Vamos orar mais uma vez.
Senhor, nós Te agradecemos porque Tu és Aquele que ama a nossa alma. E Tu a amaste tanto que vieste e morreste para que não ficássemos separados, mas fôssemos aproximados — introduzidos na preciosa unidade da Tua vida, Senhor.
E, Senhor, Tu não apenas nos introduziste nessa unidade da Tua vida, mas, pela Tua morte, fizeste de cada um de nós um membro do Teu precioso corpo. Senhor, nós Te bendizemos por isso. Hoje, nós nos achegamos a Ti e nos entregamos a Ti.
Senhor, da melhor maneira que sabemos, deixamos de lado as coisas que poderiam nos atrapalhar e nos achegamos para verdadeiramente olhar somente para Jesus. Senhor, que Tu realmente fiques satisfeito com o nosso tempo juntos.
Senhor, agradecemos pelo que nosso irmão leu ao iniciar este tempo: Tu derramaste o Teu Espírito Santo para a regeneração e a renovação. Senhor, que o Teu Espírito Santo venha neste momento para nos renovar, nos vivificar e nos abrir, Senhor, para tudo o que tens para nós, tanto no falar quanto no ouvir.
Que, Senhor, sejamos encontrados andando Contigo nesta hora. Senhor, obrigado pela Tua Palavra. Obrigado porque não nos deixaste sozinhos. E nos achegamos a Ti com um coração cheio de expectativa, Senhor. Em nome de Jesus. Amém.
Gostaria que voltássemos, nesta manhã, ao livro de Apocalipse, ao capítulo 3. Temos usado esta carta à igreja em Sardes como uma espécie de tema para os nossos encontros.
Ao escrever estas cartas, o Senhor, como já dissemos, olha para cada igreja. Ele tem este desejo em Seu próprio coração: ver a Sua própria vida. Quando olha para cada igreja, Ele procura ver a Si mesmo manifestado nos irmãos e nas irmãs que estão ali.
E, assim como Ele olhou para aqueles no primeiro século, agora, enquanto estamos reunidos como povo do Senhor nesta hora, Ele procura a mesma coisa. Muitas vezes nos distraímos e procuramos muitas coisas. Mas o Senhor está sempre procurando uma só coisa.
Ele procura a própria vida de Seu Filho manifestada em um povo — não apenas um conhecimento de Seu Filho, não apenas uma familiaridade com o Filho, mas a própria vida do Senhor Jesus sendo vivida, individualmente e em conjunto, entre o povo de Deus.
Que o Senhor nos vivifique nesta hora para permitirmos que Ele — poderíamos dizer, para Lhe concedermos essa permissão — faça o que for necessário para nos trazer de volta à simplicidade e à pureza da nossa devoção a Ele.
Como vemos aqui em Apocalipse 3, o Senhor escreve à igreja em Sardes:
“Isto diz Aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
Sê vigilante e fortalece as coisas que restam, que estavam para morrer; porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do Meu Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te.”— Apocalipse 3:1-3
Temos considerado especialmente esta expressão em Apocalipse 3:2 sobre despertar e fortalecer as coisas que restam. O que é que permanece? Sabemos que é o nosso precioso Senhor; é a vida do nosso Senhor Jesus. Todas as outras coisas desaparecem, mas a Sua vida é a vida que permanece.
Ele zela para que essa vida seja formada em nós de maneira mais plena e mais profunda. Onde não prosseguimos — pois Ele diz que a obra não está completa —, Ele nos chama a despertar e fortalecer aquilo que está ali.
Como despertamos? Ele simplesmente nos chama de volta. Ele diz: “Lembrem-se. Lembrem-se do que receberam. Lembrem-se do que ouviram. Guardem isso. Pratiquem. Façam. Obedeçam. Arrependam-se e prossigam”.
Ao considerarmos juntos estes versículos, vemos que cada uma destas sete cartas às igrejas do primeiro século revela, de maneira muito particular, o amor de Deus. São cartas de amor, porque expressam o amor do nosso Senhor.
Ele não está escrevendo estas cartas apenas para dizer: “Ah, vejam, vocês falharam aqui, falharam ali e estão fazendo tudo isso errado”. Não. É por Seu amor e zelo por nós, e pela vida de Seu Filho, que Ele traz essas coisas à nossa atenção.
Ele diz: “Está bem, vejam, vou apontar isso”. Mas não é para nos condenar. É para dizer: “Está bem, arrependam-se disso. Lembrem-se do que compartilhei com vocês e prossigam. Deixem que essa vida se manifeste de maneira mais plena e mais profunda”. Esse é o amor e a misericórdia de Deus.
Vemos isso ao longo dos séculos. Agradecemos ao Senhor porque, ao usarmos os livros de Esdras e Neemias como exemplos de como Ele deseja fortalecer as coisas quando se encontram enfraquecidas, temos visto o amor e a misericórdia de Deus.
Quando Israel estava na Babilônia por causa de sua infidelidade, Ele, em Seu amor e em Sua misericórdia, tocou o coração de Ciro. Disse que todo aquele que quisesse voltar poderia retornar a Jerusalém para construir a casa.
Havia um propósito nisso. Não era simplesmente voltar à sua terra natal por um sentimento nacionalista. Era um retorno com propósito: construir a casa de Deus. Graças ao Senhor, o Espírito despertou cerca de cinquenta mil pessoas para voltarem com esse único propósito.
É trágico, porque havia milhões ali na Babilônia que não voltaram. Mas agradecemos ao Senhor por aqueles que voltaram. Ao pensarmos nisso, nesta hora em que vivemos, vemos que o Senhor não está interessado em grandes números. Ele está interessado naqueles cujo espírito é despertado pelo próprio amor de Cristo para voltarem a Ele e construírem essa casa.
Ele deseja que a casa de Deus continue a se manifestar e a ser um testemunho Dele neste dia e nesta hora.
Quando voltaram a Jerusalém, primeiro construíram aquele altar — aquele lugar de dependência, aquele lugar de testemunho de Cristo, de tudo o que Ele é e de tudo o que Ele fez. Era um lugar de aceitação no Amado.
O altar fala da cruz e de Sua grande obra. Isso é tão precioso quando participamos da mesa a cada semana: somos trazidos de volta à preciosidade de tudo o que nosso Senhor fez e de Quem Ele é.
A cada semana, ao nos achegarmos a esta mesa, temos mais uma oportunidade maravilhosa de explorar as riquezas de Cristo. Nesta manhã, tocamos na bondade do Senhor. Que coisa! Podemos parar e considerar a bondade do Senhor, e isso vai revelando ainda mais.
Em outra semana, podemos tocar em outro aspecto. Há tanto em nosso Senhor, e ainda será necessária toda a eternidade para explorar todas essas riquezas. É trágico, irmãos e irmãs, como nos satisfazemos com tão pouco. Na verdade, somos miseráveis e pensamos que somos ricos.
Às vezes, somos muito pobres. Mas, em Seu amor e em Sua bondade, Ele nos toca e nos dá essa fome de prosseguir.
Mesmo aqueles que voltaram a Jerusalém começaram a construir a casa, mas então surgiu um pouco de oposição, e eles pararam de construir. Pararam de construir e começaram a construir suas próprias casas. Ficaram ocupados com todas as suas próprias coisas.
Mas o Senhor, mais uma vez, em Seu amor e em Sua misericórdia, levantou Ageu e Zacarias. Ageu disse: “Considerai os vossos caminhos”. Lembro-me de que, algumas semanas atrás, Jerry falou sobre como o Senhor ruge. Não sei, mas, de certa forma, quando Ageu chegou ali, penso que aquela foi uma palavra bem direta.
“Vocês, considerem os seus caminhos. Estão construindo suas próprias casas enquanto a casa de Deus permanece desolada.” Essa não é uma mensagem frouxa. É o rugido do Senhor.
O Senhor ruge nesta hora, e Ele fala de muitas maneiras diferentes. Em Zacarias, vemos uma maneira completamente diferente de o Senhor falar. Ele Se aproxima e oferece esperança. Diz: “Tornai-vos para Mim, e Eu Me tornarei para vós”. Há uma glória vindoura. Há encorajamento nessa maneira de o Senhor Se aproximar.
Vemos como o Senhor usa muitos vasos para transmitir Sua mensagem e encorajar Seu povo a prosseguir. Vemos, no corpo de Cristo, enquanto vivemos hoje, a preciosidade de todos os vasos e as maravilhosas maneiras pelas quais o Senhor nos encoraja a seguir em frente.
Temos mencionado todas as diferentes mensagens que ouvimos ultimamente, sobre arrependimento e justificação. Todas têm um propósito, e a casa de Deus é onde tudo isso está sendo trabalhado. É por meio de muitos vasos, e somos muito gratos por isso.
Quando o Senhor levantou Ageu e Zacarias, nenhuma das circunstâncias externas mudou. Mas o povo se levantou, voltou ao primeiro amor, continuou construindo e concluiu a obra.
As circunstâncias externas e a oposição ainda estavam ali, mas o que mudou? O coração deles mudou. É isso que o Senhor sempre busca: o nosso coração. Eles foram trazidos de volta àquele coração de primeiro amor, àquele coração encorajado e cheio de esperança Nele — de que a obra que Ele começou, Ele completará.
Que esperança nós temos! Gosto muito de estudar 1 Pedro porque Pedro, como dissemos, é um apóstolo da esperança. O povo de Deus precisa de esperança nesta hora, porque estamos vivendo em um mundo sem esperança.
Se olharmos ao redor com nossos próprios olhos, não há muita esperança. Mas, graças ao Senhor, em Cristo, Ele é a nossa esperança. Ele é a nossa fé. Ele é o nosso amor. Ele é a nossa esperança — a viva esperança que vive em nós, restaurada nesta hora, para que possamos prosseguir Nele.
Hoje, gostaria que continuássemos na segunda parte de Esdras. Vamos abrir em Esdras 7.
Esdras voltou com um propósito. Quando ele retornou, mais uma vez o Senhor, em Sua misericórdia, moveu o coração do rei, e veio a autorização: “Quem quiser voltar”. Desta vez, apenas alguns milhares voltaram.
Entre o final de Esdras 6 e o início de Esdras 7, há um período de aproximadamente sessenta anos. Durante esse período, aconteceram os fatos do livro de Ester. Para mantermos as coisas em perspectiva, entre Esdras 6 e Esdras 7 está o período do livro de Ester. Sabemos o que aconteceu durante aquele tempo.
Mais uma vez, o Senhor, em Sua misericórdia, tocou o coração do rei, que promulgou esta proclamação: todo aquele que quisesse poderia voltar. Havia total liberdade — quem quisesse. Alguns milhares voltaram com Esdras.
Esdras tinha um encargo em seu coração, como lemos em Esdras 7:27-28, a respeito do que o rei havia determinado:
“Bendito seja o Senhor, Deus de nossos pais, que pôs tal coisa como esta no coração do rei, para embelezar a casa do Senhor, que está em Jerusalém;
e que estendeu sobre mim a Sua misericórdia perante o rei, os seus conselheiros e todos os poderosos príncipes do rei.
Assim, fortalecido segundo a mão do Senhor, meu Deus, sobre mim, ajuntei dentre Israel os principais para subirem comigo.”— Esdras 7:27-28
Esdras tinha este encargo em seu coração: embelezar a casa de Deus. Essa é uma das coisas sobre as quais queremos compartilhar hoje. O que isso realmente significa? Quando dizemos “embelezar a casa de Deus”, do que estamos falando?
Como introdução, conforme temos ouvido, já não podemos simplesmente perguntar: “O que é a casa de Deus?”. Precisamos perguntar: “Quem é a casa de Deus?”.
Embelezamos a casa de Deus quando há mais de Cristo sendo vivido em nós. Cristo é a casa de Deus. À medida que permitimos que essa vida se manifeste em nós, a casa é embelezada. Nós diminuímos, e Ele aumenta em nosso meio.
Mas, antes disso, gostaria que considerássemos esta pergunta: quem era esse homem, Esdras, o mensageiro de Deus? Quem era esse homem?
Não creio que teremos tempo hoje, então provavelmente faremos isso na próxima semana. Se olharmos para Esdras 9 e Esdras 10, veremos realmente a oração de Esdras e o impacto de seu ministério e de suas ações sobre o povo.
Mas, ao olharmos para Esdras, comecemos com esta pergunta: quem é esse homem, Esdras? À luz de fortalecer as coisas que restam, quem é ele e como foi usado?
Vamos vê-lo primeiro aqui em Esdras 7. Olhem para Esdras 7:1-10. Não vamos ler todos os versículos, por causa do tempo, mas em Esdras 7:1-5 vemos a grande herança de Esdras.
Sua linhagem é apresentada e termina assim em Esdras 7:5:
“Filho de Abisua, filho de Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sumo sacerdote.”
— Esdras 7:5
Esdras tinha uma bela herança. Podia traçar sua linhagem até Arão, o sumo sacerdote. Esdras era sacerdote.
Vemos também em Esdras 7:6:
“Este Esdras subiu da Babilônia; e era escriba hábil na lei de Moisés, que o Senhor, Deus de Israel, tinha dado; e o rei lhe concedeu tudo quanto pedira, segundo a mão do Senhor, seu Deus, sobre ele.”
— Esdras 7:6
Esdras era um escriba hábil na lei. Isso não significa que ele fosse apenas um bom escritor, com boa caligrafia, capaz de copiar a lei muito rapidamente. Não. Algumas traduções dizem que ele era um escriba pronto. A lei estava viva dentro dele.
Quando alguma coisa surgia, ele sabia, de maneira viva, o que a Palavra de Deus dizia e como ela se aplicava àquela situação. Ele estava pronto. Estava capacitado para ser usado por Deus quando fosse necessário trazer a Palavra de Deus. Que homem precioso!
Continuem em Esdras 7:7-9. O texto diz que alguns dos filhos de Israel, sacerdotes, levitas, cantores, porteiros e servidores do templo subiram a Jerusalém no sétimo ano do rei Artaxerxes. Esdras chegou a Jerusalém no quinto mês, porque a boa mão de seu Deus estava sobre ele.
Agora, olhem especialmente para Esdras 7:10, este precioso testemunho de quem era Esdras:
“Porque Esdras tinha disposto o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os estatutos e os juízos.”
— Esdras 7:10
Esdras havia disposto o coração para estudar a lei do Senhor, praticá-la e ensinar Seus estatutos e juízos em Israel.
Quem era esse homem, Esdras, o mensageiro de Deus? Nos círculos judaicos, Esdras é considerado o escriba de Israel. Ele era o escriba de Israel.
Mais uma vez, ele não era apenas um escriba porque sabia copiar coisas. Era alguém que conhecia a lei em seu coração. Havia colocado o Senhor diante de si. Colocou a lei, a Palavra de Deus, diante de si. Estudou-a e a colocou em seu coração. Não apenas a colocou no coração, mas a praticou e, depois, a ensinou.
Como isso é precioso! Uma das coisas que podemos ver em Esdras, quando pensamos nele como mensageiro e na mensagem que tinha, é que o Senhor Se importa tanto com o mensageiro quanto com a mensagem.
O Senhor Se importa tanto com o próprio caráter e a natureza do mensageiro quanto com a mensagem. Muitas vezes, podemos ver um grande contraste entre o mensageiro e sua mensagem. Mas o Senhor deseja que haja harmonia entre eles.
Recentemente, estava lendo Amy Carmichael. Ela fez uma afirmação maravilhosa:
“É a vida vivida que dá força às palavras faladas.”
É a vida vivida que dá força às palavras faladas. Em termos atuais, poderíamos dizer que Esdras vivia o que pregava.
Tudo o que ele dizia era real em sua vida. Ele era a mensagem viva. Ela estava em seu coração. Ela o governava. Ela o dirigia. Ele não dizia uma coisa e fazia outra.
Ele havia sido conquistado pelo Senhor e permitiu que esta Palavra entrasse e realmente operasse dentro dele.
Agora, sabemos que podemos começar a falar sobre a mensagem e o mensageiro e imediatamente nos condenar. Na verdade, só há um mensageiro perfeito. Há um mensageiro perfeito, e esse é o nosso Senhor Jesus. Todos nós, os demais, estamos em processo.
Não nos deixemos condenar. Em nossa vida cristã, é bastante normal haver sempre um pouco mais em que ainda não entramos. Há algo que estamos enxergando, mas sempre há mais em que entrar.
Quando alguém está aqui na frente compartilhando sobre o mensageiro e a mensagem, vocês podem orar por essa pessoa — orem por mim. Isso nos deixa muito conscientes de nós mesmos. Para ser honesto com vocês, é como se nem quiséssemos tocar nesse assunto, porque enxergamos a nós mesmos.
Mas o Senhor, em Sua misericórdia, também nos vê. Ainda assim, Ele não nos desqualifica. Ele diz que todos estamos em processo e que, pela fé, continuamos prosseguindo. Alguém é digno, em si mesmo, de estar aqui na frente? Não. É tudo pela graça de Deus e pela obra que Ele está fazendo na vida de cada um de nós que podemos vir e compartilhar.
Quem são os mensageiros de Deus? Sim, são aqueles que falam. Mas o Senhor Se importa tanto com a harmonia entre a mensagem e o mensageiro.
Podemos ver um grande contraste no Antigo Testamento, com pessoas que falavam a verdade, mas nas quais havia uma grande diferença entre a mensagem e o mensageiro. Uma delas, em particular, era Balaão.
Balaão falava a verdade. Mas, se olhássemos para o caráter de sua vida, veríamos que era motivado pelo dinheiro. Havia essa motivação egoísta. Sim, ele falava a verdade, mas não entrava nela. Essa verdade não era real nele. Ele não praticava a realidade daquilo sobre o que falava.
Também podemos pensar nisso no Novo Testamento, quando o Senhor diz:
“E por que Me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que Eu digo?”
— Lucas 6:46
Há essa resposta, esse fazer e esse praticar aquilo que ouvimos.
Na verdade, esse é um dos testemunhos mais fracos que nós, como povo de Deus, temos hoje nesta terra. Todos sabemos falar — todo esse discurso —, mas, quando o mundo vê o contraste, o testemunho fica enfraquecido.
Uma das coisas preciosas em Esdras é que ele havia dito ao rei que Deus proveria para eles. Esdras estava voltando a Jerusalém e disse ao rei: “Deus proverá para nós”.
Então o rei ofereceu toda essa ajuda. Disse: “Mandarei meu exército com vocês”. Esdras disse: “Não, não. Deus proverá”. Ele praticou aquilo com que o Senhor havia tocado seu coração: “Eu serei plenamente suficiente para que vocês voltem a Jerusalém”.
Então a situação surgiu imediatamente. Esdras dependeria do exército do rei ou dependeria do Senhor? Eles convocaram um jejum, vieram diante do Senhor, o Senhor respondeu e os protegeu.
Esdras chegou a dizer: “Tive vergonha de pedir proteção ao rei, porque havia testemunhado da suficiência de Deus”. Ah, irmãos e irmãs, será que testemunhamos dessa plena suficiência de Deus e, então, quando alguma coisa acontece, corremos para cá ou para lá em busca de ajuda e proteção?
Receio que, pelo menos em minha vida, eu faça isso com muita frequência. Toda essa questão de praticar realmente tocou meu coração. Vejo o contraste em minha vida entre o andar e o falar.
Mas o Senhor — quero deixar isso muito claro — não nos mostra esse contraste para nos condenar e nos dizer que paremos de andar e de falar. Não. Ele nos mostra isso porque nos ama e quer que prossigamos, permitindo que Sua vida opere em nós de tal maneira que possamos seguir em frente e ser um testemunho Dele.
É pela bondade e pela misericórdia de Deus que podemos enxergar essas coisas. Não precisamos acabar desqualificando a nós mesmos.
Há pouco, quando perguntei: “Quem são os mensageiros?”, dissemos: “Aqueles que falam”. É só isso? Não. Na verdade, todos nós somos mensageiros de Deus.
Todos somos mensageiros de Deus em nossos lares, em nossas escolas e em nosso trabalho — onde quer que estejamos. Somos os mensageiros de Deus e temos uma mensagem. O Senhor deseja que essa mensagem seja proclamada e vivida nesta hora.
Mais uma vez, o que o Senhor procura no mensageiro? Quando olhou para as igrejas em Apocalipse 2 e Apocalipse 3, Ele procurava ver aquela mensagem sendo vivida.
Lembrem-se do que Ele disse à igreja em Sardes: “Você tem um nome, mas não está vivo”. Ele não procura simplesmente o nome “cristão”. Ele procura ver a vida de Cristo sendo vivida em nós e expressa em nossa vida.
Como desejamos que o evangelho avance, creio que o maior instrumento de evangelização nesta hora em que vivemos é a vida de Cristo sendo vivida diariamente no povo de Deus. Que o Senhor nos ajude.
Esdras era esse escriba hábil na lei. Como se tornou hábil? Vimos em Esdras 7:10 que ele dispôs o coração para estudar a Palavra de Deus. Dispôs o coração para estudá-la, praticá-la e ensiná-la.
Onde Esdras estava quando dispôs o coração para estudar a Palavra de Deus? Estava na Babilônia. Estava em condições e circunstâncias terríveis, mas não permitiu que as circunstâncias de sua vida determinassem o relacionamento de seu coração com Deus.
Sei que, em minha própria vida, permito que as circunstâncias externas determinem muitas coisas que faço. Mas agradeço ao Senhor porque Esdras, embora estivesse em situações terríveis na Babilônia, dispôs o coração para estudar.
Ele não esperou que as circunstâncias mudassem. Estudou. Dispôs o coração naquele dia. Quando somos chamados a dispor o nosso coração? Hoje.
Sempre podemos esperar pelo amanhã: “Amanhã vou estudar a Palavra. Quando tiver mais tempo, farei isso. Amanhã, amanhã”. Mas o Senhor está dizendo: “Hoje”. Dispomos o coração para estudar Sua Palavra com a intenção de praticá-la e aprender Dele, para que Sua vida seja vivida em nós.
Esdras tinha esse desejo não apenas de estudar, mas de praticar. Não havia essa vida dupla. Ele não tinha uma vida em que estudava a Palavra e depois seguia seu próprio caminho.
É interessante olhar para Esdras 7:10, porque o texto diz: estudar, praticar e ensinar. Muitas vezes, por que estudamos? Estudamos para ensinar. Esquecemos toda a parte do meio — o ponto central disso.
Podemos estudar para ensinar alguma coisa. Mas é possível perceber a diferença. Todos sabemos disso, pois tivemos diferentes professores. Dá para perceber a diferença entre um professor que tem conhecimento intelectual de um assunto e outro que estudou, sim, mas depois praticou e ensina a partir da vida.
Como essas aulas eram mais ricas! Posso me lembrar dos meus tempos de escola. Não digo isso com muita frequência, mas sou de Petersburg — não se fala isso muito alto.
É interessante como me lembro de estudar história naquela época. Obviamente, todos os anos estudávamos a história da Virgínia. Mas dava para perceber a diferença entre um professor que havia vindo de fora da Virgínia, estudava o livro didático na noite anterior e depois tentava dar a aula, e aqueles professores que haviam crescido na Virgínia.
Eles haviam percorrido aqueles campos de batalha. Haviam caminhado por aqueles lugares. Compartilhavam porque tinham estado ali e, em certo sentido, haviam praticado aquilo. Conheciam aquilo. Era parte deles, e se expressava com vida.
Irmãos e irmãs, como precisamos praticar todas as coisas preciosas que ouvimos! Lembrem-se: o Senhor disse para trazê-las à memória, colocá-las em prática e fazer tudo o que Ele nos deu.
Há outra coisa preciosa a respeito de Esdras. As Escrituras dizem que a mão do Senhor estava sobre ele. O que isso significa?
Para mim, no caso de Esdras, isso simplesmente significava que ele tinha experiência de viver com o Senhor. Tinha a experiência de viver a Palavra. Esdras era um homem equilibrado.
Ele não apenas tinha a Palavra dentro de si, mas também tinha a experiência de vida. Havia visto a mão de Deus abrir a porta para voltar. Havia visto a mão de Deus protegê-lo no caminho de volta. Tinha esta Palavra e tinha a experiência.
Muitas vezes, podemos ter apenas a Palavra, sem experiência, e então acabamos no legalismo, em uma teologia morta ou no mero intelectualismo. Em outras ocasiões, podemos ter experiência sem a Palavra, e então facilmente caímos no engano.
Podemos começar a desejar uma experiência. Sabem, podemos ter uma experiência meramente da alma. Mas Esdras tinha a Palavra, e da Palavra vinha a experiência. Ele era equilibrado.
O que Esdras tinha não era uma experiência somada à Palavra. À medida que vivia a Palavra de Deus, a vida se manifestava e produzia uma experiência daquela Palavra.
Como, às vezes, procuramos apenas uma experiência! O inimigo pode nos enganar com muitas delas, e nossa própria alma pode ficar muito satisfeita com elas. Mas Esdras sabia que a experiência vinha de viver a Palavra de Deus.
Ao buscarmos o Senhor, termos nossos momentos de comunhão em torno da Bíblia e meditarmos nestes versículos, deixamos a Palavra entrar. Então podemos desfrutar das experiências que essa Palavra nos proporciona ao longo dos nossos dias.
Esdras trouxe a Palavra de Deus para fortalecer o povo. Se pensarmos no livro de Atos, que acabamos de estudar, como a igreja era fortalecida naquela época? Ao longo de todo o livro de Atos, vemos como a Palavra de Deus crescia, se expandia e continuava a avançar.
Foi por meio desta preciosa Palavra de Deus, viva e eficaz, que a igreja no livro de Atos cresceu. Ah, que aproveitemos as oportunidades que temos hoje!
Quando temos essas experiências com o Senhor, como sabemos se são do Senhor ou não? Existe um teste? Como sabemos se aquilo que experimentamos é do Senhor?
De certa maneira, poderíamos dizer que uma das maiores experiências de todos os tempos foi o dia de Pentecostes. Eles falavam em línguas, havia fogo, e houve uma grande experiência de coisas que nunca haviam experimentado antes.
Como souberam que aquilo era de Deus? Como a experiência de Pentecostes foi confirmada? Pedro se levantou e a confirmou com a Palavra de Deus. Disse: “Isto é aquilo”.
“Isto é aquilo de que Joel falou.” A Palavra de Deus confirmou a experiência que eles estavam tendo.
Se olharmos para a vida do nosso Senhor Jesus, mesmo quando os discípulos de João Batista foram perguntar a Ele: “És Tu Aquele que havia de vir?”, como nosso Senhor Jesus respondeu? Ele confirmou isso com a Palavra de Deus, a partir de Isaías 35.
Ele disse que os cegos veriam, os coxos andariam e os surdos ouviriam. A Palavra de Deus confirmou isso. Sabemos como a Palavra de Deus, repetidas vezes, confirmou até mesmo Seu nascimento: “Para que se cumprisse a Palavra de Deus”.
Há uma relação entre a experiência e a Palavra de Deus. Se temos experiências que não são confirmadas pela Palavra de Deus, precisamos voltar e examiná-las com cuidado. Qual foi a sua origem?
Toda vez que temos uma experiência maravilhosa com o Senhor, ou qualquer tipo de experiência, precisamos voltar e perguntar: “Isto é aquilo?”. Então a Palavra de Deus dirá: “Isto é aquilo. É isto em que você está entrando”.
Assim como Pedro pôde testemunhar: “Isto é aquilo de que Joel havia falado”, também precisamos da Palavra de Deus nesta hora. Há muitas experiências em nome do Senhor, mas isso as confirma? Não.
Precisamos ser cuidadosos, especialmente à medida que se aproxima o dia de Seu retorno. Precisamos estar atentos a tudo o que está acontecendo.
Como mencionei, esta expressão sobre como Esdras praticava e cumpria a Palavra de Deus tocou meu coração de uma maneira nova. Vejo que tenho muito mais conhecimento do que prática.
Mas agradeço ao Senhor porque, à medida que nos entregamos a Ele, Ele nos dá oportunidades de entrar nisso. Se olharmos para a casa de Deus, veremos este tema recorrente em Moisés, Davi e Esdras.
Foi dito de Moisés que ele era fiel em toda a casa de Deus. Como ele era fiel em toda a casa de Deus? O que está escrito sobre Moisés naqueles livros em que ele construía o tabernáculo? Ele fez tudo o que Deus ordenou.
Ele praticou o que Deus havia ordenado. Por isso, era fiel em toda a casa de Deus.
Pensamos em Davi em relação à casa de Deus. Embora tenha acabado não a construindo, pensem na preparação que fez. Gostamos muito daquela pequena expressão: Davi era um homem segundo o coração de Deus.
Mas como ele era um homem segundo o coração de Deus? Conhecemos a segunda parte daquele versículo? Ele era um homem segundo o coração de Deus porque era um homem que faria toda a vontade de Deus.
Como Davi fez toda a vontade de Deus? Serviu ao propósito de Deus em sua geração. Como servimos ao propósito de Deus em nossa geração? Simplesmente fazemos a vontade de Deus. Aquilo que Ele nos fala, nós fazemos. Pela fé, prosseguimos e praticamos.
Vemos o exemplo mais belo e perfeito disso em nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto estava nesta terra, preparando-Se para reunir todo o material para a casa de Deus, até mesmo no Getsêmani Ele disse:
“Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.”
— Lucas 22:42
Ele foi um servo obediente na casa de Deus. Foi fiel. Em certo sentido, Ele é a casa, mas foi o Fiel que entregou Sua vida para que pudéssemos entrar nela.
Essa é, de fato, a beleza da casa: Cristo.
Enquanto pensava em praticar tudo o que ouvimos, estava pensando em palavras como justificação, arrependimento e perdão. Quanto realmente entramos na plenitude do que essas coisas são?
De certa maneira, não creio que cheguemos a entrar plenamente. Estamos sempre na escola de Cristo. Sempre aprenderemos mais e mais sobre a nossa justificação. Sempre aprenderemos mais e mais sobre o perdão.
Como somos rápidos em exigir perdão, mas como podemos encontrar justificativas para não perdoar outra pessoa: “Ah, não preciso perdoá-la. A culpa foi dela”. Podemos encontrar justificativas para deixar de perdoar.
Arrependimento — mais uma vez, precisamos entrar em tantas dessas coisas e praticá-las de maneira mais plena. Muitas vezes falamos da breve volta do Senhor, mas a breve volta do Senhor teve algum impacto, por menor que seja, em nossa vida?
Estou vivendo de maneira diferente agora do que vivia antes de realmente considerar a breve volta do Senhor? Isso está afetando minha vida?
Falamos de consagração e de todas essas diferentes coisas. Elas estão afetando nossa vida de tal maneira que diminuamos e Cristo Se manifeste? Ou apenas usamos esses termos? Falamos da casa de Deus.
Esta revelação da casa de Deus — a revelação de mais de Cristo —, quando realmente a enxergarmos, revolucionará nossa vida. Um irmão disse que a revelação levará à revolução.
Quando o Senhor nos revela algo, isso revolucionará nossa vida. Nossa vida foi revolucionada, ou simplesmente continuamos seguindo nosso próprio caminho, tranquilamente, acumulando cada vez mais daquilo que ouvimos e conhecemos?
Qual é o melhor lugar para praticar o que ouvimos? Vocês sabem qual é o melhor lugar para praticar? É a casa de Deus.
O Cabeça da casa tem um plano maravilhoso para nós. Ele o realizará. Você quer aprender? Peça a Ele. “Senhor, realmente não entendo o perdão. Senhor, realmente não entendo alguns aspectos disso.”
Ele organizará essas circunstâncias porque ama tanto você. De repente, somos introduzidos nisso.
Falamos da casa de Deus e de como queremos estar juntos, mas, na verdade, se formos honestos, há algumas pessoas que preferiríamos que se sentassem daquele lado da sala, enquanto nos sentamos deste lado.
Mas, se realmente enxergarmos a casa de Deus e nos oferecermos a Ele, Ele nos aproximará daquela pessoa. De repente, estamos trabalhando juntos, andando juntos, entrando em conflito e lutando juntos para superar isso.
Você já teve uma discussão com um irmão ou uma irmã na casa de Deus? Isso, na verdade, é um privilégio maravilhoso. Agora, não saiam por aí começando brigas.
Mas, se realmente lutarmos para superar alguma coisa e perseverarmos até o fim, nosso relacionamento será mais forte, porque está fundamentado em Cristo. Sim, podemos ter um conflito e bater de frente, mas também acabamos aos pés da cruz, tendo Cristo como nosso caminho para superar aquilo.
Cristo nos mantém unidos, e Cristo é o nosso relacionamento.
Veremos como Esdras enfrentou algumas coisas diretamente. Ele bateu de frente com aquelas pessoas, porque, na verdade, é isso que faz um pacificador. Mais adiante, falaremos sobre como há gente demais na casa de Deus que apenas procura evitar conflitos.
Gostamos de nos separar e manter a calma, mas o Senhor veio fazer a paz. Às vezes temos conflitos, mas é assim que as coisas são resolvidas.
Pedro e Paulo tiveram aqueles confrontos. Gosto muito de como Paulo confrontou Pedro, na carta aos Gálatas, e o repreendeu publicamente. Ele o enfrentou, diante de todos, e disse: “Você voltou a todos esses caminhos legalistas”.
Como Pedro se referiu a Paulo mais tarde? “Este é meu amado irmão Paulo.” Meu amado irmão. Eles resolveram aquilo. Depois disso, estavam mais fortes em seu relacionamento em Cristo do que antes.
Espero que, nesta semana, ninguém saia por aí começando brigas. Mas captem o espírito do que estamos tentando transmitir aqui.
Louvado seja o Senhor por pessoas como Esdras. Que pudéssemos enxergar em Esdras o desejo do Senhor de que a mensagem e o mensageiro estejam em harmonia.
Esdras vivia o que pregava. Agradeço ao Senhor pela vida dele, por como foi fiel em estudar, fiel em praticar a Palavra e fiel em ensinar a Palavra. Que tenhamos pessoas nesta hora — já que todos somos mensageiros de Deus — que aprendam com Esdras e sejam encorajadas por ele.
Que deixemos os lugares confortáveis, os palácios da Babilônia. Esdras tinha uma ótima posição ali; o rei o conhecia. Mas abandonou tudo para ir morar naquela pequena cidade arruinada de Jerusalém, no meio de pessoas que lhe partiriam profundamente o coração e o decepcionariam quando ele visse a condição delas.
Mas a mão do Senhor estava sobre ele, e ele respondeu a essa mão. Que aprendamos com Esdras.
Em Esdras 7 e Esdras 8, uma das coisas que mencionamos é que Esdras voltou para embelezar, ou fortalecer, a casa de Deus.
Quando Esdras voltou, levou prata e ouro — a provisão do rei e as ofertas voluntárias — e utensílios para a casa de Deus. Trouxe essas coisas para que pudessem ser usadas.
Sabemos que a prata fala da obra de Cristo, dessa obra redentora de Cristo. O ouro fala do próprio caráter e da natureza de Cristo. Aqueles utensílios eram vasos para o serviço na casa de Deus.
O rei também havia decretado que aqueles que serviam — os sacerdotes e os levitas, que antes precisavam pagar impostos — não teriam de pagar impostos. Estavam livres para servir.
Irmãos e irmãs, quando hoje temos esse desejo de embelezar a casa de Deus, tudo nos leva de volta a ter mais de Cristo e a expressar mais de Cristo em nossa vida, individualmente e em conjunto, para que Ele aumente.
Quando pensamos em algo belo, o que é beleza? Como contador, normalmente não penso: “Que balanço patrimonial ou planilha bonita”. Mas o que é beleza?
Para mim, a beleza é uma daquelas coisas que são difíceis de definir exatamente, mas você a reconhece quando a vê. Você pode ver dez pores do sol e, então, um deles é belo. Pode ver uma árvore ou diferentes coisas e, de repente, uma delas é bela.
Há algo nela. Há equilíbrio. Há simetria. Tudo está no lugar certo, e você enxerga o todo. Enxerga sua completude.
Nada está fora do lugar ou é inadequado a ponto de distorcer a imagem. Você olha e vê o conjunto inteiro.
Qual é a beleza da casa de Deus? Davi tinha um desejo: habitar naquele templo e contemplar a beleza do Senhor. Quando vemos a vida do nosso Senhor Jesus, vemos essa beleza do Senhor. Ele é a beleza da casa.
Há simetria e equilíbrio. Tudo em nosso Senhor está no lugar certo e em funcionamento. Vemos Sua plenitude e completude.
Era isso que o Senhor procurava naquelas cartas às igrejas em Apocalipse. Ele procurava ver Sua própria plenitude e completude.
O que pode anular a beleza? Se dizemos que há beleza nesta casa, o que anula essa beleza? De maneira simples, talvez possamos dizer que é quando algo é retirado ou acrescentado àquela beleza original.
Você tem uma bela cena ou imagem, mas alguma coisa é retirada dela, e isso a desequilibra. Ou alguma coisa é acrescentada, e começa a distorcê-la. De repente, a beleza, a intenção e o propósito originais já não são vistos.
O Senhor deseja que a beleza da vida de Cristo seja expressa em Sua casa. De tantas maneiras, permitimos que coisas sejam retiradas ou acrescentamos coisas, de modo que já não vemos a beleza do Senhor.
Podemos pensar na carta à igreja em Éfeso, em que Ele diz: “Abandonaste o teu primeiro amor”. Aquele primeiro amor foi retirado. Havia coisas que foram retiradas.
Podemos ver, no cristianismo de hoje, diferentes aspectos do Senhor que foram retirados: o Espírito Santo, a Palavra de Deus e a cruz. Muitos estão crescendo hoje em um cristianismo sem cruz. A cruz não é uma mensagem popular.
Tantas coisas acabam sendo retiradas, e não estamos contemplando a plena beleza do Senhor — a beleza da casa — porque faltam coisas.
É por isso que Esdras era tão hábil na lei. Ele conhecia tudo o que precisava estar ali. Temos um exemplo em Esdras 8. Eles estavam se preparando para voltar, e esse escriba hábil olhou ao redor e disse: “Esperem um pouco, está faltando alguma coisa. Não há levitas”.
Não havia nenhum daqueles que deveriam servir na casa de Deus. Os sacerdotes exerciam sua função sacerdotal, ministrando ao Senhor, mas os levitas também eram chamados a ministrar na casa, ministrar ao povo e ajudar o povo.
Esdras parou porque havia pessoas designadas por Deus para exercer determinada função, e elas não estavam ali. Ele parou, mandou buscá-las e, graças ao Senhor, elas vieram. Então prosseguiram.
No Novo Testamento, na nova aliança, os sacerdotes e os levitas são um. Todos somos sacerdotes e levitas para Deus. Ministramos a Ele e servimos na casa e uns aos outros. Ajudamos uns aos outros. Caminhamos ao lado uns dos outros.
Essa função está em andamento, e todos nós fomos feitos sacerdotes.
É interessante como, no Antigo Testamento, quando contavam os homens de Israel que sairiam para a guerra, diziam: “De vinte anos para cima”. Mas vocês sabem a partir de que idade começavam a contar a tribo de Levi? Desde o nascimento.
Os levitas eram contados a partir de um mês de idade. Irmãos e irmãs, quando nascemos de novo, um dos aspectos do nosso nascimento é que nascemos como sacerdotes.
Não é preciso esperar até a maturidade para servir. Não é preciso esperar para entrar nisso. Nascemos, e Ele quer que entremos e cumpramos esse ministério vital como sacerdotes, servindo uns aos outros para Ele.
É por isso que isso é tão precioso. Temos mencionado a preciosa oportunidade de servir no dia de mutirão. É precioso quando as famílias estão aqui juntas.
É triste como podemos desejar que nossos filhos sirvam ao Senhor, mas será que realmente estamos lhes dando oportunidades de entrar nesse serviço sacerdotal e levítico?
É maravilhoso quando as famílias vêm no dia de mutirão e os pequenos, desde cedo, aprendem a servir na casa de Deus. Quando fazemos visitas, quando as famílias fazem coisas umas com as outras, é maravilhoso como as crianças podem ver e aprender, ainda pequenas, a servir na casa de Deus e a servir aos irmãos e às irmãs.
Podemos ficar tão ocupados com muitas coisas, mas precisamos estar conscientes de que devemos proporcionar oportunidades para nossos filhos servirem — não apenas aqui no domingo, não apenas dentro dos limites deste prédio.
Às vezes, gostaria que não tivéssemos um prédio, mas temos, e sou grato por ele. Que ninguém entenda isso da maneira errada. Sou muito grato por ele; aquilo foi um exemplo.
Mas, às vezes, até nossas bênçãos podem nos limitar, porque podemos pensar inconscientemente que o serviço está relacionado a um lugar. Isso é teologia do Antigo Testamento. O serviço está relacionado à vida, à medida que temos vida juntos e compartilhamos a vida uns com os outros.
Que não permitamos que os mais novos percam essa preciosa oportunidade de servir e visitar, e que nós também não a percamos.
Por que não servimos? Por que não entramos em tudo o que o Senhor tem para nós? Pode haver tamanha falta, tamanha retirada daquilo que o Senhor deseja. Podemos pensar que outra pessoa fará isso, pensar que não somos dignos ou talvez simplesmente não queiramos fazer aquilo. Queremos fazer isto.
Mas o Senhor coloca cada um de nós exatamente em um lugar para servir. É como aquela pequena expressão: “Cresça onde você foi plantado”. Queremos crescer em outro lugar, mas o Senhor nos colocou nestas circunstâncias e organiza as coisas exatamente onde estamos.
Ele nos colocou aqui. Ele nos colocou juntos. Vamos permitir que Ele realmente nos faça crescer e nos introduza nisso.
Há outro aspecto de retirar coisas. Podemos desequilibrar as coisas. Vemos isso em muitos lugares. No livro de Atos, vemos uma bela expressão da vida do Senhor em conjunto.
Eles perseveravam no partir do pão, no ensino dos apóstolos, na oração, na comunhão e na propagação do evangelho. Havia ali um maravilhoso equilíbrio de vida.
Mas, muitas vezes, nos concentramos em um aspecto dessa vida, e isso desequilibra o conjunto inteiro. Podemos nos concentrar na oração e dizer: “Ah, precisamos ser uma casa de oração”, e então tudo o que fazemos é ser uma casa de oração, esquecendo todo o restante.
Ou dizemos: “Ah, precisamos ter adoração”, então temos um centro de adoração, e tudo o que fazemos é adorar. Poderíamos continuar dando exemplos. Essas coisas do Senhor podem, de alguma forma, levar à negligência de outros aspectos.
Há um equilíbrio nesta vida. O Cabeça nos conduzirá, nos guiará e nos dirigirá a isso. Que não saiamos desse equilíbrio. Se nos encontrarmos desequilibrados, que o Senhor nos sonde e nos permita voltar, para que aquilo seja fortalecido.
Pensem no evangelho. É como se houvesse dois extremos em relação ao evangelho: ou tudo é evangelização, ou não há evangelização alguma. Não creio que nenhum desses dois extremos esteja certo. Há um caminho na vida pelo qual podemos encontrar o Seu caminho enquanto prosseguimos.
Se permitimos que alguma coisa entrasse e prejudicasse o equilíbrio e a beleza que o Senhor deseja para Sua casa e para Cristo, que o Espírito Santo nos toque.
Também mencionamos como podem ser acrescentadas coisas que afetam a beleza. Podemos chamar isso de situação “Jesus mais alguma coisa”. Temos o Senhor, mas temos algo mais.
Se olharmos ao longo da história, ao nosso redor hoje e nas Escrituras, podemos ver isso. Às vezes é Jesus mais um homem. Os coríntios tinham Paulo e Apolo. “Vamos seguir por este caminho.”
Porque um homem foi grandemente usado por Deus, podemos nos reunir ao redor dele. Podemos fundamentar nossa reunião na forma de governo que um lugar possui. Diferentes coisas podem surgir. É a situação “Jesus mais alguma coisa”.
Já ouvi pessoas dizerem que gostam de se reunir aqui porque temos uma pluralidade de líderes. Agradeço ao Senhor porque Ele tem um governo e, de fato, há uma pluralidade de líderes. Mas essa é a base da nossa reunião? Não.
A base da nossa reunião é Cristo e o desejo de ser um testemunho Dele. As pessoas podem dizer: “Gostamos de ter adoração com participação livre”. Nós nos reunimos aqui porque temos adoração com participação livre? Não. Nós nos reunimos aqui para ser um testemunho de Cristo.
Outros dizem: “Eu me reúno aqui por causa do ministério infantil. Eu me reúno aqui por causa disto ou daquilo”. Há uma razão para nos reunirmos: ser um testemunho do nosso Senhor Jesus Cristo.
Que não acrescentemos nada a isso nesta hora. Podemos dizer que gostamos de nos reunir aqui porque temos um ótimo ensino — especialmente hoje, estamos recebendo uma ótima mensagem. Estou apenas conferindo se vocês ainda estão acordados.
Temos mais alguns minutos aqui. Foram buscar a pizza; ainda não chegaram, então podem ficar tranquilos.
Mas podemos elevar o ensino e nos tornar um centro de ensino. O Senhor quer que contemplemos a beleza. Há equilíbrio e plenitude nisso.
Podemos nos concentrar no tipo de prédio: “Ah, precisamos ter uma igreja que se reúna em casa”. Alguém pode se concentrar no tamanho do grupo: “Não pode haver mais do que determinado número de pessoas”. É curioso como podemos pegar essas coisas e torná-las a razão da nossa reunião.
Em vez disso, deve haver aquele simples desejo de ser um testemunho do nosso Senhor Jesus Cristo e de que Seu desejo seja expresso. Que voltemos a isso.
Há outra coisa, para concluir, que se acumula e diminui a beleza da casa. À medida que envelheço, percebo isso cada vez mais: é a ferrugem.
Talvez estejamos muito enferrujados nestes dias em certas coisas. Se você tem uma ferramenta, que tipo de ferramenta enferruja?
Se você tem uma ferramenta novinha — ainda com aquela pintura protetora, seja uma enxada ou um rastelo —, algo que nunca usou geralmente não enferruja, porque tem aquele revestimento protetor.
O que enferruja? São as ferramentas que você usava, mas já não usa. Elas criam ferrugem.
Coisas que tínhamos, coisas que antes eram valiosas, coisas que usávamos — elas criam ferrugem quando as deixamos de lado.
Por que as deixamos de lado? Trazendo isso para a casa de Deus, talvez tenhamos ficado ofendidos. Talvez costumássemos oferecer uma oração de gratidão e adoração todos os domingos pela manhã, mas alguém pode ter nos dito alguma coisa, e ficamos ofendidos.
“Bem, vou simplesmente me sentar e ficar calado. Se não gostam disso, não vou mais orar.” Então nossa vida de oração e nossa vida de adoração enferrujam.
Servimos aos irmãos e às irmãs. Passamos a tarde inteira preparando uma refeição para alguém, e isso nem sequer é valorizado. “Bem, não vou preparar mais nenhuma refeição para eles. Não vou fazer mais nada.” Então nossa hospitalidade começa a enferrujar.
São coisas que precisamos considerar. Eu estava pensando até mesmo nessa coisa simples chamada visitação — estar uns com os outros, seja qual for o termo que vocês queiram usar.
Podemos ficar enferrujados nisso. Isso prejudica a beleza do Senhor.
Como a maioria de vocês sabe, sou muito grato pelos e-mails e por todas essas outras coisas. Mas toda bênção também traz um lado negativo. Com o telefone, os e-mails, as mensagens instantâneas e tudo o mais, podemos perder esse contato pessoal.
Vocês sabem como é bom simplesmente poder ir e sentar na casa de alguém, tomar uma xícara de café, uma xícara de chá, sair para almoçar ou tomar café da manhã com alguém?
Há algo nesse contato pessoal que, nesta era da tecnologia, podemos ignorar, enganando nossa consciência e pensando: “Bem, mandei um e-mail para eles nesta semana”. Agora, isso é bom. Não quero levar isso longe demais. Isso também pode ser uma coisa boa.
Mas não deixem que isso substitua o contato pessoal na casa de Deus. Somos pedras vivas. O Senhor deseja nos edificar juntos.
Onde permitimos que coisas enferrujassem em nossa vida — coisas que antes eram valiosas, coisas que eram usadas pelo Senhor, mas que, por alguma razão, deixamos paradas e um pouco enferrujadas —, que o Senhor traga Seu WD-40, o Espírito Santo, e limpe tudo isso.
Que Ele nos leve de volta a usar essas coisas. Lembrem-se do que Ele disse à igreja em Sardes: “Lembrem-se. Despertem. Completem a obra que Ele começou”.
Estávamos usando aquela ferramenta para fazer determinada obra e, então, paramos. Despertem. Lembrem-se do que ouviram. Usem isso, e vamos continuar prosseguindo juntos. Essas são as coisas preciosas do Senhor que podemos enxergar.
Talvez possamos encerrar aqui hoje e, na próxima semana, considerar como Esdras foi realmente usado para tratar das questões de pecado e falta de santidade no povo de Deus, em Esdras 9 e Esdras 10, e como, por meio disso, a beleza foi restaurada à casa de Deus.
Mas agradecemos ao Senhor por esse homem, Esdras, e por seu encargo de embelezar a casa. Oramos para que o Senhor opere em nós de tal maneira que reconheçamos que somos Seus mensageiros e que temos uma mensagem.
Que estudemos essa mensagem. Que pratiquemos essa mensagem. Que nossa vida ensine e seja um testemunho dessa mensagem para os outros.
Em nossa vida, individualmente e em conjunto, se de alguma forma a beleza do Senhor foi diminuída — se alguma coisa entrou para dissipar essa beleza, se coisas foram retiradas, se coisas foram acrescentadas, se nos distraímos ou se estamos enferrujando —, que o Espírito Santo nos sonde.
Que realmente sejamos aqueles que se posicionam para que a beleza do Senhor seja recuperada em nosso meio nos dias em que vivemos. Vamos orar.
Senhor, começamos esta manhã com a bondade e o amor de Deus manifestados em nosso Senhor Jesus Cristo. Senhor, vemos como isso ainda está tão presente em Teu coração: que o amor de Cristo, a própria vida de Cristo, seja manifestado por meio do Teu povo nesta hora.
Senhor, agradecemos pela ajuda que nos dás. Agradecemos, Senhor, porque, em Teu amor, Tu tocas naquelas áreas em que, consciente ou inconscientemente, de maneira sutil, permitimos que coisas nos roubem a beleza do Senhor.
Opera em nós, Senhor, onde não estamos permitindo que a mensagem se torne uma realidade maior em nossa vida.
Senhor, clamamos por Tua misericórdia, para que possamos receber e nos valer da ajuda que Tu nos ofereces neste momento de necessidade. Em Teu precioso nome. Amém.