Podemos abrir novamente nesta manhã o livro de Apocalipse para começar nosso tempo juntos?
No livro de Apocalipse, capítulo 3. Temos usado esta carta, uma exortação do Senhor à igreja em Sardes, como nosso texto-base para estes encontros.
Apocalipse 3:1-3:
E ao anjo da igreja em Sardes escreve:
Aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas diz isto:
Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, mas estás morto.
Desperta e fortalece as coisas que restam, que estão para morrer;
porque não tenho achado completas as tuas obras na presença do Meu Deus.
Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido;
guarda-o e arrepende-te.
Vamos orar.
Senhor, nós Te agradecemos por esta nova lembrança, nesta manhã, da Tua longanimidade, do Teu amor. Como nós Te adoramos por isso!
Senhor, nós Te agradecemos porque, nesse mesmo espírito, escreveste estas palavras à igreja em Sardes e as escreves a nós hoje. Senhor, em Tua longanimidade, Tua paciência, Tua perseverança e Teu poderoso amor, estás nos chamando, assim como chamaste no primeiro século, para despertarmos.
Chama-nos a nos ocuparmos com aquilo que nos chamaste a fazer nesta hora, a voltarmos para Ti e a completarmos a obra que começaste. Senhor, nós Te agradecemos porque nos chamaste. Tu nos capacitaste e nos equipaste em nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao nos aproximarmos hoje, nós nos apresentamos novamente a Ti, Senhor, para que o Teu Espírito possa agir na vida de todos nós, mostrando-nos como viver nesta hora em que estamos, para que sejamos verdadeiramente o povo de Deus.
Que não sejamos apenas algo que o mundo considera estranho ou diferente, mas, Senhor, que sejamos um povo conhecido pelo Teu nome. Que nossa vida exalte o nome de Jesus.
Toca-nos com a Tua Palavra nesta manhã. Em Teu precioso nome, amém.
Como já dissemos, quando o Senhor escreveu estas cartas às igrejas, àquelas sete igrejas do primeiro século, não eram cartas complicadas. Ele foi muito simples e direto quanto àquilo que buscava.
Em cada assembleia, Ele buscava a própria vida de Seu Filho manifestada nos irmãos e nas irmãs. Nosso Senhor é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Seu coração busca sempre uma coisa: a vida de Seu amado Filho em nós, tanto individualmente como em conjunto.
Ele tem zelo por isso. Nosso Deus é um Deus zeloso, e Ele não aceita concessões. Não aceita substitutos nem imitações. Ele conhece a realidade da vida de Seu Filho.
Muitas vezes ficamos confusos. Podemos nos contentar com imitações ou falsificações, com isto ou aquilo. Mas nosso Senhor, por causa desse Espírito de vida, sabe. Nesta hora, Ele clama a nós para que tenhamos esse mesmo zelo pela manifestação da vida de Seu Filho em nossa vida, para que realmente saibamos como viver no tempo em que estamos vivendo.
Estes tempos estão ficando cada vez mais difíceis, e podemos nos animar, porque só vão piorar. Há um caminho para atravessá-los.
Em Mateus, fala-se de como o amor de muitos se esfriou, de como, aos poucos, permitiram que esse amor diminuísse em sua vida. Mas Ele diz:
Aquele que perseverar até o fim será salvo.
Como perseveramos até o fim? Fiquei agradecido pela lembrança desta manhã: perseveramos até o fim porque Ele perseverou até o fim. Ele nos amou até o extremo. Seu amor perseverante e Sua vida dentro de cada um de nós nos sustentarão e nos guardarão.
Ele pode nos dizer nesta hora:
Não temas. Eu estou contigo.
Nunca te deixarei, nem te desampararei.
Assim, seja o que for que esteja à nossa frente, e sejam quais forem as coisas com que tenhamos de lidar em nossa vida, temos o poderoso Deus do universo, que nos equipou para atravessar tudo isso — não apenas de qualquer maneira, mas triunfantemente em Seu Filho.
Sou muito grato por esta lembrança na carta à igreja em Sardes, por como Ele nos chama e diz: “Despertem. Há coisas com que Eu queria que vocês se ocupassem, mas ainda não as concluíram. Vocês se acomodaram. Despertem e fortaleçam as coisas que restam”.
Fortaleçam a vida do Senhor Jesus dentro de vocês, para que possam prosseguir e se ocupar com o Meu propósito. Ele até nos diz como fazer isso. Ele diz: “Lembrem-se do que receberam”.
Nós alguma vez paramos para refletir sobre nossa grande herança? Eu amo o Salmo 16. Davi testemunha que sua herança era bela para ele. Conhecemos a riqueza de nossa herança em Cristo — todas as riquezas que temos Nele, essas riquezas insondáveis?
Nesta manhã, eu estava lendo em Timóteo sobre como Ele nos abençoou com tantas coisas. O que tocou meu coração nesta manhã foi isto: Ele nos abençoou com essas coisas, com essas riquezas. Por quê? O texto diz que é para que desfrutemos delas.
Nós desfrutamos das riquezas de Cristo? De alguma forma, acho que nos esquecemos de que Ele nos deu essas coisas para que possamos desfrutar dessas riquezas. Tentamos encontrar nossa satisfação em tantos outros lugares, mas Ele diz: “Eu os abençoei com tudo isso em Cristo para que vocês possam desfrutar”.
Ele quer que tenhamos alegria em Cristo. Às vezes pensamos que nos divertir é pecado, mas Ele nos deu tudo isso para que tenhamos alegria em Cristo e desfrutemos de todas as riquezas.
Assim como Ele chamou aquela igreja em Sardes, está nos chamando hoje a voltar para Ele. Lembrem-se das riquezas. Lembrem-se de nossa herança Nele.
Temos usado os relatos de Esdras e Neemias, nesses dois livros, sobre como Israel se encontrava em um momento de grande fraqueza por causa de sua infidelidade. Vimos a misericórdia e o amor perseverante e constante do Senhor entrarem naquela situação e libertarem o povo da Babilônia, por meio de reis terrenos.
Ele moveu o coração do rei para libertá-los, a fim de que pudessem voltar a Jerusalém com um único propósito: edificar a casa de Deus. Agradecemos ao Senhor porque alguns retornaram na primeira ocasião, sob a liderança de Zorobabel. Outros retornaram na segunda ocasião, sob a liderança de Esdras, e restauraram o altar e reconstruíram a casa.
Vamos abrir novamente em Esdras. Nesta manhã, vamos examinar os capítulos 9 e 10 de Esdras.
Na semana passada, quando estivemos juntos, consideramos Esdras como ele aparece nos capítulos 7 e 8. Na verdade, tínhamos dois aspectos ali. Primeiro, estávamos olhando para esse homem, Esdras. Quem era ele, e o que podemos aprender com sua vida?
O versículo que tanto marcou meu coração foi Esdras 7:10. Ele realmente descreve o segredo da vida de Esdras, e é um segredo para nossa vida:
Porque Esdras havia disposto o seu coração para estudar a lei do Senhor, para praticá-la e para ensinar em Israel os Seus estatutos e ordenanças.
Esdras era alguém que vivia a mensagem. Há essa grande necessidade entre o povo de Deus nos dias em que estamos vivendo: que todos nós, como mensageiros de Deus, vivamos essa mensagem.
O que o Senhor procura nos mensageiros? Ele procura Sua vida manifestada. Assim como procura Sua vida manifestada naquelas cartas de Apocalipse 2 e 3, Ele procura Sua vida manifestada em nós.
Vemos como Esdras trouxe a Palavra de Deus para fortalecer o povo, para embelezar a casa de Deus. Esdras 7:27 realmente resume o encargo de Esdras: ele voltou para embelezar, fortalecer e adornar a casa de Deus.
O que é beleza? Mais uma vez, é uma daquelas coisas que não conseguimos descrever, mas, quando a vemos, sabemos o que é. Beleza é quando tudo está em seu devido lugar. Há proporção, equilíbrio, simetria, plenitude e inteireza.
Olhamos para a vida de nosso Senhor e vemos plenitude. Vemos inteireza. Vemos tudo em equilíbrio, e isso é belo.
A beleza é destruída quando se retira algo dela ou quando se acrescenta alguma outra coisa. É trágico como, dentro da casa de Deus, temos retirado coisas que deveriam estar ali e também acrescentado outras.
É bom nos lembrarmos disto: todos nós — e acho que eu sou o mais culpado —, sempre que ouvimos mensagens e ouvimos certas coisas, relacionamos tudo aos outros.
Agora, a quem Deus estava escrevendo aqui? Ele não estava escrevendo àqueles que ainda estavam na Babilônia. Estava escrevendo àqueles que haviam voltado a Jerusalém com um único propósito: edificar a casa de Deus.
Ele disse: “Vocês são os que não embelezaram a Minha casa”. Ele não esperava isso na Babilônia, mas esperava daqueles que haviam voltado com um único propósito.
O Senhor está olhando para nós nesta hora. Não precisamos ficar olhando para os outros e para o que eles talvez estejam fazendo. O Senhor está falando conosco. O que estamos fazendo? Como estamos nos ocupando com os negócios de nosso Pai? Como estamos trazendo mais de Cristo para a casa? Ele é a beleza da casa.
À medida que vemos Cristo uns nos outros, sendo nós a casa de Deus em Cristo, vemos Sua vida se manifestar. À medida que a vida de Cristo aumenta, uma beleza vai sendo restaurada. É por isso que o Senhor tem tanto zelo.
Que sejamos aqueles que se entregam a esse propósito e a esse desejo do coração do Senhor. Graças ao Senhor porque Esdras respondeu.
Hoje gostaríamos de considerar Esdras 9 e 10. Nos primeiros cinco versículos de Esdras 9, vemos que Esdras retornou, e todas as ofertas que trouxeram da Babilônia foram entregues aos responsáveis pelo templo. Agora Esdras olha para o povo e para sua condição.
Esdras 9:1-2:
Terminadas estas coisas, os príncipes se chegaram a mim, dizendo: “O povo de Israel, os sacerdotes e os levitas não se separaram dos povos das terras, com suas abominações, a saber, dos cananeus, heteus, ferezeus, jebuseus, amonitas, moabitas, egípcios e amorreus.
Porque tomaram das filhas deles por mulheres para si e para seus filhos, de modo que a descendência santa se misturou com os povos das terras. E, de fato, as mãos dos príncipes e dos governantes têm sido as primeiras nesta infidelidade”.
Qual foi a reação de Esdras?
Quando ouvi este assunto, rasguei a minha veste e o meu manto, arranquei cabelos da minha cabeça e da minha barba e me assentei atônito.
Então se ajuntaram a mim todos os que tremiam às palavras do Deus de Israel por causa da infidelidade dos que haviam voltado do exílio; e eu fiquei assentado, atônito, até a oferta da tarde.
Mas, à hora da oferta da tarde, levantei-me da minha humilhação, ainda com a minha veste e o meu manto rasgados, caí de joelhos e estendi as mãos ao Senhor, meu Deus.
Depois que Esdras retornou, algumas pessoas foram até ele e disseram que aqueles que haviam voltado com o propósito de edificar a casa de Deus — o povo chamado para fora, aqueles que deveriam ser separados — tinham pecado. Haviam se casado com pessoas que não eram da linhagem e da descendência de Israel.
Isso havia trazido injustiça, pecado e falta de santidade para dentro da cidade. Esdras estava ali para embelezar a casa de Deus, e precisava lidar com isso.
Há, na verdade, três coisas que gostaria que considerássemos ao examinar o trabalho de Esdras em Jerusalém nesses dois capítulos:
Graças ao Senhor porque estamos juntos nisso. Há momentos em que podemos nos aproximar uns dos outros e nos ajudar a evitar algumas das armadilhas e dos pecados que enfrentamos em nossa vida.
Ainda havia alguns em Jerusalém que tremiam diante da Palavra de Deus. Mesmo em meio a essa injustiça, havia aqueles que tremiam diante da Palavra de Deus. Creio que foi por causa de suas orações que Esdras foi levantado naquele momento para voltar, embelezar e restaurar a casa de Deus àquilo que Ele havia planejado.
Enquanto pensava nisso, fui convencido pelo Senhor. Quando foi a última vez que tremi diante da Palavra de Deus? Posso tratá-la com tanta casualidade.
O Senhor tem esta preciosa promessa em Isaías:
Mas para este olharei:
para o humilde e contrito de espírito,
e que treme diante da Minha palavra.
Há algumas coisas que perdemos. Nem quero entrar nisso hoje, mas penso em expressões como tremer diante da Palavra de Deus. Penso em expressões como o temor de Deus.
Quando foi a última vez que algum de nós ouviu uma mensagem sobre o temor de Deus? Simplesmente relacionamos isso ao Antigo Testamento. Li um pequeno trecho interessante: no Novo Testamento, somos instruídos a temer a Deus mais vezes do que somos instruídos a amar a Deus. Isso me surpreendeu.
É apenas um pensamento interessante. Existe essa reverência por Quem o Senhor é, ou permitimos que as coisas se tornassem tão comuns?
Agradeço ao Senhor pelo grande ministério que Ele levantou por meio de Esdras: esse ministério de embelezamento, restauração e reconciliação, levando o povo de volta ao lugar onde deveria estar.
Ao considerarmos esse primeiro aspecto, o de ser um pacificador, é isso que um pacificador faz. Ele vê algo que não está certo e intervém, porque tem os interesses de Deus em seu coração.
Um pacificador não está buscando seus próprios interesses. Ele está buscando o interesse de Deus. Tem o interesse e o desejo de Deus em seu coração.
É por isso que se diz nas bem-aventuranças:
Bem-aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
Ouvimos falar da condição de filhos. São aqueles que amadureceram nesse relacionamento, que compreendem o coração de seu Pai. Não são apenas crianças, mas aceitaram alguma responsabilidade. Cresceram e vivem para realizar o propósito e o desejo de seu Pai.
O Senhor precisa que sejamos levantados como filhos nesta hora, para que possamos ser pacificadores nesta terra — pessoas que enfrentarão uma situação difícil de frente, sem fugir dela.
Quando Esdras se deparou com essa situação, havia uma grande tentação. Ele poderia ter dito: “Eu sou Esdras, o escriba hábil de Israel. Vocês todos são uma confusão. Vou cuidar das minhas próprias coisas”. Mas Esdras não tomou essa atitude.
Esdras se colocou ao lado deles. Não se deixou desiludir nem desanimar pelas falhas de outros que deveriam saber agir melhor.
Isso é difícil de fazer. Quando vemos pessoas que deveriam saber agir melhor, mas não estão andando como deveriam, isso pode realmente nos desiludir. Pode nos desanimar muito. Dizemos: “Que esperança existe? Se eles não estão fazendo isso, como eu vou conseguir?”
Tudo é pela graça de Deus. Esdras conseguiu manter os olhos no Senhor e atravessar essa situação, sem permitir que nem mesmo as falhas dos outros o impedissem de fazer aquilo que o Senhor o havia chamado a fazer.
Ele veio para restaurar esse relacionamento correto.
O que é paz? Ouvimos muito sobre paz na terra nesta hora. Todas as cartas de Paulo, e também as de Pedro no Novo Testamento, começam com “graça e paz”. O que é paz?
Há, na verdade, dois aspectos da paz. Sim, há a remoção da inimizade e da contenda — a remoção da injustiça, colocando-a de lado e lidando com ela. Há a retirada de alguma coisa.
Mas há mais do que isso. Há também a introdução de algo.
G. Campbell Morgan disse que paz é “a união daquilo que deveria estar unido, mas foi separado”.
Irmãos e irmãs, quem é o pacificador? Sabemos que foi nosso Senhor Jesus. Não foi isso que Ele fez no Calvário? Nosso Senhor fez a paz por meio da cruz e, hoje, mantém a paz por meio de tudo o que fez.
Quando pensamos nos dois aspectos do que nosso Senhor fez no Calvário, sim, Ele tratou do pecado. Removeu a inimizade, a contenda, a falta de santidade e a injustiça que estavam ali.
Mas, louvado seja Deus, não parou aí. Ele também trouxe vida. Fomos reunidos novamente em vida. Originalmente, fomos destinados a ter essa vida de unidade com nosso Senhor, mas, por causa do pecado, essa união havia sido rompida. Nosso Senhor tratou do pecado e trouxe vida.
Ao longo dos Evangelhos, sempre que o Senhor fala de ir à cruz, também fala de Sua ressurreição. Quando pensamos na cruz, sim, pensamos na morte e no sepultamento do pecado. Mas louvado seja Deus também porque Ele ressuscitou e a vida foi introduzida.
Esse é o ministério que Esdras exerceu. Ele tratou das coisas, mas também trouxe Deus para a situação. Levou o povo diante de Deus e trouxe Deus ao povo. Esse foi o ministério do pacificador.
Temos hoje esse coração de pacificador, ou somos apenas mantenedores da paz? Separamos as pessoas: “Você se senta aqui, e você se senta ali”.
As Nações Unidas são muito boas nisso. Enviam forças de manutenção da paz para toda parte. Nunca resolvem nada. Os mantenedores da paz talvez removam a inimizade, e talvez não haja batalhas visíveis, mas isso é paz? Não, é uma trégua.
Irmãos e irmãs, dentro da casa de Deus hoje, há tréguas demais. Não precisamos de uma trégua uns com os outros. Precisamos de paz uns com os outros, e precisamos que as questões sejam resolvidas em nossa vida para que possamos prosseguir juntos.
Os pacificadores tomam a iniciativa de fazer isso. Agradeço ao Senhor porque Ele tomou a iniciativa de vir e fazer a paz entre nós e Deus, e assim fomos reconciliados.
Às vezes podemos ser mantenedores da paz, mas também há entre nós aqueles que podem ser simuladores da paz. É o modo de negação. “Como você está?” “Está tudo bem.” A casa inteira está caindo, mas está tudo bem.
Temos um amigo querido, e sempre consigo perceber como ele está quando lhe pergunto: “Como você está?” Se ele diz: “Estou indo bem”, sei que está bem. Mas, se responde: “Estou bem”, sei que não está.
Muitas vezes, dentro da casa de Deus, de alguma forma pensamos que não é espiritual dizer: “Há um problema aqui. Temos um problema. Vamos lidar com ele”.
É como dizer: “Não, estamos nas regiões celestiais. Estamos assentados aqui em cima”. O que é verdade. Mas, supostamente, está tudo bem, enquanto estão se casando com mulheres estrangeiras e todas essas coisas estão acontecendo.
Não precisamos ser simuladores da paz dentro da casa de Deus. Precisamos ser pacificadores e enfrentar as coisas de frente. Nosso Senhor Jesus viu o que precisava ser feito. Ele veio e fez. Esdras viu isso, veio e trouxe o Senhor para a situação.
Esdras teve coragem de enfrentá-la de frente. Se não lidarmos com isso, não vai desaparecer. Vai voltar à tona mais tarde, com intensidade ainda maior.
Eu tremo diante de certas coisas que acontecem dentro da casa de Deus e não são tratadas. Podemos pensar: “Ah, está tudo bem”. Não está. Desculpem a expressão, mas isso vai voltar à tona mais cedo ou mais tarde.
Como dizia aquele antigo comercial, é muito melhor pagar agora do que pagar depois. Precisamos resolver as coisas nestes dias em que estamos vivendo.
Se temos uma questão com um irmão ou uma irmã, no Senhor há um caminho para resolvê-la. Ele mostrou a Esdras o caminho, e também nos mostrará esse caminho.
Sou muito grato porque, nesses versículos, Esdras não chegou repreendendo o povo. Não chegou como os fariseus, dizendo: “Ah, olhem para vocês”, apontando todas as suas falhas e seus pecados.
Por que Esdras não fez isso? Porque Esdras conhecia a si mesmo à luz de Deus. Esdras sabia que era um homem da mesma natureza e que só a graça de Deus fazia a diferença.
Ele veio e se humilhou ali. Não se exaltou. Sabia que, entregue a si mesmo e separado de Deus, seguiria o mesmo caminho.
Precisamos despertar e perceber que qualquer um de nós, entregue a si mesmo, fará a mesma coisa. Você alguma vez se surpreende com suas atitudes? Alguma vez diz: “Puxa, eu achei que estivesse mais adiantado no Senhor do que isso”?
Alguma vez nos surpreendemos com a maneira como lidamos com uma situação? A única coisa que isso nos mostra é que não conhecemos a nós mesmos. Entregues a nós mesmos, somos capazes de praticamente qualquer coisa.
Mas trata-se de nos vermos à luz de Deus — à luz de Seu amor e de Sua obra consumada. Ele mostra isso porque quer nos libertar. Quer que isso seja corrigido dentro de nós, para que possamos prosseguir e mais da vida de Seu Filho possa se manifestar.
Ao continuarmos em Esdras 9, vemos essa bela oração, como Esdras se colocou ao lado do povo. Ele não se exaltou. Colocou-se ao lado das pessoas que estavam naquela situação.
Não lhes deu um sermão nem uma palestra. Levou-as diante do Senhor e apresentou o Senhor a elas.
Esdras 9 é a oração de Esdras. Em todos esses livros relacionados à restauração, o capítulo 9 é o capítulo da oração. Daniel 9 era a oração de Daniel. Neemias 9 contém aquela oração. Vocês veem princípios semelhantes, porque todos estão se identificando com o povo.
Esta é a oração de um verdadeiro pacificador. Em Esdras 9:6-15, observem como Esdras se identifica com o povo. Vocês não veem uma separação entre “eles” e “nós”: “Senhor, ajuda-os”.
Observem como Esdras diz: “Senhor, nós sabíamos que não deveríamos ter feito isso”. Ele assume sua parte. Assume a responsabilidade. Confessa plenamente o pecado, sem desculpas, e se entrega às mãos do Deus misericordioso.
Essas orações são preciosas para meditarmos nelas.
E eu disse: “Ó meu Deus, estou envergonhado e constrangido de levantar o meu rosto a Ti, meu Deus, porque as nossas iniquidades se elevaram acima da nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até os céus.
Desde os dias de nossos pais até este dia, temos estado em grande culpa; e, por causa das nossas iniquidades, nós, os nossos reis e os nossos sacerdotes fomos entregues nas mãos dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, ao despojo e à vergonha pública, como se vê neste dia.
Mas agora, por um breve momento, a graça foi manifestada da parte do Senhor, nosso Deus, para nos deixar um remanescente que escapou e nos dar uma estaca em Seu santo lugar, para que o nosso Deus ilumine os nossos olhos e nos conceda um pouco de renovação em nossa servidão.
Porque somos escravos; contudo, em nossa servidão, o nosso Deus não nos abandonou, mas estendeu a Sua misericórdia sobre nós diante dos reis da Pérsia, para nos dar renovação, para levantar a casa do nosso Deus, restaurar as suas ruínas e nos dar um muro em Judá e em Jerusalém”.
Embora estivessem em Jerusalém, ainda estavam sob a autoridade do rei. Eram escravos. Mesmo assim, em sua servidão, Deus não os havia abandonado.
Esdras os lembra de seu propósito. Por que estavam em Jerusalém? Para levantar a casa de seu Deus, restaurar suas ruínas e receber um muro em Judá e em Jerusalém. O muro, como veremos, é reconstruído em Neemias.
E agora, ó nosso Deus, que diremos depois disto? Porque abandonamos os Teus mandamentos, que ordenaste por meio dos Teus servos, os profetas, dizendo: “A terra em que entrais para a possuir é uma terra impura, pela impureza dos povos das terras, com suas abominações, que a encheram de uma extremidade à outra com sua imundícia.
Agora, pois, não deis as vossas filhas aos filhos deles, nem tomeis as filhas deles para os vossos filhos. Nunca procureis a paz nem a prosperidade deles, para que sejais fortes, comais os bens da terra e a deixeis por herança a vossos filhos para sempre”.
E, depois de tudo o que nos sobreveio por causa das nossas más obras e da nossa grande culpa, visto que Tu, nosso Deus, nos castigaste menos do que mereciam as nossas iniquidades e nos deste um remanescente que escapou como este, tornaremos a quebrar os Teus mandamentos e a nos aparentar por casamento com os povos que cometem estas abominações? Não Te indignarias contra nós até nos consumir, de modo que não houvesse remanescente nem quem escapasse?
Ó Senhor, Deus de Israel, Tu és justo, pois fomos deixados como um remanescente que escapou, como se vê neste dia. Eis que estamos diante de Ti em nossa culpa; porque ninguém pode permanecer diante de Ti por causa disto.
Há algo precioso nesta oração, na maneira como Esdras se identifica com o povo. Quando nos encontramos nessas situações, como respondemos?
Falamos muito sobre a casa de Deus e o corpo de Cristo. A realidade daquilo que realmente vemos do corpo de Cristo ou da casa de Deus será refletida em nossa vida de oração.
Se vemos coisas acontecendo e desejamos que a beleza do Senhor seja introduzida, que mais de Cristo seja introduzido, como estamos orando? Estamos orando: “Senhor, vem ao nosso encontro. Senhor, fortalece-nos. Porque nós pecamos”?
Não ficamos ali dizendo: “Senhor, ajuda-os. Oramos por eles, oramos por eles”. Não. Há uma identificação. Somos um em Cristo. Participamos daquele único pão, daquele mesmo pão. Há um testemunho de nossa unidade no Senhor.
No entanto, com que frequência há, em nossas orações, o “eles” e o “nós”? Que o Senhor toque nosso coração de uma maneira nova, para que oremos reconhecendo que nós, como Seu povo, realmente precisamos ser fortalecidos e fortalecer as coisas Dele que ainda restam.
O povo em Jerusalém, naquele momento, estava em uma grande crise. Mas louvado seja o Senhor, irmãos e irmãs, porque, para cada crise em que nos encontramos, individualmente ou em conjunto, nosso Senhor sempre tem uma resposta.
Vocês sabem qual é a resposta para essa crise? É nosso Senhor Jesus Cristo: uma revelação maior de nosso Senhor Jesus Cristo.
O Senhor escreveu àquelas igrejas em Apocalipse porque desejava que cada uma delas tivesse uma revelação maior de Cristo e voltasse para Ele. Quando nos encontramos na crise desta hora, como atravessamos essa crise? Por meio de uma revelação maior de nosso Senhor Jesus Cristo.
Muitas vezes podemos nos distrair até mesmo com a resolução dos problemas. Quando primeiro nos achegamos ao Senhor e O vemos, recebemos uma revelação maior Dele. Então, talvez Ele nos mostre o caminho. Mas Ele é o remédio para toda crise, individual e coletiva.
Esdras trouxe o Senhor para a situação. O povo foi levado a um lugar de arrependimento, não simplesmente pelo que Esdras havia feito, mas porque Esdras lhes ministrou Cristo. À medida que Esdras trouxe Cristo para a situação, houve uma profunda convicção de pecado, e houve uma resposta.
Agradeço ao Senhor porque Esdras se dispôs a ser esse pacificador quando viu essa crise. Oro para que, nesta hora em que estamos vivendo, estejamos dispostos a ser pacificadores dentro da casa de Deus quando virmos uma crise, seja individual ou coletiva.
Podemos aprender isso com Esdras? Podemos tomar coragem e enfrentar certas situações de frente, em vez de evitá-las ou negá-las? Que o Senhor nos ajude nisso.
O Senhor agiu de maneira poderosa para produzir arrependimento. Com o que eles estavam lidando? Estavam lidando com essa questão das mulheres estrangeiras.
Quando lemos sobre essa questão das mulheres estrangeiras, podemos dizer: “Como isso se relaciona conosco hoje? O que isso significa?” Não vamos complicar demais.
O que é uma pessoa estrangeira? É simplesmente alguém que não nasceu no mesmo país em que você nasceu. Nasceu em outro lugar. Por ter nascido em outro lugar, tem pensamentos, hábitos e perspectivas diferentes.
Temos pessoas que se reúnem conosco vindas da África do Sul, da Alemanha, do Leste Europeu, do Extremo Oriente, da Índia e de muitos outros lugares. Há muitos pensamentos e perspectivas diferentes.
Quando falamos de algo estrangeiro, espiritualmente falando, trata-se de algo estranho à família de Deus. Não nasceu Dele.
Estamos no reino de Deus, e existe um reino das trevas. Quando falamos de uma mulher estrangeira, trata-se simplesmente de algo que não nasceu na mesma nação em que nós nascemos.
Somos um povo. Somos uma raça eleita. Somos um povo santo. É precioso ser esse povo santo para Deus.
Mas eles haviam permitido a entrada de pessoas que não pertenciam à mesma linhagem, e isso trouxe injustiça. Isso pode nos afetar hoje.
O texto também diz que eram esposas. O que isso significa? Quando você pensa em uma esposa, trata-se de alguém a quem você está intimamente unido. Não é apenas uma pessoa com quem você se relaciona, nem sequer apenas uma parceria. É alguém a quem você está intimamente unido. Seu próprio coração é entregue àquela pessoa.
O que se está dizendo aqui é que havia coisas não nascidas de Deus às quais essas pessoas do povo de Deus haviam entregado seu coração e às quais se haviam unido intimamente.
Como isso aconteceu? Podemos ver, pela oração de Esdras, que eles tinham a Palavra de Deus dizendo que não deveriam fazer isso. Mas acho que aconteceu por meio de um processo lento e gradual.
Há um lento esfriamento do amor. O amor começa a esfriar e, de repente, aquilo com que realmente fomos chamados a nos ocupar começa a perder força. A razão pela qual fomos chamados a voltar e edificar começa a se apagar.
Não acho que, de uma hora para outra, alguém que está andando firmemente no Senhor simplesmente vá e se case com uma mulher estrangeira. Isso é um resultado. É o fruto de um lento processo de afastamento.
Esdras os levou de volta à Palavra de Deus, e ela os fortaleceu. Se a Palavra de Deus permanecesse viva dentro deles — e viva para nós —, ela nos guardaria desse lento processo de esfriamento.
Quanta dor e sofrimento poderiam ter sido evitados aqui!
Qual foi o efeito dessas mulheres estrangeiras? Isso acaba nos dissipando e nos distraindo daquilo para o qual o Senhor nos chamou.
Vemos isso ilustrado na vida de Salomão. O texto diz que Salomão se casou com muitas mulheres estrangeiras. O que aconteceu com ele? Isso lhe roubou o coração. Seu coração não estava firme no Senhor como o de seu pai, Davi.
Isso também abriu um caminho para o inimigo entrar e derrubar o reino. Ao se casar com essas mulheres estrangeiras e ter seu coração intimamente ligado a elas, longe do Senhor, Salomão abriu o caminho e deu ao inimigo uma oportunidade para derrubar aquele reino.
Essa questão da separação é muito importante. Sou muito grato porque, ultimamente, temos ouvido sobre a questão da santificação, porque separação é santificação.
Mais uma vez, precisamos ter em mente de quem estamos falando. Não eram pessoas que ainda estavam na Babilônia. Eram pessoas que haviam deixado a Babilônia e voltado a Jerusalém para edificar a casa de Deus.
Não pensemos que isso não pode acontecer conosco. Não pensem que não pode, porque isso apenas mostra que não conhecemos a nós mesmos à luz de Deus.
Como isso se aplica a nós hoje? Sabemos que estamos falando principalmente da condição de nosso coração.
Quais são nossas mulheres estrangeiras hoje? Quais são as coisas às quais estamos intimamente ligados? Podem ser muitas coisas. Pode ser nosso trabalho. Quantas vezes usamos a expressão: “Fulano é casado com o trabalho”?
Muitos de nós, ao longo de nossa carreira, já experimentamos isso. Graças ao Senhor, Ele interveio e tivemos esse divórcio — o bom divórcio entre nosso trabalho e nossa caminhada com o Senhor.
Pode ser o dinheiro. Pode ser a educação. Pode ser nossa família. Pode ser qualquer coisa que nos distraia ou disperse, impedindo-nos de nos ocupar com o propósito de Deus.
O Senhor disse nos Evangelhos que aquele que ama mãe, pai, família, trabalho, campo ou todas essas coisas mais do que a Ele não pode ser Seu discípulo.
Isso não significa que não tenhamos essas coisas. O que Ele está dizendo é: nós as amamos mais do que amamos o Senhor, Seu propósito e o desejo de Seu coração?
Hoje existe uma ênfase muito grande na educação, e precisamos de educação. Mas podemos nos concentrar tanto em obter um doutorado que todo o restante é deixado de lado.
Precisamos ser honestos uns com os outros, irmãos e irmãs. Há alguma coisa em nossa vida que se tornou importante demais? Como sabemos o que é importante para nós? São as coisas que ocupam nossa vida. Onde estamos gastando nosso tempo?
Até mesmo a educação domiciliar, assim como qualquer outra coisa, pode nos distrair de servir à casa de Deus e ao Seu propósito. Nosso trabalho pode fazer isso. Os prazeres da vida também.
Precisamos levar essas coisas honestamente diante do Senhor. Precisamos dizer: “Senhor, isso está me distraindo? Isso está permitindo que alguma coisa me afaste do Teu propósito para minha vida e para o Teu povo?”
Estamos dispostos a ter um coração aberto para que Ele responda a essa pergunta e para ouvir o que Ele diz?
Às vezes podemos estar tão ocupados com muitas coisas que não temos tempo para servir dentro da casa de Deus.
Posso dizer isso porque, às vezes, tenho estado muito ocupado com certas coisas. Houve épocas em minha caminhada com o Senhor em que eu estava tão ocupado com esportes, jogando bola, que não tinha tempo de ir à reunião de oração.
Houve épocas em minha vida em que estar naquele campo todas as quartas-feiras à noite era mais importante para mim do que estar na reunião de oração. Eu era casado com os esportes. Isso me distraía e dispersava.
Pode ser qualquer coisa que afete nossa vida. Agora temos a internet, todo tipo de coisa disponível que pode nos prender. Que o Senhor realmente nos desperte.
Vocês sabem qual é um dos efeitos disso? Há um dos versículos mais trágicos da Bíblia. Mantenham o dedo aqui em Esdras e abram no final de Neemias, no capítulo 13.
Este é um dos efeitos trágicos de estar casado com essas mulheres estrangeiras. Neemias 13:24 diz:
Quanto aos seus filhos, metade falava a língua de Asdode, e nenhum deles sabia falar a língua de Judá, mas a língua de seu próprio povo.
Eles não conseguiam falar a língua de Judá. Não conseguiam falar a linguagem de Deus. Falavam a linguagem do mundo.
Às vezes, que linguagem nossos filhos estão aprendendo? Estão apenas aprendendo as palavras do cristianismo, ou são palavras de vida que vêm de seu coração?
Nos Estados Unidos, temos muitas pessoas estudando e ensinando inglês como segunda língua — os programas de ESL. É trágico para mim que, em grande parte do cristianismo, nossos filhos estejam usando o cristianismo como sua segunda língua.
O cristianismo é nossa segunda língua? Temos uma primeira língua que usamos na maior parte do tempo, mas, quando estamos entre os irmãos e as irmãs, mudamos para nossa segunda língua?
Como temos ido ao Brasil, tenho estudado português. Consigo falar um pouco. Consigo me virar em uma conversa. Mas de uma coisa eu sei: quando algo precisa ser expresso do fundo do meu coração, sempre volto à língua que conheço melhor. Volto ao inglês.
Vocês perceberão que, quando as pessoas estão começando a aprender outros idiomas, nos momentos de oração, adoração ou clamor ao Senhor em desespero, elas voltam à sua língua original.
Muitas pessoas sabem falar inglês, mas, a menos que estejam aqui há muitos anos, a língua de seu coração é sua língua materna.
Tudo o que estou tentando nos levar a perceber hoje é a necessidade de perguntar ao Senhor: “Senhor, qual é minha língua materna? Qual é a linguagem de meu coração?” Em um momento de crise, essa é a linguagem que vai sair.
Reagimos com um espírito de combate para nos defender, ou reagimos com as palavras de nosso Senhor, em um espírito de humildade? Uma crise revelará o que está dentro de nós.
Aquelas pessoas, quando estavam em crise, recorriam aos estrangeiros. Esdras chegou e estava tentando levá-las de volta à sua linguagem.
Que realmente voltemos a permitir que a linguagem de nosso coração seja a linguagem de nosso Senhor, e não a linguagem deste mundo.
Que linguagem estamos ensinando uns aos outros? Que linguagem estamos ensinando a nossos filhos? Isso nos leva de volta a Esdras, porque as pessoas aprendem a linguagem conosco, pela linguagem que nos veem falar.
Elas nos veem dizer uma coisa e fazer outra. Em Esdras, viram alguém que não apenas estudava a Palavra, mas praticava a Palavra.
É impressionante a percepção que as crianças podem ter. Elas enxergam através de nós. Elas sabem. Sabem se a maneira como agimos aqui no domingo, na quarta-feira, na sexta-feira ou em qualquer outro dia é diferente da maneira como nos veem agir em outros lugares.
Que contraste! Qual linguagem elas estão aprendendo?
Não precisamos permitir que isso nos condene e dizer: “Ai de mim”, e tudo mais. Mas precisamos dizer: “Senhor, quero, primeiro em minha própria vida, ser alguém cuja primeira língua seja essa linguagem de amor — a linguagem de Deus dentro de meu coração”.
Que essa linguagem seja ensinada a nossos filhos. Que o Senhor realmente nos ajude nisso.
Há outra coisa a considerar quando pensamos em todo esse conceito das mulheres estrangeiras. Normalmente, uma esposa adota o sobrenome do marido.
Hoje, como já mencionamos, temos muitas coisas por aí em nome do cristianismo. Mas qual é sua origem? Será que são apenas uma mulher estrangeira com um nome bonito? Será que nos casamos com isso e o chamamos de cristão?
Dentro do cristianismo, temos música cristã, ginástica aeróbica cristã, livros cristãos de dieta, dança cristã, ligas esportivas cristãs — temos de tudo. Qual é a origem disso?
Será que simplesmente pegamos alguma coisa, damos uma pequena arrumada para aliviar nossa consciência, colocamos o rótulo “cristão” e então dizemos que está tudo bem?
Se a origem não é o Senhor, tenho de me perguntar: por quê? Por que recorremos tanto ao mundo para nos divertir?
Será que não associamos o prazer à casa de Deus? O Senhor nos deu tanto de Si mesmo. Ele nos deu tudo de Si mesmo para que pudéssemos desfrutar.
Vemos a beleza do Senhor? Desfrutamos do Senhor, ou precisamos recorrer ao mundo?
Lembrei-me daquela pequena frase: a imitação é a maior forma de elogio. Por que estamos imitando o mundo? Por que o mundo não está tentando imitar Cristo em nós? Por que o mundo não é atraído, enquanto nós nos vemos tentando tanto imitar o mundo?
Eu estava conversando com um irmão que mora em outro estado. Ele disse que muitos grupos de jovens na cidade onde ele se reúne agora têm noites de pôquer cristão para os jovens.
Como o World Poker Tour se tornou muito popular, dão uma polida nisso, fazem parecer bonito, e as pessoas pegam aquilo e dizem: “Ah, mas eles não usam dinheiro de verdade”. Todas as crianças chegam, recebem a mesma quantidade de fichas e têm sua noitezinha de pôquer. Essa é a diversão delas.
Todo mundo diz: “Ah, isso é tão bom. Meus filhos vão ao grupo de jovens toda semana, e temos nossa noite de pôquer cristão”. Mas isso nos mostra como, de alguma forma, colocamos esse nome, “cristão”, em algo e perdemos a perspectiva.
Que o Senhor nos traga de volta. Que Ele desperte nossa consciência para os dias em que estamos vivendo.
Quem eram essas mulheres estrangeiras? Em Esdras 9:1, lemos todos aqueles nomes — os jebuseus, os heteus e os outros. Quem eram eles? Eram aqueles que Israel já havia conquistado antes.
Israel havia conquistado e derrotado esses povos e os havia expulsado. Eles haviam sido submetidos ao povo de Deus. Mas as coisas que haviam vencido, permitiram que voltassem a entrar.
Há coisas em nossa vida sobre as quais, pela graça de Deus, em algum momento tivemos vitória, mas que depois permitimos que voltassem a entrar?
De repente, elas ganham espaço em nós novamente. Dizemos: “Puxa, eu achei que tivesse resolvido isso muitos anos atrás”. Mas, de alguma forma, deixamos aquilo voltar, e começa a nos roubar o relacionamento com o Senhor.
Podem ser questões doutrinárias, legalismo, espíritos sectários ou coisas pessoais das quais nos separamos no passado, mas que, de alguma forma, permitimos que voltassem a entrar.
Nesta semana, eu estava assistindo a uma entrevista chamada O Marketing do Mal. Era com alguém que havia escrito esse livro, e a entrevista mostrava como o inimigo está promovendo o mal para nos tornar, como crentes, insensíveis ao pecado.
Podemos ficar confusos. Pensemos na televisão, nos filmes, nos DVDs ou no que quer que seja. Talvez, quando somos salvos, digamos: “Preciso deixar isso de lado. Isso não edifica”.
Mas depois dizemos: “Bem, agora sou um cristão um pouco mais forte. Posso assistir a isso”. Pensamos que, por sermos mais fortes, podemos assistir a um pouco desse pecado e dessa perversão, ouvir palavrões, e isso não nos afetará.
Nós nos enganamos pensando que somos mais fortes. Na verdade, a razão pela qual conseguimos assistir a cenas de pecado e pornografia e ouvir palavrões nos filmes não é que sejamos mais fortes e isso não nos afete. É que estamos mais fracos.
Nossa consciência se tornou menos sensível à obra de convencimento do Espírito Santo, de modo que o pecado já não nos causa impacto.
Se somos o povo de Deus, como podemos ficar ali, totalmente insensíveis, quando alguém usa o nome de nosso amado Salvador em vão — quando estão praguejando e usando Seu nome de maneira difamatória — e dizer: “Ah, não foi tão ruim assim”?
Não, isso é insensibilidade. Precisamos que nossa consciência seja despertada pela ação do Espírito Santo, para que não sejamos embalados na ilusão de pensar: “Uau, sou um cristão tão forte. Consegui assistir àquele filme de classificação restrita. Não me afetou”.
Não. É um cristão enfraquecido que consegue assistir a isso, e deveríamos nos entristecer quando isso não nos afeta. Precisamos que o Espírito Santo torne nosso espírito e nossa consciência sensíveis, para que sintamos repulsa pelo pecado.
Há tanta homossexualidade retratada no mundo que parece que todo programa tem algumas pessoas homossexuais. Hoje em dia, já nem sentimos repulsa pela homossexualidade.
Agora, precisamos, sim, amar o pecador, mas precisamos odiar o pecado. O mundo diz: “Vocês precisam ser tolerantes. Precisam ter a mente aberta”. Não, não precisamos.
Precisamos ser um povo de Deus que volte a odiar o mal e a fazer o bem. Precisamos ser o povo de Deus que se posiciona em defesa de Seu nome quando ele é usado em maldições e de maneira difamatória.
Estamos apenas enganando a nós mesmos. O Senhor diz:
À Minha casa convém a santidade.
Precisamos ser aqueles que retornam a um espírito de santidade e piedade diante Dele.
Graças ao Senhor porque Esdras trouxe a Palavra viva, e ela os santificou. Por meio desse confronto com a Palavra de Deus, o povo se arrependeu.
Esdras 10:1 diz:
Enquanto Esdras orava e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele uma grande congregação de Israel, de homens, mulheres e crianças; porque o povo chorava amargamente.
Eles prosseguiram e disseram: “Pecamos contra a Palavra de Deus, e precisamos voltar para Ele”.
Graças ao Senhor, o povo veio e retornou. Deixaram suas mulheres estrangeiras. Realmente se separaram delas.
Agora, nos dias em que estamos vivendo, ninguém que tenha uma esposa estrangeira deve se separar dela. Mas o princípio diz respeito ao nosso coração. Precisamos nos separar dessas coisas. Precisamos nos divorciar delas.
Dependendo da intimidade que temos com isso, será doloroso. Mas precisamos ver a alegria que nos está proposta, para que possamos deixar essas coisas de lado.
Em minha Bíblia, a partir de Esdras 10:18, o título é “A Lista dos Transgressores”. São aqueles que tinham mulheres estrangeiras, voltaram ao Senhor, se arrependeram e prosseguiram com o Senhor.
Na verdade, acho que esse título é inadequado. Deus não se lembra deles como os transgressores. Para mim, Deus se lembra deles como os vencedores.
Eles venceram o pecado em que estavam enredados e foram restaurados a um relacionamento correto. Não passamos pela vida com esse rótulo de “transgressores”. Não. Isso está debaixo do sangue.
Eles voltaram, prosseguiram e retornaram. É assim que a casa é embelezada. São aqueles que poderíamos chamar de belos, porque antes haviam desonrado a casa de Deus, mas agora, ao se arrependerem, estavam embelezando a casa de Deus por meio de sua vida.
Eles venceram aquele pecado. Que respondamos nesse mesmo espírito hoje, para que o Espírito Santo possa nos sondar e sejamos aqueles que embelezam a casa de Deus.
Preciso encerrar daqui a pouco. O terceiro aspecto que queríamos examinar hoje era este: como o povo de Israel poderia ter ajudado uns aos outros a evitar isso?
Enquanto pensava nisso, voltando a Esdras, entre aqueles que se casaram com mulheres estrangeiras, muito provavelmente houve uma pessoa que fez isso primeiro. Isso é uma suposição, mas provavelmente houve alguém que fez isso primeiro.
O que as outras pessoas fizeram?
Se enxergamos a casa de Deus e nosso relacionamento uns com os outros, não ficamos simplesmente parados, permitindo que alguém destrua a própria vida.
Não dizemos simplesmente: “Ah, você vai se casar com aquela mulher estrangeira? Bem, não deveria”, e deixamos a pessoa se destruir, sua família ser destruída e seus filhos sofrerem.
Não, precisamos ser aqueles — novamente, os pacificadores — que se colocam ao lado uns dos outros. Se realmente vemos nosso relacionamento uns com os outros, isso se manifestará em nosso cuidado mútuo.
Temos um milhão de desculpas para não fazer isso: “Quem sou eu? Minha vida é uma confusão. Eles não vão me ouvir mesmo. Se eu disser alguma coisa, não vão ouvir. Eles não querem realmente minha ajuda. Não gostam de mim”.
Podemos continuar sem parar. “Eles não vão mudar de opinião. Vou deixar outra pessoa fazer isso. Talvez eu os ofenda se os confrontar com seu pecado. Não quero quebrar a paz que temos — a trégua que temos.”
Uma das desculpas que podemos usar para nos esquivar é: “Bem, vou apenas orar por eles”. Agora, não entendam mal. A primeira coisa que precisamos fazer é orar.
Mas, se formos honestos, podemos usar a oração como uma desculpa para não agir. Precisamos, sim, orar, mas, quando o Senhor responde à oração e nos diz para dar um passo, nós o damos.
Não continuamos apenas dizendo: “Ah, Senhor, ajuda-os, ajuda-os”. Sim, oramos, mas não usamos a oração como desculpa para nos esquivar. Há uma maneira de entrar na situação, e Esdras entrou.
Uma das belezas da casa de Deus que está faltando em nossos dias é a responsabilidade mútua — prestar contas uns aos outros.
Eu prestar contas a vocês, e vocês prestarem contas a mim. O Senhor nos chamou a prestar contas uns aos outros, sob Sua autoridade como Cabeça.
Isso não significa se intrometer em cada pequeno detalhe da vida uns dos outros. Significa aquele princípio de cuidar e amar uns aos outros, o princípio de se colocar ao lado.
Se vemos alguém entrando em alguma coisa e se destruindo, simplesmente nos sentamos e deixamos essa pessoa caminhar para fora da beira do precipício? Deixamos sua família ser destruída e seus filhos irem para o mundo?
Ou procuramos encontrar o caminho do Senhor para entrar na situação, caminhar com essa pessoa e ajudá-la a atravessar tudo isso?
Agora, é difícil. Não estou dizendo que isso é fácil. É difícil porque exigirá de nossa parte o compromisso de nos envolvermos na vida de outras pessoas.
Podemos ser rejeitados. Podemos ser mal compreendidos. Todo tipo de coisa pode acontecer conosco. O que temos a perder?
Tudo o que temos a perder é nossa autoimagem e nossa reputação. Isso nos leva de volta ao que Paulo escreveu: estamos dispostos a ser loucos por amor a Cristo?
O que é mais importante — nossa autoimagem ou o bem-estar de nossos irmãos e irmãs? Quando vemos alguém se destruindo, Provérbios diz:
Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto.
Sou muito grato por aqueles que, em minha vida, quando viram falhas de caráter, trataram dessas questões. Vieram, conversaram comigo e me repreenderam. Disseram: “Mac, isso não está certo”.
Sou grato por pessoas que me amam tanto assim. Sou grato pelo Senhor, que me ama tanto assim.
Agora, como fazemos isso? Obviamente, não estamos falando de atacar todo mundo publicamente. O amor cobre. Estamos falando de abordar a pessoa com discrição e em particular.
Aquelas pessoas responderam à Palavra e retornaram. Assumiram com Esdras o compromisso de prestar contas. Disseram: “Nós faremos isso”, e Esdras lhes cobrou esse compromisso, e elas foram até o fim.
Se vemos o relacionamento que temos dentro da casa de Deus, desejaremos essa responsabilidade mútua, porque ela é uma proteção para nós.
Sou muito grato pelos irmãos e pelas irmãs, porque há segurança nisso. Eles podem ver coisas em minha vida e tratar delas.
Se não queremos prestar contas, o que estamos escondendo? É apenas uma vida independente? Ou escolhemos a quem queremos prestar contas?
Não estou falando do movimento de discipulado, com toda a sua estrutura. Estou falando do princípio de cuidar uns dos outros e de acolher o que recebemos uns dos outros.
Quando vemos situações, como lidamos com elas? Colocamo-nos ao lado. Oramos, sim. Vamos ao Senhor: “Senhor, mostra-nos o Teu caminho para intervir nesta situação”.
O que Esdras fez? Trouxe o Senhor para a situação e levou aquelas pessoas ao Senhor. Então, oramos por isso.
Depois pedimos ao Senhor que sonde nosso coração e tire aquela trave de nosso olho. Certificamo-nos de que nossas motivações são corretas.
Talvez haja alguma coisa antiga que nos tenha ferido, e estejamos esperando uma oportunidade de vingança: “Ah, aquela pessoa finalmente errou. Agora vou acertar as contas com ela”. Tirem essa trave de nossos olhos.
Todo o propósito — qual era o propósito de Esdras? — era a restauração. Não era a punição. Ele não estava tentando rebaixá-los nem apontar todas as suas fraquezas. Seu encargo, ao final, era restaurá-los e reconciliá-los com Deus.
Então, conforme somos conduzidos pelo Senhor, vamos uns aos outros nesse espírito correto: para restaurá-los, caminhar com eles e atravessar isso com eles.
Estaríamos dispostos a arriscar nossa reputação, nossa imagem e tudo aquilo que, de maneira egoísta, nos prende e impede, para que um irmão ou uma irmã pudesse ser restaurado a esse relacionamento correto?
Sou grato porque o Senhor esteve disposto a fazer isso. Ele deixou o esplendor do céu e veio a esta terra como o pacificador, como o restaurador de nossa alma.
Eu me pergunto — novamente, fazendo uma suposição sobre Esdras — qual teria sido o resultado se alguém tivesse tratado dessa questão quando a primeira pessoa se casou com aquela estrangeira.
Que prestemos contas uns aos outros. Que, no Senhor, aprendamos o valor precioso disso. Que o Senhor nos ajude realmente a prestar contas uns aos outros e a estar dispostos a fazê-lo.
Enquanto pensava neste livro ontem, lembrei-me de como é difícil estudar quando está fazendo cerca de vinte e sete graus lá fora. O tempo está lindo. As janelas estão abertas. Isso me fez lembrar da faxina de primavera.
Na faxina de primavera, tudo ficou fechado por um tempo. O ar está um pouco abafado, e as coisas estão um pouco empoeiradas. Então as janelas são abertas, o ar fresco entra, e a casa volta àquele frescor de que você tanto gosta.
Então fazemos a faxina de primavera, embelezando a casa.
Irmãos e irmãs, acho que isso é bom para nós dentro da casa de Deus. Periodicamente, precisamos de uma faxina de primavera. Precisamos permitir que o Espírito Santo sopre entre nós à Sua maneira.
Abram as janelas de nosso coração. Abram as janelas de nossa assembleia. Parem tudo o mais e digam: “Senhor, que o Teu Espírito entre”.
Faz essa faxina de primavera em minha vida. Mostra-me onde estou ligado a essas mulheres estrangeiras, onde estou abrigando alguma coisa, onde as coisas estão me distraindo, onde tenho uma mágoa contra um irmão ou uma irmã.
Senhor, que o Teu Espírito entre e mostre essas coisas em nossa vida. Em nossa assembleia, Senhor, entra. Abrimos essas janelas e deixamos que o Teu Espírito Santo entre e sopre novamente.
Expõe coisas em nossa vida com as quais, consciente ou inconscientemente, nos envolvemos e das quais estamos desfrutando, mas que não vêm de Ti.
É aí que a beleza do Senhor se manifesta. Quando fazemos essa faxina de primavera em nossa vida, a beleza da casa aparece.
Poderíamos, nesta hora em que estamos vivendo, permitir que o Senhor faça essa faxina de primavera, para que a beleza do Senhor se manifeste de maneira maior?
Mais uma vez, ao abordarmos hoje essas questões em Esdras, o Senhor está trabalhando. Ele está procurando pacificadores. Estaríamos dispostos a ser pacificadores dentro da casa de Deus hoje?
Novamente, que o Espírito Santo sonde nosso coração. Se encontramos uma hesitação quando falamos dessa questão de prestar contas, poderíamos dizer: “Senhor, por que estou hesitando? Por que estou hesitando?”
Permitam que Seu Espírito Santo faça brilhar Sua luz. Esdras trouxe a luz do Senhor para uma situação. Em toda situação em que nos encontramos, o Senhor quer trazer essa luz para brilhar sobre nós, para que sejamos libertos.
Que sejamos libertos de todas as coisas em que estamos enredados. Que desfrutemos da beleza do Senhor. Que desfrutemos de todas as riquezas do Senhor e permitamos que Ele embeleze Sua casa nesta hora.
À medida que Sua casa é embelezada, isso apressará Sua volta. Vamos orar.
Senhor, voltamos novamente a Ti com um coração verdadeiramente grato, mais uma vez por Teu amor longânimo para conosco.
Senhor, queremos vir e simplesmente nos oferecer novamente a Ti. Senhor, faz uma faxina de primavera em nossa vida.
Senhor, vejo toda a poeira, as teias de aranha, as coisas que permito entrar. Oramos para que deixemos o Teu Espírito Santo entrar e remover essas áreas em que nos tornamos insensíveis.
Que nossa consciência seja exercitada de maneira maior, para ser sensível às Tuas coisas, Senhor, e ao chamado que tens para nós nesta hora.
Em nome de Jesus, amém.