Por favor, abram no livro de Atos, capítulo 9. Atos, capítulo 9.
Começamos em Atos 9:6.
Mas levanta-te e entra na cidade, e ser-te-á dito o que deves fazer.
E os homens que iam com ele pararam emudecidos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém. E Saulo levantou-se da terra; e, abrindo os olhos, nada via; e, guiando-o pela mão, levaram-no a Damasco. E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.
E havia em Damasco certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias. E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; E numa visão viu um homem chamado Ananias entrar e impor-lhe as mãos, para que recebesse a vista.
E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos Teus santos em Jerusalém; E aqui tem poder dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam o Teu nome.
Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel; Porque Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome.
E Ananias foi, e entrou na casa; e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, Que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado; E, tendo comido, ficou fortalecido. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo, nas sinagogas, pregava a Jesus, que Ele é o Filho de Deus.
Vamos orar. Que o Espírito Santo sopre sobre a Sua Palavra escrita, nos convença, nos faça crer e torne essa Palavra real na vida de cada um de nós. Olhamos para Ele, para que nos seja dado o espírito de sabedoria e de revelação, a fim de que verdadeiramente O conheçamos. Daremos a Ti toda a glória, no precioso nome de nosso amado Senhor Jesus. Amém.
Mencionamos ontem à noite que é de tremenda importância — sim, de importância eterna — que nós, como povo de Deus, vejamos a visão celestial.
Deus deu a visão celestial ao apóstolo Paulo. Essa visão transformou a sua vida. Ela também se tornou o seu testemunho, e cremos que é da vontade de Deus que todos os que pertencem ao Senhor vejam aquela visão celestial que o apóstolo Paulo viu.
Ela nos mostra o caminho pelo qual devemos seguir. Precisamos prosseguir em direção ao alvo, mesmo que tenhamos de pagar o preço e sacrificar tudo. Ela nos dá forças para perseverar, para que essa visão celestial se torne a nossa vocação.
Somente se virmos a visão celestial e contemplarmos o valor do alvo teremos forças para perseverar até o fim. E é essa visão celestial que nos une como um só povo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, nossa oração é que não estejamos apenas falando sobre a visão celestial, mas que, pela graça de Deus, cada um de nós possa vê-la.
O que é essa visão celestial? Quando Saulo se aproximava de Damasco, uma luz do céu brilhou sobre ele. Queridos irmãos e irmãs, creio que essa luz era a glória Shekinah de Deus.
Naquela glória, ele viu o Justo. O Pai celestial lhe revelou que Aquele a Quem ele perseguia não era apenas o Justo, mas o Filho de Deus. Ele é o Herdeiro de todas as coisas.
Esse é o mesmo Que agora está à direita de Deus. Toda a autoridade no céu e na terra Lhe foi dada. Deus O exaltou sobremaneira para ser Senhor de todos.
Ele é o Senhor de todos. Ele é Senhor. Jesus, o Filho de Deus, é o Senhor da vida de Saulo; Ele é o meu Senhor e é o seu Senhor.
Entendemos que Ele é o nosso Salvador. Ele veio a este mundo para nos salvar, e nós O recebemos como nosso Salvador pessoal. Graças a Deus por isso. Mas, irmãos e irmãs, ao mesmo tempo, Ele deve ser o Senhor da nossa vida.
Conhecer Cristo como Aquele que age em meu favor é uma coisa. Mas somente quando O vemos como Senhor e entregamos nossa vida a Ele é que verdadeiramente sabemos o que significa Cristo ser Senhor sobre nós.
Ouvi falar de um jovem que, aos dezessete anos, sabia que Jesus era o Salvador. Ele sabia que precisava recebê-Lo como seu Salvador, mas tinha um problema.
Era um jovem que havia planejado todo o seu futuro. Era uma pessoa brilhante e poderia ter sido bem-sucedido em qualquer área. Seu futuro ocupava muito os seus pensamentos.
Quando ouviu o evangelho, por um lado, foi tocado. Sabia que precisava receber Jesus como seu Salvador. Mas, por outro lado, percebeu que, se recebesse Jesus como Salvador, também teria de entregar sua vida a Jesus como Senhor.
Por isso, ele lutou. Enquanto orava, o Senhor lhe mostrou a escuridão do pecado e a grandeza do sangue do Senhor Jesus. Ele foi constrangido pelo amor de Cristo a receber Jesus tanto como Salvador quanto como Senhor.
Daquele momento em diante, Jesus não era apenas o seu Salvador, mas também o seu Senhor. Essa é a visão celestial. Precisamos ver Jesus como nosso Senhor, ser constrangidos pelo Seu amor e nos entregar voluntariamente a Ele.
Então Saulo viu algo mais. Ele viu que Jesus não é apenas o Senhor, mas que todos os que creem no Senhor Jesus são membros do Seu Corpo.
Quando o Senhor disse:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Ele estava mostrando a Saulo que tocar em um cristão é tocar em Cristo, a Cabeça. Saulo viu o Corpo universal de Cristo, um Corpo que enche toda a terra.
Essa é a visão celestial. Ela nos liberta de nós mesmos e nos introduz em uma comunhão que é universal.
Essa é a essência da Igreja. Não é uma questão de organização. Não é uma doutrina, uma opinião ou apenas algo que compreendemos mentalmente. É uma realidade espiritual.
Deus precisa revelá-la pelo Seu Espírito em nosso espírito. Precisamos ser capazes de dizer: “Antes eu era cego, mas agora vejo”. Quando vemos, isso muda nossa vida, muda nosso relacionamento com os outros e nos dá um propósito.
A visão que Saulo teve no caminho de Damasco não estava completa. Isso é verdade, porque a visão continuou na cidade de Damasco.
Como sabemos disso? Lembrem-se da primeira pergunta de Saulo:
Quem és Tu, Senhor?
O Senhor respondeu:
Eu sou Jesus.
Imediatamente, Saulo percebeu que o próprio Jesus era Senhor.
Então Saulo fez uma segunda pergunta:
Que farei, Senhor?
Isso é muito significativo.
Saulo havia sido uma pessoa que controlava a própria vida. Ele sabia o que queria fazer e dirigia outras pessoas. Mas agora se entregou a Jesus como Senhor.
“Senhor, agora Tu és o meu Senhor. O que queres que eu faça?” Provavelmente, essa foi a primeira vez em sua vida que ele fez uma pergunta assim. Ele sempre soubera o que fazer. Mas agora disse: “Não sei o que fazer. Tu precisas me dirigir. Mostra-me o que devo fazer”.
Ele esperava plenamente que o Senhor lhe dissesse imediatamente o que deveria fazer, e o teria feito com todas as suas forças. Mas o Senhor não lhe disse tudo de imediato.
O Senhor disse:
Levanta-te e vai a Damasco, e ali se te dirá tudo o que te é ordenado fazer.
Essa foi uma grande prova.
Saulo havia entregado sua vida ao Senhor. Contudo, a vida cristã não é apenas um relacionamento particular entre um indivíduo e o Senhor. Não deve haver uma vida espiritual isolada, na qual uma pessoa diga: “Somos apenas o Senhor e eu. Não preciso de mais ninguém”.
Isso pode parecer muito espiritual, mas não é o caminho do Senhor. O Senhor nos uniu ao Corpo.
No caminho de Damasco, Saulo acabara de reconhecer Jesus como Senhor. Agora o Senhor iria prová-lo: “Você está disposto a obedecer à Minha direção, mesmo quando essa direção o leva a se relacionar com outros cristãos?”
Você viu o Corpo de Cristo. Está disposto a permitir que outras pessoas tenham lugar em sua vida? Está disposto a ter comunhão e relacionamento com os santos, ou deseja permanecer independente?
A visão será provada. Caso contrário, ela nunca se tornará a nossa vocação.
A visão celestial é gloriosa. Ela mostra Cristo no céu e revela o Corpo universal de Cristo. Mas, quando alguém vê a glória de Deus, essa visão não o exalta em orgulho; ela o faz prostrar-se.
Paulo foi elevado ao terceiro céu, mas a mesma revelação o humilhou. Daniel era um homem fiel; contudo, quando viu a visão, disse:
Transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio.
Ele caiu por terra.
A visão celestial é tão gloriosa que nos mostra claramente quem somos. Estamos longe dessa realidade. Precisamos da tremenda obra de Deus para nos introduzir na realidade da visão que o apóstolo Paulo viu.
A Igreja é uma realidade celestial e espiritual. Todos os princípios espirituais relacionados a Cristo e à Igreja são celestiais e espirituais. Contudo, queridos irmãos e irmãs, a espiritualidade é algo extremamente prático.
Aquilo que Deus nos mostrou como espiritual e celestial precisa tornar-se prático em nossa vida.
A visão celestial que Saulo teve no caminho de Damasco era apenas uma parte. Havia outra parte que ele precisava ver na cidade de Damasco.
Saulo se levantou do chão, mas seus olhos haviam sido cegados pela glória da luz. Ele estava em uma condição lastimável. Durante três dias ficou sem ver, e não comeu nem bebeu.
Enquanto isso, em uma visão, o Senhor apareceu a um discípulo em Damasco, cujo nome era Ananias.
Ananias não era uma pessoa famosa. Era um discípulo comum, praticamente desconhecido no registro das Escrituras. Ele aparece apenas uma vez em Atos 9. Mas conhecia o Senhor.
O Senhor lhe disse: “Vá à rua chamada Direita. Na casa de Judas você encontrará um homem chamado Saulo de Tarso”.
Ananias respondeu: “Senhor, ouvi falar desse homem. Ele era um homem famoso. Ouvi de muitos quanto mal ele fez aos Teus santos em Jerusalém. Ele tem autoridade dos principais sacerdotes para prender todos os que invocam o Teu nome”.
Ananias não sabia o que havia acontecido no caminho de Damasco. Ele entendia que Saulo havia vindo para prender os cristãos. “Senhor, Tu queres que eu vá até ele e lhe imponha as mãos?”
O Senhor disse:
Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel; Porque Eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo Meu nome.
Graças a Deus por esse homem simples, Ananias. Sem fazer mais perguntas, ele obedeceu ao Senhor.
No caminho de Damasco, somente Saulo viu a visão. Os homens que viajavam com ele ficaram assustados, mas não compreenderam o que estava acontecendo. Na cidade de Damasco, porém, Saulo encontrou um irmão.
No que diz respeito ao aspecto prático da Igreja, Saulo precisava de Ananias. Queridos irmãos e irmãs, a Igreja é universal. Ela é o Corpo de Cristo, e todos os que creem em Cristo Jesus pertencem a esse único Corpo universal.
Essa é uma realidade espiritual.
Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só Corpo; E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
É isso que a Igreja é. A Igreja é celestial em sua origem e espiritual em sua natureza. Contudo, a Igreja se torna uma testemunha e um testemunho do Senhor na terra.
Lembrem-se da visão de Pedro. Ele estava no terraço, orando, e viu um grande lençol descendo do céu. Nele havia todo tipo de criaturas.
Pedro disse:
De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.
Mas o Senhor lhe mostrou que ele não deveria chamar de comum aquilo que Deus havia purificado.
Essa era uma visão da Igreja. Ela desceu do céu e incluía todos aqueles que Deus havia recebido. Não devemos permitir que a tradição nos impeça de receber aqueles que Deus recebeu.
Se enxergarmos a Igreja universal apenas de maneira abstrata, podemos nos tornar meramente visionários. Mas, em Damasco, Saulo recebeu a visão prática da Igreja quando Deus o colocou em contato com um irmão local — Ananias.
Ananias foi à rua chamada Direita e entrou na casa. Não foi Saulo quem impôs as mãos sobre Ananias; foi Ananias, um irmão comum, quem impôs as mãos sobre Saulo.
O que significa a imposição de mãos? No Antigo Testamento, as mãos eram impostas sobre o sacrifício. No Novo Testamento, os apóstolos impunham as mãos sobre as pessoas. Mas o que significa esse ato?
A imposição de mãos significa identificação. Quando você impõe as mãos sobre uma pessoa, está dizendo: “Eu me identifico com esta pessoa”.
Ananias era um membro do Corpo de Cristo em Damasco. Ele representava a Igreja em Damasco. Quando impôs as mãos sobre Saulo, Saulo entrou na comunhão do Corpo de Cristo.
Dois inimigos, que não poderiam ter se encontrado sem medo, estavam agora unidos em um só Corpo. Essa era a obra do Senhor.
Vocês conseguem imaginar como Saulo deve ter se sentido naquele momento? “Você era meu inimigo, mas me chama de seu irmão.” A graça de Deus havia feito desse antigo inimigo um irmão na família de Deus.
Creio que não há nada mais doce do que o nome irmão. Você preferiria ser chamado por algum outro título? Somos todos irmãos.
Recebemos a filiação por meio de Cristo Jesus. Portanto, somos irmãos e irmãs na família de Deus. Por que procuramos ser chamados por outros nomes? Por que não nos contentamos com esse doce nome, irmão?
Não há discriminação no Corpo de Cristo. Quando somos unidos ao Corpo, somos apresentados uns aos outros por meio do Corpo.
A primeira pessoa que Saulo viu depois que sua cegueira foi curada foi um irmão. Pela primeira vez, esse homem — que havia considerado os seguidores de Jesus impostores e inimigos — ouviu alguém chamá-lo: “Irmão Saulo”.
Um irmão! Um irmão! Ah, queridos irmãos e irmãs, quando vocês veem outro cristão, quem vocês veem? Veem o seu irmão? Veem Cristo no seu irmão?
Ou você olha para o seu irmão e vê apenas os defeitos dele? Em vez de ver Cristo nele, vê somente aquilo que lhe desagrada?
Quando você toma o seu lugar no Corpo de Cristo, quando vive na comunhão do Corpo, a cura vem. Saulo recuperou a vista, foi cheio do Espírito Santo, alimentou-se e ficou fortalecido.
E vocês sabem o que ele fez? Esteve com os discípulos. Ele não estava apenas a sós com o Senhor. Estava com os discípulos, proclamando que Jesus é o Filho de Deus.
Desde o início, o testemunho de Saulo não foi meramente individual. Deus o introduziu no aspecto prático da Igreja universal.
Quando Saulo voltou mais tarde a Jerusalém, os discípulos tiveram medo dele, porque era muito conhecido como perseguidor. Contudo, o Senhor continuou a lhe ensinar o significado da comunhão com os santos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o que é a visão celestial? É Cristo como Senhor no céu, Cristo como Cabeça do Corpo e a Igreja como Seu Corpo na terra.
Precisamos aprender a ser membros do Corpo. Precisamos nos entregar uns aos outros no temor de Cristo.
Cremos que essa é a visão celestial, e cremos que é isso que o Senhor deseja que vejamos.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Que Ele abra os nossos olhos para que possamos vê-Lo como Senhor, ver o Seu Corpo e tomar o nosso lugar no Seu testemunho na terra.
O Senhor nos chamou para sermos o Seu Corpo hoje e para sermos o Seu testemunho na terra. Um dia Ele voltará. Até lá, que possamos ir e testemunhar por Ele em adoração, em comunhão e em obediência.