Está tudo bem. Vou continuar.
Vou usar o mesmo versículo que usei ontem à noite: Mateus 16:18. Foi isto que nosso Senhor Jesus disse:
E também Eu te digo que tu és Pedro;
e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Vamos orar.
Querido Senhor, nós nos achegamos a Ti com um espírito de adoração. Nós Te adoramos porque Tu és o nosso Senhor. Tu és tudo para nós.
Pedimos que, pelo Teu Espírito, Tu nos concedas sabedoria e entendimento, e que o Teu Espírito nos conduza à Tua verdade. Senhor, oramos para que a Tua verdade seja nossa realidade e experiência, e não apenas um conhecimento mental. Livra-nos de um conhecimento meramente mental.
Senhor, desejamos conhecer-Te de maneira viva. Pedimos que, como disseste, Tu edifiques a igreja sobre Ti mesmo, e que as portas do Hades não prevaleçam contra ela. Cremos na Tua palavra.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos que Tu mesmo venhas ao nosso meio e nos fales pelo Teu Espírito. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Como mencionamos ontem à noite, o que vamos compartilhar durante este tempo está centrado nesta única palavra: edificar. O Senhor disse:
Tu és Pedro;
e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Mencionamos ontem à noite que a primeira ocorrência da palavra edificar se encontra em Gênesis 2:22. O Senhor Deus tomou a costela que havia tirado de Adão e a edificou em uma mulher; depois, trouxe-a a ele.
Quando pensamos na palavra edificar, sabemos que ela não é uma palavra casual. É uma palavra técnica. Ela indica algo com um propósito, algo com um projeto, algo para o qual é necessária uma preparação e que precisa passar por um processo até que, finalmente, seja edificado e possa ser apresentado. Então, poderá servir ao propósito definido para o qual foi edificado.
O que gostaríamos de considerar juntos são essas cinco etapas. Ontem à noite, mencionamos, em primeiro lugar, que há um propósito definido por trás da edificação da igreja. Ela não é algo concebido pelos seres humanos. Não é um produto da história.
A edificação da igreja é um pensamento que Deus concebeu antes mesmo da fundação do mundo. Deus estabeleceu Seu propósito em Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus, e é a partir desse propósito que a igreja deve ser edificada.
Portanto, não se trata de algo insignificante, algo que podemos ignorar em nossa vida espiritual e em nossa busca espiritual. Na verdade, vocês perceberão que isso tem a máxima importância no pensamento de Deus, porque Ele quer satisfazer Seu Filho amado. Nada pode satisfazer Seu Filho amado, a não ser a igreja que Deus pretende edificar para Seu Filho.
Espero que, antes de tudo, todos nós sejamos profundamente marcados pelo pensamento de que a igreja não é algo que podemos simplesmente deixar de lado. Ela está no centro do pensamento de Deus e deve ocupar um lugar central em nossa busca espiritual.
Em segundo lugar, mencionamos que, para edificar alguma coisa, é preciso um modelo. Graças a Deus, vemos que Ele sempre edifica segundo um modelo. Ele nunca faz nada simplesmente por impulso, sem um projeto ou plano, sem uma planta.
Até mesmo na edificação do tabernáculo, vemos que Ele deu a Moisés o modelo no monte. Ele advertiu Moisés repetidamente de que tudo deveria ser feito exatamente de acordo com o modelo mostrado no monte.
Moisés foi fiel na casa de Deus. Em que sentido? No sentido de que, apesar de seu grande conhecimento de arquitetura, ele se recusou a mudar, alterar ou tentar melhorar o modelo que Deus lhe havia dado. Seguiu tudo rigorosamente de acordo com o modelo.
O mesmo se aplica ao templo. Vemos que Deus, por Sua própria mão, deu a Davi o modelo, e esse modelo deveria ser seguido rigorosamente.
Portanto, a questão é esta: no que diz respeito à edificação da igreja, Deus tem um modelo? Infelizmente, muitas pessoas pensam que não há um modelo para a igreja. Pensam que isso foi deixado à engenhosidade humana ou simplesmente ao curso da história.
É por isso que, na história da igreja, encontramos todo tipo de mudanças, formas e tendências, como se Deus tivesse simplesmente deixado essa questão nas mãos do homem. Mas como Deus poderia deixar uma edificação tão importante — a única edificação à qual Ele Se dedica — sem nenhum modelo e permitir que os homens fizessem o que julgassem melhor? Isso é impossível.
Também mencionamos ontem à noite que algumas pessoas tentam encontrar um modelo nos tempos do Antigo Testamento. Vocês encontram isso por toda parte no cristianismo: coisas modeladas segundo o Antigo Testamento. Entretanto, os tipos do Antigo Testamento são sombras. Estamos brincando com sombras em vez de lidar com a realidade.
Algumas pessoas parecem fazer melhor e tentam encontrar um modelo no Novo Testamento. Mas, infelizmente, procuram encontrá-lo de maneira técnica e mecânica, em vez de perceber que a igreja é um organismo vivo. O modelo precisa ser vivo, espiritual e celestial.
Onde está o modelo da igreja? Isso é muito simples e muito claro na palavra de Deus: o modelo é o próprio Cristo.
Para edificar a igreja, precisamos edificá-la segundo Cristo. É por isso que 1 Coríntios 12:12 diz:
Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros,
e todos os membros do corpo, sendo muitos, são um só corpo;
assim também é o Cristo.
Quando lemos esse versículo pela primeira vez, podemos pensar que deve haver um erro de tradução. O que está sendo descrito é a igreja: um corpo com muitos membros. Poderíamos esperar que o texto dissesse: “Assim também é a igreja”. Mas, graças a Deus, Ele não comete erros. No original, está escrito: “Assim também é o Cristo”.
Em outras palavras, a igreja é o próprio Cristo em Sua expressão corporativa. O próprio Cristo é o modelo da igreja. Quando a igreja é edificada, tudo o que se vê é Cristo. Não se vê o homem, embora os homens estejam envolvidos.
Pensamos na igreja como aqueles que foram chamados para fora e se reúnem. Graças a Deus, somos os chamados para fora e nos reunimos. Mas, quando esses chamados estão espalhados por toda parte, isso não constitui uma igreja.
Quando os chamados para fora se reúnem, isso significa que temos a igreja? Não. A Bíblia diz que dois ou três devem estar reunidos em Seu nome; não se trata simplesmente de uma reunião de pessoas chamadas para fora. Elas precisam reunir-se no nome do Senhor, o que significa estar sob o encabeçamento e a autoridade de Cristo.
Se não nos reunimos sob o encabeçamento e a autoridade de Cristo, ainda não temos a igreja. Por que isso acontece? Porque a igreja é o Cristo. Fora do próprio Cristo, não há mais nada nela.
Nós estamos nela e, em certo sentido, não estamos nela. Por quê? Porque, embora estejamos nela, somos eliminados pela cruz. Nosso velho homem, nossa carne, nossa velha natureza — tudo o que nos pertence na velha esfera — foi eliminado pela cruz de nosso Senhor Jesus. O que resta é somente o próprio Cristo.
Muitas vezes, procuro usar uma espécie de fórmula. A primeira vez que usei essa fórmula foi quando estava ministrando com o irmão Austin-Sparks. Quem conhecia o irmão Sparks sabia que uma fórmula era um tabu para ele, porque considerava tudo espiritual. Como se pode reduzir algo espiritual a uma fórmula?
Então, quando a usei, precisei pedir desculpas a ele e dizer: “Estou usando isso apenas temporariamente, para ilustrar algo com mais clareza”. O que é a igreja? A igreja é o conjunto daqueles que foram chamados para fora e estão reunidos.
Suponham que, no início da história da igreja, houvesse apenas três pessoas chamadas para fora. Vamos usar os três melhores: Pedro, João e Tiago. Suponham que esses três fossem todos os chamados para fora no início e estivessem reunidos. Isso constituiria uma igreja?
Pedro, João e Tiago, por si mesmos, não constituem a igreja. Podemos dizer:
O Cristo em Pedro, mais o Cristo em João, mais o Cristo em Tiago, é igual à igreja.
Mas então vemos Pedro sempre querendo ser o líder. João e Tiago também queriam ser líderes. Vocês se lembram de como tentaram passar à frente dos outros discípulos, pedindo ajuda à mãe deles. A mãe deles era tia de nosso Senhor Jesus, por isso sua palavra tinha certo peso.
No último momento, eles se anteciparam inesperadamente aos outros discípulos, e ela disse:
Permite que estes meus dois filhos se assentem,
um à Tua direita e outro à Tua esquerda.
Eles haviam combinado tudo. Naturalmente, os dez ficaram indignados porque os outros haviam passado à frente deles.
Se vocês colocarem Pedro, João e Tiago juntos, embora tivessem a vida de Cristo neles, encontrarão muitos problemas e dificuldades — não por causa do Cristo que estava neles, mas por causa do que estava fora de Cristo: a vida natural deles.
Portanto, o que realmente constitui a igreja é isto:
O Cristo em Pedro menos Pedro, mais o Cristo em João menos João, mais o Cristo em Tiago menos Tiago, é igual à igreja — o Cristo.
A igreja tem como modelo Cristo, e somente Cristo. Tudo precisa ser segundo Cristo. Não pode ser segundo o mundo, segundo a lei, segundo a carne ou segundo o homem natural. Tudo precisa ser segundo Cristo. O próprio Cristo é o modelo.
Espero que esse ponto esteja muito claro para nós. Então perceberemos como a igreja é santa e sagrada. Quando estendemos nossa mão natural, destruímos a própria natureza da igreja. Quando introduzimos nossa própria opinião, a igreja imediatamente sofre. Tudo o que não é segundo Cristo destrói a própria natureza da igreja.
Nesta tarde, gostaríamos de prosseguir com os outros três pontos. Depois de termos o propósito e, em seguida, o modelo — a planta desenhada —, começamos a preparação para a edificação. O construtor ou a empresa de construção começa a reunir os materiais de acordo com a planta, para que haja os materiais adequados para a edificação.
No princípio, quando Deus disse:
Não é bom que o homem esteja só;
far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.
Esse era o propósito. O modelo era o próprio Adão, porque todos os animais e todas as aves dos céus foram descartados. Adão não conseguia encontrar nada que verdadeiramente lhe correspondesse. Isso demonstrava que o modelo era o próprio Adão.
Então Deus começou a reunir o material para edificar a mulher. Ele não o recolheu de outro lugar; recolheu-o de Adão. Encontramos o mesmo princípio em todos esses tipos.
Quando Deus quis edificar o tabernáculo, o que aconteceu? Em Êxodo 35, Deus disse a Moisés:
Pede ao povo que Me traga uma oferta.
Todo aquele que tiver um coração disposto, traga uma oferta.
Agora, sabemos que a oferta alçada era uma oferta de amor. Mas lembrem-se: quando os filhos de Israel estavam no Egito, eram escravos. Como escravos, não possuíam nada — nem mesmo a própria vida.
Entretanto, quando Deus disse a Moisés que libertasse os filhos de Israel, já em Êxodo 3, Ele havia lhe dito que Faraó não deixaria o povo sair, mas que Deus faria maravilhas para libertá-lo. Quando Deus os libertou do Egito, disse às mulheres que pedissem ouro, prata e roupas às suas vizinhas egípcias. Quando saíram do Egito, despojaram os egípcios.
Antes, eles não tinham nada; eram escravos. Mas, na redenção do Senhor, Deus redimiu não somente os homens e as mulheres, mas também as crianças. Ele redimiu famílias inteiras. Não apenas isso: Ele redimiu aquilo que legitimamente lhes pertencia. Essas coisas eram o salário por todos aqueles anos em que haviam servido aos egípcios sem receber pagamento, e Deus é justo.
A própria vida deles, assim como todo o ouro, a prata, as roupas e tudo o que possuíam, havia sido redimido pelo próprio Deus. Daquilo que Deus havia redimido, Ele disse: “Deem-Me uma oferta de amor”.
Em outras palavras, tudo pertencia a Deus. Essas coisas não pertenciam, em primeiro lugar, aos hebreus; pertenciam a Deus. Entretanto, por meio de Sua obra redentora, Deus lhes deu essas coisas e disse: “Deem-Me uma oferta de amor. Todo aquele cujo coração for movido, faça isso”.
Infelizmente, o inimigo sabia disso. Quando Moisés subiu ao monte para receber os Dez Mandamentos, os filhos de Israel vieram a Arão e disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés. Ele subiu ao monte e não voltou. Faze-nos um deus que nos conduza”.
Arão lhes disse que trouxessem seus brincos de ouro. Ele os derreteu e fez com eles um bezerro de ouro. Então os filhos de Israel disseram: “Este é o nosso deus, o deus que nos tirou do Egito”. Começaram a comer, beber e festejar.
Deus disse a Moisés: “Desce. Os filhos de Israel pecaram”. Moisés desceu e viu aquela situação. Vocês se lembram de como ele despedaçou as duas tábuas de pedra, porque a lei já havia sido quebrada. Ele reduziu o bezerro de ouro a pó, lançou esse pó na água e fez os filhos de Israel beberem — beberem o próprio pecado.
Uma parte do ouro já havia sido perdida: ouro que deveria ter sido oferecido a Deus. O inimigo havia entrado e tentado tomar aquilo que legitimamente pertencia a Deus. Mas, graças a Deus, o que Ele havia dado era tão abundante que lhes concedeu uma segunda oportunidade.
Novamente, em Êxodo 35, Deus deu aos filhos de Israel uma segunda oportunidade. Ele disse:
Todo aquele que tiver um coração disposto, traga uma oferta:
ouro, prata, bronze, azul, púrpura, escarlate, linho fino,
madeira de acácia, pedras preciosas, azeite e especiarias.
Os materiais para o tabernáculo vieram do próprio Deus. Ele os deu ao Seu povo, mas o povo precisava devolvê-los por amor. Deus não os obrigaria a dar, mas, por amor, eles deram suas ofertas como materiais para a edificação do tabernáculo.
O mesmo princípio se encontra na edificação do templo. Embora Davi não tivesse permissão para edificar o templo, recebeu o modelo. Uma pessoa que não ama o Senhor de todo o coração poderia dizer: “Bem, fiz o melhor que pude. Não há mais nada para eu fazer, e Deus não exigirá mais nada de mim”.
Mas Davi não agiu assim. Embora não tivesse permissão para edificar o templo durante sua vida, preparou materiais em abundância para sua edificação. Se vocês lerem 1 Crônicas 22:14 e os versículos seguintes, verão que Davi disse:
Na minha aflição, preparei ouro, prata e estas coisas em abundância.
O que significava aquela aflição? Talvez se referisse aos dias em que ele precisou travar muitas guerras. Dos despojos de guerra, separou coisas e as deu como oferta a Deus.
Quando chegamos a 1 Crônicas 28, encontramos Davi dizendo que reuniu materiais segundo todas as suas forças — tudo o que era capaz de fazer. Então disse:
Por causa do meu amor pela casa do meu Deus,
dou do meu próprio tesouro particular.
Ele deu ouro, prata e tudo o que havia de mais precioso.
Era uma oferta de amor, feita em meio à sua aflição, segundo todas as suas forças e por seu amor à casa de Deus. Davi incentivou o povo a dar voluntariamente e, graças a Deus, eles deram voluntariamente. Em 1 Crônicas 29, Davi louvou a Deus porque Ele havia tornado Seu povo disposto a contribuir para a edificação da casa de Deus.
Irmãos e irmãs, esses são tipos. Mas agora chegamos à realidade: a edificação da igreja. De onde obtemos o material para a edificação da igreja?
Quando Deus criou o homem, tinha em Seu pensamento o material para a futura edificação da casa de Deus. Mas, infelizmente, o homem pecou. Desde então, Deus começou a trabalhar para preparar e encontrar o material.
Ele chamou Abraão. De Abraão veio uma nação, e nessa nação Cristo haveria de nascer. Então nosso Senhor Jesus veio a este mundo.
Se vocês lerem o Evangelho segundo João, verão que nosso Senhor veio como Noivo. Ele veio encontrar Sua noiva, mas ela não podia ser encontrada em lugar algum. Portanto, Ele precisou chamar pessoas para fora. Chamou Seus discípulos e os preparou para serem o material para a futura edificação da casa de Deus — a igreja.
Durante Seu ministério, o Senhor mencionou a palavra igreja apenas duas vezes, e isso aconteceu perto do fim de Seu ministério. Ele veio com esse propósito, mas não pôde compartilhar o que estava em Seu coração, nem mesmo com Seus discípulos, até que a cruz estivesse em vista — até que o Calvário estivesse em vista.
Então Ele começou a abrir Seu coração aos discípulos e disse:
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.
Mas onde estava o material? Ele disse:
Tu és Pedro.
Você é uma pedra, uma pequena pedra. Eu sou a rocha, a grande rocha. Você é uma pedra tirada da rocha e deve ser edificado sobre Mim. É isso que farei.
O Senhor não disse: “Tu és Simão, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja”. Não. Ele disse: “Tu és Pedro”.
Pedro compreendeu isso claramente. Em 1 Pedro 2:4-5, o próprio Pedro escreveu:
Achegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens,
mas eleita e preciosa para Deus,
vós também, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual,
para serdes sacerdócio santo,
a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais,
aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Quando nos achegamos ao Senhor, a Pedra Viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus —, todos nos tornamos pedras vivas. Da Rocha original, tornamo-nos pedras vivas e somos edificados como casa espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Então, irmãos e irmãs, quais são os materiais para a edificação da igreja? Os materiais são aqueles que têm a vida de Cristo. Antes, éramos apenas pó — pó morto. Mas, quando nos achegamos ao Senhor, tornamo-nos pedras vivas. A regeneração aconteceu dentro de nós. Uma nova vida, uma vida divina, a própria vida de nosso Senhor Jesus — a própria vida de Deus — nos foi dada.
Nós nos tornamos pedras vivas. O Senhor disse: “Usarei essas pedras vivas, esses Pedros, e os edificarei sobre Mim mesmo. As portas do Hades não prevalecerão contra ela”. O material não é outro senão aquilo que procede de Cristo.
Mas há outro elemento. Essas pedras vivas precisam oferecer-se de volta a Ele, por amor e voluntariamente. Embora sejamos pedras vivas, se não nos oferecermos a Ele voluntariamente, por amor e de boa vontade, Ele não poderá nos edificar como deseja.
É por isso que, em Romanos 12:1-2, lemos:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso serviço espiritual.E não vos conformeis com este mundo;
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Qual é a perfeita vontade de Deus? Se vocês continuarem a leitura até Romanos 12:5, encontrarão um só corpo. Essa é a vontade de Deus. Embora sejamos pedras vivas, se não oferecermos a nós mesmos — nossos corpos redimidos — a Deus, não poderá haver uma edificação prática.
Por que Paulo usa a palavra corpos? Porque está falando da esfera prática. É com nossos corpos que fazemos as coisas. Deus não quer apenas nosso ouro ou nossa prata. Ele nos quer. Ele quer que nos apresentemos como sacrifício vivo.
Assim como os filhos de Israel, precisamos vir com um coração disposto, movidos pelo Espírito, e dar uma oferta de amor daquilo que Deus nos deu. Se uma pessoa não estiver disposta, poderá guardar isso para si, mas desperdiçará aquilo que Deus lhe confiou.
Por que a igreja não está edificada? Há tantas pessoas redimidas e salvas, mas por que não vemos a edificação? A razão é que retemos tudo para nós mesmos. Não nos entregamos ao Senhor voluntariamente e de boa vontade.
O inimigo sabe muito bem que o que Deus fez em nossa vida se destina a Deus e à edificação da igreja. Por isso, ele procura nos tentar e nos desviar, para que usemos aquilo que Deus nos deu para outros propósitos.
Assim como os filhos de Israel, que usaram o ouro para fazer um bezerro de ouro, nós desperdiçamos aquilo que Deus nos deu. Irmãos e irmãs, vocês percebem quanto temos desperdiçado daquilo que Deus nos deu — daquilo que se destinava à edificação da igreja?
Nós o desperdiçamos conosco mesmos. Nós o desperdiçamos no mundo. Nós o desperdiçamos com propósitos que não são o propósito de Deus.
Somente aqueles que apresentam seus corpos como sacrifício vivo, sem reter nada de Deus, podem dar a Ele uma oferta de amor. Nossa oferta de amor somos nós mesmos. Nós nos entregamos a Ele. Somente então Deus nos acolherá e começará a nos edificar.
É uma tragédia que a edificação da igreja demore tanto. Isso acontece porque o povo de Deus não vem voluntariamente oferecer-se como ofertas vivas e cheias de amor — como sacrifícios vivos. Isso é tudo o que Deus deseja.
Espero especialmente que os irmãos e as irmãs mais jovens, assim que forem redimidos, se ofereçam completamente ao Senhor. Por causa do primeiro amor, é mais fácil naquele momento. Quanto mais vocês adiarem, mais difícil se tornará. Começarão a acumular tantas coisas que terão dificuldade de se separar delas.
Eu encorajo os irmãos e as irmãs jovens: desde o início de sua vida cristã, ofereçam-se como sacrifício vivo. Então Deus os receberá e começará a edificá-los na igreja — a igreja gloriosa, a igreja viva de Deus.
Esse é o material: nós somos o material. Mas precisamos nos oferecer voluntariamente a Ele antes que Ele possa nos usar.
Então chegamos ao quarto ponto: depois de reunir todos os materiais, é preciso passar por um processo. Isto é, usar esses materiais para edificar uma casa.
No caso de Adão, Deus tomou uma costela e a usou para edificar uma mulher. Esse foi o processo. Em nosso caso, o processo é muito mais complicado. Por quê? Porque pecamos. Não somos o que Deus originalmente nos criou para ser. Nós caímos.
Como Deus pode obter o material para a edificação da casa? Nosso Senhor Jesus veio a este mundo e viveu uma vida perfeita. Mas Sua vida perfeita não poderia nos salvar; na verdade, Sua vida perfeita nos condenaria. Entretanto, Sua vida perfeita O qualificou para ser nosso Redentor e nosso substituto.
Quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, chegamos a João 19. Depois de ser crucificado, Ele disse:
Está consumado.
A obra estava concluída, e Ele entregou Seu espírito ao Pai.
Então os soldados vieram para se certificar de que Jesus realmente havia morrido. Um soldado perfurou Seu lado com uma lança, e dali saíram sangue e água.
O apóstolo João estava ali. Ele disse:
Aquele que viu deu testemunho;
e o seu testemunho é verdadeiro.
Ele foi muito enfático. Às vezes, nos perguntamos por que João fez isso. Deve haver um significado por trás disso.
Nosso Senhor precisou passar pela morte — não como Adão, que apenas adormeceu. Nosso Senhor precisou entrar na morte. De fato, durante as últimas três horas, Ele provou a morte eterna por nós. Foi doloroso porque o pecado estava envolvido.
De Seu lado saíram sangue e água: sangue para a redenção e a expiação dos nossos pecados; água, Sua vida derramada por nós. Com esse sangue e essa água veio o material para a edificação da igreja.
Irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus pagou um preço tremendo por nós. É o Cristo em vocês e o Cristo em mim que constitui o material para a edificação da casa de Deus.
Na edificação do tabernáculo, Deus não apenas reuniu os materiais. Depois que os filhos de Israel se arrependeram e foram perdoados, ficaram tão tocados pelo amor de Deus que vieram e deram, todos os dias, todas as manhãs. Aqueles que estavam dispostos vinham continuamente, até que, por fim, precisaram ser impedidos de trazer mais, porque já havia material demais.
Então, em Êxodo 35, vemos que Deus não apenas pediu ao povo que contribuísse. Ele também chamou Bezalel e Aoliabe. Encheu esses dois homens com Seu Espírito e lhes deu sabedoria e entendimento, para que fossem capazes de realizar toda a obra.
No capítulo seguinte, vemos que aqueles que tinham sabedoria e entendimento vieram e trabalharam juntos. Trabalharam com os materiais e os transformaram em um tabernáculo. Levaram menos de um ano para concluí-lo.
No caso da edificação do templo por Salomão, ele era o símbolo da sabedoria. Em outras palavras, é preciso sabedoria para transformar o material em um produto acabado. Conhecimento não basta; é preciso sabedoria. Sabedoria é saber aplicar e utilizar o conhecimento que se tem.
É a sabedoria que edifica uma casa. Salomão, o símbolo da sabedoria, foi usado por Deus para edificar o templo, e levou sete anos para edificá-lo.
Agora, irmãos e irmãs, na edificação da igreja, quem é a sabedoria? O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
Em outras palavras, somente o próprio Senhor tem a sabedoria necessária para edificar a igreja.
Tratamos a igreja como se ela fosse pouca coisa, como se qualquer pessoa pudesse edificar ou plantar uma igreja. Temos essa expressão: plantadores de igrejas. Simplesmente saímos e plantamos, como se tivéssemos toda a sabedoria necessária para edificar uma igreja e transformar os materiais em um produto acabado. Nós não temos.
Somente Aquele que é maior do que Salomão tem essa sabedoria. Ele é a própria sabedoria, e somente Ele pode edificar a igreja. Ele também dá Seu Espírito àqueles a quem enche de sabedoria e entendimento, e essas pessoas podem trabalhar sob Sua direção para transformar os materiais em um produto acabado.
Somos pedras vivas, mas, infelizmente, muitos outros elementos estão ligados a nós. Temos a vida de Cristo, mas a velha vida adâmica ainda está presente. Temos a nova natureza, mas a velha natureza ainda está presente. Somos uma mistura.
Deus precisa nos purificar e nos santificar pela lavagem da água com a palavra. Ele precisa realizar muita obra em nossa vida, retirando todo o lixo e os resíduos, tudo o que é da carne, tudo o que é do mundo, tudo o que é do pecado e até mesmo algumas coisas satânicas que estão dentro de nós.
Ele precisa nos purificar. Não apenas isso: Ele precisa transformar essas pedras vivas em pedras preciosas — não apenas vivas, mas preciosas. Para tornar uma pedra preciosa, é necessária pressão: grande pressão, quase insuportável. É necessário calor, calor intenso. É necessária escuridão — profunda escuridão — para transformar pedras em pedras preciosas.
Irmãos e irmãs, isso fala a nós? Por que, quando nos oferecemos ao Senhor, parece que nossa vida se torna mais difícil? Se você guardar tudo para si, talvez pareça possível viver uma vida relativamente tranquila e fácil. Mas, assim que você se entrega completamente ao Senhor, as coisas começam a acontecer: pressão, calor, escuridão e muitas coisas que você não compreende.
Você pode dizer: “Se Deus me ama, por que permite que isso aconteça comigo?”. O Espírito Santo está nos disciplinando. Ele está ordenando nosso ambiente. Está colocando certas pessoas ao nosso lado para tratar conosco. Está ordenando nossas circunstâncias e aquilo que nos acontece para nos transformar em pedras preciosas.
O Espírito Santo está realizando muita obra em nossa vida. Ele não nos transforma em pedras preciosas apenas para nos exibir em um museu. Ele quer que essas pedras preciosas sejam edificadas juntas.
Isso exige mais trabalho. Ele precisa nos cinzelar, cortar e polir. Precisa realizar muita obra em nossa vida para que possamos nos ajustar uns aos outros.
Nossos pontos fortes são, muitas vezes, os pontos que dificultam sermos unidos uns aos outros. Não é nossa fraqueza; é nossa força. O Espírito de Deus precisa tratar conosco pela cruz.
Quando somos fracos, então somos fortes. Estamos sendo entrelaçados, unidos, ajustados uns aos outros. Há muita obra que o Espírito Santo precisa realizar em nossa vida.
Foi necessário menos de um ano para edificar o tabernáculo. Foram necessários sete anos para edificar o templo. Mas quantos anos são necessários para edificar a igreja? Dois mil anos se passaram, e a edificação ainda não está concluída.
Mas Deus está trabalhando. Ele está trabalhando. Ele está edificando. Em Sua sabedoria, transforma essas matérias-primas em produtos acabados.
Irmãos e irmãs, isso é o que Deus está fazendo hoje. Se compreendermos isso, não nos ofenderemos com o Senhor. Caso contrário, é muito fácil nos ofendermos.
Finalmente, é claro, o produto acabado deve ser apresentado. Deus levou Eva a Adão. Assim que Adão viu Eva, soube imediatamente:
Esta é agora osso dos meus ossos,
e carne da minha carne;
ela será chamada Mulher.
Os dois foram unidos em um só. Quando Moisés terminou o tabernáculo segundo o modelo mostrado no monte, e ele foi levantado, uma nuvem o encheu. A glória do Senhor desceu sobre ele, e nem mesmo os sacerdotes puderam permanecer no tabernáculo. Precisaram sair. O povo simplesmente adorou.
O mesmo aconteceu com o templo. Quando o templo foi concluído e Salomão ofereceu o holocausto, fogo desceu do céu, e a nuvem encheu o templo. Os sacerdotes precisaram se retirar, e todos adoraram.
Quanto mais glorioso será quando chegar o dia que está no pensamento de Deus. Como vemos em Efésios 5, Cristo amou a igreja e entregou-Se por ela. Ele a santifica pela lavagem da água com a palavra, tornando-a santa.
Ele a apresentará a Si mesmo como uma igreja gloriosa, sem mancha, ruga ou qualquer coisa semelhante — uma igreja santa e sem defeito, apresentada a Ele como Sua noiva.
Quando chegamos ao fim da Bíblia, ao livro de Apocalipse, encontramos a cidade santa, a Nova Jerusalém, preparada e adornada como uma noiva para o Noivo. Ela desce cheia de glória.
Vemos Cristo em Sua expressão corporativa completa. Não há nada que possamos fazer, a não ser adorar.
Irmãos e irmãs, graças a Deus. Essa é a obra de Deus. Nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora,
e Eu trabalho também.
Essa é a obra de Deus.
Cremos que aquilo que Deus começou, Ele terminará. Humanamente falando, quanto mais olhamos para a situação atual, mais nosso coração pode desanimar. Mas, pela fé, sabemos que o Senhor está trabalhando. Ele ainda não terminou Seu trabalho. Ele está sempre trabalhando, trabalhando, trabalhando.
Cremos que está chegando o dia em que a igreja gloriosa será manifestada. Que Deus nos dê fé e também nos dê obediência. Vamos orar?
Querido Pai celestial, queremos agradecer-Te por Teu precioso e glorioso pensamento: Tu desejas dar ao Teu Filho amado algo que corresponda plenamente ao Seu coração. Nós Te louvamos e agradecemos porque é Tua vontade que o homem seja isso.
Querido Senhor, nós Te agradecemos por nos dares Tua vida. Agradecemos por todo o preço que estiveste disposto a pagar por nós. Pedimos que sejamos um povo tocado pelo Teu amor e disposto a oferecer-nos como sacrifício vivo, permitindo que Tu trabalhes conosco e em nós pelo Teu Espírito, até que a igreja gloriosa possa ser apresentada ao Teu Filho amado.
Ó Senhor, apressa essa obra. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Nós Te agradecemos porque Jesus é o Sim a cada promessa. Senhor, que Ele esteja em nós. Que sejamos purificados, para que possamos ser o sacerdócio santo que oferece sacrifícios espirituais, um templo espiritual para Ti.
Obrigado por Tuas promessas.
Como nosso tempo juntos é curto, gostaria de fazer uma pergunta. Eu poderia fazê-la em particular, mas vou fazê-la publicamente, e o irmão pode me dizer se seria útil falar sobre isso.
Ao longo dos anos, muitos de nós nos familiarizamos com o que o irmão disse hoje por meio dos escritos de Watchman Nee e de sua própria trajetória. Há um problema específico que, creio eu, tenho visto na vida de outras pessoas e que também afetou minha vida. Ele diz respeito às nossas personalidades e aos nossos temperamentos — a quem somos como indivíduos.
Quando o irmão fala de João mais Cristo, sendo João removido e permanecendo Cristo, o que acontece com nossa personalidade? Ainda há lugar para a escolha? Essa é minha pergunta. Podemos conversar em particular, mas, se for bom falar sobre isso publicamente, deixo a decisão com o irmão.
Sim. Quando você diz “João mais Cristo”, e João é removido, o que resta de nós? Estamos falando de personalidade e temperamento. Creio que precisamos perceber a diferença entre temperamento e personalidade.
Quando Deus nos criou, criou cada um de nós de maneira diferente. Fisicamente falando, não há duas pessoas exatamente iguais. Deus ama a variedade. Pessoalmente, creio que essa também é a maneira como Deus cria nossa alma. A forma de nossa alma é o nosso temperamento.
Deus nos fez com temperamentos diferentes. Alguns temperamentos são mais extrovertidos; outros, mais reservados. Alguns são mais rápidos, outros, mais lentos. Cada pessoa tem um temperamento diferente.
No que diz respeito ao temperamento, ele é como nosso corpo físico: é neutro. Tudo o que Deus cria é belo. Pessoas de temperamento rápido são belas, e pessoas de temperamento lento são belas. A questão é: quem está usando esse temperamento? Esse é o problema.
Se o velho homem está usando o temperamento, nada de bom resulta disso. Se você é rápido, é rápido demais. Se é lento, é lento demais. Se é extrovertido demais, como Pedro, acaba se metendo em problemas. Se é reflexivo demais, também acaba se metendo em problemas.
O temperamento em si é a forma de nossa alma. É aquilo que você é. Na verdade, é mais real do que nosso corpo. O que você realmente é se encontra em sua alma, e é na forma de sua alma que está sua individualidade. Nosso temperamento expressa nossa individualidade.
Deus nos ama como indivíduos. Deus não quer que sejamos como uma massa de carne. Ele tem um corpo, e cada membro é diferente. Essa é a beleza disso.
Muitas vezes, tentamos imitar outras pessoas. Dizemos: “Ah, se eu tivesse o temperamento daquela pessoa”. Não. Deus diz: “Permaneça como você é. Foi por isso que Eu o fiz dessa maneira”. Se você permitir que a vida Dele controle seu temperamento, ele se tornará muito útil.
Pedro é útil. Quando usava seu próprio temperamento, causava problemas. Mas, quando Deus o usou depois de Pentecostes, que diferença! João não poderia necessariamente fazer o que Pedro fez: colocar-se diante de grandes multidões e transmitir uma mensagem por meio da qual três mil pessoas foram salvas. João era quieto e reservado demais para isso. Somente Pedro poderia fazê-lo, porque tinha o temperamento adequado.
Entretanto, João tinha seu próprio temperamento. É por isso que o encontramos consertando as redes. Ele estava ali, quietamente, fazendo seu trabalho. Não se preocupe com seu temperamento. Você não é capaz de mudá-lo completamente. Ele pode ser moderado por estar sob controle, mas você não pode mudar seu temperamento básico.
Graças a Deus, muitas vezes Ele une dois temperamentos diferentes no casamento. Essa é uma das maravilhas do casamento. Se colocássemos juntas duas pessoas de temperamento exatamente igual, isso poderia ser desastroso. Há muito da cruz envolvido, é claro, mas é aí que marido e esposa aprendem a complementar um ao outro.
Portanto, não há problema com o temperamento ou com a individualidade. O problema é aquilo que chamamos de personalidade.
A personalidade é a soma total de nosso caráter. Ao longo dos anos, com a velha vida, desenvolvemos vários traços de caráter. A combinação desses traços se torna nossa personalidade. É isso que se apresenta às outras pessoas como aquilo que somos.
Depois que somos salvos, pessoalmente creio que nossa personalidade precisa mudar. Deus trata com nossa personalidade; isto é, Ele trata com nossa velha natureza, nossos velhos hábitos e nosso antigo modo de viver. Essas coisas formam a base de nossa personalidade.
A personalidade é a sua pessoa; é aquilo que expressa você. Em Adão, é isso que somos. Portanto, a personalidade precisa mudar. Com a nova natureza — a vida de Cristo em nós —, somos verdadeiramente participantes de Sua natureza divina.
Como participantes dessa nova natureza, somos gradualmente transformados, e novos traços de caráter são desenvolvidos. Esse é o caráter cristão.
O caráter cristão não é ética. Não é algo que o homem procura melhorar por si mesmo. Algumas pessoas pensam que, aperfeiçoando a si mesmas e seu caráter, tornam-se pessoas melhores. Não. O caráter cristão é Cristo.
O Espírito Santo começa a trabalhar em nós. Ele usa a cruz para eliminar velhos hábitos, velhos pensamentos, velhos modos de viver, a velha mente e todas essas coisas. Ele nos possibilita seguir a nova natureza que está dentro de nós.
À medida que você segue a nova natureza, isso se torna um hábito — um novo hábito, um novo caráter. A combinação desses novos traços de caráter se torna sua nova personalidade.
Mesmo na eternidade, as doze pedras dos fundamentos que representam os apóstolos são pedras preciosas diferentes. Há combinações diferentes. Pedro continua sendo Pedro, e João continua sendo João. A individualidade permanece, mas a personalidade é Cristo.
Não resta ali nada do velho Simão. Tudo é o novo Pedro. É para isso que o Senhor está trabalhando.
Às vezes, sentimos que o problema da igreja hoje é a personalidade. Em certo sentido, isso é verdade. A velha personalidade é sempre um problema, porque é um resquício da velha criação. É por isso que precisamos da renovação da mente.
Gradualmente, precisamos desenvolver novos hábitos e um novo caráter. Deixemos que o caráter de Cristo nos caracterize: o fruto do Espírito.
Mesmo no fruto do Espírito, há combinações diferentes em pessoas diferentes. Isso produz pedras preciosas diferentes, e essa é a beleza disso. Mas, no que diz respeito à personalidade, um dia aquilo que expressará nossa personalidade será Cristo.
Muitas vezes, quando temos problemas, dizemos: “É um problema de personalidade”. Naturalmente, ninguém pode tratar um problema de personalidade, a não ser Deus. Essa é a especialidade do Espírito Santo.