Agora, vamos abrir a Palavra de Deus? Vamos fazer um percurso um tanto amplo pelas Escrituras, começando em Gênesis 12.
Gênesis 12:7-8:
E apareceu o Senhor a Abrão e disse: À tua descendência darei esta terra;
e edificou ali um altar ao Senhor, Que lhe aparecera.
E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente:
e edificou ali um altar ao Senhor e invocou o nome do Senhor.
Agora, Gênesis 35:1-3:
Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali;
e faze ali um altar ao Deus Que te apareceu quando fugiste da face de Esaú, teu irmão.
Então disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes;
e levantemo-nos e subamos a Betel;
e ali farei um altar ao Deus Que me respondeu no dia da minha angústia e Que foi comigo no caminho por onde andei.
Agora voltem a Gênesis 28:11. Aqui se trata de Jacó:
E chegou a um certo lugar e passou ali a noite, porque já o sol era posto;
e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por cabeceira, e deitou-se naquele lugar para dormir.
E sonhou; e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus;
e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
E eis que o Senhor estava em cima dela e disse: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque:
esta terra em que estás deitado darei a ti e à tua descendência.
E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-te-ás ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul:
e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.
E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra;
porque não te deixarei até que haja cumprido o que te tenho falado.
Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
E temeu e disse: Quão terrível é este lugar!
Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Esse lugar, naturalmente, era Betel. Gênesis 28:19:
E chamou o nome daquele lugar Betel.
É isso que Betel significa: a casa de Deus.
Agora voltem novamente a Gênesis 22. Provavelmente vocês ainda não vão entender muito bem o que estamos fazendo, mas confio que entenderão depois.
Gênesis 22:1-2:
E aconteceu, depois destas coisas, que Deus provou a Abraão e lhe disse: Abraão!
E ele disse: Eis-me aqui.
E disse Ele: Toma agora o teu filho, o teu único filho, a quem amas, Isaque, e vai à terra de Moriá;
e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas que Eu te direi.
Agora, Gênesis 22:9-12:
E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera;
e edificou Abraão ali o altar, e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar, em cima da lenha.
E estendeu Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho.
Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus e disse: Abraão, Abraão!
E ele disse: Eis-me aqui.
Então disse Ele: Não estendas a tua mão sobre o moço e não lhe faças nada:
porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não Me negaste o teu filho, o teu único filho.
Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro atrás dele, preso pelos seus chifres num mato;
e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho.
E chamou Abraão o nome daquele lugar O Senhor Proverá;
donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.
Ora, esse era o monte Moriá. Abram em 1 Crônicas 21:15.
E Deus mandou um anjo a Jerusalém para a destruir;
e, ao destruí-la ele, o Senhor olhou e arrependeu-Se daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta; agora retira a tua mão.
E o anjo do Senhor estava junto à eira de Ornã, o jebuseu.
E levantou Davi os seus olhos e viu o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, com uma espada desembainhada na sua mão, estendida sobre Jerusalém.
Então Davi e os anciãos, cobertos de pano de saco, se prostraram sobre os seus rostos.
1 Crônicas 21:27:
E o Senhor deu ordem ao anjo, e ele tornou a sua espada à bainha.
Agora, 1 Crônicas 22:1:
Então disse Davi: Esta é a casa do Senhor Deus, e este é o altar do holocausto para Israel.
Era novamente o monte Moriá — exatamente o monte Moriá. Agora, 2 Crônicas 3:1:
E começou Salomão a edificar a casa do Senhor em Jerusalém, no monte Moriá, onde o Senhor aparecera a Davi, seu pai, no lugar que Davi preparara, na eira de Ornã, o jebuseu.
O monte Moriá. Agora voltem a Êxodo 40:6-7:
E porás o altar do holocausto diante da porta da tenda da congregação.
E porás a pia entre a tenda da congregação e o altar, e nela porás água.
Confio que vocês perceberão que tudo tem a ver com um altar e com a casa. Todas essas passagens que estamos examinando tratam disso.
Agora, Esdras 3:1-3:
Chegando, pois, o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas cidades, ajuntou-se o povo como um só homem em Jerusalém.
E levantou-se Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos, os sacerdotes, e Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos, e edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na lei de Moisés, o homem de Deus.
E firmaram o altar sobre as suas bases, porque o terror estava sobre eles por causa dos povos das terras;
e ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor, holocaustos pela manhã e à tarde.
Esdras 3:6:
Desde o primeiro dia do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao Senhor;
porém ainda não estavam postos os fundamentos do templo do Senhor.
Na verdade, deveríamos ler bastante mais, mas vamos ler a partir de Esdras 3:8:
E no segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês, começaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e os demais de seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do cativeiro a Jerusalém;
e constituíram os levitas, da idade de vinte anos para cima, para superintenderem a obra da casa do Senhor.
Então se levantaram Jesua, seus filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus filhos, os filhos de Judá, como um só homem, para superintenderem os que faziam a obra na casa de Deus;
os filhos de Henadade, seus filhos e seus irmãos, os levitas.
Quando, pois, os edificadores lançaram os fundamentos do templo do Senhor, apresentaram-se os sacerdotes, trajados e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao Senhor, conforme a ordem de Davi, rei de Israel.
E cantavam alternadamente, louvando e dando graças ao Senhor, dizendo: Porque Ele é bom; porque a Sua benignidade dura para sempre sobre Israel.
E todo o povo jubilou com grande júbilo ao louvar ao Senhor, porque os fundamentos da casa do Senhor eram lançados.
Porém muitos dos sacerdotes, e levitas, e chefes das casas paternas, os anciãos que tinham visto a primeira casa, choraram em alta voz quando os fundamentos desta casa foram lançados diante dos seus olhos;
e muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria;
de maneira que não discernia o povo as vozes de júbilo e alegria das vozes do choro do povo;
porque o povo jubilava com grande júbilo, e as vozes se ouviam de mui longe.
Agora, duas últimas referências. Ezequiel 40:47:
E mediu o átrio: cem côvados de comprimento e cem côvados de largura, em quadrado;
e o altar estava diante da casa.
Tudo isso trata novamente da casa de Deus e da cidade. Agora, Ezequiel 47:1:
Depois me fez voltar à entrada da casa;
e eis que saíam águas de debaixo do limiar da casa, para o oriente, porque a frente da casa dava para o oriente;
e as águas desciam de debaixo, do lado direito da casa, ao sul do altar.
Assim, esse grande rio de vida vinha de dentro da casa, do altar, e corria pela cidade até alcançar toda a terra, de modo que tudo era transformado por esse rio.
Pois bem, nesta noite chegamos à conclusão destes estudos sobre por que vocês estão em Alford House. Alguns anos atrás, quando consideramos esse assunto, também consideramos missões, sociedades missionárias, organização missionária e assim por diante. Mas, desta vez, decidimos não examinar isso. Talvez em outra ocasião, quando o Senhor nos conduzir, o façamos.
Bem, já dissemos muita coisa. Contudo, ao responder à pergunta que fizemos a nós mesmos — “Por que vocês estão em Alford House?” —, ainda não tocamos na verdadeira chave de tudo.
Dissemos que a condição de Cristo como Cabeça é vital. Dissemos que a igreja, Seu corpo, é algo celestial, algo que vem do céu, de uma ordem inteiramente diferente de qualquer coisa aqui embaixo. Dissemos que Sua igreja é um organismo, e não uma organização. Dissemos que a igreja é a comunhão de Cristo, e assim por diante.
Mas ainda não tocamos, de fato, na chave de toda a questão. Respondemos à pergunta, mas o ponto é: Como tudo isso se torna realidade?
Podemos frequentar cursos de teologia, institutos bíblicos, ou vir aqui, num nível mais modesto, e aprender algo sobre a igreja e sua natureza. Mas o fato permanece: no fim, a pergunta prática é como — não apenas por quê, mas como?
Talvez tenhamos dado uma boa explicação e uma boa resposta à nossa pergunta: “Por que estou em Alford House?” Talvez estejamos satisfeitos com tudo isso. Mas precisamos ter muito cuidado. Ao responder à nossa pergunta de maneira precisa, sólida e bíblica, ainda podemos estar vivendo uma ilusão.
O como, no fim, é a grande questão. Se quiserem, é a pergunta de um milhão de libras. Como podemos ver a igreja recuperada em sua expressão prática? Como podemos ver o testemunho de Jesus, que consideramos nas últimas semanas, recuperado e restaurado? Como podemos ver Deus realmente agindo de tal maneira que Se expresse nos termos que encontramos no Novo Testamento?
Qual é o segredo, a chave para a fonte da vida de Deus, na qual tudo está contido no céu?
Ora, a chave é dupla. É a Cruz e o Espírito.
Quando dizemos “a Cruz e o Espírito”, nessa única frase simples abrangemos todo o Novo Testamento. Na verdade, eu iria ainda mais longe e diria que abrangemos toda a Bíblia.
O como é respondido nessa única declaração simples: a Cruz e o Espírito. Não apenas a Cruz, nem apenas o Espírito, mas a Cruz e o Espírito.
A igreja, o corpo de Cristo, é um organismo espiritual. Ela pode ter uma enorme quantidade de organização, mas o que importa é a fonte original dessa organização. Ela é um organismo, e sua organização se desenvolve a partir da vida de Deus que está dentro dela.
Ela não pode ser montada pelo homem. Não pode ser estabelecida pelo homem. As pessoas falam de “minha igreja”, “meu povo”, “minha reunião”, “meu púlpito” e assim por diante. Os ministros costumam falar dessa maneira. Mas isso é completamente estranho ao Novo Testamento. O apóstolo Paulo, que talvez mais do que qualquer outro pudesse ter se sentido no direito de falar de “minhas igrejas”, nunca se refere a elas dessa maneira — de modo algum.
Lembro-me de um jovem que veio há algum tempo e nos perguntou como dirigíamos este lugar. Michael Fishbaine lhe perguntou o que ele fazia, e ele disse: “Ah, sou como vocês. Dirijo duas ou três igrejas”. Nessa simples declaração, ele revelou tudo. Não era preciso dizer mais nada.
A igreja não é apenas um organismo espiritual que não pode simplesmente ser montado ou estabelecido pelos homens. Há mais — e isto é tremendamente importante; que o Espírito Santo o revele ao nosso coração, e não apenas à nossa cabeça: o homem, tal como é, precisa ser inteiramente removido pela obra do Espírito Santo por meio da Cruz.
Ele precisa ser tratado por completo. Longe de colocar as pessoas em algum tipo de instituto bíblico simplesmente para aperfeiçoar o que há nelas naturalmente, a obra do Espírito Santo é destruir e desfazer o que há em nós naturalmente — remover inteiramente aquilo que somos.
Esse é o paradoxo: aquilo que somos precisa ser tratado para que aquilo que somos possa ser usado. O apóstolo Paulo foi quebrantado no deserto — completamente quebrantado. No entanto, no fim, o Espírito Santo usou sua mente de maneira sem paralelo.
A mente do velho Paulo não poderia ter sido usada com toda a sua perspicácia, inteligência e genialidade naturais. Mas, quando ela foi quebrantada, quando ele foi removido, quando foi inteiramente quebrantado, então o Espírito Santo pôde vir sobre ele e usá-lo.
Como isso é diferente de boa parte dos nossos métodos modernos de preparar uns aos outros para o serviço de Deus: “Você tem esta capacidade; você tem aquela habilidade. Então, vamos, consagre isso ao serviço de Deus. Dedique-o”. Essa é a ideia. E, naturalmente, os resultados são vistos na igreja, onde temos a obra do homem em vez da obra do Espírito.
Boa parte disso parece tanto ser obra de Deus, mas não é. É madeira, feno e palha — talvez revestidos de ouro — da nossa própria natureza, e não o ouro, a prata e as pedras preciosas da natureza e do caráter de Cristo.
Antes que a igreja possa ser expressa da maneira mais simples, o Espírito Santo precisa remover o homem — isto é, você e eu, inteiramente como somos. Ora, esse é o ponto central do problema. Não se enganem a respeito disso.
O ponto central do problema não é fazer com que as pessoas se interessem pelo assunto da igreja. Não é fazer com que as pessoas se reúnam, embora eu deva dizer que a carne acha isso cansativo depois de algum tempo. Depois de alguns anos, quando já nos acostumamos a tudo, a carne quer se afastar, sair disso ou encontrar algo novo e diferente.
Mas, acreditem em mim, não há problema em reunir as pessoas. O problema é fazer com que elas apresentem seu corpo como sacrifício vivo a Deus. Então a Cruz começa a nos quebrantar, e o Espírito Santo pode vir sobre nós e realmente nos usar.
Eu digo: uma vida assim vale por um milhão. Vocês podem ter conferência após conferência após conferência. Podem ter sociedade missionária após sociedade missionária. Podem ter todas as fileiras de obreiros cristãos bem preparados. Mas tenham um homem como o apóstolo Paulo — um homem numa comunidade, um homem de tal maneira dedicado a Deus que possa ser quebrantado e usado —, e ele vale por todos os demais juntos.
Nunca antes, na história da igreja, tivemos tanto dinheiro como temos agora, por mais estranho que pareça, apesar de todos os apelos que vemos por toda parte. Nunca tivemos tanto dinheiro acumulado nas mãos de cristãos como hoje. E nunca tivemos tantos conselhos, comissões e diretorias abarrotados de títulos e de pessoas ricas.
Nunca, em toda a história da igreja, tivemos tantos obreiros cristãos. Nunca tivemos os meios de comunicação que temos hoje: a página impressa, gravações, televisão, rádio; meios não apenas de comunicação, mas também de transporte, que reduzem o mundo inteiro a uma pequena área facilmente alcançável.
Nunca tivemos nada parecido antes e, no entanto, estamos perdendo a batalha. Abram qualquer revista missionária ou leiam qualquer pesquisa ou estatística, e todos lhes dirão que estamos perdendo a batalha. A explosão populacional — milhões!
Qual é a diferença entre nós e a igreja primitiva? Cento e vinte pessoas sem instrução, sem formação — nunca tinham ido à universidade; não tinham conselhos, comissões ou diretorias abarrotados de pessoas com títulos ou riquezas; não tinham institutos bíblicos, cursos de teologia nem qualquer outra coisa.
Aquelas cento e vinte pessoas nem sequer tinham a noção de um seminário teológico. E, no entanto, aquelas cento e vinte pessoas viraram Jerusalém de cabeça para baixo e, de fato, viraram o Império Romano de cabeça para baixo e, comparativamente falando, levaram o evangelho ao mundo inteiro.
Dentro de cem anos após a morte do Senhor Jesus Cristo, havia uma igreja na Índia, uma igreja na China e uma igreja nestas ilhas. É uma história incrível.
O segredo de tudo isso era que eles conheciam algo da Cruz e do Espírito.
A igreja, afinal, não conhece homens que não tenham sido crucificados. Não existe cristão não crucificado. Cada homem ou mulher que foi salvo e colocado em Cristo está crucificado. Isso é inerente à salvação.
Não se trata de tentar crucificar a si mesmo. Você e eu estamos crucificados, e isso é um fato. Não discutam com isso; é um fato. Talvez vocês não estejam vivendo essa experiência, mas é um fato.
Por quê? Por causa de Quem foi crucificado — não você. Jesus Cristo foi crucificado, e Deus colocou você em Jesus Cristo quando Ele foi crucificado, há dois mil anos. Portanto, não há uma única pessoa que esteja em Cristo, pela graça e pela predeterminação de Deus, que não esteja crucificada, quer tenha entrado nessa experiência ou não.
Esse fato é inerente à sua posição espiritual. Esse é o fato. A igreja não conhece coisa alguma como um cristão não crucificado. Assim, todos fomos crucificados com Cristo; e, graças a Deus, todos fomos sepultados com Ele; e, graças a Deus mais do que nunca, todos fomos vivificados juntamente com Ele.
Estamos nEle. Ele é o novo Homem, ressuscitado dentre os mortos, o Primogênito dentre os mortos, o Primogênito entre muitos irmãos. Esse é todo o significado da igreja.
Além disso, não estamos apenas vivos nEle; ouçam: somos membros vivos dEle. Somos a comunhão de Cristo — membros vivos, partes vivas dEle e uns dos outros. Toda a natureza disso é tão extraordinária.
Agora, naturalmente, entendo que esse é o fato. Entramos nessa experiência? Esse é o ponto. Só podemos entrar nela pela Cruz e pelo Espírito. A medida em que tomamos posse daquilo que é nosso em Cristo será a medida em que conhecemos essa experiência.
A medida em que estamos dispostos a permitir que a Cruz opere em nossa vida será a medida em que o Espírito Santo poderá nos introduzir nessa realidade. Portanto, meu querido amigo, preste muita atenção ao que temos a dizer nesta noite.
A igreja, a casa de Deus, tudo aquilo de que falamos aqui, está inerentemente contido na vida de ressurreição de Jesus Cristo. Está dentro dessa vida. Posso colocar assim? É a própria vida de Jesus Cristo.
Nascido em Nazaré, provado ao longo de trinta e três anos, ungido pelo Espírito Santo quando foi batizado no rio Jordão, tentado pelo diabo e, finalmente, seguindo até a Cruz, entrando no túmulo e saindo do outro lado — essa é a vida que está em você e em mim.
Não é diferente. Não é que tenhamos outro grau de vida, outra espécie de vida, outro tipo de vida, e que, quando o Senhor Jesus morreu, de repente outro tipo de vida passou a existir. De modo algum.
Vocês se lembram das palavras do Senhor Jesus, em Lucas 12:50?
E como Me angustio!
A vida estava nEle, mas Ele não podia concedê-la. Ali estavam todos eles: onze discípulos falhos, sujeitos ao fracasso. Ele queria dar a Si mesmo a eles. Queria entrar neles.
Ele podia ver que eles não conseguiriam fazer outra coisa senão falhar. Estavam aprendendo tudo aqui na cabeça, mas em que confusão se metiam, e com que rapidez podiam negar aquilo que tinham aprendido — como você e eu.
Podemos vir ao estudo bíblico numa quinta-feira à noite. Podemos assimilar tudo aqui na cabeça e culpar o pregador — pobres de nós! Mas, se isso não consegue entrar em vocês, ele não pode fazê-lo entrar em vocês, assim como ninguém mais pode.
Podemos aprender, aprender, aprender e aprender; mas, até que a Cruz se tornasse um fato, não havia possibilidade de essa vida entrar em nós. Quando a Cruz veio, essa vida se tornou disponível para nós.
Esse é o segredo da Cruz e do Espírito. Em outras palavras, muitos de nós vivemos numa espécie de experiência cristã anterior ao Calvário. Andamos com Jesus, ouvimos Suas palavras, observamos Seus atos, ficamos entusiasmados com Seus milagres.
“Ah, se eu pudesse ter um sinal; se eu pudesse ter isto; se eu pudesse ter aquilo.” Mas a realidade não está em nós. Não está em nós porque não estamos dispostos a aceitar a Cruz.
Esses sete pontos que consideramos são, na verdade, todas as evidências da vida de Deus — do Espírito de vida sem restrições e sem impedimentos em Seu povo. Quando a vida de Deus não é restringida nem impedida, quando o Espírito de vida pode mover-Se livremente, então essas sete coisas são imediatamente expressas. É inevitável.
Essa é a maneira infalível pela qual você e eu podemos avaliar algo entre o povo de Deus. Ora, a chave para essa vida é a Cruz.
Bem, nem sempre gostamos disso. As pessoas dizem que é pesado. Mas não acho que haja nada muito leve no sangue derramado na Cruz.
Afinal, ela é um instrumento de execução. É um cadafalso. O que vocês esperam que ela seja — algo leve, algo em torno do qual possam dançar? Claro que não. A Cruz é um cadafalso. É uma guilhotina. É um lugar de morte.
Como seria mais fácil se não precisássemos seguir por esse caminho — se pudéssemos saltar para o Pentecostes sem o Calvário; se pudéssemos obter toda a glória, o entusiasmo e a plenitude do Pentecostes sem o cadafalso, sem o sangue derramado, sem a fumaça e o cheiro da carne queimada.
Ah, seria maravilhoso se pudéssemos entrar no Pentecostes dessa maneira. E é por isso que há tanta experiência falsificada e tanto fogo estranho: as pessoas querem contornar isso. Não querem pagar o preço. Não querem encarar os fatos, encarar a realidade nem encarar a si mesmas.
Querem saltar para o Pentecostes sem o Calvário. Isso não é possível.
A Cruz é o segredo do nascimento, do crescimento e da expressão da igreja. Ela sempre foi o único caminho para a casa de Deus.
Voltem ao princípio, e vocês encontrarão Abraão edificando um altar. Onde ele edifica o altar? Entre Betel, a casa de Deus, e Ai, que significa um montão ou uma ruína. A ruína da velha natureza está atrás dele; ele tem a casa de Deus à sua frente; e, entre ambas, está o altar.
Tantas pessoas querem tentar transformar a ruína na casa. Deus não aceitará isso. Ele não aceitará isso. Essa é a questão de Deus com Seu povo ao longo dos séculos: Ele simplesmente não aceitará isso.
E quanto ao querido Jacó? Ele tem uma visão. Vê uma escada que sobe até o céu. A maioria das pessoas pensa nisso como uma bela imagem. Vocês sabem o que é? Anjos subindo e descendo — não descendo e subindo, mas subindo e descendo.
O que é isso? É uma imagem da casa de Deus. Deus está sobre ela. A escada é o meio de ligação entre o céu e a terra — o meio de comunicação, comunhão e união.
Jacó podia ser um trapaceiro e um enganador, mas percebeu o ponto. Ele tinha discernimento espiritual. Disse: “Meu Deus, esta é a casa de Deus, a porta do céu”. Mas também disse, sendo um homem honesto: “Quão temível é este lugar!”
Quando começamos a ver o que a casa de Deus realmente é, ela se torna um lugar temível para a nossa carne. Mais adiante, Hebreus diz que Jacó adorou no fim de sua vida. O temor de Deus havia feito sua obra. Sua carne havia sido tratada; por isso, ele era um adorador.
Adoradores nunca são murmuradores críticos. Sempre podemos identificar a carne nos filhos de Israel, porque eles murmuravam continuamente contra o Senhor. Isso é a carne. A adoração é um sinal do Espírito.
Considerem Abraão novamente. Ele leva seu único filho para oferecê-lo em sacrifício. Sobe ao monte Moriá e ali o oferece. De repente, o Senhor aparece. Seu filho é salvo e, em seu lugar, um carneiro é oferecido ao Senhor.
Mais tarde, aquele mesmo lugar se tornou o local do altar do holocausto — o altar diante da casa do Senhor, o templo. Aquele mesmo lugar, que vocês podem ver hoje, tornou-se o local da casa de Deus.
Lemos em Êxodo que o altar deve ser colocado diante do tabernáculo. Se todos nós fôssemos israelitas e entrássemos pela porta exterior, eu poderia dizer: “Parem, parem. O que vocês veem?” Vocês poderiam dizer: “Não vejo nada do tabernáculo”. Não, não — está tudo bem. Então, o que vocês veem?
“Vejo um grande altar.” Certo, é isso. Antes de chegar à tenda da congregação, antes de chegar ao tabernáculo, antes de chegar à casa de Deus, o altar bloqueia o caminho.
Mas, quando vocês chegam ao altar e aceitam tudo o que o altar significa, o que vem depois? Uma pia. É a pia da regeneração; é a lavagem da Palavra.
Em outras palavras, uma coisa põe fim ao velho homem, e a outra é aquilo que vem do alto. Uma é a Cruz, que trata aquilo que somos naturalmente; a outra é uma nova natureza e uma nova vida provenientes de Deus. Uma é a terra; a outra é o céu.
Antes de entrar na casa de Deus, antes mesmo de entrar na igreja, por assim dizer — antes de vê-la, conhecê-la e participar de seus ministérios maravilhosos e benditos —, a primeira coisa é o altar; a segunda é a pia.
Uma é negativa; a outra é positiva. Uma limpa o terreno; a outra introduz aquilo que é de Deus. Não há como escapar disso.
Quando reconstruíram o templo nos dias de Zorobabel, Esdras e Neemias, a primeira coisa que fizeram foi estabelecer o altar. Vocês poderiam dizer: “Não sejam tolos. De que adianta ter um altar? Primeiro coloquem os fundamentos, levantem as paredes e o telhado. Depois tenham o altar”.
Mas não. O Senhor diz: primeiro, o altar; segundo, os fundamentos; terceiro, a construção. Que princípio espiritual! Deus começa com a Cruz.
Uma vez que o altar está em seu lugar, o Espírito Santo entra em ação. A obra dos fundamentos começa, o edifício se ergue, e os livros inteiros de Ageu e Zacarias se entrelaçam com essa questão.
Não importa para onde vocês se voltem. Cheguem à grande visão de Ezequiel, e encontrarão novamente a mesma coisa. Assim que ele está ali, há um grande altar bem diante da casa.
Então, depois de ver tudo o que há de maravilhoso nessa nova casa, nesse novo templo, ele é levado para baixo, e o que vê? Um grande rio que começa com um pequeno fio de água — um minúsculo regato borbulhante.
De onde ele vem? Do altar. Onde está o altar? Diante da entrada, da porta da casa de Deus. Então a água começa a brotar. Aquele pequeno regato se torna um rio como o Amazonas, que transforma tudo por sua fertilidade e seu poder de dar vida.
Tudo vem do altar. Sem altar, não há rio.
O Calvário produziu o Pentecostes. O Pentecostes não produziu o Calvário. O Calvário produziu o Pentecostes.
Não importa para onde vocês se voltem; encontrarão isso. Nas anotações que receberão, encontrarão várias passagens em Efésios e em outros lugares que falam desse mesmo aspecto: o sangue do Cordeiro, o sangue de Cristo e, então, súbita e imediatamente, a obra do Espírito.
“Em um só Espírito”, e depois o quê? “Edificados juntamente”, crescendo para ser um templo santo no Senhor. Não importa para onde vocês se voltem; encontrarão essa mesma questão.
O Senhor Jesus disse, em João 2:19:
Destruí este templo, e em três dias o levantarei.
Ele falava de Seu corpo. Sabemos disso.
Naturalmente, o maior exemplo de tudo isso é quando os gregos vieram. Eram gentios — nem sequer eram tementes a Deus, mas inteiramente gentios. Vieram e disseram, em João 12:21:
Senhor, queríamos ver a Jesus.
Como receavam que o Senhor, sendo judeu, não quisesse ter nada a ver com gentios por causa da impureza cerimonial, foram a Filipe, que tinha um nome grego. Filipe foi a André, e André e Filipe vieram e contaram a Jesus.
O Senhor Jesus respondeu com estas palavras maravilhosas, em João 12:24:
Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
mas, se morrer, dá muito fruto.
Vocês não achariam essa uma maneira extraordinária de responder a um pedido bastante simples e direto? “Queríamos ver a Jesus.” O que toda essa conversa sobre cair na terra e morrer tem a ver com isso?
Certamente Ele poderia ter dito: “Não, estou muito ocupado”, ou: “Sim, vou lhes dar dois minutos”. Por que Ele diz isso? Porque, mais uma vez, trata-se de toda essa questão.
O Senhor Jesus está dizendo: “Esperem, esperem, esperem. Eles podem vir e Me ver, podem vir e conversar Comigo, mas não receberão nada. Eles Me conhecem segundo a carne. Apenas esperem. Quando Eu tiver caído na terra e morrido, haverá milhares de gregos no Meu corpo”.
Gregos e gentios de todo o mundo virão e se tornarão membros do mesmo corpo quando Eu tiver caído na terra e morrido.
Se vocês continuarem nessa passagem, verão que o Senhor falou de Sua morte, dizendo em João 12:32:
E Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a Mim.
Como isso poderia não estar claro para nós? É a Cruz, depois o Espírito. Como eu disse, o Calvário precede o Pentecostes — não apenas historicamente, mas também na experiência coletiva e individual.
Não podemos chegar a uma verdadeira compreensão e experiência da igreja até que primeiro cheguemos a uma verdadeira experiência da Cruz.
Agora, se vocês se sentem de fora, não culpem os outros. Todos nós adquirimos esse terrível hábito dos filhos de Israel: murmurar. É sempre fulano, ou sicrano, ou beltrano, e o Senhor ouve cada palavra.
Ele sabe onde há desonestidade e sabe onde estamos causando problemas. Precisamos acabar com isso. É melhor admitir e dizer: “Eu estou errado nessa questão”.
Pode haver falhas nos outros, mas o fato é que, se o Senhor puder fazer prevalecer Sua vontade em mim, poderá haver uma grande mudança — uma grande mudança.
Essa questão da Cruz é tremenda justamente aqui. Dizemos que nos sentimos de fora, excluídos, isto ou aquilo. É impressionante o que acontece. Algumas pessoas sentem que certas coisas nas mensagens são dirigidas a elas.
Às vezes, as pessoas vêm e dizem: “Aquilo foi dirigido a nós”. Para dizer a verdade absoluta, talvez você nem sequer as tenha visto ali. Se dissesse: “Eu nem percebi que vocês estavam aqui”, aí é que seria o fim!
Qualquer pessoa que já tenha falado em público sabe tão bem quanto eu que, às vezes, você nem percebe as pessoas. Está consciente apenas da mensagem que Deus lhe deu.
As pessoas dizem: “Eles são todos tão estreitos”. Poderíamos passar a noite inteira dando exemplos desse tipo de coisa num tom bem-humorado, porque, na verdade, quando se chega ao fundo da questão, é bastante engraçado.
O fato é que só temos a nós mesmos para culpar se não entramos realmente nessa experiência. As pessoas dizem: “Ah, eles são tão pouco amigáveis”. Mas, de modo geral, a querida pessoa nunca faz coisa alguma. Não toma a menor iniciativa. Espera que todos venham até ela, em vez de ir ao encontro dos outros e fazer alguma coisa.
São pequenas coisas tão simples. A raiz de toda a questão é esta: nós — eu, você — precisamos primeiro chegar a uma verdadeira compreensão e experiência da Cruz antes de podermos participar da igreja.
Há algumas coisas que gostaria que vocês observassem ao resumirmos todos estes estudos.
Primeiro, os resultados trágicos de contornar a Cruz e estabelecer a igreja podem ser vistos com toda a clareza na situação complexa que enfrentamos hoje. Olhem para ela.
Será que acreditamos sinceramente que todos esses “ismos”, esses grupos e tudo o mais que leva o nome de igreja são realmente o pensamento de Deus? Não é bastante extraordinário que todos afirmem ser edificados segundo o padrão do Novo Testamento?
Não é de admirar que o agnóstico diga: “Será que Deus sabe o que quer?” Temos grupos completamente opostos afirmando ser edificados segundo o padrão do Novo Testamento. Que situação complexa! O que deu errado? Por que aquela realidade orgânica não veio a existir?
Novamente, por que temos ao nosso redor, por toda parte, na Europa e na América, todas as denominações cristalizadas que existem debaixo do sol? Um dia foram grandes obras do Espírito de Deus. Mas o que aconteceu com elas?
Uma obra que começou no Espírito terminou na carne. Por toda parte, há monumentos para serem contemplados.
Posso dizer mais alguma coisa a nós mesmos? Temos muitos grupos que afirmam ser verdadeiramente neotestamentários, que deixaram tudo para recomeçar. O que encontramos? Encontramos solidez doutrinária, mas ausência de vida; um organizacionalismo sufocante, tão grande quanto qualquer coisa que tenha sido deixada para trás.
Essa é a situação complexa que resultou de contornar a Cruz. Agora ouçam: a Cruz eliminaria isso inteiramente. Por quê? Ela esmagaria a própria raiz disso, atingindo a fonte, que é o homem, para que o Espírito pudesse entrar em ação.
Ela mataria a força que mantém isso em funcionamento: algum tipo de lealdade mal direcionada.
A segunda observação que gostaria de fazer é esta: a ausência da igreja em sua expressão prática faz com que todos os dons, funções e ministérios percam a maior parte de seu significado e propósito.
Isso também significa a dissipação de valores espirituais. Na maior parte dos casos, eles não são consolidados. Tomem a evangelização, por exemplo. Que evangelização tremenda poderia haver se a igreja estivesse em seu devido lugar e, por toda parte, as pessoas que viessem ao Senhor pudessem ser acompanhadas e cuidadas.
Naturalmente, haverá aqueles que voltarão atrás. As Escrituras nos dizem que haverá aqueles que cairão pelo caminho. Vocês não podem impedir isso; é tão antigo quanto Adão. As pessoas sempre amaram o mundo e colocaram o mundo antes de Cristo. Lamento dizer isso, mas é um fato.
Sempre haverá alguma conversão falsa e alguma confissão superficial. Não são necessariamente insinceras, mas não vão fundo o suficiente. Sempre haverá isso.
Mas vocês não concordam que a ausência da igreja significa que tantos dons — o ministério de ensino, o ministério profético, muitos outros ministérios e os dons em cada um de nós —, em sua maior parte, perdem seu lugar?
A terceira observação é esta: o conhecimento da doutrina da igreja, por mais sólido, preciso e completo que seja, não a traz à expressão prática.
Todos conhecemos grupos que têm tudo absolutamente bem definido aqui na cabeça. Poderiam dar a vocês uma definição clara da igreja e de qualquer outra coisa, mas não sei coisa alguma sobre sua experiência prática.
Nenhuma quantidade de conhecimento significa necessariamente que a igreja esteja ali. Nem qualquer quantidade de esforço. Não temos todos encontrado pessoas tentando desesperadamente edificar a igreja e fazê-la existir?
A quarta observação é esta, e vamos nos deter um pouco mais nela: a igreja está inerentemente contida na vida de Cristo. Já dissemos isso. Essa vida é disponibilizada pelo Espírito.
A igreja está inerentemente contida na vida de Cristo. Não está em Sua morte. Não há nada em Sua morte que constitua a igreja.
Aquela morte foi o juízo de Deus sobre o nosso pecado. Foi a propiciação realizada por Cristo pelos nossos pecados. Aquela morte assegurou para nós a redenção, o perdão dos nossos pecados. Somos justificados por meio de Sua morte. Temos uma posição eterna e legal diante de Deus por meio de Sua morte.
Além disso, aquela morte significa a remoção completa do homem caído — a limpeza do terreno para Deus, se quiserem colocar assim. É isso que a Cruz significa: a morte de Cristo limpou o terreno, removendo você e eu. Aleluia — fomos removidos!
Deus diz: “A primeira coisa que farei é salvar você, e a segunda é remover você”. Podemos falar sobre a Cruz, mas será que entendemos o sepultamento? Você sepulta a pessoa, tirando-a de vista. O corpo desaparece.
Deus diz: “Eu salvei você para removê-lo”. Quem não é salvo não foi removido. Está muito presente aos olhos de Deus — em toda a sua feiura, seus pecados, sua iniquidade e a abominação de sua iniquidade. Está ali, bem diante dos olhos de Deus, exposto de maneira flagrante.
Mas você e eu fomos salvos e removidos. Bendito seja o Seu nome.
A igreja não está em Sua morte. A igreja pode ter sido produzida por Sua morte, mas não está em Sua morte. A igreja está na vida de Cristo.
Essa vida se desenvolverá, se expandirá e crescerá, e o resultado será a casa de Deus. Não há como impedir isso.
Se essa vida puder entrar em dois ou três crentes sobre o mesmo fundamento, em Cristo, no mesmo lugar, reunidos, então, uma vez que essa vida comece a fluir, ela resultará na casa de Deus. Não há como impedir isso.
É o novo Homem. O novo Homem não é o homem morto. O novo Homem é Aquele que vive dentre os mortos. Tudo está na vida de Cristo.
Portanto, não é o conhecimento nem o esforço que conta. Isso pode acabar produzindo um substituto para a realidade. Posso assimilar tudo aqui na cabeça, ser salvo e depois tentar produzi-lo. Quanto mais tento, maior é a possibilidade de produzir algo artificial.
Posso montar tudo de acordo com o plano e, quanto mais habilidade e capacidade de organização eu tiver nas coisas de Deus, maior será a possibilidade de surgir algo assim.
É isso que significa quando as Escrituras dizem que a obra de cada um será provada pelo fogo. Tudo o que fizemos neste lugar, ou em qualquer outro, será provado. Ninguém escapará. Todos seremos iguais naquele momento. O fogo nos provará.
O que resistirá é aquilo que é de Deus — não o que parecia ser de Deus, nem o que é do homem. Aquilo que vem de mim mesmo será exposto.
O que conta é uma experiência cada vez maior de Sua vida, individual e coletivamente — não conhecimento, mas experiência.
Além disso, isto é muito, muito importante: somente o Espírito Santo pode trazer a vida de ressurreição de Cristo para dentro de nós e expressá-la por meio de nós, tanto inicialmente quanto de maneira progressiva. Ninguém mais pode fazer isso.
É o Espírito dAquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos habitando em nós. Então, o que acontece? Pelo Espírito, fazemos morrer os feitos do corpo. Fazemos morrer os feitos do corpo e, o tempo todo, esperamos ser libertados dele; contudo, precisamos fazer alguma coisa pelo Espírito.
Então, o que acontece? Somos coerdeiros com Cristo pelo Espírito de adoção. É o corpo.
Em Efésios 1:19-23, quando Paulo fala da:
Sobre-excelente grandeza do Seu poder sobre nós, os que cremos,
segundo a operação da força do Seu poder, quando ressuscitou Cristo dentre os mortos, é novamente o Espírito.
O Senhor Jesus foi ressuscitado pelo Espírito de Deus. O que acontece? Deus O constituiu Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é Seu corpo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos.
Tudo está debaixo de Seus pés. Ele é Cabeça sobre todas as coisas, e nós somos Seu corpo. É glorioso.
Na grande visão de Zacarias, ele viu o grande candelabro todo de ouro e ficou intrigado com as duas oliveiras, uma de cada lado, e com os ramos de oliveira. Queria saber onde o homem entrava naquela imagem.
Mas o Senhor diz, por assim dizer: “Não se trata de onde você entra na imagem. É uma imagem de Mim entrando nela”. O que Zacarias viu? Um candelabro. Isso é Cristo.
Os ramos vertem ouro de si mesmos — o material do candelabro. Toda a questão está sobre uma base inteiramente diferente.
Não podemos enfatizar demais o fato de que é impossível conhecer a vida de Cristo à parte do Espírito Santo. Por meio da obra consumada de Cristo — isto é, o Calvário —, o Espírito, o Espírito Santo, pode tornar a vida de Jesus Cristo, a vida eterna, a própria vida de Deus, disponível a todo pecador salvo.
Não importa quem você seja: se é um pecador salvo, a vida de Jesus Cristo é disponibilizada a você. Você não pode conhecê-la à parte do Espírito. Só pode conhecer sua própria vida.
Apesar de todas as nossas orações e crenças, podemos entrar num estado de exaltação; mas, meu querido amigo, isso o deixará vazio e neurótico. Se, porém, você conhece a vida de Cristo, pode às vezes ser levado ao terceiro céu e ouvir coisas que não é lícito pronunciar. Esse será o sinal: isso fará você se calar.
Em vez de sair por aí falando, falando, falando e se expondo, será algo de Deus. Quando o Espírito Santo realmente opera, digo a vocês, é algo tremendo — tremendo.
Não há nada mais maravilhoso do que conhecer realmente o Espírito Santo. Foi Ele Quem trouxe luz das trevas e forma do vazio. Foi Ele por meio de Quem o homem foi criado à imagem do Senhor Jesus Cristo.
É o Espírito Santo Quem tem velado pelo propósito de Deus desde o princípio dos tempos até agora. É o Espírito Santo Quem trouxe ao nascimento nosso Senhor Jesus Cristo, tendo já inspirado os profetas ao longo de todas as diferentes fases da história do povo da aliança de Deus.
Foi o Espírito Santo Quem veio sobre o Senhor Jesus Cristo em Seu batismo e O ungiu. Foi o Espírito Santo por meio de Quem Ele foi transfigurado no monte. Foi o Espírito Santo Quem O capacitou a oferecer a Si mesmo na Cruz.
Foi novamente o Espírito Santo de Deus Quem ressuscitou dentre os mortos o Senhor Jesus, aquele grande Pastor das ovelhas.
Agora ouçam isto: foi quando o Senhor Jesus ascendeu à direita de Deus Pai que Ele recebeu, para homens e mulheres pecadores como você e eu — salvos pela graça de Jesus Cristo, pela graça de Deus —, a promessa do Espírito Santo, Deus Espírito, e O derramou.
Isso é o Pentecostes.
Meu querido amigo, acho que você tem uma ideia muito pobre do Pentecostes se sua ideia é apenas uma pequena chama de fogo, um pouco de plenitude, saltar, conseguir pregar e receber dons. É essa a sua ideia do Pentecostes? Você precisa revê-la.
A realidade do Pentecostes é nada menos do que isto: o Espírito Santo veio sobre seres humanos salvos. Nenhum de nós conhece sua plenitude. Ah, se conhecêssemos! Se nossos pobres olhos pudessem ser abertos para ver o que aconteceu no Pentecostes; se, de alguma maneira, pela fé, pudéssemos tomar posse do que aconteceu para todos nós no Pentecostes.
Foi a disponibilização da vida de Jesus Cristo a todo pecador salvo, unindo aqueles que assim foram redimidos ao único Cristo, em um só corpo, por meio do próprio Espírito, o único Espírito.
Por esse meio, Ele tornou reais neles e por meio deles a autoridade e o poder do Cabeça, os dons do Cabeça. Efésios 4:8:
Subindo ao alto, deu dons aos homens.
Por que há um dom para cada pessoa? Porque estamos unidos ao Cabeça, Que concedeu o dom. Não importa qual seja; ele está ali. Aproprie-se dele. Está em você pelo Espírito Santo. Os dons e os ministérios pertencem ao Cabeça.
É o Cabeça, querido amigo, Quem conta. Ele o concedeu. Mas, mais do que isso, Ele está disponibilizando para nós o caráter do Cabeça.
Ah, isso é mais do que dons. Você pode ter mil dons, e um dia eles não significarão nada. O que você precisa é do caráter do Cordeiro. É aí que todos nós ficamos aquém.
Todos sabemos o que é ter um dom. Vocês podem me julgar mil vezes nisso: é possível ter um dom, mas faltar caráter. Então é apenas uma aparência. Mesmo que eu saiba disfarçar bem e consiga passar despercebido, chegará um dia em que não conseguirei, e o caráter será visto como realmente é, em contraste com o dom.
Foi isso que o apóstolo Paulo disse em 1 Coríntios 9:27:
Para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.
Terrível.
Ele torna real a própria presença do Cabeça naquele corpo. Esse é o significado do Pentecostes. Vocês não percebem?
Vocês realmente acham que tudo o que aconteceu no dia de Pentecostes foi que algumas pessoas falaram em línguas, cento e vinte pessoas, e então todos ficaram agitados e disseram: “Eles estão bêbados”? Isso é o Pentecostes? Nunca.
O Pentecostes foi isto — e eu morreria por essa verdade: naquele momento, o Senhor Jesus, Que estivera limitado a um corpo humano, de repente tornou-Se cento e vinte corpos humanos, com a possibilidade de toda multiplicação.
Certamente, no livro de Atos, a autoridade e o poder do Senhor Jesus crucificado — louvado seja Deus — estavam novamente caminhando sobre a terra.
“Em nome de quem fizestes estas coisas?”, disseram as autoridades. Atos 4:10:
Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, A Quem vós crucificastes e A Quem Deus ressuscitou dentre os mortos.
Autoridade!
Até mesmo, em certo lugar, lenços eram levados do apóstolo Paulo, e as pessoas eram curadas. Nem mesmo o Senhor Jesus fez isso. Ele disse, em João 14:12:
E fará obras maiores do que estas.
É o corpo.
E o caráter — olhem para Estêvão, com o rosto de um anjo. O que aconteceu? Essas pobres pessoas eram fanáticos religiosos? Não. É extraordinário.
É isso que realmente queremos dizer com igreja. Todos esses sete pontos estão ligados a essa realidade. Vocês não gostariam de conhecer o Espírito Santo dessa maneira?
Não estou interessado em toda essa outra conversa. Meus queridos amigos, boa parte disso são bobagens de jardim de infância. Se quiserem ir por esse caminho, o Senhor ficará perfeitamente contente. Mas deixem-me dizer isto: se vocês querem o que Ele quer, algo os espera. Isso lhes custará caro. Vocês terão muito pela frente.
Por quê? Porque é a Cruz. É a Cruz.
O Espírito Santo, em todo o Seu glorioso poder e infinita plenitude, recusa-Se a vir sobre quem recusa a Cruz. Ah, Ele lhes dará experiências, bênçãos e todo tipo de coisas aqui e ali, mas Se recusará a realizar qualquer obra de edificação para a cidade.
Nada entrará naquela cidade que não tenha vindo pelo mesmo caminho de seu Senhor. Isso é terrível.
Você não acha, querido filho de Deus, que isso é correto? Eu acho. Vou dizer por quê: seria muito mais agradável se eu pudesse dizer a vocês, como alguns dizem: “Agora, vocês podem simplesmente pular essa etapa. Basta saltar para dentro, assim mesmo”.
Não, eu digo que não é assim. Vocês podem entrar de um salto numa experiência, mas, se ela for de Deus, terão muito pela frente.
O Senhor nunca permitiu que entrasse na casa coisa alguma que não tivesse passado pelo altar. Nunca! Não pense, meu querido amigo, que você é uma exceção. Nenhum de nós é exceção a isso — nenhum de nós, de modo algum.
Se você quer ser usado por Deus, se quer que aquilo que Deus colocou em você seja eterno, se quer encontrá-lo, no fim, na cidade, precisa passar pela Cruz.
Por que isso é correto? Porque exige fé. Eu poderia dar um grande salto e viver uma exaltação gloriosa. Talvez então me sentisse maravilhosamente bem. Não há fé nisso; é sentimento.
Mas, se me deparo com um cadafalso, com todo o sangue, toda a fumaça e toda a matança, e ele me diz: “Este é o caminho. Venha aqui. Siga por este caminho, e conhecerá a glória”, isso exige fé.
Eu recuo. “Ah, não, não, isso não — isso não.” O Senhor Jesus também o fez, em Mateus 26:39:
Se é possível…
Certamente há algum outro caminho. Mas não há. Não há.
Você precisa seguir por esse caminho se realmente deseja conhecer o Espírito de Deus. Sinto muito. Sabe, para ser absolutamente honesto, sinto muito.
Mas o Livro diz que todos os que seguem por esse caminho conhecerão um comprometimento de Deus com eles que outros jamais conhecerão. Aqueles que conhecem a Cruz e a escuridão encontrarão, no fim, tudo isso ali na cidade.
Chegamos, então, ao fim dessa questão. Vocês querem ver a igreja em expressão prática na terra em nossos dias. Queremos ver o testemunho do Senhor recuperado e restaurado. Queremos ver a vontade de Deus não apenas como pensamento e conceito, mas como realidade concreta.
Queremos ver a glória da última casa superar a da primeira. Então precisamos encarar isso: a Cruz abrange tudo.
Tudo o que você e eu somos, tudo o que somos, precisa ser levado à Cruz — ao altar — como sacrifício vivo. Isso significa o fim do que somos e do que queremos, para que Ele possa ter o que quer.
É bastante simples: para que Ele possa introduzir aquilo que vem dEle mesmo e estabelecê-lo.
Precisamos saber o que é ser rasgados, ser quebrantados, ser reduzidos a cinzas, cair na terra e morrer, diminuir, se Ele há de crescer, multiplicar-Se, ser glorificado e exaltado.
Agora, vocês querem apenas o sucesso e a prosperidade do seu próprio lar, do seu próprio círculo? É somente o seu próprio crescimento espiritual, sua plenitude e sua satisfação que buscam?
Estamos satisfeitos em concentrar tudo em nossas próprias casas revestidas, enquanto a casa de Deus permanece desolada e em ruínas? Queremos posição? Queremos atividade? Queremos conforto? Queremos amizade? Queremos comunhão? Queremos popularidade?
Então precisamos seguir nosso próprio caminho. Adeus.
Precisamos seguir nosso próprio caminho. A casa de Deus nunca será reconstruída por pessoas assim. Essa é a própria razão pela qual, durante tanto tempo, ela tem permanecido desolada.
Não. Se queremos ver a casa de Deus reconstruída, precisamos encarar e aceitar a Cruz e, pela graça de Deus, nunca voltar atrás.
Ela será reconstruída na medida em que você e eu morrermos. Ora, essa não é uma mensagem confortadora, a menos que haja fé em seu coração.
Essa foi a mensagem que veio ao povo quando voltou para reconstruir: sangue, trabalho árduo, suor — vocês precisam entregar a vida. O quê? Esta é a sua glória. Vocês terão um nome eterno.
Vocês serão instrumentos para a vinda do Messias. Serão instrumentos nos propósitos de Deus, mesmo que tudo isso esteja a centenas de anos de distância. Serão o material precioso com o qual Deus edificará Sua cidade, que existirá para todo o sempre e em cuja luz as nações andarão.
E digo isto a vocês — e agora realmente encerro: a casa precisa ser edificada.
Ah, meu amigo, não importa se eu morrer nesta noite ou se você morrer nesta noite; não importa se cada um de nós se tornasse apóstata nesta noite ou O rejeitasse com ira — não importa o que aconteça, a casa de Deus será edificada.
Ela será edificada, quer você faça parte dela ou não, quer eu faça parte dela ou não. Isso podemos afirmar com certeza absoluta e categórica.
Já vimos o suficiente na história do mundo para saber que Deus nunca falhará em Seu propósito. Vimos milagres realizados diante dos nossos olhos.
Vocês acham que aquilo que está mais próximo do coração de Deus — mais próximo do que qualquer outra coisa — não será cumprido? Vocês percebem que Ele pode levar de volta um povo terreno a um lugar, a um território na terra, segundo Sua Palavra, que prometeu há milhares e milhares de anos, e não cumprir essa outra coisa que estava em Seu coração desde antes dos tempos eternos?
Ele não lhe dará significado para a eternidade futura? Não, não será assim. A casa de Deus será edificada. Ela precisa ser edificada.
A pedra de remate será trazida um dia com gritos de: “Graça, graça a ela!” Oro a Deus para que eu esteja ali. Oro a Deus para que você esteja ali.
Não seria maravilhoso se todos estivéssemos ali para ver a pedra de remate deslizar para o seu lugar e saber que não somos espectadores, mas parte da construção?
Ah, meu amigo, eu preferiria passar pelo inferno para fazer parte disso a tocar um pandeiro pelo resto deste tempo e dançar em busca da glória. De verdade.
A cidade sem fim! Eu preferiria ter entrado no próprio inferno com Ele e saído com valores eternos.
Isso será realizado e será cumprido. Zacarias 4:6:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Assim como os montes estão ao redor de Jerusalém como um lembrete permanente da fidelidade de Deus; assim como o sol brilha de dia e a lua brilha de noite como um lembrete permanente da fidelidade de Deus; assim como o arco-íris, no dia de tempestade e tribulação, é um lembrete permanente da fidelidade de Deus — assim Deus será fiel a este Seu propósito e o realizará.
Que Deus nos dê graça para chegarmos ao altar, a fim de que o Espírito Santo venha sobre nós.
A Palavra do Senhor é esta:
Àquele que busca a Minha alegria, a esse darei o Meu poder e o encherei com o Meu Espírito.
Senhor, apressa isso a seu tempo. Vamos orar.
Agora, Senhor, não há um só de nós que não recue diante de algo como um altar. Preferiríamos muito mais, Senhor, conhecer aquela existência despreocupada e livre de cuidados.
Mas, Senhor, sabemos que Tu estás buscando aqueles que desejam ser bons soldados Teus. Oramos juntos, Senhor, para que Tu, pelo Teu Espírito, dês a cada homem e mulher neste lugar fé — fé para morrer.
Assim, Senhor, o Espírito Santo poderá comprometer-Se de maneira sem paralelo com cada um de nós. Ó Pai, Tu conheces nossa necessidade do Teu Espírito Santo — nossa necessidade de Seu poder, nossa necessidade de Sua plenitude, nossa necessidade de Sua força dinâmica, de Seu impulso.
Querido Senhor, olhamos para Ti, pois Tu és Aquele Que vela por todas as coisas e conhece todas as coisas, para que Tu, Senhor, em Tua misericórdia, conduzas cada um de nós ao lugar em que estejamos dispostos a nos apresentar a Ti como sacrifício vivo, santo e agradável a Ti.
Pedimos isso juntos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.