Primeiro, Apocalipse 1:8, 17-18:
Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, Aquele Que é, Que era e Que há de vir, o Todo-Poderoso.
Não temas; Eu sou o primeiro e o último, e Aquele Que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.
Apocalipse 21:6-7:
E Ele me disse: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Aquele que vencer herdará estas coisas; e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho.
Apocalipse 22:13:
Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.
Hebreus 12:1-2:
Portanto, também nós, visto que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos envolve, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à direita do trono de Deus.
Vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração?
Pai celestial, mais uma vez Te agradecemos por estarmos aqui, na Tua presença. Com toda simplicidade, Senhor, ao nos aproximarmos da Tua Palavra, pedimos que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento do Senhor Jesus.
Senhor, precisamos que este último período juntos não seja apenas um esboço da verdade ou uma definição de doutrina. Queremos que seja mais do que isso, Senhor. Queremos nos encontrar Contigo e pedimos, Senhor, que faças a Tua Palavra tornar-se viva para nós.
Concede, Senhor, que essa Palavra venha habitar em nós. Concede que seja uma Palavra implantada, que recebamos nesta manhã. Querido Senhor, concede-nos isso, nós Te pedimos.
Mais uma vez Te agradecemos pela unção para ouvir e para falar, que nos tens providenciado. Pela fé, nós a recebemos, para que este seja, Senhor, um tempo de capacitação divina e, portanto, de realização divina. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, o encargo que tenho compartilhado com vocês nas reuniões noturnas desta semana tem sido inteiramente relacionado à fé viva: o que ela é, sua necessidade e a necessidade de exercê-la.
Aqui estamos outra vez, no fim de mais uma conferência. Cada vez que chegamos ao fim destas conferências, pergunto-me se teremos outra. Não apenas se é certo realizarmos outra, ou se o Senhor vai nos dirigir a realizá-la ou não, mas às vezes me pergunto se as condições internacionais poderão tornar completamente impossível, por exemplo, que alguém como eu esteja presente numa ocasião como esta.
Nestes dias, percebemos que as condições estáveis de cerca de uma década atrás estão passando rapidamente, e estamos entrando em tempos de grande tribulação, grandes mudanças e grandes perigos.
Então, aqui estamos outra vez, no fim de mais uma conferência. Como estes dias passam depressa! E como é maravilhoso podermos nos reunir, compartilhar juntos, ver o Senhor juntos e experimentá-Lo juntos.
Agora, quero dizer uma última palavra sobre a fé viva. Quero falar sobre a fé viva e o propósito final do Senhor. Não a fé viva e o fim, mas a fé viva e o propósito final do Senhor.
Talvez alguém se pergunte o que queremos dizer com o propósito final do Senhor, mas temos aquela pequena expressão maravilhosa em Tiago 5:11, quando somos chamados a observar a paciência e a perseverança de Jó, e a observar o fim que o Senhor lhe deu. Qual era a intenção do Senhor? Qual era o objetivo do Senhor?
Então, vocês podem entender isso como a fé viva e o objetivo de Deus, ou a fé viva e a intenção de Deus, ou a fé viva e o propósito final do Senhor. Porque o Senhor tem um objetivo para você e para mim. O Senhor tem um objetivo para aquele grupo de crentes do qual você e eu fazemos parte. O Senhor tem um objetivo para o serviço que Ele confiou a você e a mim.
Queremos considerar isso por alguns momentos. Sabe, todos nós podemos começar com fé. Temos de começar com fé. Não há outra maneira de entrar na salvação de Deus, na família de Deus, na casa de Deus, no reino de Deus, senão por meio do dom da fé viva.
É assim que cada ser humano, independentemente de raça, cor, nacionalidade, classe social, temperamento ou condição, entra. Todos nós entramos da mesma maneira:
Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Sabe, uma coisa é entrar com fé. Outra coisa é terminar com fé. Já tenho idade suficiente para ter visto muitas pessoas começarem com grande fé — uma fé viva e prática — e hoje não estarem em lugar nenhum.
Uma coisa é, quando somos jovens, começar com toda a grande emoção de ter uma vida pela frente, com tudo novo, ainda sem desilusões, ainda sem o desânimo causado pelas circunstâncias ao nosso redor, e assim por diante; começar com grandes esperanças, grandes ideais e certa medida de fé verdadeira. Outra coisa é terminar a carreira.
Como são poucos os crentes que chegam ao fim sem sair do rumo! Quando olhamos para a história da igreja, como são poucos os movimentos do Espírito de Deus que terminaram com o Espírito de Deus. Começaram com o Espírito e terminaram com a carne.
Jesus disse isso não uma vez, mas várias vezes. Primeiro, o Senhor Deus Todo-Poderoso declara em Apocalipse:
Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor, Aquele Que é, Que era e Que há de vir.
Depois, o Senhor Jesus diz, não uma vez, mas várias vezes:
Eu sou o primeiro e o último. Eu sou o princípio e o fim. Eu sou o Alfa e o Ômega.
Ele não é apenas o princípio; Ele é o fim. O antigo pregador disse, como está registrado em Eclesiastes 7:8:
Melhor é o fim de uma coisa do que o seu princípio.
Portanto, se é maravilhoso começar com o Senhor, é muito mais maravilhoso terminar com o Senhor.
Se o Senhor nos introduziu em algo tremendo e maravilhoso — insondável em graça e riquezas, plenitude e poder —, qual será o desfecho de tudo isso?
Cada um de nós que realmente provou do Senhor sabe como é maravilhoso, como é extraordinário começar com o Senhor, ver o Senhor. Quanto mais maravilhoso será terminar com Ele, chegar ao propósito final do Senhor.
Não precisamos apenas de fé para começar; precisamos de fé para completar. Precisamos de fé para terminar, de fé para chegar ao objetivo de Deus para você, para mim e para nós juntos.
Em primeiro lugar, a fé viva e eu mesmo; a fé viva e você mesmo. Bem, não estou pensando naquele terrível ego. Estou pensando apenas em você. Poderíamos dizer: a fé viva e você pessoalmente.
Há uma pequena palavra maravilhosa em Filipenses 1:6. Observem uma das coisas lamentáveis em nossas novas versões: ao tentar atualizar completamente a linguagem, naturalmente, no inglês moderno não temos como saber se “you” está no plural ou no singular.
Mas, na versão antiga — e não estou dizendo que todos devam usá-la, como aquela senhora que disse: “A versão King James era boa o suficiente para São Paulo, então é boa o suficiente para mim” —, não acho necessariamente que vocês devam usar a versão de linguagem antiga. Mas ela é útil no sentido de que, na versão antiga, “ye” sempre se refere ao plural, a todos nós, e “you”, a cada um de nós individualmente.
É isto que o Espírito Santo diz por meio do apóstolo Paulo:
Tendo por certo isto mesmo: que Aquele Que começou boa obra em vós há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo.
Tendo por certo isto mesmo: que Aquele Que começou boa obra em você há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo. Que palavra maravilhosa! Que palavra maravilhosa para encerrar uma conferência, vocês não acham? Eu acho.
Ouçam novamente: a maravilhosa certeza, a segurança que há nisso. Tendo por certo isto mesmo: que Ele — não você, não nós, não eu, mas Ele, o Senhor Jesus —, Que começou boa obra em você, há de aperfeiçoá-la.
Isto é, levá-la à plena maturidade; levá-la à conclusão; levar você ao objetivo que já estava contido naquele início da boa obra; levá-la ao propósito final do Senhor. Aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo.
Sabe, muitos cristãos quase têm medo da vinda do Senhor. Pensam: “Ah, como será terrível se o Senhor vier amanhã e eu não estiver realmente preparado!”
Então, temos uma espécie de guerra civil dentro de nós. Por um lado, queremos que o Senhor venha e acabe com toda esta confusão, estabeleça aquele reino de justiça e paz e, de alguma maneira, traga ao mundo o governo de Deus — não apenas interiormente, mas também exteriormente.
Todos nós queremos isso e, no entanto, em outro sentido, temos muito medo. Pensamos, diante da chegada daquele dia: “Será que realmente terei prosseguido com o Senhor? Estarei preparado para a vinda do Senhor? Estarei preparado para ver o Senhor? Ficarei envergonhado quando finalmente estiver diante Dele? Será que então desejarei ter resolvido as questões da minha vida, ter sido realmente dedicado a Ele, ter pago o preço do discipulado?”
Não há necessidade de ter esses temores. Nenhum de nós jamais sentirá que é perfeito. Quanto mais nos aproximarmos do Senhor, mais conscientes ficaremos de como realmente somos diferentes Dele.
À medida que nos aproximarmos do Senhor, ficaremos mais conscientes do que precisa ser feito em nossa vida para nos conformar à imagem do Filho de Deus. Mas, se tão somente andarmos com Deus e dermos esses passos em fé viva, dia após dia, semana após semana, ano após ano, não teremos nada a temer quando o Senhor vier.
Viva de acordo com a luz que Deus lhe deu. Seja absolutamente obediente à direção do Espírito Santo em sua vida, custe o que custar. Faça o que Ele diz, e você não precisará temer a vinda do Senhor.
Você poderá estar diante Dele revestido da Sua justiça e sabendo, ao menos, que prosseguiu com Ele.
Sempre achei algo muito maravilhoso que C. T. Studd, aquele grande pioneiro do evangelho em muitas partes do mundo, especialmente na África Central, ao morrer, tenha dito: “Há uma coisa que posso dizer: com todos os meus erros e falhas, tudo o que o Senhor me disse para fazer, eu fiz”.
Que maneira maravilhosa de entrar na presença do Senhor! Não se pode pedir mais de um servo.
Sabe, quando se tinha um criado — não que hoje em dia alguém tenha criados, mas quero dizer nos bons e velhos tempos, quando havia criados —, não se procurava uma linhagem ilustre nele. De nada adiantava alguém se apresentar com sangue nobre, uma longa ascendência aristocrática e uma série de títulos acadêmicos depois do nome, se não sabia ouvir.
A única coisa exigida de um servo era ouvir e obedecer.
Às vezes, pensamos que, contanto que saibamos tudo, Deus ficará muito satisfeito. Deus não Se agrada do conhecimento em si, se ele nos torna independentes do Senhor, se nos ensoberbece. O que o Senhor quer encontrar é um espírito ensinável, um ouvido atento: alguém que ouça o que Ele diz e faça.
Agora, vamos examinar mais um pouco essa questão. Tendo por certo isto mesmo: que Aquele Que começou boa obra… Ele começou uma boa obra em você? Você foi salvo? Nasceu do Espírito de Deus? Começou a dar aqueles primeiros passos de fé no Senhor, acertando as coisas, obedecendo ao Senhor, prosseguindo com o Senhor? Muito bem.
Então, Aquele Que começou essa boa obra em você há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo. Em outras palavras, da parte de Deus, Ele assume toda a responsabilidade de levar você do princípio ao fim — do seu começo ao objetivo que Ele estabeleceu para você.
Ele assume a responsabilidade. Se você não chegar lá, será simplesmente por desobediência da sua parte ou da minha.
Quando abrimos em Romanos 8:29, lemos:
Porque aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Que palavra maravilhosa! Mais uma vez, ouçam a certeza da Palavra de Deus. Aos que Ele de antemão conheceu, também de antemão destinou, ou predestinou, para serem conformes à imagem de Seu Filho.
Portanto, toda a predestinação de Deus está por trás da sua transformação à semelhança do Senhor Jesus, de você ser conformado à imagem do Filho de Deus. Como isso é maravilhoso: para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Aqui está o nosso problema. Não é conhecimento, é? Não é zelo. É se você e eu estamos sendo transformados — transformados à semelhança do Filho de Deus.
2 Coríntios 3:18 diz:
Mas todos nós, com o rosto desvendado, contemplando como em espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
Sabe, alguns cristãos têm o rosto coberto por um véu porque, depois de encontrarem o Senhor no início, não continuam se voltando para Ele. Se queremos ter o rosto desvendado, precisamos estar sempre, por assim dizer, voltando-nos em espírito para o Senhor. Temos de depender do Senhor.
Então contemplamos, como em espelho, a glória do Senhor. Não vemos a plena glória do Senhor, mas a vemos de maneira pouco nítida, num daqueles espelhos de metal. Se vocês já viram um daqueles espelhos antigos, sabem que é possível enxergar o rosto até certo ponto, mas não com a clareza com que um dia veremos, quando estivermos na presença do próprio Senhor.
Hoje vemos a Sua glória como em espelho, obscuramente, de maneira um tanto indistinta. Mas nós a vemos e, ao contemplarmos a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, transformados à Sua semelhança, de glória em glória.
Você tem problemas? Bem, posso lhe dizer uma coisa: se não tem, venha falar comigo. Tenho andado com o Senhor há muitos anos e ainda tenho muitos problemas. Na verdade, acho que meus problemas são maiores hoje do que eram antes.
Dificuldades, problemas, montanhas que se interpõem no caminho de você ser conformado à imagem do Filho de Deus. Você pergunta: “Mas do que está falando?” Vou mencionar uma porção de coisas.
Em primeiro lugar, há as pessoas difíceis nas minhas circunstâncias. Todos têm pessoas difíceis nas suas circunstâncias. Todos nós. Às vezes é o marido, às vezes a esposa, às vezes os filhos, às vezes os pais; mas todos têm dificuldades.
Às vezes é o patrão, às vezes um empregado, mas todos têm aquela pessoa que consegue acabar com a sua santificação. Você vem a uma conferência como esta, e ela pode parecer tão maravilhosa. Volta para casa nas nuvens, mas não demora muito para aquela pessoa fazer você pôr os pés no chão outra vez.
Problemas. Muitas vezes, é o nosso relacionamento com essas pessoas problemáticas que, de alguma maneira, impede que sejamos aperfeiçoados até o dia de Jesus Cristo. Ah, se pudéssemos enxergar que elas são um tesouro de Deus!
Acho que todos vocês já ouviram a história de Charles Haddon Spurgeon: havia uma senhora que lhe escrevia toda segunda-feira, depois de ele pregar no domingo. Ela começava apontando todos os erros gramaticais dele. Depois passava aos erros de pronúncia. Em seguida, às ilustrações: se as considerava vulgares ou mal elaboradas. Por fim, terminava comentando o conteúdo da mensagem.
É difícil acreditar que esse servo ungido do Senhor, um dos maiores pregadores que a Inglaterra já conheceu, fosse levado a um estado de neurose pela carta daquela irmã toda segunda-feira. Sua tensão por causa da carta era tão grande que ele passava noites inquietas e sem dormir, imaginando o que ela diria sobre o domingo seguinte.
Não é impressionante? Milhares de pessoas vinham ouvir Spurgeon, milhares eram abençoadas e centenas se convertiam semana após semana — conversões verdadeiras. No entanto, aquela única carta, daquela única irmã um tanto venenosa, levava o grande servo do Senhor a um estado de completo desamparo e desolação.
Por fim, ele disse à esposa que precisavam orar para que aquela pessoa fosse removida, de um jeito ou de outro. Caso contrário, seu ministério chegaria ao fim.
Então oraram e oraram. Certo dia, enquanto Spurgeon orava, o Senhor lhe disse: “Você quer que Eu retire o seu tesouro?”
Ele respondeu: “Tesouro? Do que estás falando?” E o Senhor lhe disse: “Essa pessoa é o seu tesouro”.
Ele perguntou: “Como ela pode ser um tesouro?” O Senhor disse: “Porque estou formando um tesouro em você”.
A partir daquele dia, Spurgeon deu um novo passo no Senhor e passou até a esperar pela carta da senhora. As cartas continuaram até o fim de seu ministério. Somente no final ele descobriu quem ela era.
Bem, todos nós temos problemas. Curiosamente, quando vocês pensam em mim, talvez imaginem que aquilo que me abateria seria algo enorme: um problema do tamanho de um elefante, algo que passasse por cima de mim e me destruísse.
Mas nem sempre é assim. É impressionante o que pode atingir um servo do Senhor. É impressionante o que pode derrubar você. Outra coisa: o que derruba você não me derruba. Posso quase rir daquilo que está abatendo você e, no entanto, para você aquilo é um mensageiro satânico, algo capaz de destruí-lo, algo que destrói o seu prosseguir com Deus.
Querido povo de Deus, só há uma maneira de enfrentar essas montanhas na nossa vida pessoal, essas dificuldades, esses problemas: com fé viva. O Senhor disse ou não disse que Aquele Que começou essa boa obra em você há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo?
Como o Senhor foi gracioso em não dizer: “Aquele Que começou essa boa obra em todos vocês”. Então poderíamos dizer: “Ah, isso me deixa de fora. O Senhor vai fazer isso, mas não em mim. Vai fazer nos outros, mas não em mim”.
Mas Ele não disse isso. Disse: “Aquele Que começou essa boa obra em você há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo”. Aqui está um fundamento para ancorar a fé viva.
O que está impedindo você de prosseguir com o Senhor? É algum relacionamento, alguma pessoa que representa um verdadeiro problema para você? Ou talvez seja algo completamente diferente. Talvez seja alguma coisa que você herdou da sua história familiar.
As pessoas têm complexos estranhos e dizem: “Bem, herdei isso da minha família. Meu avô era assim, depois uma das minhas tias era assim e, naturalmente, minha mãe era assim. Receio que eu também tenha isso”.
Seja o que for, percebo que, ao aconselhar as pessoas, essa questão aparece mais do que qualquer outra. As pessoas voltam e dizem: “O que posso fazer? Não consigo. Não adianta”.
Agora, escute: quando Deus salvou você, não vai me dizer que Ele não sabia quem você era, que não conhecia seu avô, sua tia, sua mãe e você. Vai me dizer que Ele não conhecia você quando estava no ventre da sua mãe? Que Ele não acompanhou a formação da sua personalidade e do seu temperamento, embora você tenha nascido em pecado?
Deus sabe tudo a seu respeito e sabe tudo sobre seus antepassados. Na verdade, sabe muito mais do que você. A maioria de vocês, especialmente por serem americanos, não sabe muita coisa sobre seus antepassados. Mas Deus sabe tudo — tudo.
Não existe um complexo herdado na vida natural que o Espírito Santo não seja capaz de tocar e vencer. Não existe um pensamento, de alguma maneira entranhado em nosso temperamento, que o Espírito Santo não possa, de modo maravilhoso, neutralizar.
Se for um desequilíbrio, algum excesso que faça parte da sua personalidade, o Espírito Santo é capaz de lidar com isso. O que precisamos é de fé viva. Não precisamos de uma quantidade enorme de fé, maior do que o nosso problema. Precisamos de um grão de fé num grande Deus, Que prometeu fielmente aperfeiçoar essa boa obra até o dia de Jesus Cristo.
Você consegue realmente crer, apesar de si mesmo, que Aquele Que começou uma boa obra em você há de aperfeiçoá-la? Poderia dizer pela fé, antes que esta reunião termine: “Senhor, Tu vais me conformar à imagem do Teu Filho. Hoje eu recebo isso”?
“Se nunca recebi isso antes, por mais insignificante e indigno que eu seja, com todos os problemas que tenho na vida, Tu vais fazê-lo, porque Tu o disseste. Ah, dá-me graça para ser obediente.”
Essa é a chave: obediência. Não fique apenas falando de fé. A questão é a obediência.
Não teria ajudado ninguém se Abraão tivesse dito: “O Deus da glória apareceu a mim e me mandou sair de Ur dos caldeus. Não é maravilhoso?” “Você crê, Abraão?” “É claro que creio.” “Quer dizer que Deus apareceu?” “É claro que Deus apareceu a mim.”
“E para onde Ele está indo?” “Não sei. Só sei que há uma cidade maravilhosa que tem os fundamentos.” No entanto, ele fica em Ur dos caldeus. Eu lhe pergunto: “Deus não disse: ‘Sai’?” “Bem, sim, é claro que disse, mas tenho grandes problemas. Tenho meu pai, tenho meu sobrinho Ló, tenho Sara e uma porção de outras coisas. Ainda não tivemos filhos. Acho que seria uma boa ideia ficar em Ur dos caldeus, numa situação estável, e formar uma família. Depois, quando as crianças estiverem um pouco maiores, iremos.”
Jamais teria existido uma história da fé de Abraão, porque a fé de Abraão não estava apenas aqui na cabeça. Ela se evidenciou em sua obediência.
Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.
Meu ponto é este: Deus poderia levar você e a mim a uma posição de fé quanto a nós mesmos — quanto à nossa insignificância, à nossa indignidade, aos problemas que existem na nossa vida?
Poderíamos falar a palavra de fé sobre nós mesmos, às montanhas que existem na nossa vida, e dizer: “O Senhor vai realizar esta obra. Esta montanha se tornará uma planície diante do meu Senhor, diante do Senhor na minha vida, porque Ele tem um interesse pessoal em me levar ao Seu propósito final”?
Quero tomar o partido de Deus contra mim mesmo. Ah, se vocês aprenderem a tomar o partido de Deus, se necessário contra si mesmos, para que Ele possa realizar essa obra maravilhosa em vocês!
Há tantos problemas. Posso dizer mais uma coisa sobre isso? Assim que você der esse passo, pode ter certeza de que o inimigo vai amontoar mais alguns problemas sobre você.
O inimigo é mestre em “fantasmizar” as coisas. Em outras palavras, sempre me interesso muito pelo inglês americano. Acho incrível que vocês deste lado do Atlântico, que simplificaram tanto a vida em muitos aspectos, em comparação com nosso modo conservador de viver do outro lado, agora estejam adotando palavras incrivelmente compridas. Eu adoro isso. É muito interessante, mas eu mesmo não conseguiria fazer.
Aqui vai uma nova para vocês; tenho certeza de que não conseguiríamos dizê-la do meu lado. Satanás gosta de “fantasmizar” as coisas. Isto é, gosta de ampliar alguma coisa a dimensões enormes diante dos nossos olhos, porque sabe que, se olharmos para as aparências, vamos tremer de medo, desmoronar e ficar paralisados.
O curioso é que, se avançarmos, descobriremos que o fantasma encolhe até se tornar o que realmente é: algo às vezes muito pequeno, e às vezes algo que nem sequer existe.
Vocês se lembram da história de Cristão em O Peregrino? Lembram-se de quando ele chegou àquele lugar que parecia um cemitério e, dos dois lados, havia ossos esbranquiçados, branqueados, aparentemente de peregrinos anteriores? Não acho que fossem; acho que tinham sido preparados pelo inimigo. Mas, de qualquer modo, era o que pareciam: peregrinos anteriores.
Ao olhar, ele viu dois leões rugindo. Cristão perdeu toda a fé, ficou paralisado e disse: “Ah, não posso avançar”. Mas o Senhor disse: “Avance. O caminho segue em frente”. Mesmo assim, ele não conseguia avançar. Disse: “Se eu passar por ali, dentro de alguns anos serei como aqueles ossos. Serei devorado por esses leões”.
Mas, por fim, a voz disse: “Avance”. Cristão respondeu: “Vou avançar. Vou confiar Nele”.
Ainda que Ele me mate, Nele confiarei.
Ele avançou e, para seu espanto, descobriu que os leões estavam acorrentados.
Descobriu que podia passar bem entre os dois leões, de modo que, quando eles estendiam as patas, ainda havia uma pequena margem para ele atravessar. Entendem?
O inimigo fará isso com você. Ele tem alguns leões, e você não consegue ver as correntes. Só a fé consegue ver as correntes. Você pensa: “Esses leões vão me devorar. Não adianta. Não posso avançar nisso. Não posso fazer isto. Não posso fazer aquilo. Não consigo vencer esse problema no meu temperamento. Não consigo vencer esse problema na minha família”.
Escute: esses leões estão acorrentados. Você encontrará um caminho bem pelo meio deles, e esse é o caminho da fé. Nada mais fará você avançar, até que esteja disposto a prosseguir em obediência resoluta ao Senhor, confiando Nele.
Ah, como precisamos de fé viva para nós mesmos, não é? Às vezes penso que podemos falar até perder o fôlego sobre a vida da igreja e a necessidade de funcionar como igreja, mas, francamente, quando todos estamos sentados ali com problemas enormes, a respeito dos quais não temos fé alguma, como alguém pode participar?
Cada um tem um problema tão grande, ou problemas tão grandes, que sente que não pode fazer nada de qualquer maneira. Vocês descobrirão que não há como avançar sem fé viva.
Que Deus lhes dê fé viva, tendo por certo isto mesmo — isto mesmo. Não procure escapar disso. Isto mesmo: que Aquele Que começou boa obra em você há de aperfeiçoá-la até o dia de Jesus Cristo. Que Deus nos ajude.
Depois há outra questão: a fé viva na igreja. Estou pensando na igreja aqui na terra. Estou pensando na nossa comunhão nas localidades de onde viemos.
Penso nesta pequena palavra em 1 Coríntios 1:8-9:
O Qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Ah, que objetivo maravilhoso Deus estabeleceu para a comunhão do Seu povo! Como Ele deseja que realmente entremos na realidade de tudo aquilo de que nosso irmão Stephen tem falado sobre a unidade do Espírito.
Ah, os problemas que temos de vencer, as dificuldades que, de alguma maneira, precisam ser enfrentadas com fé viva. Às vezes, não é apenas uma questão de desunião; às vezes é uma questão de participação.
Muitos de nós ficamos sentados como patos mortos em qualquer reunião cristã. Apenas sentados, absorvendo tudo, sem nunca dar nada, sem nunca participar, sem nunca nos envolver, sem nunca nos comprometer. Não há possibilidade de vida da igreja nisso. Não há possibilidade de comunhão genuína.
A comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor, só pode ser um compartilhar. Fiel é Deus, por Quem vocês foram chamados ao compartilhar do Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
Essa igreja em Corinto tinha algumas coisas maravilhosas, sabem? Se vocês lerem 1 Coríntios 1:5-6, verão:
Em tudo fostes enriquecidos Nele, em toda palavra e em todo conhecimento; assim como o testemunho de Cristo foi confirmado em vós.
Que grupo maravilhoso! De fato, se não conhecêssemos todos os problemas que esse grupo tinha, ficaríamos simplesmente cheios de admiração e reverência. Que grupo maravilhoso de crentes: enriquecidos em tudo, sem lhes faltar dom algum, com o testemunho de Cristo confirmado neles.
Ficaríamos tão animados se cada um dos grupos de crentes representados aqui hoje tivesse o testemunho de Cristo confirmado em seu meio. Diríamos: “Deus está fazendo algo na América. Algo realmente está acontecendo nessa questão de o Espírito de Deus recuperar a natureza da igreja”.
O testemunho de Cristo está confirmado neste grupo, naquele grupo e naquele outro. Estão enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento. Compreendem o propósito final do Senhor. Compreendem o propósito eterno de Deus. Não apenas conhecem o propósito redentor de Deus; compreendem o Seu propósito eterno.
Ah, que dons profundos, sem faltar nenhum! Que maravilha! Teríamos bons motivos para ficar entusiasmados.
Mas esse grupo tinha tantos problemas: tantas facções, tantas divisões, pessoas se alinhando atrás de personalidades, de ensinamentos e de todas essas outras coisas. Não preciso falar muito sobre isso, porque já tivemos bastante ministração a respeito.
Mas vejam os problemas, se não os enfrentarmos. Ah, aquele querido apóstolo Paulo! Alguns de nós — eu, em particular — teríamos desistido desse grupo logo no início. O primeiro sinal de imoralidade, depois divisão, depois processos judiciais entre eles… Bem, eu não teria querido mais nada com aquela confusão.
Uma vergonha. Trazendo descrédito ao nome do Senhor. Que grupo desagradável! Mas olhem para o apóstolo Paulo. Que atitude de fé viva!
Sabem, em uma passagem ele diz algo que considero muito belo:
Eu vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como virgem pura.
Que atitude de fé viva!
Ele disse:
Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.
Que atitude de fé viva!
Todas aquelas pessoas, com toda a sua confusão, com todas as suas facções, e entra o apóstolo Paulo dizendo: “Vou encontrar o Senhor em vocês. Vou me apegar ao Senhor em vocês e não vou ficar olhando para todo o resto. Creio que Deus tem um propósito para vocês. Ele tem um objetivo final e vai levá-los até lá”.
Ah, às vezes penso nesse apóstolo amado, por vezes debilitado na saúde, com um mensageiro de Satanás para esbofeteá-lo, e ele escreve uma carta. Às vezes as pessoas dizem que é uma carta inferior. Não sei se realmente concordo.
Dizem que Efésios é o ponto mais alto e Coríntios é o mais baixo. Não tenho tanta certeza disso. Quando leio 1 Coríntios 12, vocês não acham que é um capítulo impressionante? Quando leio 1 Coríntios 13, chegamos a uma das questões centrais do coração de Deus. Quando lemos 1 Coríntios 15, existe alguma coisa no mundo comparável àquele extraordinário capítulo sobre a ressurreição de Jesus Cristo?
Ali está o apóstolo derramando todas essas riquezas sobre um grupo que, de certo ponto de vista, vale realmente muito pouco. Somente a fé viva poderia fazer isso; nada mais.
Pergunto-me se temos fé viva em toda essa questão do grupo de crentes no qual estamos. Cremos realmente que o Espírito Santo é capaz de vencer os problemas que nos confrontam? Ele é capaz de resolver, capaz de desatar os nós.
Cremos realmente que Deus pode me dar uma atitude tal que eu consiga preservar a unidade do Espírito? Fé viva nesse grupo do povo de Deus.
Que Deus nos ajude nessa questão. Deus tem um propósito para nós, sabem? Os problemas só são permitidos por Deus para fazer aparecer o que há de Cristo em nós.
Há uma pequena palavra nessa carta aos coríntios, em 1 Coríntios 11:19, que diz:
Porque importa que haja também facções entre vós, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós.
Sempre achei essa uma das declarações mais notáveis da carta. É necessário que haja facções entre vocês, para que os aprovados por Deus se tornem manifestos. Em outras palavras, esses problemas são permitidos por Deus para fazer aparecer o que há de Cristo em nós.
Que Deus nos dê uma atitude de fé viva, para que possamos vencer onde Ele nos colocou e vencer no nosso relacionamento com nossos irmãos e irmãs. Sem fazer concessões indevidas, sem escolher o que é meramente conveniente, sem jamais negar, nem por um minuto, a visão celestial ou desobedecer a ela; e, ainda assim, permanecendo unidos aos nossos irmãos e irmãs.
A fé viva e a igreja: ela será edificada? Deus poderá realizar a obra que deseja fazer em todos nós?
Deixem-me dizer algo sobre a fé viva no serviço. Se vocês abrirem em 2 Timóteo 4:5-8, as palavras do apóstolo Paulo são:
Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre o teu ministério. Porque eu já estou sendo oferecido como libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé: desde agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que têm amado a Sua manifestação.
O serviço de Deus: Deus confiou algum serviço a você? Deus lhe deu algum ministério? Ele lhe deu alguma responsabilidade, chamou você para alguma coisa?
Vou lhes dizer uma verdade. Se Deus lhe deu alguma coisa, é fácil começar. Ah, quantos jovens, especialmente rapazes, mas também moças, começam no serviço do Senhor com grandes expectativas e elevadas esperanças, cheios de visões de poderosas atuações do Espírito Santo, despertamentos, avivamentos e restaurações por toda parte.
Começamos e, em pouco tempo, descobrimos que o povo do Senhor é tão difícil. Os problemas no serviço.
O irmão Stephen falou de um servo do Senhor que morreu de fome porque seus irmãos e irmãs não cuidaram dele. Posso lhes dizer que há muitos servos do Senhor tão maltratados pelo povo do Senhor que isso certamente deve acabar atraindo alguma ira do Senhor sobre essas pessoas.
Isso não significa que não existam outros servos do Senhor que vivem muito bem e que, às vezes, receio dizer, por meios fraudulentos, pregam um evangelho de lucro. Mas há tantos servos do Senhor que sofrem.
É algo que me impressiona quando viajo pelo mundo: ver como o dinheiro é despejado em coisas falsas e como, muitas vezes, aquilo que é de Deus passa por dificuldades muito, muito grandes.
Esse é apenas um aspecto da vida de um servo do Senhor. Stephen mencionou, em nossos encontros de liderança, como é maravilhoso quando alguém consegue se sustentar. De fato é, mas é preciso ter aptidão para isso.
O apóstolo Paulo era realmente notável, capaz de fazer tendas. Era seleiro. Como devia ser habilidoso! Eu adoraria ter visto aquele homem trabalhando, costurando as coisas. Que coisa extraordinária devia ser para alguns daqueles santos ter uma tenda feita pelo apóstolo Paulo. Pensem nisso.
É que vocês só pensam em barracas de acampamento. Muitas daquelas pessoas moravam em tendas. Viver em tendas fazia parte da vida na Ásia Menor, como ainda faz hoje.
Mas o sustento financeiro é apenas um aspecto entre muitas coisas no serviço do Senhor. Há tantos problemas no serviço do Senhor.
Cumpre o teu ministério. Reaviva o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.
Somente se tivermos fé viva reavivaremos o dom que há em nós. Vejam, podemos começar com o entusiasmo inicial de receber um dom, um chamado, um ministério que nos foi confiado. Tudo é maravilhoso quando começamos, mas, depois de algum tempo, o fogo diminui.
As próprias circunstâncias dentro de nós, dentro da nossa família, nos nossos relacionamentos mais próximos, às vezes podem levar um servo do Senhor a um ponto em que ele fica desgastado pela luta.
Às vezes é o povo do Senhor. Não se importa. Não ora. Não encoraja, porque não queremos encorajar o que está errado.
Mas a maioria das pessoas dirá alguma coisa quando houver algo errado na vida de alguém, enquanto pouquíssimas darão encorajamento. Todos somos assim. Não encorajamos o que é de Deus, mas apontamos o que não é.
Fé viva da parte daqueles que foram chamados ao serviço. Deus lhe deu um ministério? Ele quer que esse ministério seja cumprido. Há uma carreira que você deve correr? Ele quer que você chegue ao fim dela. Quer que você a termine.
Há uma fé que Ele confiou a você? Ele quer que você a guarde. Que Deus nos ajude nessa questão.
Quanto maior o ministério, maiores os problemas e as dificuldades, as montanhas que Deus permitirá que surjam em seu caminho. Essas montanhas são apenas um meio de experimentar o Senhor em medida mais profunda e de atravessar tudo com esta confiança: “Este ministério que Deus me deu vem Dele mesmo”.
Então, queridos, deixem-me concluir: a fé viva em relação ao objetivo último.
Em Apocalipse 21:9-10, temos aquela visão final da Bíblia:
E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, tendo a glória de Deus.
A fé viva e o objetivo último. Não é um engano nem uma coincidência que a Bíblia termine com a noiva, a esposa do Cordeiro, a cidade de Deus.
Que combinação extraordinária: noiva, esposa, cidade. Já disse isso a alguns de vocês. É uma combinação extraordinária de figuras e tipos. Ninguém pensa na própria esposa como sua cidade, ou como uma cidade. Algumas esposas talvez se pareçam um pouco com fortalezas e sejam um tanto quadradas, mas ninguém pensa na própria esposa como sua cidade.
Ninguém pensa numa cidade como uma noiva. As duas coisas são tão diferentes e, no entanto, a Bíblia termina com uma esposa, uma noiva, que também é uma cidade.
Quando a Bíblia começa, começa com um jardim, mas termina com uma cidade. Começa com um homem e uma mulher unidos em casamento, mas termina não com um casamento terreno, e sim com um casamento eterno. Como isso é extraordinário!
Naturalmente, uma noiva ou esposa simboliza e expressa o relacionamento mais íntimo conhecido pela humanidade: uma comunhão de amor, uma comunhão de compreensão mútua, uma comunhão entre dois seres humanos, um complementar do outro.
Isso fala de amor, de compartilhar, de união e de comunhão.
É assim que a Bíblia termina, como se Deus estivesse dizendo: “Não coloquem nada mais em primeiro lugar. O que mais desejo, acima de tudo, é o amor do Meu povo. Eu os amei. Desejo o amor deles. Dei-Me a eles. Quero que eles se deem a Mim”.
“Quero levá-los à união Comigo, para que dessa união haja comunhão para sempre. Não quero uma burocracia eterna, um funcionalismo público eterno de tecnocratas: aqueles que conhecem a técnica, aqueles que conhecem os regulamentos, aqueles que sabem executar as leis e tudo o mais. Não é isso que quero.”
“Quero um relacionamento de coração com o Meu povo para sempre. Quero aqueles que respondam a Mim, que estejam vivos, que sejam amorosos — não frios —, amorosos, receptivos. Isso é o que o Senhor requer acima de tudo.”
Ah, meus queridos irmãos e irmãs, quando olhamos para toda essa questão, vocês conseguem perceber como Deus anseia por uma noiva? Como Ele anseia por essa esposa do Cordeiro? Como Ele nos conduz pelo Seu caminho?
Em que precisamos de fé viva nisso? No fato de que o amor de muitos pode esfriar porque a iniquidade se multiplica. Que desculpa!
A iniquidade se multiplica por todos os lados e, aparentemente, o Senhor não intervém. O Senhor não torna as coisas mais fáceis. Ele não faz nada imediatamente. Porque a iniquidade se multiplica, o nosso amor pode ser eclipsado.
Temos perguntas sobre o Senhor. Temos perguntas sobre o amor de Deus. Temos perguntas sobre a misericórdia e a compaixão de Deus. Precisamos de fé viva.
Ainda que Ele me mate, Nele confiarei.
O perfeito amor lança fora o medo.
Às vezes, se pensamos que o Senhor é um tirano, ou que Ele é mesquinho, sem misericórdia, indiferente, egoísta, ou que busca apenas os Seus próprios fins, o medo entra em nosso coração: medo de nos entregarmos a Ele, medo de nos submetermos à Sua vontade, medo de prosseguirmos com Ele.
Mas o perfeito amor lança fora, expulsa, toda essa desconfiança do Senhor. Precisamos de fé viva.
Ninguém jamais será um vencedor, ninguém jamais fará parte daquela noiva, daquela esposa do Cordeiro, se não tiver exercido fé viva ao longo de todo o caminho, se não tiver andado pela fé do princípio ao fim.
A fé viva e o objetivo último.
Deus não está interessado apenas em que você tenha visão. Ele quer que você tenha visão. Deus não está interessado apenas em que você compreenda e reconheça qual é o Seu propósito final. Ele quer que você o compreenda e reconheça.
Deus quer você. Ele não ficará satisfeito com nada menos do que você.
Sabe, há pessoas com quem você pode ter amizade, mas não com quem poderia viver em casamento para sempre. Há muitas, muitas pessoas com quem você pode ter boas amizades, bons relacionamentos próximos, mas isso não significa que se casaria com elas.
Se você vai se casar com alguém, precisa ser alguém que realmente corresponda à necessidade do seu coração.
Essa questão da noiva e da esposa do Cordeiro é como se Deus estivesse dizendo: “Eu satisfaço a sua necessidade, a sua necessidade mais profunda? Ou você só está interessado em Mim pelo que pode obter de Mim? Você vai receber salvação eterna, alegria, paz e todas essas coisas. É isso que você quer?”
É por isso que Deus conduz aqueles que vencem na vida da igreja, na vida pessoal e no serviço de Deus por caminhos muito estranhos, por caminhos inexplicáveis. Às vezes, Ele lhe dará problemas que não podem ser explicados, de modo que você poderia facilmente deixar de crer no amor de Deus por Ele permitir que você tenha tais problemas.
Ele quer verificar se você realmente O ama. Não é que você perca a salvação, mas pode perder o seu lugar no governo de Deus, no domínio de Deus.
Vejam, o outro aspecto dessa noiva é que ela é um trono. É uma cidade, e nela está o trono de Deus e do Cordeiro. É algo extraordinário.
Jesus disse em Apocalipse 3:21:
Ao que vencer, conceder-lhe-ei assentar-se Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Por que essa questão do trono? Depois de mostrar primeiro que se trata de amor e comunhão, união e comunhão, a segunda coisa que Deus quer lhe revelar é que Ele deseja que você reine. Quer que você seja capaz de governar com o Seu Filho. Quer que você seja capaz de exercer domínio.
Sabem, as primeiras palavras que Deus disse ao homem foram:
Tende domínio.
Por toda a Bíblia, vocês descobrem que a questão central, a grande questão, é autoridade, autoridade, autoridade.
Não só existe um inimigo que se levantou contra a autoridade de Deus, mas nós, seres humanos, achamos quase impossível exercer a autoridade corretamente. Essa é a questão da história humana.
A fé viva e o Filho de Deus. Às vezes me pergunto: será que um dia chegarei ao trono de Deus? Sei que é pela graça de Deus. Mas, se você não consegue ter domínio sobre as situações da sua casa, dos seus negócios, dos seus relacionamentos, da pia da cozinha, dos filhos, será que algum dia poderá governar na eternidade?
Fé viva. Vocês percebem como Deus nos conduz a todo tipo de situação na vida pessoal, na vida da igreja, no serviço do Senhor, que parece nos colocar por baixo?
Deus disse:
Não serás a cauda; serás a cabeça. Não estarás por baixo; estarás por cima. Não precisarás tomar emprestado; emprestarás.
É isso que Deus quer que você e eu sejamos.
A fé viva e o objetivo último. Somente Deus pode me levar àquela cidade.
Aquela cidade, aquela noiva, é feita de ouro, pedra preciosa e pérola. Tudo fala do Senhor Jesus: da vida do Senhor Jesus, da natureza do Senhor Jesus; e cada uma dessas coisas fala de pressão, sofrimento, aflição e tribulação.
Ouro refinado a ponto de ser transparente como cristal. Você nunca viu algo assim. Não apenas todas as impurezas foram retiradas, mas ele foi levado ao ponto de se poder enxergar através dele.
Pedra preciosa formada nos lugares escuros da terra por calor e pressão intensos: tesouros das trevas.
Pérola, formada por um pequeno grão de areia nocivo e desagradável que entra na parte mais delicada da ostra.
Essa é a única maneira pela qual você e eu podemos chegar ao propósito final do Senhor. É por isso que o Senhor diz:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo.
O preço é a experiência. Você está preparado?
Agora quero concluir. Mas você não pode estar preparado sem fé viva. Ninguém permitirá que Deus traga o inexplicável à sua vida se não tiver fé viva.
Ninguém seguirá o Cordeiro por onde quer que Ele vá, com tudo o que isso significa, se não tiver fé viva; se você, com os olhos do coração, não tiver visto o objetivo último de Deus.
Sem isso, você não consegue olhar para a sua aflição como uma leve aflição, que é momentânea e produz para nós um peso eterno e sobremodo excelente de glória. Só consegue vê-la como algo que não está produzindo nada.
Que o Senhor nos ajude, então, nessa questão da fé viva. Posso terminar onde começamos?
Tende fé em Deus.
Em verdade vos digo: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, e disserdes a este monte: Remove-te e lança-te no mar; assim será feito; e nada vos será impossível.
Vamos orar?
Agora, Senhor, com toda simplicidade nos inclinamos na Tua presença e pedimos que o próprio Espírito de fé venha sobre todos nós, fazendo com que aquele pequeno grão de fé viva, enterrado há algum tempo no coração de muitos de nós — inoperante, ineficaz, deixado de lado, ignorado —, aquele pequeno grão de fé viva que Tu nos deste, seja renovado.
Ó Senhor, ajuda-nos, nós Te pedimos, a começar a andar pela fé e não pelo que vemos. Ajuda-nos, Senhor, a viver segundo o princípio da fé.
Ó Senhor, dá-nos uma visão do Senhor Jesus, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé. Senhor, muitos de nós tivemos fé para começar, e Te agradecemos por isso, Senhor. Agora precisamos de fé para terminar.
Dá-nos, Senhor, o tipo de fé que irá até o fim: terminar a carreira, cumprir o ministério, chegar ao Teu propósito final, Senhor, para nós individualmente e para nós coletivamente.
Pedimos tudo isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.