Bem, abram comigo o Antigo Testamento no livro de Deuteronômio 6:1.
Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os juízos que o Senhor, vosso Deus, mandou ensinar-vos, para que os cumprais na terra à qual passais para possuí-la;
para que temas ao Senhor, teu Deus, e guardes todos os Seus estatutos e os Seus mandamentos, que eu te ordeno, tu, teu filho e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e para que se prolonguem os teus dias.
Ouve, pois, ó Israel, e cuida de cumpri-los; para que bem te suceda, e para que muito vos multipliqueis, como te prometeu o Senhor, Deus de teus pais, numa terra que mana leite e mel.
Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um só:
e amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
e as ensinarás diligentemente a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.
E as atarás por sinal na tua mão, e serão por frontais entre os teus olhos.
E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.
E agora, no Novo Testamento, no Evangelho segundo Marcos 12:28.
E, aproximando-se um dos escribas, que os ouvira discutir e sabia que Ele lhes havia respondido bem, perguntou-Lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?
Jesus respondeu: O primeiro é: Ouve, ó Israel; o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um só:
e amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.
O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.
E o escriba Lhe disse: Muito bem, Mestre; com verdade disseste que Ele é um só, e que não há outro além Dele:
e que amá-Lo de todo o coração, de todo o entendimento e de toda a força, e amar o próximo como a si mesmo, é muito mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.
E Jesus, vendo que ele havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E ninguém mais ousava fazer-Lhe perguntas.
Vamos inclinar a cabeça juntos em oração?
Ó Pai celestial, nós Te agradecemos, ao nos aproximarmos da Tua Palavra nesta noite, porque disseste, por meio de nosso Senhor Jesus, que o Espírito da verdade nos guiaria a toda a verdade, e que Ele tomaria das coisas do Senhor Jesus e as tornaria reais para nós.
E, ó Pai, queremos dizer-Te, tanto quem fala quanto quem ouve, que dependemos desse ministério do Espírito Santo. Nós Te agradecemos pela provisão que fizeste para nós, Senhor, e queremos, juntos, nos apropriar dessa provisão, para que este tempo não seja desperdiçado nem inútil em parte alguma.
Que esse espírito de quietude venha sobre todos nós. E concede, nós Te pedimos, Senhor, que ouçamos a Tua voz e que a Palavra de Cristo habite ricamente em nós. Nós Te pedimos, Senhor, em Seu precioso nome. Amém.
Quando apresentei ontem à noite o encargo que estava em meu coração para estes poucos encontros que tenho com vocês, chamei a atenção para uma frase na carta do apóstolo Paulo à igreja em Filipos, em Filipenses 1:9.
E oro para que o vosso amor abunde ainda mais e mais em conhecimento e em todo discernimento;
para que aproveis as coisas excelentes;
para que sejais sinceros e irrepreensíveis até o dia de Cristo.
Quero, nesta noite, sem mais introduções, me deter no mandamento divino:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força.
E amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Agora, a chave de tudo está na natureza de Deus. Uma das declarações mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundas de todo o Livro está em 1 João 4:8 e, novamente, em 1 João 4:16:
Deus é amor.
Não diz apenas: “Deus ama”. Isso é um fato. Cada um de nós que nasceu de Deus, que experimentou a salvação de Deus, sabe que Deus ama e que Ele nos amou primeiro. Mas essa declaração é insondável. É profunda. É absolutamente fundamental. Abrange tudo. Deus não apenas ama. Deus é amor.
Quando a Palavra de Deus diz que Deus é amor, ela diz muito, muito mais do que simplesmente que Ele ama. Isso já seria maravilhoso o bastante, mas o fato de Sua natureza ser amor está além da nossa compreensão. Experimentamos um pouquinho, e isso nos enche de êxtase.
Que filho de Deus já foi tocado pelo amor de Deus, ou cheio do amor de Deus na medida de sua capacidade, sem conhecer algum tipo de êxtase, alguma experiência de ser levado para além de si mesmo? Sinto pena dos cristãos que não acreditam que possa, ou deva, haver uma experiência assim.
Quanto mais experiências assim, melhor — especialmente se estamos entrando em dias de sofrimento, pressão e tensão. Não é que queiramos mera emoção, mero êxtase ou meras sensações; mas ser tocados pelo amor de Deus, movidos pelo amor de Deus e cheios do amor de Deus — chegar a uma experiência pessoal e própria de que Deus é amor — certamente é algo fundamental. Tem de ser algo transformador.
Não é de admirar que os primeiros metodistas falassem de uma experiência que chamavam de amor perfeito.
Deus é amor. Devemos observar que existem apenas duas declarações desse tipo, e ambas se encontram nesta carta. A outra é muito semelhante:
Deus é luz.
Vocês encontram isso em 1 João 1:5:
Deus é luz, e Nele não há treva alguma.
Luz e amor são um veio que atravessa toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse. A relação entre luz e amor, e entre amor e luz, é algo que vocês encontrarão em cada livro da Bíblia.
Não posso me demorar muito nisso, mas gostaria de tomar as palavras do Senhor Jesus, quando Ele expressou isso de maneira muito simples, conforme registrado em João 14.
Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos.
E, novamente, em João 14:23:
Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra: e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e faremos nele Nossa morada.
Ou em João 14:21:
Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama: e aquele que Me ama será amado por Meu Pai, e Eu o amarei e Me manifestarei a ele.
Parece que, em alguns meios cristãos, essa questão do amor é sempre colocada em oposição à lei, como se a lei fosse uma coisa e o amor, outra; como se os mandamentos de Deus fossem uma coisa e o amor de Deus, outra; como se, de algum modo, a verdade fosse uma coisa e a graça, outra.
E, se você experimenta o amor de Deus, fica livre dos mandamentos. Fica livre da lei. Fica livre da Palavra de Deus. Fica livre das suas restrições. Não é assim.
O Senhor Jesus não disse isso apenas nessas poucas ocasiões registradas, mas repetidas vezes. E assim também encontramos isso em muitas das cartas.
Não se trata de termos uma lista inteira de regulamentos e leis para tentar cumprir, como na antiga aliança. Em vez disso, o Espírito de Deus veio habitar em nós, trazendo a lei. Agora, a força que move tudo isso é o amor.
Porque amamos a Deus, estaremos espontaneamente guardando a Sua Palavra. Algumas pessoas me dizem que já não precisam guardar os Dez Mandamentos. Mas isso é um absurdo. Os Dez Mandamentos vieram habitar dentro de você.
Se o Espírito de Deus veio habitar em você, então os dez mandamentos — as dez palavras de Deus — vieram habitar em você. Você não fica o tempo todo pensando no que pode ou não pode fazer; simplesmente pensa Nele. E, ao andar com Ele, você guarda espontaneamente a lei de Deus.
Como alguém pode amar o Senhor Jesus Cristo e quebrar os Seus mandamentos? Como alguém pode amar o Senhor Jesus Cristo e desprezar os Seus mandamentos? É impossível.
Se O amamos, estaremos sensivelmente atentos a cada palavra que Ele disse. De algum modo, teremos consciência da necessidade de valorizar, compreender e obedecer ao que Ele disse — não apenas na letra, mas, acima de tudo, no espírito.
Luz e amor: estão por toda parte.
Nunca se deixem desviar por algumas dessas coisas que prometem algum tipo de experiência do amor de Deus que os liberte dos mandamentos do Senhor Jesus.
Em alguns círculos carismáticos, corremos o perigo de ter esses grupinhos do “abençoa-me”. Vocês sabem, aquelas situações em que todos nos reunimos apenas para ser abençoados, e só pensamos em nós mesmos, em nossa própria edificação e coisas assim.
Nunca nos passa pela cabeça que o Senhor Jesus disse:
Ide e fazei discípulos de todas as nações.
Nunca nos passa pela cabeça que Ele nos designou para ir e dar muito fruto. Parece que a única coisa que nos preocupa é louvar ao Senhor, adorar ao Senhor e resolver nossas próprias necessidades.
Podemos seguir pelo mesmo caminho em toda a questão da igreja. Podemos enxergar a verdade acerca da igreja, mas isso pode nos virar do avesso e de cabeça para baixo de maneira errada, de modo que, no fim, ficamos tão concentrados nessa verdade que todo o resto é deixado de lado.
Não existe amar a Deus sem estar atento a toda a abrangência do Seu mandamento.
Deixem-me dizer novamente: não se trata de pendurarmos na parede as 618 leis que todo bom judeu ortodoxo deve guardar e, de algum modo, tentar cumpri-las rigorosamente. Isso seria uma terrível escravidão e um peso para todos nós.
Mas, se o Espírito de Deus veio habitar em nós, então cada mandamento do Antigo Testamento que ainda deva ser compreendido e observado em seu sentido espiritual, mesmo que não em seu sentido literal, deve vir habitar em nós. Não é assim?
Jesus disse que, se alguém ensinar os homens a quebrar um dos menores desses mandamentos, será o menor no reino de Deus. Ele disse:
Não vim destruir a lei, mas cumprir a lei.
Ora, se foi assim que o Senhor Jesus veio — para cumpri-la, não para destruí-la, não para descartá-la, mas para cumpri-la — e depois, por Seu Espírito, habitar em nós para guardá-la, de modo que Sua lei seja escrita em nosso coração e Seu Espírito seja posto dentro de nós, isso abre uma nova entrada, uma nova porta.
Isso nos introduz numa nova dimensão de alegria, de liberdade, de glória. Não é uma questão de imposição. Não é uma questão de dever, mas é o amor de Cristo que nos constrange.
Pela primeira vez, a força que nos move passa a ser o amor de Deus, porque Ele nos amou primeiro.
Portanto, deixem-me dizer desde já: esse amor não é aquilo que tantas vezes se entende por amor — algo meloso, meramente sentimental. Ficamos derretidos, todos melosos, com olhos apaixonados. Essa ideia de amor, naturalmente, afasta a maioria dos homens logo de início.
Isso contraria a natureza deles. Não é esse o amor que Deus procura. É claro que deve haver sentimento nele. É claro que deve haver emoção nele. É claro que deve haver sensibilidade nele. É claro.
Mas esse amor é algo forte, firme, sólido como uma rocha. É duradouro. Esse amor é tanto a coisa mais maravilhosa a respeito de Deus quanto a mais temível.
Ser amado por Deus é a coisa mais maravilhosa de todo o universo, mas, ao mesmo tempo, é a coisa mais temível de todo o universo. Algumas pessoas pensam que é apenas maravilhoso. Deixem-me dizer: é temível.
Pois, uma vez que o Senhor ama uma pessoa, Ele não a deixa escapar. Ele a perseguirá incansavelmente até finalmente encurralá-la, mesmo que seja em seu leito de morte.
Mas, no fim, Ele obtém de você aquilo que deseja. Ele leva você ao lugar a que talvez devesse ter chegado anos antes.
Uma vez que Deus coloca Seu amor sobre alguém, não há escapatória. Isso é tanto a nossa segurança quanto o nosso temor.
Por que o autor de Hebreus diz:
Açoita a todo filho a quem recebe.
Isso parece um tanto estranho aos ouvidos modernos, mas o que ele quer dizer é simplesmente isto: trata-se da segurança de um amor firme, forte, que não pode ser enganado nem iludido.
É esse tipo de coisa que dá segurança a uma criança em qualquer família. Quando recebem um tipo de amor que lhes permite fazer qualquer coisa, ir a qualquer lugar, escolher qualquer coisa e ser qualquer coisa, elas crescem inseguras.
Mas, quando existe um amor que se importa com elas — que se importa o suficiente para discipliná-las, que se importa o suficiente para corrigi-las —, isso traz segurança à vida daquela criança.
Assim é conosco. Ah, o amor de Deus! Como é maravilhoso. Como é temível.
Quero dizer mais uma coisa sobre essa questão, a natureza de Deus. Aqui está o amor. É isso que está por trás da criação do universo. É isso que está por trás da criação do ser humano. É isso que está por trás da redenção do ser humano.
É isso que está por trás do objetivo de Deus, do fim que Ele tinha em mente quando criou o universo e quando criou o ser humano à Sua imagem. É o amor divino que está por trás de todas essas coisas.
Às vezes, neste mundo caído, quando vemos suas contradições, sua depravação e sua infelicidade, sua angústia e seu sofrimento, e quando vemos as tempestades atingirem os justos e os injustos, e o sol brilhar tanto sobre os injustos quanto sobre os justos, somos tentados a questionar o amor de Deus.
Mas, querido filho de Deus, por trás da criação deste universo, por trás da criação do homem e da mulher — da humanidade — e por trás daquela gloriosa obra de redenção realizada por nosso Senhor Jesus na cruz, está o amor de Deus.
E por trás do objetivo de Deus, da finalidade de Deus, da estratégia de Deus, está o amor de Deus. Do começo ao fim, é uma história de amor — uma história de amor divino.
Agora, o ponto central é este. Gostaria de levá-los por um momento de volta ao Antigo Testamento, ao quinto livro do Antigo Testamento, o livro de Deuteronômio, do qual lemos nesta noite.
Deuteronômio — ou, como o velho sr. Sparks costumava dizer, num trocadilho em inglês, “Deutero, know me” — significa simplesmente a repetição da lei.
Ora, sempre que Deus diz alguma coisa duas vezes, precisamos prestar muita atenção. É algo muito interessante, e fiquei bastante tentado, nestes encontros que tenho com vocês neste ano, a abordar as ocasiões em que Deus diz tudo outra vez.
Porque, cada vez que Ele Se dá ao trabalho de retomar tudo e dizer tudo novamente, isso tem um significado muito profundo e importante.
Vejam, tudo o que temos no livro de Deuteronômio já nos foi dado, exceto a morte de Moisés. Essa é a única coisa nova acrescentada. Todo o resto já está lá. Então, por que Deus desperdiça páginas do Livro?
Há todo tipo de coisa que gostaríamos muito de saber. Vamos comer no céu? Vamos nos reconhecer no céu? O que vamos fazer no céu? Haverá um milênio ou não haverá um milênio? Vocês sabem, todas essas coisas com que tanto nos ocupamos.
Se ao menos Deus tivesse usado todos esses capítulos para incluir esse tipo de informação, em vez de retomar tudo o que já havia dito! Temos Gênesis, Êxodo, Levítico e Números. Por que repetir tudo?
Deus faz exatamente a mesma coisa com os livros de 1 Crônicas e 2 Crônicas. Alguns de vocês provavelmente começaram a ler Crônicas e se perderam naquelas genealogias. Elas parecem intermináveis, não é?
Mas elas voltam até Adão e, depois, percorrem toda a história a partir de Gênesis. Alguém dirá: “Bem, por que desperdiçar todos esses capítulos do Livro? Por que não nos dar um pouco mais de revelação, uma revelação nova? Por que repassar tudo novamente?”
E depois, em particular, ele retoma os livros de 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis e 2 Reis. Por quê? Mas há uma razão para isso, entendem?
Quando chegamos ao Novo Testamento, temos três Evangelhos que contam a mesma história de ângulos diferentes. Mas depois temos um quarto Evangelho, que não foi escrito como os outros, mas é uma interpretação.
É como se esse Evangelho resumisse tudo e dissesse: “Este é o ponto central”. Nos outros, vocês têm apenas parte da verdade. Têm a história. Têm o fato. Ainda não têm o ponto central.
Crônicas faz exatamente o mesmo. É como se Deus apontasse para uma questão: a casa de Deus e Jerusalém. Ele aponta para isso e diz: “Este é o ponto central de toda a questão. Este é o centro de toda a Minha perseverança com a humanidade”.
Agora, o livro de Deuteronômio é exatamente assim.
Se vocês lerem o livro de Deuteronômio com muita atenção depois desta noite — talvez queiram lê-lo numa versão moderna, não sei —, se o lerem e tiverem algum conhecimento daqueles outros livros, chegarão inevitavelmente a uma conclusão.
Qual é essa conclusão? É simplesmente que tudo é uma questão de amor.
É interessante o fato de que o amor por Deus, ou o amor de Deus por nós, é mencionado apenas uma vez em todos aqueles quatro livros, em Êxodo 20:6. Mas, quando chegamos a Deuteronômio, parece que cada capítulo fala do amor de Deus.
Ele fala de Deus nos amar e nos escolher porque nos amou; e foi por isso que Ele escolheu vocês dentre todos os povos sobre a face da terra. E então vem o clamor: “Vocês devem amar ao Senhor”.
Porque Deus é amor, somente o amor O satisfará. Vocês ouviram isso?
Algumas pessoas estão tão acostumadas com esse tipo de mensagem evangélica que ela simplesmente passa por elas. Porque Deus é amor, somente o amor O satisfará.
O conhecimento nunca O satisfará. A compreensão nunca O satisfará. O zelo nunca O satisfará. Seu trabalho e sua energia nunca O satisfarão. A oferta do seu dinheiro nunca O satisfará. Nem mesmo entregar o seu corpo para ser queimado O satisfará.
Somente quando você amar o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de toda a sua força, Deus finalmente ficará satisfeito.
Ele ama você e não aceitará ser despachado com qualquer outra coisa como substituto do amor. Mas nós, os crentes, somos verdadeiros especialistas em substituir o amor pelo trabalho.
Colocamos o trabalho no lugar do amor, como se, quando trabalhamos até a exaustão, Deus certamente fosse compreender. Se oferecermos nossa energia, Deus compreenderá. Se frequentarmos as reuniões, Deus certamente olhará para nós com favor. Mas Deus não suporta isso.
Quando o amor se vai, isso se torna repugnante para Deus. Somente o amor satisfaz a Deus.
Vocês encontram isso por toda parte no livro de Deuteronômio. Vejam Deuteronômio 7:6-8:
Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus: o Senhor, teu Deus, te escolheu para seres o Seu povo particular, dentre todos os povos que há sobre a face da terra.
O Senhor não pôs o Seu amor em vós, nem vos escolheu, por serdes mais numerosos do que qualquer outro povo; pois éreis o menor de todos os povos:
mas, porque o Senhor vos ama, e porque quis guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito.
Agora vejam Deuteronômio 6:5. Nós o lemos anteriormente:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
Ou, novamente, Deuteronômio 10:12-13:
E agora, ó Israel, que é que o Senhor, teu Deus, requer de ti, senão que temas ao Senhor, teu Deus, que andes em todos os Seus caminhos, que O ames e que sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma,
que guardes os mandamentos do Senhor e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?
Ou, novamente, Deuteronômio 11:1:
Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, e guardarás sempre a Sua ordenança, os Seus estatutos, os Seus juízos e os Seus mandamentos.
Ou, novamente, Deuteronômio 13. Estou entediando vocês com todas essas passagens das Escrituras? Mas, vejam, essa questão do amor não é mencionada apenas uma vez na retomada daqueles quatro livros. Agora, ao repassarmos o conteúdo de todos esses livros, nós a encontramos repetidamente.
Quando se levantar no meio de ti um profeta, ou sonhador de sonhos, e te der um sinal ou prodígio,
e suceder o sinal ou prodígio de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los;
não ouvirás as palavras daquele profeta, ou daquele sonhador de sonhos: porque o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma.
Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a Ele temereis; guardareis os Seus mandamentos, ouvireis a Sua voz, a Ele servireis e a Ele vos apegareis.
Ou, ainda, por fim, neste livro, Deuteronômio 30:6:
E o Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração da tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas.
E Deuteronômio 30:16:
Porquanto hoje te ordeno que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos Seus caminhos e que guardes os Seus mandamentos, os Seus estatutos e os Seus juízos, para que vivas e te multipliques, e o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra à qual entras para possuí-la.
E, finalmente, Deuteronômio 30:20:
Amando o Senhor, teu Deus, ouvindo a Sua voz e apegando-te a Ele; pois Ele é a tua vida e o prolongamento dos teus dias: para que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó.
Pergunto-me se algum de nós realmente compreendeu o significado de Deuteronômio. Porque o que ele está dizendo, na verdade, é isto: há uma história de amor divino por trás da sua criação. Há uma história de amor divino por trás da sua formação. Há uma história de amor divino por trás da sua redenção.
Há uma história de amor divino por trás da sua transformação. Há uma história de amor divino por trás da sua educação e do seu treinamento. Deus tem um plano para você, e a Bíblia é a revelação desse plano.
Algumas pessoas acreditam que a salvação é o plano de Deus. Mas a salvação é apenas parte desse plano, visto que todos somos criaturas caídas. A salvação é o meio pelo qual Deus nos coloca de volta em Seu propósito, de volta em Seu plano.
Portanto, a Bíblia é uma história de amor. Ela começa com um casamento e termina com um casamento. Começa com um casamento no segundo capítulo, e mais adiante nos é dito que essa instituição do casamento é um mistério.
Ela deve representar e manifestar o desejo eterno de Deus pelos que são Seus.
Quando chegamos ao fim da Bíblia, temos um casamento. Só que o casamento no fim da Bíblia é entre o Senhor Jesus, o Cordeiro, e a noiva, a esposa do Cordeiro.
Então, para onde quer que olhemos no Livro, isso se torna cada vez mais claro. A maioria das pessoas considera a pequena carta aos Efésios o ponto culminante da revelação no Novo Testamento. Aqui, em Efésios 5:25-27, lemos estas palavras maravilhosas:
Cristo também amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela;
para que a santificasse, tendo-a purificado pela lavagem da água com a palavra,
para que a apresentasse a Si mesmo como igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante; mas santa e irrepreensível.
E depois, um pouco mais adiante, em Efésios 5:32:
Grande é este mistério: mas eu falo a respeito de Cristo e da igreja.
Que Livro extraordinário é a Bíblia quando começamos a vê-la nesses termos — não apenas a ira de Deus, nem mesmo apenas a verdade de Deus, mas a luz de Deus nos introduzindo no amor de Deus, e o amor de Deus nos conduzindo à luz de Deus.
Então a Bíblia se torna o Livro mais empolgante de todo o mundo.
Não é sem razão que, quase no centro da Bíblia, há um livrinho que vem sendo chamado pelos teólogos modernos e liberais — e não estou exagerando — de uma cantiga obscena de amor. É o Cântico dos Cânticos.
Prefiro acreditar na tradição judaica a respeito do Cântico dos Cânticos: que foi uma revelação dada a Salomão enquanto ele orava, sobre o amor entre o Senhor e Israel, Seu povo.
Se é assim, isso eleva aquele livrinho ao Santo dos Santos. Não é apenas uma questão de salvação. Não é apenas uma questão de santificação. Não é apenas uma questão de serviço. Não é apenas uma questão de trabalho ou sacrifício.
De repente, descobrimos que Deus nos ama com um amor que nos consome.
E há três pequenas coisas extraordinárias nesse Cântico de Salomão. Quando ela descobre, pela primeira vez, que Ele a ama tanto, diz:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
É aí que a maioria de nós começa. Temos hinos que dizem: “Meu, meu, meu; sei que Tu és meu”. Temos hinos que dizem que seremos coroados entre os aplausos de anjos e homens, como diz um antigo hino.
Bem, não há nada de errado nisso. Graças a Deus, muitos de nós seremos coroados entre os aplausos de anjos e homens. E Ele é nosso. Bendito seja Deus.
Mas é aí que começa:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
Então, quando avançamos na revelação, descobrimos que o Noivo não vai aceitar isso. Descobrimos que, nessa extraordinária história de amor, Ele fica um pouco cansado dela — não cansado; não é que Ele não a ame —, mas ela começa a tratá-Lo com certa indiferença.
Quando Ele bate à porta, ela diz algo como: “Estou na cama. Estou sem os sapatos. Mas já vou, querido”. E leva um tempo enorme, levantando-se lentamente do leito. Mas, quando chega à porta, Ele já Se foi.
Então ela é tomada pelo medo. Há amor verdadeiro em seu coração, mas esse amor se acomodou numa segurança apática, porque ela pensava: “Ele é meu”. Agora Ele partiu.
Agora ela sai à procura Dele. Vai pelas ruas, dizendo a todos: “Ó filhas de Jerusalém, onde está o meu Amado? Vocês sabem onde Ele está?” E a espancam.
E assim ela prossegue. Espero não estar estragando o Cântico dos Cânticos para vocês, mas ela continua procurando seu Amado. Então vem a próxima grande declaração, quando ela O encontra, e há uma mudança. Ela diz:
Eu sou do meu Amado, e Ele é meu.
Houve uma mudança.
Mas isso ainda não é suficiente para o Noivo. Há outra experiência pela qual ela precisa passar, e então, quando finalmente chegam ao casamento e à consumação do casamento, ela diz:
Eu sou do meu Amado.
O “meu” desapareceu. Ela chegou ao ponto em que é Dele e está segura nisso. Não precisa dizer: “Ele é meu, Ele é meu, Ele é meu”. Basta dizer: “Eu sou Dele”.
E então ela diz: “O que faremos por minha irmãzinha? Ela é imatura”.
Agora, curiosamente, não foi nosso amado irmão Watchman Nee, mas ninguém menos que aquele respeitadíssimo evangélico, Hudson Taylor, fundador da Missão para o Interior da China, quem escreveu um livro chamado União e Comunhão sobre esse pequeno livro.
E ele disse: “Quem poderia ser essa irmãzinha?” Porque ela obviamente é parente da noiva, mas é imatura. A noiva diz ao Noivo, depois de se casarem: “O que faremos por minha irmãzinha? Ela é imatura. Ainda não chegou ao ponto de poder se casar”.
E eles dizem juntos: “Faremos isto, faremos aquilo e faremos aquilo outro, até levá-la à maturidade”. E Hudson Taylor, não outra pessoa, diz: “Não poderiam ser esses os crentes que não prosseguem com o Senhor?”
Nem todo crente fará parte da noiva, embora todos sejam potencialmente a noiva. Porque quem são aqueles bem-aventurados convidados para a ceia das bodas do Cordeiro? Não são os anjos; eles já estão lá.
E não pode ser a noiva, porque a celebração é em honra dela e do Noivo. Então, quem são aqueles de quem se diz:
Bem-aventurados os convidados para a ceia das bodas do Cordeiro.
Ah, que história de amor está aqui. Quantos mistérios de amor há em toda essa questão. Como vocês e eu precisamos compreender que o Deus que nos salvou não nos salvou de maneira mecânica, apenas para nos usar, apenas para nos manipular, apenas para nos encher.
Apenas para sermos objetos, sabem — uma espécie de enfeites espalhados pelas mansões do céu, como os troféus que costumavam existir naquelas antigas casas senhoriais da Inglaterra: uma cabeça de hipopótamo, um elefante, um leopardo.
Alguns cristãos têm a ideia de que Deus agora os conquistou; são troféus da graça, sabem, de modo que Deus diz: “Olhem para fulano. Ah, sim, conquistei aquele em tal ocasião. Aquele Eu conquistei em tal lugar, e aquele outro, em tal lugar”.
Não, não, não. Há algo muito diferente. O amor de Deus por você é tão intenso que se assemelha ao amor do noivo pela noiva. É como o amor do marido pela esposa.
E essa é a história da Bíblia. É por isso que a Bíblia termina com uma festa de casamento, em Apocalipse 19:
Regozijemo-nos e alegremo-nos sobremaneira: porque chegou a ceia das bodas do Cordeiro.
E é por isso que João diz em Apocalipse 21:
Vi, e contemplei a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, tendo a glória de Deus.
Ele a chama de esposa do Cordeiro.
Agora, voltando ao assunto. Se esse é o ponto central, ouçam o resumo que o Senhor Jesus faz.
Um escriba aproximou-se Dele e disse: “Mestre, Rabi, qual é o maior e o primeiro mandamento?”
Essa questão de qual seria realmente a maior lei sempre ocupou a mente dos rabinos. Somente quem entende um pouco dos estudos rabínicos sabe como esses estudos podem ser complexos e analíticos.
Quando digo a vocês que a maior divisão que dilacerou as sinagogas na Idade Média foi a discussão sobre quantos anjos caberiam na cabeça de um alfinete, vocês entendem um pouco do que estou dizendo. Não é brincadeira; é verdade. Eles discutiram, discutiram e discutiram sobre quantos anjos poderiam, de fato, caber na cabeça de um alfinete.
Isso talvez signifique muito pouco para vocês, mas há algum valor nessa abordagem analítica e complexa da lei. Ela produziu uma nação de juristas e escribas.
É por isso que, quando perguntaram a David Ben-Gurion, o primeiro-ministro de Israel, como era ser primeiro-ministro de Israel, ele disse: “É como ser primeiro-ministro de 2.500.000 primeiros-ministros”.
O escriba aproximou-se de Jesus e disse: “Qual é o primeiro e o maior mandamento?” E Jesus respondeu à maneira ancestral do povo judeu, recitando o que chamamos de Shemá:
Ouve, ó Israel:
o Senhor, teu Deus, o Senhor é um só.
Amarás o Senhor, teu Deus, de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força.
E o segundo é semelhante a este:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
No relato de Mateus, Ele disse:
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
É como se Jesus tivesse condensado toda a Bíblia num único mandamento:
Amarás.
Como se Ele dissesse que amar o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de todo o seu entendimento e de toda a sua força é amar o seu próximo como a si mesmo.
Considerem a enorme abrangência da Sua declaração. Ele disse que toda a Bíblia está condensada nisso. Disse que toda a Bíblia depende disso. É como se dissesse que toda a Bíblia brota disso.
Era como se Ele estivesse dizendo: “Vocês querem guardar toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse? Então guardem estas duas leis”.
Observem a simplicidade. Uma criança poderia compreender isto:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força;
e amarás o teu próximo como amas a ti mesmo.
Que simplicidade! Pergunto-me se nós, os crentes, já dedicamos a devida reflexão e meditação a essa declaração fundamental do Messias.
Vejam, observem que Ele diz:
Amarás o Senhor, teu Deus.
Não diz: “Amarás os ensinamentos”, ou a doutrina, embora devamos ter doutrina sã e pura.
Não diz: “Amarás o conceito de Deus”. Há cristãos que amam o conceito de Deus. Não O amam; amam o conceito.
Não diz: “Amarás a obra do serviço”, ou as coisas. Mas:
Amarás o Senhor, teu Deus.
Ouçam novamente:
Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um só.
Não muitas coisas, não muitos propósitos, não muitos senhores: um só Senhor. Tudo está concentrado Nele.
Que simplicidade! Quando uma pessoa está concentrada no Senhor, seu Deus, não pode se desviar. Quando ama o Senhor de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de toda a sua força, o Espírito de Deus a manterá no caminho, na vontade de Deus e na obra de Deus.
Você não pode se desviar. Ah, não é de admirar que Jesus tenha dito:
Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Se passarmos a amar coisas no lugar do Senhor, se nos concentrarmos na organização, no serviço, no sistema das coisas, no ensino, nos conceitos ou nas verdades, em vez de nos concentrarmos Nele, estaremos em perigo.
Toda a história da igreja oferece provas disso. As pessoas se desviarão porque amaram coisas ou verdades, em vez de amarem a Ele.
Amarás o Senhor, teu Deus, de toda a tua força.
Agora quero que vocês observem a totalidade disso. É difícil, não é, quando realmente pensamos a respeito? Porque todos nós — eu, acima de todos — ficamos tão aquém, tão longe do que deveríamos ser nessa questão.
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força.
A totalidade disso. Coração. No pensamento hebraico, o coração corresponde ao espírito.
Coração — de todo o seu coração —, é aí que começa. É aí que começa. Não na emoção, não na alma, mas no coração. É aí que deve começar: de todo o seu coração.
Se você O amar apenas de toda a sua alma, poderá se desviar. Mas, se O amar de todo o seu coração, será guardado no caminho.
E de toda a sua alma. Há muitos crentes que morrem de medo da alma. É certamente verdade que precisa haver uma divisão entre espírito e alma, e que a personalidade humana é a personalidade humana.
E o Senhor Jesus deu esta palavra fundamental a todos nós:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma.
Não tenham medo das suas emoções. Não tenham medo dos seus sentimentos. Não tenham medo da sua sensibilidade. De toda a sua alma.
De todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Algumas pessoas não conseguem amar o Senhor com a mente. Dizem: “Ah, bem, posso amar a Deus com minhas emoções, mas não com minha mente”. Ah, sim, você pode.
Você pode amar o Senhor com a sua mente. Sua mente pode se sujeitar inteiramente a Deus. E então sua mente é libertada.
Não há nada tão mesquinho, tão pequeno, quanto uma grande inteligência sem Deus. Já ouvi pessoas muito inteligentes, teólogos, dizerem as coisas mais inacreditáveis a respeito do Livro.
Lembro-me de que, anos atrás, alguém nos explicou o caso de Elias — talvez eu já tenha contado um pouco disso a vocês —, quando aquele fogo caiu do céu sobre o monte Carmelo. Ele nos disse, numa sala cheia de homens: “É claro, todos sabemos que há benzeno no monte Carmelo”.
E disse que a vala que Elias cavou e encheu de água — bem, aquilo parecia água, mas não era água. Foi por isso que, quando o fogo veio, consumiu tudo. “Vocês nunca viram o fogo consumir água”, ele disse, “viram? Mas, se fosse benzeno, naturalmente”.
Fiquei espantado com essa explicação. E me lembro de, no momento das perguntas, perguntar-lhe: “De onde veio o fogo?” Ele ficou muito surpreso. E eu disse: “Talvez tenha sido do cigarro de Elias”.
Não, o ponto é este: aqui está uma grande inteligência que apresenta uma explicação nada inteligente para um milagre bíblico.
Foi o mesmo homem que, também diante das mesmas pessoas, ao ser questionado, disse: “Bem, Jesus nunca andou sobre a água. Como todos sabemos, há partes do lago da Galileia que são muito rasas. Ele andou pelo fundo do lago”.
Mas isso era um milagre ainda maior, porque, como lhe perguntei depois: “Como Pedro afundou?”
Francamente, é melhor deixar os relatos bíblicos como relatos bíblicos e aceitá-los, pela fé, como estão escritos. Mas, quando você tenta explicá-los e eliminar o milagre por meio dessas explicações, o que acontece?
Você acaba com pessoas inteligentes dando uma explicação nada inteligente.
É isso que acontece quando a mente é soberana, quando a mente domina, quando o nosso cérebro é o centro de tudo e até determina tudo a respeito de Deus. Não, devemos amar o Senhor, nosso Deus, não apenas de todo o nosso coração e de toda a nossa alma, mas também de todo o nosso entendimento.
Porque então Deus pode nos dar revelação. Deus pode nos dar iluminação, que é uma sabedoria muito além daquela a que este mundo tem acesso, e que, em si mesma, é inteiramente inteligente.
E de toda a sua força.
Bem, acho que precisamos começar a concluir. Nesse resumo que o Senhor Jesus faz de toda essa questão, desse mandamento divino — observem, é um mandamento —, Deus nunca nos manda fazer algo que não possamos fazer pela fé e pela graça.
Se Deus diz:
Ide e fazei discípulos de todas as nações.
Podemos fazê-lo por Sua graça e mediante a obediência da fé. Se Deus diz que devemos ir e tomar posse de algo, então podemos tomar posse disso pela graça, por Seu poder, mediante a obediência da fé.
E assim é aqui, nesta questão:
Amarás o Senhor, teu Deus,
de todo o teu coração,
de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força.
Amado povo de Deus, estamos entrando em anos de abalo, de mudança, de tensão, de trevas, de conflito, como o mundo nunca viu.
Somente o amor de Deus nos guardará.
E esse amor de Deus não se satisfará com nada menos, nem com qualquer outra coisa, senão que O amemos de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento e de toda a nossa força.
Agora, Jesus disse:
E o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Algumas pessoas pensam: “Bem, posso amar o Senhor de todo o meu coração, mas amar o meu próximo como a mim mesmo…” É interessante que o Senhor, em Sua maravilhosa graça, não tenha dito: “Amarás o teu próximo de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”.
Ele disse uma coisa maravilhosamente simples:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Tenho certeza de que alguns cristãos acham muito errado amar a si mesmos, mas Deus toma isso como algo natural. Todos amam a si mesmos. O instinto mais profundo em nós é o de autopreservação, porque amamos a nós mesmos.
Às vezes isso se manifesta de forma invertida. As pessoas que sofrem de um terrível complexo de inferioridade só sofrem assim porque amam a si mesmas ainda mais do que o normal. É verdade. Sentem que, de algum modo, deveriam ser mais do que são.
Deus toma isso como algo natural. Se ao menos você amasse seu próximo como ama a si mesmo. Se ao menos cuidasse do seu próximo como cuida de si mesmo. Se ao menos pensasse no seu próximo como pensa em si mesmo.
Se ao menos pensasse no bem-estar do seu próximo como pensa no seu próprio bem-estar. Se ao menos pensasse na satisfação do seu próximo como pensa na sua própria satisfação. Que mundo seria este!
Vocês não acham que nós, os crentes, temos ficado muito, muito aquém nessa questão de amar o próximo como a nós mesmos?
Nossa, às vezes olhamos para nossos próximos como se fossem apenas números a contabilizar. Muitas vezes não pensamos neles como seres humanos que Deus ama e pelos quais Jesus morreu.
Às vezes quase pensamos neles como uma espécie de matéria-prima que pode ser trazida para a igreja. Deus não vê as coisas assim.
Amarás não a multidão, mas o teu próximo, como a ti mesmo.
E, se devemos amar nosso próximo como a nós mesmos, o que dizer de nosso irmão e de nossa irmã? Há tanta coisa no Livro sobre isso. Deixem-me indicar uma ou duas passagens para concluir.
Em Gálatas 5:13-15:
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; somente não useis a liberdade como ocasião para a carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.
Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Mas, se vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais consumidos uns pelos outros.
É isso que acontece, não é? Repetidas vezes, nas comunidades do povo de Deus, as pessoas mordem e devoram umas às outras e, no fim, elas próprias são consumidas. Tudo acaba engolido pela maledicência, pela fofoca e pelas divisões.
Pelo amor, sejam servos uns dos outros — não, pelo amor, sejam senhores uns dos outros; não, pelo amor, sejam mestres uns dos outros; não, pelo amor, sejam corretores uns dos outros; não, pelo amor, sejam líderes uns dos outros. Mas, pelo amor, sejam servos uns dos outros.
Vejam novamente, na mesma carta, Gálatas 6:2:
Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.
Portanto, o apóstolo tinha plena clareza a respeito dessa declaração do Senhor Jesus. Ele a chamou de lei do Messias:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
E é interessante que o apóstolo tome a segunda parte e diga que nela toda a lei se cumpre, como se pressupusesse que vocês devem amar o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de todo o seu entendimento e de toda a sua força.
O resultado e a consequência disso serão vistos no amor de vocês pelo próximo como por si mesmos.
Muitos farão a pergunta que o escriba fez a Jesus: “Senhor, quem é o meu próximo?” E Jesus contou uma história.
Ele disse que certo homem viajava pelo deserto, descendo para Jericó. A viagem de Jerusalém a Jericó é uma descida de cerca de 1.200 metros, através de uma região agreste e deserta. Naqueles dias, ela estava cheia de salteadores e ladrões.
E, no caminho, esse homem foi assaltado e deixado à beira da estrada, quase morto. Então veio um sacerdote, aparentemente subindo para Jerusalém.
Ele conhecia a lei de Deus. Guardava a aliança de Deus. Era um mestre da Palavra de Deus. E viu o homem quase morto. Talvez tenha se lembrado da lei segundo a qual, se tocasse num cadáver, ficaria impuro. E passou pelo outro lado.
Depois veio um levita, alguém que deveria cuidar das coisas de Deus, zelar pela obra de Deus, um guardião da adoração a Deus. Ele viu o homem quase morto e passou pelo outro lado.
Pergunto-me quantas comunidades aqui estão passando pelo outro lado. Pergunto-me quantos grupos aqui fazem isso — há pessoas quase mortas em nossas comunidades, e passamos pelo outro lado.
Somos sacerdotes de Deus. Somos os levitas de Deus. Não queremos nos envolver com os quase mortos. Não queremos nos envolver com aqueles que estão mutilados, quase assassinados, com seus problemas e dificuldades.
Achamos que isso será um redemoinho que nos sugará e nos afastará do verdadeiro objetivo de Deus. Passamos pelo outro lado.
Então veio um samaritano. Quando o viu, teve compaixão dele, desmontou, derramou vinho e azeite sobre suas feridas, fez curativos e o colocou sobre seu próprio animal.
Pelo que sabemos, ele deu meia-volta e retornou à hospedaria — e, antigamente, havia apenas uma hospedaria entre Jerusalém e Jericó — e disse ao hospedeiro: “Cuide dele por minha conta até que eu volte”.
E Jesus disse: “Quem foi o bom próximo?”
Às vezes é melhor ser um samaritano que ama a Deus do que um sacerdote morno. Às vezes é melhor ser um samaritano, com suas misturas, do que um levita separado do mundo.
Se o amor de Deus não está em nosso coração, e se não estamos cumprindo o mandamento de amar o próximo como a nós mesmos, isso é a nossa condenação.
Portanto, queridos amigos, preciso terminar. Quero concluir com apenas algumas palavras. Qual deve ser a nossa resposta?
Jesus disse:
Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, o Senhor é um só.
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento
e de toda a tua força.
E amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Qual pode ser a nossa resposta? Não ficamos todos aquém, tanto como comunidades do povo de Deus quanto como crentes individuais? Não falhamos todos nessa questão?
E não é hora de prestarmos atenção, para que não entremos nesses dias iludidos de que estamos bem com Deus, de que estamos seguros e protegidos, quando talvez nosso amor tenha esfriado?
Acho que só podemos tomar as palavras da noiva ao Noivo em Cântico dos Cânticos 8:6-7:
Põe-me como selo sobre o Teu coração,
como selo sobre o Teu braço:
porque o amor é forte como a morte;
o ciúme é cruel como o Sheol;
as suas chamas são chamas de fogo,
uma verdadeira chama do Senhor.
As muitas águas não podem apagar o amor,
nem os rios afogá-lo:
se alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor,
seria inteiramente desprezado.
Que Deus realmente fale a cada um de nós. Que esse mandamento divino seja cumprido, seja levado a sério. Que obedeçamos a Ele, nos apeguemos a Ele, O sirvamos e, acima de tudo, O amemos de todo o nosso coração.
Vamos orar?
Senhor, oramos juntos para que tomes estas minhas pobres palavras e, por Teu Espírito, as faças como uma espada em nosso coração, dividindo alma e espírito, discernindo os próprios pensamentos e intenções do nosso coração, as próprias forças que motivam nossa vida.
Ó Senhor, visto que disseste que todo o Livro se resume nesses dois mandamentos simples, mas profundos, ó Senhor, revela o que realmente somos e dá-nos graça, Senhor, para que possamos guardá-los e cumpri-los.
E pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.