É uma alegria para mim poder estar com todos vocês mais uma vez, na presença do Senhor.
Eu estava pensando naquela pergunta sobre o livro de Atos: “Quando vocês vão deixar de estar no livro de Atos?” Lembrem-se: é o único livro da Bíblia que não tem um encerramento propriamente dito. Estamos no livro de Atos até que Ele venha.
Gosto disso.
Gostaria de convidá-los a abrir nas profecias de Isaías, em Isaías 6:1-12.
No ano em que morreu o rei Uzias, vi o Senhor assentado sobre um trono, alto e sublime; e a cauda de Suas vestes enchia o templo.
Acima Dele estavam os serafins; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava.
E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória.
E os fundamentos dos umbrais se moveram à voz daquele que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; porque os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.
Então um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;
E com ela tocou a minha boca e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e o teu pecado, perdoado.
E ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por Nós? Então disse eu: Eis-me aqui; envia-me.
E Ele disse: Vai e dize a este povo: Ouvi, de fato, mas não entendais; e vede, de fato, mas não percebais.
Torna insensível o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que não veja com os olhos, nem ouça com os ouvidos, nem entenda com o coração, nem se converta e seja curado.
Então disse eu: Até quando, Senhor? E Ele respondeu: Até que as cidades sejam assoladas e fiquem sem habitantes, e as casas, sem moradores, e a terra seja de todo devastada;
E o Senhor afaste os homens para longe, e sejam muitos os lugares abandonados no meio da terra.
Agora, no Evangelho de João, em João 21:15-17:
Depois de terem comido, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes? Respondeu-Lhe: Sim, Senhor; Tu sabes que Te amo. Disse-lhe: Apascenta os Meus cordeiros.
Tornou a dizer-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, amas-Me? Respondeu-Lhe: Sim, Senhor; Tu sabes que Te amo. Disse-lhe: Pastoreia as Minhas ovelhas.
Disse-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-Me? Pedro entristeceu-se por Ele lhe ter dito pela terceira vez: Amas-Me? E respondeu-Lhe: Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que Te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as Minhas ovelhas.
Vamos inclinar a cabeça para uma breve oração.
Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos reunidos em Tua presença nesta manhã. Quando estamos em Tua presença, sabemos que qualquer coisa pode acontecer. É maravilhoso, Senhor, estar diante de Ti e ser justificados pela obra consumada que realizaste no Calvário.
Agora queremos, com toda simplicidade, pedir que tomes este breve tempo juntos e lhe dês vida por meio da Tua palavra e da Tua ação. Pedimos, Senhor, que concedas clareza a quem fala e clareza a quem ouve.
Nós Te agradecemos pela unção que nos pertence no Senhor Jesus, a qual Ele conquistou para nós no Calvário. Pela fé, firmamo-nos nessa unção, nessa graça e nesse poder. Que essa unção esteja tanto sobre quem fala quanto sobre quem ouve, para que, Senhor, algo seja realizado neste tempo juntos, e a Tua Palavra venha a habitar ricamente em nós, em toda a sabedoria.
Ouve a nossa oração, Senhor, e teremos o cuidado de Te dar todo o louvor e toda a gratidão. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Um dos maiores ministérios de todos os sessenta e seis livros da Bíblia nasceu de uma visão que o Espírito de Deus deu a um homem chamado Isaías.
Ao longo dos anos, muitas vezes tenho refletido sobre Isaías e sobre como ele viu o Senhor. Daquela visão do Senhor, de ouvir o Senhor e de sua resposta — não podemos nos esquecer disso — nasceu um ministério que não foi fácil.
Segundo a tradição judaica, ele viveu até os oitenta e oito anos. Foi martirizado, serrado ao meio enquanto se escondia dentro de uma oliveira. Viveu durante o reinado de vários reis, alguns deles inteiramente perversos, como Acaz e Manassés, e outros como Ezequias e Jotão — Ezequias, em particular, foi um bom rei.
Esse ministério dele foi extraordinário. Não era o ministério evangélico habitual que costumamos esperar, em que entendemos que, se milhares se voltam para o Senhor e há um grande despertamento nacional, isso é sinal de que o ministério é válido.
Mas, com Isaías, quanto mais ele profetizava, menos eles entendiam. Quanto mais ele expunha o propósito de Deus para o povo de Deus, menos entendiam esse propósito. Na verdade, mais o contrariavam e se rebelavam contra ele.
Ele se encontrava num ponto de virada na história de Israel. Uzias era, de fato, um bom rei, e, no ano em que ele morreu, imagino que Isaías estivesse muito perturbado e confuso. Uzias havia sido um bom rei, mas tentou ser sacerdote além de rei, o que era proibido. Por isso, quando se irou contra o sumo sacerdote e os sacerdotes no templo e lhes disse que saíssem do caminho, porque ele entraria no lugar santíssimo para oferecer incenso no altar de ouro, a lepra irrompeu nele. A partir de então, teve de viver sozinho, sob o juízo de Deus, até que finalmente morreu.
Creio que provavelmente Isaías, ainda jovem, estava um tanto confuso e cheio de perguntas. Ele foi ao único lugar onde poderia obter uma resposta.
Davi falou de habitar na casa do Senhor, para contemplar a beleza do Senhor e inquirir no Seu templo. Imagino que Isaías tenha entrado no templo do Senhor, na casa de Deus, porque queria uma resposta.
É sempre bom quando um filho de Deus consulta o Senhor.
A visão que ele recebeu o deixou arrasado. Não sei se ele pensava que o Senhor pudesse ser contido na casa de Deus. O templo era muito belo; tinha todos os seus serviços. De alguma forma, imagino — um dia descobrirei, pois vou perguntar a ele —, creio que ele pensava que o Senhor estivesse assentado sobre o propiciatório e que era ali que se poderia encontrá-Lo.
Quando, de repente, ele viu o Senhor, Ele era muito maior do que Isaías imaginava: alto e sublime, entronizado, com a cauda de Suas vestes enchendo o templo.
Foi uma revelação da majestade do Senhor, da grandeza do Senhor e da soberania do Senhor que capacitaria esse homem a perseverar em meio a tempos de afastamento de Deus, oposição e maldade.
Em certo sentido, Isaías sustentava o testemunho do Senhor. Era como se, naquela nação, com todo o seu afastamento de Deus, sua surdez, sua cegueira e sua desobediência, ele fosse inteiramente diferente.
Ele recebeu visão após visão do Senhor — não apenas bênçãos, mas juízos sobre as nações. Alguns cristãos pensam que o Senhor só dá visões de bênção. Pensam que Deus é uma espécie de senhor idoso e bondoso, senil, quase sofrendo de Alzheimer, que jamais julgaria as pessoas. Ele não é assim.
“Esse é o Deus do Antigo Testamento”, dizem as pessoas. Alguém me escreveu há pouco tempo e disse: “Parece que você só adora o Deus do Antigo Testamento”.
Não entendo esse tipo de conversa. Para mim, há um só Deus, e Ele é o Deus tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Deus não mudou Seu caráter, deixando de ser um Deus de juízo para, de repente, tornar-Se um Deus de amor.
Mas Isaías, por causa do que viu, pôde sustentar fielmente esse testemunho até o seu martírio.
Quanto Isaías realmente entendeu das profecias que lhe foram dadas é uma questão em aberto. Ele realmente compreendeu a vinda do Messias? Será que, pelo Espírito de Deus, de fato viu o Senhor Jesus? Compreendeu o que o Senhor Jesus faria?
Quando penso em passagens como Isaías 53:5:
Ele foi ferido por causa das nossas transgressões;
Foi moído por causa das nossas iniquidades;
O castigo da nossa paz estava sobre Ele;
E pelas Suas feridas somos sarados.
O que ele viu? O que realmente entendeu? Certamente, creio que ele entendeu mais do que muitos imaginam.
Ele viu alguma coisa. O apóstolo Pedro diz que esses profetas investigavam acerca do Espírito de Cristo que estava neles, procurando compreender o que significava quando Ele profetizava essas coisas.
Às vezes penso em como foi extraordinário o ministério desse homem e em quanto lhe devemos hoje por causa do que ele viu, do que entendeu e de sua fidelidade até o fim.
Agora, creio que vocês e eu estamos num ponto de virada histórica como esse.
Presto atenção ao que está acontecendo no mundo. Começou com um enorme tsunami. Desde então, tem havido juízo após juízo. As pessoas me dizem: “Isso não pode ser Deus. Deus não faz esse tipo de coisa”.
São justamente as pessoas que leem a Bíblia — ou, pelo menos, às vezes me pergunto o que leem —, mas elas leem a Bíblia. Fico pensando: no tempo de Noé, oito pessoas sobreviveram. E todas as crianças? E todos os chamados inocentes? Todos morreram.
Sodoma e Gomorra — é claro que nem todos eram maus. Quando Abraão intercedeu, chegou até dez. Não foi além disso, e, aparentemente, não havia dez aos olhos de Deus. Mas havia muitas crianças e outras pessoas naquele terrível juízo sobre Sodoma e Gomorra. Poderíamos continuar falando sem parar sobre os diversos juízos de Deus.
Estamos vivendo num tempo incrível. De repente, as coisas passaram para outra dimensão. Não é possível haver um terremoto e um tsunami que levem, no mínimo, 176 mil pessoas sem que despertemos.
Mas vejo que a maioria do povo de Deus está dormindo, inclusive muitas das pessoas que conhecemos — profundamente adormecidas. Estão envolvidas na rotina da vida da igreja, envolvidas com doutrina, envolvidas com todo tipo de coisa e, de alguma forma, adormecidas. Não ouvem o que o Senhor está dizendo nem entendem o que Ele está fazendo.
É assustador.
Um evangélico americano disse que não acredita que Jesus tenha morrido para sofrer o castigo do nosso pecado. Disse que, se Ele morreu para isso, então Deus é um torturador.
Depois dele, um evangélico inglês, muito conhecido, escreveu um folheto sobre o mesmo assunto. Disse que não acredita que, quando Jesus morreu, Ele tenha morrido para sofrer o castigo do nosso pecado. Em termos teológicos, isso é a substituição penal: Ele morreu em nosso lugar e suportou o castigo do nosso pecado.
Esse homem disse: “Se Ele fez isso, então Deus Pai é um abusador de crianças”. Vocês conseguem acreditar numa coisa dessas? São evangélicos.
Esse homem que acabei de mencionar é uma das principais figuras da Aliança Evangélica da Grã-Bretanha. Quando dois líderes evangélicos vieram conversar comigo sobre uma questão relacionada a Israel, acabamos entrando nesse outro assunto. Perguntei-lhes o que fariam a respeito, e disseram: “Bem, vamos realizar um simpósio na Escola Bíblica de Londres. Todos os líderes evangélicos poderão participar, e todo o corpo discente da Escola Bíblica de Londres poderá estar presente”.
E realizaram o simpósio. Meu bom amigo David Pawson foi até lá para ver do que se tratava e disse que ficou horrorizado quando não foi aprovada a resolução que afirmava que a substituição penal é correta. Vocês conseguem acreditar nisso? Mais de um terço dos presentes votou contra, incluindo todos os mais jovens que estavam ali.
É para isso que estamos caminhando. Uma vez que a apostasia começa — afinal, queridos irmãos e irmãs, se vocês dizem que Jesus não morreu nem suportou o castigo do nosso pecado, o que nos resta? Resta-nos religião. Só isso: uma religião moralista, ética.
Isso é inacreditável para mim, porque todos os dias penso que Ele morreu por mim. David Pawson me disse: “O problema do nosso irmão, se é que ele é irmão, é que ele tem uma concepção errada de Deus”.
Deus nunca obrigou Seu Filho a morrer. Ele me amou e entregou a Si mesmo por mim. Foi uma ação espontânea, voluntária, da parte do Filho, como está dito profeticamente em Hebreus 10:7:
Eis que venho para fazer a Tua vontade, ó Deus.
Vocês se lembram?
Só quero dizer que estamos num ponto de virada histórica. Já disse isso antes. Creio que o disse há um ano. Estamos num momento em que nos encontramos no limiar de acontecimentos tremendos.
Creio que é o começo do abalo dos céus: primeiro a terra, depois os céus. Quando os poderes dos céus forem abalados, então as pessoas começarão a tremer. Foi isso que o Senhor Jesus disse em Lucas 21:26:
Os homens desfalecerão de medo e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados.
Isso significa que vocês e eu precisamos despertar. Creio que só há uma resposta verdadeira: ser fiel ao testemunho de Jesus.
Devemos sustentar esse testemunho, e será cada vez mais difícil sustentá-lo, porque toda a corrente da vida nacional e internacional seguirá contra aqueles que permanecerem fiéis.
Sinto que, num sentido muito real, estamos numa situação bastante semelhante à de Isaías. A resposta é a mesma: precisamos ver o Senhor.
Precisamos ver a grandeza do Senhor. Precisamos ver a soberania do Senhor, a autoridade do Senhor. Nada mais nos sustentará até o fim.
Para Isaías, um judeu, o templo era tudo. Foi espantoso para ele descobrir, de repente, que o Senhor era muito maior do que o templo. De alguma forma, o templo revelava o Senhor e expressava o Senhor de muitas maneiras, mas o Senhor era muito maior do que o templo.
Creio que acontece o mesmo com a igreja. Se vocês estiverem centrados na igreja, perderão a igreja. Se estiverem centrados em Cristo, encontrarão a igreja.
Quando as pessoas estão simplesmente absorvidas pela doutrina e pelo ensino sobre a igreja, ela não funciona. Mas, quando há pessoas centradas na grandeza do Senhor Jesus, na paz do Senhor Jesus, no poder do Senhor Jesus, na autoridade e na soberania do Senhor Jesus, ela funciona.
Em outras palavras, parece-me que aquilo que sustentou Isaías até o fim foi que, ao ver o Senhor e ao ter seus lábios tocados pelo Senhor, ele se apaixonou pelo Senhor. Estou colocando isso em minhas próprias palavras; não está escrito em Isaías, mas creio que foi o que aconteceu.
Agora, creio que isso é algo tremendo. O apóstolo Paulo, quando fala sobre a igreja nos capítulos 12 e 14 de 1 Coríntios — quando fala do corpo e dos muitos membros, um só corpo, assim também Cristo; quando fala dos diferentes dons e da manifestação do Espírito; e quando fala de nossas reuniões no capítulo 14 —, todos se esquecem de que, entre os capítulos 12 e 14, está o capítulo 13.
O apóstolo diz, de maneira simples, mas profunda, em 1 Coríntios 12:31:
E eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente.
Em outras palavras, se a igreja há de funcionar, só poderá funcionar pelo amor.
Vocês podem ter fé e estar divididos. Podem ter esperança e estar divididos. Mas somente o amor de Deus nos manterá em unidade. Somente o amor de Deus capacitará os membros do corpo a entregar a vida uns pelos outros.
Não há outro caminho. A verdade sobre a igreja não faz isso. Olhem ao redor. Olhem para a história da igreja. Vocês encontrarão pessoas divididas, divididas, divididas, divididas e divididas.
Vocês podem ter toda a verdade. Podem se dividir por causa do batismo. Podem se dividir por causa da mesa do Senhor. Podem se dividir por causa da vinda do Senhor — se haverá ou não arrebatamento, se haverá ou não milênio. Quanto mais conhecimento vocês têm, maior a possibilidade de divisão.
Mas, quando há amor divino, existe a capacidade não apenas de sustentar a verdade, mas de ser um sacrifício vivo. Não há outro caminho para a edificação da casa de Deus.
Vejam Efésios 4:16, que todos conhecemos bem:
Do Qual todo o corpo, bem ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, segundo a atuação de cada parte na medida que lhe é devida, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
O corpo está edificando a si mesmo em amor. O amor é o ingrediente vital, estrategicamente necessário. Sem ele, vocês têm apenas doutrina e dogma.
Agora, novamente falando do templo, ouçam Efésios 2:21-22:
No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor;
No Qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.
Isso não é interessante? Esse templo está no Senhor — exatamente o que Isaías viu. Ele viu o templo no Senhor. Viu o Senhor enchendo o templo, entronizado acima dele.
Onde está a Cabeça? À direita de Deus. Onde estamos nós? Nesta terra. Quando o corpo está unido à Cabeça pelo Espírito Santo e começa, pelo Espírito Santo, a funcionar em amor, então algo começa a acontecer. O mundo é virado de cabeça para baixo.
Não sei como dizer isso com mais clareza, mas algumas pessoas veem a igreja como igreja, e outras veem a igreja como Cristo.
O interessante é que, se vocês veem a igreja como igreja, podem organizá-la. É muito simples: comissões e conselhos, toda forma de organização conhecida pelo ser humano — que é exatamente o que temos feito.
Mas, quando vocês veem a igreja como Cristo, então precisamos descobrir: qual é a mente da Cabeça? Qual é o pensamento da Cabeça? Podemos ter a doutrina e a verdade, mas não temos a sabedoria para aplicar a verdade à nossa situação.
Voltando novamente a Isaías, não foi ele quem disse: “Os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos”? É uma expressão maravilhosa: “o Senhor dos Exércitos”.
Quem é o Rei? Até onde sei, temos um só Rei, e esse Rei é o Senhor Jesus. Quem é o Senhor dos Exércitos? Esse Rei.
Salmos 24:10 expressa isso de maneira bela:
Quem é este Rei da glória?
O Senhor dos Exércitos;
Ele é o Rei da glória.
Agora, essa expressão, “Senhor dos Exércitos”, que soa tão poética em inglês, tem um sentido muito diferente em hebraico. Significa “Comandante dos exércitos”.
Gosto disso: Comandante. Isso nos apresenta uma imagem inteiramente diferente. Trata-se de Alguém que está no comando da estratégia militar do reino de Deus, no comando da estratégia militar da igreja.
Não é espantoso nunca buscarmos Sua face, nunca O ouvirmos, não sabermos o que Ele quer? Simplesmente dizemos: “Bem, é isso que o Livro diz. Devemos fazer isto, isto e isto”. E então fazemos isto, isto e isto, e nada acontece.
Eu costumava ficar admirado com as comissões das quais tinha de participar quando era novo no Senhor. Eram comissões de jovens, é claro — nunca coisas grandes, mas comissões de jovens.
Sempre me lembro de que começávamos, e o pastor dizia: “Agora vamos orar”. Todos inclinávamos a cabeça, e ele dizia: “Senhor, realmente precisamos conhecer Tua mente a respeito da programação de inverno e de algumas outras coisas. Em nome de Jesus, amém”.
Todos levantávamos a cabeça. “Agora, o que vocês acham disso?” Alguém dizia: “Bem, acho que deveríamos fazer encontros com café”. “Sim, sim.” Outra pessoa dizia que deveríamos fazer isto, e outra dizia que deveríamos fazer aquilo. Então inclinávamos a cabeça, e o pastor dizia: “Obrigado, Senhor, por nos revelares Tua estratégia para o próximo inverno”.
Depois, quando o inverno chegava, perguntávamos por que ninguém se convertia.
Isso pode se aplicar a todo tipo de coisa que fazemos. Reunimos nossas ideias e elaboramos algo por conta própria. Somos republicanos.
Nasci e fui criado num reino, mas a rainha — nossa atual rainha — é uma figura simbólica. Pobre senhora. Na abertura do Parlamento, quando a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes estão reunidas, ela tem de fazer um discurso no qual diz: “Meu governo fará isto e aquilo”, mas aquela política não é dela. Ela pode discordar completamente, mas tem de dizer aquilo porque o discurso foi escrito para ela pelo primeiro-ministro.
É exatamente isso que temos feito com o Senhor Jesus. Escrevemos os discursos Dele. Na verdade, formulamos a política Dele e dizemos: “Meu governo fará isto e aquilo”.
Graças a Deus, o Senhor Jesus não entra nesse jogo. Ele nos deixa por nossa conta, e então descobrimos que o Senhor não abençoa da maneira que esperamos. Não acrescenta pessoas da maneira que esperamos. O que esperávamos?
Isaías viu o Senhor alto e sublime, viu-O entronizado e O viu como o Rei, o Comandante dos exércitos do céu. Se vocês e eu pudéssemos ouvir o que o Comandante está dizendo, talvez chegássemos a algum lugar.
Não me entendam mal nessa questão. Precisamos de comunhão, mas ela deve ser ativa, não passiva: colocar-nos ativamente de joelhos e buscar o Senhor para ouvir o que Ele diz. Então precisamos de comunhão.
Quando houver entre nós o consenso de que esse é o caminho que devemos seguir, então poderemos dizer: “Senhor, estamos certos ou errados? Compreendemos corretamente o Teu pensamento?”
As pessoas acham que tudo isso é místico. Quantas vezes fui acusado de ser místico simplesmente por dizer que deveríamos nos ajoelhar e pedir ao Senhor que nos revelasse Sua vontade! Será que esperamos que o Senhor fale conosco?
Muitos cristãos não esperam que o Senhor fale com eles. Dizem: “Está tudo no Livro”. Concordo com vocês: está tudo no Livro. Mas o Senhor, o Espírito Santo, precisa tomar o Livro e torná-lo real para nós.
Já contei esta história a alguns de vocês, mas vou contá-la novamente porque ela resume isso muito bem.
Quando eu morava em Richmond, Surrey, na Inglaterra, havia uma senhora que telefonava para nós de vez em quando, de um lugar a pelo menos cem quilômetros de distância. Se finalmente conseguisse falar comigo e ouvisse minha voz, ela explodia de alegria e dizia: “Ah, louvado seja o Senhor! Pedi ao Senhor que você estivesse do outro lado da linha quando eu telefonasse”. Margaret, que cuidava da casa, nunca a deixava falar comigo.
Toda vez que eu estava sozinho em casa e atendia ao telefone, ela dizia: “Ah, louvado seja o Senhor. Deus lhe deu o dom do espírito de conselho e sabedoria. Estou com um problema tão grande. Pedi ao Senhor que eu conseguisse falar com você, para que pudesse me aconselhar e me orientar”.
Então ela começava. Não havia como encaixar uma palavra sequer. Ela despejava aquele problema durante vinte minutos, sem parar. Então eu dizia: “Sim”, e ela continuava. Mal respirava. Era incrível para mim como conseguia fazer aquilo.
No fim, antes que eu tivesse a oportunidade de dizer uma única palavra, ela dizia: “Obrigada por esse conselho que você me deu. Eu sabia que você me aconselharia dessa maneira. Obrigada, querido irmão”, e desligava o telefone.
Eu poderia ter dito: “Minha querida irmã, não concordo em nada com o que você estava pensando”.
É assim que muitas pessoas buscam o Senhor em oração. Nunca esperam que Ele responda. Alguns cristãos cairiam mortos se Ele realmente dissesse: “Estou aqui e quero dizer alguma coisa”.
Depois de algum tempo, o que fiz foi muito simples. Toda vez que ela começava, eu dizia: “Ah, sim”, então deixava o telefone de lado e ia fazer outra coisa. De vez em quando, pegava-o e dizia: “Sim, sim”, deixava-o de lado, depois pegava-o novamente e dizia: “Sim, sim”. Por fim, ela dizia: “Obrigada por esse conselho”, e desligava.
Creio que isso se parece muito com a maneira como oramos. Não esperamos que o Senhor fale. Não esperamos que Ele nos faça conhecer Sua mente.
Mas, se temos uma Cabeça no céu, à direita de Deus Pai, não deveríamos esperar que a Cabeça nos fizesse conhecer Sua mente, revelasse Sua inteligência, revelasse Seu coração? É claro que sim.
Essa questão de Cristo ser o Rei, o Comandante dos exércitos do céu, é algo tremendo. Poder crescer para ser um templo santo no Senhor, uma morada de Deus no Espírito, é basicamente o que Isaías viu. Ele não experimentou isso da maneira como nós deveríamos experimentar, mas, ainda assim, ele viu.
Deixem-me resumir em poucas palavras: a supremacia e a centralidade do Senhor Jesus são a chave para a edificação da igreja.
Quando vemos o Senhor como supremo, quando O vemos como o princípio e o fim, quando O vemos como a plenitude de Deus, quando vemos que todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão escondidos Nele, quando vemos que toda a vida está Nele, quando vemos que toda a graça de Deus está Nele e é manifestada Nele e por meio Dele, então, de alguma forma, encontramos uns aos outros.
Agora, deixem-me passar ao próximo ponto que quero apresentar. Por que sempre pensamos que temos de amar uns aos outros?
Não estou sugerindo que agora devamos retroceder nisso e deixar de gostar uns dos outros. Mas, toda vez que falamos de amor, pensamos imediatamente: “Quem é que eu não amo?” Normalmente, se formos honestos, há certo número de membros do corpo que não amamos tanto assim.
Mas creio que estamos colocando o sapato no pé errado. Creio que a primeira coisa é amar o Senhor.
Se amarmos o Senhor de todo o coração, de toda a alma e de toda a força, descobriremos que amamos o nosso próximo como a nós mesmos. Não há como amar o Senhor de coração puro e estar em desavença com nossos irmãos e irmãs.
Mas o fato é que a maioria dos cristãos vive bastante em desavença uns com os outros. Viajo pelo mundo inteiro, e, em todos os lugares aonde vou, ouço as mesmas coisas.
Lembro-me de que, muitos e muitos anos atrás, quando morava no Egito, visitei uma base missionária. Não vou dizer de qual missão, mas havia três missionários ali. Eles não conversavam entre si havia dois anos. Moravam na mesma casa, sentavam-se à mesa para as refeições e não conversavam de verdade havia três anos. Não é exagero dizer que se odiavam.
É claro que diziam que era incompatibilidade — esse maravilhoso termo freudiano que nos permite escapar de tanta coisa. Incompatibilidade! Não existe isso. Tudo o que vocês precisam fazer é entregar a própria vida. Só isso.
Quando há alguém com quem vocês não conseguem se dar bem e a quem não conseguem amar, normalmente isso é um desafio para verificar se vocês são um sacrifício vivo.
Não é à toa que Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
Se estamos em desavença uns com os outros, precisamos considerar isso. Porque, se vocês continuarem lendo, o texto fala do corpo de Cristo, de sermos muitos membros e um só corpo, e depois dos dons em funcionamento — está tudo ali em Romanos 12. Mas começa com ser um sacrifício vivo.
Como alguém pode ser um sacrifício vivo, a menos que esteja cheio do amor de Deus?
Normalmente temos problemas uns com os outros e não vemos isso como um desafio ao sacrifício. Em vez disso, achamos que os outros é que deveriam se sacrificar. “Quando fulano ou fulana se humilhar, então eu também me humilharei.”
Precisamos ser capazes de ser um sacrifício vivo.
A finalidade do evangelho não é a sua satisfação, a sua alegria, a realização da sua vontade, o seu progresso ou a sua expansão. A finalidade do evangelho é ser um sacrifício vivo. Disso nasce a igreja.
Como Isaías poderia ter vencido, a menos que estivesse apaixonado por Deus? Não vejo outra possibilidade.
Isso me leva a dizer mais uma coisa. É muito simples. Quando o Senhor falou à igreja em Éfeso, disse em Apocalipse 2:4:
Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
O primeiro amor não é uma paixão adolescente. Não é aquela primeira onda de sentimentos que temos por alguém do sexo oposto no começo da adolescência — ou, para alguns, no meio da adolescência; para outros, no fim dela.
Isso não é o primeiro amor. O primeiro amor é uma qualidade de amor.
É o tipo de amor em que nenhum esforço é grande demais para agradar à pessoa amada. Isso é o primeiro amor.
Você percorre trinta quilômetros apenas para ver alguém por alguns minutos. Isso é o primeiro amor. Nunca diz: “Percorri trinta quilômetros. Foi um enorme esforço que fiz”. Isso não é o primeiro amor.
Suportamos certas coisas e dizemos: “Amar você me custa demais”. Esse tipo de amor não é o primeiro amor. Você não pensa no custo. Quando compra o anel, ou qualquer outra coisa, não fica pensando o tempo todo: “Isso é demais. Vai abrir um rombo no meu bolso”. É uma questão de primeiro amor.
É por isso que o Senhor tratou daquela coisa que a maioria de nós prefere evitar: um espírito que não perdoa.
Vocês sabem o que o Senhor Jesus disse a respeito? Ele disse em Mateus 6:15:
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai não vos perdoará as vossas ofensas.
Isso é incrivelmente categórico. Vocês ouviram? O Senhor diz que não perdoará vocês se não perdoarem aos homens as suas ofensas.
Não é tão fácil perdoar aos homens as suas ofensas. É claro que as mulheres também estão incluídas.
Achei muito difícil ir à Alemanha. Durante muitos anos, no início, evitei ir à Alemanha. Era tão difícil visitar aquele país, porque, aonde quer que eu fosse, assim que via alguém de cabelos grisalhos ou brancos, pensava imediatamente: “Será que essa pessoa esteve envolvida com o nazismo?”
Não é tão fácil. As pessoas dizem: “Ah, sim, se você tem o amor de Deus…” Não é tão fácil. É preciso fazer algo bastante deliberado para perdoar.
Sempre me lembro da história que Lady Ogle me contou quando era missionária no Egito. É claro que ela vinha de uma família aristocrática e tinha uma enorme fortuna. Vinha de um padrão de vida que a maioria das pessoas não conhece e foi como missionária para o Egito.
Ela me disse: “Achei o Egito — espero que não haja nenhum egípcio aqui — o país mais sujo e menos higiênico do mundo”.
Quando foi entrevistada pela diretoria da missão, perguntaram-lhe: “Lady Ogle, a senhora ama o povo egípcio?” Ela pensou por um momento e disse: “Não”. Houve silêncio entre todos aqueles senhores idosos da diretoria. Então um deles perguntou: “Por que a senhora vai?” Ela respondeu: “Porque creio que o Senhor me dará esse amor”.
Então, é claro, eles a aceitaram. Acho que, em parte, por causa do dinheiro, mas essa é a minha opinião. Não tenho certeza de que qualquer outra pessoa teria sido aceita como candidata, mas ela foi aceita.
Ela não conseguia amar os egípcios. Quanto mais via da vida egípcia, quanto mais via do islamismo, mais horrorizada ficava com tudo aquilo. Era possível sentir o cheiro de uma aldeia a mais de um quilômetro de distância — não estou brincando, pois morei lá. Eu havia visto criancinhas com o que pareciam ser olhos negros, até descobrir que eram moscas cobrindo seus olhos.
Ela trabalhava com uma missionária mais experiente. Era jovem, tinha vinte e poucos anos. De repente, alguém entrou e disse: “Fulana caiu no portão da cidade”.
A missionária mais experiente disse: “Não posso sair da clínica. Vá você, irmã, e aplique uma injeção nela”.
Essa mulher era uma prostituta conhecida. Sofria de sífilis, gonorreia e várias outras doenças. Quando Lady Ogle chegou e pôde sentir seu cheiro a metros de distância, pensou: “Como alguém poderia sequer se deitar com essa mulher?”
Ela se ajoelhou, e a mulher se debatia enquanto ela tentava aplicar a injeção. Lady Ogle disse: “Senhor, não consigo amar essas pessoas”.
O Senhor disse: “Beije-a”.
Lady Ogle ficou tão chocada que quase puxou a agulha do braço da mulher. “Beijá-la?”, pensou consigo mesma. “Não posso fazer isso. Que doença vou pegar?”
O Senhor disse: “Beije-a”.
Lady Ogle a beijou e, no instante em que a beijou, o amor de Deus pelo Egito e pelos egípcios encheu seu coração e nunca mais a deixou.
Foi fé em ação. Quando Raabe colocou aquele cordão escarlate na janela, aquilo foi a sua fé em ação. Quando Abraão ofereceu Isaque, aquilo foi fé em ação.
Não se trata de fé e obras, como se fosse preciso ter obras além da fé. Trata-se de uma fé atuante: uma fé que opera, uma fé que se expressa, uma fé cuja expressão é concreta.
As pessoas me dizem repetidamente: “Não consigo perdoar”. Enquanto vocês permanecerem nessa condição, nunca perdoarão. Precisa chegar um momento em que, com os próprios lábios, digam: “Eu perdoo você”.
Talvez então seja preciso tomar alguma atitude. Então o amor de Deus encherá o seu coração.
Vocês não acham notável que o Senhor tenha falado a uma das melhores dentre as sete igrejas e dito: “Tenho isto contra ti: deixaste o teu primeiro amor”?
Vocês têm a doutrina. Têm a verdade. Têm os dons. Mas perderam o primeiro amor.
Quando perdemos o primeiro amor, não demora muito para que a rigidez cadavérica comece a se instalar no corpo. Primeiro, começa como uma condição de paralisia. Fica um pouco mais difícil funcionar, um pouco mais difícil contribuir, um pouco mais difícil se mover espiritualmente.
Não demora muito para que o corpo se torne totalmente passivo. Você passa a depender de uma cadeira de rodas; já não consegue se mover. E tudo termina em morte.
Bem, meus queridos amigos, creio que isso basta para uma manhã. Mas, vejam, creio que aquilo que Isaías viu tem um significado tremendo, não apenas para ele, mas para nós.
Se quisermos ver a Noiva se preparar, é desse primeiro amor que vocês e eu precisamos acima de tudo.
Eu nunca consegui amar o povo alemão até que, finalmente, disse com meus próprios lábios: “Eu amo vocês”. Então encontrei o amor.
Não apenas isso: voltei à Alemanha muitas e muitas vezes e falei a eles em muitas ocasiões. Todos se tornaram grandes apoiadores e guerreiros em favor de Israel.
Não é tão fácil amar. Sentimentalmente, é fácil amar. Superficialmente, é fácil amar. Mas o amor verdadeiro custa a sua vida.
Não sei se existe qualquer outro caminho para a edificação da igreja de Deus.
Não se trata, antes de tudo, de amar uns aos outros. Antes de tudo, trata-se de saber se estamos apaixonados pelo Senhor. Se estivermos apaixonados pelo Senhor, o restante virá.
Que o Senhor tome esta minha pobre palavra e a torne real para todos os que estão aqui.
Não precisamos apenas da verdade. Precisamos encontrar aquele caminho mais excelente: o amor de Deus.
Pai, quando Isaías viu o Senhor alto e sublime, com a cauda de Suas vestes enchendo o templo, sentiu-se perdido e disse: “Ai de mim”.
Senhor, quando realmente Te vemos em toda a Tua glória, santidade, autoridade e poder, sentimos que estamos perdidos. Somos tão pouco parecidos Contigo, tão diferentes de Ti.
Senhor, Tu sabes que, muitas vezes, estamos aqui pelo que podemos receber de Ti, e não pelo que podemos ser para Ti. Por isso, Senhor, tem misericórdia de nós. Sê gracioso para conosco, Senhor, e revela-Te a nós de uma nova maneira. Ajuda-nos a chegar ao ponto em que possamos recomeçar, com tudo acertado diante de Ti.
Senhor, se há alguém a quem não conseguimos perdoar, nós perdoamos. Enche-nos, Senhor, desse Teu amor, cada vez mais, até o dia da Tua manifestação.
Mergulha-nos e batiza-nos de tal modo no Teu amor e no fogo do Teu amor que, somente pela Tua graça e pelo Teu poder, vençamos e um dia estejamos diante de Ti, na Tua presença.
Ouve-nos, Senhor. Pedimos tudo isso em nome de nosso Senhor Jesus.