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    Christian Leadership #2: The Necessity Of Anointing © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Christian Leadership #2: The Necessity Of Anointing
    Christian Leadership #2: The Necessity Of Anointing
    Lambert, Lance

    A Necessidade da Unção na Liderança Espiritual

    Talvez possamos começar esta sessão da tarde abrindo a Epístola aos Romanos, no capítulo 15.

    Leitura das Escrituras

    Vamos ler a partir de Romanos 15:17.

    Tenho, pois, de que me gloriar em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus. Porque não ousarei falar de coisa alguma senão daquelas que Cristo realizou por meu intermédio, para a obediência dos gentios, por palavra e por obra, no poder de sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo; de modo que, desde Jerusalém e seus arredores até o Ilírico, tenho anunciado plenamente o evangelho de Cristo; sim, fazendo disso meu propósito: anunciar o evangelho não onde Cristo já havia sido nomeado, para não edificar sobre fundamento de outro.

    Agora, em 1 Coríntios 2:1, vamos começar a leitura.

    E eu, irmãos, quando fui ter convosco, não fui com excelência de palavras ou de sabedoria, anunciando-vos o testemunho de Deus. Porque determinei nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado. E estive convosco em fraqueza, em temor e em muito tremor. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder: para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

    Agora, vocês poderiam sublinhar estas palavras nessas duas passagens? Em Romanos 15:18-19, Paulo fala das coisas que Cristo realizou por seu intermédio:

    Por palavra e por obra, no poder de sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo.

    Novamente, em 1 Coríntios 2:4-5:

    A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder: para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

    Então, se vocês puderem abrir mais uma vez, agora em 1 Tessalonicenses 1:5, vamos ler.

    Porque o nosso evangelho não chegou a vós somente em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e em muita certeza; como bem sabeis que homens fomos entre vós, por amor de vós.

    Oração Inicial

    Agora, vamos nos inclinar juntos para uma breve oração?

    Senhor, nós Te pedimos que livres este tempo, nesta tarde, de toda futilidade ou vaidade de qualquer espécie. Tu sabes, Senhor, que as sessões da tarde nunca são as mais fáceis, física ou mentalmente. Mas nós Te pedimos, Senhor, que vivifiques de tal maneira nosso corpo e nossa mente que sejamos capacitados, Senhor, a receber de Ti.

    Pela fé, Senhor, juntos nos firmamos na provisão que Tu fizeste para este momento específico, para que possamos nos encontrar Contigo e para que algo seja depositado em nós pelo Espírito Santo. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    Esclarecimentos sobre a Autoridade Espiritual

    Na outra tarde, ao tratar da liderança cristã — da liderança espiritual —, falei sobre a verdadeira autoridade. Naturalmente, o que eu disse naquela ocasião deve ter levantado, e de fato levantou, muitas perguntas. Muitos de vocês fizeram várias perguntas.

    Gostaria de dizer apenas uma coisa para esclarecer qualquer mal-entendido. Quando disse que vocês nunca devem dominar aqueles que foram confiados aos seus cuidados, eu não estava pensando nas crianças da escola dominical nem no trabalho com jovens. Naquele contexto, eu estava realmente pensando nos adultos.

    É muito fácil abusar da autoridade e, assim, colocar a si mesmo — sua história, sua vida, sua experiência — no lugar de uma experiência própria e de uma percepção pessoal do Senhor na pessoa que está sob sua responsabilidade. Isso é algo com que você e eu precisamos ter muito cuidado.

    É por isso que, pessoalmente, eu nunca exerceria autoridade sobre um irmão ou sobre irmãos, a menos que eles primeiro viessem me pedir e eu percebesse que estavam em uma condição na qual isso não lhes faria mal. Causamos grandes danos uns aos outros quando dominamos uns aos outros, pois impedimos o crescimento uns dos outros.

    Agora, esse é um assunto muito delicado, e precisaríamos de muito mais tempo para conversar sobre ele. Mas eu queria apenas esclarecer esse ponto.

    Eu também disse outra coisa que parece ter sido um pouco mal compreendida por pelo menos uma pessoa. O Sr. Sparks não me disse que eu não deveria me casar; ele me disse que eu não deveria celebrar casamentos.

    Espero, então, ter esclarecido esses dois pontos da nossa primeira sessão.

    A Necessidade da Unção

    Agora, nesta segunda sessão sobre liderança espiritual, gostaria de introduzir — não poderemos tratar dele adequadamente — o assunto da unção: a necessidade da unção.

    A primeira coisa que gostaria de dizer, logo de início, é que há um fato extraordinário: no Antigo Testamento, tudo o que Deus usava, ou toda pessoa que Deus usava, era ungido.

    Em outras palavras, sob a antiga aliança, a partir do momento em que Deus passou a ter um povo, tudo o que era separado para Ele era ungido.

    O sumo sacerdote e os sacerdotes eram ungidos: Êxodo 29:29 e Êxodo 28:41. O rei — todos os reis — era ungido: 1 Samuel 10:1. O profeta era ungido: 1 Reis 19:16 ou Salmos 105:15. Todos esses que Deus usava — profeta, sacerdote e rei — eram ungidos.

    Além disso, tudo no tabernáculo era ungido. Todos os móveis da tenda da congregação eram ungidos: o candelabro, a mesa dos pães da proposição, o altar de ouro do incenso e a própria tenda da congregação. O altar de bronze era ungido. A bacia era ungida.

    Se vocês quiserem as referências bíblicas disso, elas estão em Êxodo 30:26-28. Tudo era ungido.

    Isso deve ter um significado muito real e importante para todos nós. Por que Deus tomou tanto cuidado para que tudo fosse não apenas aspergido com sangue, mas também ungido com o óleo sagrado da unção?

    Cristo como o Ungido

    Gostaria, então, de destacar outro fato muito instrutivo. O próprio termo Messias, em hebraico, significa “Ungido”.

    Usamos a forma aportuguesada da palavra grega do Novo Testamento, Cristo, do grego Christos. A palavra grega significa o mesmo que a hebraica. É o equivalente do termo hebraico: significa “o Ungido”. O Messias era o Ungido.

    Acho isso muito, muito importante, especialmente quando vocês entendem que encontramos uma pequena expressão que percorre todo o Novo Testamento, relacionada a cada aspecto da nossa salvação, da nossa vida cristã, da vida da igreja e do serviço a Deus. É a pequena expressão “em Cristo”.

    Isso simplesmente significa que todo verdadeiro crente, todo crente nascido de novo, está no Ungido. Essa é a sua posição. Ele está Naquele que é ungido.

    Agora, parece-me muito estranho que alguém possa estar no Ungido e desconhecer a unção — estar no Ungido e, de alguma forma, nunca chegar à sua própria experiência do que é ser ungido.

    A Unção do Senhor Jesus

    Outro fato muito instrutivo e fundamental é que o Senhor Jesus nasceu do Espírito. Não creio que precise me deter nesse ponto aqui nesta tarde.

    Sabemos, pelo Evangelho segundo Lucas e por outras passagens das Escrituras, que o Senhor Jesus nasceu do Espírito Santo. O Espírito Santo habitava no Senhor Jesus como jamais havia habitado em qualquer outro ser humano.

    Como homem, inteiramente à parte de Sua divindade, o Espírito Santo habitava no Senhor Jesus. Ele nasceu do Espírito. Não consigo conceber qualquer momento da vida do Senhor Jesus em que Ele não estivesse cheio do Espírito, em que o Espírito não habitasse Nele.

    Mas, quando Ele tinha trinta anos — como nosso irmão Stephen destacou, a idade em que o levita ou sacerdote iniciava efetivamente seu serviço —, Ele foi ungido com o Espírito Santo e com poder.

    Lembrem-se: Ele desceu ao rio Jordão e ali, enquanto era batizado, os céus se abriram, e o Espírito Santo desceu como uma pomba e permaneceu sobre Ele.

    O Espírito não apenas O visitou. Não apenas O usou. Não apenas O inspirou. O Espírito Santo desceu e estabeleceu Sua morada, Sua habitação, no Senhor Jesus e sobre Ele.

    Agora, lemos em Atos 10:38 um comentário muito interessante de um dos apóstolos. Falando do Senhor Jesus, ele diz:

    Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder: o Qual andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo; porque Deus era com Ele.

    Isso é interessante porque não significa apenas que Deus estava com Ele como uma espécie de apoio, mas que Deus havia Se comprometido totalmente com Ele como o Filho do Homem.

    Aquela unção era o compromisso total de Deus com o Senhor Jesus — com Seu ministério e com Sua obra.

    Agora, se é assim, isso tem um valor tremendo para mim como servo do Senhor. É de uma importância tremenda, porque podemos ter nascido do Espírito Santo. Podemos andar no Espírito. Podemos saber o que é ter o Espírito habitando em nós. Podemos ter o fruto do Espírito.

    Mas, para o serviço, precisamos da unção do Espírito.

    Agora, se alguém tem alguma dificuldade com isso, não quero discutir. Se você entende que tudo já é seu ao nascer de novo, não vou discutir com você. Talvez seja verdade.

    Se você está satisfeito com a qualidade do seu serviço, com o poder com que está servindo ao Senhor e com a capacidade com que está cumprindo a vontade de Deus em sua vida, por favor, não discuta comigo. Seja feliz. Apenas ore por mim, para que eu seja livrado de qualquer erro.

    Mas, se honestamente, em seu coração, você sabe que é salvo, sabe que nasceu de Deus, sabe que foi chamado por Deus e até sabe que Deus lhe deu uma obra para realizar, mas está terrivelmente consciente de estar sem revestimento, então talvez precise prestar atenção ao que digo.

    Você não tem os recursos adequados. De alguma forma, não consegue lidar com as situações urgentes que seu chamado produz. Não consegue enfrentar os problemas inerentes à obra para a qual Deus o chamou.

    Quero ser muito claro quanto a isso: a unção é sua. A unção faz parte da sua salvação tanto quanto qualquer outra coisa e, nesse sentido, pertence a você desde o nascimento espiritual.

    No momento em que Jesus nasceu do Espírito Santo, Ele tinha toda a potencialidade para a unção do Espírito Santo. Mas chegou um momento, na determinação de Deus, em que Ele iniciou Sua obra.

    Nem um instante antes, nem um instante depois, Deus O ungiu com o Espírito Santo e com poder. Daquele momento em diante, por três anos — ou pouco mais de três —, Jesus cumpriu um ministério como este mundo jamais viu ou ouviu.

    Além disso, quando chegou ao Getsêmani, foi, em minha opinião, o Espírito Santo Quem capacitou o Senhor Jesus a atravessar toda aquela angústia que, em certo momento, quase Lhe tirou a vida física — quando Ele suou grandes gotas como de sangue, e anjos vieram servi-Lo.

    O autor da Epístola aos Hebreus diz que, pelo Espírito eterno, Ele ofereceu a Si mesmo a Deus, sem mácula nem defeito.

    Foi por essa unção do Espírito Santo e de poder que, em grande fraqueza e humilhação, Jesus foi crucificado. Ainda assim, pelo poder da unção do Espírito Santo, Ele cumpriu a obra que Deus Lhe dera para realizar naquele momento — a obra para a qual havia vindo ao mundo. Ele a concluiu.

    A Unção como Elemento Essencial do Serviço

    Agora, gostaria de dizer apenas mais uma coisa antes de prosseguir neste assunto: a natureza essencial da unção. Quaisquer que sejam as diferenças teológicas entre as pessoas, permanece o fato de que a unção de Deus é um elemento essencial do serviço.

    Um elemento essencial do serviço.

    Caso contrário, somos como pessoas que sabem que são salvas, sabem que nasceram de Deus, sabem que Deus está fazendo algo nelas, sabem que Ele está produzindo algo nelas e, de alguma forma, conformando-as à imagem de Seu Filho, e sabem que foram chamadas para um ministério, uma obra ou uma responsabilidade entre o povo de Deus, mas que nunca conseguem realizá-la.

    Andamos como zumbis na obra de Deus. Sinceramente, não sabemos o que fazer nem como lidar com as situações. Precisamos correr o tempo todo a outros irmãos para perguntar. Simplesmente não sabemos mesmo.

    Isso acontece porque não temos aquela unção que vem de Deus e que, de alguma maneira, traz consigo a graça e o poder para saber o que devemos fazer e a capacidade de fazê-lo.

    Agora, não me entendam mal nesse ponto. Isso não significa que não haja comunhão. Não significa que não haja aconselhamento. Talvez haja mais comunhão do que nunca e mais aconselhamento do que nunca, porque, às vezes, a própria razão de não buscarmos conselho é um complexo de inferioridade.

    Queremos andar com as próprias pernas. Somente quando realmente temos nossa própria experiência com o Senhor é que podemos nos abrir com sinceridade uns aos outros. Mas não temos nada a temer.

    Portanto, a meu ver, esse assunto é de uma importância tremenda.

    Unção Geral e Unção Específica

    Agora, se me permitem dizer, creio que devemos fazer uma distinção entre o que eu chamaria de unção geral e unção específica.

    Lamento muito aquelas reuniões em que as pessoas são pressionadas, empurradas, persuadidas e compelidas a ir à frente para receber imposição de mãos, a fim de receber uma unção.

    Repetidas vezes, as pessoas vêm antes do seu tempo. Às vezes, têm uma espécie de experiência emocional que muito rapidamente se dissipa, e depois ficam com problemas muito reais.

    O aspecto geral desse assunto é o seguinte: no Senhor Jesus, cada crente tem uma unção, e, se pela fé ele se apropria dela e permanece nela, ela opera.

    Já vi até pessoas carnais, às vezes, ficarem sob a unção. Isso talvez choque vocês. “Ah, isso é impossível!” Ah, não, não é.

    Quem nunca esteve em uma verdadeira reunião de oração na qual alguém que vocês sabem ser noventa por cento carne, de repente, ora sob a unção? Essa pessoa realmente ora sob a unção, e todos nós sabemos que é o Senhor.

    Sabemos que ela é salva, mas normalmente é uma pedra no sapato, por causa da sua carnalidade e de seus modos mundanos. Ainda assim, de repente, em algum momento, ela toma a palavra em oração e acerta em cheio a questão.

    Como isso acontece? Todos dizem: “Não é estranho? Ali está o piedoso fulano, todo enrolado, e aqui está sicrano, só carne, de repente entrando e tocando no assunto em oração”.

    Por quê? Porque aquela pessoa, naquele momento, passou a agir sob a unção que estava sobre aquela reunião.

    Há uma unção sobre todo o corpo. Ela está sobre a Cabeça e chega a cada membro.

    Por exemplo, em 1 João 2, o apóstolo fala aos filhinhos, aos jovens e aos pais. Então, em 1 João 2:20, ele diz:

    E vós tendes a unção do Santo e sabeis todas as coisas.

    Depois, em 1 João 2:27, ele diz:

    E, quanto a vós, a unção que Dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a Sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, assim como ela vos ensinou, permanecei Nele.

    Isto é, vocês não precisam que alguém lhes ensine o que é certo ou errado. Isso é tanto para os bebês espirituais quanto para os jovens e os pais. É para toda a família. Há uma unção geral.

    Há uma unção geral quando o povo de Deus se reúne. Muito, muito, muito raramente alguém se dá ao trabalho de se colocar sob ela ou de buscar o Senhor quanto à unção para uma reunião. Mas, toda vez que o povo de Deus verdadeiramente se reúne em nome do Senhor Jesus, há uma provisão para aquele momento.

    Há uma unção para aquela reunião, para que a vontade de Deus seja feita naquele momento, para que o pensamento de Deus seja conhecido naquele momento e para que aquele encontro não seja apenas uma reunião, mas realmente leve o povo de Deus mais adiante no caminho que Deus traçou para ele.

    Essa é uma das tarefas dos líderes. É por isso que, às vezes, deveríamos nos reunir antes de uma reunião simplesmente para entrar em contato com a unção para aquele momento.

    Assim, não entramos com confusão, letargia ou apatia, mas tendo nos colocado sob a unção para aquele momento. Em certo sentido, essa é a unção geral.

    Mas existe algo chamado unção específica.

    Se Deus chama você para uma obra apostólica, Ele lhe dará uma unção apostólica. Se Deus chama você para uma obra evangelística, Ele lhe dará uma unção evangelística. Se Deus chama você para um ministério de ensino, Ele lhe dará uma unção para ensinar. Se Deus chama você para ser um auxílio no corpo de Cristo, Ele lhe dará uma unção para ser um auxílio.

    Para cada ministério, há uma unção, e ela é específica.

    Agora, as pessoas me dizem: “Bem, essa unção específica é uma segunda experiência?” Nesse ponto, não quero ser demasiadamente categórico.

    Vejam, o temperamento tem muito a ver com isso. Algumas pessoas não são dramáticas. Não são o que chamo de pessoas de extremos, de preto no branco. Muito raramente experimentam grandes emoções. Na verdade, às vezes se castigam porque nunca choram nem derramam lágrimas. Gostariam muito, mas não conseguem.

    Deus não as condena, porque esse é o tipo de pessoa que elas são. Às vezes, essas pessoas podem receber uma unção e quase nem saber. Estou falando sério. Elas mal percebem, mas todos nós percebemos.

    Conheço pessoas que me dizem não acreditar em uma segunda experiência, e eu as conhecia antes de passarem por ela. A diferença é da água para o vinho, da noite para o dia. Ninguém pode me dizer que nada aconteceu com elas.

    Elas dizem: “Bem, é claro, Deus tratou comigo. Cheguei ao fim de mim mesmo e me apropriei disto e daquilo”. Sim, é claro. Talvez não tenham tido uma daquelas experiências avassaladoras em que foram levantadas, viradas, derrubadas, postas no chão e assim por diante, como alguns tiveram. Mas alguma coisa aconteceu.

    Agora, na história do povo de Deus, alguém pode me apresentar algum grande servo do Senhor que não tenha tido uma unção específica? Não conheço nenhum.

    Penso em D. L. Moody, que ficou deitado no chão por um dia. Penso em Reuben Torrey, que ficou completamente transtornado e não conseguiu falar por uma semana. Penso em John e Charles Wesley.

    Charles Wesley ficou tão entusiasmado no meio da noite que saiu correndo e gritando a plenos pulmões. Todos acharam que ele havia perdido o juízo. Depois, voltou e escreveu:

    Oh, quem me dera mil línguas para cantar O louvor do meu grande Redentor.

    John Wesley veio para este lado do oceano e percorreu essas colônias, pregando o evangelho aos colonos que estavam aqui, passando por estas mesmas regiões. Ele conhecia o evangelho e pregava o evangelho, mas escreveu em seu diário: “Estou procurando converter os índios, mas quem me converterá?”

    Quando ele experimentou aquele estranho aquecimento no coração, que foi seu novo nascimento, aquilo não foi o fim. Algum tempo depois, teve uma experiência que chamou de amor perfeito. Mas a mudança no ministério de John Wesley foi nítida.

    Lembro-me de que, anos atrás, quando fui conversar pela primeira vez com o Sr. Sparks sobre minha própria necessidade e experiência, ele me contou que havia passado por algo semelhante.

    Ele disse: “Procurei um grande líder evangélico, e ele me disse: ‘Vá jogar golfe. Você precisa jogar golfe. Saia e respire ar puro’”.

    Mas ele disse: “Eu lhe falei: ‘Não consigo mais pregar. Tudo dentro de mim está morto. Sinto como se tivesse chegado ao fim de tudo’”.

    Ele procurou outro, e aquele homem lhe disse: “Tire férias. Vá para o Mediterrâneo. Esqueça tudo por algum tempo, e você ficará bem”.

    Mas o Sr. Sparks me disse: “Não consegui aceitar o conselho deles. Sentia que, em algum lugar, havia alguma coisa”. Então, certo dia, ele pegou sua Bíblia e disse à esposa: “Você não me verá novamente até que Deus faça alguma coisa”.

    Ele subiu ao seu escritório, fechou a porta, caiu de joelhos e disse: “Deus, sou um hipócrita. Não posso continuar. Aqui estou eu, conduzindo reuniões no estilo de Keswick por todo o país, mas, em meu coração, não tenho vida nem poder reais”.

    Ele começou a ler Romanos. Então chegou a Romanos 6. Havia falado sobre Romanos repetidas vezes. Havia ensinado sobre Romanos 6 — o velho homem eliminado e o andar em novidade de vida. Mas, de repente, disse ele, foi como se tudo aquilo saltasse da página e o atingisse.

    De repente, ele percebeu que estava crucificado com Cristo. Disse que foi como se o céu se abrisse e o Espírito Santo viesse sobre ele.

    Certa vez, eu lhe perguntei: “Você acredita que existe algo chamado batismo do Espírito?” Ele respondeu: “Não aquilo que muita gente chama de batismo, mas existe um batismo do Espírito Santo, e eu o experimentei”.

    As pessoas que conheceram o Sr. Sparks antes e depois daquela experiência disseram todas a mesma coisa: era como a diferença entre a noite e o dia.

    Creio que B. T. Austin-Sparks também teve alguma experiência desse tipo, mas deixarei para Stephen, talvez em uma destas ocasiões, explicar isso.

    O fato é este: pergunto-me onde, na história da igreja, vocês poderiam procurar e não encontrar que, quando Deus chama especificamente pessoas para uma tarefa e uma obra particulares, Ele as unge especificamente.

    Mesmo na minha pequena experiência, consigo me lembrar de Billy Graham quando veio pela primeira vez à Inglaterra, como um jovem de vinte e três anos. Eu havia acabado de ser salvo e fui à reunião.

    Lembro-me daquela reunião. Lembro-me da música suave, meio melancólica, tocada ao fundo e do apelo feito em um tom quase de soluço. Lembro-me de como ele quase saltou por cima da grade do púlpito na Capela de Westminster e rolou no chão, lutando com os leões. Aquilo pretendia representar os cristãos sendo devorados pelos leões.

    Eu nunca tinha visto nada parecido. Quase saí do meu lugar para observá-lo. Não tirei os olhos dele. Aquilo realmente me livrou de desistir, porque, naquela época, eu quase estava sendo tentado a voltar atrás. Era um ponto da minha própria experiência em que eu passava por um grande período de escuridão e morte espiritual.

    Pensei: “Se esse jovem pode chegar a esse ponto para tentar levar alguém à salvação, deve haver alguma coisa nisso”.

    Então, dois ou três anos depois, Billy Graham voltou. Nunca me esqueci. Eu já havia tido minha própria experiência naquela altura, mas estava sentado ali, e aquele homem se levantou e pegou a Bíblia.

    Enquanto antes eram ilustrações, ilustrações, ilustrações, histórias maravilhosas e encenações, agora era apenas a Palavra, a Palavra, a Palavra, a Palavra. Não havia música suave quando o apelo foi feito, mas centenas de pessoas foram à frente.

    Pensei: “O que terá acontecido com esse homem?” Só mais tarde ouvi dizer que ele havia tido uma experiência com Deus. O homem era salvo, mas algo lhe aconteceu que finalmente o levou ao fim de sua própria energia e de seu próprio poder para produzir um ministério e realizar uma obra para Deus.

    Então Deus pôde realizar nele a obra que lhe havia dado para fazer.

    O Significado da Unção

    Unção. Qual é o significado da unção? Bem, creio que não é necessário dizer à maioria de vocês aqui que ela era feita com óleo.

    O óleo é um símbolo do Espírito Santo. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa sobre o óleo é que ele era derramado sobre alguém ou algo.

    Portanto, trata-se do Espírito Santo vindo sobre alguém.

    Ao longo de toda a antiga aliança, o Espírito Santo vinha sobre pessoas para realizar uma tarefa específica. O interessante é que, na antiga aliança, o Espírito Santo não estava dentro delas.

    Agora, parece que algumas pessoas acreditam que o Espírito Santo está em nós, mas não parecem pensar que seja possível ter alguma experiência do Espírito Santo vindo sobre nós. O que há de errado conosco?

    Nós, os crentes, temos uma mente tão limitada. Parece que só conseguimos conter uma parte da verdade de cada vez. Você não pode crer na soberania de Deus e, ao mesmo tempo, crer que existe responsabilidade humana. Não pode crer na verdade sobre a igreja e crer no evangelismo.

    De alguma forma, ou você é inteiramente a favor de uma vida cada vez mais profunda, ou é inteiramente a favor de um evangelismo superficial. Parece que é assim que a mente de muita gente funciona, mas Deus mantém as duas coisas juntas.

    Será que nós, sob a nova aliança, com o Espírito Santo habitando em nós, devemos descartar a preciosa verdade de que o Espírito Santo vem sobre nós? Que tipo de serviço vamos prestar? Até onde vamos chegar?

    Espero que vocês me conheçam bem o suficiente para saber que não estou pedindo que, de alguma forma, todos se tornem pessoas descontroladas, exageradas e barulhentas, rolando pelo chão. Aliás, isso faria bem a um ou dois.

    Talvez fosse bom que um ou dois se soltassem um pouquinho — não o tempo todo, mas só por algum tempo. É interessante que, às vezes, quando o Espírito Santo vem sobre uma pessoa, ela fica prostrada.

    Mas não estou pedindo que vocês ajam de alguma maneira peculiar ou excêntrica, contrária ao próprio temperamento ou à própria natureza. Tudo o que estou suplicando é que conheçamos uma unção com o Espírito Santo e com poder para realizar a obra que Deus nos deu para fazer.

    Os Estados Unidos poderiam ser transformados se cada pessoa neste edifício hoje fosse verdadeiramente ungida com o Espírito Santo e com poder.

    Pensem no potencial dos ministérios que Deus nos deu. Pensem no potencial da obra para a qual Deus nos chamou. Pensem na tremenda abrangência do propósito de Deus no qual cremos que Ele nos introduziu.

    Se apenas tivéssemos essa unção com o Espírito Santo e com poder para ver tudo isso se cumprir — para sermos capazes de guerrear no lugar de oração, enfrentar questões no mundo invisível, nos levantar contra as obras de Satanás e vê-las desfeitas, e ver a Palavra de Deus comunicada de maneira viva e vigorosa —, então até os mais jovens entre nós receberiam algo de Deus, mesmo que não compreendessem tudo.

    Óleo derramado sobre a pessoa ou sobre o objeto.

    Três Dimensões da Unção

    Parece haver um significado tríplice na unção.

    Em primeiro lugar, tudo o que é ungido é colocado à parte. É separado para o Senhor.

    A segunda coisa é esta: tudo o que é separado para o Senhor está sob autoridade e governo divinos.

    O Senhor é muito, muito zeloso quanto a esse assunto. Vocês se lembrarão de um profeta que foi ungido e recebeu uma palavra de Deus para fazer determinada coisa, mas desobedeceu. Um profeta mais velho lhe disse: “Venha para cá e fique”, e ele lhe deu ouvidos.

    Agora, isso não é interessante? Aqui está um pequeno exercício sobre autoridade. O jovem profeta jamais deveria ter dado ouvidos ao profeta mais velho, e o leão o atacou e o matou.

    Deus é muito zeloso quanto à unção.

    Quando uma pessoa é ungida, ela é separada para Deus. Não deve prostituir aquilo que Deus lhe deu. Não pode permitir que isso seja adulterado. Não pode diluir nada. Está sob governo e autoridade divinos.

    Em terceiro lugar, graça, sabedoria e poder divinos são disponibilizados a quem é ungido. Em outras palavras, não se trata apenas de poder, mas de graça específica, sabedoria específica e poder específico disponibilizados à pessoa ungida para cumprir a tarefa ou o ministério que lhe foi dado.

    Agora, se isso é unção, eu a quero.

    Não consigo pensar em nada mais terrível do que ser chamado para a obra de Deus, receber uma visão e uma compreensão do propósito de Deus, e receber uma percepção do que é o seu ministério — a obra que Deus lhe deu para realizar — e, então, descobrir-se totalmente incapaz de fazer qualquer coisa.

    Sabemos que o Senhor é o poder, mas o que me preocupa é romper a barreira espiritual do som. Embora sejamos fracos, quebrantados e nada, Ele em nós é tudo.

    Ele Se torna o poder. Ele Se torna a graça. Ele Se torna a sabedoria. Ele Se torna a capacidade. Isso é unção.

    O povo de Deus tem bom senso, não tem? Percorreremos grandes distâncias para ouvir alguém ungido.

    As pessoas podem dizer que não acreditam em unção, mas, em nossas igrejas e assembleias, conseguimos perceber quem é ungido e quem não é. Não precisam ficar de pé falando por muito tempo para que saibamos exatamente onde estão.

    Isso não é ser crítico nem fazer julgamentos. É apenas um fato. Uma pessoa pode cantar, e tudo o que nos resta é o seu canto. Outra pessoa pode cantar, e o Senhor ministra a nós.

    Uma pessoa pode tocar piano, e tudo o que nos resta é a sua técnica. Outra pessoa pode tocar piano, e é como se o Senhor movesse nosso espírito.

    Uma pessoa pode pregar, e ouvimos palavras, pensamentos e, às vezes, pensamentos maravilhosos, mas isso não produz nada em nós. Outra pessoa prega, e é como se uma espada penetrasse em nosso ser. Essa é a diferença entre quem não é ungido e quem é ungido.

    Temperamento e Unção

    E quanto ao lugar do temperamento na unção?

    Uma das coisas mais interessantes — e considero isso uma das glórias da Palavra de Deus — é que ninguém que seja usado por Deus é um autômato.

    Isaías continua sendo Isaías. Seu sangue real, sua origem refinada, sua educação e seu próprio temperamento transparecem naquela Palavra de Deus infalível, revestida de autoridade e inspirada.

    Isaías continua sendo Isaías, e Ezequiel continua sendo Ezequiel. Sempre tive a impressão de que Ezequiel era um matemático. Estou morrendo de vontade de vê-lo.

    Acho que o temperamento de uma pessoa nunca muda. Creio que descobriremos que Ezequiel tinha uma inclinação mental mais científica, capaz de descrever uma visão como a que ele teve.

    Suponho que Deus soubesse que não adiantaria dar a Isaías uma visão como a que deu a Ezequiel, porque Isaías não conseguiria descrevê-la. Rodas dentro de rodas, indo para um lado e para o outro — ele simplesmente não conseguiria fazer isso. Mas Ezequiel conseguia compreender.

    Deus sabe exatamente o que está fazendo com Seus filhos antes mesmo de nascerem. Ele os está formando no ventre de suas mães. Conhece seus avós, bisavós e toda a sua história genética. Tudo está exposto diante de Deus, maravilhosamente preordenado.

    Nenhum servo do Senhor é um erro, embora às vezes nós, que recebemos sua obra e seu ministério, pensemos assim. Às vezes sentimos pena do querido fulano, mas Deus não cometeu erro algum.

    Quando Ele tem algo especial para transmitir, cria um vaso especial. Quando tem um aspecto especial da verdade, ou uma verdade especial, para comunicar, cria um vaso particularmente adequado àquele ministério.

    Ezequiel é Ezequiel. Vocês não vão confundi-lo com Isaías. Sua maneira de apresentar as coisas simplesmente não é como a de Isaías.

    E quanto a Jeremias? Jeremias é o psicólogo por excelência. Você não avança muito na leitura antes que ele esteja falando de si mesmo. Ele começa a responder, e é: “Ó Senhor, eu gostaria que Tu não me tivesses colocado aqui”.

    Ele põe tudo no livro: “Eu gostaria que Tu não me tivesses colocado aqui. Muitas vezes disse que nunca mais falaria coisa alguma”. Depois, diz: “O fogo ardia em meus ossos, e eu não podia fazer outra coisa. Aqui estou eu falando novamente”.

    Jeremias está em cada página de suas profecias. Não consegue evitar. Não é que seja egocêntrico; ele é um tipo diferente de homem. Vocês não confundem Jeremias com Isaías ou Ezequiel, confundem? São bem diferentes.

    Se vocês acham que isso acontece apenas no Antigo Testamento, passem para o Novo Testamento. Nunca confundirão Paulo com Tiago.

    Paulo diz coisas que Tiago não poderia dizer, e Tiago diz coisas que Paulo não poderia dizer. Elas ficariam entaladas na garganta dele.

    Tiago diz:

    Vedes que não sois justificados somente pela fé, mas também pelas obras?

    Sabemos muito bem que ele está dizendo a mesma coisa que Paulo. Não quer dizer que você é justificado por obras próprias. Ele quer dizer uma fé que trabalha, uma fé que opera, uma fé expressa concretamente em ação.

    Mas Paulo não poderia ter dito isso. Paulo insistiu neste ponto: vocês são salvos somente pela fé, e não pelas obras. Aqui está Tiago dizendo: “Vejam, vocês são salvos pela fé, e pelo quê?”

    Como alguns liberais podem dizer: “É claro que a Bíblia não é inspirada; vocês só têm pessoas ali”? Não, não é nada disso.

    A glória disso é que Tiago é o tipo de homem por meio de quem Deus diz algo verdadeiro que leva a marca autêntica de Tiago. A marca do temperamento e da personalidade de Tiago permanece em sua contribuição, e isso é correto. Não é um erro.

    Não é como se Deus dissesse: “Bem, eu gostaria de tirar Tiago disso, mas, já que não consigo, terei de incluí-lo também”. Não. É por determinação. É por preordenação.

    Aquele homem, Tiago, só podia dizer as coisas que dizia e ver as coisas que via por causa de quem era, do que era e do tipo de pessoa que era.

    Quando a unção vem sobre ele, ela modera seus excessos. Equilibra aquilo que poderia ser extremo. Mas ele mantém, em essência, o temperamento que tinha.

    O mesmo acontece com Paulo. Tomem João: alguém escreve como o apóstolo João no Novo Testamento? Até o crente mais novo que conhece sua Bíblia e começou a lê-la seria capaz de identificar o estilo de João.

    João tem um estilo muito preto no branco, não tem? Ele não é nada parecido com Paulo.

    Assim, vocês têm três homens bem diferentes, mas todos inspirados, todos infalíveis e igualmente valiosos. Não é como se pudéssemos dizer: “Agora, Paulo é o nosso homem. João vem em seguida, e Tiago — bem, Tiago estava limitado”.

    Depois, vocês têm Pedro. Em uma de suas cartas, ele realmente diz:

    Nosso amado irmão Paulo, que escreve coisas muito difíceis de entender.

    Está tudo no Livro.

    Vocês não acham isso extraordinário? Aqui está um Pedro ungido escrevendo uma carta, e ele realmente diz que Paulo fala coisas difíceis de entender.

    Tenho certeza de que, se Pedro tivesse percebido que aquilo entraria no Livro e que milhares de crentes, ao longo dos séculos, estudariam aquelas palavras, ele teria dito: “Tirem isso”.

    Muitas vezes pensei nisso a respeito de Paulo, quando ele escreveu: “Vocês, coríntios, me pressionaram demais, e agora preciso dizer isto e aquilo”. Depois, ele disse: “Quando lhes escrevi aquela carta, estava tomado de aflição e tristeza. Achei que não deveria tê-la escrito”.

    Então ele disse: “Mas agora recebi notícias de vocês. Estou tão contente por tê-la escrito”. Bem, eu estou contente por ele tê-la escrito. Foi a primeira carta aos Coríntios.

    Ali estava o apóstolo passando por um momento difícil por causa daquilo que era Escritura inspirada e infalível. Não é interessante a maneira como Deus trata Seus servos? Mesmo quando são ungidos, Ele permite que passem por momentos difíceis. Permite que tenham dúvidas.

    Alguns de nós, quando ministramos com mais poder no Senhor, estamos menos conscientes disso. Vamos embora e ficamos aflitos, pensando: “Ah, aquilo foi terrível. Querido Senhor, livra-me de passar por esse tipo de coisa de novo. Não farei isso outra vez”.

    Só depois descobrimos que pessoas foram salvas, pessoas foram abençoadas e pessoas se encontraram com o Senhor. Não é extraordinário?

    Descobri que, quando pensei que o Senhor havia estado comigo, de modo geral, sim, Ele estava. Quando pensei que o Senhor não estava comigo, descobri depois que Ele estava.

    É estranho, esse assunto da unção. A ideia que algumas pessoas têm é uma espécie de ideia pagã, espírita, espiritualista — de que o Espírito Santo vem sobre você e você se torna como um tanque: inabalável, capaz de passar por cima de qualquer coisa, absolutamente forte, sabendo que Deus está com você e sabendo exatamente o que precisa dizer.

    Esse é um tipo mediúnico de inspiração e unção, em que um espírito maligno vem sobre um médium, possui essa pessoa e a manipula. Ela nem sabe o que está fazendo, mas sabe que precisa dizer isto, isto e aquilo.

    Isso não é, de modo algum, unção ou inspiração bíblica e espiritual. Em todo momento, o espírito do profeta está sob o controle do profeta.

    O profeta talvez não saiba exatamente toda a extensão daquilo que está dizendo, mas sabe o que está dizendo.

    Portanto, esse assunto da unção é muito, muito importante. Se conseguirmos esclarecer a questão do temperamento, entenderemos que, quando o apóstolo Paulo disse:

    Estive convosco em muito temor,

    poderíamos dizer: “Paulo, você precisa de libertação”.

    “Muito temor, muita fraqueza — nossa, você precisa de um ministério de cura! E muito tremor — talvez ele tivesse pressão alta. Por que estava tremendo? Você é um apóstolo. Precisa conhecer o Espírito Santo.”

    É interessante que Paulo diga, em uma de suas cartas, que alguns de vocês afirmam que, quando estou presente, sou muito fraco. Portanto, às vezes a impressão que ele transmitia era uma que as pessoas podiam facilmente desprezar.

    Mas então ele disse:

    A minha pregação não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

    Agora, toda vez — escute-me, Kev, mesmo que você esqueça tudo o mais que eu disser —, toda vez que um servo do Senhor ministra sem unção, as pessoas acabam confiando na sabedoria dos homens.

    Confiam na capacidade daquele homem. Confiam no ensino daquele homem ou em qualquer outra coisa. Mas, quando isso acontece sob a unção, elas acabam confiando no poder de Deus.

    A unção capacita um homem ou uma mulher a realizar uma obra sobrenatural — não apenas dar uma palestra em uma universidade ou faculdade, mas realmente comunicar o Senhor Jesus às pessoas, de modo que elas O recebam. Elas recebem mais Dele.

    A Obtenção da Unção

    Agora, creio que nosso tempo acabou. Ao concluir, posso dizer apenas algo sobre como obter essa unção?

    Em primeiro lugar, toda a obra necessária para que qualquer filho de Deus seja ungido já foi concluída pelo Senhor Jesus. Não há nada que você precise fazer. Ela não é concedida com base no seu mérito, na sua bondade ou no seu zelo.

    Ela é concedida com base no fato de que Jesus conquistou perfeitamente a sua salvação. Essa é a primeira coisa.

    A segunda coisa que quero dizer é esta: aprendemos muito com a unção do Senhor Jesus em Mateus 3:13-17. Não vou ler, mas vocês podem ler depois.

    O que Ele fez? Primeiro, obedeceu ao Seu Pai de maneira explícita.

    Em segundo lugar, comprometeu-Se com a vontade de Deus naquele momento, qualquer que fosse o preço.

    Em terceiro lugar, entregou Sua vida no que dizia respeito ao egocentrismo, à autoafirmação e à autorrealização.

    Esse é o batismo de Jesus. É por isso que Ele entrou nas águas do Jordão. Elas representavam para Ele não a necessidade de que Seus pecados fossem lavados, mas, simbolicamente, a morte da cruz.

    Três anos antes de chegar à cruz, Ele disse: “Pai, Eu Me comprometo com a obra da cruz”, e entregou Sua vida.

    Então o Espírito Santo veio sobre Ele para capacitá-Lo a cumprir a obra que Deus Lhe estava dando para realizar — não apenas nos três anos de Seu ministério, mas naquela obra final e suprema de expiação.

    Agora, se você e eu quisermos conhecer essa unção, posso fazer estas observações?

    1. Deus tem um tempo determinado para você.

      Pode ser esta noite. Pode ser daqui a um ano. Pode ser daqui a cinco anos. Mas Deus tem um tempo determinado. Não desista.

    Não desista. Busque, busque e busque. Seja honesto. Seja puro de coração. Nunca desista.

    Se isso servir de encorajamento para algum de vocês, a Bíblia diz:

    Bem-aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.

    Jacó era um dos maiores trapaceiros do mundo, mas era puro de coração. Pensem bem nisso, porque ele viu Deus.

    Ele disse:

    Vi a face de Deus, e vivi.

    Apesar de toda a manipulação de sua mente e de tudo o mais, havia sinceridade em seu coração. No que dizia respeito a Deus, havia pureza no coração daquele homem. No mais íntimo do seu coração, ele era honesto com Deus.

    É uma questão de tempo. Não desista. Prossiga. Alguns desses homens, como Wesley e outros, buscaram o Senhor durante anos. Conheço pessoas que buscaram o Senhor durante meses, com perseverança. Mas nunca conheci ninguém que tenha buscado o Senhor por uma unção e que, no fim, não tenha sido ungido.

    1. Você precisa ser chamado por Deus.

      Deus nunca unge você para uma tarefa para a qual não o chamou. Se você está em uma obra de ministério ou em uma responsabilidade na qual não deveria estar, Deus nunca o ungirá para ela. A menos que Ele o tenha chamado para isso, não o unge para tal tarefa.

    1. Você precisa estar disposto a fazer a vontade Dele, qualquer que seja o custo.

      Talvez Deus o envie ao Nepal. Talvez o envie à Nova Guiné. Talvez o envie à Europa. Talvez o envie ao Alasca. Não sei.

    Talvez Deus o mantenha em algum trabalho monótono aí mesmo, onde você vive. Não sei. Mas você precisa estar disposto a fazer a vontade de Deus, qualquer que seja o custo.

    1. Você precisa ter sede de tudo o que Ele providenciou.

      Deus nunca, jamais, ungirá um homem ou uma mulher que desvalorize a unção. Você precisa ter sede de tudo o que Deus providenciou.

    1. Você precisa chegar ao fim dos seus próprios recursos.

      Talvez seja por isso que Deus vá fazê-lo esperar por algum tempo. Ele precisa consumir toda essa força de vontade e todos esses recursos próprios. Você precisa chegar ao fim dos seus próprios recursos.

    1. Você precisa entregar a sua vida.

      Deus nunca ungirá alguém que não entregue a própria vida.

    A outra coisa é carisma humano. Não é unção.

    Uma vez que você tenha dito: “Não eu, mas Cristo”, uma vez que esteja pronto para entregar sua vida totalmente a Ele — você não consegue fazer isso por si mesmo. Só pode estar disposto a fazê-lo, pronto para fazê-lo. Ele o conduzirá por esse caminho; não se preocupe.

    Mas é necessário que haja em sua vida também, como houve na de Jesus, um compromisso com aquelas águas — uma disposição para simplesmente descer e dizer: “Senhor, não estou pronto para tudo o que isso vai custar, mas, por princípio, entrego a minha vida nesta noite, neste dia. Ouve-me, Senhor, e põe o Teu selo sobre isso”.

    Que Deus ajude todos nós nesse assunto, porque não poderia haver questão mais importante na liderança, em qualquer forma de assumir responsabilidade na obra de Deus, do que essa questão da unção.

    Oração Final

    Vamos orar?

    Agora, Senhor, talvez tenhamos levantado muitas perguntas com o que foi dito nesta tarde. Pedimos que, por Teu Espírito Santo, Tu concedas verdadeira iluminação e entendimento. Tu sabes onde cada um de nós está, Senhor.

    Ó Senhor, faze com que esse assunto alcance profundamente nosso coração, com tanta clareza e tanto poder que, Senhor, juntos comecemos a buscar-Te, e que Tu, Senhor, venhas ao nosso encontro.

    Ó, que cada servo do Senhor aqui nesta tarde conheça essa unção em seu ministério de vida. Que conheça essa unção em tudo aquilo, Senhor, pelo que Tu o chamaste a ser responsável.

    Ó, ouve-nos, Senhor, nós Te pedimos. Nestes dias de tanta pressão e tensão, e de tanta oposição dos poderes das trevas, que sejamos revestidos de poder pelo Espírito Santo, assim como temos o Espírito Santo habitando em nós.

    Pedimos isso para a glória do nosso Senhor Jesus. Amém.