Abram comigo, mais uma vez, a Carta aos Hebreus, capítulo 12. Vamos ler a partir de Hebreus 12:1:
Portanto, também nós, visto que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas,
deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos enreda,
e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta,
olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé,
o Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha,
e assentou-Se à direita do trono de Deus.
Considerai, pois, Aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra Si mesmo,
para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
Vamos fazer uma breve oração.
Amado Senhor, somos muito gratos por estarmos aqui, reunidos em Tua presença. Sempre que estamos em Tua presença, Senhor, qualquer coisa pode acontecer.
Queremos louvar-Te, amado Senhor, pela maneira como tens cuidado das nossas reuniões até agora — falando nelas, operando nelas, encontrando-Te conosco nelas. Temos sentido o inimigo tentando, de uma forma ou de outra, opor-se a Ti e frustrar o Teu propósito nestes momentos, mas nós Te louvamos: ele é um inimigo derrotado.
Nós Te agradecemos pela obra consumada do nosso Senhor Jesus. Nós Te agradecemos porque o nosso Senhor Jesus o reduziu a nada por meio de Sua morte na cruz.
Queremos simplesmente louvar-Te nesta tarde porque providenciaste uma unção para quem fala, para a tradução e para quem ouve. Senhor, seríamos insensatos se ignorássemos essa unção.
Queremos dizer-Te, Senhor, que somos gratos porque fizeste essa provisão e agora, pela fé, nos apropriamos dela. Que uma porção dobrada dessa unção, dessa graça e desse poder esteja sobre todos nós. Senhor, que o Teu propósito para este nosso tempo seja cumprido plenamente.
Queremos encontrar-nos Contigo. Queremos receber de Ti, Senhor. Por isso, entregamo-nos em Tuas mãos.
Obrigado por ouvires esta nossa oração e por respondê-la. Teremos o cuidado de dar-Te o louvor e a glória por responderes a esta oração. Pedimos em nome do Messias, nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, acho que não preciso dizer que o tema desta conferência tem sido: “O tempo está próximo.” Nós o ouvimos em todas as sessões, de uma forma ou de outra.
Pessoalmente, não tenho dúvida de que estamos muito, muito perto de acontecimentos de grande importância. Certamente, a reunião dos santos que estão preparados para estar com o Senhor pode acontecer a qualquer momento. Precisamos estar preparados.
Para aqueles de vocês — e digo isso a mim mesmo também —, para todos nós que, de alguma forma, estamos sobrecarregados ou carregando pesos nesta corrida que nos foi proposta, ou enredados por algum pecado, precisamos resolver essas coisas. Não as deixem para depois; resolvam-nas.
Lembrem-se da palavra do Senhor em Hebreus 3:7-8:
Hoje, se ouvirdes a Sua voz,
não endureçais os vossos corações.
Não deixem para amanhã aquilo sobre o que Deus está falando com vocês hoje.
É tão fácil fazer isso quando você enterrou alguma coisa na sua tenda. Acã enterrou aquelas coisas na sua tenda e não fazia ideia de que alguém soubesse. É claro que ninguém sabia — mas o Senhor sabia.
Em muitas das nossas tendas há capas babilônicas enterradas, siclos e talentos de ouro, e assim por diante. Precisamos abrir o coração diante do Senhor e resolver essas coisas para que possamos correr.
O mesmo acontece com essa questão de um espírito que não perdoa — o mais comum de todos os problemas entre o povo de Deus. Um espírito que não perdoa, profundamente enterrado no coração, por trás de um sorriso, por trás da cortesia, por trás da boa educação.
No entanto, há uma raiz de amargura que cresce debaixo da terra e, por fim, brota; por meio dela, muitos são contaminados. Como diz a Palavra, toda espécie de prática vil aparece quando essa raiz de amargura dá fruto. Precisamos lidar com essas coisas.
Bem, minha responsabilidade nestes encontros tem sido falar sobre correr a corrida. Li essa passagem de Hebreus 12 em cada uma destas três sessões.
Nesta tarde, quero concluir o assunto. Sempre tenho a sensação de que, nas sessões da tarde, todos estão dormindo. Algo dentro de mim diz: “De manhã ou à noite, em vez de ter de encarar a tarde.” Mas tenho certeza de que o Senhor pode mantê-los acordados.
Muitas pessoas me dizem que usam minhas fitas para dormir. Dizem que são melhores do que aqueles comprimidos que as pessoas tomam, que têm efeitos colaterais e consequências ruins. Minhas fitas não têm nada disso. Elas simplesmente levam você a um sono maravilhoso.
De qualquer modo, voltando a essa questão de correr a corrida, temos falado sobre correr a corrida que nos está proposta. Falamos sobre esta palavra de 1 Coríntios 9:24:
Correi de tal maneira que o alcanceis.
Ou que o obtenham, ou que ganhem. Como eu disse, quero concluir essas coisas nesta tarde.
Todas as coisas mais grandiosas deste universo são absolutamente simples.
A teologia tende a tornar as coisas muito complexas. Nós, os crentes, somos muito, muito habilidosos em pegar as verdades mais simples e, de alguma maneira, torná-las tão complexas.
Isso me lembra um pouco a nossa tradição judaica, na qual os nossos rabinos cercaram a lei. A lei em si é bastante simples, mas, para nos impedir de transgredi-la, eles a cercaram. Isto é, colocaram uma série de cercas, uma após a outra, de modo que, se você ultrapassar essas cercas, ainda assim não terá transgredido a lei propriamente dita.
É claro, quero dizer, acho que você precisa ser judeu para entender esse tipo de problema — embora eu ache que, às vezes, os chineses chegam bem perto disso.
Mas essa é toda uma tradição que temos: cercar a lei. O judaísmo rabínico é um cercamento da lei. A própria kashrut, a lei dos alimentos kosher, é muito simples, mas o que foi acrescentado a ela a tornou muito mais complexa.
O que você pode ou não pode fazer no sábado é, na verdade, muito simples. A jornada de um sábado é uma distância considerável que você pode percorrer. Mas o cercamento da lei tornou tudo muito mais difícil. Há mil e uma outras coisas.
Bem, acho que os cristãos tornaram a simplicidade da verdade de Deus muito, muito complexa, apresentando-a de tal maneira que ela já não parece simples. A própria simplicidade da verdade de Deus desconcerta muitos crentes, e eles sentem que, de alguma forma, ela precisa ser mais complexa do que isso.
As pessoas me perguntam: “Como posso alcançar o alvo? Como podemos completar o percurso? Como podemos chegar ao fim e ganhar o prêmio?”
É muito simples — tão simples que muitos não percebem: olhando para Jesus. É simples assim.
Deixemos todo peso,
e o pecado que tão facilmente nos enreda,
e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta,
olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé.
Corramos a corrida que nos está proposta, olhando para Jesus.
Vocês vão perceber que, em uma ou duas das versões modernas, isso aparece de maneira um pouco diferente. Em vez de dizerem “olhando”, que é muito poético, elas dizem: “fixando os olhos em Jesus”.
Por causa da maneira como o tempo verbal grego é usado aqui, não se trata apenas de um olhar acomodado, algo como: “Bem, olhe para Jesus.” Trata-se de fixar o olhar em Jesus. Trata-se de voltar o olhar para o Senhor Jesus.
É, por assim dizer, um olhar deliberadamente dirigido a Ele — não uma maneira despreocupada de olhar, mas algo ativo, não passivo. Você precisa olhar, fixando os olhos no Senhor Jesus.
Agora, parece-me que todo o plano do diabo — o plano dos poderes do mal e das trevas — é tirar os nossos olhos do Senhor Jesus; de alguma forma, colocar-se entre nós e o Senhor Jesus.
Sejam problemas, obstáculos, dificuldades, relacionamentos, o próprio Satanás, obras das trevas ou qualquer outra coisa — o próprio mundo —, a intenção é colocar essas coisas entre nós e o Senhor Jesus, de modo que o nosso olhar seja desviado do Senhor Jesus e os nossos olhos fiquem fixos nos problemas.
Você nunca terminará a corrida se os seus olhos estiverem fixos em si mesmo.
Você nunca correrá a corrida e receberá o prêmio se os seus olhos estiverem fixos nos outros.
Você nunca correrá a corrida e receberá o prêmio se os seus olhos estiverem fixos no mundo.
Você nunca correrá a corrida e receberá o prêmio se os seus olhos estiverem fixos em Satanás.
A única maneira — é tão simples —, a única maneira de você ganhar o prêmio é fixando os olhos no Senhor Jesus. Poderia haver algo mais simples do que isso?
Quando você vê o Senhor Jesus com os olhos do coração, quando os olhos do seu espírito realmente O veem e você O contempla, alguma coisa acontece. Não foi assim que você foi salvo?
Alguns de vocês foram criados em lares cristãos. Conheciam a verdade desde o início. Mas chegou um dia em que, de repente, aquilo que vocês conheciam academicamente, aquilo que compreendiam mentalmente, tornou-se realidade.
Você viu, contemplou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Naquele momento, aquilo se tornou seu. A verdade se tornou sua. Certamente, alguma coisa aconteceu. Aquilo deixou de ser meramente teologia, verdade bíblica ou doutrina correta. De repente, tornou-se realidade. Você foi salvo.
Na verdade, isso se aplica a tudo o mais. Lembro-me muito bem de quando vi, pela primeira vez, que o Espírito Santo estava em mim e que eu havia sido crucificado. Ninguém jamais havia me falado sobre isso — ou suponho que eu deva ter ouvido, porque, na congregação da qual eu fazia parte, os pastores eram pregadores das conferências de Keswick.
Devemos ter ouvido isso, mas nunca significou coisa alguma para mim, até que um dia a luz se acendeu. Eu estava de joelhos numa velha igreja paroquial empoeirada, atrás da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, e estava desesperado.
Eu sabia que a minha vida cristã era simplesmente impossível. Simplesmente não funcionava. Achava que era a ovelha negra de toda a congregação.
Eu observava todos cantando aqueles hinos maravilhosos que diziam: “Minhas correntes caíram”, e pensava: “Bem, as minhas não caíram.” Todos tinham aqueles rostos bonitos, bem lavados, reluzentes. Todos pareciam tão… Bem, descobri anos depois que todos eles viviam derrotados.
Naquela época, eu achava que era a ovelha negra e que todos eles cantavam sobre algo que era realmente verdadeiro na vida deles. Muitos anos depois, perguntei ao próprio pastor. Ele sempre pregava sobre vitória, e eu disse: “O senhor realmente tinha aquilo sobre o que pregava?” Ele respondeu: “Não, eu pregava pela fé.”
Portanto, isso significava que pastor e congregação — nenhum deles tinha a vitória. E eu achava que era a ovelha negra.
Mas, quando vi o Senhor e vi o que Ele havia feito por mim, nunca mais me esqueci. Na verdade, ainda hoje não consigo explicar plenamente, a não ser dizer que compreendi que o Espírito Santo estava em mim e sobre mim. Era como se eu nunca tivesse ouvido falar do Espírito Santo. Meus olhos se abriram.
Eu disse: “Senhor Jesus, sinto muito por ter ignorado o Espírito Santo.” Então, a luz inundou meu coração. Quando eu ia me levantar, o Senhor disse: “Espere um pouco. Há mais uma coisa: você foi crucificado Comigo.”
Foi como um raio inesperado que me atingiu. Eu havia tentado fazer de mim mesmo um cristão tão bom.
Agora, falando em pecado que enreda e em pesos que sobrecarregam e puxam você para baixo na corrida — bem, eu mal estava correndo. Estava apenas tomado pela percepção de como a minha vida cristã era irreal.
Mas, quando vi o Senhor, não consigo explicar. Vi que, dois mil anos atrás, quando Ele foi crucificado, eu fui crucificado. E lá estava eu, tentando transformar o velho Lance num cristão maravilhoso.
Eu havia colocado o vocabulário certo nos lábios dele. Tinha conseguido colocar a Bíblia na cabeça dele. Havia adquirido zelo e devoção. Eu sempre tentava ganhar pessoas para o Senhor — com os resultados mais desastrosos.
Nunca levei uma alma ao Senhor. Mas não foi por falta de tentar, podem acreditar. Eu costumava encurralar as pessoas por todos os lados e falar com elas sobre como a alma delas estava a caminho do inferno.
Mas o fato é que, quando vi alguma coisa — quando vi o Senhor —, aquilo se tornou meu. A partir daquele momento, foi como se eu relaxasse e me tornasse, pela primeira vez, eu mesmo.
Eu vinha vivendo uma vida cristã de aparência, uma vida que eu achava aceitável para todos os outros, que supostamente deveria ser a vida cristã. Mas, naquele momento, relaxei e me tornei eu mesmo. Comecei a rir, comecei a viver e comecei a desfrutar da vida.
Quero dizer, todas aquelas coisas que os cristãos supostamente não devem fazer. Vocês sabem como é: espera-se que você seja infeliz, carregado, aflito e tenha uma aparência terrível — como se estivesse prestes a cair na sepultura.
Para mim, foi algo extraordinário. Foi ali que o ministério — seja qual for o seu valor —, o ministério que me foi dado, começou. Começou com ver o Senhor.
Olhar e fixar os olhos em Jesus — que coisa extraordinária.
Um dia, quando eu estiver na glória, haverá uma série de perguntas que quero fazer a alguns dos santos. O que Abraão viu? O que ele realmente viu?
Está escrito em Atos 7:2:
O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão.
Quem ele viu? Não viu o Senhor Jesus? Somos informados de que ele viu o Senhor. O próprio Jesus disse isso em João 8:56:
Ele viu o Meu dia.
Como ele viu? O que ele viu? Esta é a coisa extraordinária: aquele aristocrata, aquele proprietário de terras incrivelmente rico, transformou-se num peregrino da noite para o dia.
Ele nunca mais foi o mesmo. Toda a sua vida e suas circunstâncias mudaram. Ele saiu e passou o restante da vida criando ovelhas, cabras e camelos, percorrendo de um lado para o outro a terra que Deus lhe havia dado.
Quando viu o Senhor, a meu ver, ele viu mais do que muitos cristãos. Viu a cidade de Deus na glória de Deus. Como a viu, não sabemos. Mas o autor desta Carta aos Hebreus diz, em Hebreus 11:8, 10:
Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança;
e saiu, sem saber para onde ia.
Porque esperava a cidade que tem os fundamentos,
da qual Deus é o Arquiteto e Construtor.
Ele deixou uma cidade extraordinária, Ur dos caldeus — sofisticada, de qualidade, com padrões elevados —, para tornar-se peregrino. Somos informados de que toda a sua vida se explicava pela busca dessa cidade. Ele buscava a cidade que tem os fundamentos.
Outro personagem que me vem imediatamente à mente, que viu o Senhor, é Jacó. Jacó representa tão bem o nosso povo: astuto, esperto, inteligente, com enorme habilidade e capacidade para trabalhar arduamente.
As pessoas retratam Jacó como uma espécie de decorador de interiores de ombros caídos, anêmico, sem firmeza, caseiro. Vocês sabem, aquele tipo de pessoa sobre quem se pensa: “Ah, ele é gay — certamente é gay.”
Mas o interessante a respeito de Jacó é que, quando os pastores não conseguiam mover a grande pedra que cobria o poço, ele a moveu sozinho. Portanto, ele tinha alguma força.
Agora, pode ser que tenha sido por causa de Raquel. Pode ser simplesmente que ele tenha adquirido uma força sobre-humana para mover a pedra só porque Raquel estava ali. Não sei. Não acho que tenha sido isso.
Pessoalmente, acho que Jacó era um homem notável — alguém que pôde lutar com o Senhor e prevalecer sobre o Senhor, de modo que o Senhor não conseguia livrar-Se de suas mãos. É claro, sei que o Senhor, em certo sentido, deliberadamente enfraqueceu-Se.
Mas o Senhor continuava dizendo: “Deixa-Me ir.” Jacó dizia: “Não Te deixarei ir.” Vocês conseguem acreditar? Esse homem tinha o Senhor preso numa luta corpo a corpo.
Vocês já ouviram uma coisa dessas? Certamente não numa igreja cristã.
Ali estava o próprio Senhor, preso numa luta corpo a corpo por um dos seres que Ele havia criado, e esse homem não O deixava ir.
Por fim, o Senhor tocou sua coxa, no tendão da coxa — a parte mais forte do seu ser, o que é outra indicação da força de Jacó —, e o deixou manco. Daquele dia até o fim de sua vida, ele teve essa limitação física.
Sabem que nome ele deu àquele encontro? A face de Deus.
Tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada.
Jacó tornou-se Israel.
Acho extraordinário que o nome que Deus dá a Si mesmo repetidamente na Bíblia seja este: o Deus de Jacó. Se Ele tivesse dito apenas “o Deus de Israel”, nós entenderíamos, porque isso representa a transformação de Jacó. Mas Ele chamou a Si mesmo de Deus de Jacó, vez após vez após vez.
Qual é o significado disso? Abraão nunca teria chegado ao fim da corrida se não tivesse visto o Senhor. Embora tenha caído duas ou três vezes, ele tinha os olhos fixos no Senhor.
Jacó nunca teria se tornado Israel se não tivesse visto o Senhor e se não tivesse mantido os olhos fixos no Senhor pelo restante de sua vida.
Poderíamos continuar indefinidamente. Penso em Isaías. Quando era jovem, ele estava no templo do Senhor — obviamente não no santuário, porque não era sacerdote.
Segundo a nossa tradição, Isaías era membro da família real. Era filho de um dos irmãos do rei. Essa é a nossa tradição; não sei até que ponto é verdadeira. Certamente, sua linguagem é o hebraico mais belo do Antigo Testamento.
Que domínio da linguagem, que pessoa extraordinária era Isaías. Mas, quando era jovem e estava no templo, ele viu o Senhor, alto e exaltado. Para seu espanto, todo o templo, seus quatro átrios e tudo o mais ficaram encobertos no Senhor. A cauda das vestes do Senhor enchia o templo.
Dessa visão do Senhor nasceu um dos maiores ministérios da Bíblia. Começou com ver o Senhor.
Mais uma vez, segundo a nossa tradição — embora provavelmente haja uma alusão no Novo Testamento —, Isaías tinha oitenta e oito anos quando foi martirizado pelo perverso rei Manassés, serrado ao meio quando se escondeu numa daquelas enormes oliveiras.
Vocês têm uma alusão a isso em Hebreus 11:37:
Foram serrados ao meio.
Ele permaneceu fiel até o fim. Poderia ter salvado a própria vida se estivesse disposto a negar o Senhor, mas manteve os olhos fixos Nele. Poderia dizer:
Não fui desobediente à visão celestial.
Se passarmos diretamente ao Novo Testamento, é claro que temos o apóstolo Paulo e aquela experiência extraordinária quando estava a caminho de matar crentes — de eliminar comunidades messiânicas, como diríamos hoje.
Crentes que haviam encontrado o Senhor entre o povo judeu: por toda parte ele os arrastava, prendia, levava para a prisão e torturava. Muitos deles morreram.
Então, o Senhor lhe apareceu. Quando foi lançado ao chão, ele disse:
Quem és Tu, Senhor?
Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Naquele único momento, nasceu um ministério.
Perto do fim de sua vida, Paulo disse, em Atos 26:19:
Não fui desobediente à visão celestial.
O que era isso? Era apenas a visão? Ele apenas viu o Senhor e ouviu o Senhor? Foi lançado ao chão por algum poder miraculoso? Era nisso que ele pensava? É claro que não.
Ele viu algo no Senhor quando o Senhor disse:
Por que Me persegues?
Em algum lugar, naquele momento, sementes foram plantadas. Em algum ponto do caminho, foi-lhe revelado que aqueles que nasceram de Deus, redimidos pelo precioso sangue do nosso Senhor Jesus, fazem parte do corpo do Senhor Jesus.
Eles fazem parte Dele de tal maneira que, se você toca neles, toca Nele.
Isso não é uma lição para todos nós no que diz respeito a um espírito que não perdoa?
Foi por isso que Moisés não recebeu permissão para entrar na terra. Ele viu Deus na sarça. Havia fogo numa velha sarça morta, e ele ouviu o Senhor. Entendeu que era Ele — e estava certo.
Também entendeu que aquela sarça era Israel.
Quando perdeu a paciência com eles e feriu a rocha com a vara, fazendo sair água dela, dizendo:
Porventura, tiraremos água desta rocha para vós, rebeldes?
Deus não permitiu que ele entrasse na terra prometida.
Ele se esqueceu da lição do fogo na sarça. Muitos crentes também se esquecem. Quando falamos uns dos outros, quando fazemos fofoca uns dos outros, quando apresentamos uma imagem falsa uns dos outros, quando não perdoamos uns aos outros, trata-se da mesma lição.
Mas, voltando ao apóstolo Paulo: esse maravilhoso ministério que recebemos dele, essa revelação do mistério do corpo de Cristo — a Cabeça e o corpo, essa extraordinária união orgânica na qual cada filho de Deus nascido de novo é introduzido pelo Espírito de Deus —, tudo começou com ver o Senhor Jesus.
Se tivéssemos tempo, poderíamos acompanhar isso em todas as cartas do apóstolo Paulo, nas quais ele fala sobre ver o Senhor, contemplar o Senhor, ter os olhos do coração iluminados. Isso está por toda parte.
Nossos irmãos têm falado sobre revelação, e é disso que se trata: ver o Senhor. A única maneira de chegar ao fim desta corrida e ganhar o prêmio é fixando os olhos no Senhor Jesus.
Há outro exemplo. Sinto-me encorajado a dizer algo a respeito dele porque já cantamos sobre isso duas vezes.
Quando João recebeu aquelas visões — visões terríveis, em certos aspectos — de dragões, serpentes, anticristo, 666 e do grande conflito entre luz e trevas, entre o Cristo e o anticristo, entre Deus e Satanás, ele vê, quase no início, um trono.
E, no trono, um Leão. O Leão era um pequeno Cordeiro, como se tivesse sido morto.
Onde quer que vocês estejam no livro de Apocalipse, encontrarão o Cordeiro. Ele está por toda parte.
O querido João viu o Leão da tribo de Judá, o pequeno Cordeiro como se tivesse sido morto, no meio do trono, tomando aquele rolo selado com sete selos e rompendo-os, um após o outro, até que todo o propósito de Deus fosse cumprido.
Sem dúvida, João chegou ao fim mantendo os olhos fixos no Senhor Jesus.
Portanto, creio que esse olhar para Jesus, esse fixar os olhos no Senhor Jesus, não é apenas uma pequena ideia cristã sobre a qual falar ou cantar. É de enorme importância, de enorme significado.
Isso diz respeito a todo filho de Deus, especialmente nos dias em que estamos vivendo. Temos de aprender a manter os olhos fixos no Senhor Jesus. Essa é a única maneira de correr a corrida — de correr a corrida com perseverança.
Aqueles de vocês que conhecem a Bíblia sabem que essa palavra, paciência, é uma palavra maravilhosa, mas também traz a ideia de resistência e firmeza: uma determinação.
Corramos com firmeza, com persistência perseverante, a corrida que nos está proposta, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé.
Agora, isso me leva a dizer algo mais sobre esta expressão seguinte: Jesus, o Autor e Consumador da fé.
Não quero complicar isso, depois de ter falado sobre a simplicidade da verdade. Mas essa palavra, autor, no grego, significa realmente originador. Às vezes, pode significar capitão. Sparks usava a palavra pioneiro.
Percebo que Dana usou as palavras pioneiro, líder. Mas tenho uma certa estranheza em relação a isso: autor e aperfeiçoador, autor e consumador, líder e… E, então, temos novamente o mesmo problema com a palavra fé.
É “a fé”? Não no grego. É simplesmente fé.
Então, o que significa olhar para Jesus, o Autor? Sim, é claro que Ele é o Príncipe. É claro que Ele é o Capitão da nossa salvação. É claro que Ele é o Apóstolo. É claro que Ele é o Líder. Isso está absolutamente certo. Não temos dúvida alguma a respeito.
Ele é o Primeiro e o Último. É o Princípio e o Fim. Não é assim? É o Alfa e o Ômega. É verdade.
Mas o que significa “olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé”?
Acho que significa que Ele é a fonte da fé viva, operante e prática.
Tenho certeza de que Ele é o Pioneiro, o Líder e tudo o mais. Mas não consigo deixar de sentir que a questão aqui é: como isso nos ajuda? “O líder da nossa fé” — isso realmente ajuda você nos seus problemas?
Mas, se estamos olhando para Aquele que é a fonte da fé viva, a fonte da fé operante, a fonte da fé que muda as circunstâncias e vê a vontade de Deus ser cumprida em nossa vida, em nossa vida conjunta como povo de Deus e, às vezes, até mesmo em nossa nação — então isso nos ajuda.
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé.
Queridos irmãos e irmãs, querida família de Deus, precisamos dessa fé viva.
Estamos enfrentando a teoria darwinista, a teoria evolucionista, que leva ao aborto, à eutanásia, ao genocídio. Isso não acabou.
Chegará um dia em que tentarão exterminar todos os cristãos, assim como tentaram exterminar os judeus. Isso acontecerá, porque se baseia na teoria evolucionista: livrar-se das pessoas doentes, das espécies subumanas, dos que têm deficiência intelectual, dos que, de uma forma ou de outra, estão envolvidos com superstição. Livrem-se deles.
Precisaremos de fé — fé viva.
Todo o nosso sistema educacional está mudando diante dos nossos olhos. Sua própria estrutura, os próprios princípios sobre os quais foi fundado estão mudando diante dos nossos olhos.
Vocês querem me dizer que os cristãos simplesmente conseguirão passar por isso tranquilamente? Nunca. A tensão, a pressão, será tremenda.
Você e eu precisamos olhar para Jesus, o Autor da fé. Então veremos a fé, que é dom de Deus — não vem de nós mesmos —, entrar espontaneamente em ação.
Vocês entendem do que estou falando?
Olhar, fixar os olhos em Jesus, o Originador da fé, a fonte da fé viva.
Às vezes, precisaremos de fé para iniciar. Às vezes, precisamos de fé para desenvolver. Às vezes, precisamos de fé para concluir.
Que palavra extraordinária é esta: corramos com paciência, com firmeza, com perseverança persistente, a corrida que nos está proposta, olhando para Jesus, fixando os olhos em Jesus — a origem, a fonte, o Originador, o Líder, o Pioneiro da nossa fé.
O Pioneiro e o Aperfeiçoador.
Você precisa de fé para aperfeiçoar? Precisa de fé para concluir?
Não sei quantos anos vocês têm, nem se estão dispostos a admitir a idade. Mas estou falando de coisas espirituais.
Quando começamos a entrar em algo, quando nascemos de novo, tudo é novo e maravilhoso. Não é tão difícil olhar para o Senhor Jesus. Ele está tão vivo, tão perto.
Às vezes, deparamos com problemas e dificuldades em nossa família, em nossas circunstâncias, em nossos relacionamentos, no mundo dos negócios, no trabalho cotidiano e, certamente, dentro da igreja. Então começamos a ter problemas.
De alguma maneira, os nossos olhos se desviam do Senhor Jesus e se voltam para os problemas, para as pessoas, e começamos a ficar desanimados e deprimidos.
É então que precisamos fixar os olhos no Senhor Jesus e decidir não conhecer coisa alguma uns nos outros, a não ser Jesus Cristo, e Este crucificado.
É então que precisamos compreender esta palavra de 1 Coríntios 11:19:
É necessário que haja facções entre vós,
para que os aprovados se manifestem entre vós.
Portanto, o Senhor permite até mesmo essas coisas para que aqueles que andarão de branco possam atravessá-las, fixando os olhos no Senhor Jesus.
Não sei por que estamos sempre procurando uma igreja perfeita. Mas a maioria dos crentes está procurando uma igreja perfeita.
Há toda uma linha de ensino sobre isso: temos de ser puros e corretos; temos de ser santos. É claro que temos de ser santos. Mas a igreja aqui na terra é uma enorme confusão.
Há vidas despedaçadas e casamentos desfeitos. Há pessoas com problemas relacionados ao temperamento e à sua história de vida. Há relacionamentos que, de alguma forma, parecem não se recuperar. Há todo tipo de coisa que simplesmente não cede.
Somos feitos santos pela maneira como cuidamos daqueles que são difíceis.
Nosso relacionamento com aqueles que são mais problemáticos é o meio pelo qual Deus produz santidade na prática.
Anos atrás, tínhamos um homem muito difícil na comunhão, na Inglaterra. Ah, como ele era difícil. Era um empresário que havia construído o próprio sucesso, muito, muito bem-sucedido, e pelo menos quinze ou vinte anos mais velho do que o restante de nós. Éramos todos jovens, no final da adolescência ou no começo dos vinte anos.
Ele era uma mistura extraordinária. Num momento, realmente sabia o que o Senhor estava dizendo; em outro, era o diabo. Não estou brincando.
Que problema ele era. Atrapalhava tudo. Punha suas mãos pegajosas em absolutamente tudo. Como achava que, por ser mais velho do que nós, deveria nos dizer como fazer as coisas e o que fazer, houve momentos em que pensamos: “Será que devemos nos unir e colocá-lo para fora?”
Nós realmente buscamos o Senhor, aqueles de nós que formavam o núcleo. Realmente buscamos o Senhor. O Senhor nos deu uma palavra que achamos muito difícil. O Senhor nos disse: “Lavem os pés dele.”
Então nos veio à mente que o Senhor havia lavado os pés de Judas. Lavamos os pés daquele homem até o último dia de sua vida.
Ainda me lembro daquela experiência extraordinária. Talvez eu já tenha contado essa história a vocês. A querida Lady Ogle — que mulher de oração ela era.
Quando eu estava me recuperando de uma doença em sua maravilhosa casa no sul da Inglaterra, ela me disse: “Vamos — você e eu — ter um tempo de oração.” Eu disse: “Eu adoraria.”
Quando tivemos esse tempo de oração, foi naquela magnífica sala de jantar. Mal dava para enxergar a outra ponta da mesa comprida. Nós dois nos sentamos numa das pontas, e ali estava aquela mesa enorme. Ela me lembrava aquelas mesas com uma pequena ferrovia que levava as coisas de um lado para o outro; vocês sabem o que quero dizer.
Ela disse: “Agora vamos orar pelo meu irmão fulano.” Eu disse: “Ah, é mesmo? Bem, precisamos.”
Ela disse: “Sim. Creio que o Senhor me mostrou que devo orar para que ele seja retirado.”
Eu disse: “Ah, não vou poder me unir à senhora nisso.”
“Por quê?”, ela perguntou. “Ele está destruindo todo o testemunho.”
“Sim, isso é absolutamente verdade. Mas, quando buscamos o Senhor, o Senhor nos disse que lavássemos os pés dele.”
“Bem”, ela disse, “o Senhor não me disse que eu lavasse os pés dele.”
Então tivemos aquele tempo de oração. Nunca me esqueci. Aquela pequena senhora — o irmão Stephen a conhecia bem — tinha só mais ou menos esta altura. Ela se levantou na ponta daquela mesa e, digo a vocês, foi como se o lugar inteiro tremesse.
Ela orou. Em oração, retirou aquele irmão, arrancou o espírito que estava nele e o executou em nome do Senhor.
Eu simplesmente senti no coração: “Alguma coisa aconteceu. Alguma coisa aconteceu.” Ele morreu dentro de um mês.
Enquanto continuávamos a lavar os pés dele até o fim, ficamos ao seu lado até o fim. Um dos meus colegas, um dos meus irmãos a quem ele mais havia atacado, ficou sentado ao seu lado quando a própria família não queria ficar, porque de sua boca saíam coisas tão imundas.
Impressionante, não é?
Isso é fé para desenvolver — não apenas fé para iniciar, mas fé para desenvolver.
Como enfrentamos os problemas? Como permanecemos na corrida e não permitimos que alguém assim nos tire dela por causa da amargura em nosso coração, porque temos pesadelos com o que aquele irmão ou aquela irmã está fazendo?
Não devemos permitir que algo assim nos domine e nos tire da corrida. Mas somos tão insensatos. É exatamente isso que fazemos.
Nossas reações são normais. São humanas. Ficamos amargurados, ficamos com raiva, queremos bater na cabeça das pessoas e, então, saímos por aí batendo a cabeça de todo mundo umas contra as outras.
No fim, isso se transforma numa espécie de briga de socos espiritual.
O que precisamos é fixar os olhos no Senhor Jesus e receber instruções Dele.
Quando recebemos instruções Dele e obedecemos, é sempre o certo. Você permanece na corrida, aprende as lições e prossegue.
Mas não precisamos apenas de fé para desenvolver. Precisamos de fé para concluir.
À medida que envelhecemos, os médicos nos dizem que nossos horizontes ficam cada vez menores, menores e menores. Bem, devo dizer que não tenho visto os meus ficarem cada vez menores.
Mas consigo entender essa tendência. Você envelhece, fica um pouco menos disposto, um pouco mais acomodado, um pouco mais… Eu não chamaria de preguiçoso, mas vocês sabem o que quero dizer. Você perdeu o fogo da juventude.
Precisamos de fé para concluir. Precisamos daquele tipo de fé que vê algo ser completado.
Lembrem-se de que o Senhor disse, em Apocalipse 3:2:
Não tenho achado íntegras as tuas obras.
Que palavra terrível de se dizer: “Não tenho encontrado nenhuma obra sua completa.” Começou no Espírito, desenvolveu-se até certo ponto e, então, ficou paralisada.
Você e eu precisamos dessa fé. Precisamos de fé para concluir.
Olhando para Jesus, fixando os olhos Nele, voltando o olhar para Jesus como o Autor e Aperfeiçoador da fé.
Bem, poderia haver algo realmente mais simples do que o que estou dizendo nesta tarde? Acho que não.
Quando vemos Satanás, ficamos paralisados. Quando vemos o mundo, sentimo-nos sem esperança. Quando olhamos para nós mesmos, ficamos deprimidos. Quando olhamos uns para os outros, ficamos desanimados.
Mas, quando vemos Jesus, a fé entra em ação.
Tão simples. Não apenas fé para iniciar e fé para desenvolver, mas fé para concluir.
Não é maravilhoso que, quando o Senhor falou à igreja de Laodiceia, que, em certo sentido, representa tão bem a igreja que conhecemos no século XXI, Ele tenha Se apresentado como o Amém?
Amém vem da palavra hebraica amen, que simplesmente significa: “Eu creio.” Fé.
Mesmo numa situação como a de Laodiceia, o Senhor poderia dizer: “Há fé para aqueles que ouvirem a Minha voz e abrirem a porta.”
Fé — fé viva.
Gosto muito de Spiros Zodhiates e do trabalho dele. Considero que é a melhor Bíblia de estudo que qualquer um de vocês pode adquirir, porque ela não apresenta apenas uma porção de ideias. Ele apresenta ideias, sim, mas, basicamente, vai ao hebraico e ao grego.
Gosto muito da maneira como ele discute esta última palavra aqui, aperfeiçoador. Ele a define assim: “Alguém que conduz algo até o alvo, de modo que vença e receba o prêmio.”
Olhando para Jesus — o Autor, o Originador, o Pioneiro e Aquele que nos conduz ao alvo para que ganhemos a corrida e o prêmio.
Acho isso maravilhoso. É a única maneira que consigo enxergar.
Bem, do que você precisa? Precisa de graça para começar, graça para continuar ou graça para terminar e concluir? Está tudo ali.
Toda a graça está ali, todo o poder está ali. Como eu disse nesta tarde, tudo está à nossa disposição. O problema é a fé.
Normalmente, o inimigo nos pega nesse ponto. Ele diz: “Você não tem fé suficiente.” É claro que sua resposta natural é: “É verdade. Não tenho fé suficiente.”
Então o inimigo diz a você: “É melhor começar a olhar para a condição da sua fé, porque você precisa de mais fé. Se quiser atravessar isso, vai precisar de uma grande fé.”
Então você começa a examinar a sua fé. A fé é a mais autoconsciente de todas as qualidades espirituais. Quanto mais você olha para ela, mais ela desaparece.
Se você tentar colocá-la debaixo de uma lupa e disser: “Agora, será que tenho uma fé operante?”, descobrirá que ela não apenas não está operando — ela desaparece.
A fé é algo extraordinário. Você nunca obtém fé concentrando-se na fé.
Há um tipo de ensino — eu o chamo de fé da Ciência Cristã. Você diz: “Não existe diabo, não existe diabo, não existe diabo, não existe diabo.” Se disser isso vezes suficientes, não existe diabo, segundo eles.
Dizem que, se você tem reumatismo, deve dizer: “Não tenho reumatismo. Não tenho reumatismo. Não tenho reumatismo.” Então você sai mancando.
Mas vocês sabem o que quero dizer. A ideia é uma fé natural — alguma coisa, alguma qualidade da mente, da sua psique. É uma coisa psicológica. Você pode enganar a si mesmo, iludir-se até acreditar.
É por isso que sempre achei tão difícil quando um grande teólogo disse: “Você deveria estar crucificado; então, belisque-se e, se sentir, você não está crucificado.” Bem, como isso nos ajuda?
Não importa quantas vezes você se belisque — vai sentir, a menos que primeiro se anestesie.
Que fé é essa de que precisamos? Como a obtemos? Olhando para Jesus. É tão simples.
Já contei a vocês a minha própria teoria sobre Pedro no barco. Quando ele estava no barco, foi o próprio Senhor que os levou até lá, colocou todos no barco e disse: “Muito bem, atravessem. Eu encontrarei vocês do outro lado.”
Nenhum deles perguntou: “Como vais fazer isso?” Posso lhes dizer que é uma caminhada considerável dar a volta por toda a parte norte do lago da Galileia.
Sempre penso que o Senhor realmente queria que eles aprendessem essa lição antes, naquela outra história do barco, quando ele estava afundando e todos tiravam água dele desesperadamente.
Quando entraram em pânico, sacudiram-No e disseram:
Não Te importas que pereçamos?
O Senhor percebeu que eles estavam em tamanho pânico que Ele não conseguia lhes dar nenhuma instrução ou ajuda. Simplesmente Se levantou e falou, e tudo ficou calmo.
Eles disseram: “Quem é Este, que pode fazer cessar uma tempestade com uma palavra?”
Mas muitas vezes pensei que Ele realmente esperava que o barco afundasse. Agora, sei que isso é especulação, mas essa é a minha teoria.
Acho que Ele esperava que o barco afundasse e que todos O seguissem quando Ele dissesse: “Sigam-Me.” Eles teriam andado sobre as águas. Que experiência.
Em vez de ficarem para sempre falando sobre o Senhor fazer cessar tempestades, teriam dito: “Não nos preocupamos com tempestades. Podemos andar através delas.”
Que turma seria essa, Tim. Se você tem apenas um Senhor que faz cessar uma tempestade — e já vi o Senhor fazer cessar tempestades na minha própria vida, e vocês certamente também —, então você adora. Mas o que aprendeu?
Você aprendeu apenas sobre o Seu poder e a Sua autoridade. Não aprendeu nada a respeito de si mesmo.
Mas, se você perde o barco e anda sobre as águas, aprendeu alguma coisa. Daí em diante, pode passar sem barco.
Então, quando chegou a segunda ocasião, Ele colocou todos no barco e disse: “Agora vão para o outro lado, e Eu encontrarei vocês do outro lado.” Dessa vez, Ele estava garantindo que não estaria no barco. Essa é a minha teoria.
Um dia descobriremos, quando estivermos lá. Então vocês poderão me dizer que eu estava errado, ou eu poderei dizer a vocês: “Viram? Eu estava certo.”
O fato é que, quando aquela grande tempestade se levantou, eles ficaram muito preocupados. Então viram alguém andando sobre as ondas agitadas pelo vento e disseram: “É um fantasma.”
Pedro disse: “Sabe, parece Jesus.” Então gritou: “Jesus! És Tu?”
O Senhor Jesus disse: “Sim, sou Eu.”
Pedro disse: “Bem, manda-me ir até Ti.” Pensem nisso. Ele nunca pensou — esse é Pedro, é claro —, nunca pensou: “Como é possível eu andar sobre as águas?”
“Não fui a uma escola bíblica para aprender os três estágios para andar sobre as águas. Nunca tive um estudo bíblico sobre isso.”
Pedro viu o Senhor. Ouviu o Senhor. Obedeceu ao Senhor e fez o impossível. Andou sobre as águas.
De alguma maneira, em algum momento, uma onda se colocou entre ele e o Senhor Jesus. Imagino que, de repente, ele tenha dito: “Pedro, o que você está fazendo? Você está andando sobre as águas.” Então afundou. Começou a afundar.
Jesus disse, em Mateus 14:31:
Homem de pequena fé, por que duvidaste?
Todos nós entendemos isso como se significasse que Pedro não tinha uma grande fé.
Pedro não tinha uma grande fé. Pedro viu o Senhor, ouviu o Senhor, obedeceu ao Senhor e fez o impossível. De onde veio a fé? Ela entrou em ação no momento em que ele viu o Senhor na tempestade, ouviu o Senhor e obedeceu ao Senhor. Entrou em ação espontaneamente.
Toda vez que um filho de Deus vê o Senhor Jesus em alguma tempestade da sua vida, em algum grande problema da sua vida, imediatamente, se você O ouve e Lhe obedece, a fé entra em ação.
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé.
Não sei qual é o seu problema. Não sei quão grande ele é, quão complexo, quão impossível, quanto está cercado de tempestades. Mas isto eu sei: se você vir o Senhor, fixar os olhos Nele, ouvi-Lo e obedecer-Lhe, fará o impossível.
Que o Senhor toque o nosso coração, e que cada um de nós seja encontrado no fim, ganhando o prêmio.
Vamos orar?
Amado Senhor, temos tantos problemas e dificuldades. Tu conheces todos eles. Mas a coisa maravilhosa, Senhor, que podemos dizer é que Tu tens a resposta para tudo isso.
Querido Senhor, usa esta palavra que ouvimos nesta tarde para nos fortalecer, consolar, encorajar, corrigir e libertar da falsa fé.
Liberta-nos da ideia de que precisamos ter algum tipo de fé psicológica estimulada, inflada, por assim dizer, dentro de nós.
Senhor, Tu disseste que tudo de que precisamos é de fé como um grão de mostarda — tão pequeno.
Senhor, cada um de nós que nasceu do Teu Espírito tem dentro de si, enterrado em algum lugar, esse grão de fé viva e operante.
Amado Senhor, o que precisamos não é olhar para o grão de fé; precisamos ver-Te. Quando Te vemos, Senhor, e Te ouvimos e Te obedecemos, então essa fé — esse pequeno grão de fé — nos unirá à Tua infinitude, à Tua autoridade, ao Teu poder e à Tua vida.
Faze isso, Senhor, nós Te pedimos, por cada um de nós neste lugar. Estamos avançando irreversivelmente para dias cada vez mais difíceis e perigosos.
Senhor, faze isso por cada um de nós. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus.