Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus, no capítulo 16.
Vamos ler Mateus 16:18.
E também Eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Agora, Mateus 16:24:
Então disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á;
e aquele que perder a sua vida por Minha causa achá-la-á.
Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro
e perder a sua vida?
Ou que dará o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos;
e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.
Por favor, abram também no capítulo 4 de Efésios. Vamos ler Efésios 4:1-16.
Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados,
com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor;
procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
um só Senhor, uma só fé, um só batismo,
um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por todos e em todos.
Mas a cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo.
Por isso Ele diz:
Quando subiu ao alto, levou cativo o cativeiro
e deu dons aos homens.
Ora, isto — Ele subiu — que significa, senão que também desceu às regiões inferiores da terra?
Aquele que desceu é também O mesmo que subiu muito acima de todos os céus, para encher todas as coisas.
E Ele deu uns como apóstolos; outros, como profetas; outros, como evangelistas; e outros, como pastores e mestres;
para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo:
até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Para que não sejamos mais crianças, levadas de um lado para outro e carregadas por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro;
mas, falando a verdade em amor, cresçamos em tudo Naquele que é a cabeça, Cristo.
Do Qual todo o corpo, bem ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, segundo a atuação de cada parte na sua devida medida, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Vamos fazer uma oração.
Amado Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, nossos corações estão cheios de gratidão. Queremos agradecer-Te por teres sido tão fiel a nós durante estes últimos dias. Agradecemos-Te por nos trazeres a este último dia completo da conferência.
Amado Senhor, queremos entregar este dia em Tuas mãos. Oramos para que Tua presença esteja conosco. Oramos para que removas qualquer véu que ainda possa estar sobre nossos corações. Oramos para que Tua palavra realmente penetre nas profundezas do nosso ser e nos introduza em Teu propósito eterno.
Amado Senhor, confessamos que sem Ti nada podemos fazer; mas Contigo todas as coisas são possíveis. Confessamos que somos um povo impossível, mas Te agradecemos porque é justamente isso que Tu procuras.
Assim, Senhor, oramos para que, mesmo nesta hora tão avançada, nos conduzas ao caminho da cruz, para que ele nos leve ao Teu propósito eterno. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Temos tido comunhão em torno do tema: O Caminho para o Propósito Eterno de Deus, que É a Cruz.
Se pudéssemos olhar para o próprio coração de Deus, o que vocês acham que veríamos ali? Creio que, no próprio coração de Deus, há apenas uma Pessoa: Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus.
O coração de Deus está centrado em Seu Filho. Ele ama Seu Filho e faz tudo por Seu Filho.
Mas, se olharmos para o coração de nosso Senhor Jesus, o que vocês acham que encontrarão ali? Encontrarão Sua igreja, Seu corpo.
Segundo a palavra de Deus, toda a Bíblia nos fala destas duas coisas: Cristo e Sua igreja. Esse é o propósito eterno de Deus.
Mas a única maneira de conhecer Cristo e conhecer a igreja é por meio de revelação. Deus precisa revelar Seu Filho em nós, e o Filho precisa revelar a igreja a nós. Sem essa revelação viva, nosso conceito de Cristo e nosso conceito da igreja são muito, muito inadequados.
A única maneira de realmente conhecer o que é Cristo e o que é a igreja é olhar para Deus, para que Ele nos dê revelação.
Mas receber revelação do alto é uma coisa. Conhecer Cristo e conhecer a igreja é uma coisa. Porém, para realmente viver Cristo e viver na igreja, precisamos da cruz.
É por isso que, desta vez, nossa ênfase está no caminho para o propósito eterno de Deus: a cruz. A cruz nos deu Cristo, e a cruz nos deu a igreja.
Ontem de manhã, começamos a tratar deste assunto: a cruz e a igreja; a cruz e o fundamento da igreja.
Nosso Senhor Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro, uma pedra, uma pequena pedra. Sobre esta rocha, esta rocha maciça, edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela”.
O fundamento da igreja, a rocha, é nosso Senhor Jesus. Não podemos lançar outro fundamento além de Cristo Jesus.
Como mencionamos ontem de manhã, embora nosso Senhor Jesus tenha sido enviado pelo Pai, e tenha sido enviado com uma missão, Ele não poderia ter cumprido Sua missão se não tivesse ido à cruz.
Se Ele tivesse vindo a este mundo e Se tornado homem, vivido durante trinta e três a trinta e três anos e meio — uma vida perfeita, uma vida que realmente correspondia ao desejo de Deus —, e se tivesse simplesmente vivido esses anos e depois subido ao céu, então, irmãos e irmãs, Ele teria fracassado em Sua missão.
No que dizia respeito a Ele próprio, teria sido um sucesso. Mas, no que dizia respeito à Sua missão, teria sido um fracasso.
Mas, irmãos e irmãs, por causa de Seu extraordinário amor por nós, Ele não estava pensando em Si mesmo. Para Ele próprio, nada teria sido melhor do que subir ao céu daquele monte da transfiguração. Mas, por nossa causa, Ele foi ao Calvário e morreu na cruz.
Ao final de Sua crucificação, Ele clamou:
Está consumado.
A missão estava cumprida. A redenção estava consumada. Ele havia cumprido Sua missão como Aquele que foi enviado.
Quando o soldado cravou a lança em Seu lado, de Seu coração partido saíram sangue e água. Da cruz de nosso Senhor Jesus veio o material, a matéria-prima, para a edificação do corpo de Cristo — Sua igreja.
Lembramos de Gênesis 2:18. Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe corresponda.
Depois que Deus levou todos os seres vivos a Adão, Adão não encontrou, entre todos eles, alguém que lhe correspondesse. Então Deus o fez dormir. Depois, Deus abriu seu lado e tirou algo de Adão. Com aquilo, Ele edificou uma mulher.
Quando Deus levou Eva a Adão, Adão imediatamente a reconheceu e disse:
Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne.
Eles foram unidos em um só.
Mas, no caso de Adão, sua cirurgia foi indolor, porque isso aconteceu antes de o pecado entrar no mundo. No caso de nosso Senhor Jesus, quando Ele foi crucificado, passou pelos mais extremos sofrimentos.
Graças a Deus, Seu sangue é para a remissão dos nossos pecados, e a água é a vida que nos foi dada. Com essa vida, a igreja deve ser edificada.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos este assunto: a cruz e a edificação da igreja.
Lembramos que, depois de o Pai revelar o Filho a Simão Pedro, depois da revelação de Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, nosso Senhor Jesus continuou a revelar aos Seus discípulos que Ele precisava ir a Jerusalém, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Em outras palavras, para Ele ser o Cristo e cumprir Sua missão como o Cristo, era necessário morrer na cruz. Para nosso Senhor Jesus, a cruz era uma necessidade. Ele é Jesus Cristo, e Este crucificado. Vocês não podem separar Cristo da cruz, nem a cruz de Cristo.
Foi a cruz que nos deu Cristo, mas foi Cristo Quem nos deu a cruz.
Então nosso Senhor Jesus continuou a dizer aos Seus discípulos: “Se alguém deseja seguir-Me, precisa negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir-Me”.
Em outras palavras, a cruz era necessária para o próprio Cristo, e a cruz é necessária para que sejamos edificados como Sua igreja.
A matéria-prima está aqui, mas como esses materiais podem ser edificados juntos na casa de Deus? Por meio da cruz. Sem a cruz, a igreja não pode ser edificada.
Assim, irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus disse: “Você precisa negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir-Me”.
Nosso Senhor Jesus é o fundamento da igreja, mas esse fundamento é diferente dos fundamentos que vemos quando construímos uma casa física. Embora o fundamento sustente a casa, o fundamento e a casa podem ser feitos de materiais diferentes.
Mas, quando nosso Senhor Jesus disse: “Edificarei a Minha igreja”, Ele estava edificando uma casa espiritual. Estava edificando Seu próprio corpo. Portanto, a relação entre o fundamento e a edificação é orgânica.
Em outras palavras, a edificação cresce a partir do fundamento. Ela é a extensão de Cristo. O que está no fundamento deve estar na edificação. É por isso que encontramos nas Escrituras que devemos ser arraigados e edificados Nele.
Em Isaías 28:16:
Portanto, assim diz o Senhor Deus:
Eis que ponho em Sião, por fundamento, uma pedra,
uma pedra provada, uma preciosa pedra angular, de firme fundamento:
aquele que crê não se apressará.
Deus disse: “Ponho um fundamento em Sião”, e esse fundamento é uma pedra, uma rocha. Mas, além disso, é uma pedra provada. Ela foi testada e considerada perfeita. Isso fala da vida de nosso Senhor Jesus nesta terra.
Ele foi tentado em todas as coisas, sem pecado. Ele é uma rocha sólida. E não apenas isso: Ele é uma preciosa pedra angular e um firme fundamento.
Se o fundamento é dessa natureza, então a edificação precisa ter a mesma qualidade.
Irmãos e irmãs, vocês se lembram da história de Simão Pedro em João 1:40-42. Seu irmão André o levou a Jesus. A Bíblia nos diz que nosso Senhor Jesus olhou para ele.
A palavra olhar, ali, significa que Ele o examinou de alto a baixo. Ele olhou para o mais íntimo de seu ser. Então o Senhor disse:
Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas.
Cefas, traduzido, significa Pedro.
Simão, originalmente, era uma pessoa muito expansiva, que sempre dizia o que pensava. Geralmente, ele falava antes de você. Falava até antes de Cristo falar. Mas, curiosamente, quando foi levado ao nosso Senhor Jesus, ficou sem palavras.
Quando o Senhor olhou para o mais íntimo de seu ser, ele não conseguiu dizer nada. O Senhor disse: “Tu és Simão”. É claro que ele sabia que era Simão. Não precisava que o Senhor lhe dissesse isso, mas havia um significado por trás daquelas palavras.
O Senhor estava dizendo: “Por natureza, você é Simão. Você nasceu de seus pais terrenos e recebeu o nome de Simão. Isso é o que você é originalmente. Mas você será chamado Pedro”.
Em outras palavras, o Senhor disse: “Farei uma obra em sua vida. Vou transformá-lo de Simão em Pedro”.
Simão era um homem de pó, porque, por natureza, somos feitos de pó. Mas nosso Senhor Jesus disse: “Você será uma pedra”. Quando vamos ao Senhor Jesus, quando cremos no Senhor Jesus, um novo elemento entra em nossa vida e nos transforma de pó em pedra.
Quando Simão confessou o Senhor Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, nosso Senhor Jesus disse: “Tu és Pedro”. Agora você é uma pedra. Você é uma pedra viva.
Pedro compreendeu isso, porque, em 1 Pedro 2:4-5, disse que, quando vamos ao Senhor Jesus, todos nos tornamos pedras vivas, para sermos edificados como casa espiritual.
Mas Pedro era uma pedra bruta. Para que essa pedra fosse edificada na casa espiritual, precisava ser provada, disciplinada e passar pelo sofrimento, para que se tornasse uma pedra provada e preciosa.
Depois que nosso Senhor Jesus chamou Pedro para ser Seu discípulo, vemos que, durante aqueles três anos, nosso Senhor Jesus trabalhou na vida de Simão Pedro. Muitas vezes, o Simão que havia em Pedro se levantava.
Logo depois de o Senhor dizer: “Tu és Pedro”, encontramos esse homem dizendo ao Senhor Jesus: “Tu não deves ir à cruz”. O Senhor disse: “Eu irei à cruz”, mas Pedro disse: “Não. Poupa a Ti mesmo”.
O amor natural, a mente natural e o entendimento natural não querem sofrer. Nosso Senhor Jesus precisou Se voltar e dizer:
Para trás de Mim, Satanás.
Aqui vocês veem que Satanás ainda tinha um ponto de apoio nesse homem, Simão Pedro.
Graças a Deus, depois que cremos no Senhor Jesus, somos pedras vivas. Há uma nova vida em nós, e todo o potencial está ali. Mas, infelizmente, nossa velha vida ainda está ali. Nossa própria natureza ainda está ali. Nosso eu, nossa carne, ainda estão ali.
Dentro de nós há um tesouro, mas, por fora desse tesouro, ainda há um vaso de barro. Muitas vezes, o que aparece não é Cristo em nós; é nosso velho eu. Essas coisas não podem ser edificadas na igreja.
Assim, vemos que, durante aqueles anos em que Pedro seguiu o Senhor Jesus, o Senhor tratou com ele muitas, muitas vezes. Como era uma pessoa impetuosa e muito expansiva, entre os discípulos ele foi aquele com quem o Senhor mais tratou.
Às vezes, sinto pena dele. Não sei, Pedro, se você apenas fechasse a boca, como seria bom! Mas, irmãos e irmãs, isso é sabedoria humana, porque ele não teria tido a oportunidade de ser provado e purificado.
Repetidamente, o Simão que havia em Pedro aparecia, e nosso Senhor Jesus precisava interrompê-lo.
Vocês se lembram de que, no monte da transfiguração, Pedro disse:
É bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e uma para Elias.
A Bíblia diz que ele não sabia o que estava dizendo, mas sentia que precisava dizer alguma coisa.
O Pai celestial precisou interrompê-lo e dizer:
Este é o Meu Filho amado; ouvi-O.
Outra vez, quando o cobrador veio recolher o imposto do templo e perguntou: “O Mestre de vocês paga o imposto do templo?”, Pedro, sem consultar nosso Senhor, disse: “Sim”.
Depois de fazer aquela promessa, ele foi ao Senhor. O Senhor lhe disse: “Quem paga o imposto? Os filhos pagam o imposto?”. Mas nosso Senhor Jesus o socorreu. Ele disse: “Vá, lance um anzol, e no primeiro peixe que subir haverá o dinheiro para você e para Mim”.
Pedro era pescador. Podia lançar a rede e pegar muitos peixes, mas, para pescar um único peixe, acho que ficaria muito impaciente. O Senhor tratou com ele.
Outra vez, Pedro foi ao Senhor e disse: “Se meu irmão pecar contra mim sete vezes, e eu o perdoar sete vezes, isso é suficiente?”. Ele estava tentando receber um elogio de nosso Senhor. Para um homem como Pedro, suportar sete vezes era um milagre.
E quem era aquele irmão? André. Que tipo de pessoa era André? André era uma pessoa quieta, muito atenta. Ele conseguia perceber coisas muito pequenas no meio de milhares de pessoas. Conseguia ver um menino com cinco pães e dois peixes.
Provavelmente, André raramente ofendia alguém, porque muitas vezes quem pensa que está sendo ofendido é justamente quem ofende. Então nosso Senhor Jesus disse:
Não sete vezes, mas setenta vezes sete.
Irmãos e irmãs, isso é impossível. Para Simão, isso era impossível. Isso era morte. Mas era justamente isso que o Senhor queria fazer com ele.
Pedro era uma pessoa muito autoconfiante. Ele amava o Senhor, e realmente amava o Senhor. Por isso, disse ao Senhor: “Mesmo que todos os outros Te abandonem, estou disposto a ir e morrer Contigo”.
Nosso Senhor Jesus disse:
Simão, Simão, Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo;
mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça:
e tu, quando te houveres convertido, fortalece os teus irmãos.
Ele estava tão seguro de seu amor, mas negou o Senhor três vezes. Chegou ao fim de si mesmo. Chorou e, graças a Deus, foi restaurado pelo Senhor.
Pedro, embora fosse uma pedra viva, era uma pedra muito bruta, cheia de seu próprio eu. Nosso Senhor Jesus precisou tratar com ele, tratar com ele em amor, tratar com ele com paciência, até que Pedro se tornasse uma pedra preciosa.
Na Nova Jerusalém, há doze fundamentos de doze pedras preciosas. A primeira pedra é o jaspe. Provavelmente, isso se refere a Pedro. Quando você vê Deus, Sua aparência é semelhante ao jaspe.
Essa pedra precisa ser provada. Essa pedra precisa ser transformada em pedra preciosa. Então poderá ser edificada na casa espiritual.
Todos esses processos, por mais dolorosos que sejam, são dolorosos no que diz respeito à carne, mas todos contribuem positivamente para o propósito de Deus.
Pedro, depois de ter passado por esses tratamentos, escreveu em 1 Pedro 1:6-7:
Nisso vos alegrais grandemente, embora agora, por um pouco de tempo, se necessário, tenhais sido entristecidos por várias provações,
para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo,
seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
E, novamente, em 1 Pedro 4:12-13:
Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos provar, como se alguma coisa estranha vos acontecesse:
mas, na medida em que sois participantes dos sofrimentos de Cristo, alegrai-vos;
para que também, na revelação da Sua glória, vos alegreis com grande júbilo.
O que aconteceu na vida de Pedro acontece com cada um de nós, porque nosso Senhor quer que sejamos edificados em Sua igreja. Por isso, Ele precisa realizar todas essas obras em nossa vida.
Se recusarmos, não estaremos aptos para a casa de Deus. Assim, irmãos e irmãs, a cruz é indispensável à igreja.
A razão pela qual a igreja não é edificada como deveria é que o povo de Deus tenta evitar a cruz.
Nosso Senhor Jesus disse: “Se alguém deseja seguir-Me”. Esse é o Seu caminho; é o caminho da cruz. “Se alguém deseja seguir-Me”, disse o Senhor, “precisa negar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir-Me”.
A cruz é algo que precisamos tomar. A cruz também é algo que podemos evitar. Você pode tomá-la ou contorná-la.
O que é uma cruz? Uma cruz surge quando a vontade de Deus e a sua vontade se cruzam. Se você insiste em fazer as coisas à sua maneira, escapa da cruz, mas perde sua alma.
Mas, se por causa de Cristo e de Seu evangelho você está disposto a deixar seu eu morrer e permitir que a vontade de Deus se cumpra por meio de você, então está tomando sua cruz.
Mas como podemos tomar nossa cruz? A cruz é algo que parece ser contrário a nós, algo que nos mata, nos reduz e nos quebranta. Por nossa capacidade natural, jamais conseguiremos tomar nossa cruz.
Podemos ser tão corajosos quanto Pedro e dizer: “Estou disposto a morrer por Ti”. Mas dizer uma coisa e fazê-la são coisas diferentes. Não conseguimos fazê-lo.
Irmãos e irmãs, o segredo está aqui: o Senhor disse: “Negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Se não negarmos a nós mesmos, será impossível tomar a cruz.
Nosso problema é que não negamos a nós mesmos. Isso tem relação com a consagração.
Mencionei isso ontem à noite. Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
Essa é a própria base de nossa vida cristã. Depois de crermos no Senhor Jesus, se quisermos seguir o Senhor, a primeira coisa que precisamos fazer é apresentar nosso corpo como sacrifício vivo.
A razão pela qual Paulo usa a palavra corpo é que sua ênfase está em nossa vida prática diária. Na verdade, isso inclui todo o nosso ser. Precisamos apresentar todo o nosso ser como sacrifício vivo ao nosso Senhor.
Quando fazemos isso, estamos negando a nós mesmos. Queremos viver para nós mesmos. Queremos nos apegar aos nossos direitos. Mas, quando você apresenta seu corpo como sacrifício vivo, isso significa que abre mão de si mesmo.
Significa que está disposto a renunciar a todos os seus direitos. Significa que está disposto a permitir que Cristo seja o Senhor de sua vida. Você quer que a vontade Dele seja feita.
Isso é consagração. Consagração não é tentar fazer algo para Deus. Isso virá depois. Consagração é entregar-se ao Senhor. É negar a si mesmo.
Já não reconheço meu próprio eu. Sempre que o velho eu se levanta, digo: “Não conheço você, porque fui crucificado com Cristo. Já não sou eu quem vive; é Cristo Quem vive em mim. Ele tem todos os direitos sobre mim. Seja feita a Sua vontade”.
Irmãos e irmãs, a consagração não acontece apenas uma vez, de uma vez por todas. Ela precisa ter um começo. Um dia você precisa ser tocado e constrangido pelo amor de Cristo. Você se dispõe a entregar-se a Ele e permitir que Ele realize Seu propósito.
Então, diariamente, o holocausto é repetido pela manhã e à tarde, e são acrescentadas ofertas nas festas. Quando você está sendo provado, quando a cruz está diante de você, precisa decidir se vai tomá-la ou escapar dela.
Somente dedicando e entregando sua vida ao Senhor você consegue tomar a cruz e segui-Lo. Muitas vezes há uma luta, mas, por fim, o amor Dele vence. Você se dispõe a abrir mão de si mesmo. Isso é consagração.
A consagração é um caminho. Ela segue pelo caminho da cruz.
Queridos irmãos e irmãs, vocês veem que a cruz é indispensável para nós. Mas há algo além disso, porque não se trata apenas de fazer de você um modelo ou um monumento. Esse não é o propósito de Deus.
O propósito de Deus não é apenas fazer de você um gigante espiritual, admirado pelas pessoas, como um monumento erguido ali. Deus quer um corpo. Ele quer uma casa.
Portanto, todas essas pedras vivas precisam ser edificadas juntas. Não há apenas o trabalho que precisa ser feito em cada pedra, para transformar a matéria-prima em material útil; depois, é necessário ajustar as pedras umas às outras e edificá-las juntas, segundo o projeto de Deus.
Por isso, é necessária uma atuação ainda maior da cruz.
Nos tempos do Antigo Testamento, Deus tirou Seu povo do Egito. Ele o levou ao monte Sinai e ali compartilhou o que estava em Seu coração. Por que Deus o libertou? Qual era a razão por trás disso? Deus disse: “Porque quero habitar entre vocês”.
E Me farão um santuário, para que Eu habite no meio deles.
Quando Deus disse ao povo que Lhe edificasse um santuário, mostrou a Moisés o projeto. Mas onde estavam os materiais? Ele chamou o povo a ofertar.
Os filhos de Israel eram escravos no Egito. Não possuíam bens. Nem mesmo eram donos da própria vida. Mas, quando Deus os libertou do Egito, fez deles o povo mais rico do mundo. Eles despojaram o Egito de suas riquezas e as levaram consigo.
Então Deus disse: “Deem-Me uma oferta daquilo que Eu lhes dei. Devolvam-Me isso por amor”. Por direito, tudo pertencia a Deus, mas Deus queria que Seu povo desse voluntariamente e com amor.
Assim, começaram a oferecer ouro, prata, bronze, materiais azuis, púrpura e escarlate, linho fino, madeira de acácia, pedras preciosas, azeite e outras coisas. Todas essas coisas, na verdade, tinham vindo de Deus, mas, de sua abundância, eles deram voluntariamente a Deus.
Isso é uma figura da consagração. Depois de Sua vinda, nosso Senhor Jesus nos leva à própria origem: apresentar nossos corpos como sacrifícios vivos. Os remidos pertencem ao Senhor.
É certo que ofereçamos não apenas nossa prata e nosso ouro, mas a nós mesmos. Porém, depois que todos esses materiais são oferecidos, ainda há muito trabalho a fazer.
Toda a madeira precisa ser cortada. Todo o tecido precisa ser tecido. Todo o ouro precisa ser batido. Tudo precisa ser trabalhado para tomar forma.
O mesmo aconteceu com o templo de Salomão. Davi preparou muito material para a casa de Deus. Em sua aflição e por sua afeição pelo Senhor, deu com todas as suas forças. Então os trabalhadores precisaram vir e trabalhar nesses materiais.
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor precisa realizar muito trabalho não apenas em nós individualmente, mas também ao nos unir uns aos outros.
No que diz respeito ao propósito eterno de Deus, especialmente nesta questão da igreja, podemos dizer que os três primeiros capítulos de Efésios apresentam uma revelação da igreja.
A igreja é o corpo de Cristo. Efésios 1:22-23 diz:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés,
e O deu à igreja como cabeça sobre todas as coisas,
a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele que tudo enche em todos.
A igreja é o novo homem, no qual não há judeu nem gentio, porque Deus fez dos dois um só novo homem. A igreja é a casa de Deus. Os apóstolos são o fundamento, e Cristo é a pedra angular. Ela é a família de Deus.
Nos três primeiros capítulos, Efésios nos diz, por revelação, o que é a igreja. A saudação inicial dessa carta é: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus”. Como apóstolo, ele transmitiu a revelação que havia recebido.
Mas, quando chega à edificação da igreja, Paulo diz que é prisioneiro no Senhor. Antes, fomos capturados pelo inimigo. Estávamos em cativeiro. Um cativo não pode fazer o que quer nem ir aonde quer. Perdeu sua liberdade; está sob o domínio de outro.
Irmãos e irmãs, a menos que assumamos essa posição, não há como edificar a igreja. Estamos dispostos a ocupar esse lugar que nos cabe?
O apóstolo Paulo diz em Efésios 4:1:
Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados.
Graças a Deus, fomos chamados. Qual é o nosso chamado? O chamado aqui não se refere ao nosso chamado individual. É um chamado coletivo. Todos nós somos chamados para isso.
Qual é esse chamado, segundo Efésios? Somos chamados para ser o corpo de Cristo. É um chamado santo, um chamado elevado, um chamado celestial. Não somos chamados apenas para ser salvos. Não somos chamados apenas para ir ao céu.
Somos chamados para ser o próprio corpo de Cristo. Toda a plenitude da Cabeça habita no corpo. Todas as riquezas de Cristo habitam no corpo, e a glória de Cristo se manifesta por meio desse corpo. Ele é um com Cristo. Assim como é a Cabeça, assim é o corpo.
Irmãos e irmãs, somos chamados para ser o corpo de Cristo. Já que esse é o nosso chamado, devemos andar de modo digno dele.
Como podemos andar de modo digno do nosso chamado? Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor.
Essas são as qualidades, o caráter, de nosso Senhor Jesus. Ele é manso e humilde de coração. Ele nos chama a tomar Seu jugo e aprender Dele, porque é manso e humilde de coração.
Não há Nele resistência alguma ao Seu Pai. Isso é mansidão. Ele é humilde de coração, e essa humildade significa que não há o eu.
Isso é o que Cristo é, e é o que nós devemos ser. É Sua vida em nós; é Seu caráter. Com esse tipo de atitude, podemos ser edificados juntos.
A Bíblia diz que Moisés era o mais manso dos homens. Isso parece não estar certo, porque, quando os artistas retratam Moisés, ele parece tão majestoso e tão forte. No entanto, a Bíblia diz que ele era o mais manso dos homens.
Por quê? Porque não havia nele resistência alguma a Deus: submissão absoluta, obediência absoluta.
Irmãos e irmãs, e nós? Ainda há em nós resistência a Deus? Estamos prontos para obedecer em todo momento? Somos humildes de coração, dispostos a ocupar o lugar mais baixo, porque é ali que estamos?
Depois ele diz: “Com longanimidade”. Longanimidade significa sofrer por muito tempo.
Vocês imaginam que ser edificado no corpo de Cristo exige longanimidade? Vocês se lembram do capítulo 13 de 1 Coríntios. É o capítulo sobre o amor, mas está relacionado à igreja, ao corpo de Cristo. A primeira qualidade do amor, em 1 Coríntios 13:4, é esta: o amor é longânimo.
Como Deus é longânimo conosco! A igreja, por ser um lugar de amor, é um lugar de longanimidade. Você está pronto para sofrer, e sofrer por muito tempo? Se não estiver pronto, então não tente ser edificado na igreja.
Não é de admirar que haja pessoas hoje que queiram ficar isoladas. Elas dizem: “O Senhor e eu, e mais ninguém”. Isso parece muito espiritual, mas, irmãos e irmãs, elas não estão sendo edificadas no corpo de Cristo, o propósito eterno de Deus.
Depois diz: “Suportando-vos uns aos outros em amor”. Todas essas são qualidades de Cristo. Somente quando permanecemos em Cristo podemos começar a ser edificados juntos.
A primeira coisa é procurar diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz, que nos une.
O corpo é um só. Assim como a Cabeça é uma só, o corpo é um só. Portanto, precisamos guardar diligentemente a unidade do Espírito.
O que é a unidade do Espírito? Essa unidade já foi dada. Foi dada a todos nós. O que precisamos fazer é guardá-la, guardá-la diligentemente, porque é tão preciosa e podemos perdê-la facilmente.
O que é essa unidade do Espírito que já nos foi dada? Ela está nos sete elementos apresentados a seguir, cada um acompanhado da expressão “um só”:
Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
um só Senhor, uma só fé, um só batismo,
um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por todos e em todos.
Os três primeiros estão relacionados a Deus Espírito. Em um só Espírito, isto é, em um só Espírito Santo, fomos batizados em um só corpo, e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
Assim que você crê no Senhor Jesus, imediatamente descobre que não há apenas um vínculo entre você e Deus; descobre que há um vínculo entre você e todos os outros filhos de Deus.
Pertencemos uns aos outros. Somos um só corpo e bebemos de um só Espírito. O mesmo Espírito Santo habita em nós, nos ensina e nos conduz a Cristo.
Qual é a esperança do nosso chamado? A esperança do corpo é que ele alcance plena maturidade e se torne a noiva do Cordeiro. Essa é nossa bendita esperança.
Depois ele diz: “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. Isso está relacionado a Deus Filho. Nosso Senhor Jesus é Senhor de cada um de nós.
Uma só fé significa que cremos que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo, porque essa é a fé que nos salva.
Um só batismo não é uma questão da forma do batismo. O que importa é seu significado: todos nós fomos batizados em Cristo. Pertencemos a Cristo — todos nós pertencemos a Cristo.
Depois há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por todos e em todos. Temos o mesmo Pai.
Irmãos e irmãs, onde está a unidade do Espírito? A unidade do Espírito está no Deus Triúno. No mundo, temos todo tipo de diferenças e distinções, mas em Deus somos um. Em nosso Senhor Jesus somos um. No Espírito Santo somos um.
Vamos guardar diligentemente essa unidade. Não permitam que coisa alguma entre e quebre essa unidade.
Sejam distinções nacionais, pois não há judeu nem gentio; diferenças culturais, seja civilizado ou bárbaro; ou diferenças sociais, seja escravo ou livre — em Cristo Jesus, no Espírito Santo e em Deus Pai, somos um.
Que essa unidade supere todas as diferenças. Podemos ter ideias diferentes. Podemos ter interpretações diferentes da palavra de Deus. Podemos ter experiências diferentes do Filho de Deus. Mas todas essas coisas são secundárias. O fundamento é a unidade do Espírito.
Vamos continuar a ter comunhão uns com os outros. Não permitamos que nossas diferenças nos dividam, como se não pertencêssemos uns aos outros e pudéssemos até nos tornar inimigos uns dos outros.
Irmãos e irmãs, a cruz precisa trabalhar em cada um de nós, eliminando tudo o que entrar em conflito com a unidade do Espírito.
Apesar de todas as diferenças, sejamos um. Vamos continuar a ter comunhão uns com os outros e, por meio da comunhão, um dia chegaremos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.
A unidade da fé é diferente da expressão “uma só fé” mencionada anteriormente. Uma só fé se refere à fé básica, à fé que nos salva. A fé se refere à verdade completa, à fé que nos foi entregue de uma vez por todas.
Hoje podemos ter compreensões e interpretações diferentes de nossa fé. Mas, se estivermos dispostos a continuar em comunhão uns com os outros, sem nos isolarmos uns dos outros, e se estivermos dispostos a ser humildes e abertos uns para com os outros, então o Senhor nos conduzirá à unidade da fé.
O mesmo acontece com o conhecimento do Filho de Deus. Isso se refere ao conhecimento do Filho de Deus adquirido pela experiência. Experimentaremos Cristo juntos.
O que você experimenta de Cristo me ajudará, e o que eu tenho experimentado de Cristo ajudará você. Então cresceremos até chegar à plena medida da estatura de Cristo, quando o Noivo virá buscar Sua noiva.
Assim, irmãos e irmãs, há muito trabalho da cruz a ser realizado em nós coletivamente. Estamos dispostos a nos humilhar, não apenas diante de Deus, mas diante uns dos outros?
Como nosso irmão mencionou ontem à noite, em Filipenses 2:3, devemos considerar os outros superiores a nós mesmos.
Irmãos e irmãs, a cruz é indispensável à edificação da igreja.
Vamos orar.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te porque Tu sabes do que mais precisamos. Tu sabes que precisamos negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e seguir-Te.
Tu sabes que precisamos levar a cruz uns dos outros. Por isso, Senhor, olhamos para Ti em busca de graça, sabendo que Tua graça nos basta.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.