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    Meeting Together #7: The Local Church © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Meeting Together #7: The Local Church
    Meeting Together #7: The Local Church
    Lambert, Lance

    A Igreja e a Igreja Local

    Vamos ler Mateus 16:18, o décimo oitavo versículo do capítulo dezesseis de Mateus:

    Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Depois, 1 Coríntios 12:28:

    A uns estabeleceu Deus na igreja.

    A uns estabeleceu Deus na igreja.

    Gálatas 1:13:

    Porque ouvistes qual foi outrora o meu procedimento no judaísmo; como, sobremaneira, perseguia eu a igreja de Deus e a devastava.

    Efésios 1:22:

    E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés; e, sobre todas as coisas, O deu como cabeça à igreja.

    Efésios 3:10:

    Para que, agora, pela igreja, seja conhecida dos principados e potestades nos lugares celestiais a multiforme sabedoria de Deus.

    Efésios 5:23-32 trata inteiramente do casamento e daquilo que ele simboliza e significa. Repetidas vezes, vocês encontram a palavra igreja:

    Cristo também amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela.

    Grande é este mistério: mas eu me refiro a Cristo e à igreja.

    É a igreja que está em vista ali.

    Colossenses 1:18:

    E Ele é a cabeça do corpo, da igreja.

    Colossenses 1:24:

    Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e, na minha carne, preencho o que resta das aflições de Cristo, por amor do Seu corpo, que é a igreja.

    Por último, nesta série, 1 Timóteo 3:15:

    Mas, se eu tardar, para que saibas como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo.

    O Termo “Igrejas”

    A segunda série trata deste termo: as igrejas. Se voltarmos agora a Atos, a palavra igrejas é usada aproximadamente trinta e cinco vezes no Novo Testamento.

    Atos 14:23:

    E, havendo-lhes constituído presbíteros em cada igreja—

    Cada igreja: são várias igrejas.

    Atos 15:41:

    E percorreu a Síria e a Cilícia, fortalecendo as igrejas.

    Atos 16:5:

    Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e aumentavam em número diariamente.

    As igrejas aumentavam em número diariamente — não apenas os crentes aumentavam diariamente, mas as igrejas aumentavam diariamente. Tremendo.

    Romanos 16:4 fala de:

    Todas as igrejas dos gentios.

    Romanos 16:16 diz:

    Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam.

    Em 1 Coríntios 7:17, Paulo diz:

    Assim ordeno em todas as igrejas.

    Em 1 Coríntios 11:16:

    Nem as igrejas de Deus.

    Em 1 Coríntios 16:1, ele se refere a:

    As igrejas da Galácia.

    E, em 1 Coríntios 16:19:

    As igrejas da Ásia vos saúdam.

    Depois, 2 Coríntios 8:1 fala de:

    As igrejas da Macedônia.

    2 Coríntios 8:18-19 refere-se a um irmão cujo louvor no evangelho se espalhou por todas as igrejas e que foi escolhido pelas igrejas para viajar com eles. 2 Coríntios 8:23 chama certos irmãos de:

    Apóstolos das igrejas.

    E de:

    Glória de Cristo.

    Gálatas 1:2 é dirigido:

    Às igrejas da Galácia.

    Gálatas 1:22 diz:

    E eu era ainda desconhecido de rosto às igrejas da Judeia que estavam em Cristo.

    Em 1 Tessalonicenses 2:14, Paulo diz:

    Porque vós, irmãos, vos tornastes imitadores das igrejas de Deus que estão na Judeia em Cristo Jesus.

    Por último, Apocalipse 22:16:

    Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas para as igrejas.

    Isso é muito interessante, porque significa que todo o livro de Apocalipse foi dado para as igrejas.

    A Igreja, as Igrejas e a Igreja em uma Localidade

    Depois, vocês verão uma terceira série: a igreja em. Aqui, apenas alguns versículos.

    Atos 11:22 diz:

    E a notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém.

    A igreja que estava em Jerusalém.

    Atos 13:1 diz:

    Havia em Antioquia, na igreja que ali estava—

    A igreja em Antioquia.

    Romanos 16:1:

    Recomendo-vos Febe, nossa irmã, que serve à igreja que está em Cencreia.

    Depois, 1 Coríntios 1:2:

    À igreja de Deus que está em Corinto.

    Há vários outros; vamos deixá-los de lado.

    A quarta série tem a ver com Apocalipse 1, 2 e 3 — os três primeiros capítulos de Apocalipse. Se vocês abrirem nesses capítulos, encontrarão as três coisas de que falamos aqui.

    Em primeiro lugar, vocês têm a igreja: a igreja, se quiserem, em sua totalidade — no sentido da igreja na terra, mas da igreja ao longo dos séculos e das gerações desta era.

    Depois, temos sete igrejas selecionadas. Todos vocês precisam perceber que o Senhor poderia ter enviado uma mensagem a cada igreja existente naquele tempo, e havia milhares e milhares de igrejas. Por que o Senhor escolheu sete? Por que não doze? Por que não nove? Por que não quatro? Por que escolher sete?

    A maioria de vocês, creio eu, sabe que os números têm valor simbólico na Bíblia — especialmente no Antigo Testamento e, é claro, no Novo, porque essa era uma maneira judaica de fazer as coisas, uma maneira rabínica. O número sete é o símbolo da totalidade, da completude, da plenitude — tudo está ali. Sete dias em uma semana: uma semana completa. É absolutamente completa.

    Assim, vocês têm sete igrejas selecionadas da província da Ásia, e essas sete são escolhidas para representar a totalidade da igreja — em outras palavras, a igreja em sua completude, em sua plenitude, no tempo, na terra.

    Agora, alguém pode dizer imediatamente: “Bem, como você sabe disso?” Bem, se vocês olharem Apocalipse 3:1, lemos:

    Estas coisas diz Aquele que tem os sete Espíritos de Deus.

    Alguém diz: “Ah, não tenho certeza disso. Certamente eram, literalmente, sete igrejas”. É claro que eram, literalmente, sete igrejas; nós sabemos disso. Mas o fato de terem sido escolhidas sete — a ênfase não está na literalidade das sete, mas no valor simbólico do sete.

    Todos sabemos que seria uma heresia absolutamente blasfema ensinar que Deus tem sete espíritos. Deus tem apenas um Espírito: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo — três em Um e Um em três. Mas os sete Espíritos de Deus são o Espírito Santo em toda a Sua plenitude, habitando nas sete igrejas.

    Essa é a glória disso: o Espírito Santo habitando nelas. Assim como há apenas uma igreja porque há um só Cristo, também há um só Espírito Santo. Mas a única igreja é dividida aqui em sete, e o único Espírito Santo é dividido em sete, se quiserem, nesse sentido.

    Cristo no Meio das Sete Igrejas

    Anotei várias passagens das Escrituras para vocês examinarem. Apocalipse 1:10-13 diz:

    Eu estava no Espírito, no dia do Senhor; e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em um livro e envia-o às sete igrejas.

    Em seguida, são dados os nomes delas.

    Apocalipse 1:12-13 continua:

    E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, tendo-me voltado, vi sete candeeiros de ouro; e, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um Filho do Homem, vestido de uma veste que chegava até os pés e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.

    Se vocês olharem um pouco mais adiante, é claro, verão que é o próprio Senhor Jesus. Ele está no meio das sete igrejas. É uma imagem da igreja em sua completude e plenitude no tempo, com o Senhor — a presença de Deus — no meio delas, andando no meio das sete.

    As Igrejas

    Depois, vocês têm as igrejas. Em Apocalipse 2:7, lemos:

    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    Novamente, em Apocalipse 2:11:

    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

    A mesma frase aparece novamente em Apocalipse 2:17 e 29; depois, em Apocalipse 3:6, 13 e 22.

    Em outras palavras, vocês têm este termo: as igrejas. Por que o Senhor não disse:

    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja.

    À igreja em Éfeso, por exemplo? Mas Ele não diz isso. Ele diz:

    Às igrejas.

    A Igreja em uma Localidade

    Depois, vocês têm a igreja em. Apocalipse 2:1 diz:

    Ao anjo da igreja em Éfeso escreve.

    Apocalipse 2:8:

    Ao anjo da igreja em Esmirna.

    Apocalipse 2:12:

    Ao anjo da igreja em Pérgamo.

    Apocalipse 2:18:

    Ao anjo da igreja em Tiatira.

    Depois, Apocalipse 3:1, 7 e 14 continua da mesma forma.

    Assim, vocês têm três coisas:

    1. A igreja em sua natureza universal, em certo sentido — a realidade incorruptível, representada pelos candeeiros de ouro.
    2. As igrejas — a igreja no tempo e na terra.
    3. A igreja em uma localidade — a única igreja dividida apenas pela localidade geográfica, onde os crentes vivem.

    A Igreja como Noiva e Cidade de Deus

    Há mais uma série aqui embaixo. Não tenho certeza de que realmente temos tempo, porque nosso tempo já passou, mas, nesta última série, anotei para vocês passagens das Escrituras que tratam da igreja como a noiva e a cidade de Deus.

    Apocalipse 21:2, 9 e 10 relaciona a noiva e a cidade como sinônimos. Em Hebreus 12:22-23, vocês verão a igreja. Ali não se diz diretamente que a cidade é a igreja, mas em Hebreus 12 vocês encontram a igreja; e em Efésios 5 encontram a noiva. Aqui, a cidade é chamada de “a igreja dos primogênitos”; e ali, a noiva é a igreja.

    Comparem isso com Apocalipse 22:16:

    Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas para as igrejas.

    E comparem com Apocalipse 1–3. Em outras palavras, todo o livro de Apocalipse deve ser visto no contexto da igreja e das igrejas. Vocês precisam entendê-lo dessa maneira. Se não o fizerem, não conseguirão compreender.

    As últimas palavras do Senhor foram:

    Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas para as igrejas.

    Então, as palavras imediatamente seguintes são:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem.

    As igrejas e a noiva estão ligadas uma à outra.

    Vocês encontram isso novamente nas palavras:

    Ao que vencer.

    A mensagem a cada uma das sete igrejas nos três primeiros capítulos de Apocalipse termina com este desafio retumbante — este chamado retumbante, se quiserem: “Ao que vencer” será dado isto, aquilo ou aquilo outro. Sete vezes o Senhor diz isso.

    Se vocês olharem Apocalipse 21:7, encontrarão a cidade de Deus, a Nova Jerusalém, a noiva, ligada ao vencer nas igrejas:

    O que vencer herdará estas coisas.

    Assim, para fazer parte da noiva de Deus e da cidade de Deus, é preciso vencer no âmbito das igrejas. Espero que isso sirva como uma pequena introdução.

    A Igreja Local como Expressão de Cristo

    Nesta noite, vou entrar diretamente no sexto ponto que quero apresentar nestes estudos de Por que Vocês Estão em Halford House? O sexto ponto é este:

    O único método de Deus para expressar ao mundo a igreja, o corpo de Cristo, é a igreja local.

    Agora, vou repetir:

    O único método de Deus para expressar a este mundo a igreja, o corpo de Cristo, é a igreja local.

    A Igreja e as Igrejas

    Há dois termos usados frequentemente no Novo Testamento. O primeiro é a igreja, e o segundo é as igrejas. São os termos que vocês encontram repetidas vezes. Lemos um bom número de passagens, embora de modo algum tenhamos esgotado todas elas. Apenas selecionamos algumas.

    Agora, a igreja fala sempre — sempre que vocês encontrarem o termo a igreja, precisam entendê-lo pelo contexto — do corpo de Cristo universal, mundial: aqueles que ainda estão na terra e aqueles que já foram reunidos na glória. É um termo que abrange todas as eras, todas as partes, todos os tempos e todos os povos.

    Na presente era e, de fato, em todas as eras do tempo, ela é invisível e intangível. Vamos dizer isso claramente. É a igreja de Deus: eterna, indivisível e una.

    Depois, vocês têm outro termo: as igrejas. Esse termo fala sempre da igreja em sua expressão prática na terra — isto é, a igreja tangível, visível, concretamente expressa no tempo, nesta terra, em determinada localidade ou em determinadas localidades.

    Tudo o que o termo a igreja significa é expresso e manifestado localmente. Agora, isso não eleva essa expressãozinha horrível, a igreja local, a um nível completamente diferente? Essa é a ideia de Deus.

    A igreja local não é algo mesquinho, algo sórdido, algo meramente terreno. A ideia de Deus para a igreja local é que somente ali tudo o que há na igreja eterna deve ser expresso. Para que a vida divina seja recebida e também expressa, os princípios que governam o eterno precisam operar no local. É simples assim.

    A Única Igreja Expressa em Diferentes Lugares

    Antes de chegarmos propriamente ao ponto, é importante reconhecer que as igrejas são a única igreja representada e expressa em diferentes lugares. Quero deixar esse ponto muito, muito claro.

    É a única igreja. Há apenas uma igreja. A igreja não é o agregado das igrejas; não é a soma de tantas igrejas. Olhem pelo outro lado: as igrejas são a igreja expressa. Então vocês compreenderam. Não devem olhar da outra maneira. As igrejas são a única igreja expressa em todos os diferentes lugares da terra.

    Se vocês abrirem em Atos 15:3, lemos:

    Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, anunciando a conversão dos gentios.

    Podemos muito bem perguntar: o que significa este termo, a igreja? Não é uma igreja particular; no entanto, é a igreja no tempo e na terra, nas localidades. É apenas uma igreja. Por toda a Fenícia e Samaria, eles foram de igreja em igreja, de igreja em igreja; mas Lucas, o doutor Lucas, apresenta assim: foi a igreja que os acompanhou em seu caminho. Há apenas uma igreja, expressa nos diferentes lugares.

    Vocês encontram isso novamente em Atos 9:31. Há uma diferença muito real entre a Revised Version, a American Standard Version, a Revised Standard Version e a New English Bible, de um lado, e a Authorised Version, de outro. Na Revised Standard Version, lemos:

    Assim, a igreja por toda a Judeia, Galileia e Samaria tinha paz.

    Nunca é “a igreja da Judeia e Samaria”, mas sempre “a igreja por toda”. Em outras palavras, apenas uma igreja expressa em todas essas igrejas por toda essa região. É apenas uma igreja dividida entre esses lugares.

    Se vocês abrirem em 1 Coríntios 1:2, lemos:

    À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos; com todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.

    É apenas uma igreja. Os crentes de Corinto estavam na igreja de Deus que estava em Corinto, mas, na realidade, eram um com todos os que invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo em todo lugar — com todas as outras igrejas. É apenas uma igreja. Vocês entendem? É bem simples quando começam a enxergar isso.

    O Cristo Indivisível e Seu Único Corpo

    O simples fato que governa a divisão da igreja na terra em igrejas é a absoluta unidade de Cristo. Ele é absolutamente um. Não há muitos Cristos; há apenas um Cristo. Ele é indivisível.

    Há apenas um Cristo, e esse simples fato governa de maneira absoluta a divisão da igreja em igrejas, visto que Cristo é tudo na igreja. Ele é tudo na igreja:

    Tudo e em todos.

    É um corpo, um Cristo, um corpo.

    Seja em Jerusalém, Cesareia, Antioquia, Tessalônica, Roma, Filipos, Richmond, Linz, Oslo, Nova York ou Xangai, é apenas um Cristo. Não há em Tóquio um Cristo diferente do Cristo em Richmond. Não havia em Tessalônica um Cristo diferente do Cristo em Jerusalém. Era precisamente o mesmo Cristo.

    Não havia em Roma um corpo de Cristo diferente daquele em Tessalônica. Há apenas um corpo porque há apenas um Cristo — um corpo. Se é o único corpo em Roma, é o mesmo corpo em Jerusalém; é o mesmo corpo em Éfeso; é o mesmo corpo em Richmond, graças a Deus, tantos anos depois. É o mesmo corpo em Tóquio, Xangai e Oslo. Não importa onde vocês estejam: é o mesmo e único Cristo.

    A Necessidade Prática das Igrejas Locais

    No entanto, por causa de uma evidente limitação física, não podemos nos reunir todos em um só lugar. Creio que isso é óbvio para todos e, portanto, há a necessidade de fazer alguma coisa.

    A Escritura diz em Hebreus 10:24 que devemos estimular uns aos outros ao amor — uma palavra muito forte. E Hebreus 10:25 diz:

    Não deixando a nossa própria congregação, como é costume de alguns; antes, exortando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.

    Em outras palavras, quanto mais aquele Dia se aproxima, mais cuidadosos vocês devem ser quanto a se reunirem. Mas como podemos nos reunir todos? Somos apenas uma igreja, mas não podemos nos reunir todos em um só lugar, podemos? Seria absolutamente ridículo se os milhões e milhões de cristãos tivessem, de alguma forma, de se reunir todos. Não caberíamos todos em um único edifício.

    Assim, por causa de uma evidente limitação física, o Espírito Santo achou por bem dividir a igreja por um único meio: a localidade geográfica. Ele divide a igreja com o mínimo de divisão — onde você vive, onde reside. É bem simples.

    Há necessidade de nos reunirmos, não é verdade, para a edificação mútua? Como milhões de cristãos podem edificar uns aos outros? Podemos ouvir Billy Graham, mas como podemos edificar uns aos outros em uma reunião assim? Para a edificação mútua, é preciso haver algum tipo de fragmentação, alguma divisão em unidades menores, para que exista uma unidade viável na qual todos possam edificar uns aos outros — onde possa haver intercâmbio e relacionamento espiritual, onde possa haver verdadeira comunhão.

    Caso contrário, tudo precisa permanecer abstrato e vazio. Todos podemos falar da mais maravilhosa e abençoada comunhão quando um milhão de cristãos se reúne, e de fato seria assim. Seria maravilhoso e extraordinário. Tivemos um gostinho disso até em Earl’s Court, apenas com os milhares que se reuniram ali. Mas isso precisa permanecer muito vago e muito abstrato e, acreditem, podemos escapar de todo tipo de questão nesse tipo de comunhão.

    Há também a necessidade de oração — de oração que produza ação e de ação efetiva. Como podemos orar de maneira efetiva se somos um milhão? Não podemos tratar concretamente das questões se temos uma reunião de oração com um milhão de pessoas. É maravilhoso e extraordinário, mas não é prático. Por quê? Porque ainda não temos corpos glorificados. Lá em cima tudo será diferente, mas aqui embaixo estamos em outra dimensão.

    Precisamos reconhecer essa limitação física. A mente humana não foi feita para conseguir abarcar milhões de pessoas em uma reunião de oração. Na verdade, creio que nossas reuniões de oração estão quase chegando ao limite do número de pessoas que a mente humana consegue abarcar. Vocês entendem o que quero dizer? O assunto de que estamos falando nesta noite é intensamente prático.

    Não se trata apenas da necessidade de ação efetiva. Como milhões podem agir, levantando-se juntos e realmente enfrentando de modo direto alguma enfermidade, alguma doença ou alguma prisão? É claro que podem fazê-lo, mas teriam de passar todo o tempo fazendo isso, não é? Não teriam tempo para mais nada se cada pessoa precisasse levar sua questão a uma autoridade central para que todos a ouvissem.

    Isso se tornaria absolutamente impossível de administrar, como um Estado burocrático. É claro que Deus não é um burocrata. Essa é a glória disso.

    Além disso, vocês e eu precisamos poder nos reunir para o testemunho e o serviço — não apenas ficar perdidos em uma multidão enorme, mas poder cumprir pessoalmente as palavras:

    Sereis Minhas testemunhas.

    E servir ao Senhor como sacerdotes. Há também a questão da disciplina. Se todos nos reuníssemos, somente a questão da disciplina faria com que os presbíteros desse enorme número de pessoas permanecessem, creio eu, em uma sessão eterna, disciplinando pessoas. É impossível.

    Dediquei algum tempo a falar de maneira quase infantil porque, vejam, esse assunto todo é absolutamente simples. Puramente para facilitar, única e exclusivamente para o governo prático, a disciplina prática e a experiência coletiva prática, a igreja é dividida em localidades geográficas.

    A Igreja em Mateus 16 e Mateus 18

    Se vocês olharem Mateus 16:18, já lemos:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Ali vocês têm a igreja mundial e universal: aqueles que já estão na glória, aqueles que estão na terra, em todos os climas, em todas as partes e em todas as eras.

    Mas agora abram em Mateus 18:15. Como vocês podem levar uma questão como esta àquela igreja? Ouçam Mateus 18:15-17:

    E, se teu irmão pecar contra ti, vai e mostra-lhe a sua falta entre ti e ele somente: se ele te ouvir, ganhaste teu irmão. Mas, se não te ouvir, toma contigo mais um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se ele se recusar a ouvi-los, dize-o à igreja.

    Agora, vocês sabem o que isso significa? Significa que, em algum lugar, a igreja — “Minha igreja”, edificada sobre esta rocha — precisa ser concretamente expressa em alguma localidade.

    Deixem-me dizer uma coisa: por mais fraca e falha que seja essa igreja expressa no tempo e em uma localidade, quando alguém leva uma questão a essa igreja, toda a igreja eterna está envolvida. É simples assim. Vocês não podem fazer divisões.

    É por isso que o apóstolo Paulo pôde dizer:

    Estou presente em espírito; já o julguei.

    Ele nem sequer estava em Corinto, mas disse: “Estou presente”. Todos estão presentes, porque é a igreja. Mas como vocês podem levar uma questão à igreja se não existe essa divisão da igreja naquilo que chamamos de localidades geográficas?

    Aqui está a sabedoria de Deus. Não se enganem: é absoluta sabedoria divina. Ah, o Senhor é o grande mestre em compreender os caminhos tortuosos do nosso coração. E tortuosos eles são. Ele conhece vocês por completo, de cima a baixo. Ele compreende o que está nas profundezas mais profundas do seu ser, aquilo que vocês nem sequer conhecem ou compreendem. O Espírito de Deus sonda tudo isso, e Ele sabe tudo a respeito.

    Em Sua sabedoria, Ele nos prendeu numa armadilha. Ai de quem tentar escapar dessa armadilha, porque, por mais espiritual que pareça ser, muito disso é artificial e um dia será revelado como tal. O Senhor tem sabedoria nessa questão.

    O que tudo isso significa? Se vocês continuarem em Mateus 18:17, o texto diz:

    Dize-o à igreja.

    E, se também se recusar a ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.

    Então, o Senhor diz em Mateus 18:18:

    Em verdade vos digo: tudo o que ligardes na terra será ligado no céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

    A igreja no céu diz: “Ratifiquem isso”. Se uma igreja na terra, em uma localidade, diz: “Isso está ligado”, a igreja na glória diz: “Amém. Está feito”. Aquilo que vocês desligam na terra é desligado no céu. É uma só igreja.

    Ora, em nossas reuniões administrativas, Abraão, Isaque e Jacó estão realmente todos presentes. É bastante notável, mas estão todos presentes. Vocês não sabem se um dia eles nos farão alguma pergunta. Mas todas as fileiras dos santos estão envolvidas — a igreja dos primogênitos —, todos envolvidos em tudo isso, porque somos apenas uma igreja.

    Acontece que estamos aqui em 1968, em Richmond. Mas isso remonta ao momento em que o Deus da glória apareceu pela primeira vez a nosso pai Abraão. Foi ali que tudo começou. É claro que a plena glória da revelação do mistério do corpo de Cristo só foi dada depois de Pentecostes.

    A Igreja em Cada Localidade

    Precisamos ter cuidado para não fazer digressões. Deixem-me colocar isso de outra maneira. Se eu tivesse vivido em Éfeso, teria estado na igreja em Éfeso. Se tivesse vivido em Tiatira, teria estado na igreja em Tiatira. Se tivesse vivido em Roma, teria estado na igreja em Roma. Era apenas uma igreja — a mesma igreja. Acontecia apenas que, onde eu morasse, ali eu estaria na igreja.

    Era realmente a igreja de Deus. Se vivo em Richmond, estou na igreja de Deus que está em Richmond. Se vivo em Linz, estou na igreja de Deus que está em Linz.

    A qual igreja o apóstolo Paulo pertencia? O fato é que ele pertencia à igreja. Quando estava em Éfeso, estava na igreja em Éfeso. Quando estava em Tessalônica, estava na igreja em Tessalônica. Quando estava em Antioquia, estava na igreja em Antioquia. Ele não era um membro da igreja em Antioquia em trabalho missionário. Havia apenas uma igreja.

    Muitas vezes fico pensando nisso quando estou em um avião. Quando estou em um avião, estou simplesmente na igreja. É simples assim. Pode parecer um pouco tolo, mas, se isso ajudar vocês a compreenderem a verdade de todo esse assunto, ficarei contente.

    Nunca havia duas igrejas em uma localidade. Era sempre a igreja em Antioquia, a igreja em Éfeso, a igreja em Filadélfia, e assim por diante. Nunca lemos “as igrejas em Antioquia” ou “as igrejas em Filadélfia”.

    Mesmo quando os crentes em Jerusalém eram milhares e não havia um local central de reunião adequado para abrigá-los todos, ainda era “a igreja que estava em Jerusalém”.

    A Igreja em Jerusalém

    Gostaria de mostrar isso a vocês, porque as pessoas dizem: “Ah, estamos vivendo no século vinte. Se vocês reunissem todos em tal lugar, seriam milhares e milhares”. Bem, esse era um problema do Novo Testamento.

    Vejam Atos 8:1:

    E levantou-se, naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém.

    A igreja que estava em Jerusalém.

    Houve uma perseguição tremenda, e todos foram espalhados por toda parte. Ah, mas esperem um pouco. Antes de ocorrer aquela perseguição, ainda era a igreja de Deus que estava em Jerusalém.

    Voltem diretamente a Atos 2:41:

    Então, os que receberam a sua palavra foram batizados; e, naquele dia, foram acrescentadas cerca de três mil almas.

    Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

    Atos 2:46 diz que, dia após dia, perseverando unânimes no templo, eles se reuniam. Ali estava seu local central de reunião — talvez não fosse um lugar muito favorável, mas era no templo. Todos os dias se reuniam no templo para ter comunhão, todos eles, partindo o pão de casa em casa.

    Depois, Atos 4:4 diz:

    Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram; e o número dos homens chegou a cerca de cinco mil.

    Eu calculo que, se avaliarmos fielmente os números, devia haver dez mil pessoas ali — no mínimo.

    Depois, Atos 6:7:

    E crescia a palavra de Deus; e o número dos discípulos se multiplicava grandemente em Jerusalém; e uma grande multidão de sacerdotes obedecia à fé.

    Depois, Atos 8:1 fala novamente de:

    A igreja que estava em Jerusalém.

    Devia haver algo como doze ou quinze mil crentes em Jerusalém até que a perseguição espalhou a maioria deles, deixando um grupo muito menor, que ainda contava com alguns milhares.

    Não é interessante o fato de que ela nunca foi chamada, em momento algum, de “as igrejas que estão em Jerusalém”? Em todo o Novo Testamento, ela é sempre chamada de “a igreja que está em Jerusalém”.

    Igrejas que se Reúnem em Casas

    Agora, alguém levantará as três referências a “a igreja que está em vossa casa” ou “a igreja que está na casa deles”. Há três delas: 1 Coríntios 16:19, Romanos 16:5 e Colossenses 4:15.

    As pessoas dirão imediatamente: “Certamente isso destrói todo o argumento”. Mas não destrói de modo algum. Em primeiro lugar, observem que um dos lugares mencionados é Éfeso. Áquila e Priscila eram pessoas abastadas — o que hoje chamaríamos de donos de fábrica. Tinham seu próprio negócio de fabricação de tendas e, evidentemente, uma casa grande, provavelmente com uma área muito ampla para fabricar tapetes, tendas e selas. Os fabricantes de tendas também fabricavam tapetes e selas. Era um negócio muito grande.

    Portanto, é bem possível que tivessem uma área muito ampla; não sabemos. Mas, em uma dessas referências — creio que seja a de Coríntios —, Paulo envia as saudações da igreja que está na casa deles. É perfeitamente possível e concebível que a igreja em Éfeso ainda se reunisse na casa de Áquila e Priscila, porque aquela casa poderia comportar a igreja naquele momento. Portanto, isso não invalida o argumento de modo algum.

    A outra referência é a de Romanos. Novamente, trata-se de Áquila e Priscila, aquele casal extraordinário, marido e mulher. Eles haviam partido para Roma e tinham outra casa grande em algum lugar ali. Foram os dois que chamaram Apolo à parte e o instruíram mais plenamente no caminho.

    As pessoas dizem que isso mostra que a igreja em Roma devia ter muito mais pessoas do que caberia na casa deles. Há dois pontos a considerar. Primeiro, o texto não diz que Áquila e Priscila realmente residiam em Roma; poderia muito bem ser em um lugar fora de Roma. Roma era a principal metrópole daquele tempo.

    Por outro lado, mesmo que fosse assim, Roma era a maior cidade do mundo antigo e tinha cerca de um milhão de habitantes. Era como Copenhague hoje, ou Birmingham. Mesmo que a igreja tivesse sido dividida em quatro, cinco ou seis grupos, ainda seria “a igreja que está em vossa casa”.

    Suponham que eu tivesse escrito uma carta de Jerusalém. Poderia ter dito: “A igreja de Jerusalém, que está em Jerusalém, reunindo-se na casa de fulano, envia saudações”. Isso não significaria que toda a igreja de Jerusalém, com doze mil pessoas, estivesse se reunindo na casa de uma irmã. Significa simplesmente que, naquele distrito específico, todos os crentes estavam se reunindo naquela casa. Portanto, isso não invalida o argumento de modo algum.

    A outra referência, em Colossenses, é a Laodiceia e Ninfa — ou Ninfas, conforme a nota marginal; talvez uma mulher, talvez um homem. O texto diz “a igreja que está na casa deles” ou, na margem, “na casa dela”. Não temos plena certeza.

    Isso não significa necessariamente nada contrário ao que dissemos. Poderia ser a igreja em Laodiceia reunindo-se na casa de Ninfa, ou Paulo poderia estar se referindo a algum outro lugar menor. Não sabemos. Mas o que podemos dizer é que isso não invalida o que dissemos.

    O Plural “Igrejas” e as Regiões Geográficas

    Devemos observar outro ponto: sempre que o plural igrejas é usado, refere-se a uma área ou região composta de várias cidades ou aldeias, e nunca a uma única cidade.

    Nunca, em nenhum lugar de todo o Novo Testamento, lemos “as igrejas em Roma”, “as igrejas em Tessalônica”, “as igrejas em Atenas” ou “as igrejas em Alexandria”. Nunca lemos isso.

    Lemos, por exemplo:

    As igrejas da Galácia.

    — 1 Coríntios 16:1.

    As igrejas da Ásia.

    — 1 Coríntios 16:19.

    As igrejas da Macedônia.

    — 2 Coríntios 8:1.

    As igrejas da Judeia.

    — Gálatas 1:22.

    Poderíamos continuar indefinidamente. O plural está sempre associado a áreas ou regiões nas quais há várias localidades.

    Pessoalmente, creio que essa questão é a mais simples e racional das Escrituras. Devo dizer que acho que qualquer tolo deveria ser capaz de enxergá-la. Por isso, fico espantado, sabendo quantos tolos foram salvos, que não haja maior clareza entre os cristãos sobre esse assunto. É extraordinária a absoluta cegueira que existe quando se trata dessa questão simples e racional.

    Deixem-me dizer novamente: a única divisão da igreja reconhecida e permitida por Deus nas Escrituras é a geográfica — isto é, por localidade.

    Vejam 1 Coríntios 1:1-2:

    A igreja de Deus que está em Corinto.

    Agora, comparem com Tito 1:5:

    Por esta causa te deixei em Creta: para que pusesses em ordem as coisas que faltavam e constituísses presbíteros em cada cidade.

    Vocês não acham extraordinário que o apóstolo Paulo não tenha dito: “Constitua presbíteros em cada igreja”? Mas ele não diz isso. São presbíteros em cada cidade.

    Depois, vejam Atos 14:23, onde temos precisamente a mesma expressão:

    E, havendo-lhes constituído presbíteros em cada igreja.

    Isso me parece tão claro. A igreja é sinônimo da localidade — da cidade.

    A Localidade como Unidade Administrativa

    Isso me leva a esta pergunta: o que queremos dizer com localidade? O que queremos dizer com localidade?

    Respondemos assim: pelas Escrituras, parece que se tratava de uma unidade administrativa — simples assim. Não uma unidade regional, não uma unidade nacional, mas uma unidade administrativa local.

    Em outras palavras, a autoridade civil é reconhecida nessa questão. Onde há Filipos, uma unidade administrativa civil definida; ou Éfeso, uma unidade administrativa civil; ou Jerusalém, uma unidade administrativa civil — isso é reconhecido como uma localidade. Novamente, é simples.

    Evidentemente, nos tempos do Novo Testamento, essa questão era muito, muito mais simples, porque as localidades eram definidas. Não existia essa sociedade altamente urbanizada em que vivemos. Mesmo Roma, que era a maior de todas, não se parecia com nada do que conhecemos.

    Eles não enfrentavam o problema de uma enorme área onde uma cidade havia se expandido, expandido e expandido, absorvendo várias outras — como Londres. Vocês podem ler livros na biblioteca que falam de viajar a cavalo por prados e campos desde Richmond até St. Martin-in-the-Fields. A cidade começava mais adiante; aquilo era Westminster.

    Nova York, Tóquio e Los Angeles são cidades modernas, mas as pessoas do Novo Testamento não enfrentavam esse problema de áreas altamente urbanizadas que cresceram e absorveram vários outros lugares. No entanto, vamos dizer isto: em termos gerais, o princípio continua válido.

    Em casos como Londres e outros lugares semelhantes, o povo de Deus precisa buscar o entendimento do Senhor quanto à aplicação desse princípio — sem comprometer o princípio, sem deixar de lado nenhum princípio, mas buscando o entendimento de Deus sobre como ele se aplica à nossa condição no século vinte.

    É claro que há exceções à regra, e precisamos encarar isso. Mas não podemos ser dogmáticos demais ao afirmar que qualquer divisão da igreja que não seja a divisão geográfica em localidades não é de Deus e necessariamente resulta em ruptura e desintegração.

    Portanto, qualquer coisa que se chame igreja e abranja menos do que uma localidade não é uma igreja; e qualquer coisa que abranja mais do que a localidade também não é uma igreja.

    Jesus Cristo como Fundamento

    Agora, o fundamento sobre o qual uma igreja é edificada é somente Jesus Cristo. Esse é o fundamento. Não há outro fundamento.

    Não edificamos sobre a história ou a tradição, por mais maravilhosas que sejam; tampouco edificamos sobre o ensino em si, nem mesmo sobre a experiência em si, ou sobre experiências em si. Edificamos sobre o fundamento que é Jesus Cristo, e somente Ele.

    Mas essa questão de Jesus Cristo ser o fundamento não é abstrata nem vaga. É absolutamente concreta. O fundamento é somente Jesus Cristo, conforme encontrado naquela localidade específica.

    Não consigo enfatizar isso com fervor suficiente, com veemência suficiente. É o primeiro princípio fundamental na realização prática da igreja. Até que o Espírito Santo encontre, de nossa parte, esse reconhecimento — de que o fundamento é Jesus Cristo conforme encontrado em nossa localidade —, Ele não Se comprometerá com uma obra de edificação coletiva, sob circunstância alguma.

    Não importa aonde vocês vão em todo o mundo: não encontrarão nenhuma edificação coletiva onde isso não seja reconhecido. Agora, não estou falando de edificação pessoal. Não estou falando de crescimento pessoal até certa medida. Estou falando da verdadeira edificação conjunta sobre a qual lemos no Novo Testamento, que, para a maioria dos cristãos, é um mito, uma lenda, um conto de fadas.

    “Maravilhosa, a igreja primitiva. Eles tinham todas as coisas em comum. Tinham um senso de pertencimento — pertenciam.” É algo que todos pensam ter acontecido no começo: um conto de fadas, uma lenda, algo primitivo, pré-histórico.

    Por que o Espírito Santo não Se compromete nessa questão de unir as pessoas, de fazer delas uma só realidade? É claro que precisamos crescer em direção ao corpo inteiro, mas, enquanto Ele não tiver essa simples questão do fundamento esclarecida, não Se comprometerá. Ele mantém tudo apenas como uma obra e abençoa as pessoas individualmente aqui, ali e em toda parte.

    Não sou muito velho, mas o que vi em minha pequena experiência confirma exatamente o que digo. Não importa quão grande seja a visão ou até onde as pessoas tenham avançado: se essa simples questão de Cristo como o único fundamento em uma determinada localidade não for reconhecida, o Espírito Santo não Se comprometerá.

    É por isso que há tamanha escassez de edificação da igreja, mesmo onde a autoridade de Cristo como Cabeça é conhecida até certo ponto. O Senhor precisa nos conduzir a essa questão.

    A Igreja Local como Método de Expressão de Deus

    Agora chegamos ao ponto. Essa questão da igreja local é de importância vital. Por quê? Porque é a única maneira ordenada por Deus pela qual a igreja deve e pode ser expressa a este mundo.

    De fato, é a única maneira pela qual este mundo pode ver Cristo em Sua unidade, Sua plenitude e Seu poder. Ele nunca será visto da mesma maneira em um indivíduo. Mas, quando Ele edifica pessoas como corpo, há um poder tão grande — vocês não conseguem explicá-lo.

    Curiosamente, o mundo entra em contato com isso, e as pessoas dizem: “O que há de diferente nesse grupo?” Não é apenas a pregação; não é apenas o lugar. Há alguma diferença misteriosa que elas não conseguem explicar. O que é? É a presença da igreja.

    Se vocês abrirem em João 17:21 e 23, verão que o Senhor diz:

    Para que todos sejam um; […] para que o mundo creia que Tu Me enviaste.

    E depois:

    Para que sejam aperfeiçoados em um; para que o mundo conheça que Tu Me enviaste.

    Comparem isso com João 13:34-35:

    Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

    Em outras palavras, isso precisa ser visto. E onde é visto? É visto na igreja local.

    A Expressão Visível da Realidade Espiritual

    Quero dizer uma ou duas coisas duras aqui. Essa unidade espiritual em Cristo de que estamos falando — a igreja de Deus — deveria ter expressão visível e tangível nesta terra, no tempo. É isso que queremos dizer com a palavra igrejas.

    Por que se sustenta tão frequentemente, de fato tão amplamente entre os cristãos — e é extraordinário: quanto mais espiritual você é, mais se sustenta isso —, que as coisas espirituais não têm expressão visível, não têm expressão tangível?

    Muitas vezes ouço pessoas que, tenho certeza, não refletiram sobre isso nos falarem do vento:

    O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz.

    Expressão concreta. Você não sabe de onde ele vem ou para onde vai, mas o ouve e pode senti-lo. As pessoas não pensam.

    Posso perguntar por que Deus veio na pessoa de Jesus Cristo? Não foi apenas que Ele Se limitou a um corpo humano. O Senhor Jesus era um Homem espiritual? Era Ele inteiramente do céu? É claro, vocês dizem. No entanto, era um Homem como vocês e eu. Era carpinteiro. Fazia ferramentas. Comia. Vivia. Respirava.

    Toda a Sua espiritualidade foi concretamente expressa em termos de carne e sangue. O apóstolo João faz questão de salientar isso mais tarde, quando diz:

    O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos; o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito da Palavra da vida.

    A vida eterna que estava com o Pai foi manifestada a nós. Expressão concreta.

    Se aplicássemos essa ideia — de que as coisas espirituais não têm expressão concreta, de que são, de algum modo, invisíveis e intangíveis — à conversão, ao novo nascimento, ao nascimento espiritual, à santificação, à piedade e à verdadeira fé, onde estaríamos? Estaríamos numa confusão completa.

    Por quê? Porque a Escritura diz:

    Pelos seus frutos os conhecereis.

    Quando uma pessoa se converte, esperamos ver uma mudança. De fato, sempre vemos uma mudança. Não é apenas que a esperamos; aprendemos a reconhecê-la. Algo acontece.

    A pessoa pode ainda estar com suas roupas velhas, sem fazer a barba e ainda na miséria, mas há uma luz em seus olhos. Todos dizemos: “O que aconteceu?”

    Uma Ilustração da Conversão

    Lembro-me de um rapaz em uma conferência. Eu não deveria gastar tempo contando isso a vocês, mas ele me foi apresentado por uma irmã um tanto zelosa demais, com a expectativa de que eu lhe apresentasse o evangelho — tudo, o pacote completo.

    Dei uma olhada naquele pobre rapaz de olhos sonolentos e pensei: “Ah, o que é isso?” Olhei para ele com toda a compaixão que consegui reunir e lhe disse: “Se você quiser conversar sobre essas coisas, meu quarto é o de número tal. Caso contrário, eu não me preocuparia”.

    Ele seguiu seu caminho. Eu não poderia, de modo algum, conversar com o pobre garoto quando ele tinha sido arrastado, mais ou menos pelos cabelos, para uma situação dessas. No entanto, ele veio a algumas reuniões. Lá estava ele, todo desalinhado, com uma aparência de quem tinha acabado de participar de uma disputa no campo de rúgbi, esporte que praticava com bastante regularidade. Evidentemente, nada estava entrando.

    Então, à Mesa do Senhor, notei uma diferença — uma diferença extraordinária. Não era sua gravata; ele já tinha uma. Não era sua camiseta de baixo, que todos os presentes podiam ver. Não eram suas roupas; eram exatamente as mesmas de antes. Mas havia algo em seu próprio rosto.

    Eu tentava identificar aquilo. Pensei: “Algo aconteceu com esse homem”. Depois, fui falar com ele. O que tinha acontecido? Ele havia se convertido em seu quarto.

    Havia uma mudança tangível, visível. Esperamos isso nessas coisas. Creio que todos os evangélicos diriam o mesmo. Esperamos isso na questão da santificação. Todo aquele que fala de santificação e não tem nada em sua vida é vento — conversa vazia.

    Se não podemos aplicar essa ideia de que as coisas espirituais são vagas, abstratas, não vistas, invisíveis e intangíveis a essas coisas, por que, em nome de Deus, deveríamos aplicá-la à igreja e à unidade de Deus? Não temos absolutamente nenhuma autorização para isso.

    É verdade que essa unidade de Cristo é essencialmente uma questão espiritual, interior, orgânica. No entanto, precisa ter expressão concreta e visível. Esse é todo o sentido da igreja local.

    O único método de Deus para expressar a este mundo a igreja, o corpo de Cristo, é a igreja local.

    A Igreja Local como Âmbito de Provação

    Tudo é aplicado em termos e circunstâncias bem concretos, muito concretos, na igreja local. Toda aquela conversa sobre unidade, toda aquela conversa sobre vitória, toda aquela conversa sobre plenitude — o Espírito Santo é tão fiel. Ele traz tudo isso para a realidade concreta da igreja local e o põe à prova.

    Às vezes, quase temos medo de abrir a boca, porque tudo é provado, provado, provado o tempo todo. Mas graças a Deus pela provação. Ela remove todas as coisas falsas, tudo o que é artificial, tudo o que é superficial, tudo o que se assimila dos outros como um camaleão. As pessoas perdem tudo isso, porque tudo é aplicado no âmbito da igreja local.

    Tudo precisa ter expressão concreta. Não importa o que seja; precisa ter expressão concreta. Isso é de tremenda importância, pois a verdadeira espiritualidade não é uma questão de teoria abstrata, ideais inviáveis ou atitudes impraticáveis.

    A Preservação da Unidade de Cristo

    Essa simples divisão geográfica da igreja em igrejas é inteiramente racional e tão prática em sua natureza. Ela não apenas expressa, mas preserva a unidade de Cristo.

    Vamos dizer isto: a igreja — sua unidade, sua coesão — nunca será expressa por movimentos mundiais, associações, federações ou conselhos, como o movimento ecumênico, o Conselho Mundial de Igrejas ou coisas desse tipo. Ela nunca será expressa por isso.

    Ela só será expressa quando os crentes em cada localidade deixarem tudo o que divide, tudo o que não é a igreja local e nunca poderá ser, e assumirem a base do corpo de Cristo.

    A Igreja Local Inclusiva, Representativa e Responsável

    A igreja local é, portanto, três coisas:

    1. É inclusiva.
    2. É representativa de Cristo.
    3. É responsável localmente.

    Vamos encerrar com essas três coisas.

    A Igreja Local É Inclusiva

    Em primeiro lugar, ela é inclusiva. Abrange e inclui todo crente nascido de novo em sua localidade, seja qual for sua condição. Reúne todos em Cristo naquele lugar.

    Seja qual for sua raça, sua nacionalidade, sua classe social, sua medida espiritual ou seu entendimento, todo filho de Deus que resida dentro dos limites de Richmond upon Thames pertence à igreja de Deus que está em Richmond.

    Não há essa questão de visitantes dinamarqueses, chineses, malaios ou americanos. Se algum dos naturais destas ilhas pensar dessa maneira, podem estar certos de que paralisarão a obra do Espírito Santo, porque a igreja não é uma questão de visitantes. A igreja é a igreja.

    Ela está acima das nacionalidades e das raças. Nós somos a igreja. Enquanto você reside aqui, não é dinamarquês, norueguês, escocês, galês ou qualquer outra coisa. Você é cristão e é membro do corpo de Cristo, com tanto direito de estar aqui quanto alguém que realmente nasceu em Richmond.

    Deixem-me colocar isso de outra maneira. A igreja não pode excluir ninguém que seja filho de Deus, exceto por determinados motivos: disciplina, apostasia e heresia.

    Vocês verão nas notas que receberam várias referências. Quero que as consultem, porque algumas pessoas dizem: “Onde há nas Escrituras uma base real para que todo crente esteja na igreja?”

    Eu as dei a vocês. Romanos 1:7:

    Todos os santos que estão em Roma.

    Filipenses 1:1 é o exemplo clássico:

    A todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos.

    Em outras palavras, é a igreja.

    Depois, 1 Coríntios 1:2:

    A igreja de Deus que está em Corinto.

    Aqueles que são santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que O invocam em todo lugar. Também dei a vocês Efésios 1:1 e Colossenses 1:2. Ela é inclusiva.

    Maravilhoso, não é? O fundamento é Jesus Cristo; a base é a localidade. Tão simples. Uma vez que vocês compreendam isso, é como se tivessem lançado uma espécie de laço ao redor de todos nós. Não dá para escapar.

    A Igreja Local Representa Cristo

    A segunda coisa é que ela é representativa de Cristo. O que quero dizer? Quero dizer que ela é representativa de Cristo naquela localidade. Ela O representa ali.

    Ela não está ali para propagar ênfases peculiares ou particulares, nem doutrinas próprias. É simplesmente a igreja local. É simplesmente, e profundamente, o corpo de Cristo — a igreja de Deus naquela cidade, vila ou aldeia.

    Isso não quer dizer que uma igreja não tenha uma ênfase. Assim como cada um de nós é diferente, também todas as igrejas são diferentes. Não são uniformes. Mas há uma enorme diferença entre ter uma ênfase — ter algo a oferecer por causa do caminho percorrido por aquele grupo específico de filhos de Deus naquela localidade — e existir para propagar, específica e exclusivamente, certos ensinos, experiências ou alguma outra coisa.

    Nessa questão de a igreja representar Cristo localmente, posso dizer quão glorioso isso é? Se o Senhor tardar e estivermos aqui na próxima quinta-feira, a última destas reuniões por enquanto, gostaria de falar um pouco mais sobre esse assunto, porque sinto que ele é muito importante.

    Basta dizer isto: é o chamado mais glorioso que qualquer um de nós poderia ter — representar Cristo em uma área. Como isso é glorioso. Significa que o Senhor Se compromete; Ele confia Sua autoridade. Ele Se compromete conosco porque é a igreja, não porque sejamos tudo.

    É isso que é tão surpreendente. Você reúne um grupo de elite, mas o Espírito Santo não Se compromete. Reúna um grupo fraco nessa base, com todo tipo de falha, e o Senhor Se compromete. Então você coça a cabeça e se pergunta por quê. Mas é uma questão da igreja, porque o Senhor está ali e é representado ali.

    Observem, a esse respeito, que nas Escrituras as igrejas nunca estão associadas a nenhum nome ou título além de Deus, de Cristo ou da localidade. Igrejas de Deus, igrejas de Cristo ou a localidade.

    Em 1 Tessalonicenses 1:1, o texto diz:

    A igreja dos tessalonicenses.

    Em Colossenses 4:15 ou 16, diz:

    A igreja dos laodicenses.

    Ainda mais notável, em Apocalipse 1:11, diz:

    Escreve […] às sete igrejas: a Éfeso e a Esmirna.

    E assim por diante.

    O Senhor realmente chama a igreja por sua localidade — não por qualquer outra coisa. Não a apoloniana, não a coríntia, não a luterana, nem qualquer outra. Não, Ele diz: “A Richmond. A Ashford. À Itália”. É surpreendente.

    A Igreja Local É Responsável Localmente

    Por último, ela é responsável localmente. Embora a igreja local deva sempre lembrar que faz parte da família inteira e procurar manter essa consciência da igreja, sua responsabilidade principal é sua própria localidade.

    Ela tem, inerentemente, em sua própria constituição, por assim dizer, uma comissão e uma visão mundiais. Qualquer igreja que perde isso perde algo na própria estrutura de seu ser, no próprio coração — na trama e na urdidura — daquilo de que é feita: uma visão e uma comissão mundiais.

    Mas nunca pensem que Deus permite que vocês escapem de suas responsabilidades servindo aos interesses de Deus do outro lado do mundo de maneira abstrata. Esse é todo o sentido da questão. Ele nos traz exatamente para onde estamos.

    Como cumprimos, em primeiro lugar, essa comissão e essa visão mundiais? Cumprindo nossas responsabilidades localmente. Ao fazer isso, estamos cumprindo essa comissão.

    É por isso que o Senhor disse:

    Sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria; e até os confins da terra.

    Somos responsáveis localmente. Há nisso uma nota solene, pois significa que nós, como grupo, um dia estaremos diante de Deus e seremos responsabilizados por esta área.

    Ênfase Final

    Assim, creio que vocês percebem: a igreja local não pode ser nacional, não pode ser denominacional, não pode ser sectária, não pode ser exclusiva e não pode ser propagadora de determinadas verdades ou aspectos da verdade.

    Ela é a igreja de Deus, o corpo do Senhor Jesus Cristo, encontrado em uma localidade.

    A importância vital de tudo o que falamos nesta noite — e creio que é vital, realmente creio — pode ser vista quando percebemos que o propósito de Deus em Pentecostes era que Cristo continuasse a ser visto e expresso na terra por meio de Seu corpo.

    O inimigo atingiu de maneira muito eficaz o único método que Deus tinha para expressar o Senhor Jesus coletivamente ao mundo ao longo das eras. Que batalha tem havido em torno dessa questão.

    Que o Senhor nos ajude.

    Oração

    Querido Senhor, nós nos entregamos a Ti. Oramos para que Tu nos dês esse espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento de Ti mesmo. Precisamos disso, Senhor. Caso contrário, tudo isso será apenas conhecimento teórico, conhecimento intelectual.

    E, Senhor, neste assunto específico, talvez mais do que em muitos outros, Tu sabes como isso é possível. Mas pedimos, Senhor, que possamos enxergar essa realidade e vê-la em sua relação com a verdadeira espiritualidade, com a verdadeira piedade, com o vencer e com a noiva do Cordeiro.

    Pedimos, querido Senhor, que Tu nos ajudes em todas essas coisas; e pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.