Nesta noite, abram a carta do apóstolo Paulo aos Romanos, capítulo 11.
Digo, pois: rejeitou Deus o Seu povo? De modo nenhum. Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o Seu povo, ao qual de antemão conheceu.
Agora, vejam Romanos 11:7-8:
Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não alcançou; mas a eleição o alcançou, e os demais foram endurecidos. Como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não verem e ouvidos para não ouvirem, até o dia de hoje.
Romanos 11:11-36:
Digo, pois: porventura tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum. Mas, pela sua queda, veio a salvação aos gentios, para os provocar à emulação. Ora, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua perda, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Mas a vós, que sois gentios, digo: visto que sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério; Se de alguma maneira puder provocar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles. Porque, se a rejeição deles é a reconciliação do mundo, que será a sua admissão, senão vida dentre os mortos? E, se as primícias são santas, também a massa o é; e, se a raiz é santa, também os ramos o são. Mas, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre eles e te tornaste participante com eles da raiz e da seiva da oliveira, Não te glories contra os ramos; e, se te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela tua fé. Não te ensoberbeças, mas teme; Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará a ti. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres na Sua bondade; de outra maneira, também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque Deus é poderoso para os enxertar novamente. Porque, se tu foste cortado da oliveira que por natureza é brava e, contra a natureza, enxertado numa boa oliveira, quanto mais estes, que são ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: de Sião virá o Libertador; Ele desviará de Jacó a impiedade. E esta é a Minha aliança com eles, quando Eu tirar os seus pecados. Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, são amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Porque, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, Assim também estes agora foram desobedientes, para que, pela misericórdia demonstrada a vós, também eles agora alcancem misericórdia. Porque Deus encerrou a todos na desobediência, para com todos usar de misericórdia. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis os Seus caminhos! Porque quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro? Ou quem primeiro Lhe deu, para que lhe seja recompensado? Porque Dele, e por meio Dele, e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre. Amém.
Vamos nos inclinar juntos para mais uma palavra de oração?
Pai celestial, já estivemos na Tua presença, adorando-Te, e já entregamos a Ti o nosso tempo. E agora tudo o que pedimos é que, ao nos achegarmos à Tua Palavra, Tu partas para nós o pão da vida.
Senhor, oramos para que, ao abordarmos este assunto tão confuso e tão controverso, Tu nos concedas luz. Ó Pai, nós Te agradecemos pela unção que nos pertence, tanto para falar como para ouvir. Nós nos apropriamos dela, Senhor, em plena medida nesta noite, para que o Teu propósito para este tempo se cumpra e nós, o Teu povo, sejamos instruídos, edificados e desafiados.
Que essa fé viva, que é a Tua dádiva em cada um de nós, seja fortalecida para entrar em ação, nós Te pedimos. E pedimos isso juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Quero falar nesta noite sobre fé viva e Israel. E não peço desculpas pelo assunto.
Porque, como disse ontem à noite, pessoalmente não creio que seja possível compreender os tempos em que vivemos, ou servir ao desígnio de Deus em nossa própria geração, sem compreender duas questões que estão no coração de Deus.
A primeira é toda a questão relacionada à igreja, na qual todos nós nos encontramos pela graça de Deus. Essa questão está bem no centro de todo o conflito que existe desde o princípio dos tempos até hoje. Se não a compreendermos, não compreenderemos qual é a investida do inimigo em nossa geração, o que ele procura fazer entre o povo de Deus e por que a graça e o poder nos são disponibilizados de maneira muito especial para a última fase da história humana, a fim de que o propósito do Senhor para o Seu povo seja completado.
A outra questão é Israel, o povo judeu. Muitos cristãos não entendem como é que o judaísmo tem alguma coisa a ver com o cristianismo, e como é que a nação judaica, Israel, tem qualquer relação com o evangelho ou com o propósito do Senhor para a igreja.
Creio que, nestes dias, é mais importante do que em qualquer outro período desde o primeiro século da igreja compreender qual é o pensamento de Deus a respeito do povo judeu.
Algumas pessoas o tratam como uma ilustração profética — uma espécie de lição prática, uma lição prática profética — que apenas ajuda a nossa fé e nos incentiva a crer que Deus é fiel à Sua Palavra. Isso não basta.
Há muito, muito, muito mais no propósito de Deus a respeito do povo judeu nesta última fase da história mundial. É por isso que não estou falando simplesmente sobre Israel e o povo judeu. Eu poderia falar durante horas sobre o assunto. Mas vocês sempre podem adquirir os livros e estudá-lo com calma; talvez seja mais fácil sem mim diante dos seus olhos.
Estou falando sobre fé viva e Israel, pois há uma conexão vital nos dias em que vivemos.
Ora, cem anos atrás — cento e cinquenta anos atrás — não era tão importante que vocês compreendessem o propósito de Deus para o povo judeu. O principal era enxergar o que Deus estava fazendo entre as nações e entregar o coração à grande expansão para todas as nações da terra, para que, de toda língua, tribo e povo, viessem aqueles que são redimidos pela graça de Deus.
Se vocês compreendessem o propósito de Deus para Israel, melhor ainda. Isso acrescentava, por assim dizer, uma dimensão à compreensão do propósito de Deus. Mas não era vital.
Creio que hoje é vital. Já não se trata simplesmente de uma revelação de luxo — algo que, de uma forma ou de outra, não influencia nem afeta material ou substancialmente a sua vida com Deus ou a edificação da igreja. Creio que essa questão tem, de fato, uma relevância muito grande.
Agora, vocês entendem: este assunto é enorme, e meu problema é por onde começar, como comunicar exatamente aquilo que precisa ser comunicado. Espero que compreendam se eu falar depressa. Confiem em Deus para apagar do meu coração e da minha mente o que não precisa ser dito nesta noite.
Mas quero destacar a gloriosa promessa de Deus para o povo judeu.
Há quem diga que o povo judeu não tem destino algum. Está agora sob a ira e o juízo irrevogáveis de Deus. Ele não tem mais nada a ver com esse povo. Não há mais interesse divino no povo judeu. Deus transferiu todo o Seu afeto para outro corpo, outro grupo de pessoas chamado igreja, e o povo judeu está sob o juízo de Deus.
Na medida em que ainda existe hoje, seria uma espécie de antiguidade que, de alguma maneira, sobreviveu ao passado e que nada tem a ver com o futuro.
A Palavra de Deus, a meu ver, apresenta um quadro muito diferente.
Não vou entrar imediatamente no Antigo Testamento, porque sei muito bem que há pessoas que o descartam. Dizem que todas as profecias do Antigo Testamento se cumpriram no retorno do povo judeu da Babilônia e nada têm a ver com a recriação do Estado judeu, a recriação de Israel, em nossa geração.
Outros tratam o Antigo Testamento como um apêndice — um apêndice inútil, um apêndice pré-histórico. Não precisamos dele. Sempre fico muito triste quando vejo pessoas andando por aí com Novos Testamentos, como se não existisse um Antigo Testamento.
Embora eu reconheça que às vezes seja mais fácil carregar um Novo Testamento, a Palavra de Deus não é o Novo Testamento. A Palavra de Deus é o Antigo e o Novo Testamento.
Talvez vocês se surpreendam ao perceber que a igreja primitiva não tinha um Novo Testamento. Todas essas maravilhosas revelações a respeito da Pessoa do Senhor Jesus foram descobertas no Antigo Testamento. Eles se deleitavam nele e encontravam no Antigo Testamento toda a questão da igreja. Encontravam todas as imagens, figuras e exemplos.
Quando o Senhor Jesus lhes abriu o entendimento, era no Antigo Testamento que criam e que reconheciam como inspirado, e por meio dele chegaram à salvação. Não é extraordinário? Os vinte e sete livros do Novo Testamento estavam sendo escritos naquela época.
Louvado seja Deus, temos um Novo Testamento e um Antigo Testamento. Mas vou deixar o Antigo Testamento de lado por enquanto, porque há pessoas que tendem a dizer que ele é mais ou menos como os médicos costumavam considerar o apêndice humano.
Sabem, nos bons e velhos tempos, se vocês tivessem um leve desconforto ou algum problema no estômago, logo os levavam para o hospital e tiravam o apêndice. Diziam que era um apêndice pré-histórico que pertencia ao homem quando ele andava de quatro e mastigava carne crua, ou algo assim.
Hoje, pelo que entendo, a opinião é bem diferente. Decidiram que o apêndice é algo muito importante para o estômago. Enfim, não sei; não sou médico, então deixo tudo isso com os médicos.
Mas permanece o fato de que algumas pessoas consideram o Antigo Testamento algo que já não tem nenhuma função útil. Portanto, provar que Israel foi profetizado e predito no Antigo Testamento não teria relevância alguma.
Vamos, então, ao Novo Testamento, para descobrir se há nele algo que nos fale claramente de um futuro para o povo judeu. E eu digo: isso está aqui, muito claramente, no capítulo que lemos juntos — neste maravilhoso capítulo.
Fico muito triste quando as pessoas falam desses três capítulos como uma espécie de parêntese. Sabem, o apóstolo Paulo vinha desenvolvendo seu pensamento e, de repente, teria saído por uma pequena digressão.
Bem, é verdade que, quando chegamos ao último versículo de Romanos 8, o apóstolo concluiu uma argumentação. Ele nos conduziu por ela de maneira admirável, de modo que vemos judeus e gentios, pecadores salvos pela graça de Deus em nosso Senhor Jesus.
Ele nos levou não apenas ao fato de que Cristo morreu pelos nossos pecados, mas também ao de que Cristo morreu como se fosse nós, e nos introduziu nesta maravilhosa verdade:
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Quem nos separará do amor de Deus?
Então, no capítulo 9, ele começa um novo pensamento. Não creio que seja apenas uma digressão, e que no capítulo 12 ele retome o capítulo 8, como se fosse possível descartar aqueles três capítulos por serem interessantes, mas desnecessários à sua argumentação.
Creio que, assim como em Efésios 3, somos introduzidos no Santo dos Santos — como se Deus afastasse o véu e dissesse: “Venham, quero que compreendam que, por trás de todo este plano de salvação, por trás do propósito redentor de Deus, há um propósito muito maior”.
Nesses capítulos, estamos diante da eleição divina, ou da escolha divina de Deus; da preordenação de Deus; do desígnio predestinador de Deus. Descobrimos que isso tem muito a ver com o povo judeu, e não apenas com o povo judeu, mas também com a igreja de Deus — aqueles dentre os gentios que Ele chamaria para fora e sobre os quais colocaria o Seu nome.
Agora, quando chegamos a Romanos 11:12, lemos esta palavra maravilhosa:
Ora, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua perda, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!
Vocês ouviram isso? Há uma queda, há uma perda e há uma plenitude — tudo na mesma frase. Entenderam?
Agora, a queda deles — de quem é essa queda? A queda de indivíduos? Não, é uma queda nacional, uma queda nacional. Num raro momento de unidade, todos os teólogos cristãos e estudiosos da Bíblia estão unidos. Todos concordam que a queda deles foi a queda da nação judaica, a queda do povo judeu. A perda deles é a perda do povo judeu.
Ora, se a queda do povo judeu foi a riqueza do mundo, e a perda do povo judeu, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! O que quero saber é como alguém interpreta essa Palavra de Deus tomando a primeira parte da frase como nacional e a última parte como pessoal.
Já ouvi pessoas me dizerem que essa questão da plenitude é algo pessoal. Se judeus individualmente entram na igreja, encontram plenitude. Não tenho dúvida disso. Não há outra maneira de encontrar plenitude senão na plenitude de Deus no Senhor Jesus. Mas é isso que este versículo diz?
Quem deu a alguém o direito de dizer que a primeira parte da frase é nacional e a última parte é pessoal? Certamente, o sentido claro da Palavra de Deus é que, se há uma queda nacional e uma perda nacional que foram a riqueza do mundo e a riqueza dos gentios, há uma plenitude nacional ainda por vir.
Agora, em Romanos 11:15, o apóstolo prossegue:
Porque, se a rejeição deles é a reconciliação do mundo, que será a sua admissão, senão vida dentre os mortos?
Todos concordam. Até os rabinos concordam quanto à queda e à perda do povo judeu. Todos os teólogos cristãos e estudiosos da Bíblia concordam que houve uma rejeição do povo judeu.
Quem são “eles”? Indivíduos? Não, era a nação judaica. Foi a liderança que representava toda a nação que rejeitou o Messias e, como resultado, a nação foi rejeitada.
Como, então, as pessoas nem sempre prestam atenção à última parte da frase? Se a rejeição deles — do povo judeu, da nação judaica — é a reconciliação do mundo, o que será o acolhimento deles? Como o primeiro “deles” pode ser nacional e o segundo “deles” ser pessoal? Como o primeiro “deles” pode ser nacional e o segundo “deles” ser apenas algo individual?
A declaração clara da Palavra de Deus é que, se houve uma rejeição da nação judaica, que foi o meio de reconciliação de inúmeros gentios de todos os cantos da terra, o acolhimento desse povo será nada menos que vida dentre os mortos.
Ora, vida dentre os mortos é vida de ressurreição. É algo semelhante ao Pentecostes. Depois que o Senhor Jesus morreu, depois que o Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos, depois que Ele ascendeu à direita de Deus, então, e somente então, Sua vida de ressurreição foi derramada na Pessoa do Espírito Santo — vida dentre os mortos.
Prossigo e leio em Romanos 11:24:
Porque, se tu foste cortado da oliveira que por natureza é brava e, contra a natureza, enxertado numa boa oliveira, quanto mais estes, que são ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!
Com quem ele está falando? Está falando com gentios romanos. Está falando com aqueles que não são judeus. Ele diz: “Vocês são uma oliveira brava”. Na verdade, todos nós somos seres humanos, quer sejamos da oliveira natural, quer da oliveira brava.
Agora, por favor, prestem atenção a estas palavras: sua própria oliveira. O que é a própria oliveira deles?
Alguns dirão: “Ah, não, não, você entendeu tudo errado”. Não tenho tanta certeza de que entendi errado. Ele está falando de ramos naturais que foram postos de lado. Quem são esses ramos naturais que foram postos de lado? Isso é mencionado em Romanos 11:17:
Mas, se alguns dos ramos foram quebrados—
Eles foram postos de lado. Quem são esses ramos naturais que foram quebrados? Judeus. Por que foram quebrados e postos de lado? Porque não tinham fé salvadora.
Agora o apóstolo diz:
Quanto mais estes, que são ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!
O que é a própria oliveira deles?
Por causa dos livros que escrevi, às vezes recebo cartas muito interessantes. Recebo uma porção de cartas dizendo que há duas oliveiras. Estão sempre me dizendo: “Irmão, você entendeu isso completamente errado. Permita-me tentar ajudá-lo a compreender essa questão. Há uma oliveira — a árvore judaica — e a outra oliveira é a igreja”.
Não consigo entender isso, porque sempre respondo: “Bem, ou meus olhos estão enxergando direito e os seus não, ou há algo muito errado comigo, porque o texto diz que vocês, ramos de oliveira brava, foram enxertados nesta oliveira”.
Além disso, quando as pessoas dizem: “Ah, não, não, não, é Cristo”, é claro que é Cristo, mas o texto não fala apenas da raiz. Se vocês olharem com atenção, Romanos 11:17 diz:
Mas, se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre eles e te tornaste participante com eles da raiz e da seiva da oliveira—
Em outras palavras, quando chegamos ao Novo Testamento e à igreja primitiva, ninguém era chamado de cristão. Foram chamados de cristãos pela primeira vez — era um apelido — em Antioquia. O que eram? Eram discípulos. Eram verdadeiros judeus.
Eram os judeus que haviam cumprido o propósito de Deus para a nação. Além disso, consideravam os gentios que vinham ao Senhor como participantes da comunidade de Israel — já não distantes, já não alienados, mas introduzidos na comunidade de Israel e feitos membros do verdadeiro Israel de Deus.
Agora, essa é uma questão enorme, e, se eu prosseguisse nela, nos afastaria daquilo que realmente quero dizer. Mas basta dizer por enquanto: a própria oliveira deles é a igreja. A própria oliveira do povo judeu é a igreja.
Eles não enxergam isso. Não compreendem. Não estou falando de uma igreja, de uma igreja tradicional ou de uma igreja institucional. Estou falando da verdadeira igreja de Deus — daqueles que são os eleitos. Essa é a própria oliveira do povo judeu.
Agora, tendo estabelecido isso, é assim que o apóstolo prossegue:
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério.
Ele estava tão preocupado com a possibilidade de que esses queridos crentes gentios, nascidos do Espírito de Deus, ignorassem esse mistério de Israel.
Ora, um mistério não é algo tão complexo que vocês jamais consigam compreender. Esse não é o significado da palavra grega traduzida pela palavra mistério no Novo Testamento.
A palavra significa um segredo que somente os iniciados compreendem. Em outras palavras, se você nasceu de novo, se pertence ao Senhor Jesus, você é um dos iniciados. É um daqueles que devem compreender esses mistérios. Eles pertencem a você.
Estiveram ocultos por eras e gerações, mas agora foram revelados àqueles que são nascidos do Espírito de Deus nesta época. Não é maravilhoso?
Isso significa que ninguém tem direito de compreender esse mistério de Israel a menos que seja nascido de Deus. Mas, se você é nascido de Deus, o seu próprio direito de nascimento — algo inerente a esse direito — inclui a compreensão desse mistério.
O apóstolo diz:
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos.
Isso merece reflexão. Por maiores que sejam os ramos da oliveira brava, eles podem cobrir a árvore inteira. Multidões, multidões e multidões de gentios podem ter entrado na salvação de Deus, mas ele diz: “Não se gloriem contra os ramos, como se os ramos sustentassem a árvore. É a raiz que sustenta vocês”. Lembrem-se disso.
Então ele diz:
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; E assim todo o Israel será salvo.
Isso não significa, a meu ver, que, quando o último gentio a ser convertido e salvo finalmente tiver sido salvo, então esse endurecimento será removido. Não creio nisso.
No princípio, judeus continuavam sendo salvos ao lado dos gentios, quando o Senhor começou a introduzir os gentios na salvação de Deus, a partir de Cesareia. Mas, ainda assim, por toda parte vinham judeus, judeus, judeus, judeus.
Sabem, até fontes judaicas estimam que mais de um terço da nação nasceu de novo no princípio. Tão grande foi o número dos que foram salvos no início — um número enorme creu.
Vocês têm uma pequena indicação disso: três mil no dia de Pentecostes; cinco mil pouco tempo depois; oito mil; uma grande multidão de sacerdotes e levitas. Conseguem imaginar o efeito sobre o povo, só dentro de Jerusalém?
Devia haver pelo menos dez por cento da população de Jerusalém que cria no Senhor Jesus. É algo extraordinário.
Hoje, nos círculos rabínicos, aceita-se que o efeito do evangelho nos primeiros dias do cristianismo, como eles o chamam, foi tão grande que quase um terço do povo judeu aderiu a ele.
Agora, meu ponto é simplesmente este: quando começamos a examinar o texto, lemos:
O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; E assim todo o Israel será salvo.
Isso não significa que todo judeu será salvo automaticamente. Se forem salvos, serão salvos pela morte expiatória do Messias. Deus nunca salva as pessoas automaticamente.
O povo judeu, ainda que todos venham, jamais será salvo automaticamente. Caifás era circuncidado. Era um filho da aliança de Deus, mas não era salvo. Amós era circuncidado; era um filho da aliança, mas não era salvo. Judas era circuncidado, mas não era salvo.
Percorram toda a história e encontrarão reis maus, como Amom. Eram circuncidados. Eram o povo da aliança de Deus, mas não eram salvos. O verdadeiro Israel sempre esteve dentro do Israel exterior. Vocês entendem?
Não creio que “todo o Israel” signifique que cada judeu será automaticamente salvo em algum momento. Parece-me que o Senhor está dizendo o seguinte: todo o propósito de Deus de reunir um povo redimido de toda a terra, começando pelo povo judeu — primeiro ao judeu e depois ao gentio — se completa na fase final por meio de um enorme enxerto dos ramos naturais de volta à oliveira.
Agora, como o apóstolo prossegue em sua argumentação? Ele diz:
De Sião virá o Libertador; Ele desviará de Jacó a impiedade.
Esta, diz ele, é a minha base bíblica, pois:
Como está escrito: de Sião virá o Libertador; Ele desviará de Jacó a impiedade.
Essa é uma referência a Isaías 59:20, que, no hebraico, diz:
E virá um Redentor a Sião e aos que se converterem da transgressão em Jacó.
Agora, tenho procurado, procurado e procurado essa versão. Desde que fui salvo, as pessoas sempre me disseram que essa é a versão da Septuaginta — a tradução grega do Antigo Testamento —, mas não consigo encontrá-la na tradução grega do Antigo Testamento. Não está escrito dessa maneira.
Isso é muito interessante, porque me sugere que esse maravilhoso versículo — “Virá um Redentor a Sião” — já se cumpriu. Ele não veio a Sião? Não nasceu em Belém? Não veio a Jerusalém? Não morreu pela redenção do povo em Jerusalém no dia da Páscoa?
Sim. E a quem Ele salvou? Àquele remanescente do povo judeu que se afastou da impiedade em Jacó.
Mas aqui é um pouco diferente:
De Sião virá o Libertador.
É como se, quando Deus tiver realizado uma grande obra em Sua Sião espiritual, reunindo pessoas de todos os povos, línguas e nações — de todas as partes do globo — no corpo do Messias, então, por fim, esse Messias que originalmente veio a Sião, aos que se afastaram da impiedade em Jacó, e salvou aquele pequeno remanescente que se tornou, por assim dizer, o grande fundamento da igreja, fosse revelado aos ramos naturais no fim desta era.
Ele desviará de Jacó a impiedade. Acho isso muito, muito maravilhoso.
Espero que vocês percebam que estou procurando lançar um fundamento para a fé viva. Ele prossegue dizendo:
Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, são amados por causa dos pais.
Não é uma palavra extraordinária? “Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós”, como se Deus dissesse: “Eu os trato como inimigos. Eu os amaldiçoo por causa de vocês”. Por causa de vocês, no mistério do desígnio de Deus.
Mas Ele diz:
Quanto à eleição, são amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Como pode algum cristão não gostar do povo judeu ou odiar o povo judeu, se esse povo é amado pelo Deus que ele adora? O texto não diz: “Eu os amava, mas agora são uma dor de cabeça. Afastaram-se tanto e cometeram as ações mais abomináveis”. Deus diz:
Quanto à eleição, são amados por causa dos pais.
Então vem esta palavra maravilhosa:
Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Já ouvi inúmeros sermões sobre essa verdade maravilhosa, especialmente na Grã-Bretanha, porque ali há um número muito grande de pregadores que enfatizam a soberania de Deus muito mais do que a responsabilidade do homem. Por isso, amam este versículo: “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”.
Mas vocês notaram essa pequena conjunção, porque? Eles são amados, quanto à eleição, por causa dos pais, porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Agora vem algo extraordinário:
Porque, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, Assim também estes agora foram desobedientes, para que, pela misericórdia demonstrada a vós, também eles agora alcancem misericórdia. Porque Deus encerrou a todos na desobediência, para com todos usar de misericórdia.
Acho isso tão extraordinário que, cada vez que o contemplo, fico maravilhado. É algo tão tremendo — como se o propósito de Deus fosse um grande ciclo. Vocês entendem? Como se tudo estivesse interligado.
Vocês eram desobedientes. Eles se tornaram desobedientes, e, pela desobediência deles, vocês alcançaram misericórdia. Mas não os excluam, porque, pela misericórdia demonstrada a vocês, eles alcançarão misericórdia. Em outras palavras, tudo está ligado.
Como todos vocês se tornaram crentes? Ah, vocês dizem: de várias maneiras. “Ouvi um evangelista. Ouvi um pregador. Talvez tenha sido pela televisão. Talvez tenha sido pelo rádio. Ou li alguma coisa. Ou foi por meio da Bíblia que eu estava lendo. Ou foi numa reunião da igreja, ou numa campanha evangelística.”
Mas quero lhes dizer uma coisa: vocês são um resultado direto dos primeiros crentes judeus.
Aqueles primeiros crentes no Senhor Jesus, salvos pela graça de Deus, enxergaram algo. Talvez tivessem seus problemas. Havia o partido judaizante. Havia aqueles que eram muito estreitos e queriam impor a todos toda a Lei de Moisés, em todos os seus detalhes. Mas, de modo geral, o grupo principal enxergou algo — especialmente o apóstolo Paulo.
Eles enxergaram algo do propósito de Deus. Aqueles amados irmãos e irmãs judeus no Messias entregaram a própria vida para que os gentios pudessem entrar na salvação de Deus.
Não há um único livro entre os vinte e sete livros do Novo Testamento, com exceção de Lucas e Atos, que tenha sido escrito por uma mão não judaica. Sei que isso não é o que importa, porque é a inspiração de Deus, mas não é interessante?
Vocês não têm nenhum livro não judaico, exceto Lucas e Atos. E, a propósito, há pessoas que discutem até isso. Dizem que Lucas também era judeu. Outros dizem que não. Bem, tudo bem; vamos conceder esse a vocês.
Mas a questão é que, gostem ou não, todo o Novo Testamento, com exceção de Lucas e Atos, foi escrito por uma mão judaica, se considerarmos o lado humano.
Todos aqueles primeiros apóstolos — não havia um não judeu entre eles. Considerem todos aqueles primeiros homens designados para cuidar das viúvas e da sua alimentação: cada um deles era um judeu de língua grega. Considerem todo o primeiro avanço da igreja: cada um deles era judeu.
Vocês não enxergam o que devem a esse povo? Eles se tornaram a escória do próprio povo. Foram difamados, desprezados, expulsos, martirizados, para levar aos gentios — que sempre haviam considerado impuros, imundos, sujos, inferiores, pessoas com quem não se devia conversar e que jamais deveriam entrar debaixo do seu teto — o evangelho do amor salvador e da graça de Deus.
Pela desobediência desse povo, vocês alcançaram misericórdia — na verdade, por meio do remanescente que foi salvo.
Ah, o que eles fizeram! Se acreditarmos na tradição da igreja — e nem sempre acredito —, mas, se acreditarmos na tradição da igreja, no ano 44 d.C., quatorze anos depois da morte, do sepultamento e da ressurreição do Senhor Jesus, aqueles apóstolos judeus, evangelistas judeus e pregadores judeus haviam percorrido todo o mundo conhecido.
Tinham ido tão ao sul quanto a extremidade meridional da Arábia Saudita, e também à Etiópia. Tinham ido tão ao leste quanto a Índia, até o sul da Índia, e atravessado a Pérsia e a Ásia Central. Tinham ido para o norte, até a Armênia.
Em toda parte haviam pregado o evangelho, e em toda parte pessoas haviam vindo ao Senhor. Ah, não digo que fosse uma igreja maravilhosa, mas não é extraordinário? Se acreditarmos na tradição da igreja, em quatorze anos o evangelho havia sido levado tão longe.
Vocês sabiam que havia uma tradição na Grã-Bretanha — é claro, os britânicos sempre gostam desse tipo de tradição — de que José de Arimateia foi o primeiro a pregar o evangelho nas Ilhas Britânicas, e o fez quatorze anos depois da morte, do sepultamento e da ressurreição do Senhor Jesus?
Certamente, sabemos que o primeiro grupo de cristãos britânicos existiu no primeiro século. Essas pessoas eram consideradas bárbaras pelos romanos, quanto mais pelos judeus. Quero dizer, usavam apenas penas e andavam a cavalo — bem, era praticamente só isso. Nem tanga usavam.
Agora, meu ponto é este: pela desobediência do povo judeu, esses povos alcançaram misericórdia por meio daqueles homens e mulheres fiéis, de origem judaica, que haviam encontrado a salvação de Deus no Messias. Eles entregaram a própria vida para que esses outros pudessem vir.
Agora, queridos amigos, será pedir demais que, na última parte desta era, haja pessoas de origem gentílica que entreguem a própria vida em amor e intercessão, para que esses ramos naturais sejam enxertados de volta na sua própria oliveira, e para que, pela misericórdia demonstrada a vocês, também eles agora alcancem misericórdia?
Não é de admirar que o apóstolo irrompa numa explosão de louvor e diga:
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis os Seus caminhos! Porque quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro? Ou quem primeiro Lhe deu, para que lhe seja recompensado? Porque Dele, e por meio Dele, e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre. Amém.
É de deixar a mente perplexa que Deus tenha um propósito assim.
Agora, meu objetivo em tudo isso é avançar apenas mais um passo, se vocês não se importarem, e mostrar que também há outras passagens das Escrituras. Não se trata apenas de um capítulo que eu talvez esteja interpretando mal.
Estou inteiramente disposto a dizer aqui e agora que, se estou errado, estou errado. Eu ficaria muito triste por ter passado uma hora inteira nesta conferência lhes dizendo algo errado. Mas sei que vocês têm maturidade suficiente, pelo menos, para examinar essas coisas na Palavra e não simplesmente aceitar o que dizemos como verdade absoluta.
Eu creio nisso; caso contrário, não procuraria ensinar esse tipo de coisa.
Mas, quando voltamos às palavras do próprio Senhor, há pessoas que acham que não se pode confiar inteiramente no apóstolo Paulo em algumas questões. Dizem: “Sabe o que aconteceu? Ele raspou a cabeça e fez um voto. Há algo muito errado nisso. Em outro lugar, quando foi preso, em vez de dizer: ‘Eu era judeu’, disse: ‘Eu sou judeu’. Isso está muito errado. Ele estava no novo homem. Está voltando atrás em tudo isso”.
Dizem: “O que ele estava fazendo celebrando a Páscoa, se a Páscoa já foi cumprida? Pegando Timóteo e mandando circuncidá-lo? Quero dizer, tudo isso é terrível. É retroceder”.
Então, agora vamos aos Evangelhos, a Mateus 23:38. Talvez seja melhor ler a partir de Mateus 23:37.
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quisestes! Eis que a vossa casa vos é deixada deserta. Porque Eu vos digo que, desde agora, não Me vereis, até que digais: bendito Aquele que vem em nome do Senhor.
Agora, esse é um momento muito triste da história. Vocês se lembrarão de que essas foram as últimas palavras que o Senhor Jesus dirigiu à liderança judaica. Foi quando Ele estava deixando o templo, saindo em direção à Porta Formosa, descendo ao vale do Cedrom e subindo pelo outro lado ao monte das Oliveiras.
Deixando oito deles, Ele levou os quatro, subiu mais alto, sentou-Se com eles e falou sobre toda aquela era, o tempo do fim. Lembrem-se de que vieram a Ele com a pergunta: “Quando serão essas coisas?”. Isto é, quando o templo seria destruído? “E qual será o fim desta era e a Tua vinda?”
Quando Ele saiu, mostraram-Lhe as grandes e magníficas pedras e disseram: “O Senhor sabe que levaram quarenta e três anos para construir este grande templo?”. E Jesus disse: “Vocês estão vendo estas pedras? Não ficará pedra sobre pedra”.
Ele disse:
Eis que a vossa casa vos é deixada deserta.
Ora, Jesus nunca havia chamado o templo de casa deles. Sempre o havia chamado de “a casa de Meu Pai”.
Agora, pela primeira vez, Ele disse:
A vossa casa vos é deixada deserta. Desde agora, não Me vereis.
Ah, quantos mestres cristãos foram apenas até esse ponto, e não além, e, com base nisso, pronunciaram um juízo irrevogável de ira sobre o povo judeu. Mas Jesus não disse isso.
Ele disse:
A vossa casa vos é deixada deserta. Desde agora, não Me vereis, até que digais: bendito Aquele que vem em nome do Senhor.
Agora, no hebraico moderno, se queremos dizer “bem-vindo”, dizemos baruch haba. E baruch haba significa literalmente “bendito aquele que vem”, se quisermos traduzir ao pé da letra. Significa simplesmente “bem-vindo”.
Se quiserem usar uma expressão religiosa, dirão Baruch haba b’shem Adonai, que significa “bendito aquele que vem em nome do Senhor”.
Agora, acho espantoso que algumas pessoas ensinem que todo o povo judeu vai lamentar, encolher-se de medo, chorar e entrar nos buracos e nas cavernas da terra para se esconder do Senhor, quando Jesus disse que dirão: “Bem-vindo em nome do Senhor”.
Parece uma contradição muito estranha: pessoas encolhidas de terror dizendo: “Bem-vindo em nome do Senhor”. Eu esperaria: “Misericórdia, misericórdia, Senhor”. Entenderia se clamassem: “Ó Deus, tem misericórdia de nós. O que fizemos?”. Mas não — dizem: “Bem-vindo em nome do Senhor”.
Também acho muito difícil acreditar que todos serão salvos ao ver o Messias. Porque, se considerarmos o que Jesus disse, isso não sugere que algo radical, revolucionário, aconteceu no coração judeu?
Toda a sua concepção de Jesus mudou; toda a sua atitude em relação à Pessoa e à obra de Jesus mudou. Passou por uma revolução tão grande, uma mudança tão grande, que dizem: “Bem-vindo em nome do Senhor”.
Acho esse versículo muito maravilhoso. Agora, quando me volto para o Antigo Testamento, acho isso ainda mais maravilhoso.
Vamos por um momento ao Antigo Testamento, a Zacarias 12:10 em diante. Ouçam esta profecia de Zacarias.
Isso é muito interessante, porque primeiro ele nos diz que todas as nações da terra entrarão em guerra por causa de Jerusalém.
É um fato interessante que, desde o ano 70 d.C., não houve o mesmo tipo de guerras por Jerusalém. Houve guerras por Israel, pela Palestina, mas sempre numa área muito maior — Jordânia, Síria, Líbano, toda a região —, mas não por Jerusalém.
Essa profecia diz que, nos últimos dias, todas as nações serão reunidas contra Jerusalém. Há cerca de mil e oitocentos anos que todas as nações da terra não se reúnem em torno da questão de Jerusalém.
Estamos nos aproximando rapidamente desse dia — rapidamente —, porque Jerusalém voltou a ser o centro de todas as conversas, não é?
Para mim, é algo extraordinário que essa pequena nação de três milhões e meio de pessoas, com uma área não maior que a do estado de Indiana, seja discutida incessantemente na televisão, no rádio, no Congresso, no Parlamento britânico e nas Nações Unidas, que estão sempre realizando sessões especiais de segurança e aprovando resoluções sobre essa curiosa pequena nação.
Quarenta anos atrás, essa nação não existia. Na verdade, quarenta anos atrás, dois terços da maior comunidade judaica do mundo estavam sendo exterminados. Seis milhões dos nove milhões de judeus europeus e russos estavam sendo enviados às câmaras de gás quarenta anos atrás.
Se eu tivesse me levantado e dito: “Virá um dia em que essas pessoas recuperarão sua terra e se tornarão novamente uma nação, com seu próprio exército, seu próprio governo, seu próprio presidente, seu próprio primeiro-ministro e tudo o mais”, as pessoas teriam rido.
Se eu tivesse dito: “Todas as nações da terra começarão a se reunir contra eles, discutirão incessantemente a sua condição e virão contra a sua capital, Jerusalém”, as pessoas teriam rido.
Não ouço falar da Finlândia sendo discutida o tempo todo em todos os conselhos do mundo. Amo o povo finlandês, mas nunca ouço a Finlândia ser discutida incessantemente. Nunca ouço a Noruega ser discutida o tempo todo. Também há quatro milhões de pessoas em cada um desses países, com territórios muito maiores.
Mas essa pequena nação, nesse minúsculo Estado, de repente passou ao primeiro plano da política mundial e tem sido discutida sem parar. Toda a controvérsia gira em torno dela.
Agora, esse versículo fala de nações reunidas contra Jerusalém, o que significa que, em algum momento futuro, Jerusalém voltaria a ocupar o seu lugar — quando, de uma forma ou de outra, os tempos dos gentios estivessem chegando ao fim. Então Jerusalém voltaria a ser, não uma pequena cidade provinciana da Palestina, mas a capital de uma nação judaica recriada, no centro da política mundial.
Então o profeta diz, em Zacarias 12:10-12:
E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito de graça e de súplica; e olharão para Mim, a Quem traspassaram; e prantearão por Ele, como quem pranteia por seu filho único, e chorarão amargamente por Ele, como quem chora pelo primogênito. Naquele dia haverá grande pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido. E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte.
Então ele prossegue por toda a passagem, e depois diz, em Zacarias 13:1:
Naquele dia haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para o pecado e para a impureza.
Agora, há pessoas que me dizem que o povo judeu será salvo num único dia, e citam Isaías 66:8.
Quem ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poderia uma terra nascer num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Pois Sião, logo que esteve em trabalho de parto, deu à luz seus filhos.
Dizem-me que essa nação será salva quando vir o Senhor Jesus, num único instante. Dentro de um dia, a nação inteira nascerá de novo.
Eu digo que essa profecia de Isaías 66:8 já se cumpriu. Ela não fala tanto da nação. Observem como é introduzida: “Poderia uma terra nascer num só dia?”. Normalmente não se fala de uma terra nascendo, mas uma terra nasceu. O texto fala da formação de um Estado — da formação de um Estado.
Poderia um Estado nascer num dia? Poderia um Estado judeu, depois de milhares de anos de dispersão, exílio e perseguição, nascer num dia? Poderia uma nação ser trazida à existência de uma só vez?
Foi exatamente o que aconteceu em 14 de maio de 1948. Uma terra nasceu num único dia, e uma nação foi trazida à existência de uma só vez.
Nem mesmo os britânicos acreditavam que aquela terra pudesse ser trazida à existência num dia. Achavam que seriam engolidos pelos cinco exércitos árabes enormemente bem equipados, alguns deles treinados pelos britânicos, que aguardavam para se lançar sobre aquela pequena nação.
Tinham tão poucos fuzis que havia um para cada cinco homens. Tinham um avião, com um motor. É extraordinário.
No início, tiveram de recorrer ao que chamamos de pequeno Davi. Era feito de latas velhas. Eles as soldavam umas às outras, e aquilo não matava ninguém, mas fazia um barulho terrível. Era extraordinário como, com aquela curiosa arminha, áreas inteiras simplesmente se esvaziavam.
Vocês dizem: isso era muito errado, não era? Claramente assassinato? Sim, a questão era que eles seriam assassinados. O que mais poderiam fazer? Haviam lhes prometido um banho de sangue pior que o de Gêngis Khan. Toda a terra seria banhada em sangue judeu.
Mas aquela pequena nação nasceu num único dia, e Deus a protegeu. Acabou com mais território do que as Nações Unidas lhe haviam atribuído — uma divisão que o lado judeu havia aceitado e o lado árabe havia recusado.
Não vou entrar em todas as diferentes guerras, mas quero destacar que creio que essa profecia diz respeito ao nascimento de um Estado, de uma terra, de uma nação. Trata-se da constituição de um Estado e de uma nação.
Essa profecia de Zacarias fala de outra coisa. Diz que o espírito de graça e de súplica será derramado sobre a casa de Davi — isto é, a liderança, a classe governante — e sobre os habitantes de Jerusalém, isto é, o cidadão comum.
“Olharão para Mim, a Quem traspassaram.” Agora, na versão King James, infelizmente, está escrito de uma forma que equivale a “olharão diretamente para Mim, a Quem traspassaram”. Não consigo entender por quê, mas tanto a New American Standard Bible como a Revised Standard Version também usam essa ideia de olhar diretamente.
Mas o hebraico nunca significa simplesmente “olhar diretamente”. Se olho diretamente para o presidente Reagan, eu o vejo fisicamente, não é? Se digo: “Olhei diretamente para o presidente Reagan”, isso só pode significar uma coisa: eu o vi com meus olhos.
Se olhei diretamente para a rainha da Inglaterra, a rainha Elizabeth II, quero dizer que a vi. Mas, se digo que volto o meu olhar para o presidente Reagan, o que isso significa?
Se digo que olho na direção do presidente Reagan, pode ser algo físico. Mas, se a expressão tem esse sentido de voltar o olhar para ele, trata-se de algo moral, espiritual. Tenho respeito. Tenho reverência. Tenho compreensão. Eu o honro.
“Olharão para Mim, a Quem traspassaram.” Isso não me parece apenas uma visão física do Messias levando à salvação, mas uma revelação espiritual da Pessoa do Senhor Jesus, porque, em toda a história judaica, a Pessoa traspassada é Jesus.
Então o texto diz duas coisas extraordinárias, mas vou tratar da segunda primeiro. Todas as casas, todas as famílias, prantearão — maridos e mulheres à parte.
Agora, vocês precisam compreender os costumes judaicos de luto. Isso não é coisa de um dia. Não é algo que acontece num dia.
Se maridos e mulheres precisam ficar separados, não é por uma hora. Isso não significa nada. A maioria de vocês, maridos e mulheres, fica separada por uma hora todos os dias, não é? Por muito mais tempo. Isso não significa nada.
O que significa, então, maridos e mulheres à parte? Significa vários dias. Nos costumes judaicos de luto, quando alguém morre, durante sete dias maridos e mulheres não compartilham a mesma cama.
Os maridos não se barbeiam. Não cortam o cabelo. Não cortam as unhas dos pés nem das mãos. Toda a vida sai do normal. Você vive de maneira diferente. Não se senta em cadeiras comuns; senta-se em bancos baixos, perto do chão, como sinal de luto.
Durante sete dias inteiros, toda a vida normal da família fica de cabeça para baixo. Em hebraico, isso se chama shivah.
Depois, durante trinta dias, você volta a uma vida um pouco mais normal, mas ainda muito diferente. Pode voltar aos negócios. Pode se barbear novamente. Pode ficar com uma aparência um pouco mais arrumada, mas a vida ainda é muito, muito diferente.
Depois, durante um ano inteiro, a vida é diferente. Nesse ano, você não deve vender imóveis, comprar imóveis nem fazer qualquer coisa pessoal desse tipo para mudar as suas circunstâncias. A ideia é que, logo depois de uma perda, as pessoas podem fazer algo precipitadamente e se arrepender mais tarde. Acho que há muita sabedoria nisso.
Portanto, durante um ano inteiro, você não faz nada fora do comum em relação às suas circunstâncias.
Agora, isso não é interessante? Aqui temos todos esses versículos que, tenho certeza, não significam nada para o cristão comum: essas pessoas pranteando, maridos e mulheres à parte, a casa de Davi, a casa de Natã, a casa de Simei. Do que se trata tudo isso?
Bem, vou lhes dizer do que se trata. Evidentemente, significa que uma obra do Espírito de Deus começará no povo judeu e que, a princípio, será como chuvas suaves, as primeiras gotas da chuva serôdia. Depois virá cada vez mais forte, mais forte e mais forte, e, por fim, voltarão o olhar para Aquele a Quem traspassaram.
Eles chorarão; prantearão por Ele — não uma tristeza de remorso que leva ao suicídio, mas um arrependimento que leva à salvação.
Ainda mais maravilhosa é esta palavra, se me permitem — e posso estar errado. Mas, se estou certo, essa referência ao grande pranto em Hadade-Rimom, no vale de Megido, era uma referência ao piedoso rei Josias, morto em batalha aos trinta e um anos. A nação inteira se reuniu em Jerusalém para pranteá-lo.
É possível crer que algo possa acontecer antes da vinda do Messias que remova o endurecimento que sobreveio em parte a Israel, de modo que comecem, ainda vagamente — apenas comecem, no início, de maneira vaga —, a olhar para o Senhor Jesus e a reconhecê-Lo?
Então isso se tornará um pranto, uma dor, uma tristeza, à medida que a consciência nacional reconhecer algo que aconteceu mil e novecentos anos atrás. Essa é a chave da história judaica e a chave do destino judaico.
Agora, queridos amigos, vejam, nosso tempo acabou. Esse assunto é enorme. Tudo o que posso fazer é abrir uma pequena janela.
Deus não permita que nenhum de vocês se torne um desses excêntricos obcecados por Israel. Temos tantos deles. Todo tipo imaginável de gente assim é atraído para Jerusalém como por um ímã: raspam a cabeça, espalham cinzas, fazem tudo isso. Gente esquisita.
Não sei o que acontece. Pessoas que aqui seriam perfeitamente normais, quando chegam lá, tornam-se completamente anormais. Não sei se é algum tipo de fascínio pela grandiosidade histórica que toma conta delas; não sei o que é.
Mas oro a Deus para que ninguém nesta congregação, nesta noite, siga por esse caminho e permita que toda essa questão o desvie da edificação da igreja.
Mas há aqui algo tremendo. Essas pessoas vão se lavar naquela fonte aberta para o pecado e para a impureza, da mesma forma que vocês. Os ramos naturais serão enxertados de volta na sua própria oliveira, juntamente com os ramos da oliveira brava.
Como é extraordinário o propósito de Deus!
Agora, sei que isso pode levantar problemas em outras áreas que não podemos responder neste momento por falta de tempo. Mas o que estou tentando dizer é o seguinte: se isso é verdade, seja qual for a maneira como o entendamos, é verdade que há um destino para o povo judeu e que há uma redenção do povo judeu — uma redenção espiritual —, e que eles experimentarão a salvação de Deus.
Vocês não percebem que vocês e eu temos uma responsabilidade para com esse povo como não temos para com nenhum outro povo da terra?
Vocês têm uma responsabilidade para com o povo americano, se são americanos, ou para com o povo canadense, se são canadenses, e eu para com o povo britânico, na medida em que nasci entre eles. Seja qual for a nação de onde vocês vêm, têm uma responsabilidade diante de Deus.
Mas nessa questão há algo muito singular. Vocês têm uma responsabilidade para com o povo judeu, porque não foi apenas pela desobediência deles que alcançaram misericórdia, mas todos aqueles primeiros crentes que entregaram a própria vida eram judeus que haviam descoberto a salvação de Deus no Messias.
Eles entregaram a própria vida para que vocês pudessem vir a Deus.
Gostaria de falar sobre por que às vezes é necessário orar pela preservação física de Israel. Sabem por quê? Vou dizer apenas uma palavra antes de passar à outra questão.
Satanás sabe que esse povo será o cenário de um triunfo definitivo de Deus que, por assim dizer, coroará todo o propósito de Deus. Satanás fará absolutamente tudo o que puder para destruir esse povo antes que esse milagre aconteça.
Ele levará armas nucleares ao Oriente Médio. Levantará todo tipo de mal-entendido. Reunirá exércitos em alianças. Depois usará boicotes econômicos.
Tentará fazer com que os israelenses nascidos no país saiam aos milhares, como estão saindo. Montreal tem agora dezessete mil israelenses vivendo ali. Atlanta, creio, tem algo em torno de sete ou oito mil israelenses — não judeus, israelenses. Los Angeles tem um número ainda maior. Nova York tem uma população enorme de israelenses.
Vocês percebem o que Satanás tentará fazer contra a Palavra de Deus?
Se eu tivesse tempo, recorreria a muitas passagens das Escrituras para mostrar como esses propósitos do Antigo Testamento estão se cumprindo literalmente. Precisamos orar para que fracassem as tentativas do inimigo de frustrar o propósito de Deus por meio da erradicação desse povo, e para que Deus use as próprias manobras e táticas do inimigo para cumprir o Seu propósito.
As pessoas em Israel ficam tão preocupadas com todos esses yordim, como os chamamos — aqueles que vieram morar aqui —, mas pessoalmente não estou preocupado. Creio que, uma vez fora do nosso contexto, Deus pode salvá-los.
Muitos desses israelenses talvez encontrem algum crente amoroso, que realmente ame o povo judeu e ame Israel, e isso abrirá o coração deles. Voltarão para nós como apóstolos e pioneiros das boas-novas a respeito do Messias Jesus.
Não tenho medo disso. Mas o que precisamos é de fé viva.
Se tenho dúvidas sobre tudo isso, bem, vou simplesmente deixar o assunto de lado. Será apenas um ponto de interesse. Talvez me ajude a compreender a fidelidade de Deus à Sua Palavra, mas nada além disso.
Mas, se compreendo que vocês, ramos da oliveira brava, foram originalmente enxertados entre eles — aqueles ramos que creram —, e que eles são ramos naturais que, pela desobediência e incredulidade, foram postos de lado, mas que, no fim, haverá uma plenitude — isso já começou —, então haverá um novo acolhimento deles. Isso já começou.
Querido povo de Deus, já estou testemunhando uma mudança de atitude em relação ao Senhor Jesus.
Posso lhes dizer que estamos vivendo em dias em que os chamados teólogos cristãos dizem que a ressurreição de Jesus é um mito. No entanto, temos um teólogo judeu, o professor Lapide, da Universidade Hebraica de Jerusalém, que escreveu em alemão um livro chamado A ressurreição de Jesus Cristo, demonstrando que Jesus ressuscitou dentre os mortos. Uau!
Quando nosso ex-vice-primeiro-ministro, Yigael Yadin, um grande arqueólogo e uma grande figura da história de Israel, falou numa grande reunião em Jerusalém, quatro anos atrás, disse: “O maior judeu que já viveu não foi Moisés, nem um dos nossos profetas, nem um dos nossos grandes sábios, nem os grandes rabinos. Foi Jesus de Nazaré”.
Uma mudança está chegando. Ah, é apenas o comecinho. Não entendam que estou dizendo que há um grande despertamento, que as pessoas estão invocando o Senhor — longe disso —, mas uma mudança está chegando.
Pouco a pouco, passo a passo, etapa por etapa, tudo faz parte do desdobramento do propósito de Deus. Esse povo está sendo levado a um ponto em que não haverá saída.
Agora, meus queridos amigos, mil e novecentos anos atrás havia um apóstolo de origem judaica. Seu nome era Shimeon. Estava num terraço em Jope, jejuando e orando.
Ele sentiu que seu tempo de jejum havia terminado e chamou a moça lá embaixo: “Estou encerrando meu jejum. Vou fazer uma refeição”. Ela começou a se ocupar com o preparo da comida.
Enquanto estava no terraço, ele teve uma visão. Do céu desceu um lençol cheio de todo tipo de animais e aves impuros — em outras palavras, alimentos não kosher.
A voz do Senhor disse:
Levanta-te, Pedro; mata e come.
E Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor. Nunca comi nada que não fosse kosher”.
O lençol subiu. Então desceu pela segunda vez, e novamente a voz disse:
Levanta-te, Pedro; mata e come.
Pedro disse: “De modo nenhum. Nunca comi nada que não fosse kosher”. O lençol subiu novamente.
Desceu pela terceira vez, e a voz disse:
Levanta-te, Pedro; mata e come. Não chames impuro ao que Eu chamo puro.
Pedro disse: “Não, Senhor, eu não poderia fazer isso. Tu estás me provando. Eu não poderia fazer isso”.
Enquanto ainda falava, ouviu a moça à porta dizendo: “Ah, sim, ele está no terraço. Está passando um tempo em oração”.
A moça subiu e disse: “Pedro, há alguns gentios. Não sei o que querem, mas estão à porta. Parece que são do exército. Têm uma história sobre um oficial que teve um sonho e ouviu falar de você. Disseram-me para pedir que você vá até lá. O que devo fazer?”.
Pedro disse: “É melhor eu descer”. Então desceu, e os homens disseram: “Nosso senhor, o oficial fulano de tal — um romano, um gentio —, é um homem temente a Deus”.
Isso é muito interessante, porque ele não havia sido circuncidado. Quando se usa a expressão temente a Deus, significa que ele não havia chegado a esse ponto. Significa apenas que adorava a Deus e lia as Escrituras.
Eles disseram: “Esse homem temente a Deus teve um sonho e viu uma pessoa chamada Pedro, que estava em Jope, e soube que ele deveria vir e instruir plenamente sua casa nos caminhos de Deus”.
Pedro se lembrou da questão dos alimentos kosher. Talvez isso não signifique nada para vocês, mas, para Pedro, em certo sentido, foi o maior passo que ele já havia dado. É isso que o relato mostra, se vocês o lerem.
Ele nunca havia entrado numa casa gentílica para se hospedar. Sabia que, se fosse a Cesareia — o quartel-general do exército romano em toda a província da Síria — e ficasse na casa de um oficial gentio do exército romano, teria de comer alimentos não kosher.
Agora compreendia a visão, e Pedro foi como um cordeirinho. Imagino que tenha pensado: “O que será tudo isso? O que pensarão em Jerusalém? Será que conversei o suficiente com os irmãos sobre isso?”.
Tenho certeza de que todas as histórias sobre os gentios lhe vieram à cabeça. Sabem, costumavam chamá-los de cães — a incircuncisão. Comportavam-se como animais. Eram tão imorais, tão sujos, tão sem higiene.
Mas ele foi. Quando chegou, o oficial estava lá e o tratou com grande respeito. Então caiu de joelhos, e Pedro disse: “Ah, não, não faça isso”.
Depois entrou e, para seu espanto, havia uma sala inteira cheia de gente. Agora, quando digo uma sala inteira, não era nada parecido com isto aqui. Era uma salinha minúscula — quero dizer, provavelmente um terço deste palco.
Não sei nada a respeito, mas imagino que todas as mulheres tenham ficado do lado de fora, no corredor, e todos os homens estivessem amontoados lá dentro. Pedro começou.
Agora, não sei. Não temos como saber. Stephen disse outro dia que Pedro normalmente era um pregador um tanto prolixo. Pode muito bem ter sido; não tenho dúvida disso.
Mas o que sei é o seguinte: imagino que, quando começou a pregar, algumas pessoas que já haviam ouvido Pedro muitas vezes poderiam ter dito: “Já o ouvi pregar melhor. Que pena que não consegue pregar como no dia de Pentecostes”.
Talvez estivesse nervoso. Todos aqueles gentios por toda parte. Ele não se sentia muito seguro.
Mas, antes que tivesse avançado muito em sua mensagem, algo aconteceu. De repente, Pedro percebeu que estava pregando para si mesmo. Ninguém estava ouvindo, porque todos estavam profetizando e falando em línguas. Pobre Pedro!
Então, de repente, caiu a ficha: são gentios. Meu Deus! O que fazemos?
Não demorou muito, e alguém veio perguntar: “Podemos ser batizados?”. Agora Pedro estava numa enrascada — talvez devêssemos dizer que estava dentro d’água —, mas, enfim, todos foram batizados.
Agora, meu ponto é este: não creio, nem por um momento — e posso estar errado; um dia poderemos perguntar a ele, e ele poderá esclarecer tudo —, mas suspeito que Pedro não fazia ideia da importância daquela pequena reunião na sala da casa daquele oficial, num bairro gentio de Cesareia.
Não imagino, nem por um momento, que Pedro tenha percebido de repente, naquela hora, que a porta se havia aberto para a grande missão aos gentios na igreja, na qual uma multidão incontável de gentios, de todas as cores, formas e tamanhos, entraria no reino de Deus.
Tudo começou naquela pequena reunião.
E vocês estão na sucessão apostólica direta, se é que existe tal coisa. É por isso que estão aqui hoje — por causa daquela pequena reunião em Cesareia. Foi o início da missão da igreja aos gentios.
Agora, eu não ficaria nada surpreso se, um dia desses, em algum lugar, de alguma maneira, algo começasse novamente, desta vez nos círculos judaicos. Sem que sequer saibamos, a porta se abrirá. Mais uma vez, eles poderão enxergar pela ação de Deus.
Se é assim, ah, como precisamos de fé viva — como precisamos compreender que estamos nos últimos dias. Estamos realmente nos últimos dias, tão perto da volta do nosso Senhor.
Ah, como precisamos estar vivos, atentos, vigilantes. Que dias empolgantes estamos vivendo!
Há santos que desejaram ardentemente ver estes dias com os próprios olhos, especialmente aqueles de origem judaica. Como ansiavam por ver os dias em que o reino seria novamente restaurado a Israel, em que haveria de novo um Estado judeu soberano, com uma liderança judaica soberana.
Embora fossem muito carnais, ansiavam tanto pelo bem do próprio povo. A missão da igreja aos gentios percorreu toda parte para trazer todos para dentro.
Queridos, que Deus nos dê um amor assim por Israel e um amor assim pelo povo judeu. Que Ele remova todas as teias de ideias equivocadas e errôneas.
Que Ele faça mais. Que coloque em nós uma profunda agonia de intercessão. Matthew Henry disse certa vez que, quando Deus está para fazer algo, primeiro põe o Seu povo a orar.
Que Deus lhes dê uma nova atitude em relação a Israel — não para desviá-los, não para levá-los a um beco sem saída espiritual, a um caminho espiritual sem saída, mas para levá-los a compreender e apreciar o coração do seu Deus e Salvador.
Que vocês tenham fé viva em favor deles, assim como eles um dia tiveram fé viva em favor de vocês.
Deve ter lhes custado algo, naqueles primeiros dias, crer que aqueles bárbaros selvagens e citas, aqueles romanos orgulhosos, algum dia poderiam tornar-se coerdeiros, concidadãos e membros do mesmo corpo.
Mas era a fé viva neles que cria que Deus poderia fazer entre os gentios a mesma coisa que havia feito entre os judeus — introduzi-los no novo homem, na nova criação, no corpo do Messias.
Que Deus lhes dê agora essa mesma fé viva em favor deles, para crer que eles, tão conscientes das coisas materiais, tão presos às coisas materiais, tão cegos para a Pessoa do Senhor Jesus, ainda possam tornar-se novamente coerdeiros, concidadãos e membros do mesmo corpo.
Vamos orar?
Agora, Pai celestial, livra-nos, nós Te pedimos, nesta noite, de toda confusão e de todo mal-entendido. Se algo foi dito, Senhor, que esteja errado, equivocado ou inadequado, apaga-o graciosamente do coração, da mente e da memória, para que o inimigo não tenha nenhum terreno em que agir.
Mas, Senhor, tudo o que procede de Ti, escreve de maneira indelével em nosso coração. Grava-o, Senhor, com o Teu dedo.
Concede, nós Te pedimos, Senhor, que surja um novo peso no coração, um clamor do coração por esse povo, uma tristeza e uma angústia incessantes por eles, para que sejam salvos.
Querido Senhor, concede isso, nós Te pedimos. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.