Abram comigo na primeira carta de João, em 1 João 3:13-16. Vou ler esses versículos.
Não vos maravilheis, irmãos, se o mundo vos odeia.
Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.
Quem não ama permanece na morte.
Todo aquele que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.
Nisto conhecemos o amor: que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.
E depois vou ler 1 João 4:7-21.
Amados, amemo-nos uns aos outros: porque o amor é de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: que Deus enviou o Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos.
Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.
Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros.
Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o Seu amor é aperfeiçoado em nós.
Nisto conhecemos que permanecemos Nele, e Ele em nós: porque nos deu do Seu Espírito.
E nós temos visto e testificamos que o Pai enviou o Filho para ser o Salvador do mundo.
Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus.
E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem em nós. Deus é amor; e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.
Nisto é aperfeiçoado o amor em nós: para que tenhamos confiança no dia do juízo; porque, como Ele é, também nós somos neste mundo.
No amor não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo; e aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.
Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.
Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem viu, não pode amar a Deus, a Quem não viu.
E Dele temos este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.
Vocês conseguem me ouvir?
Agora, vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração? Vamos todos nos unir para pedir que o Senhor supere todos estes obstáculos e nos ajude a realmente receber algo Dele.
Ó Pai celestial, somos tão gratos porque esta noite não Te pegou de surpresa. Alegramo-nos, Senhor, porque Tu, portanto, fizeste uma provisão especial de graça e poder para esta noite.
Agora, Senhor, apropriamos-nos dessa graça e desse poder. Oramos por aquele que fala, Senhor, para que Tu lhe dês força na voz e nos ajudes a todos a ouvir fisicamente as palavras, bem como a ouvir aquilo que Tu procuras dizer por meio da linguagem humana.
Ó Pai, como nos alegramos porque Tu nos deste uma unção. Juntos, pela fé, firmamo-nos nessa unção, para que ela opere plenamente neste momento e para que, apesar de todas estas condições difíceis, sejamos capacitados a vencer e sejamos capacitados, ó Senhor, a nos encontrar Contigo e a receber de Ti.
Agora oramos pelas crianças que estejam aqui, Senhor, para que Tu as mantenhas quietas por causa destas condições peculiares, a fim de que todos possamos receber de Ti mesmo e ouvir a Tua voz. Pedimos isso juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, nesta noite chegamos à última das ocasiões que ficaram sob minha responsabilidade. Como vocês sabem, tenho carregado este encargo a respeito do amor de Deus, com base naquele pequeno versículo de Filipenses 1:9:
Oro para que o vosso amor cresça ainda mais e mais em conhecimento e em todo discernimento;
para que aproveis as coisas excelentes;
para que sejais sinceros e sem tropeço até o dia de Jesus Cristo.
Na primeira noite em que estivemos juntos tratando deste assunto, falei sobre o mandamento divino:
Ouve, ó Israel: o Senhor teu Deus é um só.
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Na segunda noite, falamos sobre o desafio divino:
Tu Me amas? Apascenta os Meus cordeiros.
Tu Me amas? Pastoreia as Minhas ovelhas.
E na terceira noite, ontem à noite, falamos sobre o diagnóstico divino:
Abandonaste o teu primeiro amor. Arrepende-te e pratica as primeiras obras; ou venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.
Ou ainda:
Quem dera fosses frio ou quente. Mas, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da Minha boca. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
Agora, nesta noite, finalmente, quero falar sobre o que intitulei “A demonstração divina”.
Deus demonstrou esse Seu amor de maneira suprema. É claro que tudo a respeito de Deus é uma demonstração de amor. Belém é uma demonstração de amor. O ministério do Senhor Jesus Cristo, durante aqueles três anos ou mais, foi uma demonstração de amor.
Mas foi a Sua obra no Calvário que constituiu a demonstração suprema de amor. Lemos isso nesta manhã, na mensagem que Stephen nos trouxe, em Apocalipse 1:5-6:
Àquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue;
e nos fez reino, sacerdotes para Seu Deus e Pai;
a Ele sejam a glória e o domínio pelos séculos dos séculos.
Àquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue,
e nos fez reino e sacerdotes para Seu Deus.
Que palavras maravilhosas.
Ou ainda, aqueles versículos tão conhecidos — imagino que sejam conhecidos de cada pessoa que está aqui nesta noite:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito,
para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Ou, nas passagens que lemos, em 1 João 3:16:
Nisto conhecemos o amor: que Ele deu a Sua vida por nós.
Ou ainda, em 1 João 4:9:
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: que Deus enviou o Seu Filho unigênito ao mundo, para que por Ele vivamos.
Ou em 1 João 4:10:
Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.
Ou ainda, em 1 João 4:19:
Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.
A demonstração do Seu amor. Gostaria que vocês, por alguns momentos, considerassem o mistério da cruz.
Entre todos os mistérios que há na Bíblia, nenhum é tão insondável, tão imensurável, tão incompreensível quanto o mistério da cruz.
Foi em seis breves horas — das nove da manhã às três da tarde — que Jesus, o Messias, concluiu a obra da nossa salvação e salvou plenamente todos os que se achegam a Deus por meio Dele. Seis horas de um único dia no tempo.
Podemos cair muito facilmente na armadilha de pensar, de adotar uma maneira de pensar segundo a qual, por terem sido apenas seis horas de sofrimento, de alguma forma isso deve ter sido fácil para o Senhor Jesus, relativamente falando. Deve ter sido leve, um fardo leve para Ele, relativamente falando. Não pode ter Lhe custado tanto: seis horas.
Muitos de nós conhecemos pessoalmente pessoas que sofreram física e mentalmente, não por seis horas, mas por meses e meses, e algumas delas por anos. Há mártires que sofreram por muito, muito mais do que seis horas.
O que, então, realmente aconteceu na cruz?
Às vezes, porque a nossa salvação é o dom gratuito de Deus — não pagamos nada, não podemos fazer nada; ela nos é dada por Deus gratuitamente e pela graça —, podemos imaginar que ela seja barata.
Porque ela não nos custa nada, em certo sentido, a não ser impopularidade e o ato de nos humilharmos diante de Deus e dos homens, podemos de alguma forma imaginar que essa salvação foi barata.
Mas naquelas poucas horas foi condensado um sofrimento, um mundo de angústia, de morte, que está além de toda compreensão e de todo cálculo.
Foi um mundo de sofrimento e morte concentrado em poucas horas na pessoa do Messias. Foi um custo imensurável. Foi uma dor insondável.
Como eu disse, isso está muito além de toda compreensão humana. Nem as maiores mentes teológicas do mundo, nem as almas mais devotas que já foram salvas pela graça de Deus podem compreender plenamente o que custou ao Senhor Jesus nos salvar.
Está além de qualquer cálculo humano. Somente Deus Pai e Deus Espírito sabem o que o Filho fez na cruz e o preço que Ele pagou. Estamos diante de um mistério fundamental.
Como Cristo Se tornou pecado por nós? Como Ele, nas palavras inspiradas do apóstolo Paulo, Aquele que não conheceu pecado, foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus Nele?
Alguém pode explicar isso? Até que ponto Ele Se tornou o nosso pecado? O que Ele fez ao Pai?
A linguagem humana, mesmo quando divinamente inspirada, é totalmente inadequada para descrever ou definir exatamente o que aconteceu naquelas seis horas na cruz.
De fato, é digno de nota que nenhum dos evangelistas tenta nos dizer exatamente o que aconteceu. Tudo o que fazem é descrever os fatos exteriores em um estilo quase jornalístico.
Eles dizem que, às nove horas, Ele foi pregado na cruz e orou:
Pai, perdoa-lhes; não sabem o que fazem.
Depois nos contam as diferentes coisas que aconteceram: os gritos, os tormentos, as zombarias, as trevas que vieram, o grande brado final do Senhor Jesus Cristo.
Eles nos dizem que o véu se rasgou em dois. É quase jornalístico. Não tentam definir exatamente o que aconteceu naquelas seis horas e certamente não explicam como Ele foi feito pecado por nós.
Acho que esse é um fato digno de nota.
Além disso, há outro fato digno de nota, e é este: os evangelistas não se detêm nos sofrimentos físicos do Senhor Jesus.
Às vezes, os cristãos cometem um grande erro ao tentar, de alguma forma, descrever todos os diferentes aspectos da crucificação. Ora, a crucificação é uma morte horrenda e terrível. Mas é muito interessante que nenhum dos evangelistas, nem qualquer dos autores das cartas do Novo Testamento, se detenha nos sofrimentos físicos de Cristo.
É como se nos dissessem: “Esses sofrimentos físicos, os gritos exteriores, os atos exteriores, são a menor parte desta história. A verdadeira história não pode ser conhecida nem contada. Ela está no invisível. É aquilo que acontece por trás do que se vê”.
E, por isso, eles nem sequer tentam nos contar.
É interessante que os apóstolos e os outros autores do restante do Novo Testamento em nenhum lugar tentem nos dizer em detalhes como Jesus levou embora o pecado do mundo, ou como Ele Se tornou o pecado do mundo, ou o que realmente significou provar a morte por todos os homens, ou até que ponto Ele morreu.
Eles não tentam descrever, definir ou explicar isso plenamente. Apenas nos apresentam os fatos da maneira mais gloriosa.
Ele morreu, o Justo pelos injustos, para nos conduzir a Deus.
Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus Nele.
Eles simplesmente nos contam os fatos e as consequências gloriosas de que foram testemunhas e das quais tiveram uma experiência real e direta. Considero tudo isso tremendamente importante.
Na verdade, se posso dizer isso, não sei se vocês estão me acompanhando aí no escuro, porque não consigo vê-los. Pelo que sei, talvez todos tenham voltado sorrateiramente para os seus quartos.
É um fato muito notável que o maior e mais detalhado relato do que aconteceu com Jesus naquelas seis horas na cruz não se encontre em nenhum lugar do Novo Testamento. Ele se encontra no Antigo Testamento.
Encontra-se no Salmo 22. Nos quatro Evangelhos, vocês têm o relato de uma testemunha ocular, de um espectador que observa a figura do Messias na cruz, sofrendo e morrendo.
Mas, no Salmo 22, vocês têm toda a cena descrita, não por um espectador que observa a pessoa morrer e sofrer, mas pelos olhos Daquele cujas mãos e pés foram traspassados.
É um relato muito notável exatamente por essa razão.
Além disso, se cremos na autoria tradicionalmente atribuída ao rei Davi, temos a história do rei Davi registrada, e em nenhum lugar encontramos uma experiência semelhante, em que suas mãos e seus pés tenham sido traspassados, ou em que todos se tenham reunido ao seu redor para zombar dele, e assim por diante. É um relato extraordinário.
Além disso, em nenhum lugar do Novo Testamento temos uma definição mais detalhada do que o Messias fez naquelas seis horas do que em Isaías 53.
Essa passagem vai além de tudo o que vocês encontrarão até mesmo no Novo Testamento ao descrever como Ele foi ferido pelas nossas transgressões, como foi moído pelas nossas iniquidades, como o castigo da nossa paz caiu sobre Ele e como, pelas Suas pisaduras, somos sarados.
E eu poderia continuar, e continuar, e continuar.
Há pessoas que, talvez inconscientemente, embora não o expressem — elas não diriam isso abertamente —, sentem que, por Jesus ser Deus, certamente foi relativamente fácil para Ele nos salvar na cruz.
Como se o que Ele fez na cruz fosse uma espécie de encenação. Ele passou por algo para satisfazer os requisitos legais da nossa justificação, salvação e libertação. Isso é mentira.
Se vocês abrirem o Evangelho de Marcos, em Marcos 15:33, lemos o seguinte:
E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.
Isto é, do meio-dia às três da tarde, trevas cobriram toda a terra. A própria luz do sol se apagou.
Agora, aqueles de vocês que sabem algumas coisas sobre o universo sabem que isso não poderia ter sido um eclipse. Algumas pessoas nos dizem que foi um eclipse solar, mas nunca houve, e nunca poderia haver, um eclipse solar de três horas.
O que aconteceu, então, quando a luz do sol faltou e as trevas cobriram toda a terra?
Talvez a resposta se encontre em um pequeno versículo de Colossenses 1:17, que diz:
Nele todas as coisas subsistem.
E, quando Jesus foi feito pecado por nós, foi como se uma espada atravessasse não apenas o coração da criação, mas a própria Divindade.
Foi como se Deus — posso falar sem blasfemar? —, foi como se Deus estremecesse, parasse, hesitasse por um momento, Se contraísse dentro de Si mesmo; e como se o universo tremesse, e a própria luz e energia naturais do universo se apagassem por três horas.
Queridos amigos, para mim isso diz muita coisa. Significa que essas seis horas na cruz não foram algo barato ou fácil. Mas, de alguma forma, custou tudo a Deus nos salvar.
Agora, queridos, se vocês conseguem me ouvir e me entender, o que estou dizendo é isto: a verdadeira história do que aconteceu na cruz naquelas seis horas não pode ser conhecida nem contada.
O verdadeiro preço que Ele pagou, como Ele foi feito pecado por nós, jamais saberemos realmente. Os fatos exteriores que foram registrados para nós são apenas a mais tênue indicação daquela história invisível e impossível de contar.
Para mim, é como se estivéssemos à beira de um oceano de angústia inexprimível, inexplicável, incomunicável. Tudo o que podemos fazer é inclinar a cabeça em adoração, porque aqui temos a demonstração de um amor como este mundo jamais, jamais conheceu.
O mistério da cruz. Sabem, não creio que algum filho de Deus jamais seja liberto da superficialidade, da familiaridade irreverente, da falta de temor do Senhor, até se encontrar face a face com o mistério da cruz.
Às vezes, pela maneira como nos comportamos, pela maneira como falamos, quase parece que salvar-nos foi a coisa mais fácil do mundo para Deus. Mas não foi.
O amor pagou um preço que nenhum dos santos, individualmente, jamais será capaz de compreender, nem todos nós juntos.
Gostaria de dizer algo sobre a obra da cruz. O que aconteceu? Como eu disse, jamais saberemos plenamente, mas há pelo menos algumas passagens das Escrituras que nos colocam face a face com esse mistério e com a sua glória.
Por exemplo, tomemos aquela que citei várias vezes. Vamos simplesmente percorrer essas passagens das Escrituras. Farei alguns comentários e destacarei certos fatos a respeito delas, mas talvez elas lhes deixem uma compreensão, ao menos, do amor de Deus por vocês e por mim como nunca tiveram antes.
2 Coríntios 5:21 diz:
Àquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós,
para que nos tornássemos justiça de Deus Nele.
Vocês ouviram essas palavras tão conhecidas? Àquele que não conheceu pecado, Aquele que é sem pecado, Deus O fez pecado por nós, para que fôssemos feitos justiça de Deus — a justiça do próprio Deus — Nele.
Uma troca divina. Ele foi feito o meu pecado, e eu fui feito a Sua justiça.
Alguém pode explicar isso? Alguém pode compreender isso?
Deixem-me levá-los a outra passagem das Escrituras, no Antigo Testamento, em Isaías 53:6. Ouçam estas palavras:
Todos nós, como ovelhas, nos desgarramos;
cada um se desviou pelo seu próprio caminho;
e o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós.
Agora, no hebraico, as palavras “o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós” são: “O Senhor fez com que se reunisse sobre Ele, com que se encontrasse Nele, a iniquidade de todos nós”.
Ora, esta palavra, iniquidade, é a palavra mais forte da Bíblia para pecado.
A iniquidade de todos nós. Toda a iniquidade do mundo, desde Adão até a última pessoa que vier a viver; a iniquidade de Adolf Hitler, a iniquidade de Mussolini, a iniquidade de Stalin, a iniquidade de Nero, a iniquidade de todos esses homens maus, demonizados; e a sua iniquidade e a minha iniquidade; a iniquidade de todos os séculos — tudo isso foi levado a se reunir Nele, a se encontrar Nele.
Todos nós, como ovelhas, nos desgarramos;
cada um se desviou pelo seu próprio caminho;
e o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós.
Deixem-me apresentar outra passagem das Escrituras, em João 1:29. Ah, tenho certeza de que estas passagens são tão conhecidas de todos vocês, mas que elas cheguem ao coração de uma nova maneira nesta noite, nestas circunstâncias incomuns.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
O cordeiro é uma das criaturas mais dóceis do mundo. Um pequeno cordeiro, por sua própria natureza, é um símbolo de pureza, de vida, de frescor, de quase ausência de pecado, de primavera.
Eis o Cordeiro de Deus, que leva embora o pecado do mundo.
Vejam agora João 3:14:
Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado;
para que todo aquele que crê tenha Nele a vida eterna.
Vocês ouviram isso?
Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado.
Como o Cordeiro Se tornou aquela serpente levantada? O que aconteceu para que, de alguma forma, o Cordeiro Se tornasse uma serpente levantada? Por que uma serpente?
Acho que a serpente é o exato oposto de tudo o que o cordeiro é: astuta, cheia de engano, cheia de veneno, de alguma forma ligada à morte, ligada às trevas. Ela quase pertence a um submundo.
Como é que esse veneno que entrou na corrente sanguínea da humanidade, do gênero humano, foi tomado sobre Si pelo Cordeiro? E o Cordeiro, de alguma forma, tornou-Se a serpente levantada, para que todos nós, picados por esse mal, pelo poder das trevas, pelo grande adversário de Deus, possamos ter Nele a vida eterna.
Vejam outra passagem das Escrituras nas cartas do apóstolo Paulo, em Gálatas 3:13. Ouçam estas palavras:
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-Se maldição por nós;
porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.
Esta palavra, maldito, no hebraico significa excomungado, banido, colocado fora do povo da aliança, expulso da comunidade dos remidos. Era assim que isso era entendido.
E Jesus Se tornou maldição por nós. Ele foi feito pecado por nós. Toda a nossa iniquidade foi colocada sobre Ele.
O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tornou-Se a serpente levantada, para que qualquer pessoa que olhe para Ele tenha Nele a vida eterna.
Maldito. Excomungado, para que nós, que estamos debaixo da maldição e já excomungados, possamos ser reconciliados com Deus.
E então quero que vocês vejam outro versículo — ou, pelo menos, vou lê-lo para vocês —, Marcos 14:27. Aqui está um versículo muito interessante para aqueles de vocês que estudam a Bíblia:
E Jesus lhes disse: Todos vós vos escandalizareis; porque está escrito: Ferirei o Pastor, e as ovelhas serão dispersas.
Agora, Jesus estava citando o profeta Zacarias, mas o profeta Zacarias não colocou isso exatamente dessa forma. Foi assim que ele o expressou no texto hebraico, em Zacarias 13:7:
Desperta, ó espada, contra o Meu Pastor,
e contra o Homem que é o Meu Companheiro, diz o Senhor.
Ora, a Septuaginta diz exatamente a mesma coisa. Por isso, para mim, é uma conclusão inevitável que o Senhor Jesus deixou muito claro, ao citar o profeta Zacarias, que, quando Deus disse:
Desperta, ó espada, contra o Meu Pastor,
contra o Homem que é o Meu Companheiro, diz o Senhor,
era o Senhor Quem O estava ferindo.
E Ele disse:
Está escrito: Ferirei o Pastor, e as ovelhas serão dispersas.
Assim, agora ao menos entendemos isto: que o Senhor Jesus, naquelas seis horas, foi feito pecado por nós. E, quando o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, tornou-Se a serpente levantada, Deus O feriu.
E, naquele momento, do Seu coração angustiado foi arrancado o clamor registrado em Marcos 15:34:
Meu Deus, Meu Deus, por que Me desamparaste?
Foi naquele momento que as trevas cobriram a face da terra, quando, de alguma forma, Deus Se afastou do Seu Filho, e quando o Senhor Jesus, sendo feito pecado por nós, foi ferido por Deus.
E, por último, há mais uma passagem das Escrituras que quero lhes apresentar, em Hebreus 2:9:
Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra por causa do sofrimento da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos os homens.
Para que provasse a morte por todos os homens.
Um vasto universo de pecado, um vasto mundo de iniquidade, um mundo de abominação, tudo colocado sobre Ele e eliminado. Toda a dor da história, todas as enfermidades e doenças da história, toda a morte que é o nosso destino comum — Ele a provou.
Tudo condensado na experiência de seis horas.
E, naquela obra que Ele concluiu, levou Consigo para a morte uma antiga ordem mundial, uma antiga criação envenenada pela serpente, um velho homem, uma velha natureza, que jamais poderia satisfazer a Deus e jamais poderia servir a Deus de modo aceitável.
Pois, ao final daquelas seis horas, Jesus clamou em fraqueza:
Tenho sede.
E deram-Lhe vinagre para beber, uma espécie de vinho azedo.
E então, de repente, Ele bradou em alta voz. O apóstolo João diz que Ele clamou:
Consumado.
E, naquele momento, o véu do templo, com aqueles grandes querubins tecidos nele — com sete ou oito palmos de espessura, tão enorme era, segundo nos diz o Talmude —, rasgou-se em dois, de alto a baixo.
Que choque para o sacerdote de serviço naquele dia, quando de repente ouviu o som de um vento poderoso, um ruído impetuoso, como uma grande locomotiva a vapor atravessando o santuário. Ao se virar, viu aquilo que lhe deve ter parecido uma blasfêmia: o véu do templo estava rasgado de alto a baixo, e ele ficou ali, olhando para dentro do Santo dos Santos.
Não me admira que Atos dos Apóstolos diga que um grande número de sacerdotes creu. A notícia deve ter se espalhado entre todos eles. Com o terremoto e os santos que se levantaram dos seus túmulos e apareceram às pessoas na cidade, eles devem ter pensado: “O que é isso?”
Aconteceu exatamente no momento em que Ele morreu, no momento em que Ele clamou. Naquele momento aconteceu.
Querido povo de Deus, não sei se vocês conseguem receber o que estou dizendo nesta noite, nestas condições um tanto difíceis. Mas não tenho dúvida de que o inimigo faria qualquer coisa para nos impedir de realmente compreender, mesmo que um pouco, o mistério da cruz.
Algumas pessoas acham que isso é coisa de jardim de infância. Isso mostra como são superficiais e tolas.
Isso não é coisa de jardim de infância. Isso está no próprio coração do reino de Deus.
Pois, quando o apóstolo João, olhando para a eternidade, viu o trono de Deus cercado por um arco-íris, e viu Aquele que era, que é e que há de vir sentado no trono, e viu na Sua mão um rolo com sete selos, selado — o que qualquer judeu sabia ser um testamento, uma disposição de última vontade, uma herança —, e quando a voz disse: “Quem pode romper os selos? Quem pode cumprir o propósito de Deus? Quem pode assegurar para Deus aquilo que Ele sempre desejou?”, ninguém se moveu no céu, nem na terra, nem debaixo da terra.
E João caiu em lágrimas. Um anjo veio, tocou nele e disse: “João, não chore. Olhe”.
E João se voltou para o trono, e ali, no meio do trono Daquele que era, que é e que há de vir — o Eterno —, viu um pequeno Cordeiro como tendo sido morto.
E Ele tomou o rolo da Sua mão e rompeu primeiro um selo, depois o seguinte, e o seguinte, e o seguinte, até que os sete selos foram rompidos.
Então todo tipo de coisa começou a acontecer enquanto João observava. Ele viu visão após visão após visão. Do sétimo selo vieram sete trombetas, e da sétima trombeta vieram sete taças; e, ao final da sétima taça, Babilônia foi destruída.
Então um grande aleluia se ergueu de toda a multidão reunida no céu:
Aleluia; o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, reina.
Alegremo-nos e exultemos, porque chegou a ceia das bodas do Cordeiro, e a noiva se preparou.
Querido, querido povo de Deus, jamais poderei lhes dizer o quanto eu, pelo menos — e tenho certeza de que todos vocês devem sentir o mesmo —, me sinto humilhado diante de Deus ao crer que Ele amou vocês e me amou tanto que Se entregou para nos salvar.
Para nos introduzir neste propósito de amor; para nos introduzir nesta noiva de amor; para nos introduzir nesta cidade de glória; para nos introduzir nesta vocação eterna. É uma história de amor do princípio ao fim.
Alguém, mesmo entre as pessoas mais queridas e mais próximas de vocês, já lhes atribuiu o valor que o Senhor Jesus lhes atribuiu? Alguém já esteve disposto a pagar, para salvá-los e libertá-los, o preço que Deus pagou por vocês?
Ó querido povo de Deus, como tudo isso é maravilhoso quando realmente pensamos a respeito: a demonstração do amor.
Algumas pessoas me dizem: “Como sei que Deus me ama?” Ah, que o Espírito de Deus toque os olhos dos seus corações.
Aqui está a demonstração suprema do amor de Deus.
Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro.
Quando éramos feios, quando estávamos mortos em pecados, quando estávamos cegos na nossa obstinação, quando O odiávamos ou O ignorávamos, Ele tinha a nós em mente. E Se entregou por nós.
Não consigo pensar em palavra mais maravilhosa do que a do apóstolo Paulo:
Ele me amou e Se entregou por mim.
Qual é o resultado de tudo isso?
O resultado, parece-me, só pode ser aquilo que encontramos em Romanos 8. São palavras tão conhecidas. Deixem-me lê-las para vocês:
Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem é contra nós?
Aquele que não poupou o Seu próprio Filho, antes O entregou por todos nós, como não nos dará também com Ele, gratuitamente, todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus Quem os justifica.
Quem é que condena? É Cristo Jesus Quem morreu, ou antes, Quem ressuscitou dentre os mortos, Quem está à direita de Deus, Quem também intercede por nós.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de Ti somos entregues à morte o dia todo; somos considerados como ovelhas para o matadouro.
Não; em todas estas coisas somos mais que vencedores por meio Daquele que nos amou.
Porque estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não sei se o que disse nesta noite — é difícil, porque não consigo ver nenhum de vocês — despertou de alguma forma uma ressonância em vocês, ou atendeu a alguma necessidade, ou lhes deu alguma pequena compreensão de quanto Deus os ama.
Há uma pequena expressão na carta de Paulo aos Efésios que diz o seguinte:
Mas Deus, pelo Seu grande amor com que nos amou, nos vivificou juntamente com Cristo,
e nos ressuscitou juntamente com Ele,
e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais.
Ó querido filho de Deus, será que algum dia, algum dia, sondaremos o amor de Deus? Será que algum dia conseguiremos sair do amor de Deus? O amor de Deus tem limites aos quais possamos chegar e, de alguma forma, esgotá-lo?
Não. Ele é ilimitado, inescrutável, insondável, imensurável. Ah, que coisa maravilhosa é ser amado por Deus.
Agora, se isso é verdade, então ouçam novamente o apóstolo Paulo:
Oro para que o vosso amor cresça ainda mais e mais em conhecimento e em todo discernimento;
para que aproveis as coisas excelentes;
para que sejais sinceros e sem tropeço até o dia de Jesus Cristo.
Vocês conseguem compreender a preocupação do apóstolo Paulo? Creio que Deus colocou este encargo sobre mim exatamente por essa razão.
Querido povo de Deus, estamos entrando em tempos de desordem, mudança, abalo, conflito e trevas sem precedentes.
Se há algo mais básico, mais essencial, mais vital do que qualquer outra coisa, é o amor de Deus derramado em nossos corações.
Sem ele, nada somos. Sem ele, tudo o que fazemos de nada nos aproveita. Somos gongos ruidosos e címbalos que retinem.
Mas, se tivermos em nós essa qualidade do primeiro amor, se essa chama do Seu amor nos envolver, então, querido povo de Deus, seremos guardados pelo poder de Deus nestes dias que estão à nossa frente.
Saberemos o que é o corpo edificar a si mesmo em amor. Saberemos o que é servir uns aos outros pelo amor.
Saberemos o que é perseverar juntos até que Deus coloque a pedra de remate em seu lugar, com aclamações de:
Graça, graça a ela.
Querido povo de Deus, devemos dar a nossa vida pelos irmãos.
Foi isso que o apóstolo João disse em 1 João 3:16. Sempre acho interessante que João 3:16 diga:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Mas, em 1 João 3:16, temos o passo seguinte:
Nisto conhecemos o amor: que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.
E novamente, em 1 João 4:11:
Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros.
Vocês não acham que, de uma forma ou de outra, essa questão do amor não é apenas um luxo, ou algum êxtase sentimental, mas algo essencial — o elemento essencial — nas coisas de Deus?
Se o que está por trás da perseverança de Deus conosco, se o que está por trás da redenção de Deus, se o que está por trás da obra expiatória do Senhor Jesus, se o que está por trás do dom do Espírito Santo, se o que está por trás da graça santificadora de Deus, se o que está por trás da meta de Deus, do objetivo de Deus, é o amor divino — ó querido povo de Deus, precisamos desse amor mais do que jamais poderei expressar.
Que Deus inflame os seus corações com fome e sede Dele. Que estas palavras voltem a vocês vez após vez após vez. E que Ele possa encontrar em vocês e em mim aquela resposta de amor que, somente ela, finalmente e plenamente O satisfará.
Não sei se consigo me lembrar dele por inteiro. Há um belo poema, ou hino, de Charles Wesley que, ao longo dos anos, tem sido um dos meus favoritos. Talvez o Senhor me ajude a lembrá-lo.
Ó Tu, que vieste do alto
Para conceder o puro fogo celestial,
Acende uma chama sagrada de amor
No humilde altar do meu coração.Que ali ela arda para a Tua glória,
Com chama inextinguível;
E, tremendo, retorne à sua fonte,
Em humilde oração e fervorosa oração.Jesus, confirma o desejo do meu coração
De trabalhar, falar e pensar por Ti;
Permite que eu continue a guardar o fogo santo
E a despertar o Teu dom em mim.Pronto para toda a Tua perfeita vontade,
Que eu repita meus atos de fé e amor,
Até que a morte sele as Tuas infindas misericórdias
E torne completo o meu sacrifício.
Vamos orar?
Ó Senhor, quando consideramos algo do mistério daquela obra consumada do nosso Senhor Jesus na cruz do Gólgota, somos humilhados, Senhor, até o pó.
Ó, perdoa-nos neste século XX, Senhor, pela nossa mornidão, por toda a nossa apatia, pela nossa indiferença, pela nossa familiaridade irreverente com as Tuas coisas, ó Deus.
Tratamos essa questão da cruz como se fosse uma coisa qualquer. Tratamos a nossa salvação, Senhor, como se, de alguma forma, ela tivesse sido fácil para Ti porque foi gratuita para nós.
Ó Deus, dá-nos nesta noite um vislumbre do custo imensurável que Tu pagaste para nos salvar, um vislumbre que transforme a nossa vida.
E, à medida que isso se tornar claro em nossos corações, Senhor, que um novo amor nasça em nós. Que esse Teu grande amor, e a nossa pequena compreensão dele, Senhor, ao nos encher novamente, gere em nós um amor por Ti, ó Senhor, que tenha a qualidade do primeiro amor.
E que esse amor signifique que amaremos o nosso próximo como a nós mesmos, Senhor. Ó Senhor, faze isso, nós Te pedimos. Acende uma chama sagrada de amor no humilde altar do meu coração.
Ó Deus, que sejamos pessoas em quem o fogo de Deus, o fogo do Teu amor, seja encontrado ardendo cada vez mais.
E, Senhor, que sejamos comunidades reunidas, grupos de crentes, por toda esta nação, por todo o Canadá, por todo o mundo. Que sejamos comunidades de pessoas ardendo com o amor de Deus, nas quais se encontre a chama do amor divino — o primeiro amor, Senhor.
Ó Deus, somente Tu podes fazer isso. Batiza-nos novamente com esse Teu amor e concede, ó Senhor, que nunca mais sejamos os mesmos.
Pedimos isso juntos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.