Abram comigo a carta aos Hebreus, no capítulo 12.
A carta aos Hebreus, capítulo 12, a partir do versículo 1. Hebreus 12:1-3:
Portanto, também nós, visto que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos envolve; e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta,
Olhando para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o Qual, pelo gozo que Lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à direita do trono de Deus.
Considerai, pois, Aquele Que suportou tal oposição dos pecadores contra Si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
E agora, na primeira carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo 9. Vou ler novamente na versão New American Standard, a partir do versículo 24. 1 Coríntios 9:24-27:
Não sabeis que os que correm numa corrida, todos correm, mas somente um recebe o prêmio? Correi de tal maneira que possais vencer.
E todo aquele que compete nos jogos exerce domínio próprio em todas as coisas. Eles o fazem para receber uma coroa perecível; nós, porém, uma imperecível.
Portanto, corro de tal maneira, não sem objetivo; luto de tal maneira, não como quem dá golpes no ar; mas esmurro o meu corpo e o faço meu escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser desqualificado.
Vamos fazer mais uma breve oração. Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui, em Tua presença, nesta tarde. Somos gratos, Senhor, porque Tu podes nos renovar e vivificar, para que possamos receber algo de Ti.
Obrigado, Senhor, por essa unção, graça e poder que colocaste à nossa disposição, tanto para a ministração da Palavra quanto para sua tradução e para ouvi-la. Nós Te louvamos por essa graça e esse poder colocados à nossa disposição por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus, e que se tornam uma realidade tão gloriosa na Pessoa do Espírito Santo.
Queremos agora nos firmar, pela fé, nessa unção para este momento, para que Tu, Senhor, Te encontres conosco. Livra este encontro de ser apenas mais uma reunião; faz dele um encontro Contigo. Nós Te agradecemos por cada vez, nestes dias, em que nos encontramos Contigo.
Senhor, faz deste momento, mais uma vez, o meio pelo qual Tu vens a nós e tocas nosso coração. Precisamos de Ti, Senhor. Estamos vivendo dias extraordinários, dias de mudanças colossais na sociedade mundial. Estamos às portas de acontecimentos enormes e, acima de tudo, da vinda de nosso Senhor Jesus.
Nós Te louvamos, Pai, porque Tu podes, pelo Teu Espírito, nos vivificar e, por assim dizer, nos advertir de antemão e nos capacitar a estar preparados. Ouve-nos. Pedimos tudo isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
O tema destes encontros, que os irmãos sentiram diante do Senhor, é O Tempo Está Próximo. Naturalmente, temos considerado diferentes aspectos desse tema. O aspecto que me pediram para assumir como minha responsabilidade é correr a corrida.
Preciso dizer que estamos muito próximos de mudanças enormes no mundo como o conhecemos. Ao longo de vários anos, houve uma espécie de movimento lento em direção a uma sociedade global, e estamos bem no limiar de um avanço com consequências enormes para o mundo inteiro.
Naturalmente, a União Europeia está passando por um contratempo, pelo qual poderíamos ser gratos. Mas há também outras áreas em que ocorreu a mesma coisa, como nas Nações Unidas. Contudo, isso não detém o impulso enorme e vigoroso do princípio das trevas para, finalmente, tomar o mundo para si.
Não devemos ficar deprimidos, pois talvez haja uma noite a suportar, mas o dia vem. É a vinda do Senhor que constitui a verdadeira chave de tudo isso. É interessante que a Palavra diz que Ele matará o Anticristo com o sopro de Sua boca. Ele não precisa de tanques, de armas atômicas ou de qualquer outra coisa — apenas do sopro de Sua boca. Todo esse grande poder do mal será destruído, e o reino de nosso Deus e de Seu Messias finalmente virá.
Agora, precisamos estar preparados e prontos para estes dias. Falando com toda sinceridade, resta-nos tão pouco tempo — pouco tempo para sermos preparados pelo Espírito de Deus. Temos uma única e breve vida, e essa única e breve vida é uma corrida. A Bíblia a descreve, para os crentes, como uma corrida. Há um prêmio a ser conquistado.
Nessa única e breve vida, Deus precisa fazer tudo, em certo sentido. Ele precisa nos salvar, nos transformar, nos instruir, nos treinar, nos preparar e nos aperfeiçoar. Um dia, quando tivermos outros tipos de conferências na glória, na eternidade, olharemos para nossa vida — os setenta anos da duração média habitual — como uma pontinha de alfinete, apenas um minúsculo átomo que passou num instante.
Anseio por esses momentos; imagino que vocês também. De alguma maneira, seria maravilhoso ter o Senhor nos explicando os mistérios do universo e os mistérios da história. O livro de Atos é uma explicação maravilhosa, mas só vai até certo ponto. É o único livro da Bíblia que não tem fim; é um livro em aberto, sem conclusão, porque a história ainda está sendo escrita.
Talvez — não sei — alguém esteja realmente escrevendo essa história, ou talvez ela esteja sendo filmada e gravada por algum mecanismo espiritual. Mas um dia compreenderemos todas essas coisas maravilhosas: o que aconteceu, como o Espírito de Deus tomou pessoas em oração e como, em resposta à oração, grandes coisas aconteceram. Muitas vezes pensamos que a chave dos movimentos do Espírito de Deus são grandes personalidades, mas só Deus sabe o que está por trás.
Um dia compreenderemos tudo. Anseio por esses momentos. Não consigo imaginar que possam ser tediosos — poder conhecer a história inteira. Como será maravilhoso se vocês e eu tivermos participado de todo esse movimento; quero dizer, se tivermos desempenhado algum papel nele, por menor que seja.
Pois bem, correr a corrida. Ontem falei sobre correr a corrida que nos está proposta, e hoje, nesta tarde, quero falar sobre correr de modo que vocês possam alcançar — ou, se não gostarem da palavra alcançar, obter; ou, em palavras mais simples, de modo que possam vencer.
A New American Standard expressa isso de maneira muito bonita:
Correi de tal maneira que possais vencer.
O ponto central dessa corrida em que vocês e eu estamos, pela graça de Deus, é que há um prêmio a ser conquistado.
Quando pensamos em recompensas, imediatamente pensamos que precisamos trabalhar, fazer isto, aquilo e mais alguma coisa. Há um sentido em que isso é verdade. Mas tudo é pela graça. A primeira coisa que quero destacar nesta tarde é que toda a graça de que você precisa para conquistar o prêmio está à sua disposição.
Toda a graça — a mesma graça que o introduziu na salvação de Deus, pela qual você foi salvo — está agora à sua disposição, para que você possa conquistar o prêmio. Você pode completar a carreira. Você pode correr a corrida. Você pode vencer.
Vencer é apenas outra maneira de dizer que alguém é um vencedor. Certa vez, na casa de T. Austin-Sparks, na Escócia, perguntei-lhe: “Você pode me explicar, de maneira simples, o que é um vencedor?”
Com aquele seu jeito inimitável, ele olhou para o chão, depois para o teto, depois para o fogo na lareira; então olhou para mim e disse: “Vencer é estar na corrida no final — não ter sido eliminado, mas estar ali até a linha de chegada”.
Achei aquela uma explicação muito simples. Na época, perguntei-me se era uma explicação completa, mas passei a compreender o que ele queria dizer. Nós temos essas ideias sobre os vencedores — que eles têm milhares de medalhas no peito, pompa e glória, bandas tocando e que, de qualquer modo, são pessoas extraordinárias: super-homens, supermulheres, vocês sabem, esse tipo de coisa.
Penso que os vencedores são como aquela viuvinha que lançou duas moedas de cobre no gazofilácio. O Senhor disse:
Ela deu mais do que todos.
Essa é uma vencedora.
Não tenho dúvida de que, se pudéssemos lhe perguntar: “Você percebeu que era uma vencedora? Percebeu que o Senhor Jesus estava observando você?”, ela teria ficado admirada. Ele levantou os olhos e viu todos aqueles ricos colocando seu dinheiro no gazofilácio; e viu aquela mulher trazer suas duas moedinhas e lançá-las ali. Somente Ele sabia que aquilo era todo o sustento dela.
Todos os outros deram de sua abundância, do que lhes sobrava; ela deu tudo o que tinha. Não tenho dúvida de que ela diria: “Ah, você não faz ideia dos problemas que eu tinha em casa — os filhos, tudo o que precisava providenciar e fazer. Eu tinha mil e um problemas, e ninguém de fato para me ajudar”. Não penso nem por um momento que ela se sentisse uma vencedora, mas ela era uma vencedora.
Não sei se vocês já pensaram que José de Arimateia estará na glória. Eu penso que sim. No dia em que votou no Sinédrio contra a sentença de morte do Senhor Jesus, ele resgatou o nome da casa de Israel — ele e Nicodemos. Quando veio sepultar o Senhor Jesus, pensava que tudo estava acabado. Talvez, se vocês o tivessem questionado, ele dissesse: “Um vencedor? Eu, um vencedor? Não acho que eu seja um vencedor”. Mas penso que ele era um vencedor.
Poderíamos continuar e continuar, citando nomes da Palavra de Deus — aqueles que são verdadeiros vencedores. Essas pessoas venceram. Como venceram? Não venceram por alguma grande inteligência que possuíam, nem por uma grande formação acadêmica. Na maioria dos casos, não haviam frequentado um seminário teológico, nem qualquer outro tipo de universidade. Eram pessoas muito simples.
É claro que isso não se aplica a José de Arimateia. Mas, em sua maioria, eram pessoas bastante comuns e simples. De alguma maneira extraordinária, haviam recorrido aos recursos colocados à sua disposição: a graça e o poder de Deus.
Um vencedor é simplesmente isso. Normalmente, você não pensa nos mártires como vencedores — corpos mutilados, brutalmente torturados, mortos de maneira horrível. É difícil pensar neles como vencedores. No entanto, o grande exército dos mártires é composto inteiramente de vencedores, cada um deles, porque recorreram à graça de Deus e ao poder de Deus, e foram fiéis até o fim.
Isso é ser um vencedor: estar no propósito de Deus, no centro do propósito de Deus, no final da sua vida. Toda a graça de que você precisa para conquistar esse prêmio está à sua disposição.
Se me permitem colocar dessa forma, essa graça tem o seu nome escrito nela. Não é algum fundo ou recurso genérico. Deus colocou Sua graça à sua disposição, em nome Dele e destinada a você. Ele realmente a colocou à sua disposição.
Quando foi dado ao apóstolo Paulo um mensageiro de Satanás — parece algo muito estranho para o Senhor dar a alguém —, o apóstolo sentiu que aquilo era o fim de seu ministério, a negação de tudo. É natural compreender como ele teria encarado aquilo: “Preciso de libertação”. Ele clamou ao Senhor: “Tira isso de mim. Livra-me disso. Se eu não neutralizar essa coisa, ela será o fim do ministério que Tu me deste”.
O Senhor lhe disse apenas uma coisa:
A Minha graça te basta.
Basta. Ou seja, a graça que Deus coloca à sua disposição e à minha corresponde exatamente à sua necessidade.
As pessoas chegam e dizem: “Não, não, não, eu não sou um Watchman Nee. Não sou uma Amy Carmichael. Não sou um John Wesley. Não sou um Martinho Lutero. Sou apenas uma pessoa comum, insignificante”. Às vezes, uma dona de casa me diz: “Duvido que meu nome seja conhecido na glória. Sou apenas uma pessoa comum. Tenho milhares de problemas — um marido impossível, filhos quase impossíveis, todo tipo de coisa me pressionando”.
Então outros chegam e dizem: “Você não faz ideia do tipo de família de que venho. Tenho tias-avós que são malucas. Tenho tios que são ogros. Tenho pessoas na minha linhagem familiar nas quais você mal conseguiria acreditar — são como Rasputin e Nero juntos numa só pessoa. Como posso me tornar um cristão amável? Não tenho como. Tenho DNA dentro de mim. Tenho genes dentro de mim”.
Você quer me dizer que o Senhor não sabia disso quando o salvou? Que Ele não conhecia o DNA que há em você, os genes que você tem? Que Ele não fazia ideia de sua linhagem? Agora Ele está coçando a cabeça e dizendo: “Minha nossa, Eu não fazia ideia de que eles tinham tantos problemas. Se soubesse, nunca os teria salvado. Teria salvado outros mais simples, mais fáceis de lidar”.
Quando Deus o salvou, você era um livro aberto para Ele. Esse livro era fechado para você. Você não sabia muita coisa — talvez não soubesse nada —, mas toda a sua história, sua constituição genética, tudo o que faz de você quem você é e como você é em termos de temperamento e personalidade, cada detalhe a seu respeito é um livro aberto para o Senhor.
E você está tentando me dizer que o Senhor colocou à sua disposição uma graça tão escassa e um poder tão insuficiente que você não consegue chegar até o fim? Pense. A maioria dos cristãos não pensa. Esse é um dos maiores problemas que temos com os cristãos: eles não pensam. Entram nessa mentalidade de se sentar e ouvir, e nunca pensar de verdade.
Você quer me dizer que Deus o salvou e depois colocou à sua disposição tão pouca graça que seus problemas vão destruí-lo completamente? Que tipo de Deus é esse? Que tipo de salvação é essa? Que tipo de corrida é essa em que Deus colocou você?
É óbvio — pense —, é óbvio que, se Deus o salvou, Ele sabe tudo a seu respeito. Ele colocou à sua disposição uma graça especial, suficiente de maneira exata, precisa, para sua necessidade. Agora, se você não se apropriar dessa graça, isso não é problema de Deus. É problema seu.
Se você quer ser uma dessas eternas choramingonas — uma dessas senhoras que estão sempre dizendo: “Ah, coitada de mim, coitada de mim. Tenho isto. Tenho aquilo” —, deixe-me colocar de outra forma: um pato moribundo. Você já ouviu um pato morrer? Eles ficam gemendo: “Uh, uh”. Pobrezinhos. Muitos crentes são patos moribundos. Não chegue perto deles. São tão pessimistas. Veem tudo em cores negativas, sombrias.
Eles não estão com os olhos fixos em Jesus. É tão simples. Estão com os olhos fixos em seus problemas, em si mesmos e em todas as dificuldades e nas mil e uma outras coisas que os deixam deprimidos, desanimados e derrotados.
Graça suficiente. Vocês não acham o Senhor extraordinário? Esses são os tipos de perguntas que quero fazer a Ele: “Quer dizer, Senhor, que Tu deste ao apóstolo Paulo um mensageiro de Satanás e depois disponibilizaste graça suficiente para lidar com esse mensageiro de Satanás? Por que fizeste isso?”
O próprio apóstolo Paulo explica. Ele disse: “Recebi tanta revelação, tanto entendimento, que, para me manter humilde, o Senhor enviou um mensageiro de Satanás — um espinho na minha carne”.
Um espinho na carne pode ser uma coisa muito pequena; você consegue localizar onde está. Mas é um pouco mais do que isso, porque a palavra, na verdade, significa uma estaca — algo muito maior. Aquilo imobilizou o apóstolo. Por três vezes ele teve esses períodos de oração. Eu os chamaria de batalha em oração, em que ele sentiu que precisava entrar em guerra contra tudo aquilo, porque seu ministério estava em jogo.
Imagino que ele tenha chamado os que estavam com ele na ocasião e envolvido todos nessa questão de oração. “Vejam, precisamos resolver isso, ou estou acabado.” Graça suficiente. Você realmente acredita nisso?
Você crê que Aquele Que o salvou, Que o amou e Se entregou por você, colocou à sua disposição uma graça com seu nome escrito nela — para suas condições, suas circunstâncias e suas dificuldades particulares? Você realmente crê que ela é sua?
Toda a graça está à disposição. E não é apenas graça; todo o poder está à disposição. Quando o apóstolo estava escrevendo aquela extraordinária carta aos Efésios, disse: “Quero lhes contar o que estou pedindo por vocês em oração — o que estamos pedindo por vocês”.
Ele disse:
Oro para que os olhos do vosso coração sejam iluminados, para que saibais qual é a esperança da Sua vocação; quais as riquezas da Sua herança nos santos;
E, em terceiro lugar — ouçam:
A suprema grandeza do Seu poder.
Isso é poder — poder incomparável, poder enorme.
Falamos de energia nuclear; ela não é nada em comparação com o poder do Espírito Santo. O Espírito Santo sempre foi o agente por meio de Quem tudo veio à existência. O Pai é a fonte; o Filho — tudo foi por meio Dele, para Ele e Nele. O Espírito Santo foi, se posso dizer com reverência, o administrador, o supervisor, o agente.
É uma tragédia quando os cristãos pensam no Espírito Santo como uma coisa, como alguma força impessoal, algum poder impessoal, um mero agente. O Espírito Santo é uma Pessoa: a Pessoa do Espírito Santo.
É o Espírito Santo Quem trouxe à existência todas as coisas que vemos. Ele foi o agente disso. Foi por meio do Senhor Jesus, para o Senhor Jesus e no Senhor Jesus, mas foi o Espírito Santo Quem trouxe tudo à existência.
Ele sempre foi o agente. Ele foi o agente por meio de Quem o Senhor Jesus Se ofereceu na cruz. Pelo Espírito eterno, Ele Se ofereceu a Deus sem mancha nem defeito. Foi pelo Espírito Santo que Ele foi ressuscitado dentre os mortos, quando tudo O mantinha preso, quando todo o inferno estava mobilizado para manter Jesus no túmulo.
Foi o Espírito Santo. Querido filho de Deus, é por meio desse Espírito Santo que o Senhor Jesus habita em você. Ele é Quem torna o Senhor Jesus uma realidade em sua vida. A vida de ressurreição do Senhor Jesus, o poder de Deus, torna-se uma realidade viva em sua vida.
Há pouco orei a respeito da unção. Como conhecemos a unção? Somente na Pessoa do Espírito Santo. É por meio da obra consumada do Senhor Jesus; é por meio do Espírito Santo, pelo Espírito Santo, que essa unção se torna uma experiência real.
Graça e poder — tudo à disposição. Para mim, isso é extraordinário.
Enquanto ouvia nosso irmão Stephen nesta manhã, eu pensava nesta maravilhosa passagem de Filipenses, capítulo 2. Achei que ela expressava exatamente o que ele estava dizendo, porque estamos falando de um mistério quando falamos da nossa vontade e da vontade de Deus.
Filipenses 2:12-13 diz:
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não somente na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
Porque Deus é Quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade.
Não é uma declaração extraordinária da Palavra de Deus?
Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
Porque Deus é Quem opera em vós.
Essas duas coisas: o querer e o realizar. Pense. Você nunca poderá dizer: “Bem, Senhor, fui eu que realizei. Eu fiz”. Ele opera tanto o querer quanto o realizar, segundo Sua boa vontade.
Esse é o mistério. Mais uma vez, perdoem-me por citar T. Austin-Sparks, mas ele está agora com o Senhor, o que é muito melhor — certamente para ele. Lembro-me de ter lhe dito certa vez: “Por natureza, sou calvinista, e muitos de nossos irmãos e irmãs são arminianos em sua teologia. Você consegue, de alguma maneira, conciliar isso?”
Ele disse: “Não”. Simples assim. Ele disse: “Aceite seu livre-arbítrio e sua responsabilidade, e o poder predestinador de Deus, como as duas extremidades opostas de uma única verdade. Acontece que nossa mente é tão pequena e finita que não consegue conter as duas coisas ao mesmo tempo”.
Isso está fazendo sentido para vocês? Aqui está: se você não desenvolve sua própria salvação, Deus não opera em você. Quando, pela fé, você começa a querer fazer a vontade Dele e a querer fazer a obra Dele, então Ele opera em você tanto o querer quanto o realizar. De alguma maneira extraordinária, essas coisas se encontram.
Agora voltemos a essa questão da graça e do poder. Deus colocou toda essa graça e todo esse poder à sua disposição e à minha. Não é como se o Senhor nos tivesse colocado numa corrida e dito: “Agora vou deixar vocês se virarem sozinhos”.
É pela graça de Deus que você conquistará o prêmio, e é pelo poder do Espírito Santo que você conquistará o prêmio. Não há outro caminho. Nenhum vencedor em toda a história da obra de Deus jamais se tornou um vencedor, alguém que vence, senão pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo.
Por isso, acho tudo isso extraordinário. Não há desculpa. Sinto muito. Da próxima vez que você vier falar comigo, vou simplesmente olhar para você com aquele olhar parado. Não há desculpa. Você não tem desculpa. Eu não tenho desculpa.
Não adianta dizer: “Tenho problemas enormes. Até o Senhor é derrotado por eles”. É claro que você não diria isso, mas é isso que realmente está dizendo: “O Senhor é derrotado pelos meus problemas. Tenho uma personalidade tão difícil que Ele não sabe o que fazer com ela, e Ele não dá conta de mim”.
Você realmente se pergunta por que o Senhor o salvou, não é? Quero dizer, de verdade: por que Ele o salvou? Bem, você diz que quer entrar na glória, quer entrar no céu, como se costuma dizer, mas não tem muita certeza sobre qualquer outra coisa.
Você precisa do Senhor. Precisa dessa graça de Deus e precisa desse poder de Deus. É assim que conquistará o prêmio.
Aqui está a segunda coisa que quero destacar nesta tarde: o que nos desqualifica? Paulo disse:
Receio que, tendo sido um arauto para outros, eu mesmo venha a ser desqualificado.
É uma palavra interessante. Na minha versão, ela é traduzida como “rejeitado”: não aprovado, desqualificado. “Desqualificado” é, de fato, uma boa palavra. O que nos desqualifica? O que nos elimina da corrida? O que faz com que, mesmo correndo parte da corrida, nunca conquistemos o prêmio?
Listei apenas algumas coisas que, creio eu, nos desqualificam ou nos eliminam da corrida.
A primeira é esta: falta de objetivo — ou, colocando de outra forma, duplicidade de ânimo. Vocês perceberam como 1 Coríntios 9:26 é expresso na New American Standard?
Portanto, corro de tal maneira, não sem objetivo.
Na versão antiga era:
Não como quem corre sem rumo certo.
Você nunca conquistará o prêmio se correr sem rumo certo, sem objetivo. Não sabe muito bem o que vai fazer. Está dividido: “Devo estar nesta corrida ou não devo estar nesta corrida?”
Muitos crentes não fazem ideia do que é o prêmio, nem do que o Senhor está procurando fazer conosco. Essa é a primeira coisa: falta de objetivo.
Vocês sabem o que diz Tiago 1:7-8:
Não pense tal homem que receberá alguma coisa do Senhor;
O homem de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
Quando você tem a mente dividida, é inconstante. Se vai correr uma corrida, como Paulo diz, precisa treinar. Precisa colocar seu corpo em forma. Talvez tenha mil e um exercícios para fazer. Não há como competir numa corrida sem isso.
Se você não tem objetivo, se tem ânimo dobre, se não sabe ao certo se deve participar ou não, se não está comprometido, não conquistará o prêmio. Será eliminado da corrida.
Aqui está a segunda: Gálatas 5:7:
Corríeis bem; quem vos impediu de obedecer à verdade?
Outra razão pela qual somos eliminados da corrida é que, em algum ponto de nossa experiência espiritual, de nossa história espiritual, recusamos obedecer à verdade. Deus nunca dá revelação se você não obedeceu à iluminação anterior. Quando Deus ilumina alguma coisa, revela alguma coisa, e você não obedece, tudo para.
Essa é uma palavra severa, não é? Pensem nisso. Às vezes, o Senhor fala conosco sobre as coisas mais ridículas. Lembro-me de quando o Senhor falou comigo sobre ir ao cinema. Eu amava o cinema. Vim de um ambiente em que ninguém era salvo, e amava Charlie Chaplin e todo aquele tipo de coisa — as comédias.
No dia em que fui salvo, fui assistir a Charlie Chaplin duas horas depois da minha conversão. Não é incrível? Graças a Deus, ninguém me disse que aquilo era errado nem tentou me encaixar em algum pequeno molde que tinham para crentes puritanos.
Sou muito grato porque chegou o dia em que Deus falou comigo. Para mim, foi algo muito significativo deixar os filmes. Em nossa casa, tínhamos um bom número de atores e atrizes. Eram amigos de meu padrasto, de minha mãe e assim por diante; estavam sempre entrando e saindo. Quando o Senhor falou comigo sobre abrir mão disso, foi algo muito significativo para mim.
Abri mão, e tanta coisa dependeu daquilo. Não tenho certeza de que teria vivido algumas das experiências que vivi se não fosse por aquele pequeno ato de obediência.
Talvez eu já tenha contado essa história a vocês. Havia uma jovem — ela não era uma irmã; não era salva. Trabalhava como garçonete num conhecido restaurante local. A única reunião à qual conseguia ir era a da Mesa do Senhor. Em alguns lugares, teriam impedido que ela entrasse, mas nós não tínhamos essa atitude. Naturalmente, sempre fazíamos uma advertência e dizíamos: “Por favor, não participem da Mesa do Senhor se não pertencem ao Senhor”. Mas não há momento melhor do que agora para passar a pertencer a Ele.
Depois, ela veio até mim e disse: “Enquanto o pão estava sendo partido, vi o Senhor Jesus. Nunca tive uma experiência assim. Sei que Deus me tocou”.
Pude dizer a ela: “Agora, veja, ouça-me com atenção. Lembre-se das palavras da mãe do Senhor Jesus aos serventes”:
Fazei tudo quanto Ele vos disser.
Eu disse: “A chave da vida cristã é esta: tudo o que Ele disser, faça”.
Ela estava muito feliz. Levantou-se de onde estava ajoelhada e saiu pela porta. Enquanto saía, de repente se virou e disse: “Ah, espere, espere. Eu não vou tirar maquiagem nenhuma”.
Eu disse: “Mas quem falou de maquiagem?” “Ninguém”, ela respondeu. “Bem, eu preguei sobre isso?” “Não.” “Então por que isso veio à tona? O que a maquiagem tem a ver com ser salvo? Você pode usar batom e ser salva, e pode não usar batom e ser salva. Pode passar pó no rosto e ser salva, e pode tirá-lo e ser salva.”
Eu disse: “Por que você usa?” “Sou uma pessoa muito pálida, como você pode ver”, ela respondeu. “Não quero parecer um pato moribundo. Quero parecer viva, então ponho um pouco de cor nas bochechas e nas unhas. Não vou tirar.”
Ela explicou que havia reparado na quantidade de senhoras que não usavam batom nem pó, pois nunca tinha estado naquela reunião antes. Eu disse: “Alguém falou alguma coisa com você?” “Não.” “Então acho que isso é entre elas e Deus, e entre você e Deus.”
Então lhe disse: “Você me faz uma promessa?” Ela disse que sim — a princípio, perguntando-se o que eu queria dizer. Eu disse: “Você precisa confiar em mim”. Então ela respondeu: “Sim, vou confiar em você. Qual é a promessa?”
Eu disse: “Quero que me prometa que nunca deixará de usar maquiagem”. “Ah”, ela disse, “certamente”. Então acrescentei: “A menos que o Senhor fale com você. Se o Senhor falar com você, isso é algo entre você e o Senhor”.
Cerca de um ano e meio depois, percebi que ela estava sem maquiagem. Então fui até ela e disse: “E a promessa?” “Ah”, ela respondeu, “a promessa. Bem, eu a cumpri. Mas, recentemente, o Senhor tem falado comigo, e eu disse: ‘Sim, Senhor’”.
O interessante é que aquilo foi o início de uma dimensão inteiramente nova de experiência espiritual para ela. Vocês acreditam? Ela havia discutido e discutido com o Senhor a respeito daquilo. “Por que devo tirar? Sou jovem; algumas dessas mulheres são velhas. Faz mesmo diferença se elas usam maquiagem ou não? Quero ficar bonita. Não sou casada. Talvez eu consiga um homem em algum momento.”
Vocês sabem o tipo de coisa que os jovens pensam. Perdoem-me por falar de maneira tão direta, mas vocês sabem o que quero dizer. Ela disse que o Senhor continuou insistindo, insistindo, insistindo, e finalmente ela disse: “Está bem, Senhor, se Tu queres, vou tirar tudo”.
Foi apenas por um tempo, apenas por uns dois anos que ela deixou de usar. Mas, vejam, aquela foi sua porta de entrada para uma experiência inteiramente nova com o Senhor: obedecer à verdade.
Quando o Senhor revela algo a você, pode ser algo enorme; pode ser algo muito pequeno. Ouça e obedeça, porque a obediência tem mais valor para Deus do que qualquer outra coisa. O caminho para crescer no Senhor é obedecer ao Senhor.
Às vezes, o Senhor falará com você sobre as coisas mais ridículas, e você pensará: “Bem, fulano faz isso”. O pastor da igreja que eu frequentava quando fui salvo era um jogador de rúgbi de nível internacional, e abriu mão disso. Ele amava o esporte. Vivia para o rúgbi.
Quando ele foi salvo e o Senhor lhe disse: “Eu quero isso. Quero que você entregue isso a Mim”, ele lutou e lutou até que finalmente disse sim. Era Alan Redpath, para aqueles de vocês que conhecem o nome. Ele nunca teria se tornado o evangelista que se tornou se não tivesse entregado aquilo ao Senhor.
Isso não significa que o rúgbi seja errado. Tenho dois rapazes em casa que jogam rúgbi. Passo meu tempo em oração quando eles saem para jogar, pedindo que voltem. Um volta com o nariz quebrado, o outro com o ombro machucado, e não sei o que esperar da próxima vez. Mas isso é um comentário à parte.
O fato é que o Senhor não falou com eles. Tento compensar o fato de o Senhor não falar, mas, até agora, isso teve pouco efeito. Tudo o que posso dizer é: quando Deus falar, obedeça a Ele. Você sabe Quem está falando com você — é o Senhor.
Não discuta: “E quanto a fulano? E quanto a isto? E quanto àquilo?” Se o Senhor, Que conhece seu coração, está falando com você, você sabe. Todo mundo sabe, mesmo quando tenta fingir: “Bem, não é o Senhor. Acho que é minha imaginação”.
Obedeça à verdade. Se não obedecer, isso o tirará da corrida. Simples assim. A obra do Senhor está cheia de pedras memoriais de pessoas que um dia viveram e morreram. Ali está o nome delas. Já não respiram. Já não vivem. Tornaram-se monumentos de uma experiência passada.
Chegou um momento em que o Senhor lhes falou sobre alguma coisa, revelou-lhes alguma verdade, e elas não obedeceram.
Em terceiro lugar, a carne assumindo o controle. Em Gálatas 3:3, Paulo pergunta:
Sois assim tão insensatos? Tendo começado no Espírito, sois agora aperfeiçoados na carne?
Na verdade, o grego diz:
Acabais agora na carne?
Em outras palavras, vocês começaram no Espírito e agora estão terminando na carne. É possível começar no Espírito e terminar na carne? Muito possível.
Eu poderia apresentar muitas evidências disso em situações realmente grandes: grandes evangelistas da televisão e outros que, de alguma maneira, fizeram tanto pelo Senhor no início e depois caíram. Em sua queda, ficou claro que aquilo que começou no Espírito terminou na carne.
Muitos grandes movimentos do Espírito de Deus na história da igreja começaram verdadeiramente no Espírito, com uma extraordinária manifestação de comunhão, compreensão da Palavra de Deus, da centralidade e da supremacia do Senhor Jesus, e de tantas outras coisas — e terminaram numa instituição.
Começar no Espírito; terminar na carne. Há todo tipo de coisa que nos leva ao ponto em que, de alguma maneira, a carne finalmente assume o controle. Aquilo que um dia foi um verdadeiro caminhar com o Senhor agora é religiosidade.
Não pensem que nós, aqui, não somos capazes de nos tornar religiosos. Podemos nos tornar tão religiosos quanto algumas das antigas denominações tradicionais. Aquilo que um dia foi um caminhar com o Senhor, um caminhar no Espírito, agora se tornou algo ligado à carne.
Aqui está uma quarta coisa: Hebreus 12:1, nos versículos que lemos juntos nestes dois encontros:
Deixemos todo peso.
É assim na minha versão: todo peso. Algumas das versões mais novas dizem todo impedimento — os tipos de peso ou de coisas que sobrecarregam uma pessoa.
Essas coisas podem ser legítimas. Isso é o interessante. Esses impedimentos e pesos não são todos maus ou ilícitos. Podem ser coisas inteiramente legítimas.
Em Lucas 21:34, somos orientados a vigiar e orar, e a não permitir que a dissipação, os excessos e os cuidados desta vida assumam o controle. Os cuidados desta vida são muito reais. Na verdade, o grego diz as preocupações desta vida. “Cuidado” é uma palavra mais agradável, porque não traz consigo esse sentido negativo.
É claro que você cuida. Você deve cuidar das coisas. Se tem uma casa, uma família, um negócio, parentes e assim por diante, precisa cuidar deles. Isso é perfeitamente correto. Não há nada de ilegítimo nisso. Na verdade, é muito correto, até bíblico, cuidar dessas coisas.
Mas a palavra preocupação chega à raiz da questão: as preocupações desta vida. Em outras palavras, estamos cuidando das coisas sem descansar no Senhor, sem confiar no Senhor. Então o cuidado se torna preocupação. Quando temos essas preocupações, ficamos estressados; e, quando estamos estressados, é muito mais provável que nos envolvamos em problemas sérios.
Você não pode correr uma corrida carregando pesos. Se voltasse das compras carregado de cima a baixo com pacotes e não sei mais o quê, não poderia sair para correr. Essa corrida de que estamos falando é uma maratona. É uma corrida que dura a vida inteira, não uma pequena corrida de velocidade, rápida e logo terminada.
Esta é uma maratona. Você não pode chegar carregado de coisas. Por isso, precisamos deixar os pesos. Somente Deus pode lhe dizer qual é seu impedimento ou que peso está prendendo você. Mas as coisas que o prendem o deixam pesado. Elas o esgotam, o tornam mais lento e podem até derrubá-lo. Isso é um impedimento.
Aqui está a quinta coisa. Esta, penso eu, alcançará a todos: o cansaço. Hebreus 12:3 diz:
Considerai, pois, Aquele Que suportou tal oposição dos pecadores contra Si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas.
As versões mais novas dizem “ficar cansado”, “perder o ânimo”. Pergunto-me quantos aqui perderam o ânimo na corrida. Simplesmente ficamos tão cansados.
É interessante que não são as grandes coisas que nos desgastam; são as pequenas. Posso ilustrar isso com muita facilidade. Aqui nos Estados Unidos, tudo é feito para sua comodidade. Vocês, americanos, talvez não sintam isso, mas nós, que viemos de outros lugares, sentimos.
Posso ir ao banco aqui e resolver alguma coisa em meia hora — em menos de meia hora. Posso ir ao correio e resolver alguma coisa. Não estou falando do que acontece depois que o correio recebe a encomenda, mas quero dizer que consigo resolver rapidamente quando a levo ao correio.
De onde venho, você vai ao banco depositar cheques na própria conta, e isso leva uma manhã inteira. Você fica absolutamente esgotado, especialmente com o calor do dia. Não há esses serviços em que você é atendido sem sair do carro. Temos McDonald’s, sinto dizer, mas não temos esses serviços nem essas coisas maravilhosas feitas para sua comodidade. Certamente não temos um banco em que se possa ser atendido sem sair do carro.
Quando você vai pagar a taxa da licença de televisão, precisa entrar e ficar atrás de uma multidão barulhenta de pessoas, todas lutando para chegar a um pequeno balcão. A única maneira de conseguir é avançar devagar, e você precisa ser muito mal-educado. Precisa empurrar e abrir caminho. Deixem-me dizer: algumas dessas senhoras sabem usar os cotovelos. Não adianta ser muito inglês e ficar ali, educadamente, esperando.
Lembro-me de duas moças que vieram falar conosco. Eram enfermeiras voluntárias num dos maiores hospitais de Jerusalém. Elas me disseram: “Você acha que poderia nos ajudar?” Pensei que tivessem algum grande problema espiritual. Elas disseram: “Não sabemos o que fazer. Quando chegamos ao refeitório das enfermeiras, ficamos na fila durante dez ou quinze minutos. Quando chega nossa vez, alguém passa a mão por cima do nosso ombro e pega o que foi preparado para nós. Isso nos esgota”.
Elas disseram: “Quando vamos pegar um ônibus, ficamos ali, o ônibus chega, as portas se abrem e, de repente, todas aquelas pessoas entram, e nós não conseguimos entrar”. Então eu disse — e é um conselho muito estranho para dar a crentes: “Vocês precisam lutar. Estão morando em Israel. Somos um povo muito pouco educado. Vocês precisam lutar”.
Dois anos depois, após terem ficado ali, voltaram para tomar uma xícara de chá comigo antes de regressar para casa, em Manchester, na Inglaterra. Elas disseram: “Você poderia orar por nós?” “Sobre o quê?” Elas disseram: “Nós nos tornamos tão briguentas. Quando o ônibus chega, vamos: pá, pá, pá, pá, assim. Somos as primeiras a entrar. Quando estamos no refeitório, pegamos a comida antes de qualquer outra pessoa. Não sabemos o que as pessoas vão pensar de nós quando chegarmos em casa”.
Cansaço. Você pode estar num desses pequenos escritórios cheios de gente, todo mundo falando alto e avançando aos empurrões. Finalmente chega ao balcão e, no momento em que está prestes a ser atendido, alguém passa por cima de você e coloca o que trouxe à sua frente. Como essa pessoa tem um parente que, de algum modo, conhece o funcionário, ela é atendida. Chamamos isso de proteção.
Cansaço. São as pequenas coisas que nos desgastam. De onde venho — em Israel, em Jerusalém —, nunca encontrei alguém esgotado pelas grandes coisas: guerra, até bombas. Todo mundo pensa: “Ah, meu Deus, como vocês conseguem viver com atentados suicidas e tudo o mais?” Com bastante facilidade. A vida segue de maneira absolutamente normal. Você se acostuma. Somos como velhos cavalos de guerra: ao som de alguns estrondos, levantamos as orelhas, e só.
Mas são as pequenas coisas que nos desgastam. Assim acontece na maior parte de nossa vida: as pequenas coisas. Alguém que sempre vê tudo em cores sombrias e deprimentes. Alguém que vem ter comunhão com você e o arrasta para baixo. Reuniões que nunca chegam a lugar nenhum. Brigas que continuam entre o povo do Senhor. Essas são as coisas que tantas vezes desgastam os santos.
Ficamos cansados e perdemos o ânimo. Essa é uma maneira de sermos empurrados para fora da corrida.
Aliás, devo lhes dar outra passagem. É muito bonita: Hebreus 10:35:
Não abandoneis, pois, a vossa confiança, que tem grande recompensa.
É tão fácil, quando você começa a perder o ânimo, jogar a toalha. Você está acabado e está fora da corrida.
Em sexto lugar: o pecado que nos envolve. Hebreus 12:1 fala de:
O pecado que tão facilmente nos envolve.
Às vezes penso que, quando falamos de pecados persistentes, damos a eles uma aparência melhor do que a de outros pecados. A irritabilidade de alguém, por exemplo: “Bem, é um pecado persistente”. Mas, na verdade, todo pecado é pecado.
O significado aqui é um pecado que nos envolve — isto é, que se apodera de nós. Acho que algumas das versões modernas expressam isso melhor:
O pecado que tão facilmente nos enreda.
Aí está: o pecado que nos enreda.
Depois que você entra em algum pecado, descobre que ele é como um polvo. Tem oito braços. Você se livra de dois, e ainda tem mais seis. Livra-se de quatro, e ainda tem quatro. O pecado certamente nos desqualifica dessa maneira, e todos somos inclinados ao pecado.
Fico estarrecido com alguns dos pecados graves entre o povo do Senhor. Ouvimos falar deles em toda parte. Não sei se isso acontece por causa da nova maneira de encarar o sexo, da nova maneira de encarar o comportamento social, mas é como um enorme tsunami varrendo o povo de Deus.
Se fossem apenas pecados que pudessem ser tratados facilmente — afinal:
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Mas Satanás, às vezes, é muito mais astuto.
Ele nos leva ao tipo de pecado que nos enreda. Esse pecado nos compromete. De uma maneira ou de outra, ele nos prende, de modo que não conseguimos sair facilmente.
O fato de o Espírito de Deus dizer, por meio do escritor da carta aos Hebreus:
Deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos enreda,
significa que vocês e eu podemos deixá-lo pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo. Não há outro caminho, mas ele pode ser deixado.
Por fim, nessa questão das coisas que nos desqualificam: um espírito que não perdoa.
Vocês não acham bastante notável que, quando nosso Senhor nos deu o modelo de oração:
Pai nosso, Que estás nos céus, santificado seja o Teu nome,
Ele tenha destacado apenas uma única coisa dessa oração e a enfatizado?
Ele disse:
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará.
Mas, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.
Isso penetra em vocês? A única coisa que o Senhor enfatizou nesse extraordinário modelo:
Pai nosso, Que estás nos céus, santificado seja o Teu nome;
Venha o Teu reino;
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu;
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia;
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido;
E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.
Foi isto: “Vocês percebem o que estão pedindo?”
Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido.
Vocês estão ouvindo?
Vocês se lembram de que, mais adiante, em Mateus 18:21 em diante, o Senhor contou uma parábola — uma parábola bastante extraordinária, por causa da quantia de dinheiro de que Ele falou. Era a do servo que não perdoou. Lembram-se da história?
O Senhor disse que havia um rei que ia viajar, e ele reuniu todos os administradores e disse: “Vocês devem cuidar de tudo enquanto Eu estiver fora”. Um administrador havia recebido um empréstimo de dez milhões de dólares. O valor real disso teria sido muito maior do que o valor da prata contida nas moedas.
O rei disse: “Que toda a família dele seja vendida — seus filhos, tudo o que lhe pertence — para pagar o empréstimo”. O servo veio, prostrou-se diante dele e disse: “Senhor, perdoa-me, perdoa-me”. O rei se compadeceu e disse: “Está bem. Eu o perdoo. Não exigirei de você nem um centavo. Cancelo sua dívida”.
Mas, quando o rei partiu, esse mesmo servo encontrou outro servo, subordinado a ele, que lhe devia apenas alguns denários, o equivalente ao salário de um dia. Ele o lançou na prisão e disse que não sairia até pagar cada centavo. Quando o rei soube disso, mandou expulsar o administrador injusto.
Vocês conhecem a história. Então o Senhor disse que, se vocês não perdoarem aos homens as suas ofensas, como o Pai os perdoou, isso é o que acontecerá. Estou colocando isso em minhas próprias palavras.
Ouçam, irmãos e irmãs: se há uma coisa que, mais do que qualquer outra, nos elimina da corrida, que nos desqualifica, são nossos relacionamentos uns com os outros.
Muitos alimentam um espírito que não perdoa. Alguém disse alguma coisa, alguém os menosprezou, alguém escreveu sobre eles, alguém os apresentou de maneira falsa, e eles não conseguem deixar isso para trás. Está profundamente dentro deles, como amargura. A Palavra de Deus diz que isso é como uma raiz de amargura, que brota e contamina muitos.
Há muitas passagens sobre essa raiz de amargura: ciúme, facções, fofoca, ataques mútuos, divisões — todas essas coisas que surgem entre nós, como povo de Deus.
No primeiro caso, o Senhor estava falando de todos os homens. Alguns crentes têm a ideia de que podem ter um espírito amargo contra uma pessoa não salva que lhes roubou dinheiro ou lhes fez algum mal, e que podem alimentar esse sentimento ruim. Mas o Senhor disse:
Se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai celestial vos perdoará.
Isso é severo.
Mas, na parábola de Mateus 18:21 em diante, Ele estava falando de crentes, porque Pedro veio e disse:
Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão? Até sete vezes?
Sete, no pensamento hebraico, significa plenitude. Pedro achava que sete vezes era muito. Três vezes, talvez; sete vezes!
O Senhor disse:
Setenta vezes sete.
Isso dá quatrocentos e noventa, se minha conta estiver certa, o que talvez não esteja. Mas tudo o que sei é isto: o Senhor estava dizendo que setenta vezes sete significa ad infinitum — indefinidamente.
Cada um de nós foi perdoado. Nossa dívida foi cancelada. Qual é o preço de sua alma? Você já pensou no valor de sua alma — sua alma eterna?
Quando o Senhor o salvou, Ele morreu em seu lugar, o perdoou e cancelou seu pecado. Você consegue pensar em alguma coisa mais extraordinária?
Mas passamos nosso tempo criticando uns aos outros. Não tiramos a trave do nosso próprio olho; passamos o tempo inteiro tentando tirar o cisco do olho de nossos irmãos e irmãs. Certamente isso nos desqualifica da corrida.
Sete coisas que podem nos eliminar da corrida. Olho para meu coração: consigo perdoar? Vocês olham para o próprio coração: conseguem perdoar?
Anos atrás, achei incrivelmente difícil ir à Alemanha, porque perdi cinquenta e oito membros de minha família em Auschwitz. Toda vez que ia à Alemanha, passava meu tempo olhando para as pessoas de cabelos grisalhos. Naqueles dias, eu tinha belos cabelos bem pretos. Olhava para aquelas pessoas de cabelos grisalhos e me perguntava onde elas haviam estado naquela época.
Achei muito difícil. Levou muito tempo para o Senhor me levar ao ponto em que, mesmo entre os crentes alemães, eu pudesse estar absolutamente livre e amá-los.
Achei ainda mais difícil quando crentes me apresentaram de maneira falsa. Desculpem-me por falar de mim mesmo, mas não quero atacar vocês nem lhes dar uma pancada na cabeça. Quero que compreendam isso a partir do meu próprio coração.
Quando alguém me apresentava de maneira falsa, como fizeram tantas vezes nos primeiros dias de Hash House, dizendo que eu estava dando instrução sexual aos jovens, que estávamos adorando o diabo, que o dinheiro vinha do diabo, que tudo o que tinha a ver conosco era do diabo, eu costumava pensar: “Por que Deus não desce do céu e os fulmina?”
Eram crentes. Isso era o difícil. Comecei a me perguntar se eram realmente crentes. Hoje, algumas dessas mesmas pessoas são meus maiores guerreiros de oração.
Todos nós vamos passar a eternidade juntos. Pensem nisso. É melhor acertar as coisas agora, ou vocês podem acabar dividindo um quarto com alguém para sempre.
Não, meus queridos amigos, vocês podem confiar no Senhor para receber graça para perdoar? Podem confiar no Senhor para receber poder para usar aquelas belas palavras: “Eu perdoo você, e eu amo você”?
Há algo nas palavras que usamos. Você crê com o coração e confessa com a boca. Quando apenas diz: “Eu o perdoo, eu o perdoo”, e tudo fica silencioso e preso dentro de você, ainda há um sentido em que a questão não foi resolvida.
Mas quando, finalmente, com seus lábios, você diz: “Eu perdoo você” — agora, tenham cuidado com isso. Já sofri com isso. Pessoas vieram até mim e disseram: “Quero lhe dizer uma coisa. Você me feriu terrivelmente — e ouça, ouça —, eu perdoo você”, naquela maravilhosa maneira cristã, cheia de superioridade, de me dar uma pancada na cabeça.
Eu me senti muito, muito pequeno e disse: “Não faça isso”. Mas há lugar para dizer: “Senhor, eu os perdoo, e eu os amo”.
Se você fixar os olhos no Senhor Jesus, não terá problema algum, porque Ele suportou a oposição dos pecadores. Ele sabe tudo a respeito disso, e Ele perdoou.
Que Deus toque seu coração nesta tarde e faça algo nele. Talvez uma ou outra dessas coisas que nos eliminam da corrida explique sua condição.
Vamos orar? Vamos ficar em silêncio por um momento? Peçamos ao Senhor: “Fala ao meu coração. Há alguma coisa que preciso acertar?” Queremos conquistar o prêmio. Não é como se isso fosse reservado a uma elite de seres superiores. É para qualquer pessoa que tenha fé para confiar no Senhor.
Sonda nosso coração, Senhor, pelo Teu Espírito. Vê se há algum caminho mau em qualquer um de nós. Queremos, Senhor, estar nesta corrida e, pela Tua graça, por meio do Teu poder, queremos conquistar o prêmio.
Queremos poder dizer com o apóstolo Paulo:
Desde agora, a coroa da justiça me está guardada.
Toca nosso coração, Senhor, e faz algo nele. Onde houver pecado, ajuda-nos, por essa Tua graça e esse Teu poder, a nos libertar do enredamento. Ajuda-nos, Senhor, a sair dele.
Onde houver impedimentos ou pesos que, de alguma maneira, estejam nos fazendo perder o ânimo e nos esgotando, Senhor, ajuda-nos a enxergá-los. Opera em nosso coração, Senhor.
Onde houver um espírito que não perdoa, algo que está nos impedindo de avançar, nos amargurando, nos paralisando, Senhor, ajuda-nos a deixar isso e a poder dizer em Tua presença: “Eu perdoo, e eu amo”.
Então, Senhor, enche-nos com Teu Espírito Santo, e que a beleza do Senhor, nosso Deus, esteja sobre nós. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.