Vamos ler juntos no livro de Gênesis, no capítulo 28.
Vou começar a leitura em Gênesis 28:10.
E Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.
E chegou a certo lugar e ali passou a noite, porque o sol já se havia posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, colocou-a debaixo de sua cabeça e deitou-se ali para dormir.
E sonhou: eis uma escada posta na terra, cujo topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
E eis que o Senhor estava acima dela e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque: a terra sobre a qual estás deitado, Eu a darei a ti e à tua descendência.
E a tua descendência será como o pó da terra, e te estenderás para o ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul: e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
E eis que Eu estou contigo e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra; pois não te deixarei até que tenha cumprido aquilo de que te falei.
E Jacó despertou do seu sono e disse: Certamente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
E teve medo e disse: Quão temível é este lugar! Este não é outro senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
E Jacó levantou-se de madrugada, tomou a pedra que havia colocado debaixo de sua cabeça, erigiu-a como coluna e derramou azeite sobre o seu topo.
E chamou aquele lugar Betel: porém, o nome daquela cidade anteriormente era Luz.
E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar neste caminho em que vou, e me der pão para comer e vestes para vestir,
De modo que eu volte em paz à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus:
E esta pedra, que erigi como coluna, será a casa de Deus; e de tudo quanto Tu me deres, certamente Te darei o dízimo.
Depois, no mesmo livro, Gênesis 35:1 e Gênesis 35:9-15.
E Deus disse a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali: e faze ali um altar ao Deus Que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão.
E Deus apareceu novamente a Jacó, quando ele veio de Padã-Arã, e o abençoou.
E Deus lhe disse: O teu nome é Jacó: não serás mais chamado Jacó, mas Israel será o teu nome: e Ele lhe chamou Israel.
E Deus lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso: frutifica e multiplica-te; uma nação e uma congregação de nações procederão de ti, e reis sairão dos teus lombos;
E a terra que dei a Abraão e a Isaque, Eu a darei a ti, e à tua descendência depois de ti darei a terra.
E Deus subiu de junto dele, no lugar onde falara com ele.
E Jacó erigiu uma coluna no lugar onde Ele falara com ele, uma coluna de pedra: e derramou sobre ela uma libação e também azeite.
E Jacó chamou Betel ao lugar onde Deus falara com ele.
Vamos nos curvar juntos para uma palavra de oração?
Pai, queremos Te agradecer, ao nos curvarmos aqui nesta manhã, porque Tu fizeste uma provisão tão gloriosa e poderosa para todos nós. Não estamos aqui, Senhor, por nossa própria força, para depender de nossas energias e talentos; mas, Senhor, sabemos que Tu nos deste uma unção no Senhor Jesus.
Sabemos que essa unção nos é disponibilizada, na realidade e na prática, pela Pessoa do Espírito Santo e Nela. Juntos, pela fé, nós nos apropriamos dessa unção nesta manhã, tanto para quem fala quanto para quem ouve.
Não queremos que este tempo seja apenas, Senhor, nós ouvindo ou eu falando. Queremos que haja poder divino e capacidade divina, para que nos encontremos Contigo e, como resultado, a Palavra de Cristo habite ricamente em nós. Senhor, que assim seja, nós Te pedimos. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Agora, nesta manhã, gostaria de levar estes estudos sobre a vida de Jacó um passo adiante. Na primeira vez em que falei sobre esse assunto, falei sobre o amor de Deus e Jacó. Como eu esperava, surgiram muitas dificuldades na mente de algumas pessoas, especialmente quanto à frase sobre a qual não falei:
Amei a Jacó, porém odiei a Esaú.
Algumas pessoas me disseram: “Você vai dedicar uma mensagem inteira a esse assunto”. Mas realmente não posso, se quisermos cobrir todo o tema. Preciso lhes dizer uma coisa: eu mesmo não o entendo. Portanto, só posso me apegar ao lado positivo, e não vou discutir com Deus. Isso é assunto de Deus.
Tudo o que sei é que Ele colocou Seu amor sobre nós, que nascemos do Espírito de Deus. Entrar em todos os detalhes, nos porquês, nas razões e assim por diante, penso que acaba se tornando uma espécie de sofisma, uma espécie de racionalização mental, que nem sempre é tão útil quanto deveria ser. Na verdade, pode produzir morte.
O que sei é isto, e agradeço a Deus por isso: seja o que for que aconteça com Esaú — e sei que o Juiz de toda a terra fará o que é justo —, Deus deu algumas promessas extraordinárias a Esaú, e Ele as cumpriu. Há muitos descendentes de Esaú que hoje estão no reino e na família de Deus.
Nunca se esqueçam disso, com todos os privilégios que temos como filhos de Deus. O fato permanece: Deus disse a respeito de Jacó:
Amei a Jacó.
É esse amor duradouro, esse amor zeloso de Deus, que é o fator determinante na vida de Jacó.
Agora, o que quero abordar nesta manhã é o propósito de Deus em Jacó. Qual era o propósito de Deus por trás da eleição de Jacó? Sabemos que Deus o amou, e não há outra razão para esse amor senão o fato de que Ele o amou. Mas qual era o objetivo da eleição de Deus? O que Ele tinha em mente para Jacó?
Uma vez que esse nome, Jacó e Israel, foi dado a todo o povo redimido de Deus — a vocês e a mim, para sempre —, o que podemos aprender com o propósito de Deus para Jacó?
Parece-me que o propósito de Deus para Jacó tem cinco aspectos, pelo menos como eu o vejo, e está contido nas passagens que lemos juntos em Gênesis 28 e Gênesis 35. Nesta manhã, pela graça de Deus, trataremos de quatro desses aspectos; e, na próxima vez em que eu falar, abordaremos o quinto.
Aqui estão os cinco:
Portanto, aqui está o propósito de Deus para Jacó em seus cinco aspectos. Vamos entrar diretamente nisso, sem mais demora.
Consideremos o primeiro desses assuntos: uma terra a ser possuída.
Gênesis 28:13:
E eis que o Senhor estava acima dela e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque: a terra sobre a qual estás deitado, Eu a darei a ti e à tua descendência.
Gênesis 35:12:
E a terra que dei a Abraão e a Isaque, Eu a darei a ti, e à tua descendência depois de ti darei a terra.
Essa era uma terra dada por Deus e prometida por Deus. Não há outro registro em toda a Bíblia de uma terra ser concedida dessa maneira, especialmente com uma aliança vinculada a ela. Deus fala de ter trazido certos povos de Caftor — penso que seja Chipre ou a Grécia; não temos muita certeza. Ele também diz que conduziu os filhos de Edom, isto é, os filhos de Esaú, à terra de Edom.
Mas não temos registro de uma promessa de uma terra específica a uma família específica, além dessa promessa de terra a Abraão, Isaque e Jacó, e à descendência deles depois deles.
É interessante quando nos voltamos para Salmos 105:6. O salmista retoma esse assunto, e é assim que ele o apresenta, em Salmos 105:6-11:
Ó descendência de Abraão, Seu servo,
Vós, filhos de Jacó, Seus escolhidos.
Ele é o Senhor, nosso Deus:
Os Seus juízos estão em toda a terra.
Ele Se lembrou para sempre da Sua aliança,
Da palavra que ordenou para mil gerações,
Da aliança que fez com Abraão,
E do Seu juramento a Isaque;
E confirmou-o a Jacó como estatuto,
A Israel como aliança eterna:
Dizendo: A ti darei a terra de Canaã,
A porção da vossa herança:
Quando eram poucos em número;
Sim, muito poucos, e peregrinos nela.
Aliás, mil gerações, contadas desde o tempo de Abraão, vão muito além da nossa época atual. Não é extraordinário? Se vocês fizerem a conta — quarenta anos por geração, durante mil gerações —, façam a conta vocês mesmos. Não sou matemático, mas acho que estou certo.
Agora, isso não é maravilhoso? Essa era a terra que Deus, por aliança, prometeu dar a Abraão, Isaque e Jacó, e à descendência deles depois deles. Era propósito de Deus que Abraão, Isaque e Jacó, embora nunca tivessem efetivamente possuído a terra, habitassem nela e, por fim, se tornassem seus herdeiros.
Agora, o que tudo isso significa? Bem, mais alguns fatos antes de chegarmos à aplicação para nós mesmos.
Primeiro, cada coisa dentro do propósito de Deus estava centrada naquela terra. Tudo de que precisavam para a vida nacional estava naquela terra.
O livro de Deuteronômio nos diz: ah, que terra era aquela! Não seria como o Egito, que precisava ser irrigado com o pé e com a roda; seria regada pelos céus acima e por ribeiros que desceriam das montanhas.
Ele disse que havia oito espécies. Não vou passar por todas elas, mas penso que a maioria de vocês as conhece: figueira, romãzeira, tamareira, oliveira, trigo, cevada e assim por diante. Todas essas coisas estavam ali. Ele disse que havia ferro naqueles montes. Tudo de que precisavam estava ali naquela terra, para sua autossuficiência, para sua vida nacional.
A segunda coisa era esta: naquela terra surgiria o reino. Davi, o homem segundo o coração de Deus, finalmente viria a governar naquela terra — em nenhuma outra. Naquela terra estariam centrados o reino e o trono que representava a vontade de Deus.
Terceiro, era ali, naquela terra, que a cidade de Deus seria edificada. Em outras palavras, Jerusalém seria conquistada — o lugar a respeito do qual Deus havia dito:
Não oferecerás os teus sacrifícios ou ofertas em qualquer lugar que escolheres, mas no lugar que Eu escolher para fazer ali habitar o Meu nome.
Aquela cidade e aquele templo estavam dentro dos limites dessa terra prometida. Ela tinha fronteiras. Fora daquela terra, não havia provisão divina. Poderia haver provisão, como quando eles desceram ao Egito ou foram a outros lugares; mas, quero dizer, basicamente, toda a provisão de Deus estava dentro daqueles limites, e fora deles não havia provisão.
Há uma quarta coisa. Naquela terra, e somente naquela terra, o Messias nasceria. Um dos profetas diria mais tarde:
Mas tu, Belém Efrata,
Pequena entre os milhares de Judá,
De ti Me sairá Aquele
Que há de governar em Israel;
Cujas origens são desde os tempos antigos,
Desde a eternidade.
Muitas outras passagens das Escrituras falam, por exemplo, de nosso Senhor, o Messias, estando na Galileia das nações, junto ao caminho do mar. Ora, o caminho do mar era uma via de circulação, uma rota comercial, que ia do Egito, atravessava toda essa terra prometida e chegava a Damasco.
É interessante que Jesus, durante Seu crescimento e por quase trinta anos de Sua vida, viveu a apenas uma milha ao norte da Via Maris, o caminho do mar. Os três anos de Seu ministério público estiveram centrados num lugar chamado Cafarnaum, que fica literalmente a meia milha ao sul do caminho do mar.
Essas Escrituras não poderiam ser cumpridas, embora tenham sido proferidas mais tarde, a menos que o povo possuísse essa terra. Naquele tempo, ainda não havia um povo. Se Abraão, Isaque e Jacó não tivessem ido habitar naquela terra pela fé, sua descendência jamais a teria conquistado.
Portanto, era de suma importância que Jacó entendesse, desde o princípio, que toda a sua vida e seu destino estavam ligados, envolvidos e centrados naquela terra prometida.
Agora, muitas vezes depreciamos o querido Jacó. As pessoas falam de Abraão como se ele fosse um santo entre os santos. Quero ter cuidado, mas, quero dizer, falam de Abraão como se ele fosse um santo entre os santos — e ele é. Também falam de Isaque como um santo entre os santos.
Mas há algo interessante: parte desse engano, parte dessa tortuosidade, não veio de Rebeca. Agora, senhoras, animem-se. Muitos pregadores nos dizem que tudo veio de Rebeca e Labão — aquele lado da família era um grupo de gente tortuosa. Mas aquele lado da família também descendia do pai de Abraão.
Abraão tinha um pouco dessa tortuosidade dentro de si. Vocês se lembram de que ele desceu ao Egito, não porque Deus lhe apareceu num sonho e disse: “Abraão, desce ao Egito, pois Eu estou contigo”? Ele desceu por incredulidade. Quando chegou ao Egito, vocês se lembram do que disse? Sua esposa era sua meia-irmã; então, ele a chamou de “minha irmã” e se meteu numa encrenca terrível.
Portanto, embora as pessoas me digam que Abraão é um grande santo entre os santos, também há nele um pouquinho disso, seja lá como vocês queiram chamar. Mais tarde, o querido Isaque, que todos parecem considerar um grande santo, fez a mesma coisa. Ele não desceu ao Egito — nunca teve essa originalidade ou iniciativa, nem mesmo no pecado —, mas Isaque foi a Gerar e disse: “Minha esposa Rebeca é minha irmã”. Fez a mesma coisa.
Antes de depreciar Jacó, lembrem-se disto: quando os filhos vieram e disseram: “Faraó diz: ‘Desçam ao Egito’”, Jacó foi aquele, entre os três patriarcas, que disse: “Nunca”. Deus precisou lhe aparecer num sonho e dizer: “Desce”.
É interessante que o querido Jacó, com toda a sua tortuosidade, nunca fez Lia passar por sua irmã. Não, só estou procurando colocar os fatos em ordem. É só isso. Afinal, eles são nossa família.
Jacó pode ter tido muitos problemas com a força de sua própria natureza, com sua vontade própria, com seu zelo por fazer as coisas acontecerem. Mas havia algo em Jacó que brilhava: ele valorizava as coisas de Deus.
Mais profundo que sua tortuosidade, mais profundo que seu engano, mais profundo que seu talento para os negócios e sua astúcia, estava esse desejo pelas coisas de Deus. Foi por isso que ele quis a primogenitura: ele a valorizava. Foi por isso que roubou a bênção: ele via o valor dela.
Foi por isso que ele entendeu a promessa de Deus a respeito da terra e por isso que, quando a fome atingiu toda a região e havia abundância de alimento no Egito, ele não estava disposto a descer para lá. Teria preferido permanecer na terra em tempo de fome, crendo, de algum modo, que Deus viria ao encontro deles, se essa fosse a vontade de Deus.
Deus poderia ter feito isso. Afinal, anos mais tarde, Deus manteve Elias vivo durante um período de fome naquela terra, alimentando-o por meio dos corvos e de um pequeno ribeiro que não secava.
Essa terra, portanto, estava intimamente ligada ao propósito de Deus na vida de Jacó e ao seu destino. Agora, o que podemos aprender de tudo isso para nós? Ah, algumas lições tremendas, penso eu.
Primeiro, Deus nos deu uma terra, uma terra prometida. Dentro dessa terra, Ele nos dá tudo; e, fora dessa terra, Ele não promete nada. Dentro dessa terra, cada coisa necessária para vocês viverem a vida cristã está providenciada.
Cada coisa necessária para transformar vocês de pecadores em santos está providenciada. Cada coisa de que precisam para a transformação de seu caráter, para que finalmente sejam conformados à imagem do Filho de Deus, está providenciada dentro dos limites dessa terra.
Tudo de que precisam para o serviço está providenciado dentro dos limites dessa terra: o poder, os dons, os recursos, a unção. Tudo está dentro dessa terra, não fora dela; tudo dentro dela. Desçam ao Egito e acabarão numa confusão. Mas, dentro dessa terra, Deus lhes prometeu e lhes providenciou tudo.
Dentro dessa terra, encontra-se o reino. Encontra-se o trono de Deus. A autoridade de Deus é exercida. A autoridade e o governo de Deus são experimentados de modo pessoal, direto, íntimo — quase face a face.
Dentro dessa terra, definida tão claramente por Deus, vocês encontrarão a cidade de Deus. É ali que Ele está edificando a cidade eterna, a nova Jerusalém, a noiva de Cristo, a esposa do Cordeiro.
Por fim, a vinda do Messias está ligada a essa terra. Em outras palavras, à medida que crescemos em maturidade, aproximamos e apressamos a vinda do dia de Deus. Isso não significa cada crente, mas significa que, entre os milhares e milhares que levam o nome do Senhor, precisa haver aqueles que prosseguirão, a qualquer custo, até o fim.
Agora, o que é essa terra? Essa terra é Cristo. Essa terra é Cristo.
As pessoas dirão imediatamente: “Ah, mas espere um pouco. Vamos ter guerras nessa terra?”. Sim, muitas — não na eternidade, espero, mas aqui embaixo teremos muitas.
Vocês não possuirão essa terra, com toda a sua plenitude e toda a provisão de Deus, sem que os poderes das trevas lutem contra nós, lutem contra vocês, combatendo a cada passo do caminho, procurando fazê-los tropeçar o tempo todo.
Vocês não acham que haverá uma batalha? Não acham que precisamos nos lembrar da Escritura?
Porque a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Não, essa terra é realmente tremenda. Tudo se encontra dentro dela.
Deixem-me apresentar algumas passagens das Escrituras, correndo o risco de entediá-los. Eu disse ao Kenny que essa é a única coisa boa de deixar a luz toda acesa sobre mim: não consigo vê-los dormindo.
Em Colossenses 2:9-10, ouçam estas palavras maravilhosas:
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade,
E Nele sois feitos plenos.
Ouviram isso? Vejam novamente, Colossenses 1:19:
Porque foi do agrado do Pai que Nele habitasse toda a plenitude.
Depois, Colossenses 2:9:
Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.
Agora vem a afirmação maravilhosa:
Nele sois feitos completos.
Não sob Ele — isso é verdade. Não com Ele — isso é verdade. Não provenientes Dele — isso é verdade. Mas Nele.
Portanto, se vocês vierem habitar nessa terra e se recusarem a ser expulsos dela, se resistirem a qualquer tentação que os atraia para fora dessa terra prometida, garantida por aliança, saberão, no fim, o que é ser completos, se tomarem posse daquilo que lhes pertence.
Se realmente, pelo Espírito de Deus, descobrirem o que lhes pertence nessa terra, perceberão que, às vezes, a terra aparentemente não mostra tudo o que contém. Muito está escondido no solo. Muito vem com a chuva.
Se vocês estiverem nessa terra durante os meses secos, talvez se perguntem onde estão todas aquelas oito espécies — trigo, cevada e todo o resto. Mas, minha nossa, quando as chuvas vêm, algo acontece. Todos os poços profundos se enchem, a água corre por toda parte, e a terra inteira se torna uma profusão de flores e verde. Dessa água vem toda a frutificação.
O que estou tentando dizer é simplesmente isto: Deus nos deu um limite. Fora de Cristo, nenhuma plenitude; dentro de Cristo, toda a plenitude. Entenderam?
Se vocês correrem para a Babilônia, não alcançarão a plenitude. Não é que não sejam salvos; simplesmente não conhecerão a plenitude — na prática, na realidade. Não será uma experiência contínua. Será algo para o qual precisarão correr a uma conferência de vez em quando, a fim de receber uma bênção que os sustente por um mês; depois, ficarão novamente esgotados até o ano seguinte.
As pessoas fazem isso o tempo todo. Não é uma fonte de água que brota dentro delas para a vida eterna; é água de torneira, que abrem por um tempo e bebem. Depois, precisam voltar à torneira, em vez de carregar a fonte de água dentro de si.
Vocês não podem ter essa fonte interior se não souberem habitar na terra. Vou lhes dizer uma coisa: o inimigo fará de tudo para que, aos seus olhos, tudo pareça árido, estéril, impossível, de modo que vocês digam: “Vou para o Egito. A grama é sempre mais verde do outro lado da cerca”.
“Vou descer ao Egito, porque lá há abundância”, ou: “Vou para a Babilônia; lá há abundância”, ou: “Vou para algum outro lugar, pois lá há abundância”. Quando forem para lá, terão certa medida de bênção; mas, ah, então começam as concessões.
Depois que vocês começam a sair do caminho de Deus, precisam sustentar as coisas por conta própria. Então, entram no caminho da incredulidade, que leva às concessões e à escravidão. Permaneçam dentro da terra, e conhecerão a provisão de Deus garantida por aliança.
Que coisa maravilhosa é saber que isso está garantido por aliança. Penso numa palavra maravilhosa em Hebreus 13:20-21:
Ora, o Deus da paz, Que tornou a trazer dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue de uma aliança eterna, nosso Senhor Jesus,
Vos aperfeiçoe em todo o bem, para fazerdes a Sua vontade, operando em nós o que é agradável à Sua vista, por meio de Jesus Cristo.
Não é uma palavra maravilhosa? O sangue de uma aliança eterna. Deus não prometeu essa terra apenas para esta vida. Essa é uma aliança eterna. Vocês estão em Cristo, e Cristo está em vocês — para sempre. Louvado seja Deus.
Há muitas outras passagens das Escrituras. Penso em Efésios 1:3:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou com toda bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.
Onde encontramos todas essas bênçãos? Em Cristo. Não as encontramos fora de Cristo; nós as encontramos em Cristo. Fomos abençoados com toda bênção espiritual em Cristo. Há uma terra cheia de bênçãos.
Vocês não recebem todas de uma vez. Morreriam se as recebessem; não conseguiriam contê-las. As bênçãos de Deus são uma realidade, não um ideal. Deus sabe exatamente quanto vocês conseguem receber a cada momento. Mas como é tremendo saber que todas essas bênçãos são nossas no Senhor Jesus.
Penso em outra passagem que coloca isso de maneira muito simples, Filipenses 4:19:
E o meu Deus suprirá cada necessidade vossa segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus.
Cada necessidade de vocês, suprida segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus, para que Deus torne conhecidas as riquezas da Sua glória sobre vasos de misericórdia, previamente preparados para a glória. Meu Deus suprirá cada necessidade de vocês segundo as Suas riquezas em glória.
Ah, você é um vaso de misericórdia? Riquezas de glória — Ele quer torná-las conhecidas a você. Como isso pode acontecer, a menos que você habite na terra, a menos que perceba que o propósito de Deus para você está íntima e diretamente ligado ao Senhor Jesus, a Cristo, e ao fato de você estar Nele e Ele estar em você?
Isso não é uma questão de nosso esforço, nosso zelo, nossa energia. É por meio do sangue de uma aliança eterna. Deus, em Sua graça, não apenas nos amou; Ele nos deu uma aliança eterna e a selou com o sangue de Seu próprio Filho.
Essa aliança é esta: Ele Se compromete a lhe dar toda a plenitude de Si mesmo em Cristo. Ah, você diz: “É impossível. Acho que você foi um pouco longe demais”. Não, não, não. É isso que está escrito em Efésios 3.
Efésios 3:18-19 diz:
Para que possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
E conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
A aliança de Deus é que Ele lhes dá toda a Sua plenitude em Seu Filho — não como um ideal, não como algo pendurado diante do focinho de um jumento, mas como uma experiência contínua e progressiva Dele, individual e coletivamente.
Isso precisa ser possuído pela fé. É perfeitamente verdade: Deus disse mais tarde aos descendentes de Jacó, a Moisés, a Josué: “Enviarei o anjo da Minha presença adiante de vocês, e expulsarei o heveu, o jebuseu, o girgaseu e todos os outros ‘eus’. Todos serão expulsos”.
Poderíamos dizer: “Ah, maravilhoso, maravilhoso. Todos podemos crer no poder predestinador de Deus. O anjo do Senhor irá adiante de nós. Ele fará tudo. O Cordeiro pascal é a base disso”.
Uma vez sacrificado o Cordeiro pascal, essa é a base para a libertação, para a redenção, para sermos uma nação, para chegarmos à vida nacional e à organização nacional, ao reino. Louvado seja o Senhor. Isso não é maravilhoso?
Seremos levados em leitos de descanso, seguindo tranquilamente. A terra inteira cairá diante de nós. Bastará olhar para dentro, e nem precisaremos fazer coisa alguma. Apenas levantaremos os olhos, e as muralhas cairão, e o povo fugirá. Quando todos tiverem ido embora, entraremos na ponta dos pés.
Mas esse é o tipo de ensino que parece tão difundido entre o povo de Deus a respeito das coisas de Deus. Dizem: “Vocês têm tudo em Cristo”. É claro, isso é absolutamente verdadeiro: vocês têm tudo em Cristo.
Dizem que tudo nos é dado por meio da obra consumada do Cordeiro. Isso é absolutamente verdadeiro; não há discussão a respeito. Dizem que é o anjo da presença do Senhor, o Espírito de Deus, Quem nos conduzirá, por assim dizer, a tudo isso. Isso é absolutamente verdadeiro. Dizem: “Tudo é nosso”. Isso é absolutamente verdadeiro.
Mas, a menos que vocês usem a planta dos pés e a espada que têm na mão, jamais tomarão posse.
Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo darei.
Disseram-me que não devo ficar batendo nisto. É terrivelmente difícil lembrar todas essas instruções que dão aos pregadores.
Espero mesmo que vocês estejam percebendo a intensidade da minha preocupação com esse assunto. Vocês precisam usar a planta dos pés. É o que diz Josué 1:3.
O anjo do Senhor pode ir adiante de vocês, mas Ele não fará nada até que vocês tomem posse pela fé, até que coloquem os pés em Jericó e digam: “Senhor, esta Jericó é Tua por causa do Cordeiro, por causa da obra consumada do Cordeiro”.
As muralhas nunca cairão por terra — e não esperem que caiam — no instante em que vocês aparecerem. Vocês colocam os pés ali e dizem: “Senhor, esta Jericó é nossa”. Quando as muralhas não caírem, ah, durante seis dias vocês precisarão dar uma volta por dia; e, no sétimo dia, sete voltas.
Posso ouvir algumas pessoas dizendo: “Que incredulidade! Sete voltas? Certamente isso depende do Cordeiro de Deus e de Sua obra consumada”. Não, depende do Cordeiro e de Sua obra consumada, mas vocês precisam obedecer às instruções de Deus sobre como usar a planta dos pés.
Às vezes, a planta dos seus pés precisará entrar na água apenas uma vez, e as águas se abrirão, e todo o povo atravessará para a terra. Em outras ocasiões, vocês precisarão rodear aquelas muralhas durante uma semana e, no sétimo dia, sete vezes — e sem conversar.
Tenho visto mais momentos de oração serem destruídos por conversa do que por qualquer outra coisa. Todos começam a conversar antes, e, aos poucos, os problemas ficam maiores, maiores, maiores, maiores e maiores.
Foi uma grande sabedoria, uma psicologia divina, que disse: “Nada de conversa. Nenhum ruído até a última volta, no último dia”. Então, vocês tocarão a trombeta e darão um grande grito. Assim que fizeram isso, as muralhas caíram.
Assim foi com toda a terra. A única maneira pela qual conquistaram Jerusalém, quatrocentos anos depois, foi quando Davi, pela fé, enviou seus homens pelo poço da fonte de Giom. Quando colocaram os pés em Jerusalém, ela caiu.
Poderiam ter feito isso antes, mas estavam com medo. Em alguns lugares, tinham medo dos carros de ferro. Tinham medo de certos lugares porque pareciam tão inexpugnáveis, tão invencíveis. Mas tudo o que precisavam fazer era usar a planta dos pés.
A obra consumada do Cordeiro significa que não há problema que não possa ser resolvido, dificuldade que não possa ser superada nem avanço que não possa ser feito. A obra consumada do Cordeiro conquistou tudo. A terra é nossa por promessa.
Não é como se Deus dissesse: “Bem, talvez Eu dê uma parte”, e depois houvesse uma espécie de comissão celestial que se reunisse de vez em quando e dissesse: “Daremos? Não daremos?”. A terra inteira está garantida por aliança. Vocês podem receber tanto do Senhor Jesus quanto forem capazes de acolher.
Lembrem-se: estou falando sério. Não é apenas uma afirmação correta. Às vezes, vocês e eu conseguimos receber muito pouco, e o que recebemos nos deixa inteiramente arrebatados. Entramos num êxtase de alegria, paz e revelação como nunca havíamos conhecido; e, no entanto, o Senhor diz: “Ufa — tão pouco”.
Então, Ele precisa trabalhar, trabalhar e trabalhar até que haja maior capacidade; e depois precisamos de mais do Senhor. Precisamos passar por mais experiências, possuir mais, e entramos em uma experiência maior do Senhor.
O tempo passa, e ainda estamos apenas no primeiro ponto: uma terra a ser possuída. Espero mesmo que vocês estejam usando a planta dos pés.
É claro que eles precisavam usar literalmente a planta dos pés e a espada na mão. Vocês têm a Palavra de Deus. É por meio da fé e da paciência que vocês herdam as promessas.
Vocês precisam tomar a Palavra de Deus, conforme o Espírito Santo os ilumina e a entrega a vocês, individual ou coletivamente, e tomar posse dela. Esse é o propósito de Deus para Jacó, o homem tortuoso — Jacó, o homem com tamanha força de caráter natural; Jacó, o homem que era uma provação para a obra de Deus; Jacó, aquele que, por sua própria natureza, desfazia a obra de Deus por meio de seu zelo, de seus caminhos carnais e de sua energia.
No entanto, para esse Jacó, o propósito de Deus era que habitasse nessa terra, e ele habitou nessa terra em tendas. Graças a Deus. Que vocês recebam tamanha graça.
Lembrem-se do que diz Hebreus 4:1-3:
Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no Seu descanso, algum de vós pareça ter ficado aquém dela.
Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, assim como a eles: mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, porque não foi unida à fé naqueles que a ouviram.
Esse descanso é a terra, onde tudo está providenciado, e não o deserto. Podemos ouvir essas coisas e dizer: “Não funciona. Não funciona”. Ou podemos dizer: “Funciona para fulano, mas eu sou especial. Tenho problemas especiais, dificuldades especiais. Se você conhecesse meu passado, entenderia que sou uma exceção”.
“Dou graças a Deus porque funciona para todos os outros. Mas comigo — nunca funciona comigo.” Há muitos cristãos assim, vocês sabem. Pergunto-me quantos haveria, se fôssemos honestos, entre os que estão aqui nesta manhã. Há muitos cristãos que não creem que Deus algum dia falaria com eles.
Creem que Ele falaria com o irmão Kong; que Ele falaria comigo; que Ele falaria com alguns dos outros. Esses são os especiais de Deus. Na verdade, no fundo do coração, temos a ideia de que eles são místicos. São o tipo de pessoa que ouve Deus.
Há homens que dizem: “Sou um homem muito prático. Nunca ouvi a voz de Deus e nunca ouvirei”. Estou falando sério: isso está na raiz de metade dos nossos problemas. Milhares e milhares de crentes não acham que Deus algum dia falará com eles.
Alguns médicos lhes dirão isto: se você é jovem e não quer ouvir algo, ou simplesmente acredita que não consegue ouvir algo, não ouvirá. Você se torna surdo. Muitos cristãos se tornaram surdos por causa da incredulidade.
Simplesmente não creem que o Pai algum dia lhes diria uma palavra pessoalmente, que Ele realmente falaria com eles em meio aos seus problemas, em meio às suas circunstâncias. Ah, você é amado por Deus.
Amei a Jacó.
Ele anseia falar com você.
Aqui estava um homem que havia roubado a primogenitura de seu irmão gêmeo e enganado seu velho e piedoso pai quando ele estava cego. Foi uma coisa vil, tirar a bênção de seu irmão gêmeo, e agora ele estava fugindo.
Não temos nenhum relato de que estivesse arrependido. Tenho certeza de que sentia pena de si mesmo. Ele amava o lar; o texto diz que era um homem apegado ao lar. Amava sua mãe. Mas não há tristeza no relato, nenhuma indicação de que tenha chorado diante de Deus: “Ó Deus, pequei, pequei, pequei”. Ele apenas sentia pena de si mesmo.
Quando colocou a cabeça sobre uma pedra como travesseiro, Deus lhe apareceu. Se Deus pode aparecer a um homem numa condição assim, com um caráter assim, vocês não acham que Ele poderia aparecer a vocês, se nasceram de Deus?
Que a palavra ouvida seja unida à fé, para que, embora você saiba que, em si mesmo, não passa de alguém tortuoso, e conheça suas más qualidades tão bem quanto as boas, conheça a força de sua vontade e todo o resto, ainda assim saiba que Deus falará com você.
Então, quero também dizer algo sobre um povo a ser formado. Ele deveria tornar-se um povo. Aqui está outro assunto relacionado ao propósito de Deus.
Temos isso novamente em Gênesis 28:14:
E a tua descendência será como o pó da terra, e te estenderás para o ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul: e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
Ou, novamente, Gênesis 35:11:
E Deus lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso: frutifica e multiplica-te; uma nação e uma congregação de nações procederão de ti, e reis sairão dos teus lombos.
Qual era o propósito de Deus para Jacó? Que esse homem se tornasse um povo, se tornasse uma nação, que fosse fecundo e se multiplicasse.
Isso me lembra uma pequena passagem maravilhosa que, no caso de Jacó, se cumpriu inteiramente, Isaías 60:22:
O menor se tornará mil, e o pequeno, uma nação forte: Eu, o Senhor, a seu tempo o apressarei.
Querido povo de Deus, o propósito de Deus para vocês e para mim é que sejamos frutíferos — frutíferos. O propósito de Deus é que não haja apenas o fruto do Espírito em nossa vida — amor, alegria, paz, longanimidade e assim por diante —, mas que a semente presente nesse fruto do Espírito se reproduza.
Como é triste quando nunca, jamais, em momento algum de nossa vida cristã, fomos responsáveis por uma única pessoa encontrar Deus.
Não importa para onde vocês se voltem no Livro. A Palavra de Deus é esta:
Frutificai e multiplicai-vos.
Jesus expressou isso de maneira muito bela em João 15:16:
Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça: a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda.
Não é interessante quando nos voltamos para o Livro? Em Gênesis 1:28, quase as primeiras palavras que Deus disse ao homem foram:
Frutificai e multiplicai-vos.
Assim que o dilúvio terminou, e toda a raça humana havia sido destruída, exceto oito pessoas, Deus disse a Noé e aos demais:
Frutificai e multiplicai-vos.
Quando Deus tomou Abraão em Gênesis 12, disse-lhe que sua descendência seria como o pó da terra em multidão e como as estrelas do céu, inumeráveis. Em sua descendência seriam benditas todas as famílias da terra.
Isso está em toda parte no Livro. Vocês não conseguem encontrar nenhuma parte do Livro em que Deus não esteja interessado em frutificação e multiplicação.
Quando chegamos ao Novo Testamento, lemos em Atos 6:7:
E crescia a palavra de Deus; e o número dos discípulos se multiplicava grandemente em Jerusalém.
A Palavra de Deus crescia; o número dos discípulos se multiplicava. As duas coisas andavam juntas. Parece-me muito estranho quando as pessoas desprezam qualquer preocupação, encargo ou iniciativa evangelística, como se, de algum modo, a preocupação de que outros homens e mulheres encontrem o Senhor não fosse muito espiritual. Como se pertencesse à fase do jardim de infância.
Meu amigo, isso não pertence à fase do jardim de infância. Pertence ao cerne do propósito de Deus. Se vocês e eu não temos o encargo que está no coração do Mestre, que esperança há?
As pessoas me dizem: “Ah, mas veja, eu tenho a visão da igreja”. É claro. Graças a Deus se você tem a visão da igreja. Mas você cria uma dicotomia entre a igreja e levar pessoas a Cristo?
Como se, depois de ter visto a igreja, fosse preciso deixar todo o evangelismo para trás, como algo superficial, raso, pertencente ao jardim de infância das coisas cristãs. Permitam-me perguntar: como a casa de Deus será edificada? De onde vêm as pedras vivas?
“Ah”, diz alguém, “bem, elas já estão todas lá, sabe, nas outras denominações”. Bem, está certo então. Mas penso que seria igualmente maravilhoso se Deus fizesse uma obra tão profunda em nosso coração que, entre nós, não apenas houvesse fruto, mas também multiplicação, e milhares e milhares começassem a encontrar o Senhor.
Agora, vou lhes dizer uma coisa: não pode haver nascimento sem concepção, nem concepção sem dores. Em outras palavras, primeiro, se vocês e eu não estivermos abertos para que o Espírito Santo conceba algo em nós que se torne uma dolorosa angústia em nosso espírito por aqueles que não conhecem o Senhor, nunca veremos pessoas nascerem de Deus.
Parece haver uma ideia — e eu sou calvinista. Sei que não deveria me identificar com nenhum rótulo, mas sou um calvinista em tom de rosa.
Mas não creio naquele tipo de calvinismo que diz: “Não teremos nenhuma iniciativa evangelística, nenhum encargo. Ficaremos aqui, faremos o que é certo diante de Deus, O adoraremos e O louvaremos, e todos serão salvos”. Isso simplesmente não acontece.
Não, não estou pedindo aquele tipo de reunião evangelística em que qualquer pessoa que entra é imediatamente encurralada, exposta ao constrangimento, e recebe uma saraivada de todo tipo de versículo evangelístico, na esperança de que alguma coisa fique. Não queremos esse tipo de evangelismo.
O que queremos é aquele tipo de preocupação sincera com homens e mulheres que faça vocês prepararem um bolo para eles, visitá-los quando estão doentes, cortar a grama deles, fazer algum serviço para eles, amá-los de tal maneira que, por fim, vejam em vocês o fruto de Deus e, no fruto, a semente que se reproduz.
É isso que queremos. Vejam Atos 12:24:
Mas a palavra de Deus crescia e se multiplicava.
Como a Palavra de Deus pode crescer? Somente em vocês. E se multiplicar? Ela começa a atuar em outros. Portanto, se a Palavra de Deus está crescendo em vocês, que também se multiplique. Mas a tragédia, tantas vezes, é que a Palavra de Deus cresce em nossa cabeça, e não há multiplicação. Ficamos estagnados.
Frutificai e multiplicai-vos.
Ouçam novamente, mantendo-nos bem próximos desse assunto. Em Isaías 43, temos estas palavras, que já lemos em outra ocasião:
Mas agora, assim diz o Senhor Que te criou, ó Jacó, e Que te formou, ó Israel: Não temas, porque Eu te remi, chamei-te pelo teu nome; tu és Meu.
Quando passares pelas águas, Eu serei contigo; e pelos rios, eles não te submergirão: quando andares pelo fogo, não te queimarás; nem a chama arderá em ti.
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador.
Não temas, porque Eu sou contigo: trarei a tua descendência do oriente e te ajuntarei do ocidente;
Direi ao norte: Entrega; e ao sul: Não retenhas: traze Meus filhos de longe e Minhas filhas dos confins da terra;
Todo aquele que é chamado pelo Meu nome, e que criei para a Minha glória, que formei; sim, que fiz.
Que palavras maravilhosas. Começa com um Jacó, passa a um Israel, segue para os filhos e a angústia do parto, e termina com a descendência vindo dos quatro cantos da terra.
Ah, querido povo de Deus, não deixem esse assunto de lado. Ele está no cerne do propósito de Deus para Jacó, para Israel. É que vocês e eu, embora sejamos apenas um, nos tornemos mil.
Se Deus diz que um pode tornar-se mil, você é um? Bem, você poderia tornar-se mil. Como, você pergunta? O Senhor apressará isso a Seu tempo. Você está pronto para as dores do parto? Está pronto para a angústia? Está pronto para entregar sua vida por Ele, pela igreja e pelo mundo?
O pequeno se tornará uma nação forte. Somos um povo pequeno? Deus diz que podemos nos tornar uma nação forte. Ah, que Deus possa fazer tamanha obra em todos nós.
Agora, o tempo está quase acabando. O belo em Jacó é isto — posso dizer isso para o consolo de todos vocês? Deus começou a multiplicar Jacó antes de ele se tornar Israel.
Na verdade, quando se tornou Israel, ele já tinha onze dos seus doze filhos e sua única filha. Amo isso. Deus sabe exatamente o que fará na vida de vocês, e é curioso como Ele usa alguns de nós.
Não somos nada em nós mesmos, e há muitas fraquezas que qualquer cristão poderia ver e identificar. Mas Deus pode usar as pessoas mais fracas para multiplicar, porque Ele sabe o que fará naquela vida. Portanto, animem-se.
Há uma terceira coisa que gostaria de mencionar ao encerrarmos. Restam essas duas outras coisas — não direi muito sobre a última, porque a abordaremos separadamente em outra ocasião.
Mas há dois outros aspectos nesse propósito de Deus em cinco partes: que ele fosse uma bênção para os outros e que tivesse poder com Deus e com os homens.
Jacó era, por natureza, um homem de vontade forte e de alma forte. Como já disse, ele não era aquela criatura efeminada e sem firmeza que alguns apresentam, simplesmente porque amava o lar. O fato de um homem amar o lar não significa que seja um fraco, uma esponja sem firmeza. Ele pode ser um homem bastante duro.
Na verdade, vou lhes dizer uma coisa: Jacó era um homem infinitamente mais duro, mentalmente, do que Esaú. Infinitamente mais duro. Aquela natureza dura e firme apareceu quando ele disse:
Vende-me hoje a tua primogenitura.
Ele não lhe deu o ensopado imediatamente.
Aí está a resposta à ideia de que ele era um fraco, uma esponja sem firmeza, toda sentimental: “Pobre Esaú, está com fome; vou lhe dar o ensopado”. Ele disse: “Você não receberá uma única concha, mesmo que morra aqui aos meus pés, até assinar na linha pontilhada”.
Jacó era um homem duro por dentro. Tinha força de alma, força de vontade. Era sua energia natural, seus recursos naturais.
Ele não era uma bênção para os outros. Na verdade, roubava a bênção deles. Não abençoou seu irmão gêmeo; roubou a bênção dele. Não abençoou o querido pai; enganou-o. Nem sequer abençoou Rebeca, que era metade do problema. Ela nunca mais o viu. Tenho certeza de que nunca chamou isso de bênção.
Ele estava sempre roubando bênçãos. Nem mesmo Labão achava que Jacó fosse uma bênção. Em certo momento, disse: “Parece que Deus nos fez prosperar desde que você está conosco”. Mas o interessante é que os rebanhos acabaram todos do seu lado da cerca.
Jacó roubava a bênção. Não dava bênção. Na verdade, não era uma bênção para ninguém. Jacó não era alguém que dava; era alguém que acumulava.
Vocês podem sorrir, mas a maioria de nós, cristãos, se enquadra nessa categoria. Toda a nossa vida está centrada num único tema: “Dê-me. Eu quero. Abençoe-me. Eu”.
“Você quer dizer que preciso dar minha vida por esse pessoal? Não. Ah, estou aqui pela bênção. Fico com o que consigo obter.” Somos pessoas que acumulam, não pessoas que dão.
Estamos sempre acumulando. Vamos de grupo em grupo para acumular. Vamos de livro em livro para acumular. Vamos de pregador em pregador para acumular. Vamos de conferência em conferência para acumular. Somos ávidos por adquirir — sempre juntando, nunca dando.
É interessante que Deus fez uma obra tão profunda nesse homem, Jacó, a quem tanto amava, que, no fim de sua vida, ele deu, deu, deu e deu. Esse homem se tornou uma bênção.
Ele abençoou Faraó. Que história maravilhosa é essa, quando Jacó, o velho Jacó, entra na presença de Faraó e abençoa Faraó, o supremo potentado da Antiguidade.
Ali estava aquele filho de Deus, levantando as mãos e abençoando Faraó. Creio que deve ter sido uma bênção real. Provavelmente, algo foi acrescentado a Faraó que ele nunca tivera antes, por causa daquela bênção. Não eram apenas palavras; era uma bênção real. Quando Jacó levantou as mãos e abençoou, Deus confirmou aquela bênção.
Assim também aconteceu com os dois filhos de José. Ele os abençoou. Na verdade, as últimas palavras que temos sobre Jacó, em Hebreus 11:21, dizem:
Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José; e adorou, apoiado sobre a extremidade do seu bordão.
Essa é a última imagem que temos desse homem. Na verdade, no relato de Gênesis, ele abençoou todos os seus filhos. Que capítulo extraordinário é Gênesis 49.
Agora, às vezes pensamos que abençoar é ser agradável — dizer coisas agradáveis. “Se vou abençoar você, tudo será agradável, açucarado, lindo.” Mas, quando vocês leem o que Jacó disse a respeito de Rúben, o que disse a respeito de Simeão, o que disse a respeito de alguns dos outros — minha nossa, isso era uma bênção.
Ali havia um desvendamento de quem eles eram, como se ele enxergasse com o olhar de Deus o próprio coração deles, o caráter deles. Como se, por conhecer a si mesmo, os entendesse. Essa bênção consistia em ser verdadeiro com os outros.
Que palavra maravilhosa foi aquela quando chegou a Judá e quando chegou a José. Que promessas!
Bem, queridos, o propósito de Deus era que ele possuísse uma terra, se tornasse um povo e fosse uma bênção. Você é uma bênção? É realmente uma bênção? Transmite algo de Deus aos outros? Deposita algo de Deus em seus irmãos e irmãs?
Não podemos ser uma bênção até que Deus faça algo dentro de nós.
Esse quarto aspecto era que ele se tornasse um príncipe com Deus e com os homens. Agora, não direi mais sobre isso, porque, numa das últimas mensagens que darei, falarei sobre Jacó como Israel, como o príncipe com Deus e com os homens.
Mas muitos de nós estamos debaixo das nossas circunstâncias, não estamos? A pia da cozinha está por cima de nós. O quarto das crianças está por cima de nós. A família está por cima de nós. O trabalho está por cima de nós. Nossos amigos estão por cima de nós.
Nossas circunstâncias e situações — somos governados por elas. Assim que os problemas começam, ficamos nervosos, assustados. Não estamos por cima; estamos por baixo. Não temos poder com Deus e com os homens. As circunstâncias têm poder sobre nós. As situações têm poder sobre nós. Os homens têm poder sobre nós e nos dominam.
Que caminho profundo Jacó precisou percorrer antes de deixar de ser cauda e tornar-se cabeça — não porque se apoderou disso, mas porque Deus lhe deu.
Querido povo de Deus, vocês não querem reinar com Cristo? Não querem estar assentados com Ele nas regiões celestiais? Mas não podem estar assentados com Cristo, de modo prático e real, nas regiões celestiais, a menos que estejam preparados para morrer com Ele, a menos que estejam preparados para ser sepultados com Ele e, então, ressuscitados com Ele.
A menos que estejam preparados para seguir o mesmo caminho que o Mestre percorreu, sua posição é nas regiões celestiais em Cristo, assentados com Ele, mas não na prática nem na realidade. Na verdade, isso quase se torna uma zombaria para vocês.
Vocês estão debaixo das suas circunstâncias, debaixo das suas situações, à mercê do mundo e dos ambientes que o mundo cria, nas mãos de Satanás e dos poderes das trevas. Ele puxa os fios, e vocês se movem, sem conseguir evitar.
Jacó não conseguia evitar. Queria ser diferente, mas não conseguia. Foi somente quando Deus cortou o fio e deslocou seu quadril que ele passou a estar sob o governo de Deus. Então, teve poder com Deus e com os homens.
Vamos, então, orar.
Ó Senhor, Tu conheces o coração de todos nós. Aplica esta Tua Palavra a todos nós, Senhor. Há uma terra a ser possuída. Há um propósito Teu a ser realizado e cumprido, individual e coletivamente.
Há necessidade de frutificação e multiplicação, Senhor. Há necessidade de nos tornarmos uma bênção real e prática uns para os outros e para o mundo.
Ó Senhor, há necessidade de sermos aqueles que estão por cima, e não por baixo, que são cabeça, e não cauda. Senhor, aplica a Tua Palavra a nós, pedimos.
Que algo do Teu propósito para nós comece a raiar em nosso entendimento, como aqueles que receberam o nome de Jacó e se tornaram o Teu Israel. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.