Uma passagem do livro de Apocalipse, começando em Apocalipse 4:1.
Depois destas coisas, vi, e eis uma porta aberta no céu; e a primeira voz que ouvi, como voz de trombeta falando comigo, dizia: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que devem acontecer depois destas. Imediatamente, achei-me no Espírito: e eis um trono estabelecido no céu, e Alguém assentado sobre o trono; E Aquele que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra de jaspe e de sardônio: e havia ao redor do trono um arco-íris, semelhante, na aparência, à esmeralda. E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos: e sobre os tronos vi vinte e quatro anciãos assentados, vestidos de vestes brancas; e sobre suas cabeças, coroas de ouro. E do trono procediam relâmpagos, vozes e trovões. E diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus; E diante do trono havia como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono e ao redor do trono havia quatro seres viventes, cheios de olhos por diante e por detrás.
E o primeiro ser vivente era semelhante a um leão, e o segundo, semelhante a um bezerro, e o terceiro tinha rosto como de homem, e o quarto era semelhante a uma águia voando. E os quatro seres viventes, tendo cada um deles seis asas, estão cheios de olhos ao redor e por dentro: e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo:
Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, Aquele que era, que é e que há de vir.
E, quando os seres viventes derem glória, honra e ações de graças Àquele que está assentado sobre o trono, Àquele que vive pelos séculos dos séculos, Os vinte e quatro anciãos se prostrarão diante Daquele que está assentado sobre o trono, e adorarão Àquele que vive pelos séculos dos séculos, e lançarão suas coroas diante do trono, dizendo:
Digno és Tu, nosso Senhor e nosso Deus, De receber a glória, a honra e o poder: Porque Tu criaste todas as coisas, E por causa da Tua vontade elas existiram e foram criadas.
E vi na mão direita Daquele que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte proclamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
E eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem de olhar para ele. E um dos anciãos me diz: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
E vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como se tivesse sido morto, tendo sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra. E Ele veio e tomou o livro da mão direita Daquele que estava assentado sobre o trono.
E, quando Ele tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro, tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
E cantam um novo cântico, dizendo:
Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos: Porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus Homens de toda tribo, língua, povo e nação, E os fizeste reino e sacerdotes para o nosso Deus; E eles reinam sobre a terra.
E vi, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era dez mil vezes dez mil e milhares de milhares; Dizendo com grande voz:
Digno é o Cordeiro que foi morto De receber o poder, as riquezas, a sabedoria e a força, A honra, a glória e a bênção.
E ouvi toda criatura que está no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e todas as coisas que neles há, dizendo:
Àquele que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro Sejam a bênção, a honra, a glória e o domínio, Pelos séculos dos séculos.
E os quatro seres viventes diziam: Amém. E os anciãos se prostraram e adoraram.
Agora, nesta noite, em vez de rever qualquer coisa do que já foi dito, quero passar diretamente ao próximo ponto, que sinto que devemos abordar e sobre o qual tenho plena certeza de que há muita necessidade de instrução. Tudo se resume nesta expressão: o testemunho de Jesus.
Creio que, no último ano ou nos últimos dois anos, o Senhor nos falou várias vezes sobre o testemunho de Jesus e sobre o candelabro de ouro. Também tenho plena certeza de que muitos de nós usamos a expressão “testemunho de Jesus”, quando a usamos, sem realmente compreender o seu significado. É o tipo de expressão que, uma vez assimilada, você pode usar sem realmente compreender exatamente o que significa.
É desse assunto que quero tratar nesta noite, pela graça de Deus. Tenho plena certeza de que tudo depende da iluminação que o Espírito Santo pode nos dar quando nos voltamos para a Sua Palavra.
Todos os sete pontos que vocês veem escritos aqui neste quadro estão ligados ao testemunho de Jesus. É uma expressão usada principalmente no livro de Apocalipse e, em outros lugares do Novo Testamento, apenas algumas vezes.
Infelizmente, nas versões modernas de linguagem coloquial, a expressão foi completamente apagada e traduzida como “dar testemunho de Jesus” ou “testemunhar a respeito de Jesus”. Isso é bastante triste. Não compreendo bem por que foi interpretada dessa maneira, já que se trata de um genitivo muito simples: o testemunho de Jesus.
A palavra testemunho, no Novo Testamento, corresponde ao termo também traduzido por testemunha. Em grego, não há outra palavra para mártir. Nossa palavra inglesa martyr vem da mesma palavra que testemunho. Uma testemunha é um mártir; é a mesma coisa. É pelo contexto que você precisa compreender se se trata de uma testemunha que perdeu a vida por causa do seu testemunho.
Apesar de as versões modernas de linguagem coloquial terem obscurecido o significado dessa expressão, ela é, a meu ver, de enorme importância e significado.
Vamos pegar nossas Bíblias e examinar todas as referências que temos ao testemunho de Jesus. Primeiro, Apocalipse 1:2:
João, o qual deu testemunho da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo quanto viu.
Depois, Apocalipse 1:9:
Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança que há em Jesus, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Apocalipse 12:17:
E o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao restante da sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus.
Apocalipse 19:10:
E prostrei-me diante dos seus pés para adorá-lo. E ele me disse: Não faças isso: sou conservo teu e de teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus: adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
Agora, voltem a 1 Coríntios 1:4-6:
Sempre dou graças ao meu Deus a vosso respeito, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; Porque em tudo fostes enriquecidos Nele, em toda palavra e em todo conhecimento; Assim como o testemunho de Cristo foi confirmado em vós.
Depois, 1 Coríntios 2:1. Na English Revised Version, vocês encontrarão essa expressão traduzida como “mistério de Deus”; mas, na Authorized Version, na American Standard Version e na Revised Standard Version, ela é traduzida como “testemunho de Deus”:
E eu, irmãos, quando fui ter convosco, não fui com excelência de palavras ou de sabedoria, proclamando-vos o testemunho de Deus.
Comparem isso com o que veio antes. Agora, abram em 2 Timóteo 1:8:
Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, Seu prisioneiro: mas participa dos sofrimentos do evangelho, segundo o poder de Deus.
Agora, mais duas referências em Apocalipse. Apocalipse 1:5:
E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha.
A fiel testemunha. É muito fácil, como cristão, ler esse tipo de coisa repetidas vezes e nunca pensar no que significa. O que significa “a fiel testemunha”? A palavra testemunha, mais uma vez, é justamente a mesma palavra — mártir, testemunhar, se preferirem.
Apocalipse 3:14:
Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira.
A testemunha fiel e verdadeira.
Parece-me razoavelmente claro, a partir dessas passagens, que a expressão o testemunho de Jesus não se refere apenas a algum testemunho genérico e comum que damos a respeito do Senhor Jesus Cristo, mas a algo muito maior e de significado muito mais profundo.
Creio que ela se refere ao testemunho que o próprio Senhor Jesus deu e, de fato, expressou em Si mesmo, em Seu próprio ser. O testemunho de Jesus dizia respeito ao verdadeiro caráter de Deus.
Em meio a todas as ideias falsas sobre Deus — sobre a natureza de Deus e sobre a existência de Deus —, Ele deu testemunho da verdadeira natureza do caráter de Deus. Deu testemunho da vontade de Deus e do propósito de Deus, de eternidade a eternidade, em um mundo que havia perdido toda noção da finalidade ou do objetivo para o qual fora criado.
Ele deu testemunho do propósito eterno e original de Deus para o homem e para toda a criação. Deu testemunho dos caminhos de Deus e do coração de Deus, do amor redentor e da salvação de Deus, pelos quais Deus podia e haveria de restaurar e reconciliar uma humanidade caída — degradada, pervertida, alienada, se preferirem — ao seu glorioso destino original.
Foi a este mundo — este mundo que conhecemos, cego, desobediente e pecaminoso, que há muito perdeu o direito à misericórdia e ao perdão de Deus — que o Senhor Jesus veio. Um mundo, prestem atenção, fundamentado em uma mentira.
Precisamos abandonar todas as ideias sentimentais sobre este mundo: seus belos pores do sol, seus pássaros cantando, a magnificência das coisas aqui e ali. Tudo isso existe; não há dúvida. Mas o fato é que todo esse sistema de coisas no qual você e eu nascemos está fundamentado e edificado sobre uma mentira.
Em vez de encontrar seu centro, seu significado, sua própria existência e sua própria vida em Deus, ele agora encontra sua vida e existência no próprio eu. Isso se infiltrou em todas as esferas e em todas as partes da criação. É um mundo fundamentado e edificado sobre uma mentira, e essa mentira envenenou o próprio sangue vital da humanidade. Ela está em nós.
Agora, meu querido filho de Deus, seja quem for, por mais tempo que esteja no caminho, quanto mais você se aproxima de Deus, mais percebe essa mentira em nossa corrente sanguínea. Pense nisso. No momento em que o Senhor age conosco, qual é a nossa primeira reação? Prostrar-nos com o rosto em terra e adorá-Lo? Nunca. Nossa primeira reação é: “Por que Ele fez isso comigo?”
Desconfiamos de Deus. Sempre pensamos o pior a respeito de Deus. Rebelamo-nos contra Deus. Reagimos contra Ele. Por que fazemos isso? É a nossa reação espontânea. Nossa reação espontânea nem sempre é pensar o melhor a respeito de Deus — crer que Ele está fazendo isso para o nosso bem, que está nos conduzindo pelo melhor caminho, que pode cuidar de tudo.
Caso contrário, ouso dizer que, nesta noite, seriam resolvidas aqui tantas questões quantas são as pessoas nesta sala, inclusive eu. Todo esse apego a nós mesmos, toda essa recusa em abrir mão — por trás de tudo está essa corrente sanguínea envenenada, esse sangue vital que foi envenenado e que está em todos nós. Não confiamos em Deus.
Acreditamos que Ele é alguém que só quer tomar e agarrar, alguém que precisa nos impor a Sua vontade — alguém que não deseja realmente a nossa alegria e o nosso bem-estar, mas que, na verdade, quer nos tornar infelizes, vazios e negativos, se isso for possível.
Talvez alguns não estejam tão profundamente envenenados quanto outros. Mas tenho plena certeza de que, quando começamos a descobrir a obra do Espírito Santo em nossa vida, esta é uma das coisas que muito depressa se tornam evidentes para todos nós: nosso próprio sangue vital foi envenenado por uma mentira.
Os valores deste mundo foram invertidos. Nós, como cristãos, como parte da educação que recebemos do Espírito Santo ao longo de toda a vida, precisamos ser conduzidos aos verdadeiros valores — enxergar aquilo que tem valor real, em contraste com o que julgávamos valioso. Os valores deste mundo são valores invertidos.
É um mundo que perdeu o sentido. Quando você vai trabalhar pela manhã, olha ao redor no vagão do trem ou no ônibus, no escritório ou onde quer que esteja: todas aquelas pessoas correndo para cá, correndo para lá, passando pela vida, seguindo toda uma rotina de atividades, para cair mortas no fim. Algumas nem se dão ao trabalho de perguntar de onde vieram ou para onde vão. Estão presas numa grande engrenagem chamada vida — uma vida cujo sentido se perdeu.
Afinal, qual é o sentido de tudo isso? Se você aceita esses valores falsos, pode ser um pouco mais feliz às vezes, até que a morte venha, ou a doença venha, ou alguma outra coisa venha; e então, de repente, você se encontra face a face com a realidade.
É um mundo perdido para Deus, perdido para a vida eterna e perdido para a glória de Deus. É um mundo relegado à escravidão férrea do pecado e da morte — uma prisão de trevas e cegueira. Esse é o mundo que você e eu conhecemos: um mundo cujo princípio perverso é o egocentrismo, inflado pelo orgulho e alienado da vida de Deus.
Foi a esse mundo — este mundo — que o Senhor Jesus veio, dando testemunho da realidade genuína de todas as coisas, dando testemunho do verdadeiro caráter de tudo isso.
Não estou falando apenas de Deus. O Senhor Jesus, por Sua própria presença, de repente fazia homens e mulheres perceberem que não haviam sido destinados a isso. De repente, prostitutas, publicanos e pecadores começaram a despertar para o fato de que aquilo não era vida, de que estavam perdidos e de que havia mais do que apenas um ideal: havia uma possibilidade real. Ele despertava algo nas pessoas. Era o testemunho que Ele dava.
Vocês compreendem o que quero dizer? Era a Sua própria presença, assim como a Sua pregação, que, de alguma maneira, fazia outro mundo se fazer sentir sobre as pessoas, outro reino se fazer sentir sobre as pessoas, outra vida se fazer sentir sobre as pessoas.
Não era apenas que Ele interpretava e definia para nós alguma coisa sobre Deus — sobre Sua verdadeira natureza e Seu caráter. Não era apenas que revelava, proclamava e declarava Deus; Ele nos mostrava para que havíamos sido criados. Mostrava-nos o lado escuro da moeda, assim como o lado luminoso.
Se você estudar sua Bíblia, encontrará isso em muitos lugares. Limite-se ao Evangelho de João. João 3:31-36 diz:
Aquele que vem do alto está acima de todos: aquele que é da terra é terreno e fala da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. Daquilo que Ele viu e ouviu, disso dá testemunho; e ninguém recebe o Seu testemunho. Aquele que recebeu o Seu testemunho confirmou que Deus é verdadeiro. Porque Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus: pois Ele não dá o Espírito por medida. O Pai ama o Filho e entregou todas as coisas em Sua mão. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não obedece ao Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.
Depois, João 5:30-37:
Eu nada posso fazer de Mim mesmo: como ouço, julgo; e o Meu julgamento é justo; porque não busco a Minha própria vontade, mas a vontade Daquele que Me enviou. Se Eu dou testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro. Outro é Quem dá testemunho de Mim; e sei que o testemunho que Ele dá de Mim é verdadeiro. Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Mas o testemunho que recebo não vem de homem: contudo, digo estas coisas para que sejais salvos. Ele era a lâmpada que ardia e iluminava; e vós quisestes alegrar-vos por algum tempo na sua luz. Mas o testemunho que tenho é maior que o de João; porque as obras que o Pai Me deu para realizar, essas mesmas obras que faço, dão testemunho de Mim, de que o Pai Me enviou.
João 8:12 diz:
Então Jesus lhes falou novamente, dizendo: Eu sou a luz do mundo: aquele que Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.
Quando os fariseus disseram:
Tu dás testemunho de Ti mesmo; o Teu testemunho não é verdadeiro.
Jesus respondeu:
Ainda que Eu dê testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho é verdadeiro; porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne; Eu a ninguém julgo. E, se Eu julgar, o Meu julgamento é verdadeiro; porque não estou só, mas Eu e o Pai que Me enviou. E também na vossa lei está escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou Quem dá testemunho de Mim mesmo, e o Pai que Me enviou dá testemunho de Mim.
Depois, João 18:37:
Disse-Lhe, pois, Pilatos: Então, Tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que Eu sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade.
Voltem a João 3:19-21, que funciona como um comentário sobre essas outras passagens:
E este é o julgamento: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque foram feitas em Deus.
O testemunho de Jesus é muito mais do que simplesmente um testemunho de lábios ou de palavras. É muito mais do que a verdade que Ele proclamou. Ele não apenas deu testemunho; Ele próprio era esse testemunho. Não estava apenas em Seus lábios, mas em Seu próprio ser.
Ele próprio era a expressão exata de como Deus é e do que Deus deseja — do tipo de Pessoa que Deus é e do tipo de homem que Deus deseja. No momento em que olhamos para o Senhor Jesus Cristo, vemos duas coisas, de alguma maneira juntas, inseparavelmente juntas e, ainda assim, bastante distintas.
Vemos no Senhor Jesus o tipo de Pessoa que Deus é: o coração de Deus revelado e a mente de Deus revelada. E vemos no Senhor Jesus o tipo de homem que você e eu deveríamos ser. Imediatamente, vemos o tipo de Pessoa que Deus é e o tipo de pessoa que Deus originalmente pretendia que você e eu fôssemos. Esse é o testemunho.
Vocês encontram isso em muitas passagens das Escrituras:
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Novamente:
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
Não era apenas o que Ele pregava. Nele, em Seu próprio ser, estava o testemunho. Ele era cheio de graça e de verdade. Contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.
Novamente, João 14:9:
Aquele que Me viu, viu o Pai.
E João 12:45:
Aquele que Me vê, vê Aquele que Me enviou.
Ou Hebreus 1:2-3:
Nestes últimos dias, falou-nos pelo Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos; O qual, sendo o resplendor da Sua glória e a expressão exata da Sua substância.
Isso realmente ultrapassa a nossa compreensão. Esse é o tipo de Pessoa que Deus é, revelado no Senhor Jesus. Como pode algum ser criado e finito compreender Deus? Não podemos. Deus é Espírito. Deus é infinito. Deus é imenso. Deus é santo e está incompreensivelmente além de nós.
Nenhuma pequena inteligência criada pode jamais sondar Deus, nem mesmo compreender Deus. Mas, no Senhor Jesus Cristo, Deus tem uma forma humana. De repente, Deus ganha contornos definidos. Deus Se torna compreensível, se vocês entendem o que quero dizer.
Seus olhos têm uma cor, Seus cabelos têm uma cor, Seu rosto tem uma forma concreta; Suas mãos trabalharam numa bancada de carpinteiro. Havia marcas em Seu rosto que revelavam os anos de trabalho pelos quais passou, e assim por diante. Ele podia chorar. Podia sentir fome. Podia sentir sede.
Vemos o tipo de Pessoa que Deus é, mas também vemos o tipo de pessoa que Deus deseja. Se vocês lerem aqueles capítulos aterradores — Mateus 5, Mateus 6 e Mateus 7 —, que normalmente chamamos de Sermão do Monte, e começarem a avaliar a si mesmos por eles, todos nós ficaremos aquém.
Há apenas uma Pessoa cuja vida corresponde perfeitamente ao Sermão do Monte, e essa Pessoa é o Senhor Jesus. Em cada parte dele, Ele expressou perfeita e absolutamente o tipo de homem que Deus originalmente pretendia que fôssemos.
Não é de admirar que, mais tarde, o apóstolo Pedro, ao escrever uma carta, diga:
Cristo também sofreu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais os Seus passos.
É isso que chamamos de testemunho de Jesus. Mas quero avançar um pouco mais nesta noite. Para mim, ele é visto ainda mais claramente nas oito grandes declarações que o Senhor Jesus fez e sobre as quais João fundamentou seu Evangelho: aquelas declarações tremendas, oito ao todo — “Eu sou”.
Não é sem significado que aquele que viu as visões do livro de Apocalipse e que usa a expressão “o testemunho de Jesus” mais do que qualquer outro seja o mesmo que, em seu Evangelho, reúne tudo em torno dessas oito grandes declarações do Senhor Jesus Cristo.
Nas anotações, vocês encontrarão as referências às oito declarações, mas penso que a maioria de vocês as conhece:
Eu sou o pão da vida.
Eu sou a luz do mundo.
Antes que Abraão existisse, Eu sou.
Eu sou a porta.
Eu sou o bom pastor.
Eu sou a ressurreição e a vida.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Eu sou a videira verdadeira.
João as registra uma a uma, não ao acaso em seu Evangelho, mas segundo um grande plano. Nesse plano, ele entrelaça oito grandes sinais e vários outros acontecimentos. Tudo o que João procura fazer é apresentar diante de nós o testemunho de Jesus.
Jesus não disse: “Eu dou o pão da vida” ou “Eu produzo o pão da vida”. Ele disse:
Eu sou o pão da vida.
Ele não disse: “Eu sou a culminação da história do Antigo Testamento”. Disse: “Eu sou a história do Antigo Testamento”.
Antes que Abraão existisse, Eu sou.
Ele não disse: “Eu aponto para a porta”. Disse:
Eu sou a porta.
Não disse: “Eu dou a vida”. Disse:
Eu sou a ressurreição e a vida.
Não é apenas que Ele nos ressuscitará um dia, mas que Ele é a ressurreição e a vida — não apenas o que prega, mas o que Ele é em Si mesmo.
Esse é o testemunho de Jesus.
Gostaria de dar a vocês apenas alguns exemplos, extraídos do Evangelho de João, do que o testemunho de Jesus significa na prática. Se vocês abrirem em João 2, o que encontrarão? O primeiro sinal é a transformação da água em vinho.
Muitas vezes pensei que há muitos cristãos para os quais isso deveria ser um grande problema. Afinal, se o Senhor tivesse feito o que eles consideram correto, deveria ter transformado vinho em água. Mas Ele transformou água em vinho e, para que ninguém pudesse escapar disso, era vinho da melhor safra.
Aqueles que entendiam bastante de vinho disseram:
Tu guardaste o bom vinho até agora.
O vinho realmente bom, de uma safra antiga, foi servido no final. O que o Senhor Jesus estava fazendo? Naturalmente, isso não é desculpa nenhuma para nos entregarmos à bebida.
O ponto que o Senhor Jesus estava demonstrando era este: o corruptível transformado em incorruptível. É o testemunho de Jesus. No Oriente, a água é a coisa mais perigosa deste mundo. Deixe-a num recipiente de pedra por mais de um ou dois dias, e ela fica estagnada; uma aldeia inteira pode ser dizimada pela cólera.
Ela era corruptível. Mas, meu querido filho de Deus, você pode deixar o vinho por anos e anos e anos, e, quanto maior a porcentagem de álcool, mais seguro ele é. É incorruptível.
João 2:11 diz expressamente:
Jesus realizou este princípio dos Seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a Sua glória.
Não milagre — sinal. Um sinal é mais do que um milagre: é um milagre com significado. Quem pode transformar o corruptível em incorruptível? Meu pobre e velho corpo! Não sou tão velho, mas tenho um velho corpo corruptível, e ele envelhece o tempo todo. Vocês também têm. Mas um dia o Senhor Jesus — ah, que glória! — vai transformá-lo em algo incorruptível.
Voltem-se para a última parte de João 2, e o que encontrarão? Encontrarão o Senhor Jesus entrando no templo e fazendo algo que incomodou algumas pessoas. Parecia que Ele havia perdido a calma. Na fúria intensa de Sua indignação, Ele deliberadamente fez um chicote de cordas, virou todas as mesas e provocou uma confusão generalizada no pátio externo do templo.
Ele disse:
Não façais da casa de Meu Pai uma casa de comércio.
Quem dera muitos de nós, cristãos, pudéssemos ouvir a Palavra do Senhor a esse respeito. Então Ele disse:
Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei.
O testemunho de Jesus. Isto que vocês veem — todos estes edifícios — não é nada, disse o Senhor Jesus. Este é o templo. Destruam-no, e em três dias Eu o levantarei: um templo incorruptível e eterno, uma habitação de Deus no Espírito, no qual todas as nações encontrarão sua casa de oração.
Então vocês chegam a João 3. Um dos maiores mestres da Bíblia em Israel vem ao Senhor Jesus à noite. Ele tenta discutir com o Senhor Jesus as Suas declarações, o fundamento de Seus milagres e sinais, e assim por diante. O Senhor deixa tudo isso de lado e diz:
Em verdade, em verdade te digo: Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Então Ele prossegue:
É necessário nascer da água e do Espírito. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Aqui está o testemunho de Jesus.
O Senhor Jesus entra numa situação marcada por cultura, instrução, religião, piedade e decência; e, de repente, a luz de Deus brilha num coração obscurecido — decente, íntegro, moral, piedoso, mas escuro e alienado.
De repente, o querido Nicodemos deve ter ficado rodando como um pião. “O que o Senhor quer dizer?”, pergunta ele. “Nascer de novo? Preciso entrar no ventre da minha mãe?” Claro que não. Foi uma coisa muito tola de se dizer.
No fim, Nicodemos compreendeu tudo. Acabou se convertendo. Mas vocês veem onde a luz brilhou primeiro? Num homem culto, religioso, instruído, piedoso, que pensava estar fazendo tudo o que lhe era exigido. De repente, ali estava o testemunho de Jesus.
Aquilo que é da terra é terreno. Pobre Nicodemos: “Como pode ser isso?”, pergunta ele por fim. “Não pode ser pela inventividade, criatividade ou inteligência humana”, diz o Senhor Jesus.
Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado.
Aquilo que envenenou a humanidade — que envenenou e destruiu até os melhores e mais decentes seres humanos —, isso Eu vou tomar sobre Mim na cruz e morrer por causa disso. Então o caminho será aberto para que o Espírito de Deus entre em seu coração, quando você for lavado e purificado do seu pecado, e produza um novo nascimento, de modo que você já não seja nascido da terra, terreno, mas nascido do céu — nascido do alto.
Vocês prosseguem para João 4 e encontram a mulher samaritana. Ela vinha animadamente para o poço, com seu cântaro na cabeça, para buscar água. Sem dúvida, tinha vivido bastante. Provavelmente havia passado por muitos sofrimentos na vida. Creio que não se passa por cinco casamentos sem algum sofrimento.
Ela tivera sua boa parcela de sofrimento, provações e dificuldades; e lá vai ela, com um ar despreocupado. O Senhor Jesus lhe diz: “Você poderia Me dar um copo de água?” Essa foi a primeira coisa: o testemunho de Jesus.
Nossas ideias sobre o testemunho de Jesus são bem diferentes. Teríamos imaginado que Ele ficasse ali e a atravessasse com um olhar santo, de modo que ela se encolhesse e, de repente, todos os seus cinco maridos passassem diante de seus olhos. Mas nada disso aconteceu. O Senhor Jesus diz, de maneira bastante espontânea: “Você poderia Me dar um copo de água?”
“Senhor”, diz ela, “Tu és judeu?” Sim, Ele era.
Como é que Tu me pedes de beber, sendo eu mulher samaritana?
Ela não mantinha relações com os judeus; e, no caso dela, isso era ainda mais acentuado. Só prostitutas ou mulheres marginalizadas iam ao poço àquela hora do dia; além disso, elas jamais falariam com um homem.
Então eles tiveram uma maravilhosa discussão religiosa e teológica. “Nossos pais dizem que devemos adorar neste monte”, diz ela, “e vocês dizem que devemos adorar em Jerusalém”. Jesus ouviu tudo e então, de repente, disse:
Vai, chama teu marido.
Ela ficou sem saber o que dizer, um pouco perturbada.
Não tenho marido.
Disseste a verdade, respondeu o Senhor Jesus. Tiveste cinco maridos, e aquele que agora tens não é teu marido.
Num único instante, toda a fachada desabou como um castelo de cartas. Isso não foi feito à maneira religiosa, à maneira farisaica, arrastando uma mulher à presença da lei, apanhada em flagrante, e dizendo: “O que devemos fazer? Apedrejá-la?”
Tudo começou com um pedido da parte Dele. Vocês veem o testemunho de Jesus? Desse encontro extraordinário surgiu uma das coisas mais maravilhosas do Evangelho segundo João: o que é a verdadeira adoração — não aqui, nem ali, mas em espírito.
Vocês podem prosseguir, saltando vários capítulos, até chegar a João 11. Ali encontramos um dos maiores mistérios de todos: o mistério da morte de Lázaro. Vocês conhecem toda a história.
Eles suplicaram ao Senhor Jesus que viesse, mas, a princípio, Ele não veio. Deliberadamente, permaneceu onde estava. O Senhor Jesus sabia exatamente o que faria: ressuscitaria Lázaro dentre os mortos.
Deliberadamente, permaneceu onde estava até que houvesse absoluta certeza. A morte estava comprovada. Era evidente para todos. Não se tratava apenas de um desmaio. Ele estava no túmulo, a pedra havia sido colocada sobre a entrada, estava selado; tudo era certo. Então Ele veio.
Vocês sabem como Maria e Marta derramaram sua dor aos pés Dele e como o Senhor Jesus disse:
Eu sou a ressurreição e a vida.
Então Ele foi até lá, e aconteceu a coisa mais extraordinária. Meus queridos amigos, este é o testemunho de Jesus: de repente, o Senhor Jesus começou a chorar.
É, naturalmente, o versículo mais curto da Bíblia:
Jesus chorou.
É o versículo mais curto da Bíblia, mas é o mistério mais profundo de todo o Livro. O Senhor Jesus sabia que ressuscitaria Lázaro. Por que, então, chorou? Vou lhes dizer por que Ele chorou.
O Senhor Jesus, com Seu coração tão sensível, tão compassivo, tão cheio de empatia, sabia o que faria com Lázaro. Mas tudo o que havia acontecido ao homem atingiu o Senhor Jesus de uma maneira inteiramente nova.
O homem nunca foi criado para a morte. Nunca foi criado para toda essa corrupção, morte, miséria e vazio. De repente, toda aquela miséria, toda aquela infelicidade, tomou conta do Senhor Jesus. Deus nunca pretendeu isso. Deus nunca pretendeu que a morte, tal como a conhecemos, fizesse parte da Sua ordem de coisas.
Jesus chorou. E então ressuscitou Lázaro.
Nesse episódio, vocês foram introduzidos no lugar mais santo de todos, e desafio qualquer pessoa a compreendê-lo. Ali vocês estão face a face com o tipo de Pessoa que Deus é.
Vou expressar isso com outra palavra, de outro Evangelho. Talvez pareça sentimental, mas, se o Senhor Jesus não a tivesse dito, talvez fosse:
Nem mesmo um pardal cai em terra sem vosso Pai.
Vão e pensem nisso. Não significa que Deus seja sentimental, mas significa que tudo o que acontece nesta criação que geme, atingida pela miséria, toca Deus.
Cada acidente de avião, cada acidente de trem, cada perda de um ente querido, cada doença, cada crueldade contra crianças, cada vez que há crueldade contra um animal — seja o que for, de animal para animal ou de ser humano para ser humano —, neste mundo atingido pelo pecado, tudo isso, de alguma maneira, toca Deus. Deus é sensível a isso.
Vocês encontram tudo isso nestas duas palavras: “Jesus chorou”. Não era isso que Deus pretendia. Não é isso que Deus propôs. Não foi para isso que a humanidade e toda esta criação foram feitas. Era para algo inteiramente diferente disso.
Tomei apenas alguns exemplos do Evangelho de João para mostrar a vocês um pouco do que creio que o testemunho de Jesus significa. Não era apenas algo relacionado com o que Ele proclamava, com a verdade que proclamava. Não era apenas a verdade que proclamava, nem apenas as ações que realizava; era a Sua própria presença que causava aquele impacto poderoso e incisivo sobre o mundo.
Creio realmente que, às vezes, o Senhor Jesus não precisava dizer uma única palavra. Vocês encontram isso em João 8. Lá vem uma grande multidão, todos líderes religiosos muito respeitáveis, arrastando uma pobre mulher e atirando-a aos pés Dele. Eles dizem: “Nós a apanhamos em flagrante. A lei de Moisés diz que ela deve ser apedrejada. O que Tu dizes?”
Ele não respondeu uma palavra. Nenhum sermão dirigido a eles. Nenhuma grande frase feita sobre oferecer a outra face. Nem uma palavra. Ele simplesmente Se inclinou e começou a escrever no chão, e não sabemos o que escreveu. Na areia, Ele apenas traçava alguns rabiscos.
Um a um, eles foram saindo, do mais velho ao mais novo. O Dr. Campbell Morgan disse que saíram do mais velho ao mais novo porque o mais velho tinha mais pecado: havia vivido mais tempo. Foram saindo, um a um.
É isso que quero dizer quando afirmo que não era apenas a verdade que Ele proclamava, nem as ações que realizava. Era a Sua própria presença. Quando esteve diante de Pilatos, não respondeu uma palavra.
E daquele governador gentio endurecido saiu uma pergunta, quase num tom de anseio:
Que é a verdade?
O que é a realidade? Essa pergunta foi arrancada dele. Algumas pessoas acham que foi sarcasmo; eu não acho. Era a presença de Jesus. Era o testemunho de Jesus. Ele estava ali.
Vocês já experimentaram isso? Certamente, cada um de nós que conhece o Senhor, ainda que um pouco, já percebeu que, sempre que realmente tivemos contato com Ele, as coisas simplesmente ficaram diferentes.
Quando Ele Se aproximou de nós, quando falou conosco, quando alguma nova luz nos veio da Palavra de Deus, a verdade nos libertou:
Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
Não é assim? É o testemunho de Jesus.
Em última análise, era aquilo que Ele era. Ele não apenas deu testemunho da vida de Deus que Deus estava concedendo ao homem; Ele era essa vida. Era essa vida que era a luz.
A luz que o Senhor Jesus dava é uma espécie de vida inteiramente diferente. Não é a árvore do conhecimento do bem e do mal; é a árvore da vida. Não era apenas aqui na cabeça — saber que isto é errado e aquilo é certo. Era uma espécie de vida que se tornava luz.
João 1:4:
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
Novamente, João 8:12:
Eu sou a luz do mundo: aquele que Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.
Pensem nisso. É uma expressão extraordinária: a luz da vida. Não a luz da inteligência, mas a luz da vida. Era isso que o Senhor Jesus tinha.
Se você e eu quiséssemos resumir tudo, creio que eu o resumiria nas palavras do apóstolo João em 1 João 5:11:
E este é o testemunho: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Depois, 1 João 5:19-20:
Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no maligno. E sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos Aquele que é verdadeiro; e estamos Naquele que é verdadeiro, em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.
Creio que encerraremos aqui nesta noite, mas quero terminar com esta observação. O testemunho de Jesus, em sua análise última, em sua análise final, é que a vida de Deus — eterna, a própria vida do próprio Deus — estava Nele.
Quando você e eu O recebemos, quando nascemos de Deus, essa vida entra em nós, e ocorre uma união.
Precisamos levar o testemunho de Jesus muito mais adiante na próxima semana, porque é por isso que ele está ligado ao candelabro, e o candelabro está ligado à igreja. Mas tudo volta a isto: antes de tudo, a vida estava Nele.
Então, por meio de Sua morte e ressurreição, ela veio até nós. Fomos unidos a Ele, e Ele a nós. Se eu estou unido a Ele e Ele a mim, e você está unido a Ele e Ele a você, então algo aconteceu entre nós.
Todos estamos no mesmo Cristo, e o mesmo Cristo está em todos nós. Todos temos a mesma vida, e a mesma vida está em todos nós. Nascemos de Deus para uma nova família. Tornamo-nos membros de Cristo e uns dos outros.
Essa vida foi negada ao homem quando ele caiu. Vocês encontram isso nas palavras simples de Gênesis 3:22-24:
E disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de Nós, conhecendo o bem e o mal; e agora, para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva para sempre — Portanto, o Senhor Deus o mandou para fora do jardim do Éden, para cultivar a terra de que fora tomado. Assim, Ele expulsou o homem; e colocou ao oriente do jardim do Éden os querubins e a chama de uma espada que se voltava em todas as direções, para guardar o caminho da árvore da vida.
Desde a queda do homem, a vida lhe foi negada. A partir de então, os querubins se tornaram o símbolo do veto divino.
Quer vocês saibam disso ou não, é fato que, em todas as grandes civilizações do mundo, existiu alguma forma de querubim — desde os grandes cães alados chineses até os leões alados da Assíria, passando pelos dos grandes incas, até a Esfinge do Egito. Essa ideia se espalhou pelo mundo inteiro e permeou toda a civilização: criaturas temíveis que guardam, por assim dizer, o caminho para os deuses na mitologia.
Mas sabemos que os querubins são um símbolo do veto divino. A vida eterna do homem é negada por Deus a pessoas como você e eu.
Mais tarde, surgiu outro símbolo, ainda mais dramático em seu conteúdo: o véu do tabernáculo. Um grande e pesado véu separava o lugar santíssimo do lugar santo, e nesse véu havia querubins tecidos e bordados. Era o veto divino.
Nenhum de nós pode obter a vida de Deus. Esse véu só foi removido quando o Senhor Jesus Cristo sacrificou a Si mesmo — Sua própria vida sem pecado e incorruptível — pelo nosso pecado. Então, em Sua ressurreição, pelo Espírito Santo, Ele ofereceu a Si mesmo a nós como a própria vida de Deus, como vida eterna.
No momento em que o Senhor Jesus ofereceu a Si mesmo como sacrifício a Deus pelos nossos pecados — Sua vida perfeita —, naquele momento o véu do templo, com aqueles querubins bordados, foi rasgado em dois, de alto a baixo, pela mão de Deus. O caminho foi aberto.
Deus estava oferecendo novamente essa vida a homens e mulheres por meio de Seu Filho. O veto divino havia sido levantado — havia sido levantado.
Digo que isso é maravilhoso.
Aquele que crê no Filho de Deus tem a vida eterna.
Ouçam a simplicidade das palavras, mas, ah, a experiência de agonia por trás delas — os anos de preparação desde a eternidade.
Ou, novamente, ouçam as palavras do Senhor Jesus:
Aquele que come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem vida em si mesmo.
Quando vemos novamente uma imagem do céu em Apocalipse 4 e Apocalipse 5, que lemos, uma mudança gloriosa e dramática aconteceu.
Em vez de os querubins atuarem como guardas do caminho da vida, negando-a ao homem e bloqueando o caminho, de repente eles se tornam recepcionistas adoradores que acolhem homens e mulheres redimidos.
Toda uma multidão incontável de redimidos — dez mil vezes dez mil, e milhares sobre milhares — entra em grande fluxo, e os querubins já não bloqueiam o caminho, mas os conduzem para dentro. Primeiro, começam com os anciãos e o cântico e, por fim, dizem: “Amém”.
Esse é o testemunho de Jesus. É isso: Deus, em Cristo, triunfou de maneira definitiva e para sempre.
Aqui estamos, você e eu. Fazemos parte dessa história. Meu querido amigo, pense nisso: se você tivesse vivido no tempo de Abraão, estaria muito mais atrás. Aqui estamos, você e eu, perto do fim desta era, desta era gloriosa — a era da graça de Deus.
Ainda conhecemos um pouco de um mundo de cabeça para baixo. Ainda conhecemos um pouco de valores invertidos. Ainda conhecemos um pouco de um mundo fundamentado numa mentira. Ainda conhecemos um pouco de um sangue vital envenenado. Ainda conhecemos um pouco de um sentido que se perdeu por todos os lados ao nosso redor.
Estamos no mundo, mas já não fazemos parte dele.
O qual nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Ainda estamos aqui e, na sabedoria de Deus, a menos que Ele venha, todos teremos de morrer. Todos ainda precisamos experimentar algo daquilo que nunca deveria ter feito parte desta criação e do qual o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo nos liberta.
Mas é por isso que nos são dadas as promessas gloriosas: transformados num piscar de olhos; os mortos em Cristo ressuscitando primeiro; nós, os que estivermos vivos e permanecermos, sendo arrebatados para estar com eles.
Tudo isso é tão maravilhoso. É o testemunho de Jesus. Às vezes, é muito difícil para nós crer que Deus tem a palavra final nisso, que o triunfo definitivo é de Cristo. Mas é.
É por isso que temos o livro de Apocalipse. Veremos na próxima semana que há mártires debaixo do altar. Pensem nisso: a tampa é levantada, e um clamor sai: “Até quando?”
A voz responde do céu com absoluta serenidade: “Até que se complete o número dos mártires”. E a tampa é abaixada.
Para nós, parece: “Ai, ai, ai”. Mas, de outra maneira, isso é consolador. Tudo está de acordo com o plano soberano de Deus, tudo está sob controle. O triunfo é Dele — absolutamente.
Vocês têm esse livro com seu grande conflito, sua oposição satânica, seu sistema mundial de maldade, o anticristo; aqui, uma igreja falsa de alcance mundial; ali, tudo aparentemente dando errado de alguma maneira. Por fim, a última imagem é a da cidade descendo do céu, adornada como uma noiva para seu marido.
O triunfo definitivo pertence a Deus. Esse é o testemunho de Jesus.
Como veremos na próxima semana, esse é o testemunho que você e eu mantemos. Nós o mantemos: o testemunho de Jesus — aqueles que mantêm o testemunho de Jesus.
Graças a Deus, o Senhor Jesus, nosso Cabeça glorificado e triunfante, entrou nos céus e está assentado à direita de Deus Pai, fora do alcance de Satanás, fora do alcance de todos os poderes das trevas e do mal. Ele está ali; Ele triunfou.
Agora, cabe a nós manter o testemunho de Jesus sem fazer concessões, qualquer que seja o custo, qualquer que seja o preço, até que finalmente vejamos raiar o dia do triunfo definitivo de Deus. E veremos.
Espero realmente que o Senhor tenha ajudado vocês a compreender um pouco deste assunto complexo e difícil. Espero que o Senhor os ajude a compreender um pouco o que significa esta expressão: o testemunho de Jesus.
Vamos orar?
Agora, amado Senhor, elevamos nosso coração a Ti e Te louvamos por esse Teu testemunho. Senhor, nenhum de nós estaria aqui nesta noite se não fosse pela maneira como Tu vieste a este mundo e pela maneira como Te entregaste por nós.
Agora, Senhor, oramos para que nos seja concedida iluminação divina pelo Teu Espírito a respeito dessas coisas, para que, à medida que examinamos a Tua Palavra e Te buscamos, Senhor, comece a despontar em nós algo do significado dessa expressão.
Ilumina-nos, Senhor, pelo Teu Espírito, nós Te pedimos, e fazemos esse pedido em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.