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    The Kingdom and the Church © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Kingdom and the Church
    The Kingdom and the Church
    Kaung, Stephen

    A relação entre o reino e a igreja

    Vocês poderiam abrir no Evangelho segundo Mateus?

    Mateus 16:18-19. Vamos ler esses dois versículos.

    Esta é a palavra do Senhor:

    E também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
    Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    Vamos fazer uma oração.

    Amado Senhor, queremos agradecer-Te por Tua preciosa promessa: onde dois ou três estão reunidos em Teu nome, ali Tu estás no meio deles. Nós Te agradecemos por Tua presença conosco.

    E, Senhor, oramos para que Tua presença se torne tão viva, tão real para nós, que possamos ouvir Tua voz e fazer Tua vontade. Entregamos este tempo em Tuas mãos amorosas e confiamos que Teu Espírito Santo nos revelará Tua palavra. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    O reino de Deus e o reino dos céus

    Nestas manhãs, estamos nos reunindo diante do Senhor para considerar este assunto tão importante, mas tão negligenciado na palavra de Deus: o reino.

    Na primeira manhã, consideramos o reino de Deus. O reino de Deus existe de eternidade a eternidade, porque Ele governa sobre tudo.

    E, graças a Deus, aqueles que foram redimidos pelo precioso sangue de nosso Senhor Jesus foram transportados para o reino de Deus. Portanto, irmãos e irmãs, embora fisicamente estejamos no reino deste mundo, na realidade, espiritualmente falando, não pertencemos a este mundo. Fomos transferidos deste mundo para o reino de Deus.

    Agora, por estarmos no reino de Deus, é justo que busquemos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça. Então, nosso Senhor Jesus nos promete que todas estas coisas — isto é, as coisas de que precisamos nesta vida, aqui na terra — nos serão acrescentadas.

    Não sei, irmãos e irmãs, quantos de nós realmente creem no que o Senhor disse. Mentalmente, todos aceitamos isso. Mas, na vida prática, será que realmente cremos que, se buscarmos primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, se buscarmos fazer Sua vontade e aquilo que é certo aos Seus olhos, então todas estas coisas de que precisamos nos serão acrescentadas?

    Que vida abençoada será essa! E é assim que nosso Senhor quer que vivamos.

    Então, na segunda manhã, consideramos juntos esta questão do reino dos céus. É uma expressão muito especial, usada quase exclusivamente no Evangelho segundo Mateus.

    O reino dos céus é uma parte do reino de Deus. O reino de Deus existe de eternidade a eternidade, mas o reino dos céus se refere especialmente àquela parte do reino de Deus que vai da primeira vinda de nosso Senhor Jesus até Sua segunda vinda, quando Ele virá estabelecer Seu reino dos céus nesta terra.

    Portanto, irmãos e irmãs, entendemos que o reino dos céus está especialmente relacionado a nós, os crentes. Graças a Deus, estamos no reino dos céus hoje. Mas se estamos realmente vivendo no reino dos céus, essa é outra questão.

    Todos os que creem no Senhor já estão, quanto à sua posição, no reino dos céus. Mas, quando se trata da vida prática, infelizmente alguns não estão vivendo como filhos e filhas do reino dos céus.

    Mas, graças a Deus, há aqueles que fazem violência a si mesmos para se apoderarem dele. Entendo que alguns irmãos e irmãs se sintam confusos com a palavra violência, porque normalmente relacionamos a palavra violência a algo mau.

    Mas, na verdade, a palavra violência é neutra. Depende daquilo a que você a associa. Pode ser muito boa; pode ser muito má. Assim como amor e ódio, essas expressões são neutras em si mesmas. Depende da maneira como você as usa.

    Se você ama a coisa errada, isso é mau. Se você odeia a coisa certa, isso é bom. E o mesmo acontece com a palavra violência.

    Nunca devemos fazer violência a outras pessoas. No reino deste mundo, já há violência suficiente por toda parte. Essa é a marca deste mundo e a marca desta hora.

    Mas, graças a Deus, existe uma violência que nosso Senhor Jesus até nos encoraja a praticar — não fazer violência a outras pessoas, mas ser violentos conosco mesmos.

    Reconhecemos que em nós mesmos não há coisa boa. Tudo o que procede do natural, da carne, da velha criação em nós — essas são as coisas que Deus rejeita completamente. E, da mesma maneira, Ele quer que nós as rejeitemos.

    Por natureza, todos somos bondosos e amorosos conosco mesmos. Queremos agradar a nós mesmos, satisfazer a nós mesmos. Mas, espiritualmente, o Senhor nos chama a negar a nós mesmos. E negar, mais uma vez, é uma palavra muito forte. Tudo depende de quem você nega.

    Simão Pedro negou a Pessoa errada. Ele deveria ter negado a si mesmo, em vez de negar o Senhor. E quantas vezes fazemos exatamente isso!

    Nosso Senhor Jesus disse:

    Se alguém vem a Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Se não fizermos isso, não somos dignos de ser Seus discípulos. Portanto, queridos irmãos e irmãs, espero que recebamos esta palavra da maneira correta e façamos a coisa certa.

    A conexão entre o reino e a igreja

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de considerar juntos esta questão do reino e da igreja.

    Nosso Senhor Jesus, na região de Cesareia de Filipe, perguntou aos Seus discípulos:

    Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?

    Seus discípulos procuraram apresentar-Lhe todos os comentários favoráveis, embora certamente tivessem ouvido muitas palavras ofensivas. Mas não quiseram mencioná-las.

    Então disseram: “Tu és Elias, aquele grande profeta. Tu és como Jeremias, aquele que chorava, porque és um homem de dores e familiarizado com o sofrimento. Tu és o profeta que Moisés anunciou em Deuteronômio: Deus levantará dentre eles alguém semelhante a ele, e todo aquele que não O ouvir perecerá. Ou Tu és simplesmente um dos profetas”.

    Graças a Deus, nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito. Então Se voltou novamente para Seus discípulos e disse: “Agora, quem vocês acham que Eu sou? Vocês, que estiveram Comigo durante estes anos, deveriam saber Quem Eu sou”.

    Graças a Deus, Simão Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Messias, o Ungido, Aquele enviado por Deus para cumprir uma missão. E Tu és o Filho do Deus vivo. É isso que Tu és”.

    Que revelação! E nosso Senhor Jesus disse: “Simão Pedro, você é bem-aventurado, porque isso não é algo que carne e sangue possam lhe dizer. Foi o Pai, Que está nos céus, Quem lhe revelou isso”.

    Queridos irmãos e irmãs, nós realmente agradecemos a Deus. Deus nos revelou Seu Filho. Assim como o apóstolo Pedro, o apóstolo Paulo disse:

    Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim.

    E Deus fez isso conosco. Certamente somos um povo abençoado, um povo muito feliz.

    Mas, imediatamente depois disso, nosso Senhor Jesus começou a dar aos discípulos uma nova revelação. O Pai lhes havia revelado o Filho. Agora, o Filho iria revelar algo mais: um mistério que estivera oculto ao longo dos séculos, um mistério que estava no coração de Deus desde o princípio, antes mesmo da fundação do mundo.

    Deus tinha esse mistério em Si, mas ele nunca havia sido revelado. E o Senhor Jesus disse: “Você é Pedro. Você é uma pequena pedra. Sobre esta rocha, sobre esta rocha maciça, edificarei a Minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela”.

    Queridos irmãos e irmãs, a maior revelação é a revelação do Pai acerca de Seu Filho. Depois dela vem a revelação da igreja, que o Filho nos revela.

    O Senhor disse:

    Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.

    Aqui está a rocha. Não há outro fundamento além do fundamento que é nosso Senhor Jesus. Mas todos nós somos como pedras vivas, edificados sobre Ele para sermos a igreja, a casa de Deus, o corpo de Cristo, a noiva do Noivo.

    E as portas do Hades não prevalecerão contra ela. A chamada igreja que conhecemos hoje — o cristianismo —, constatamos que as portas do Hades têm prevalecido contra ela. Mas, contra a igreja que nosso Senhor Jesus mesmo edifica, as portas do Hades não prevalecerão. Como essa igreja é gloriosa!

    Então, imediatamente depois, no versículo seguinte, nosso Senhor Jesus disse:

    Dar-te-ei as chaves do reino dos céus.
    A quem ligares, será ligado nos céus; a quem desligares, será desligado nos céus.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, vocês percebem imediatamente a conexão entre a igreja e o reino. Existe uma associação muito estreita entre estas duas coisas: o reino e a igreja.

    Pela misericórdia de Deus, nesta manhã gostaríamos de examinar as Escrituras e ver qual é a relação entre a igreja e o reino — o reino e a igreja.

    Gostaríamos de considerar quatro perspectivas:

    1. O reino e a igreja são um.
    2. O reino é maior que a igreja.
    3. O reino edifica a igreja.
    4. A igreja traz o reino.

    A unidade do reino e da igreja

    Quando pensamos no reino, especialmente em relação à igreja, estamos pensando principalmente no reino dos céus, porque essa é a parte do reino de Deus que está especialmente relacionada a nós, os crentes.

    Constatamos que existem semelhanças entre os dois. Como entramos no reino? Como entramos no reino de Deus? Como nos tornamos parte do reino dos céus?

    Vocês se lembram, em João 3, da conversa que nosso Senhor Jesus teve com Nicodemos. Ele veio ao nosso Senhor à noite. Era fariseu, um dos principais do povo, provavelmente um homem idoso, um mestre — muito moral, muito religioso.

    E, ao contrário de outros fariseus que eram hipócritas, ele era sincero. Era humilde. Queria ver o Senhor e receber ajuda do Senhor. Não podia vir durante o dia porque isso chamaria muita atenção, mas veio à noite.

    Ele respeitava o Senhor. “Tu és um mestre vindo do céu. Teu ensino é diferente. Venho a Ti para que me ensines.”

    Ora, nosso Senhor Jesus conhece o coração do homem. Imediatamente Ele disse:

    Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer do alto, não pode ver o reino de Deus.

    O Senhor sabia o que estava no coração de Nicodemos. Sabia que Nicodemos era alguém que buscava o reino de Deus. Muito provavelmente, Nicodemos pensava que estava quase lá. Precisava apenas de um pouco mais de ensino, um pouco mais de ajuda, e então estaria no reino de Deus.

    Mas como ele estava enganado! Nosso Senhor Jesus disse: “Se você não nascer do alto — nascer de novo —, não poderá sequer ver o reino de Deus. Você ainda não o viu”.

    Nicodemos ficou perplexo. “Como pode um homem ser velho e nascer de novo? Será que pode voltar ao ventre de sua mãe e sair novamente?” Mesmo que você pudesse fazer isso, ainda assim nasceria de baixo. Nada mudaria.

    Então nosso Senhor Jesus lhe explicou, dizendo:

    Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

    Por que a água? Sabemos que nascemos do Espírito, porque imediatamente o Senhor disse:

    O que é nascido do Espírito é espírito.

    Nascemos do Espírito Santo para ter um espírito novo, um espírito que está em contato com Deus.

    Mas nosso Senhor estava dizendo a Nicodemos: “Você precisa nascer da água e do Espírito”, porque existe um contexto por trás disso. João Batista estava pregando:

    Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

    E ele batizava as pessoas.

    Esse batismo em água, com o qual João batizava as pessoas, é o batismo de arrependimento, de preparação para o Rei que estava vindo. Por isso, nosso Senhor Jesus disse: “Você precisa nascer da água e do Espírito”.

    Os fariseus recusaram aquela água porque não achavam que precisavam se arrepender. Mas nosso Senhor estava dizendo: “Você precisa, sim. Você tem de aceitar o que João Batista pregou: arrependa-se”. Então o Espírito de Deus dará vida ao seu espírito morto.

    Portanto, sabemos que as pessoas entram no reino de Deus pelo novo nascimento. Você nasce para entrar no reino de Deus, no reino dos céus.

    Da mesma maneira, quando olhamos para a igreja, encontramos isso em João 1:12-13. A luz da vida já veio a este mundo. Se você O receber — isto é, se crer em Seu nome —, receberá autoridade para se tornar filho de Deus:

    Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

    Irmãos e irmãs, como nos tornamos filhos de Deus? Como entramos na casa, na família de Deus? Como nos tornamos membros do corpo de Cristo? Só há um caminho: você precisa nascer para fazer parte dela.

    Não há outra maneira de ingressar na igreja a não ser pelo novo nascimento. Você pode se associar a uma associação, a uma organização, a uma organização religiosa, até mesmo a uma que se chame igreja. Mas a verdadeira igreja — a única maneira de entrar nela — é nascer para fazer parte dela.

    Portanto, quando pensamos na maneira de entrar no reino e de entrar na igreja, elas são a mesma. Você precisa nascer do alto.

    Quando chegamos à realidade prática, como você realmente vive no reino? Ou como vive na igreja como um membro vivo, um membro que exerce sua função? Você descobrirá que é a mesma coisa.

    Quanto ao reino, já mencionamos que precisamos fazer violência a nós mesmos. Então estamos realmente vivendo no reino dos céus.

    Mas, quando se trata desta questão de ser realmente um membro vivo do corpo de Cristo, de estar realmente unido aos seus irmãos e irmãs no corpo e de realmente servir uns aos outros, você descobrirá que existe uma condição. A condição é que você precisa permanecer firmemente ligado à Cabeça.

    Em Colossenses 2, somos instruídos a permanecer firmemente ligados à Cabeça. Então todo o corpo estará unido, seus membros servirão uns aos outros e ele crescerá com o crescimento que vem de Deus.

    Em outras palavras, se você realmente está vivendo no reino dos céus hoje, precisa estar sob a autoridade do Rei. Da mesma maneira, se realmente está vivendo como membro do corpo de Cristo, precisa estar sob a direção de Cristo como Cabeça. Essa é a única maneira de viver de fato na igreja.

    Portanto, vocês percebem que tudo isso é a mesma coisa. Em Efésios 2:19, lemos:

    Assim que já não sois estrangeiros, nem peregrinos, mas concidadãos dos santos e da família de Deus.

    Aqui nos é dito que nós, que cremos no Senhor Jesus, já não somos estranhos nem estrangeiros. Quanto ao mundo, quanto ao reino deste mundo, somos estranhos e estrangeiros.

    Mas, quanto ao reino de Deus e à igreja de Deus, já não somos estranhos nem estrangeiros. A palavra “estranhos” se refere à casa de Deus. Estamos na família e, por estarmos na família, já não somos estranhos.

    Embora possamos nos encontrar pela primeira vez, imediatamente percebemos que existe um vínculo entre nós. Já não somos estranhos. Somos da família de Deus.

    E o mesmo é verdade: já não somos estrangeiros, pessoas de fora. No reino dos céus, somos concidadãos. Pertencemos ao nosso Rei. Obedecemos ao nosso Rei.

    Portanto, irmãos e irmãs, se olharem por essa perspectiva, poderão ver que o reino e a igreja são um. São uma só realidade com dois aspectos.

    Quando você pensa no reino, pensa em autoridade, governo, realeza e domínio, porque Ele é nosso Rei. Quando pensa na igreja, pensa em vida, amor, comunhão e unidade. São dois aspectos de uma só realidade.

    Portanto, irmãos e irmãs, vocês estão tanto na igreja quanto no reino dos céus.

    A abrangência do reino em relação à igreja

    O reino é maior que a igreja. Quando pensamos no reino de Deus, ele existe de eternidade a eternidade.

    O reino de Deus não existia apenas no princípio, quando Deus criou o universo e os anjos, e havia harmonia. Tampouco existia apenas depois que Deus criou o homem no jardim do Éden.

    Mesmo quando o homem se rebelou, vemos que Deus começou a olhar para determinadas pessoas, e nessas pessoas, em particular, o reino de Deus repousava. Então, da família de Abraão, Deus levantou uma nação que representava o reino de Deus nesta terra.

    E também, na era da igreja, a igreja representa o reino de Deus nesta terra, em nossa época. Isso continuará por toda a eternidade.

    Mas a igreja começou no dia de Pentecostes. Ela não existe desde a eternidade, exceto na mente de Deus. Começou no tempo, embora continue por toda a eternidade.

    Mesmo quando pensamos no reino dos céus em comparação com a igreja, percebemos que eles são diferentes em certos aspectos. Por quê? Porque o reino dos céus hoje tem uma aparência exterior, que encontramos em Mateus 13.

    Mencionamos isso ontem. É um mistério para o mundo, mas o mundo sabe que existe alguma coisa ali. As pessoas ficam confusas porque o quadro é confuso.

    O que elas conseguem ver é a aparência exterior: como uma grande árvore, uma instituição enorme, poderosa e influente neste mundo. Mas o maligno vem e habita nela. Como fermento, ela fermenta, se incha e se corrompe.

    Mas a igreja não pode ser assim. Sabem, às vezes as pessoas aplicam à igreja as parábolas de Mateus 13, mas vocês encontrarão grande dificuldade nisso, porque na igreja não pode haver fermento.

    A Bíblia diz:

    Alimpai-vos do fermento velho.

    Porque ela é uma nova oferta de manjares, feita de farinha e oferecida a Deus. Não deve haver fermento nela.

    A igreja é como um pequeno rebanho, aqueles que estão ocultos nesta terra, e não como uma grande, enorme organização ou instituição.

    Portanto, irmãos e irmãs, no reino dos céus hoje, no que diz respeito à sua aparência exterior, vocês verão que pode haver mistura. Mas na igreja não pode haver mistura. O fermento precisa ser removido. O pecado precisa ser julgado. Ela é pura e santa para Deus.

    Assim, vocês percebem que existem diferenças, embora também existam semelhanças. Mencionamos essas coisas apenas para esclarecer alguma confusão, mas não é nelas que queremos nos deter.

    A edificação da igreja pelo reino

    O que realmente gostaríamos de considerar com muito cuidado é isto: como o reino edifica a igreja, e como a igreja traz o reino?

    Irmãos e irmãs, sabemos que a igreja é edificada com duas coisas essenciais: uma é a vida, e a outra é a autoridade.

    Se não há vida, não há material, não há matéria-prima para a edificação da igreja. Mas, se há vida e não há autoridade, não há disciplina, a vida nunca poderá crescer até a maturidade, nem seus membros poderão ser edificados juntos.

    Portanto, vocês percebem que o reino edifica a igreja.

    Nosso Senhor Jesus disse: “Você é Pedro, uma pedra”. Antes, ele era Simão. Era feito de pó, e ao pó voltamos. Mas, por causa de sua confissão de nosso Senhor Jesus — “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” —, uma mudança aconteceu em sua vida.

    Uma nova vida havia entrado nele. Ele foi transformado de Simão em Pedro, uma pedra. Um elemento diferente havia entrado em sua vida. É a vida de Cristo nele.

    Mas ele ainda era Simão. Vocês se lembram de que o próprio Pedro, em 1 Pedro 2, diz que, quando nos achegamos a Cristo, todos nos tornamos pedras vivas. Graças a Deus, somos pedras vivas, não pedras mortas. Temos a vida de Cristo. Sim, somos pedras vivas, e todas essas pedras vivas estão sendo edificadas juntas para formar uma casa espiritual.

    Mas, para que todas as pedras vivas sejam realmente edificadas nessa casa espiritual, cada pedra viva precisa ser transformada em uma pedra preciosa.

    Toda a sujeira, todas as outras coisas, precisam ser eliminadas pela purificação. Sabem, algo que está escondido debaixo da terra, na escuridão, sob fogo, calor e pressão, depois de muitos e muitos anos se torna uma pedra preciosa.

    Todos os elementos naturais de Simão Pedro precisavam ser purificados. Somente então Pedro poderia ser material para a edificação da casa de Deus.

    Graças a Deus, o Senhor disse: “Você é Pedro”, mas vemos que Simão ainda estava ali. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse: “Simão, Simão, Satanás quer peneirar você, mas Eu orei por você. Quando sua fé for restaurada, ajude seus irmãos”.

    Portanto, irmãos e irmãs, é assim que somos. Temos a vida de Cristo em nós, mas, infelizmente, nossa velha natureza, nossa carne, ainda está ali. Há tanta coisa em nós que é estranha ao corpo de Cristo, que não pode fazer parte da edificação do corpo de Cristo. Todas essas coisas precisam ser purificadas.

    Seremos provados e tentados até que todas essas coisas sejam removidas. E, ao mesmo tempo, de maneira positiva, o Espírito Santo formará em nós o caráter de Cristo, tornando-nos pedras vivas e preciosas, dignas de ser edificadas nessa casa espiritual.

    Agora, nesse processo, você precisa de autoridade: a autoridade de Deus, a autoridade do Espírito Santo, a disciplina que vem do alto. Com essas duas coisas em ação, vocês verão que a casa será edificada.

    Isso acontecerá não apenas em nossa vida pessoal, individual; acontecerá também coletivamente, em conjunto. Como podemos nos ajustar uns aos outros? Até mesmo o ouro precisa ser batido para receber a forma do candelabro.

    Irmãos e irmãs, é claro que essa é a obra do Espírito Santo, mas ela se fundamenta na autoridade de Deus e atua naquela vida que vem do alto.

    A Grande Comissão e o discipulado

    Todos nós conhecemos a Grande Comissão em Mateus 28. Nosso Senhor Jesus deu aos Seus discípulos uma grande comissão. Mas, irmãos e irmãs, receio que nossa compreensão dessa Grande Comissão não seja completa.

    Sim, entendemos que a Grande Comissão significa evangelizar o mundo. Certamente precisamos evangelizar o mundo. Mas isso não é tudo o que a Grande Comissão diz.

    Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor Jesus deu a Grande Comissão, Ele começou dizendo:

    Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
    Portanto, ide.

    Em outras palavras, a Grande Comissão se fundamenta na autoridade e no poder de nosso Senhor Jesus. Sem essa autoridade, sem esse poder, essa Grande Comissão não pode ser cumprida.

    Mas, com esse poder, o Senhor diz: “Vão. Vão em Minha autoridade, em Meu poder”. Agora, o que vocês vão fazer quando forem?

    O Senhor não diz: “Evangelizem as nações”. O Senhor diz: “Façam discípulos das nações”. Há uma grande diferença aqui.

    Muitas vezes fazemos da evangelização o objetivo final da comissão, mas, na verdade, ela é apenas o começo. O que o Senhor busca é a igreja, não apenas tirar pessoas do inferno e levá-las para o céu. Ele quer a igreja.

    E, para que a igreja seja edificada, Ele disse: “Façam discípulos de todas as nações”. Vocês saem para fazer discípulos de todas as nações. Assim como são formados como Meus discípulos, da mesma maneira ajudem outras pessoas a ser formadas como Meus discípulos.

    Tragam-nas para debaixo do Meu governo como Rei, debaixo da Minha autoridade. Permitam que Eu cumpra Meu propósito na vida delas, disciplinando-as e aperfeiçoando-as. Essa é a Grande Comissão.

    Algumas pessoas perguntaram ao nosso querido irmão Watchman Nee: “Quantos discípulos você tem?” Nosso irmão respondeu: “Nenhum”. Não devemos fazer discípulos para nós mesmos. Devemos fazer discípulos para Cristo, para que aprendam a Cristo, para que sejam transformados e conformados à Sua semelhança, e não à nossa semelhança.

    Somos apenas um instrumento, não o objetivo final. Portanto, a Grande Comissão é: vão, façam discípulos de todas as nações.

    Quando começa esse discipulado? Começa com o batismo:

    Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
    ensinando-os a observar, a guardar, a fazer todas as coisas que vos tenho ordenado.
    E Eu estarei convosco até a consumação dos séculos.

    Irmãos e irmãs, algumas pessoas dizem: “Se eu creio no Senhor Jesus, isso não é suficiente? Por que devo ser batizado? A água não pode lavar meus pecados. É o sangue de nosso Senhor Jesus que lava meu pecado. Então, por que devo ser batizado?”

    Existe uma razão: o batismo é a porta de entrada para o discipulado.

    Vocês sabem o que é o batismo? Entrar na água: morte. Morte para o mundo, morte para o passado, morto para si mesmo, para a carne, para a velha vida — morto, morto.

    Debaixo da água: sepultado. Não apenas morto, mas fora de vista. Sair da água: ressurreição, ressuscitado juntamente com Cristo.

    Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.

    Irmãos e irmãs, isso é o batismo.

    Somente quando negamos a nós mesmos, quando nos consideramos mortos e não queremos mais ver o velho eu, e começamos a viver em novidade de vida, é que nosso Senhor Jesus pode nos discipular. Caso contrário, não ouviremos. Não estamos em condições de aprender.

    Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo — então eles estarão prontos para aprender tudo o que o Senhor nos ordenou. Não apenas aprender mentalmente, mas observar e fazer.

    E o Senhor disse:

    Eu estarei convosco até a consumação dos séculos.

    Portanto, irmãos e irmãs, por quê? Porque o Senhor está edificando Sua igreja. Ele disse: “Edificarei a Minha igreja”, e é dessa maneira que Ele edificará Sua igreja.

    Queridos irmãos e irmãs, a igreja existe há mais de dois mil anos e, infelizmente, tão pouco foi realmente edificado. Ela ainda não está concluída. Por quê? Porque não encontramos o segredo da edificação da igreja, as chaves para a edificação da igreja.

    Dizemos que Pedro recebeu as chaves do reino dos céus, e dizemos que ele usou essas chaves uma vez no dia de Pentecostes, para os judeus, e uma segunda vez na casa de Cornélio, para os gentios, porque a igreja é uma só — batizados no Espírito em um só corpo, sejam judeus ou gentios, e a todos foi dado beber de um só Espírito.

    Pedro usou as chaves do reino dos céus para edificar a igreja.

    Quando vocês olham para a mensagem que Pedro pregou no dia de Pentecostes e também para a mensagem que pregou na casa de Cornélio, ela é o evangelho pleno. É o evangelho do reino.

    “Aquele a Quem vocês mataram, Deus ressuscitou, e agora Ele está assentado nas alturas, ungido para ser Senhor e Cristo.” Essa é uma mensagem do reino.

    E, quando falou na casa de Cornélio, embora não tenha terminado — ele não conseguiu terminar seu sermão comprido; foi interrompido pelo Espírito Santo —, quando começou a dizer que Deus havia ressuscitado Jesus para ser o Juiz de todas as nações, essa era uma mensagem do reino.

    A razão pela qual a igreja não está sendo edificada hoje é que não pregamos nem enfatizamos o reino. As pessoas rejeitam a autoridade. Quando você menciona a palavra autoridade, as pessoas ficam logo na defensiva.

    Mas, irmãos e irmãs, a autoridade tem sido usada de maneira abusiva. Sofremos muito debaixo de autoridades erradas. Mas existe uma autoridade que vem de Deus, e essa é a chave para a edificação da casa de Deus.

    A igreja como instrumento para a vinda do reino

    E, finalmente, a igreja traz o reino. Isso não é maravilhoso? A igreja é o vaso de Deus para trazer o reino.

    Como a igreja traz o reino? Já dissemos, logo no início, que devemos proclamar e pregar o evangelho do reino às nações, como testemunho a todos os povos, e então virá o fim.

    Mais do que isso, também mencionamos que precisamos orar:

    Venha o Teu reino.

    Precisamos nos posicionar ao lado de Deus. O desejo do coração de Deus é que Seu reino venha. Se você conhece o coração de Deus, deseja se posicionar ao Seu lado e orar juntamente com Ele: “Que venha o Teu reino. Venha o Teu reino”.

    Mas não apenas isso: a própria igreja precisa ser edificada até se tornar uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, apta a ser a noiva de Cristo. Então o Noivo virá, receberá a noiva e estabelecerá Seu reino nesta terra.

    Um dia, o irmão Fox perguntou a Watchman Nee: “O que você acha que é a coisa mais difícil de se cumprir na Bíblia?” E a resposta de nosso irmão foi: “Efésios 5: até que a igreja se torne uma igreja gloriosa, apta a ser a noiva. Então virá o fim”.

    Irmãos e irmãs, não é o Noivo que não quer vir buscar Sua noiva. É a noiva que não está pronta. Essa é nossa responsabilidade.

    Nós, que recebemos tanto, temos uma grande responsabilidade. Se não crescermos, se não assumirmos o caráter de Cristo, se não tomarmos a cruz e seguirmos o Senhor, se nossa condição espiritual não amadurecer até chegarmos à medida da estatura da plenitude de Cristo, então, irmãos e irmãs, o reino será adiado.

    Esse é o caminho para trazer o reino. Mas, infelizmente, pelo que podemos ver, parece que ele está cada vez mais distante.

    Mas, graças a Deus, Ele tem um caminho, e esse é o caminho dos vencedores.

    Os vencedores e a manifestação do reino

    Em Apocalipse 2 e 3, quando a igreja é derrotada, quando a igreja se degenera e se desvia, o Senhor chama os vencedores.

    Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
    Ao que vencer.

    Em outras palavras, quando há um declínio generalizado, o propósito de Deus não pode ser frustrado. Ele está chamando um remanescente, vencedores, para vencer a degeneração e o desvio e ser fiel ao que o Espírito diz às igrejas.

    E, por meio deles, o reino irromperá.

    Vocês se lembram de Romanos 8. Toda a criação está gemendo. Toda a criação está sujeita à corrupção, à escravidão. Ela não está feliz com isso. Está gemendo.

    Por quê? É por causa do homem. A queda do homem fez com que nosso universo caísse na corrupção. Tudo perdeu seu propósito. É por causa do homem caído.

    A criação está gemendo, esperando pela libertação. Por quê? Está esperando pela manifestação dos filhos de Deus.

    Sabem, o povo de Deus já não é formado por criancinhas. Seus membros se tornam filhos e filhas maduros. E, quando os filhos de Deus forem manifestados, todo o universo será restaurado. O reino virá sobre esta terra.

    Então, vocês se lembram de nosso Senhor Jesus. Ele há de conduzir muitos filhos à glória. Ele é o Capitão da nossa salvação, o Autor da nossa salvação eterna.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, temos uma grande responsabilidade. No princípio, Deus deu ao homem a responsabilidade de exercer domínio sobre todas as coisas e sujeitar todas as coisas. Mas o homem falhou.

    Agora Cristo veio. Ele venceu. Deus colocou todas as coisas debaixo de Seus pés e O deu à igreja, que é Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.

    A vitória de Cristo sobre todas as coisas é dada à igreja, para que a igreja também possa sujeitá-las. Sujeitar de que maneira? Não convertendo o mundo, mas vencendo o mundo.

    Quando o povo de Deus vencer o mundo, então o mundo se tornará o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, como somos importantes! Não podemos nos dar ao luxo de deixar de ser diligentes. Precisamos buscar primeiro, porque nosso Senhor tem grande expectativa a nosso respeito.

    Vamos orar?

    Ó Senhor, como Tu anseias voltar para buscar Tua noiva! Como Tu anseias voltar e receber Teu reino!

    Oramos, Senhor, para que nos dês o mesmo anseio e a mesma disposição de abrir mão de nós mesmos e permitir que Tu operes Tua salvação em nós. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.