Abram comigo a carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, no capítulo 2. Vou começar a leitura em Filipenses 2:1.
Se há, pois, alguma exortação em Cristo,
alguma consolação de amor,
alguma comunhão do Espírito,
alguns afetos de misericórdia e compaixão,
completai a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar,
tendo o mesmo amor,
sendo unidos de alma, tendo um só pensamento;
nada fazendo por partidarismo ou vanglória,
mas, em humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo;
não olhando cada um somente para os seus próprios interesses,
mas também para os interesses dos outros.
Tende em vós este sentimento, que houve também em Cristo Jesus:
O Qual, existindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que devesse Se apegar,
mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens;
e, sendo encontrado em figura humana,
humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte,
e morte de cruz.Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira,
e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
para a glória de Deus Pai.
Assim, pois, meus amados, como sempre obedecestes,
não somente na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência,
desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
porque Deus é Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo o Seu beneplácito.
E agora, no livro de Apocalipse, capítulo 5 — um versículo, Apocalipse 5:5.
E um dos anciãos me diz: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
E vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como tendo sido morto, com sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
E Ele veio e tomou o livro da mão direita Daquele que estava sentado no trono.
E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
E cantam um cântico novo, dizendo: Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação; e os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus; e eles reinam sobre a terra.
Amado Senhor, mais uma vez somos tão gratos a Ti pela maneira como nos conduziste até estes dias. E agora chegamos, Senhor, a esta noite.
Sabemos que fizeste plena provisão para ela. Agradecemos pela Tua fidelidade, pelo Teu amor e pela Tua misericórdia.
Amado Senhor, precisamos de Ti. Precisamos de Ti para falar a Tua Palavra, para traduzir a Tua Palavra e para ouvir a Tua Palavra.
Não deixes este momento passar, Senhor, sem tocar nossos corações. De alguma maneira, alcança-nos, Senhor, no mais profundo do nosso ser. Que o Teu Espírito Santo abra os olhos do nosso coração e nos leve, Senhor, a uma nova disposição de resposta a Ti.
Para isso, firmamo-nos, pela fé, naquela unção, graça e poder que colocaste à nossa disposição. Que estejam sobre todos nós com pleno poder.
E teremos o cuidado de Te dar todo o louvor e toda a glória. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus, o Messias. Amém.
Bem, não acho que seja necessário dizer que o tema desta conferência tem sido o caminho para o propósito eterno de Deus: a cruz.
Minha responsabilidade tem sido a cruz e o Cristo. Já falei duas vezes nestas noites. Imagino que todos vocês saibam disso.
Agora, nesta noite, quero tomar uma ou duas expressões da Palavra de Deus. Quero falar sobre a expressão:
E morte de cruz.
É realmente difícil — Filipenses 2:8:
A morte de cruz.
Depois, quero falar sobre a expressão de Filipenses 2:9:
Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira.
E, por fim, quero dizer algo sobre estas palavras:
Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
porque Deus é Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo o Seu beneplácito.
A morte de cruz. Não havia outro caminho pelo qual o Senhor Jesus pudesse cumprir o propósito eterno de Deus.
Em seis horas — apenas seis horas — Ele realizou essa obra. Às nove horas da manhã, foi pregado na cruz. Às três horas da tarde, morreu.
Foram as seis horas mais significativas, mais estratégicas e mais essenciais de toda a história. E não apenas da história: elas são o ponto central da eternidade. Tão extraordinária é a obra do nosso Senhor Jesus.
Para isso Ele veio ao mundo. Para isso, em algum momento, disse ao Pai:
Eis-Me aqui; envia-Me.
Por essa razão, nasceu em Belém. Nós diríamos: “Nasceu para morrer”.
Por essa razão, foi batizado por João no rio Jordão. Por essa razão, deixou a glória da Sua transfiguração e seguiu em direção a Jerusalém — para morrer.
Por essa causa, no jardim, Ele disse:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Acho um enorme erro nos determos nos sofrimentos físicos do Senhor Jesus.
Se fossem apenas os sofrimentos físicos do Senhor Jesus que tivessem realizado a nossa salvação, muitos mártires morreram e sofreram por muito mais tempo. Lembro-me do caso de um pastor crucificado na China que levou três dias para morrer.
O que aconteceu naquelas seis horas?
É impressionante para mim como as testemunhas dos Evangelhos são contidas. É quase como se não quisessem se deter por muito tempo no sofrimento físico do Senhor Jesus.
Elas simplesmente descrevem o fato: Ele foi pregado na cruz. Clamou. Por fim, disse:
Nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.
É quase como se sentissem que, de alguma maneira, não foi o que se via que realizou a nossa salvação, mas o que não se via.
Foi ali, no invisível, que Jesus foi feito pecado por nós. Nunca saberemos — nem em todos os anos da eternidade —, nunca saberemos quanto isso custou ao Senhor Jesus.
Estamos na margem de um oceano de agonia indizível e incompreensível.
Pensem em algumas passagens das Escrituras. João 1:29:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Pensem no profeta Isaías, em Isaías 53:6:
Todos nós, como ovelhas, nos desviamos;
cada um se voltou para o seu próprio caminho;
e o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de todos nós.
O hebraico é muito expressivo. O Senhor fez com que toda a iniquidade fosse ao encontro Dele. Em outras palavras, toda a iniquidade da humanidade, desde o pecado de Caim e ao longo de toda a história — todo o pecado —, naquelas poucas horas, foi reunida, por assim dizer, sobre a pessoa do Senhor Jesus.
Há algo tão belo em um cordeiro. Ele é símbolo de uma nova vida, símbolo de inocência, símbolo de pureza, símbolo de um novo começo.
Há algo tão sombrio, tão horrível na iniquidade. Quando essa iniquidade foi reunida sobre aquele pequeno Cordeiro, então Ele Se tornou a serpente levantada.
Não há nada mais diferente de um cordeirinho do que uma serpente. Sei que algumas pessoas criam serpentes como animais de estimação. Eu, pessoalmente, tenho horror delas. Quando vejo pessoas com serpentes enroladas no pescoço, fico pensando que tipo de pessoas são.
Há algo tão ardiloso, tão sinistro na serpente. Mas aqui, em João 3:14-15, está escrito:
Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado;
para que todo aquele que Nele crê tenha a vida eterna.
Mas o Senhor Jesus tomou para dentro de Si o próprio veneno de Satanás — o veneno que infectou toda a humanidade.
Nunca saberemos quanto esse pecado afetou o Senhor Jesus. Tudo o que sabemos é isto: Ele o levou embora. Ele o tomou para dentro de Si.
Como o bode expiatório que ia para o deserto, Ele levou o nosso pecado para tão longe quanto o oriente está do ocidente. Apagou-o como uma nuvem espessa.
Por isso, o apóstolo Paulo disse:
Àquele que não conheceu pecado, Deus O fez pecado por nós; para que Nele nos tornássemos justiça de Deus.
Amado amigo, o que aconteceu naquelas seis horas?
Há outra pequena imagem em Isaías 53. Em Isaías 53:10, está escrito:
Ao Senhor agradou feri-Lo.
Essa é a minha versão. Mas, como nosso irmão Stephen disse nesta manhã, na verdade o hebraico significa:
Ao Senhor agradou esmagá-Lo.
O hebraico significa quebrar em pedaços, como quando algo é pisoteado. Ao Senhor agradou esmagá-Lo.
Naquelas horas, Ele tomou para dentro de Si o pecado do mundo, do princípio ao fim. O Cordeiro Se tornou a serpente levantada, e Deus O esmagou.
É de admirar que Ele tenha clamado:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Foi isso que, no jardim, Lhe causou tamanha angústia.
Queridos e amados irmãos e irmãs, talvez vejamos esse mistério com maior clareza nas trevas que vieram sobre a terra.
Ao meio-dia, vieram trevas sobre toda aquela região. Pessoas que não entendem essas coisas dizem que foi um eclipse. Mas qualquer pessoa que saiba alguma coisa sobre eclipses sabe que nenhum eclipse pode durar três horas.
Algo aconteceu com a energia essencial do universo, como se uma espada atravessasse o coração do próprio Deus.
Como se, ao ser Jesus feito pecado, a própria essência do mundo clamasse. Todas as coisas existem Nele. Foi como se, de alguma maneira, o universo inteiro gritasse.
Seis horas. A morte de cruz.
Em Hebreus 2:9, está escrito:
Vemos, porém, Aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, coroado de glória e honra; para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Se o Senhor Jesus tivesse morrido somente no meu lugar, isso já teria sido extraordinário para mim. Mas, quando Ele morreu, provou a morte por todos — por cada homem e cada mulher que já viveu ou que ainda viverá.
Digo que nunca compreenderemos o que aconteceu. Ninguém tem o direito de especular. Mas isto sabemos: Ele terminou a obra que o Pai Lhe deu.
Naquelas seis horas, Ele realizou uma salvação eterna — tão completa que nada pode ser acrescentado a ela, e nada pode ser retirado.
É uma salvação tão plena que o pecador mais depravado pode ser salvo, que o ser humano mais sem esperança pode ser transformado em filho de Deus e que aqueles que não têm direito de herdar coisa alguma de Deus podem herdar tudo.
Nem todas as nossas lágrimas, todo o nosso conhecimento da Bíblia, nossa frequência à igreja ou todas as nossas cerimônias religiosas jamais poderão alcançar a salvação.
Não somos salvos porque nossos pais eram cristãos, ou porque nossos avós eram cristãos, ou porque temos parentes ou amigos que são cristãos. Somos salvos somente pela obra consumada do Senhor Jesus no Calvário.
Isso precisa se tornar a experiência viva, pessoal e direta de cada ser humano, para que seja salvo.
Em seis horas, Ele conquistou para nós um lugar no propósito eterno de Deus. O propósito eterno de Deus não é a salvação. A salvação de Deus é o meio pelo qual Ele nos coloca de volta em Seu propósito eterno.
Quando o Senhor Jesus, naquelas seis horas, realizou a nossa salvação eterna, Ele nos proveu de toda a graça e de todo o poder de que precisamos para chegar ao centro do Seu propósito eterno.
É tão triste que tão poucos cristãos compreendam a morte de cruz — quanto Ele nos amou.
E então temos esta segunda expressão. Filipenses 2:9-11:
Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira,
e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
para a glória de Deus Pai.
Que poder maravilhoso há nesta expressão: pelo que. Pelo que Deus O exaltou sobremaneira.
Por que Deus O exaltou tanto? Porque Ele não considerou o ser igual a Deus algo a que devesse Se apegar. Mas humilhou-Se, veio e Se tornou servo. Sendo encontrado em figura humana, tornou-Se obediente até à morte — a morte de cruz.
Sempre me ensinaram que, se a Palavra de Deus diz alguma coisa mais de uma vez, devemos prestar atenção. Ouçam isto.
Tiago 4:10:
Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará.
Mateus 23:11-12:
Mas o maior dentre vós será vosso servo.
E aquele que se exaltar será humilhado;
e aquele que se humilhar será exaltado.
Lucas 14:11:
Porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado.
E novamente, Lucas 18:14:
Porque todo aquele que se exalta será humilhado; mas aquele que se humilha será exaltado.
Quando o Senhor Jesus Se humilhou, tivemos uma ilustração extraordinária deste princípio: sempre que uma pessoa se humilha, o Senhor a exalta.
O Senhor Jesus é o exemplo supremo. Ele não pede que você faça nada que Ele mesmo não tenha feito.
Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja vosso servo.
Isso não transformaria nossas comunidades e nossas congregações? Se todos os que querem ser grandes se tornassem servos, não seria algo extraordinário?
Se abríssemos mão dos nossos direitos para cuidar uns dos outros, simplesmente servíssemos uns aos outros e nos comprometêssemos com o Senhor na vida uns dos outros — se nos humilhássemos —, como o Senhor nos exaltaria!
Acho muito interessante que haja, na Bíblia, duas imagens de um grande rio. Aqueles de vocês que conhecem a Bíblia saberão do que estou falando.
Na profecia de Ezequiel, no capítulo 47, Ezequiel viu o templo do Senhor. Do altar, pelo lado direito, saía uma corrente de água.
À medida que fluía, a água subia dos tornozelos aos joelhos, depois à cintura, e se tornava água em que era preciso nadar. Por onde aquele rio passava, na visão de Ezequiel, ele trazia vida.
Ele até curou o mar Morto. Nada vive no mar Morto — nem uma planta, nem um peixe, nem um caranguejo, nem um lagostim. Nada. Ele é estéril.
Mas, quando esse rio que sai do altar deságua no mar Morto, acontece um milagre. Há pescadores, e em ambas as margens do rio há árvores que dão fruto. Tudo vem do altar.
Há outra imagem bem no final da Bíblia, no último livro, no último capítulo. É a cidade de Deus. Deus e o Cordeiro são o templo, e do trono flui um rio.
Por onde esse rio passa, ele traz cura. Seus frutos e suas folhas são para a cura das nações.
Não vou me demorar aqui. Tudo o que quero dizer é isto: o altar se tornou o trono.
Esse é sempre o caminho de Deus: primeiro o altar, depois o trono.
O Senhor Jesus Se humilhou, tornando-Se servo. Sendo encontrado em figura humana, foi obediente até à morte — sim, a morte de cruz. Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira e O entronizou à Sua direita, até que todo joelho se dobre diante Dele e toda língua O confesse como Senhor.
É uma imagem maravilhosa: o altar se tornou o trono.
Que imagem extraordinária temos em Apocalipse 5: um pequeno Cordeiro no meio do trono.
O grego diz: “Como se tivesse acabado de ser morto”. Aqui está o trono de Deus, o trono do universo, e aqui, no meio do trono, está um pequeno Cordeiro, como se tivesse acabado de ser morto.
Aquelas seis horas — o poder daquela obra consumada — alcançam, para trás, a fundação do mundo e, para a frente, os séculos dos séculos.
Um pequeno Cordeiro. O Leão da tribo de Judá. Um pequeno Cordeiro, como se tivesse acabado de ser morto. Esse é o fundamento de todo o trato de Deus com a humanidade, de Adão até a última pessoa que nascerá.
Não sei se estou entediando vocês ou se alguma coisa está sendo transmitida. Deixem-me levá-los apenas um passo adiante.
Ouçam os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes:
Digno és Tu.
Com o Teu sangue, compraste para Ti pessoas de toda língua, grupo étnico e raça.
Ninguém mais é tão digno de ser Rei quanto Jesus. Nenhum outro rei jamais deu a própria vida pela salvação do seu povo.
Muitas vezes digo ao meu próprio povo, o povo judeu: Ele é o nosso Rei — o Rei dos judeus, o Rei de Israel. Israel pensa que é uma república; na verdade, é um reino.
É a única nação do mundo que tem um Rei que morreu para salvar, que foi sepultado e que, ao terceiro dia, ressuscitou; depois, ascendeu à direita de Deus como Salvador do mundo, como Cabeça da Igreja, como Rei dos judeus, Rei de Israel, Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Nenhum outro povo tem uma história assim. Temos um Rei que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus e que voltará a Jerusalém.
Família de Deus, quem mais é digno? Digno de ser soberano dos reis da terra; digno de ser Rei dos reis e Senhor dos senhores. Não há ninguém mais — somente Jesus.
Eu, pelo menos, acho isso extraordinário, porque o caminho para o cumprimento do propósito eterno de Deus é aquela cruz e aquela obra que Jesus realizou naquelas seis horas.
Vocês não acham extraordinário que Paulo, depois dessa tremenda revelação do Senhor Jesus, diga:
Assim, pois, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor.
Você não pode desenvolver a sua salvação sem a cruz. É impossível.
Vou além. Há um veto divino a qualquer tentativa de desenvolver a sua salvação sem a cruz.
Você só pode ser salvo pela obra Dele na cruz. Mas, enquanto a vida do seu eu não for entregue à morte, você não poderá ver essa salvação se desenvolver na sua vida.
Porque Deus é Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo o Seu beneplácito.
Onde existe uma vida do eu não crucificada, Deus não está operando em vocês tanto o querer como o realizar.
Ah, você diz: “Isso é severo demais. Queremos algo mais suave, mais amoroso do que isso”. Bem, ouça o Senhor Jesus.
Marcos 8:34-35:
E, chamando a Si a multidão com os Seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque aquele que quiser salvar a sua vida a perderá; e aquele que perder a sua vida por Minha causa e por causa do Evangelho a salvará.
Amado irmão, amada irmã, ouçam-me. Você não pode seguir o Senhor e amar a vida do seu eu. Não pode seguir o Senhor sem tomar a sua cruz. É impossível.
Você não pode viver a vida cristã e preservar a vida do seu eu. Se procurar preservá-la, você paralisa a obra do Espírito Santo. Entristece o Espírito Santo. Apaga o Espírito Santo. Apaga o fogo.
É isso que acontece quando nossas comunidades estão cheias de pessoas pensando em si mesmas: “Eu, eu e eu”.
Somente quando o eu é riscado pela cruz é que temos o Corpo do Senhor Jesus. Então temos a edificação da casa de Deus. Então temos uma expressão do Senhor Jesus que vira o mundo de cabeça para baixo.
Toda congregação representada neste lugar deveria estar vendo pessoas serem salvas. Deus deveria estar acrescentando pessoas à igreja. O que está acontecendo? O eu é o problema.
Jesus pregou este Evangelho não apenas aos Seus discípulos, mas a toda a multidão:
Se alguém quiser vir após Mim, renuncie a todo direito sobre si mesmo, tome a trave da cruz e siga-Me.
Aquele que quiser salvar a sua vida […] a perderá.
A vida do seu eu; essa é a palavra no grego, a vida da sua alma.
Quantos cristãos aqui estão perdendo a vida da sua alma? Pensando na vida do seu eu, procurando protegê-la, vocês a estão perdendo — e, com ela, toda a expressão do Corpo de Cristo.
Você não pode seguir o Senhor Jesus sem a cruz. Não pode entrar na plenitude da vida, na vida abundante, sem a cruz.
Se você não se humilhar, no fim Deus o humilhará. Uma das coisas mais extraordinárias é que o Senhor sempre diz: “Humilhe-se”.
Assim como o Senhor Jesus, tome a decisão: “Farei a vontade do meu Pai”.
Sinto muito que isso pareça tão duro, tão severo — mas não peço desculpas por isso. É o Evangelho como deve ser pregado.
Sabe por quê? Ouvimos este evangelho: “Tome uma decisão por Jesus”, como se fosse uma eleição presidencial. Você vota Nele, faz Dele o seu presidente, e Ele lhe fará bem. Ele o ajudará. Fará tudo por você. Será o seu seguro.
Esse tipo de evangelho diz: “Jesus está aí para me servir. Posso fazer o que bem entender e, quando estiver numa confusão, volto a Ele, e Ele resolve tudo”.
A sua própria vontade sempre o colocará numa confusão.
Pensem no que o Senhor Jesus disse a Pedro. Quando o Senhor Jesus falou sobre a Sua cruz, Pedro disse:
Deus tenha misericórdia de Ti, Senhor; isso jamais Te acontecerá.
Jesus Se virou, olhou nos olhos dele e disse:
Para trás de Mim, Satanás.
Se eu olhasse nos seus olhos e dissesse: “Para trás de mim, Satanás”, você ficaria muito aborrecido. Diria: “Não é assim que se fala. Precisamos de irmãos amorosos, não de alguém que olhe nos nossos olhos e diga: ‘Para trás de mim, Satanás’”.
Se ao menos Jesus tivesse dito: “Simão, Satanás está perturbando a sua mente”. Isso poderia ter sido tão suave. Ou: “Você não está enxergando isso muito bem, Pedro”.
Mas Ele olhou nos olhos desse apóstolo principal e lhe disse:
Para trás de Mim, Satanás; não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
A vida do eu de Pedro era terreno para a atuação satânica. E a sua também é.
Essa vida do seu eu, que você ama, que procura satisfazer, vai destruí-lo. Ela tem um veneno dentro de si — o veneno de Satanás.
Ela vai destruí-lo. Vai destruir sua família. Vai destruir sua comunidade. Vai destruir seu serviço ao Senhor.
É por isso que o Senhor Jesus disse:
Se alguém quiser vir após Mim, renuncie a todo direito sobre si mesmo, tome a trave da sua cruz e siga-Me.
Aquele que perder a vida do seu eu por Minha causa e por causa do Evangelho a encontrará.
Ah, querido filho de Deus, ouça. Ouça o que o Senhor Jesus disse à igreja em Laodiceia:
Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele Comigo.
É uma bela imagem: comunhão, relacionamento.
Agora, ouça:
Ao que vencer, darei que se assente Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
O caminho para o trono é ouvir o que Jesus está dizendo. Você nunca chegará ao trono se não estiver disposto a ser servo.
Bem, precisamos terminar. Deixem-me levá-los a mais uma passagem.
Quando o apóstolo Paulo, pelo Espírito de Deus, escreveu a maior exposição do Evangelho que temos nos sessenta e seis livros da Bíblia, foi assim que ele a concluiu.
“Rogo-vos, pois, irmãos, que saiais e evangelizeis.” Não. Isso estaria muito certo, mas não foi o que ele disse.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que estejais sempre presentes na reunião de oração.” Muito importante — mas não foi o que ele disse.
“Rogo-vos, pois, irmãos, que conheçais a vossa Bíblia.” Absolutamente essencial — mas não foi o que ele disse.
Foi isto que ele disse:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
Qual deve ser o resultado do Evangelho recebido por você? Diante das misericórdias de Deus manifestadas a você, apresentar o seu corpo como sacrifício vivo.
Se ao menos pudéssemos ouvir. Você tem uma discussão com outro crente: humilhe-se. Peça perdão.
Você representou alguém de maneira injusta: peça ao Senhor que o perdoe. Humilhe-se.
Onde há brigas, que elas parem. Onde há murmuração, que ela cesse.
Tende em vós este sentimento, que houve também em Cristo Jesus,
O Qual, sendo igual a Deus, não considerou isso algo a que devesse Se apegar,
mas humilhou-Se, tornando-Se servo.
Sendo encontrado em figura humana, tornou-Se obediente até à morte,
e morte de cruz.
Pelo que também Deus O exaltou sobremaneira.
Esse é o caminho para o cumprimento do propósito eterno de Deus na sua vida. Esse é o caminho para o cumprimento do propósito eterno de Deus em nós, como crentes, edificando-nos como o Corpo de Cristo — pedras vivas edificadas juntamente.
Esse é o caminho pelo qual você e eu podemos servir ao Senhor.
Amado Senhor, simplesmente nos curvamos diante de Ti. Sabemos que nenhum de nós é digno.
Nesta questão da vida do nosso eu, precisamos dizer que quase todos nós estamos falhando. Desafia-nos nesta noite.
Pelo Teu Espírito Santo, confronta-nos. Não podemos Te seguir a menos que renunciemos a todo direito sobre nós mesmos. Ajuda-nos, Senhor.
E sabemos que Tu cuidarás de executar isso. Ajuda-nos, Senhor.
Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.