Bom dia, irmãos. Peço que abram, por favor, em Jó 38.
Acabamos de cantar e orar sobre o princípio indispensável de que possamos ver o Senhor. Portanto, não vejo necessidade de repetir isso, porque esse é o desejo do nosso coração. É isso que temos pedido em oração.
Se me permitem começar esta última sessão com uma bênção, gostaria de fazê-lo. Estava lendo 2 Tessalonicenses nesta manhã, e esta bênção tocou meu coração. Vou lê-la, transformá-la em uma oração e, com isso, começaremos nosso estudo.
Aqui está a bênção de 2 Tessalonicenses 3:5:
Que o Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus,
E à perseverança de Cristo.
Que bênção! Vamos transformá-la em oração e, depois, acrescentar fé à oração, dizendo: “Amém”.
Nosso Pai, nós Te agradecemos por Tua preciosa Palavra. E agora pedimos, por cada coração aqui, que conduzas nossos corações ao amor de Deus e à perseverança de Cristo, com tudo o que Tu sabes que isso significa. Pedimos no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, temos considerado uma grande porção das Escrituras em um tempo muito breve juntos. Espero que vocês não tenham ficado sobrecarregados, mas voltemos agora ao livro de Jó e à revelação do Senhor.
Creio que o clímax do livro está em Jó 42:5-6:
Eu Te conhecia só de ouvir;
Mas agora os meus olhos Te veem.
Por isso, me retrato,
E me arrependo no pó e na cinza.
O objetivo do livro, ao que me parece, é mostrar que Deus estava levando Jó àquele lugar em que ele pudesse dizer, com todo o seu ser:
Agora os meus olhos Te veem.
A grande revelação do Senhor no livro de Jó, como tenho procurado mostrar, vem por meio daquele título maravilhoso, usado mais vezes em Jó do que em todo o restante da Bíblia somado: trinta e uma vezes, El Shaddai — o Deus que é mais do que suficiente.
El significa Deus Todo-Poderoso; shad é a palavra hebraica para seio. Deus, Aquele que nos ama, quer nos atrair a Si mesmo, para nos mostrar que, em todo tempo, em todo lugar e sob todas as condições, Ele não é apenas suficiente; Ele é mais do que suficiente. Irmão, precisamos vê-Lo com nossos próprios olhos.
Agora, vocês sabem que, no início do livro — apenas para recapitular —, Satanás fez uma acusação. Ele apresentou uma dupla insinuação: tinha uma acusação contra Jó e uma acusação contra Deus.
Sua insinuação contra Jó — e contra todos os servos do Senhor, portanto contra você e contra mim — era esta: a única razão pela qual servimos ao Senhor, escolhemos o Senhor, amamos o Senhor, confiamos no Senhor, O adoramos e Lhe prestamos culto é que Deus é generoso e nos dá presentes. Ele nos dá bênçãos e coloca uma cerca de proteção ao nosso redor.
Satanás sugeriu que, se Deus retirasse essa cerca, não teria seguidores. Sua única esperança seria nos atrair e seduzir com uma recompensa.
Então ele fez uma insinuação contra Deus que decorre disso. Sua insinuação era esta: “Deus, Tu não és maravilhoso em Ti mesmo. Tu não és atraente. Tu não és digno. Não há em Ti o suficiente para levar alguém, independentemente dos Teus presentes, a amar-Te por Ti mesmo — a escolher-Te por Quem Tu és”.
Portanto, a mensagem do livro — de que Deus é mais do que suficiente — surge dessa insinuação. Deus é suficiente quando a cerca cai? Deus é mais do que suficiente quando a cerca cai? Essa é a mensagem distintiva de Jó.
Vimos que a sabedoria humana tentou responder à pergunta errada. Quando você responde à pergunta errada, não pode chegar à resposta certa. Se a pergunta não é a pergunta, a resposta não pode ser a resposta. Depois, quando tocaram na pergunta certa, deram a resposta errada à pergunta certa.
A pergunta que faziam era: “Por que os piedosos sofrem? Por que Jó está sofrendo? Qual é o mistério do sofrimento?”. O livro de Jó não responde a essa pergunta. Não tenta respondê-la. Quanto mais faziam a pergunta, mais se aprofundavam na confusão, porque Deus não responde a essa pergunta.
Os três amigos de Jó deram o que julgavam ser a resposta certa à pergunta errada. Disseram que a razão pela qual as pessoas sofrem é o castigo: elas são pecadoras, e Deus as castiga. Jó achava que tinha a resposta certa à pergunta errada e disse: “Não, Deus não tem uma razão. Ele é caprichoso. É simplesmente arbitrário”.
“Ele fez isso sem motivo algum. Um dia, simplesmente decidiu fazer de mim Seu alvo e começou a me perseguir sem nenhuma razão.” À medida que Jó meditava nisso, afundava cada vez mais e entrava em um desespero cada vez maior. Então disse que Deus estava errado ao fazer aquilo; Ele não deveria tê-lo feito. Antes que tudo terminasse, Deus era seu inimigo, e Jó mergulhou em um desespero profundo, muito profundo. Que estado triste e terrível.
Então, ontem à noite, entrou Eliú. Bendito seja o Senhor por aquele irmão. Ele também estava respondendo à pergunta errada, mas tinha algo que aqueles outros três amigos não tinham: direção.
Direção é muito melhor do que qualquer resposta que você possa encontrar. Eliú não podia dar uma resposta a Jó, mas lhe deu uma direção. Pela primeira vez, os olhos de Jó começaram a se voltar para o Senhor.
Eliú afirmou que tinha uma palavra de Deus, que tinha uma revelação do Senhor. Sua revelação do Senhor — se vocês lerem seu discurso — era de Deus como o Mestre. Pela primeira vez, ele apresenta isto: “Jó, talvez não seja um castigo por alguma coisa que você fez, e certamente não é algo arbitrário. Talvez Deus queira lhe ensinar alguma coisa”.
Ele começou a apresentar possibilidades. Não sabia o que era, então propôs estas — encontrei sete: “Talvez Ele queira lhe ensinar isto. Talvez Ele queira lhe ensinar isto. Talvez Ele queira lhe ensinar isto”.
Mas, Jó, alguém perguntou:
Onde está Deus, meu Criador,
Que dá cânticos durante a noite?
Pela primeira vez, os olhos de Jó se desviaram de seu problema. Os três amigos estavam voltando seus olhos para dentro: “Procure seu pecado. Cave fundo. Descubra qual é. Arrependa-se do seu pecado”.
Eliú tira seus olhos daquela introspecção, volta seus olhos para Deus no céu, e ele começa a ver o Senhor.
Agora, vocês se lembram de que, no meio da mensagem de Eliú, aconteceu algo glorioso. De repente, enquanto Eliú falava, Deus começou a falar.
Pessoalmente, não acho que Eliú tenha parado de falar. Acho que toda aquela mensagem é de Eliú. Sabem como o Paul, enquanto estávamos cantando, de repente mudou o pronome e disse: “Muito bem, agora vamos cantar ‘Tu’ em vez de ‘Ele’”? A letra dizia: “Ele é Senhor”, mas, de repente, estávamos cantando: “Tu és Senhor”. Simplesmente mudamos o pronome.
Bem, foi isso que ele fez aqui. Mudou o pronome, e agora Deus está falando. Na verdade, é Eliú transmitindo sua mensagem, mas Jó já não está ouvindo Eliú.
Bendito seja o Senhor pelo dia em que, quando alguém ministra este precioso Livro — em algum ponto da mensagem, no início, no meio ou perto do fim —, Deus assume, e aquele instrumento desaparece. Foi isso que aconteceu aqui.
Nesta manhã, queremos retomar desse ponto, de Jó 38 até o fim do livro. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude. Queremos ver o que isso significa e como Deus levou Jó ao lugar em que ele disse:
Agora os meus olhos Te veem.
Esses mesmos princípios que levaram Jó àquele lugar são eternamente os mesmos. São os princípios pelos quais Ele me leva a dizer: “Agora os meus olhos Te veem”, e os princípios pelos quais Ele leva você a dizer: “Agora os meus olhos Te veem”.
Gostaria de apresentar a vocês essas linhas gerais — nunca sei como chamar essas coisas, porque não quero reduzir a verdade de Deus, Sua verdade viva, a um esboço. Primeiro isto, segundo aquilo — não são etapas, pontos, princípios ou coisas. É vida. É o próprio Cristo.
Mas Deus tem um movimento geral. Há etapas, e Jó foi conduzido por elas. Depois de Deus permitir que ele percorresse a inutilidade da sabedoria humana e ficasse completamente confuso e perplexo com ela, assim como fez naquela ocasião, Ele fará conosco: trará um Eliú à nossa vida.
Não alguém que tenha todas as respostas — que Deus nos livre dessas pessoas —, mas alguém que tenha direção; alguém que tenha ouvido de Deus, alguém que tenha visto o Senhor. Sua visão do Senhor talvez não seja tão grandiosa, mas é uma visão do Senhor, e ele faz nossos olhos se desviarem de tudo o mais e se voltarem para o Senhor.
Tenho observado que, geralmente — agora, não limitem Deus, e eu jamais quero limitar Deus —, Ele espera até que você esteja em algum tipo de tempestade. Geralmente, Ele espera até que você tenha esgotado completamente a sabedoria humana e esteja exausto por causa dela. Você já tentou tudo o mais.
Quando você quase enlouqueceu tentando encontrar as respostas, parece que cada um de nós tem um fundo do poço diferente, e Deus precisa nos levar ao fim de nós mesmos, até esse fundo.
Fico admirado. Leio Daniel, e temos o registro de que ele era dez vezes mais inteligente do que todos os outros. Se eu encontrasse um mecânico dez vezes mais inteligente do que todos os meus outros mecânicos, adivinhem para quem eu ligaria primeiro se meu carro quebrasse? Mas eles não fizeram isso. Precisaram passar por todos os outros nove mecânicos que não resolveram o problema e, por fim, disseram: “Ah, sim, vamos chamar Daniel”.
Parece que sempre passamos primeiro por todas as respostas erradas, e então Eliú vem e diz: “Onde está Deus? Alguém já pensou nisso?”. Ele volta nossos olhos para o Senhor.
Às vezes, Deus derruba uma parte da sua cerca — não como fez com Jó; Ele poda um pouquinho da sua cerca, e você acha que ela caiu inteira, mas não caiu inteira. Quando o redemoinho está fazendo sua cabeça girar e a sabedoria humana falhou, então Eliú entra e volta seu coração para o Senhor.
Não posso dedicar tempo a isso, mas sei que, se pudesse passar de fileira em fileira, vocês poderiam agradecer a Deus por algum Eliú: algum livro, alguma mensagem, algum irmão, alguma irmã, algum jovem que Deus, em Sua providência, colocou na sua vida no momento certo e que voltou seus olhos para Ele. Como louvamos a Deus por isso!
Permitam-me apresentar outro princípio sobre como Deus levou Jó a esse lugar. É muito importante perceber que Deus deseja revelar a Si mesmo, não respostas. Ele não deseja nos dar respostas; deseja nos dar a Si mesmo.
Se você procura respostas, não está pronto para ver El Shaddai. Se eu procuro respostas, não estou preparado para ver El Shaddai.
É impressionante ler isso e dar um passo atrás para ter uma visão geral. Durante trinta e um capítulos, Jó tem clamado: “Quero respostas. Quero respostas. Dá-me uma resposta. Fala comigo. Diz-me por quê. Não consigo viver sem respostas. Desata este nó para mim. Desvenda o mistério. Por que estou passando por isso? Por que estou sofrendo?”.
Deus finalmente fala por meio da mensagem de Eliú. Ele dá respostas? Fico admirado quando leio isto: Ele faz setenta e nove perguntas. Não deu nenhuma resposta; fez setenta e nove perguntas.
Bem, depende de como você as conta. Eu examinei todas. Encontrei noventa perguntas; outros encontraram setenta e nove, e outros encontraram menos, dependendo de como se divide o texto. Às vezes, é possível pegar algumas daquelas revelações e transformá-las em várias perguntas.
Mas a questão é esta: Deus não deu a Jó o que ele achava que precisava. Jó achava que precisava de respostas, e Deus lhe deu mais perguntas. Quando você acha que precisa de respostas e sai à procura delas, tudo o que vai conseguir são mais perguntas.
Jó começou com uma pergunta e a gritou durante trinta e um capítulos: “Por quê?”. Deus disse: “Muito bem, deixa-Me acrescentar a isso mais setenta e nove perguntas”. Aquilo era frustrante.
Não podemos dedicar tempo à leitura de Jó 38–40, mas é uma passagem emocionante. Seria maravilhoso listar todas as perguntas e meditar nelas. Permitam-me fazer esta afirmação geral sobre a passagem.
No início, penso que Eliú ainda está falando, e ele começa a tratar da criação inanimada: perguntas sobre a criação, a terra, o mar, o clima, o dia, a luz, a noite, a vida, a morte, as tempestades, a neve, o granizo, a geada, o orvalho, os relâmpagos, as estrelas e as constelações.
Depois, ao terminar de falar da criação inanimada, ele passa à criação animada: perguntas sobre o homem, o cérebro, o nascimento de uma criança, os animais, o hipopótamo, o crocodilo, os leões, as cabras, os cervos, os bois, os cavalos, os falcões, as águias, os avestruzes e os corvos. Pergunta após pergunta, uma depois da outra.
Você pode dizer: “Deus fez todas essas perguntas para mostrar como Jó era tolo”. Bem, acho que Ele conseguiu fazer isso, mas não foi por esse motivo que Deus fez as perguntas. Não as fez para mostrar como o homem é tolo.
Agora, Jó acabou dizendo: “Sou insignificante”? Certamente. Mas Deus estava fazendo aquelas perguntas para mostrar como Ele é sábio, não como o homem é insignificante.
Se buscarmos respostas, irmão, garanto que acabaremos com mais perguntas. Então você vai procurar outro conselheiro e dizer: “O que eu preciso é isto”. Vai ler dois livros sobre vitória, dois livros sobre descanso e dois livros sobre permanecer em Cristo. Continuará dizendo: “Só preciso de respostas. Esclareça isso mais uma vez. Diga-me o que significa ser crucificado com Cristo. Diga-me o que é a verdade da identificação com Cristo e como ela pode ser verdadeira a meu respeito enquanto vivo desse jeito”. Perguntas, perguntas, perguntas.
Deus diz: “Você quer fazer perguntas? Tenho mais algumas para você. Que tal esta e esta?”.
Quando você lê o livro de Jó, mesmo considerando apenas as coisas da terra, precisa se admirar com a quantidade de informações contidas nesse livro, com o quanto eles sabiam naquela época e com os assuntos que são tratados.
Jó não é apenas o livro mais antigo da Bíblia; é o livro mais antigo que existe. Nunca encontraram, em lugar algum, um manuscrito mais antigo do que Jó. Quando você lê um capítulo como Jó 28, com tudo aquilo sobre a sabedoria de Deus e a mineração, é impressionante o quanto eles sabiam e o quanto não sabiam.
Há pouquíssimas informações em Jó 38–40 que não tenham sido mencionadas no debate. Não sou matemático, mas coloquei tudo em uma lista. Faço meus estudos em quadros. Pego aqueles grandes rolos de papel, espalho-os sobre uma mesa grande e, às vezes, subo em uma cadeira e olho tudo de cima, tentando organizar o conjunto.
Calculei que cerca de oitenta por cento do que Eliú compartilhou Jó já havia confessado no debate. Ele não estava aprendendo nada novo com Eliú. Já sabia de tudo aquilo. Não eram informações novas.
Em Jó 9, Jó fala de Deus como sábio de coração e poderoso em força. Ele é Aquele que move as montanhas, abala a terra, ordena que o sol brilhe ou não brilhe, estende os céus, pisa sobre as ondas do mar e fez as constelações. Ele faz coisas insondáveis, sem número. Ele é soberano.
Em Jó 10, Jó diz que os dias de Deus são infinitos; não são como os dias do homem mortal. Não pensem que Jó não conhecia Deus. Ele sabia de tudo isso só de ouvir.
Jó 26 fala dos espíritos no lugar dos mortos, o Sheol, e de como Deus conhece tudo isso. Ele conhece as nuvens e a chuva; suspende a terra sobre o nada; estabelece um limite para a luz, as trevas e o mar. As colunas do céu tremem diante de Sua repreensão. Depois de descrever a criação, Jó diz:
Estas são apenas as extremidades dos Seus caminhos.
Jó conhecia Deus.
Jó 28 fala Daquele que compreende o caminho e a vereda da sabedoria, que vê tudo debaixo do céu, pesa o vento, conhece por medida as águas da terra e estabelece limites para a chuva. Jó diz que, toda vez que Deus envia um relâmpago, ele atinge seu alvo; Ele faz um caminho para o relâmpago. Não pensem que Jó não conhecia Deus.
Fiquei impressionado ao ver o quanto Eliú sabia sobre Deus, e Bildade também, e meu querido amigo Zofar. Elifaz diz em Jó 5 que Deus faz coisas insondáveis, maravilhas sem número. Ele fez a chuva, exalta os humildes, frustra os astutos, salva os oprimidos, conta as estrelas e anda sobre a abóbada celeste.
Bildade diz que Deus não perverte a justiça. Em Jó 25:2, o domínio e o temor pertencem a Ele. Não há número para Seus exércitos, Suas tropas celestiais. Até Zofar diz em Jó 11:7 que Deus é ilimitado; Suas profundezas não podem ser descobertas, e ninguém pode detê-Lo.
Portanto, quero que vocês vejam que o que Eliú está dizendo não é informação nova. Há novas ilustrações da sabedoria, da força, do controle, da eternidade e do poder, mas esses homens tinham uma boa teologia. Mantinham as doutrinas fundamentais; eram ortodoxos. Tinham sua teologia.
Há um versículo no Novo Testamento e uma expressão que significam muito para mim: Efésios 4:20-21. Paulo diz:
Mas vós não aprendestes assim a Cristo;
Se é que O ouvistes e Nele fostes ensinados,
Conforme a verdade está em Jesus.
Amo essa expressão. A versão King James diz: “A verdade como está em Jesus”.
Para Jó, havia uma separação. Havia a verdade, e havia o Senhor. Deus diz: “Você precisa ver a verdade em Jesus. Não pode haver essa separação”.
Permitam-me ilustrar isso com o Novo Testamento. Vocês conhecem aquela grande revelação do nosso Senhor Jesus em Apocalipse 1. Ah, que revelação: Sua cabeça e Seus cabelos eram brancos como a neve e a lã, Seus olhos eram como chama de fogo, de Sua boca saía uma espada afiada de dois gumes, Sua voz era como o som de muitas águas, e Seu rosto brilhava como o sol em sua força.
Ele tinha uma longa veste até os pés, um cinto de ouro ao redor do corpo, pés semelhantes ao bronze refinado em uma fornalha, estrelas em Suas mãos e as chaves da morte e do Hades. É uma visão maravilhosa.
As pessoas dizem que cada uma dessas imagens representa um atributo do Senhor. Seus cabelos brancos falam de Sua eternidade e infinitude; Seus olhos de fogo falam de onisciência; Sua boca fala de autoridade, da Palavra de Deus, da espada do Espírito; Sua veste é a veste sacerdotal; e Seu rosto resplandecente é a glória de Deus. É uma visão maravilhosa.
A mesma pessoa que escreveu isso — o apóstolo João — também escreveu o Evangelho de João. Quando vocês percorrem o Evangelho de João, veem alguma coisa do que foi retratado naquela visão?
Seus cabelos eram brancos como a lã, falando de eternidade. João não escreveu em João 1:1:
No princípio era o Verbo,
E o Verbo estava com Deus,
E o Verbo era Deus?
Não é esse o princípio sem princípio? João já conhecia Sua eternidade.
Seus olhos eram como chama de fogo. João não escreveu em seu Evangelho, em João 2:25:
E não necessitava de que alguém testificasse do homem;
Porque Ele bem sabia o que havia no homem?
João já sabia disso.
O Evangelho de João ensina que Ele é todo-poderoso? Certamente. Ninguém tira Sua vida Dele. Ele tem autoridade para entregá-la e autoridade para retomá-la.
Ele segura as sete estrelas em Sua mão direita, em segurança. A Bíblia não diz que ninguém as arrebatará de Sua mão? João 10:29 diz:
Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos;
E ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai.
Seu rosto resplandece em glória. João não disse em João 1:14:
E vimos a Sua glória,
Como a glória do Unigênito do Pai?
Ele sabia de tudo isso. João tinha uma grande teologia.
Agora, não me entendam mal. Não estou sugerindo que, no Evangelho, João não tinha comunhão com Jesus. Certamente tinha. Tinha uma comunhão maravilhosa. Ele se reclinou sobre o peito do nosso Senhor Jesus.
Mas algo aconteceu em Apocalipse. Ouçam Apocalipse 1:17-18:
E, quando O vi, caí a Seus pés como morto.
E Ele pôs sobre mim a Sua mão direita, dizendo: Não temas;
Eu sou o Primeiro e o Último,
E Aquele que vive; fui morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos,
E tenho as chaves da morte e do Hades.
João escreveu no Evangelho tudo o que vocês veem em Apocalipse. Já tinha tudo escrito. Mas, quando viu a verdade em Jesus — quando a viu em Jesus —, caiu com o rosto em terra como morto.
Há uma diferença entre ter a verdade e ter a verdade em Jesus. Quando João viu a verdade em Jesus, simplesmente caiu por terra. Quando viu aquilo que já sabia na Pessoa do Senhor Jesus, algo aconteceu em seu coração.
Foi algo assim que aconteceu com Jó. Jó não precisava aprender hebraico ou grego, ir a uma escola bíblica ou a um seminário, nem receber mais informações. Ele já tinha o conhecimento de ouvir. Tinha todas as informações.
Mas, de algum modo, aquela separação precisava ser corrigida. Ele precisava ver a verdade na Pessoa do próprio Senhor. Tinha a verdade de um lado e a Pessoa do outro. Era sólido na doutrina; conhecia teologia; tinha a verdade correta.
Agora, eu disse a vocês ontem que creio que Eliú continuou seu sermão quando Deus interveio. Não quero deixar Deus de fora, mas, se Eliú continuou seu sermão, sobre o que estava pregando? Qual era o tema de sua mensagem?
Ao percorrer a mensagem, aquelas setenta e nove perguntas, o que ele está ensinando? O que Jó está ouvindo? Sei que ele está ouvindo Deus, mas qual é o tema predominante desses capítulos?
Há uma grande ênfase recorrente. Acho que a primeira pergunta dá a chave para toda a mensagem. Jó 38:4:
Onde estavas tu quando Eu lançava os fundamentos da terra?
Dize-Mo, se tens entendimento.
Essa expressão, “se tens entendimento” — Jó, o que você realmente compreende? O que realmente sabe? Ao percorrer a mensagem, fato após fato trata de questões sobre as quais Jó e todos os homens não têm entendimento.
No início da mensagem de Eliú, ele havia visto Deus como o Mestre. Agora vai terminar sua mensagem mostrando como Ele é um Mestre sábio. Ele é Aquele que tem entendimento. Ele é Aquele que é sábio. É um sermão sobre a sabedoria de Deus.
É um sermão sobre o quanto Deus sabe, como Ele é transcendente e como está muito além do entendimento humano. É emocionante percorrer isso.
Ele fala da sabedoria de Deus quando criou o universo e as estrelas da manhã cantaram juntas. Fala da sabedoria de Deus quando fez e conteve os mares, quando criou o sol e o sistema solar e os colocou em perfeito equilíbrio. Mostra a sabedoria de Deus em todo ser vivo, desde o homem até os insetos.
Fala de Sua sabedoria ao criar a luz: de onde vem a luz e como ela funciona? Fala das trevas, de Seu controle sobre o clima e de como Ele governa tudo isso. Pergunta após pergunta após pergunta mostra como Deus é sábio — como é brilhante, como é infinitamente sábio.
Ele fala das constelações e da criação do cérebro humano. Fala de todas as águas da terra. Se vocês dividissem toda a água dos oceanos em gotas, quantas gotas haveria? Deus sabe. Ele sabe quantas gotas existem.
Depois, Ele retrata as montanhas e pesa todas elas, a terra e todas as suas massas, e as constelações. Quanto pesa essa massa? Deus sabe. É um sermão sobre a sabedoria de Deus, sábio o bastante até para alimentar os animais.
Amo Jó 39:14. Ele diz que um avestruz põe um ovo, deixa-o na terra, e o avestruz é tolo — simplesmente vai embora. Quem cuida daquele ovo para que algum animal não venha pisar nele? Deus faz isso. Essa é a sabedoria do Senhor.
Ele continua falando da sabedoria de Deus. Agora, você diz: “Ele não fala de poder?”. Ah, sim. Fala de outros atributos de Deus: de Seu controle sobre Beemote e Leviatã, da força do cavalo e de tudo isso. Fala da bondade de Deus — de como Ele alimenta, protege e cuida de Sua criação.
Mas, se você vai compreender como chegar a El Shaddai, precisa ver que esta é uma mensagem sobre a sabedoria de Deus. Jó começa a ver como Deus é sábio.
Agora, permitam-me colocar isto diante de vocês, irmãos. Falo como um insensato, mas, se Deus fosse apenas bom — sei que é difícil imaginar; imaginem que Ele não tivesse nenhum outro atributo, apenas bondade, só isso —, se fosse apenas bom e nada mais, haveria dor na terra? Doença? Sofrimento? Deficiência intelectual? Aflição? Dificuldade? Injustiça? Opressão?
Se Deus fosse apenas bom, nenhuma dessas coisas existiria na terra. Mas, porque Ele também é sábio — Ele é bom e sábio —, pode permitir as coisas que odeia. Por ser tão sábio, pode governar o bem, sobrepor-Se ao mal e realizar Seus próprios propósitos.
Sua sabedoria se torna tudo nessa questão do sofrimento. Qual livro do Novo Testamento menciona Jó pelo nome? É o livro de Tiago. Ali está o desfecho de Jó, nosso último capítulo. Sobre o que fala o primeiro capítulo? O primeiro capítulo fala de sofrimento, de provas, de provação e de perseverança.
Então Tiago 1:5 diz:
E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus.
Por que ele apresenta a sabedoria em relação ao sofrimento? Eu pensaria: se algum de vocês tem falta de força quando está sofrendo, peça-a a Deus. Se alguém tem falta de paciência, consolo ou compaixão, peça a Deus.
Mas ele diz que não: quando você está sofrendo, precisa de sabedoria. O que isso significa?
Há um versículo semelhante em 1 Pedro 4:19, naquele livro sobre o sofrimento:
Portanto, também os que padecem segundo a vontade de Deus
Encomendem as suas almas ao fiel Criador, fazendo o bem.
Se estou sofrendo, por que preciso conhecer Deus como Criador? Eu alteraria o versículo: se algum de vocês sofre segundo a vontade de Deus, confie sua alma a Deus como um Sumo Sacerdote compassivo. É assim que eu teria escrito — um Sumo Sacerdote compassivo, um Consolador, Alguém que dá força, um Pai amoroso ou uma mãe que abraça você quando está passando pelo sofrimento.
Por que Criador? Por que sabedoria? Vou dar uma resposta: porque, quando você está passando por isso e Deus está derrubando sua cerca, garanto que você não tem o que é necessário. Mas você tem Aquele que pode criar o que é necessário. Você precisa ver Deus como Criador.
Vou deixar que Jó responda à pergunta por si mesmo. Voltem a Jó 42:2.
Depois de ouvir essa mensagem sobre a sabedoria de Deus e sobre como o Mestre era sábio, ele diz:
Bem sei que tudo podes,
E que nenhum dos Teus propósitos pode ser impedido.
Jó, achei que você tivesse dito que Ele não tinha um propósito. Achei que tivesse dito que Ele fez isso sem razão, sem causa. Agora, de repente, ele diz: “Sei que Deus pode fazer qualquer coisa, e nenhum propósito pode ser frustrado”.
Agora ele vê. Pegou toda aquela verdade que tinha só de ouvir e a uniu ao seu Deus, à Sua Pessoa. Ele a viu e diz: “Deus é sábio. Ele sabe por quê”.
Ele vinha perguntando: “Por quê, por quê, por quê?”. Agora seus olhos foram voltados para o Senhor, e ele diz: “Ele sabe por quê. Ele é o Sábio. Não preciso saber por quê; tenho Aquele que sabe por quê. Tenho Deus, e, se você tem Deus, não precisa saber por quê”.
De repente, torna-se suficiente para Jó aproximar-se do Senhor, porque pode confiar em Sua sabedoria. Ele já não está dizendo: “É arbitrário. É sem causa. Deus é caprichoso. Ele simplesmente fez de mim Seu alvo por alguma razão”.
Ele diz: “Agora Deus tem uma razão, e nada pode impedi-la. Não sei qual é, e não me importa qual é. Deus sabe qual é, e isso basta. Tudo o que sei é que ela não é incompatível com Sua sabedoria nem incompatível com Seu amor”.
Irmãos, vocês creem que qualquer coisa que entre em sua vida não é incompatível com Sua sabedoria nem com Seu amor? Você diz: “Mas não sei por quê”. Você não precisa saber por quê. Ele sabe por quê.
Isso se tornou um grande lugar de descanso para esse irmão, e seus olhos foram abertos. Ele diz: “Agora os meus olhos Te veem. Tu sabes por quê. Tu és o Sábio. Tu estás no controle de todo o universo”.
“Não mereço que Tu desças até mim. Eu Te desafiei a descer, mas Tu o fizeste. Quem está cuidando das galáxias enquanto Tu estás aqui? Deus, Tu desceste e falaste comigo.”
Ele está maravilhado com a bondade de Deus e maravilhado com a sabedoria de Deus. Agora resolve a questão e diz: “Não preciso saber por quê. Sei Quem. Basta que Ele saiba por quê”.
Ele ainda não sabe o que está acontecendo em sua vida, mas o que sabe agora é que isso não pode ser frustrado, interrompido ou impedido. Deus tem um propósito. Pela primeira vez, ele diz: “Deus tem um propósito para isso. Não sei qual é. Não quero saber. Ele sabe qual é”.
Que lugar de descanso ele encontrou em um instante, ao ver a verdade em Jesus. Encontrou seu descanso.
Este é um grande ponto de mudança para Jó. Os debates cumpriram seu ministério, a cerca derrubada cumpriu seu ministério, e o querido Eliú cumpriu seu ministério. Agora Jó diz:
Eu Te conhecia só de ouvir;
Mas agora os meus olhos Te veem.
Vocês notaram este fato importante? O versículo 5 vem antes do versículo 6. Marquem isso; é importante. O versículo 6 fala do arrependimento de Jó. O versículo 5 fala da revelação que Jó teve do Senhor. A revelação do Senhor vem antes do arrependimento.
Não tentem inverter isso. Não leiam simplesmente: “Lá, lá, lá, lá”, e digam: “Agora quero ver o Senhor, e a maneira como Ele fez isso foi derrubando a cerca de Jó. Vou começar a praticar a renúncia de mim mesmo e o ascetismo, e derrubar minha cerca”.
Não derrubem sua cerca. Se Deus a quiser derrubada, Ele a derrubará. Não pensem: “Fazendo o que costumava fazer, vou me aproximar de Deus. Vou abrir mão das sobremesas. Vou abrir mão das minhas férias”.
Certa vez, um irmão me ofereceu um carro bem novo. Não era zero-quilômetro, mas era bem novo. Eu disse: “Não, não, vou ficar com minha lata-velha”. Achava que era mais espiritual dirigir uma lata-velha do que um carro bom.
Recusei a oferta e continuei andando em uma coisa que só se mantinha inteira por causa da última camada de tinta. Achava que aquilo era ser espiritual. Não, isso não é ser espiritual.
Quero que vocês abram por um momento em Jó 22. Esse é o erro que Elifaz cometeu. Suas palavras parecem tão espirituais. Não se esqueçam: isso é sabedoria humana. Não confiem no que Elifaz diz simplesmente porque soa espiritual. Examinem. Não confiem no que Bildade disse. Não ousem confiar no que Zofar disse.
Jó 22:23-26 diz:
Se te voltares ao Todo-Poderoso, serás edificado,
Se afastares a iniquidade das tuas tendas.
E lança o teu tesouro no pó,
E o ouro de Ofir entre as pedras dos ribeiros;
E o Todo-Poderoso será o teu tesouro,
E a tua prata preciosa.
Porque então te deleitarás no Todo-Poderoso,
E levantarás o teu rosto para Deus.
Isso não soa espiritual? Que afirmação: “Coloque seu ouro no pó. Mesmo que tenha o ouro de Ofir, coloque-o nos ribeiros. Então Deus se tornará seu ouro. O Todo-Poderoso será seu ouro”.
O que há de errado nessa afirmação? Vou dizer o que há de errado: ela é impossível. Você não consegue colocar seu ouro no pó. Você ama seu ouro. Não consegue colocar o ouro de Ofir nos ribeiros. Não consegue fazer isso até que o Todo-Poderoso se torne seu ouro.
Uma vez que o Todo-Poderoso é seu ouro, é fácil colocar seu ouro no pó. A revelação vem primeiro.
Elifaz estava tentando colocar o arrependimento primeiro. “Se você se arrepender, se renunciar, se abrir mão, se se entregar, se colocar seu ouro no pó, então Deus será seu ouro.” Não. Deus precisa ser seu ouro primeiro e, então, como consequência disso, entregar-se é a coisa mais fácil do mundo.
Descobrimos que todas aquelas coisas das quais achamos estar abrindo mão são lixo. Não é uma luta abrir mão do lixo.
Vejam novamente Jó 42:5-6:
Eu Te conhecia só de ouvir;
Mas agora os meus olhos Te veem.
Por isso, me retrato,
E me arrependo no pó e na cinza.
A primeira realidade de ver verdadeiramente o Senhor é o arrependimento. Esse é o primeiro resultado prático. Deus não vai Se arrepender por você, mas ver o Senhor torna seu arrependimento real. Deus garante a realidade do seu arrependimento se você O vir.
Jó viu a si mesmo à luz do Senhor. Isso é arrependimento da nova aliança. Muitas pessoas dizem: “Precisamos nos arrepender, precisamos nos arrepender”, mas não conhecem o arrependimento da nova aliança.
Jeremias 31:18-19 diz:
Na verdade, depois que fui convertido, arrependi-me.
A conversão vem primeiro. Preciso ver o Senhor primeiro, e então o arrependimento vem em seguida.
Agora, a Bíblia deixa claro que Jó se arrependeu, e surge a pergunta: de que ele se arrependeu?
Você pode percorrer os debates e não terá dificuldade em encontrar coisas das quais se arrepender, porque Jó realmente perdeu o controle por algum tempo. Em Jó 32:2, ele justificou a si mesmo diante de Deus. Talvez tenha se arrependido de tentar defender a si mesmo.
Em Jó 32:1, há justiça própria. Ao longo de todos os debates, ele negou possuir justiça própria. Vocês acham que um homem deve se arrepender da justiça própria? Talvez ele tenha se arrependido disso.
Em Jó 40:8, Deus diz:
Porventura, anularás o Meu juízo?
Ou Me condenarás, para te justificares?
Percorri os debates e reuni expressões que Jó, em seu desespero, usou a respeito de Deus.
Ele não disse apenas que Deus era seu inimigo, que estava contra ele e que havia agido mal. Chamou Deus de Alguém que zomba dos inocentes, de destruidor da esperança do homem, de opressor, de perseguidor e de Alguém que inventa pretextos contra os inocentes. Vocês acham que é preciso se arrepender de uma linguagem assim?
Em Jó 23:2, ele chama sua queixa de rebeldia:
Minha queixa é rebeldia.
Jó alguma vez murmurou? Resmungou? Reclamou? Vocês acham que ele precisava se arrepender disso?
Leiam Jó 3. Vocês acham que há alguma autocomiseração em Jó? Acham que é preciso se arrepender disso? Sem dúvida.
Todas essas coisas — autojustificação, justiça própria, defesa de si mesmo, condenação de Deus, palavras duras, queixas, impaciência, autocomiseração, zombaria de seus amigos, orações das quais deveria se arrepender, desespero em relação à vida e desprezo pelo dom da vida dado por Deus — exigiam arrependimento.
Mas não acho que seja isso que Jó 42:5-6 quer dizer quando ele afirma: “Eu me retrato; eu me arrependo”. Não acho que tivesse essas coisas em mente. Não está dizendo: “Tenho sido cheio de justiça própria, tenho reclamado e tentado me defender”. Não é isso que ocupa sua mente.
De que Jó se arrependeu? Creio que foi de seu pecado de tentar acrescentar algo a Deus.
Lembrem-se de que eu disse que ele deu duas respostas à pergunta: “Deus é suficiente quando a cerca cai?”. Sua primeira resposta foi: “Sim, se eu também souber a razão”. Acho que foi disso que ele se arrependeu.
“Perdoa-me, Senhor. Arrependo-me de ter tentado acrescentar algo a Ti, de ter dito: ‘Tu és suficiente se, junto Contigo, eu receber uma explicação’. Tu sozinho és suficiente, e me arrependo de ter perguntado por quê.”
Sem dúvida, incluído nisso, ele se arrependeu da justiça própria, da defesa de si mesmo, da autocomiseração, de um espírito queixoso, das palavras duras contra Deus e de tudo isso. Mas Deus considerou aquelas coisas como vento. Lembrem-se: as palavras de alguém em desespero são apenas palavras ao vento.
Então agora perguntamos a ele novamente: “Jó, por que você está sofrendo?”. Creio que esta é sua resposta: “Ed, você não sabe que os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos caminhos, assim como os céus são mais altos do que a terra? Seus caminhos são mais altos”.
“Não sei por que estou sofrendo, mas Ele sabe por que estou sofrendo, e eu O tenho. Sei que Ele tem um plano. Nada vai impedir o plano. Nada vai frustrar Seu propósito. Ele pode fazer todas as coisas.”
“Nada em minha vida é incompatível com Sua sabedoria e com Seu amor. Não sei por quê. Mas, Ed, não me pergunte isso novamente, porque já não me importa saber por quê. Eu O tenho, e Ele sabe por quê.”
De passagem, se vocês olharem Jó 42:7, aquilo me deixou confuso. Deus disse aos três amigos:
Não dissestes de Mim o que era reto,
Como o Meu servo Jó.
Então percorri os debates e disse: “Senhor, Tu estavas lá? Ouviste aqueles debates? Como podes dizer que Jó falou o que era reto?”.
Não acho que Ele esteja falando do debate. Acho que está falando do arrependimento. Jó falou o que era reto em seu arrependimento. Aqueles outros três homens não se arrependeram, e foi por isso que precisaram oferecer os sacrifícios de animais.
Quero que vocês se lembrem de que, nesse ponto, Jó não havia recebido de volta uma única folha de sua cerca. Quando viu o Senhor, quando encontrou seu descanso, quando disse: “Agora os meus olhos Te veem”, quando se arrependeu de perguntar por quê, quando viu El Shaddai — naquele momento, não tinha a menor expectativa de que alguma coisa fosse restaurada.
A cerca não importava. Ele não se arrependeu para receber sua cerca de volta. Não sabia que mais cento e quarenta anos seriam acrescentados à sua vida. Naquele momento, não sabia disso.
Tudo o que sabia era que Deus é suficiente. Se sei Quem, não preciso saber por quê. “Senhor, perdoa-me por todas essas outras coisas e por tentar acrescentar algo a Ti. Agora os meus olhos Te veem.”
Não é assim que Deus faz em nossa vida? Ele nos mostra como a sabedoria humana é inútil. Traz Eliú à nossa vida. Alguém nos aponta para o Senhor. Começamos a ver que Deus sabe, Deus governa, Deus está no controle e é soberano sobre tudo. Não preciso saber; posso descansar Nele.
Mais uma coisa, irmãos, e então encerraremos o fim de semana e oraremos para que Deus resolva todas as questões pendentes em nosso coração.
A única referência a Jó no Novo Testamento está no livro de Tiago, em Tiago 5:11:
Eis que temos por bem-aventurados os que perseveraram:
Ouvistes da paciência de Jó,
E vistes o fim do Senhor,
Porque o Senhor é muito compassivo e misericordioso.
Gosto da maneira como a versão King James expressa isso: “Vistes o fim do Senhor”. Quando você lê o livro de Jó, pergunta-se se viu o fim de Jó. Mas não é esse o sentido de “fim” ali. O fim é o propósito que Deus tinha em mente, o desfecho, os resultados.
Gostaria de mostrar a vocês, ao encerrarmos, o desfecho abençoado que o Senhor produziu na vida de Jó. Quando uma pessoa finalmente descansa em El Shaddai, o Deus que é mais do que suficiente quando a cerca cai, ela não apenas cala a boca do inimigo e todas as suas insinuações, mas também cumpre o glorioso propósito de Deus — os resultados que Deus tem em vista.
Permitam-me sugerir, a título de análise, três resultados abençoados — o fim do Senhor. O primeiro é este: o Senhor foi abençoado.
Pelo que consta no relato, Jó nem sequer sabia que existia um Satanás. Elifaz não sabia que existia um Satanás. Bildade não sabia que existia um Satanás. Zofar não sabia que existia um Satanás. Eliú não sabia que existia um Satanás.
Ao enfrentar toda essa provação e batalha espiritual, eles partiam de um ponto diferente daquele de que partimos. Nem sequer sabiam que existia um Satanás. Tudo isso estava acontecendo entre Deus e Satanás lá em cima. Deus era o único que sabia.
Isso é para Ele. Tudo isso diz respeito a Ele. Ele é o único que sabia. Quando Jó descansou em El Shaddai e disse: “Agora os meus olhos Te veem”, que bênção isso trouxe ao coração de Deus!
A segunda parte de El Shaddai é “seio”. Vocês já viram uma mãe amamentando uma criança? Você diz: “Ah, olhe aquela criança, tão satisfeita”. Olhe aquela mãe — tão satisfeita. Ela olha para o bebê, com um sorriso nos olhos. Está tão feliz.
Quando minha filha estava amamentando seu filho, às vezes ficava frustrada porque a criança não queria mamar. Deus fez a mulher de tal maneira que seu seio fica cheio, e ela dizia: “Se ele não mamar, isso dói”.
Quando não nos alimentamos do seio de El Shaddai, isso Lhe causa dor. Ele está tão cheio e quer que venhamos receber Dele. Ele sente dor. A primeira bênção, o desfecho que o Senhor produz, é que o próprio Senhor seja abençoado.
Suponha que você tenha sofrido de uma maneira que ninguém jamais soube. Você não é como Joni Eareckson, David Ring, Jim Elliot ou outros santos maravilhosos cujas vidas foram registradas em livros. Você sofreu, e ninguém jamais soube disso. Teria sido um desperdício?
Você pode dizer: “Bem, passei por tudo isso à toa”. Não. O Senhor sabe disso, e como Ele é abençoado quando você se aproxima de El Shaddai e recebe Dele! Não é um desperdício. A maior parte da bênção é dirigida a Deus.
A segunda parte do desfecho que o Senhor produz vai de Deus para Jó: Jó foi abençoado. Amo aquelas palavras maravilhosas em Jó 42:8: “O Senhor aceitou Jó”. Ah, isso é precioso.
Dá-se muita atenção ao fato de que Jó recebeu uma bênção dobrada: de sete mil ovelhas para catorze mil ovelhas; de três mil camelos para seis mil; de quinhentas juntas de bois para mil; e assim por diante.
Alguns dizem que, porque tudo foi dobrado, provavelmente era apenas poesia — que não eram seis mil e três, mas exatamente seis mil, e assim por diante. Para mim, isso mostra a maravilha e o poder do Senhor, que podia fazer tudo com exatidão. Não tenho problema com isso.
Especialmente quando vocês veem os sete filhos e as três filhas. Jó 42:13 diz que ele teve mais sete filhos e mais três filhas. Alguém pergunta: “Por que o número de seus filhos não foi dobrado?”. Bem, foi. Ele não perdeu os primeiros dez.
Se um de seus entes queridos que é cristão morre, você também não o perde. Não diga: “Perdi meu pai. Perdi minha mãe. Perdi minha esposa”. Você perde alguma coisa quando não sabe onde ela está. É nesse caso que você perde alguma coisa.
Seus filhos estavam no céu, e ele recebeu mais dez. Também recebeu o dobro de filhos. O Senhor abençoou isso.
Não acho que a verdadeira bênção para Jó tenha sido a bênção material em dobro. Se Deus viesse a Jó e dissesse: “Aqui está Meu plano, Jó. Vou fazer você passar por isso, mas, no fim, terá mais sete mil ovelhas”, Jó diria: “Nossa, estás brincando? Tudo o que preciso fazer é passar por aquilo em troca de sete mil ovelhas? Que negócio!”.
Ele não faria isso por sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois ou qualquer coisa assim. Não faria isso por um milhão de vacas. A bênção dobrada é uma figura de algo melhor: a primogenitura.
Não sei se vocês leram o livro de Stephen Kaung sobre Jó, The Splendor of His Ways — O Esplendor dos Seus Caminhos. Se não o têm, leiam-no, porque o irmão Kaung desenvolve toda a ideia da bênção dobrada como maturidade e filiação — a entrada nessa gloriosa realidade. Essa é a verdadeira bênção.
Quanto a Jó, ele havia visto El Shaddai. Agora Deus é abençoado, e Jó é abençoado, e trata-se daquela bênção espiritual. Quando descansou somente no Senhor, não estava procurando uma recompensa. Não era uma coisa material.
Fico indignado quando ouço algumas dessas pessoas que estão sempre com a mão no seu bolso, tentando constantemente fazer isso parecer espiritual, porque é um plano de promessa de fé ou uma coisa de semente de fé: “Envie seu dinheiro. Dê ao Senhor. Aqui está meu endereço”. Esta é uma bênção espiritual.
A primeira parte da bênção é para o próprio Senhor. A segunda parte é para Jó. Mas há uma terceira parte: Jó se tornou uma bênção para o mundo. Ela veio de Deus por meio de Jó e agora alcança o mundo inteiro.
Essa mesma mulher que disse: “Amaldiçoa a Deus e morre”, cujas palavras pertenciam ao vento, agora é abençoada por Deus. Sua juventude é renovada, e ela se torna mãe de mais dez filhos. Que bênção gloriosa! Isso diz muito sobre a restauração da união entre os dois.
Segundo Jó 42:11, Jó foi uma bênção para toda a sua família — seus irmãos e irmãs. Seu testemunho foi restaurado. Todos os que o haviam conhecido antes já não lhe dirigiam insultos; estavam lhe dando presentes. Deus reverteu tudo.
Vocês não esperariam que Jó, depois daqueles debates, estivesse um pouco magoado com aqueles três homens? Mas ele não tem hostilidade nem desejo de vingança.
Sabem o que me surpreendeu? Eu achava que o texto dizia: “E Deus disse: ‘Ore por seus amigos’”. Mas Deus nunca disse: “Ore por seus amigos”. Ele disse aos amigos que Jó oraria, porque sabia que Jó oraria. Aquilo foi ideia de Jó.
Não foi ideia de Deus dizer a ele: “Ore por seus amigos”. O coração de Jó havia sido tão tocado que ele diz: “Antes, eu discutia com meus amigos. Agora vou orar por meus amigos”.
Foi a mesma coisa que aconteceu com Estêvão quando estava sendo apedrejado. Ele orou por seus inimigos. Se não fosse por um versículo como Mateus 5:44 — quando seus inimigos os perseguirem, orem por eles —, eles nunca entrariam em uma lista de oração. Mas, graças a Deus, assim conhecemos a vontade de Deus.
Percebam o impacto do que está acontecendo aqui. Por meio do instrumento de Deus, Eliú, o coração de Jó foi voltado para o Senhor. Pela graça de Deus, Ele desceu — e Jó não merecia isso, e nós não merecemos — e lhe revelou El Shaddai.
Por um milagre, Deus produziu arrependimento nele. Agora Deus é abençoado, Jó é abençoado, sua esposa é abençoada, seus filhos são abençoados, seus parentes são abençoados e seus vizinhos são abençoados.
No fim, Jó está oferecendo sacrifícios e orando. O que é isso? Isso é um sacerdote. Ele se tornou um sacerdote. Deus o transformou em um sacerdote para ministrar aos outros.
Posso sugerir, irmãos — e ouçam-me até o fim —, que não me surpreenderia se tudo pelo que Jó passou tivesse acontecido por causa do grande amor de Deus por Elifaz, Bildade e Zofar.
Você diz: “Deus deixaria Jó passar por aquilo por causa deles?”. Permitam-me dar esta ilustração, e então realmente encerraremos. 2 Pedro 2:6-9 diz:
E, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as à destruição,
Pondo-as por exemplo aos que vivessem impiamente;
E livrou o justo Ló, afligido pela vida dissoluta dos perversos
(porque este justo, habitando entre eles, pelo que via e ouvia, atormentava a sua alma justa, dia após dia, com as suas obras iníquas):
O Senhor sabe livrar da tentação os piedosos.
Vocês percebem o impacto disso? Por que Deus fez descer fogo e enxofre sobre Sodoma, Gomorra e as cidades ao redor? Você diz: “Porque eram muito perversas. Eram pecadores”.
Mas estou lendo aqui sobre um homem chamado Ló que era justo. Vocês não leram o Antigo Testamento? Justo? Não foi ele quem ofereceu suas filhas aos homossexuais para que fossem violentadas? Seus filhos não são fruto de relações incestuosas? Ló, justo?
Não foi ele quem escolheu pelo que via e decidiu ficar com Sodoma em vez da bênção do Senhor? Como julgo mal! Olhando com estes olhos, eu teria colocado Ló no inferno e Judas no céu. Considerando apenas a aparência exterior, é isso que eu teria feito.
Mas Deus diz: “Não, há um homem justo ali. Posso ver o que você não pode ver. Ele parece mundano; parece alguém que se desviou. Mas Eu vejo Meu servo”. Então Deus diz: “Vou fazer chover fogo e enxofre. Vou destruir essas cidades”. Depois acrescenta:
O Senhor sabe livrar da tentação os piedosos.
Ele fez aquilo por Ló? Destruiu todas aquelas pessoas apenas para livrar da tentação Seu filho que havia se desviado? É o que parece.
Acho que Jó pode ter passado por tudo isso porque Deus amava Elifaz, Bildade e Zofar, e não havia outra maneira de ministrar a eles. Agora a vida de Jó se tornou redentora.
Irmãos, nossas vidas são redentoras. Aquilo pelo que você está passando não é para você. É para eles. É para os outros. Deus diz: “Você pode ser entregue, e Eu posso ser entregue”. Ele não quer que os ímpios pereçam.
Salmos 116:15 diz:
Preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos.
Isso não se refere apenas ao momento em que morrem e vão para o céu. Refere-se a quando morrem para si mesmos, já agora. Você pode ser entregue, e eu posso ser entregue.
Quando Deus traz alguma coisa à sua vida e derruba sua cerca, basta que Ele saiba. O desfecho que o Senhor produz é que Deus será abençoado por isso, você será abençoado por isso, e o mundo inteiro será abençoado por isso. Não importa se você sabe ou não sabe.
Então agora chegamos ao fim, e faço a pergunta novamente: Deus é suficiente quando a cerca cai?
Você tem a verdade como está em Jesus? Ah, que Deus nos mostre nosso Senhor Jesus. Ele é infinitamente suficiente. Ele é suficiente para nos satisfazer plenamente.
Por sua causa, confie no Senhor. Por causa deles, confie no Senhor.
Mas, por causa Daquele — não quero ser irreverente — cujo seio está cheio, e cheio para você, por causa Dele, você não dirá:
Agora os meus olhos Te veem?
Vamos orar.
Pai, muito obrigado por permitires que Teu servo Jó passasse por todas essas experiências, para que pudéssemos saber, de uma vez por todas e para sempre, que El Shaddai é mais do que suficiente quando a cerca cai. Ah, nós Te louvamos, Senhor.
Opera em nosso coração. Perdoa-nos, pedimos, por tentarmos acrescentar algo a Ti. Que, deste momento até entrarmos no céu, seja Jesus, e somente Jesus. Pedimos em nome de Jesus. Amém.