Por favor, abram em Atos 26:19.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
Vamos orar.
Senhor, queremos agradecer-Te por estares conosco. Nós Te agradecemos, Senhor, porque na Tua presença há vida. Na Tua presença há luz; na Tua presença há verdade; e na Tua presença há glória.
Senhor, nós Te agradecemos por seres tão bondoso para conosco. Nossa oração é que continues a abençoar o Teu povo, continues a obra de restauração e conduzas o Teu povo à plenitude do Teu propósito. Que a Tua vontade seja feita na terra entre o Teu povo, assim como é feita no céu. Queremos exaltar o Teu nome e glorificar o Teu nome, pois somente Tu és digno de ser glorificado.
No precioso nome do Senhor Jesus. Amém.
Realmente agradecemos ao Senhor por nos sustentar juntos nestes dias. O Senhor tem sido bom para conosco, e somos profundamente gratos. Agradecemos ao Senhor especialmente por nos dar o privilégio de estar com vocês. Louvamos ao Senhor porque Ele tem os Seus servos ocultos por toda a terra, e juntos aguardamos a breve vinda do nosso bendito Senhor.
O tema do nosso tempo juntos é a visão celestial. Nós a chamamos de visão celestial porque ela não é terrena; não é humana. Ela vem do céu. Vem do próprio Senhor.
Aprouve a Deus revelar o Seu Filho em nós, e agradecemos a Deus por nos dar o Seu Filho amado. Queremos ver essa visão celestial.
Com essa visão celestial, temos um alvo diante de nós. Com essa visão celestial, temos a força interior para prosseguir e perseverar. A visão celestial nos dá esse amor interior e nos une como um só Corpo, um só povo.
Cremos que essa é a vontade de Deus, e que nisso está o Seu beneplácito. Essa visão deve transformar a nossa vida. Deve tornar-se o próprio testemunho da nossa vida.
Como mencionamos nos últimos dois dias, a visão celestial é composta de duas partes.
No caminho de Damasco, Saulo viu o Justo. Ele ouviu a Sua voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão.
Aprouve a Deus revelar o Seu Filho em Saulo. Na visão celestial, Saulo encontrou o seu verdadeiro Senhor. Ele havia sido criado por Deus para um propósito, mas nunca o conhecera. Quando encontrou o Senhor, o próprio Senhor Jesus Cristo, ele se rendeu.
Mas, no caminho, Saulo também viu algo juntamente com o próprio Senhor. Ele viu a igreja como o Corpo de Cristo. O Senhor disse:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Saulo estava perseguindo os crentes — cristãos, seguidores do Senhor Jesus —, mas o Senhor Se identificou com eles. Eles eram o Seu Corpo, os membros do Seu Corpo.
Quem toca em qualquer membro do Corpo toca na Cabeça. Este é o glorioso Homem universal: Cristo como a Cabeça, com o Seu Corpo abrangendo toda a terra. Nesse Corpo, a Cabeça Se manifesta. Esse é o testemunho da igreja.
Ali, no caminho de Damasco, Saulo foi, por assim dizer, elevado ao céu. Ele viu a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Aquela visão era tão majestosa que o libertou de si mesmo e o introduziu na própria glória de Deus.
Mas, irmãos e irmãs, essa era apenas uma parte da visão celestial. A visão celestial continuou na cidade de Damasco.
Em Damasco, Deus revelou a Saulo a outra parte da visão celestial. Mostrou-lhe um homem pequeno — não um homem insignificante, mas um homem pequeno — chamado Ananias, um crente na cidade de Damasco.
Ananias se identificou com Saulo. Pela imposição das mãos de Ananias, Saulo foi introduzido na comunhão do Corpo de Cristo.
Irmão Saulo, recupera a vista.
Os olhos de Saulo foram abertos, e ele foi cheio do Espírito Santo. Ele viu Ananias, e Ananias já não era um inimigo. Era um querido irmão no Senhor.
O Homem universal toca a terra na igreja local. Ali vocês encontram a expressão prática da igreja. A igreja local é uma miniatura da igreja universal. Os princípios revelados no Corpo universal devem ser praticados na terra, na igreja local.
Essa é a visão completa. Se as pessoas veem apenas a parte celestial no caminho de Damasco, sem ver a parte prática na cidade de Damasco, podem se tornar visionárias. Podem ver algo glorioso, mas isso nunca é colocado em prática.
Por outro lado, se as pessoas veem apenas a igreja local, sem ver a visão celestial, podem gradualmente tornar-se legalistas e, por fim, exclusivistas, porque não veem o horizonte amplo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito, muito importante que Deus nos revele as duas partes da visão celestial. Essas verdades sempre caminham juntas.
Nesta noite, gostaríamos de nos concentrar na declaração do apóstolo Paulo:
Não fui desobediente à visão celestial.
Se vocês querem saber quem era Paulo, o que fez a diferença em sua vida e qual era o seu ministério, aqui está:
Não fui desobediente à visão celestial.
Essa visão celestial mudou toda a vida de Paulo. Antes de ver a visão celestial, ele era fariseu, alguém que se considerava justo, zeloso das tradições dos pais. Ele perseguia a igreja. Pensava que estava servindo a Deus.
Mas, na verdade, ele estava se opondo a Deus. Era sincero, mas estava nas trevas. Então Deus, por Sua graça, revelou-lhe a visão celestial, e essa visão celestial mudou toda a sua vida.
Deus usou Paulo para estabelecer igrejas por toda parte. Ele se tornou uma testemunha do Senhor e sofreu muito por causa do Senhor. Contudo, para ele, tudo valeu a pena. Ele resumiu toda a sua vida e ministério nesta única frase:
Não fui desobediente à visão celestial.
Receber a visão celestial é uma misericórdia de Deus. Não é porque alguém seja digno. Todos nós somos indignos. Tudo é pela graça; tudo é pela misericórdia.
Deus nos mostrou o que a igreja realmente é. Não temos nada de que nos gloriar. Tudo é pela graça.
Mas, queridos irmãos e irmãs, simplesmente ver a visão celestial não significa que tenhamos entrado nela. Deus pode nos dar entendimento do Seu mistério, mas isso não significa que a visão se tenha tornado parte do nosso próprio ser. É apenas o começo.
A razão pela qual Deus nos mostra a visão celestial não é para que nos gloriemos nela, nem apenas para que falemos a seu respeito. Deus é extremamente prático. Se Ele nos mostra algo do céu, quer que entremos nessa realidade.
A visão deve tornar-se a nossa vocação. Se não se tornar a nossa vocação, então não basta.
Pela graça de Deus, Ele abre os nossos olhos para vermos Jesus, o Filho de Deus. Ele nos mostra algo da plenitude de Cristo. Isso é a misericórdia de Deus. O que vemos de Jesus é apenas um pouco, mas como somos gratos por isso!
Deus também abre os nossos olhos para vermos a igreja: a igreja como o Corpo de Cristo hoje e a igreja, por fim, cheia da plenitude de Cristo. Quando a igreja chegar à maturidade, ela se tornará a Noiva eterna do Filho amado de Deus. Esse é o propósito eterno e glorioso de Deus.
Deus nos revela essas coisas porque quer que entremos na visão. O que vemos deve tornar-se a nossa vida, o nosso ministério e a nossa vocação.
Quando realmente entramos na visão, ela já não é apenas a nossa visão. A visão toma posse de nós. Não se pode explicar Paulo sem a visão celestial. Quando ele viu a visão, entregou-se a ela.
Cremos que esta é a vontade de Deus para cada um de nós: que aquilo que Deus nos revelou em nosso espírito se torne a nossa vida diária e o nosso testemunho.
Paulo usou uma dupla negativa:
Não fui desobediente.
Ele não disse simplesmente: “Fui obediente”. Ele disse:
Não fui desobediente à visão celestial.
Creio que há duas razões para isso. Primeiro, é uma forma de dar ênfase. Mas, em segundo lugar, isso nos mostra como é fácil sermos desobedientes à visão celestial.
Muitos viram a visão, mas a maioria das pessoas não a segue, porque há um custo. Quando Deus lhes dá uma visão, há um chamado. Deus espera uma resposta no espírito de vocês.
Pensem em Abraão. Quando ele estava em Ur dos Caldeus, uma cidade cheia de ídolos, a tradição nos diz que ele estava ligado à fabricação de ídolos. Contudo, de alguma maneira, Deus o tocou.
Segundo uma história judaica, o pai de Abraão o deixou cuidando dos ídolos. Abraão quebrou os ídolos e, quando seu pai voltou e perguntou o que havia acontecido, Abraão mostrou a insensatez de confiar em ídolos.
Isso é uma história judaica. Mas a Bíblia nos diz que o Deus da glória apareceu a Abraão. Abraão devia estar buscando a verdade, e o Deus da glória lhe apareceu.
A glória de Deus chamou Abraão:
Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei.
Sempre que há uma visão do alto, há também um chamado. Deus é extremamente prático. O chamado era para deixar para trás tudo o que pertencia ao passado e ir para o lugar que Deus lhe mostraria.
Foi um salto de fé. A Bíblia diz que, pela fé, Abraão deixou sua cidade, deixou sua casa e partiu sem saber para onde ia. Ele sabia apenas que Deus o havia chamado.
Sempre que uma visão de Deus chega até nós, há ali um chamado. Devemos deixar para trás as coisas do passado e seguir o Senhor.
A maioria das pessoas não consegue unir a fé à palavra que ouve. O resultado é que sua visão gradualmente se torna uma miragem. Elas se tornam visionárias, mas não há realidade em sua vida.
Paulo disse:
Não fui desobediente.
Ele precisou começar a andar no caminho da visão. Não sabia tudo o que isso envolveria.
O Senhor lhe disse que ele seria Sua testemunha diante de pessoas, reis, judeus e gentios — e que sofreria muito por causa do Seu nome. Paulo teve de deixar para trás tudo o que pertencia ao seu passado: seus êxitos anteriores, seu orgulho, suas realizações religiosas e tudo aquilo de que poderia se gloriar.
Ele deixou todas essas coisas para trás e seguiu o Senhor pela fé, sem saber o que aconteceria. O Deus da glória lhe havia aparecido.
Irmãos e irmãs, quando a visão se torna vocação, há uma cruz. Sem a cruz, sem tomarmos a nossa cruz e seguirmos o Senhor Jesus, a visão nunca se transformará em vocação.
Considerem o Senhor Jesus. Ele era igual a Deus e não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar. Contudo, esvaziou-Se da glória, da honra e da adoração que O acompanhavam. Assumiu a forma de servo e foi encontrado em figura humana.
Humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
O Senhor Jesus veio ao mundo para morrer. Ele nasceu para morrer por nós. Ele era Aquele que não tinha pecado, mas tomou sobre Si a carne humana e viveu nesta terra como Homem.
A natureza celestial que havia Nele era completamente diferente do mundo. Assim como o céu é diferente da terra, Ele era diferente de tudo o que pertencia à terra. Para o mundo, Ele era um estranho e um estrangeiro.
Sua vida não era governada pelo mundo. Toda a Sua vida era governada pelo céu.
O Senhor tinha poder para derrubar o Império Romano e fazer de Israel a primeira entre as nações. Ele poderia ter Se tornado o tipo de Messias que os judeus esperavam. Mas Ele disse:
Eu nada posso fazer de Mim mesmo.
Tudo quanto vejo o Pai fazer, isso também faço da mesma maneira.
O que ouço do Pai, isso falo.
Ele era o Homem perfeito e, ainda assim, não vivia segundo a Sua própria vontade. Era sempre o caminho do Pai, não o Seu próprio.
O mundo não conseguia compreendê-Lo. O mundo O rejeitou. O mundo O crucificou porque Ele não pertencia a ele. Até mesmo os Seus discípulos muitas vezes não O compreendiam. Quando Ele falava de coisas espirituais, eles as interpretavam de maneira terrena e material.
Embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu.
E, sendo aperfeiçoado, tornou-Se o Autor da salvação eterna para todos os que Lhe obedecem.
Se queremos seguir a visão, temos de sofrer. Não é isso que a Palavra diz?
Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.
Não há nada de estranho nisso. Um servo não pode ser maior do que o seu senhor. Nós, que seguimos o Senhor Jesus, devemos seguir o caminho que Ele trilhou.
A visão celestial é gloriosa, mas nos custa muito. Nossa vida natural se opõe àquilo que é celestial e espiritual.
Se queremos seguir a visão celestial, precisamos negar a nós mesmos. Precisamos tomar a cruz.
Pedro negou o Senhor três vezes. Mas, irmãos e irmãs, não culpem Pedro. Quanto a nós, ninguém é capaz, por si mesmo, de tomar a cruz e seguir o Senhor.
Podemos dizer: “Eu Te seguirei. Estou disposto a me entregar. Não importa quanto sofrimento haja, eu Te seguirei”. Mas o Senhor diz: “Não confie em si mesmo”.
Não conseguimos fazer isso por nós mesmos. O Senhor nos mostrou o caminho, e Ele é o único caminho. Sua graça é suficiente. Ele tornará isso possível.
Depois de cada prova, só podemos nos curvar e dizer: “Senhor, é a Tua graça”. Essa é a única maneira de a visão se transformar em vocação.
O caminho é o caminho da cruz. A cruz conduz à coroa. A cruz trata de tudo em nós que não é de Deus. É por meio da cruz que a vida do eu é posta de lado.
Convém que Ele cresça e que eu diminua.
Esse é o caminho. O Senhor não nos diz tudo o que vai acontecer. Ele nos conduz passo a passo. Estamos dispostos a trilhar esse caminho?
Paulo considerou perda tudo aquilo que antes tinha como tesouro, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, seu Senhor.
Mas o que para mim era ganho, isso considerei perda por causa de Cristo.
Sim, na verdade, considero tudo como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.
Paulo queria conhecer Cristo, o poder da Sua ressurreição e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte, para que pudesse alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Ele não disse que já havia alcançado. Prosseguia porque o Senhor o havia alcançado. Irmãos e irmãs, vocês sabem que o Senhor os alcançou? Sabem que Ele os alcançou para um propósito?
Ele quer glorificar vocês. Quer que O conheçam e sejam transformados à Sua imagem. Paulo disse que queria alcançar aquilo para o qual Cristo Jesus o havia alcançado.
Paulo não podia se satisfazer com nada menos do que isso. O propósito de Deus tinha de se tornar real em sua vida.
Já não era Paulo; era Cristo. Cristo era a sua vida.
Quando a visão se torna a nossa vida, amamos a igreja como Cristo amou a igreja.
A primeira coisa que Paulo fazia quando chegava a algum lugar era procurar os irmãos e irmãs. Ele amava a igreja.
Assim como o nosso Senhor Jesus, Paulo podia dizer que, além de todos os sofrimentos que havia suportado, havia a pressão diária da preocupação com todas as igrejas.
Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?
Quem se escandaliza, que eu não me abrase?
Ele estava disposto a gastar e a se deixar gastar pelos santos. Já não era independente. Estava profundamente unido ao Corpo de Cristo.
A visão o consumiu. Ele se tornou uma testemunha. Sabia que o testemunho de Cristo continuaria.
Paulo conhecia o mistério de Deus e o mistério de Cristo — a igreja. Ele não apenas o pregava. Ele o vivia.
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado.
Ele se entregou a esse ministério. Trabalhava para apresentar todo homem perfeito em Cristo.
Para que estamos vivendo? Essa é a nossa vocação? O alvo da nossa vida é que a igreja se torne gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante — santa e irrepreensível?
O Senhor Jesus nos alcançou. Podemos confiar Nele. O amor de Cristo nos constrange.
Em nossa fraqueza, nunca seremos capazes de segui-Lo por nossa própria capacidade. A visão celestial é celestial; é espiritual; é inteiramente diferente da nossa força natural.
Senhor, abre os nossos olhos. Dá-nos graça para vermos o Teu glorioso propósito. Queremos seguir-Te, mas a nossa fé não é suficiente. Nós nos lançamos sobre Ti.
Ó Senhor, toma-nos em Tua própria mão. Conduze-nos à realidade do Teu precioso propósito. Amém.