Abram comigo no Evangelho de Mateus 3:13-17.
Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
Mas João procurava impedi-Lo, dizendo: Eu careço de ser batizado por Ti, e vens Tu a mim?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele O permitiu.
E Jesus, sendo batizado, saiu logo da água; e eis que os céus se Lhe abriram, e Ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele;
E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Agora, em Mateus 17:1-8:
E, seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou em particular a um alto monte;
E transfigurou-Se diante deles: o Seu rosto resplandeceu como o sol, e as Suas vestes se tornaram brancas como a luz.
E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com Ele.
E Pedro, respondendo, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se Tu queres, farei aqui três tabernáculos: um para Ti, um para Moisés e um para Elias.
Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e eis que uma voz da nuvem dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo; a Ele ouvi.
E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre o seu rosto e tiveram grande medo.
E Jesus, aproximando-Se, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não temais.
E, erguendo os olhos, a ninguém viram, senão somente a Jesus.
Depois, no mesmo Evangelho, em Mateus 26:36-45:
Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse aos Seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.
E, levando Consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se muito.
Então lhes disse: A Minha alma está profundamente triste, até à morte; ficai aqui e vigiai Comigo.
E, indo um pouco adiante, prostrou-Se sobre o Seu rosto e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice; todavia, não como Eu quero, mas como Tu queres.
E voltou aos discípulos, achou-os dormindo e disse a Pedro: Então nem uma hora pudestes vigiar Comigo?
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
Retirando-Se pela segunda vez, orou, dizendo: Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade.
E, voltando, achou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados.
E, deixando-os novamente, retirou-Se e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
Então voltou aos discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai; eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.
Por último, apenas dois versículos em Lucas 22:43-44:
E apareceu-Lhe um anjo do céu, que O fortalecia.
E, estando em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue que caíam sobre a terra.
Podemos fazer mais uma oração?
Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui, na Tua presença, nesta noite. Precisamos de Ti, Senhor, para falar, traduzir e ouvir.
Senhor, eu posso expor verdades, meu irmão pode traduzi-las, e nós podemos ouvir a verdade; mas, Senhor, se Tu não estiveres aqui, presente como o poder e a graça no falar, no traduzir e no ouvir, nada terá alcance na eternidade.
Amado Senhor, estamos vivendo num momento tão perigoso da história do mundo e, em muitos aspectos, num ponto de virada da história da igreja. Amado Senhor, vem ao nosso encontro.
Para isso, permanecemos pela fé na unção que Tu providenciaste mediante a obra consumada do nosso Senhor Jesus. Que o falar seja ungido, que o traduzir seja ungido e que o ouvir seja ungido.
Então, Senhor, cremos que o Teu propósito neste tempo que passamos juntos será cumprido. Ouve esta nossa oração, pois a fazemos em nome do Messias, nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, creio que todos vocês sabem que o tema desta conferência é “O Caminho para o Propósito Eterno de Deus: A Cruz”. Minha responsabilidade dentro desse tema é “A Cruz e o Cristo”.
Ontem à noite, falei sobre três assuntos. Primeiro, o fato de que, de alguma maneira, desde antes da fundação do mundo, a cruz estava no coração de Deus. Antes mesmo de o mundo ser criado, o Senhor Jesus havia dito: “Estou pronto para ir”.
Depois, falamos sobre Belém: quando Deus, o Filho, Se fez carne, quando Se tornou carne e sangue, aceitando restrições e limitações — coisas que todos nós sentimos às vezes. Era a cruz em ação. Jesus nasceu para morrer. Essa foi a razão do Seu nascimento.
Era para que, trinta e três anos depois, Ele chegasse ao Calvário e morresse em nosso lugar, para nos salvar e nos trazer de volta ao propósito eterno de Deus.
Por fim, falei sobre aqueles trinta e três anos da vida do nosso Senhor Jesus. Embora fosse o Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu; e, tendo sido aperfeiçoado, ou levado à maturidade, tornou-Se o Autor da salvação eterna.
Não conhecemos todas as muitas coisas que o Senhor Jesus sofreu: a oposição das pessoas, suas contestações, aqueles que discutiam com Ele, aqueles que Lhe diziam, quando era jovem, que estava errado, aqueles que devolviam o trabalho que Ele havia feito e diziam que havia defeitos — quando não havia defeito algum.
Não sabemos o que o Senhor Jesus sofreu, mas, em meio a tudo isso, Ele aprendeu a obediência. E nisso está a cruz.
Agora, nesta noite, quero abordar mais três acontecimentos: o batismo de Jesus, a transfiguração do Cristo e a vitória conquistada pelo Cristo.
O primeiro, naturalmente, é o batismo de Jesus. Lemos sobre ele em Mateus 3:13-17.
Por que o Senhor Jesus foi batizado? Se era o batismo de João, tratava-se de um batismo de arrependimento. Jesus não precisava Se arrepender. Embora tenha sido tentado em todos os pontos, como nós, Ele era sem pecado.
Por que, então, Ele veio a João e pediu que João O batizasse? Ele não era pecador. Não tinha pecados para serem lavados. O que era isso, exatamente?
Seria por razões religiosas? No judaísmo, temos até hoje o que chamamos de mikveh. Os judeus podem ser batizados muitas vezes. Assim que você se torna impuro, assim que toca em algo morto, precisa ser batizado.
Foi por essa razão que Jesus foi batizado? Não, eu não penso assim.
Quando João disse: “Por que Tu vens a mim para que eu Te batize? Eu é que preciso ser batizado por Ti”, o Senhor Jesus disse:
Deixa por agora, para que Eu cumpra toda a justiça.
Acho que a New American Standard Bible traduz melhor essa passagem em inglês:
Permite isso neste momento; pois assim nos convém cumprir toda a justiça.
Aquelas águas do batismo falavam de morte, assim como falam de morte para você e para mim.
Quando o Senhor Jesus desceu àquelas águas do batismo, estava confirmando, diante do Pai, por que havia vindo ao mundo. Não era apenas para realizar milagres, embora isso fizesse parte. Não era apenas para ensinar, embora esse ensino fosse a revelação do coração e da mente de Deus. Era para morrer.
Aos trinta anos de idade, o Senhor Jesus Se comprometeu com a morte da cruz, três anos antes de ela acontecer.
No momento em que Jesus entrou naquelas águas e Se comprometeu com a morte da cruz, aconteceu algo que nunca havia acontecido antes — a não ser por ocasião do Seu nascimento.
No Seu nascimento, foram os anjos que cantaram. Agora, os céus se abriram. Pela primeira vez, os céus se abriram, e a voz do Pai foi ouvida:
Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.
Muitas vezes, expresso isso de maneira bem simples, mas acho que chega ao ponto. Era quase como se o Pai dissesse: “Este é o Meu Filho. A cruz está no Meu coração. Agora Ele Se comprometeu com esse coração”.
Então o Espírito Santo veio sobre Ele. Jesus nasceu do Espírito. O Espírito Santo já habitava em Jesus. Agora aconteceu algo mais.
Aos trinta anos de idade, a idade do serviço levítico e sacerdotal, o Espírito Santo veio sobre Ele. Ele nasceu do Espírito. Tinha o fruto do Espírito. Era semelhante ao Seu Pai. E agora o Espírito Santo veio sobre Ele e O ungiu.
Queridos irmãos e irmãs, ao longo da vida, ouvi muitas mensagens sobre o Espírito Santo ser como uma pomba. Essas mensagens sempre falam de como a pomba é dócil, de como é suave, de como é mansa e de como se assusta facilmente.
Não estou sendo irreverente, mas as pombas são aves muito pouco inteligentes. São muito dóceis, muito suaves e incrivelmente pouco inteligentes. Não são muito espertas.
Por que o Espírito Santo veio, como diz um dos outros Evangelhos, em forma corpórea, como uma pomba? Não era apenas mansidão. Jesus já era manso. Não era apenas suavidade. Ele era suave.
O que era, então? A pomba era a forma mais comum de sacrifício.
Se você fosse da classe média, comprava um cordeiro ou um cabrito. Se fosse mais rico, comprava um novilho. Mas os pobres compravam rolas — duas aves.
Assim que João viu o Espírito Santo vindo sobre o Senhor Jesus como uma pomba, ele compreendeu:
Eis o Cordeiro de Deus, Que tira o pecado do mundo!
Aqui está o sacrifício de Deus. É a cruz.
Gostaria de conseguir tornar isso mais claro para vocês, mas o Espírito Santo pode iluminá-lo. O Espírito Santo veio sobre o Senhor Jesus para capacitá-Lo a morrer diariamente durante três anos e, por fim, ser o sacrifício definitivo, completo e absoluto pelo pecado.
Como nosso irmão disse nesta manhã, foi pelo Espírito eterno que Jesus Se ofereceu a Deus sem mácula nem defeito. O Espírito Santo veio sobre o Senhor Jesus para que Ele entrasse no serviço ao qual estava destinado, para que cumprisse o propósito da Sua vinda.
Irmãos e irmãs, esse é sempre o propósito de o Espírito Santo vir sobre um filho de Deus. Não é para nossa satisfação. Não é para nossa plenitude. Não é para algum tipo de engrandecimento pessoal. Não é para construirmos algum império próprio.
O Espírito Santo vem sobre um filho de Deus para capacitá-lo a morrer diariamente. Era como se o Espírito Santo tivesse vindo sobre o Senhor Jesus para que Ele pudesse carregar, espiritualmente, a trave da cruz durante três anos.
Vocês entendem: sempre vemos aquelas imagens de uma grande cruz. Não era assim. A estaca já estava no lugar. Às vezes, era uma árvore; às vezes, era apenas uma grande estaca. Mas os condenados à crucificação carregavam a trave sobre os ombros, e ao redor do pescoço pendurava-se uma placa com a sentença de morte.
É isso que o apóstolo Paulo quis dizer quando afirmou:
Tínhamos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, Que ressuscita os mortos.
Temos a sentença de morte e estamos a caminho do lugar da execução. Quando o Espírito Santo veio sobre o Senhor Jesus, foi para capacitá-Lo a carregar a trave durante três anos — em todos os Seus atos, em todas as Suas respostas, em tudo o que fazia.
Amados irmãos e irmãs, o que aprendemos com isso? Digo com reverência: o Messias precisava do Espírito Santo para morrer diariamente.
O Messias precisava do Espírito Santo para finalmente ir até a cruz. Precisava do Espírito Santo para oferecer a Si mesmo sem mácula nem defeito, para Se tornar a fonte da salvação eterna para todos nós que depositamos nEle nossa confiança.
Em segundo lugar, não precisamos apenas que o Espírito Santo habite em nós; precisamos da unção do Espírito Santo. A habitação do Espírito Santo produz fruto. A unção do Espírito Santo traz poder: a capacidade de vencer, a capacidade de cumprir o propósito de Deus em sua vida, a capacidade de se tornar um canal de rios de água viva.
Você não pode dividir o Espírito Santo e dizer: “Vou ter a habitação do Espírito, mas não vou ter a unção do Espírito”. A unção do Espírito Santo é absolutamente essencial.
Tudo o que era de Deus no templo era ungido. Qualquer coisa que não fosse ungida, Deus não usaria. Deus não usará um cristão sem unção, porque, nesse caso, quem está fazendo a obra é a carne desse cristão salvo. É sua energia que não foi quebrantada, seus próprios talentos e dons.
Tudo no tabernáculo era ungido: o altar do holocausto, a pia, o candelabro, a mesa dos pães da proposição, o altar do incenso, o sacerdote, o levita, o profeta e o rei. Todos eram ungidos. Não havia nada que não fosse ungido.
Queridos irmãos e irmãs, pode haver pessoas que exagerem nessa questão e façam as coisas mais esquisitas e estranhas. Pode haver muitos ensinamentos que não sejam bíblicos. Mas os fatos permanecem: todo filho de Deus precisa que o Espírito Santo habite nele e que o Espírito Santo o unja.
Há ainda outra coisa: não podemos carregar a cruz sem o Espírito Santo. Tentem. Por favor, tentem. Vejam se conseguem carregar a cruz sem o Espírito Santo.
Eu lhes digo o que vocês terão: religião — uma religião triste, miserável e derrotada.
Como nosso irmão disse nesta manhã, o Espírito conduz à cruz, e a cruz conduz ao Espírito. Não conheço ninguém que esteja crucificado e viva uma vida crucificada sem ser ungido. Sem isso, é apenas religião, e há muita religião em muitos de nós.
Conhecemos todo o ensino sobre a cruz, mas ainda estamos cheios de ciúme, fofoca e outras mil coisas. Podemos falar sobre a cruz e cantar sobre a cruz, mas, sem o Espírito Santo, ela nunca se torna uma realidade.
Por quê? Porque o instinto mais profundo do ser humano é a autopreservação. Precisamos do extraordinário poder do Espírito Santo para vencer esse instinto de autopreservação e nos ajudar a cair na terra e morrer. Somente então a vida pode brotar.
Jamais conseguiremos cumprir nosso ministério. Jamais conseguiremos cumprir o propósito de Deus sem a unção do Espírito Santo.
Eu sei muito bem, por experiência própria, o que tentei fazer. Tentei ministrar às pessoas. Tentei ensiná-las. Tentei salvá-las. Tentei convertê-las. Em que confusão eu me meti! Era tudo religião.
É claro que eu achava que era isso que um cristão deveria ser. Eu vinha de um contexto não cristão, então entendia que era assim que um cristão deveria ser. Mas não funcionava.
Eu achava que ser cristão era a coisa mais pesada do mundo. Só quando estava com todos os outros, cantando juntos hinos maravilhosos, eu me sentia um pouco melhor. Mas, assim que ficava sozinho, aquele peso terrível voltava.
Então eu renovava e redobrava meus esforços para ser um bom cristão, e tornava a situação muito pior.
Quando o Senhor abriu os céus para mim, de repente vi que o Espírito Santo estava em mim e sobre mim. Vi o Pentecostes como um fato histórico, ocorrido de uma vez por todas. Eu podia participar dele. Não fazia ideia de que aquilo era meu.
Naquele momento, entreguei as chaves ao Espírito Santo. Então, de repente, percebi que estava crucificado com Cristo. Eu nunca havia ouvido falar de algo assim.
Foi o maior alívio que já experimentei como cristão. Não precisava mais ficar tentando. Simplesmente descansei. Simplesmente passei a ser eu mesmo.
Não é inacreditável um cristão dizer: “Passei a ser eu mesmo”? Mas era verdade. Foi assim que começou.
Amado irmão, amada irmã, se vocês têm alguma objeção ao que digo, deixem-me dizer isto: se o Senhor Jesus, Que nasceu do Espírito Santo e em Quem o Espírito Santo habitava, precisou da unção do Espírito Santo para cumprir Seu ministério, vocês também precisam. E eu também. Acho que isso encerra a discussão.
Depois, há o segundo acontecimento: a transfiguração do Senhor Jesus. Nosso irmão falou sobre isso nesta manhã, e tudo o que quero dizer é que considero extraordinário o que acontece nessa transfiguração.
Muitas vezes pensamos na transfiguração como uma espécie de holofote que iluminou o Senhor Jesus, como se a luz tivesse sido direcionada para Ele e O tivesse deixado muito brilhante. Mas não foi isso que aconteceu na transfiguração.
Houve uma transformação. Algo foi aceso por dentro. Era a glória de Deus. De repente, a glória de Deus não apenas brilhou sobre Ele; ela brilhou de dentro dEle. Ele foi transfigurado. Seu rosto brilhou como o sol. Suas roupas irradiavam luz.
Era como se, de alguma maneira, algo tivesse acontecido ao Seu ser. Agora, isso é interessante. O que é a transfiguração? É a glória de Deus, de dentro do ser humano, transformando-o — e, ainda assim, ele continua sendo o mesmo.
O Senhor Jesus não foi transfigurado como Deus, o Filho. Foi transfigurado como o Filho do Homem.
Se vocês compararem, por um momento, com 1 Coríntios 15:45-47, verão que a passagem fala dEle como o último Adão:
Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão tornou-Se Espírito vivificante.
Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual.
O primeiro homem é da terra, terreno; o segundo Homem é do céu.
O Senhor Jesus não era o segundo Adão. Era o último Adão. Ele encerrou tudo aquilo. Quando foi à cruz, não morreu apenas para nos salvar; morreu como nós. Levou Adão à cruz.
O Senhor Jesus é o último Adão, mas é o segundo Homem. Adão foi o primeiro homem. Jesus é o segundo Homem. O Senhor Jesus, como Homem, foi bem-sucedido onde o primeiro homem caiu.
Romanos 3:23 diz:
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.
Se, como nosso irmão disse nesta manhã, Adão tivesse escolhido a árvore da vida em vez da árvore do conhecimento do bem e do mal, teria havido todo um período de treinamento. Ele teria aprendido a obediência pelas coisas que sofresse.
E, se tivesse sido aprovado, Adão e Eva teriam sido transfigurados em glória, e toda a história deste mundo e da humanidade teria sido diferente. Mas ele ficou aquém da glória de Deus.
Ele desobedeceu a Deus. Escolheu a árvore que era proibida. Muitas vezes as pessoas discutem sobre que tipo de árvore era: uma macieira, uma laranjeira, um damasqueiro, talvez uma mangueira. Não faria diferença se fosse uma roseira.
A questão era que o Senhor havia dito: “Não coma daquela árvore”. Não era o sabor. Não era o fruto. Era a desobediência. Essa foi a chave para ficar aquém da glória de Deus.
Agora o Senhor Jesus vem como o segundo Homem, e é tentado em todos os pontos, como nós, mas sem pecado. Ele é bem-sucedido onde o primeiro homem falhou.
Como nosso irmão disse nesta manhã, naquele momento o Senhor Jesus poderia ter ascendido ao trono de Deus, e haveria um Homem na glória — um Homem que foi bem-sucedido onde todos os demais falharam.
E é aqui que vemos a cruz no Senhor Jesus antes mesmo de Ele chegar ao Calvário. Ele Se voltou e dirigiu resolutamente o rosto para Jerusalém.
É muito interessante. Quase imediatamente, uma multidão vem a Ele, trazendo um menino cujo pai está quase fora de si. Ele diz: “Trouxe meu filho aos Teus discípulos, e eles não puderam fazer nada”.
O menino estava tomado por alguma coisa. Espumava pela boca. Rolava pelo chão. Machucava a si mesmo. Quando Jesus Se voltou para o menino, ele teve uma convulsão extremamente forte.
Queridos irmãos e irmãs, esse é um retrato do mundo em que vivemos: endemoninhado. Num momento, tão inteligente, tão sofisticado, tão esperto, tão criativo, tão belo; e, no momento seguinte, debatendo-se no chão, espumando pela boca, dominado por outro poder — algo satânico, algo destrutivo.
O pobre menino não conseguia se livrar daquilo, e os discípulos estavam paralisados. Que retrato da igreja. Que retrato do mundo.
Teria sido mais fácil para o Senhor Jesus entrar na presença do trono de Deus. Mas, em vez disso, Ele Se voltou, desceu deliberadamente e expulsou o demônio daquele menino.
Em certo sentido, foi isso que Deus fez por cada um de nós. Ele expulsou o diabo. Libertou-nos do poder das trevas e nos transportou para o reino do Seu Filho amado.
Como Ele fez isso? Não pela transfiguração, embora ela fosse importante. Não havia outro caminho senão a cruz.
Por último: Getsêmani.
É minha convicção que o Senhor Jesus venceu a batalha do Calvário não no Calvário, mas no Getsêmani. Depois que venceu a batalha no Getsêmani, Ele estava sereno. Podia seguir em frente.
Diante dos líderes religiosos, diante de Pilatos, diante de Herodes, diante daquela multidão de soldados romanos brutais, Ele passou por tudo. Quando pregaram Suas mãos à cruz, Ele disse:
Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.
Que oração. O Pai a respondeu. Alguns daqueles soldados foram salvos. É extraordinária, extraordinária, a maneira como o Senhor Jesus enfrentou a cruz depois de ter vencido a batalha no Getsêmani.
Mas o que aconteceu no Getsêmani? Getsêmani significa simplesmente, em hebraico, “prensa de azeite”.
O que aconteceu nesse jardim? Jesus estava com medo da dor? Olhem para Ele. Ele não apenas ficou de pé e orou, como era a maneira habitual de os judeus orarem. Não apenas Se ajoelhou. Prostrou-Se com o rosto em terra. Estava prostrado e disse:
Pai, se este cálice não pode passar de Mim sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade.
O que foi que O tomou? Por que estava tão angustiado? Afinal, Ele sabia desde a eternidade que seria na cruz que tudo se cumpriria. Ele nasceu para morrer.
Ele disse:
A Minha alma está profundamente triste, até à morte.
Isso não era apenas uma hipérbole judaica. Lucas nos diz que Seu suor se tornou como grandes gotas de sangue.
Especialistas em medicina nos dizem que existe uma forma de trauma em que o sangue realmente sai na transpiração, e isso acontece quase sempre pouco antes da morte.
Duas coisas aconteceram no jardim. A primeira foi esta: Satanás apresentou a Jesus o horror de Alguém sem pecado ser feito pecado.
Ele apresentou ao Senhor Jesus uma visão de todo o pecado do mundo acumulado sobre uma só Pessoa — o pecado de toda a história, do começo ao fim, com todo o seu mal, reunido sobre o Senhor Jesus.
Para o Senhor Jesus, isso era o desconhecido. Nunca antes Ele havia estado separado do Seu Pai — nem por um momento.
Creio que, para o Senhor Jesus, não se tratava da tortura, da zombaria, dos pregos ou dos maus-tratos físicos. Era a separação do Seu Pai quando Ele foi feito pecado por nós.
Deixem isso penetrar: feito pecado por nós.
Essa é a primeira coisa. Por um momento, o Senhor Jesus disse: “Pai, não há outro caminho?”. Não creio nem por um momento que Jesus pensasse que havia outro caminho. Ele sabia que não havia outro caminho.
É por isso que, quase imediatamente, Ele disse:
Não como Eu quero, mas como Tu queres.
Graças a Deus, a segunda coisa foi que Satanás tentou matá-Lo no jardim. Creio que Satanás tentou levar Jesus a um trauma tão intenso que Ele poderia ter morrido. Assim, nunca teria chegado à cruz.
O anjo veio. Era como se o Pai dissesse a um anjo: “Desça até lá imediatamente. Fortaleça-O. Não deixe que esse trauma O mate. Não deixe que o Meu inimigo vença”.
E, quase imediatamente, Jesus Se levantou e disse:
Dormi agora e descansai.
Ele havia vencido.
Queridos irmãos e irmãs, isso é a cruz e o Messias. Da próxima vez que vocês partirem o pão e beberem o vinho, lembrem-se: foi isso que custou ao seu Senhor salvar vocês. Foi isso que Ele teve de sofrer.
Como podemos, vocês e eu, ser apáticos, mornos, acomodados na prosperidade, sem dedicação, entregues aos próprios prazeres e egoístas?
Querida família de Deus, nem em toda a eternidade chegaremos a saber o que isso realmente custou ao Senhor Jesus. Nem mesmo quando estivermos lá há um milhão de milhões de anos. Somos seres criados, com mentes finitas. Nem mesmo na eternidade chegaremos a saber de verdade o que custou ao Senhor Jesus.
Mas isto sabemos: naquele jardim, Ele venceu a batalha e seguiu em frente com absoluta serenidade. Nunca perdeu essa serenidade.
Quando as trevas cobriram toda a terra, Ele clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
O desconhecido havia se tornado Sua experiência. Naquele momento, aquilo que Ele tanto temera no jardim tornou-se Sua experiência.
Não despreze sua salvação. Não trate levianamente o amor de Deus por você, como se o merecesse. Seu Senhor o amou tanto, e passou por tudo isso.
E Ele não precisava passar por isso. Havia sido glorificado. Poderia ter chegado sozinho ao trono como Homem. Mas queria conduzir muitos filhos à glória.
Queridos irmãos e irmãs, que nossos corações sejam tocados. Que nos seja concedido vê-Lo.
Não compreendemos nossa verdadeira condição diante de Deus. Temos tanto conhecimento aqui na cabeça que isso acaba nos tornando surdos à Sua voz. Que o Senhor toque nossos corações e nos traga de volta ao primeiro amor.
O que diremos, Senhor? Perdoa-nos. Muitas vezes, Senhor, em meio à vida agitada que levamos e à nossa rotina, temos tão pouca noção do que isso Te custou.
Nunca paramos para pensar: o que isso Te custou? Até mesmo quando nos achegamos à Tua mesa, partimos o pão e bebemos o cálice, isso se torna rotina.
E, no entanto, Tu disseste, Senhor:
Fazei isto, trazendo à memória com afeto o que fiz por vós.
Senhor, toca nossos corações. Pedimos isso em nome do Senhor Jesus.