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    Living Faith: The Church © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Living Faith: The Church
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    Lambert, Lance

    A fé viva e a igreja de Deus

    Abram no Evangelho de Mateus 16:15-19.

    Disse-lhes Jesus: Mas vós, quem dizeis que Eu sou?
    E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
    E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que te revelou isto, mas Meu Pai, Que está nos céus.
    E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
    E Eu te darei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    E agora, no Antigo Testamento, no profeta Zacarias 4:1-10.

    E tornou o anjo que falava comigo, e me despertou, como a um homem que é despertado do seu sono.
    E me disse: Que vês?
    E eu disse: Olhei, e eis um candelabro todo de ouro, com um vaso de azeite no seu topo, e as suas sete lâmpadas sobre ele; há sete tubos para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo;
    E junto a ele duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e a outra à sua esquerda.
    E respondi, e falei ao anjo que falava comigo, dizendo: Que são estas coisas, meu senhor?
    Então o anjo que falava comigo respondeu, e me disse: Não sabes tu o que são estas coisas?
    E eu disse: Não, meu senhor.
    Então respondeu, e me falou, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
    Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície: e ele trará a pedra de remate com aclamações de: Graça, graça a ela.
    E a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; também as suas mãos a acabarão; e saberás que o Senhor dos Exércitos Me enviou a vós.
    Porque quem desprezou o dia das coisas pequenas? Pois estes sete se alegrarão, e verão o prumo na mão de Zorobabel. Estes são os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra.

    Oração inicial

    Vamos nos curvar juntos para uma palavra de oração?

    Pai, queremos agradecer-Te porque estamos aqui, em Tua presença, nesta noite. Agradecemos-Te pela comunhão. Agradecemos-Te pelo espírito de adoração e louvor.

    E, ao nos voltarmos agora para a Tua Palavra, queremos pedir, Senhor, que tornes a Tua Palavra viva para nós. Livra-a, Senhor, de ser apenas uma palestra, uma leitura bíblica ou um esboço de verdade e doutrina. Oramos para que ela signifique mais do que isso. Oramos, ó Senhor, para que a tornes um encontro Contigo. Vem a nós em Tua Palavra, Senhor.

    Agradecemos-Te pela provisão que fizeste para todos nós, para este encontro, para esta reunião específica. Agradecemos-Te pela unção que providenciaste, pela graça e pelo poder que há nessa unção, para todos nós, para quem fala e para quem ouve.

    Amado Senhor, pela fé nos colocamos agora sob essa unção, para que o Teu propósito para este momento se cumpra e, ao final, Tu sejas glorificado, Pai, e o Senhor Jesus seja honrado; e para que todos nós compreendamos mais plenamente esse Teu propósito a respeito Dele. E que, em nossos corações, haja uma entrega a esse propósito em obediência.

    Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A fé viva como fé obediente

    Bem, nestas reuniões à noite, tenho falado sobre a fé viva: uma fé prática, viva, que age. Não a fé que está aqui em cima, nem a fé que está aqui dentro.

    É muito interessante que, na Palavra de Deus, a obediência seja quase sinônimo de fé. Obedecer é confiar, porque, na verdade, a obediência é a única evidência real de que você possui uma fé viva.

    Como precisamos hoje dessa fé viva! Nós, cristãos, cremos em tantas coisas, professamos tantas coisas e possuímos tão pouco. Há tão pouco em nossa vida individual e em nossa vida coletiva que revele como realidade aquilo que professamos.

    E essa questão da fé viva é realmente de importância fundamental. Bem, não quero dizer mais nada sobre isso; caso contrário, com o tempo passando, não conseguiremos tratar do assunto desta noite.

    Quero falar sobre a fé viva e a igreja de Deus.

    A igreja e Israel no coração de Deus

    Gostaria de dizer isto logo de início. Creio que, nestes dias em que vivemos, se nós, os crentes, não compreendermos o coração de Deus, estaremos perdidos.

    Não basta simplesmente ter conhecimento bíblico. Precisamos compreender qual é o desejo do coração de Deus, porque, à medida que nos aproximamos do fim desta era e entramos na última fase da história humana, o inimigo agirá de maneiras sem paralelo na longa história da humanidade: seduzindo, enganando, iludindo e levando a concessões.

    E precisamos compreender o que realmente pesa sobre o coração de Deus. Gostaria de dizer, em uma ou duas frases, que você não pode compreender o encargo que está no coração do Senhor para os nossos dias e a nossa geração, nem compreender os tempos em que vivemos, se não enxergar duas questões.

    A igreja

    Uma delas é a igreja. A igreja é a questão: todo esse assunto da igreja — o corpo do Messias, o corpo de Cristo, a casa de Deus; esse crescimento para ser um templo santo no Senhor; esse único corpo em Cristo; essa edificação de si mesmo em amor, crescendo, por assim dizer, em direção à Cabeça, retendo firmemente a Cabeça e descobrindo o corpo bem ajustado e unido.

    Se não compreendermos isso, perderemos de vista o encargo do coração de Deus para a nossa geração. Precisamos compreender isso.

    E é por isso que, a meu ver, tem havido um mover tão grande do Espírito em todo o mundo. Lembro-me de que, há trinta anos, quando comecei meu ministério e passei a falar sobre a igreja, as pessoas ficavam de boca aberta. Não entendiam do que se estava falando. Era algo de que raramente se falava.

    Tem sido extraordinário, para mim, observar o mover do Espírito de Deus. Seja qual for a opinião das pessoas sobre alguns de seus extremos e excessos, é extraordinário ver como esse assunto agora se tornou quase de conhecimento geral. Não posso dizer que seja sempre compreendido, mas pelo menos todos hoje falam da igreja como o corpo de Cristo e falam da igreja como algo mais orgânico, de pedras vivas sendo edificadas juntas.

    Esse é um desenvolvimento muito empolgante e, certamente, é exatamente o que esperamos. A. B. Simpson disse, no final do século passado, que a última fase da história humana seria marcada por um grande mover do Espírito de Deus: uma redescoberta da Pessoa do Espírito Santo que nos levaria a uma redescoberta da igreja. E me parece que essa é realmente uma das coisas que aconteceram.

    Israel

    A outra coisa que, creio eu, precisamos compreender — a outra questão que está tão presente no coração de Deus — é Israel.

    E, se não compreendermos essas duas coisas, não poderemos compreender os tempos em que vivemos. Pois essas duas questões pesam agora sobre o coração do Senhor, e tudo o que Ele está fazendo tem essas duas questões diante Dele.

    Bem, vou deixar esse assunto e não dizer mais nada sobre ele. Nesta noite, quero falar sobre a fé viva e a igreja de Deus.

    A fé viva e a realidade prática da igreja

    Você pode ter toda a doutrina da igreja que quiser. Pode traçar os padrões da igreja, dizer-nos qual é a base da igreja, explicar como as pedras vivas devem ser edificadas juntas; mas, se não tiver fé viva, todo o seu conhecimento será teórico.

    Não haverá edificação de pedra com pedra. Não haverá um nascimento vivo da igreja. Não haverá verdadeira vida da igreja. Não haverá funcionamento do corpo de Cristo, porque, sem fé viva, não há possibilidade de a igreja ser edificada e funcionar.

    Seu nascimento, seu desenvolvimento, sua edificação, seu ministério e testemunho, sua conclusão: sua participação nisso, seu envolvimento, sua contribuição, se quiser chamar assim, tudo está ligado a essa questão da fé viva.

    Se o inimigo não conseguir impedi-lo de ver o que é a igreja, o que ele fará será trazer incredulidade ao seu coração, de modo que você passe interminavelmente pelas reuniões, ouça tudo sobre a igreja e como ela deve funcionar, ouça tudo sobre dons, ministério e tantas outras coisas, mas nada jamais aconteça.

    E, em particular, você nunca se envolve de maneira prática, genuína, real. É a fé viva, e somente a fé viva, que não apenas lhe permite ter uma visão, mas o leva diretamente à realização prática dessa visão.

    Sem essa fé viva, tudo isso é um ideal. Tudo isso é doutrina. É verdade. É algo que não se tornou carne e sangue.

    A declaração de Cristo acerca de Sua igreja

    Agora, olhem por um momento para um ou dois aspectos desse assunto. Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar esse fato glorioso.

    Vejam a declaração do nosso Senhor. Não é uma declaração maravilhosa? Tão majestosa, tão grandiosa em suas palavras, tão simples:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Se não fosse por essa maravilhosa declaração do Edificador e Cabeça da igreja, eu, pelo menos, teria desistido há muito tempo.

    Quando vejo a confusão — não apenas a confusão nos círculos tradicionais, nos círculos institucionais, mas também a confusão nos chamados grupos que enxergam alguma coisa da igreja —, eu teria desistido há muito tempo. Vocês não?

    Eu poderia ser tentado a acreditar em algumas dessas teorias que certas pessoas têm apresentado: que a igreja nasceu, foi plantada e se desenvolveu maravilhosamente no primeiro século da era da igreja, mas, muito rapidamente depois disso, tudo se desfez. E não adianta lamentar esse fato, porque agora tudo se desfez.

    E que nós, que nascemos de novo, não devemos ter nada a ver com o movimento ecumênico, porque ele é falso de qualquer maneira. E que não devemos esperar nenhuma manifestação concreta de unidade entre o povo de Deus, porque essa é uma causa sem esperança.

    Bem, fico muito contente porque o Senhor Jesus não disse: “Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela até o tempo do fim. E então as portas do inferno prevalecerão contra ela”.

    Ele nunca disse isso. Algumas pessoas parecem achar que isso está escrito ali. Parecem achar que está implícito. Mas o Senhor Jesus nunca disse isso.

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Se é assim, tenho um fato eterno. Tenho um fato no qual a fé viva pode se ancorar. Seja qual for a aparência das coisas, sejam quais forem os problemas e as dificuldades que vejo com estes olhos e sinto até mesmo em meu espírito, o fato é que tenho uma declaração — não de um apóstolo, nem mesmo do primeiro apóstolo —, mas uma declaração da Cabeça da igreja e do Salvador do corpo, o próprio Senhor Jesus.

    E foi isto que Ele disse:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Pedro como material para a obra de edificação de Deus

    E eu não sou católico. Minha origem é judaica, portanto não sou católico. Nunca fui católico. Graças a Deus, também nunca fui protestante, mas isso não vem ao caso. Quero dizer, para ser bem sincero, nunca tive muito envolvimento com nenhum dos dois.

    Mas o fato é este: sou muito grato porque foi a Pedro que o Senhor falou e porque Ele disse: “Tu és Pedro, uma pequena lasca da rocha; sobre esta pedra” — usando outra palavra —, “o maciço rochoso, edificarei a Minha igreja”.

    Bem, fico muito contente porque foi a Pedro que Ele disse isso. Vocês não?

    Pedro, que era tão impulsivo; Pedro, que era tão vigoroso; Pedro, que estava sempre à frente; Pedro, que queria servir ao Senhor de todo o coração; que disse:

    Morrerei Contigo antes de Te negar.

    Pedro, que jurou três vezes que nem sequer conhecia Jesus.

    A esse homem, que negou seu Senhor três vezes com juramentos, Jesus disse:

    Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.

    Ah, quantos Pedros há na igreja! É claro que a maioria de nós não percebe tão depressa os problemas em si mesmo; nós os percebemos uns nos outros. Estamos sempre nos decepcionando uns com os outros, não estamos? Sempre dizemos: “De que adianta? Como o Senhor pode edificar a igreja aqui? Como Ele pode edificá-la ali? Temos fulano entre nós”.

    Imagino que, se tivéssemos entre nós alguém que tivesse negado o Senhor três vezes com juramentos e quase com maldições, pensaríamos: “Ah, é impossível. É impossível. O Senhor não pode… Que coisa terrível! O Senhor não disse:

    Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não?

    Nada de juramentos”.

    E, no entanto, esse homem disse:

    Nem sequer conheço esse Homem.

    Imaginem falar assim Daquele a Quem ele havia dito:

    Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

    Nem sequer conheço esse Homem.

    Foi isso que ele disse.

    E, além disso, diante de uma mocinha franzina. Bem, sei que algumas mulheres são formidáveis. Sei que nosso irmão falou nesta tarde sobre elas serem os vasos mais frágeis, mas sempre observei que as mulheres vivem, em média, dez anos mais do que os homens. E a voz de algumas mulheres parece uma sirene de navio. Algumas mulheres podem ser tão fortes! Vasos mais frágeis em outro sentido, sim.

    Mas, sabem, é surpreendente, para mim, que Pedro tenha cedido, desmoronado, caído por completo diante de uma simples mocinha, uma criada que o pegou de surpresa e disse:

    Tu estavas com esse Jesus.

    E esse grande pescador robusto, tão masculino, tão viril, tão vigoroso, tão agressivo, desmorona diante de uma mocinha tão franzina. E, quando ele disse: “Não, não, não, não, não, não”, ela voltou um pouco depois e disse: “Escute, você fala com um dialeto”.

    Sabem, se fosse nas Ilhas Britânicas, eu diria: “Você fala com o dialeto de Yorkshire”. Dá para saber de longe de onde a pessoa vem. Esse galileu… O dialeto galileu tinha um ceceio. Eles ceceavam. Não conseguiam pronunciar bem o “s”.

    E então ela disse:

    A tua fala te denuncia.

    E ele desmoronou de vez. E, com juramentos, disse:

    Não conheço esse Homem.

    Agora, pensem por um momento. Foi desse homem que Jesus disse: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra — tu és apenas uma pequena lasca da rocha, mas sobre este maciço rochoso — edificarei a Minha igreja”.

    Eu diria que, se tivéssemos algumas pessoas assim no grupo com o qual estamos adorando, poderíamos muito bem desistir. Poderíamos dizer: “É impossível. Você quer me dizer que o Senhor vai edificar a igreja e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, quando temos esse tipo de material? Meu Deus, o inferno está aqui dentro! É o cavalo de Troia. Já temos o inferno aqui dentro”.

    E, no entanto, foi Pedro que o Senhor Jesus destacou, como se dissesse: “Pedro, você representa um tipo de material do qual vou Me apoderar e que vou trabalhar a partir da Rocha viva, produzindo pedras vivas. E vou edificá-lo, juntamente com outras pedras vivas, sobre esta pedra. Edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

    Ah, se ao menos tivéssemos fé viva! Sabem, é impressionante como ficamos desiludidos, deprimidos e decepcionados com esse assunto.

    A igreja como lugar de aperfeiçoamento

    É claro que sei que, mais uma vez, muitas vezes são os nossos conceitos que estão errados. Vejam, estamos procurando algo perfeito. Todos estamos procurando a igreja perfeita. Não queremos Pedros. Queremos santos do tipo canonizado: nenhum pensamento mau, nunca um colapso, nunca uma falha, nunca um pecado.

    Estamos procurando pessoas que enxerguem tudo com clareza, que andem todas em pureza, que sejam todas absolutamente poderosas no Espírito. Queremos ver toda a elite reunida, de algum modo, assim. Perfeita.

    A igreja aqui na terra nunca será perfeita. Se fosse, você não entraria nela.

    Bem, eu colocaria isso de maneira mais gentil e diria: se ela fosse perfeita e eu entrasse nela, passaria a ser imperfeita, não é?

    O fato é que a igreja aqui na terra nunca foi destinada a ser perfeita. É aqui que toda a obra de aperfeiçoamento acontece. E a maravilha de tudo isso é que Deus toma o material mais sem esperança — Ele toma esse material que, por si só, não resistiria à prova — e faz uma obra tão grande com esse material; e, desse material, Ele edifica a Sua igreja.

    Sou grato pela declaração do Senhor Jesus. Ele certamente sabia que viriam os tempos de trevas, que a luz de Deus na igreja seria quase eclipsada.

    Ele certamente sabia que a Idade Média traria um sistema que mataria tudo. Certamente sabia que, quando a Reforma eclodisse, antes de passar uma geração, eles estariam se atacando uns aos outros. Certamente sabia de todas essas coisas. Certamente sabia das mil e uma divisões que se desenvolveriam entre nós ao longo dos séculos da história da igreja.

    Ele sabe que, em nossos dias e em nossa geração, estamos enfrentando a ascensão do anticristo, daquele período de trevas e iniquidade cuja presença logo terá de se fazer sentir. Certamente, a iniquidade e a ausência de lei em toda a sociedade, ao redor do mundo, são o primeiro prenúncio do que está vindo sobre a terra neste tempo.

    E, se estamos entrando num tempo assim, quando a própria atmosfera será hostil, quando haverá na atmosfera algo que desgastará os santos, ah, como precisamos de um fundamento em que ancorar a fé!

    Não é de admirar que o amor de muitos se esfrie, porque a iniquidade se multiplicará. Não é de admirar que não haja uma fé perseverante, a menos que nos revistamos deliberadamente da couraça da fé e do amor.

    Precisamos de mais do que entendimento natural, talentos naturais, firmeza natural, coragem natural ou caráter natural. Precisamos de poder e graça sobrenaturais, se quisermos vencer nos dias que estão imediatamente à nossa frente.

    Sou grato por essa maravilhosa palavra do nosso Senhor Jesus. Sou grato porque Ele não disse apenas:

    Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.

    Sou grato porque Ele disse:

    E as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Ah, que graça do Senhor em prosseguir para a segunda parte da frase, reforçando tudo! Já teria sido maravilhoso se Ele tivesse dito apenas:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.

    Mas Ele realmente diz:

    E as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Que fundamento em que ancorar a fé viva! Você já viu alguma coisa a respeito do corpo de Cristo? Já viu alguma coisa a respeito da igreja de Deus?

    Você percebe essa bela expressão?

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.

    Não é uma igreja; é a Minha igreja. E as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Louvado seja Deus por isso.

    A preparação da noiva

    Temos aqui um fundamento em que ancorar a fé. Ah, temos mais alguma coisa na Palavra de Deus à qual possamos recorrer? Sim, temos. Temos outras coisas maravilhosas.

    Creio que mencionei isso na outra noite, quando falava com vocês a respeito de outro assunto. Mas, quando chegamos a Apocalipse 19:6-7, ouvimos aquelas palavras maravilhosas, depois de ver visões de perseguição e martírio, sistemas mundiais, a marca da besta, 666, e essa terrível coisa religiosa prostituída que cavalga sobre a besta, e todas essas visões assustadoras.

    Ouvimos estas palavras maravilhosas:

    Aleluia.
    Regozijemo-nos e alegremo-nos sobremaneira, porque o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso, reina.
    Regozijemo-nos e alegremo-nos sobremaneira, porque a ceia das bodas do Cordeiro é chegada, e a Sua noiva se aprontou.

    Louvado seja Deus. Até o momento do arrebatamento, haverá na terra um povo que estará se preparando pelo poder do Espírito Santo e por meio da obra da cruz.

    Eles se apropriarão da graça de Deus. Eles se apropriarão do poder de Deus e, em meio a circunstâncias difíceis, circunstâncias contraditórias, em meio a problemas e dificuldades colossais, eles se prepararão.

    A visão de Zacarias sobre o plano divino de edificação

    Acho isso algo maravilhoso. E então volto ao Antigo Testamento e leio essa maravilhosa profecia de Zacarias, conforme está registrada em Zacarias 4:1-10.

    E ali descubro que ele viu um candelabro todo de ouro. Vocês se lembram de quando o apóstolo João se virou, no dia do Senhor, e viu, no meio de sete candelabros de ouro, Alguém Que era o Messias ressuscitado, elevado aos céus e glorificado? Lembram-se disso?

    E lhe foi dito expressamente que aqueles sete candelabros, todos de ouro, representavam sete igrejas locais. Lembram-se?

    Bem, muito tempo antes, Zacarias teve uma visão. E foi despertado como alguém que sai do sono. Sempre gosto dessa expressão. Não sei como vocês ficam quando são despertados do sono. Ha! Mortos.

    Não sei. Algumas pessoas parecem despertar no instante em que abrem os olhos. Pronto, já estão a todo vapor. Pulam da cama e estão prontas. Mas alguns de nós somos mais humanos.

    Somos daqueles que abrem um olho, depois o outro; uma mão se mexe, depois a outra. E, na verdade, ficamos andando por aí ainda dormindo durante mais ou menos meia hora.

    Sabem, as pessoas dizem todo tipo de coisa. Dizem: “Tome um banho frio, beba uma xícara de café preto”, mas, sinceramente, não acho que isso ajude muito. Mas é interessante que o texto diga: “Como alguém que foi despertado do sono”, o que entendo como significando que ele estava um pouco sonolento.

    E ele olhou e viu um candelabro todo de ouro e, de cada lado, uma oliveira: duas oliveiras, uma de cada lado. E então viu algo. Disse:

    Que são estas coisas, meu senhor?

    Ele estava muito interessado nas oliveiras.

    Isso é interessante. Ele estava tão interessado nas oliveiras, e o anjo quase ignorou a pergunta. Disse: “Você não entende?”

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.

    Bem, isso é muito interessante, porque, à medida que prosseguimos, descobrimos que se trata de um plano divino de edificação. É um plano de edificação. Antes de tudo, esse candelabro representa a obra de edificação de Deus, a obra eterna de edificação de Deus.

    É claro que, quando essa visão foi dada a Zacarias, ela tinha a ver com a reconstrução literal do segundo templo. E isso era muito importante para aquela dispensação, porque era àquele templo que o Messias viria de repente, e toda aquela era chegaria ao fim.

    Mas como isso é maravilhoso: um plano de edificação. E agora escutem. Escutem a palavra:

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.

    Ah, que dificuldades aqueles construtores enfrentaram nos dias de Ageu e Zacarias, nos dias de Zorobabel! Eles eram tão pequenos, tão poucos, um remanescente minúsculo. A grande maioria — centenas e centenas de milhares do povo de Deus — havia ficado para trás, em suas casas confortáveis na Babilônia, na Pérsia, na Assíria, em toda aquela região.

    Era apenas um pequeno grupo que havia voltado, e tudo estava contra eles. Ficaram tão desiludidos, tão decepcionados, tão desgastados. Não tinham suas próprias casas para dormir ou morar, e por isso começaram primeiro por elas; depois perceberam que haviam invertido as prioridades.

    Em vez de edificar a casa do Senhor, estavam todos preocupados com suas próprias casas. E Deus teve de falar com eles.

    Como é interessante:

    Não desprezeis o dia das coisas pequenas.

    Isso parece uma palavra dirigida a pessoas decepcionadas.

    Eles estavam começando a se perguntar: “Será que vale a pena? Ouvimos falar de todos os nossos outros amigos lá atrás, desfrutando de luxo e paz. Eles têm suas sinagogas, seus lugares de culto, suas escolas, seus programas educacionais, seus negócios. Estão muito bem”.

    “Será que vale a pena todo esse desgaste, toda essa hostilidade na atmosfera por causa dessa questão de construir o templo? Será que tudo isso já acabou? Talvez Deus não esteja mais interessado em templos. Talvez agora a ideia seja a sinagoga, não o templo.”

    Eles não percebiam, como nós percebemos com a sabedoria de olhar para o passado, como aquele templo era importante.

    O prumo na mão de Zorobabel

    Os sete olhos de Deus, que significam toda a inteligência divina, se alegrarão muito ao ver o prumo na mão de Zorobabel. Mas o que é um prumo? Um prumo não tem sentido fora de uma construção, não é?

    Por aquela linha, você verifica se uma coisa está alinhada, se está reta. Entendam, não sou construtor, então só posso explicar com minhas próprias palavras. Mas você não usa um prumo para pintar um quadro, nem usa um prumo para pescar.

    Um prumo tem apenas um significado: um plano de edificação está em execução. E o texto diz que toda a inteligência divina se alegrará ao ver o prumo na mão de Zorobabel. Suas mãos lançaram os fundamentos; suas mãos também concluirão a obra.

    O grande monte e a pedra de remate

    Bem, aqui está outra palavra. Escutem com muita atenção:

    Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície.

    Agora, o que era esse grande monte? Bem, não poderia ser uma das montanhas ao redor de Jerusalém. Quero dizer, isso é óbvio. Portanto, era um monte moral, se quiserem, um monte espiritual: uma grande cadeia de dificuldades que se interpunha entre os construtores e a conclusão do plano de edificação. Entendem?

    E aqui vem a palavra:

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
    Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície;
    E a pedra de remate será trazida com aclamações de: Graça, graça a ela.

    Não glória. Tenho certeza de que alguns de nós, que fomos influenciados de maneira boa pelo mover do Espírito de Deus nesta época passada, poderíamos dizer: “Por que Ele não diz: ‘Glória, glória’?”

    Tão tremenda é a conclusão dessa obra, tão colossal é o plano de edificação chegando ao seu término, que a única coisa que poderíamos gritar seria: “Glória!” Não, eles dizem: “Graça”.

    Vocês sabem que isso indica alguma coisa? Indica que haverá tamanhas dificuldades no fim, tamanhos problemas no fim, que, se não fosse pela graça de Deus, a obra não seria concluída. Mas a graça de Deus a concluirá, e todos os envolvidos dirão: “Graça, graça”.

    Ah, escutem. Vocês podem olhar para mim, sabem, cansados ou seja lá como estiverem, meio mortos, não sei; ou talvez não estejam entendendo muito bem do que estou falando nesta noite. Mas deixem-me dizer apenas isto: aqui está um fundamento em que ancorar a fé viva em toda essa questão da igreja de Deus.

    Não por força, nem por poder.

    Nem mesmo por força espiritual — isto é, nossa força, por assim dizer, espiritualizada. Entendem o que quero dizer? Força cristã e poder cristão.

    Mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.

    Como esse monte será removido? Somente por pessoas com fé como um grão de mostarda, que, tendo visto que o Senhor disse que sobre esta pedra Ele edificará a Sua igreja e que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, dizem ao monte: “Saia do caminho do nosso Senhor”.

    Essa obra será concluída:

    Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito.

    E, quando o Espírito do Senhor não apenas aviva e renova a pequena fé que há em você, mas coloca em sua boca a palavra de fé a respeito das dificuldades que impedem a edificação e a conclusão da igreja, então o monte será removido.

    Mas, graças a Deus, aqui está um fundamento em que ancorar a fé viva:

    A pedra de remate será trazida com aclamações de: Graça, graça a ela.

    A expressão local da igreja

    Bem, essa igreja que Deus está edificando — na verdade, tudo se resume, não é, à comunhão que temos em nossa própria região.

    Todos podemos nos esconder nessa maravilhosa igreja universal que está por toda parte, que ninguém jamais vê e que é perfeita, sem mancha nem defeito. Sabem, podemos nos esconder atrás dessa igreja invisível. É claro que, essencialmente, ela é invisível.

    Mas a realidade invisível precisa ter uma expressão concreta. E, na prática, tudo se resume a isto: posso ser um com meus irmãos e irmãs na Austrália porque eles estão a alguns milhares de quilômetros de distância. É simples assim.

    Posso amar meus irmãos e irmãs na China porque eles estão na China. Agora, se alguns dos nossos irmãos e irmãs vierem para cá, talvez eu comece a ter alguns problemas, porque eles estarão aqui.

    Posso falar da igreja de Deus. Ah, a igreja de Deus! Como a igreja de Deus é maravilhosa! Como sua unidade é maravilhosa, como seu poder é glorioso, como é maravilhoso que o Senhor esteja edificando a igreja.

    E, vejam, posso amar tanto a todos eles, desde que estejam a alguns quilômetros de distância. Posso estar tão comprometido com essa questão da igreja, desde que ela não tenha nada a ver com o lugar onde moro.

    Posso dizer: “Eu vejo essa questão. Eu vejo essa questão. Vejo que ela está no coração de Deus. Vejo mesmo”.

    Podemos devorar livros e revistas que, agora, parecem estar sendo publicados em grande quantidade sobre todo esse assunto da igreja. Ah, como isso é maravilhoso!

    E, na hora da verdade, tudo fica lá em cima. É uma fachada.

    É uma fachada. É como viver no deserto e cantar hinos sobre a terra prometida, fazer estudos sobre a terra prometida, estar sempre fazendo esboços sobre a terra prometida, gloriar-se no leite e no mel que fluem na terra prometida.

    As fontes que se encontram nos vales da terra prometida, a chuva que cai… Mas, é claro, lá no Sinai quase nunca chove e, quando chove, a água pode arrastá-lo.

    Mas lá em cima, nas colinas, é um pouco diferente. Tudo pode ficar verde; tudo pode ficar coberto de flores. É tão fértil e frutífero na estação certa.

    Podemos permanecer ali no deserto, cantando sobre todas essas coisas maravilhosas: o cobre que há nas montanhas, o ferro que há nas colinas, toda a maravilha da terra prometida. Graças a Deus, a terra prometida, a terra prometida, a terra prometida — e nunca estamos na terra prometida, porque a fé viva nunca nos uniu à Palavra de Deus a respeito dessa questão.

    Assim é com a igreja. A prova está na prática. E, se você realmente crê na igreja, então a questão é o seu relacionamento com seus irmãos e irmãs na região onde você mora.

    A comunhão como prova da fé viva

    E é aí que temos todos os nossos problemas. As pessoas sempre vêm até mim e dizem: “Ah, foi tão maravilhoso ouvir sobre o Espírito Santo. E agora?” E parecem pensar que, um dia desses, o Espírito Santo cairá sobre elas e elas farão alguma espécie de levitação espiritual.

    Vão flutuar no ar, possivelmente na horizontal, sair flutuando com êxtases maravilhosos e visões extraordinárias, ouvir o Senhor falando e todo esse tipo de coisa.

    Escutem, vou lhes dizer uma coisa. Se vocês começarem a compreender algo sobre essa questão da igreja e realmente se comprometerem com ela, e obedecerem à verdade, de modo que sua atitude para com seus irmãos e irmãs na região onde moram tenha de passar por uma mudança radical — uma revolução —; se vocês se comprometerem com eles, realmente se comprometerem, não ficando na periferia, mas realmente se comprometerem com eles, vocês precisarão da capacitação do Espírito Santo. Amém.

    Depois de algum tempo, vocês ficarão tão desesperados que, se o Espírito Santo não vier sobre vocês… Minha nossa!

    Tentem ministrar a esses queridos irmãos, especialmente se forem poucos. Ah, pode se tornar tão claustrofóbico! Vocês precisarão do Espírito Santo.

    As pessoas vêm até mim e dizem: “Ah, e essa questão do caminho da cruz? Não sei. Eu gostaria tanto de ter uma experiência de ser crucificado. Eu vejo isso, mas como?”

    Ah, não esquente a cabeça. Apenas se comprometa com seus irmãos e irmãs. Eles o crucificarão.

    Não conheço nenhum grupo de igreja no mundo que não tenha feito um trabalho maravilhoso de crucificar uns aos outros. Podemos fazer isso das maneiras mais bonitas, das maneiras mais bíblicas, com as Escrituras em nossa boca.

    Você não pode crucificar a si mesmo, mas Deus pode usar seus irmãos e irmãs para fazê-lo. As pessoas dizem: “Ah, eu realmente deveria cair na terra e morrer. Deveria me humilhar. Você disse: ‘Se eu me humilhar’… Como posso me humilhar?”

    Querido irmão, eu digo: “Não seja tão artificial. Você terá uma oportunidade dentro de vinte e quatro horas. Alguém entrará em choque com você e, naquele momento, ou você se humilha ou se exalta”.

    Ou você luta pelos seus direitos, ou diz: “Aqui está a minha oportunidade. Obrigado, Senhor”.

    Fé viva. Todas essas coisas de que temos falado — o irmão Steve tem falado pela manhã sobre unidade, sobre todas as maravilhas dessa unidade do Espírito e da unidade da fé à qual estamos chegando — e todas essas outras coisas de que tenho falado à noite em relação à fé viva, todas elas precisam se tornar realidade nessa questão da igreja.

    Essa é a prova de tudo. Posso falar de amor até perder o fôlego e odiar alguns dos irmãos e irmãs com quem tenho comunhão. Posso falar de lealdade até o fim dos tempos e, ainda assim, fofocar sobre irmãos e irmãs com quem tenho comunhão, com quem parto o pão. Saio dali falando deles sem parar.

    Essas são as manchas em nossas festas. Esses são os recifes ocultos que nos fazem naufragar.

    Vejam, podemos falar de todas essas coisas bonitas, de humildade. A verdadeira humildade é descoberta na verdadeira comunhão.

    O poder — o verdadeiro poder — é descoberto na comunhão da igreja local. De verdade.

    Para mim, não significa nada um homem dizer que tem poder para subir numa plataforma em algum lugar e fazer isto, aquilo ou outra coisa. Isso não significa nada.

    Mas, na verdade, se ele tem poder, dentro de um grupo do povo do Senhor, para realmente fazer o que é certo, então sabemos que ele tem poder.

    A fé viva e a autoridade espiritual

    Fé viva. Ah, queridos irmãos e irmãs, como sempre, o relógio começa a nos vencer.

    Essa questão da igreja, que está tão presente no coração de Deus… Vocês acham que Satanás, que tem lutado por milhares de anos — não apenas dois mil anos, mas pelos milhares de anos da história humana — para frustrar esse propósito de graça, esse desejo do coração de Deus, vocês acham que ele vai desistir agora?

    Vocês não acham que, sabendo que o tempo é curto, ele usará todos os recursos? Ele esvaziará seu arsenal de cada peça de equipamento que possui para lançá-la na batalha. Vocês não acham que ele fará tudo, numa última grande ofensiva, para vencer o propósito de Deus e destruí-lo?

    Queridos irmãos e irmãs, vocês e eu não somos páreo para Satanás. Se vocês acham que podem enfrentar Satanás por si mesmos, estão muito enganados. De verdade.

    Ele está nisso há tanto tempo: tão poderoso, tão engenhoso, tão inteligente, tão astuto. Não pensem, nem por um momento, que nós, por nós mesmos, vamos sair vitoriosos disso.

    Somente se tivermos fé viva ancorada, com firme determinação, na Palavra do Deus vivo. Satanás não tem resposta para a Palavra de Deus. Ela é a verdade, e ele é o pai da mentira. Toda a sua arma é a meia-verdade e a mentira. E, quando nos ancoramos na verdade, ele se desintegra. Ele se desintegra.

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    A realidade da igreja primitiva

    O que esperamos em nossas reuniões da igreja? Bem, algumas pessoas dizem: “Esperamos amor perfeito, humildade perfeita, unidade perfeita”, e todas essas outras coisas.

    Escutem, meus queridos. Quando vocês tiram os óculos cor-de-rosa, a igreja primitiva não era tão maravilhosa assim.

    Em pouquíssimo tempo — bem, tenho de tomar cuidado com a maneira de dizer isso —, mas, em pouquíssimo tempo, eles estavam tendo uma reunião maravilhosa e, de repente, alguém morre. Não de maneira bonita. Ele mentiu ao Espírito Santo.

    Muitas vezes me perguntei o que teria acontecido com todos nós se o Senhor tivesse nos tratado exatamente da mesma maneira como tratou Ananias e Safira. Ela entra na reunião, toda delicada, e alguém está sendo carregado para fora. Ela diz: “Quem é?” Ninguém diz nada. Ela entra e diz a mesma coisa que seu marido, mas também se vai.

    E Pedro diz: “Levem-na para fora e a enterrem”. Garanto que, se estivéssemos numa reunião de igreja assim, haveria muita murmuração. As pessoas diriam: “Ah, onde está o amor? Onde está a graça? Que coisa terrível! Duas pessoas tão queridas da nossa igreja morreram, e Pedro simplesmente disse: ‘Levem-nos para fora e os enterrem’”.

    Eles não deveriam ter mentido ao Espírito Santo. Bem, não estou tratando esse assunto com leviandade. Se vocês tirarem os óculos cor-de-rosa e realmente olharem para a igreja primitiva, verão várias coisas que incomodariam muita gente.

    Se eu continuasse, ficaríamos aqui a noite toda falando de muitas outras coisas que aconteceram na igreja primitiva.

    Meus queridos amigos, procurem ser maduros nessa questão. Aquela igreja era uma igreja real. Foi por isso que Ananias e Safira caíram mortos, e foi por isso que o temor do Senhor veio sobre todo aquele povo.

    Não procurem alguma coisa sentimental, bonita, doce, toda idealizada. Isso é uma teoria. Na prática, essa igreja que o Senhor — a Cabeça da igreja, o grande Edificador — está edificando envolve fazer ferver as impurezas para removê-las, eliminar a mistura, por meio de confrontos, choques e incompatibilidades de temperamento, levando-nos a uma compreensão real de nós mesmos e a uma busca desesperada por Ele de verdade.

    As chaves do reino

    A fé viva e a igreja.

    É interessante que o Senhor tenha continuado a falar com Pedro, esse homem que caiu tão profundamente e que demonstra tantos traços de caráter que todos podemos identificar em nós mesmos e uns nos outros.

    Esse querido Pedro — a ele o Senhor Jesus disse:

    A ti darei as chaves do reino dos céus.
    E tudo o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.
    E tudo o que ligares na terra terá sido ligado nos céus.

    Bem, vocês verão que “portas do inferno” é traduzido em algumas versões modernas como “poderes das trevas” ou “forças da morte”. “Poder da morte” é outra tradução. Na antiga Revised Version e na Standard Version, do final do século passado, traduziram literalmente: “as portas do Hades”.

    Bem, não sei o que isso deve significar para muitas pessoas. Hades é uma espécie de lugar dos mortos. O que afinal significa “as portas dos mortos”?

    Acho que os antigos tradutores da King James Authorised Version estavam muito mais próximos da verdade quando traduziram simplesmente “portas do inferno”. Literalmente, é “portas do Hades”, e a New English Bible está correta ao traduzir “forças da morte”, se vocês quiserem ser literais, porque é exatamente isso que significa: poder da morte, forças da morte.

    Mas “portas do inferno” está, na verdade, mais próximo do sentido central da expressão, porque as portas, nas Escrituras, são sempre um símbolo de conselho e julgamento. Os anciãos sempre se assentavam às portas das cidades, e qualquer pessoa que tivesse um problema ia até os anciãos assentados à porta, e ali eles julgavam a questão. Resolviam o assunto. Davam conselho. Explicavam a lei. Definiam as diretrizes. Entendem? As diretrizes divinas.

    Portanto, se vocês entenderem assim, as portas falam do conselho das trevas, do propósito ou das diretrizes dos poderes das trevas. Entenderam? O julgamento e o propósito de Satanás, na verdade: as portas do inferno.

    Bem, outra coisa interessante é esta. Se vocês entenderem como Hades, morte, qual é a arma de Satanás? A arma de Satanás é a morte: a morte espiritual, não apenas a morte física, mas a morte espiritual. É sua grande arma. Ele toca tudo com a morte.

    É por isso que, às vezes, sentimos tamanho peso sobre nossas reuniões, porque o inimigo está tentando nos abafar ou sufocar, impedir que qualquer coisa aconteça, e ele enche toda a atmosfera de morte.

    Chaves. Para que servem as chaves? As chaves podem trancar portas. As chaves podem destrancar portas.

    Agora, escutem novamente. Há duas maneiras de traduzir isso. Uma é:

    As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja.

    Essa é a ideia de que o inferno está na ofensiva e disse: “Essa obra de edificação do Senhor Jesus, nós a frustraremos. Nós a desfaremos. Nós a impediremos. Nós a deteremos. Nós a liquidaremos. Nós a destruiremos”.

    Mas outra maneira de traduzir é:

    As portas do inferno não resistirão a ela.

    E essa é uma maneira maravilhosa de olhar para isso, pois significa que a obra de edificação do Senhor Jesus está na ofensiva, entrando na própria área dominada por Satanás e retirando cativos que se tornarão pedras vivas em Sua igreja.

    Bem, queridos irmãos do povo de Deus, não há uma necessidade tremenda quando olhamos ao nosso redor hoje? Antigamente, era no chamado campo missionário que sentíamos a hostilidade no ar: esse ocultismo, espiritismo, magia e todas essas coisas sombrias, essas coisas das trevas.

    Costumávamos pensar nisso apenas no campo missionário. Agora, isso voltou para todos os países ocidentais, e estamos diante de homens e mulheres que, mesmo que quisessem vir ao Senhor Jesus, não conseguem vir até que as portas sejam destrancadas.

    Em muitas ocasiões, conheci pessoas a quem aconselhei numa reunião evangelística e que me disseram: “Quero encontrar o Senhor, mas não consigo”. Antes, eu nunca sabia o que fazer com essas pessoas. Pensava: “Bem, há algo errado com a vontade delas. Elas precisam render a sua vontade”, ou alguma coisa assim.

    Mas, depois de algum tempo, percebi e comecei a perguntar: “Você já participou de uma sessão espírita? Já se envolveu com o espiritismo em algum momento da infância ou da juventude? Teve algum contato com o ocultismo?”

    E descubro, invariavelmente, que todos aqueles que querem vir ao Senhor, mas não conseguem, têm alguma ligação com o ocultismo, com o espiritismo ou com o satanismo; e essa ligação precisa ser rompida em nome do Senhor.

    E sempre descobri que, uma vez rompida essa ligação em nome do Senhor, eles imediatamente florescem, creem no Senhor Jesus Cristo, rendem-se a Ele e se tornam excelentes crentes.

    As portas têm chaves, e podemos dizer: “Ó Senhor, por favor, salva-os. Por favor, multiplica-nos. Por favor, faz isso”. Mas, até aprendermos, com fé viva, a destrancar as portas que os mantêm cativos sob o domínio dos poderes das trevas, eles não poderão sair.

    A autoridade no conflito espiritual

    Quantas vezes, quando uma verdadeira obra de edificação está avançando, Satanás entra! Ele traz alguma pessoa difícil — não apenas difícil. Quero dizer, é preciso distinguir entre pessoas que são naturalmente difíceis e pessoas que são difíceis por influência demoníaca.

    Algumas pessoas são excêntricas por natureza. Eu poderia mantê-los aqui por meia hora falando de pessoas excêntricas que conheci e que Deus usou. Algumas pessoas não conseguem evitar; são simplesmente excêntricas. Sempre seriam excêntricas, e Deus as ama.

    Bem, isso não é uma desculpa para você tentar se tornar excêntrico. Algumas pessoas tentam ser excêntricas. Sabem, é uma dessas coisas: querem ser únicas, querem ser especiais. Deixem isso para aqueles que são excêntricos. Já basta tê-los entre nós, acreditem, sem que outros tentem ser excêntricos.

    Mas, tendo dito isso, há pessoas que Satanás traz para o meio do grupo e que são difíceis por influência demoníaca. Elas destruirão qualquer grupo.

    E, às vezes, podemos começar a tentar lidar com isso como se fosse apenas carne e sangue. Não é esse o caminho. Em algum momento, os responsáveis por aquele grupo precisam agir nos bastidores, e essa batalha de oração precisa ser travada e vencida. As chaves precisam ser usadas.

    As chaves falam de autoridade executiva. Falam de autoridade. Ah, meus queridos irmãos e irmãs, vocês não começam agora a perceber como precisamos de fé viva? Se vocês não têm fé viva, como alguém pode usar as chaves?

    É apenas uma teoria. É um ideal. É algo maravilhoso. Conhecemos o nome do Senhor. Sabemos que precisamos fazer todas as coisas em nome do Senhor, mas ninguém está disposto a fazer nada, porque não tem fé viva.

    Isso não é para cairmos no desequilíbrio, de modo que qualquer um pense que pode enfrentar Satanás e repreendê-lo. Isso tem sido a ruína de muitos e muitos grupos: pessoas pensando que podem lançar insultos contra Satanás, xingá-lo, repreendê-lo e repreender todo mundo. É um absurdo.

    É uma questão da igreja. Mas, ah, como precisamos de fé viva, especialmente na liderança, naqueles que têm responsabilidade! Fé viva que nos capacite a enfrentar esses problemas e a exercer a autoridade que é nossa em nome da nossa Cabeça ressuscitada.

    A superação do peso e das amarras na vida da igreja

    Há tantos problemas, mas nosso tempo realmente acabou. Deixem-me mencionar pelo menos um ou dois, de maneira simples.

    O que fazemos quando há peso numa reunião? A resposta de algumas pessoas a esse peso é: “Nunca deveria haver peso algum”. Acho isso um absurdo. Digo a vocês, acho isso um absurdo completo.

    Essas reuniões que nunca conhecem um momento em que um peso vem sobre elas são reuniões com as quais Satanás não se incomoda. São um desses lugares de euforia religiosa sobre os quais Satanás simplesmente diz: “Deixem-nos. Deixem-nos. Deixem que continuem quanto quiserem, que gritem, façam seus discursos e tudo o mais. Não faz diferença. Já estão no papo. Nós os pegamos. Não são problema para nós”.

    Mas, se um grupo de pessoas em Cristo se reunir numa região e realmente se comprometer primeiro com Ele e depois uns com os outros, e tiver visto algo do propósito de Deus acerca da igreja, creio que o inimigo tentará sufocá-lo, se puder.

    Às vezes, ele trará tamanho peso. E então sussurrará demonicamente em seus ouvidos: “É fulano. É fulano”. E, antes que percebam, talvez sejam apenas dez pessoas, mas todas estarão em confusão, acreditando em coisas sobre umas às outras. Não percebem que é o inimigo.

    A fé viva nos ajuda a enfrentar esse tipo de peso, a identificar o que ele é, e quase sempre há um caminho para vencê-lo. Às vezes, esse caminho é louvar ao Senhor, louvar realmente ao Senhor e adorar ao Senhor. Então descobrimos que tudo aquilo é removido e estamos sob um céu aberto.

    Bem, qualquer um de vocês que tenha tido essa experiência deve saber que ela revoluciona toda a sua atitude em relação à vida da igreja. Lembro-me de que, nos primeiros tempos, quando tínhamos todo esse tipo de peso, nunca sabíamos o que fazer até aprendermos que o caminho para vencê-lo era realmente louvar ao Senhor e declarar a verdade juntos.

    Leva apenas um pouco de tempo, mas sempre descobrimos que aquilo é removido, e é como se houvesse um céu aberto. Ora, é essencial que a igreja tenha um céu aberto.

    Se não há um céu aberto, não há edificação, não há ouvir o Senhor, não há agir do Senhor. É por isso que o inimigo fará absolutamente tudo para fechar o céu, por assim dizer, ou pelo menos para fazer parecer que o céu está fechado.

    Bem, há tantas outras coisas de que eu poderia falar nesse assunto, mas creio que vocês estão começando a compreender o que quero dizer.

    E quanto a essa questão das amarras? Às vezes, as pessoas sentem que simplesmente não conseguem participar. Vejam, é aqui que precisamos de fé viva. Deus lhe deu alguma coisa? O Espírito Santo habita em você? O Senhor Jesus está aí?

    Você deveria estar participando da vida da igreja. Deveria estar participando da adoração, participando da oração, participando da intercessão, participando da ajuda prática. Mas, às vezes, o inimigo nos coloca numa camisa de força e, se não há fé viva, simplesmente ficamos sentados nessa camisa de força.

    Reavive o dom que há em você. Não pense que, de alguma maneira, o Senhor sempre virá sobre você, todas as vezes, de modo que você trema da cabeça aos pés e então saiba que precisa participar.

    Não. Se você não reavivar esse dom, ele lentamente vai se apagar, apagar, apagar, apagar, apagar, e você ficará sem vigor e estagnado.

    A fé viva é o que o reaviva, remexe as brasas para que voltem a arder e sopra sobre elas: a fé viva.

    A visão do Senhor

    Nunca teremos essa fé viva se não virmos o Senhor. É por isso que, no início do ministério de Isaías, ele viu o Senhor alto e sublime, e a orla de Suas vestes enchendo o templo.

    Se você e eu não virmos o Senhor, essa questão da verdade sobre a igreja se torna a mais restritiva e inibidora em toda a esfera da verdade.

    Simplesmente passamos a ter medo uns dos outros, ficamos constrangidos, temerosos, presos. Sabemos tanto; experimentamos tanto. Precisamos ver o Senhor.

    A urgência da obediência pela fé

    Bem, tenho consciência de que aquilo que disse nesta noite pode, às vezes, ser mal compreendido. Mas estamos entrando agora em dias em que, em pouco tempo, a própria possibilidade de sermos edificados terá passado.

    As pressões — as pressões econômicas, as pressões políticas, as pressões da vida cotidiana —, haverá tanta luta no mundo, tanta guerra no mundo, que não poderemos ter o tipo de existência estável que desfrutamos atualmente.

    Bem, talvez vocês não a considerem tão estável em comparação com dez anos atrás, mas acreditem em mim: comparada com o que está por vir, ela será um paraíso.

    E é por isso que precisamos agora permitir que o Espírito Santo acenda a pequena fé que há em nós, para que a exercitemos enquanto temos tempo, a fim de sermos realmente preparados.

    Deus tem uma obra tão grande a realizar, mesmo no tempo de anarquia e iniquidade, e de tudo o mais que vier sobre a face da terra. Essa pedra de remate será trazida com aclamações de: “Graça, graça a ela”.

    O Senhor não compensará a sua letargia e a sua apatia. Somente quando você tiver se entregado ao Senhor em tempos de tranquilidade e paz é que, ao chegarem aqueles dias de aflição, descobrirá que a graça de Deus assumirá o controle e realizará a obra.

    Que Deus nos desafie nessa questão. Todos adiam as coisas, e um ano vem depois de outro, e depois de outro, até que, antes de percebermos, o tempo passou.

    Que Deus nos ajude nessa questão. Vamos nos curvar juntos em oração?

    Oração final

    Pai, queremos agradecer-Te pela declaração do nosso Senhor Jesus:

    Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

    Senhor, nós Te adoramos porque Ele nos deu essa maravilhosa declaração como um fundamento em que ancorar a fé que é Tua dádiva para nós.

    Amado Senhor, ajuda cada um de nós, neste lugar, nesta noite, a ver que a fé viva em nosso coração está ancorada nessa declaração do nosso Senhor Jesus.

    Todos temos problemas e dificuldades — pessoais, locais; às vezes, são coisas maiores. Senhor, temos aqueles montes que se interpõem entre nós e o cumprimento do Teu propósito. Mas, ó Senhor, nós Te agradecemos: não por força, nem por poder, mas pelo Teu Espírito.

    Senhor, nesta noite, concede que cada um de nós receba uma nova visão. E não apenas uma nova visão, Senhor, mas oramos: que possamos exercer essa fé que Tu nos deste. Ajuda-nos a obedecer, Senhor.

    Se há alguns que começaram bem, mas que, de algum modo, Senhor, ficaram cansados, decepcionados, desiludidos, concede que nesta noite sua visão seja restaurada e sua fé seja renovada, para que se levantem e voltem a se entregar a Ti para essa questão.

    Ó Pai, ouve-nos, nós Te pedimos. E daremos a Ti toda a glória. Como Tu és capaz de nos guardar! Como a Tua graça é maravilhosamente suficiente para toda emergência e toda dificuldade! Como o Teu poder é maravilhosamente vitorioso, essa capacidade que Tu nos dás no Espírito Santo!

    Por isso, nós Te adoramos e Te agradecemos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.