanças e sei lá mais o quê.
Tenho vivido — não sei bem como dizer — na dependência do Senhor desde os dezessete anos. Nunca, em momento algum, sofri por falta de roupa, de comida, de uma casa e de muitas outras coisas.
Ah, o Senhor é tão incrivelmente generoso. Se você buscar primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, não precisará andar por aí vivendo pela fé com indiretas.
Certa vez, eu estava na Suécia e fiquei hospedado com uma família. Eles me disseram: “Você vai ajudar nosso filho, não vai? Ele está numa fase tão difícil”.
Eu disse: “Bem, o que vocês querem que eu faça com seu filho?”
“Leve-o ao Senhor”, disseram.
Era um casal que servia a Deus, um pastor e sua esposa. Eu lhes disse: “Mas eu simplesmente não faço isso. Primeiro, vocês tiram o rapaz da própria cama e me colocam nela, de modo que ele já se torna meu inimigo desde o começo. Depois, esperam que eu fale com ele sobre o evangelho? Isso não me cabe. Se ele me perguntar, certamente conversarei com ele”.
Bem, os dias foram passando, e então, certo dia, ele me disse: “Com licença, você se importa se eu fizer uma pergunta pessoal bem direta?”
“Não, não me importo”, respondi.
Ele disse: “Você parece se vestir muito bem. Você vive pela fé?”
“Sim”, respondi. “Vivo completamente na dependência do Senhor, e nunca vi o Senhor me deixar na mão.”
“Ah”, disse ele, “você deveria conhecer meus pais.”
“É mesmo?”, perguntei.
“Sim”, disse ele, “eles vivem pela fé. Mas minha mãe vive dizendo ao meu pai: ‘Você precisa mandar consertar esses buracos nas solas dos seus sapatos’. E ele responde: ‘Ah, não, porque, quando me ajoelho diante da congregação, eles veem que precisamos de ajuda’.”
Fé com indiretas. Viver pela fé com indiretas — isso não funciona.
É muito melhor viver totalmente na dependência do Senhor. Nunca conte suas necessidades a ninguém. Confie no Senhor. Nunca O vi falhar.
Quando você coloca suas prioridades em ordem, está preparado para a vinda do Senhor. O Senhor assumirá pessoalmente a responsabilidade por você, mesmo que você se torne um mártir. Naquele momento, você receberá poder e graça para atravessar essa situação.
Você triunfará, mesmo no martírio.
Agora, e quanto a esta noite? Aqui está outro imperativo, o quinto: estar envolvido na Grande Comissão de nosso Senhor Jesus.
Não tenho paciência com pessoas que não se envolvem na comissão de nosso Senhor Jesus. Essa comissão não pode ser contestada nem anulada.
Ide e fazei discípulos de todas as nações.
E eis que Eu estou convosco todos os dias, até o fim desta era.
Se vamos viver em pequenos grupinhos de santos, sem nenhuma preocupação com as pessoas não salvas ao nosso redor, sem qualquer preocupação com as multidões que estão perecendo em nossa nação, vocês realmente acham que estamos preparados para a vinda do Senhor?
Você não pode usar a teologia bíblica, a doutrina bíblica ou mesmo o conhecimento da igreja como desculpa para não se envolver nessa comissão de nosso Senhor Jesus.
Ouçam o que Ele diz. Isso está em Mateus 28:18:
Toda autoridade e poder foram entregues em Minhas mãos.
Ide, portanto.
Isso tem a ver com a Sua autoridade e o Seu poder à direita de Deus.
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações — não convertidos, discípulos —,
Ensinando-os todas as coisas que vos tenho ordenado,
Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
E eis que Eu estou convosco todos os dias, durante todo o caminho, até o fim desta era.
Você quer que o Senhor esteja com você na fase final da história mundial? Então se envolva nessa Grande Comissão de nosso Senhor Jesus.
O Evangelho de Marcos apresenta isso de maneira ainda mais simples:
Ide por todo o mundo e pregai o evangelho.
Você não fica parado dizendo: “Venham”. Você vai. É a comissão do Cabeça ressurreto da igreja.
Agora, queridos amigos, entendam bem o que estou dizendo. Com isso, não estou tentando atacar ninguém nem coisa alguma. É que tenho um encargo tão grande.
Tenho observado, em todos os lugares do mundo aonde vou, que, onde as pessoas têm um encargo profundo pelos não salvos, a igreja começa, quase espontaneamente, a se desenvolver e a crescer no meio delas.
Mas, onde não há encargo pelos perdidos nem por este mundo que está perecendo, vocês podem passar o tempo inteiro falando de coisas mais profundas e não chegar a lugar nenhum.
Falo com um pouco de experiência. Anos atrás, por toda a Grã-Bretanha, havia esses pequenos grupos que eu chamava de grupinhos de santos. Basicamente, todos se reuniam em torno de um ensino mais profundo.
Eram pessoas fiéis, verdadeiramente nascidas de novo. Conheciam a Bíblia de trás para a frente e de cabeça para baixo. Tinham realmente um grande conhecimento da Bíblia, mas nenhuma alma jamais era salva no meio delas.
Não sei se alguém do mundo teria, de alguma forma, se sentido à vontade ali.
Isso era um tormento no ministério do senhor Sparks. Muitas vezes, ele me disse: “Isso é uma maldição”.
É tão maravilhoso quando Deus começa a agir e quando as pessoas realmente têm um coração voltado para os que estão perecendo.
Não direi mais nada sobre isso. Já disse o suficiente. Mas o que quero transmitir a vocês é isto: não podemos estar preparados para a vinda do Senhor se não estivermos envolvidos na Sua Grande Comissão.
Agora, isso não significa que cada um de nós se torne evangelista. Também não significa que cada um de nós vá para o campo missionário. Nem significa que, de repente, todos precisemos nos envolver em algum tipo de iniciativa evangelística.
O que significa é isto: cada um de nós tem um encargo.
Desse tipo de encargo surgirá a igreja. Que Deus grave isso com fogo em nosso espírito.
Há, então, um sexto imperativo. Se você e eu queremos estar preparados para a vinda do Senhor, precisamos ser um sacrifício vivo.
Um sacrifício vivo — não um sacrifício morto. Um sacrifício vivo.
É tão admirável para mim a maneira como o apóstolo Paulo concluiu, na carta aos Romanos, a maior exposição do evangelho, das boas-novas, da boa notícia que há na Bíblia.
Ele passou oito capítulos tratando disso, e é simplesmente tremendo. Depois, chega a três capítulos que muitos teólogos e mestres da Bíblia dizem ser uma espécie de parêntese.
Alguns dizem que ele trata apenas de predestinação. Eu digo que ele trata de toda a questão de Israel. Ele diz: “É possível escolher e depois deixar de escolher, eleger e depois deixar de eleger? E, se isso é possível, o que dizer da igreja? O que dizer daqueles que estão sendo salvos entre os gentios?”
São três capítulos extraordinários que tratam dessa questão e, no fim, chegam a esta declaração incrível:
Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que um endurecimento parcial sobreveio a Israel, até que entre a plenitude dos gentios;
E assim todo o Israel será salvo: como está escrito, de Sião virá o Libertador;
Ele afastará de Jacó a impiedade.
As Escrituras, aliás, dizem que um Redentor virá a Sião. Isso se cumpriu. Se vocês acham que isso vem da Septuaginta, consultem a Septuaginta e descobrirão que essa antiga versão grega do Antigo Testamento não diz isso.
De onde Paulo tirou isso, não sabemos, mas ele disse:
Como está escrito, de Sião virá um Libertador,
E Ele afastará de Jacó a impiedade.
O original hebraico, em Isaías 59:20, diz:
Um Redentor virá a Sião,
Aos que se afastam da impiedade em Jacó.
Foi exatamente isso que aconteceu na igreja primitiva.
Mas, nessa extraordinária declaração profética, ele diz:
De Sião virá o Libertador,
E Ele afastará de Jacó a impiedade.
E esta é a Minha aliança com eles,
Quando Eu tirar os seus pecados.
Quanto ao evangelho, eles — o povo judeu — são inimigos por causa de vocês; mas, quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas.
Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Deixem isso penetrar: os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Agora ele chega à conclusão:
Rogo-vos, pois, à luz de tudo isso — não apenas dos primeiros oito capítulos, mas também dos capítulos 9, 10 e 11 —, rogo-vos, pois, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto espiritualmente inteligente.
Um sacrifício vivo. Esse é o fim a que o evangelho conduz? Sim.
“Ah”, você diz, “eu pensava que o evangelho significava que deveríamos apenas ser muito felizes, muito alegres, que tudo seria feito por nós. Se fizermos alguma bagunça, o Senhor vai arrumar tudo.”
Não. O fim a que o evangelho conduz é um sacrifício vivo.
Há emoção verdadeira na adoração, e não há nada de errado com isso. Mas existe outro tipo de adoração que é muito mais importante até mesmo do que essa.
Essa construção grega é tão difícil. Alguns dizem: “o vosso culto racional”, ou “o vosso serviço racional”. Mas, certa vez, conversei sobre isso com um dos grandes professores de Cambridge e lhe perguntei: “O que você realmente acha que isso significa?”
Eu disse: “Se eu dissesse ‘culto espiritualmente inteligente’, isso estaria correto?”
Ele respondeu: “Perfeitamente. É isso que significa”.
Uma decisão tomada a sangue-frio. Espiritualmente inteligente — não em algum momento repentino de emoção, não no auge da emoção numa reunião, quando você se consagra, mas quando, de maneira deliberada, a sangue-frio, você diz: “Serei um sacrifício vivo”.
Não há alternativa a isso, não há substituto para isso. Se você e eu queremos estar preparados para a vinda do Senhor, precisamos ser um sacrifício vivo, sejamos jovens ou idosos.
Agradeço a Deus porque, com todos os meus defeitos e falhas, eu tinha apenas catorze ou quinze anos quando escolhi ser um sacrifício vivo.
Não pensem, jovens, que isso é para os mais velhos. É para todos. É a porta de entrada para tantas coisas.
Ouçam:
E não vos conformeis com esta era.
Não sejam moldados. A palavra é “moldados”. Não se conformem. Não fiquem, de alguma forma, presos numa camisa de força desta era.
A maioria de nós é influenciada. Vejam como nos vestimos. Vejam as modas que seguimos. Todos somos influenciados pela geração em que vivemos, pela era em que vivemos. Não temos como evitar isso.
A única maneira de deixar de ser moldado pela moda — conformado com esta era — é ser um sacrifício vivo. Então você resolve a questão. Você sai disso. Está livre, como um pássaro que saiu da gaiola.
Caso contrário, você sempre terá esse problema. Vou dizer qual é o problema: é uma vida do eu cristã.
Você diz: “Não, não, não. O que você quer dizer?”
Sim, quero dizer isto: uma vida do eu convertida. É tudo centrado no eu: “Eu, eu, eu, eu, eu”.
“O que estou ganhando com esta conferência? O que estou ganhando do Senhor? O que estou ganhando com este ministério? O que estou ganhando com a vida?”
É sempre eu e eu. Vou lhes dizer outra coisa: essa vida do eu é a maldição da igreja.
Rivalidade, ciúme, ambição, competição, fofoca, maledicência — tudo isso está dentro de nós, de cada um de nós. As pessoas mais doces podem se tornar quase demoníacas quando colocadas nas condições certas.
Acreditem em mim, já conheci pessoas assim. Parecem tão doces, tão brandas, tão humildes, até serem colocadas em condições nas quais, de uma maneira ou de outra, o verdadeiro eu dentro delas aparece abertamente.
Como essa vida do eu pode ser tratada? Somente sendo um sacrifício vivo.
Não se trata apenas da sua vida pessoal — trata-se também do seu serviço. Se a vida do eu é a base e a força do seu serviço cristão, esse serviço será destruído e destruirá outros.
O mesmo vale para a vida da igreja. Se ela for um conjunto de vidas do eu tentando conviver, será uma cacofonia, se vocês entendem o que quero dizer — um grande barulho de todas essas vidas do eu reivindicando algum tipo de lugar entre nós.
Nós, nos círculos cristãos, cometemos um erro enorme. Sempre deixo as pessoas aborrecidas comigo quando digo isso, mas vou dizer. Estou bastante certo de que tenho razão nessa questão. Desculpem-me por ser tão dogmático, mas estou bastante certo de que tenho razão nessa questão.
Dizemos às pessoas: “Você tem algum dom? Ah, você tem o dom da conversa. Você é pregador. Precisamos de você”.
Se alguém tem uma grande facilidade para falar — maravilhoso, Deus lhe deu isso. Você é um organizador? Ótimo. Consagre a Deus seu dom de organização.
Já conheci pessoas que, de tanto organizar, deixaram o Espírito Santo de fora de tudo. Não estou brincando. Vi isso com meus próprios olhos e passei por essa experiência. São tão hábeis em organizar que conseguem fazer isso de uma costa à outra e de um continente ao outro.
Quanto maior o organizador, maior o problema.
Watchman Nee disse certa vez — creio que estou citando corretamente, e talvez Stephen possa me corrigir depois —: “Sofremos mais com os talentos e os dons dos membros do Corpo do que com suas falhas e seus pecados”.
Você tem habilidade para a música? Consagre-a ao Senhor. Você tem uma voz para cantar? Consagre-a ao Senhor.
Mas todos sabemos o que acontece quando ouvimos alguém cantar e tudo o que fica é o seu canto: “Ah, maravilhoso. Que voz bonita”. Outra pessoa canta, e estamos na presença do Senhor.
Uma pessoa toca um instrumento, e tudo o que fica é a sua execução instrumental. Mas outra pessoa toca, e você está adorando o Senhor.
Uma pessoa fala — ministra; precisamos usar palavras —, e você ouve o Senhor. Outra pessoa fala, e tudo o que você ouve é a própria pessoa.
Todos os dons naturais precisam ir para a cruz. Cabe ao Senhor decidir se, por meio da morte, do sepultamento e da ressurreição, esses dons sairão para ser grandemente usados por Deus ou se ficarão na sepultura.
Um sacrifício vivo. Ouçam o apóstolo Paulo:
Rogo-vos, pois, irmãos — irmãos —, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, separado, aceitável, agradável a Deus, que é o vosso culto espiritualmente inteligente.
E não vos conformeis com esta era, não sejais formados segundo esta era, moldados segundo esta era; mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.
O problema na vida da igreja é a mentalidade dos seus membros.
Quando nos tornamos um sacrifício vivo, o Espírito Santo pode nos transformar pela renovação da nossa mente.
Não há nada mais maravilhoso do que ver um pecador se tornar santo. Não há nada mais maravilhoso do que ver alguém mesquinho, rabugento e maldoso acabar, de alguma forma, tornando-se semelhante a Cristo.
Não há nada mais maravilhoso do que ver uma pessoa egoísta acabar entregando a própria vida e servindo aos outros. É comovente.
Esse mesmo apóstolo escreveu outra carta, aos Filipenses, e disse:
Tende esta mente, que também houve em Cristo Jesus.
É praticamente a mesma coisa — não é a mesma palavra em grego, mas é praticamente a mesma ideia. Tenham essa atitude. Tenham essa mente, essa mentalidade.
Qual era ela? Ele nunca considerou que a igualdade com Deus fosse algo pelo qual devesse lutar, algo de que devesse Se apoderar ou a que devesse Se agarrar. Mas Ele Se humilhou. Assumiu a forma de um servo e foi até a morte.
O que é um sacrifício vivo? Tem tudo a ver com a morte.
Quando estamos dispostos a morrer, Deus nos exalta.
Já vi isso mil vezes nas discussões, nas brigas e nos conflitos que os cristãos têm uns com os outros. Quando brigam entre si, Deus diz: “Vou deixar vocês por conta própria. Resolvam isso brigando”.
Mas, quando um dos lados diz: “Não vamos lutar. Vamos morrer”, Deus assume o lugar deles, e a rota de colisão fica estabelecida.
Pensem. Vocês podem falar até perder o fôlego sobre o reino de Deus, a igreja e o propósito eterno de Deus, mas, se não conseguem perdoar outro irmão ou outra irmã, há algo errado.
Sabem o que o Senhor diz? Ele diz de maneira muito simples, na oração-modelo:
Se não perdoardes aos outros as suas ofensas,
Tampouco Meu Pai celestial vos perdoará.
Isso significa que, se você tem um espírito que não perdoa, suas orações não têm valor. É assim que essa questão é séria.
Um sacrifício vivo. Acho brilhante o Espírito Santo agir dessa maneira, para que, de uma só vez, você possa resolver tudo.
Lembram-se da mulher de Ló? Sim. Se ela tivesse sido um sacrifício vivo, tudo teria sido completamente diferente. Há muitas outras coisas que eu poderia dizer. Isso muda tudo.
Quando você morre, Deus assume o controle em ressurreição. Quando você solta, Deus intervém. Ele molda, forma e devolve. Quando você se humilha, Deus o exalta.
Um sacrifício vivo. É de admirar que isso seja chamado de seu culto espiritualmente inteligente?
Deixem-me levá-los um passo adiante. O apóstolo prossegue e diz, nesse capítulo extraordinário:
Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém pensar;
Antes, pense com sobriedade, conforme a medida de fé que Deus deu a cada um.
Agora, ouçam isto:
Pois, assim como temos muitos membros em um só corpo,
E nem todos os membros têm a mesma função,
Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo.
Como conseguimos uma igreja que funcione? Que boa pergunta. Algumas pessoas vêm trabalhando para ter uma igreja há anos e anos e anos, e ainda assim ela nunca se concretiza. Como podemos ter uma igreja que funcione, que realmente funcione?
Somente quando há um núcleo de pessoas que são sacrifícios vivos. Quando há um núcleo de pessoas que são sacrifícios vivos, Deus abençoa os egoístas, se vocês entendem o que quero dizer.
Vocês podem ter bebês na fé, podem ter os mais velhos, podem ter aqueles cujo desenvolvimento ficou estagnado e que se tornam quase uma provação para a igreja. Mas a igreja funciona quando há um sacrifício vivo.
Mais uma vez, pensem nisto:
Para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Todos temos dificuldades com a vontade de Deus, se formos honestos. Alguns de nós — especialmente alguns de vocês, mais jovens — têm medo da vontade de Deus.
Vocês têm medo de que o Senhor os faça monge ou freira, de que exija que não se casem ou de que, de alguma maneira, faça outra coisa — que os envie aos confins da terra, para onde não querem ir. Por isso, têm medo da vontade de Deus.
É claro que têm. Por quê? Porque essa vida do eu de vocês está intacta. É uma vida do eu convertida, toda enfeitada. Está sendo cristianizada.
Torne-se um sacrifício vivo, e você experimentará a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Às vezes, a vontade de Deus é difícil. Às vezes, ela nos conduz pelo vale da sombra da morte. Às vezes, nos conduz a tempos difíceis, a tempos de deserto, às vezes à fome.
Mas ela é sempre boa, agradável e perfeita. Quando você chega ao outro lado, dá glória a Deus. Não desejaria que tivesse sido de outra maneira.
Bem, queridos, aí está mais uma coisa — um sexto imperativo. Você e eu, se realmente quisermos ver o que é a igreja, teremos de nos tornar sacrifícios vivos. Bem, você é um? Faço essa pergunta a mim mesmo.
Eu tinha tanto medo daquele maravilhoso hino antigo escrito por um teólogo escocês, George Matheson, “Ó Amor Que Não Me Deixarás”. Eu achava a última estrofe tão aterradora:
Ó Cruz que ergues minha cabeça,
Não ouso pedir para fugir de ti;
No pó deponho, morta, a glória da vida,
E do chão floresce, rubra,
Uma vida que não terá fim.
Ele estava ficando cego. O especialista lhe disse: “Você ficará completamente cego pelo resto da vida”. Era um jovem, tinha apenas vinte e poucos anos, pastor de uma congregação da Igreja da Escócia perto de onde o senhor Sparks nasceu.
A noiva o abandonou assim que ouviu o que o especialista disse. Ele escreveu esse hino extraordinário, “Ó Amor Que Não Me Deixarás”.
Mas eu sempre achava aquela última estrofe aterradora. Eu sabia que não se pode pedir para fugir da cruz. Mas depor no pó, morta, a glória da vida — isso é uma posição de fé.
É impossível fazer isso sem que o Espírito de Deus esteja com você.
Não podemos estar preparados para Cristo se não formos um sacrifício vivo. É simples assim.
Agora, deixem-me apresentar um sétimo imperativo: ser habitado, cheio e ungido pelo Espírito Santo.
Não há como qualquer filho de Deus estar preparado para a vinda do Senhor se não for habitado, cheio e ungido pelo Espírito Santo.
Há muita confusão a respeito desse assunto. Mas a Palavra de Deus é simples. Esqueçam a confusão. Encarem a Palavra de Deus:
Enchei-vos do Espírito Santo.
Algumas pessoas me dizem: “Ah, sim, sim, sim, é claro, todos nós somos cheios do Espírito Santo”.
É mesmo?
Bem, isso é uma grande surpresa para mim. Estou entre cristãos há anos e anos e anos, e posso lhes dizer quem é cheio do Espírito Santo e quem não é.
Quando as pessoas dizem: “Bem, é uma questão de fé, entende, e não esperamos sentir nada” — sim, mas todos os outros conseguem ver. Se você é cheio do Espírito Santo, isso é evidente.
Como os apóstolos poderiam ter dito: “Escolham homens cheios do Espírito Santo”, se não fosse possível perceber que eles eram cheios do Espírito Santo?
É verdade que o Espírito Santo pode habitar em nós confinado — perdoem-me pela irreverência —, confinado numa camisa de força, de alguma maneira encerrado dentro da nossa carne.
Acho extraordinário que João Batista tenha descrito o ministério do Senhor Jesus como o dAquele que batiza no Espírito e em fogo. Isso está em Mateus 3:11.
Não consigo aceitar nenhuma explicação disso que seja menos do que algo tremendo.
Ele disse:
Eu batizo em água para arrependimento.
Esse era o centro do seu ministério.
Mas Aquele que vem depois de mim,
Ele batizará no Espírito.
Em grego, pode-se dizer “no Espírito”, “com o Espírito” ou “pelo Espírito”.
Gosto de “batizado no Espírito”, porque creio no batismo em que a pessoa é mergulhada debaixo da água. Entendem? Não creio nesse negócio de aspersão, ou nessa pequena quantidade de água, sabem, com que se faz uma cruz na nossa cabeça.
Não é assim que sepultamos alguém, não é? Colocamos a pessoa debaixo da terra, e a terra a cobre. É um batismo de fato quando você vai para debaixo da água. Você é batizado.
Agora, pensem por um momento. O batismo do Espírito certamente deve ser um termo abrangente. Ele inclui todo o ministério do Espírito Santo:
É assim que vejo isso. Quando você é novo no Senhor, diz: “O Espírito Santo está em mim”. Ele habita ali. Pois é, pois é, pois é — o Espírito Santo em você. Você tem o Espírito Santo.
Mas o batismo do Espírito é quando o Espírito Santo tem você.
Há uma diferença enorme entre você ter o Espírito Santo e o Espírito Santo ter você. Quem é que batiza você? Não é o Espírito. Quem é que batiza você? Jesus. É o Senhor Jesus.
Agora, sei muito bem que há muita discussão sobre isso. Pessoalmente, também creio que o Pentecostes é um acontecimento histórico. Aconteceu uma vez por todas.
Quando o Senhor Jesus Se assentou à direita de Deus, recebeu a promessa do Espírito Santo e derramou isto que vedes e ouvis. Mas, nesse derramamento do Espírito Santo, duas ou três coisas aconteceram ao mesmo tempo: o nascimento pelo Espírito, a habitação do Espírito, o ser cheio do Espírito e o ser ungido pelo Espírito.
É assim que vejo isso. Tenho uma discussão com as pessoas que me dizem: “Bem, é um acontecimento histórico”.
É claro que é histórico. O Calvário também é.
Mas eu vim ao Senhor em 1943. Bem, Jesus foi crucificado — não em 1940, não exatamente —, mas há cerca de mil e novecentos anos.
Quando cri no Senhor Jesus, naquele momento o acontecimento histórico do Calvário se tornou meu. Nasci de Deus. Tornei-me filho de Deus, salvo pela graça de Deus mediante o valor expiatório do meu Messias Jesus. E o mesmo aconteceu com vocês.
Mas eu nunca tinha ouvido muita coisa. Costumávamos ouvir algumas coisas sobre o Espírito Santo, lembro-me disso, mas foi anos depois — no meu caso, quatro ou cinco anos depois. Eu ainda era um adolescente, mas estava tão cansado dessa vida cristã.
Eu tinha abraçado todo aquele sistema: legalismo, tudo. Lia minha porção das Escrituras todos os dias. Fazia minhas orações todos os dias. Tentava testemunhar a uma pessoa todos os dias. Fazia todas essas coisas.
Tudo era lei, lei, lei. E ainda falam do judaísmo — quero dizer, era lei sobre lei sobre lei, e nenhuma alegria.
Não me ajudava ver cristãos que obviamente estavam na mesma condição que eu.
Então, certo dia, um pequeno livreto chegou às minhas mãos, e decidi passar a tarde inteira de joelhos numa velha igreja empoeirada da Igreja da Inglaterra, atrás da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.
Foi como se o céu se abrisse. A primeira coisa que compreendi foi esta: o Espírito Santo é o vice-regente de Cristo e está aqui para produzir em você a natureza, o caráter e a vida dEle.
Isso foi um choque tão grande para mim. Eu fiquei completamente atordoado. Não estou brincando. Fiquei completamente atordoado.
Eu disse: “Querido Espírito Santo, eu nunca soube que Tu eras uma Pessoa. Nunca me dirigi a Ti antes”.
Também não acho que seja necessário dirigir-se ao Espírito Santo. Oramos ao Pai, pelo Espírito, em nome de Jesus. Mesmo assim, eu disse: “Querido Espírito Santo, sinto muito. Eu Te ignorei, ignorei completamente. Aqui estão as chaves da minha vida. Faz comigo exatamente o que quiseres”.
Esse foi o começo do meu ministério. Foi o começo de eu viver a vida cristã.
Ainda não tinha terminado. Então foi como se o Senhor abrisse algo mais no céu, e compreendi: eu havia sido crucificado com Cristo.
Ah, que choque foi aquilo. Eu? Crucificado com Cristo? Mas eu estava tentando me tornar um cristão tão bom.
“Sim”, disse o Senhor, “Minha avaliação de você é esta: Eu o crucifiquei com Meu Filho”.
Ah, aquilo foi um choque tão grande. Lá estava eu tentando fazer o velho homem orar, usar a terminologia evangélica — a terminologia bíblica —, cantar hinos maravilhosos, tentar parecer alegre, tentar ganhar outra pessoa para o Senhor. Nunca, jamais, tinha chegado nem perto de conseguir qualquer coisa disso.
Então, de alguma maneira maravilhosa, compreendi que havia sido crucificado com Cristo. Posso dizer honestamente que um peso enorme saiu das minhas costas. Pela primeira vez em anos, eu ri.
Esse era o peso que a vida cristã havia se tornado para mim. Ele simplesmente caiu, e agradeci a Deus.
Bem, essa é a minha história. Algumas pessoas dizem que você precisa primeiro da cruz e depois de uma experiência com o Espírito Santo. Não sei. Na minha experiência, o Espírito Santo veio primeiro, e depois a cruz.
Eu não conseguia fazer morrer as obras do corpo sem o Espírito Santo. Não conseguia cair na terra e morrer sem o Espírito Santo. Não conseguia me tornar um sacrifício vivo sem o Espírito Santo.
Foi o Espírito Santo que me capacitou a fazer isso.
Naquela tarde, quando, de alguma maneira, encontrei o Senhor, meu chamado foi confirmado, e o ministério que Deus me deu se tornou meu.
Na verdade, saí dali sem a intenção de fazer coisa alguma. O Senhor me disse: “Nada de testemunhar por enquanto”.
Ah, como fiquei agradecido.
“Nada de testemunhar”, disse o Senhor, “até que Eu lhe dê a oportunidade.”
Durante três semanas, vivi despreocupado. Pela primeira vez, eu vivi. Sorri. Aproveitei a vida.
Antes disso, toda vez que eu ia à sala de convivência, os outros estudantes se afastavam, porque sabiam que eu iria insistir com eles sobre serem salvos, se converterem ou irem a uma reunião.
Quando eu passava por um corredor, não sei quantos acabavam entrando nas aulas erradas, porque desapareciam por qualquer porta para sair do meu caminho.
Então, eu estava sentado na sala de convivência dos estudantes quando o rapaz que era capitão do time de rúgbi se aproximou e disse: “Você se importa se eu lhe fizer uma ou duas perguntas pessoais?”
“Não”, respondi.
Ele disse: “Nós temos conversado. Há alguma coisa diferente em você. O que é?”
Agora, é claro, algumas semanas antes eu teria dito a ele: “Você é pecador, e eu sou salvo pela graça de Deus. Eu vou para a glória, e você vai para o inferno”. Era isso que eu teria dito. Esse era meu jeito de evangelizar.
Mas, em vez disso, olhei para ele e disse: “Bem, nós dois somos pecadores. Mas, pela graça de Deus, fui salvo pelo Senhor Jesus. Talvez você ainda não tenha tido uma experiência assim”.
Ele olhou para mim e perguntou: “Como posso ter uma experiência assim?” Uma lágrima começou a escorrer pelo seu rosto.
Eu estava convencido de que só podia ser o diabo, porque havia tentado levar pessoas à salvação durante três anos e nunca tinha visto ninguém ser salvo. E ali estava aquele homem enorme, com uma lágrima escorrendo pelo rosto, dizendo: “Como posso ser salvo? Como isso pode acontecer comigo?”
Ele perguntou: “Preciso ir a uma igreja e me ajoelhar lá?”
“Não”, respondi.
“Bem”, disse ele, “preciso ir a algum lugar especial, a alguma sala reservada?”
“Não”, respondi.
“Então pode ser aqui?”
Sem pensar, respondi: “É claro. Em qualquer lugar”.
Então ele simplesmente disse: “Ó Deus, Tu sabes que pecador eu sou. Entra no meu coração e salva-me”.
Então pensei comigo mesmo: “Isso não pode ser o Senhor. Não pode ser o Senhor. Como poderia acontecer tão facilmente? Aqui estou eu trabalhando, trabalhando, trabalhando, e, de repente, o homem cai em lágrimas”.
Foi o começo de toda uma série de outras pessoas que vieram ao Senhor.
O Espírito Santo. Não tenham medo do Espírito Santo. Não entristeçam o Espírito Santo. Não apaguem o Espírito Santo.
O Espírito Santo está aqui para glorificar o Senhor Jesus. Ele está aqui para tomar você e fazer de você aquilo que o Senhor Jesus quer que você seja.
É maravilhoso ser guiado pelo Espírito de Deus. É maravilhoso ser um templo do Espírito Santo. É maravilhoso ser imerso na grandeza do Espírito Santo.
O Espírito Santo nunca fala de Si mesmo. Nunca chama a atenção para Si mesmo. Está sempre voltando seu olhar para Jesus, sempre capacitando você a louvar o Senhor Jesus, sempre capacitando você a glorificar o Senhor Jesus.
Espero realmente que o que tenho a dizer sobre o Espírito Santo toque vocês, porque como podemos estar preparados para a vinda do Senhor — equipados, habilitados, prontos — senão pelo Espírito de Deus?
Como permaneceremos firmes nestes dias de tumulto, deterioração e desintegração, se não tivermos o poder do Espírito Santo? Não tenham medo destas palavras: o poder do Espírito Santo.
Até mesmo nosso Senhor Jesus, que nasceu do Espírito e era cheio do Espírito, tinha trinta anos quando foi ungido pelo Espírito Santo.
Pelo Espírito Santo, Ele morreu diariamente até chegar ao Calvário e passar por aquela morte na cruz. Foi o Espírito Santo que O capacitou a oferecer a Si mesmo na cruz, e foi o Espírito Santo que O ressuscitou dentre os mortos.
Não tenham medo do Espírito Santo.
Uma última coisa sobre isso, e mais um imperativo: fogo.
Stephen tem falado sobre voltar ao Senhor. Sabem o que mais pesa no meu coração? Vou lhes dizer imediatamente: concordo inteiramente com tudo o que nosso irmão disse sobre voltar ao Senhor.
O problema da maioria dos crentes é que não conseguem admitir que precisam voltar. Acham que isso é, de alguma maneira, decepcionar os outros — que é constrangedor dizer: “Eu? Voltar ao Senhor? Com todo o meu conhecimento?”
O que mais me inquieta é que não há fogo.
“Ah”, você diz, “você é pentecostal?”
Não. Mas, onde há fogo, sempre sou grato.
O que quero dizer? Não fogo estranho, não fogo alheio, não fogo demoníaco. Quero dizer o fogo de Deus.
Quando o fogo de Deus arde num ser humano, outros vêm para ver.
Vocês já perceberam que, toda vez que há um grande incêndio, todos aqueles homens vêm e ficam ali olhando? É uma coisa muito estranha nos homens. Eles parecem gostar de fogo.
Sempre observei isso em Halford House. Eu costumava dizer: “Mantenham os rapazes longe disso”, toda vez que fazíamos uma fogueira.
Numa ocasião, alguns daqueles irmãos suíços de língua alemã fizeram uma fogueira tão grande que um piloto, passando por cima a caminho do aeroporto, chamou a polícia pelo rádio e disse: “Há um grande incêndio na Alford Road”.
Não sei o que há no fogo. O fogo atrai. O fogo aquece. O fogo é energia. O fogo é poder.
Não é à toa que o fogo é um símbolo do Espírito Santo. Não é à toa que, quando o Espírito Santo foi derramado pelo Senhor Jesus à direita do Pai, esse fogo se distribuiu numa chama sobre cada um dos cento e vinte.
Cada um deles era uma luz ardente.
Fico tão triste quando viajo pelo mundo e encontro assembleias que têm grande conhecimento da Palavra de Deus e do propósito de Deus, mas não têm fogo. Não têm fogo.
Não era assim no princípio.
Você e eu precisamos do fogo de Deus. Não podemos estar preparados para a vinda do Senhor se não tivermos esse fogo. Que Deus fale ao coração de cada um de nós.
Finalmente, o último imperativo é ser um vencedor.
Não sei por que as pessoas ficam tão amedrontadas com a palavra “vencedor”. Acham que é elitista, como se cada filho de Deus não tivesse sido chamado para ser um vencedor.
O que significa ser um vencedor? Significa simplesmente superar. Seja qual for o obstáculo, você o supera. Seja o que for que se levante contra você, você o supera.
Como você e eu podemos nos tornar vencedores? A única maneira de você e eu nos tornarmos vencedores é pelo Vencedor em nós.
Jesus disse:
Tende bom ânimo;
Eu venci o mundo.
Quando o Senhor Jesus, pelo Espírito, habita em nós sem impedimentos nem restrições, você não pode ser outra coisa senão um vencedor.
Como amo o hino de Margaret Barber, “Faze de Mim um Vencedor”. Há uma pequena frase — gostaria de poder citar todas as frases de memória, mas, como digo, minha memória não anda muito boa nestes dias:
Vive em mim com poder.
Aqui está outra:
Inclina-Te do céu,
E derrama sobre mim o Teu Espírito.
Ela entendeu. Ela entendeu. Você não pode ser um vencedor sem o Espírito Santo. É claro, você precisa ser um sacrifício vivo.
Como é bela aquela pequena fórmula que temos em Apocalipse 12:11:
Eles o venceram
Pelo sangue do Cordeiro,
Pela palavra do seu testemunho,
E porque não amaram a própria vida, mesmo diante da morte.
A única maneira de ser um vencedor é manter o olhar fixo na obra consumada do Senhor Jesus. Não há outro caminho.
Caso contrário, o diabo pegará você. Ele disparará seus dardos inflamados contra você. Entrará por alguma pequena brecha na armadura. De uma maneira ou de outra, ele pegará você, a menos que você conheça a obra consumada do Senhor Jesus.
Esse é o escudo da fé, o capacete da salvação, os lombos cingidos com a verdade e os pés calçados com o evangelho da paz.
Querido irmão, querida irmã, é tão simples. Você nunca será um vencedor por ser alguma coisa em si mesmo. Nunca se tornará um vencedor por ter grande conhecimento, nem será um vencedor por causa do seu zelo.
Você será um vencedor pelo sangue do Cordeiro. Permaneça firme aí. Resista e, depois de ter feito tudo, permaneça firme.
Muitos anos atrás, quando os jovens de Halford House costumavam ir, no verão, à casa do senhor Sparks na Escócia, passávamos momentos maravilhosos. O próprio senhor Sparks se tornava uma pessoa diferente com aqueles jovens.
Lembro-me de que, numa ocasião, alguém perguntou: “Pai Sparks, o que é um vencedor?”
Ele pensou por um momento e então disse: “Um vencedor não é alguém perfeito, alguém de uma elite ou um super-homem. Um vencedor é alguém que está na vontade de Deus ao final da sua vida terrena”.
Ele permaneceu. Mesmo que tenha saído dela em algum momento, voltou ao centro da vontade de Deus. Isso é um vencedor.
Pelo sangue do Cordeiro: toda vez que você falha, toda vez que cai, toda vez que peca, o inimigo tem uma base para vir contra você e derrubá-lo.
Mas há o sangue do Cordeiro — e a palavra do seu testemunho. Que maravilhosa é essa segunda expressão: a palavra do seu testemunho.
O que isso significa? Significa que, com os lábios, eles confessam que Jesus é Senhor. Eles expressam — ou, para usar um termo americano de que não gosto, verbalizam. Palavra terrível, não é? Eles verbalizam seu testemunho.
Quando tudo se resume a “espero”, “acho”, “talvez”, isso não é testemunho. Mas, quando você diz: “Ele é Senhor”, isso é testemunho. “Ele está no trono”, isso é testemunho. “Ele conquistou a vitória”, isso é testemunho.
Quando você diz: “A verdade vencerá”, esse é o testemunho. Quando diz: “A igreja será edificada”, essa é a palavra do testemunho.
Vocês entendem o que estamos tentando dizer? Você realmente expressa isso. Você declara isso em voz alta. Por meio dessa palavra do nosso testemunho, vencemos.
A terceira coisa é igualmente extraordinária:
E não amaram a própria vida, mesmo diante da morte.
Como entendemos isso? Significa até o martírio? Talvez. Significa que foram sacrifícios vivos até o momento de irem para o lar celestial?
Bem, queridos irmãos, queridas irmãs, o Senhor está vindo. Vocês estão preparados?
Eu estou preparado para o Senhor?
Como o Senhor é incrivelmente gracioso. Ele não é um professor ou diretor severo que fica ali com enorme rigor. Ele quer nos ajudar. Quer que estejamos preparados.
Estas foram as Suas palavras:
Portanto, estai vós também preparados:
Porque o Filho do Homem virá numa hora em que não pensais.
Podemos apressar a vinda do dia de Deus? É possível que, de alguma forma, por meio da nossa devoção, por sermos preparados, por voltarmos ao Senhor, por vivermos nEle e com Ele, possamos apressar a vinda do dia de Deus?
Há alguma razão para estar escrito que ninguém sabe o dia — nem mesmo os anjos sabem, nem o Filho. O que o Pai está esperando para dar a ordem?
Que Ele dê essa ordem em breve. Será que nossa devoção tem alguma coisa a ver com isso? Nossa preparação?
Paguem o preço para ser aquilo que Ele quer que sejamos. As pequenas discussões que temos com o Senhor, as murmurações, as rebeliões, os obstáculos que, de alguma forma, colocamos no nosso próprio caminho — como são tolos, quando pensamos nisso.
Que o Senhor toque nosso coração. Que Ele, pelo Espírito de Deus, nos prepare, nos incendeie, nos leve de volta ao nosso primeiro amor, nos encha e nos unja com o Espírito Santo, para que possamos nos tornar vencedores, somente pela Sua graça.
Vamos orar?
Senhor, toma estas pobres palavras e grava-as de maneira indelével em nosso coração. Não nos deixes fugir disso, Senhor. Segue-nos até que, Senhor, obtenhas em nós aquilo que desejas.
Queremos ver o Teu propósito cumprido. Queremos ver a noiva se preparar pela Tua graça. Queremos ver o evangelho pregado em todo o mundo. Queremos ver o Corpo de nosso Senhor Jesus edificado.
Queremos ver que Tu sejas não somente o princípio, mas também o fim para cada pessoa aqui.
Senhor, ouve-nos e faz com que a Tua Palavra habite ricamente em nós.
Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.