Todavia, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus. E: Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da injustiça. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; e uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, preparado para toda boa obra. Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.
Querido Senhor, nós Te agradecemos por nos amares tanto. Tu nos amas até o fim, até o extremo. Agradecemos por nos dares a Tua Palavra, para nos fortalecer, nos consolar, nos guiar e nos conduzir.
Assim, Senhor, entregamos a Tua Palavra de volta a Ti. Confiamos no Teu Espírito Santo para torná-la viva e operante em nossa vida. Ó Senhor, abre os nossos ouvidos, para que possamos ouvir; abre o nosso entendimento, para que possamos conhecer; toca o nosso espírito, para que possamos Te seguir. E a Ti seja toda a glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Há cerca de duas semanas, o Senhor voltou meu coração para essa passagem que acabamos de ler. Meditei nela e, enquanto meditava, fui muito encorajado, fortalecido e consolado.
Por isso, nesta manhã, gostaria de compartilhar o que o Senhor falou comigo. E espero, irmãos e irmãs, que o coração de vocês esteja aberto, que o espírito de vocês seja vivificado diante do Senhor e que meditem na Palavra de Deus junto comigo.
Sabem, o nosso problema é que podemos ler a Palavra de Deus, mas não meditamos na Sua Palavra. E, se é assim, tocamos apenas a letra da Palavra. A Bíblia diz, em 2 Coríntios 3:6:
A letra mata.
Precisamos tocar o Espírito da Palavra, porque Ele vivifica.
A menos que aprendamos a meditar — isto é, a nos aprofundar na Palavra de Deus —, não conseguiremos realmente tocar o Espírito da Palavra e ser vivificados por Ele. Portanto, minha oração diante do Senhor é esta, irmãos e irmãs: que eu não esteja aqui apenas falando, e que vocês não estejam aqui apenas ouvindo.
Muitas vezes, ouvimos e ouvimos, mas não ouvimos. A razão é que não acolhemos a Palavra no coração nem meditamos nela. Por isso, espero que, pela graça de Deus, não seja esse o caso aqui.
O apóstolo Paulo escreveu esta segunda carta a Timóteo. Foi sua última carta antes do martírio. Ele estava em uma situação muito difícil.
Do lado de fora, havia uma terrível perseguição por parte do maior império do mundo naquela época, o Império Romano. O imperador Nero incendiou a cidade de Roma e colocou a culpa nos cristãos. Ser cristão era um crime sujeito à pena de morte.
A perseguição era tão intensa que Paulo foi preso novamente, depois de sua primeira prisão em Roma, que durou dois anos. Ele foi levado de volta a Roma e colocado em uma masmorra, à espera da morte.
Por causa dessas circunstâncias externas, o povo de Deus recuou. Paulo mencionou nesta carta que todos os da Ásia o abandonaram. Ele passou tanto tempo na Ásia e, ainda assim, todos o deixaram. Não ousavam permanecer ao seu lado.
Durante sua primeira defesa em Roma, ninguém ficou ao seu lado para testemunhar a seu favor. Ele ficou sozinho. As pessoas estavam com medo.
E não era só isso: dentro da igreja, os falsos ensinos se espalhavam desenfreadamente. Havia até quem ensinasse que a ressurreição já havia acontecido, destruindo a fé de muitas pessoas.
Sabem, quando ele escreveu a primeira carta a Timóteo, havia acabado de ser libertado de sua primeira prisão em Roma. Naquela carta, em 1 Timóteo 3:15, ele disse que a igreja é a casa de Deus, a congregação do Deus vivo, a coluna e o fundamento da verdade.
Mas, quando escreveu a segunda carta a Timóteo, apenas alguns anos haviam se passado. As coisas haviam se deteriorado e mudado tanto que ele já não podia chamar a igreja de casa de Deus, congregação do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. Em vez disso, disse que ela era uma grande casa.
Por fora, podia parecer grande, mas, por dentro, havia uma mistura.
Isso me faz lembrar do templo do Antigo Testamento. Na época de nosso Senhor Jesus, quando Ele começou Seu ministério, entrou no templo para purificá-lo. Disse, em João 2:16:
Não façais da casa de Meu Pai casa de venda.
Vocês estão lucrando para si mesmos.
Perto do fim de Seu ministério, Ele purificou o templo pela segunda vez. Disse, em Marcos 11:17:
A Minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração. Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
Irmãos e irmãs, quando lemos a segunda carta a Timóteo, temos a mesma impressão. A casa de Deus, a casa do Pai, uma casa de oração para todas as nações, agora se tornou uma casa de comércio, um covil de ladrões, uma grande casa.
As pessoas amam a si mesmas: amantes de si mesmas, amantes do dinheiro, amantes dos prazeres; já não amam a Deus nem aquilo que é bom. Têm aparência de piedade, mas não o seu poder. Dias perigosos.
E, queridos irmãos e irmãs, em um sentido muito, muito real, nossa condição não é diferente — talvez seja pior — daquela que havia no tempo do apóstolo Paulo.
Nós, que vivemos nessas condições, o que devemos fazer? Como devemos reagir? Há algum caminho que o Senhor nos tenha mostrado? Isaías 30:21 diz:
Este é o caminho; andai nele.
Enquanto meditava nisso, agradeci ao Senhor, porque Ele nos deu a Sua Palavra. Ele nos mostra como devemos nos conduzir em tais condições. E este é o encargo que tenho no coração: quero compartilhá-lo com vocês, queridos irmãos e irmãs.
A Bíblia diz, em 2 Timóteo 2:19:
Todavia, o firme fundamento de Deus permanece.
Amo essa palavra, todavia, porque ela nos diz que, apesar de todas essas circunstâncias, apesar de todas as mudanças ao nosso redor, apesar de todo o declínio e afastamento da verdade — apesar de todas essas coisas —, todavia, o firme fundamento de Deus permanece.
Sabem, para mim, isso é quase como o capítulo 2 de Efésios. Vocês se lembram de como estávamos mortos em pecados e transgressões, filhos da desobediência, destinados à morte, sem esperança. Mas a Bíblia diz, em Efésios 2:4:
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou…
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando vemos tudo ao nosso redor mudando, o firme fundamento de Deus permanece. Nosso Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele não muda.
Tudo pode ser abalado. Seu trono permanece firme. Tudo o que Ele propôs, Ele realizará. Ele não muda Seu propósito por causa das circunstâncias externas. Ele terá aquilo que deseja.
Quando tudo está mudando e se deteriorando, Deus é o nosso firme fundamento.
Mas creio que a expressão “o firme fundamento de Deus permanece”, aqui, tem uma aplicação específica. Se vocês lerem o contexto, perceberão que esse firme fundamento de Deus se refere ao fundamento da igreja.
Vocês se lembram de que, em Mateus 16:18, nosso Senhor Jesus disse:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Qual é o fundamento da igreja? O próprio Senhor. Ele é a Rocha. O fundamento da igreja não é Pedro. Pedro é apenas uma pequena pedra a ser edificada sobre esse fundamento.
Nosso próprio Senhor Jesus é a Rocha, o fundamento que Deus estabeleceu para a igreja. E, graças a Deus, esse fundamento nunca é abalado. É firme. Permanece sempre. Resiste a todos os ataques do inferno. As portas do Hades não prevalecerão contra ele.
Ele não muda nem um pouco. Não se altera, não muda nem rebaixa o padrão por causa de todos esses ataques. Não. Por quê? Porque o fundamento da igreja não é outro senão o próprio Jesus Cristo.
Paulo nos diz, em 1 Coríntios 3:11:
Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor porque Ele é o fundamento da igreja. Tudo pode ser abalado. Tudo pode mudar. Mas Ele não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e pelos séculos vindouros.
Vocês se lembram do capítulo 1 de Hebreus. O céu e a terra mudarão; serão enrolados. Mas a Bíblia diz que Ele permanece o mesmo. Ele nunca muda.
Hebreus 13:8 diz:
Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.
Em 2 Coríntios 1:20, nEle está o Sim e, por Ele, o Amém.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, agradeço ao Senhor. Agradecemos ao Senhor porque a igreja não é edificada sobre Pedro. A igreja não é edificada sobre Paulo. A igreja não é edificada sobre nenhuma outra pessoa. A igreja é edificada sobre Jesus Cristo. Ele é o fundamento.
E esse firme fundamento permanece, apesar de todas as mudanças ao nosso redor. Irmãos e irmãs, esse é o nosso consolo. Essa é a nossa confiança. Sem isso, vacilaremos, cairemos, mudaremos, faremos concessões, seguiremos a multidão e seremos afetados por tudo o que está do lado de fora, levados por todo vento de doutrina.
Mas, graças a Deus, Ele não muda. Sinto-me consolado. Agradeço a Deus por isso.
E, irmãos e irmãs, quando tudo está mudando, para Quem devemos olhar? Ele é o único para Quem podemos olhar.
Desviem o olhar de tudo o mais e olhem para Jesus. Não fixem os olhos em si mesmos. Se fixarem os olhos em si mesmos, isso os enfraquecerá.
Não fixem os olhos nos irmãos e nas irmãs. Se fixarem os olhos nos irmãos e nas irmãs, vocês se sentirão ofendidos; tropeçarão. Mas não os culpem, porque, se estivessem com os olhos no Senhor, não deveriam tropeçar.
Não olhem para coisa alguma — qualquer ensino, qualquer sistema, qualquer vento de doutrina — que possa tirá-los do rumo.
Irmãos e irmãs, o único para Quem vocês podem olhar, em Quem podem fixar os olhos sem desviá-los dEle, é o Senhor Jesus. Olhem para o Senhor Jesus. Se olharem para o Senhor Jesus, não se sentirão ofendidos. Não tropeçarão.
Qualquer que seja o ambiente em que vocês estejam, quaisquer que sejam as circunstâncias, quaisquer que sejam as mudanças ao seu redor, se fixarem os olhos no Senhor, estarão firmes. Conseguirão permanecer de pé. Caso contrário, cairão.
Em outras palavras, onde está a nossa saída? Qual é o caminho que Deus nos mostrou quando estamos em tais condições?
Sigam o Cordeiro para onde quer que Ele vá. Esse é o único caminho. Sigam o Cordeiro. Se seguirmos o Cordeiro e estivermos dispostos a ir aonde quer que Ele vá, estaremos seguros.
Vocês se lembram de que, nos tempos do Antigo Testamento, na época de Eli, a arca de Deus foi capturada pelos filisteus. Mas a arca foi capaz de se defender, e por isso foi devolvida a Israel.
Mas lembrem-se: a arca saiu do tabernáculo e nunca mais voltou a ele. Quando vocês veem a arca e o tabernáculo separados, para onde vão?
A arca representa a presença de Deus. O tabernáculo, com seu grande altar, representa a obra de Deus. Mas, quando a arca e o tabernáculo estão separados, para onde vocês irão?
Salomão amava a Deus. Foi ao grande altar em Gibeão para oferecer sacrifícios, esquecendo-se de que a arca estava bem perto dele, em Sião. Mas, depois que o Senhor lhe apareceu, sabem o que ele fez? Foi até a arca.
Irmãos e irmãs, sigam a arca, não o tabernáculo; sigam a arca, não o grande altar, mas a presença do próprio Senhor.
Graças a Deus. Todavia, o firme fundamento de Deus permanece. É sobre ele que permanecemos firmes. Esse é o caminho que o Senhor nos mostra em Sua Palavra.
Em seguida, lemos em 2 Timóteo 2:19:
Tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus.
Tendo este selo. Sabemos que um selo, na Bíblia, tem um significado importante. Quem coloca seu selo sobre alguma coisa mostra que ela lhe pertence.
Graças a Deus, vocês se lembram do capítulo 1 de Efésios. Todos nós fomos selados com o Espírito Santo da promessa. Deus nos reivindicou como Sua herança, e o selo do Espírito Santo é uma garantia, um adiantamento. Nós, em quem o Espírito Santo habita, somos o adiantamento de Deus, como se Ele dissesse: “Vocês são Meus, e Eu os tornarei inteiramente Meus”.
Graças a Deus, todos nós fomos selados pelo Espírito Santo. Mas o selo aqui é diferente.
Depois que Deus diz: “O firme fundamento de Deus permanece” — isso é da parte de Deus —, vem a expressão: “Tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus”.
O que isso significa? Naturalmente, todos os que creem no Senhor Jesus são dEle. Mas não é esse o sentido aqui. Esse sentido está ligado à expressão “o firme fundamento de Deus permanece”.
Em outras palavras, sobre todo aquele que permanece no firme fundamento de Deus, todo aquele que segue o Cordeiro para onde quer que Ele vá, Deus coloca Seu selo e diz: “Você é Meu”.
Deus conhece os que são Seus. Somos dEle e, ainda assim, às vezes não somos dEle na prática. Não conhecemos o coração humano. Ninguém pode dizer a você que você tem esse selo. Só Deus conhece o coração.
É por isso que Paulo disse que nem a si mesmo julgava e que não se deveria julgar antes do tempo, pois Deus é o único que o julga. Ele conhece o seu coração. Ele sabe se você realmente está firmado no Senhor Jesus e em nada mais.
Ele sabe se você está firmado em outra coisa. Se essa outra coisa for abalada, você também será abalado. Ele sabe quem segue o Cordeiro para onde quer que Ele vá — não quem segue o Cordeiro para onde bem entende, mas para onde Ele vai.
Se Ele vai ao Calvário, à cruz, você também vai. Ele sabe.
Graças a Deus, apesar de tudo o que é visível, Deus tem os Seus que estão ocultos, aqui e ali. Ele coloca Seu selo sobre eles e diz: “Vocês são Meus”.
Como desejo ter esse selo sobre mim! Não basta apenas ser um crente. Precisamos ser dEle exclusivamente, inteiramente, absolutamente.
Ele nunca falha conosco. Como podemos falhar com Ele?
E, em seguida, vem esta declaração de 2 Timóteo 2:19:
Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da iniquidade.
Isso me pareceu estranho quando li pela primeira vez. Todo aquele que profere o nome do Senhor — naturalmente, nós fazemos isso. Todos os que são salvos, todos os que creem no Senhor Jesus, proferem o nome do Senhor.
E não deveríamos ser aqueles que já foram libertos da iniquidade? Ele levou nossos pecados, removeu nossa iniquidade e nos purificou de todos os nossos pecados e transgressões. Por que, então, encontramos aqui a declaração: “Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da iniquidade”?
Perguntei ao Senhor sobre isso. Eu disse: “O que significa isso?”
O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são Seus”. Em seguida, vem um chamado aberto. Todos os que proferem o nome do Senhor, incluindo cada crente, são chamados por Deus a se apartar da iniquidade.
O que é iniquidade? Nas Escrituras, iniquidade significa ausência de lei, uma vida sem sujeição à lei. No Novo Testamento, às vezes significa injustiça.
Nós, que proferimos o nome do Senhor, certamente já nos apartamos de uma vida sem sujeição à lei, da injustiça. É claro que sim. Mas será que nos apartamos?
Talvez a iniquidade tenha aqui um sentido mais profundo. A ausência de lei tem um sentido mais amplo; a injustiça tem um sentido mais restrito. Então comecei a meditar nisso e a examinar as Escrituras.
Veio-me à mente o capítulo 7 de Mateus. O Senhor disse, em Mateus 7:21:
Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus.
Muitos virão ao Senhor e dirão: “Senhor, pregamos em Teu nome. Até expulsamos demônios. Até fizemos grandes obras maravilhosas em Teu nome”.
E o Senhor disse, em Mateus 7:23:
Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade.
Meditem nisso. O que significa? O que é viver sem sujeição à lei? Estamos fazendo a obra de Deus. Estamos pregando. Estamos expulsando demônios. Estamos realizando grandes obras maravilhosas. Mas o Senhor não reconhece isso. O Senhor não aprova isso. Ele não Se mostra grato por isso. Em vez disso, diz: “Vocês praticam a iniquidade, vivem sem sujeição à lei”. Por quê?
Porque estão fazendo isso em Seu nome, mas não nEle — ainda na própria carne, à sua própria maneira.
Viver sem sujeição à lei é agir contra a lei de Deus. Seja ela natural ou escrita, Deus tem Sua lei, Deus tem Seu princípio e Deus tem Seu caminho. Se fazemos coisas para Deus sem buscar o pensamento do Senhor, o Senhor diz: “Vocês praticam a iniquidade, vivem sem sujeição à lei”. Isso é sério.
Então comecei a pensar no capítulo 16 de Lucas. Há ali um administrador, e o Senhor disse que ele era um administrador injusto. Por quê? Porque usava os bens de seu senhor para obter vantagem para si mesmo. Injusto.
Portanto, o chamado está diante de nós, irmãos e irmãs. É um chamado a todos os que proferem o nome do Senhor. Somos chamados a nos apartar da iniquidade. Temos respondido a esse chamado?
O selo vem de Deus. Ele nos sela. Mas apartar-nos da iniquidade é nossa responsabilidade. É isso que precisamos fazer.
Mas eu ainda achava que o sentido não estava claro. Esperei no Senhor e meditei nisso. Então comecei a perceber a aplicação.
Na verdade, tudo o que mencionamos até aqui são princípios. Agora vemos a aplicação. A aplicação é: “Ora, numa grande casa”. Vocês veem a conexão? Veem a relação? Tudo isso está relacionado à igreja.
Ora, numa grande casa há vasos para honra e vasos para desonra. Há vasos de ouro e de prata; há vasos de madeira e de barro. E a Bíblia diz, em 2 Timóteo 2:21:
De sorte que, se alguém se purificar destas coisas…
Agora, essa palavra, purificar-se, ocorre apenas duas vezes no Novo Testamento. Uma ocorrência está no capítulo 5 de 1 Coríntios, creio que no versículo 7. Vocês se lembram de que havia um irmão que tinha cometido um pecado grave, um pecado que nem mesmo se via no mundo, e permanecia sem arrependimento.
E nem mesmo a igreja inteira tratou daquela situação, como se não fosse nada. O apóstolo Paulo disse, em 1 Coríntios 5:7:
Alimpai-vos, pois, do fermento velho.
Essa é a primeira vez que a palavra é usada.
Aqui, “purificar-se” é a mesma palavra traduzida por “alimpai-vos”. É a segunda ocorrência. Agora, lembrem-se: na primeira ocasião, ela não tem nada a ver com o mundo; tem tudo a ver com a igreja. Limpem da igreja o fermento velho. Por quê? Porque a igreja é um pão puro, sem fermento, para o Senhor.
E, no entanto, o fermento havia entrado. Se vocês permitirem que esse fermento continue, ele afetará toda a massa. Por isso, a Bíblia diz:
Alimpai-vos, pois, do fermento velho.
Queridos irmãos e irmãs, esse homem havia pecado e não se arrependia. Mas sabemos que, depois de ele ter sido disciplinado, provavelmente era esse o homem que, na segunda carta aos Coríntios, havia se arrependido, e Paulo disse: “Perdoem”.
Essa é a primeira ocasião. Está dentro da igreja. E agora vem a segunda ocasião, em 2 Timóteo 2:21:
Se alguém se purificar destas coisas…
Quem são estes? O que são estas coisas? Não é o mundo. Na grande casa, há vasos para honra e vasos para desonra.
Irmãos e irmãs, todos nós somos vasos. Nós mesmos não somos a finalidade da nossa vida, o propósito da nossa vida. Somos um meio para um fim. Somos vasos. Devemos servir ao propósito de Deus. É isso que somos. Devemos fazer a vontade de Deus.
Mas há dois tipos de vasos em uma grande casa, porque a pureza se perdeu. Há vasos para honra. Na igreja de Deus, todo vaso deveria ser para honra. Mas agora, em uma grande casa, há vasos para desonra.
Vasos para honra — por quê? Porque são vasos de ouro e de prata. Vasos para desonra — porque são de madeira e de barro.
O ouro representa a natureza de Deus. A prata representa a redenção de Cristo. Em outras palavras, esses vasos são feitos da natureza de Deus; são o resultado da redenção de Cristo.
A madeira representa a natureza do homem. O barro representa a obra do homem. Em outras palavras, embora sejam do Senhor e sejam vasos para o Senhor, ainda vivem pela própria carne. Vivem pela própria natureza, em vez de viver pela nova vida de Cristo neles. Permanecem carnais.
E, irmãos e irmãs, o resultado é que uns são para honra, e outros, para desonra.
Então comecei a perguntar: “Senhor, o que Tu queres dizer com honra? O que Tu queres dizer com desonra?” Isso significa que, por serem vasos de ouro e de prata, eles são honrosos? Ou significa que, se são de madeira e de barro, são desonrosos?
Descobri que a honra ou a desonra está relacionada ao Senhor — se isso honrará o Senhor ou se desonrará o Senhor. Não se trata da sua própria honra, mas da honra dEle.
Se somos vasos de barro e de madeira, desonramos o Senhor. Por quê? Porque não fazemos Sua vontade. Não somos úteis ao Mestre. Não somos santificados.
Mas, se somos vasos de ouro e de prata, honramos o Senhor — somos adequados para o uso do Mestre. Porém, queridos irmãos e irmãs, por natureza, todos nós somos vasos de madeira e de barro. Era isso que éramos.
É a graça de Deus que nos liberta de nós mesmos. O velho homem foi crucificado com Cristo. A carne, com suas paixões e desejos, foi crucificada juntamente com Cristo.
Estamos dispostos a negar a nós mesmos, tomar a cruz e segui-Lo. Não ousamos confiar em nós mesmos. Permitimos que Ele, permitimos que Sua graça, opere em nós e nos transforme.
Irmãos e irmãs, é isso que significa aqui apartar-se da iniquidade. É isso que significa aqui purificar-se destas coisas. Significa simplesmente que você não se contentará em viver pela própria vida ou em fazer coisas para Deus com a própria força.
Você está disposto a negar a si mesmo. Não quer ser um vaso para desonra. Você se purifica.
A expressão aqui é “purificar-se”. Você precisa tomar a iniciativa. Precisa ter a disposição de fazer isso. Pela graça de Deus, você percebe essa necessidade. Por causa dEle, por Sua honra, você deseja fazer isso.
Irmãos e irmãs, esse é o caminho da cruz. É indispensável.
É isso que significa purificar-se destas coisas. Não significa separar-se fisicamente dos outros irmãos e irmãs. Não. É uma separação interior.
Outras pessoas podem; você não pode. Você está vinculado ao Senhor.
E, se fizer isso, você se tornará um vaso para honra. É graça. Ninguém pode se gloriar nisso.
Por isso, a Bíblia diz, em 2 Timóteo 2:21:
Será vaso para honra.
Depende de você. A graça de Deus está disponível. A redenção de Cristo está disponível. O poder do Espírito Santo está disponível.
Agora depende de você. Você está satisfeito em ser um vaso para desonra, de barro e de madeira? Ou tem aquela santa insatisfação: “Não, preciso ser um vaso para honrar a Deus”? Depende de você.
O que significa ser um vaso para honra? A explicação está aqui.
“Santificado.” Santificado significa simplesmente separado de tudo, dedicado exclusivamente a Deus. Isso é santificação.
A santificação é obra de Deus. É obra do Espírito Santo. A santificação também é nossa responsabilidade.
Portanto, quando você se purifica desses vasos de barro interiormente, em seu espírito, você é santificado. E ser santificado não é o objetivo final.
“Idôneo para uso do Senhor.” É para isso que o vaso existe: para ser útil ao Mestre. Não a você mesmo, não a qualquer outra pessoa — ao Mestre.
Como você se torna útil ao Mestre? Estando preparado para toda boa obra.
Na Bíblia, boa obra sempre significa uma coisa: a vontade de Deus. Isso é boa obra. Qualquer coisa que seja boa aos olhos humanos, mas não esteja na vontade de Deus, é uma ação sem sujeição à Sua lei. Lembrem-se disso.
E, quando você assim se purifica destas coisas, sendo santificado, útil ao Mestre, preparado para toda boa obra — qualquer que seja a vontade do Senhor, você está disponível. Deus pode usá-lo.
Queridos irmãos e irmãs, por fim, uma exortação.
Lemos em 2 Timóteo 2:22:
Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.
Todos nós somos exortados a fugir dos desejos da mocidade. O que são esses desejos da mocidade? Quais são os desejos aos quais os jovens estão especialmente sujeitos? Não estou dizendo que os mais velhos estejam completamente livres deles.
Mas o que são esses desejos da mocidade? Vejam o capítulo 2 de 1 João. Ali, em 1 João 2:14, lemos:
Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.
Em 1 João 2:15-16, lemos:
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
Se vocês amam o mundo, o amor do Pai não está em vocês. O mundo e todas essas coisas estão passando.
Queridos irmãos e irmãs, a Bíblia diz: “Foge também dos desejos da mocidade”. Não sejam tão insensatos a ponto de pensar que são fortes o bastante para flertar com esses desejos, que podem se envolver com eles sem ser tentados. Ninguém consegue fazer isso.
A Bíblia diz: “Foge”. Fujam dos desejos da mocidade como fugiriam de uma serpente.
Como precisamos ser libertos do mundo! Irmãos e irmãs mais velhos, nós não estamos isentos. Precisamos acolher esta palavra no coração, em Mateus 6:33:
Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não corram atrás dessas coisas do mundo. Todas elas mudam. Todas passam. Não duram. Mas nós vivemos para a eternidade, não para o dia de hoje.
Fujam dos desejos da mocidade. Esse é o aspecto negativo. Depois há um aspecto positivo: buscar, perseguir. Precisamos prosseguir nessa busca.
Irmãos e irmãs, não podemos nos dar ao luxo de ficar acomodados, especialmente porque estamos vivendo nos últimos dias. Como podemos simplesmente relaxar e dizer: “Ainda há tempo. O Senhor ainda não está vindo”? Quem sabe? Ele pode vir hoje.
Ele pode vir em um momento em que não estejamos preparados. Ó irmãos e irmãs, despertem! Estamos tão acomodados. Estamos tão ocupados com as coisas deste mundo. Colocamos nossos próprios interesses em primeiro lugar, e as coisas de Deus depois, ou por último. Que Deus não permita isso.
Este é o tempo em que devemos entregar nossa vida, ser diligentes, buscar as coisas eternas e tomar posse da vida eterna.
Essa busca exige esforço. Você precisa se dedicar, se empenhar, se estender, assim como Paulo diz: avançando para o alvo, para a soberana vocação. Estamos fazendo isso?
Busquem. O que buscamos? Justiça, fé, amor, paz — não como virtudes, mas como o caráter de Cristo. Busquem Cristo. Ganhem Cristo. Alcancem Cristo. Que essa seja a nossa paixão.
Não podemos caminhar sozinhos. Precisamos de nossos irmãos e irmãs. Portanto, prossigam nessa busca com aqueles que invocam o nome do Senhor com um coração puro.
O Senhor procura pureza. Nenhuma mistura nas motivações. Exclusivamente para Ele, nada para nós mesmos.
Graças a Deus, Ele tem os Seus que estão ocultos em toda parte. Vocês podem encontrá-los. Prossigam nessa busca com eles.
Que sejamos aqueles que invocam o Senhor com um coração puro. Este é um tempo de impureza, um tempo de mistura, um tempo de concessões. Mas o chamado do Senhor, o desejo do Senhor, é pureza — exclusivamente para Ele.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando meditei nesta passagem, fui muito ajudado. Arrependi-me diante do Senhor. Busquei Sua misericórdia.
E desejo, queridos irmãos e irmãs, que busquemos o Senhor exclusivamente, com pureza. Ele é o único em Quem podemos confiar, Aquele que nunca muda. Vocês podem confiar nEle para a sua eternidade.
Vamos orar.
Querido Senhor, quando olhares para nós, iremos partir o Teu coração ou alegrar o Teu coração? Fala conosco. Não nos deixes ir. Não permitas que continuemos à deriva.
Senhor, desperta-nos, para que consideremos todas as coisas como escória, pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo. Senhor, queremos ganhar-Te, alcançar-Te, porque Tu és…