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    Outline Of Job: Wrong Questions, Wrong Assumptions © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Outline Of Job: Wrong Questions, Wrong Assumptions
    Outline Of Job: Wrong Questions, Wrong Assumptions
    Miller, Ed

    A suficiência de Deus no livro de Jó

    Ao voltarmos nesta manhã ao estudo da Palavra de Deus, embora vocês conheçam este princípio, e o conheçam bem, estou convencido de que preciso reafirmá-lo: um princípio absolutamente indispensável ao estudo da Bíblia é a dependência total do Espírito Santo de Deus.

    Somente o Senhor pode revelar a Si mesmo. Ele tem prazer em fazê-lo. Este é o Seu livro. Assim como nosso Senhor Jesus, a Bíblia tem um lado humano, e precisamos compreendê-lo. Assim como nosso Senhor Jesus, a Bíblia também tem um lado divino, e precisamos compreendê-lo igualmente. Somente o Espírito Santo pode desvendar Cristo quanto a Quem Ele é.

    Antes de orarmos e depois irmos ao livro de Jó, quero compartilhar este pequeno versículo de Daniel 2:22 e a última parte de Daniel 2:23:

    É Ele Quem revela as coisas profundas e ocultas;
    Ele sabe o que está nas trevas,
    E a luz habita com Ele.

    A última parte de Daniel 2:23 diz:

    Agora mesmo Tu me fizeste saber o que Te pedimos.

    Assim, nesses dois versículos juntos, vemos que a luz habita com o Senhor, mas que Ele espera que Lhe façamos um pedido. Ele está disposto a conceder quando pedimos. Portanto, vamos nos inclinar juntos e pedir a Ele a luz que habita com Ele.

    Nosso Pai celestial, nesta manhã queremos mais uma vez bendizer o Teu nome e louvar-Te pelo Espírito Santo, Que habita em nosso coração. Tu nos deste a Tua vida. Como Te louvamos!

    Agradecemos porque, segundo a Tua Palavra, é privilégio Dele desvendar para nós o Senhor Jesus de maneira viva. Por isso, mais uma vez nesta manhã, pedimos que Tu, Senhor, retires o véu. Nossos olhos tantas vezes estão presos às coisas terrenas. Volta os nossos olhos, nós Te pedimos, de uma maneira renovada, para o nosso Senhor Jesus Cristo.

    Oramos para que, ao meditarmos nestas maravilhosas verdades da Tua Palavra, Tu nos concedas uma descoberta libertadora da suficiência de Quem Tu és. Agradecemos, Senhor, porque Tu vais Te encontrar conosco. Tu preparaste nosso coração, e agora simplesmente esperamos.

    Peço que libertes estes irmãos, cada um deles, de tudo o que não procede de Ti. Agradecemos antecipadamente, no nome incomparável de nosso Senhor Jesus. Amém.

    O tema central de Jó

    Ao continuarmos a contemplar nosso Senhor neste maravilhoso livro de Jó, quero recapitular o tema que abordamos — apenas o suficiente para nos colocar novamente na direção certa.

    Creio que o tema de Jó surge daquela dupla insinuação que Satanás fez nos dois primeiros capítulos. Acompanhem, por favor, Jó 1:8:

    E o Senhor disse a Satanás:
    “Consideraste o Meu servo Jó?
    Pois não há ninguém como ele na terra,
    Homem íntegro e reto,
    Que teme a Deus e se desvia do mal”.

    Depois, em Jó 1:10-11:

    Não fizeste Tu uma cerca ao redor dele,
    Da sua casa e de tudo o que tem, por todos os lados?
    Tu abençoaste a obra das suas mãos,
    E os seus bens se multiplicaram na terra.
    Mas estende agora a Tua mão e toca em tudo o que ele tem;
    Certamente ele Te amaldiçoará na Tua face.

    Agora vamos a Jó 2:3:

    E o Senhor disse a Satanás:
    “Consideraste o Meu servo Jó?
    Pois não há ninguém como ele na terra,
    Homem íntegro e reto,
    Que teme a Deus e se desvia do mal.
    E ele ainda conserva a sua integridade,
    Embora tu Me tenhas incitado contra ele
    Para arruiná-lo sem causa”.

    Satanás respondeu ao Senhor e disse, em Jó 2:4-5:

    Pele por pele!
    Sim, tudo o que um homem tem dará pela sua vida.
    Contudo, estende agora a Tua mão,
    E toca nos seus ossos e na sua carne;
    Ele Te amaldiçoará na Tua face.

    Bem, a dupla insinuação é esta. A insinuação que Satanás fez contra Jó era que ele era um mercenário. Em outras palavras, a única razão pela qual ele servia ao Senhor era que Deus havia colocado uma cerca de bênçãos ao redor de sua vida. Deus o abençoava. Deus era um protetor, um doador de presentes.

    Satanás sugeriu que, se Deus não agisse como um Papai Noel glorificado e não lhe desse todos esses presentes — se Ele retirasse a cerca —, Ele não teria seguidores. A única razão pela qual Jó, ou qualquer outra pessoa, Te serve é que Tu és bom, generoso e dás presentes. Se retirasses os Teus presentes, não terias seguidores. Na verdade, as pessoas Te amaldiçoariam.

    Essa era a insinuação contra Jó. O outro lado era a insinuação de Satanás contra Deus. Ele não a declarou abertamente, mas ela está implícita: Deus não é maravilhoso o suficiente em Si mesmo, independentemente de Suas bênçãos, de Seus presentes e da cerca que Ele coloca ao redor da vida de uma pessoa.

    Deus, por Si só, não é atraente. Ele não é amável o suficiente para ser adorado, escolhido, servido e cultuado. Essa era a dupla insinuação: a única razão pela qual o homem Te serve é que obtém alguma coisa em troca; por Ti mesmo, ninguém jamais Te serviria. Tu não és intrinsecamente amável. Tu não és intrinsecamente atraente. Não há nada em Ti. Tu não és digno. É por isso que precisas continuar distribuindo presentes; caso contrário, não terias seguidores.

    Creio que o tema surge dessa dupla insinuação: Deus é intrinsecamente maravilhoso, independentemente da cerca? Há no próprio Senhor, independentemente de qualquer bênção, o suficiente para que O escolhamos, O abracemos, confiemos Nele, O amemos, O sirvamos, O adoremos e Lhe prestemos culto?

    É disso que Jó trata. Creio que o livro responde a essa pergunta com um sim retumbante: Deus é suficiente.

    Jó não percebe isso de início, e aí está a genialidade deste maravilhoso livro. Deus vai conduzir Jó, passo a passo, etapa por etapa, ao ponto em que aquela dupla insinuação será completamente respondida, e Jó chegará a crer: “Quero Deus simplesmente por Quem Ele é”.

    A maneira pela qual Deus levou Jó até lá é a maneira pela qual Ele me leva até lá, leva você até lá e conduz todo o Seu povo. São essas as coisas que, neste fim de semana, pela graça de Deus, queremos enxergar.

    Ontem à noite, sugeri que, para tornar esse grande tema bem claro, Deus havia reservado para este livro uma revelação de Si mesmo: um título de Deus que, em dois terços de suas ocorrências na Bíblia, aparece em Jó. É o grande título El Shaddai.

    El Shaddai: o Deus Que é mais do que suficiente. Ele não é apenas o Deus Que permite que você sobreviva e vá levando a vida quando a cerca cai. Ah, é exatamente o contrário! Ele é o Deus Que é mais do que suficiente e Que, sem a cerca, leva você à completude, à plenitude e à satisfação Nele mesmo.

    A pergunta correta no livro de Jó

    Nesta manhã, vamos examinar uma grande parte deste livro, na qual nos é apresentada a verdade de que o próprio Deus — El Shaddai — é eternamente suficiente e mais do que suficiente quando a cerca cai.

    De Jó 3 a Jó 37, eles estavam fazendo a pergunta errada. Do capítulo 3 ao capítulo 37, tentaram responder à pergunta: “Por que este homem sofre tanto?” Por que Jó sofre tanto? E à pergunta mais abrangente: por que os piedosos sofrem?

    Se vocês derem uma olhada na folha de anotações, verão que houve três debates. Debate após debate, eles tentam desvendar os mistérios do sofrimento. Por que Deus permite um sofrimento assim?

    Muitos estudam Jó cometendo exatamente esse erro. Percorrem o livro inteiro fazendo a pergunta errada. Se você faz a pergunta errada, não importa a resposta a que chegue: vai acabar com a resposta errada.

    O livro de Jó não resolve para nós os mistérios do sofrimento. Não responde a essa pergunta. Nunca tenta dar a resposta a “Por que Jó está sofrendo?” ou “Por que os piedosos sofrem?”

    A pergunta do livro — e é nessa direção que estamos indo — é: El Shaddai é suficiente? Deus é suficiente quando a cerca cai?

    A essa pergunta o livro responde; portanto, é essa a pergunta que vamos acompanhar.

    Quando encerramos ontem à noite a nossa introdução, eu estava tentando mostrar como Deus, para tornar clara a verdade de que Ele é suficiente quando qualquer parte da cerca, ou a cerca inteira, cai — por Si só, independentemente de qualquer outra coisa, Ele é suficiente —, encontrou um homem como Jó, cuja cerca era alta, completa e bela.

    Passo a passo, Ele desfez aquela cerca, a fim de deixar para sempre na Bíblia uma ilustração de que Deus é suficiente quando a cerca cai.

    Ao remover a cerca de Jó, Deus respondeu completamente à dupla insinuação de Satanás. Mas, além disso, levou Jó ao ponto em que ele viu Deus, e somente Deus, como sua suficiência.

    Não vou desenvolver isso novamente nem percorrer todos os detalhes, mas, apenas numa visão geral, lembrem-se da cerca que caiu. Esse homem certamente era abençoado pelo Senhor e, num instante, perdeu todos os seus bens. Era um homem rico. Perdeu seus dez filhos. Perdeu sua saúde. Perdeu o apoio de sua companheira de vida. Perdeu o respeito de todos os seus amigos, familiares, vizinhos, servos — de todo mundo. Perdeu sua reputação. Perdeu seu ministério.

    E, quando chegamos ao fim, mostrei como ele perdeu a percepção da presença do Senhor.

    Ele dependia tanto dessa percepção da presença de Deus que, depois de algum tempo, começou a desconfiar do amor e da sabedoria do Senhor. De fato, começou a pensar que Deus havia Se tornado seu inimigo. Seu melhor Amigo no universo, pensava ele, havia Se tornado seu pior inimigo.

    Bem, não tenho dúvida de que eu poderia começar aqui mesmo com Jerry e seguir fileira por fileira, e todos vocês teriam testemunhos de alguma ocasião em sua vida em que Deus mexeu na sua cerca, e vocês descobriram que Deus era suficiente.

    Ouvi um desses testemunhos ontem à noite. Ele foi suficiente. Ele ocupou o lugar da minha esposa. Ele ocupou o lugar do meu filho. Quando tive de sepultar meus pais e meus avós, o Senhor foi suficiente. Ele foi suficiente. Quando meus filhos foram inesperadamente provados, o Senhor foi suficiente. Mais do que suficiente quando recebi aquele laudo médico; mais do que suficiente quando perdi a saúde; mais do que suficiente quando meu emprego não deu certo.

    Mas, no caso de Jó, não foram uma ou duas coisas. Foi tudo. Foi tudo. Deus não apenas cortou sua cerca; Ele a arrancou, desfez completamente e a tirou pela raiz.

    Ora, vocês conhecem o Senhor, e eu conheço o Senhor. Deus planta e abençoa cercas. Ele não é, antes de tudo, um destruidor de cercas. Mas, quando a cerca cai, esta é a pergunta de Jó, irmãos: Ele é suficiente?

    Você sabe disso aqui em cima, na cabeça? Sabe disso aqui, no coração? Ele é suficiente? Essa é a mensagem de Jó.

    O destino de Jó: a visão de Deus

    Isso nos leva, nesta manhã, à segunda parte do livro. Lembrem-se de onde queremos chegar. Não quero perder isso de vista, especialmente nesta parte do livro. Estamos caminhando para Jó 42:5-6:

    Eu tinha ouvido de Ti pelo ouvir dos ouvidos;
    Mas agora os meus olhos Te veem;
    Por isso me retrato,
    E me arrependo no pó e na cinza.

    O livro de Jó chega ao ponto em que Jó pôde dizer: “Agora os meus olhos Te veem”.

    É para esse ponto que oro para que este fim de semana nos conduza. Esse é o objetivo de tudo isso. É isso que buscamos: “Agora os meus olhos veem o Senhor. Por isso me arrependo”. Ah, que Deus nos ajude!

    Agora, vou ser sincero com vocês, irmãos. Se vocês já percorreram Jó — e tenho certeza de que sim; vocês são estudantes da Palavra de Deus —, quando chegam a esses três debates, acham a leitura cansativa? Eu acho.

    Tentem ensinar essa parte. Às vezes, atravessar os argumentos de todas essas pessoas é como correr em areia movediça. Não quero ficar aqui e atolar todo mundo ao percorrer essa seção, que, só de lê-la, já é muito pesada, porque é toda sabedoria mundana.

    Tenho a mesma dificuldade ao percorrer Eclesiastes que tive ao percorrer esta seção específica. Na verdade, tive uma luta com o Senhor a respeito disso. Pensei em dizer algumas palavras sobre essa parte, pular todos esses capítulos e depois dedicar o dobro do tempo a “os meus olhos Te veem”, porque é aí que está o meu coração. É sobre isso que quero falar.

    Mas, sinceramente, para levar Jó ao ponto em que seus olhos viram Deus, foi preciso que ele fosse arrastado por tudo isso. Portanto, não quero tornar esta exposição pesada. Por favor, orem por mim hoje, porque isso está me preocupando um pouco. Esta parte é cansativa, mas não quero que a exposição seja cansativa.

    Não pretendo pedir desculpas por esta lição, porque creio que ela é da vontade de Deus. Portanto, não estou pedindo desculpas pela lição. Você diz: “Bem, ela não é muito libertadora”. Talvez não, mas conduz à libertação, e é por isso que precisamos abordá-la.

    A insensatez dos três debates

    Sem a misericórdia do Senhor, eu jamais poderia tentar examinar esses capítulos. Uma das razões é que se trata de um grande bloco das Escrituras. Abordar tudo isso numa única sessão breve é impossível.

    Mas o que eu gostaria de fazer, com a ajuda de Deus, é apresentar nesta manhã uma visão geral de Jó 3 a Jó 31. É muito material, mas eu disse a vocês que, nesta seção, eles estão tentando responder à pergunta errada. Estão tentando descobrir por que Jó sofre, e essa pergunta está completamente fora do alvo.

    Se vocês olharem a folha, ou se conhecem o livro de Jó, sabem que houve três grandes debates. Um falava, e Jó respondia; outro falava, e Jó respondia; outro falava, e Jó respondia. Então começavam tudo de novo. No terceiro debate, apenas dois deles falaram, e Jó deu respostas muito longas.

    Ao final de tudo, em Jó 38:1-2, Deus fala:

    Então o Senhor respondeu a Jó do meio do redemoinho e disse:
    “Quem é este que obscurece o conselho
    Com palavras sem conhecimento?”

    Em uma única frase, Ele considerou todos os debates e fez este comentário: depois de toda essa ginástica mental, de todo esse debate de um lado para o outro, vocês estão, na verdade, mais longe da verdade do que estavam quando começaram. Vocês obscureceram o conselho. Não receberam nenhuma luz. Não chegaram mais perto da verdade. O mistério agora está mais obscuro do que quando começaram a raciocinar e a discuti-lo.

    Bem, eu disse que a verdadeira pergunta do livro diz respeito a El Shaddai: Ele é suficiente quando a cerca cai?

    Jó responde a essa pergunta? Na verdade, ele responde duas vezes. Na primeira vez em que respondeu, não estava tentando respondê-la. Estava tentando responder à pergunta errada. Mas, ao responder à pergunta errada, deu uma resposta à pergunta certa. Contudo, a resposta que deu à pergunta certa foi a resposta errada.

    Vocês ainda estão me acompanhando? A errada, a certa e toda essa história.

    Nos três debates, enquanto Jó tenta responder a “Por que estou sofrendo?”, ele também dá uma resposta a “Deus é suficiente quando a minha cerca cai?” E dá a resposta errada.

    No final do livro, ele responde novamente e dá a resposta certa. Mas primeiro dá a resposta errada.

    Muito bem, Jó: Deus é suficiente quando a cerca cai? Eis a resposta errada que ele deu no início do livro: “Sim — se”.

    Deus não é suficiente por Si só, e Jó acrescentou esse “se”. Se o quê? Se eu tiver Deus mais uma resposta à pergunta “Por quê?” Preciso dos dois. Deus não é suficiente por Si só, mas Deus acompanhado de uma explicação seria suficiente.

    Ele não estava zangado com Deus por fazer tudo isso, mas queria saber por quê. Então disse: “Deus somente, sem nada mais, não vai me satisfazer. Preciso do Senhor mais algum tipo de explicação. O que está acontecendo na minha vida? Por que Deus permitiu isso? O que Deus está fazendo?”

    “Eu me submeteria de bom grado ao Senhor. Já me submeti, mas Ele precisa me mostrar Seu propósito. Como Ele espera que eu ande pela fé se não sei o que Ele está fazendo, se não sei o que está acontecendo, se não sei o que se passa? Se eu soubesse de antemão, seria mais fácil confiar Nele, e eu não passaria por toda essa ginástica mental.”

    Irmãos, permitam-me sugerir que essa é a resposta errada à pergunta certa. Deus é suficiente quando a cerca cai? Que Deus nos capacite a não dizer: “Sim, se, junto Contigo, Senhor, Tu também me deres alguma explicação”.

    Se eu tiver alguma luz sobre o que Ele está fazendo, será muito mais fácil. Nunca conhecerei o Senhor como El Shaddai enquanto tentar complementá-Lo. Ele não aceitará ser complementado. Complementar Deus é mudá-Lo completamente. Você não pode acrescentar nada a Ele. Eu não posso acrescentar nada a Ele. Até mesmo o desejo de obter a resposta a “Por quê?” é uma tentativa de complementar o Senhor.

    Até que eu consiga superar isso — e vejam tudo o que Jó precisou atravessar para superar isso —, nunca darei a resposta certa à pergunta certa.

    Observações sobre os debates

    Gostaria de apresentar a vocês a insensatez daqueles três debates. Não vou analisar tudo. Quero apenas dar uma visão geral — várias observações sobre os debates como um todo, sobre os três amigos de Jó e assim por diante. Será uma abordagem bastante superficial.

    Vocês têm as divisões do conteúdo nas folhas que distribuí. Acho que teria sido mais fácil se eu tivesse feito um quadro em vez de um esboço, mas foi assim que ficou.

    A intensidade crescente dos debates

    Minha primeira observação é esta: o primeiro debate, de Jó 4 a Jó 14, foi acalorado. Muitas palavras fortes foram ditas naquele primeiro debate, e tenho certeza de que, mais tarde, eles desejaram retirar algumas delas.

    O segundo debate, de Jó 15 a Jó 21, foi ainda mais acalorado.

    Minha observação sobre o terceiro debate? Mais acalorado ainda — o mais acalorado de todos. As palavras mais fortes foram ditas naquele terceiro debate.

    Você pode debater, debater e debater com pessoas que não querem se deixar convencer, e a discussão ficará cada vez mais acalorada. Você acabará numa escuridão cada vez maior do que aquela em que estava quando começou.

    Vocês se lembram daquele conhecido versinho:

    Paus e pedras quebrarão meus ossos,
    Mas xingamentos nunca me ferirão.

    Não acreditem nisso. As palavras são muito poderosas. Causam muito dano, e muito dano foi causado. Muitos ossos foram quebrados pelas palavras nesses debates. Não tenho certeza de que realmente se ganhe alguma coisa com o debate.

    A esse respeito, quero apresentar João 7:17:

    Se alguém quiser fazer a vontade Dele,
    Conhecerá a respeito da doutrina,
    Se ela é de Deus
    Ou se Eu falo por Mim mesmo.

    O que gosto nesse versículo é que ele faz do conhecimento não uma questão da mente, mas uma questão da vontade. Se alguém quiser fazer a vontade Dele, conhecerá.

    Pensamos que, antes de podermos conhecer, precisamos de mais informações. Temos de estudar mais e reunir mais fatos. Segundo Deus, o que você precisa é escolher a vontade de Deus. Então conhecerá.

    O que eu preciso é escolher a vontade de Deus. As pessoas permanecem na ignorância porque não querem a vontade de Deus, e não porque não têm fatos suficientes. Não precisamos de mais fatos. Se alguém quiser fazer a vontade Dele, conhecerá.

    Não precisamos de argumentos fortes. Não precisamos de textos usados como prova. Não precisamos de um estudo mais profundo de um catecismo. Precisamos de um coração que diga: “Quero a Ti, Senhor. Quero fazer a Tua vontade”. Você ficará maravilhado com a luz que surgirá quando tiver um coração decidido a fazer a vontade Dele.

    As virtudes iniciais dos amigos de Jó

    Minha segunda observação diz respeito aos três amigos de Jó: Elifaz, Bildade e Zofar.

    G. Campbell Morgan destaca três coisas boas a respeito desses três amigos. Preciso contar isso a vocês, porque não tenho muito mais de bom a dizer sobre eles.

    Sua primeira observação vem de Jó 2:11:

    Quando os três amigos de Jó ouviram falar de toda essa adversidade que lhe havia sobrevindo,
    Vieram, cada um do seu lugar:
    Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita.
    E combinaram entre si
    Ir condoer-se dele e consolá-lo.

    O irmão Morgan ficou impressionado com o fato de esses três amigos terem ido se solidarizar com alguém que sofria e consolá-lo.

    Muitas pessoas se sentem muito constrangidas diante do sofrimento. Não porque sejam más; simplesmente não sabem o que dizer. É uma situação desconfortável. G. Campbell Morgan disse: “Pelo menos eles foram”.

    Segundo Morgan, em Jó 2:11 eles também foram corteses: marcaram uma visita. Não apareceram simplesmente. Quando leio isso, não tenho plena certeza de que tenham combinado entre si ou marcado a visita com Jó. Mas, como eu disse, eles se saem tão mal neste livro que vamos lhes dar o benefício da dúvida. Talvez Morgan tenha razão. A seu favor, eles não apareceram sem avisar.

    Depois, o irmão Morgan destaca este ponto em Jó 2:12-13:

    Quando levantaram os olhos de longe e não o reconheceram,
    Ergueram a voz e choraram.
    E cada um rasgou o seu manto,
    E lançaram pó sobre a cabeça, em direção ao céu.
    Então se sentaram com ele no chão durante sete dias e sete noites,
    Sem que ninguém lhe dissesse uma palavra,
    Pois viam que a sua dor era muito grande.

    G. Campbell Morgan destaca que eles estavam profundamente comovidos. Ficaram ali sentados em silêncio. Haviam ido se solidarizar com ele, e isso era sincero.

    Eu tinha um amigo que agora está com o Senhor Jesus. Ele tinha esclerose múltipla e, durante muitos anos, o Senhor me concedeu o privilégio de ser seu terapeuta. Não entendo nada de terapia, mas ia até sua casa e alongava seus membros várias vezes por semana; depois estudávamos a Bíblia juntos. Esse era meu principal motivo para ir, e como desfrutávamos do Senhor!

    Mas, de todos os cristãos que já conheci, nunca encontrei um homem mais franco. Tudo o que sentia, dizia. Chegava a ser quase agressivo. Dizem que a primeira impressão é importante, e nunca conheci alguém que, ao encontrar esse homem pela primeira vez, quisesse ser amigo dele. A primeira impressão que ele causava era terrível.

    Certa vez, eu estava alongando sua perna, e um irmão que não o via havia cerca de dois anos veio visitá-lo. Eu o recebi e fiquei feliz em vê-lo. Meu irmão, deitado ali na cama, disse: “O que traz você aqui? Culpa?”

    Bem, segundo G. Campbell Morgan, pelo menos eles não vieram por culpa. Vieram com um coração sincero. Queriam consolar seu irmão e lhe dar algum tipo de encorajamento.

    A terceira coisa que Morgan menciona a favor deles é que tinham muito a dizer, e vocês verão isso nos debates. G. Campbell Morgan destaca que disseram tudo na cara dele, e não pelas costas. Não era fofoca.

    Bem, acho que isso é algo bom que se pode dizer a respeito deles. Vieram, se solidarizaram e disseram o que tinham a dizer diretamente na cara dele. Como eu disse, precisava mencionar isso porque, daqui em diante, tenho dificuldade para encontrar qualquer outra coisa positiva a dizer sobre esses sujeitos.

    A avaliação de Jó sobre seus amigos

    Ao longo dos três debates, Jó teve algumas palavras bem escolhidas para seus três amigos. Eles começaram em silêncio, querendo se solidarizar com ele e consolá-lo, mas vamos conferir algumas partes do relato. Ouçam alguns comentários de Jó.

    Jó 6:15-18:

    Meus irmãos agiram de modo traiçoeiro como um ribeiro,
    Como as torrentes dos ribeiros que desaparecem,
    Que ficam turvas por causa do gelo
    E nas quais a neve se derrete.
    Quando ficam sem água, cessam;
    Quando faz calor, desaparecem do seu lugar.
    Os caminhos do seu curso se desviam,
    Vão para o nada e perecem.

    Para Jó, seus amigos eram como um leito de rio seco.

    Jó 12:1-2:

    Na verdade, vós sois o povo,
    E convosco morrerá a sabedoria!

    Jó 13:4-5:

    Mas vós encobris tudo com mentiras;
    Todos vós sois médicos inúteis.
    Quem dera vos calásseis completamente,
    E isso se tornasse a vossa sabedoria!

    Jó 13:12:

    Vossas sentenças memoráveis são provérbios de cinza,
    Vossas defesas são defesas de barro.

    Jó 16:1-3:

    Tenho ouvido muitas coisas assim;
    Todos vós sois consoladores miseráveis.
    Não há fim para palavras de vento?

    Jó 17:2:

    Certamente há zombadores comigo,
    E meus olhos contemplam a sua provocação.

    Jó 19:2-3:

    Até quando atormentareis a minha alma
    E me esmagareis com palavras?
    Já dez vezes me insultastes.
    Não vos envergonhais de me tratar injustamente.

    Atormentadores sem vergonha. Bem, essa era a opinião de Jó. Ele não concordava com Morgan em tudo.

    Tenho outro amigo querido que sofre da doença de Crohn. Estudo com ele toda semana. É um tempo precioso de estudo com esse irmão. Quando comecei a estudar Jó, disse a Lillian: “Preciso ir ver Lenny, porque ele sabe o que é sofrimento, e talvez possa me dar alguma luz sobre Jó”.

    Estávamos ali, em nosso primeiro encontro, e foi isto que ele disse: “Satanás não conseguiu vencer quando tirou os bens de Jó. Não conseguiu vencer quando tirou os filhos de Jó. Não conseguiu vencer quando tirou o apoio da companheira de vida de Jó. Não conseguiu vencer quando tirou a saúde de Jó. Então Satanás recorreu à sua última alternativa e mandou os amigos dele”.

    Bem, não sei quanta verdade há nisso. Muitas vezes, nossos amigos são uma verdadeira prova para a nossa fé, não é?

    Se não fosse pelos amigos de Jó, não creio que ele jamais teria chegado a ver Deus como El Shaddai. Esses amigos não tinham compaixão. Alimentavam suspeitas infundadas contra Jó, e isso era muito doloroso. Usavam raciocínios falsos. Diziam coisas cruéis.

    Uma palavra dita na hora certa é preciosa, e a palavra de um amigo pode ferir, mas é uma ferida que faz bem. Algumas das repreensões que Jó recebe aqui, porém, são duras, amargas e injustificadas.

    Mas creio que Deus enviou esses amigos para expor algumas coisas muito importantes que precisavam vir à tona no coração de Jó. Se não fosse pelas insinuações de Satanás, pela remoção da cerca e pelos amigos de Jó, pergunto-me se ele jamais teria chegado ao ponto de dizer: “Eu tinha ouvido de Ti pelo ouvir dos ouvidos, mas agora os meus olhos Te veem”.

    Quando tudo terminou, creio que ele louvou a Deus por causa de toda a escuridão desses capítulos.

    O argumento dos três amigos de Jó

    Quero contar a vocês um pouco sobre Elifaz, Bildade e Zofar. De modo geral, os três debates têm o mesmo tema. Não se esqueçam: eles estão respondendo à pergunta errada. Por que Jó está sofrendo?

    Os três amigos, embora sejam diferentes e abordem a questão de ângulos distintos, têm todos o mesmo argumento: Jó está sofrendo porque é pecador, porque é perverso.

    Todos se revezaram defendendo isso. Nos três debates, dão a mesma resposta: o sofrimento tem caráter punitivo. Deus o está punindo. Ele fez alguma coisa errada. Embora não vejamos o que é, e ele não admita o que é, sabemos que é por isso que a cerca caiu.

    O primeiro debate: a santidade de Deus e a pecaminosidade humana

    No primeiro debate, a atenção está em quão santo Deus é e, portanto, em quão pecador o homem é. “Jó, você precisa enxergar isso à luz da santidade de Deus.”

    Foi isto que Elifaz disse em Jó 4:19:

    Quanto mais os que habitam em casas de barro,
    Cujo fundamento está no pó,
    Que são esmagados diante da traça!

    Bildade retoma a mesma ideia em Jó 8:6:

    Se fores puro e reto,
    Certamente agora Ele despertará por ti
    E restaurará a tua morada de justiça.

    Deus não socorre você, Jó, porque você pecou.

    Zofar volta à mesma questão em Jó 11:11:

    Ele conhece os homens falsos,
    E vê a iniquidade sem precisar investigá-la.

    Esse é o primeiro debate: Deus é santo; Jó, você é pecador; é por isso que está sofrendo.

    O segundo e o terceiro debates: a acusação de perversidade

    Eu disse que o primeiro debate foi acalorado, e o segundo, ainda mais. Eis o foco do segundo debate: uma conclusão lógica. Desta vez, a ênfase não está em quão santo Deus é; está em quão perverso o homem é — todo homem.

    Algumas das descrições mais fortes de homens perversos encontram-se neste segundo debate do livro de Jó. Os perversos sofrem. Você está sofrendo, Jó? Logo, você é perverso.

    Então vem o terceiro debate, o mais acalorado de todos. Eles mantêm a mesma linha de raciocínio. No segundo debate, disseram: “Os perversos sofrem. Você sofre. Você é perverso”. No terceiro, disseram: “Um grande sofrimento sobrevém aos homens realmente perversos. Você sofre muito. Portanto, você é muito perverso”.

    Além da sua perversidade, deve haver hipocrisia. Você estava mentindo sobre todas aquelas coisas boas que diziam a seu respeito. Aquilo nunca aconteceu. Então eles vêm com mentiras descaradas e atacam Jó.

    Em Jó 22:5, Elifaz diz:

    Não é grande a tua perversidade,
    E sem fim as tuas iniquidades?

    As últimas palavras que Bildade dirige a Jó estão em Jó 25:6, e ele encerra seu discurso chamando-o de verme e de larva.

    Você não está feliz por seus amigos terem vindo aconselhá-lo e consolá-lo em sua hora de angústia?

    O erro de considerar o sofrimento punitivo

    De passagem, quero dizer apenas isto. Tenho certeza de que vocês sabem, mas há um grande perigo em olhar para o sofrimento e dizer que ele é punitivo.

    Em primeiro lugar, Aquele Que mais sofreu no mundo, nosso Senhor Jesus Cristo, era sem pecado. Lá se vai por água abaixo o argumento de que o sofrimento acontece por causa do pecado.

    Além disso, há uma diferença entre punição e disciplina. Quantas vezes alguém veio a mim e disse: “Aconteceu isso e aquilo. Por que Deus está me punindo?”

    Vocês sabem, e eu sei, que, sendo você um crente, Deus nunca irá puni-lo. A disciplina é algo inteiramente diferente, e não vamos entrar nesse assunto, mas é diferente.

    Você pergunta: “Por que Ele não vai me punir?” Porque Ele já puniu você na Pessoa de Jesus Cristo, seu Substituto. Ele já me puniu na Pessoa de Jesus Cristo, meu Substituto. Seria desonesto cobrar a mesma dívida duas vezes. Ele não fará isso. Ele é um Deus santo. Ele é um Deus justo.

    É errado pensar na aprovação de Deus em termos de bênçãos. Só porque Deus abençoa você não significa que Ele o aprova. Só porque faltam bênçãos em sua vida não significa que Ele o desaprova.

    Satanás tentou sussurrar essa mentira aos ouvidos do Senhor Jesus enquanto Ele estava pendurado na cruz. Os que O atormentavam passavam e gritavam coisas ao Senhor, e um deles disse:

    Que Deus O livre,
    Se tem prazer Nele.

    Colocaram livramento e prazer na mesma frase. Em outras palavras, se Ele não fosse livrado, isso significaria que Deus não tinha prazer Nele.

    Bem, vou dizer uma coisa: Deus livra algumas pessoas nas quais não tem prazer, e não livra algumas pessoas nas quais tem prazer. Todo o argumento deles está fora do alvo.

    Mas essa era a essência dos três debates: o sofrimento de Jó é punitivo.

    O raciocínio de Jó e sua descida ao desespero

    Jó argumenta contra isso nos três debates. Não acredita que tenha feito algo errado. Não consegue identificar uma única coisa. Ele examinou seu coração.

    Não vou ler todos os argumentos e versículos, mas, em poucas palavras, este era o raciocínio de Jó. Seu primeiro argumento era: “Vocês dizem que os perversos sofrem. Dizem que os perversos têm suas cercas removidas. Bem, meus olhos estão abertos, e vejo alguns homens perversos que não estão sofrendo. O que vocês fazem com isso?”

    Jó 21:30 ensina que os perversos prosperam; estão reservados para o dia do juízo. A cerca deles não está em risco agora. Como vocês respondem a isso?

    Não há dúvida de que, ao longo dos três debates, Jó afirma sua inocência. Afirma ser justo, não ter feito nada. No final, o próprio Deus diz em Jó 40:8:

    Tu Me condenarás para que sejas justificado?

    Ouçam a opinião de Jó, citada em Jó 33:9-10:

    Sou puro, sem transgressão;
    Sou inocente, e não há culpa em mim.
    Eis que Ele inventa pretextos contra mim;
    Considera-me Seu inimigo.

    Para discutir com seus três conselheiros deploráveis e consoladores miseráveis, Jó tenta descobrir uma explicação. Acho que ele realmente pensou a fundo nessa questão.

    Jó pergunta: “Se pequei — examinei meu coração e não consigo encontrar esse pecado —, então deixem-me perguntar isto a vocês, meus três amigos: por que Deus não o revela a mim?”

    Jó 13:23:

    Quantas são as minhas iniquidades e os meus pecados?
    Faze-me conhecer a minha rebelião e o meu pecado.

    Se pequei, por que Deus não me diz qual é o pecado? Esse era seu raciocínio.

    Depois ele vai mais longe e diz: “Se vocês estão certos, por que Ele não me perdoa? Ele perdoa outros pecadores. Se pequei, por que Ele não me perdoa?”

    Jó 7:21:

    Por que, então, não perdoas a minha transgressão
    E não tiras a minha iniquidade?

    Então, enquanto debatiam, ele começou a pensar e chegou a outra possibilidade. Disse: “Espere um pouco. Vocês dizem que pequei. Não consigo encontrar esse pecado. Ele não me mostra o que é e, se ele existe, não me perdoa. Não entendo isso”.

    Talvez, pensa ele, “Talvez vocês tenham razão, rapazes. Se Ele está voltando muito atrás na minha vida, à época em que eu era jovem, talvez esteja me cobrando agora pelos pecados da minha juventude”.

    Jó 13:26:

    Pois escreves coisas amargas contra mim
    E me fazes herdar as iniquidades da minha juventude.

    Ele disse: “É possível. Se houve alguma coisa quando eu era jovem, talvez seja por isso que Ele esteja fazendo isso agora”.

    Mas a força do argumento de Jó, enquanto contempla todas essas coisas, é esta: “Examinei meu coração. Ele não quer revelar o pecado. Se o pecado está lá, Ele não quer perdoá-lo. Se está fazendo algo por causa do que aconteceu quando eu era jovem, então não tenho escolha”.

    Ele chega a esta conclusão: Deus não tem motivo. Ele é simplesmente caprichoso. É arbitrário. Não há causa.

    Jó 9:17:

    Ele me esmaga com uma tempestade
    E multiplica as minhas feridas sem causa.

    Não há motivo, a não ser que Ele decidiu fazer isso.

    Eu disse a vocês ontem à noite que é algo terrível chegar a pensar assim — desconfiar de Deus. Espero que ninguém aqui sequer comece a pensar que Deus é seu inimigo. Jó chegou a esse ponto.

    Às vezes, você simplesmente diz: “Bem, o Senhor está contra mim”, mas aqui estamos falando de um passo muito sério. Quero dar uma ilustração.

    Enquanto lia isso, queria compreender Jó. Tentei entrar em seu raciocínio e naquilo pelo que estava passando. Ele atravessava uma provação real e, naquele momento, ainda não havia visto o Senhor. Não disse: “Preciso de Deus mais a minha cerca”. Disse: “Preciso de Deus mais um motivo. Apenas me diz por quê”.

    Se minha querida Lillian — alguns de vocês a conhecem; ela é um presente de Deus aqui na terra, é maravilhosa — entrasse pela porta um dia e, sem aviso, eu simplesmente a derrubasse com um golpe, lhe desse uma pancada forte, e ela caísse no chão; e ela se levantasse e dissesse: “Por que você fez isso?”, e eu não respondesse; e passasse um dia, e eu não respondesse; e passasse uma semana, e eu não respondesse — como vocês acham que estaria meu relacionamento com ela na quarta-feira? Ou na sexta-feira?

    Depois de algum tempo, ela ficaria apavorada comigo. Toda vez que entrasse no cômodo, se encolheria e se abaixaria. Nunca saberia quando eu voltaria a golpeá-la.

    Era assim que Jó estava.

    Ele estava desfrutando do Senhor, vivendo esse grande relacionamento com Deus. Entrou pela porta, e Deus lhe deu uma pancada. Ele caiu. Perguntou: “Por quê?” Silêncio.

    Tentem entrar no coração de Jó e em algumas das coisas pelas quais ele passou. Ele está tentando raciocinar. Está vasculhando o coração. Está procurando e não consegue encontrar nada. Esses homens dizem: “É porque você é perverso, porque está escondendo isso. Você é um grande hipócrita. É um pecador perverso. Esteve mentindo o tempo todo”.

    Ele disse: “Isso não é verdade. Tenho sido sincero, até onde conheço meu coração. Deus, mostra-me o meu coração. Perdoa o meu pecado. Perdoa os pecados da minha juventude”.

    Só pode ser que Tu não tenhas motivo. Simplesmente decidiste um dia fazer um treino de tiro, colocaste-me como alvo, e aqui estou. Que escolha tenho? Se estás tentando provar que és mais forte, Tu ganhas.

    Era isso que ele argumentava. Deus ganha. Não há nada que eu possa fazer. Se Deus decide Se voltar contra mim, como posso lutar? Como posso resistir? Ele é Deus, e eu sou homem.

    No início, ele apenas disse que Deus havia feito aquilo sem causa. Mas, à medida que os debates ficavam cada vez mais acalorados, Deus foi mais fundo, usando seus amigos, e os segredos do coração de Jó foram expostos. Por fim, ele disse: “Deus fez isso sem motivo”.

    Depois de todo aquele raciocínio, de todo aquele pensamento, de toda aquela investigação, de toda aquela tentativa de compreender: Deus fez isso. Sem motivo.

    Então acrescentou: Ele fez isso, e Ele está errado.

    Vejam, agora ele não está questionando o direito de Deus, mas a justiça de Deus. Jó 10:3:

    É correto que Tu oprimas,
    Que rejeites a obra das Tuas mãos,
    E que favoreças o plano dos perversos?

    Se você está convencido de que é a mão de Deus agindo em sua vida, nunca faça a pergunta: “Deus está certo em fazer isso?”

    Salmos 119:75-76:

    Sei, ó Senhor, que os Teus juízos são justos,
    E que em fidelidade Tu me afligiste.
    Que a Tua bondade me console, segundo a Tua palavra.

    Salmos 119:128:

    Por isso considero corretos todos os Teus preceitos a respeito de tudo,
    E odeio todo caminho falso.

    Que versículo!

    Deuteronômio 32:4:

    A Rocha! Sua obra é perfeita,
    Pois todos os Seus caminhos são justos;
    Deus de fidelidade e sem injustiça,
    Justo e reto é Ele.

    Mas, em Jó 19:6, Jó diz abertamente:

    Sabei, então, que Deus me fez injustiça
    E me cercou com a Sua rede.

    Como Jó caiu profundamente! Como se afastou da pergunta: “El Shaddai é suficiente quando a cerca cai?” Tudo porque precisava saber a resposta a “Por quê?” Ele chegou a isto: Deus fez isso, Deus fez isso sem motivo, e Ele está errado. Ele não tinha o direito de fazer isso — como se Jó dissesse: “Não mereço isso”.

    Que contradição com Lamentações 3:39:

    Por que se queixaria qualquer mortal vivo, qualquer homem,
    Em vista dos seus pecados?

    Irmãos, se vocês recebessem o que merecem, não estariam sentados aqui agora. Se eu recebesse o que mereço, não estaria de pé aqui agora. Apesar do nosso pecado, Deus não nos trata segundo o nosso pecado. Bendito seja o Seu nome. Tudo o que não é o inferno é misericórdia.

    Louvado seja Deus! Não importa o que aconteça em sua vida, não chegue ao ponto a que Jó chegou, dizendo: “Deus me fez injustiça”. Você está recebendo muito menos do que merece, mesmo que sua cerca inteira caia. Eu estou recebendo muito menos do que mereço, mesmo que minha cerca inteira caia.

    Ele acusou Deus de agir injustamente. “Deus me fez injustiça. Fechou Sua rede ao meu redor.” Deus está agindo injustamente porque você está cercado por uma rede? Você não reclamava quando estava cercado por uma cerca, não é, Jó? Acha que merecia aquela cerca?

    Pensar assim, raciocinar assim e desconfiar do nosso Deus — do Seu amor e da Sua sabedoria — conduz ao desespero.

    Algumas das orações mais tristes que já li estão em Jó. É de cortar o coração ver o que ele pediu.

    Jó 7:16:

    Deixa-me em paz.

    Imaginem um cristão dizendo ao Senhor: “Deixa-me em paz”.

    Jó 10:20:

    Não são poucos os meus dias?
    Afasta-Te de mim, para que eu tenha um pouco de alegria.

    Ele busca um pouco de alegria na ausência do Senhor, em vez de buscá-la na presença do Senhor. Que lugar terrível para um cristão estar — dizer: “A única maneira de eu encontrar descanso é ficar sem Deus. Sai da minha vida. Deixa-me em paz. Afasta-Te de mim para que eu tenha um pouco de alegria, um pouco de felicidade”.

    Foi a esse ponto que Jó chegou. Como seu raciocínio o levou para longe de El Shaddai: ao ponto em que Deus era seu inimigo, Deus o havia escolhido sem motivo, e Deus estava errado por causa do que havia permitido.

    Bem, isso é o que temos a dizer sobre os três debates.

    Os fundamentos da sabedoria mundana

    Antes de encerrarmos, quero mostrar mais algumas coisas sobre esses três homens. Em seu raciocínio, embora todos tivessem o mesmo argumento básico — Jó pecou, portanto sofre —, cada um partiu de um fundamento diferente de sabedoria mundana. Cada um baseou seus argumentos em algo diferente.

    Fiz um pequeno recurso de memorização com as iniciais, porque assim fica mais fácil para mim lembrar; por isso, vou compartilhá-lo com vocês.

    Elifaz: a experiência

    Elifaz começa com E, e ele baseou seus argumentos na experiência. Quando vocês leem o que Elifaz disse em todos os debates, vez após vez ele diz: “Segundo o que tenho visto”.

    Jó 4:8:

    Segundo o que tenho visto, os que lavram a iniquidade
    E os que semeiam o mal o colhem.

    Jó 15:17:

    O que tenho visto também declararei.

    Ele não tinha uma palavra de Deus, mas dizia: “Esta é a minha observação. Olhei ao redor. Vi muitas coisas”.

    Depois diz: “Jó, é melhor você me ouvir, porque tive esta visão”. Jó 4:12-16:

    Uma palavra me foi trazida furtivamente,
    E meus ouvidos receberam um sussurro dela.
    Entre pensamentos inquietantes das visões da noite,
    Quando o sono profundo cai sobre os homens,
    Sobrevieram-me pavor e tremor,
    E fizeram estremecer todos os meus ossos.
    Então um espírito passou diante do meu rosto;
    Os pelos do meu corpo se arrepiaram.
    Ele parou, mas não pude discernir a sua aparência;
    Uma forma estava diante dos meus olhos;
    Houve silêncio, e então ouvi uma voz.

    E a mensagem é: “Jó, você é um pecador”. É impressionante. Tudo se baseia na experiência: “Vi isto, vi aquilo, observei isto e tive esta grande visão”.

    Bildade: os livros e a tradição

    Bildade começa com B, e ele baseou seus argumentos nos livros — books, em inglês —, na verdade, nos antepassados e na tradição.

    Jó 8:8-10:

    Consulta, por favor, as gerações passadas,
    E considera as coisas investigadas por seus pais.
    Pois somos apenas de ontem e nada sabemos,
    Porque nossos dias na terra são como uma sombra.
    Não te ensinarão eles e não te dirão,
    E não trarão palavras do seu entendimento?

    Bildade se apoia na tradição, no que os antepassados disseram. Ele tinha uma grande biblioteca e cita este, aquele e aquele outro. “É por isso que você é pecador: porque este disse isso, aquele disse isso e o outro disse isso.”

    Tudo baseado em sua instrução — nenhuma palavra de Deus.

    A tradição é como ter um relógio que informa que horas eram.

    Bem, no Novo Testamento, a tradição é mencionada dez vezes: cinco vezes favoravelmente e cinco vezes desfavoravelmente. Portanto, existe um tipo correto de tradição. Não quero simplesmente atacar a tradição.

    Zofar: o zelo sem fundamento

    Depois vem Zofar. O Z representa zelo. Ele era zeloso. Não tinha fundamento algum. Não era sábio nem mesmo o suficiente para dizer: “Eu vi; eu observei”. Não era inteligente o suficiente para ler um livro. Zofar — esse sujeito é inacreditável. É simplesmente dogmático. Chega com suas ideias brilhantes.

    Jó 20:3:

    Ouvi a repreensão que me insulta,
    E o espírito do meu entendimento me faz responder.

    Ele sabe tudo. Você pergunta: “Como você sabe?” “Porque sim.” “Porque sim o quê?” “Porque é verdade. Eu sei.”

    Zofar é o pior deles. Sinceramente, a única coisa boa que tenho a dizer sobre ele é que só falou duas vezes nos debates. Foi a única coisa que consegui pensar a respeito de Zofar.

    Elifaz começa parecendo sensato, baseando tudo na experiência. É um bajulador. Faz agrados a Jó: “Ah, nós sabemos, ouvimos falar de como você fez isso. Você ajudou a viúva. Era uma pessoa tão boa”. Quando chega ao fim, é um mentiroso descarado. Esse Elifaz é inacreditável. Usa toda essa psicologia para tentar atingir Jó.

    As palavras de Bildade são como uma navalha. Ele é tão cortante! Jó acabou de perder os filhos, e Bildade diz: “A razão pela qual você os perdeu é esta: você é um grande pecador, mas ainda está vivo. Eles estão mortos. O que você acha que fizeram? Eram tão perversos! É por isso que seus filhos morreram”. Foi isso que ele disse a Jó em um dos debates.

    E Zofar é simplesmente irritante. Esse sujeito me deixa louco. É tão dogmático! Sabe tudo e não tem motivo, não tem fundamento — apenas: “É assim. Eu sei porque é assim”.

    Jó 3–37 como advertência contra a sabedoria mundana

    Talvez haja algumas coisas boas a dizer sobre alguns desses irmãos, mas isso é basicamente o que tenho a dizer sobre eles.

    Agora quero fazer uma última observação sobre esses capítulos como um todo. Não sei se vocês estão no mesmo barco que eu, irmãos. Amo o Senhor Jesus — sei que vocês estão comigo nesse barco — e amo a Sua Palavra. Entristece meu espírito perceber que estou negligenciando partes deste livro.

    Há partes deste livro nas quais ainda não recebi a revelação de Cristo. Faço um esforço deliberado para não negligenciar essas partes, porque talvez Deus me mostre nelas a revelação de Cristo. Mas, quando chego a esses capítulos, de Jó 3 a Jó 37, não quero lê-los. Percebo que os estou negligenciando.

    Sei que há algo errado em qualquer visão que eu tenha das Escrituras que me leve a negligenciar as Escrituras. Deus não quer que eu negligencie esses capítulos. Tenho a mesma dificuldade com Eclesiastes. Há aquela parte que é sabedoria mundana, e não confio em mim mesmo.

    Não consigo ler esses capítulos e dizer: “Bem, vou discernir o que há de bom ali. Talvez Elifaz tenha dito algo válido. Talvez Bildade tenha dito algo válido. Talvez Zofar — esqueça”.

    Mas não sei como discernir. Não consigo identificar o que é válido. Então pedi ao Senhor que me desse alguma maneira de tirar proveito de Jó 3 a Jó 37. Foi a isto que cheguei, e apresento como sugestão ao encerrarmos esta lição.

    Todos esses capítulos tratam de sabedoria mundana. Tudo está debaixo do sol. Tudo é sabedoria humana. Esses capítulos estão cheios de advertências — advertências. Acho que uma maneira prática de estudá-los é estudá-los para sermos advertidos.

    Observem que tudo isso é poesia. Vou dizer isto apenas de passagem. Quando Deus quer comunicar diferentes partes da Sua Palavra, Ele usa diferentes formas.

    Quando quer mostrar a união com Jesus Cristo, Ele usa cartas — epístolas —, porque há uma maneira pela qual uma carta pessoal pode comunicar essa verdade. Por isso, Ele escolhe cartas.

    Quando quer ensinar os enlutados a lamentar, Ele nos dá Lamentações.

    Normalmente, se eu perdesse minha esposa, por exemplo — se o Senhor a levasse para o céu —, e você viesse dizer: “Olhe, gostaria de conversar com você sobre este negócio”, eu diria: “Olhe, agora não. Acabei de passar por muita coisa. Perdi minha esposa. Minha cabeça está girando. Não consigo organizar nem um pensamento”.

    Mas Deus, ao ensinar por meio de Lamentações, deu esse livro em forma de acróstico. Não sei se vocês já escreveram poesia ou tentaram fazer um acróstico. É preciso um esforço cuidadoso. Cada capítulo do livro de Lamentações tem relação com o alfabeto hebraico, e ele termina com a fidelidade de Deus.

    Deus diz: “No dia do luto, você não tem desculpa para ficar com a mente dispersa. Sente-se, medite e seja lógico”. Ele usa essa forma de propósito.

    Ele usa formulações negativas para comunicar o positivo. Poderia ter dado os Dez Mandamentos de forma positiva: “Seja honesto”. Mas há algo mais forte em “Não furtarás” e “Não darás falso testemunho”.

    Poderia ter dito: “Seja puro”, mas disse: “Não adulterarás”. Poderia ter dito: “Seja honesto”, mas diz: “Não darás falso testemunho”. Ele usa uma linguagem forte para mostrar isso.

    Assim, usa poesia nesta seção dos debates.

    Eles não simplesmente se levantaram para debater e discutir. Quando vocês leem os debates, perguntam: “Até que ponto a discussão ficou acalorada?” Cuspiram em Jó em um dos debates. Um deles se aproximou e bateu em Jó. Ali estava ele — morrendo, um homem doente —, e de fato bateram nele. Foi a esse ponto que os debates chegaram.

    Deus apresenta isso em poesia. Por que colocaria isso em poesia, em vez de prosa? A poesia é a linguagem mais forte possível. É uma linguagem extrema. Ela vai fundo. Alcança aquilo que é mais profundo.

    Creio que, quando Deus quis nos advertir, não havia linguagem mais forte que Ele pudesse usar do que a poesia.

    Advertências extraídas dos debates

    Quero terminar apresentando algumas coisas sobre as quais fui advertido nesses debates. Não vou desenvolvê-las; apenas mencioná-las.

    As palavras daqueles que estão em desespero

    Primeiro, Jó 6:26:

    Pretendeis repreender as minhas palavras,
    Quando as palavras de alguém em desespero pertencem ao vento?

    Que versículo, irmãos! As palavras de alguém em desespero pertencem ao vento. É uma advertência para que não levemos tão a sério as palavras de quem está sob pressão.

    Elas pertencem ao vento. Não deem tanto peso a elas. Não sejam suscetíveis. Não se magoem quando alguém sob pressão disser alguma coisa a vocês. Às vezes, essa pessoa pode ser sua esposa ou seus filhos. Não deem tanto peso a isso. Não guardem ressentimento por isso. Há aqui uma grande advertência. Somos tão sensíveis!

    Meu versículo favorito sobre a língua é Salmos 31:20:

    Tu os escondes no lugar secreto da Tua presença
    Das conspirações dos homens;
    Tu os guardas secretamente em um abrigo
    Da contenda das línguas.

    A presença de Deus é um pavilhão à prova de som contra a contenda das línguas. Se você vive na presença do Senhor, não precisa se preocupar com o que alguém diz a seu respeito. Quando disserem alguma coisa e ela conseguir chegar até você, não dê tanto peso a isso.

    O perigo das verdades parciais

    Esses capítulos têm sido uma grande advertência para mim sobre as verdades parciais. Esses debates estão cheios de meias-verdades.

    Por exemplo: “Todo sofrimento acontece por causa do pecado”. Essa é uma verdade parcial. Todo sofrimento acontece indiretamente por causa do pecado. Alguns sofrimentos acontecem por causa do pecado.

    Jó diz: “Ele me escolheu como Seu alvo”. Se você quer dizer, Jó, que Deus o escolheu de maneira especial por causa do Seu afeto por você — Ele até disse a Satanás: “Consideraste o Meu servo Jó?” —, então, sim, você é Seu alvo, mas não da maneira que imagina.

    Os capítulos estão cheios de verdades parciais. Cuidado com uma meia-verdade.

    A inutilidade do raciocínio e da argumentação humanos

    Depois há uma grande advertência contra o raciocínio humano. Todo esse debate — acho que não vale a pena.

    Não quero criar mais cobras do que consigo matar aqui, e não sei se alguns de vocês são apologistas, mas não tenho muito espaço no coração para essa apologética em que se precisa defender Deus, defender a verdade e toda essa história.

    O apóstolo Paulo não fazia isso. 1 Coríntios 2:4-5:

    Minha mensagem e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria,
    Mas em demonstração do Espírito e de poder,
    Para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens,
    Mas no poder de Deus.

    Paulo não se recusava a argumentar por falta de capacidade. Havia uma grande massa de inteligência dentro de sua cavidade craniana. Ele sabia argumentar. Sabia debater. Era brilhante, mas não fazia isso.

    Sua razão era: “Então a fé de vocês se apoiaria na força do meu argumento, e alguém viria com um argumento melhor. A fé de vocês estaria apoiada no argumento da última pessoa com quem conversaram”.

    Ele disse: “Não farei isso”.

    Um jovem veio à minha porta. Ben, você conhece esse rapaz. Ele tinha uma dificuldade com a divindade de Cristo. Não acreditava que Jesus era Deus, mas acreditava que Cristo havia morrido por seus pecados e pago por eles. Ele fazia parte daquela seita e trazia debaixo do braço um livro chamado Jesus não é Deus.

    Ele disse: “Você se senta comigo para examinar cada argumento e me mostrar pela Bíblia a resposta correta a cada afirmação deles?”

    Eu estava pronto para fazer isso, mas o Senhor me deteve. Disse: “Não, não vou fazer isso. Somente Deus pode revelar Deus. Eu vou convencer você, e outra pessoa vai convencê-lo do contrário”.

    Alguns dias depois, ele voltou, bateu à porta, e Lillian atendeu. Ele disse: “Ed está aí? Preciso contar uma coisa a ele”.

    Fui até a porta, e ele disse: “Só queria que você soubesse: Jesus é Deus”.

    Vocês sabem Quem lhe mostrou isso? Deus. Deus lhe mostrou no livro de Colossenses. Ele estava lendo Colossenses, e o Senhor lhe revelou isso.

    Você não vai chegar a lugar nenhum apenas apresentando este argumento e aquele argumento. Portanto, há aqui uma grande advertência contra a argumentação.

    A necessidade de uma palavra de Deus

    Elifaz baseou todo o seu argumento na experiência. Isso é uma advertência contra basear seu argumento na experiência. Você precisa de uma palavra de Deus.

    Bildade baseou o seu nos livros e na tradição. Você precisa de uma palavra de Deus. Uma grande advertência.

    Zofar baseou seus pensamentos em nada. Não faça isso.

    O perigo da autocomiseração

    Esses capítulos também são uma grande advertência contra a autocomiseração. Quando lemos o livro, depois de algum tempo Jó fica tão absorvido em si mesmo. Leiam Jó 3 e os capítulos seguintes.

    Precisamos confiar no Senhor para que nos capacite a nos solidarizar com aqueles que sofrem dentro da vontade de Deus, mas não vamos incentivar a autocomiseração. Foi isso que esses irmãos fizeram. Grandes advertências.

    O perigo da interferência carnal

    Esses capítulos também são uma advertência contra a interferência na vida dos outros — a interferência carnal na vida dos outros.

    Quando os amigos de Jó tentaram convencê-lo de seu pecado, na verdade o levaram à justiça própria. Não podemos suavizar a Palavra de Deus, mas também não podemos torná-la mais severa do que ela é. Precisamos andar no Espírito quando lidamos com aqueles com quem Deus está lidando.

    O perigo da autodefesa

    Esses capítulos são uma grande advertência contra a autodefesa, a tentativa de provar a própria inocência e a autojustificação.

    A esse respeito, amo Salmos 37:5-6. Acho que, no caso dessa passagem, seu contexto é tão pouco conhecido quanto seus versículos são bem conhecidos:

    Entrega o teu caminho ao Senhor,
    Confia também Nele, e Ele o fará.
    Ele fará sobressair a tua justiça como a luz
    E o teu direito como o meio-dia.

    Creio que a passagem ensina que devemos confiar nossa reputação ao Senhor. Ele cuidará dela. Você não precisa se defender.

    Esse foi o testemunho de Jesus diante de Pilatos. Ele não abriu a Sua boca. Silêncio.

    Você diz: “Bem, preciso me defender”. Não, não precisa. Deus é seu Defensor. O Senhor é seu Defensor.

    Vocês veem como esses capítulos são valiosos como advertências: não deem tanto peso ao que alguém diz quando está sob pressão; tenham cuidado com verdades parciais; tenham cuidado com discussões e debates; tenham cuidado com a autocomiseração; tomem cuidado com a interferência carnal na vida dos outros; tomem cuidado com a autodefesa.

    O perigo da justiça própria

    A sétima advertência está ligada à quarta. Além da autocomiseração, esses capítulos são uma grande advertência contra a justiça própria.

    Acho que Jó 29 a Jó 31 são as passagens mais importantes de toda a Bíblia sobre a justiça própria — sobre como o sofrimento revela esse pecado oculto da justiça própria. É impressionante o que existe dentro de nós. Que Deus nos ajude.

    Deus, dizemos, não é o autor do pecado. Isso é certo. O homem não é o autor do bem. Isso também é certo.

    A inconstância humana sob pressão

    Outra advertência diz respeito à inconstância do homem — como ele muda sob pressão.

    Ele começa dizendo:

    O Senhor deu, e o Senhor tomou;
    Bendito seja o nome do Senhor.

    Só porque você disse isso uma vez não significa que dirá novamente. Nós mudamos. Somos inconstantes. O Senhor não muda.

    Só porque confio em Deus hoje não significa que confiarei Nele amanhã. A qualquer momento da minha vida, posso tirar os olhos do Senhor. A qualquer momento da sua vida, você também pode.

    Precisamos confiar em um Salvador presente, não em uma experiência passada.

    Salmos 39:4:

    Senhor, faze-me conhecer o meu fim
    E qual é a medida dos meus dias;
    Faze-me saber quão transitório sou.

    O tolo confia no próprio coração. Irmãos, não podemos confiar em nós mesmos nem por um único instante.

    O perigo de tentar complementar Deus

    Quero apresentar a última advertência e, assim, concluir tudo. Ela nos leva de volta ao tema do livro.

    Jó está fazendo a pergunta: “Por quê?” A última advertência é esta: esses capítulos me advertem contra o perigo de tentar complementar Deus — de dizer que preciso do Senhor mais uma explicação, mais o motivo.

    Deus vai usar isso. Esse foi um período sombrio na vida de Jó. Foi um período terrível. Ele foi levado a tamanho desespero por meio desses debates. Mas Deus está prestes a mudar as coisas. Vocês sabem, com a entrada de Eliú em cena e assim por diante, Deus vai mudar as coisas.

    Uma pessoa precisa chegar ao fim — reconhecer a inutilidade do raciocínio humano — antes de ver El Shaddai como suficiente: suficiente por Si só, sem a cerca, sem o motivo. Apenas o Senhor.

    Deus está levando Jó até esse ponto, e, irmãos, oro para que esteja nos levando também.

    Bem, sei que isso foi pesado, e simplesmente oro para que Deus peneire tudo isso e conceda alguma luz a vocês.

    Oração final

    Pai, obrigado por estes maravilhosos capítulos. Senhor, há tanta coisa neles, e, no entanto, tanta coisa está no nível da terra — no nível tão baixo da terra.

    Queremos subir. Queremos ir às regiões celestiais. Queremos que nossos olhos sejam abertos para Quem Tu és.

    Peço que uses esta seção para preparar nosso coração para o lugar ao qual estás levando Jó e ao qual estás nos levando. Queremos responder sem hesitação, sem pigarrear:

    Deus é suficiente — mais do que suficiente — quando a cerca cai.

    Revela-Te a nós, pedimos em nome de Jesus. Amém.