Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus.
Mas, desde os dias de João Batista até agora,
o reino dos céus é tomado pela violência,
e os violentos se apoderam dele.
Senhor, queremos Te agradecer por nos reunires aqui nesta manhã. Agradecemos pela Tua presença conosco e esperamos que Tu nos fales.
Senhor, todos estamos aqui esperando ouvir de Ti. Peço que o Teu Espírito Santo nos abra a Tua Palavra e a envie ao mais íntimo do nosso coração.
Não permitas que ouçamos apenas com os ouvidos, mas, Senhor, abre o nosso entendimento, para que a Tua Palavra caia em boa terra e produza fruto para Ti, a cem por um. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Agora, mais uma vez, gostaria que vocês se unissem a mim em meditação. Precisamos meditar na Palavra de Deus — não apenas lê-la ou ouvi-la, mas ponderar sobre ela diante do Senhor e permitir que a Palavra de Deus realmente nos seja aberta e penetre profundamente em nosso coração.
Antes de meditarmos juntos nesta manhã, gostaria de esclarecer um ponto. Como vocês sabem, estamos falando sobre o reino de Deus, o evangelho do reino.
Irmãos e irmãs, precisamos lembrar que o evangelho de Jesus Cristo é um só. Não há outros evangelhos. O apóstolo Paulo afirma isso de maneira muito enfática em Gálatas: se alguém pregar outro evangelho, de outra natureza, seja amaldiçoado, porque há apenas uma boa-nova, e essa boa-nova é o próprio Senhor Jesus.
Mas o nosso Senhor Jesus é tão pleno, tão rico. Assim, quando abrimos o Novo Testamento, encontramos quatro Evangelhos: o Evangelho segundo Mateus, o Evangelho segundo Marcos, o Evangelho segundo Lucas e o Evangelho segundo João.
Isso não significa que temos quatro evangelhos. Há apenas um evangelho. É o evangelho de Jesus Cristo. Mas o nosso Senhor Jesus é tão rico que precisamos olhar para Ele de diferentes ângulos.
No Evangelho de Mateus, Ele nos é apresentado como Rei; em Marcos, como Servo; em Lucas, como o Homem perfeito; e em João, como Deus perfeito.
Quando examinamos a natureza do evangelho de Jesus Cristo, descobrimos que ele tem vários aspectos diferentes. O Evangelho de Mateus revela o evangelho do reino, o reino de Deus. O Evangelho de Marcos nos mostra o evangelho do serviço — como devemos servir como servos de Deus.
O Evangelho de Lucas nos mostra o evangelho da graça — como a graça de Deus chegou até nós por meio do nosso Senhor Jesus. O Evangelho de João nos mostra o evangelho da vida, a vida eterna de Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, vocês percebem que o evangelho do reino não é outro evangelho, de outra natureza. É outro aspecto do mesmo evangelho: o evangelho de Jesus Cristo.
A maioria dos crentes está familiarizada com o Evangelho de Lucas. Conhecemos Cristo Jesus como nosso Salvador; recebemos a remissão dos nossos pecados. É a graça que vem do nosso Senhor Jesus.
Mas, infelizmente, muitos dentre o povo de Deus não conhecem o evangelho do reino — que o nosso Senhor Jesus é mais do que Salvador para nós. Ele é o nosso Rei. O que significa Ele ser o nosso Rei? Como é que estamos no reino de Deus?
É por isso que precisamos meditar mais no evangelho do reino. Nesta manhã, espero que vocês não estejam aqui apenas ouvindo, mas que se unam a mim em meditação. Vamos concentrar nossa meditação em apenas um versículo: Mateus 11:12.
Mas, desde o tempo de João Batista até agora,
o reino dos céus é tomado pela violência,
e os violentos se apoderam dele.
Aqui nos deparamos com uma nova expressão: o reino dos céus. Antes, mencionamos o reino de Deus. Onde quer que Deus governe e reine, ali está o Seu reino. Portanto, o Seu reino existe de eternidade a eternidade.
Mas, falando estritamente, o que é o reino de Deus? O reino de Deus é composto por aqueles que se colocam sob o governo de Deus. Em outras palavras, Deus governa sobre todos, mas há pessoas que são rebeldes.
Aqueles que estão verdadeiramente no reino de Deus são obedientes, submissos e rendidos, pois se colocam sob o governo de Deus. Esses estão realmente no reino de Deus.
Mas aqui a Escritura nos dá outra expressão: o reino dos céus. Essa é uma expressão nova em toda a Bíblia. Talvez vocês encontrem algo semelhante em Daniel 4:26:
Os céus dominam.
Esse é o reino dos céus.
A única outra passagem no Novo Testamento, além de Mateus, é 2 Timóteo 4:18. O apóstolo Paulo disse que Deus o livraria de toda obra maligna e o preservaria para o Seu reino celestial. Essas são as únicas duas passagens que se aproximam dessa expressão, “reino dos céus”.
O reino dos céus é uma expressão usada exclusivamente por Mateus. Em Mateus, vocês a encontram muitas vezes. Alguns dizem trinta e duas vezes, outros dizem trinta e três. Mas, de qualquer maneira, é uma expressão usada principalmente no Evangelho segundo Mateus.
Agora, gostaríamos de fazer uma pergunta: Deus não é o Deus dos céus e da terra? Se Ele é o Deus dos céus e da terra, então por que é necessário mencionar especificamente o reino dos céus?
Vocês se lembram da história do cativeiro babilônico dos filhos de Israel. A Bíblia diz que Deus é o Deus dos céus, mas, durante aquele período, Ele não é chamado de Deus dos céus e da terra.
Por quê? Porque, durante aquele período, Ele não tinha representação na terra. Até os filhos de Israel, que deveriam representar Deus na terra, estavam em cativeiro. Eles falharam em seu testemunho.
Pelo que a Palavra apresenta, é como se Deus tivesse Se retirado de volta para o céu. Ele já não estava na terra. Ele não tinha um nome na terra, porque Jerusalém havia sido destruída. O lugar onde Ele havia colocado o Seu nome fora destruído.
Durante aquele período, vocês se lembram, Ele é sempre mencionado como o Deus dos céus, e nunca como o Deus da terra, embora Ele o seja.
Depois que o remanescente voltou, eles reconstruíram o templo. No entanto, irmãos e irmãs, vocês percebem que muito rapidamente eles se degeneraram. Muito rapidamente se afastaram de Deus.
Exteriormente, ainda mantinham uma aparência. Tinham um templo reconstruído; tinham o sacerdócio servindo; tinham a lei de Deus em seu meio; e até tinham fariseus e escribas especializados na letra da lei. Contudo, no que diz respeito à sua condição espiritual, haviam se afastado de Deus.
Vocês se lembram do último livro do Antigo Testamento, o livro de Malaquias. Ali, Deus tinha uma contenda com o Seu povo. Seu povo estava em cegueira e trevas. Eram insensíveis ao amor de Deus.
Eles profanavam a Sua mesa. Desprezavam o Seu nome. Violavam a Sua aliança. Roubavam de Deus o que Lhe era devido. Qual era a condição dos filhos de Israel, o chamado povo de Deus na terra, que deveria representar Deus na terra? Que fracasso!
A última palavra de Deus ao Seu povo foi:
Tornai para Mim, e Eu tornarei para vós.
Depois que Deus falou essa palavra, Ele permaneceu em silêncio por quatrocentos anos. Não houve palavra do céu para a terra.
Mas, depois de quatrocentos anos, de repente Deus voltou a falar. João Batista começou a proclamar a Palavra de Deus no deserto, e as pessoas acorriam ao deserto para ouvi-lo.
Sua mensagem era:
Arrependei-vos; porque é chegado o reino dos céus.
Os filhos de Israel precisavam se arrepender — mudar de direção. Não apenas fazer uma pequena correção, mas dar uma volta completa, porque sua direção estava errada. Estavam seguindo na direção errada. Precisavam voltar, retornar a Deus, e então Deus retornaria a eles.
Mas Deus lhes deu uma nova razão para o arrependimento. A razão para o arrependimento era que o reino dos céus havia se aproximado.
Em outras palavras, é como se Deus dissesse: “Vocês podem continuar no próprio caminho, se quiserem, mas lembrem-se: o tempo mudou. O reino dos céus está se aproximando, e, se vocês não se arrependerem e mudarem de direção, não terão parte alguma no reino dos céus”.
Então, vocês percebem que aqui o arrependimento se fundamenta no reino dos céus. É claro que sabemos o que é arrependimento. Precisamos nos arrepender do que fizemos de errado. Mas aqui vocês descobrem que precisam se arrepender porque algo bom, excelente e perfeito está vindo.
Essa é uma nova razão para o arrependimento. Não pensem que vocês são bons o suficiente. Precisam se arrepender porque, quando o reino dos céus chegar, a bondade de vocês não será suficiente para entrar nele.
Vocês precisam mudar completamente o seu rumo, mudar o seu coração, circuncidar o seu coração e retornar a Deus. Então haverá esperança para vocês.
A primeira coisa que precisamos considerar é esta: o que se entende por reino dos céus? Ele é diferente do reino de Deus ou é o mesmo? Se é o mesmo, por que usar uma expressão diferente?
Mencionamos anteriormente que reino, no sentido bíblico, significa básica e primariamente realeza. Em outras palavras, é o governo do Rei — não apenas em um sentido exterior, mas no sentido de que todos os que estão sob a Sua realeza e sob o Seu governo começam a assumir o caráter do Rei.
Portanto, o reino é a expressão coletiva do próprio Rei. Ele expressa a Sua natureza e o Seu caráter em um povo, e esse povo se torna semelhante a Ele. Isso é o reino.
O reino de Deus se refere às pessoas que estão sob o Seu governo. Elas assumem o caráter de Deus. São semelhantes a Deus. Deus pode expressar a Si mesmo por meio dessas pessoas; portanto, elas são o Seu reino.
O que, então, se entende por reino dos céus? Significa que o céu governa sobre esse povo. Esse povo está sob o governo do céu, e o céu começa a se manifestar em sua vida. Eles vivem uma vida celestial na terra. Então estão no reino dos céus.
O reino dos céus e o reino de Deus coincidem em alguns pontos, mas não em todos os períodos. O reino de Deus existe de eternidade a eternidade.
Mesmo no sentido mais estrito, de eternidade a eternidade nunca faltam pessoas ou anjos que se colocam completamente sob o governo de Deus, apesar da rebelião. Portanto, o reino de Deus existe de eternidade a eternidade.
Mas o reino dos céus é uma parte do reino de Deus. Nesse período específico, as expressões são intercambiáveis. Porém, fora desse período, vocês descobrirão que o reino de Deus é maior do que o reino dos céus.
Dito de maneira bem simples, o reino dos céus começou com a primeira vinda do nosso Senhor Jesus. Aquele que está no céu veio a esta terra. Ele trouxe o céu à terra para estabelecer o Seu reino nesta terra.
Na primeira vinda do nosso Senhor Jesus, o reino dos céus começou; e ele termina com a Sua segunda vinda, quando Ele virá e estabelecerá o Seu reino nesta terra. O reino milenar é o reino dos céus em manifestação.
Portanto, irmãos e irmãs, tenham em mente que o reino dos céus é uma parte do reino de Deus que começa com a primeira vinda de Cristo e termina com a Sua segunda vinda.
Por que ele é chamado de reino dos céus? Porque Aquele que estava no céu desceu à terra. Ele trouxe o céu à terra.
Vocês se lembram do que o nosso Senhor Jesus disse: Aquele que estava no céu veio a esta terra e, ainda assim, continuava no céu. Ele trouxe o céu Consigo. Ele viveu uma vida celestial.
“Pai nos céus” — esse é o tema do reino dos céus.
Quando João Batista começou a pregar, ele disse:
Arrependei-vos; porque o reino dos céus se aproximou.
Em outras palavras, estava vindo; estava perto, mas ainda não havia chegado.
Naquele tempo, o nosso Senhor Jesus estava na terra, mas ainda não havia sido manifestado. Ele permanecera oculto em Nazaré durante trinta anos.
João Batista começou seu ministério seis meses antes do ministério do nosso Senhor Jesus. Assim, quando proclamava o reino dos céus, não podia dizer que o reino dos céus estava aqui. Ele dizia que havia se aproximado, porque o Rei ainda estava oculto. Ele era desconhecido. Ainda não havia Se manifestado.
Mas, como estava perto, era necessário haver preparação para o Rei. Essa preparação era o arrependimento. A única preparação para o Rei dos céus é o arrependimento.
Muitas vezes pensamos no arrependimento como algo para os incrédulos. Mas, irmãos e irmãs, os filhos de Israel, que deveriam ser o povo de Deus, precisavam se arrepender. Hoje, até nós, que cremos no Senhor Jesus, precisamos nos arrepender.
Talvez não seja por razões más, negativas — embora, infelizmente, também precisemos nos arrepender por razões negativas. Mas, além disso, precisamos nos arrepender por uma razão positiva: pelo Rei, pelo reino dos céus.
Porque nossa vida na terra não parece estar de acordo com o reino celestial, precisamos nos arrepender.
Desde os dias de João Batista até agora — irmãos e irmãs, João começou seu ministério provavelmente por volta do ano 27 d.C. Seis meses depois, o nosso Senhor Jesus foi batizado e então começou a ministrar.
Quando soube que João Batista estava preso, por volta do ano 28 d.C., o nosso Senhor Jesus começou Seu ministério público na Galileia. Ao começar Seu ministério público, Ele disse a mesma coisa que João Batista:
Arrependei-vos; porque é chegado o reino dos céus.
Por que foi assim? O Rei agora havia Se apresentado. Pensaríamos que Ele diria: “Arrependam-se, porque o reino dos céus está aqui”. Não, Ele disse que o reino dos céus havia se aproximado.
Por quê? Porque o Rei estava aqui — mas onde estava o Seu reino? Quem eram aquelas pessoas que haviam se colocado sob a Sua realeza? Quem eram aquelas pessoas que começavam a assumir o caráter de Cristo? Dito de outra maneira, onde estavam os Seus discípulos?
Um rei sem um povo não tem um reino. Assim, embora Ele fosse o Rei, Sua mensagem ainda era que o reino dos céus havia se aproximado.
Mas, quando chegamos a Mateus 11, João Batista estava preso, e isso foi por volta do ano 29 d.C. Logo ele seria decapitado. Ele enviou discípulos para acompanhar Jesus, porque sua fé estava sendo provada.
Ele não havia perdido sua fé no Messias, em Jesus, mas começou a se perguntar. Então enviou seus discípulos a Jesus e disse:
És Tu Aquele que esperamos, ou devemos esperar outro?
João Batista havia dado um testemunho tão maravilhoso a respeito do nosso Senhor Jesus — tão seguro e tão claro:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
Ele disse: “Vi o Espírito descer sobre Ele e permanecer sobre Ele, e me foi dito que Ele é o Filho de Deus”. João Batista também disse:
É necessário que Ele cresça, mas que eu diminua.
Um testemunho tão claro.
No entanto, ele foi provado ao extremo na prisão. Aquele de Quem ele testemunhara parecia não Se importar. Por que Ele fazia todos esses milagres pelas pessoas e não por mim? João quase se escandalizou.
Quando o Senhor Jesus ouviu isso, disse: “Contem a João o que estou fazendo. Sim, Eu abro os olhos dos cegos, faço os aleijados andar, prego o evangelho aos pobres e ressuscito os mortos. Estou fazendo isso, mas não o fiz por você. Você vai se escandalizar?”
“Eu trato você de maneira especial. Sei que você é capaz de suportar isso. Você não vai se escandalizar por Minha causa. Sua certeza é suficiente? Você permanecerá fiel até o fim?”
Foi durante esse período que o nosso Senhor Jesus disse:
Desde os dias de João Batista até agora,
o reino dos céus é tomado pela violência,
e os violentos se apoderam dele.
Durante aquele período específico, houve uma mudança. Em vez de se dizer: “O reino dos céus se aproximou”, o reino dos céus agora estava aqui. Por quê? Porque, naquele momento, o Senhor já tinha os Seus discípulos.
O que significa ser Seu discípulo? O que significa ser um discípulo de Cristo? Ser um discípulo de Cristo significa que você se colocou completamente sob o Seu governo.
Você permite que Ele o ensine. Permite que Ele o mude. Permite que Ele o transforme. Permite que o Seu caráter seja gravado e implantado em você. Isso é discipulado.
Os discípulos de antigamente eram diferentes dos alunos de hoje. Os alunos de hoje vão à escola, procuram um professor, ouvem aulas e tentam absorver tudo o que o professor sabe. E é só isso.
Eles não aprendem com o professor a sua vida, o seu modo de agir ou o seu caráter. Isso não importa. Tudo é impessoal.
Mas, antigamente, um discípulo era diferente. Se você quisesse aprender um ofício, precisava deixar sua casa. Precisava morar com seu mestre. Você se tornava parte da família do mestre.
Você morava ali e talvez, durante o primeiro ano, ele nem sequer lhe falasse sobre o ofício. Você fazia diferentes tarefas na família: varria o chão, ajudava a cuidar dos bebês, servia ao mestre como um servo.
Mas, aos poucos, ele permitia que você tocasse nas ferramentas e lhe contava alguns segredos. Ao longo dos anos, você aprendia mais do que um ofício. Você conhecia o seu mestre.
Você começava a falar como ele, pensar como ele, andar como ele e adotar seu modo de agir — não apenas sua habilidade, mas sua vida. Isso é discipulado.
O nosso Senhor Jesus havia chamado alguns para serem Seus discípulos. Chamou Pedro, André, João, Tiago, Filipe, Natanael e Mateus. Essas pessoas começaram a deixar tudo, permanecer com Ele e aprender dEle.
Aqui vocês percebem que Ele já tinha o Seu reino. Ele tinha um povo que estava absolutamente sujeito a Ele.
E o “agora” começa naquele momento e continua até hoje. Ainda estamos no “agora”. O reino dos céus está aqui agora.
Ele não pode ser percebido a olho nu. Ainda está oculto no mundo, mas está aqui. Onde quer que haja pessoas que se coloquem sob o governo absoluto do Rei dos céus, o céu começa a aparecer em sua vida.
Graças a Deus.
Quando cremos no Senhor Jesus, recebemos mais do que apenas o perdão pessoal. Algo muito maior foi realizado quando fomos salvos.
Quando fomos salvos, quando cremos no Senhor Jesus, embora não soubéssemos muito — nós O conhecíamos apenas como nosso Salvador e não O conhecíamos como nosso Rei —, ainda assim Deus já havia feito algo por nós.
Colossenses 1:13 diz:
O Qual nos libertou do poder das trevas,
e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
O que é o reino do Filho do amor de Deus? É o reino dos céus, porque o Filho do amor de Deus veio do céu. Ele trouxe o céu à terra e estabelecerá o Seu reino na terra.
Portanto, quanto à nossa posição, irmãos e irmãs, todos estamos no reino dos céus. Mas o reino dos céus nos acolheu — nós nos apoderamos do reino?
Quanto à nossa posição, todos estamos no reino dos céus. Mas, quanto à nossa condição, à nossa experiência, estamos realmente vivendo sob o governo do céu?
Ainda vivemos nossa velha vida? Ainda seguimos o caminho do mundo? Conseguimos realmente andar por um caminho celestial?
Embora sejamos um povo celestial na terra, estamos vivendo uma vida celestial? Quem está governando nossa vida? O caráter de Quem está começando a se formar em nós e a se manifestar por meio de nós?
Irmãos e irmãs, essas são perguntas sobre as quais devemos meditar. Devemos ponderá-las, refletir sobre elas, colocar-nos à luz do céu e permitir que essa luz nos ilumine.
O reino dos céus está aqui agora, mas quem se apodera dele? O nosso Senhor Jesus disse que o reino dos céus é tomado pela violência, e os violentos se apoderam dele.
Essas são palavras fortes. Examinei muitas versões diferentes, tentando descobrir se havia palavras mais suaves, mais brandas, mais amáveis, mais fáceis. Mas, infelizmente, não consegui encontrá-las.
Elas podem ser expressas de maneiras diferentes. Algumas versões dizem “violência”; outras dizem “força”. Algumas dizem “violentos”; outras dizem “vigorosos”. Algumas dizem que o reino dos céus é tomado de assalto, e os que o desejam ardentemente se apoderam dele.
Em outras palavras, todas essas são palavras fortes — palavras de combate. Tomem-no. Ataquem-no. Assim como vocês tomam uma cidade, tomam uma fortaleza, vocês a atacam. Empregam toda a sua força para se apoderar dela, para conquistá-la.
Irmãos e irmãs, o reino dos céus não é tomado por quem fica sentado, sem fazer nada, esperando ser levado para dentro dele. É assim que o povo de Deus pensa, mas isso não acontecerá.
Ele deve ser tomado pela violência, e os violentos se apoderam dele. Por que é assim?
É fácil ir para o céu? Sim. Você não precisa fazer nada. Você é levado para o céu. Tudo é graça. Mesmo que tente fazer alguma coisa, isso pode prejudicá-lo. É melhor que você não faça nada. Apenas confie no Senhor Jesus Cristo.
Mas o reino dos céus é diferente. Ele precisa ser recebido; precisa ser tomado. Se você não fizer isso, ele lhe escapará.
Por quê? Creio que há duas razões.
Uma delas é uma razão positiva. O reino dos céus é tão precioso. É um prêmio de valor imensurável. Por ser tão precioso, ele custa caro. Não é barato.
É algo pelo qual você precisa pagar um preço para se apoderar dele. O nosso Senhor Jesus não é tão precioso? Então, para conquistá-Lo, para ganhá-Lo, há algo que você precisa fazer.
O reino dos céus não é tão precioso que você precisa pagar um preço por ele? Não há evangelho barato nem graça barata.
A graça deve nos dar coragem para tomar posse da vida eterna. Essa é a atitude que devemos ter. Queridos irmãos e irmãs, não podemos nos dar ao luxo de ser complacentes. Não podemos nos acomodar e levar tudo com tranquilidade, como se isso fosse simplesmente cair em nossas mãos.
Não. Vocês precisam tomá-lo. Precisam se apoderar dele. Precisam entrar nele como quem toma uma fortaleza de assalto. Precisam pagar um preço por ele, porque é tão precioso.
Vocês percebem quão precioso é o reino dos céus? Percebem a glória de ser semelhantes a Cristo? Percebem a glória de sofrer com Ele, para que possamos reinar com Ele?
Isso não é algo tão glorioso, tão belo, tão atraente, que vocês estão dispostos a pagar qualquer preço para alcançá-lo? Esse é o reino dos céus.
Do ponto de vista negativo, o reino dos céus é tão diferente do reino deste mundo. Tudo é diferente: regras diferentes, lei diferente, modo de agir diferente, critérios diferentes, padrão diferente. Tudo é diferente.
Como tudo é diferente do que há na terra, vocês enfrentam oposição, resistência e perseguição. Há leis de oposição que precisam vencer — não apenas as tentações do mundo.
Acima de tudo, vocês precisam vencer a si mesmos, porque somos tão egoístas, tão mundanos, tão carnais. Nossos pensamentos, nossas emoções, nossas opiniões — tudo está contaminado pela terra, pelo eu, pela carne.
Todas essas coisas são contrárias ao que é o reino dos céus, e essas oposições precisam ser vencidas.
É por isso que o nosso Senhor Jesus disse:
Se alguém quiser vir após Mim,
negue-se a si mesmo,
tome a sua cruz,
e siga-Me.
A menos que você negue a si mesmo, tome a sua cruz e O siga, não é digno de ser Seu discípulo.
O reino dos céus não é para covardes. É para aqueles que têm um coração forte. Na Bíblia, repetidas vezes, lemos:
Fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Sede corajosos.
Portai-vos como homens.
Irmãos e irmãs, ele não é para os fracos. Não podemos nos dar ao luxo de ser assim.
Por essas duas razões, o reino dos céus precisa ser tomado pela violência. Mas, queridos irmãos e irmãs, isso se refere a uma violência celestial, não a uma violência terrena.
Já vimos violência suficiente na terra — ser violento com os outros e bondoso consigo mesmo. Mas essa violência celestial é violência contra si mesmo e bondade para com os outros.
Vocês estão exercendo violência contra si mesmos? Por que nossa vida cristã é tão fraca? Uma pequena coisa muda nosso rumo. Por um motivo pequeno, podemos deixar Deus para trás. Por quê? Não exercemos violência contra nós mesmos.
Olhem para o nosso Senhor Jesus. Sua vida na terra foi a vida do Homem celestial, o Homem que trouxe o céu à terra. Ele era tão diferente, inteiramente diferente do mundo.
Ele era diferente não apenas do que havia de pior, mas também do que havia de melhor. Ele pensava de maneira diferente, falava de maneira diferente, agia e reagia de maneira diferente, trabalhava de maneira diferente e via as coisas de maneira diferente.
Por ser diferente, Ele foi incompreendido, rejeitado, perseguido e crucificado. O mundo não era digno de tal Homem.
Irmãos e irmãs, esse é o Rei do reino dos céus.
Olhem para Paulo. Assim que teve um encontro com o Senhor ressurreto, ele entregou sua vida ao Senhor. Passou a ter uma vida mais fácil? Não.
Como ele sofreu! Ele nos disse que subjugava o seu corpo e o reduzia à servidão, para que seu corpo não tivesse domínio sobre ele, mas para que ele fosse senhor do seu corpo. Nós fazemos isso?
Para ganhar a Cristo, ele abandonou tudo e considerou tudo como refugo, a fim de ganhar a Cristo. Como ele prosseguia em direção ao alvo para conquistar o prêmio!
Irmãos e irmãs, sim, Paulo estava se apoderando do reino. Nós estamos fazendo isso?
Nossa vida cristã é fácil demais. Não nos empenhamos. Não somos diligentes. Não estamos pagando preço algum.
Vocês acham que poderão entrar no reino quando ele for manifestado publicamente na segunda vinda do nosso Senhor Jesus? Acham que estamos qualificados para governar com Cristo por mil anos?
Irmãos e irmãs, a verdade custa caro. Não é fácil.
Se prosseguirmos, estaremos na glória quando Ele voltar. Se não prosseguirmos, quando o Seu reino for manifestado publicamente na terra, seremos lançados nas trevas exteriores, como diz a Bíblia. Embora sejamos salvos, talvez sejamos salvos por pouco.
Por um lado, precisamos ser advertidos. O tempo está próximo. Ainda temos uma oportunidade. Entreguem sua vida ao Senhor. Deixem que Ele tenha governo absoluto sobre vocês.
Vocês descobrirão que há tantas lições que precisam aprender. Vocês serão humilhados, humilhados além de qualquer medida. Mas, graças a Deus, se nos humilharmos sob a poderosa mão de Deus, no devido tempo Ele nos exaltará.
Portanto, vamos nos encorajar, em vez de desanimar. Deus os abençoe.
Querido Senhor, Tu sempre nos levas a sério. Por isso, sacrificaste a Tua vida por nós. Peço que nos capacites a levar a sério o nosso compromisso Contigo.
Então estaremos dispostos a colocar tudo no altar para Ti. É para o Teu prazer, ó Senhor.