Todavia, Eu vos digo a verdade: convém-vos que Eu vá; pois, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, Eu O enviarei a vós.
E Ele, quando vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:
do pecado, porque não creem em Mim;
da justiça, porque vou para o Pai, e não Me vereis mais;
do juízo, porque o príncipe deste mundo já foi julgado.Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis suportar agora.
Porém, quando vier Ele, o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade: pois não falará a partir de Si mesmo; mas tudo quanto ouvir, isso falará: e vos anunciará as coisas que hão de vir.
Ele Me glorificará: pois receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.
Todas as coisas que o Pai tem são Minhas: por isso Eu disse que Ele recebe do que é Meu e vo-lo anunciará.
Irmãos, posso dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo está entre nós até este dia.
Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado, com juramento, que do fruto de seus lombos assentaria Um sobre o seu trono;
prevendo isso, falou da ressurreição do Cristo, que nem foi Ele deixado no Hades, nem a Sua carne viu corrupção.
A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
Exaltado, pois, à direita de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, Ele derramou isto que vedes e ouvis.Porque Davi não subiu aos céus; mas ele próprio diz:
Disse o Senhor ao meu Senhor:
Assenta-Te à Minha direita,
Até que Eu ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés.Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que Deus O fez Senhor e Cristo, a este Jesus que vós crucificastes.
Vede, pois, cuidadosamente como andais, não como insensatos, mas como sábios;
remindo o tempo, porque os dias são maus.
Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.
E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito;
falando uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e entoando melodias de coração ao Senhor;
dando sempre graças por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, a Deus, o Pai;
sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Vamos inclinar a cabeça juntos para uma breve oração?
Senhor, queremos confessar diante de Ti mais uma vez, ao nos aproximarmos da Tua Palavra, que sem Ti nada podemos fazer. Senhor, nós Te agradecemos pela unção que é nossa no Senhor Jesus, e nos apropriamos dessa unção para falar e para ouvir, para que Ele seja glorificado neste tempo.
E que todos nós, Senhor, sejamos conduzidos a algo mais daquilo que Tu conquistaste para nós, a tão alto preço, pela obra de nosso Senhor Jesus. Pedimos isso em Seu nome. Amém.
Bem, tenho falado nestes encontros à noite sobre a questão da fé viva — uma fé viva, prática, atuante. Já dissemos bastante sobre essa questão da fé viva, e não vou retomar tudo isso.
O que quero abordar nesta noite é a fé viva e a obra do Espírito Santo. A fé viva e a obra do Espírito Santo: um assunto tremendo e muito controverso — um assunto em torno do qual há tanta perplexidade, tanta confusão e tanta divisão.
E, no entanto, a pessoa e a obra do Espírito Santo são fundamentais e essenciais para tudo o que Deus procura realizar. Portanto, ao tratarmos da fé viva e do Espírito Santo nesta noite, não queremos apenas uma definição doutrinária. Quero falar sobre a relação da fé viva com a obra do Espírito Santo.
Ontem à noite, falei a partir de uma figura do Antigo Testamento: a terra prometida que foi dada ao povo da aliança de Deus. Aquela terra tinha fronteiras claramente definidas. Dentro dela, Deus lhes deu absolutamente tudo o que era necessário para que o Seu propósito se cumprisse. Tudo se encontrava dentro daquela terra, e fora dela Ele não providenciou nada.
Também vimos ontem à noite que, embora Ele lhes tenha dado aquela terra gratuitamente, a palavra era:
Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo tenho dado.
Em outras palavras, não ficamos apenas esperando que o Anjo do Senhor vá à frente e elimine todos os inimigos, de modo que nem cheguemos a vê-los.
Nós mesmos temos de entrar e colocar os pés sobre os nossos Jordões, as nossas Jericós, as nossas Ais, os vales, os montes e a Jerusalém que Deus deseja em nossa vida e em nossa vida em conjunto. Enquanto não fizermos isso, jamais entraremos e tomaremos posse do que é nosso no Senhor Jesus.
Também falei sobre os espias que entraram e sobre o princípio de que a terra precisa ser revelada. Você não pode tomar posse de algo que desconhece. Não pode tomar posse de algo que não viu. Não pode exercer fé sem ter visto algo — um fato eterno, algo do Senhor, algo que é seu Nele. Então, a resposta da fé surge em nosso coração.
Agora, quero falar sobre a obra do Espírito Santo, porque é obra do Espírito Santo nos conduzir para dentro dessa terra. É obra do Espírito Santo nos capacitar a firmar os pés sobre qualquer situação que nos confronte e tomar posse dela em nome do Senhor.
É obra do Espírito Santo nos dizer se será por um momento, por algum tempo, por uma semana, por um ano ou por muitos anos que teremos de, por assim dizer, firmar os pés e tomar posse de algo — herdando as promessas de Deus pela fé e pela paciência.
Bem, sem mais introduções, posso, antes de tudo, destacar um pouco a obra do Espírito Santo? Sem a pessoa do Espírito Santo, não há absolutamente nada da vida cristã — nem sequer da salvação de Deus.
É uma concepção inteiramente equivocada pensar que você pode receber perdão, conhecer o arrependimento, ter convicção de pecado e chegar ao conhecimento do caminho da salvação de Deus sem a pessoa do Espírito Santo.
Talvez você não saiba que era o Espírito Santo Quem o conduzia, mas, do começo ao fim, do primeiro ao último momento, o Espírito Santo é absolutamente essencial a cada parte de nossa salvação, de nossa vida cristã e de nosso serviço.
Por exemplo, não pode haver convicção de pecado sem Ele. Naquele primeiro dia em que você percebeu que era pecador — aquilo foi obra do Espírito Santo. No primeiro dia em que se convenceu de que Jesus era o Messias, o Filho do Deus vivo — aquilo foi obra do Espírito Santo.
Talvez você não soubesse disso. No momento em que deu um passo adiante em fé, aquela fé havia sido gerada em seu coração pelo Espírito Santo. Foi Ele Quem lhe concedeu essa fé, embora você não soubesse.
A primeira vez em que você teve um vislumbre do Cordeiro de Deus, ou uma visão mais ampla de seu Senhor e Salvador, isso foi obra do Espírito Santo. Cada nova verdade que lhe chegou foi o próprio Espírito da verdade conduzindo você a toda a verdade, pouco a pouco, etapa por etapa. Era obra Dele fazer isso.
Você não pode nascer de Deus. Não pode nascer de novo. Não pode ter um novo nascimento. Não pode experimentar um segundo nascimento sem o Espírito Santo. Você precisa nascer não apenas da água, mas também do Espírito.
Cada parte de nossa vida está ligada à pessoa e à obra do Espírito Santo. Você não pode conhecer coisa alguma sobre santidade, sobre santificação ou sobre ser conformado à imagem do Filho de Deus, porque não pode ver a glória do Senhor, ainda que obscuramente, como num espelho, a não ser pelo Espírito de Deus.
É o Senhor, o Espírito, Quem nos transforma de glória em glória na imagem do Senhor Jesus.
Você não pode servir a Deus sem o Espírito Santo. A unção de Deus é obra do Espírito Santo. O poder para viver para Deus, fazer a vontade de Deus e ser positivo, em vez de negativo, é obra do Espírito Santo.
A igreja não pode ser plantada, nem nascer, nem funcionar à parte do Espírito Santo. Talvez eu esteja deixando vocês mortos de tédio ao passar por tudo isso, mas o fato é que isso precisa ser dito.
Porque basta mencionar a pessoa do Espírito Santo em certos círculos e, imediatamente: “Ah, ele é pentecostal”. É espantoso. Basta abrir a boca e dizer alguma coisa sobre o Espírito Santo, e as pessoas decidem na hora: “Você deve ser pentecostal”.
Pior ainda: você deve pertencer à ala mais desequilibrada dos pentecostais. Se mencionar o Espírito Santo mais de duas ou três vezes numa mensagem, em certos círculos certamente haverá pessoas que virão perguntar: “Você é um deles?”
Bem, não sei o que querem dizer com “um deles” — se querem dizer carismático, se querem dizer alguém daquela ala desequilibrada, se estão perguntando: “Você é um daqueles que rolam pelo chão?”, ou um daqueles que ficam se balançando, ou seja lá o que mais suponham que fazemos. É uma coisa espantosa.
Não tenho dúvida alguma: a obra e a pessoa do Espírito Santo têm sido terrivelmente deturpadas. Uma caricatura Dele foi apresentada a muitos cristãos por causa dos excessos, dos extremos, das falsificações e de tantas coisas que não são obra do Espírito Santo e não se originam em Sua pessoa.
Mas o simples fato de haver coisas erradas não invalida, nem por um momento, a absoluta necessidade de conhecer plenamente a obra do Espírito Santo. Será que algum crente vai morrer de medo da pessoa e da obra do Espírito Santo só porque há coisas erradas feitas em Seu nome?
Será que coisas que alegam ser obra Dele, mas não são, vão levar você ao medo? Isso seria uma ação de propaganda extremamente produtiva e eficaz do inimigo, se tudo o que ele precisa fazer é deturpar a obra e a pessoa do Espírito Santo a tal ponto que milhares e milhares de crentes se afastem de qualquer coisa relacionada ao Espírito Santo.
Como podemos ser filhos de Deus, guiados pelo Espírito, se temos medo do Espírito? Como podemos continuar sendo cheios do Espírito se estamos o tempo todo com medo de qualquer manifestação do Espírito, de qualquer visitação do Espírito Santo?
Não pode haver nada à parte da pessoa e da obra do Espírito Santo.
Há dois aspectos da obra do Espírito Santo: Sua habitação em nós e Sua capacitação.
Não tenho dúvida de que há muitas maneiras diferentes pelas quais chegamos a experimentar o poder de Sua habitação em nós e a força de Sua vinda sobre nós. Mas permanece o fato de que, para nos ajudar, é bom distinguirmos esses dois aspectos da obra do Espírito Santo.
Ninguém pode nascer de Deus sem o Espírito Santo habitando em seu interior. Quando você nasce de Deus, o Espírito Santo vem para dentro de você. Ele estabelece ali Sua morada. Talvez você não O conheça; talvez O ignore.
Nos primeiros anos de minha vida cristã, ignorei completamente o Espírito Santo. Não tinha a menor noção de que Ele realmente estava dentro de meu coração, de meu ser. Eu vivia como se Ele não existisse.
O dia em que Deus me revelou, num período de absoluto esgotamento e desespero espiritual, que o Espírito Santo estava dentro de mim mudou minha vida. Não consigo dizer a vocês o quanto isso mudou minha vida. Aquilo simplesmente me deixou atônito. Cheguei a pensar que nunca havia sido salvo.
Naquele dia, foi como se o céu se abrisse sobre mim, e senti como se fosse explodir. Eu não fazia ideia de que a pessoa do Espírito Santo — Deus, o Espírito — estava dentro deste corpo, realmente dentro deste corpo.
Aquele que pairava sobre as águas, quando tudo era sem forma e vazio, na criação do mundo; Aquele que, ao longo de todas as gerações da humanidade, tem velado pelo desenvolvimento do propósito de Deus, vindo sobre homens aqui e ali para que o propósito de Deus se cumprisse; Aquele que trouxe ao nascimento o Senhor Jesus; Aquele que ungiu o Senhor Jesus quando Ele tinha trinta anos, quando desceu ao rio Jordão.
Aquele que capacitou o Senhor Jesus a realizar todos os Seus milagres; Aquele que capacitou o Senhor Jesus a oferecer-Se a Deus na cruz, sem mancha nem defeito; e Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos — Ele realmente estava dentro deste meu corpo.
Foi um choque tão grande. Eu O havia ignorado, passado ao largo Dele, deixado de percebê-Lo, tratado como se nem estivesse ali. Ah, como foi transformador aquele momento em que o Espírito Santo me revelou que o Espírito Santo estava dentro de mim.
Essa maravilhosa obra do Espírito Santo, quando Ele vem habitar em nós: é Ele Quem nos coloca em união com Cristo. É Ele Quem torna real nossa união com Cristo. É Ele Quem toma as coisas do Senhor Jesus e as torna reais em nós e para nós. É Ele Quem toma a verdade, a mostra e a ilumina para nós.
Que coisa maravilhosa é ter o Espírito Santo habitando em nós.
Fiquei muito contente com o que nosso irmão Stephen disse nesta manhã sobre a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. Como devemos ser gratos por um ensino assim, por uma exposição tão equilibrada de todo esse problema que confronta os crentes.
Como nos dividimos por causa das menores questões. Como lutamos uns contra os outros por causa de pontos de interpretação, em vez de nos apegarmos à unidade do Espírito.
Agora, vejam, conforme entendo — e nunca tive uma explicação adequada para isso —, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio. Ele não havia sido dado dessa maneira antes. Ele estava no mundo. Não é que Ele não estivesse na criação, que não estivesse no mundo. Ele estava aqui.
Ele era Aquele que estava com o Senhor Jesus. Foi pelo Espírito que o Senhor Jesus realizou todas as Suas obras poderosas. Eles conheciam algo da obra do Espírito Santo, mas Ele ainda não havia sido dado. Ainda não havia vindo estabelecer Sua morada dentro de outras pessoas.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio. Jesus recebeu a promessa do Pai e derramou o Espírito Santo sobre aqueles cento e vinte homens e mulheres salvos.
Naquele momento, duas coisas lhes aconteceram ao mesmo tempo: o Espírito passou a habitar neles e os capacitou com poder. Habitação e capacitação. Tudo aconteceu de uma só vez. Não é maravilhoso?
O Espírito Santo não apenas veio habitar neles; eles nunca mais lançaram sortes para descobrir quem deveria ocupar o lugar de alguém. Que coisa interessante era aquela prática de lançar sortes.
Sabem, aquelas sortes eram ossos das articulações de cabras ou ovelhas, nos quais se escreviam certas letras hebraicas. Eles costumavam sacudi-los, fazer uma breve oração, sacudi-los de novo e lançá-los. Vocês riem, mas, na verdade, o Urim e o Tumim das Escrituras, no peitoral do sumo sacerdote, eram muito semelhantes.
Alguns rabinos acreditam que o Urim e o Tumim eram duas grandes pedras de cristal, retiradas e lançadas para que, por meio delas, se pudesse obter orientação. Pessoalmente, prefiro a outra interpretação: elas brilhavam quando Deus dizia sim; havia algo como uma luz interior. Quando ficavam opacas, Deus dizia não.
Enfim, isso é uma observação à parte. Talvez ajude vocês, às vezes, na questão da orientação. Não estou falando de lançar sortes. Quero dizer que, às vezes, como é maravilhoso consultar o Senhor e receber uma maravilhosa sensação de luminosidade, de sol, de céu aberto, de vida, de luz.
Em outras ocasiões, temos uma terrível sensação de escuridão, de nuvem, de céu fechado, como se Deus estivesse dizendo: “Não faça isso. Não, não, não”. Bem, talvez isso ajude vocês. Mas é interessante: a igreja primitiva nunca mais lançou sortes.
Eles fizeram o que era natural antes de o Espírito Santo vir. Mas, depois que o Espírito Santo veio, foi o Espírito Santo Quem disse:
Separai-Me Saulo e Barnabé.
Foi o Espírito Santo Quem levantou este, aquele e o outro, e assim por diante. Entendem?
Meu ponto é este: naquele dia de Pentecostes, quando a promessa do Espírito foi obtida pelo Messias ressuscitado, elevado aos céus e glorificado, e derramada sobre aqueles cento e vinte, eles deixaram de ser apenas indivíduos numa congregação e se tornaram membros de um corpo, pertencentes uns aos outros.
Não havia mais rivalidades, nem disputas internas exatamente da mesma maneira. Eles ainda tinham suas diferenças. Mais tarde, Pedro diria:
Nosso amado irmão Paulo escreve coisas difíceis de entender.
Mas ele o chamou de seu amado irmão.
Às vezes, eles discutiam em público, mas ainda assim pareciam superar essas coisas. Antes disso, era uma verdadeira briga: “Quem seria o maior?” Estavam sempre pedindo à mãe que fosse interceder por eles, de um jeito ou de outro, para que conseguissem as melhores posições no reino que viria. Os outros ficavam muito zangados com isso. Por quê? Porque queriam as posições — por isso.
Eles não gostaram da iniciativa de João, Tiago e sua mãe em toda aquela história. Mas, quando chegou o dia de Pentecostes, todos os onze se levantaram como um só homem. Os outros não disseram nada, embora todos tivessem falado em línguas e todos os tivessem ouvido em sua própria língua.
Foi Pedro quem pregou aquela grande primeira mensagem, a primeira pregação do evangelho. Era como se Pedro fosse a boca deles. Eles eram como um corpo; eram simplesmente membros junto com Pedro. Não pensaram: “Por que Pedro teria o direito de falar a essa grande multidão? Eu deveria ter esse direito”. João não disse: “Sou o amado do Senhor. Eu era o mais próximo do Senhor. Pedro foi quem caiu. Ele deveria ficar em segundo plano”.
Não, não houve discussão alguma. Eles estavam juntos naquilo.
Naquele dia em que o Espírito Santo foi dado àqueles cento e vinte, duas coisas aconteceram ao mesmo tempo: a habitação e a capacitação do Espírito Santo.
Em João 20:19-23, temos o registro de um acontecimento que considero muito, muito importante em relação a esse assunto. Os discípulos estavam atrás de portas trancadas. Tomé, chamado Dídimo, não estava ali. De repente, o Senhor estava no meio deles, e disse:
Paz seja convosco: assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio.
E, havendo dito isso, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados;
àqueles a quem os retiverdes, são-lhes retidos.
Algumas pessoas acreditam que eles realmente receberam o Espírito Santo naquele momento. Acho isso muito difícil de acreditar, e vou dizer por quê. Alguns dias depois, Jesus apareceu novamente entre eles, e dessa vez Tomé estava presente.
Vocês não acham que a primeira coisa que o Senhor Jesus teria dito a Tomé seria esta? Pensem em Tomé, depois de dizer:
Meu Senhor e meu Deus.
Jesus lhe havia dito: “Tomé, você tem duvidado. Aqui estão Minhas mãos; veja as marcas. Aqui está Meu lado. Ponha sua mão nele, se quiser. Saiba que sou Eu mesmo Quem está aqui”.
Quando Tomé disse: “Meu Senhor e meu Deus”, Jesus não lhe disse: “Agora, Tomé, quando estive com os outros apóstolos alguns dias atrás, soprei sobre eles, e você ficou de fora. Isso é muito importante. Agora você precisa receber o Espírito Santo”. E então não soprou sobre Tomé, dizendo: “Receba”. Não, Ele não fez isso.
Isso me leva a entender que Jesus fez aquilo deliberadamente, para que todos os que viessem depois do dia de Pentecostes compreendessem que há dois aspectos da obra do Espírito Santo. Há Sua habitação em nós e Sua capacitação. Precisamos compreender essas duas coisas; caso contrário, acabamos numa confusão.
Pois conhecer a obra plena do Espírito Santo é o direito de nascimento de cada crente — não apenas um pouco, mas a obra plena do Espírito Santo.
Dito isso, deixem-me falar por um momento sobre o poder do Espírito Santo. Em minha avaliação, não há necessidade de dizer muito sobre a habitação do Espírito Santo em nós, porque é um assunto que a maioria de nós compreende.
Sabemos que o Espírito Santo, ao vir habitar em nós, nos conduz à união com Cristo. Pelo Espírito Santo, conhecemos Cristo vivendo em nós. Mas há também algo mais, e isso diz respeito ao serviço, à obra e à multiplicação.
Como conversamos um pouco nesta tarde sobre a obra, é bom considerarmos também, nesta noite, esse aspecto do Espírito Santo.
Há toda uma série de símbolos usados para representar a pessoa e a obra do Espírito Santo: chuva, orvalho, fogo, vento, sopro, pomba, e assim por diante. São muitos. Não temos como considerar todos eles.
Quero tomar quatro aspectos da obra do Espírito Santo e apenas destacá-los com vocês nesta noite.
Agora, posso dizer uma coisa? Se vocês não gostarem de minha interpretação, por favor, esforcem-se para manter a unidade do Espírito comigo, e procurarei fazer o mesmo com vocês.
Porque as pessoas sempre ficam bastante perturbadas com assuntos assim, e só posso dizer isto. Vejam, é o que sempre digo aonde quer que eu vá: se vocês não sentem necessidade alguma de algo mais da obra do Espírito Santo, tirem uma soneca enquanto eu estiver falando.
De verdade, isso não vai me incomodar. Tirem uma boa sonequinha. Não quero aborrecê-los nem deixá-los neuróticos e agitados. Prefiro que fiquem aí sentados e durmam. Pelo menos vão tirar algum proveito desta hora.
Se conseguirem cultivar o hábito, muito comum entre o povo do Senhor, de dormir de olhos abertos, por favor, façam isso. Se, por respeito a mim, quiserem que eu pense que estão realmente ouvindo, não me importo.
Mas quero falar àqueles que têm consciência de que, apesar de conhecerem a habitação do Espírito Santo em seu interior, há algo mais de que precisam.
Não adianta simplesmente dizer às pessoas, repetidas vezes, que elas já têm tudo, até que finalmente nossos olhos se abram para o fato de que isso é nosso no Senhor Jesus e de que precisamos entrar e tomar posse disso em nome do Senhor Jesus.
Quando nossos olhos veem algo na terra que é nosso, entramos e tomamos posse: a fé viva e a obra do Espírito Santo.
Um dos primeiros símbolos maravilhosos é essa questão dos rios. Já tocamos nisso na primeira noite que passamos juntos neste ano. Está em João 7:37-39:
No último dia, o grande dia da festa, Jesus Se pôs em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Mas isso disse Ele acerca do Espírito, que haviam de receber os que Nele cressem: pois o Espírito ainda não havia sido dado; porque Jesus ainda não havia sido glorificado.
Foi assim que fomos salvos. Foi assim que o Espírito Santo veio habitar em nós. Bebemos da água que dá vida, e o Espírito Santo entrou em nós.
Como é interessante que o Senhor Jesus tenha dito:
Quem crê em Mim.
Aí está a fé viva.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Ah, o que um rio pode fazer por um deserto. Pode transformar um deserto em terra fértil. Pode fazer o ermo florescer como a rosa.
Levamos água por tubulações desde o mar da Galileia, atravessando toda a Galileia, passando pela planície de Sarom, descendo pelas terras baixas, a Sefelá, até o Neguebe, naquela grande região desértica ao redor de Berseba. Ali, eu poderia levar vocês a áreas tão verdes quanto qualquer lugar dos Estados Unidos, tudo isso produzido pela água.
Uma das coisas boas que Anwar Sadat disse ao senhor Begin foi que, assim que assinássemos um tratado de paz, ele levaria água do Nilo por tubulações até o Sinai. Pensem nisso. Talvez vocês ainda vivam para ver o Sinai florescendo como a rosa com água do Nilo, se conseguirem superar as dificuldades técnicas.
Dizem que a região desértica do Sinai é tão rica que, se a água chegasse àquela terra, a transformaria num paraíso. Não sei se isso é verdade, mas uma coisa eu sei: basta levar água ao deserto, e ele floresce. É impressionante a quantidade de frutos que se pode produzir no deserto.
Essa é a obra do Espírito Santo. Ele não quer que você seja apenas alguém que bebe. Não quer que você esteja sempre apenas saciando sua sede com o Espírito, vindo tomar um gole de vez em quando, ou vindo tomar uma grande quantidade — uma boa bebida que sacie sua sede por um dia, ou por uma ou duas horas.
Ele quer que, do seu interior, fluam rios de água viva.
Uma das coisas que sempre me convenceram acerca dessa obra do Espírito Santo — não importa quantas pessoas esbravejem e vociferem sobre certas coisas relacionadas ao Espírito Santo — é esta: conheço pessoas que eram secas como poeira. Eram servos do Senhor, e mal se conseguia aguentar um sermão de vinte minutos.
Alguém disse que elas cairiam mortas — mais mortas do que já estavam — se alguém fosse salvo. Era impossível. Então algo aconteceu, e imediatamente aquele ministério começou a ganhar vida. Impressionante. Vi isso com meus próprios olhos.
O ministério ganhou vida. Um após outro, dirigentes da igreja foram salvos, sem serem esmagados, sem serem encurralados. De algum modo, a mesma pessoa, no mesmo púlpito, com a mesma Bíblia e a mesma personalidade, de repente começou a levar pessoas ao Senhor. O que havia acontecido?
Além disso, você podia se sentar e receber algo vivo. Havia alguma coisa ali. O quê? Não precisam me dizer que o Espírito Santo veio sobre aquele homem.
Talvez ele tivesse pregado a conversão durante anos, mas nada acontecia. Talvez tivesse pregado as verdades do evangelho, mas nada acontecia. Mas, quando o Espírito Santo veio sobre ele e algo irrompeu de seu interior, de repente começaram a acontecer coisas por toda parte.
Lembro-me de uma querida e doce missionária. Era uma pessoa maravilhosa. Eu realmente a recomendaria com grande entusiasmo em qualquer lugar — uma das enfermeiras-chefes de hospital mais conscienciosas e eficientes que se possa imaginar. Esse era o problema: ela era enfermeira-chefe e tratava você como uma enfermeira-chefe.
Não era possível ter comunhão com ela, porque ela sempre tratava você de cima para baixo. Era alguns anos mais velha do que eu e me viu no dia em que me converti. Por isso, nunca passou a me ver de outra forma. Mesmo que eu quisesse ter comunhão com ela, não conseguia. Eu era um menino. Mesmo quando tinha trinta anos, eu era um menino.
Em certo sentido, ela era uma missionária muito bem-sucedida. Então, um dia, nunca vou me esquecer, a campainha tocou. Quando fui até a porta, lá estava ela — mas era outra pessoa. Não sei explicar: era a mesma pessoa e, no entanto, não era.
“Ah”, disse ela, “você pode me dedicar alguns minutos?” Fiquei tão surpreso que minha boca se abriu, e eu disse: “Ora, sim, entre”.
Ela entrou e se sentou, e naquela primeira ocasião em que tivemos comunhão, disse: “Você pode orar comigo sobre isto — tal coisa, tal coisa e aquilo?” Ela não mencionou o Espírito Santo nenhuma vez.
De repente, eu disse — não vou revelar o nome, caso alguém a conheça —: “Fulana, você não precisa me contar. Você teve uma experiência com o Espírito Santo, não teve?”
“Como você adivinhou?”
Eu disse: “A diferença é da água para o vinho. Você não precisa me contar. Algo aconteceu. Rios estão fluindo de você”.
Pela primeira vez, consigo perceber o Senhor em você. Conheço muitos crentes em quem nunca percebo o Senhor. São apenas crentes rabugentos, mesquinhos, rígidos, presos numa camisa de força. Vocês sabem o que quero dizer?
Muitos deles são neuróticos, sempre vivendo uma espécie de cristianismo egocêntrico, correndo de um lado para outro para conseguir ajuda disto, ajuda daquilo, deste, daquele, de outro.
Então o Espírito Santo vem sobre eles, e rios começam a fluir para os outros. Já não é: “Dê-me, dê-me, dê-me”.
Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Ah, alguns cristãos recebem, recebem, recebem e recebem, e nunca dão coisa alguma. Todo o seu cristianismo, de alfa a ômega, do começo ao fim, é apenas aquilo que podem obter. Avaliam cada reunião pelo que recebem, cada pregador pelo que recebem. Tudo é julgado pelo proveito que tiram daquilo.
Mas, quando o Espírito Santo vem sobre a pessoa e há um rompimento pela fé viva —
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
—, já não é aquela pessoa recebendo; ela está dando, dando, dando, dando e dando novamente.
Esse é o significado de ser um verdadeiro crente.
Mais bem-aventurado é dar do que receber.
Que coisa tremenda é sermos libertos de nosso cristianismo egocêntrico, centrado em nós mesmos e egoísta, no qual todo o reino de Deus gira ao nosso redor, toda a igreja existe para nosso benefício e cada servo do Senhor existe para nós, até chegarmos ao ponto em que estamos servindo a todos os outros, ministrando ao Senhor e repartindo com os outros aquilo que recebemos do Senhor: rios de água viva.
Isso não é para uma elite. É o direito de nascimento de todo crente verdadeiramente nascido de novo. Você veio a Jesus com sede e bebeu Dele, desse Espírito que dá vida? Você nasceu de novo?
Então sua salvação está incompleta se não houver um rompimento pela fé viva e você não avançar até isto:
Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
Ah, como já disse antes, que mudança haveria em nossas famílias, entre nossos parentes, entre todos aqueles que ainda não são salvos em nossas famílias e entre nossos parentes, se houvesse rios de água viva.
Não precisaríamos encurralar as pessoas, segurá-las para conversar, enfiar folhetos em suas mãos e perguntar: “Você é salvo?” Não precisaríamos fazer isso. Os rios fazem seu próprio trabalho. Eles alcançam a areia estéril e improdutiva e a transformam num paraíso.
Uma profecia fala de um rio que sai do altar e vai descendo, e diz que haverá até pescadores ao redor do mar Morto.
Talvez isso não signifique nada para vocês, mas, no mar Morto, não há uma única coisa que consiga viver. Não há caranguejo, camarão, nem um peixinho minúsculo. Não há peixe no mar Morto. Nada consegue viver no mar Morto.
Vou dizer outra coisa também: você tampouco conseguiria permanecer nele por muito tempo. Teriam de tirar você de lá. Só se pode ficar na água por cerca de meia hora de cada vez, ou você começa a sentir os efeitos.
Que espécie de milagre poderia acontecer para que, um dia, houvesse pescadores por todo o mar Morto, lançando suas redes, jogando suas linhas e tirando peixes? A profecia diz que tudo isso vem desse rio que desce e transforma absolutamente tudo ao seu redor, e transforma até o mais morto dos mares do mundo em algo vivo.
Ah, não sei se você tem um mar Morto que parece absolutamente impossível. É só receber e nunca dar. Esse é o problema do mar Morto, aliás. Alguém disse certa vez: “Ele recebe tudo e não dá nada”. Recebe todas as águas vivificantes do rio Jordão e destrói tudo, porque não dá.
Que coisa maravilhosa seria, não é, se você tem um mar Morto em sua vida, que, de algum modo, essas águas vivificantes transformassem tudo e depois continuassem fluindo por meio de você para os outros: rios de água viva.
A vida é a coisa mais maravilhosa. A vida realmente é a coisa mais maravilhosa.
Ah, é maravilhoso conhecer a habitação do Espírito Santo em nós. Isso é simplesmente maravilhoso. Quando o fruto aparece, como é maravilhoso. Você não o amarra nos galhos; ele é produzido pela vida interior. A habitação do Espírito Santo — como é maravilhosa.
Mas há também algo mais: não apenas que haja fruto em você pessoalmente, mas que você se torne como um manancial divino, do qual grandes rios fluam e transformem as pessoas ao seu redor.
Ah, queridos, não temos às vezes causado grande dano até mesmo a estas conferências, andando por aí e importunando as pessoas com notícias a respeito delas? “Leia isto, leia isto.” As pessoas ficam meio assustadas: “Que tipo de coisa acontece lá?”
Alguém me aborda dizendo: “Leia isto, ouça isto, faça isto”. Seria muito mais maravilhoso se alguns rios começassem a fluir de você. Em pouco tempo, as pessoas viriam perguntar: “Onde tudo isso aconteceu? Como começou? Conte-me!”
Rios de água viva. Você não pode escondê-los. Talvez comecem de maneira muito insignificante, mas, quando começam a fluir, todos os outros ficam sabendo. Não se pode escondê-los nem por um momento.
Seria possível esconder o Nilo? Seria possível esconder o Mississippi? Seria possível esconder o Amazonas? O Senhor diz:
Do vosso interior fluirão rios de água viva.
Há outra figura do Espírito Santo, bastante diferente, mas maravilhosa: o fogo. Sempre considero isso muito, muito maravilhoso: o fogo.
Atos 2:1-4 diz:
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
E, de repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.
E apareceram-lhes línguas que se repartiam, como de fogo; e pousou uma sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
Fogo! Por toda a Bíblia, o fogo é uma figura do Espírito Santo. Vocês se lembram de quando Deus atraiu Moisés: foi numa sarça, uma sarça seca e morta. Mas não foi a sarça seca e morta que atraiu Moisés. Foi o fogo na sarça seca e morta, e o fato de o fogo continuar queimando e queimando sem que a sarça fosse consumida.
Foi isso que atraiu Moisés. Vocês se lembram de que, quando Deus falou, houve, em certos momentos, grande fogo no monte Sinai. Também se lembram de que, em outras passagens, foi por meio do fogo que Deus recebeu a oferta. Foi o fogo que desceu e consumiu a oferta.
Vocês se lembram do grande confronto de Elias com os falsos profetas de Baal no monte Carmelo. Foi o fogo que desceu e consumiu tudo. O fogo é algo tão extraordinário.
Em certo sentido, você não precisa do fogo apenas para ser cristão, apenas para ser filho de Deus, ou mesmo apenas para dar fruto. Mas, se homens e mulheres hão de ser salvos por meio de seu testemunho, e se outros crentes hão de receber, de algum modo, algo do Senhor Jesus por meio de você, de uma maneira que os aproxime do Senhor e os edifique Nele, o fogo é uma necessidade.
O Espírito Santo não veio sobre todos aqueles cento e vinte como uma pomba. Poderia ter vindo. Não veio apenas como uma brisa suave, um sopro. Poderia ter vindo.
Quando Jesus soprou sobre eles naquela ocasião anterior, vinte dias ou mais antes, Ele soprou. Como isso deve ter sido silencioso. Quem estivesse lá atrás mal poderia ouvir.
Mas, no dia de Pentecostes, não foi apenas um vento que veio e encheu a casa; veio também o fogo. Esse foi o símbolo do Espírito Santo naquele dia em que Ele veio e cada um deles foi cheio do Espírito Santo.
Não apenas habitados pelo Espírito, mas capacitados com poder. O símbolo de sua capacitação, de sua unção, era o fogo.
O fogo fala de energia. O fogo fala de luz. O fogo fala de calor. Essas são as coisas que atraem outros homens e mulheres neste mundo moribundo ao nosso redor. Não é assim?
Quando uma pessoa tem um poder que não vem apenas dela mesma, tem poder para viver uma vida santa. Tem poder para compartilhar o Senhor com os outros de maneira natural, normal — não de maneira artificial. Tem poder para ser pura quando o ambiente numa fábrica, num escritório ou numa faculdade não é nada puro, mas mau e sombrio.
Tem poder para servir ao Senhor. Tem poder para se sacrificar. Muitos cristãos sabem que deveriam entregar a vida, mas não conseguem. Quando chega a hora, lutam por seus direitos. Defendem seus direitos. Preferem entrar em choque, entrar num confronto.
Sabem que deveriam entregar a vida, mas não têm poder para isso. Quando o Espírito Santo vem sobre nós como fogo, somos capazes de cair na terra e morrer. Somos capazes de entregar nossa vida como sacrifício. Somos capazes de fazer a vontade de Deus, por mais difícil que seja. Somos capazes de vencer aquele instinto de autopreservação.
Fogo.
Ele também é luz. Há algo no coração humano que, se possui alguma disposição para Deus, é atraído pela luz. Jesus disse isso: todos os que são da verdade serão atraídos à luz.
É algo extraordinário. A luz não é uma coisa fria — voltarei a isso daqui a pouco —, mas a verdade liberta você. Uma das coisas mais tristes que encontro entre o povo de Deus é que, aparentemente, a verdade os aprisionou.
Quando a verdade aprisiona as pessoas, não é a verdade. É a verdade apreendida mentalmente. Toda vez que a verdade é apreendida mentalmente — isto é, compreendida na alma —, ela aprisiona você. Você fica receoso, com medo, porque ela o coloca numa camisa de força.
Mas, quando a verdade realmente lhe é revelada, ela o liberta.
A verdade vos libertará.
E, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Há algo na luz que atrai qualquer pessoa que tenha o menor desejo por Deus. A luz não é pesada. Não é escuridão. Não é escravidão. É o contrário.
Ah, que cada um de nós fosse cheio de um fogo assim.
Penso naqueles maravilhosos hinos de Wesley:
Ó Tu que vieste do alto,
Para conceder o puro fogo celestial,
Acende uma chama sagrada de amor
No humilde altar de meu coração.Que ali ela arda para Tua glória,
Com fulgor inextinguível,
E, tremendo, retorne à sua fonte,
Em humilde oração e fervoroso louvor.Pronto para toda a Tua perfeita vontade,
Que eu repita meus atos de fé e amor,
Até que a morte sele Tuas infindas misericórdias
E torne completo o sacrifício.
Fogo! Nunca, na história da igreja, houve um único mover do Espírito de Deus sem fogo.
Mesmo entre os britânicos fleumáticos, isso não é uma questão de temperamento. Eles nunca foram pessoas explosivas, nunca ficaram rolando por toda parte, sempre mantiveram o controle, sempre foram ordeiros. Mas tomem os irmãos Wesley — que fogo havia neles. Tomem os primeiros quakers — que fogo havia neles.
Vocês sabem que, em certa época, dois terços dos ministros quakers, servos do Senhor, estavam na prisão? O que aconteceu? Eles transformaram as prisões por dentro. Um juiz que os odiava disse: “Eles fizeram das prisões suas escolas bíblicas”.
Naquela época, as prisões não eram lugares onde se pudesse estudar. Eram lugares imundos, infestados de ratos, cheios de doenças e de maldade. Mas, quando dois terços daqueles filhos do Senhor foram trancados na prisão, a luz, o fogo e o amor que havia neles transformaram a prisão.
Os primeiros puritanos, que hoje as pessoas consideram tão rígidos e estraga-prazeres — que fogo havia naqueles primeiros puritanos. Ora, alguns deles até vieram para cá e fizeram algumas coisas. Havia fogo neles.
Não eram apenas pequenos crentes que tinham algo lá no fundo, tão escondido que quase ninguém conseguia ver. Tinham uma chama de fogo que havia entrado neles e ardia em seu interior. Foram capazes de se tornar mártires. Entregaram a vida. Suportaram o confisco de seus bens. Estavam preparados para ser enviados a milhares de quilômetros de suas casas, em vez de fazer concessões.
O fogo fala de calor. Todos nós nos aquecemos junto ao fogo. O que faríamos sem fogo? Como ele nos aquece. Só Deus sabe o quanto precisamos desse calor.
Nós, cristãos, podemos nos tornar tão técnicos, tão frios. Tornamo-nos como funcionários públicos. Temos o manual, seguimos o manual, temos os regulamentos, temos o conceito, temos tudo; mas, de algum modo, somos apenas burocratas — burocratas cristãos.
Deus nos livre de ser burocratas cristãos. O que precisamos é de calor: o tipo de fogo que arde dentro de nós, que nos faz chorar por aquilo que faz Deus chorar; que nos faz clamar por aquilo que move Deus a clamar; que nos dá um espírito de dores de parto semelhante às dores de parto que há em Seu coração.
Precisamos desse tipo de calor. Não podemos produzi-lo naturalmente. Só o Espírito Santo como fogo pode fazê-lo.
O perfeito amor lança fora o medo.
E o medo tem tormento.
Quantos de nós sofrem com o medo? Conhecemos algo do amor. Amamos o Senhor, não amamos? Mas sabemos alguma coisa sobre o perfeito amor — o amor pleno, o amor completo?
Este é um pequeno poema de Amy Carmichael que sempre esteve entre os meus favoritos:
Mas vi uma bela chama acolher
Em Seu coração puro e ardente
Mero pó da terra, e a ele conceder
Sua virtude, até que aquele pó se tornasse
Transparente beleza de chama.Ó Fogo de Deus, Tu, Chama fervorosa,
Teu pó da terra deseja em Ti cair,
E assim se perder para nunca mais voltar,
Transformado por Ti, seu próprio nome
Esquecido no Teu, ó Chama.
Isso não desperta fome em você? Quando li esse poema pela primeira vez, ele despertou fome em mim.
Não queremos fogo para o exibicionismo. Não queremos fogo apenas para nos exibir ou nos expressar. Queremos fogo que atraia as pessoas a Deus.
Talvez sejamos velhas sarças secas e mortas, mas queremos fogo na sarça que faça as pessoas se voltarem para vê-la. Ao se voltarem, da sarça, do fogo, vem a voz de Deus.
Há outra coisa encontrada na Palavra que fala do Espírito Santo: a plenitude, ou como vocês preferirem chamá-la.
Vejam Mateus 3:11-12, as palavras de João Batista:
Eu, na verdade, vos batizo em água para arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, e não sou digno de levar as Suas sandálias: Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo:
Sua pá está em Sua mão, e Ele limpará completamente Sua eira; e recolherá Seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha com fogo inextinguível.
Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
Isso é muito interessante. Qualquer que seja nossa opinião sobre a interpretação desse versículo, permanece o fato de que João descreveu o ministério do Senhor Jesus como um batismo no Espírito Santo — literalmente, um batismo para dentro do Espírito Santo e para dentro do fogo.
Quando João descreveu o cerne de seu próprio ministério, disse:
Eu batizo com água.
Era, por assim dizer, o resumo de todo o seu ministério — aquele batismo de arrependimento. Mas ele disse:
Aquele que vem após mim vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
Aqui está o ponto interessante. Seja qual for nossa interpretação desse assunto, eu creio num batismo por imersão — não por aspersão. Creio num batismo que é imersão.
Jesus desceu ao rio Jordão. Se fosse apenas para receber uma aspersão, por que João Batista não pegou uma jarra de água do Jordão, subiu e a derramou sobre Ele? Por que Ele teve de descer ao rio?
Essa experiência com o Espírito Santo consiste em ser imerso no Espírito Santo. Talvez eu esteja expressando isso muito mal, mas, para mim, pessoalmente, essa compreensão resgata toda essa questão.
Às vezes, as pessoas vêm até mim e dizem com orgulho que têm o Espírito Santo. Isso nunca me impressiona muito. Eu gostaria que o Espírito Santo as tivesse.
Há toda a diferença do mundo entre pensar que você teve uma experiência com o Espírito Santo, quer a chame de batismo ou de qualquer outra coisa, e andar por aí como se tivesse aprisionado o Espírito Santo, a pessoa do Espírito Santo, dentro de você.
Para mim, não é isso que Jesus faz. É Jesus Quem batiza. Ele toma você e o mergulha na pessoa do Espírito Santo. Bem, se essa é uma experiência, eu a quero. Quero saber o que é ser imerso na pessoa do Espírito Santo.
Não quero sentir que aprisiono o Espírito Santo dentro de mim, que O paraliso no pequeno contexto de meu ser e de meu entendimento, que O coloco dentro das limitações de minha própria experiência. Quero me perder Nele, nas riquezas e no poder insondáveis de Sua pessoa.
Talvez eu já tenha usado esta ilustração antes. Perdoem-me os que se lembram, mas, se vocês fossem aqui a Virginia Beach, chegassem ao oceano Atlântico, pegassem um balde, entrassem no mar, enchessem o balde com água do Atlântico e depois se voltassem para mim e dissessem: “Tenho o oceano Atlântico no meu balde”, eu não poderia discutir com vocês.
O que mais vocês têm no balde? Vocês têm o oceano Atlântico no balde, mas limitaram o oceano Atlântico. É preciso falar corretamente: um pequeno balde de água do oceano Atlântico.
Mas suponham que vocês fossem a Virginia Beach, entrassem no Atlântico e jogassem aquele balde o mais longe que pudessem. Veio uma onda e o encheu pela metade; depois veio outra onda, e o balde desapareceu no Atlântico. O que aconteceu? Dessa vez, o Atlântico ficou com o balde.
Uma coisa é tentar aprisionar o Espírito Santo dentro das limitações de sua experiência e de seu entendimento. Outra coisa completamente diferente é ser imerso na pessoa do Espírito Santo, de modo que, pela primeira vez, você seja verdadeiramente humilhado.
Você se torna a pequena pessoa que você e eu somos, e o Espírito Santo Se torna a insondável terceira Pessoa da Divindade.
Sei que é um mistério: o Deus triúno — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Como é triste que a maioria dos crentes trate o Espírito Santo como uma “coisa”.
Eles chegam a usar uma passagem da Escritura e dizem: “Ele não falará de Si mesmo”, como se Ele fosse uma “coisa”. O texto não diz que Ele não falará de Si mesmo. Diz que Ele não falará a partir de Si mesmo.
Há ocasiões em que o Espírito Santo precisa chamar a atenção para Si mesmo, mas com apenas um objetivo: Ele quer tornar o Pai e o Filho uma realidade viva em sua vida.
Mas, se você O rejeita, O ignora, passa ao largo Dele, O limita, O apaga e O entristece, como pode esperar que Ele venha a você?
Algumas pessoas me dizem: “Bem, estou no Senhor há quarenta anos e nunca tive outra experiência com o Espírito Santo”, e depois me dão uma palestra sobre a pessoa do Espírito Santo. Então já tenho a resposta de por que nunca tiveram outra experiência.
Isso não me surpreende nem um pouco. Você não pode desprezar o Espírito Santo, mesmo sem intenção; por suas palavras, por sua maneira de agir, você não pode desprezar o Espírito Santo, querido amigo. Há muito mais do que você já experimentou — muito, muito mais.
Não importa se você recebeu uma segunda bênção, um batismo ou qualquer outra coisa. Há sempre mais do Senhor a ser experimentado, sempre mais a ser explorado, sempre mais a se tornar real, sempre mais a ser descoberto — toda essa terra que é nossa, se ao menos entrássemos e tomássemos posse dela.
Plenitude. Para ser inteiramente franco, acho que é disso que este mundo precisa. Acho que temos apresentado um evangelho tão pequeno, um Deus tão pequeno e um Salvador tão pequeno que, realmente, consigo entender por que as pessoas não se sentem muito atraídas.
Elas estão buscando a meditação transcendental e todos esses outros “ismos”, essas coisas, seitas e assim por diante, porque algumas parecem ter algo que as atrai, que lhes oferece alguma coisa. Não basta dizer que estamos nos últimos dias e que as pessoas são assim mesmo. O problema conosco, os crentes, é que não temos o que oferecer.
Somos salvos, mas não estamos expressando o que é nosso no Senhor Jesus. Isso não aparece.
Toda evangelização, toda ação para alcançar pessoas e toda multiplicação estão no transbordamento. Nunca se esqueçam disso. É quando você está cheio a ponto de transbordar que as pessoas são salvas, e é o transbordamento que as atrai.
Tudo o que estou dizendo é: ah, que experiência com o Espírito Santo poderia ser sua, poderia ser minha, dessa maneira. Graças a Deus por todos nós que, de algum modo, temos experimentado o Espírito Santo assim. Ele tomou posse de você.
É apenas outra maneira de falar do senhorio de Jesus. Você veio a Ele. Encontrou Nele um Salvador, mas não O fez Senhor. Então chegou o dia em que Ele precisou Se tornar Senhor. Naquele dia, Ele tomou posse de você.
Bem, queridos, preciso dizer isto: se há uma plenitude assim na qual eu possa me perder, quero me perder nela. Quero conseguir, de algum modo, transmitir ao mundo que fui introduzido numa grandeza infinita — algo tão insondável, tão imenso, tão magnífico em suas dimensões que não consigo compreendê-lo.
Vi apenas um pouco, mas isso me enche. Ultrapassa tudo o que consigo imaginar. Por menor que seja o que já vi, ainda há infinitamente mais para eu ver. Se puder transmitir isso aos outros por minha vida, meu ser, meu comportamento, meu viver, certamente, em algum lugar, alguém será atraído ao Senhor.
Há mais um assunto no qual gostaria de tocar antes de encerrarmos nesta noite: a relação da fé viva com essa questão do revestimento.
Quando nosso Senhor falou em Lucas 24:49, Ele disse:
Eis que envio sobre vós a promessa de Meu Pai: permanecei, porém, na cidade, até que sejais revestidos de poder do alto.
A versão antiga, a King James, diz: “dotados de poder”. Essa é uma bela palavra grega: revestidos de poder.
Vejam, quando você está vestido adequadamente, não fica constrangido, pensando em si mesmo. Sei que vivemos numa época em que as pessoas se vestem de qualquer jeito. Quero dizer, eu mesmo faço isso, então sei do que estou falando.
Mas, quando eu era jovem, meu Deus, tínhamos de usar gravata e terno. As pessoas morreriam se imaginassem que eu estivesse aqui falando sem gravata e sem terno. Não era respeitável. Ponto final.
Hoje em dia, somos muito mais informais, muito mais livres, em todo o mundo — e vocês, especialmente, deste lado. Mas o fato permanece: se você está vestido de maneira inadequada, sente-se inibido.
Se a rainha da Inglaterra quisesse que eu fosse ao casamento do príncipe Charles com lady Diana, e eu chegasse de short de tênis e camiseta, acho que ficaria um pouco constrangido. Entendem o que estou tentando dizer?
Isso toca no cerne de muitos de nossos problemas como crentes. Muitos de nós não conseguem sequer abrir a boca para falar com uma pessoa não salva, porque ficam tão preocupados consigo mesmos.
Não estamos revestidos. É como se estivéssemos nus. Sentimos: “Não consigo fazer isso. Não conseguiria”. Temos aquela sensação de que precisamos nos cobrir de algum jeito. Não estamos vestidos adequadamente.
Quando você está com a roupa certa, não pensa em si mesmo.
Que obra maravilhosa do Espírito Santo: revestir-nos de poder. Sei que, para algumas pessoas, poder é algo que faz você tremer. Sabem, algo que torna você tão forte que chega a tremer.
Ainda me lembro dos primeiros tempos — talvez eu não devesse contar esta história, mas ela ilustra o ponto —, quando tínhamos uma irmã entre nós que usava botas o tempo todo, no verão e no inverno. Era uma irmã mais velha, e, quando orava, o pequeno zíper das botas fazia: “Clique, clique, clique, clique, clique, clique, clique”.
Aquilo incomodava as pessoas. Elas diziam: “Que barulho estranho é esse toda vez que a senhora Fulana ora?” Eu pensava: “Ah, coitada, ela é idosa. Não percebe”.
Então, com muito tato, durante uma xícara de chá — sabem, na Inglaterra fazemos tudo durante uma xícara de chá —, eu disse a ela: “Senhora Fulana, será que, quando a senhora ora, sem perceber, o zíper de suas botas fica fazendo clique, clique, clique, clique? Se a senhora o abrisse, o baixasse, acho que isso não aconteceria”.
Ela me disse: “Ah, não. De jeito nenhum. Isso é o sinal do poder”.
Ah, meu Deus. Algumas pessoas têm essa ideia de que o Espírito Santo vem sobre você e o manipula. Ele meio que abre sua boca, e você diz coisas sem sequer saber o que está dizendo, e depois nem consegue lembrar. Isso não é verdade.
O espírito de um profeta está sempre sujeito ao profeta.
Além disso, a verdadeira inspiração do Espírito Santo, o poder do Espírito Santo, nunca suspende nossas faculdades. O Espírito Santo sempre nos inspira. Ele vem a nós; nunca suspende tudo. Isso seria mediúnico. Isso é o chamado espiritismo cristão. Pertence à feitiçaria, ao ocultismo.
Quando o Espírito Santo vem — ora, sabem o que o apóstolo Paulo disse?
Estive entre vós em muita fraqueza, em temor e em muito tremor.
Meu Deus, hoje correríamos para submeter esse homem a um ministério de libertação.
Diríamos: “Ah, pobre Paulo, com muito temor, fraqueza e muito tremor — esse homem precisa de libertação. Como pode ministrar num estado assim? Precisamos levá-lo ao irmão Fulano, que, em nome do Senhor, o libertará de toda fraqueza, tremor e muito temor”.
Mas o que diz a Palavra? Ele diz:
Preguei a vós em demonstração do Espírito e de poder;
para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Portanto, de um lado, fraqueza, muito tremor e temor; mas, do outro, demonstração do Espírito e de poder. Isso é poder: morte em nós, vida neles.
Não é o tipo de poder que entra, nos sacode e nos torna rígidos e fortes dessa maneira. Nunca nos sentimos fortes. É o tipo de poder que, em nossa própria fraqueza, se expressa por meio de nós, de modo que fazemos a vontade de Deus de uma maneira que não conseguiríamos sem o Espírito Santo.
Poder: revestidos de poder do alto.
Deixem-me contar outra história. Lembro-me de uma ocasião em Halford House, pouco antes de eu falar na reunião da noite. Era uma reunião evangelística. Havia muitas pessoas não salvas presentes, e nós, os irmãos, havíamos entregado todo aquele tempo ao Senhor.
Quando me levantei e todos estavam saindo, olhei para baixo e disse: “Ah!” Todos se voltaram para mim e perguntaram: “O que houve?” Eu disse: “Não posso pregar”. Eles perguntaram: “Por que não?” Eu disse: “Olhem”. Todos olharam para baixo e, é claro, começaram a rir.
Eu disse: “Bem, não posso pregar. Estou com meus chinelos vermelhos de ficar em casa”. É claro que aqui, nos Estados Unidos, suponho que ninguém se incomodaria se alguém estivesse usando sapatos vermelhos. Mas eu não conseguia pregar com calçados vermelhos.
Eu me imaginava lá na plataforma. Pensava em todos os olhos de todas as pessoas da congregação! Alguém poderia inclinar a cabeça em oração e realmente estar orando, mas, ao inclinar a cabeça, eu pensaria: “Viu meus calçados”.
Não era como se tivéssemos um púlpito atrás do qual eu pudesse me esconder. Não tínhamos nada disso. Um querido irmão perguntou: “Onde estão seus sapatos?” Eu disse: “Bem, devo tê-los deixado em casa”, que ficava a dez minutos de caminhada. Eu havia ido até lá com meus chinelos de ficar em casa.
Ele disse: “Tenho uma bicicleta. Vou rapidamente até sua casa. Onde eles estão?” Eu disse onde estavam, e ele pedalou muito depressa. Faltando um minuto, entrou correndo com meus sapatos.
Tirei os chinelos, calcei os sapatos e preguei o evangelho, sem pensar nos meus pés uma única vez.
Vocês riem, mas eu não teria conseguido pregar, porque ficaria tão constrangido por causa dos meus pés. Eles não estavam calçados da maneira certa.
Vocês vão dizer que é bobagem. “Não seja tolo. Que diferença isso poderia fazer para seu ministério? Se você tem um dom, tem um dom. Se tem um ministério, tem um ministério. Se tem uma palavra do Senhor, tem uma palavra do Senhor. Certamente, estar de chinelos não faz diferença alguma.”
Ah, é justamente aí que vocês estão enganados. Você pode ter um ministério, um dom, um chamado, uma palavra do Senhor; mas, se está vestido de maneira inadequada, fica tão preocupado consigo mesmo que cada olhar o acusa, cada movimento de qualquer pessoa o afeta — você não consegue falar.
É por isso que muitos de nós não conseguem testemunhar, não conseguem compartilhar a fé, não conseguem, da maneira mais normal e natural, conversar sobre o evangelho com os outros. Estamos, por assim dizer, vestidos inadequadamente, nus. Sentimos como se as pessoas estivessem olhando para nós.
Entendem? Quando calcei os sapatos certos, posso dizer com toda sinceridade que não pensei nos meus pés uma única vez. As pessoas podiam inclinar a cabeça; podiam olhar para meus sapatos. Isso não teria efeito algum. Eu continuaria pregando.
Eu só tinha consciência de uma mensagem que Deus me havia dado para pregar e da necessidade de comunicar essa mensagem.
Revestidos de poder do alto. Como é que você e eu poderemos fazer o que Deus nos deu para fazer, a não ser que estejamos revestidos do Espírito Santo, do poder do Espírito Santo?
Há alguns anos, um homem veio até mim e disse: “Não quero dom algum. Quero Jesus”.
Eu lhe disse: “Fico muito contente que você queira Jesus e não queira dom algum. Eu também costumava dizer isso”. Ele me olhou bem nos olhos e perguntou: “O que você quer dizer?”
Eu disse: “Eu costumava colocar Jesus de um lado e os dons e os recursos de outro. Mas hoje passei a ver isso de maneira muito diferente. Não vejo os dons como coisas em si mesmas. Vejo-os como dons de Jesus. Eles trazem mais de Jesus. Comunicam mais do Senhor Jesus”.
Se, de repente, eu tivesse apendicite e precisasse de uma cirurgia, não seria consolo algum ver um homem aparecer com uma série de títulos depois do nome e anos de estudo numa faculdade de medicina, aproximando-se de mim com uma serra de cortar árvores e um cinzel.
Eu diria: “Vocês podem me dizer que ele tem o caráter mais maravilhoso do mundo, que é o homem mais íntegro do mundo, que é o homem mais bem preparado do mundo; mas, se não tem os instrumentos certos, não quero que mexa no meu apêndice. Não quero que me abra com uma serra de cortar árvores e use um cinzel”.
Quero saber que ele tem os instrumentos certos para o trabalho certo.
Se enxergarmos assim, essa questão do revestimento faz toda a diferença do mundo.
A fé viva e a obra do Espírito Santo. Entendem? Essa obra do Espírito Santo é seu direito de nascimento. Você não precisa trabalhar para conquistá-la. Pode entrar e tomar posse. Graças a Deus, pode entrar e tomar posse.
Jesus é Aquele que obteve a promessa do Pai e derramou isto que vocês veem e ouvem. É para a igreja. Está dentro da igreja. Está dentro do corpo. É para produzir o corpo. É para a edificação do corpo. Tudo já foi dado.
Ah, que os olhos do coração sejam abertos: para ver o que é nosso no Senhor Jesus; para ver que é Jesus Quem toma o Espírito Santo e você, se me permitem expressar isso de maneira um tanto irreverente, e coloca você dentro do Espírito Santo e dentro do fogo.
Que Deus ajude você e me ajude nessa questão. Vamos orar?
Senhor, nessa questão da obra do Teu bendito Espírito Santo, há tanta confusão, tanta divisão, tanto medo e tanta controvérsia.
Querido Senhor, pedimos que Tu veles por esta palavra, para que ela não seja usada de modo algum para promover qualquer coisa assim. Pedimos, Senhor, que Tu nos tragas algo de Sua obra com clareza.
E, onde houver uma necessidade na vida de qualquer um de nós, pedimos que possamos vir ao Senhor Jesus, o Único que pode nos tomar.