Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    Meeting Together #3: The Heavenly Church © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    Meeting Together #3: The Heavenly Church
    Meeting Together #3: The Heavenly Church
    Lambert, Lance

    A natureza celestial e orgânica da igreja

    Leituras bíblicas

    João 3:13, 31.

    E ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do homem, Que está no céu.

    Um versículo muito misterioso.

    Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que é da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.

    1 Coríntios 15:47-49.

    O primeiro homem é da terra, terreno; o segundo Homem é do céu.
    Qual o terreno, tais também os terrenos; e qual o Celestial, tais também os celestiais.
    E, assim como trouxemos a imagem do terreno, também traremos a imagem do Celestial.

    1 João 4:17.

    Nisto é aperfeiçoado o amor entre nós, para que tenhamos confiança no dia do juízo; porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo.

    Qual Ele é, somos nós também neste mundo.

    Hebreus 3:1.

    Pelo que, irmãos santos, participantes de uma vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.

    Participantes de uma vocação celestial.

    Hebreus 12:22.

    Mas vós tendes chegado ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos.

    Tendes chegado à Jerusalém celestial.

    Filipenses 3:20.

    Pois a nossa cidadania está nos céus, de onde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

    A nossa cidadania está nos céus.

    Vocês perceberão que o elo entre todas essas passagens é o céu.

    Efésios 1:3.

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.

    Toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.

    Efésios 2:6.

    E nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar juntamente com Ele nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.

    Vocês deveriam anotar as aproximadamente trinta e três vezes em que a expressão reino dos céus é usada em Mateus. No Evangelho de Mateus, a expressão reino dos céus é usada trinta e três vezes.

    Gálatas 6:15.

    Porque nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas uma nova criação.

    Uma nova criação. A Versão Autorizada traz “criatura”, mas “nova criação” é a expressão que quero que vocês sublinhem.

    Efésios 2:15.

    Havendo abolido na Sua carne a inimizade, a saber, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças; para que dos dois criasse, em Si mesmo, um novo homem.

    Uma nova criação, um novo homem.

    Efésios 4:24.

    E vos revistais do novo homem, que segundo Deus foi criado em justiça e santidade da verdade.

    Colossenses 3:10-11.

    E vos revestistes do novo homem, que está sendo renovado para o conhecimento, segundo a imagem Daquele que o criou;
    Onde não pode haver grego e judeu, circuncisão e incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; mas Cristo é tudo e em todos.

    Disso aprendemos que esse novo homem é uma pessoa coletiva.

    Romanos 16:25.

    Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, segundo a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos.

    Segundo a revelação do mistério.

    Efésios 1:9-11.

    Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs Nele;
    Para uma dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão sobre a terra; Nele, digo,
    Em Quem também fomos feitos herança.

    Efésios 3:3, 9.

    Como, por revelação, me foi dado a conhecer o mistério, conforme antes escrevi em poucas palavras.

    É Efésios 3:9, não o capítulo 4.

    E fazer todos verem qual seja a dispensação do mistério que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, Que criou todas as coisas.

    A administração, ou dispensação, do mistério.

    Colossenses 1:26-27.

    O mistério que esteve oculto durante séculos e gerações, mas agora foi manifestado aos Seus santos;
    Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória.

    Colossenses 2:2-3.

    Para que os seus corações sejam consolados, estando unidos em amor, e para todas as riquezas da plena certeza do entendimento, a fim de conhecerem o mistério de Deus, Cristo;
    Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

    A igreja como realidade celestial

    Nesta noite, se o Senhor quiser, quero abordar dois pontos muito importantes. Temos feito a nós mesmos esta pergunta: “Por que você está na Halford House? Por que eu estou na Halford House?”

    Até aqui, procuramos ao menos introduzir o assunto. Demos uma resposta breve a respeito do que cremos e, depois, dissemos que isso exige, de todos os que são realmente dedicados e fiéis ao Senhor, uma devoção completa e absoluta a Ele. Antes de tudo, devem ser leais a Cristo, ainda que isso signifique abrir mão da lealdade a coisas e pessoas.

    Falamos sobre assumir a posição de que somos o corpo de Cristo.

    Na semana passada, tratamos do primeiro ponto prático: a autoridade como Cabeça — a autoridade absoluta — do Senhor Jesus Cristo na igreja e sobre ela, pelo Espírito Santo.

    É por isso que sempre oramos a respeito das coisas. Em todos os níveis da obra, com todas as suas fraquezas, falhas e dificuldades, procuramos nos colocar diante do Senhor. Sejam os presbíteros, este ou aquele aspecto da obra, ou todos nós juntos, seja o que for, procuramos levar cada problema ao Senhor.

    Todos os nossos erros na história da obra — erros sobre os quais poderíamos passar a noite inteira falando, de tão ilustrativos e instrutivos que são — aconteceram porque não consultamos primeiro o Senhor. Alguém teve uma ideia brilhante, à qual todos aderimos, ou decidimos pelo voto da maioria. Esse foi o exemplo clássico logo no começo e, daquele dia em diante, abolimos completamente as votações.

    Todos os nossos erros aconteceram porque não consultamos primeiro o Senhor.

    Dissemos que assumimos a posição de que somos o corpo de Cristo. Estamos em Cristo; por estarmos em Cristo, somos membros do Seu corpo. Essa é a posição que assumimos.

    Qual é o segundo ponto? A princípio, pode parecer obscuro, mas, acreditem, não tem nada de obscuro.

    A igreja, o Seu corpo, é uma realidade celestial e, portanto, inexplicável no plano natural.

    Assumir a posição de que somos o corpo de Cristo significa reconhecer que o Seu corpo é uma realidade celestial. É algo celestial, numa posição celestial, com uma vida celestial e recursos celestiais. Portanto, é inexplicável no plano natural.

    A princípio, isso pode parecer muito obscuro, mas penso que, à medida que tratarmos do assunto, vocês verão que ele toca a raiz de muitas coisas no cristianismo moderno.

    A Cabeça celestial e o corpo celestial

    A igreja é o corpo celestial da sua Cabeça celestial. Não se pode ter uma Cabeça celestial e um corpo terreno. Ou a cabeça é terrena, ou o corpo é celestial; tem de ser uma coisa ou outra.

    Sabemos que a nossa Cabeça está no céu. Sabemos que Ele vem do céu. Lemos isso em João 3:13:

    E ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do homem, Que está no céu.

    Nenhum homem caído conseguiu alcançar o céu, mas Aquele que desceu do céu — isto é, o nosso Senhor Jesus Cristo —, o Filho do homem, Que está no céu.

    Isso foi dito a respeito do Senhor quando Ele estava na terra. Como, então, Ele estava no céu naquele momento? “Que está no céu.” O Senhor Jesus disse que a Sua posição naquele momento era no céu.

    Vocês encontram isso novamente em João 3:31:

    Aquele que vem de cima é sobre todos.

    E depois em 1 Coríntios 15:47:

    O primeiro homem é da terra, terreno; o segundo Homem é do céu.

    Esse primeiro homem é Adão, e todos nós. Todos viemos dele; somos da terra, terrenos. O segundo Homem — isto é, Jesus Cristo — é do céu.

    O Senhor Jesus Cristo veio do céu e é do céu. Portanto, o Seu corpo, assim como Ele, é celestial em natureza e caráter.

    É exatamente isso que significa aquela declaração maravilhosa, mas misteriosa, de 1 João 4:17:

    Porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo.

    Ninguém pode relegar isso ao futuro eterno. O texto diz: “neste mundo”. Ele vem do céu; nós somos do céu.

    Se nascemos, nascemos do alto. É por isso que se trata de um novo nascimento: nascer de novo, nascer novamente, nascer do alto, nascer do Espírito. Por causa disso, estamos no reino dos céus.

    Recebemos o nosso Senhor Jesus Cristo, Que é o Homem vindo do céu, e fomos unidos a Ele pelo Espírito de Deus. Portanto, somos um.

    Juntos, Cristo e o Seu corpo — a Cabeça e o corpo — constituem o novo homem, a nova criação. Foi por isso que lemos aquelas referências sobre a nova criação.

    A circuncisão e a incircuncisão já não significam nada; nada valem, mas sim uma nova criação.

    2 Coríntios 5:17 é uma palavra maravilhosa:

    Pelo que, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas velhas já passaram; eis que se fizeram novas.
    Mas todas as coisas são de Deus.

    Penso que essa palavra levou muitos filhos de Deus a se sentirem condenados: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura.”

    Mas, se vocês consultarem a Versão Revisada, encontrarão na margem uma tradução alternativa, igualmente exata e igualmente possível:

    Pelo que, se alguém está em Cristo, há uma nova criação.

    Gosto muito disso, porque é precisamente verdade. Não há uma nova criatura na minha velha carne. Naturalmente, nenhum bem habita em mim. Minha velha carne foi crucificada, mas em Cristo há uma nova criação.

    Aqui está a nova criação. Ele é o novo Homem, e Ele gerou a mim e a vocês de novo. Entendem? Todos somos Dele. Temos uma vida celestial e uma Cabeça celestial.

    O caráter da igreja, os recursos da igreja e a vida da igreja são todos celestiais.

    Até mesmo a posição da igreja, enquanto está na terra, é no céu. É por isso que lemos em Efésios 1:3 que Ele:

    Nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.

    Se tivéssemos tempo, poderíamos percorrer toda a carta aos Efésios e mostrar que a posição da igreja é nos céus. Estamos aqui na terra, mas a nossa posição é no céu.

    Isso não é algo relacionado ao futuro, quando passarmos pelo chamado portão de pérola. Essa é uma compreensão inteiramente equivocada da maneira como o termo céu é usado. Não é apenas um lugar futuro; é uma esfera, um domínio, no qual você e eu somos introduzidos agora.

    O caráter celestial como marca da obra de Deus

    Uma das marcas mais claras — sobre a qual creio que podemos ser absolutamente categóricos — daquilo que é uma obra genuína de Deus, uma obra do Espírito Santo, é sempre o seu caráter distintamente celestial e espiritual.

    Portanto, querido filho de Deus, você pode avaliar tudo por esse critério. Pode ir a esta ou àquela reunião. Os ingênuos podem ser arrebatados pelo que veem, pelas afirmações que são feitas e por tudo o mais. Mas, no fim, são a espiritualidade e o caráter celestial próprios daquela obra ou ministério que indicam se aquilo é de Deus.

    Tudo o que traz em si algo da terra, podem ter certeza, é perigoso. Tudo o que é uma mistura, ou inteiramente da terra, é perigoso. Tenham cuidado.

    Não é preciso mais do que uma leitura superficial do Novo Testamento — apenas uma passada de olhos por suas páginas — para perceber como o uso das palavras celestial, céu e no céu está ligado à vida e aos recursos da igreja. Onde quer que olhem no Novo Testamento, vocês descobrirão que o que eu disse é assim.

    O significado do caráter celestial

    Mas o que queremos dizer com caráter celestial? Essa é a questão.

    Penso que a ideia geral se resume naquela pequena expressão que ouvimos com frequência: “Tão voltado para o céu que não serve para nada na terra.” Embora riamos disso, essa expressão toca a raiz da ideia que geralmente se tem do que é ser celestial.

    Na concepção cristã em geral — e certamente na concepção do mundo e, receio, na de muitos cristãos —, ser celestial significa ser abstrato, vago, místico e pouco prático. Alguém diz: “Fulano tem um caráter muito celestial.” O que quer dizer é: “Ele não consegue lavar a louça.”

    Isso vai à raiz da questão.

    Lembro-me de perguntar a um missionário muito firme no Oriente, que todos conhecíamos como Tigre, sobre determinado grupo. Nunca me esqueci daquela explosão: “Ah, voltados para o céu e sem nenhuma utilidade na terra!” Foi tudo o que consegui dele. Não consegui obter mais nada e tive de recorrer a outras fontes para descobrir o que aquilo significava.

    Mas a expressão que usamos, caráter celestial — embora esse termo específico não apareça nas Escrituras —, significa simplesmente: do céu, originado no céu, vindo do céu, caracterizado pelo céu.

    Quando falamos do caráter celestial da igreja, queremos dizer que a sua vida, o seu caráter — tudo — é, por assim dizer, formado a partir do céu e sustentado pelo céu. Entenderam?

    A igreja pode ser considerada desta maneira:

    • Concebida no céu
    • Nascida do céu
    • Governada a partir do céu
    • Sustentada pelo céu
    • Crescendo em caráter celestial
    • Consumada no céu

    Essas expressões descrevem e abrangem tudo o que você e eu conhecemos ou experimentamos a respeito da igreja.

    Onde a igreja foi concebida? Foi concebida no coração de Deus, na mente de Deus, antes dos tempos eternos — no céu. Foi uma concepção celestial.

    Onde ela nasceu? No dia de Pentecostes, pelo Espírito Santo, vinda do céu. Ele não subiu da terra; Ele veio do céu.

    Como ela é governada? Pela sua Cabeça. Onde está a Cabeça? À direita da Majestade nas alturas — no céu.

    Como ela é sustentada? É guardada pelo poder de Deus. De onde vem o poder de Deus? Por meio da Cabeça, pelo Espírito Santo. É celestial.

    Ela tem um caráter celestial que cresce. Em outras palavras, está sendo conformada à imagem Daquele que morreu para salvá-la.

    Por fim, onde acontecerá a consumação? A consumação acontecerá no céu. Seremos arrebatados.

    Começou no céu. Veio do céu com o Espírito Santo no dia de Pentecostes. É governada, desenvolvida, protegida e ungida a partir do céu. Um dia, glória! Um dia ela será arrebatada pelo poder do Espírito Santo para encontrar o seu Senhor nos ares. Então haverá as bodas do Cordeiro. Onde? No céu — não aqui embaixo, mas lá em cima.

    A igreja aparecerá com Ele.

    Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu.

    Arrebatada para estar com o Senhor, ela então aparecerá com Ele de modo universal, diante desta terra e sobre ela.

    A igreja como enigma para o homem natural

    Assim, há na verdadeira igreja algo inteiramente inexplicável para o homem natural. É um mistério para ele. O homem comum simplesmente não consegue entender a igreja.

    Vamos deixar isso claro: não estou falando daquilo que chamamos de “a igreja”. Estou falando da verdadeira igreja. Ela é um enigma para ele. Ele não consegue entendê-la. É um mistério. Faz algumas perguntas, recebe algumas respostas e fica mais perplexo do que nunca.

    Ela é inexplicável para ele porque está inteiramente fora do seu domínio e da sua esfera. Ele está na terra; a igreja está no céu e vem do céu. Ele simplesmente não consegue entendê-la.

    O fato de a verdadeira igreja ser concreta e prática não a torna menos misteriosa. Chega dessa ideia de que a igreja é invisível. Ela pode ser vista, tocada e apalpada. É humana e está situada num lugar; essa é a igreja na terra.

    O fato de ela se expressar de forma tão concreta e tangível só a torna mais inexplicável para o mundo.

    Se tudo fosse completamente abstrato, vago e “lá em cima”, talvez fosse mais fácil. Mas o fato é que as pessoas veem alguma coisa. Veem coesão, unidade, amor e a manifestação prática de algo. Podem ver fracassos e falhas também, mas veem coisas que não conseguem explicar.

    Tudo parece comum. Tudo parece humano. Parece muito com qualquer outra associação, clube, sociedade ou organização. No entanto, é um enigma, porque, de algum modo, a sua origem e a sua fonte não são as mesmas.

    A maneira mais fácil de entender isso é esta: para o homem natural, a verdadeira igreja é tão inexplicável quanto Cristo era quando andou nesta terra.

    Cristo era visível? É claro que era visível. Cristo era tangível? É claro que era tangível. Cristo era humano? Sim. Diziam: “Não é este o filho de José? Nós O conhecemos; Ele é o carpinteiro.”

    Esse era o enigma.

    Se Ele tivesse sido um pouco como Melquisedeque, sem princípio nem fim, simplesmente aparecendo de algum modo, talvez tudo fosse mais fácil. Mas não era assim. Por um lado, Ele parecia tão comum, tão parecido com o restante de nós; mas, no instante seguinte, era um enigma.

    Podia alimentar cinco mil homens, além de mulheres e crianças. Podia alimentar outros quatro mil homens, além de mulheres e crianças. Podia andar sobre o mar. Podia ressuscitar os mortos.

    Isso era completamente inexplicável. Mas o que O tornava mais misterioso do que qualquer outra coisa era que Ele parecia ter dois olhos, duas orelhas, um nariz, uma boca e um corpo como o nosso. Comia como nós, cansava-Se como nós, dormia como nós e chorava como nós. Afinal, Quem é Ele?

    Vejam, Ele é do céu.

    A igreja é exatamente assim. Ela deve ser sentida e tocada, conhecida e vista, da mesma maneira; no entanto, é um enigma. De onde vêm os seus recursos? De onde vem o seu poder? De onde vem a sua vida? Como ela prossegue? Como essas pessoas conhecem, como dizem, a vontade de Deus? Como a descobrem?

    Isso é tanto o impacto quanto a glória da igreja.

    A igreja perde quase completamente o seu impacto quando perde o seu caráter celestial — quando se torna explicável.

    A glória da igreja é que ela vem do céu. Tem uma vida da qual este mundo nada sabe. Tem um Senhor que este mundo rejeitou. Tem um poder que vai além de qualquer coisa neste mundo.

    A origem e o governo inexplicáveis da igreja

    O mundo pergunta: “Como isso surgiu?” Se nos perguntarem, vocês não acham que às vezes é difícil responder? Quanto mais conhecemos a história de uma comunidade como esta, mais difícil pode ser. Por onde devemos começar? Voltamos ao Egito? Voltamos a antes do Egito? Começamos pelas reuniões de oração? Mas isso é apenas a superfície da questão.

    Como começou? De algum modo, nasceu. Tudo o que é realmente de Deus nasce do Espírito. Como explicar isso ao homem natural ou ao mundo?

    Eles imaginam que deve haver alguma personalidade humana por trás de tudo. Sim, há personalidades humanas, mas isso torna tudo ainda mais inexplicável. Podemos ter outras personalidades, e a coisa não acontece. O que é isso?

    Como é governada? Alguém pergunta: “Vocês são governados por bispos, um arcebispo, um sacerdote, padres ou presbíteros?” Você diz: “Bem, é um pouco difícil explicar. Temos presbíteros, mas nos ajoelhamos e perguntamos a Deus.”

    Então dizem: “Vocês perguntam a Deus? Não estão querendo dizer que perguntam a alguma pessoa que já morreu? Vocês não perguntam a Ele sobre coisas práticas — tapetes, jardins, se devem seguir este caminho ou fazer aquilo —, perguntam?”

    Ah, sim, perguntamos. Mas então: “Como Deus fala com vocês? Ele fala com uma voz audível? Vocês ouvem uma voz, como um alto-falante no meio da sala, dizendo: ‘Vocês farão tal coisa’?”

    É precisamente esse tipo de coisa que deixa o mundo perplexo. Como vocês ouvem a voz de Deus? Como descobrem a vontade de Deus? A princípio, eles dizem que isso é um absurdo.

    Lembro-me de quando Bill veio pela primeira vez. Tive uma pequena conversa com ele e disse: “Bill, você entende que não é nosso empregado, não é?” Ele disse: “Ah, sim.” Eu disse: “Você é empregado de Deus. E Deus vai pagar o seu salário.”

    “O que eu faço, então?”, perguntou ele.

    “Você vem nos dizer, e nós oramos.”

    Toda semana ele pedia a quantia, e toda semana ela estava disponível. Mais tarde, contou-nos que achava que aquilo era apenas conversa religiosa. Imaginava que simplesmente íamos ao banco, sacávamos o dinheiro e o entregávamos a ele.

    Então veio a famosa ocasião em que ele pediu trezentas libras, e o dinheiro não estava disponível.

    Ele veio falar comigo na quinta-feira de manhã e, já tendo aprendido o nosso modo de falar, disse: “O dinheiro chegou?”

    Eu disse: “Não. Por estranho que pareça, não chegou.”

    Perguntei se ele tinha feito o trabalho direito. Ele achou que talvez houvesse alguns parafusos que deveriam ter sido colocados e um trinco que não estava certo. Eu lhe disse: “Vá resolver isso, porque Deus vê tudo.”

    Então ele perguntou: “Você acha que o dinheiro vai chegar?”

    “Quando você precisa dele?”

    “Às duas horas, para que eu possa depositá-lo no banco até sexta-feira.”

    “Estará aqui até as duas.”

    Veio a segunda entrega de correspondência, mas não havia nada além de contas. Na hora do almoço, não sabíamos o que fazer, então eu disse aos outros — era dia de limpeza —: “Vamos subir e orar.”

    Uns dez ou onze de nós fomos para a sala de estar no andar de cima. Todas as almofadas da casa foram levadas para lá. Tivemos um pequeno período de oração.

    Bill apareceu pouco depois das duas. Entrou pela porta dos fundos, subiu e abriu a porta da biblioteca. Então ouvimos a porta se fechar rapidamente.

    Depois, Bill me contou: “Nunca me senti tão mal em toda a minha vida, porque ouvi alguém dizer: ‘Senhor, não temos aquelas trezentas libras. Precisamos delas agora.’”

    Ele disse: “Segurei a barriga. Já tinha passado mal muitas vezes por causa da bebida, mas nunca me senti tão mal. Desci a escada como um homem bêbado. Pensei: ‘Deus, eles não têm o dinheiro. Eles não têm o dinheiro. Eu tenho confiado neles. O que vou fazer?’”

    Quando ele chegou ao pé da escada, havia trezentas e uma libras. Foi ele quem veio à porta e disse: “Podem parar de orar. Aqui está o dinheiro.”

    Inexplicável.

    O lado engraçado é que ele tentou explicar isso ao gerente do banco, porque o gerente queria saber se éramos pessoas dignas de crédito.

    “Ah, sim”, disse Bill, “eles não têm dinheiro nenhum.”

    Literalmente, o gerente disse: “Ah, é?”

    Mas, vejam, era inexplicável.

    Como a igreja é governada? Exteriormente, há certas coisas, mas, interiormente, há algo mais: é o próprio Senhor. Como explicar isso às pessoas?

    Como ela é financiada? As pessoas dizem: “Vocês devem recolher ofertas. Devem ter muita gente rica.” Mas, quando nos conhecem melhor, perguntam: “Então, o que é esta comunidade? Como isso aconteceu?”

    Quando começamos a obra aqui, um líder evangélico muito querido me disse: “Você precisa ser prático. Há um lado místico na sua natureza. Você precisa recolher ofertas. Não vai receber nada, e a igreja também não vai receber nada.”

    Eu disse: “Por que não?”

    Ele disse: “Você vai descobrir. Não pode ficar nas nuvens quanto a isso. O povo de Deus precisa ser lembrado.”

    Fiquei tão irritado que disse: “O povo de Deus precisa ser lembrado? Acho que Deus pode passar sem o dinheiro deles. Se Deus não consegue fazer você dar a Ele e realizar a Sua obra a não ser enfiando continuamente uma bandeja de ofertas debaixo do seu nariz, é melhor ficar com o dinheiro. Vá comprar um sorvete com ele.”

    Não estou dizendo que recolher ofertas seja necessariamente errado. Mas a razão pela qual não recolhemos ofertas é que cremos haver um caminho superior.

    Está escrito na Palavra:

    Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita.

    Numa bandeja de ofertas, não apenas a sua mão esquerda vê o que a direita faz, mas todos os outros também veem. Essa é a ideia psicológica por trás da coleta: as pessoas se sentem constrangidas a dar alguma coisa.

    Vocês conhecem a sensação. Cutucam alguém e dizem: “Não tenho nada. Você pode me emprestar alguma coisa?” Não suportam deixar a bandeja passar. É preciso coragem — ou mesquinhez.

    Como ela é financiada? Pelo Senhor. Ele disse:

    E o meu Deus suprirá cada necessidade vossa, segundo as Suas riquezas em glória, em Cristo Jesus.

    Como é maravilhoso quando as pessoas perguntam: “De onde vem o dinheiro de vocês?”

    Minha mãe vivia nos perguntando de onde vinha o dinheiro. Era a melhor detetive do lugar, tentando descobrir a sua origem. “Deve ter vindo de fulano”, dizia. As pessoas precisam explicar isso de algum modo; não conseguem entender.

    Nunca me esquecerei de quando minha mãe voltou um dia, depois de conversar com Phyllis. Phyllis disse que tinham tido um problema com uma pia; estava entupida. “Então”, disse ela, “enfiamos um arame, oramos a respeito e ficamos mexendo.”

    Minha mãe ficou simplesmente perplexa. Não imaginava que existissem pessoas assim.

    Inexplicável. No entanto, vocês têm Alguém a Quem recorrer, Que prometeu ser absolutamente fiel.

    A preservação da igreja

    Como a igreja é sustentada? Falando de algo mais sério, pensem na aniquilação exterior da igreja em certas partes da terra. O que acontece? Ela ressurge.

    O diabo parece ter dado um golpe mortal, parece ter acabado com tudo e, de repente, vocês a encontram ali — não apenas ali, mas mais forte do que em qualquer outro momento da sua história.

    O batismo de fogo e sangue apenas fez com que ela viesse a existir de maneira mais verdadeira. Nero descobriu isso. O Império Romano desmoronou há muito tempo, mas a igreja não.

    Como ela é sustentada, quando tantas outras coisas desapareceram, quando foram liquidadas por autocratas ou ditadores? É porque ela vem do céu.

    Então alguém pergunta: “Como se entra nela? Como se entra na igreja?” Vocês conseguem explicar isso ao homem natural?

    Se houver um cadastro de membros, vocês podem explicar imediatamente. Podem explicar as finanças se houver coletas, apelos e tudo o mais. Mas, se não houver, como explicar de que maneira alguém entra na igreja?

    Vocês dizem: “É preciso nascer do Espírito.”

    “Nascer? Eles são malucos? O que isso significa?”

    É inexplicável.

    Isso é muito mais importante do que talvez a maioria de nós perceba. A questão de ser algo explicável ou inexplicável revela a tragédia de tanta coisa que leva o nome de Cristo.

    É inteiramente explicável para este mundo. O homem natural pode entendê-la por completo, porque é como qualquer outra organização mundana.

    “Como se entra nela?” Inscreva-se como membro, receba a destra de comunhão, pague um pouco, tenha a aparência certa, diga as coisas certas ao cumprimentar as pessoas e, talvez, consiga duas pessoas para recomendar você. É praticamente a isso que tudo se resume, e você está dentro.

    “Como funciona?” Comitês, conselhos e diretorias em abundância. Tudo o mais neste mundo é administrado por comitês, diretorias e conselhos. É inteiramente explicável.

    “Como é financiada?” Basta olhar os avisos do lado de fora de algumas igrejas para vê-las implorando, humilhando-se por dinheiro.

    Tudo é explicável: a maneira como é organizada, financiada, governada e como se entra nela. É exatamente como qualquer outra associação. Qual é a diferença entre isso e uma associação de colecionadores de selos, um clube de observação de aves ou qualquer outro clube? São administrados basicamente da mesma maneira: dirigentes eleitos, líderes indicados, contribuições e apelos quando os recursos ficam escassos.

    De fato, algumas organizações mundanas administram suas finanças muito melhor do que certas chamadas igrejas.

    A imitação terrena e a mistura com o terreno

    É essa natureza e esse caráter celestiais que o inimigo está continuamente atacando e combatendo. Há duas maneiras pelas quais ele ataca.

    A primeira é procurar criar uma imitação terrena: algo inteiramente desta terra, que usa o nome de Deus, o nome de Cristo, as coisas de Deus e a Palavra de Deus, mas é absoluta e inteiramente deste mundo.

    Tem uma forma de piedade, mas nega o seu poder: estabelecida pelo homem, formada pelo homem, governada pelo homem, financiada pelo homem. Essa é uma linha de ataque.

    A outra, que deve nos preocupar mais aqui, é trazer para a terra aquilo que é celestial, reduzi-lo a um nível terreno; comprometê-lo de maneira tão grave que se torne uma mistura — nem inteiramente da terra, nem inteiramente do céu.

    Meu querido amigo, nisso você encontrará quase toda a história da igreja. Que denominação, tendo começado como um mover celestial de Deus, não acabou na terra — tão mundana e terrena quanto qualquer outra coisa?

    Deus é muito prático, muito, muito prático. Ele diz que devemos servir ao propósito de Deus em nossa própria geração. Não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que, se pudéssemos estar aqui daqui a cem anos, caso o Senhor demore a voltar, veríamos a mesma coisa acontecer aqui.

    É a tendência de tudo a ficar preso à terra, a se voltar para a terra. Quando chega à segunda, à terceira e à quarta geração, perde o seu caráter inteiramente celestial e se torna uma mistura.

    São introduzidas pequenas coisas nas quais você e eu nem sequer pensamos. Parecem tão legítimas, tão boas e tão desesperadamente necessárias. São introduzidas, e representam o fim.

    Poucas pessoas enxergam o resultado final da semente que está sendo plantada; enxergam apenas a necessidade.

    Não tenho dúvida de que a mesma coisa acontecerá aqui, como acontece em todos os outros lugares. Mas o nosso foco é hoje: servir ao propósito de Deus agora, em nossa própria geração.

    Também devemos observar atentamente que não precisamos tornar a igreja inexplicável.

    O caráter celestial e a normalidade

    Alguns líderes e grupos cristãos parecem pensar que, por ser a igreja celestial e, portanto, inexplicável, cabe a nós torná-la inexplicável e misteriosa — uma espécie de “celestialização” de tudo.

    Existe entre os cristãos uma espécie de singularidade, uma espécie de peculiaridade — para dizer de maneira menos gentil, poderíamos chamar de excentricidade — que é inteiramente lamentável.

    Quando uma pessoa já era estranha antes de ser salva, e isso faz parte do seu temperamento, o Senhor muitas vezes usa essa estranheza. Mas que Deus nos livre das pessoas que se tornam estranhas porque foram salvas. Há muitas delas, e muitos grupos também caem nessa armadilha.

    O nosso Senhor Jesus não era excêntrico. Não era esquisito. Certamente era singular, mas não era esquisito nem excêntrico. Não era um desses sujeitos estranhos e extravagantes. Era absolutamente normal — absolutamente normal.

    Carne da nossa carne e osso dos nossos ossos, por assim dizer. Podíamos compreendê-Lo. Esse é o enigma.

    Não considero nada celestial um desses tipos misteriosos, estranhos e excêntricos. Penso: “Bem, é claro que tudo isso pode ser explicado.” Falam sobre ouvir vozes e ter visões, e você pensa: “Bem, eles já têm uma imaginação muito fértil.”

    Mas, quando encontro alguém absolutamente normal, e essa pessoa começa a falar sobre ouvir a Palavra de Deus, então isso é um enigma para mim, se sou um homem do mundo.

    Não consigo entender. Esse homem é tão normal. Ri como eu, chora como eu, dorme como eu, anda como eu e, sob certo aspecto, vive quase como eu. No entanto, conhece algo que eu não conheço. Isso é caráter celestial.

    Se vocês querem um exemplo de caráter celestial, pensem no nosso Senhor Jesus. Serão preservados de todas essas ideias estranhas que andam por aí.

    Ilustrações em Atos e no batismo

    Temos duas ou três ilustrações disso. Temos o livro de Atos, a partir de Pentecostes. O que ele é, senão uma ilustração de algo inteiramente inexplicável para o homem — celestial em natureza e caráter?

    Vocês veem aquela igreja surgindo no dia de Pentecostes. Observem como ela avança pelo livro de Atos. Tem falhas e defeitos; são todos seres humanos, muito humanos mesmo; no entanto, como ela é inexplicável!

    Peguem o Evangelho de Lucas e o livro de Atos e deem a eles os seguintes títulos:

    1. O novo homem, volume um: a Cabeça — Lucas.
    2. O novo homem, volume dois: o corpo — Atos.

    Vocês terão exatamente o que estou procurando dizer. Um é tão inexplicável quanto o outro: o corpo celestial de uma Cabeça celestial.

    A outra ilustração é o testemunho no batismo. Quando somos batizados, testemunhamos que estamos inseridos em algo celestial. Nas águas do batismo, fomos separados do velho, da terra.

    Isso não significa que não tenhamos dificuldades com o velho homem ou a velha mulher. Mas o fato é que estamos em Cristo, e esse é o testemunho — o glorioso testemunho.

    A igreja como organismo, não como organização

    Nos últimos minutos que temos, quero começar a falar sobre o segundo princípio:

    A igreja, o Seu corpo, é um organismo, e não uma organização.

    Romanos 12:4-5 diz:

    Porque, assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função;
    Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente membros uns dos outros.

    Não vou ler 1 Coríntios 12, mas, se vocês lerem a partir de 1 Coríntios 12:12-13, encontrarão esse organismo ilustrado novamente.

    Efésios 4:15-16 diz:

    Mas, falando a verdade em amor, cresçamos em todas as coisas Naquele que é a Cabeça, Cristo;
    De Quem todo o corpo, bem ajustado e unido pelo que cada junta supre, segundo a operação na medida de cada parte, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.

    É algo orgânico. Vocês crescem Naquele que é a Cabeça. O corpo, bem ajustado e unido, cresce com o crescimento de Deus. Edifica a si mesmo; é algo orgânico.

    Depois, vejam Colossenses 2:19:

    Retendo a Cabeça.

    Vocês encontram novamente o mesmo pensamento.

    A maioria dos evangélicos concorda apenas em palavras com a verdade de que a igreja é um organismo. Conheço pouquíssimos evangélicos, ou institutos bíblicos, nos quais isso não seja ensinado. Todos concordam; todos reconhecem isso em palavras.

    É na aplicação prática que há contradição, incoerência e fracasso. Todos estão dispostos a dizer: “É um organismo, um organismo, um organismo; a igreja é um organismo.” Mas, quando se trata da aplicação prática, acontece algo extraordinário: todos se esquecem de que ela é um organismo.

    O organizacionalismo como doença fundamental

    Muitos evangélicos parecem achar que basta ter um espírito não denominacional. Você pode pertencer a uma igreja denominacional, mas, se tiver um espírito não denominacional — amplo, amoroso, livre e aberto —, isso é tudo o que se exige.

    Outros vão além e dizem que, desde que a pessoa esteja numa igreja não denominacional, isso é tudo o que se exige. O denominacionalismo, dizem eles, é a verdadeira praga e maldição entre os cristãos.

    Mas o denominacionalismo é apenas o sintoma; não é a doença. Entendam bem: é apenas o sintoma; não é a doença.

    A doença está, de fato, muito profundamente enraizada, e eu a chamaria de organizacionalismo.

    O organizacionalismo é a doença. Toda denominação, de algum modo, se desenvolveu a partir da organização. À medida que as coisas se tornam cada vez mais organizadas e sobrecarregadas de estruturas administrativas, aquilo morre e se torna um organismo fixo, rígido.

    Não estamos dizendo que Deus não usa nem abençoa as pessoas que estão nessas coisas. É claro que usa e abençoa; são Seus filhos, e Deus cuida dos Seus filhos. Mas não confundam a bênção e a atividade salvadora do Espírito Santo com o reconhecimento, por parte de Deus, daquela estrutura como Sua.

    Deus pode usá-la, mas não a reconhece como Sua. Um dia, Deus se desfará dela; tudo voltará para onde pertence — para Roma. Semelhante atrai semelhante, e aquilo gravita para o seu verdadeiro centro.

    Podemos ter algo completamente não denominacional e, ainda assim, tão organizado quanto qualquer outra coisa. Não há vida ali. Os jovens, especialmente, às vezes perguntam: “Qual é o sentido de toda essa conversa sobre a restauração da igreja? Estamos em algo absolutamente não denominacional, mas tão morto quanto se pode estar. É tão pesado e tão sem vida.”

    Então as pessoas deixam os chamados grupos neotestamentários e vão para o outro extremo, porque dizem: “Deus não parece se importar muito com o fato de ser ou não conforme o Novo Testamento.”

    O fato é que o organizacionalismo, mesmo quando segue um modelo neotestamentário, é a doença.

    Tudo o que substitui aquilo que é orgânico — a obra e o resultado da energia e da vida do Espírito Santo — pela organização humana, por mais neotestamentária que pareça, é organizacionalismo.

    É um fato extraordinário, querida família: basta reunir doze pessoas, e elas começam a se organizar.

    Quando estávamos no Oriente, éramos apenas uns dezesseis. O que fizemos? Tivemos uma reunião extraordinária para eleger dirigentes. Criamos um pequeno quadro de membros e, depois, tivemos dirigentes.

    O Espírito Santo, graciosamente, pôs tudo aquilo de lado. Depois daquela reunião extraordinária, embora tivéssemos elegido todos, nunca mais levamos aquilo em conta.

    Não é extraordinário? Isso está em nós — no nosso sangue, no nosso próprio sistema. É como se fosse impossível tirar isso de nós.

    Pensem nos muitos pequenos grupos chamados neotestamentários que se dividiram e naufragaram por causa disto: “Quem vai ser o líder? Quem vai ser o presbítero? Quem vai ter este ou aquele ministério, esta ou aquela posição?”

    Que caricatura! Falam sobre a igreja, mas não vivem a realidade dela. Potencialmente, é claro que estão nela, mas não realmente na experiência.

    Não há apenas aqueles que seguem na direção de organizar tudo e substituir o Espírito Santo pela organização humana. Há também os que vão para o outro extremo, usando o fato de a igreja ser um organismo como desculpa para a falta de rigor e a desordem.

    Isso quase sempre leva à indisciplina, à desordem, à fraqueza e à permissividade.

    A igreja não é um lugar onde vale tudo.

    A definição de organismo

    O que, então, queremos dizer com organismo? Qual é a diferença entre um organismo e uma organização?

    Segundo o Dicionário Oxford, um organismo é um todo com partes interdependentes que compartilham uma vida comum.

    Um organismo possui uma organização — às vezes complexa e altamente desenvolvida —, mas toda a sua organização se desenvolve a partir da vida que há dentro dele. Toda ela é formada e desenvolvida pela vida interior e de acordo com essa vida.

    Meu corpo é um organismo. Tenho uma organização extraordinária neste corpo: um controle termostático integrado.

    Se o seu controle termostático fica desregulado, você percebe. O meu ficou desregulado, e eu percebo. Se você já sofreu com isso, começa a transpirar sem motivo aparente, embora esteja sentindo frio. Há alguém nesta comunidade que sofre muito com esse tipo de coisa.

    Vocês têm muitas outras coisas no corpo relacionadas à circulação e a tudo o mais: uma organização altamente intrincada e complexa.

    De onde veio tudo isso? O corpo leu um livro de medicina? Foi instruído nos seus primeiros dias pela mãe ou pelo pai sobre como deveria se organizar? Não. Tinha uma vida, e tudo estava nele, dentro dessa vida.

    Cada um de vocês, alguns anos atrás — não vamos falar de quantos —, era deste tamanho: uma pequena porção de carne e sangue. Mas a organização estava toda ali, cada parte dela.

    Cada parte de vocês que estão sentados aí — embora se renove a cada sete anos — veio daquela pequena porção. A organização veio de dentro dela.

    Só precisamos nos preocupar, ler livros, receber diagnósticos e procurar ajuda quando alguma coisa dá errado.

    É exatamente por isso que vocês encontram certas coisas no Novo Testamento — Timóteo, Tito, Coríntios. Algo tinha dado errado. As pessoas pegaram o diagnóstico dado quando as coisas deram errado e fizeram dele o modelo do Novo Testamento.

    É incrível. Um grupo diz: “Este é o modelo; nós o encontramos no Novo Testamento.” Outro diz que o encontrou no Novo Testamento; alguém mais diz a mesma coisa.

    A natureza da organização humana

    Uma organização, conforme normalmente entendemos o termo, é aquilo que o homem estrutura, estabelece ou monta segundo um modelo definido, um projeto ou um conjunto de regras e regulamentos.

    A sua organização depende inteiramente do homem. Não vem de uma vida interior, mas de uma lei aplicada de fora. É morta, estática e sem vida.

    Um bom exemplo é comparar o seu corpo com um automóvel. Meu corpo é um organismo. Há pouco mais de trinta anos, meu corpo nasceu, e tudo o que tenho — exceto estas roupas — veio daquela pequena porção. Tudo veio daquela vida.

    Nesta noite, em 1968, tenho um corpo de 1968. Vocês podem não gostar dele, mas é um corpo de 1968. Vocês têm um corpo de 1968. Não têm um corpo que ficou parado no ano em que nasceram; têm um corpo contemporâneo.

    Mas, se vocês tivessem um carro de trinta anos atrás, ele seria precisamente um carro de 1938 em 1968. É uma organização. É estático. Não se renova a partir de uma vida interior. Não tem como se desenvolver, ajustar-se ou adaptar-se.

    Vocês têm condições de trânsito de 1968, velocidades de 1968 e estradas de 1968, mas podem ter um carro de 1938. O que podem fazer a respeito?

    O seu corpo, porém, é uma versão de 1968. Se o Senhor demorar a voltar e vocês estiverem vivos em 1988, terão uma pessoa de 1988. Não será uma pessoa de 1968 em 1988, porque o seu corpo é um organismo.

    A igreja é um organismo.

    Quando olhamos para a história da igreja, ela realmente parece um cemitério de carros. Há denominações por toda parte: uma organização construída em mil e seiscentos e alguma coisa, mil e setecentos e alguma coisa ou mil e oitocentos e alguma coisa, e lá estão elas. De algum modo, todas estão fora do seu tempo em 1968.

    Algumas usam a linguagem do século XIX; outras usam trajes do século XVII. Vocês riem, mas é isso que fazem. Usam a linguagem e os trajes do século XVII para alcançar pessoas do século XX.

    Deus diz:

    EU SOU O QUE SOU.

    Não: “Eu fui o que fui.” Ele está sempre presente. É o Deus vivo, não o Deus do passado. Quer expressar-Se o tempo todo de maneira viva e vigorosa.

    Princípios de vida, não um projeto estrutural

    Teremos de encerrar nesta noite, embora haja muito mais que eu gostaria de dizer.

    Mesmo uma leitura superficial do Novo Testamento revela que a igreja é um organismo: o corpo vivo, atuante e crescente de Cristo, com o Espírito Santo tomando a iniciativa, conduzindo, enchendo, qualificando, concedendo dons, capacitando, ungindo, instruindo e corrigindo ao longo de todo o caminho.

    Observem a notável ausência, no Novo Testamento, de regras e regulamentos para estabelecer uma igreja. Isso pode chocar algumas pessoas, porque dizem: “Deve haver um modelo neotestamentário.”

    Eu digo que não há. A única maneira de obter um modelo neotestamentário é percorrer o texto inteiro, pegar um pouco daqui e um pouco dali, recolher essas partes e juntar tudo.

    Toda igreja — presbiteriana, metodista e assim por diante — afirma, de uma forma ou de outra, estar edificada sobre o chamado modelo neotestamentário.

    Diante do terrível caos que resultou disso, certamente, em algum lugar entre os vinte e sete livros do Novo Testamento, uma pequena carta poderia ter sido dedicada inteiramente à organização da igreja. Vocês não acham?

    Vocês acham que Deus não podia prever o caos? Se a igreja fosse uma organização, Ele não poderia ter dito claramente: “Agora, vejam, esta é a organização da igreja: isto é assim, aquilo é assim, e o outro é daquele jeito”?

    Onde encontramos isso?

    Coríntios trata de uma situação terrível. As cartas aos coríntios nunca teriam sido escritas se algo não tivesse dado errado na igreja.

    Posso perguntar de onde as pessoas tiraram a sua organização, inicialmente, no livro de Atos? De onde a tiraram? Ela se desenvolveu. Desenvolveu-se a partir de dentro.

    Houve apenas uma ocasião em que lançaram sortes, e muitos teólogos acreditam que foi um erro terrível. Preencheram o lugar de Judas. Mas, depois disso, nunca mais os encontramos lançando sortes.

    Quando passaram a contar com a Cabeça ressurreta pelo Espírito Santo, consultavam a Ele. Ele fazia tudo.

    Quando chegamos a 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, por que essas cartas foram escritas? Porque as coisas estavam dando errado.

    Se vocês lerem cuidadosamente as cartas inteiras numa versão moderna, verão que Paulo prevê um afastamento, uma apostasia. É como se dissesse: “Timóteo, isto não são regulamentos. Estas são as qualificações — o caráter espiritual e a medida espiritual — que você deve procurar.”

    Vocês podem ter plena certeza de que o Espírito Santo está levantando homens para serem presbíteros ou diáconos, ou para qualquer outra função. Essas são as qualidades que encontrarão neles.

    Mas a ciência, a técnica, não está ali.

    A ninguém imponhas precipitadamente as mãos.

    Em outras palavras, deem tempo para o desenvolvimento orgânico.

    Não há no Novo Testamento a intenção de fornecer um projeto estrutural. Penso que é assim que encerraremos nesta noite.

    O Novo Testamento revela, sim, princípios inerentes à vida de Deus. Se esses princípios forem retirados da vida e transformados em regulamentos e regras mortos, tudo morre. Mas, se forem mantidos como princípios e obedecidos como princípios de vida, então haverá aumento, multiplicação, desenvolvimento, crescimento e assim por diante.

    O modelo contido na vida

    Alguns de vocês podem estar perplexos com isso, por isso quero ilustrar com dois pequenos bulbos.

    Hoje em dia, tudo é processado, e as cebolas são muito mais limpas do que costumavam ser. Mas fico pensando quantos de vocês realmente saberiam distinguir uma cebola de um bulbo de narciso se os colocássemos num prato. Saberiam depois, se os comessem.

    Mas isto é uma cebola, e aquilo é um narciso.

    Não é extraordinário que um narciso nunca tenha se tornado uma cebola? São tão parecidos. No entanto, em toda a história, um narciso nunca se tornou uma cebola, e uma cebola nunca se tornou um narciso.

    Vocês poderiam plantar cem cebolas ao redor de um narciso, e ele ainda brotaria como um narciso no meio de um canteiro de cebolas. Poderiam plantar uma cebola entre centenas de narcisos, e a cebola continuaria sendo uma cebola.

    Por quê?

    Porque a cebola tem vida de cebola, e o narciso tem vida de narciso. O modelo está na vida.

    O modelo de um narciso está na vida do narciso. Coloquem-no na terra, a vida começa a agir, e o modelo está na vida. Ele sempre se desenvolve como narciso, e a cebola se desenvolve como cebola.

    Eu poderia segurar algumas sementes na mão: talvez uma semente de pera, uma de maçã e algumas outras. Todas parecem pequenas e semelhantes. Mas, se eu as plantar, uma se torna uma ameixeira, outra uma macieira e outra uma pereira.

    Por que elas não se confundem? Isso nunca acontece, porque numa há vida de maçã, noutra vida de pera, noutra vida de ameixa, e assim por diante.

    Agora, escutem: Cristo em você é a vida cristã. Cristo em nós é a igreja. O modelo está na vida.

    Quando deixamos a vida de Deus fluir por meio de nós, o modelo se manifesta. Teremos vida de igreja, dons e ministérios da igreja, e crescimento da igreja. Tudo estará ali. Mas é a vida que importa, portanto não se preocupem demais com o restante. Vamos nos dedicar a estar realmente juntos.

    Em outras palavras, precisamos ter certeza de que estamos retendo a Cabeça e permitindo que a vida flua por meio de nós, juntos, pela cruz e pelo Espírito.

    É por isso que há tantos pequenos grupos peculiares que nunca têm vida de igreja, mas falam muitíssimo sobre ela.

    Em algum lugar, de alguma maneira, algumas pessoas terão de pagar o preço. Algumas terão de entregar completamente a sua vida por meio da cruz de nosso Senhor Jesus. Então a vida começa a fluir; e, com a vida, vêm a edificação, o modelo, o ajuste entre as partes e tudo o mais.

    Na próxima semana, retomaremos esse assunto e depois passaremos a um ou dois outros.

    Oração final

    Senhor, oramos juntos para que Tu realmente nos concedas esclarecimento nesta noite. Precisamos disso, Senhor. Ah, que possamos realmente compreender, nosso Pai, o que significa a igreja ser uma realidade celestial.

    Senhor, revelarás isso ao nosso coração? Trabalharás de tal maneira em nós que sejamos um povo verdadeiramente celestial?

    Mais uma vez, Senhor, trazemos diante de Ti esta questão da natureza orgânica da Tua igreja, para que Tu realmente a reveles. Tu sabes que isso está na raiz de tanta coisa que desmoronou ou está fracassando, mesmo entre tantos dos Teus filhos que anseiam por ver algo da restauração da Tua igreja.

    Ó Senhor, oramos para que ilumines os olhos do nosso coração, a fim de que conheçamos isso interiormente. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.