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    The Love Of God: Divine Diagnosis © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Love Of God: Divine Diagnosis
    The Love Of God: Divine Diagnosis
    Lambert, Lance

    O diagnóstico divino

    Vamos abrir no livro de Apocalipse 2:1. Começaremos a leitura nesse versículo.

    Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz Aquele Que tem na Sua mão direita as sete estrelas, Aquele Que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, o teu labor e a tua perseverança; e que não podes suportar os homens maus; e puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste falsos; E tens perseverança, e suportaste por causa do Meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras; senão, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres. Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.

    E agora, Apocalipse 3:14.

    Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, vomitar-te-ei da Minha boca. Pois dizes: Sou rico, enriqueci-me e de nada tenho necessidade; e não sabes que tu és o desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo. Ao que vencer, dar-lhe-ei assentar-se Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Oração inicial

    Vamos nos inclinar juntos por um momento de oração?

    Querido Senhor, queremos realmente agradecer-Te porque estás aqui em nosso meio e porque estamos nos reunindo em torno de Ti. Agradecemos-Te por esse ministério em cânticos aos nossos corações. Senhor, agradecemos-Te por termos recebido algo de Ti mesmo.

    Agora queremos pedir, Senhor, ao nos voltarmos para a Tua Palavra, que tomes a Tua Palavra e a tornes viva para nós. Livra-nos de, de alguma maneira, passar ao largo da Tua Palavra ou fugir do desafio que ela nos apresenta. Permite que essa Palavra atinja o seu alvo, Senhor, pedimos, em cada um de nossos corações.

    Pedimos, Senhor, que o Espírito de graça e poder esteja sobre todos nós esta noite, sobre quem fala e sobre quem ouve. Que este momento, Senhor, seja um encontro Contigo. Que seja um momento de transformação de vida para alguns de nós. Que seja, para todos nós, Senhor, um receber de Ti.

    Ó Senhor, nós nos entregamos a Ti. Na fraqueza humana, aperfeiçoa a Tua força, como prometeste. E isso pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O encargo do amor divino

    O encargo que tem estado em meu coração está centrado naquelas palavras do apóstolo Paulo, em Filipenses 1:9-10:

    E isto peço em oração: que o vosso amor cresça ainda mais e mais em conhecimento e em todo discernimento; Para que aproveis as coisas excelentes; a fim de que sejais sinceros e sem culpa até o dia de Cristo.

    O encargo que tem estado tão intensamente em meu coração é toda essa questão do amor de Deus. Na primeira noite, além da introdução, falamos sobre o mandamento divino:

    Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

    E sobre o segundo grande mandamento, semelhante a ele:

    Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Depois, ontem à noite, falamos sobre o desafio divino, aquela síntese do Evangelho de João que nos leva, por assim dizer, ao cerne da questão:

    Tu Me amas? Apascenta os Meus cordeiros. Alimenta as Minhas ovelhas. Apascenta as Minhas ovelhas.

    O diagnóstico divino

    Agora, nesta noite, quero me deter no que intitulei “O diagnóstico divino”.

    Abandonaste o teu primeiro amor. Porque não és quente nem frio, mas morno, Vomitar-te-ei da Minha boca.

    Bem, essa é uma palavra solene. Mas há esperança nela.

    O objetivo divino

    Quero que vocês observem, em primeiro lugar, o objetivo divino. Eu lhes disse naquela primeira noite, quando falamos sobre o mandamento divino, que há certos livros na Bíblia que, por assim dizer, retomam uma grande quantidade de material anterior e quase parecem dizer novamente a mesma coisa, mas geralmente com um elemento adicional de importância fundamental.

    Deuteronômio é um desses livros. Vimos que o elemento adicional era o amor de Deus: não apenas que Ele nos escolheu porque nos ama, mas que devemos amá-Lo de todo o nosso coração e de toda a nossa alma.

    1 e 2 Crônicas são livros assim. Retomam tudo o que temos desde Gênesis até o pequeno livro de Rute — e isso é muita história e muitos dos caminhos de Deus com a humanidade. Mas percorrem novamente toda a história, especialmente os quatro livros do reino — 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis —, e acrescentam a questão de Sião, de Jerusalém, da casa de Deus e do serviço sacerdotal.

    O Evangelho de João é um livro assim. Não é igual aos três primeiros Evangelhos, que chamamos de Evangelhos Sinóticos. Eles nos apresentam os fatos históricos e contam toda a história de diferentes ângulos. O Evangelho de João certamente completa o quadro ao apresentar o Senhor Jesus como Deus, mas é muito mais do que isso.

    O Evangelho de João é uma síntese de tudo, como se o Espírito Santo estivesse dizendo: “Com aqueles três primeiros Evangelhos, vocês têm uma quantidade extraordinária de conteúdo, mas ainda não chegaram ao cerne da questão”. Naquele maravilhoso Evangelho, somos levados ao simples fato de que aprouve ao Pai que, no Filho, habitasse toda a plenitude.

    O livro de Apocalipse também é um livro assim. De fato, é bastante notável, porque sintetiza toda a Bíblia. Volta até Gênesis e acompanha toda a história — não de maneira plenamente histórica, mas tomando o tema espiritual e, por assim dizer, reunindo todos os fios.

    Já se escreveu uma quantidade enorme de livros sobre Apocalipse, e muitas vezes tenho sentido que, quanto mais você lê livros sobre Apocalipse, mais confuso e desorientado fica. Às vezes, dá vontade de colocar uma bolsa de gelo na cabeça e depois voltar ao livro de Apocalipse para encontrar alívio.

    Há tantas teorias conflitantes e complexas construídas sobre esse livro. Às vezes, não consigo deixar de pensar que isso acontece porque Apocalipse é tratado como se fosse independente de todos os outros livros da Bíblia. No entanto, você não pode realmente compreender o livro de Apocalipse — embora eu não afirme compreendê-lo plenamente — sem compreender Daniel, Ezequiel, Joel e Zacarias. Ele se baseia nesses livros, e muitas de suas imagens já haviam sido dadas àqueles profetas.

    Mas não é disso que quero falar nesta noite. O livro de Apocalipse, por determinação ou ordenação prévia de Deus, tornou-se o último livro do cânon das Escrituras. É interessante que, até o século IV, ele ocupava posições diferentes. Às vezes, era colocado junto de Atos; às vezes, junto dos Evangelhos. Muitos questionavam se deveria fazer parte do cânon. Mas, finalmente, Deus o levou ao lugar que deveria ocupar: o último dos sessenta e seis livros da Bíblia.

    O maravilhoso em Apocalipse é que ele abrange toda a nossa vida. Não vou falar sobre sua natureza profética, nem sobre o que ele poderia dizer a respeito de acontecimentos futuros, do 666, do Anticristo, do falso profeta, da besta e de todas essas coisas que há anos fascinam o coração e a mente dos cristãos.

    O que quero dizer é isto: o apóstolo João estava preso na ilha de Patmos, em um campo de trabalhos forçados. Era um prisioneiro político. Estavam fazendo-o trabalhar até a morte. Era política do Império Romano que, se certas pessoas representassem um perigo político, fossem afastadas e submetidas a trabalho até morrer.

    Algo parecido com os campos de concentração nazistas, sobre os quais costumava estar escrito Arbeit macht frei — “O trabalho liberta”. A ideia era que, fazendo as pessoas trabalhar até a morte, elas de alguma maneira produziriam valor para o império, enquanto este se livrava de problemas e perigos políticos.

    O apóstolo João — não sabemos exatamente por quê — estava preso em Patmos, em um campo de trabalhos forçados como esse. Era o último lugar do mundo onde se esperaria que um homem tivesse visões. A maioria das pessoas pensa que, para receber uma visão, é preciso subir uma encosta de montanha magnífica, longe do barulho e da luta da cidade e dos problemas da vida diária, com paisagens gloriosas, amanheceres maravilhosos, belos pores do sol e pássaros cantando. Então, finalmente, de repente, Deus mostra todo tipo de coisa.

    Mas Deus não faz assim. Ele deu algumas das maiores revelações já confiadas a seres humanos a um homem acorrentado a um soldado. Ali estava ele, sentado, ditando carta após carta, após carta, que chegaram até nós como quase o ponto culminante da revelação: Efésios, Colossenses, Filipenses, e poderíamos continuar.

    Aquelas maravilhosas cartas do apóstolo Paulo não foram escritas em algum retiro esplêndido. Foram escritas sob prisão domiciliar, com um soldado romano acorrentado a ele dia e noite, nas condições mais adversas e desfavoráveis.

    Foi assim com o apóstolo João. Não sabemos o que ele estava fazendo. Mas, em certo dia — ele o chamou de dia do Senhor; se era domingo ou o Dia do Senhor, não temos absoluta certeza, e isso realmente não importa —, de repente, ouviu uma voz atrás de si.

    Ao se virar, viu sete candeeiros de ouro acesos. No meio dos sete candeeiros de ouro, viu o Messias ressurreto, glorificado e elevado aos céus. Então lhe foi dito: “Escreve estas mensagens”. Uma após outra, o Senhor Jesus deu a João uma mensagem para sete igrejas, todas no que chamamos de Ásia Menor.

    Depois disso, João teve visão após visão, após visão: visões terríveis em alguns aspectos e gloriosas em outros — dragões, serpentes, bestas, falsos profetas, martírio, perseguição, sistemas anticristãos de alcance mundial e restrições para comprar e vender, a menos que a pessoa estivesse registrada nesses sistemas.

    Ele viu as nações do mundo reunidas e um governo mundial surgindo. Viu uma grande prostituta montada na besta. Viu o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e cento e quarenta e quatro mil selados na testa. Viu os mártires debaixo do altar de Deus clamando:

    Até quando, ó Senhor, esperarás para nos vingar?

    Viu aquele grande sinal no céu: uma mulher dando à luz um filho varão que, ao nascer, foi arrebatado ao céu para que o dragão não pudesse devorá-lo. Que visões extraordinárias — visões que têm intrigado, deixado perplexos e muitas vezes dividido os crentes ao longo dos anos.

    Tudo terminou com a destruição de todo o sistema contrário a Deus e a Cristo, e com o próprio Satanás lançado em um abismo sem fundo. Então João viu a Nova Jerusalém descendo do céu, adornada como uma noiva para o seu esposo.

    A igreja no tempo e a cidade na eternidade

    Agora, o que tudo isso tem a nos dizer nesta noite? Tem muita coisa a nos dizer.

    Em primeiro lugar, gostaria que vocês observassem algo maravilhoso. Seja qual for nossa opinião sobre as interpretações proféticas de Apocalipse, uma coisa parece razoavelmente clara: os três primeiros capítulos e os dois últimos correspondem entre si de maneira extraordinária.

    No meio dos sete candeeiros de ouro estava o Cristo ressurreto. Apocalipse 1:20 nos diz expressamente que aqueles candeeiros representavam sete igrejas locais, e seus nomes nos são apresentados.

    Há pessoas que acreditam que eles representam diferentes etapas da história da igreja. Acho essa interpretação fascinante e instrutiva. Apocalipse parece admitir várias interpretações válidas. Somente a Palavra de Deus poderia fazer isso. É como um diamante: você o gira de diferentes maneiras, e ele reflete diferentes luzes de suas diversas facetas.

    Você não pode fazer isso com Shakespeare. Não pode fazer isso com Goethe. Não pode fazer isso com Mark Twain. Achei que precisava incluir um americano em algum lugar.

    Você não pode fazer isso com a literatura comum, mesmo quando é obra de um gênio. Mas, quando se trata da Bíblia, é algo realmente extraordinário.

    Há quem acredite que as sete igrejas representam diferentes fases da história da igreja. É fascinante e instrutivo, mas não consigo deixar de pensar que, embora essa interpretação seja válida, a interpretação fundamental é que temos sete igrejas escolhidas para representar toda a igreja de Deus no tempo, na terra e em lugares determinados.

    Não eram igrejas apenas de nome. Eram igrejas reais. Tinham todos os problemas da igreja aqui na terra: imoralidade, divisão, falso ensino, facções, mornidão e todos os muitos problemas que nos afligem. No entanto, essas sete igrejas foram escolhidas para representar toda a igreja de Deus no tempo, na terra e em localidades determinadas.

    O Senhor ressurreto, que está no meio delas, fala a cada igreja. Ele as encoraja, consola, fortalece, corrige, repreende e adverte. A cada igreja, Ele conclui da mesma maneira:

    Ao que vencer, concederei isto ou aquilo. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Quando chegamos aos dois últimos capítulos da Bíblia, o cenário mudou. Já não é a igreja na terra, no tempo e em lugares determinados. De repente, estamos olhando para a eternidade.

    Encontramos esta coisa tão maravilhosa em Apocalipse 21:23:

    A cidade não precisa do sol nem da lua para lhe darem claridade; Pois a glória de Deus a iluminou, e a sua lâmpada é o Cordeiro.

    A versão antiga usava “castiçal”, o que é uma tradução muito infeliz. É “candeeiro”, e creio que isso foi corrigido nas versões modernas. Um candeeiro tem um suporte e uma lâmpada que se encaixa na parte superior. A menorá, o candeeiro de sete braços no templo, tinha sete braços, e no alto de cada um se encaixava uma lâmpada.

    Quando João viu aqueles sete candeeiros de ouro, viu exatamente isso — não castiçais, mas candeeiros. Quando viu a cidade descendo do céu, tendo a glória de Deus, ouviu esta palavra: ela não precisa do sol nem da lua para iluminá-la, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada.

    A lâmpada sétupla é o Cordeiro. Qual é o suporte? A cidade. A cidade é o suporte. Portanto, no final de Apocalipse, você tem novamente o candeeiro, só que, desta vez, ele não diz respeito à terra, ao tempo, à localidade ou ao lugar. Diz respeito à eternidade.

    Depois, você encontra a mesma expressão, “ao que vencer”, em Apocalipse 21:6-7:

    E disse-me: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tem sede darei de graça da fonte da água da vida. O que vencer herdará estas coisas; e Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    Não simplesmente “Minha criança”, mas “Meu filho”. Deus está dizendo: “Quero alguém que não tenha sido apenas um bebê, mas que tenha crescido desde a infância para ser Meu filho, a fim de herdar essas coisas e administrá-las”.

    Você encontra a mesma palavra a respeito de ouvir em Apocalipse 22:17:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E aquele que ouve, venha.

    Certamente essa correspondência entre os primeiros e os últimos capítulos não é coincidência. Aqui temos algo que atravessa todo o livro de Apocalipse, com todas as suas visões complexas e misteriosas. Certamente isso tem enorme importância para todos nós.

    O Senhor retrata todo o cenário pelo qual passaremos nesta era. A chave de tudo não é simplesmente ser salvo, nem simplesmente servir ao Senhor. É estar envolvido na edificação da Sua igreja. Essa é a chave de toda esta era, a chave das eras do tempo.

    É como se Deus estivesse dizendo a todos nós: não considerem aquelas últimas visões da Bíblia apenas como ideais e imagens maravilhosos e gloriosos. Se vocês vão fazer parte daquela noiva, se vão reinar com Cristo para todo o sempre, se vão chegar ao Seu trono e sentar-se com Ele no Seu trono, então precisam estar envolvidos em tudo o que Ele está fazendo na terra, no tempo e no espaço, junto com outros irmãos e irmãs.

    A cidade-noiva como objetivo divino

    Qual é o objetivo divino? O objetivo divino é uma cidade-noiva.

    Que combinação extraordinária de coisas tão distintas! Normalmente, você não pensa em uma noiva e uma cidade como coisas relacionadas. Nenhum homem se refere à esposa como “minha cidade”. Ninguém pensaria em se referir a Washington como “minha noiva”. Simplesmente não faz sentido, não é? Estamos acostumados com isso porque está na Bíblia.

    Algumas pessoas dizem que essa cidade é uma cidade literal. Não tenho dúvida de que haverá uma cidade, porque haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça. Em algum lugar estará a sede do governo de Deus. Se haverá nações e justiça de uma extremidade à outra da terra, em algum lugar haverá uma capital, um núcleo de administração, o centro de tudo.

    Mas o que questiono é se a cidade de Apocalipse 21 e 22 deve, em primeiro lugar, ser entendida literalmente como uma cidade. Se você observar com atenção, é uma cidade extraordinária: tão comprida quanto larga, tão alta quanto comprida. Uma coisa é ela ter cerca de 2.900 quilômetros de comprimento e de largura; outra é ter 2.900 quilômetros de altura.

    Sei que neste país vocês constroem edifícios altos, mas nem vocês chegaram a isso ainda. Sem dúvida, há planos para fazer alguma coisa lá no espaço. Deus nos livre.

    Mas não creio que seja disso que essa cidade esteja falando, porque ela tem apenas uma rua. Cantamos hinos que dizem que vamos pisar nas ruas de ouro, mas não há ruas de ouro. Há apenas uma rua de ouro. Como você pode ter uma única rua em uma cidade tão imensa e tão alta, a menos que seja uma espiral que, de alguma forma, passe por todas as portas à medida que sobe? Não faz sentido, faz?

    Além disso, ela é transparente como vidro. Quem quer morar em uma cidade transparente como vidro? Já é difícil ter os amigos entrando e saindo o tempo todo. Morar em uma casa de vidro, de modo que as pessoas possam enxergar tudo lá dentro e você possa ver tudo o que os outros fazem — ah, não sei. Sei que seremos diferentes naqueles dias, mas, ainda assim, eu teria pensado que a privacidade fazia parte de algo próprio do homem e da mulher.

    Vocês nunca ouviram falar de uma cidade feita de ouro, pedras preciosas e pérolas, ouviram? Isso é um sinal certo de que não pode haver crime em lugar nenhum; caso contrário, estariam arrancando pedaços dela. Não seria possível ter uma cidade assim.

    Levando tudo isso em consideração, precisamos chegar a uma conclusão: temos uma realidade espiritual, uma entidade espiritual, uma realidade eterna representada por esses símbolos maravilhosos.

    Uma noiva representa o amor e a união mais íntimos conhecidos pela humanidade. Uma cidade representa administração e comércio. Uma capital representa a administração central de uma nação inteira e de um império.

    Da maneira mais extraordinária, quando você chega ao final da Bíblia, Deus reúne duas coisas que já estavam em Gênesis. Ele disse ao homem:

    Dominai. Sujeitai a terra. Enchei-a. Governai-a.

    Depois, colocou o homem em um jardim e disse, em essência: “Cuide deste jardim e guarde-o”. Se o homem não tivesse falhado, Deus teria dito que havia chegado a hora de acrescentar uma porção de terra ao jardim, depois outra e mais outra. Aos poucos, o homem teria avançado para além do jardim, a fim de sujeitar toda a terra.

    Não era necessariamente a presença do pecado na terra que tornava necessário sujeitá-la. Poderia ser simplesmente o fato de que a vida cresce de maneira exuberante e desordenada. Lembrem-se disso. Não se pode ter vida deixando cada coisa crescer sem nenhum controle. A vida precisa ser conduzida, podada e disciplinada.

    Quando Deus disse: “Haja seres vivos”, eles começaram a crescer por toda parte, livremente, em uma grande profusão. Não havia as mesmas ervas daninhas, os cardos e os espinhos, pois esses vieram com a maldição. Mas havia, ainda assim, uma exuberância de vida. O homem deveria sujeitá-la.

    O domínio foi uma das primeiras coisas de que Deus falou ao homem: “Dominai”. É um dos temas da Bíblia. Por que Deus nos criou? Para que reinássemos; para que aprendêssemos a exercer domínio; para que, em união com Ele mesmo, aprendêssemos, primeiro no jardim de infância do paraíso, no jardim de infância do Éden, as lições elementares e fundamentais.

    Se o homem não tivesse caído, teria avançado para aprender mais e, em algum momento, teria sido transfigurado em glória. Teria alcançado a glória de Deus. Teria sido bem-sucedido, em vez de fracassar.

    Teria sido como Jesus no monte da Transfiguração. Não era um foco de luz vindo do céu e brilhando sobre Ele. Algo aconteceu dentro Dele como homem, e toda a Sua pele e o Seu corpo irradiaram glória. Suas roupas foram transfiguradas, e Sua carne foi transfigurada. Era como se o sol tivesse sido aceso dentro Dele.

    Você sabe que foi feito para isso? Só que pecamos e ficamos aquém da glória de Deus. É para isso que você está destinado. Não é maravilhoso?

    Deveríamos exercer domínio sobre os animais selvagens, assim como sobre os animais domésticos. Então Deus teria dito: “Agora, para uma nova dimensão — uma dimensão espiritual. Agora vocês precisam aprender a governar no invisível, onde há tronos e poderes invisíveis. Agora precisam aprender a reinar ali”.

    O homem caiu. Mas, por toda a Bíblia, você encontra esse tema do governo, do domínio, da autoridade e da realeza.

    Deus enviou Seu Filho unigênito para nos salvar e nos trazer de volta ao Seu propósito original. O que Deus está fazendo conosco? Está procurando fazer de nós reis e sacerdotes para Ele.

    Ao lado da questão de reinar, você tem a questão da noiva. Em Gênesis 2, temos a instituição do casamento humano. Sabemos, pela maneira como Deus fala dele mais adiante, que foi instituído para representar a realidade espiritual para a qual os seres humanos foram criados.

    O casamento é apenas “até que a morte nos separe”, mas esse casamento de que Deus fala é para sempre. O casamento foi instituído para o tempo, mas o casamento entre o Cordeiro e a esposa do Cordeiro é para a eternidade.

    No final da Bíblia, esses dois temas são reunidos. A noiva é uma cidade, e a esposa do Cordeiro é a Nova Jerusalém. Você tem não apenas o relacionamento e a união de amor mais íntimos conhecidos pela humanidade — só que de maneira espiritual, para sempre, entre Deus e os Seus, entre Cristo e Sua noiva —, mas também a cidade que será o centro eterno da administração de Deus por todas as eras vindouras.

    Nem sequer sabemos o que Deus fará nas eras vindouras. Não sabemos se haverá novos universos. Quando Deus tiver enchido este universo com Sua glória, poderá dizer: “Acho que vamos criar outro universo, com uma espécie de novos princípios”. Bem, não será empolgante? Não sei. Precisamos ter cuidado, porque tudo isso é especulação.

    Algumas pessoas parecem pensar que Deus já esgotou Suas forças. “Não ore demais a Deus. Ele lhe deu inteligência. Ele é idoso. Precisa se deitar à tarde. Você não deve incomodá-Lo demais.” Não é assim que, inconscientemente, pensamos em Deus — como se, de alguma forma, Ele estivesse desgastado e cansado, e este mundo realmente tivesse acabado com Suas forças?

    Isso é absurdo. Absurdo. Deus ainda nem começou. Vocês vão ver.

    As pessoas ficam tão empolgadas com imagens de Marte, de Vênus e dos outros planetas. Tudo parece uma paisagem lunar. Não consigo pensar em nada mais horrível. No entanto, este maravilhoso planeta que Deus criou, com seu equilíbrio infinito e delicado, é incrível. Vocês acham que Deus esgotou Suas forças? Nunca, nunca, nunca.

    Até mesmo este universo é apenas um pálido reflexo do que Deus originalmente pretendia. Um dia, como disse o apóstolo Paulo em Romanos 8, quando a escravidão da corrupção finalmente for rompida, de alguma maneira as árvores se transformarão em algo diferente, e outras coisas também se transformarão. O que tudo isso significa? Só sabemos que os profetas falam de leões deitando-se com cordeiros, de crianças brincando com víboras e áspides, e de animais se alimentando juntos.

    Isso é apenas o começo. Deus não vai nos deixar, para todo o sempre, apenas olhando animais comendo palha uns com os outros, depois cantando um coro de aleluias durante mil anos e, então, voltando a olhar os animais. Isso não faz sentido. Não admira que as pessoas riam de nós e digam: “Que eternidade entediante esses cristãos vão ter”.

    Os melhores entre nós dirão: “Mas o Senhor é tão glorioso e belo que simplesmente olhar para Ele será satisfatório e nos preencherá”. Sim, mas Deus não é orgulhoso. Deus não fica ali dizendo: “Quero ser admirado. Todos vocês fiquem ao Meu redor e Me digam para sempre como sou maravilhoso”.

    Deus é — permitam-me dizer isso com reverência — genialidade em Si mesmo. A genialidade na humanidade é o mais pálido reflexo da genialidade divina. Deus foi limitado pela Queda. Estou lutando com a linguagem humana, mas Ele foi limitado naquilo que queria fazer. Temos um parêntese de pecado e de tempo.

    Um dia, todo esse parêntese terminará, e as primeiras coisas, as coisas antigas, terão passado para sempre. Então Deus Se voltará e dirá: “Agora, Minha noiva, vamos prosseguir. Vamos avançar pelas eras”.

    Meus queridos, acho que vale a pena ser salvo para participar disso. Uma pequena aflição aqui, um pouco de sofrimento ali, algumas circunstâncias ruins, alguns problemas inexplicáveis — sinceramente, quando estivermos lá, vamos rir de tudo isso.

    Vamos nos sentar e dar uma boa risada, e eu direi: “Você se lembra daquele problema inexplicável pelo qual passou tanto tempo chorando? Veja o que ele produziu”. Você estará irradiando glória. Mal conseguirá falar. Dirá: “Valeu a pena”.

    “Oh, o amor de Deus — o amor de Deus que me deu aquele problema, o amor de Deus que trouxe aquela coisa inexplicável para as minhas circunstâncias.” Você não dirá: “Como um Deus de amor pode fazer isso?” Dirá: “Oh, foi o amor de Deus. Agora eu vejo”.

    Foi apenas uma pontada no tempo. Ele trouxe tudo aquilo para a minha experiência, pressionou-me quase além do que eu podia suportar e me impeliu para Si mesmo. Descobri o Seu amor por mim e comecei a amá-Lo. Ah, não consigo dizer como serei grato por cada coisa que Ele fez.

    Isso me levou ao trono. Levou-me a fazer parte da noiva. Levou-me a uma união com o Cordeiro que é para todo o sempre.

    Sinto pena dos cristãos cheios de amargura e desconfiança. Pensam que Deus é algum avô da era vitoriana que os odeia, gosta de vê-los infelizes e amontoa problemas sobre eles. Se você olhar apenas para o tempo, é claro que pode parecer assim. Mas, se Deus lhe mostrar um horizonte eterno, de repente tudo se torna uma leve aflição, que dura apenas um momento e produz para nós um peso de glória extraordinário e eterno.

    Porque a nossa leve aflição, que é momentânea, produz para nós, de maneira cada vez mais abundante, um eterno peso de glória; Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que não se veem; Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas.

    — 2 Coríntios 4:17-18

    Sim, queridos amigos, Apocalipse é o livro mais precioso da Bíblia. Pode ser o livro mais misterioso e mais complexo, mas certamente é o mais precioso. É por isso que ele diz que todos os que o leem receberão uma bênção.

    Muitas pessoas não receberam uma bênção. Vieram e disseram: “Essa bênção certamente me escapou. Fiquei tão agitado, quase a ponto de uma neurose espiritual, por causa desse livro. Não consigo entendê-lo — trombetas, taças, pragas, vasos, selos. Onde está a bênção?”

    Vou lhes dizer onde está a bênção: na compreensão da profunda simplicidade de Apocalipse. Esqueçam por um momento a complexidade e o mistério. Pensem na noiva e na cidade. Ah, que profunda simplicidade.

    A Bíblia inteira é uma história de amor. Deus ama você.

    Ele não quer um daqueles serviços públicos eternos e burocráticos, em que as pessoas ficam sentadas atrás de computadores ou máquinas, com rostos que parecem máscaras, sem humanidade, e lhe entregam um formulário para preencher. Deus diz: “Não pensem na Minha administração dessa maneira. Não quero esse tipo de administração”.

    “Quero uma administração que brote do amor. Eles amaram o Senhor, seu Deus, de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de toda a força. Amaram o próximo como a si mesmos. Entregaram a vida, assim como Eu entreguei a Minha. Seguiram-Me por todo o caminho.”

    “Agora quero levá-los a uma união Comigo que é eterna — uma união íntima, pessoal e direta. Eles pertencem a Mim da maneira mais direta. São Minha noiva. São Minha esposa. São Minha família. São Eu mesmo. E, juntos, reinaremos a partir do trono de Deus.”

    Querido povo de Deus, acho que isso é algo que vale a pena considerar.

    Não admira que a Bíblia diga que vocês têm uma vocação tão elevada. Vocês sabiam disso? Sabiam que Deus os salvou tendo essa vocação em vista? Ele quer levá-los ao trono, mas não de maneira fria, mecânica, movida apenas pelo dever. Ele quer levá-los ao trono pelo caminho do amor.

    A igreja como esfera de preparação

    A esfera do nosso envolvimento prático nessa cidade-noiva está ligada àqueles sete candeeiros de ouro nos três primeiros capítulos de Apocalipse.

    É como se o Senhor estivesse dizendo: “Não pensem que podem simplesmente passar pela vida à deriva. Não pensem que podem seguir adiante com questões não resolvidas, sem jamais conhecer disciplina ou autoridade espiritual, sem jamais conhecer a submissão na comunhão, sem jamais saber o que é ser edificados uns com os outros, sem jamais saber o que é sujeitar-se uns aos outros, sem jamais saber o que é atravessar as coisas juntos”.

    Seria maravilhoso, aos olhos de muitas pessoas, se Deus pudesse agitar uma varinha mágica, como em um conto de fadas, e de repente dizer: “Que todos esses cristãos difíceis se tornem perfeitos”. Então, de repente, num instante, todos seríamos maravilhosos. A personalidade humana não funciona assim.

    Se posso falar em termos humanos, Deus assumiu o maior risco que já assumiu quando criou o homem, porque o criou espírito, alma e corpo. Ao criar personalidades humanas, Deus criou algo tão belo, tão complexo e, quando se desvia, tão diabólico.

    É preciso muito treinamento, disciplina e educação para conduzir homens e mulheres caídos, salvos por Sua graça e nascidos do Seu Espírito, pela escola de Cristo até o lugar em que possam reinar com Ele e ser Sua noiva. Deus está sendo muito cuidadoso nessa questão.

    Não tenho dúvida de que essa é uma das razões pelas quais Ele trata alguns dos Seus servos mais preciosos da maneira como trata. Ele toma um apóstolo Paulo, que poderíamos ter mantido aqui para escrever mais algumas cartas, e, aos apenas sessenta e seis anos, ele é martirizado. Pensem em quanto mais poderíamos ter recebido. Nós o teríamos mantido aqui. Deus o leva.

    Deus toma Watchman Nee e o coloca na prisão por vinte anos, apenas para que ele morra ao final desse período. Que desperdício, dizemos. Por que Ele faz isso?

    Como muitas vezes tenho dito, consigo pensar em muitos de nós a quem uma temporada lá dentro faria bem. Talvez nos curasse de muita coisa. Mas o ministério, o conselho e a comunhão do irmão Nee nos teriam sido muito úteis. Deus, porém, não vê assim.

    Deus tem candidatos especiais para posições especiais. Ele traz todo tipo de coisa para essas vidas porque, no fim, está cuidadosamente treinando-os e educando-os para uma vocação eterna.

    Por isso, às vezes, Ele nos tira de atividade e nos coloca de lado. Às vezes, faz exatamente o que fez com nosso irmão, ou com outros, de maneiras diferentes. Tudo se resume à mesma coisa: Ele está nos treinando com uma vocação eterna em vista.

    Queridos irmãos e irmãs, essa questão da igreja aqui na terra é muito, muito importante. É de importância fundamental.

    A vitória por meio do amor divino

    Vou deixar esse assunto, acrescentando apenas mais uma coisa. Observem que, a cada uma daquelas igrejas reais, apesar de todas as suas misérias e problemas, Deus fala aos “que vencem”.

    Algumas pessoas não gostam do ensino sobre os vencedores. Dizem que é separatismo ou elitismo, como se estivéssemos formando um grupo de elite. Entendo isso. Se falamos de um grupo de elite que sabe que seus membros são vencedores e que os demais não são, então isso é realmente muito errado.

    Mas me lembro de que o senhor Sparks certa vez chamou os vencedores de “a equipe de trabalho que vai à frente”. Isso libertou toda a ideia do elitismo e a colocou na perspectiva correta.

    Deus toma pessoas que Lhe entregarão tudo. Ele as conduz por todo o caminho e, por meio delas, abre uma senda pioneira — como José descendo ao Egito e, depois, os outros irmãos entrando na bênção. Não é elitismo; é treinamento.

    Agora, vocês começam a perceber alguma coisa? Não sei se percebem. Mas essa questão do amor é essencial. Nenhum homem e nenhuma mulher será um vencedor, a não ser pelo amor divino.

    Você calculará o custo e desistirá. Achará o sacrifício grande demais, a batalha intensa demais e os problemas inexplicáveis demais. Desistirá. Somente aqueles que têm o primeiro amor poderão ser vencedores.

    Nenhum cristão morno jamais será um vencedor — nem em um milhão de anos. Você pode ter toda a compreensão da Bíblia, a ponto de escrever tratados teológicos. Pode compreender o propósito de Deus de tal maneira que seja capaz de pregar de agora até a semana que vem sobre o propósito eterno de Deus. Pode ter conhecimento da verdade sobre a igreja a ponto de distinguir as coisas que diferem e colocar tudo em seu devido lugar. Mas, se não tiver o primeiro amor, jamais será um vencedor.

    Pela graça de Deus, você jamais chegará àquele trono Dele para reinar com Ele. Você será salvo. Estará no reino. Mas não reinará com Ele, pois, se não sofrermos com Ele, não reinaremos com Ele.

    O diagnóstico de Éfeso e Laodiceia

    Agora vocês entendem o que eu quis dizer quando intitulei esta mensagem “O diagnóstico divino”? Talvez tenham pensado: “Por que ele não a chamou de ‘O objetivo divino’? É disso que tem falado”. Ah, esperem um pouco. Não quero deixá-los apenas com o objetivo divino. Muitos de vocês já sabem alguma coisa sobre o objetivo divino. O que quero ressaltar é o diagnóstico divino.

    No início de Apocalipse, nas mensagens às sete igrejas que representam toda a igreja no tempo, na terra e em lugares determinados, a primeira mensagem à primeira igreja diz respeito ao amor, e a última mensagem à última igreja diz respeito ao amor.

    Não podemos escapar disso.

    Tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Arrepende-te, pois, e pratica as primeiras obras; senão, virei e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.

    Conheço as tuas obras. Nem és quente nem frio. Quem dera fosses quente ou frio. Mas és morno; por isso, vomitar-te-ei da Minha boca.

    Éfeso era uma igreja que, se a compararmos com outras igrejas, era maravilhosa. Ouçam o que o Senhor diz a respeito dela:

    Conheço as tuas obras, o teu labor e a tua perseverança; e que não podes suportar os homens maus; e puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste falsos.

    Bom discernimento.

    Tens perseverança, e suportaste por causa do Meu nome.

    Que coisa bela: eles haviam perseverado. Então Ele diz:

    Tens a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais Eu também odeio.

    Isso é um grande elogio. Se julgássemos a comunhão habitual do povo de Deus por esse padrão, muitos se sairiam bem. Diríamos: “Aqui temos um padrão razoavelmente bom”. A maioria de nós ficaria muito feliz se as igrejas das quais fazemos parte alcançassem esse padrão.

    Trabalho para Deus. Labor para Deus. Perseverança na adversidade e nos problemas. Discernimento quanto ao erro, ao falso ensino e aos falsos líderes. Persistência, sem se cansar. Isso é um grande elogio.

    No entanto, apesar de tudo isso, o Senhor diz: “Não. Não vou mais ter parte nisso. Vou dar as costas a isso. É uma fachada”. Eles abandonaram o primeiro amor.

    Querido filho de Deus, você acha que o Senhor poderia dizer isso a seu respeito? Poderia estar dizendo isso a meu respeito? Poderia estar dizendo isso a nosso respeito?

    Por que Ele parece tão severo? Por quê? Porque ama tanto. É por isso.

    Ele amou tanto você, a mim, a todos nós. Deu tanto por nós que não pode suportar que qualquer coisa seja colocada no lugar do amor. O amor exige amor. O amor requer amor. Não há outra alternativa.

    Você não pode satisfazer alguém que o ama com trabalho, labor, perseverança e discernimento. Isso se torna repulsivo. Se uma pessoa ama você, ela quer primeiro o seu amor e, depois, essas outras coisas. Caso contrário, se essas coisas substituem o seu amor, tornam-se algo que a fere, a entristece, a apaga por dentro e a faz sentir náuseas.

    Ah, a mornidão do nosso cristianismo atual. Como estamos confortáveis. Como somos prósperos. Temos a nossa rotina. Tudo segue seu curso. Pensamos: “Olhe, não exija demais de nós. Vamos duas vezes no domingo e uma vez durante a semana. Isso não é suficiente em nossa vida tão ocupada? Por favor, não nos incomode”.

    Mas Deus diz:

    Quem dera fosses frio.

    Que coisa para Deus dizer à igreja de Laodiceia: “Quem dera você fosse frio”. Odeio essa mornidão. Queria que você estivesse em brasa ou completamente congelado. Mas essa mornidão não posso suportar.

    Ele usa uma palavra grega que é realmente terrível. Diz: “Vou vomitar você”. É tão vulgar, mas é a isso que essa situação levou o Senhor. Ele não poupa palavras. Não usa palavras agradáveis.

    Que coisa para o Senhor dizer a um crente: “Você Me dá náuseas”. Não estou fazendo graça. É exatamente o que diz uma versão moderna: “Você Me dá náuseas. Vou vomitar você”.

    Alguns de vocês talvez fiquem chocados ao ouvir uma pessoa como eu dizer isso e pensem: “Bem, não vim para ouvir esse tipo de coisa. Isso não é agradável”. Mas não discutam comigo. Discutam com o Senhor, porque estou apenas dizendo exatamente o que Ele disse.

    Mornidão. Essa igreja disse:

    Somos ricos. Enriquecemos. De nada temos necessidade.

    Vocês se sentem assim? “Ah, amamos estas conferências. Somos ricos. Enriquecemos. De nada temos necessidade.” Sentimos pena daquelas pobres pessoas desta denominação e daquela denominação, mas nós somos alguma coisa. Nós temos a verdade. Nós vimos.

    Observem a medida anunciada como ameaça:

    Venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro. Vomitar-te-ei da Minha boca.

    Muitas vezes, usamos Apocalipse 3:20 como uma mensagem evangelística:

    Eis que estou à porta e bato; Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, Entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo.

    Eu mesmo encontrei o Senhor por meio desse versículo, por isso sou muito grato por ele. Mas, em primeiro lugar, não é uma mensagem evangelística. É dirigida a uma igreja do Novo Testamento, uma igreja real da qual o Senhor havia sido afastado pela indiferença — não por uma frieza absoluta ou por um antagonismo declarado, mas simplesmente pela mornidão.

    Ele estava do lado de fora, batendo. “Eis que estou aqui, à porta da igreja, da igreja viva, da casa de Deus, e bato. Há alguém que possa Me ouvir? Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele Comigo.” É a renovação do amor.

    Não pode haver cumprimento genuíno do propósito de Deus, nem se pode alcançar o Seu objetivo, sem amor. Essa é a mensagem de Apocalipse. Todas aquelas outras visões e mistérios maravilhosos podem esperar para outra ocasião. Mas a mensagem que atravessa o livro inteiro é esta, mais essencial do que todas as outras: se você não permanecer no primeiro amor, jamais chegará ao trono, jamais alcançará o objetivo de Deus e jamais fará parte da Sua noiva.

    A natureza essencial do primeiro amor

    Posso dizer algo sobre a natureza essencial do primeiro amor? Permitam-me dizer algumas palavras para desfazer ideias falsas.

    O primeiro amor é uma qualidade de amor. Não é uma indicação de sua sequência no tempo.

    A maioria das pessoas pensa no primeiro amor como uma paixão adolescente, um amor juvenil: aquela primeira afeição, a primeira explosão de emoção, quando você estava com os olhos arregalados e andando nas nuvens. Não é isso, de modo algum, que o Senhor quer dizer.

    O primeiro amor não é uma indicação de sua sequência no tempo. É uma qualidade de amor. É um amor sensível, total, inteiramente e completamente comprometido com aquele a quem ama.

    O que isso significa? É o tipo de amor que está pronto para qualquer sacrifício, a qualquer hora, em qualquer lugar, por aquele a quem ama.

    Ele irá a qualquer lugar, será qualquer coisa, fará qualquer coisa, gastará qualquer coisa, por amor àquela pessoa.

    O primeiro amor está pronto para uma semana de oração, para uma noite de oração, pronto para deixar a rotina de lado e esperar em Deus. Isso é o primeiro amor. Ele não levanta imediatamente um milhão de objeções: “Ah, não podemos fazer isso. Vamos atrapalhar isto. Vamos atrapalhar aquilo”. Não, não, não. O primeiro amor diz: “Vamos fazer”.

    O primeiro amor levará uma pessoa a cair na terra e morrer em um lugar como a Nova Guiné, em algum ponto da Amazônia ou em alguma região industrial e sombria de uma cidade norte-americana.

    Assim é o primeiro amor. Não consigo lhes dizer como fiquei comovido, alguns anos atrás, quando uma serva idosa e piedosa do Senhor me levou a um pequeno lugar desconhecido nas montanhas de Benjamim, ao norte de Jerusalém. Era uma irmã que havia servido ao Senhor com Rees Howells e outros durante muitos anos e, depois, na última parte de sua vida, em Israel.

    Ali conheci três irmãs morávias idosas. A líder delas tinha oitenta e quatro anos. Fazia muitos anos que eu não experimentava um contato tão vivo com o Senhor em uma pessoa como experimentei nela.

    No dia em que fui, elas haviam passado o dia inteiro lavando as roupas dos treze leprosos sob seus cuidados. Os homens e as mulheres árabes que vinham ajudar não tocavam nas roupas, então essas irmãs faziam o serviço.

    Dia após dia, durante quarenta e dois anos, aquela irmã havia cuidado de leprosos. Um deles não tinha pernas nem braços e era cego de um olho. Outro não tinha pés, tinha apenas uma mão e não tinha nariz. Precisavam ser carregados até o banheiro. Precisavam ser alimentados. Era preciso fazer tudo por eles.

    Ninguém sabia delas. Ninguém cantava sobre elas. Ninguém escrevia sobre elas. Não eram populares. Nunca haviam recebido agradecimentos. Vinham de uma casa-mãe na Alemanha Oriental, com a qual haviam perdido o contato, de modo que até o dinheiro que tinham era muito pouco.

    Fui mais humilhado por minha visita a elas do que por muitas outras visitas que fiz a outros servos do Senhor.

    Menciono isso porque vi naquela irmã o primeiro amor. Ela nunca disse: “Ah, este trabalho terrível. Consiga pessoas para orar por nós”. Ela estava radiante.

    Quando a irmã que me acompanhava se voltou para mim e disse: “Você sabe o que elas fizeram o dia inteiro? Lavaram as roupas dos leprosos”, mal pude acreditar. Elas estavam radiantes, cheias do Espírito do Senhor.

    Três sementes que haviam caído na terra e morrido. Não consigo deixar de sentir que pessoas assim, em algum momento, haverão de chegar a Sião. Em algum lugar, em algum momento, haverá reconhecimento.

    Isso é o primeiro amor: nenhum pensamento de ser popular, de ter algo escrito a seu respeito, de ser famoso ou de ouvir todos dizerem: “Não foi maravilhoso? Fulano entregou a vida. Você viu?”

    Mas fazer isso onde ninguém vê você, onde ninguém realmente sabe e talvez onde ninguém parece se importar — isso é o primeiro amor.

    Abandonaste o teu primeiro amor. És morno, nem quente nem frio.

    O amor como medida da realidade espiritual

    Essa é uma qualidade que Deus procura em você e em mim. Pensem em 1 Coríntios 13. Muitos de vocês têm essas palavras escritas em alguma placa ou pergaminho na parede, porque são tão maravilhosas. Mas me pergunto se alguém percebeu a natureza contundente dessas palavras.

    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, Tornei-me bronze que soa ou címbalo que retine. E ainda que eu tenha o dom de profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência; E ainda que eu tenha toda a fé, de modo a remover montanhas, se não tiver amor, nada sou. E ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveita.

    — 1 Coríntios 13:1-3

    Esqueçam por um momento o sentimentalismo. Essas palavras são contundentes.

    Se eu tivesse as línguas dos homens e dos anjos — algo que muitos desejariam —, mas não tivesse amor, teria me tornado bronze que soa. Um gongo barulhento, como diz a New American Standard Bible. Fico pensando quantos gongos barulhentos há aqui. Quantos címbalos que retinem?

    Mais uma vez, ouçam isto: se eu tiver o dom de profecia, e conhecimento, e conhecer todos os mistérios — todos os mistérios — e toda a ciência, e não tiver amor, nada sou. Um gongo barulhento. Um címbalo que retine. Nada.

    Se eu distribuir todos os meus bens para alimentar os pobres e entregar o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me aproveita.

    Primeiro amor. Primeiro amor.

    Que acusação: anos de trabalho, zelo, estudo, energia, até mesmo fé para remover montanhas; sacrifício, até mesmo revelação; e tudo isso não resulta em nada.

    A solução divina

    Qual é a solução divina? Deus não dá um diagnóstico sem uma solução.

    Aqui está:

    Lembra-te, pois, de onde caíste.

    Vocês ouviram isso? Lembre-se de onde caiu. Volte atrás e pense. Lembre-se. Essa é a primeira parte da solução.

    Aqui está a segunda parte. Em Apocalipse 2:5:

    Arrepende-te.

    Ele diz isso duas vezes. Em Apocalipse 3:19:

    Sê, pois, zeloso e arrepende-te.

    Não pense que você não pode se arrepender. Quando Deus nos diz que nos arrependamos, cada um de nós pode se arrepender. Algumas pessoas pensam que você só se arrepende quando se converte. Não. Deus diz aos crentes da igreja de Éfeso:

    Arrepende-te; senão, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.

    O que é arrependimento? É voltar-se — voltar-se deliberadamente para Deus e dizer: “Ó Deus, perdoa-me. Eu me arrependo disso”. Não é apenas uma falha ou uma fraqueza. Não é algo para o qual eu possa dar desculpas.

    Todos nós somos pessoas cheias de desculpas. “Ah, Senhor, Tu sabes que estou tão ocupado. Sabes que tenho tantas circunstâncias. Sabes dos problemas com a família. Sabes dos problemas com fulano.” Mas o Senhor diz: “Não, não quero desculpas. Arrepende-te”.

    Sê, pois, zeloso e arrepende-te. E pratica as primeiras obras.

    O que Ele quer dizer com as primeiras obras? Refere-Se a todas as coisas que você está fazendo no presente, só que feitas com o primeiro amor.

    Talvez você precise dar os seus bens. Talvez o seu corpo seja queimado um dia. Certamente você deve ter fé para remover montanhas; temos muitas que precisam ser removidas. Você deveria ter conhecimento dos mistérios. Não seria maravilhoso se um de vocês tivesse conhecimento de todos os mistérios? Eu gostaria de conversar com você. Todo o conhecimento. Gostaria que vocês tivessem as línguas dos homens e dos anjos — mas com o primeiro amor.

    Não admira que o apóstolo diga, ao concluir essa palavra maravilhosa:

    Façam do amor o seu alvo.

    Ou, como diz outra versão:

    Sigam o amor.

    Sigam o amor. Esse é o caminho mais excelente.

    Queridos irmãos e irmãs, nunca é fácil falar assim, mas às vezes precisamos fazê-lo.

    Quem dera cada um de nós ainda estivesse no primeiro amor. Mas, se não estamos, que Deus alcance você e a mim nesta noite.

    Que lágrimas sejam derramadas e corações sejam quebrantados. Que, de alguma maneira, Deus nos traga de volta àquele primeiro amor, para que não estejamos entre aqueles cujo amor esfria porque a iniquidade se multiplica, mas sejamos aqueles que vestem a couraça da fé e do amor e, como capacete, a esperança da salvação.

    O diagnóstico divino:

    Abandonaste o teu primeiro amor.

    Arrepende-te e pratica as primeiras obras; Senão, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.

    Vamos orar?

    Oração final

    Vamos ter um momento de silêncio?

    Querido Senhor, pedimos que, em Tua grande compaixão e em Teu amor, sejas gracioso conosco nesta noite.

    Tu conheces inteiramente o nosso coração, Senhor. Não há nada que possamos esconder de Ti. Tu conheces a condição dele. Conheces, Senhor, a condição de todos os grupos dos Teus filhos representados aqui nesta noite.

    Ó Senhor, pedimos que tenhamos ouvidos para ouvir o que estás dizendo, e uma vontade disposta a obedecer-Te e a responder a Ti.

    Querido Senhor, opera em nosso coração, pedimos, pelo Teu Espírito. Estamos vivendo em dias de grande perigo, crise e mudança. Pedimos, ó Senhor, que sejamos aqueles que, pela Tua graça, são vencedores.

    Senhor, pedimos nesta noite: se abandonamos o nosso primeiro amor, traz-nos de volta — custe o que custar, seja o que for que isso signifique.

    Por mais que precisemos nos humilhar, se tivermos de ir uns aos outros e confessar coisas, se tivermos de pedir perdão uns aos outros, se houver coisas que precisam ser perdoadas, esquecidas e purificadas, ó Senhor, dá-nos graça, pedimos, para que não tenhamos nenhum obstáculo ao retorno ao nosso primeiro amor.

    Ajuda-nos a compreender, cada um de nós, se esta palavra se aplica a nós, o que significa arrependimento. Tu disseste: “Sê zeloso”. Ajuda-nos, Senhor, a compreender o que significa, para nós, ser zelosos e nos arrepender.

    Senhor, tem misericórdia de nós e, pelo Teu Espírito, move-Te em todos os nossos corações, Senhor, pedimos. Tu nos amas tanto. Conquista-nos novamente para Ti. Pedimos por amor do Teu nome. Amém.