Vamos abrir primeiro em Provérbios 29:18 e ler a primeira frase:
Onde não há visão, o povo abandona a disciplina.
Vamos ler também Hebreus 11:9-16:
Pela fé, peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; Porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor. Pela fé, também a própria Sara recebeu poder para conceber, mesmo tendo passado da idade, por considerar fiel Aquele Que lhe havia feito a promessa; Por isso também de um só, e esse já como morto, nasceram tantos em multidão como as estrelas do céu e como a areia inumerável que está à beira-mar. Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas tendo-as visto e saudado de longe, e tendo confessado que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que dizem tais coisas demonstram que buscam uma pátria. E, se de fato se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial: por isso Deus não Se envergonha deles, de ser chamado seu Deus; porque lhes preparou uma cidade.
Amém. Vamos ter mais um momento de oração.
Pai, nós Te agradecemos. Nós Te louvamos. Tu és Aquele Que fala, mesmo enquanto aprendemos. Obrigado, porque o Teu prazer é revelar o Teu Filho em nosso coração.
Pedimos que tenhamos a atitude correta diante da Tua Palavra. Que permaneçamos com temor e tremor diante da Tua Palavra.
Dizemos que a Tua Palavra é viva e eficaz; por isso, nós nos colocamos na posição correta diante da Tua Palavra.
Nesta noite, por meio do Espírito Santo, usa a Tua Palavra. Envia a Tua Palavra ao nosso coração. Revela-nos uma compreensão verdadeira daquilo que Tu estás nos dizendo.
Por meio da Tua própria obra em nosso coração, que possamos entrar plenamente na Tua Palavra. Permite que permaneçamos sob a Tua Palavra, para que a Tua obra seja de fato realizada.
Nós Te damos todo o louvor. Nós Te damos toda a glória. Em nome de Cristo. Amém.
O que vamos compartilhar a cada manhã diz respeito a essa questão da visão. Salomão nos diz em Provérbios 29:18:
Onde não há visão, o povo abandona a disciplina.
Isso nos mostra como a visão é importante para nós. Não pensem que podemos continuar vivendo sem visão.
Se não há visão, perdemos todo o controle necessário. A Escritura diz que, sem visão, o povo abandona a disciplina. Precisamos que a visão nos governe.
Sem visão, não há como estarmos unidos ou termos um só coração, porque não temos um centro. Algumas traduções dizem:
Sem visão, o povo perece.
Na vida espiritual, a visão é absolutamente necessária. A visão dá sentido à nossa vida. Se não há visão, não há sentido para viver.
A visão também nos dá propósito. A visão nos dá direção. A visão nos dá força, para que possamos nos apoiar nessa força e seguir adiante.
A visão nos capacita a perseverar e a ser pacientes. Caso contrário, quando encontramos dificuldades, fracassamos e recuamos. A visão nos dá disciplina, para que possamos nos cingir e seguir adiante.
Queridos irmãos e irmãs, na vida espiritual, a visão é indispensável. Louvado seja Deus, nosso Deus é um Deus de visão. Deus é Aquele Que tem prazer em revelar a Si mesmo.
Quando Deus Se revela a nós, recebemos uma visão. Na vida de Abraão, foi o Deus da glória Quem primeiro Se revelou a ele. Essa revelação do Deus da glória foi o início da vida espiritual de Abraão.
Antes de essa revelação chegar a Abraão, podemos dizer que ele tateava nas trevas. Mas, louvado seja Deus, Deus viu o que havia em seu coração. Ele tinha um anseio pela verdade, e a graça de Deus veio sobre ele.
O Deus da glória apareceu a Abraão na terra dos caldeus e Se revelou a ele. Antes disso, Abraão não conhecia a Deus. Ele não tinha um relacionamento direto com Deus.
Em seus pensamentos, reconhecia que devia existir um Deus da criação, diferente de todos os ídolos que via ao seu redor. Mas não tinha contato direto com esse Deus.
A menos que Deus Se revele a nós, não há como verdadeiramente conhecê-Lo. Mas essa foi a experiência de Abraão. Porque a glória de Deus lhe foi revelada, ele recebeu uma visão.
A visão é uma manifestação. A visão é Deus revelando a Sua glória a nós.
No começo, talvez seja apenas um pouco. Mas, com o passar do tempo, essa visão se amplia, e vemos verdadeiramente o que está no coração de Deus.
Descobrimos o que realmente está no coração de Deus para nós. Começamos a ver o propósito que Ele estabeleceu antes da fundação do mundo.
Se crermos e obedecermos, essa visão se torna mais clara e penetra mais profundamente em nós. É isso que encontramos na vida de Abraão. Foi assim que Deus trabalhou na vida de Abraão, e é assim que Ele trabalhará com cada um de nós.
Ontem compartilhamos sobre o que é a visão e o que estava incluído na visão que Abraão recebeu. No começo, era muito simples: o Deus da glória apareceu a Abraão.
Então Abraão deixou sua própria terra e seus parentes, e foi para onde Deus queria que ele fosse.
Quando Deus Se revela a nós, não há como permanecermos onde estávamos antes. Precisamos deixar aquilo que pertence ao passado.
Precisamos deixar nossa própria casa e nossos parentes. Deus nos introduzirá em um novo relacionamento: há um relacionamento do qual saímos, e há Aquele em Quem passamos a estar.
Quando Abraão recebeu essa revelação, não tinha ideia de para onde deveria ir. Deus não lhe disse tudo de uma vez, mas o estava guiando, assim como a coluna de fogo e de nuvem guiava os israelitas.
Passo a passo, Deus o conduziu ao lugar onde queria que ele estivesse. Portanto, quando Deus Se revela a nós, Ele faz a mesma obra com cada um de nós.
Não é possível permanecermos onde estávamos antes. Não podemos permanecer nos antigos relacionamentos que tínhamos.
Precisamos permitir que essa visão nos separe do passado e nos conduza àquilo que Deus quer que sejamos. Em outras palavras, Deus quer nos trazer para Si mesmo.
Ele quer nos conduzir à Sua própria glória. Ele nos conduzirá ao Seu glorioso propósito.
Quando a visão vem a nós, ela traz consigo um chamado, porque a própria natureza da visão é um chamado.
Quando o Deus da glória apareceu a Abraão, este chamado veio a ele: “Você precisa deixar sua própria terra, precisa deixar seus parentes e precisa ir para onde Eu quero que você vá”.
Toda visão é sempre um desafio. Ela nos desafia. Por um lado, ela nos diz que devemos deixar para trás tudo o que é terreno. Precisamos abandonar as antigas tradições e as antigas rotinas.
Mas Deus quer nos conduzir àquilo que é celestial e espiritual. A visão nos ajuda a ser libertos daquilo que é terreno e nos introduz naquilo que é celestial.
A visão nos liberta do velho homem e nos introduz em tudo o que pertence a Deus. Louvado seja Deus.
Abraão saiu pela fé. A única maneira de respondermos à visão é pela fé. Se não há fé, não temos como prosseguir.
Deus tem prazer em Se revelar a nós. Ele tem prazer em nos desvendar o Seu coração. Mas isso não significa que, quando vemos ou ouvimos alguma coisa, já a possuímos.
Precisamos ter cuidado nesse ponto. Muitas vezes, quando Deus nos revela algo e nos ilumina, e passamos a ver algo Dele, presumimos que já o possuímos.
Ainda não o possuímos. Não podemos sequer dizer que já entramos na realidade daquilo.
Quando Deus nos dá uma visão, ela é um chamado. Se houver incredulidade e desobediência, o chamado desaparecerá, e permaneceremos onde estávamos antes.
Falando com rigor, isso nos causa grande dano. Deus já Se revelou, mas não há resposta da nossa parte. No fim, isso se torna o nosso julgamento.
Portanto, precisamos permanecer com temor e tremor diante da Palavra de Deus. Não podemos tratar Deus com leviandade.
Quando Deus nos dá uma visão, precisamos crer e obedecer. Então entramos nessa visão. É isso que encontramos na vida de Abraão.
Às vezes, Deus nos ilumina e nos dá uma revelação. Ele nos permite ver algo que nunca havíamos visto antes, e é como se fôssemos elevados aos céus.
Então presumimos que já estamos no terceiro céu. Mas a fé envolve obediência. Você não pode dizer: “Eu creio”, quando não há obediência.
Se alguém diz que tem fé, mas há desobediência, não há fé. Se você tem fé, precisa obedecer e agir.
Quando Abraão recebeu essa visão, ouviu o chamado e desejou obedecer. Ele creu e também desejou obedecer.
Embora, no começo, por causa da fraqueza de sua carne, ele tenha cedido. Percorreu apenas metade do caminho e se estabeleceu em Harã. Mas, louvado seja Deus, Deus sabia o que havia em seu coração.
Em seu espírito, ele estava disposto, mas sua carne era fraca. Em Sua misericórdia, Deus abriu um caminho para ele. Deus tirou Terá de seu caminho e o lembrou: “Agora você precisa deixar sua terra, seus parentes e sua própria casa, e ir para onde Eu lhe prometi”.
Louvado seja Deus, nosso Deus é cheio de misericórdia. Ele sabe do que somos feitos. Por causa do Seu amor por nós, Ele nos disciplina, nos resgata e nos faz avançar.
Foi isso que dissemos ontem.
Nesta manhã, vamos compartilhar sobre a nossa vocação celestial. Essa é a nossa vocação, o nosso trabalho.
A visão precisa se tornar a nossa vocação. Se a visão não se tornar vocação para nós, mais cedo ou mais tarde ela desaparecerá.
Ainda que retenhamos em nossa mente algo dessa visão, nós nos tornamos sonhadores, como se a visão fosse algo vago — uma miragem.
O propósito de Deus ao nos dar uma visão não é apenas que a conheçamos em nossa mente. Se fosse assim, ficaríamos orgulhosos.
Nosso Deus é extremamente prático. Quando Ele nos dá uma visão, Seu propósito é que andemos nessa visão.
Seu propósito é que a visão se torne parte da nossa vida. Em outras palavras, a visão e a nossa vida precisam se tornar uma só coisa.
A visão precisa se tornar a vocação de toda a nossa vida. Assim, sabemos qual é verdadeiramente a nossa vocação cristã.
Não importa qual seja nossa ocupação secundária; todos nós temos uma. Antes de crermos no Senhor, essa ocupação talvez fosse nossa verdadeira vocação, e vivíamos para ela.
Mas, quando cremos no Senhor, somos iluminados por Deus e O vemos, a vocação da nossa vida passada se torna apenas uma ocupação secundária.
Qual é a nossa verdadeira vocação? Nossa verdadeira vocação é a vocação celestial, porque o nosso chamado é celestial.
Precisamos compreender que a nossa verdadeira vocação é viver para Deus. Nosso direito é adorá-Lo e servi-Lo. Vivemos para a Sua vontade.
Devemos expressar essa visão em nossa vida. Essa visão se torna o nosso testemunho, e todas as outras coisas se tornam ocupações secundárias — algo ligado a ela.
Mas a essência do nosso viver é viver para essa visão, viver para a visão que Deus nos dá.
Precisamos nos lembrar: não basta ter a visão. A visão precisa se tornar a nossa vocação celestial.
Aquilo que vemos precisa se tornar a nossa vida. É isso que encontramos na vida de Abraão.
Quando Abraão deixou Ur dos caldeus, já tinha setenta e cinco anos. Levou sua esposa Sara e seu sobrinho Ló, e foram para Canaã.
Isso deu início à sua vocação celestial. Ele começou a andar no caminho da visão. A visão disse: “Você precisa deixar para trás”, e ele deixou. A visão disse: “Você precisa seguir adiante”, e ele seguiu.
A partir dos setenta e cinco anos, Abraão andou no caminho dessa visão. Essa visão se tornou a sua própria vida e a sua vocação celestial.
Vamos abrir em Gênesis 12:5:
E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas que lhes acresceram em Harã; e partiram para ir à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram.
Daquele momento até o fim de Gênesis 21, passou-se um longo período. É isso que acabamos de ler em Hebreus 11:9-16.
Para que a visão se torne a vocação da nossa vida, é necessária a nossa vida inteira. Abraão dedicou toda a sua vida a permitir que a visão que havia recebido se tornasse a vocação de sua vida. Ele começou a viver uma vida de fé.
Hoje, temos o hábito de dizer que certas pessoas vivem pela fé, como se o restante de nós não precisasse viver pela fé. Mas, falando com rigor, cada um de nós que foi chamado, cada um que recebeu a visão, precisa viver uma vida de fé.
Somente pela fé podemos fazer com que essa visão se torne vocação em nossa vida.
Abraão chegou a Canaã. Durante todos aqueles anos, foi um estrangeiro e peregrino na terra da promessa.
Se resumirmos toda a sua vida, podemos resumi-la em duas coisas. Por um lado, ele vivia em tendas.
Embora a terra lhe tivesse sido prometida, durante toda a sua vida ele viveu como estrangeiro nela. Não tinha um lugar que fosse seu.
Houve apenas um lugar de sepultamento que comprou para si. Viveu toda a sua vida em tendas.
Isso significa que ele vivia na realidade daquela visão. Deus prometeu: “Esta terra será dada a você”, e, pela fé, ele viveu como estrangeiro na terra prometida.
Ele sabia que, embora não pudesse tomar posse da promessa pessoalmente, a promessa de Deus certamente se cumpriria. Seus descendentes possuiriam a terra prometida.
Por isso, estava disposto a permanecer na terra prometida como estrangeiro. Hebreus nos diz que, se ele quisesse voltar à sua terra de origem, poderia ter feito isso.
Mas ele olhava para aquela cidade cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus. Ele ansiava pela pátria celestial. Por causa da fé, pôde permanecer por muitos anos vivendo em tendas.
Hoje, nós também recebemos a visão. Vimos o próprio Senhor. Passamos a compreender que tudo está em Cristo.
Cristo é o nosso Senhor. Ele está agora nos céus. Sabemos que Ele é a nossa verdadeira herança, e que a nossa verdadeira herança é a Nova Jerusalém.
Enquanto vivemos nesta terra, se estamos vivendo na realidade dessa visão, devemos viver como se estivéssemos em tendas.
Isso não significa que precisamos literalmente morar em tendas. Mas, espiritualmente, somos peregrinos e estrangeiros na terra prometida.
Não criamos raízes aqui, porque nosso verdadeiro lar celestial está onde Cristo está.
Quem vive na realidade dessa visão viverá como quem mora em tendas. Muitas pessoas fincam suas raízes profundamente nesta terra, como se todas as suas esperanças estivessem aqui.
Toda a sua fé está voltada para a terra, e toda a sua herança é apenas terrena. Elas se esqueceram de que somos homens e mulheres de visão.
Nós temos essa visão. Por isso, vivemos como peregrinos e estrangeiros nesta terra. A fé nos ajuda a manter essa vida.
Ao observarmos como Abraão vivia, encontramos outro sinal: o altar. Durante toda a sua vida, ele edificou altares.
No momento em que entrou em Canaã, a Escritura diz que os cananeus estavam então na terra. Isso parecia contraditório. Deus havia prometido aquela terra como sua herança, mas ela já estava ocupada.
Esse foi, de fato, um grande desafio à sua fé. Era realmente aquela a terra prometida que Deus lhe havia prometido? Por que ela já estava ocupada por outros?
Naquele momento, Deus lhe apareceu e disse:
À tua descendência darei esta terra.
Embora a terra estivesse ocupada e Abraão não tivesse herdeiro naquele momento, Deus disse: “Eu darei esta terra aos seus descendentes”.
Abraão edificou ali um altar ao Senhor. Esse altar fala da sua fé.
Ter fé não é olhar para aquilo que se vê. Ter fé é ver Aquele Que é invisível. Assim, ele edificou ali um altar para adorar a Deus.
Depois, seguiu adiante. Chegou a um lugar com Betel de um lado e Ai do outro. Ali edificou um segundo altar e invocou o nome do Senhor.
Mais tarde, chegou a Hebrom, onde edificou outro altar e teve comunhão íntima com o próprio Deus.
Por fim, quando ofereceu Isaque, também edificou ali um altar. Isso fala da sua consagração total a Deus.
Quem vive na realidade da visão precisa ter estes dois sinais: tendas e altares.
Diante de Deus, temos altares. Vivemos uma vida de adoração. Vivemos uma vida de invocar o nome do Senhor. Vivemos em comunhão com Deus. Vivemos uma vida de consagração total.
Em relação ao mundo, temos o sinal das tendas. Embora tenhamos a promessa de possuir a terra, pela fé e por amor a Deus, vivemos aqui como peregrinos.
É assim que a visão se torna o nosso próprio viver e a nossa vida.
Hoje, se você diz que tem visão, esses dois sinais estão presentes no seu dia a dia? Diante de Deus, você tem altares? Você O adora? Está invocando o Seu nome? Está em comunhão íntima com Ele? Está se consagrando totalmente a Ele?
Em relação ao mundo, você tem o testemunho das tendas? As coisas do mundo já não ocupam o seu coração, porque você está buscando aquele lar celestial?
Louvado seja Deus. É assim que podemos transformar a nossa visão em nossa vocação.
Agora vamos examinar isso com mais detalhes. Viver uma vida de fé nunca é fácil. Abraão enfrentou muitas provações.
Mencionamos anteriormente que o primeiro obstáculo que ele enfrentou foi chegar a Canaã e ver que a terra prometida estava ocupada.
Ele não duvidou de Deus por causa do que viu. Deus lhe apareceu e confirmou Sua promessa, fortalecendo sua fé para que ela não fosse abalada.
Enquanto vivia ali, a Escritura nos diz que ele foi se deslocando gradualmente para o sul. Naquele momento, enfrentou uma grande fome.
A fome naquela terra era muito severa. Por meio disso, Deus estava provando sua fé novamente. Sua fé permaneceria firme? Ele permaneceria na terra prometida e creria que Deus supriria todas as suas necessidades?
Mas ele olhou para as circunstâncias e, por isso, seguiu para o sul, em direção ao Egito.
Antes de entrar no Egito, disse à sua esposa: “Quando entrarmos no Egito, diga às pessoas que eu sou seu irmão”.
Ele temia que os egípcios o matassem por causa de Sara, caso descobrissem que ele era seu marido.
Naquele momento, Abraão estava pensando apenas em si mesmo. Não conseguia confiar plenamente em Deus. Sua fé havia enfraquecido, e ele usou sua inteligência natural para encontrar uma saída por conta própria.
Quando entrou no Egito, Sara foi levada para o palácio do faraó. Por causa disso, o faraó deu muitos presentes a Abraão, mas sua esposa lhe foi tirada.
Ele usou sua própria sabedoria natural e criou grandes problemas para si mesmo.
Louvado seja Deus, Deus foi tão misericordioso. A mão de Deus pesou sobre os egípcios, e o faraó descobriu que o que havia feito era errado.
O faraó repreendeu Abraão e o mandou embora. Louvado seja Deus, Deus resgatou Abraão daquela situação.
Muitas vezes, somos exatamente como Abraão. Deveríamos confiar em nosso Deus, mas frequentemente nossa fé enfraquece. Olhamos para as circunstâncias, olhamos para nós mesmos e, então, confiamos em nossa própria engenhosidade.
Pensamos que podemos nos salvar. Infelizmente, afundamos ainda mais em nossos problemas. Se não fosse a misericórdia de Deus, não haveria como sermos resgatados.
Graças a Deus, embora sejamos assim, Deus jamais nos abandona. Essa não é também a nossa própria história?
Quando Abraão voltou do Egito, a Escritura nos diz que ele saiu de lá com muitos bens. Ló também havia adquirido muitos bens.
Como tinham tantas posses, houve uma contenda entre eles, porque a terra não podia sustentar os dois.
Os cananeus estavam presenciando tudo isso. Estavam olhando para eles, e o testemunho deles estava sendo prejudicado.
Em seu coração, Abraão sabia que aquilo não estava certo. Disse a Ló: “Somos irmãos. Não devemos brigar”.
Ele disse: “Tudo está diante de você. Se você for para o leste, eu irei para o oeste”.
Ló levantou os olhos e olhou para a região próxima ao mar Morto. Era muito fértil, como o Egito, e ele escolheu ir naquela direção.
O que vemos aqui? Vemos a diferença entre quem tem visão e quem não tem visão.
Ló chegou a Canaã porque Terá o havia levado para fora de sua terra. Ló foi com Abraão ao Egito. Mas não tinha uma visão própria. Ele simplesmente acompanhava os outros.
Como não tinha visão, precisava pensar em si mesmo. Tornou-se uma pessoa muito egoísta e egocêntrica, porque só pensava no próprio bem.
Não teve respeito por seu tio. Escolheu primeiro para si, e o que escolheu foi o mundo. Isso demonstrou que ele não tinha visão.
Se não temos uma visão pessoal, recebida diretamente, mas apenas acompanhamos os outros, um dia essa fraqueza aparecerá. Não conseguiremos perseverar até o fim.
Mas, louvado seja Deus, Abraão tinha aquela visão. Porque tinha visão, não temia nem se preocupava consigo mesmo quando os outros se aproveitavam dele.
Ele não buscava seus próprios interesses, porque sabia que tudo estava nas mãos de Deus. Essa é a atitude de quem tem visão.
O mesmo acontece conosco. Se não temos visão, precisamos lutar pela nossa sobrevivência. Vivemos em luta.
Mas, se temos visão, graças a Deus, tudo pertence ao nosso Deus, e tudo também pertence a nós. Não precisamos lutar para conquistar as coisas.
Podemos deixar que os outros escolham o que quiserem. Podemos permitir que se aproveitem de nós, porque Deus cuidará de nós.
Essa foi outra provação. A raiz dessa provação era a desobediência, porque, no começo, Abraão não havia obedecido plenamente. Ele levou Ló consigo.
Eles foram ao Egito, adquiriram muitos bens, e isso se tornou uma das maiores provas na vida de Abraão.
A vida espiritual é simples. A vida celestial é simples. É a fraqueza da nossa carne que complica essa vida.
Mais cedo ou mais tarde, todas essas coisas precisam ser tratadas. Momento a momento, Deus trata de cada uma delas. Esse é o caminho da cruz.
O que torna possível que a visão se transforme na vocação da nossa vida? Por um lado, é a fé. Por outro, é a obra da cruz.
Durante toda a vida de Abraão, Deus estava tratando com ele e o treinando. Deus não faria concessões a ele.
Deus continuava retirando tudo o que não procedia Dele. Uma a uma, Deus precisava remover essas coisas da vida de Abraão.
Foi somente depois que Ló se separou de Abraão que Deus lhe apareceu e disse:
Levanta agora os teus olhos e olha, desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste; Porque toda esta terra que vês, Eu a darei a ti.
Aquilo que Ló escolheu não poderia privar Abraão de nada, porque Deus lhe daria a terra. Deus disse: “Percorra a terra. Tudo o que você pode ver e tudo o que pode percorrer é dado a você”.
Deus deu essa promessa a Abraão. Mas as coisas não pararam aí.
A Escritura registra a batalha entre os quatro reis e os cinco reis. Os reis de Sodoma foram derrotados, e Ló, que vivia em Sodoma, foi levado cativo com toda a sua casa.
A notícia chegou a Abraão. Ali estava outra grande prova. Aquele que havia se aproveitado dele agora tinha sido levado cativo. Qual seria a atitude de Abraão?
Ele diria: “Está recebendo o que merece”? Se fosse esse o caso, teria se afastado de sua visão. Não seria um homem celestial.
Mas, quando Abraão ouviu a notícia, levou aqueles que haviam nascido em sua casa e sido treinados por ele, perseguiu os que haviam levado os cativos e resgatou Ló.
Quem tem visão tem um coração amplo. As pessoas podem nos ofender, mas ainda assim nós as acolhemos em amor, cheios de misericórdia e graça.
Nisso, vemos a glória de Deus. Vemos o caráter de Deus sendo formado na vida de Abraão.
Novamente, Abraão enfrentou outra crise. Deus sabia quanto ele podia suportar. Muitas vezes, depois de uma verdadeira vitória, pode haver uma grande queda, porque esgotamos todas as nossas forças.
Deus enviou o rei de Salém a Abraão, trazendo pão e vinho para revigorá-lo.
Melquisedeque o lembrou de que foi Deus Quem lhe deu a vitória, para que Abraão não se tornasse orgulhoso. Abraão ofereceu o dízimo de tudo o que tinha.
Mais tarde, o rei de Sodoma veio e disse: “Dê-me as pessoas e fique com todos os bens”.
Essa foi uma grande tentação. Mas, graças a Deus, Abraão recusou o que lhe foi oferecido, para que o rei de Sodoma não pudesse dizer: “Eu enriqueci Abraão”.
Não permitiremos que o rei de Sodoma nos enriqueça de maneira alguma. Nossa riqueza está no próprio Senhor.
Toda a plenitude de Deus habita corporalmente na pessoa de Jesus Cristo, e Nele somos tornados plenos e completos.
Depois desse acontecimento, chegamos a Gênesis 15. Havia outra crise na vida de Abraão. Deus conhecia a condição em que Abraão se encontrava naquele exato momento e lhe apareceu novamente.
Deus disse a Abraão:
Não temas, Abrão: Eu sou o teu escudo e a tua recompensa muito grande.
Abraão havia recusado o que o rei de Sodoma oferecera, mas o próprio Deus Se tornou sua grande recompensa. Ele não precisava temer o que pudesse acontecer depois, porque Deus era seu escudo.
Naquele momento, Abraão estava realmente muito fraco. Embora tivesse sido revigorado depois da vitória, estava enfraquecido em si mesmo.
Ele disse: “Deus, como Tu vais me abençoar? Para que servem todas essas bênçãos? Eu não tenho herdeiro. Quem vai herdar meus bens é o servo de Damasco”.
Ele estava profundamente enfraquecido. Mas Deus disse:
Aquele que sair das tuas próprias entranhas será o teu herdeiro.
Deus o levou para fora e lhe pediu que olhasse para o céu. Deus usou as estrelas do céu como um sinal:
Assim será a tua descendência.
Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Deus também fez uma aliança com ele a respeito da terra prometida.
Deus disse que, depois de quatrocentos anos, seus descendentes voltariam e possuiriam a terra — desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates.
Nosso Deus é cheio de graça. Ele conhece nossa verdadeira condição. Faz tudo o que pode para nos proteger. Esse é o nosso consolo, e esse é o nosso verdadeiro descanso.
A vida de fé nunca é fácil. Houve outras crises ao longo do caminho.
Abraão e Sara já haviam morado na terra prometida por cerca de dez anos, mas Abraão não tinha herdeiro. A promessa de Deus ainda não havia se cumprido.
Sara teve uma ideia. Ela disse: “Eu não consigo ter filhos. Tenho uma serva. Tome Agar, e talvez ela dê à luz um filho”.
Às vezes, quando nossa fé enfraquece, tentamos dar uma ajuda a Deus. Dizemos: “Deus não está fazendo a obra; então, pelo menos, vamos sacrificar alguma coisa da nossa parte”.
Para Sara, esse era um grande sacrifício. Ela pensou que, de alguma forma, o propósito de Deus seria cumprido e, por isso, tentou dar uma ajuda a Deus.
Abraão aceitou a sugestão de Sara. Mas de onde veio Agar? Ela veio do Egito.
Podemos ver que aquilo que adquirimos quando nos afastamos do caminho de Deus pode parecer, exteriormente, um ganho, mas, na realidade, é uma grande perda.
Agar deu à luz um filho, Ismael. Mas aquele filho não era a promessa de Deus.
Deus jamais aceitará um substituto. A obra de Deus, Ele mesmo a fará. O homem não pode substituir a Sua obra.
Aquele não era o filho da aliança. Não era o que Deus havia prometido e, no fim, trouxe muitos problemas.
Essa é uma grande lição que precisamos aprender. Esperamos e esperamos, e parece que Deus não faz nada. Ficamos inquietos e agimos.
Com nossas boas intenções, chegamos a tentar dar uma ajuda a Deus. Mas, quanto mais ajudamos, mais problemas criamos. Criamos muitos, muitos problemas.
Todas essas coisas estão fora daquela única visão. Um dia, tudo o que está fora dessa visão desaparecerá.
No fim, somente o que vem de Deus permanecerá. Toda a carne, todas as boas intenções da carne, todas as atividades da carne, todas as coisas deste mundo e tudo o que não procede de Deus não podem se tornar a nossa vocação.
A cruz fará sua obra até que todas essas coisas sejam retiradas. Somente a obra da cruz pode transformar a nossa visão e fazer dela a nossa vocação.
Não devemos presumir que, por termos visto alguma coisa, já a possuímos. Se conseguimos ver alguma coisa, isso é inteiramente misericórdia.
Isso nos mostra que Deus agora quer começar uma obra em nós. Desde o momento em que vemos alguma coisa, precisamos crer e andar no caminho da cruz.
É por isso que quem tem visão terá de passar por muitas provações na vida.
Por meio de todas essas provações, Deus retira aquilo que não procede Dele, para que a visão se torne a nossa verdadeira vocação.
No fim, Abraão se tornou o pai da fé. Sua fé foi provada e se tornou mais preciosa que o ouro.
Portanto, irmãos e irmãs, não se desesperem. Não desanimem. Uma vez que Deus nos deu uma visão, Ele nos conduzirá através de muitas crises na vida.
Sua vida de fé nunca mais será simples, mas tudo isso são bênçãos disfarçadas. Deus sabe quanto você pode suportar.
Ele está ali, cuidando de você. Ele está ali, lembrando-Se de você. Ele está ali, sustentando você.
Você precisa crer — crer até o fim. Precisamos receber e aceitar o tratamento da cruz.
Se evitarmos a cruz, a visão se tornará apenas uma visão idealizada. Nunca se tornará a verdadeira vocação da nossa vida. Nunca se tornará o nosso verdadeiro testemunho.
Por isso, pedimos a Deus que tenha misericórdia de nós, para que, pela graça de Deus, possamos permanecer fiéis a Ele até o fim.
Senhor, nós Te agradecemos. Nós Te louvamos. Tu não apenas apareceste a nós e nos permitiste ver a Tua glória; Tu queres nos conduzir a andar no caminho da fé, tomar a cruz e seguir-Te.
Que aquilo que nos foi revelado se torne vida em nós. Senhor, obrigado. Nós Te louvamos.
Tu já nos escolheste. Tu não nos abandonarás. Certamente cumprirás a Tua vontade.
Que a Tua obra seja realizada, que a Tua vontade seja feita e que Tu sejas glorificado. Em nome de Cristo.