Bom dia.
Gostaria de pedir que vocês, por favor, abrissem em João 3. Esta provavelmente é a passagem sobre a qual mais se pregou em todo o Novo Testamento ao longo da história, e provavelmente também é a mais conhecida.
Agora, espero que essa familiaridade não faça vocês dormirem. Se fizer, vou me esforçar para mantê-los acordados. Mas penso, irmãos e irmãs, que, para aqueles entre nós que não conhecem o Senhor, há algo aqui que o Espírito Santo quer enfatizar. Para aqueles que talvez tenham acabado de conhecer o Senhor, penso que há algo aqui para o qual o Senhor quer chamar nossa atenção e nos mostrar. E, para aqueles que conhecem o Senhor há muitos anos, creio que há coisas que o Senhor ainda quer esclarecer para nos ajudar.
Portanto, esta não é necessariamente uma mensagem para os não salvos. Não é necessariamente uma mensagem apenas para os recém-convertidos. É também uma mensagem para aqueles que são salvos há muito tempo.
Vamos, então, ao início: João 3:1. Leremos vários versículos, até João 3:21.
Ora, havia um homem dentre os fariseus, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus:
Este veio a Ele de noite e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.
Jesus respondeu e lhe disse: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Nicodemos Lhe disse: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?
Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de Eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu e Lhe disse: Como podem ser estas coisas?
Jesus respondeu e lhe disse: Tu és o mestre de Israel e não entendes estas coisas?
Em verdade, em verdade te digo: Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; e não aceitais o Nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrenas e não credes, como crereis, se vos falar de coisas celestiais?
E ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado;
Para que todo aquele que crê tenha Nele a vida eterna.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus enviou o Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele.
Quem Nele crê não é julgado: quem não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
E o julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
E mais uma passagem do mesmo Evangelho, João 1:11-13.
Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, a saber, aos que creem no Seu nome:
Os quais nasceram, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
Vamos orar.
Senhor, mais uma vez chegamos àquele ponto em que sabemos que precisamos que o Espírito Santo sopre vida nestas palavras. Mais uma vez reconhecemos que somente Tu, Senhor, tens as palavras de vida eterna e que, sem o Teu falar, não haverá proveito algum.
Senhor, estamos aqui na Tua presença. Estamos esperando na Tua presença, para que esta palavra seja liberada em sua plenitude; para que alcancemos uma compreensão mais profunda do que é o novo nascimento e vivamos na realidade dele como aqueles que Te pertencem. Fala, Senhor; o Teu servo ouve. Em nome de Jesus.
Recentemente, tenho sido atraído a esta passagem de João 3. Isso é incomum para mim, porque nunca preguei uma mensagem sobre o novo nascimento — nenhuma vez.
Mas, enquanto temos orado e considerado sobre o que o Senhor gostaria que ministrássemos, o Espírito Santo parece sempre me trazer de volta a João 3. E Ele continua sussurrando, ao que me parece, em meu espírito:
Necessário vos é nascer de novo.
Agora, sei que essa não é uma mensagem apenas para mim, porque penso que, de fato, sou nascido de novo. Mas creio que o Espírito Santo tem algo a dizer. À medida que tenho ouvido, ou tentado ouvir, esses toques interiores, o que começa a me impressionar é a nossa necessidade de enxergar o que somos em Cristo Jesus.
Precisamos saber o que é um cristão. Se não soubermos o que é um cristão, não poderemos viver uma vida cristã normal. Viveremos uma vida cristã abaixo do padrão.
Mas penso que há mais do que isso, porque não somos chamados apenas a viver como indivíduos diante de Deus, por mais maravilhoso e pleno que seja esse relacionamento. Somos chamados, como corpo, a ser a expressão de Cristo em toda a Sua plenitude.
Portanto, penso que precisamos saber quem somos e por que nos reunimos. Se não soubermos quem somos, se não soubermos por que nos reunimos, nunca poderemos viver a vida cristã em sua plenitude no sentido coletivo. Será uma vida abaixo do padrão. Será uma vida desconectada. Será uma vida sem propósito. Será uma vida que não corresponde ao chamado de Deus para o Seu povo.
Esses são os toques que tenho sentido em meu coração. E creio que eles nos levam de volta ao começo, porque tudo nesta vida — e isso não é tão profundo, a propósito; vocês podem passar rapidamente por este ponto —, tudo nesta vida começa com o nascimento.
Assim, tudo na vida cristã começa com o novo nascimento. Precisamos compreender a profundidade do significado desse novo nascimento.
Vocês, jovens que recentemente conheceram o Senhor, precisam saber para que realidade nasceram. Aqueles que não conhecem o Senhor precisam saber o que significa nascer de novo. E aqueles entre nós que conhecem o Senhor há muitos, muitos anos — no meu caso, trinta e quatro anos, acho que é isso mesmo — precisam saber o que significa nascer de novo e o que essa nova vida envolve.
Um título me chamou a atenção enquanto eu lia esta passagem. Talvez vocês não gostem dele, mas foi o título que me impressionou. Parece-me que tudo isso diz respeito a um encontro. Acho que vocês não podem discordar disso.
Então, o título que o Senhor me dá é este: O Encontro que Mudou a Humanidade.
Esse encontro noturno entre os dois estabeleceu para sempre o padrão da avaliação de Deus sobre o homem. Revelou para sempre o coração de Deus em relação ao homem e nos explica qual é o caminho para o homem. Esse encontro entre os dois foi de enorme importância.
Enquanto meditava nisso, lembrei-me de uma história que li. Vocês sabem, gosto de histórias, então tenham paciência com as minhas histórias. Pelo menos esta talvez vocês ainda não tenham ouvido.
Li uma história sobre Napoleão Bonaparte. Todos conhecem Napoleão Bonaparte, o grande imperador que conquistou tanta coisa. Ele se encontrou com o czar Alexandre I da Rússia em Tilsit, na Prússia, em 1807. Em 25 de junho, houve um encontro noturno isolado, no meio do rio Niemen, e a história o registra como um encontro que marcou os destinos da humanidade.
Isso me tocou. Esses homens elaboraram o Tratado de Tilsit — vocês provavelmente nunca ouviram falar dele —, mas achavam que estavam determinando para sempre o rumo da humanidade. Estavam determinando o que aconteceria com a Prússia e o que aconteceria com a Europa. Estavam traçando o rumo para o homem.
Agora, irmãos e irmãs, não é preciso ir muito longe para compreender o paralelo. Aqui, neste encontro noturno, Nicodemos veio ao Senhor Jesus, encontrou-se com o Senhor Jesus, abriu seu coração ao Senhor Jesus, e o Senhor Jesus revelou o caminho de Deus para o homem.
Este é o encontro que mudou a humanidade.
Há muito tempo nos esquecemos de Tilsit. Vocês provavelmente nunca ouviram falar desse lugar. Mas nunca nos esqueceremos daquela noite em que Nicodemos veio, e o Senhor Jesus voltou toda a Sua atenção para aquele homem e disse:
Necessário vos é nascer de novo.
Isso mudou o destino da humanidade. Portanto, esse é o sentimento com que começamos: que encontro extraordinariamente importante foi aquele.
Há três coisas que parecem me ocorrer enquanto medito e considero a melhor maneira de abordar este capítulo. Todos o conhecem. Todos estão familiarizados com ele. O que podemos dizer de novo que não faça vocês dormirem?
Foram três coisas. Primeiro, o homem. Precisamos enxergar o homem. É aí que tudo começa.
Segundo, precisamos compreender a mensagem. Se vocês não compreenderem a mensagem, perderam o bonde, irmãos e irmãs.
Terceiro, precisamos enxergar o meio de entrar naquilo que Deus tem para nós.
Então, aqui está a pequena aliteração, e vou gravá-la na memória de vocês. Antes de irem embora, vocês estarão murmurando isto até dormindo: precisam enxergar o homem, precisam enxergar a mensagem e precisam enxergar o meio para poderem entrar.
Voltem a João 3. O capítulo começa imediatamente com o foco no homem. A minha versão — e a de vocês talvez diga algo diferente — começa assim:
Mas havia um homem.
O Espírito Santo chama a atenção imediatamente para o homem.
Se ignorarmos o homem, penso que estaremos ignorando aquilo para o qual o Espírito Santo chamou nossa atenção. Precisamos enxergá-lo, perceber o que isso significa, ver o que ele fez e qual foi o resultado.
O homem é Nicodemos. Ele veio ao Senhor de noite. Agora, penso que Nicodemos ganhou uma má fama injustamente. Algumas pessoas dizem que Nicodemos era covarde. Não acho que Nicodemos fosse covarde.
Não há nada na Palavra de Deus, nas três ocasiões em que lemos algo sobre Nicodemos, que nos diga que ele era covarde. Ele queria ter essa conversa com o Senhor Jesus sem interrupções, quando o Senhor estivesse sozinho, para obter suas respostas e esclarecer suas dúvidas. Ele não era covarde.
Nicodemos representa algo que precisamos compreender, e penso que isso é muito importante. Há várias coisas que a Palavra de Deus diz a respeito dele.
Primeiro, diz que ele era um dos fariseus. Irmãos e irmãs, esse era o grupo mais rigoroso de todo o judaísmo. Eles criam na ressurreição. Criam em anjos. Criam nas coisas espirituais. Ele pertencia a esse grupo.
O texto prossegue dizendo, no mesmo versículo, que ele era um dos principais dos judeus. Isso significa que tinha assento naquele conselho de elite, o Sinédrio, o conselho dos setenta. Ele era uma autoridade entre os judeus. Influenciava toda a nação de Israel, e esse conselho tinha poder supremo sobre o judaísmo.
Além disso, quando o Senhor Se admirou por ele parecer não compreender o que queria dizer com “Necessário vos é nascer de novo”, a resposta do Senhor foi:
Tu és o mestre de Israel e não entendes estas coisas?
Agora, irmãos e irmãs, esse artigo definido é muito importante. Você é o mestre de Israel. Observem que Ele não disse: “Você é um mestre de Israel”. Provavelmente Nicodemos estava no topo — era o mestre —, e não sabia essas coisas.
Não só isso: seu caráter parece ser impecável. Não há absolutamente nenhum indício de hipocrisia. Tudo o que podemos perceber ao ler sobre Nicodemos vindo ao Senhor é o quanto ele respeitava a Deus. Ele disse:
Tu és Mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estas coisas que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.
Ele honrava a Deus. E não só isso: era sincero. Veio ao Senhor com sinceridade. Seu caráter parece ser impecável, e o Senhor não teve nenhuma repreensão para Nicodemos quando ele veio — nenhuma repreensão.
Agora, isso é bem diferente das palavras do Senhor aos escribas e fariseus em Mateus. Ele os chama de raça de víboras. Diz:
Ai de vós, escribas e fariseus.
Mas não há nenhuma repreensão desse tipo aqui.
Acho que esse é um currículo e tanto. Não sei como é o currículo de vocês, mas, puxa, esse currículo supera todos os outros. Ele era o mais religioso. Pertencia ao grupo mais rigoroso. Era uma das autoridades. Era cheio de sinceridade. Honrava a Deus. O que mais se pode dizer sobre Nicodemos?
Isso me levou a uma conclusão simples. Talvez vocês não pensem assim, e que Deus os abençoe se não pensarem, mas isso me levou a uma conclusão simples: ele é o melhor dos melhores.
Não se trata do endemoninhado que caía no fogo. Nem sequer da mulher apanhada em adultério. Aquele que veio ao Senhor Jesus para aquela conversa noturna era o melhor dos melhores.
Penso que isso é muito importante para compreendermos o novo nascimento, porque o mundo tem esta ideia de que somos basicamente bons. Esse é um problema. Sei que, ao testemunharem, vocês já se depararam com isso repetidas vezes: “Somos basicamente bons. Temos alguns defeitos”.
Bem, já não se pode dizer “defeitos”. Estamos em uma nova era. Ainda não me acostumei com ela, e nem sou tão velho assim, mas não se pode ferir os sentimentos de ninguém. Não se pode dizer: “Você tem defeitos”. Pode-se dizer: “Temos questões a resolver”. Não é essa a expressão certa?
Somos basicamente bons; só temos algumas questões a resolver. Então, agora temos Nicodemos com questões a resolver.
Irmãos e irmãs, o Espírito Santo chega a uma conclusão, e Jesus olha para o rosto de Nicodemos e diz:
O que é nascido da carne é carne.
Precisamos compreender que não há bem algum na carne. Agora, não sei se isso fere os sentimentos de vocês. Não estou aqui na frente para preservar os sentimentos de vocês. O Espírito Santo diz: “Isto é o melhor que o homem pode fazer”, e ele fracassou completamente. Sem esperança. Rejeitado.
Jesus diz:
O que é nascido da carne é carne.
Enquanto lia e meditava nisso, encontrei uma citação de Campbell Morgan. Ela ajudou a reforçar a impressão que tive quando pensei: “Isto é o melhor que o homem pode fazer”. Ele disse:
Nicodemos parece ter sido um dos melhores frutos do judaísmo. Contudo, a conclusão do Senhor Jesus é: não é bom o suficiente.
Vocês compreendem isso? Aqueles que não são salvos — talvez haja alguns aqui —, não há bem algum no homem. Aqueles que são recém-convertidos, não há bem algum no homem. E aqueles que conhecem o Senhor há trinta e quatro anos, não há bem algum.
É preciso haver uma mudança inteiramente revolucionária, que nos transforme de uma condição em outra. É preciso haver uma obra do Espírito Santo no mais íntimo do nosso ser. Eu gostaria de chamá-la de a grande mudança: aquilo que nos transforma do que éramos no que nos tornamos em Cristo Jesus. Isso é o novo nascimento.
A grande mudança. Jerry achou que era a aposentadoria.
Vocês acham que foi por acaso que esse melhor dos melhores veio? Creio que o Espírito Santo está ensinando a nós, que pertencemos a Ele, que nada em nós é bom.
Abram em Romanos 3:9. Vocês conhecem estes versículos, mas penso que eles vieram a mim com uma nova ênfase.
Que diremos, pois? Somos nós melhores do que eles? De maneira nenhuma: pois já demonstramos que tanto judeus como gregos estão todos debaixo do pecado;
Como está escrito: Não há justo, nem um sequer;
Não há quem entenda;
Não há quem busque a Deus;
Todos se desviaram, juntamente se tornaram inúteis;
Não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
Nem mesmo Nicodemos. Não há um homem que entenda. Não há um que busque a Deus. Todos se desviaram. Juntos se tornaram inúteis. Não há um que pratique o bem. Não há nem um sequer.
Essa é a conclusão da Palavra de Deus. Para compreendermos a avaliação de Deus sobre o homem, precisamos enxergar esse princípio.
Efésios 2:1 conclui que estávamos mortos em nossos delitos e pecados. Agora, o que pode ser pior do que estar morto? Vocês já pensaram nisso? Talvez digam: “Não me sinto morto. Sinto-me bem vivo. Ainda estou respirando. Ainda estou andando. Como posso estar morto?”
Mas a Palavra de Deus conclui que estávamos mortos em nossos delitos e pecados — absolutamente mortos.
Isso me fez pensar novamente naquela expressão: “Homem morto andando”. Todos vocês já a ouviram. Nunca vi o filme, então não posso dizer nada sobre ele, mas, anos atrás, li sobre o que acontece com aqueles que estão no corredor da morte, prestes a receber a execução de sua justa sentença.
Eles estão no que chamam de corredor da morte e, quando saem dali e seguem para a execução, para a câmara de execução, os guardas costumavam dizer: “Homem morto andando. Homem morto andando. Homem morto andando”.
E então, por fim, ele ou ela vai enfrentar a punição final na câmara de execução — a menos que a autoridade máxima, o governador ou o presidente, intervenha.
Vocês compreendem o paralelo. Irmãos e irmãs, precisamos enxergar a condição de Nicodemos. Ele é o melhor, mas este é um caso em que o melhor não basta.
O que Deus tem a nos dizer é que nada do que trouxermos a Ele será suficiente. É preciso haver uma mudança revolucionária que nos transforme de dentro para fora. Então poderemos estar em uma posição correta diante Dele.
Mas a boa notícia é que não vemos apenas esse primeiro homem; vemos um segundo Homem. Sabem, é bem difícil ter uma reunião sem outra pessoa. Quer dizer, até é possível. Sei que alguns de vocês conversam consigo mesmos e fazem sua própria reunião e conselho, e há perfeita harmonia pela primeira vez — perfeita unanimidade de opiniões.
Mas, quando há um encontro, há mais de uma pessoa. Portanto, se quisermos compreender a avaliação de Deus sobre o homem, precisamos olhar além daquele que está arruinado e enxergar o segundo Homem.
Isso é elementar demais para a maioria de vocês? Receio que vocês já estejam muito além de algumas dessas coisas. Mas penso que precisamos voltar ao começo. Precisamos saber quem somos. Isso é importante.
Precisamos enxergar o segundo Homem. Efésios 2:1 diz que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, e então vem a conjunção mais poderosa de toda a Bíblia: “Mas Deus”.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo Seu grande amor com que nos amou.
Há um segundo Homem ali. Isso não é uma boa notícia? Se houvesse apenas Nicodemos, como seria deprimente! Mas, graças a Deus, há um segundo Homem. Há um Homem perfeito. Há um Homem íntegro.
Se ouvirmos atentamente, ainda poderemos ouvir os sussurros do Espírito Santo, vindos do Pai, quando Ele diz:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
O primeiro está arruinado; o segundo é perfeito. O primeiro não cumpre toda a vontade de Deus; o segundo cumpre toda a vontade de Deus. O primeiro homem não agrada a Deus; o segundo Homem agrada a Deus.
Vejam, às vezes complicamos demais as coisas diante de Deus. Deus vê dois homens. É só isso que Ele vê.
Vocês podem discordar da maneira como coloco as coisas, e às vezes têm boas razões para isso, mas Deus só vê dois homens. Se lerem 1 Coríntios 15, verão que Ele vê Adão e todos os que estão em Adão, e vê Cristo e todos os que estão em Cristo.
Ou vocês estão em Adão, ou nasceram de novo e estão em Cristo. Posso tornar isso mais simples? É mais ou menos como uma aula básica de culinária.
Deus só vê dois homens. Toda a humanidade está arruinada; está em Adão. Na verdade, 1 Coríntios 15 usa as expressões “o primeiro Adão” e “o primeiro homem”. Mas então, graças a Deus, chama nosso Senhor Jesus de “o último Adão” e “o segundo Homem”.
Irmãos e irmãs, esta é a explicação mais simples do que significa nascer de novo. Vocês estavam em Adão, arruinados e sem esperança. Então, aquela autoridade soberana intervém, nós respondemos a essa intervenção, nascemos de novo e passamos a estar em Cristo — para nunca mais sermos julgados no que diz respeito ao juízo eterno.
A segunda coisa é a mensagem. Acho interessante que, ao lermos esta passagem, Nicodemos chega ao fim de dois versículos — agora, sei que ele não tinha versículos —, e então o Senhor Jesus o interrompe.
O Senhor Jesus não Se importava em ferir nossos sentimentos. Graças a Deus.
Nicodemos começou a se aproximar do Senhor com aquelas perguntas provavelmente ardentes, para as quais precisava dessa conversa particular. Mas o Senhor Jesus, em João 3:3, o interrompe. Para mim, é algo muito estranho. Ele o corta de imediato — corta-lhe as pernas.
Depois que Nicodemos diz:
Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus.
O Senhor Jesus lhe responde:
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Ele o corta de imediato. Ele o interrompe.
Passei a valorizar isso de uma nova maneira. Há alguns meses, estávamos em uma reunião, e uma irmã orou: “Senhor, obrigado por interromper a minha vida”.
Foi como se as luzes se acendessem, e comecei a enxergar que essa é toda a explicação da vida cristã. Estávamos vivendo nossa própria vida, por melhor que vocês achassem que ela fosse, vivendo para nós mesmos, vivendo por nossa própria conta; e então, um dia, Deus, em Sua misericórdia, interrompeu nossa vida.
Isso não é uma boa notícia?
Como tenho feito essa oração repetidas vezes: “Senhor, obrigado por interromper a minha vida. Eu teria continuado seguindo em frente. Não teria me voltado para Ti. Não teria Te buscado. Não teria Te encontrado. Mas, em Tua misericórdia, Tu interrompeste a minha vida”.
Esse é o testemunho de vocês?
Começamos a enxergar algumas coisas nesta mensagem. Começamos a enxergar a necessidade do novo nascimento. Não é possível avançar muito sem perceber essa necessidade.
Em João 3:3, o Senhor diz: “Se alguém não”. Agora, essa é uma expressão forte. Não deixa nenhuma margem de manobra. Pessoalmente, gosto de ter uma margem de manobra, mas o texto diz:
Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Então, em João 3:5, diz a mesma coisa: “Se vocês não nascerem de novo, não poderão entrar no reino de Deus”. E, mais adiante, Ele diz:
Não te maravilhes de Eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.
Vocês percebem a necessidade? Irmãos e irmãs, isso não é uma opção. Não é: “Vocês podem ou não podem fazer isso; de qualquer forma, tudo vai dar certo no final”. É uma necessidade absoluta.
Alguns de vocês conhecem esta pequena história. Comprei uma caminhonete nova depois que os meninos maltrataram tanto a velha, que já estava chegando aos dezessete anos. Nós ficamos bastante tempo com nossos veículos, a propósito.
Um dos meus sócios, porque eu tinha o nome da empresa na placa, me disse — ele me chama de Pitter —: “Pitter, quando você vai parar de dirigir essa caminhonete velha? Ou para de dirigir essa caminhonete velha, ou tira a placa. Você está nos envergonhando”.
Então essa foi uma ótima desculpa. Fui falar com Linda e disse: “Preciso de uma caminhonete nova”. Quando fui comprar uma nova, como não compro veículos com muita frequência, geralmente não economizo. Escolho todos os opcionais, porque estou convencido de que preciso deles.
Até tinha aquele negócio de GPS. Eu nunca mais me perderia. Agora sei o que significa: eu estava perdido, mas agora fui encontrado. Você liga aquilo, e ele diz para virar à direita em quatrocentos metros.
Até tinha sensores de ré. Posso levar aquela caminhonete enorme ao centro e fazer uma baliza, com os sensores de ré fazendo: “Bip, bip, bip, bip, bip”.
Esses são opcionais. Eu poderia ter comprado uma caminhonete muito mais simples. Não comprei.
Mas isto é uma necessidade.
O Senhor continua enfatizando isso ainda mais. Três vezes o Senhor Jesus diz: “Em verdade, em verdade te digo” — em João 3:3, João 3:5 e, mais adiante, novamente. Aquele que nos ensinou sobre vãs repetições e palavras ociosas: vocês acham que o Senhor Jesus estava falando palavras ociosas?
Não, queridos irmãos e irmãs. Isso simplesmente significa: “Verdadeiramente, verdadeiramente; certamente, certamente”. “Se não”. “A menos que”, como dizem algumas versões. “É necessário”.
Essa é a necessidade do novo nascimento. Não podemos ficar sem ele. Vocês não verão. Nunca compreenderão. Jesus disse: “Você não verá o reino de Deus”. E prosseguiu dizendo: “Nicodemos, você não entrará no reino de Deus”.
Penso que o Espírito Santo nos apresenta uma progressão maravilhosa aqui: primeiro vemos, depois entramos. Sem o novo nascimento, sem uma mudança revolucionária no âmago do nosso ser, nunca veremos nem entraremos naquilo que Deus tem para nós.
A segunda coisa que pareceu se destacar para mim foi a natureza do novo nascimento. É uma mudança completa. Irmãos e irmãs, não se trata apenas de uma nova demão de tinta e pronto.
Vou contar outra história sobre mim mesmo. Linda e eu gostamos — bem, não sei se “gostamos” é a palavra certa, porque estamos no meio de um deles — de projetos de reforma em casa. Estou no meio de uma grande reforma. Linda ficará feliz quando terminar. Toda vez que vejo Jerry, ele pergunta: “Você já terminou aquilo?” Jerry, por favor, não me pergunte mais. Você me deixou com um complexo. Está ferindo meus sentimentos.
Mas, na televisão a cabo, a grande febre são esses programas de reforma de casas. Estão por toda parte: Design on a Dime. Eles entram, reformam o que é velho e fazem parecer novo.
Mas o novo nascimento não é assim. Não é uma reforma. Não é um aperfeiçoamento. É uma mudança total, inteiramente nova. É uma nova criação.
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que se fizeram novas.
É uma mudança completa, uma nova dimensão que resulta em uma nova criação. Essa é a natureza do novo nascimento.
O Senhor diz em João 3:5:
Se alguém não nascer da água e do Espírito.
Ele diz em João 3:6:
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Ele diz em João 3:8:
O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
A natureza do novo nascimento é espiritual. Não é natural. Não é aquilo que somos por natureza.
O Espírito Santo vem. Observem, na leitura desses versículos, que “Espírito” está com letra maiúscula — o E maiúsculo. Exceto no final de João 3:6, onde diz: “O que é nascido do Espírito é espírito”, com e minúsculo, porque esse somos nós.
Em outras palavras, o Espírito Santo, o Espírito de Deus, a terceira Pessoa da Divindade, entra em nosso espírito, desperta o que estava morto e nos transforma.
Então acontece o que encontramos em Colossenses 1:13, onde diz que somos transportados, ou transferidos, da autoridade das trevas para o reino do Filho do Seu amor.
A natureza é espiritual.
Irmãos e irmãs, pensem nisso. O Espírito Santo — o E maiúsculo; vocês podem chamá-Lo de E Maiúsculo, não acho que isso O ofenda — entra no espírito de vocês, sopra sobre ele, ressuscita o espírito de vocês e os torna vivos para Deus. Isso é o novo nascimento.
Essa é a natureza do novo nascimento. Agora, nem sempre é possível compreender como isso acontece. Não sei; não posso lhes dizer exatamente como nasci de novo.
Nicodemos estava confuso. Esse mestre de Israel disse: “Como pode ser? Como podemos entrar no ventre de nossa mãe e nascer uma segunda vez? Como pode ser?”
E o Senhor disse: “O vento sopra onde quer, e você não sabe”. Mas você sabe que ele está soprando.
Vocês não sabem quando o vento está soprando? Receio que estejam mortos se não souberem. Mas vocês sabem quando o vento está soprando. Sabem quando o Espírito Santo está Se movendo. Quando respondemos ao Espírito Santo, sabemos que somos nascidos de novo.
Há uma confirmação em nosso espírito, em resposta ao Espírito Santo, que diz: “Aba, Pai. Pai”.
Essa é a natureza do novo nascimento.
Agora, deixem-me dizer uma coisa, porque aqui entramos um pouco em doutrina. Alguns podem discordar de mim. Fiquem à vontade para discordar. Mas, quando o Senhor diz: “Se alguém não nascer da água e do Espírito”, não creio que esteja Se referindo ao batismo dos crentes nas águas.
Isso aponta para o batismo de João. Nicodemos e os judeus conheciam o batismo de João. A ilustração para nós é que o arrependimento precede o novo nascimento. Vocês compreendem?
Se não compreendermos isso, começaremos a crer na regeneração batismal, e as Escrituras não ensinam a regeneração batismal.
Os que nascem da água vêm a Deus em arrependimento, e há uma mudança. Os que nascem do Espírito, com o Espírito Santo passando a habitar neles, são espírito.
A segunda coisa sobre a natureza do novo nascimento é que precisamos compreender algo vital: esse novo nascimento é uma fonte de vida inteiramente nova. Penso que isso está faltando entre nós, como crentes.
Muitos cristãos, em muitos círculos, dizem: “Agora que sou salvo, cabe a mim viver como Cristo”. Muitas pessoas dizem: “Ele é o nosso exemplo de como viver”.
Irmãos e irmãs, Ele não é apenas o exemplo de vocês de como viver. Ele é a vida de vocês. Compreendem a diferença?
Quando Darby traduziu essa passagem, disse em suas notas que se trata de uma nova origem e de um novo começo, com uma nova fonte. Kenneth Wuest, em sua versão expandida, usou a palavra “fonte” cinco vezes em João 3:3-8.
Qual é a importância disso? A natureza do novo nascimento é que temos uma nova fonte de vida que antes não tínhamos.
Digo às pessoas o tempo todo — e sei que vocês já estão cansados desta, mas só precisam me aguentar por mais alguns minutos —: vocês não conseguem viver a vida cristã. É impossível.
Mas, graças a Deus, há em nós, pelo Espírito Santo, uma fonte da vida do Senhor Jesus que agora nos capacita a viver a vida cristã. Tudo depende da fonte.
Vocês estão vivendo a partir da fonte errada? Estão vivendo a partir do velho homem? Estão vivendo a partir da carne? A única maneira de viver a vida cristã é a partir dessa nova fonte de vida.
Foi isso que João quis dizer quando escreveu:
Maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.
É uma nova fonte.
O último ponto é o meio. Não precisamos apenas enxergar o homem — precisamos ter clareza: ou estamos em Adão, ou estamos em Cristo. Não precisamos apenas compreender a mensagem — que deve haver uma mudança revolucionária em nosso ser pelo Espírito Santo, ou não poderemos ver nem entrar no reino de Deus.
Precisamos enxergar isso como algo inteiramente espiritual. Embora talvez não consigamos explicá-lo, sabemos quando acontece conosco, porque há uma confirmação no fundo do nosso espírito que diz: “Sou nascido de novo”. Nós sabemos.
Terceiro, há o meio. Irmãos e irmãs, na parte final do que lemos, começamos a compreender a grande explicação de Deus para tudo:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito.
Quando os mistérios do universo forem reduzidos à sua essência, quando um dia todos forem compreendidos, entenderemos que a grande explicação de tudo é esta, a mais simples de todas: o meio que Deus providenciou para nós não foi o que poderíamos fazer, mas o que Ele fez.
Vocês compreendem a diferença? Isso é vital. A explicação de todo o universo está contida neste único versículo. Na verdade, um irmão disse que João 3:16 é a Bíblia em miniatura.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Esse é o caminho. Vocês não se alegram hoje por poder dizer que Deus abriu o caminho? Não foram vocês que abriram o caminho.
João 1:12-13 diz:
Não da vontade do homem, nem da vontade da carne, mas de Deus.
Gosto muito dessa tradução: não da vontade do homem, não da vontade da carne, mas nascemos da vontade de Deus. É aquilo que Ele fez.
Por fim, há outro meio. Há uma expressão que se repete. Se vocês ainda não a perceberam, precisam perceber. Nestes versículos, pelo menos cinco vezes, aparece esta expressão: crer Nele.
“Crer Nele” em João 3:15. “Crer Nele” em João 3:16. “Crer Nele” duas vezes em João 3:18. E “crer Nele” novamente em João 3:36.
Para mim, esse é o meio. Isso é tudo o que somos chamados a fazer. Essa é a única coisa que fazemos no novo nascimento, aquilo que somos chamados a fazer: crer Nele.
Gosto muito de como a Bíblia Amplificada traduz isso. Temos uma irmã que sempre lia para nós na Versão Amplificada, e gosto muito dessa tradução porque ela traz maior profundidade e significado.
Crer Nele significa confiar Nele, depender Dele e, minha expressão favorita, apegar-se a Ele.
Essa é a minha favorita.
Hoje, vocês podem dizer que acreditam na fada do dente. “Crer” pode ser uma palavra tão passiva. Mas “crer Nele” tem o sentido de crer de modo a entrar Nele.
Creiam de modo a entrar nessa nova fonte de vida. Confiem nessa nova fonte de vida. Dependam dessa nova fonte de vida. Apeguem-se a essa nova fonte de vida. Essa é a marca de quem é nascido de novo.
Não acho que seja por acaso que isso apareça cinco vezes. Não é por acaso.
Deixem-me concluir com isto. Quantas vezes Nicodemos é mencionado na Bíblia? Quantos de vocês sabem?
Apenas três vezes. Nicodemos é mencionado apenas três vezes na Bíblia, todas no Evangelho de João. Apenas três vezes.
Mas, irmãos e irmãs, penso que, se examinarmos o que se diz a respeito dele, isso nos mostrará o que deveria ser manifesto em nossa vida. Creio que é muito revelador.
A primeira passagem é João 3. Ela nos diz simplesmente isto: ele era alguém que buscava.
Agora, tenho um colega no trabalho — também não vou constrangê-lo, e ele nunca ficará sabendo — que busca de tudo. Ele coloca pequenas frases do Dalai Lama na parede. De vez em quando, volto ao meu escritório para ver o que está acontecendo; preciso fazer isso.
Então aparece alguma coisa ligada a uma prática oriental, e depois ele vai para a floresta tropical e fica se balançando entre as árvores como um macaco. Agora, não sei o que isso faz por uma pessoa. Não tenho a menor vontade de tentar. Consigo me imaginar batendo em uma árvore.
Balançar-se entre as árvores — deve ser para se conectar com aquele eu profundo, interior e primitivo. Não tenho certeza.
Ele é alguém que busca. Mas a diferença em relação a Nicodemos é que Nicodemos era alguém que buscava Jesus.
Nós buscamos o Senhor Jesus? É isso que distingue vocês e a mim? Era isso que distinguia Nicodemos.
O que será dito de vocês quando partirem? Eram pessoas que buscavam? Mais importante: eram pessoas que buscavam Jesus?
A segunda menção a Nicodemos está em João 7. Alguns de vocês talvez conheçam a história.
Quando as autoridades estavam reunidas, esperando que alguém detivesse e prendesse o Senhor Jesus, ninguém, diz o texto, pôs as mãos Nele, porque ainda não era a Sua hora. Louvado seja o Senhor.
Então disseram:
Porventura creu Nele algum dos principais ou dos fariseus?
E então Nicodemos abre a boca.
Ele lhes diz em João 7:51:
Porventura a nossa lei julga um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que faz?
Imediatamente lhe dizem: “És tu também da Galileia? És um deles?”
Vocês já ouviram aquele velho ditado: se o cristianismo fosse um crime, haveria provas suficientes para condenar vocês?
Acho que uma das coisas mais tristes é ir a um funeral em que tudo é enfeitado e dizem: “Ah, o tio Ed era a melhor pessoa do mundo”, enquanto todos os familiares olham uns para os outros, perguntando: “É o mesmo Ed que conhecíamos?”
O que deveria ser manifesto? Haveria provas suficientes para dizer que vocês eram um deles?
Ah, espero que, no final, isso seja dito de mim. Penso que esse é o legado de Nicodemos.
Então temos a última menção a Nicodemos, em João 19:38-42. Não temos tempo para ler tudo, mas deixem-me contar a história.
José de Arimateia, um dos membros do conselho, foi pedir a Pilatos o corpo do Senhor Jesus, para que pudesse dar-Lhe um sepultamento adequado. O texto diz que ele fez isso em segredo, por medo dos judeus.
Depois, o texto menciona Nicodemos. Mas, irmãos e irmãs, não diz que Nicodemos fez isso por medo dos judeus. Quanto a José de Arimateia, diz algo simples: ele era um discípulo.
Agora, não consigo acreditar que Nicodemos tenha ido e não fosse um discípulo. Quase todos os que comentam essa passagem dizem que, no fim, Nicodemos se tornou um discípulo do Senhor Jesus.
Na verdade, o Talmude até contém uma história segundo a qual Nicodemos sobreviveu à destruição de Jerusalém e era um discípulo do Senhor Jesus.
Não é esse o objetivo do Evangelho? O que diz a Grande Comissão?
Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, isso me deu uma visão diferente de Nicodemos.
Vocês são pessoas que buscam Jesus? Algum dia serão acusados de pertencer ao Senhor? Que ótima acusação. Vocês são discípulos?
Pensem no que ele fez. Ele amava o Senhor. Os apóstolos haviam se dispersado, mas José e Nicodemos foram buscar o corpo do Senhor. Levaram cem libras de especiarias e prepararam o Seu corpo para o sepultamento, conforme o costume judaico.
Como eles amavam o Senhor.
Creio que, no final, o que deveria ser manifesto é isto: devemos amar o Senhor. Essa poderia ser a melhor coisa dita de vocês e de mim. E devemos ser discípulos do Senhor Jesus.
Essa é a história de Nicodemos.
Senhor, sabemos que nossa compreensão não é grande. Mas recebemos, por meio desta palavra, alguma impressão de como essa questão do novo nascimento é importante para Ti.
Senhor, pedimos apenas que abras nossos olhos para enxergarmos no Espírito.
Senhor, que vejamos a Tua avaliação sobre o homem; que vejamos o grande meio que providenciaste para o homem; que entremos; que creiamos; que nos apeguemos ao Senhor Jesus.
Ó Senhor, que sejamos, no final, aqueles que Te buscam; que sejamos aqueles que permanecem ao Teu lado; que tenhamos um testemunho de que somos Teus.
Que seja manifesto que somos aqueles que Te amam quando todos se dispersam, e que sejamos conhecidos por toda a eternidade simplesmente como discípulos do Senhor.
Torna isso realidade. Em nome de Jesus. Amém.