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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Recovery #2: The Cross and Corporate Experience © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Recovery #2: The Cross and Corporate Experience
    Recovery #2: The Cross and Corporate Experience
    Lambert, Lance

    Princípios da Restauração Divina em Esdras e Neemias

    E, no segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês, começaram Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, e os demais de seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que vieram do cativeiro a Jerusalém; e constituíram os levitas, da idade de vinte anos para cima, para supervisionarem a obra da casa do Senhor.

    Então se levantaram Jesua, com seus filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus filhos, os filhos de Judá, juntamente, para supervisionarem os trabalhadores na casa de Deus: os filhos de Henadade, com seus filhos e seus irmãos, os levitas.

    E, quando os construtores lançaram os alicerces do templo do Senhor, apresentaram-se os sacerdotes, vestidos de suas vestes, com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao Senhor, segundo a ordenança de Davi, rei de Israel.

    E cantavam alternadamente, louvando e dando graças ao Senhor, dizendo:

    Porque Ele é bom; porque a Sua misericórdia dura para sempre sobre Israel.

    E todo o povo jubilou com grande júbilo, ao louvar ao Senhor, porque os alicerces da casa do Senhor haviam sido lançados.

    Porém muitos dos sacerdotes, dos levitas e dos chefes das casas paternas, os anciãos que haviam visto a primeira casa, quando os alicerces desta casa foram lançados diante de seus olhos, choraram em alta voz; e muitos levantaram a voz com júbilo:

    De maneira que o povo não podia distinguir o som do júbilo do som do choro do povo; porque o povo jubilava com grande júbilo, e o som se ouvia de longe.

    E, ouvindo os adversários de Judá e de Benjamim que os filhos do cativeiro edificavam um templo ao Senhor, Deus de Israel, chegaram-se a Zorobabel e aos chefes das casas paternas e lhes disseram: Deixai-nos edificar convosco; porque, como vós, buscamos o vosso Deus; e a Ele sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para cá.

    Porém Zorobabel, Jesua e os demais chefes das casas paternas de Israel lhes disseram: Nada tendes conosco na edificação de uma casa ao nosso Deus; mas nós, juntos, a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel, como nos ordenou o rei Ciro, rei da Pérsia.

    Então o povo da terra enfraqueceu as mãos do povo de Judá e o inquietou na edificação; e alugou contra ele conselheiros para frustrar o seu propósito, todos os dias de Ciro, rei da Pérsia, até ao reinado de Dario, rei da Pérsia.

    E, no reinado de Assuero, no princípio do seu reinado, escreveram uma acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém.

    A Unidade de Crônicas, Esdras e Neemias

    Eu dizia, na semana passada, que Esdras e Neemias, juntamente com o primeiro e o segundo livros de Crônicas, fazem parte de uma única obra. Isso é bastante notável, porque ela abrange assuntos que, de modo geral — certamente no caso de 1 Crônicas e 2 Crônicas —, já haviam sido tratados pela Palavra de Deus.

    Tudo o que temos nos livros de Crônicas já está na Bíblia, de Gênesis ao último livro de Reis. Mas, sempre que Deus diz alguma coisa novamente, isso é muito, muito importante.

    De vez em quando, encontramos na Bíblia um livro que retoma os assuntos de outros livros e, por assim dizer, concentra nossa atenção em algo realmente muito, muito importante. Deuteronômio é um desses livros. O Evangelho de João é um desses livros. Primeiro e Segundo Crônicas, Esdras e Neemias também constituem uma obra desse tipo.

    Porque aqui, em Crônicas, Esdras e Neemias, somos apresentados àquilo que está no coração de Deus desde a eternidade. Descobrimos o que ocupa o lugar mais profundo em Seu coração: que nos tornemos um templo santo no Senhor.

    Ou, se preferirem dizer de outra maneira, que sejamos levados a uma união tão profunda com Deus em Cristo que, juntos, compartilhemos a própria vida de Deus. Tornamo-nos participantes da natureza divina. Tornamo-nos membros de Cristo e membros uns dos outros.

    É disso, realmente, que Crônicas, Esdras e Neemias tratam, naturalmente na forma do Antigo Testamento. Crônicas conta toda a história de como a casa de Deus foi finalmente edificada e do grande conflito em torno da casa de Deus, terminando em sua ruína e destruição.

    Agora, em Esdras e Neemias, acrescenta-se uma nova nota, e essa nota é a restauração. Isso, naturalmente, é de enorme interesse para nós — e, mais do que interesse, de enorme importância, de importância vital.

    A Restauração no Final de uma Era

    A restauração sempre acontece perto do final de uma era, não no seu começo. No começo, tudo está como que florescendo; tudo tem o seu frescor inicial. Mais tarde, Deus precisa começar a restaurar, porque, por causa do nosso pecado, da nossa desobediência, da nossa incredulidade ou falta de fé, nós nos afastamos.

    Então o Espírito de Deus precisa agir a partir do trono de Deus para restaurar o que foi perdido. Por isso, os livros de Esdras e Neemias contêm lições extraordinárias para nós, cristãos que vivemos perto do final desta era.

    Nós também estamos em um movimento de restauração, e dizer isso não é uma demonstração de presunção desagradável. O fato é que, se olharmos para a história da igreja, veremos que, ao longo de toda ela, houve movimentos do Espírito de Deus buscando restaurar alguma coisa que havia sido perdida.

    Sempre que o Espírito de Deus restaurou alguma coisa, ainda que o instrumento dessa restauração tenha acabado saindo dos trilhos ou se tornando institucionalizado e organizado, a verdade restaurada se tornou amplamente conhecida. Seja a justificação pela fé, a verdade do novo nascimento, a verdade acerca da unção do Espírito de Deus ou a verdade acerca da unidade dos crentes, essas coisas se tornaram familiares entre o povo de Deus.

    No entanto, quando foram restauradas, era como abrir caminho para algo inteiramente novo. As pessoas desprezavam aqueles que participavam desse movimento de restauração. Chamavam-nos de excêntricos, entusiastas, fanáticos — de algum modo desequilibrados, para dizer o mínimo.

    Certamente é um enorme encorajamento para todos nós encontrar, já no Antigo Testamento, essas pessoas queridas em um movimento de restauração, enfrentando exatamente o mesmo tipo de crítica, exatamente o mesmo tipo de antagonismo, exatamente o mesmo tipo de relatos falsos, calúnias e assim por diante que nós enfrentamos.

    Creio que aprendemos algumas lições muito importantes com Esdras e Neemias.

    Os Três Retornos a Jerusalém

    Na semana passada, falamos de modo geral sobre todo esse assunto e depois começamos a examinar o primeiro retorno. O retorno se estendeu por um século inteiro e aconteceu em três etapas.

    Primeiro, houve o grupo inicial de cerca de cinquenta mil pessoas que voltou com Zorobabel. Depois houve o segundo retorno, sob a liderança de Esdras, que provavelmente contou com apenas cerca de três mil pessoas, se tanto. Por fim, um número ainda menor voltou sob a liderança de Neemias.

    No primeiro retorno, eles reconstruíram a casa de Deus — e praticamente só isso. No segundo retorno, sob Esdras, foi a lei de Deus, a Palavra de Deus, que foi restabelecida em toda a sua pureza e importância. No terceiro retorno, sob Neemias, foram os muros da cidade de Jerusalém que finalmente foram construídos, e a cidade — a casa de Deus — ficou cercada por muros semelhantes aos de uma fortaleza.

    Estamos tratando apenas do primeiro retorno, porque não temos tempo para abordar os outros dois.

    A Restauração como Questão de Terreno

    Na semana passada, tocamos em duas coisas que eu gostaria de destacar mais uma vez, antes de passar a outros assuntos. A primeira foi esta: a restauração é uma questão de terreno.

    É muito interessante, quando examinamos Esdras 1 e, de fato, todos esses primeiros capítulos de Esdras, observar a ênfase na casa de Deus que está em Jerusalém. Isso quase se torna cansativo, porque às vezes, em um único versículo, encontramos: “que está em Jerusalém, que está em Jerusalém, que está em Jerusalém”. Quase sentimos vontade de dizer: “Bem, Tu não precisas dizer isso de novo. Nós sabemos que a casa de Deus está em Jerusalém”.

    Por que precisamos dizer isso de novo, e de novo, e de novo? O Deus de Israel, que habita em Jerusalém. Eles sobem a Jerusalém. Quase não há menção à terra; não há menção a nenhuma outra cidade da terra, nenhuma menção à Galileia, nenhuma menção a outras regiões tribais. O único lugar mencionado é Jerusalém.

    Além disso, é a casa de Deus que está em Jerusalém. A ênfase está no lugar da habitação de Deus — de fato, se preferirem, na habitação de Deus em Jerusalém. Ele escolheu Jerusalém e, dentre todos os lugares da terra, escolheu habitar ali e manifestar a Sua presença.

    Isso contém uma lição extraordinária para nós. Se estamos em algum movimento de restauração do Espírito de Deus, precisamos compreender que não podemos simplesmente edificar a igreja em qualquer lugar que escolhermos.

    Em primeiro lugar, não podemos simplesmente edificá-la de uma maneira abstrata. Há muitos cristãos que estão sempre falando da igreja em termos abstratos: “Ah, somos todos um, e está tudo lá em cima”.

    Aqui embaixo, podemos estar entrando em conflito, discutindo, brigando e, de modo geral, nos separando, mas, aparentemente, a igreja de Deus está toda lá em cima. Estamos sendo edificados juntos pelo Espírito de Deus, e a igreja será apresentada sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante. Mas aqui embaixo há muitas manchas e defeitos, e convivemos com eles muito tranquilamente em nossa própria vida.

    A ideia é que, de alguma forma, toda essa questão está lá, lá em cima; tudo está acontecendo lá em cima. Estamos sendo edificados juntos lá em cima. Aqui embaixo, mal sabemos o primeiro nome uns dos outros, mas estamos sendo edificados juntos lá em cima. Vocês entendem isso?

    Nunca compartilhamos nossas coisas. Nunca abrimos o coração para compartilhar as coisas uns com os outros. Mas estamos sendo edificados juntos lá em cima. Está tudo lá em cima.

    A primeira característica de qualquer restauração é que ela é intensamente prática. Deus nos traz de volta a um ponto específico, se quiserem, e dá uma localização à Sua restauração. Ele nos prende a um lugar. Ele nos prende a um lugar determinado — Jerusalém.

    Não adiantaria nada os cinquenta mil dizerem: “Ah, bem, isso é algo espiritual, não é? Por que não vamos a Nazaré e fazemos alguma coisa lá? Afinal, não foi o profeta Isaías quem disse:

    Galileia das nações; o povo que andava em trevas viu uma grande luz.

    “Acho que deveríamos ir para lá.”

    Ou talvez outro grupo dissesse: “E Belém? Não foi o profeta Miqueias quem disse, cem ou duzentos anos atrás:

    Mas tu, Belém Efrata, pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti Me sairá Aquele que há de reinar em Israel.

    “Ah, acho que deveríamos fazer isso em Belém. Vamos voltar a Belém o mais depressa possível. Não queremos ficar com toda aquela multidão em Jerusalém. De qualquer maneira, são um pessoal tão fechado. Vamos para Belém e façamos um pouco de construção por lá.”

    Mas, se edificassem em Belém ou se edificassem em Nazaré, Deus não estaria com eles, porque Deus havia dito expressamente que deveriam ir a Jerusalém.

    Podemos falar de ser um com os santos de Deus do outro lado da terra, mas Deus diz: “E os santos do lugar onde vocês moram?”. Podemos dizer: “Ah, sinto tanta afinidade com os irmãos e as irmãs de Auckland, na Nova Zelândia”.

    Bem, é claro que vocês podem sentir grande afinidade com os irmãos e as irmãs de Auckland, na Nova Zelândia. Eles estão a milhares de quilômetros de distância. É sempre mais fácil sentir-se um com pessoas que estão muito longe. Como eu disse na semana passada, a ausência faz o coração amar mais.

    Às vezes, quanto mais longe está o povo de Deus, mais unidos podemos nos sentir a ele. Mas Deus diz: “E as pessoas com quem vocês convivem? E os crentes com quem vocês adoram? E o povo de Deus na sua própria localidade?”. É ali que a casa de Deus precisa ser edificada.

    Nós, cristãos, podemos ser muito convencidos. Precisamos tomar cuidado para não cair em um espírito de autocondenação, mas nós, cristãos, podemos ser muito convencidos. Estamos sempre dizendo ao mundo que temos a resposta.

    “Nações Unidas? Nações Desunidas”, dizemos. Mas, naturalmente, se nós, cristãos, assumíssemos o controle da situação e conseguíssemos converter todo mundo, ah, seria uma maravilha. Seria mesmo? Eu me pergunto se seria. Realmente me pergunto se seria.

    O fato é que Deus precisa pôr tudo isso à prova, e Ele põe à prova no lugar onde vivemos. Não podemos escapar disso.

    Portanto, a primeira coisa em toda essa questão de restauração é que estamos presos. Você mora nesta região? Está preso.

    “Ah”, você diz, “não, eu não sinto que esteja mesmo. Quero dizer, estou aguentando vocês enquanto recebo alimento espiritual e bênção, mas, no momento em que não receber mais alimento e bênção, vou pedir ao Senhor que me conduza a outro grupo.”

    Essa é uma saída maravilhosa. Conheci pessoas que passam a vida inteira pulando de um grupo para outro, e a desculpa é sempre que não recebem nada ali; por isso, não ficam ali.

    Agora, pode haver lugar para um descontentamento santo e uma insatisfação santa. Não abram mão disso. Mas ai de nós se nos enganarmos e nos iludirmos, pensando em termos espirituais, quando o fato é que não estamos dispostos a aceitar a disciplina de permanecer juntos e atravessar as dificuldades juntos.

    Ah, é muito, muito fácil: “O Senhor me conduziu. Vou para o grupo ali adiante. O Senhor me conduziu para lá. Não quero discutir isso; não desejo discutir isso. Mas o Senhor definitivamente me conduziu — recebi duas ou três palavras sobre o assunto”.

    O fato é que achamos as coisas difíceis demais, então temos uma pequena saída de emergência, uma espécie de escada de incêndio. Quando as coisas esquentam demais, empurramos a barra da porta e vamos embora.

    Mas essa questão de restauração é simplesmente isto: Deus está edificando em Jerusalém. Não adianta ir embora para Belém, Nazaré ou qualquer outro lugar. Você precisa perseverar até que o trabalho esteja concluído, e está preso àquele grupo que voltou.

    Você está simplesmente ligado e preso a todos eles. O que Deus faz naquelas vidas é para sempre.

    Não conhecemos muitos daqueles indivíduos pelo nome. Eles pertencem àquela vasta multidão inumerável dos anônimos. Somente quando chegarmos à glória descobriremos que o nome de cada um deles é conhecido.

    Então, quando estivermos lá, descobriremos, por meio deles, que as lições ensinadas e aprendidas lá no Antigo Testamento qualificaram alguns deles para o governo divino.

    Eles foram vencedores em sua própria geração porque não quiseram desistir, não quiseram se dividir e não quiseram ficar paralisados. Prosseguiram, e prosseguiram juntos.

    Portanto, realmente, uma das primeiras coisas em toda essa questão de restauração é a questão do terreno. O que é o terreno? É Cristo na localidade em que você vive. Aqui estamos nós, presos uns aos outros — presos a um programa de edificação de Deus no qual Ele está nos educando e nos instruindo.

    O Remanescente que Retorna

    A segunda característica dessa restauração é que sempre é um pequeno remanescente que paga o preço e retorna. Não importa onde você procure, no Antigo Testamento ou na história da igreja: descobrirá que sempre é um remanescente pobre, fraco e desprezado que paga o preço e retorna.

    Foi assim na Reforma. Foi assim no grande movimento quacre. Foi assim também no movimento puritano. Foi assim no movimento wesleyano. Foi assim no movimento dos Irmãos.

    Tem sido assim ao longo de toda a história da igreja: um remanescente pequeno, desprezado e fraco viu alguma coisa em seu próprio tempo e geração, e se entregou a Deus e uns aos outros em Cristo para que aquela obra fosse realizada. Eles fazem parte daquele grande exército de vencedores de todas as gerações da história.

    Esse remanescente que voltou a Jerusalém era bastante fraco, desamparado e, em sua maior parte, desconhecido. Não havia muitas pessoas ilustres entre eles.

    Uma coisa muito interessante, quando comparamos as Escrituras sobre esse assunto, é que elas registram todos os animais que voltaram. Comparando o número de camelos, jumentos e burros que retornaram, descobrimos que a grande maioria dos que voltaram fez a viagem a pé. Façam as contas. A maior parte deles voltou a pé.

    Imagino que certas senhoras tenham ido montadas — embora o que vou contar certamente não se aplique a essas pessoas. Quando eu estava no Egito — talvez não devesse dizer isto —, acho que nunca vi uma senhora montada em um jumento. Mas vi muitos homens montados em jumentos, e cheguei a ver esposas amarradas ao jumento, correndo atrás dele, porque o homem seguia montado.

    Aliás, não creio que isso tenha acontecido entre o povo de Deus. Vamos colocar assim. Tenho certeza de que os mais fracos e os que tinham necessidades foram acomodados nos vários meios de transporte. Mas, em sua maioria, eles caminharam. Evidentemente, todos os que tinham condições físicas caminharam.

    Essas pessoas eram pessoas de visão, pessoas de fé e pessoas de determinação. Nunca teriam voltado se não fosse por isso. Ninguém voltaria a Jerusalém — àquela terrível desordem e confusão — se não tivesse visão.

    Essas pessoas haviam visto alguma coisa. Não desvalorizemos o seu retorno. Elas haviam visto alguma coisa. Ao enxergarem algo, por menor que fosse, do propósito de Deus, foram conquistadas por Deus. Nunca se esqueçam: a visão nos inquieta. Ela nunca nos deixa satisfeitos conosco mesmos.

    Sempre que vemos alguma coisa do Senhor, ficamos inquietos. Ficamos com fome. Nasce em nós um desejo insaciável de seguir o Senhor e, como o apóstolo Paulo, esquecer as coisas que ficaram para trás e avançar para as que estão adiante.

    Mas a visão não é suficiente. A fé também precisa ser uma qualidade de qualquer pessoa que vá retornar, acreditem em mim — e o inimigo cuidará de pôr isso à prova.

    Vocês, jovens casais, já têm problemas suficientes para encontrar moradia. Quando forem fazer parte da casa de Deus, serão provados ao extremo nessa questão. É muito, muito mais fácil mudar-se para bem longe e conseguir alguma coisa agradável e bonita por um terço do que pagariam aqui.

    Aqueles de vocês que, nos primeiros dias, faziam parte do núcleo deste grupo vão se lembrar do sacrifício que, um após outro, vocês, jovens casais, tiveram de fazer para abrir caminho para Deus realizar alguma coisa. Sempre foi muito difícil encontrar uma casa nesta região; sempre foi mais caro do que em outros lugares.

    Portanto, a tentação está sempre presente, e o inimigo está sempre ali para oferecê-la e dizer: “Vá embora”. A fé é a única coisa que nos mantém juntos. Se tivermos visão, ela terá precedência sobre tudo o mais, e a fé é a segunda grande qualidade.

    Agora, escutem o que digo. Pode haver ocasiões em que devemos nos mudar, mas há toda a diferença entre o Senhor dizer a você: “Mude-se”, e essa mudança lhe custar alguma coisa, e você ir embora, conduzido pela argola no nariz, porque encontrou algo mais fácil em outro lugar.

    Prioridades são prioridades. Você só pode dar a Deus essas prioridades quando, primeiro, você O vê e, portanto, vê qual é a prioridade; e, em segundo lugar, tem fé para crer que, buscando primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, tudo o mais será cuidado.

    Se isso é verdade, você precisa de determinação. Nenhum grupo, nenhuma comunidade de pessoas pode participar de um movimento de restauração sem determinação. Ah, o inimigo vai descobrir o seu ponto fraco.

    Você pode ter tido visão e pode ter tido fé, mas, se não tiver paciência firme e perseverança, será derrubado na batalha. Mais cedo ou mais tarde, será enfraquecido.

    Portanto, precisamos destas três coisas:

    • Visão
    • Fé
    • Determinação

    A Centralidade da Cruz

    Gostaria de falar também de mais uma ou duas coisas nessa questão de restauração. Outro aspecto que sempre caracteriza a restauração se encontra em Esdras 3:1-7. Não lemos esses versículos nesta noite, mas todos eles tratam do altar.

    Aqui está algo muito interessante, e escutem com atenção o que tenho a dizer sobre isso. O Antigo Testamento é o livro de ilustrações de todos os princípios do Novo Testamento. Qualquer princípio que encontramos no Novo Testamento está ilustrado no Antigo Testamento — em figura, em tipo, na história.

    Essa terceira característica da restauração, e de todos os que desejam fazer parte de um movimento assim do Espírito de Deus, é a cruz — a obra da cruz. Eu colocaria assim: a obra da cruz é fundamental para a restauração.

    Aqui está uma coisa muito interessante. Qual foi a primeira coisa que essas pessoas fizeram quando voltaram a Jerusalém? Primeiro, houve a questão do terreno: elas voltaram a Jerusalém. Em segundo lugar, foi um remanescente que retornou — um povo de visão, fé e determinação.

    Qual foi a primeira coisa que fizeram? A primeiríssima coisa foi levantar o altar. Antes de limpar os alicerces e lançá-los novamente, antes que uma única pedra fosse colocada sobre o fundamento ou outra pedra fosse acrescentada a ele, levantaram o altar.

    Esse grande altar de bronze era o lugar onde todas as ofertas eram apresentadas: o holocausto, a oferta de manjares, a oferta pacífica, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa — todas essas ofertas que encontramos em Levítico.

    Essas ofertas simbolizam a obra consumada do nosso Senhor Jesus Cristo em cada um de seus aspectos. A oferta pelo pecado e a oferta pela culpa dizem respeito ao pecado cometido consciente ou inconscientemente.

    Vocês sabem o que isso significa? Pecado que você sabe que cometeu e pecado que você não sabe que cometeu, mas que cometeu.

    Muitos de nós seríamos ajudados se compreendêssemos um pouco mais de Levítico. Quando fui salvo, Levítico me aterrorizava. O próprio nome: Levítico. Vocês que vêm do continente europeu levam vantagem quando o chamam de Terceiro Livro de Moisés. Isso é mais simples e mais atraente do que Levítico.

    De qualquer maneira, o fato é que, se ao menos compreendêssemos o livro de Levítico, ele significaria tanto para nós. Por quê? Porque muitos crentes pensam que só estão perdoados os pecados que sabem que cometeram e que confessaram. Pensam que qualquer outro pecado permanece sem perdão.

    Mas, entre as ofertas, não havia apenas uma oferta pelo pecado cometido conscientemente; havia uma oferta pelo pecado cometido inconscientemente. Quando examinamos isso, vemos que cada um de nós peca inconscientemente — em pensamento, em ação, em atos. Muitas vezes, é somente quando nos aproximamos mais do Senhor que de repente percebemos: “Ah, aquilo que tenho feito está errado”.

    O Pecado Inconsciente e o Crescimento Espiritual

    Lembro-me de, anos atrás — isto é uma digressão, então prestem atenção —, ouvir sobre alguns problemas do trabalho na Índia. Lembro-me de um missionário me contar sobre o grande problema que tiveram em uma reunião de testemunhos, quando um irmão se levantou de repente e disse: “Irmãos e irmãs, louvem ao Senhor comigo”.

    “Vocês estavam perguntando sobre aquele remédio de que minha esposa precisava. Bem, eu pedi ao Senhor, e sei que vocês também pediram. E sabem o que aconteceu? Quando cheguei à casa do meu patrão nesta semana, o armário de remédios estava aberto, e lá estava ele. Louvei ao Senhor e o peguei.”

    Mas o que mais perturbou o missionário foi que, por toda a reunião, se ouvia: “Amém. Louvado seja o Senhor”.

    Agora, o ponto era que, naquela sociedade, muitas vezes, a menos que você realmente trancasse a porta, aquilo era um convite para pegar. Lembrem-se disso se algum dia viajarem. Se não está trancado, muitas vezes é um convite — você pode se servir, entendem? Mas, naturalmente, roubar é roubar.

    Mais tarde, essas pessoas chegam a uma compreensão em que, de repente, todos os padrões mudam. Começam a perceber que aquilo que antes teriam feito, agora não fazem mais.

    Temos muitos problemas desse tipo, e alguns de nós adorariam intervir e despertar a consciência de alguém acerca dessas coisas. “É só uma maçã.”

    Lembro-me de que, anos atrás, havia uma irmã idosa aqui neste grupo. Não vou mencionar o nome dela. Ela já foi para o Senhor há muito tempo, e estou cem por cento convencido de que está lá. Mas ela costumava vir toda sexta-feira tomar uma xícara de chá, e nós chorávamos de rir com ela. Era uma figura.

    Um dia, ela me viu rasgando o cupom de apostas de futebol. “Ah”, disse ela, com um belo sotaque bem carregado, “isso é uma bobagem, não é?”. “Sim”, eu disse, rasgando os cupons com ar de justiça e jogando-os no lixo, “sem dúvida nenhuma.”

    “Sim”, disse ela, mencionando sua amiga, “fulana e eu abandonamos isso há algum tempo. Descobrimos que era um desperdício de dinheiro. Mas”, disse ela, “ainda apostamos nos cavalos.”

    Agora, eu estava rasgando aquilo com justa indignação. Perguntei: “O que a senhora disse?”. Ela me olhou com seus olhos azuis e disse: “Ah, ainda apostamos nos cavalos”. Eu disse: “A senhora quer dizer que aposta dinheiro nos cavalos?”. “Ah, sim”, respondeu. “Por que não?”

    Bem, eu disse: “Dona Fulana” — endireitando-me em toda a minha altura e assumindo minha postura e meu modo mais respeitáveis —, “se a senhora levar isso, dona Fulana, à presença do Senhor, tenho certeza de que sentirá algum incômodo”.

    Olhando para mim com aqueles belos olhos azuis, ela disse: “Ah, sim, fulana e eu sempre levamos isso à presença Dele”. Então perguntei: “O que a senhora quer dizer com levar isso à presença Dele?”. “Bem”, disse ela, “nós estudamos o desempenho dos cavalos”.

    Depois disse: “Fazemos uma oração, e Ele nunca falha. Nós duas não conseguiríamos viver com nossa aposentadoria se não fosse pelo que o Senhor faz”. Então pensei… Bem, posso lhes dizer que me sentei e precisei tomar uma xícara de chá depois dessa. Precisei mesmo.

    Senti uma enorme tentação de fazer uma longa preleção sobre os males dos jogos de azar e tudo o mais. Mas o ponto é que, de uma forma ou de outra, existe uma oferta pelo pecado cometido conscientemente e pelo pecado cometido inconscientemente.

    Às vezes, algumas coisas que faríamos quando somos novos no Senhor, nem sonharíamos em fazer quando estamos um pouco mais maduros no Senhor, porque, de alguma forma, nos aproximamos mais Dele e toda a nossa perspectiva mudou. Mas continua sendo pecado. Quem o cobre? Como ele é coberto? É coberto pela oferta pelo pecado e pela oferta pela culpa.

    E a oferta pacífica — vocês sabem o que é a oferta pacífica? É aquela oferta maravilhosa que significa que Cristo foi oferecido pela unidade de todos nós, para que sejamos um só corpo Nele.

    Ele foi oferecido por cada coisa que nos divide, cada coisa — seja o que for, legítima ou ilegítima — que, de alguma forma, se torna um meio de nos afastar uns dos outros. Nosso Senhor é a oferta pacífica.

    Ele é a oferta de manjares, que fala da humanidade do Senhor Jesus Cristo, o novo homem. Ele também é isso. E Ele é o holocausto — isso é serviço e adoração a Deus, aquilo que, por si só, pode satisfazer a Deus. Aqui está tudo de que precisamos.

    A primeira coisa que fizeram quando chegaram a Jerusalém foi levantar o altar. A obra da cruz é fundamental para qualquer restauração. Não importa qual seja; ela é absolutamente fundamental.

    Se você e eu realmente vamos fazer parte do movimento de restauração de Deus, então, primeiro, precisamos saber o que é ser salvo. Em segundo lugar, precisamos conhecer progressivamente a obra da cruz em nossa vida.

    O que queremos dizer com isso? Queremos dizer simplesmente isto: enquanto não soubermos o que é dar a vida pelos irmãos, nunca veremos uma única pedra edificada junto de outra.

    Toda a edificação, aparentemente, desaparecerá no primeiro grande ataque do inimigo, porque não é uma edificação verdadeira. Duas pessoas jamais poderão viver uma vida compartilhada, a menos que ambas estejam dispostas a dar a vida uma pela outra.

    Não pode haver verdadeiro trabalho em equipe de espécie alguma sem alguma medida de renúncia à vida pessoal para que o trabalho possa avançar. Isso não é verdade?

    Por favor, vire a fita cassete neste ponto. Não avance a fita.

    Isso vale para pessoas não salvas. É absolutamente verdadeiro no caso de pessoas não salvas. Você não pode ter uma equipe na qual todos estejam lutando inteiramente por si mesmos. Então surgem todas essas brigas internas, rivalidade, ciúme — ah, simplesmente não há como dar certo.

    Mas, mesmo no mundo, quando existe uma boa equipe, é porque as pessoas deixaram de lado seus interesses e ambições pessoais em benefício do conjunto. Quanto mais isso é verdadeiro para a igreja.

    A Vida da Igreja por Meio da Vida de Cristo

    A igreja está na vida de Cristo. Não é uma teoria. Não é apenas um modelo estático. É por isso que brincar de igreja pode ser tão desastroso.

    Temos toda essa questão da Mesa do Senhor, a estrutura, presbíteros e diáconos, todo o vocabulário e o modelo do Novo Testamento, e tudo parece tão bem-acabado. Mas, por dentro, está morto.

    O modelo da igreja do Novo Testamento, se quiserem, não é uma coisa estática. Está na vida. O que vocês precisam fazer é deixar a vida fluir.

    É preciso que a vida esteja em mais de um crente. Mas, quando a vida de Deus flui por mais de um crente reunido em Cristo, vocês começam a ter a igreja. É por isso que Jesus disse:

    Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles. — Mateus 18:20

    Dois ou três. Esse número não é suficiente para ter um modelo completo, não é? Presbíteros e diáconos e tudo o mais; pastores e congregação — se vocês são apenas dois.

    O segredo da vida da igreja é que cuidamos uns dos outros, amamos uns aos outros, damos a vida uns pelos outros e compartilhamos nossa vida. À medida que crescemos em número, o Espírito de Deus diz: “Agora precisamos de algo mais. Precisamos de um governo mais claramente definido. Precisamos de um ministério mais definido aqui. Precisamos de posições, funções e dons mais definidos”. Vocês entendem? Isso se desenvolve com a vida. Se cuidarmos da vida, o restante vem.

    Mas como fazemos a vida fluir? “Ah, fiquem muito animados”, diz alguém. “Sim, todos precisamos ficar animados. Quando estivermos realmente animados, e tivermos alguns corinhos bem movimentados e mais algumas coisas, todos ficaremos cheios de vida.” Não ficarão. Talvez obtenham algo muito diferente.

    É uma coisa muito diferente quando os corinhos brotam da vida. Mas, se vocês pensam que vão obter vida eterna elevando a temperatura da reunião — o que acontece com tanta frequência —, damos um embalo, depois um empurrão, depois outro empurrão, outro golpe, uma injeção de alguma coisa no braço e então, pronto, estamos lá em cima.

    O fato é que nenhuma quantidade de animação, emoção ou qualquer outra coisa nos dá vida. Que isto fique bem claro: não devemos ter medo da animação nem devemos ter medo da emoção.

    Mas a vida vem de uma única maneira. Ela vem por meio do Espírito de Deus operando como resultado da obra da cruz.

    Quando o Espírito de Deus encontra o Calvário no coração e no fundamento de uma vida, então o Espírito de Deus começa a operar. Quando o Espírito de Deus encontra o Calvário no coração de uma comunidade de pessoas, então o Espírito de Deus começa a operar.

    Quando estamos dispostos a dar a vida, então a vida começa a fluir. Você tira a sua própria vida do caminho, e Deus começa a deixar a Sua vida fluir por meio de você. A plenitude da Sua vida vem à medida que você se aprofunda com o Senhor na questão da cruz.

    Quanto mais você está disposto a ser quebrantado, quanto mais está disposto a deixar Deus tratar com você, quanto mais está disposto a dar a vida, quanto mais está disposto a ser um sacrifício vivo, mais vida vem.

    Não é por acaso que o apóstolo Paulo diz:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual. — Romanos 12:1

    Então ele prossegue e fala do corpo. A igreja nasce dessa apresentação dos nossos corpos, de todo o nosso ser, como sacrifício vivo a Deus. Disso resulta um só corpo em Cristo e, individualmente, membros uns dos outros. Tudo está na vida.

    Ah, como precisamos conhecer algo da obra da cruz. Às vezes, podemos começar com a obra da cruz e depois deixá-la de lado. Então, quase sem percebermos, a alma assume o controle.

    Escutem isto: a lição da história da igreja está justamente aqui. Repetidas vezes, algo que começou na cruz e foi uma verdadeira obra do Espírito de Deus acabou muito, muito longe da cruz e longe do Espírito de Deus.

    Precisamos compreender, de maneira muito simples, que, se o Senhor realmente vai nos usar de alguma forma, temos de conhecer a obra da cruz. A cruz precisa estar operando antes que qualquer reconstrução possa começar. O Senhor exige que cada coisa seja levada à cruz e oferecida como sacrifício vivo.

    Os Dons Naturais e o Altar

    Direi isto correndo o risco de me repetir. Muitas vezes temos problemas com nossos dons naturais. Algumas pessoas têm problemas com dons espirituais, mas percebo que o maior problema da maioria das pessoas é com os dons naturais, porque não sabem o que fazer com eles.

    Elas não veem problema algum; seus dons naturais se tornam um problema para todos os outros, porque, para elas, não há problema.

    Toda essa questão do dom natural é muito interessante. Por exemplo, aqui está uma pessoa com grande talento para organizar. Então dizemos: “Vamos, vamos, mãos à obra”, e ela começa a organizar tudo. “Deixe tudo organizado”, entendem?

    Ah, como a igreja tem sofrido com os organizadores. Organizaram tudo tão maravilhosamente que, no fim, a vida de Deus simplesmente morreu. Foi apagada.

    Às vezes temos pessoas com belas vozes, e elas se colocam tanto em evidência que a única coisa que ouvimos é a voz delas. Nunca ouvimos o Espírito do Senhor falando a verdade, apenas a voz delas.

    Às vezes pode ser um dom musical. A única coisa de que temos consciência é daquela pessoa, nunca do Senhor. Às vezes isso pode acontecer de outras maneiras. Às vezes é simplesmente o dom da conversa, entendem?

    Qualquer dom natural que tenhamos, seja ele qual for, a ideia tão difundida nos círculos cristãos é que devemos consagrá-lo. Isto é, tomamos esse dom natural, o entregamos a Deus e depois o usamos ao máximo.

    A coisa vai para as mãos de Deus — bem, na verdade, achamos que está nas mãos de Deus; não está. A consagração é fina como papel.

    O que Deus faz com os dons naturais é isto: Ele exige que tudo — bom e mau, legítimo e ilegítimo — seja levado ao altar e ali consumido. Então cabe à soberania de Deus decidir o que Ele devolve.

    Quando isso acontece, aquele dom natural recebe uma qualidade que nunca teve antes, uma dimensão que nunca teve antes.

    Precisamos tomar muito cuidado. Temos dois extremos nessa questão. Um é que você tem um dom natural e precisa usá-lo: “Deus lhe deu esse dom, então você deve usá-lo”. A igreja tem sofrido tremendamente com isso.

    O outro extremo é que, se você tem um dom natural, deve tomar muito, muito cuidado. Ele precisa ser pisoteado, quebrado, impedido, sufocado, reprimido de todas as maneiras possíveis, porque é terrivelmente perigoso.

    Então surge essa ideia de que alguém cuja voz não se ouve nem a duas fileiras do púlpito vai ser um grande pregador porque não tem fôlego. Isso o qualifica para se tornar um grande pregador.

    Spurgeon não aceitava esse tipo de bobagem. Costumava dizer: “Se um homem não tem bons pulmões, não adianta prepará-lo para ser ministro do evangelho”.

    Vocês têm esses dois extremos, entendem? O fato é que Deus usa dons naturais, porque Ele nos formou no ventre de nossa mãe. Ele conhece cada coisa que existe em nós. Conhece nosso temperamento, nosso dom natural, o caráter e o tipo de personalidade que temos.

    Mas isso precisa passar pela cruz. Depois que o Senhor toma o dom em Sua mão e o quebra, podemos ficar muito inseguros e perder a coragem por algum tempo. Mas, no fim, se for a vontade de Deus, Ele o devolve a nós.

    Agora ele está sob o governo do Espírito de Deus, e então é maravilhoso. Uma pessoa pode cantar o evangelho, e, por meio disso, você pode encontrar o Senhor.

    Lembro-me de que, quando fui salvo, havia um homem que acompanhava Alan Redpath e costumava cantar o evangelho. Nunca ouvi ninguém cantar o evangelho daquela maneira. Mais pessoas se converteram por meio do evangelho que ele cantava do que por qualquer outra coisa, especialmente homens.

    Havia uma qualidade naquilo. A voz de Deus vinha diretamente por meio daquela voz. É assim com outras coisas também, não é?

    Essa é toda a questão do altar. Se Deus vai realizar essa obra, precisamos estar dispostos a uma obra profunda da cruz. Não se trata apenas de levar à cruz tudo o que há de mau em nós, tudo o que há de pobre em nós, tudo o que fica aquém em nós. Levamos o todo — tudo — e deixamos Deus consumi-lo.

    No fim, somos tomados e queimados até virar cinzas. Então Deus lhe devolve algo que passou pela morte, pelo sepultamento e pela ressurreição, e o Espírito de Deus pode vir sobre o seu dom natural.

    O apóstolo Paulo era, creio que por qualquer critério, uma grande inteligência. Graças a Deus, ele conhecia a cruz. Vocês conseguem imaginar como ele poderia ter sido enfadonho se não tivesse conhecido a obra da cruz?

    Teríamos recebido teologia, teologia e mais teologia; teorias e teorias; ideais e ideais; e tudo o mais. Mas, quando o Espírito de Deus tomou aquela mente em Suas mãos e realmente fez algo com o apóstolo Paulo — quase o cegou, tornou-o dependente do Senhor —, aquela mente foi cheia do Espírito de Deus.

    Ela se tornou o meio pelo qual toda a igreja, ao longo desta era, tem sido edificada.

    A Vida Comunitária e a Unidade em Cristo

    Agora quero dizer mais uma coisa. Um quarto aspecto dessa questão de restauração é que precisamos ter uma experiência prática e comunitária da vida e da unidade de Cristo.

    A obra de reconstrução propriamente dita se encontra em Esdras 3:8 até o fim do capítulo. É muito, muito interessante.

    Eles começaram lançando novamente o fundamento. Nunca poderemos enfatizar demais a necessidade absoluta do fundamento correto na obra de reconstrução de Deus. Qual é o fundamento? Acho que todos vocês sabem. É Jesus Cristo — somente Jesus Cristo.

    Não Jesus Cristo mais um ensinamento específico, mais uma experiência específica, mais um método ou uma técnica específica, mas somente Jesus Cristo.

    Sobre essa base, começamos a ser edificados juntos. Se acrescentarmos qualquer coisa ao fundamento, Jesus Cristo, o Espírito de Deus se recusa a edificar. Ele nos abençoará individualmente; nos abençoará como unidades; mas não edificará.

    Somente quando reconhecemos que o fundamento é Jesus Cristo, e somente Jesus Cristo, o Espírito de Deus começa a obra de reconstrução. Mas, ah, como isso é maravilhoso. Deus disse:

    Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa. — 1 Pedro 2:6

    Como é maravilhoso que Deus tenha um fundamento absolutamente claro, absolutamente seguro e certo. O apóstolo Paulo diz em 2 Timóteo 2:19:

    Todavia, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus.

    Esse fundamento é a primeira coisa. Há muitos fundamentos falsos. Também há muitos fundamentos que são basicamente corretos, mas os crentes acrescentaram tanto a eles como base de comunhão que o Espírito Santo não consegue realizar nenhuma edificação.

    Somente Cristo — aqui está o fundamento. O Espírito Santo não dará um passo, se posso dizer isso com reverência, até reconhecermos que Jesus Cristo, e Ele crucificado, é o único fundamento para a nossa edificação e para a nossa comunhão.

    Qual é o fundamento da sua comunhão? Por que você está aqui? “Venho porque sou abençoado”, você diz. Então chegará um momento em que não será. O que fará então? Você vem porque é alimentado. Então chegará um momento em que não será. O que fará então?

    “Bem, você vem porque as pessoas são amigáveis.” Então o que acontece se deixarem de ser? O que acontece quando você começa a descobrir como elas realmente são? Vai fugir? Por que você vem?

    Você pode dizer com o apóstolo Paulo:

    Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado. — 1 Coríntios 2:2

    “Não pertencerei a nenhuma facção, a nenhum grupo, a nenhuma panelinha. Conheço somente Jesus Cristo, e a base da minha comunhão é o Senhor Jesus Cristo. Amarei cada um dos meus irmãos e irmãs sobre essa base. Eu os receberei sobre essa base, assim como Deus me recebeu.”

    Ah, como isso é importante. Uma vez lançado o fundamento, o trabalho começou. Pedra foi colocada sobre pedra.

    O trabalho de construção é bastante interessante, como alguns de vocês sabem, até mesmo pelas obras no jardim ou por terem observado as obras realizadas anteriormente neste lugar. Há um antigo provérbio chinês — deixem-me contá-lo:

    Uma jornada de mil milhas começa com um passo.

    Uma jornada de mil milhas começa com um passo. Podemos dizer que uma construção enorme começa com uma pedra sendo colocada sobre outra. Esse é o meu provérbio, acrescentado à antiga sabedoria dos chineses.

    Querem saber como ser edificados? Não fiquem apenas esperando que isso se materialize. Algumas pessoas têm a ideia de que Deus vai estar aqui um dia com uma espécie de varinha e agitá-la sobre todos nós.

    As pessoas dizem: “Bem, estou ali porque um dia desses vai acontecer alguma coisa com aquele pessoal. Vai ser um avivamento, sabe? Quando isso acontecer, nossa, vai ser maravilhoso”. Bem, não tenho tanta certeza.

    Não creio que Deus algum dia vá se colocar sobre alguma coisa com uma varinha e dizer: “Agora vocês estão todos edificados juntos”. Não seria maravilhoso se fosse assim? Embora, conhecendo-nos como seres humanos, eu não tenha certeza de que seria.

    Se o Senhor nos edificasse todos juntos em um instante assim, tenho uma forte suspeita de que, dentro de uma ou duas semanas, estaríamos todos gritando para sair. O Senhor tem a Sua própria sabedoria, e Ele sabe o que está fazendo.

    Se vocês estão esperando acontecer alguma coisa maravilhosa pela qual, de repente, sejamos todos edificados juntos, isso nunca acontecerá. O trabalho de edificação começa com uma pedra sendo edificada junto de outra.

    Tudo começa quando nos voltamos para as realidades práticas da vida compartilhada — quando realmente nos comprometemos com o povo de Deus. Muitos de nós nem sequer deram o passo de realmente se comprometer, de estar disponíveis para qualquer coisa, de realmente compartilhar, de se abrir.

    Ora, há alguns que acho que nunca ouvi abrir a boca em uma reunião. Isso é algo incrível. Qual é o problema? Por que não fazemos isso?

    Às vezes é medo, e isso precisa ser tratado. Mas às vezes é como se não estivéssemos realmente comprometidos. Há uma área de nossa vida em que somos, até certo ponto, espectadores.

    É muito mais fácil ser espectador. Naturalmente, há um problema ligado a ser espectador, porque você sempre sente, de alguma forma, que está de fora. Mas há uma grande “bênção”, entre aspas, em ser espectador, porque você não está realmente envolvido.

    É muito mais fácil julgar as coisas e dizer: “Bem, achei aquilo bastante bom. Não achei aquilo tão bom”. Vocês sabem o tipo de coisa?

    Deixem-me explicar uma coisa. Alguma vez vocês já acharam algo bastante difícil e pesado e, depois, surgiu alguma questão em que vocês participaram? Perceberam que todo aquele momento se tornou diferente?

    Vocês podem ir embora e dizer: “Nossa, o Senhor Jesus Cristo me ajudou, porque, quando orei, veio bênção sobre toda a reunião de oração. Tudo ganhou vida daquele momento em diante”. Não, não, não — quem mudou foi você.

    Quando você deu alguma coisa, de repente entrou no fluir da vida. Você descobriu isso. Pode ir a uma reunião, ficar à margem e dizer: “Bem, isso é tão bom. Não vou participar — tão bom, tão bom”. Você se sente infeliz o tempo todo e sai do mesmo jeito.

    Entregue-se. Quando isso acontece, você se comprometeu. Vejam, essa é realmente a realidade prática de sermos edificados juntos.

    Isso não é apenas uma questão de contribuição. Que isso fique bem claro. Só porque a primeira nota foi dada, isso, por si só, não significa nada em certo nível. Há muito mais envolvido.

    Há a questão do seu caráter, a questão da sua própria vida com Deus, a questão do que acontece em sua casa, em seus negócios, em seu trabalho e assim por diante. Mas, ainda assim, precisamos dizer que existe essa questão de estar realmente comprometido.

    Então Deus começa a realizar essa obra de nos edificar juntos. É realmente uma experiência comunitária da vida e da unidade de Cristo.

    Se vocês lerem esses versículos quando chegarem em casa — Esdras 3:8-13, que lemos juntos nesta noite —, descobrirão que todos estão ali. Todas essas pessoas diferentes: algumas supervisionam, algumas estão aqui, algumas estão ali, mas todas estão presentes.

    É maravilhoso ver essa obra. Todos têm a sua parte a desempenhar no trabalho e são pedras vivas sendo edificadas juntas.

    A Adoração na Obra de Restauração

    Outra coisa muito interessante a observar é que a adoração está tão claramente associada ao novo lançamento do fundamento. Este é apenas um ponto que pode ser de ajuda muito real para alguns.

    Muitas vezes associamos a adoração à pedra de remate. Em outras palavras, associamos uma grande torrente de louvor e adoração à conclusão da construção. Mas aqui, nesse movimento de restauração, ela começou com o fundamento.

    No momento em que tiveram o fundamento, todos cantaram e louvaram ao Senhor, e levantaram tamanho brado de júbilo que ele foi ouvido muito longe.

    É verdade que alguns dos mais velhos choraram, mas os mais jovens abafaram o choro deles com sua alegria. Assim, a alegria e a tristeza se misturaram.

    Não podemos deixar de sentir que esses idosos que se lembravam da cidade e do templo quando foram destruídos deviam ser pessoas extraordinárias.

    Eles devem ter sido os escolhidos de Deus que mantiveram viva toda a visão do Senhor acerca do templo durante todos aqueles anos. Teriam permanecido ali por cinquenta anos — aqueles que viram a destruição final, porque os setenta anos são contados a partir da primeira destruição da cidade.

    Durante cinquenta anos, essas pessoas estiveram no exílio. Esses idosos provavelmente tinham vinte anos quando viram a cidade destruída e o templo arrasado. Foram eles que mantiveram a visão viva. Eles choraram.

    Acho isso muito interessante, porque me parece um retrato da morte neles e da vida nos demais. Esses idosos maravilhosos não estavam impondo sua vontade, não andavam por aí dizendo: “Ah, silêncio! Gritando desse jeito! Nós sabemos alguma coisa dos sofrimentos de Cristo”.

    Ah, que Deus nos ajude a envelhecer com graça, se o Senhor tardar. Que envelheçamos com graça. Ou você envelhece e se torna uma espécie terrível de… Bem, não vou dizer mais; ou se torna uma daquelas pessoas que dão muito fruto na velhice, que são atraentes e cativantes, e parte integrante de tudo o que Deus está fazendo.

    Essas pessoas não impediram os jovens de gritar de alegria. Seu próprio choro pode ter sido provocado pela alegria que viam no rosto de cada jovem ao redor delas. Mas elas haviam pago o preço.

    Eram pessoas que conheciam algo das dores de parto espirituais. Eram pessoas que tinham uma visão do propósito de Deus e nunca a haviam abandonado durante todos aqueles anos no exílio. A visão estivera viva nelas. Nunca se haviam acomodado na Babilônia — nunca.

    Viviam para o dia em que voltariam. Na velhice, já na casa dos setenta anos, empreenderam a longa viagem de volta a Jerusalém.

    Não é interessante que a adoração estivesse associada a esse movimento de restauração? Não é certamente algo de interesse muito real que, talvez em todo verdadeiro movimento de restauração de Deus, tenha havido adoração — uma manifestação tão espontânea de adoração e louvor ao Senhor?

    É interessante, não é, que o cântico quase sempre tenha estado associado a cada movimento do Espírito de Deus, exceto o movimento quacre? O movimento quacre, aquele extraordinário movimento do Espírito de Deus, foi o único que não esteve associado a uma enorme manifestação de cânticos.

    Seja a Reforma, o movimento metodista, os Irmãos, o movimento pentecostal ou como vocês quiserem chamá-lo, houve uma extraordinária manifestação de cânticos em cada ocasião.

    Todo movimento de restauração tem sido acompanhado de adoração, porque o Espírito de Deus está ali. É como se o Espírito de Deus estivesse tão contente, para falar com reverência, que algo da alegria do Senhor transbordasse para todos os que fazem parte dessa restauração.

    O Conflito e a Oposição na Restauração

    Por último, há o conflito em torno da restauração, e encontramos isso em Esdras 4. Isso é realmente bastante interessante.

    Neste capítulo, temos vários acontecimentos diferentes reunidos. Vocês não perceberiam isso se não observassem cuidadosamente as datas. Verão que temos Ciro em Esdras 4:3, Assuero em Esdras 4:6 e Artaxerxes em Esdras 4:7.

    A parte sobre Artaxerxes, que ocupa um número considerável de versículos, pertence a um período muito posterior — ao tempo de Neemias, na verdade, mais adiante no retorno de Esdras, no segundo e no terceiro retornos.

    Portanto, aqui temos um fato muito interessante: o Espírito Santo reuniu toda uma série de acontecimentos em uma única passagem. Por quê? Uma coisa reúne todos esses acontecimentos: uma oposição persistente.

    Sempre encontramos um conflito extraordinário associado à restauração. Não importa onde vocês olhem no Antigo Testamento ou na história da igreja. Sempre que o Espírito de Deus iniciou um movimento de restauração, houve uma enorme oposição. Toda espécie de mal veio à tona.

    É impressionante o que às vezes se diz. Mas vocês encontram tudo isso aqui neste capítulo, para seu consolo. Todos os tipos de ataque: às vezes um ataque frontal, às vezes um ataque por dentro, às vezes um ataque velado, às vezes um ataque muito ousado. Está tudo aqui.

    Primeiro, eram os samaritanos, porque eram um povo misturado. Eles chegaram: “Deixem-nos edificar com vocês”. O quê? A maioria de nós teria dito: “Ah, que pessoas gentis. Querem nos ajudar a construir. Bem, isso é muito bom mesmo. Devemos aceitar a oferta de ajuda”.

    “Talvez possam nos ajudar. Talvez não consigam fazer tudo, mas precisamos de ajuda de verdade. Provavelmente há entre eles alguns homens muito fortes e outros inteligentes e habilidosos. Poderíamos aproveitar a ajuda deles.”

    Então vocês ouvem o que dizem: “Porque adoramos o Deus de vocês”. Continuaram: “Sacrificamos a Ele desde os dias de Esar-Hadom”. Sim, mas não disseram como. Não disseram nada sobre a mistura que havia ali.

    Não disseram que havia uma multidão misturada. Não disseram que não pertenciam verdadeiramente ao povo de Deus. Não observavam a lei de Deus. Ah, aparentemente eram tão simpáticos.

    Muitas obras de Deus foram destruídas pela introdução, no próprio trabalho, daqueles que trazem essa mistura. Não há um espírito puro; as origens não são santas em Deus. Quando isso acontece, é o fim.

    Naturalmente, isso aconteceu. O grande episódio histórico é Constantino. Constantino se converteu, e talvez tenha sido uma conversão real para ele. De repente, da noite para o dia, ser cristão se tornou popular. O cristianismo se tornou a religião do Estado, e milhares, milhares e milhares afluíram à igreja.

    E a igreja morreu.

    Não é muito fácil dizer: “Não vamos permitir que vocês participem”. Nossa, essas pessoas quase poderiam ser chamadas de exclusivistas. Escutem o que dizem:

    Nada tendes conosco na edificação de uma casa ao nosso Deus; mas nós, juntos, a edificaremos ao Senhor, Deus de Israel. — Esdras 4:3

    Ah, aposto que isso os irritou. Agora começamos a ver o que realmente havia nessas pessoas. À medida que avançamos, encontramos essas pessoas recorrendo a todas as artimanhas possíveis, ao longo de todo esse movimento de restauração, até Neemias.

    Fazem tudo o que podem. Tentam fazê-los descer para conversar com eles. “Venham, vamos ter uma conferência. Vamos conversar sobre esse assunto.” Qualquer coisa para impedi-los de edificar.

    Às vezes fazem comentários maldosos: “Uma raposa poderia derrubar isso que vocês estão construindo”. Em outra ocasião dizem: “Esses judeus — pensam que estão construindo alguma coisa”.

    Se vocês lerem a carta a Artaxerxes, descobrirão que eles dizem coisas muito bonitas sobre Jerusalém:

    Seja notório ao rei que os judeus que subiram de ti vieram a nós, a Jerusalém; estão edificando aquela cidade rebelde e má, e terminaram os muros e repararam os alicerces. — Esdras 4:12

    Oposição. Sempre teremos oposição. Graças a Deus pela oposição.

    Foi o Senhor Jesus, naquela grande mensagem pregada no monte — o Sermão do Monte —, que disse:

    Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por Minha causa. — Mateus 5:11

    Isso não significa, naturalmente, que devemos procurar esse tipo de coisa, como alguns crentes fazem — garantindo que as pessoas pensem mal deles ao provocá-las o tempo todo.

    Mas o fato é que, se você está em um movimento de restauração de Deus, não precisa fazer nenhum esforço especial para irritar o inimigo. O inimigo já está irritado.

    Essa obra do templo foi realizada. Isso não é uma das coisas mais maravilhosas? A obra foi concluída. Parou por alguns anos, depois recomeçou, depois parou, depois recomeçou — mas foi realizada.

    Ageu e Zacarias, se vocês quiserem ler esses dois profetas, foram parte integrante da conclusão dessa obra. Ah, como ministraram ao povo, dizendo: “Não desistam, não desistam. O Espírito do Senhor está entre vocês. Prossigam”.

    E a obra foi realizada.

    Exortação Final

    Que o Senhor nos ensine todas essas lições e as escreva profundamente em nosso coração. Não sabemos quantos anos ainda nos restam, mas isto sabemos: a obra de restauração de Deus não terminou.

    Em breve — quanto tempo será, não sabemos —, veremos a pedra de remate ser colocada em sua posição. Então a obra terá sido concluída. O Messias virá. Ele é a pedra de remate.

    Aquele que é o fundamento, a principal pedra angular e a cabeça da esquina também é a pedra de remate. Que Deus nos ajude, então, a fazer parte do que o Senhor está realizando em nosso tempo e geração, enxergando algo daqueles princípios que têm governado cada movimento do Espírito de Deus ao longo de toda esta era.

    Que Ele, ao nos tornar parte desse movimento de restauração, nos ensine e nos eduque, para que sejamos qualificados a participar do governo e da administração eternos.

    Vamos orar?

    Oração Final

    Querido Senhor, entregamos em Tuas mãos tudo o que dissemos nesta noite. É uma noite quente, e esses aviões têm passado sobre nós, mas nós Te louvamos porque Tu és capaz de escrever em nosso coração, por Teu Espírito, qualquer lição que precisemos aprender.

    Não permitas que isso seja desperdiçado em nós, Senhor. Que cada um de nós esteja realmente envolvido no que Tu estás buscando realizar em nosso tempo e geração.

    Como somos gratos, Senhor, como comunidade, por aquele mês de treinamento que tivemos nesta mesma época do ano passado. Como pouco percebíamos, então, que ele mostraria todo o seu valor, por assim dizer, nos meses que se seguiriam àquelas semanas.

    Pai, oramos para que não diminuamos o ritmo nem nos tornemos apáticos, nem, de alguma forma, sejamos envoltos por uma nuvem, desviados ou afastados do caminho. Senhor, por Teu Espírito, nós Te pedimos: desperta-nos a todos.

    Que cada dom que há em nós, Senhor, seja exercitado. Que cada contribuição que deveríamos estar dando seja dada.

    Ó Senhor, vem sobre todos nós e permite, nós Te pedimos, que ouçamos aquelas Tuas palavras, de que devemos vigiar e orar.

    Ouve-nos, pois, Senhor, porque pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.