Por favor, abram em Efésios 1:9-10.
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade,
segundo o Seu beneplácito, que propôs em Si mesmo,
para a dispensação da plenitude dos tempos,
de fazer convergir em Cristo todas as coisas,
tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.
O profeta Oseias, capítulo 6, os três primeiros versículos: Oseias 6:1-3.
Vinde, e tornemos para o Senhor;
porque Ele nos despedaçou, e nos sarará;
feriu-nos, e nos atará a ferida.
Depois de dois dias nos dará a vida:
ao terceiro dia nos ressuscitará,
e viveremos diante da Sua face.
Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor:
a Sua saída é tão certa como a alva;
e Ele a nós virá como a chuva,
como a chuva serôdia que rega a terra.
1 Pedro 2:25.
Porque éreis como ovelhas desgarradas;
mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos na Tua presença, olhamos para Ti, para que nos fales. Creio que estes são dias em que há tanta fome da Tua Palavra. Por isso, Senhor, pedimos que fales a cada um de nós. Dá-nos o espírito de sabedoria e entendimento, para que possamos conhecer-Te de maneira viva e real.
Senhor, precisamos desesperadamente de Ti nesta última hora. Ouve o nosso clamor. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Agradecemos a Deus por nos dar, neste ano, o tema de fazer convergir em Cristo todas as coisas. Creio que não há tema melhor do que este nesta última hora.
É a vontade eterna de Deus que todas as coisas convirjam em Cristo Jesus. Nosso irmão já mencionou ontem à noite que essa convergência, esse reunir de todas as coisas, ou colocá-las sob uma só Cabeça, na verdade significa a mesma coisa.
Antes mesmo da fundação do mundo, Deus, segundo o Seu beneplácito, estabeleceu esse propósito em Si mesmo. E esse propósito é que todas as coisas convirjam em Cristo — as coisas nos céus e as coisas na terra.
Nosso irmão já mencionou que, em Romanos 13, temos a mesma palavra, “resumir”, e provavelmente essa palavra nos dá a chave para compreender o que significa essa convergência. Nesta manhã, sinto que gostaria de reforçar o que nosso irmão mencionou ontem à noite, porque realmente sinto a importância de compreendermos o que significa fazer convergir todas as coisas em Cristo Jesus.
Há muitos mandamentos, mas todos esses mandamentos de Deus:
Não matarás;
não adulterarás;
não furtarás;
não cobiçarás.
Todos eles se resumem em uma só palavra. E essa palavra é amor.
Porque o amor é toda a lei. Em outras palavras, todos esses mandamentos chegam a nós em forma de letra, mas a letra mata. O espírito por trás de todos esses mandamentos é o amor, e o espírito vivifica.
O amor é o espírito, a realidade, por trás de todos os mandamentos de Deus. E o mesmo se aplica aqui.
Deus criou todas as coisas — as coisas nos céus e as coisas na terra. Mas elas são coisas. O espírito, a realidade, por trás de todas essas coisas é Cristo.
Em outras palavras, quando Deus criou todas as coisas, Ele as criou em Cristo, por Cristo e para Cristo. Quando Ele criou todas as coisas, todas foram criadas a partir de Cristo. Todas as coisas são expressões de Cristo.
Todas as coisas devem glorificar a Cristo. Elas são para Ele, e essa é a razão de ser de todas as coisas.
Nosso Senhor Jesus é a realidade de todas as coisas, o destino de todas as coisas, o espírito de todas as coisas. Portanto, fazer convergir em Cristo todas as coisas significa simplesmente que tudo manifestará a glória de Cristo.
Essa é a única razão de ser de todas as coisas, o verdadeiro significado de todas as coisas. Tudo expressará algo de Cristo, porque essa é a vontade de Deus.
Agora, por que encontramos em Efésios a expressão:
Na plenitude dos tempos, fazer convergir em Cristo todas as coisas.
É como se isso ainda não fosse uma realidade. É preciso esperar até a plenitude dos tempos, e então todas as coisas começam a manifestar Cristo, a glorificar Cristo, a falar somente de Cristo.
Isso nos mostra que algo aconteceu. Porque, quando Deus criou todas as coisas, todas elas convergiam em Cristo.
Todas as coisas manifestavam a Sua glória.
Os céus declaram a glória de Deus,
e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.
E o homem é a obra-prima da criação de Deus, criado segundo a Sua imagem e conforme a Sua semelhança.
Esse é o princípio. Essa é a vontade de Deus. Tudo falará de Cristo, porque Ele é o centro, o foco do propósito eterno de Deus.
A Bíblia nos diz que todas as coisas subsistem Nele. Toda a criação, todas as coisas, subsistem Nele. Em outras palavras, todas as coisas encontram sua coesão Nele, reunidas Nele.
Mas, infelizmente, algo aconteceu. Todas as coisas começaram a se afastar de Cristo, a se desintegrar, entrando em vazio e corrupção, porque o pecado entrou neste mundo.
Primeiro, temos a rebelião do arcanjo; depois, temos a queda do homem.
Todas as coisas ficaram sujeitas à corrupção. Já não representam a glória de Cristo. Todas as coisas se rebelam contra Cristo. Perderam seu significado, seu centro.
Mas graças a Deus, o Seu propósito nunca falha. Uma vez que Ele estabelece um propósito, Ele o cumprirá.
Na verdade, no coração de Deus, nessa questão de fazer convergir em Cristo todas as coisas, o homem tem uma participação muito importante.
Em primeiro lugar, por que Deus criou o homem segundo a Sua imagem e conforme a Sua semelhança? Porque Deus quer usar o homem como Seu instrumento para trazer todas as coisas de volta aos pés de Cristo.
É por isso que, depois de criar Adão e Eva, Ele os colocou no jardim do Éden e disse: “Sujeitai todas as coisas”. Todas as coisas não estão em seu devido lugar. Agora, vocês receberam a incumbência de sujeitá-las, de trazer todas as coisas de volta aos pés de Cristo, para que Cristo seja manifestado, expresso e glorificado em todas as coisas.
Mas o primeiro homem caiu. Deus enviou o Seu único e amado Filho a este mundo para ser o Caminho.
E, como Filho do Homem, Ele sujeitou todas as coisas a Deus. Na cruz do Calvário, nosso Senhor Jesus sujeitou tudo e trouxe todas as coisas de volta a Deus.
Mas Ele quer que Seu povo redimido participe dessa tremenda missão. Na verdade, esta é a maior missão que Deus confiou ao Seu povo redimido.
Irmãos e irmãs, é a vontade de Deus que nós, como Seu povo redimido, sejamos o instrumento em Sua mão para aplicar a vitória de Cristo sobre todas as coisas: primeiro em nossa própria vida e, depois, para trazer todas as coisas aos pés de Cristo Jesus. Que tremenda responsabilidade!
É por isso que sentimos, nesta conferência, o desejo de considerar juntos, diante do Senhor e com muita seriedade, essa questão de fazer convergir em Cristo todas as coisas.
Porque nós, os redimidos do Senhor, temos uma participação muito importante nisso. Se isso não acontecer primeiro conosco, nunca acontecerá com todas as coisas. Temos de ir à frente. Deus precisa fazer essa obra primeiro em nós e, depois, por meio de nós, trazer todas as coisas aos pés de Cristo.
É tamanha a importância disso. Por isso, irmãos e irmãs, espero de fato que, ao nos reunirmos nestes dias, isso não seja apenas um tema sobre o qual conversamos, ouvimos alguma coisa e depois esquecemos tudo.
É algo que deve realmente penetrar no mais profundo do nosso ser e nos transformar daqui em diante, pela graça de Deus. Essa é a nossa oração.
O encargo do nosso irmão é apresentar Cristo, e o que me foi designado é o retorno — o retorno a Cristo. E o outro irmão falará sobre a prontidão para Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, a própria expressão “retornar a Cristo” implica que não estamos onde deveríamos estar. Porque, se estamos onde deveríamos estar, na vontade de Deus, então não há motivo para retornar.
Isso já pressupõe que algo não está inteiramente certo em nós: houve um afastamento, um desvio para longe de Cristo.
Vocês sabem, ao ler a Palavra de Deus, infelizmente vemos que, desde os primeiros dias da história humana, já havia a necessidade de retornar.
Adão e Eva foram colocados no jardim do Éden, o jardim de prazer. Deus vinha ter comunhão com eles. Não sabemos por quanto tempo isso aconteceu.
Então, quando Deus veio, o homem se escondeu entre as árvores. Eles não conseguiam encarar Deus. E Deus disse:
Adão, onde estás?
É o clamor de Deus ao homem: “Volta. Volta para Mim”.
Na história dos filhos de Israel, Deus redimiu esse povo da escravidão e o trouxe para Si. Deus Se revelou a eles, falou com eles e lhes deu a lei, para que fossem Seu povo peculiar, uma nação de sacerdotes para servir a Deus e ao Seu propósito.
Mas vejam a história deles. Mesmo quando estavam no deserto, apesar de tudo o que Deus havia feito por eles e lhes revelado — de como Deus é amoroso, de como cuida deles —, ainda assim tentaram a Deus dez vezes.
Rebelaram-se contra Deus a tal ponto que a primeira geração morreu no deserto. Em Sua misericórdia, Deus permitiu que uma segunda geração entrasse na terra prometida.
Mas vejam a história deles. Não muito depois da morte de Josué e da morte daquela primeira geração de anciãos que conheciam a Deus, eles se afastaram muito rapidamente.
O período dos juízes é uma história triste, trágica. Deus levantava juízes para lhes dar alívio por algum tempo, mas, depois que aquele juiz morria, eles voltavam a agir como antes.
Durante o período dos reis, Deus teve de enviar Seus profetas para chamá-los de volta.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, a voz profética de todos esses profetas que Deus levantou para o Seu povo tinha uma só mensagem: “Retornem. Voltem. Não sejam teimosos, de dura cerviz, de coração endurecido. Deus quer vocês de volta”.
Pensem em Oseias, no tempo de Jeroboão. Acabamos de ler Oseias 6. Deus os chamou a retornar a Ele.
É verdade, Deus os havia disciplinado. Mas por quê? Deus disciplina porque ama. Ele quer que voltem. Ele os sarará. Retornem. Ele lhes dará vida. Ele os levantará. Ele virá a eles como o orvalho da manhã, como a chuva serôdia.
Vocês podem ver o coração de Deus.
Mais tarde, Deus levantou Isaías, e, ao ler Isaías, vocês encontram Deus dizendo repetidas vezes:
Retornai.
Buscai-Me, e achareis.
Mesmo nos últimos dias de Judá, Deus levantou Jeremias. Ele chorava, chamando o povo a retornar. Se ao menos retornassem, Deus os pouparia, porque o coração de Deus estava voltado para eles. Mas não ouviram.
Mesmo depois de setenta anos, pela misericórdia de Deus, um remanescente voltou a Jerusalém para reconstruir o templo, para restabelecer, por assim dizer, o testemunho de Deus na terra.
Mas ouçam a voz de Malaquias. Deus disse:
Tornai para Mim.
Mas eles disseram:
Em que havemos de tornar?
“Não vemos motivo para retornar. Estamos bem. Está tudo certo conosco.”
“Não temos o templo reconstruído? Não temos a leitura da lei e até dos profetas? Não temos oração no templo? Não temos os sacerdotes servindo? Não temos os escribas e os fariseus para nos ensinar a lei? Somos o povo mais religioso do mundo. Por que haveríamos de retornar?”
Irmãos e irmãs, que história triste — muito triste.
Vocês sabem, quando chegamos ao Novo Testamento, há algo que considero um tanto estranho. Porque, no Novo Testamento, a palavra “retornar”, no sentido de retornar a Deus, parece não aparecer com muita frequência.
1 Pedro 2:25 é uma das raras ocorrências:
Voltastes ao Pastor e Supervisor das vossas almas.
Mas, ao ler o Novo Testamento, encontramos outra palavra usada, por assim dizer, no lugar da palavra “retornar”. Talvez seja uma palavra mais contundente. “Retornar” parece suave demais.
Assim, encontramos no Novo Testamento a palavra “arrepender-se”. Uma palavra radical: arrependam-se.
Durante quatrocentos anos, Deus permaneceu em silêncio para com Seu povo. Então, de repente, uma voz no deserto: João Batista.
E qual é a mensagem?
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
E essa mensagem é para o povo de Deus, não para o mundo.
É claro que o mundo precisa se arrepender, mas essa palavra é para o povo de Deus, Seu povo escolhido. Arrependam-se. Não pensem que vocês estão certos. Não pensem que a posição de vocês está certa. Não pensem que vocês são aceitáveis aos olhos de Deus.
Não pensem que, por serem religiosos, vocês são perfeitos. Estão longe disso. Arrependam-se. Deem uma volta de cento e oitenta graus.
Por quê? Por uma razão positiva: porque o reino dos céus está próximo. Os dias de brincar acabaram. Os dias da realidade estão chegando.
Levem isso a sério. Vocês precisam estar preparados para a vinda do reino dos céus.
Até mesmo quando nosso Senhor Jesus começou Seu ministério, Ele transmitiu a mesma mensagem:
Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.
Depois de ministrar de maneira tão perfeita durante três longos anos, qual foi o resultado?
Tendes ouvidos, mas não ouvis.
Tendes olhos, mas não vedes.
Ó Jerusalém, Jerusalém, quanto Eu quis abrigar-te debaixo das Minhas asas,
mas tu não quiseste.
Irmãos e irmãs, esse é o povo de Deus.
Graças a Deus, Ele levantou um novo povo: a igreja — vocês e eu. Somos o povo de Deus.
Ele nos confia Seu próprio testemunho, Seu nome. Ele nos comissiona a nos unir a Ele para completar a obra de colocar todas as coisas debaixo dos Seus pés.
No princípio, graças a Deus, vejam a igreja primitiva. Como honravam o nome do Senhor Jesus! Como perseveravam no ensino e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações!
Que poder manifestavam ao mundo — poder espiritual, não poder da alma, não poder mundano: o poder de Deus, o Espírito Santo.
Com quanta pureza viviam! Eram chamados cristãos porque não eram apenas seguidores de Cristo; eram semelhantes a Cristo.
Cristo os havia reunido em Si mesmo. Eles convergiam em Cristo. Estavam sob Cristo como Cabeça, porque se colocavam sob o Seu governo. Reuniam-se em torno de Cristo. Para eles, Cristo era tudo e em todos.
Mas, perto do fim do primeiro século, em Apocalipse 2 e Apocalipse 3, nosso Senhor ressurreto, como o Sumo Sacerdote do santuário santo não feito por mãos humanas — isto é, Ele é o ministro da igreja —, andou entre as sete igrejas da Ásia. O que Ele viu?
Éfeso — aquela igreja gloriosa, que teve um começo tão glorioso. A poderosa Palavra de Deus e a poderosa obra de Deus foram manifestadas naquela cidade. Eram um povo de primeiro amor.
Mesmo quando Paulo estava na prisão em Roma, escrevendo aquela carta aos efésios, ele pôde compartilhar com eles todo o conselho de Deus, sem reter nada — não porque fossem mais inteligentes que os colossenses, mas porque tinham um coração inteiramente voltado para Deus.
No fim daquela carta, Paulo disse:
Graça àqueles que amam a Deus com amor imperecível.
Eles amavam a Deus com amor imperecível. Assim era Éfeso.
Mas, muito pouco tempo depois, se vocês lerem Apocalipse 2, isso os fará chorar. Tudo continuava tão bem, como de costume. Nosso Senhor disse:
Eu sei.
Conheço o teu labor.
Conheço a tua obra.
Conheço a tua perseverança.
Conheço o teu conhecimento.
“Mas onde está o amor por trás do teu labor? Onde está a fé por trás das tuas obras? Onde está a esperança por trás da tua perseverança?”
Eles não tinham consciência de que haviam se afastado. Pensavam que ainda estavam em sua condição inicial. Tudo estava bem.
Mas nosso Senhor olha para o coração. Ele sonda o coração. Ele conhece nossos sentimentos mais íntimos. Ele disse: “Sou contra ti”.
Essa é uma palavra forte: “Sou contra ti, porque perdeste o teu primeiro amor”.
“Quando estavas no teu primeiro amor, Eu era tudo para ti. Fazias tudo por Minha causa. Perseveravas por Minha causa. Mas agora perdeste-Me de vista.”
“Simplesmente continuas por conta própria. Ninguém percebe. Talvez tu não vejas, mas Eu estou ferido — profundamente ferido. Se não te arrependeres e não praticares as primeiras obras, removerei o teu candeeiro. Já não Me representas.”
Irmãos e irmãs, que história triste. Vejam Laodiceia. Eles até se vangloriam:
Sou rico.
De nada tenho falta.
Tenho tudo.
Nem quentes nem frios — mornos. E o Senhor está do lado de fora, à porta, batendo.
Irmãos e irmãs, profeticamente falando, a igreja de Laodiceia representa a igreja na última hora. É aí que estamos.
Estamos hoje nessa condição? Podemos enganar as pessoas. Podemos até enganar a nós mesmos. Mas não podemos enganá-Lo. Ele sabe tudo.
Portanto, a pergunta é: há necessidade de retornar?
Irmãos e irmãs, em toda a Bíblia encontramos Deus chamando Seu povo, repetidas vezes, a retornar — não apenas nos tempos do Antigo Testamento, mas também nos tempos do Novo Testamento.
Mas, como povo de Deus, creio que há uma questão que precisamos resolver diante do Senhor. Caso contrário, não há necessidade de continuar esta conferência.
Cada um de nós precisa resolver esta questão: tenho necessidade de retornar a Cristo? Estamos satisfeitos com nossa condição espiritual?
Por um lado, sabemos que estamos arruinados e, por isso, desistimos? Dizemos: “Não podemos retornar. Deus nos abandonou, então simplesmente continuamos como de costume”?
Mas lembrem-se: o coração de Deus está clamando: “Volta. Retorna. Onde estás?” Deus sente a sua falta.
Ou estamos naquela condição dos laodicenses? Estamos tão enganados a respeito de nós mesmos que pensamos não haver necessidade de retornar? “Em que havemos de tornar?”
Sempre haverá dois tipos diferentes de reação quando Deus chama as pessoas a retornar. Vocês podem ter uma ou outra reação.
Uma reação é: “Em que havemos de tornar? Estou bem. Não sou melhor que o mundo, embora não seja muito diferente do mundo?”
“Não continuo lendo minha Bíblia? Não continuo orando para cumprir meu dever diário? Não continuo indo à igreja? Vejam, não sou perfeito, mas sou muito melhor que as pessoas deste mundo.”
“Sim, quando tenho coisas importantes para fazer, digo adeus a Deus por algum tempo. Mas é como de costume, nada de especial. Todo mundo faz isso, então por que eu não posso fazer?”
Irmãos e irmãs, vocês podem adotar essa atitude, assim como os fariseus e os escribas. Quando João Batista chamou ao arrependimento, eles não viam necessidade disso. Achavam que só precisavam de uma pequena melhora. Arrepender-se — isso é radical demais.
Ah, irmãos e irmãs, vocês podem adotar outra atitude. Ao ler a Palavra de Deus, vocês se lembram de Jó no final.
Quando ele viu a glória de Deus, sua justiça própria era como trapos de imundícia. Ele era um homem justo, um homem no mundo daquela época que Deus podia apresentar como um desafio a Satanás:
Consideraste o Meu servo Jó?
Ele temia a Deus e era justo.
Mas havia nele algo que era Jó, não Cristo: sua justiça própria.
Deus permitiu que Satanás o atacasse e que seus amigos o provassem. Ele derramou o que estava dentro de si: “Sou justo. Posso comparecer diante de Deus. Ah, se Deus me ouvisse! Vamos discutir”.
Meus irmãos e irmãs, diante da glória de Deus, vemos que Deus nunca discute com ninguém. Ele apenas mostra Sua glória, só isso.
E ouçam: Jó disse:
Abomino a mim mesmo.
Tenho medo de mim mesmo.
Odeio a mim mesmo.
Arrependo-me no pó e na cinza.
Vocês se lembram de Davi, o homem segundo o coração de Deus. Mas vejam: quando escreveu o Salmo 51, ele disse:
Oh, purifica-me.
Dá-me um coração puro.
Se Tu, ó Deus, quisesses sacrifício, eu o traria;
mas Tu não o queres.
Tudo o que posso trazer a Ti é um coração contrito e aflito.
Irmãos e irmãs, ouçam a oração de Daniel. É curioso: todas essas grandes orações estão no capítulo 9. Daniel 9 — a oração de Daniel.
Ele era um homem amado por Deus, quase perfeito. Mas como ele orou: em arrependimento.
Vocês também ouvem a oração de Esdras, em Esdras 9; a oração de Neemias, em Neemias 9. Todas essas pessoas, irmãos e irmãs — essa é a oração de retorno, de retorno a Deus.
Portanto, vocês têm uma escolha hoje.
Ah, irmãos e irmãs, o maior problema entre nós é que vemos os outros, vemos a nós mesmos, mas não vemos Cristo.
Um vislumbre, uma revelação, uma visão de Cristo nos levará a ficar de joelhos, a cair com o rosto em terra. Como Daniel disse:
A minha formosura se tornou em corrupção.
Eu preciso retornar.
Deixem-me fazer uma pergunta a vocês. Faço essa pergunta a mim mesmo.
Minha vida converge em Cristo?
Todo o meu ser está reunido em Cristo, sob Ele como Cabeça — meu espírito, minha alma e meu corpo, meu sentimento, minha emoção, meu pensamento, minha opinião, minha vontade? Tudo converge em Cristo, unido a Ele? É assim comigo?
Cristo ocupa o primeiro lugar em minha vida? Quando algo acontece, qual é meu primeiro pensamento, minha primeira consideração?
Ainda estou disposto a deixar tudo e segui-Lo? Será que mudei? Será que retive algo para mim?
Quando O sirvo, eu O sirvo por amor ou por obrigação, por dever? Cristo é tudo e em todos para mim?
Em que parte da minha vida, em que área da minha vida, Cristo está à porta, batendo?
Irmãos e irmãs, quando faço essas perguntas a mim mesmo, como posso responder? “Senhor, tem misericórdia de mim. Restaura-me a Ti.” Esse é o clamor do meu coração.
E, irmãos e irmãs, que esse seja o clamor do coração de cada um de nós aqui. Ele nos dará vida. Ele nos levantará. Ele virá a nós como o orvalho da manhã, como a chuva serôdia.
Ó Deus, tem misericórdia de nós.
Querido Senhor, não permitas que sejamos tão teimosos, tão enganados, a ponto de pensar que não temos nada de que nos afastar, nenhuma área em que precisemos retornar a Ti.
Senhor, que o Teu Espírito sonde o coração de cada um de nós, exponha nossos lugares secretos e nos conduza ao arrependimento.
Graças a Deus, Tu és a nossa esperança — Cristo em vós, a esperança da glória. Louvado seja o Senhor. Em Teu precioso nome, amém.