Quero apenas, para refrescar a memória de vocês que estiveram conosco na semana passada, ler alguns versículos de Salmos 91, depois ir ao Novo Testamento e, então, voltar ao Antigo.
Primeiro, em Salmos 91 — este maravilhoso salmo que trata inteiramente dessa questão da cobertura. Agora, não deixem que essas palavras tão conhecidas passem por vocês sem lhes tocar. Pensem nelas:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso permanecerá.
“Permanecer” — continuar, ficar, habitar — à sombra do Todo-Poderoso. O Todo-Poderoso Se colocará entre todas as forças hostis e aquele filho Seu.
Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza;
O meu Deus, em Quem confio.Pois Ele te livrará do laço do passarinheiro
E da peste mortífera.Ele te cobrirá com as Suas penas,
E debaixo das Suas asas encontrarás refúgio:
A Sua verdade é escudo e broquel.
Agora, vamos ao Novo Testamento, a João 15 — o capítulo quinze de João —, versículo 1.
Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o lavrador.
Todo ramo em Mim que não dá fruto, Ele o tira:
E todo ramo que dá fruto, Ele o limpa,
Para que dê mais fruto.Vós já estais limpos por causa da palavra que vos tenho falado.
Permanecei em Mim, e Eu em vós.Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira;
Assim também vós, se não permanecerdes em Mim.Eu sou a videira; vós sois os ramos:
Quem permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto:
Porque, separados de Mim, nada podeis fazer.Se alguém não permanecer em Mim, é lançado fora como um ramo e seca;
E os recolhem, lançam-nos no fogo, e são queimados.Se permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós,
Pedi o que quiserdes, e vos será feito.Nisto é glorificado Meu Pai: em que deis muito fruto;
E assim sereis Meus discípulos.Como o Pai Me amou, também Eu vos amei:
Permanecei no Meu amor.Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor;
Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor.Estas coisas vos tenho falado,
Para que a Minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
E agora, de volta ao Antigo Testamento — Salmos 118, o salmo favorito de Lutero. Aqui está outro salmo maravilhoso que trata inteiramente da cobertura. Quando vocês começam a enxergar essa questão da cobertura, parece que quase uma página sim, outra não, da Bíblia trata disso. Suponho que seja assim toda vez que Deus começa a lhes mostrar alguma coisa.
Este maravilhoso salmo começa com a misericórdia do Senhor, ou com o amor constante do Senhor. Se vocês têm a Revised Standard Version, ou a versão revisada inglesa ou americana, a expressão é “a bondade amorosa do Senhor”. Mas é essa maravilhosa palavra, misericórdia — essa palavra hebraica tão difícil de traduzir para o inglês.
Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom:
Porque a Sua misericórdia dura para sempre.Diga agora Israel
Que a Sua misericórdia dura para sempre.Diga agora a casa de Arão
Que a Sua misericórdia dura para sempre.Digam agora os que temem ao Senhor
Que a Sua misericórdia dura para sempre.
Observem essa declaração extraordinária:
Digam agora os que temem ao Senhor
Que a Sua misericórdia dura para sempre.
Muitos de nós não associaríamos o temor do Senhor à misericórdia do Senhor. Mas o texto diz:
Digam agora os que temem ao Senhor
Que a Sua misericórdia dura para sempre.
Em outras palavras, eles se tornaram tão sensíveis às coisas divinas que reconhecem a grandeza, a infinitude, da misericórdia do Senhor.
Na minha angústia, invoquei o Senhor:
O Senhor me respondeu e me pôs em lugar espaçoso.O Senhor está do meu lado; não temerei:
Que me poderá fazer o homem?O Senhor está do meu lado entre os que me ajudam:
Portanto, verei cumprido o meu desejo sobre os que me odeiam.Melhor é refugiar-se no Senhor
Do que confiar no homem.Melhor é refugiar-se no Senhor
Do que confiar em príncipes.
Todas as nações me cercaram:
Em nome do Senhor, eu as destruirei.Cercaram-me; sim, cercaram-me:
Em nome do Senhor, eu as destruirei.Cercaram-me como abelhas;
Apagaram-se como fogo de espinhos:
Em nome do Senhor, eu as destruirei.Tu me empurraste com força para que eu caísse:
Mas o Senhor me ajudou.O Senhor é a minha força e o meu cântico;
E Ele Se tornou a minha salvação.A voz de júbilo e de salvação está nas tendas dos justos:
A destra do Senhor faz proezas.
A destra do Senhor está exaltada:
A destra do Senhor faz proezas.Não morrerei, mas viverei
E declararei as obras do Senhor.
Agora vamos cantar outro hino.
Senhor, nós nos lançamos sobre Ti. Tu podes conceder poder, capacidade, simplicidade e clareza, para que, Senhor, essa questão comece a se abrir para nós por meio do ministério do Teu Espírito Santo.
Ó Senhor, nós Te agradecemos porque todos nós, pela fé, estamos agora permanecendo em nosso Senhor Jesus Cristo, escondendo-nos Nele e esperando que Tu venhas ao nosso encontro nesta noite, em Seu nome. Amém.
Bem, não vou retomar o estudo introdutório da semana passada sobre todo esse assunto da cobertura, porque quero tratar de uma questão que, no final, examinamos apenas brevemente na semana passada e que é o centro de tudo.
Vocês se lembram de que, na semana passada, destaquei que esse era um assunto de importância vital e necessário, negligenciado pela grande maioria dos cristãos. É justamente por ser negligenciado que há tantas baixas na obra de Deus — não apenas entre os novos convertidos, mas, sobretudo, entre aqueles que têm mais tempo no Senhor.
Que ninguém pense que está seguro nessa questão. Ninguém está seguro. Nem mesmo o apóstolo Paulo estava seguro. Ninguém está seguro, a menos que primeiro enxerguemos o perigo que nos cerca e sempre nos escondamos no Senhor Jesus Cristo, num ato de fé deliberado e definido, dia após dia.
Sempre que sentirmos uma ameaça do inimigo, ou de circunstâncias ou problemas nos quais percebemos, de alguma forma, a atuação do inimigo, deve haver um ato definido e deliberado de nos escondermos no Senhor Jesus Cristo.
Essa questão, portanto, é absolutamente vital para o andar do crente, para a obra do crente e para a batalha do crente.
Na semana passada, percorremos o Antigo Testamento — um número enorme de passagens das Escrituras. Sugiro aos que não estavam aqui que ouçam a gravação sobre esse assunto e vejam por si mesmos a vastidão de toda essa questão.
Não posso afirmar que tenha compreendido esse assunto. É um dos temas mais profundos e misteriosos de toda a Palavra de Deus, pela simples razão de que não diz respeito apenas ao pecado.
A cobertura não diz respeito apenas ao pecado, e quanto mais cedo percebermos isso, melhor. Ela remonta a antes de o pecado sequer ser encontrado — o querubim ungido que cobre, acima da glória de Deus. Agora, não me peçam para explicar isso; eu mesmo sou apenas um estudante dessa questão.
Tudo o que posso lhes dizer é isto: há nesse assunto uma infinitude que está além de nós. Portanto, penso que cabe a cada um de nós ser muito humilde diante dessa questão e reconhecer, juntos, que todos somos aprendizes.
Bem, então, o que significa cobertura? Ela se resume numa expressão do Novo Testamento usada mais de duzentas vezes: a pequena expressão “em Cristo”.
O filho de Deus, o crente, o pecador salvo pela graça de Deus, foi colocado, pelo poder soberano de Deus, em Seu Filho. Essa é a sua posição.
Se você é um filho de Deus, se é um crente, se nasceu do Espírito, se foi salvo por meio da obra do Senhor Jesus Cristo no Calvário, então, saiba disso ou não, a sua posição é em Cristo.
Você não é apenas um súdito de Cristo, não é apenas alguém relacionado a Cristo; a sua posição é em Cristo. É aí que você está aos olhos de Deus. Você está Nele.
Quem não está em Cristo não é filho de Deus. Não existe um cristão que não esteja em Cristo, pois isso é sinônimo. Ser cristão é estar em Cristo, e Cristo estar em você. São coisas equivalentes.
É impossível ser filho de Deus e não estar em Cristo. Por outro lado, digamos simplesmente isto: se você é filho de Deus, está Nele.
Não quero insistir demais nesse ponto, mas, se Deus pudesse fazer essa verdade raiar sobre vocês, todo esse assunto da cobertura começaria imediatamente a ficar claro.
Na semana passada, fizemos um percurso pelo Antigo Testamento, de Gênesis até Malaquias, e o resultado foi, tenho bastante certeza — espero —, que as pessoas ficaram um tanto perplexas, porque parecia haver uma riqueza extraordinária de material. Havia algo tremendo por trás daquilo.
Deus parecia estar quase — para dizer de maneira quase irreverente — batendo nessa tecla de novo, de novo e de novo. Em tudo o que Ele fazia, falava de cobertura, cobertura, cobertura.
Encontramos até os querubins com aqueles três pares de asas, dois dos quais usavam para cobrir o rosto e os pés, e apenas um para voar. É algo extremamente extraordinário.
Mas tudo começa a ficar claro quando vocês entendem que todo verdadeiro crente está em Cristo. Essa é a sua posição. Estar em Cristo é estar coberto.
Vocês entendem? Estar Nele é estar coberto. Você está coberto pelo que Ele é: Sua santidade, Sua pureza, Sua ausência de qualquer mácula, Sua justiça — tudo o que Ele é diante de Deus cobre você. Você está Nele.
Se você está Nele, não pode ser visto fora Dele. Tudo isso pode parecer um tanto estranho, mas, quando vocês começam a pensar nisso por algum tempo, a questão é esta: por que tantos cristãos têm a consciência marcada pelo mal? Por que tantos cristãos têm uma expressão abatida, de culpa? Por que tantos cristãos carregam continuamente esse corpo de morte, lamentando-se dele o tempo todo?
Porque não enxergaram que estão em Cristo.
Muitos cristãos, especialmente num grupo como este, dirão: “Ah, sim, claro, isso é coisa de jardim de infância”. Mas não entendem. Pensam que é coisa de jardim de infância, mas nunca enxergamos o que isso significa.
O que significa estar em Cristo? Significa que estamos em Sua santidade, cobertos por Ele. Quando Deus olha, vê Cristo. Quando o céu olha, vê Cristo. Estamos Nele. Estamos escondidos Nele. Estamos cobertos pelo que Ele é.
Agora, é claro, isso é o que significa ser justificado. É tão simples. É algo fundamental. Mas não pensem que algo fundamental deva ser deixado para trás. O alicerce governa cada parte do edifício e sustenta todo o seu peso.
Toda essa questão é tremenda.
De repente, começamos a encontrar todas essas figuras do Antigo Testamento, e todo esse simbolismo do Antigo Testamento começa a fazer sentido. Deixem-me apenas percorrer uma lista de coisas, sem uma ordem específica. Não consultei uma concordância, como talvez devesse ter feito, para extrair cada uma delas; vou apenas mencioná-las conforme me vieram à memória.
Todos esses tipos de figuras e símbolos do Antigo Testamento se resumem nessa questão de estar em Cristo, coberto Nele.
Ele é fortaleza, baluarte, torre forte. Ah, vocês não conseguem pensar em toda sorte de passagens das Escrituras que lhes vêm à mente?
Vocês se lembram de que, alguns meses atrás, mostramos alguns slides sobre Massada? Lembram-se? Em hebraico, metsudah significa fortaleza. Massada é apenas uma variação dessa palavra. Cristo é isso para o crente. Você pode entrar Nele, escondido Nele. Uma cidade inteira pode ficar escondida naquela grande rocha.
Ele é fortaleza. Ele é baluarte. Ele é torre forte.
O nome do Senhor é uma torre forte;
O justo corre para ela e está seguro.
Ele é refúgio. Ele é as asas sob as quais viemos habitar.
Sempre que vocês encontram asas, as Escrituras falam delas repetidas vezes no Antigo Testamento. Deuteronômio me vem à mente, onde se fala de asas várias vezes; muitos salmos falam de asas. Mas é sempre a mesma coisa: viemos habitar debaixo das Suas asas. Suas asas são como uma proteção que nos cobre.
Ele é escudo e broquel. Não sei se todos aqui entendem o que é um broquel. Eu mesmo não entendo muito bem, mas um escudo é um tipo de escudo, e um broquel é outro tipo de escudo. Portanto, na verdade, Ele é escudo e escudo.
Ele é a rocha em Quem me refugio. Ele é casa — a Sua casa.
Agora, isso é algo em que pensar. Ele é a casa de Deus na qual eu entro.
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
Que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
Para contemplar a beleza do Senhor
E meditar no Seu templo.
Quando você está em Cristo, descobre que Ele é a casa de Deus. A casa de Deus não é um edifício. A casa de Deus não é uma organização. A casa de Deus não é uma instituição. A casa de Deus é uma Pessoa. É Cristo.
Entramos Nele como o templo de Deus. O Senhor Jesus disse:
Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei.
Eles pensaram que Ele falava daquele grande edifício chamado templo, mas, na verdade, Ele falava de Seu corpo — de algo que passaria pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição e que, ao sair em ressurreição, seria a casa de Deus, o templo de Deus, para sempre.
Vocês que têm mais tempo no Senhor e conhecem a Bíblia, pensem nas muitas passagens das Escrituras sobre o santuário:
Quando entrei no santuário, então compreendi.
E:
O Teu caminho, ó Deus, está no santuário.
O santuário é Cristo. Nele você está escondido, coberto Nele.
Todas essas figuras do Antigo Testamento começam a ganhar significado. O tabernáculo — vocês se lembram do tabernáculo? Havia cortinas ao redor de tudo. Como eram as cortinas internas? Eram azuis, escarlates, púrpuras e brancas. Todas falavam de Cristo: de Sua obra redentora, de Sua natureza celestial, de Sua natureza real e de Sua justiça absoluta.
Mas, por cima, havia outra cobertura — peles de carneiro tingidas de vermelho, ou peles de cabra — e, sobre ela, outra cobertura de peles de texugo, ou de foca. Não temos muita certeza do que eram, mas havia cobertura sobre cobertura. Cada coisa fala de algum aspecto do Senhor Jesus Cristo.
O tabernáculo é o Senhor Jesus Cristo. Algumas pessoas dizem que o tabernáculo é a igreja. Isso não é inteiramente verdade. O tabernáculo fala do Senhor Jesus Cristo em todos os aspectos de Seu ser, Seu caráter, Sua natureza e Sua obra. Você e eu entramos no tabernáculo de Deus.
Poderíamos continuar e continuar. Pensem na palavra pavilhão. É uma palavra usada mais em referência a um palácio.
Ele me esconderá secretamente em Seu pavilhão.
Em outro lugar, diz:
Ele me esconderá em Seu pavilhão da contenda das línguas.
Como um rei que leva alguém para dentro do palácio e o esconde no lugar secreto de um palácio fortemente protegido e guardado, o Senhor Jesus Cristo é um pavilhão no qual você e eu podemos entrar, estar absolutamente seguros e banquetear-nos com o próprio Rei.
Depois, há o esconderijo. Muitas dessas palavras e expressões das Escrituras falam de um abrigo, de um lugar coberto, de algo secreto — o esconderijo do Altíssimo.
Todas essas passagens das Escrituras começam a ganhar significado quando vocês entendem que são todas simbólicas, todas apresentadas em forma de figuras, expondo o fato de que o crente, o filho de Deus, foi colocado, pelo poder soberano de Deus, em Seu Filho.
Seja qual for a maneira pela qual queiramos enxergar isso, há diferentes aspectos dessa obra, mas, no final, tudo se resume à mesma coisa.
Mas há algo muito maior. Ah, como eu gostaria que alguns dos mais velhos — e vocês, mais jovens, também — pudessem se apropriar disso, para que, quando os mais velhos forem para a glória, se o Senhor tardar, vocês possam ocupar o lugar deles.
Aqui está outro aspecto dessa questão de estar coberto, e nós o encontramos em Levítico, nos primeiros sete capítulos de Levítico.
Bem, sei exatamente o que alguns novos convertidos podem sentir, porque me lembro de quando eu mesmo, como novo convertido, comecei a ler Levítico e morri um milhão de vezes. Não conseguia imaginar o que toda aquela história dessa oferta e da lei dessa oferta, daquela oferta e da lei daquela oferta, e da outra oferta e da lei dela, tinha a ver conosco no século vinte.
Página após página, capítulo após capítulo, detalhes sobre cada uma dessas ofertas. O que era tudo aquilo? Evidentemente, era muito, muito importante.
Foi anos depois que comecei a entender como toda essa questão das ofertas era prática. Há cinco ofertas nesses capítulos: o holocausto, a oferta de manjares, a oferta pacífica, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.
Cristo é cada uma delas. Ele é a oferta em seus cinco aspectos por nós. Ele é o sacrifício em seus cinco aspectos por nós, e isso cobre cada aspecto do nosso relacionamento com Deus e com o homem.
Em outras palavras, somos cobertos pelo sacrifício do Senhor Jesus Cristo. Somos cobertos pela obra consumada do Senhor Jesus, pela oferta de Si mesmo uma vez por todas.
Por exemplo, o que é o holocausto? Ele não tem tanto a ver com o pecado. O holocausto tem tudo a ver com o serviço, com a adoração.
Algumas pessoas pensam que tudo o que precisam fazer é se consagrar a Deus e se lançar na obra de Deus. Esse é o caminho mais certo para ficar descoberto.
Como Deus recebe alguma coisa? Ele a queima. Ele toma o todo e o consome. Há alguém pronto para isso?
Mas nosso Senhor Jesus Cristo foi oferecido como holocausto. Ouçam-No:
Eis que venho para fazer a Tua vontade.
Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Meu Deus.
Tu abriste os Meus ouvidos.
Serviço — o holocausto. Mas vocês sabem, o meu serviço sempre será falho. Ora, mesmo que eu tivesse o zelo do apóstolo Paulo, ou trabalhasse como ele trabalhou, ou tivesse a revelação, o entendimento e a paixão do apóstolo João, ainda assim precisaria do Senhor Jesus Cristo como meu holocausto.
Eu não poderia apresentar nada de mim mesmo como fundamento do meu apelo. Não poderia dizer: “Ó Deus, olha para mim. Vê o que ofereci a Ti. Vê como sou dedicado”.
Quanto mais avanço, quanto mais fundo vou com Deus, mais preciso apelar para a cobertura do Senhor Jesus Cristo. Ele é o meu holocausto. Nenhum serviço meu é aceitável à parte do Senhor Jesus Cristo.
A oferta de manjares — o que é esse manjar? É farinha. Ele fala da humanidade. Deus sempre o associa às outras ofertas, porque se trata de farinha, não de carne — farinha. Ele fala da humanidade perfeita do Senhor Jesus Cristo.
Alguém possui humanidade perfeita? Não.
Esse tipo de serviço que encontramos tão frequentemente nos círculos cristãos — mecânico, frio, duro, legalista, conforme o regulamento — não é humano.
Mas a coisa que vemos no Senhor Jesus Cristo é a humanidade. O que transparece Nele, quando Deus é mais plenamente revelado Nele como Deus, é Sua humanidade.
Como posso conhecer isso? O Senhor Jesus foi oferecido como essa oferta por mim. Ele é o único que pode produzir em mim esse tipo de humanidade como o novo homem.
Se eu tentar trazer a minha velha natureza e dar um polimento nela, meio que reformulá-la, e de alguma forma apresentá-la a Deus como um novo tipo de humanidade, o resultado é uma confusão terrível — uma confusão terrível.
Mas Deus pode produzir algo em mim à medida que me aproprio da cobertura do Senhor Jesus Cristo como o novo homem.
Mas a oferta pacífica — o que era a oferta pacífica? A oferta pacífica era a única oferta da qual todos participávamos. Se você levasse essa oferta ao templo nos tempos antigos, entrava, sentava-se e a comia.
Primeiro, os sacerdotes recebiam sua porção; depois, os levitas recebiam sua porção; então, ela era devolvida a você, e você se sentava nos pátios do templo e desfrutava de um belo banquete — você e sua família. Era chamada de oferta pacífica.
Vocês sabem por que era chamada de oferta pacífica? Não apenas porque falava de paz entre você e Deus, mas de paz entre você e seu irmão e sua irmã. Vocês podiam ter comunhão. Podiam participar juntos. Compartilhavam juntos.
Ah, vocês conhecem Cristo cobrindo vocês como a oferta pacífica?
Nossos relacionamentos estão continuamente sujeitos à pressão. Temos um inimigo. O tempo todo, ele sussurra em nossos ouvidos insinuações sobre os outros. O tempo todo, tenta pressionar os relacionamentos até o ponto de ruptura.
Ai de quem se apoia numa ideia como esta: “Bem, eu gosto de fulano. Ele e eu nunca nos separaremos. Ela e eu nunca nos separaremos, porque somos amigos; temos um compromisso”.
Vocês descobrirão que, quando o diabo começa a agir, o relacionamento natural mais querido chega ao ponto de ruptura. Há apenas uma maneira de atravessar isso: cobertura.
O Senhor Jesus Cristo nos cobre porque foi oferecido como nossa oferta pacífica, e é Ele que compartilhamos. É Ele mesmo essa oferta que é oferecida e nos é devolvida para comermos. É Cristo.
Assim, quando ofereço Cristo, quando recebo de volta em minhas mãos aquilo que Deus ofereceu por mim, compartilho Dele com você, e você compartilha Dele comigo. Nosso relacionamento é Cristo. Nossa unidade é Cristo.
Não fazemos um acordo para concordar. Não tentamos apenas tornar iguais as nossas opiniões. Nós nos apegamos à unidade do Senhor Jesus Cristo. Ele é cobertura.
Depois, há a oferta pelo pecado. Se alguém cometeu pecado, é claro que todos entendemos que o Senhor Jesus Cristo é a oferta pelo pecado.
Mas e a oferta pela culpa? Nestes tempos democráticos, quando há ideias tão disparatadas por toda parte, vocês encontram muitos cristãos que adotam esta ideia: “Deus não me responsabilizará por fazer algo que eu nem sequer sabia que era pecado”.
Mas é justamente aí que você está errado.
Você está sendo apenas subjetivo, como se pecado fosse somente aquilo que você sabe que é pecado. Que Deus o ajude. Se você soubesse o que o pecado realmente é, provavelmente acabaria numa instituição psiquiátrica.
É pela misericórdia de Deus que não compreendemos toda a extensão do pecado, que não compreendemos do que somos capazes como seres humanos. Nem sequer compreendemos o que há dentro de nós.
A oferta pela culpa era isto: quando uma pessoa pecava sem saber, ainda assim era culpada. Quando uma pessoa peca, ela peca. As Escrituras falam de Deus ter deixado passar pecados porque as pessoas não sabiam; mas continuavam sendo pecados, mesmo que elas não soubessem.
Vocês entendem?
Às vezes, chegamos a uma reunião, e tudo está tão pesado e tão escuro — esse pecado cometido sem saber —, e não há uma única pessoa no grupo que possa apresentar o Senhor Jesus como oferta pela culpa.
Temos constatado repetidas vezes que, no tempo dos irmãos, no domingo de manhã, às vezes, quando havia uma sensação de peso, ao apelarmos para o Senhor Jesus Cristo como oferta pela culpa e oferta pacífica, imediatamente aquela atmosfera se dissipava.
Como vocês explicam isso? É psicológico? Como explicar, se não for uma questão de cobertura?
Pecado foi cometido. Pessoas falaram sem sabedoria. Pessoas oraram sem sabedoria. Alguém fez algo sem sabedoria. Porque estamos todos ligados uns aos outros, contaminamos uns aos outros. As forças invisíveis ao nosso redor sabem de tudo isso. “Ah!”, dizem elas. “Nós os pegamos”, e entram como uma inundação.
O que as pessoas fazem? Assim que surge um peso, dizem: “Ah, é fulano”. Tudo o que fazemos é culpar carne e sangue. Nós realmente culpamos carne e sangue. Sei que sou tão culpado quanto os outros, provavelmente até mais.
Ah, como culpamos carne e sangue. Pegamos no pé das pessoas. Dizemos: “Bem, se fulano tomasse jeito, tudo seria tão diferente”.
“Se não tivéssemos cantado aquele hino no começo — aquele hino terrível no começo —, tudo teria sido diferente.” Então culpamos fulano porque foi fulano quem escolheu aquele hino.
Isso não tem nada a ver com carne e sangue, e assim começam a surgir raízes de amargura. Não tem nada a ver com isso. Talvez tenha a ver com algo que ninguém conhece na vida de uma pessoa, e que a própria pessoa nem sabe. Ela nem sequer entende que está cometendo pecado sem saber.
Cobertura em cinco aspectos. Agora, isso não é extraordinário? Ela cobre algo que não tem nada a ver com o pecado — serviço, adoração, a apresentação dos nossos corpos como sacrifício vivo, inteiramente aceitável a Deus, que é o nosso culto ou serviço espiritualmente consciente — e vai até o pecado cometido sem saber.
É isso que significa estar em Cristo.
Significa que Deus nos deu uma salvação tão grande, tão tremenda, tão infinita, que nenhuma eventualidade, nenhuma emergência, nenhum caminho de acesso de Satanás precisa permanecer aberto. Nenhuma coisa sequer, porque Ele nos deu um sacrifício assim, uma cobertura assim. Estamos cobertos.
Ah, como eu gostaria que houvesse entre nós pessoas que pudessem orar dessa maneira, que, pelo Espírito de Deus, soubessem quando tomar o Senhor Jesus como holocausto, quando tomar o Senhor Jesus como oferta pacífica, quando tomá-Lo como oferta pela culpa ou oferta pelo pecado. Vocês só podem saber isso pela unção. Mas isso é oração.
Algumas pessoas são tão insensíveis e tão obtusas que a única maneira de saberem que o diabo estava entre nós seria se ele aparecesse fisicamente diante dos seus próprios olhos e ficasse olhando para elas. Então diriam: “Ah, precisamos nos apropriar da cobertura”.
Como isso seria trágico. Se estivéssemos vivos para Deus, se estivéssemos vivos para o Espírito de Deus, haveria momentos em que saberíamos que algo está acontecendo aqui, e que a única resposta é o Senhor Jesus.
É uma questão de estar coberto ou descoberto. Não sabemos o que está acontecendo.
Eu poderia manter vocês entretidos literalmente por uma hora ou mais com histórias desse tipo, da nossa trajetória. Em vários encontros, reuniões, relacionamentos e outras situações, vimos nuvens se formar, e a grande maioria deste grupo nem sequer soube como elas foram dissipadas, porque tudo foi feito nos bastidores.
E essa é a única maneira de fazê-lo: cobertura.
É claro que há talvez três temas que encontramos na Palavra de Deus e que, no Novo Testamento, resumem de muitas maneiras toda essa questão de estar em Cristo. O primeiro é o nome do Senhor.
Vejam estas passagens das Escrituras. Mencionamos isso na semana passada, mas quero lhes apresentar as passagens sobre esse assunto: o nome de Cristo.
Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu a farei.
— João 14:14
Agora, abram em Colossenses 3:17:
E tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus,
Dando por Ele graças a Deus Pai.
Essa é uma palavra muito interessante. Não se trata simplesmente de, quando você ora, acrescentar ao final da oração: “Em nome do Senhor Jesus Cristo”.
Sem dúvida, diga “Em nome do Senhor Jesus Cristo” quando souber o que isso significa, mas não é um amuleto. Não é um “abre-te, sésamo”.
O que significa? Como fazer todas as coisas em nome de Jesus Cristo — não apenas por palavra, mas por obra?
Quando você compartilha uma palavra, faz isso em nome do Senhor Jesus Cristo. Mas, quando tem uma conversa, também o faz em nome do Senhor Jesus. Vocês já pensaram nisso? Talvez isso fizesse alguns de nós ficar calados.
Em nome do Senhor Jesus Cristo quando falamos; agir em nome do Senhor Jesus Cristo; fazer suas compras em nome do Senhor Jesus Cristo. Não estou brincando. Lave a louça em nome do Senhor Jesus Cristo. Faça a limpeza, cuide da casa, faça seu trabalho no escritório ou na faculdade, seus estudos.
Tudo quanto fizerdes, fazei tudo em nome do Senhor.
O que isso significa? Significa que nos tornamos afetadamente piedosos e dizemos à pessoa de quem contratamos um serviço, ou seja lá o que for: “Estou comprando isto em nome do Senhor Jesus Cristo”? É claro que não. Vocês entendem isso tão bem quanto eu.
Mas o que significa? As Escrituras não são insensatas. Elas dizem:
Fazei tudo, seja por palavra ou por obra, em nome do Senhor Jesus.
Significa simplesmente isto: você está Nele. Faça tudo a partir de uma posição de cobertura.
Agora, pensem nisso. Façam tudo a partir de uma posição de cobertura. Nunca façam nem mesmo a tarefa mais inofensiva fora da cobertura, seja ela qual for.
Lembrem-se: há forças invisíveis de outro mundo, como ilustramos na semana passada, que atingiriam vocês e os derrubariam assim que estivessem descobertos.
Fazei tudo em nome do Senhor.
O que isso significa? Todos os membros do meu corpo são Lance Lambert; portanto, tudo o que fazem é em nome de Lance Lambert. Palavra ou ação é Lance Lambert. Quando falo, é Lance Lambert. Quando gesticulo, é Lance Lambert. Quando ando, é Lance Lambert.
Ron Roberts está sentado ali, em silêncio. Ele não sou eu; nesse sentido, não tem nada a ver com esta voz. Ele tem sua própria voz e sua própria comunhão, porque ali, em seu corpo, está a comunhão de Ron Roberts. Tudo o que faz ou diz é em nome de Ron Roberts.
Tudo o que faço ou digo é em nome de Lance Lambert. Façam tudo em nome do Senhor Jesus. Vocês estão Nele.
Você não pode dizer: “Bem, há um lado espiritual na minha vida e um lado secular. Há, é claro, o meu lado das reuniões, quando vou e naturalmente sou mais piedoso ali; depois, há o outro lado, quando chego em casa, calço os chinelos e fico à vontade”.
Esse seria o meu outro lado. Não existe isso. Ou você está em Cristo, ou está fora Dele.
Você não pode fazer nada fora Dele se Deus o colocou Nele. Deus diz: “Lembre-se disso. Faça tudo como alguém que está Nele”.
Agora, deixem-me recordar o Antigo Testamento. Provérbios 18:10, um provérbio tão conhecido — já o citamos:
O nome do Senhor é uma torre forte;
O justo corre para ela e está seguro.
Bem, é aí que devemos estar — na torre forte, que é o Senhor Jesus Cristo.
Agora, considerem outro tema, ou expressão, que encontramos repetidas vezes no Novo Testamento e que resume toda essa questão: o sangue de Cristo.
Se andarmos na luz, como Ele está na luz,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
— 1 João 1:7
O sangue de Cristo fala de paz. Fala de sermos aproximados de Deus. Fala de acesso — acesso imediato, instantâneo a Deus. Fala de vitória.
Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro.
Fala de vida. Ah, conhecer a vida! A vida está no sangue. Conhecemos continuamente a vida eterna à medida que conhecemos o que é estar sob a cobertura do sangue.
Mas algumas pessoas pensam que basta usar a expressão “o sangue do Cordeiro”, e isso é suficiente — opera um milagre. Não é assim.
As Escrituras têm um “se”:
Se andarmos na luz, como Deus está na luz,
Temos comunhão uns com os outros,
E o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Não conforme enxergamos a luz, mas se andarmos na luz como Deus está na luz. Isso é objetivo.
Agora, voltem novamente ao Antigo Testamento, Êxodo 12:13:
E o sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes:
E, quando Eu vir o sangue, passarei por cima de vós,
E não haverá entre vós praga para vos destruir,
Quando Eu ferir a terra do Egito.
Vocês sabem que Deus vê sangue sobre todo aquele que é salvo por Sua graça? Ele vê o sangue de Seu Filho. Você não o vê; Deus o vê. Você não o vê; Deus o vê.
Quando Deus o vê, passa por cima. Você está coberto.
É possível sair de debaixo dessa cobertura por não andar na luz, mas isso é outra questão. Quando andamos na luz, permanecemos sob a cobertura. Ela continua cobrindo. Ele continua nos purificando — o sangue.
Que vitória foi aquela. Quando os primogênitos do Egito foram feridos naquela noite e morreram, isso significou o fim do poder egípcio. O poder de Faraó e o poder do Egito foram quebrados naquela noite pelo sangue do Cordeiro.
Qualquer hebreu que não tivesse o sangue em sua casa era visitado pelo anjo da morte. Qualquer egípcio que tivesse o sangue em sua casa era poupado. Pensem nisso.
Há, então, uma terceira coisa sobre esse estar em Cristo. Não apenas estamos no nome do Senhor e podemos usar o nome do Senhor; não apenas o sangue de Cristo nos cobre e nos purifica; mas há também a justiça de Cristo.
2 Coríntios 5:21, tão conhecido de todos vocês:
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós;
Para que Nele nos tornássemos a justiça de Deus.
“Nele.” Muitas vezes deixamos isso passar:
Para que Nele nos tornássemos a justiça de Deus.
Isto é, Deus removeu meu pecado pelo sangue do Cordeiro e pela obra do Cordeiro, mas Ele me colocou Nele, onde sou justo — tornado justo, declarado justo, justificado, absolvido, coberto.
Agora, é claro, voltem novamente ao Antigo Testamento, Isaías 61:10:
Regozijar-me-ei muito no Senhor,
A minha alma se alegrará no meu Deus;
Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
Ele me cobriu com o manto da justiça.
Você está Nele — em Cristo, Nele, em Sua justiça. Essa é a veste da salvação.
Vocês sabem alguma coisa sobre a veste da salvação? Sabem como usar a veste da salvação? Algumas pessoas chegam num domingo de manhã, e fica bastante claro que estão usando a veste manchada das suas próprias ações. Quase se pode vê-la através dos seus olhos.
“Ah”, pensam elas, “não adianta eu louvar ao Senhor”. E o diabo diz: “Exatamente. Você não tem jeito. Olhe para isso. Olhe para isso. Olhe para isso”.
“Ó Deus, aqui estou à Tua mesa. Perdoa-me, por favor. Mal consigo levantar os olhos.”
Mas, se você não está vivendo em pecado, se não está vivendo em pecado habitual, há uma veste da salvação.
“O que você está fazendo, entrando na festa de casamento sem a sua veste?” O Senhor poderia Se irar e dizer: “Ponham essa pessoa para fora. Como ousa entrar na Minha presença e pensar que alguma coisa feita por ela mesma vai Me satisfazer?”
“Não providenciei Eu a veste da salvação? Ela poderia ter entrado com a veste da salvação, e Eu teria dito:
Tu és toda formosa, Meu amor;
Não há mancha em ti.”
Algumas pessoas levam um choque terrível quando o Senhor lhes diz: “Não encontro nada em você”.
Vocês se lembram de quando Balaão teve de profetizar sobre os filhos de Israel — o grupo mais rebelde e, em certo sentido, mais ímpio que vocês já viram? Ali estavam eles, murmurando, reclamando, conversando uns com os outros sobre como gostariam de voltar ao Egito e sobre todos os motivos pelos quais Deus os havia levado ao deserto.
E Balaão disse: “O Senhor diz:
Não vejo iniquidade em Jacó.”
Vocês já ouviram uma coisa dessas?
Por que Deus não via iniquidade em Jacó? Por causa da Páscoa — o pecado deles estava coberto, coberto pela justiça.
Vocês sabem como usar a veste da salvação? Muitos cristãos sofrem de depressão e, por fim, de opressão por parte do inimigo porque não sabem como usar o manto da justiça, a veste da salvação.
Depois de terem sido salvos pela graça de Deus, tiram a veste da salvação e começam a andar diante de Deus como se fossem alguma coisa. Mas é a veste da salvação que cobre.
Bem, precisamos prosseguir. O que tudo isso significa? Significa simplesmente isto: estamos escondidos com Cristo em Deus.
Agora, deixem essas palavras penetrar. Estamos tão acostumados com as Escrituras que elas escorrem sobre nós como água sobre as penas de um pato.
Em Colossenses 3:3:
Porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Agora, quando algo está escondido, você não consegue encontrá-lo. Não é assim? Quando algo está realmente escondido dessa maneira, é como se estivesse perdido para você. Você não consegue encontrá-lo.
Onde está a sua vida? Sua vida está perdida em Deus — escondida com Cristo em Deus. Pensem nisso: a infinitude do que Deus é. Deus escondeu a sua vida com Cristo em Si mesmo.
Assim, quando o diabo vem e diz: “Onde está Lance Lambert? Vou pegá-lo”, Deus diz: “Sinto muito. Você não pode encontrá-lo. Ele está escondido com Cristo em Mim”.
Agora, foi exatamente aí que Pedro falhou. Pedro saiu da cobertura e disse ao Senhor: “Morrer? Tu, morrer? Nunca”.
Ao dizer isso, ele contradisse a vontade de Deus. É claro que era a coisa natural a fazer. Vocês não teriam feito o mesmo? Se o Senhor Jesus me dissesse: “Vou morrer esta noite”, vocês não teriam dito: “Nunca! Nunca! Só por cima do meu cadáver”?
Como ele saiu da cobertura? A maioria das pessoas pensa: “Ah, bem, foi presunção”. Não, ele não foi presunçoso. Foi bastante espontâneo. Não foi presunção.
Então, o que foi? Ele contradisse a vontade de Deus.
Algumas pessoas dizem que a ignorância é uma bênção, mas outras dizem que a ignorância é perigosa. Ele não sabia o que estava fazendo e, por isso, falou sem prudência. Satanás ouviu e foi diante de Deus, dizendo: “Pedro, Pedro, deixa-me ficar com ele”.
Deus não pôde dizer: “Ele está escondido com Meu Filho em Mim”. Ele disse: “Está bem. Ele saiu de debaixo da cobertura. Pode ficar com ele”.
O Senhor Jesus disse em Lucas 22:31-32:
Simão, Simão, Satanás te obteve por pedido,
Mas Eu orei por ti.
Isso nos ensina uma das maiores lições: como podemos ficar descobertos.
Escondidos com Cristo em Deus. Quando algo está escondido, não pode ser encontrado senão Nele. Se quero encontrar você, e você está em Cristo, preciso encontrar Cristo. Vocês entendem? Encontro você em Cristo.
Não é maravilhoso quando o inimigo está atrás de você? Ele se depara com Cristo. A coluna de nuvem e a coluna de fogo se colocam entre o inimigo e o povo de Deus e confundem o inimigo, de modo que ele não consegue enxergar.
Isso é cobertura.
Talvez vocês comecem a entender por que essa questão é tão vital. Não percebem todo o sentido de ficar onde Deus os colocou?
Isso me leva, de fato, ao ponto final desta noite: devemos permanecer em Cristo. João 15:4:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
O que significa? Significa que, de alguma forma, preciso lutar para conseguir entrar em Cristo? Não. Você permanece Nele.
O que significa permanecer Nele? A palavra é continuar, ou ficar, ou permanecer, ou habitar. É continuar onde Deus colocou você. Fique onde Deus colocou você.
Onde Deus coloca você? Ele coloca você em Cristo. Bem, não saia. Fique ali. Se saiu, volte. Volte imediatamente, custe o que custar. Volte.
Enquanto você está descoberto, corre um terrível perigo espiritual. Qualquer coisa pode atingi-lo.
É por isso que o Senhor Jesus intercede. Muitas pessoas me perguntaram em diferentes ocasiões: “Por que o Senhor Jesus intercede — vive sempre para interceder — à direita de Deus? Certamente Deus já sabe o que vai fazer”.
É claro que Deus já sabe o que vai fazer. “Bem, certamente Deus pode fazer o que vai fazer de qualquer maneira.” É claro que Deus pode fazer o que vai fazer de qualquer maneira. Essa não é a questão.
O Senhor Jesus intercede por aqueles que saem de debaixo da cobertura.
Eu orei por ti, Simão.
Nessa única declaração, temos a antecipação da intercessão do Senhor Jesus à direita de Deus. Ah, agradeço a Deus pelas orações do Senhor Jesus por mim.
Não é de admirar que os antigos puritanos escrevessem livros inteiros sobre a intercessão. Hoje em dia, quase nunca se ouve falar dessas coisas. Se aparece algum livro, é sobre a nossa intercessão. Mas os antigos puritanos escreviam livros sobre o ministério de intercessão do Senhor Jesus Cristo à direita de Deus.
Eles sabiam, por enxergarem algo da soberania de Deus, que a única coisa que finalmente os levaria à Sua presença era a intercessão do Senhor Jesus Cristo.
Entregues a nós mesmos, somos tão tolos, tão obtusos e tão insensíveis que imediatamente saímos da cobertura.
Permaneçam em Cristo. Permanecer em Cristo é permanecer coberto.
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Somos cobertos por isso.
É isso que significa revestir-se de toda a armadura de Deus. Vocês conhecem tão bem essas palavras de Efésios 6:10-18. Mas já observaram o pequeno comentário, em certo sentido, sobre isso em Romanos 13:12-14?
A noite vai adiantada, e o dia está próximo:
Deixemos, pois, as obras das trevas,
E revistamo-nos da armadura da luz.Andemos dignamente, como de dia;
Não em orgias e bebedeiras,
Não em imoralidade e dissolução,
Não em contendas e ciúmes.Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo,
E não façais provisão para a carne,
Para satisfazer as suas concupiscências.
Vocês conseguem perceber imediatamente esse pequeno ponto? Afinal, são as concupiscências da nossa carne — ou, para dizer de uma maneira talvez mais fácil de entender, os desejos, os desejos naturais da carne, às vezes legítimos, às vezes ilegítimos. São essas coisas que tão frequentemente nos seduzem e nos fazem sair.
Revistam-se da armadura da luz. Revistam-se do Senhor Jesus Cristo e não façam provisão para a carne, de modo que ela não tenha oportunidade.
Não é apenas o inimigo de fora; é também o inimigo de dentro.
Observem também que, em Efésios 6:11, o texto diz:
Revesti-vos de toda a armadura de Deus.
Não diz: “Revesti-vos da armadura de Deus”. Diz:
Revesti-vos de toda a armadura de Deus.
É um fato sério: você pode vestir noventa por cento da armadura e deixar de fora justamente a parte pela qual o inimigo vai atingi-lo.
Não adianta eu me vestir como um tanque humano e deixar o capacete de fora. Sou um alvo certo para o inimigo me arrancar a cabeça com um tiro.
Não adianta pegar um escudo e não ter a couraça da justiça, porque, enquanto estou aparando algo ali, alguma coisa me atinge aqui, e caio.
De que adianta estar inteiramente revestido de armadura e não ter os calçados? Não sei se a maioria de vocês percebe como os pés são vulneráveis. Se vocês estivessem num exército com todas aquelas pessoas revestidas de armadura, bastaria uma delas pisar no seu dedo do pé, e pronto. Nem precisaria do inimigo.
Seus pés são vulneráveis, a menos que estejam calçados.
É tão interessante que as Escrituras falem em vestir toda a armadura, e é aqui que todos falhamos. Alguns de nós têm o capacete, mas não têm o escudo da fé. Alguns têm o escudo da fé, mas não têm a couraça, ou não têm os lombos firmemente cingidos com a verdade — a realidade.
Poderíamos continuar e continuar. Revistam-se de toda a armadura de Deus. Por quê?
Ouçam. O texto diz que, assim cobertos, podemos ser capacitados a ficar firmes, a resistir e, depois de termos feito tudo, a permanecer firmes.
Agora, isso não é apenas outra maneira de dizer “permanecer”? Ficar firmes, depois de fazer tudo para permanecer firmes.
Não é interessante? O texto diz: “Depois de terdes feito tudo”. Não é que, depois de fazer tudo, vocês avançaram mil milhas; mas, depois de fazer tudo, permaneceram firmes, cobertos.
Essa batalha não é uma questão de avançar. Essa batalha é vencida pela permanência. É uma vitória já conquistada que precisa ser ratificada.
Quando enxergamos isso, há uma grande mudança. Não é um tipo de vitória em que precisamos avançar. É uma vitória em que permanecemos firmes Nele. Permanecemos Nele. Estamos cobertos e, à medida que permanecemos cobertos, a vitória está conquistada. É ratificada. É expressa. É manifestada. É registrada.
Bem, então, o que podemos dizer sobre tudo isso? Vemos que há em Cristo segurança absoluta, amparo absoluto, proteção absoluta. O mais novo filho de Deus não precisa temer.
Cantamos um hino que, suponho, muitos não entenderam realmente; ou, se entenderam, deveria ter lhes causado certa dificuldade. O que significava aquele verso do hino “E pode ser”, quando dizia isto na última estrofe?
Sim, até o fim perseverarei,
Tão certo quanto o penhor foi dado;
Mais felizes, mas não mais seguros,
São os espíritos glorificados no céu.
Vejo que, em alguns dos nossos hinários, mudaram esse último verso porque tão poucas pessoas entendiam o que significava.
O que significava era isto: todas aquelas pessoas na glória não estão mais seguras do que você e eu aqui embaixo. Se vocês deixarem isso penetrar, mudará toda a sua atitude em relação a Satanás, ao inimigo e às trevas.
Vocês pensam que elas devem estar mais seguras. Não. É claro que estão fora do alcance do inimigo, mas não estão mais seguras. Você está fora do alcance do inimigo se a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Se pudesse enxergar isso, se pudesse permanecer sob a cobertura, estaria tão seguro quanto elas.
Pensem nisso. Como o inimigo pode se apoderar de você se você está em Cristo? Ele precisa lidar com Cristo.
Portanto, se Deus diz: “Sim, você pode passar por Cristo”, isso produzirá em você algo absolutamente maravilhoso. Será algo celestial, e produzirá alguma coisa que não pertence de modo algum à mesma categoria de destruição, desintegração e deterioração.
Mais felizes? Ah, sim, penso que são mais felizes — pelo menos alguns que conhecemos lá em cima. Digo “lá em cima”; provavelmente estão todos ao nosso redor, porque o céu é apenas outra dimensão.
Acho que minha tia está mais feliz, mas não está mais segura; e imagino que, se puder me ouvir, está dizendo: “Amém”.
Pensem nisso. São mais felizes, mas não mais seguros. Pois onde estão, afinal? Estão em Cristo. E onde você está? Em Cristo.
Eles estão mais em Cristo do que você? Não. Então, qual é a diferença? Eles são os que dormem — os mortos em Cristo —, e nós somos, como diz o antigo Livro de Oração, os vivos em Cristo. Não há diferença.
Deixem isso penetrar. É por isso que o diabo cegará vocês para essa verdade e tentará fazê-los pensar que são cidadãos de segunda classe Nele, mas que, de alguma maneira, os que estão lá em cima são de primeira classe, e vocês, de segunda. Não é assim.
No credo, que espero que um dia tenhamos e possamos recitar juntos de vez em quando, dizemos: “Creio na comunhão dos santos”.
O que queremos dizer? Não queremos dizer a comunhão dos santos vivos na terra. Queremos dizer: “Creio na participação plena de todos — uma só igreja, parte na presença do Senhor, o restante na terra. Creio na comunhão dos santos, na única igreja santa”.
Há algo muito maravilhoso em tudo isso. Vocês não são mais felizes do que eles; eu não sou. Isso ainda está por vir. Mas vocês não estão menos seguros.
Você só está menos seguro na medida em que sai de debaixo da cobertura. Deixe o inimigo tirá-lo de lá. Deixe-o seduzi-lo para fora. Deixe-o levá-lo a dizer algo imprudente. Deixe-o levá-lo a fazer algo nas trevas. Deixe-o levá-lo a entrar em conflito com alguém e não acertar as coisas. Deixe-o levá-lo a contradizer a vontade de Deus. Ele conseguiu tirar você da cobertura.
Se você não souber como voltar imediatamente, terá problemas. Você e eu precisamos aprender a voltar.
Mas não apenas a voltar. Nós que temos responsabilidade na obra de Deus — e, no fim, isso será cada um de nós — precisamos aprender a tomar Cristo como nossa oferta em seus cinco aspectos e a interceder com base Nele por todos, por aqueles que não sabem o que estão fazendo.
Vocês se lembram — preciso terminar —, mas se lembram de que, quando os amigos de Jó fizeram algumas coisas muito tolas, disseram algumas coisas muito maravilhosas e provocaram a ira do Senhor porque ficaram descobertos, o Senhor disse a Jó: “Afaste-se, Jó. Vou eliminá-los”?
Então eles foram a Jó. O Senhor lhes disse: “Peçam a Jó que ore por vocês, e, se Jó orar por vocês, Eu ouvirei”.
Aí está o limite da democracia, nesse sentido. Eles tinham feito algo bastante errado. “Ah, Tu fizeste isso — é muito injusto.” Não, não é. Eles nunca deveriam ter falado daquela maneira.
Não tinham sofrido como Jó. Todas aquelas frases maravilhosas e pomposas que usaram sobre isto e aquilo — se vocês lerem, algumas das coisas que aqueles amigos disseram são realmente bastante maravilhosas. Mas teria sido muito melhor se tivessem ficado calados e escrito um livro só deles.
É claro que se chamaria o Livro de Bildade, e teríamos aqueles pensamentos maravilhosos de Bildade, sem nenhuma relação com Jó. Mas tentar aplicá-los à situação de Jó — dizer: “Jó, você é um pecador. Jó, você fez isso. Essa é a razão de tudo, Jó” — era outra coisa.
Foi Jó quem precisou orar: “Ó Deus, perdoa-os”. E Deus disse: “Eu os perdoarei”.
Os filhos de Israel murmuraram contra o Senhor, e o Senhor disse a Moisés: “Afaste-se. Destruirei todos eles e, além disso, farei de você uma nação maior e mais forte do que eles”.
Isso deveria ter provocado alguma reação em Moisés. Se ele ao menos pudesse ter sido seduzido, teria saído e dito: “Ah, isso é bom. Aguentei esse povo por quarenta anos. Acho que seria melhor se eles fossem como eu — com o meu tipo de natureza e caráter”.
Mas Moisés não quis sair de debaixo da cobertura. Disse: “Senhor, lembra-Te de Quem Tu és. Pensa no que as nações dirão quando souberem que Tu os tiraste do Egito”.
O Senhor sorriu e pensou: “Moisés é exatamente como Eu. Ele tem o mesmo tipo de natureza que Eu. É claro que não posso destruí-los. Muito bem, Moisés, ore por eles, e Eu os perdoarei”. E Moisés orou.
Ah, que haja um ministério assim, capaz de se apropriar de Cristo nos cinco aspectos da Sua oferta e interceder por todos.
Tenho visto crentes serem preservados na vida espiritual pela oração secreta de outras pessoas, quando deveriam ter sido abatidos. E falo sério. Essa é a questão da cobertura.
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Bem, não se esqueçam: na semana que vem, falaremos mais sobre esse assunto. Falaremos sobre como ficamos descobertos, porque essa é uma questão muito prática — como.
Depois, se tivermos tempo, começaremos a examinar algumas dessas extraordinárias ilustrações do Antigo Testamento, que são tantas que só poderemos selecionar algumas e deixar outras para vocês lerem por conta própria. Vamos ver se conseguimos compreender um pouco mais de todo esse assunto.
Mas deixem-me dizer isto. O Senhor Jesus nos ensinou uma oração-modelo, e nos ensinou a orar assim. Na semana passada, falei sobre:
Perdoa-nos as nossas ofensas,
Assim como perdoamos aos que nos ofendem.
Agora, vejam como ela continua:
Não nos conduzas à tentação,
Mas livra-nos do maligno.
A New English Bible traduz assim:
Não nos ponhas à prova,
Mas livra-nos do maligno.
Pouquíssimos cristãos pensam nessa oração que o Senhor nos dá como modelo. Toda vez que vocês orarem, digam: “Pai, não nos ponhas à prova, mas livra-nos do maligno”.
O que isso realmente significa é: “Não nos deixes ficar descobertos na provação, na tentação. Não nos deixes sair. Ó Pai, preserva-nos, Senhor, para que o inimigo não se apodere de nós por termos ficado descobertos”.
Vamos orar?
Pai, nós realmente oramos para que Tu, de alguma maneira real, escrevas esse tremendo assunto em nossos corações. Alguns de nós compreendem apenas um pouco dele; para outros, é inteiramente novo.
Não, não queremos que venha sobre nós o tipo errado de medo e de preocupação excessiva conosco mesmos, de modo que fiquemos espiritualmente inibidos. Mas, ó Senhor, precisamos saber o que é estar em Teu Filho na prática.
Conhecer a provisão que é nossa, a plenitude que é nossa, as bênçãos que são nossas — tudo o que é nosso Nele: proteção, amparo, segurança.
Pai, ouve-nos. Nós nos entregamos a Ti. Escreve esta lição de maneira indelével em nossos corações. Que ela seja para todos nós, Senhor, talvez o começo de uma compreensão dessa questão que nos seja de grande ajuda nos dias que virão.
Agora, vamos dizer juntos essa oração-modelo do Senhor Jesus:
Pai nosso, Que estás nos céus,
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
E perdoa-nos as nossas ofensas,
Assim como perdoamos aos que nos ofendem.E não nos conduzas à tentação,
Mas livra-nos do mal.Porque Teu é o reino,
O poder e a glória,
Para todo o sempre. Amém.