Abram comigo na primeira carta de Paulo aos tessalonicenses, no capítulo 5. 1 Tessalonicenses 5:1 em diante; é de onde vou ler.
Mas, acerca dos tempos e das épocas, irmãos, não necessitais de que vos seja escrito coisa alguma. Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando disserem: Paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como ladrão: Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia: nós não somos da noite nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem dormem de noite; e os que se embriagam embriagam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor; e tendo por capacete a esperança da salvação. Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo, Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele. Portanto, exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.
Vamos inclinar a cabeça juntos para uma breve oração?
Pai, ao nos voltarmos para Ti nesta manhã, queremos Te louvar e Te adorar, porque nos deste toda a graça e todo o poder de que precisamos, tanto para falar quanto para ouvir. E, Senhor, nós simplesmente nos entregamos em Tuas mãos.
Oramos, Senhor, para que a Tua Palavra encontre morada em nosso coração. Nós Te agradecemos por tudo o que fizeste até aqui nesta semana em que estamos juntos em Tua presença. E agora Te pedimos por esta manhã, Senhor. Não a tomamos como algo garantido.
Simplesmente nos achegamos pela fé para nos apropriarmos da provisão que fizeste para cada um de nós, para que, tanto quem fala quanto quem ouve, possamos conhecer a Tua capacitação e o Teu poder divinos, de modo que, Senhor, o Teu propósito para este momento seja cumprido.
E pedimos isso juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Nestes momentos em que tenho a responsabilidade de compartilhar com vocês a Palavra de Deus, o assunto que tem estado em meu coração é toda essa questão da profecia bíblica.
Agora, não se empolguem demais, porque não vou dedicar todo o tempo às muitas questões controversas e difíceis relacionadas às coisas do fim. Vamos tratar de algumas delas.
Toda essa questão da profecia bíblica é tremendamente complexa. Em torno dela tem havido muita controvérsia; há muita confusão a seu respeito. Não são poucos os erros, os desequilíbrios e as excentricidades.
E, no entanto, não há assunto mais vital, mais estratégico ou mais importante para o povo de Deus compreender e sobre o qual receber luz do que essa questão da profecia bíblica. Estamos avançando irreversivelmente para os últimos dias desta era.
Mais do que em qualquer outro tempo, nós, como povo de Deus, precisamos compreender a Palavra profética. Precisamos ter entendimento dos tempos em que vivemos.
Não basta que o povo de Deus seja uma espécie de escapista espiritual: “Bem, vamos estar com o Senhor, e isso é a única coisa que importa, porque o restante do mundo vai para o inferno. O restante do mundo está sob juízo. Depois que tivermos partido, eles sofrerão horrores indescritíveis e coisas terríveis, mas graças a Deus não estaremos lá”.
“Tudo o que precisamos fazer é nos afastar do mundo, adorar o Senhor e ler a Sua Palavra. Vamos escapar de tudo isso.”
Agora, pessoalmente, creio que o Senhor virá buscar os Seus. E creio que é essencial estarmos preparados para a Sua vinda.
Também não penso, nem por um instante, que algum tipo de espírito mórbido, sombrio, pesado e angustiado deva tomar conta de nós, e que devamos começar a fixar os olhos no anticristo, no 666, no sistema do anticristo que virá, no sofrimento e na perseguição que o povo de Deus terá de enfrentar — em todas essas coisas.
Quero dizer, seria muito triste ficarmos obcecados por essas coisas sombrias. O apóstolo Paulo, escrevendo aos tessalonicenses, expressou isso em belas palavras:
Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo, Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele. Portanto, exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.
É interessante observar que, sempre que a Palavra de Deus precisa definir para nós, ou pintar para nós, um quadro da realidade — um quadro, às vezes, em cores escuras, de coisas desagradáveis —, o Espírito Santo, sem falta, sempre revela o Senhor Jesus como o Cordeiro entronizado, ou a glória vindoura do reino de Deus, ou a maravilhosa libertação daqueles que pertencem a Ele, ou o cumprimento de todo o propósito de Deus para a criação e para a humanidade.
É maravilhoso lembrar disso. Naturalmente, o Senhor Jesus expressou isso de maneira muito simples nestas palavras:
Quando virdes estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima; levantai a cabeça; a vossa redenção se aproxima.
Agora, isso é interessante, porque, embora eu tenha acabado de mencionar que podemos ser uma espécie de escapistas espirituais, apenas bendizendo o Senhor e, num tipo de rodinha santa, esperando que o Senhor venha — pensando que não precisamos nos preocupar com o mundo ao nosso redor, com o que está acontecendo no mundo ou com o que está acontecendo às pessoas que nele vivem —, é interessante que o Senhor Jesus tenha dito:
Quando virdes estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima; levantai a cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.
Ora, ficar em pé, olhar para cima, levantar a cabeça é a forma judaica de adoração. O que o Senhor Jesus estava dizendo era: “Estejam tão livres de preocupação com todas essas coisas terríveis que sejam capazes de adorar o Senhor, porque a redenção de vocês se aproxima a cada dia”.
Vocês podem levantar a cabeça. Podem endireitar as costas. Podem ficar em pé juntos na presença do Senhor e adorá-Lo, porque a redenção de vocês está se aproximando.
Agora, nesta passagem que lemos juntos, o Espírito Santo, por meio do apóstolo Paulo, fala desse dia em 1 Tessalonicenses 5:2:
Porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor vem como ladrão de noite.
E o próprio Senhor Jesus Se referiu à Sua vinda como a de um ladrão de noite, em Mateus 24:43-44.
Mas sabei isto: se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, estai vós também preparados: porque o Filho do homem virá numa hora em que não pensais.
Agora, o Senhor Jesus não disse isso a um grupo de pessoas não salvas. Ele não pronunciou essas palavras diante de uma grande multidão de pessoas não salvas. Nem sequer disse essas palavras ao grande grupo dos Seus discípulos.
Ele nem sequer disse essas palavras aos doze discípulos que formavam o círculo mais próximo. Disse essas palavras aos mais dedicados e aos que tinham maior responsabilidade entre os doze: André, Pedro, Tiago e João — o círculo mais próximo dentro do círculo mais próximo.
Vez após vez, Ele os levou Consigo em ocasiões especiais. Quando a filha de Jairo foi ressuscitada, foram três deles. Quando aconteceu a transfiguração, foram esses, e assim por diante.
Em outras palavras, isso me atinge — não sei quanto a vocês —, mas me atinge com certa solenidade: o Senhor Jesus estava falando aos Seus servos de maior responsabilidade e disse: “Virei como ladrão”. Isso pode pegar de surpresa até aqueles que têm maior responsabilidade em Minha obra e nos interesses do Meu reino.
Por isso, estai vós também preparados: porque o Filho do homem virá numa hora em que não pensais.
Agora, vocês não acham que o Senhor Jesus estava procurando, por assim dizer, nos transmitir alguma coisa? Podemos ter um grande conhecimento da Palavra de Deus. Podemos ter responsabilidade nas coisas de Deus. Podemos ter uma longa história na obra de Deus e, ainda assim, segundo as palavras do Senhor Jesus, podemos ser pegos de surpresa pela vinda do Senhor.
É interessante que, em Apocalipse 16:15, o Senhor Jesus novamente Se refira à Sua vinda:
Eis que venho como ladrão.
Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não vejam a sua vergonha.
Acho que a Nova Versão Internacional diz: “para que não seja vergonhosamente exposto”. É possível um crente perder suas vestes, ficar, por assim dizer, nu, ser descoberto e ser vergonhosamente exposto pela vinda do Senhor Jesus? Não é uma possibilidade.
Por que o Senhor Jesus nos adverte continuamente a estarmos preparados?
As pessoas ficam tão empolgadas com a questão de irmos antes da tribulação, depois da tribulação ou no meio da tribulação; de irmos todos ou apenas alguns; de irem os que estão preparados, e com todo o resto. Ficam tão exaltadas, tão perturbadas com os detalhes da vinda do Senhor, e se esquecem completamente da principal ênfase do nosso Senhor Jesus:
Por isso, estai vós também preparados: porque o Filho do homem virá numa hora em que não pensais.
Se o nosso Senhor Jesus, não uma vez, mas repetidamente, falou de prestar atenção, vigiar, estar alerta, estar de guarda e estar preparado, deve haver algum tipo de perda espiritual se ignorarmos o Seu conselho.
É uma expressão muito marcante que Jesus e os apóstolos usam: “como ladrão de noite”. Não há nada no Senhor Jesus que se assemelhe, nem remotamente, a um ladrão.
Se Ele mesmo não tivesse usado essa ilustração, ela seria ofensiva e vulgar. Se eu tivesse tomado a liberdade de falar da vinda do Senhor Jesus como a de um ladrão de noite, acho que muitas pessoas teriam se levantado e ido embora. Ficariam indignadas por alguém se referir ao Senhor Jesus como um ladrão.
No entanto, foi o próprio Senhor Jesus Quem falou de Sua vinda como a de um ladrão. Nem sequer um empresário — alguns deles são ladrões, mas deixemos isso de lado. Quero dizer, se Ele tivesse dito um empresário, ao menos teria sido um pouco mais respeitável. Se tivesse dito um político — alguns deles também são vigaristas —, ao menos teria sido um pouco mais respeitável.
Mas afirmar assim, sem rodeios: “Minha vinda será como a de um ladrão de noite”! Ladrões não telefonam antes para dizer: “Em tal horário, farei uma visita a você”. Ladrões não enviam primeiro um cartão de visitas: “O senhor Fulano está chegando”.
A própria natureza do roubo é fazê-lo de repente, furtivamente, de maneira oculta. Em outras palavras, o que o Senhor Jesus está nos advertindo — não uma vez, mas repetidamente, e os apóstolos reforçam essa advertência — é que Sua vinda será como a de um ladrão: furtiva, oculta, invisível, inesperada.
Agora, a maioria de nós pensaria: “Bem, não vou ser pego de surpresa. Conheço o Senhor”. E alguns de vocês dirão: “E, na verdade, tenho muito interesse em profecia, então não acho que serei pego de surpresa. Ah, como gostaria que esse tipo de palavra chegasse à igreja da qual faço parte, ao grupo do qual participo ou aos irmãos e irmãs com quem me reúno”.
Mas foi a André, Pedro, Tiago e João que o Senhor Jesus disse:
Se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, teria vigiado; não teria permitido que o ladrão arrombasse a sua casa. Estai vós também preparados: porque o Filho do homem virá numa hora em que não pensais.
Essa questão da profecia bíblica não é algo que deva ser desprezado. Sei que esse assunto tem atraído, como um ímã, pessoas de uma excentricidade extraordinária e muito marcante.
Nós, naturalmente, as vemos com muita frequência em Jerusalém. Esse lugar as atrai mais do que qualquer outro.
Mas só porque pessoas excêntricas são atraídas por um assunto — afinal, a salvação também atraiu algumas pessoas excêntricas; todos nós as conhecemos —, só porque o assunto atrai algumas pessoas excêntricas, porque às vezes há extremos e desequilíbrios no ensino, isso não invalida a verdade da Palavra profética.
Se você e eu nos deixarmos afastar tão facilmente por alguns ensinos errados, alguns ensinos desequilibrados ou pelas extravagâncias de pessoas excêntricas nessa questão, faremos isso com grande prejuízo para nós mesmos.
Na verdade, a meu ver, essa é precisamente a estratégia do inferno. Se ele não consegue impedir o povo de Deus de compreender a Palavra profética — a Palavra de profecia —, se não consegue impedir que essa Palavra de profecia seja uma lâmpada para os pés do povo de Deus, uma lâmpada que brilha em lugar escuro e imundo, dando-lhe luz, direção e entendimento, então Satanás e suas forças procurarão desacreditar o assunto de tal maneira e em tal medida que a maioria dos crentes sensatos perderá completamente o interesse por ele.
Isso significa que você e eu podemos ficar privados de um dos meios que Deus usaria para nos dar entendimento dos dias em que vivemos e nos despertar para o perigo em que nós, como povo de Deus, nos encontramos.
Portanto, querido povo de Deus, toda essa questão da profecia bíblica não é algo que possa ser deixado de lado, que possa ser ignorado — uma espécie de assunto especializado, reservado àqueles que têm certa inclinação para ele.
Esse é um assunto de importância tremenda e estratégica para o povo de Deus, especialmente nestes últimos dias em que nos encontramos.
Digo isso novamente, com toda a ênfase possível. Pois o fato é simplesmente este: não precisamos apenas conhecer as linhas gerais do propósito de Deus, a realidade da nossa salvação, a natureza da igreja, o destino da igreja e essas questões extraordinárias.
Se vamos ser uma igreja que funciona, ou crentes que realmente vencem na fase final da história mundial, precisamos ter entendimento do que está acontecendo entre as nações.
Deus não é apenas o Deus dos redimidos. Ele é o Deus de todas as nações, o Deus de toda carne.
É por isso que haverá um grande juízo final. Cada ser humano comparecerá diante de Deus, grandes e pequenos. Não importa se foram incinerados, não importa se morreram afogados, não importa se estão mortos há cinco ou seis mil anos: cada ser humano finalmente comparecerá diante de Deus, porque Deus é o Deus de toda carne.
Deus é o Deus da história. Ele não está interessado apenas em Seu povo. Naturalmente, Ele está interessado em Seu povo — profundamente interessado em Seu povo. Eles são a menina dos Seus olhos. São a noiva do Seu Filho. São a Nova Jerusalém. São Sua morada no Espírito. São o coração de tudo, o centro em torno do qual giram todo um novo céu e uma nova terra, nos quais habitará a justiça.
Naturalmente, Ele está profundamente interessado em Seu povo. Mas, querido povo de Deus, não pensem, nem por um instante, que Deus seja um fator desconhecido no Kremlin. Eles são ateus, mas Deus, se me permitem falar assim Dele, caminha pelas salas do Kremlin e pelos corredores do Kremlin.
Não há conversa que não seja ouvida por Deus e registrada por Deus. Ele não é um estranho na Casa Branca, no Capitólio, no Parlamento britânico ou no Knesset, em Israel. Ele ouve tudo, leva tudo em conta e está conduzindo tudo segundo o conselho da Sua própria vontade.
Nada acontece por acaso.
Isso deveria ser um tremendo encorajamento para o povo de Deus. Não é como se o Senhor estivesse interessado apenas na igreja e nos redimidos, e tivesse desistido do restante: “Que se virem. Não estou nem um pouco preocupado”.
Esse é o espírito de Jonas. Quando o Senhor disse a Jonas: “Vá a Nínive”, Jonas disse: “Nunca, de jeito nenhum. Ir àquele povo cruel e perverso, que fez as coisas mais bárbaras de toda a história humana, e pregar a eles? Certamente não”.
E ele fugiu antes que o Senhor pudesse lhe dizer outra palavra — desceu a Jope, entrou num barco —, e o Senhor preparou para ele um grande peixe. Acho que vocês conhecem a história.
No fim, Jonas foi parar dentro daquele grande peixe e teve uma extraordinária reunião de oração. Muitas vezes pensei na reunião de oração que Jonas teve dentro daquele grande peixe como uma das reuniões de oração mais impressionantes da história.
Por exemplo, ele se lembrou das palavras do rei Salomão: “Se alguém, em qualquer lugar da terra, se voltar para o lugar onde fiz habitar o Meu nome, Eu o ouvirei e o perdoarei”.
Muitas vezes pensei: como Jonas, dentro da barriga de um peixe, sabia em que direção ficava Jerusalém? O peixe poderia estar nadando em círculos.
Imagino que Jonas tenha dito: “Senhor, Tu conheces o meu coração. Estou me voltando para Jerusalém, pelo menos para a direção em que acho que Jerusalém fica. Considera como se eu estivesse voltado para o lugar onde fizeste habitar o Teu nome”.
E Deus o ouviu, e o peixe chegou à praia e expeliu Jonas. Vocês se lembram da história? Então o Senhor disse: “Agora, Jonas, Eu estava lhe falando, alguns dias atrás, sobre ir a Nínive”.
E Jonas disse: “Sim, Senhor, vou a Nínive. Já que isso obviamente significa tanto para Ti, Senhor, vou a Nínive”.
Por quanta coisa Deus às vezes precisa fazer alguns de nós passarmos até que finalmente ouçamos a Sua Palavra e estejamos dispostos a obedecer!
Jonas chegou a Nínive, mas então, infelizmente, se entregou demais à sua mensagem. Era uma mensagem de juízo; combinava perfeitamente com o estado de espírito de Jonas.
Ele falou não apenas com o espírito, mas com toda a alma. Falou com poder e levou o maior susto da sua vida.
Jonas havia ministrado durante vários anos em Israel, mas nunca o rei havia se vestido de pano de saco, lançado cinzas sobre si e chorado diante de Deus. Nunca o povo do reino do norte de Israel havia se humilhado diante de Deus, vestido até o gado de preto, chorado diante do Senhor e jejuado diante do Senhor.
Mas a família real de Nínive e toda a corte real prantearam diante de Deus e jejuaram como se alguém tivesse morrido. E Deus disse a Jonas: “Jonas, não posso fazer isso”.
Então vocês conhecem a história. Jonas ficou realmente muito aborrecido. Ele disse: “Senhor, eu sabia que farias isso comigo. Tu me enviaste por todo esse caminho com esta mensagem de juízo para esse povo horrível. Eles deveriam ser destruídos até o último homem”.
“E eu tinha, o tempo todo, uma estranha suspeita de que, se transmitisse essa mensagem e eles derramassem sequer uma lágrima, Tu adiarias tudo por uma geração.”
Sabem, muitos de nós somos exatamente como Jonas. Estamos perfeitamente dispostos a pronunciar uma espécie de juízo sobre o mundo ao nosso redor, mas não queremos nos envolver.
Não acreditamos que Deus conheça as ruas de Nínive, que conheça cada família de Nínive, que pudesse falar dos milhares de criancinhas, em idade de jardim de infância, que não sabiam distinguir a mão esquerda da direita.
Vocês se lembram das palavras com que o Senhor encerrou Sua conversa com Jonas? Tenho certeza de que Ele disse muito mais a Jonas, mas foi preciso um grande homem, de grande caráter espiritual, para escrever o relato e apresentar a si mesmo de maneira tão desfavorável.
O Senhor disse a Jonas: “Jonas, você quer Me dizer que deseja que Eu julgue esta cidade? E os pequeninos que não sabem distinguir a mão direita da esquerda? E o gado?”
Acho que esse foi o maior choque que Jonas já teve. “Queres dizer”, disse ele, “Senhor, que estás interessado nos animais domésticos desta cidade? Jerusalém, eu consigo entender. Tudo em Jerusalém é precioso para o Senhor — mas Nínive?”
Estamos numa situação muito parecida com essa: um mundo que avança continuamente em direção aos juízos de Deus.
E nós, como povo de Deus, devemos ser uma comunidade profética. O que quero dizer?
Quero dizer o seguinte: a igreja não é essencialmente uma questão de estrutura de cargos, funções e dons. Todas essas coisas são necessárias, mas vocês podem ter tudo isso e não haver ali um candelabro. Ele foi removido.
O candelabro fala de algo mais. Fala da luz da vida de Deus no Senhor Jesus. O candelabro sustenta uma lâmpada, e na lâmpada há luz. Jesus é a lâmpada, e a glória de Deus é a luz nessa lâmpada.
E a igreja é o candelabro que sustenta a lâmpada:
Cristo em todos vós, a esperança da glória.
Sabem, a igreja deveria ser uma comunidade profética. O que quero dizer? Quero dizer que a igreja deveria ser uma comunidade de pessoas redimidas que são um instrumento profético na região onde se encontram.
Deixem-me dizer de outra maneira. Não se trata apenas de elas terem conhecimento das profecias. É muito, muito, muito mais do que isso.
É que elas não apenas têm entendimento da Palavra profética, mas a Palavra profética entrou nelas. Algo penetrou no interior daquele povo, e eles estão agindo de acordo com a Palavra de Deus.
Jesus falou de nós como o sal da terra. Existe entre o povo de Deus uma atitude fatalista segundo a qual o declínio moral e a maldade na nação são coisas a respeito das quais nós, como povo de Deus, não podemos fazer absolutamente nada.
Mas somos o sal da terra. Em outras palavras, não é simplesmente a verdade que proclamamos, mas a verdade que está em nós que age como um antisséptico. Ela age como um agente que detém a corrupção.
Somos a luz do mundo. Em outras palavras, a igreja deve ser um instrumento por meio do qual a luz de Deus se derrama sobre uma localidade, uma cidade pequena, uma vila, uma grande cidade ou uma nação. Qualquer homem ou mulher que queira conhecer a verdade pode encontrar Deus por meio dessa luz que brilha através da igreja.
A igreja deve ser uma cidade situada sobre um monte. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. A verdade está ali, em ação, para todos verem.
Mas Stephen fez referência ontem, de maneira maravilhosa, àquele versículo em Apocalipse 19:10, onde se diz:
O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
Não acho que a maneira como isso às vezes é explicado — como se significasse que todas as Escrituras proféticas apontam para Jesus — seja uma interpretação satisfatória dessa afirmação. Naturalmente, inclui isso, mas é muito, muito mais.
A meu ver, significa o seguinte: a igreja, que mantém o testemunho de Jesus e a Palavra de Deus, tem um testemunho de Jesus que é profético em seu conteúdo. É o ministério da igreja e seu impacto sobre o mundo, sobre a nação em que vive.
Tudo isso não significa que todos vocês se tornem políticos ou que passem todo o tempo fazendo campanha por reformas de um tipo ou de outro. Mas significa, sim, que o povo de Deus se levante e assuma sua posição, porque tem uma responsabilidade diante de Deus.
Não pensem, nem por um instante, que algum crente tenha responsabilidade apenas por seu próprio bem-estar espiritual, como se a única coisa que Cristo lhe perguntará quando você comparecer diante do Seu tribunal fosse: “O que você fez a respeito do seu próprio caráter? O que fez a respeito do seu próprio bem-estar? Como assegurou valores espirituais em sua vida?”
Naturalmente, Ele estará interessado nisso, mas não é tudo. O Senhor Jesus lhe dirá: “Que responsabilidade você assumiu por seus irmãos e irmãs? Cuidou deles? Lavou os pés deles? Humilhou-se diante deles? Amou-os? Vestiu-os? Alimentou-os? Curou-os? Vocês deram a vida por seus irmãos e irmãs?”
“Vocês falam tanto sobre a edificação da casa de Deus, tanto sobre a igreja de Deus, mas o que fizeram por seus irmãos e irmãs? Não do outro lado do mundo, mas onde vocês vivem.”
Não pensem que isso é tudo. O Senhor Jesus então dirá: “Você era um atalaia. Eu o coloquei sobre os muros de Jerusalém. Eu lhe dei, em Minha Palavra, advertências sobre o que aconteceria ao mundo”.
“Você alguma vez orou por esse mundo ao seu redor? Entregou-se à intercessão por aquelas almas, aquelas multidões de almas que caminhavam para uma eternidade de perdição? Tornou-se, junto com outros, um instrumento profético por meio do qual Minha luz pudesse brilhar? Você os advertiu? Tocou a trombeta? Deu o alarme?”
Vocês sabem o que Deus disse ao profeta Ezequiel? Ele disse: “Eu o constituí atalaia. Se você der o alarme quando Eu disser que o juízo está chegando, e eles não lhe derem ouvidos e morrerem, você terá livrado a si mesmo, e eles morrerão sob juízo. O sangue deles estará sobre a própria cabeça”.
“Mas, se Eu disser que você deve dar o alarme e tocar a trombeta porque o juízo está chegando, e você não fizer nada, mas passar seu tempo numa rodinha santa, e esse juízo vier sobre aquela nação, Eu cobrarei de suas mãos o sangue deles.”
Vocês são responsáveis não apenas por seu próprio bem-estar espiritual, não apenas pela edificação e restauração da igreja, mas pela nação e pelas nações entre as quais foram colocados.
Você pode me dizer: “Bem, não sei muito sobre a Palavra de profecia. A Palavra profética — nunca lhe dei muita atenção”.
Bem, meu querido amigo, deixe-me dizer isto desde já: quer você a tenha ignorado, quer lhe tenha dado atenção, ela lhe foi dada.
Você e eu temos uma responsabilidade solene diante de Deus. Portanto, essa questão da profecia bíblica é vital.
Vejam, séculos atrás já era suficientemente grave, mas agora estamos à beira do juízo de Deus sobre as nações. Estamos à beira de todo tipo de coisa que virá sobre a face da terra.
Que povo, entre todos os povos da terra, tem entendimento, se não a igreja do nosso Senhor Jesus?
Portanto, vejam, temos essa responsabilidade. Antes de encerrar nesta manhã, gostaria de dizer algo sobre o significado da profecia.
Há várias palavras usadas em hebraico, e todas nos ajudam a compreender o que ela significa.
Temos duas palavras semelhantes em hebraico. Uma é roeh, e a outra, chozeh; essas duas palavras indicam que um profeta é um vidente. Elas vêm de uma raiz que significa simplesmente “ver”.
Um profeta é nada menos e nada mais do que um homem que vê Deus. E, ao ver Deus, compreende tudo o mais. Aquilo que ele vê da mente e do coração de Deus faz com que toda a sua atitude diante dos acontecimentos humanos e terrenos passe por uma mudança.
Se vocês quiserem referências bíblicas para isso, encontrarão em 1 Samuel 9:9 e Isaías 30:10. Naturalmente, há muitas, muitas outras referências ao longo de todo o Antigo Testamento em que o profeta é chamado de vidente.
Alguém que vê. Ele não inventa ideias na própria cabeça. Não fica olhando para uma bola de cristal para obter ideias sobre o futuro. Não é adivinhação por folhas de chá, leitura de mãos ou qualquer coisa assim. Não é observar os astros.
Ele vê o Senhor, e isso o distingue de todas essas outras coisas ocultistas e mágicas que pertencem a Satanás e a esta terra. Ele — e ela — vê o Senhor. E, porque veem o Senhor, falam.
Há outra palavra que é usada com mais frequência do que todas as demais. É a palavra nabi, em hebraico. Há muita discussão sobre a origem dessa palavra.
Alguns dizem que ela vem de uma raiz hebraica que significa “anunciar”. O profeta é alguém que anuncia o pensamento de Deus. Ele vê o Senhor e anuncia; declara aquilo que vê.
Há outros que dizem que ela vem de uma raiz assíria, nabu, “ser chamado”. Dizem que o profeta é alguém — esse profeta, esse nabi — que é chamado por Deus, e isso é verdade.
Nenhum homem pode ser profeta simplesmente porque pensa que será profeta. Temos muitos desses. A Bíblia os chama de falsos profetas. Eles anunciam coisas que não lhes foi ordenado anunciar. Dizem que são profetas quando nunca foram chamados por Deus.
O profeta é alguém chamado e comissionado por Deus.
Há outra palavra em hebraico usada em associação com o profeta que é um pouco diferente das demais. É uma palavra que significa “peso” ou “encargo”.
A propósito, se vocês quiserem referências bíblicas para a palavra nabi, Gênesis 20:7 e Números 11:29 são dois exemplos.
Mas essa outra palavra vocês encontrarão em Zacarias 9:1, Zacarias 12:1 e Malaquias 1:1. Ali vocês leem:
O peso da palavra do Senhor.
Essa é uma palavra muito interessante em hebraico: massa. Ela fala de uma carga que é levada ao destino pretendido. Fala da revelação que Deus dá a um profeta como um encargo ou uma carga divina que Deus ergue e coloca, por assim dizer, sobre os ombros ou sobre o coração do profeta, para que aquela Palavra alcance o fim desejado por Deus.
No Novo Testamento, temos uma palavra comum usada ao longo de todo o texto: prophetes, da qual derivam as palavras inglesas correspondentes a “profeta” e “profecia”. Ela significa simplesmente alguém que fala, que se pronuncia ou que proclama.
Aqui chegamos ao cerne de toda essa questão da profecia bíblica. Não é apenas prever o futuro, como tantos imaginam. Não é apenas algo relacionado a predizer o que vai acontecer. É a expressão da mente e do coração de Deus. É a proclamação da mente e do coração de Deus.
Vocês entenderam? Portanto, ela pode ter relação com o passado, o presente e o futuro.
Às vezes, um profeta dirá a um povo: “Há tantos séculos vocês fizeram isso, e é por isso que isto está acontecendo”. Somente um profeta poderia ter dito isso. Ele colocou o dedo de Deus, por assim dizer, sobre uma questão que é a raiz de todo o problema naquela nação ou comunidade.
Isso tem relação com o passado. Nas Escrituras, vocês encontrarão muitas profecias sobre o passado. Vocês se lembram daquela impressionante profecia sobre Lúcifer, filho da alva, sendo lançado abaixo — o querubim ungido que disse: “Serei como o Altíssimo. Subirei às estrelas. Colocarei meu trono acima do trono de Deus”?
Vocês se lembram? Isso é profético. A inteligência humana jamais poderia ter compreendido isso. Frequentar uma universidade ou um seminário teológico não teria produzido isso. Isso só poderia vir por revelação.
Portanto, repetidamente, a profecia tem relação com o passado. Tem relação com o presente. Às vezes, Deus diz: “Se vocês fizerem tal coisa, não precisam temer; experimentarão Minha libertação entre vocês”.
Lembrem-se do rei Josafá. Quando estavam cercados e sitiados, o Senhor lhes disse: “Não deem atenção a eles. Apenas Me adorem e confiem em Mim. Estou com vocês. Tomem sua posição, permaneçam firmes e vejam a salvação do Senhor”.
E foi exatamente isso que aconteceu. Era algo relacionado à situação presente. O Senhor estava dizendo: “Se vocês fizerem tal coisa, estarão absolutamente seguros e protegidos”. Isso é profético.
Então, naturalmente, temos muita coisa relacionada ao futuro. É interessante. Aqui estão alguns dados para vocês: dos 31.124 versículos da Bíblia, 8.362 são preditivos.
Agora, talvez isso não signifique nada para vocês. Todos parecem estar dormindo no ponto. Deixem-me dizer de outra maneira: 27% da Bíblia trata de predições. Vinte e sete por cento da Bíblia trata de predições.
Agora, vocês querem me dizer que vão ignorar mais de um quarto da Bíblia? “Bem, veja, não gosto desse tipo de assunto. Acho que pertence ao campo dos excêntricos e dos malucos — a ala lunática do cristianismo.” Então vamos sacrificar 27% da Bíblia.
Agora, estou falando de material preditivo. Se considerarmos o que chamamos de atividade profética, então teremos de incluir uma porcentagem muito maior da Bíblia, quando tratamos do passado e do presente, além do futuro.
Sabem, isso é algo maravilhoso para nós. Ouçam-me a esse respeito. Deixem-me ler Isaías 46:9-11.
Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; porque Eu sou Deus, e não há outro; Eu sou Deus, e não há ninguém semelhante a Mim; Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; Que digo: O Meu conselho permanecerá, e farei toda a Minha vontade; Que chamo do Oriente uma ave de rapina, de uma terra distante, o homem do Meu conselho; sim, Eu o disse, também o farei acontecer; Eu o determinei, também o farei.
Agora, vocês não percebem como pode ser maravilhosamente consolador saber que Deus anuncia o fim desde o princípio?
Bem, não sei quanto a vocês. Não sei que tipo de mente vocês têm. Acho que a minha trabalha sem parar, e tenho aquele tipo de mente que está sempre se perguntando: “Será que é mesmo verdade?”
Agora, estou simplesmente abrindo meu coração a vocês. Percebo que, vez após vez, o diabo vem a mim e diz: “Você não acredita em toda essa bobagem, acredita? Sério, você acredita nisso?”
E às vezes penso comigo mesmo: supondo que isso fosse mesmo um absurdo, o que é que tenho feito da minha vida?
Talvez nenhum de vocês tenha pensamentos tão sombrios, mas percebo que eles me acompanham dia e noite. Aprendi a conviver com eles.
Simplesmente deixo o diabo fazer sua pequena dança de guerra ao meu redor pelo tempo que quiser, dizendo: “Isso está errado, isso não vai acontecer”, e mais isso, e isso, e isso. E penso comigo mesmo: volto repetidamente a uma ou duas coisas que não consigo descartar com nenhuma explicação — de modo algum consigo descartá-las.
E uma dessas coisas é esta: Deus disse, milhares de anos atrás, coisas que estão se cumprindo de maneira específica e exata diante dos meus olhos, em seus detalhes.
Toda vez que o diabo vem a mim, penso comigo mesmo: se Deus pôde dizer coisas assim milhares de anos atrás — mais exatas e mais relevantes do que o The Washington Post ou o The New York Times —, eu, pelo menos, posso confiar em Deus.
Quando as pessoas jogam tudo isso fora e querem apenas uma espécie de experiência mística e espiritual com o Senhor, dizem: “Ah, não, não, não, Deus não está cumprindo nada hoje. Não, não, não. Temos apenas de andar pela fé”.
Isso é um absurdo.
Moisés teve de andar pela fé quando atravessou o mar Vermelho, mas Deus lhe disse que eles conseguiriam atravessá-lo. Havia uma terra para a qual Deus os levaria. Ele teve de andar pela fé.
Não havia outra maneira de aquele mar se dividir em dois e de aquele povo atravessá-lo como em terra seca, mas Deus já havia anunciado o fim desde o princípio.
Ele disse: “Um dia, quando vocês entrarem naquela terra, Eu os levarei a um lugar onde farei habitar o Meu nome. Ali vocês Me adorarão, e ali Me oferecerão seus sacrifícios”.
Ele anunciou o fim desde o princípio, mas eles tiveram de andar pela fé ao longo de todo o caminho. Onde a fé fracassou, eles permaneceram no deserto por quarenta anos. Mas onde a fé triunfou, uma nova geração entrou na terra e tomou posse dela.
Cada palavra que Deus havia dito se cumpriu.
Assim é com você e comigo. Quando o inimigo vem a mim e diz: “Ah, não acho que isso vá acontecer, nem aquilo. Você não acha que está no caminho errado, ou algo assim?”, penso comigo mesmo: é uma coisa estranha.
Nunca converso com o diabo se puder evitar. Acho melhor conversar com o Senhor.
Mas digo ao Senhor: “Sabes, Senhor, é uma coisa estranha, essa coordenação do mal. Como é que tudo acontece ao mesmo tempo?” Vocês já perceberam isso?
Sempre digo, quando tudo dá errado — o reservatório racha, o carro quebra, o cachorro se perde, o telefone deixa de funcionar, alguém passa muito mal e, então, aparece um santo neurótico já nos estágios finais de uma crise nervosa —, digo: “Graças a Deus, Ele vai fazer alguma coisa em breve”.
Aprendi, pela amarga experiência, que, quando tudo dá errado, alguma coisa está para acontecer. Vocês não descobriram isso? Nunca vi isso falhar.
Espero e penso: “Alguma coisa vai acontecer”, e, de fato, alguém é salvo, alguém é abençoado ou acontece algum avanço extraordinário. Então você diz: “Agora entendo aquela coordenação do mal. Quem coordenou todas essas coisas? Quem planejou tudo isso?”
Deus diz, numa escala muito maior: “Meus filhos amados, quero consolá-los. Vocês vão atravessar todos esses séculos, mas estou anunciando o fim desde o princípio para que, quando essas coisas acontecerem, sejam consolados e fortalecidos”.
Ele diz isso novamente em Isaías 45:21:
Anunciai e apresentai as vossas razões; sim, consultem-se uns aos outros: quem mostrou isso desde a antiguidade? Quem o anunciou desde tempos remotos? Não fui Eu, o Senhor? E não há outro Deus além de Mim, Deus justo e Salvador; não há outro além de Mim.
Agora, queridos amigos, nosso tempo nesta manhã terminou. Gostaria de deixar com vocês a segunda carta do apóstolo Pedro, em 2 Pedro 1:19. Fizemos referência a esse versículo duas ou três vezes, embora ainda não o tenhamos lido.
E temos a palavra profética ainda mais firme; à qual fazeis bem em estar atentos, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da manhã surja em vossos corações.
Uma lâmpada: a Palavra de profecia, uma lâmpada que brilha em lugar escuro.
A palavra “escuro” aqui, no grego, significa sombrio ou imundo. Preciso lhes dizer: acho que o lugar em que todos nós estamos — não este lugar; quero dizer a época, a geração em que vivemos — é uma geração bastante imunda.
Estamos retornando a situações como as de Corinto. Estamos retrocedendo, lenta mas seguramente, ao paganismo de séculos atrás: aborto, homossexualidade, sexo com crianças e animais, e todas as outras coisas indizíveis que pertencem a uma sociedade pagã.
Aquela sociedade pagã, tão desumanizada por sua atitude diante da vida humana, era capaz de lotar estádios por todo aquele magnífico mundo romano e assistir a homens matando uns aos outros — e rugir de prazer.
É para isso que estamos caminhando novamente.
Temos essa Palavra profética como uma lâmpada que brilha em lugar imundo, em lugar sombrio. Meu querido amigo, de que adianta ter um mapa ou uma carta de navegação num lugar escuro, sem luz? Você já pensou nisso? Pense.
Algumas pessoas dizem: “Tudo bem, eu tenho a Bíblia”. Meu querido amigo, se você não tem uma lâmpada, de que adianta?
Você inevitavelmente se perderá. Inevitavelmente tropeçará e cairá. Há coisas no caminho, obstáculos e impedimentos nos quais você tropeçará, ou coisas em que ficará preso, porque não tem luz para lhe mostrar o caminho ou os obstáculos que estão nele.
Uma lâmpada que brilha em lugar escuro. Graças a Deus pela Palavra. Graças a Deus pela Palavra profética, que é como uma lâmpada brilhando em lugar imundo e que pode nos dar luz, para que possamos ler a carta de navegação, ver o mapa, ver para onde estamos indo, compreender onde chegamos e saber em que ponto da jornada estamos.
Olhem novamente para esse versículo:
Temos a palavra profética ainda mais firme; à qual fazeis bem em estar atentos, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça.
Até que o dia amanheça. Portanto, a profecia bíblica não é relevante apenas até o fim da época do Novo Testamento. Que absurdo algumas pessoas dizem quando me afirmam que tudo terminou com a época do Novo Testamento!
“Tudo terminou com a época do Novo Testamento: nenhuma língua jamais deverá ser falada, nenhuma profecia jamais deverá ser pronunciada, nenhum dom deverá ser exercido. Tudo terminou com a época do Novo Testamento. Nós, querido povo de Deus, devemos ficar sem nenhum êxtase, sem nenhuma experiência com o Senhor. Devemos apenas seguir em frente como zumbis.”
É isso que significa andar pela fé? Não penso assim, nem por um instante. Aqui se diz:
Até que o dia amanheça.
Em outras palavras, a Palavra profética é relevante até o dia em que o Senhor Jesus vier e o reino de Deus finalmente, finalmente, se manifestar publicamente.
Até que esse dia amanheça, essa Palavra de profecia é relevante, exata, confiável, correta.
Olhem novamente para estas palavras:
Temos a palavra profética ainda mais firme.
Agora, isso é extraordinário. Nem sempre sou tão bom em inglês. Sou do inglês da Inglaterra, naturalmente; não vou falar do inglês americano. Mas do inglês, inglês, inglês da Inglaterra.
Outras pessoas me dizem: “Você não deveria dizer aquilo, e não deveria dizer isto”. Agora, posso dizer uma coisa? Não se pode dizer que algo foi “tornado mais firme”. Ou é firme, ou não é. Não é assim?
Ou algo é certo, ou não é. Agora, coloquialmente, falamos de algo como sendo mais certo, e aqui o Espírito de Deus diz:
Temos a palavra profética ainda mais firme.
Como a Palavra de profecia pode se tornar ainda mais firme?
Eu lhes digo: porque, quando Pedro escreveu àquelas pessoas queridas, estava dizendo: “Vocês sabem que uma quantidade colossal dessa Palavra profética já se cumpriu?”
Em outras palavras, vocês têm motivos para uma confiança ainda maior do que a dos santos que vieram antes de vocês, porque todos esses propósitos referentes ao Messias foram cumpridos. Temos a Palavra profética ainda mais firme.
Isso não significa, como alguns entendem ao ler a versão King James, que o Novo Testamento seja mais seguro do que o Antigo Testamento. Ah, não entendo alguns deles, mas ficam com a ideia de que o Novo Testamento é mais seguro do que o Antigo Testamento.
Quero lhes dizer uma coisa: a igreja primitiva tinha apenas o Antigo Testamento e se saiu muito bem com ele. Quem dera a igreja de hoje, com o Novo Testamento e o Antigo Testamento, se saísse tão bem quanto a igreja do Novo Testamento, que tinha apenas o Antigo Testamento. Bem, pensem um pouco nisso.
Mas a questão é esta: ainda mais firme. Vocês sabem que há 590 grandes acontecimentos preditos para o mundo, e que todos eles já se cumpriram, com exceção de 20? Quinhentos e noventa grandes acontecimentos, e apenas 20 ainda aguardam cumprimento.
Estamos no fim desta era, enquanto, quando Pedro escreveu àquelas pessoas, elas estavam no início da era do Novo Testamento. Temos a Palavra profética ainda mais firme.
Isso significa que ela não é apenas relevante, mas que temos confiança. Temos uma base para confiar na Palavra de Deus.
Se Deus pôde falar sobre nações, uma nação, povos e a igreja, e essas coisas estão se cumprindo diante dos nossos olhos, vocês não acham que as coisas que Ele diz sobre vocês — que Ele completará em vocês a obra que começou — também se cumprirão?
Vocês não acham que Ele cumprirá essa Palavra se confiarem Nele? Vocês não acham que, se Ele diz:
A Minha graça te basta.
Ele quer dizer exatamente o que diz? Naturalmente.
Querido povo de Deus, que coisa maravilhosa temos nesta Palavra profética ainda mais firme!
Agora, duas últimas coisas, que vamos apenas mencionar, e então encerramos.
A Palavra profética, ainda mais firme:
À qual fazeis bem em estar atentos, como a uma lâmpada que brilha em lugar imundo, até que o dia amanheça.
E ouçam:
E a estrela da manhã surja em vossos corações.
Já vi a estrela da manhã sobre as montanhas de Judá mais vezes do que consigo lembrar. Mas, toda vez que vejo aquele grande astro luminoso suspenso ali, na parte mais escura da noite, antes do amanhecer, penso no Senhor Jesus como a Estrela da Manhã.
Mas por que se diz:
A estrela da manhã surja em vossos corações.
Ah, querido povo de Deus, por que o Senhor não disse: “Até que a estrela da manhã surja”? Isso significaria a vinda do Senhor Jesus, não é?
Mas Ele não disse isso. Ele disse:
Até que a estrela da manhã surja em vossos corações.
Será que Deus promete, àqueles que dão atenção à Palavra profética, toques especiais, íntimos e gloriosos do Senhor Jesus, para nos capacitar a atravessar esta última fase até que Ele nos leve para estar Consigo?
Até que a estrela da manhã surja em seus corações. Graças a Deus, Ele virá, mas precisamos que a estrela da manhã surja em nosso coração, em vez de ficarmos obcecados e assustados com dragões, serpentes, falsos profetas, bestas, perseguição e tudo o mais.
“Ah, não nos fale mais disso. Não vim à conferência para ouvir esse tipo de coisa. Vim para ser consolado e fortalecido. Não vim para ouvir coisas terríveis assim.”
Mas a questão é esta: a estrela da manhã pode surgir em seu coração. Encare a realidade e deixe a estrela da manhã surgir em seu coração. Então você receberá um toque de Deus, de graça e poder, que o capacitará a atravessar a última fase até que Ele apareça para nos levar para estar Consigo.
Por fim, deixem-me compartilhar estas palavras de Apocalipse 22:7 — as palavras do Senhor Jesus:
Eis que venho sem demora: bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
Não acho que muitos crentes associem profecia com bênção. Profecia com complexidade; profecia com a necessidade de colocar uma bolsa de gelo na cabeça enquanto leem as diferentes interpretações; profecia com confusão; às vezes, profecia com fascínio.
Mas o Senhor Jesus a associa à bênção.
Não é por acaso que o livro de Apocalipse ocupa sua posição final como o último livro da Bíblia. No último capítulo desse livro, quase nas palavras de encerramento, Jesus diz:
Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
Acho que isso não se refere apenas ao livro de Apocalipse, mas se estende por toda a Bíblia, voltando até Gênesis.
Queridos, se Deus realmente nos deu uma Palavra profética para nos guiar, não deveríamos prestar atenção a ela? Não deveríamos começar agora a despertar e nos perguntar: “O que essa Palavra profética realmente nos diz?”
Precisamos da ajuda de Deus para estarmos despertos, alertas, vigilantes e preparados para o que vai acontecer e, acima de tudo, para a vinda do nosso Senhor Jesus.
Vamos orar?
Senhor, guarda-nos de qualquer exagero dessa questão em nossa mente, ou de qualquer desequilíbrio ou excentricidade. Mas, Senhor, desperta-nos para sermos um povo que começa a dar atenção à Palavra profética.
Faze de nós um povo, Senhor, para quem ela se torne uma lâmpada que brilha em lugar escuro, sombrio e imundo, dando luz, dando-nos entendimento, ajudando-nos a evitar os laços, as armadilhas e os obstáculos, e dando-nos compreensão do Teu objetivo e do fim que determinaste.
Querido Senhor, nós nos entregamos a Ti. Que, no coração de muitos de nós, o Senhor Jesus, a Estrela da Manhã, surja com aquele brilho na parte mais escura da noite, anunciando a chegada daquele dia.
Pedimos isso em nome de Jesus. Amém.