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    Lambert, Lance

    A oferta voluntária no dia do Seu poder

    Se vocês abrirem comigo nesta noite no Salmo 110, vamos lê-lo mais uma vez. Depois, leremos outras duas passagens da Palavra no Antigo Testamento.

    Salmo 110

    Disse o Senhor ao meu Senhor:
    Assenta-Te à Minha direita,
    Até que Eu faça dos Teus inimigos o estrado dos Teus pés.

    O Senhor enviará de Sião o cetro da Tua força:
    Domina no meio dos Teus inimigos.

    O Teu povo se oferece voluntariamente
    No dia do Teu poder, na beleza da santidade:
    Do ventre da manhã
    Tens o orvalho da Tua mocidade.

    O Senhor jurou e não Se arrependerá:
    Tu és sacerdote para sempre,
    Segundo a ordem de Melquisedeque.

    O Senhor, à Tua direita,
    Ferirá os reis no dia da Sua ira.
    Ele julgará entre as nações;
    Encherá os lugares de cadáveres;
    Ferirá a cabeça em muitos países.

    Beberá do ribeiro no caminho:
    Por isso, levantará a cabeça.

    Êxodo 35:4-9, 20-29

    E Moisés falou a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: Isto é o que o Senhor ordenou, dizendo:
    Tomai dentre vós uma oferta ao Senhor; todo aquele que tiver coração voluntário a trará como oferta ao Senhor: ouro, prata e bronze;
    Azul, púrpura, escarlate, linho fino e pelos de cabras;
    Peles de carneiros tingidas de vermelho, peles de focas e madeira de acácia;
    Azeite para a iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático;
    Pedras de ônix e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.

    E toda a congregação dos filhos de Israel saiu da presença de Moisés.
    E veio todo aquele cujo coração o moveu, e todo aquele cujo espírito o tornou disposto; e trouxeram a oferta ao Senhor para a obra da tenda da congregação, para todo o seu serviço e para as vestes sagradas.

    Vieram homens e mulheres, todos os que tinham coração voluntário; e trouxeram broches, brincos, anéis de sinete e braceletes, todos os tipos de joias de ouro; assim fez todo aquele que apresentou uma oferta de ouro ao Senhor.

    E todo aquele que possuía azul, púrpura, escarlate, linho fino, pelos de cabras, peles de carneiros tingidas de vermelho e peles de focas os trouxe.
    Todo aquele que apresentou uma oferta de prata ou de bronze trouxe a oferta ao Senhor; e todo aquele que possuía madeira de acácia para qualquer obra do serviço a trouxe.

    E todas as mulheres de coração hábil fiaram com as próprias mãos; e trouxeram o que haviam fiado: o azul, a púrpura, o escarlate e o linho fino.
    E todas as mulheres cujo coração as moveu com habilidade fiaram os pelos de cabras.

    E os príncipes trouxeram as pedras de ônix e as pedras de engaste para o éfode e para o peitoral;
    E as especiarias e o azeite para a iluminação, para o óleo da unção e para o incenso aromático.

    Os filhos de Israel trouxeram uma oferta voluntária ao Senhor; todo homem e toda mulher cujo coração os tornou dispostos a trazer ofertas para toda a obra que o Senhor havia ordenado que se fizesse por intermédio de Moisés.

    1 Crônicas 29:1-19

    E o rei Davi disse a toda a assembleia: Salomão, meu filho, a quem só Deus escolheu, é ainda jovem e inexperiente; e a obra é grande, porque o palácio não é para homem, mas para o Senhor Deus.

    Preparei, pois, com todas as minhas forças, para a casa do meu Deus, ouro para as coisas de ouro, prata para as coisas de prata, bronze para as coisas de bronze, ferro para as coisas de ferro e madeira para as coisas de madeira; pedras de ônix, pedras de engaste, pedras para mosaicos e de diversas cores, toda espécie de pedras preciosas e pedras de mármore em abundância.

    Além disso, porque tenho posto o meu afeto na casa do meu Deus, possuo um tesouro particular de ouro e prata, que dou à casa do meu Deus, além de tudo o que preparei para a casa santa:
    Três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata refinada, para revestir as paredes das casas;
    Ouro para as coisas de ouro, prata para as coisas de prata e para toda espécie de trabalho a ser feito pelas mãos dos artífices. Quem, pois, se oferece voluntariamente para se consagrar hoje ao Senhor?

    Então, os chefes das casas paternas, os príncipes das tribos de Israel, os capitães de milhares e de centenas, juntamente com os responsáveis pelas obras do rei, ofereceram voluntariamente.
    E deram para o serviço da casa de Deus cinco mil talentos e dez mil dáricos de ouro, dez mil talentos de prata, dezoito mil talentos de bronze e cem mil talentos de ferro.

    E aqueles que possuíam pedras preciosas as deram ao tesouro da casa do Senhor, sob a responsabilidade de Jeiel, o gersonita.
    Então, o povo se alegrou por ter oferecido voluntariamente, porque de coração íntegro ofereceram voluntariamente ao Senhor; e também o rei Davi se alegrou com grande alegria.

    Por isso, Davi bendisse ao Senhor perante toda a assembleia; e Davi disse: Bendito sejas Tu, ó Senhor, Deus de Israel, nosso Pai, de eternidade a eternidade.

    Tua, ó Senhor, é a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade; porque tudo quanto há nos céus e na terra é Teu. Teu é o reino, ó Senhor, e Tu és exaltado como Cabeça sobre todos.
    Riquezas e honra vêm de Ti, e Tu dominas sobre tudo; na Tua mão há poder e força; na Tua mão está o engrandecer e o dar força a todos.

    Agora, pois, ó nosso Deus, nós Te damos graças e louvamos o Teu glorioso nome.
    Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer tão voluntariamente desta maneira? Porque todas as coisas vêm de Ti, e do que é Teu nós Te damos.
    Porque somos estrangeiros diante de Ti e peregrinos, como foram todos os nossos pais; os nossos dias sobre a terra são como a sombra, e não há permanência.

    Ó Senhor, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para Te edificar uma casa ao Teu santo nome vem da Tua mão, e tudo é Teu.
    Sei também, meu Deus, que Tu provas o coração e Te agradas da retidão. Quanto a mim, na retidão do meu coração, ofereci voluntariamente todas estas coisas; e agora vi com alegria o Teu povo, que aqui está, oferecer voluntariamente a Ti.

    Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, nossos pais, conserva isto para sempre nas intenções dos pensamentos do coração do Teu povo, e dirige o seu coração a Ti;
    E dá a Salomão, meu filho, um coração íntegro, para guardar os Teus mandamentos, os Teus testemunhos e os Teus estatutos, para fazer todas estas coisas e para edificar o palácio para o qual fiz provisão.

    Oração

    Vamos nos inclinar juntos mais uma vez em oração?

    Ó Pai, queremos simplesmente nos inclinar diante de Ti, reconhecendo, ó Senhor, nossa absoluta dependência de Ti para ouvirmos a Tua Palavra nesta noite; para que ela seja anunciada e para que realmente a ouçamos com os ouvidos do nosso espírito.

    Ó Pai, queremos Te agradecer pela unção que é nossa no Senhor Jesus Cristo. Estamos juntos nessa unção, tanto quem fala como quem ouve. Faz deste um encontro Contigo, Senhor. Faz deste, nós Te pedimos, um tempo em que nossos corações sejam movidos pelo Teu Espírito, desafiados pelo Teu Espírito, em que sejamos colocados diante das questões reais de tudo o que diz respeito ao Teu propósito quanto ao nosso Senhor Jesus e aos que são Teus.

    Ó Pai, entregamos este breve tempo a Ti. Queres usar minha fraqueza, pois sou pó, Senhor, para, de alguma maneira, revelar a Ti mesmo e falar a Tua Palavra? E concede, ó Senhor, já que todos nós somos apenas pó redimido pela Tua graça, que conheçamos o Teu falar e o Teu agir em nosso meio da maneira mais maravilhosa. Pois pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    A quarta lição: nossa responsabilidade

    Agora, nesta noite, quero abordar, pelo poder capacitador do Senhor Jesus, a quarta lição deste pequeno Salmo 110. Acho que agora já é tarde demais para repassar as lições que percorremos, mas já examinamos três lições deste salmo.

    A primeira foi a vitória absoluta do nosso Cabeça ressuscitado, glorificado e assunto aos céus. O fim foi assegurado desde o princípio. Graças a Deus. O Pai disse ao Filho:

    Assenta-Te à Minha direita, até que Eu faça dos Teus inimigos o estrado dos Teus pés.

    Não estamos lutando para alcançar uma possível vitória. A verdade gloriosa é esta: o Senhor Jesus já conquistou a vitória, realizou o propósito de Deus em Si mesmo e estabeleceu uma base, um fundamento sobre o qual já foi concedida cada coisa necessária para cumprir a vontade de Deus. Essa é a obra consumada do Cordeiro.

    Passamos uma noite inteira nessa lição maravilhosa, que, naturalmente, é o fundamento de todas as outras.

    Depois, abordamos a segunda lição, que era o propósito eterno de Deus. Tomamos uma pequena expressão do versículo 2:

    O Senhor enviará de Sião o cetro da Tua força.
    Domina no meio dos Teus inimigos.

    De Sião.

    Vimos como esse nome extraordinário, Sião, simboliza tanto o monte como a cidade. A cidade física de Jerusalém, o próprio monte Sião, simboliza uma realidade eterna e espiritual — algo que esteve no coração de Deus desde o princípio. Não algo que Ele pensou depois, ou algo a que Ele Se adaptou, mas algo que, lá na eternidade passada, estava no coração de Deus antes de Ele criar o universo, antes de criar o homem e a mulher, antes mesmo de colocar um único planeta em sua trajetória.

    Havia no coração de Deus esse desejo de ter um lar para Si mesmo, formado por seres humanos unidos a Ele, participantes da Sua própria natureza, experimentando Sua vida e Seu poder divinos.

    A isso chamamos Sião: a habitação de Deus, a cidade de Deus, a noiva de Cristo, a esposa do Cordeiro. Seja qual for a maneira como vocês prefiram descrevê-la, trata-se da mesma coisa.

    É por isso que todo ser humano nascido de Deus tem, em seu coração, por meio do novo nascimento, os caminhos para Sião. Esses caminhos podem ficar sobrecarregados de institucionalismo, erro e muitas outras coisas, mas, graças a Deus, em todo filho de Deus recém-nascido foram implantados os caminhos para Sião.

    Ah, se pudéssemos entender que existe algo maior até mesmo do que a nossa tão grande salvação: existe um fim, um objetivo de Deus para o qual Ele nos salvou. Em outras palavras, Ele nos salvou para nos trazer de volta ao Seu propósito eterno. Nossa salvação é um meio para um fim, por mais tremenda, poderosa e grandiosa que seja. Existe um objetivo em direção ao qual Deus está avançando.

    Passamos outra ocasião examinando a outra lição, também no versículo 2: o propósito eterno de Deus de que o Seu lar tenha domínio, de que Ele e os Seus reinem.

    O Senhor enviará de Sião o cetro da Tua força.

    A última imagem que temos na Bíblia é a do trono de Deus e do Cordeiro na cidade. Está escrito:

    Os Seus servos verão o Seu rosto;
    Eles O servirão;
    E reinarão para todo o sempre.

    Não simplesmente: “Ele reinará para todo o sempre” — essa é a mais maravilhosa verdade —, mas, algo ainda mais abençoado:

    Eles reinarão para todo o sempre.

    Em união com Ele, introduzidos em Seu trono.

    Vimos naquela terceira lição que esse domínio — essa palavra ao Messias entronizado, “Domina no meio dos Teus inimigos” — deve ter algo a ver com tempo e lugar. Tem a ver com os santos de Deus aqui na terra, no tempo e no lugar em que estão. Precisamos aprender a exercer o domínio aqui e agora.

    Não adianta apenas ficar orando indefinidamente. Não adianta apenas ficar trabalhando indefinidamente. Já descobrimos isso. Você pode evangelizar, evangelizar e evangelizar, e nem uma alma chega à salvação. Você pode ter ensino, ensino e mais ensino, e, de alguma maneira, ele nunca chega de fato ao coração das pessoas. Você pode ter atividade, atividade e mais atividade, reuniões e mais reuniões, e, de alguma maneira, tudo acaba se tornando apenas uma rotina. Nada acontece.

    É somente quando aprendemos, pelo Espírito de Deus, a levantar o cetro em nome do Senhor que o Senhor envia de Sião o cetro da Sua força e domina no meio dos Seus inimigos.

    Assim, podemos aprender a agir no lugar secreto da oração; a governar e reinar com Cristo sobre as localidades em que fomos colocados, sobre as nações em que nos encontramos. Essa é uma das grandes etapas de aprendizado às quais o Espírito Santo deseja conduzir cada um de nós.

    Pois bem, nesta noite quero chegar à quarta lição, que é a nossa responsabilidade.

    A oferta voluntária

    O Teu povo se oferece voluntariamente
    No dia do Teu poder,
    Na beleza da santidade.

    É assim que está na American Standard Version, de 1901.

    Agora, vocês perceberão imediatamente que o texto hebraico original tem dado origem a muitas dificuldades. Acho que existem quase tantas traduções quanto versões. Seria até interessante perguntar a todos vocês, caso tenham versões diferentes: “O que diz a sua versão?” Vocês notarão que muitas das versões modernas diferem umas das outras.

    Isso acontece porque os tradutores têm lutado com algumas obscuridades do texto original; e, receio dizer, em vários casos não houve aquela compreensão espiritual deste salmo. Eles fizeram correções.

    Vocês verão na Bíblia de Jerusalém, na New English Bible e em algumas outras versões modernas que foi feita uma correção. Alguns de vocês terão essa extraordinária correção sobre “montes de santidade”, em vez de “a beleza da santidade” ou “vestes sagradas”. Voltaremos a isso daqui a pouco.

    Depois, vocês têm esta expressão:

    O Teu povo se oferece voluntariamente no dia do Teu poder.

    Na New American Standard Bible, que provavelmente apresenta a melhor tradução, vocês encontrarão:

    O Teu povo se apresentará livremente como voluntário no dia do Teu poder.

    Agora, o hebraico aqui é de enorme interesse, porque essa é a palavra usada em outras passagens, ao longo de todo o Antigo Testamento, para uma oferta voluntária. Aqui ela está no plural: nedaboth; no singular, nedabah. É a oferta voluntária sobre a qual lemos em Êxodo 35.

    Uma tradução literal, embora não soe muito bem em inglês, seria:

    O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias no dia do Teu poder, na beleza da santidade.

    A maioria das pessoas não conseguiria entender o que isso quer dizer: “O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias”. Essa é uma excelente questão.

    O significado da oferta voluntária

    O que é uma oferta voluntária?

    O holocausto, a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa e muitas das outras ofertas eram exigidos pela lei de Deus. Você não podia se aproximar de Deus; não podia estar em relacionamento com Deus sem apresentar essas ofertas.

    Mas uma oferta voluntária era algo que você se sentia movido a fazer por sua própria vontade, além daquilo que a lei exigia de você. Isso era chamado de oferta voluntária.

    Portanto, querido filho de Deus, se você quer ser salvo, precisa conhecer Cristo como o holocausto, a oferta pelo pecado, a oferta pacífica e a oferta de cereais de Deus. Talvez isso não signifique muito para você, mas vamos colocar da seguinte maneira: você precisa conhecer o Senhor Jesus como sua oferta a Deus, apresentada de uma vez por todas. Ele conquistou a sua salvação.

    Você pode chorar o dia inteiro e a noite inteira, mês após mês, ano após ano, durante toda a sua vida, mas não conquistará a salvação de Deus — não sem trazer o Cordeiro em suas mãos; não sem se firmar no fundamento de Jesus Cristo, e Este crucificado.

    No momento em que você se firma nesse fundamento, por mais pecador que seja, por mais depravado que seja, por mais indigno que seja, por mais preso que tenha estado a hábitos pecaminosos e malignos, Deus o aceita. Porque, como ouvimos ontem à noite:

    Aquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós;
    Para que nEle nos tornássemos justiça de Deus.

    Portanto, querido filho de Deus, se queremos conhecer a plenitude da nossa salvação, se queremos conhecer o poder da nossa salvação, se queremos conhecer poder para o serviço — se queremos conhecer tudo isso —, precisamos vir com base na obra consumada de Cristo. Isso é uma necessidade.

    Mas, se queremos ver o Senhor receber Sua herança, se queremos ver a casa de Deus edificada, se queremos ver a cidade de Deus bem unida, edificada, construída conjuntamente como o centro de administração e governo de Deus — seja qual for a maneira como vocês prefiram dizer —, se queremos fazer parte da noiva, fazer parte da esposa, precisamos ser uma oferta voluntária.

    O tabernáculo, de ponta a ponta, foi construído com as ofertas voluntárias do povo de Deus.

    Eles jamais poderiam ter tido contato com o Senhor se não fosse pelo Cordeiro da Páscoa. Foi o Cordeiro da Páscoa que os conquistou para Deus, os redimiu para Deus e os libertou dos seus pecados pelo Seu sangue. Foi o Seu poder que os levou através do mar Vermelho como em terra seca.

    Mas, se queriam que Deus habitasse entre eles, se queriam se tornar a habitação de Deus, então precisavam se entregar como oferta voluntária. Vocês entendem?

    Se vocês lerem Êxodo 35 com atenção, descobrirão que cada coisa no tabernáculo veio dessas ofertas voluntárias. De onde veio todo o ouro? O ouro para o grande candelabro — a menorá, o candelabro de sete braços —, o ouro para a mesa dos pães da proposição, o ouro para o altar de ouro do incenso, o ouro da arca da aliança, o ouro que revestia as tábuas e as paredes — de onde veio tudo isso?

    Tudo veio na forma de pulseiras, anéis de sinete, brincos e argolas de nariz. Alguns deles usavam argolas no nariz — agora, não levem isso a mal! Mas todas essas coisas eles tiraram e deram.

    De onde veio a prata para as coisas de prata? Veio dos braceletes, das tornozeleiras, dos colares e dos brincos de prata. De onde veio a madeira? Aqueles que tinham madeira em suas casas, cortada das acácias nas montanhas do Sinai, a trouxeram.

    De onde vieram a púrpura, o escarlate, o azul e o linho fino branco — o linho torcido? Vieram como ofertas voluntárias. De onde vieram as pedras preciosas que foram engastadas no peitoral do sumo sacerdote? Vieram das dádivas que o povo de Deus fez.

    Toda a casa de Deus foi construída com as ofertas voluntárias do povo de Deus. Não é algo extremamente notável — não pode ser coincidência — que, quando o templo foi construído por Salomão, cerca de quatrocentos anos depois, exatamente a mesma coisa tenha acontecido outra vez? Foi com as ofertas voluntárias de Davi e do povo de Deus que o templo foi construído.

    Aqui está uma verdade preciosíssima: o que recebemos de Deus, recebemos por meio da salvação do nosso Senhor Jesus Cristo; mas o que Ele recebe de nós é a casa de Deus. Vocês entendem?

    Nós recebemos toda a Sua salvação. Essa é a nossa herança. Ele nos recebe. Essa é a Sua herança. Ele nos recebe como Sua noiva. Ele nos recebe como Seu corpo. Ele nos recebe como Sua Sião, como a Nova Jerusalém.

    Agora, meu ponto é este. Tenho certeza de que alguns de vocês já têm uma pergunta. Algumas daquelas ofertas eram obrigatórias. As ofertas pelas quais os filhos de Israel podiam se aproximar de Deus, entrar em Sua presença, ser ouvidos por Ele e ouvi-Lo eram obrigatórias. Você não podia se aproximar de Deus sem essas ofertas.

    Mas, para que a casa de Deus fosse construída, tratava-se de uma oferta voluntária. Você não precisava fazer absolutamente nada. Podia continuar salvo sem fazer uma oferta voluntária. Podia continuar salvo sem dar uma única pulseira, um anel de sinete, um brinco ou qualquer outra coisa.

    Você podia conservar tudo o que era seu, desfrutar da sua salvação, estar em relacionamento com o Deus vivo, fazer parte do povo da Sua aliança e não ter absolutamente nada a ver com a edificação da casa de Deus.

    Aqueles cujos corações o Espírito moveu a se entregarem ao Senhor, a darem livremente ao Senhor, foram os que participaram da edificação da casa do Senhor.

    Agora, nessa questão de sermos edificados juntos, de nos tornarmos Sua habitação, de conhecermos Sua autoridade e Sua vida, e o exercício da autoridade divina que está no nome do nosso Senhor Jesus Cristo e que nos foi dada nEle, precisamos ser ofertas voluntárias.

    O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias
    No dia do Teu poder,
    Na beleza da santidade.

    Deus não vai obrigar você.

    Se você quer ser um daqueles cristãos que ficam voando de reunião em reunião como uma querida e doce borboletinha — entrando aqui, sugando um pouco de mel daqui; indo para aquela reunião, sugando um pouquinho dali; indo para outra, obtendo um pouquinho acolá; indo para esta conferência, indo para aquela conferência —, Deus permitirá que você faça isso.

    Acredito que vocês ouviram algo sobre cristãos de CD nesta tarde, na oficina. Aí está: borboletas cristãs. Bem, essa eu nunca tinha ouvido antes, mas sobre borboletas já ouvi. Alguns, aliás, são libélulas. Mas, enfim, o que quero dizer é que ficam voando de um lugar para outro.

    Existem milhares de cristãos que dizem ter tido uma experiência com o Espírito Santo e vivem voando de um lugar para outro. Nunca estão dispostos a aceitar disciplina em lugar algum, nunca estão dispostos a assumir responsabilidade, nunca estão dispostos a se submeter ao governo do Senhor por meio do Seu povo, nunca estão dispostos a ser edificados juntos.

    Sempre têm uma desculpa para não se comprometerem. Mas estão sempre falando, em termos arrebatados, das obras do Senhor, do Espírito de Deus e do Seu grande poder e agir. Meus amigos, isso é conversa vazia. É conversa vazia.

    A evidência, o fruto de um verdadeiro batismo no Espírito — uma verdadeira imersão no poder e na plenitude do Espírito Santo —, é que um filho de Deus se encontra no centro da vontade de Deus, em vez de ficar voando por toda parte para descobrir, no fim da vida, que não tem nada além de conhecimento. Pode falar e falar, mas não tem experiência de ser edificado junto com outros.

    Onde essa Sião será edificada? Em algum lugar lá em cima, num piscar de olhos? Deus vai agitar uma varinha mágica, e tudo ficará pronto assim, de repente? Não, meu amigo. O ouro, a pedra preciosa, a pérola dos quais a noiva é formada, dos quais essa cidade é criada, precisam ser trabalhados em nós pelo Espírito Santo, no tempo e no lugar em que estamos.

    Digam-me, queridos amigos: se vocês querem viver voando de um lugar para outro, Deus permitirá. Deus nunca obrigará vocês a fazer coisa alguma, e é por isso que não sentirão pressão alguma.

    Deus açoita a todo filho a quem recebe.

    Em outras palavras, quando Deus vê que você é uma oferta voluntária e você diz: “Sou um filho de Deus. Ó Deus, quero ser um filho na Tua casa. Quero assumir responsabilidade sobre meus ombros. Quero sofrer por Ti. Quero trabalhar para Ti. Quero ver algo realizado”, Deus diz: “Muito bem, vou levar a sério a sua palavra, mas vou treinar você”.

    Agora você será disciplinado.

    Não fique cheio de ciúme e inveja daquele que vive voando de reunião em reunião e parece desfrutar de momentos maravilhosos. A vida de uma borboleta é muito agradável. Ela esvoaça ao sol, encontra uma flor e depois vai para outra. É uma vida agradável: sem dor, sem colisões, sem problemas de trânsito, apenas voando por aí.

    Os especialistas em insetos — no momento, esqueci o termo correto para eles — nos dizem que as borboletas, na verdade, têm uma rotina. De fato, elas vão sempre de um mesmo arbusto a outro. Fazem uma espécie de circuito. Alguns crentes também. Têm uma espécie de circuito que percorrem ano após ano, mas nunca, jamais, se comprometem com uma verdadeira obra de edificação de Deus.

    Agora, meus queridos amigos, se meus dedos começassem a agir dessa maneira, eu estaria em apuros. Se meus pés fizessem o mesmo, meu Deus, eu teria alguma doença nervosa terrível. Meu corpo inteiro começaria a funcionar de maneira totalmente desorientada.

    O que significa sermos o corpo do Senhor? O que significa sermos pedras vivas, para sermos edificados como casa espiritual? O que significa crescermos para ser um templo santo no Senhor, à medida que somos bem ajustados uns aos outros? O que significa?

    Só pode significar que, de alguma maneira, encontramos nosso lar em algum lugar e ali, sobre o fundamento exclusivo do nosso Senhor Jesus Cristo, com outros crentes, estamos dispostos a aceitar a disciplina do Seu Espírito. Estamos dispostos a assumir esse compromisso uns com os outros. Estamos dispostos a permitir que Deus trabalhe em nós e por meio de nós.

    Mas agora, meu querido filho de Deus, o Senhor não vai obrigar você. Ele não vai forçar você nessa questão. Ele o ama tanto, mas, se você quer apenas desfrutar da sua salvação, das bênçãos e de tudo o mais, Ele diz: “Muito bem, faça isso”.

    Mas lembre-se disto: “Não Me culpe no dia em que descobrir que perdeu sua herança. Você é salvo, todavia como que pelo fogo. Não Me culpe”, diz o Senhor, “naquele dia”.

    Foi sua livre escolha. Tudo o que você queria era desfrutar da salvação, e desfrutou dela até certo ponto. Tudo o que você queria era desfrutar do dom, e desfrutou dele até certo ponto. Tudo o que você queria era provar a comunhão aqui e ali, sem nunca se envolver com o lado complicado da comunhão.

    Claro, é maravilhoso entrar e simplesmente ver pessoas tão amáveis e doces. Qualquer grupo de crentes parece formado por pessoas amáveis e doces quando você fica sentado, sorrindo para elas; depois, ao sair, aperta a mão de alguém, e alguém diz: “Deus abençoe você”. Ah, que pessoas adoráveis — e lá vai você.

    Mas, quando você passa a fazer parte daquele lugar e se compromete ali, descobre que, às vezes, alguns deles são tudo, menos adoráveis. Existem todos os tipos de formas e tamanhos difíceis de acomodar, cantos que você acha angulosos demais para o seu gosto.

    Deus não obriga você a suportar isso se não quiser. Mas entenda claramente uma coisa: se você e eu queremos fazer parte do lar eterno de Deus, se queremos chegar ao trono eterno de Deus, se queremos fazer parte do governo eterno de Deus, então precisamos ser uma oferta voluntária.

    Em outras palavras, precisamos abrir mão de nós mesmos, de maneira definitiva.

    Quando aquele ouro e aquela prata, o ferro e a púrpura, o azul e o escarlate, o linho fino torcido, as peles de carneiros e de focas e tudo o mais foram dados, estavam dados. Eles não podiam voltar um pouco depois a Jeiel e dizer: “Jeiel, você se lembra daquelas peles? Eu gostaria de tê-las de volta”.

    Ou: “Jeiel, eu também sou da família de Gérson. Você acha que, de alguma maneira, poderia encontrar aqueles brincos da minha esposa? Ela os quer de volta”.

    Não. Uma vez feita a oferta, estava feita e jamais poderia ser tomada de volta.

    É isso que Deus quer de você e de mim. Ele nunca nos obrigará nem nos forçará a fazer parte dessa obra de edificação do Espírito de Deus se quisermos ser livres, se quisermos apenas agradar a nós mesmos, se quisermos não prestar contas a ninguém, se quisermos apenas escolher o que gostamos e o que faremos.

    Vocês conhecem aquele tipo de pessoa que chega e diz: “Escute, vou ajudar vocês no trabalho da escola familiar, e em nada mais”. “Estou aqui para ajudar. Tenho um dom artístico muito grande. Vou pintar alguns quadros para vocês, mas não esperem mais nada.”

    “Vocês querem que eu esfregue um chão? Bem, podem tirar essa ideia da cabeça. Acham que vou visitar alguém? Não vou visitar ninguém. Estou aqui apenas para uma coisa específica. Acredito que posso fazer isso, e é só isso que vou fazer.”

    Isso não é uma oferta voluntária.

    Deus permitirá que você seja o que quiser ser nessa questão. Ele nunca fez cair Sua ira sobre aqueles que conservaram seu ouro, sua prata ou seu ferro, ou que ficaram com seu tecido azul, seu linho fino torcido, suas peles de focas ou suas peles de carneiros.

    Ananias e Safira jamais teriam morrido pela mão do Senhor nos primeiros dias da igreja primitiva se tivessem apenas ficado com seu dinheiro. Não é interessante?

    Se tivessem tido a sabedoria de simplesmente conservar seu dinheiro, não teriam perdido a vida. Isso aconteceu porque deram o dinheiro, retiveram uma parte e disseram: “Demos tudo ao Senhor”. Era uma mentira.

    Há tantos que alardeiam como estão servindo ao Senhor, quanto creem e quão grande é sua contribuição para o serviço de Deus — e é uma mentira. Graças a Deus, Ele não trata todos nós hoje como tratou Ananias e Safira, pois haveria um grande número de funerais.

    Mas vocês sabem, queridos amigos, ser livre para agradar a si mesmo, ser livre para desfrutar da sua salvação apenas para si mesmo, ser livre para escolher o que faz é a mais terrível escravidão. Não é liberdade. Vamos deixar isso bem claro: é escravidão.

    Às vezes, algumas pessoas vêm até mim e dizem: “Ah, irmão, estou tão feliz porque fui liberto e sou livre”. Quando pergunto um pouco mais, descubro que isso significa que são livres em todos os sentidos. Nunca, jamais, fazem qualquer uma das tarefas relacionadas às reuniões do povo de Deus. Nunca se sentem, de modo algum, comprometidas com a necessidade de contribuir financeiramente. Sentem: “Ah, sou livre, sou livre”. Eu chamo isso de escravidão.

    Não acho que liberdade seja escravidão. O que é a verdadeira liberdade? A verdadeira liberdade é poder entregar minha vida por você. Isso é verdadeira liberdade.

    O dia em que consigo abrir mão da minha reputação, abrir mão do meu orgulho, abrir mão da minha vida, abrir mão dos meus direitos, abrir mão de tudo — esse é o dia em que me torno livre. O dia em que consigo entregar minha vida por você, para que você seja edificado, não importa o que aconteça comigo. O dia em que consigo clamar a Deus e dizer: “Apaga-me, se for necessário, mas edifica-os” — esse é o momento em que alcancei a verdadeira liberdade espiritual.

    Cristo como modelo da oferta voluntária

    Quando o Espírito do Senhor veio sobre o nosso Senhor Jesus nas águas do batismo, veio como uma pomba. Muitas vezes nos dizem que isso significa que Ele era gentil, manso, inofensivo e sem mácula. Mas tenho encontrado grandes dificuldades com essa interpretação, especialmente porque, pouco depois, Ele tomou um chicote de cordas, virou todas as mesas dos cambistas e causou uma enorme perturbação no templo.

    Naturalmente, nosso Senhor Jesus é manso e gentil, sem mácula e inofensivo. Mas, meus queridos amigos, a pomba era a forma mais comum de sacrifício para a imensa, imensa maioria do povo de Deus. Pobres demais para oferecer um novilho, traziam duas rolas. Era a rola, a pomba, que simbolizava o sacrifício.

    Quando o Espírito Santo veio sobre o Senhor Jesus no dia em que Ele foi batizado, no dia em que Se comprometeu com a morte da cruz — aquelas águas simbolizavam a morte do Calvário três anos antes de Ele chegar ao Calvário —, naquele dia em que Se comprometeu com a obra do Seu Pai, a obra da nossa salvação, os céus se abriram.

    Deus disse:

    Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo.

    Era como se Deus estivesse dizendo: “Tal Pai, tal Filho. Vejo a Mim mesmo nEle. Ele quer Se entregar completamente”.

    O Espírito Santo veio sobre Ele para capacitá-Lo a entregar Sua vida diariamente durante três anos, e foi isso que Ele fez. Dia após dia, ao longo daqueles três anos, Jesus entregou Sua vida.

    Vocês acham que o Calvário foi apenas um ponto em Sua vida, no qual Ele teve de tomar uma decisão final? Não. Estava inscrito em Sua própria vida, em Seu próprio caráter. Ele viveu uma vida crucificada antes mesmo de chegar ao Calvário. O Espírito de Deus veio sobre Ele para que pudesse suportar a oposição e a contradição dos pecadores, para que pudesse Se entregar de maneira oculta e incansável às pessoas necessitadas.

    Isso foi uma oferta voluntária. Ele não precisava fazer isso, mas fez.

    A liberdade de ser prisioneiro de Cristo

    Vejam, então: essa verdadeira liberdade é ser prisioneiro do Senhor. Sempre me chamou muito a atenção o que lemos na carta aos Efésios, em Efésios 3:1:

    Por esta causa, eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus.

    Quando escreveu essa carta, ele estava, de fato, em prisão domiciliar e provavelmente tinha uma algema no pulso ou, certamente, um grilhão no tornozelo, e havia um guarda por perto. Mas ele não disse: “Eu, Paulo, prisioneiro da Roma imperial; eu, Paulo, prisioneiro de César, do cáiser, do imperador”. Não, ele disse:

    Eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus.

    Vocês pensariam que, com um homem acorrentado a ele, sem poder realizar as pequenas coisas normais da vida sem a presença constante de outra pessoa, dia após dia, aquele seria o contexto mais impossível para escrever algumas das verdades mais extraordinárias que a igreja já recebeu.

    Mas foi exatamente ali que o Espírito de Deus tomou aquele frágil vaso de barro, de carne e osso, que era o apóstolo Paulo, e lhe deu revelação após revelação após revelação.

    Vocês pensariam que Ele teria escolhido alguma bela cabana de madeira nas Montanhas Rochosas ou, voltando aos bons tempos antigos, alguma encantadora vila romana com vista para o azul do Mediterrâneo, num lugar idílico, onde alguém amável — talvez Áquila e Priscila — o servisse, o ajudasse e cuidasse dele, tornando-se pai e mãe para ele.

    Eles manteriam todos afastados e garantiriam uma paz absoluta, para que ele pudesse escrever e escrever. “Paulo, vamos orar dia e noite por você.”

    Vocês não imaginariam que essas cartas — a carta aos Efésios, a carta aos Colossenses, a carta aos Filipenses — pudessem ter sido escritas nas circunstâncias em que foram. Foram escritas na prisão.

    E sabem como ele se chamou? Disse:

    Eu, Paulo, o prisioneiro de Jesus Cristo.

    Ele se recusou a olhar apenas para o aspecto político da situação. Recusou-se a olhar apenas para o aspecto físico. Olhou além disso e acima de tudo: Deus é, e eu sou o prisioneiro do Senhor Jesus Cristo.

    Por que estou aqui? Se eu não tivesse sido uma oferta voluntária, ele poderia nos dizer nesta noite, em seu testemunho, jamais teria estado acorrentado. Mas foi porque me entreguei à edificação da casa de Deus, porque me comprometi com o propósito de Deus, que acabei envolvido nisso.

    Tornei-me um flagelo para o meu próprio povo. Tornei-me motivo de oposição para eles porque vi que Deus queria trazer os gentios para a comunidade de Israel, porque vi que o propósito de Deus era que, de toda língua, família, povo e nação, viesse uma grande multidão inumerável para o reino de Deus.

    Por causa disso, ele estava acorrentado. Portanto, disse: “Escutem, queridos, sou tão livre quanto um pássaro. Aqui, acorrentado ao guarda romano, posso ditar, pelo Espírito de Deus, coisas a respeito de uma altura, profundidade, largura e comprimento que ninguém conseguiu sondar”.

    Essa é a verdadeira liberdade. Vocês não gostariam de ter esse tipo de liberdade, em vez da cansativa escravidão de uma sensibilidade voltada para si mesmos — uma sensibilidade espiritual voltada para si mesmos? “Eu em primeiro lugar, eu em segundo lugar e eu por último. Sou o centro deste meu pequeno mundo espiritual, em torno do qual tudo gira.”

    “Deus me ama tanto que me salvou. Cristo me ama tanto que Se entregou por mim. Sou o centro de tudo.” Ah, se vocês amadurecessem!

    Quando somos pequenos, sentimos que pai e mãe existem para o nosso benefício. Lembro-me de que, quando era pequeno, pensava que eles estavam ali — ora, eram meus empregados particulares. Meu pai para fornecer todo o dinheiro, e minha mãe para fazer todo o trabalho.

    Bem, vamos ser honestos. Vocês não pensavam todos assim a respeito de pai e mãe? Quem pensava em tentar fazer alguma coisa para aliviar a carga? Na verdade, é claro, vocês não podiam fazer isso quando eram pequenos.

    Quando somos pequenos, há lugar para o egocentrismo. Tudo gira ao nosso redor. Tios e tias vêm, fazem gracinhas e batem palmas para nós. Normalmente não fariam essas coisas, mas, quando chegam, pegam alguma coisa, nos embalam e fazem tudo o mais. Ah, somos o centro de tudo.

    O primeiro passo que você dá é maior do que as comemorações do bicentenário ou as nossas comemorações do jubileu. Eles ficam eufóricos. Você se sente o centro de tudo. A primeira lição que traz da escola — tão emocionante! “Ora, vejam o caderno de fulano. Vejam!”

    Assim, crescemos sentindo que o mundo inteiro gira ao nosso redor. Quando somos novos no Senhor, somos exatamente assim. Pensamos que os outros santos estão ali para nós. Todos estão ali para nós. O Senhor nos ama, Ele nos salvou. Sim, isso é verdade. Não há uma palavra falsa nisso. Deus realmente ama tanto você, e Cristo ama tanto você que Se entregou por você. É tudo verdade.

    Mas chega um momento em que você precisa amadurecer espiritualmente. Quando entramos na adolescência, de repente, pela primeira vez, começamos a pensar em assumir responsabilidade pelos outros. Começamos a tomar parte do peso sobre nossos próprios ombros.

    Talvez o pai morra de repente, e um menino tenha de se tornar pai quase da noite para o dia. A mãe morre, e a filha mais velha precisa se tornar mãe. De repente, ela se torna responsável. De repente, o mundo inteiro muda. Já não é o que eu recebo, mas o que eles recebem. Já não é o que me agrada, mas o que agrada a eles. Isso é responsabilidade.

    É maravilhoso ser prisioneiro do Senhor Jesus. Mas vejam Efésios 4:1:

    Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor,
    Que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados.

    Vocês percebem a mudança? “Eu, pois, o prisioneiro no Senhor Jesus.” Aqui está algo ainda mais maravilhoso do que ser prisioneiro do Senhor Jesus: aqui está um prisioneiro no Senhor Jesus.

    Você é um prisioneiro no Senhor Jesus? Uma coisa é ser prisioneiro do Senhor Jesus; outra é ser prisioneiro no Senhor Jesus. Em outras palavras, dizer: “Não vou sair dEle. Não vou além do que Ele quer. Estou nEle, aprisionado”. Isso é verdadeira liberdade.

    A casa de Deus jamais pode ser edificada por qualquer outra coisa que não sejam ofertas voluntárias.

    O dia do Seu poder

    Voltem ao Salmo 110 e a este versículo, Salmo 110:3:

    O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias no dia do Teu poder.

    Vocês poderiam observar esta pequena expressão: “no dia do Teu poder”? É no dia do Seu poder que o povo se torna oferta voluntária.

    Agora, essa palavra em hebraico também foi traduzida de diferentes maneiras em algumas versões modernas. Em algumas delas, vocês encontrarão a tradução “Seu exército”. É por isso que a New American Standard Bible traz:

    O Teu povo se apresentará livremente como voluntário no dia do Teu poder.

    Essa ideia pode estar presente nessa palavra hebraica. De fato, essa palavra, chayil, no hebraico moderno, é a palavra para exército.

    Mas ela significa muito mais. Também significa força, poder ou riqueza, além de exército.

    Pensem nisso:

    O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias no dia da Tua riqueza, no dia da Tua força, no dia do Teu exército.

    Se Deus disse ao Senhor Jesus:

    Assenta-Te à Minha direita, até que Eu faça dos Teus inimigos o estrado dos Teus pés.

    Então, o Seu exército deve sair. Quem se apresentará como voluntário no Seu exército para o propósito do Senhor, para fazer daqueles inimigos o estrado dos Seus pés, para ver a obra consumada de Cristo verdadeiramente efetivada em todo lugar onde estejam os poderes das trevas?

    Ou pensem desta maneira: no dia do Seu poder, o Teu povo se torna oferta voluntária. Ora, querido povo de Deus, o Espírito Santo foi derramado — poder infinito nos foi concedido no Espírito Santo derramado, a suprema grandeza do Seu poder para conosco.

    Essa suprema grandeza pode vencer cada obstáculo que se opõe ao cumprimento do propósito de Deus: cada reino, cada dificuldade, cada antagonismo, cada inimigo — sejam principados ou potestades, dominadores das trevas deste mundo ou hostes de espíritos malignos nos lugares celestiais. Não importa o que seja.

    No dia do Seu poder, quando o Seu povo se torna oferta voluntária, o Seu propósito é realizado. O Senhor envia de Sião o cetro da Sua força no dia em que o Seu povo se torna oferta voluntária. Vocês entenderam?

    Vejam, o que estou dizendo é isto: de que adianta Deus ter um exército se nós não estamos nele?

    Não se enganem quanto a isso. Deus nos ama, assim como amou Israel. Ele esperará. Ele esperará. Ele esperará e esperará de novo. Mas, no fim, se nós não quisermos, Ele encontrará outros que queiram.

    Essa é toda a história da igreja. Toda vez que Ele apela a algo estabelecido, a uma instituição, e ela não quer ouvir, não quer mudar e não quer permitir que o Seu poder flua por ela e a torne flexível e orgânica, então Ele fala, fala e fala de novo; depois, segue adiante.

    Mas Deus não será frustrado, nem terá Seu propósito impedido. No fim, se tiver de suscitar filhos das pedras, Ele o fará. Mas o Seu propósito será cumprido.

    Agora, meus queridos amigos, a realidade é esta: este é o dia do Seu poder. Esta era, que começa no Pentecostes e termina com a Sua vinda, é o dia do Seu exército. É o dia do Seu poder.

    Mas precisamos ser ofertas voluntárias se queremos ver o cetro da força do Senhor sair de Sião; se queremos vê-Lo dominando no meio dos Seus inimigos; se queremos ver o reino de Deus avançar; se queremos ver o propósito de Deus cumprido em nosso tempo e em nossa geração.

    Ah, existe poder infinito. As pessoas ficam apavoradas, achando que esse poder dos últimos dias não pode se sustentar. Isso é tão absurdo.

    Viajo por toda parte e encontro alguns dos mais excelentes servos do Senhor expulsos de sociedades missionárias porque foram cheios do Espírito de Deus. Não porque essas pessoas ficaram descontroladas, rolaram pelo chão, fizeram as coisas mais ridículas e começaram a ensinar todo mundo e tudo o mais — isso eu entendo muito bem. Mas muitas dessas pessoas, eu as conheço. São as pessoas mais belas que conheço, as mais mansas que conheço, pessoas das quais emana a fragrância do Senhor.

    O que podemos dizer quando missões e sociedades as expulsam? O que há de errado com elas? Deve haver algo errado em algum lugar quando se diz a pessoas capacitadas pelo Espírito de Deus para realizar a tarefa que Deus confiou àquela obra: “Não queremos vocês”.

    Por que temos medo do poder de Deus? Claro, há muita falsificação, muita coisa artificial. Mas, meus queridos amigos, jamais, jamais poderemos fazer a vontade de Deus e ver esta obra de edificação concluída sem a suprema grandeza do Seu poder.

    Precisamos conhecer o poder da Sua ressurreição. Precisamos conhecer o poder infinito do Espírito Santo. Se não o conhecermos, fracassaremos, e não teremos ninguém a quem culpar, a não ser nós mesmos.

    No dia do Seu poder, no Espírito Santo derramado, graças a Deus, há uma porção para mim e há uma porção para você. Louvado seja o Senhor.

    É no dia da Sua riqueza — todas as insondáveis riquezas de Cristo. Mas de que adianta falar das insondáveis riquezas de Cristo se nunca as descobrimos e experimentamos?

    No dia da Sua riqueza, o Seu povo se torna oferta voluntária. Você quer conhecer as insondáveis riquezas de Cristo? Nunca as conhecerá até abrir mão de si mesmo. Enquanto suas mãos estiverem cheias de você mesmo, nunca estarão cheias das riquezas de Cristo. Enquanto seu coração estiver cheio das coisas desta terra, você nunca estará cheio das riquezas de Cristo.

    Precisamos ser esvaziados antes de podermos ser cheios. Mas este é o dia da Sua riqueza, queridos. Deus não nos lançou neste mundo para nos virarmos da melhor maneira possível diante de uma terrível formação de forças satânicas. Ele nos deu os recursos. Ele nos deu os dons. Ele nos deu o equipamento. Ele nos deu as riquezas. Tudo isso é nosso.

    É o dia do Seu poder, e, graças a Deus, ainda estamos nele. Mesmo quando o Anticristo vier, ainda estaremos no dia do Seu poder. Graças a Deus, para todos os que querem descobrir poder para vencer, poder para suportar, poder para perseverar, poder para permanecer no centro da vontade de Deus até a vinda do nosso Senhor — este é o dia do Seu poder.

    Louvado seja o Seu maravilhoso nome.

    A autoridade desse Cristo entronizado se torna realidade prática por meio do Espírito Santo derramado. Vejam o livro de Atos. Ali estavam cento e vinte pessoas, tão amedrontadas pelos judeus que fecharam e trancaram todas as portas e se esconderam atrás delas. Tinham momentos maravilhosos lá dentro, mas isso me lembra muitas das nossas reuniões.

    Entramos, trancamos todas as portas e falamos em voz baixa. De alguma maneira, quase temos medo. Contudo, meu amigo:

    Do Senhor é a terra e a sua plenitude.

    O diabo é um usurpador. Nós somos os legítimos herdeiros desta terra — não ele.

    É ao Senhor Jesus que este planeta inteiro pertence, não apenas pela criação, mas pela redenção. Estamos aqui como igreja de Deus para garantir que esta terra volte ao seu legítimo Dono. Estamos aqui para assegurar que o reino de Deus seja expresso e manifestado aqui na terra, no tempo e no lugar em que estamos.

    Quando vocês olham para o livro de Atos, aquelas cento e vinte pessoas estavam tão amedrontadas que trancaram todas as portas — vejam o que acontece quando o Espírito Santo vem sobre elas e entra nelas. Elas destrancam tudo. Não conseguem evitar. Saem para fora.

    Pedro se levanta, e agora não há discussão: “Quem vai ficar à direita e à esquerda do Rei?” Não. Pedro se levanta, e os outros onze se levantam com ele. Ninguém diz: “Ele está monopolizando a plataforma. Tem o direito de falar o tempo todo? E o nosso amado João? Ele estava sempre reclinado sobre o peito do nosso Senhor. Deveria ser ele”.

    Naturalmente, sabemos que todos falaram, mas o fato é que Pedro assumiu o lugar de destaque. Não é interessante? Quando ele se levantou, os outros simplesmente se levantaram com ele. Três mil pessoas passaram a pertencer ao Senhor em questão de um ou dois dias.

    Todo tipo de coisa acontecia — as mesmas coisas que aconteciam quando Jesus estava aqui. Um homem junto à porta chamada Formosa se pôs de pé num salto por causa do nome do Senhor pronunciado sobre ele com fé, mediante oração e declaração. Então, o número de crentes cresceu para cinco mil homens. Foram postos na prisão, mas, em poucos momentos, estavam fora.

    Vocês nunca ouviram falar de coisas assim. O que aconteceu com aqueles cento e vinte discípulos amedrontados e desiludidos? Algo aconteceu.

    Ninguém vai me dizer que eles simplesmente passaram por um seminário teológico. Ninguém vai me dizer que, de alguma maneira, criaram um cadastro de membros da igreja e registraram todos devidamente.

    Algo aconteceu dentro deles pelo grande poder do Espírito Santo, e isso os transformou de uma congregação de cento e vinte unidades em um corpo de cento e vinte membros.

    Eles pertenciam uns aos outros. Moviam-se em harmonia uns com os outros. Só podiam manifestar o Senhor — Suas belezas, Suas glórias, Sua sabedoria, Seu conhecimento, Seu poder, Sua salvação.

    Eles viraram Jerusalém de cabeça para baixo, assim como a Judeia e Samaria; e, por fim, viraram Roma de cabeça para baixo. Roma procurou esmagá-los, lançando-os aos milhares aos leões, mas foi Roma que caiu no pó, enquanto a igreja continuou triunfando.

    Não, queridos amigos: no dia do Seu poder, quando o Seu povo se torna oferta voluntária, é como se o Senhor enviasse de Sião o cetro da Sua força. Ele domina no meio dos Seus inimigos. Deus diz a palavra, e está feito.

    Não se trata de a igreja fazer coisas por iniciativa própria, usar as chaves e depois dizer: “Agora nos dê apoio, céu. Senhor, fique por trás de nós”. Não. Eles conheciam a vontade do Senhor pelo Espírito, e então podiam realizá-la.

    Assim deve ser. Cada mover do Espírito na história da igreja tem sido um dia do Seu poder, e a realização do Seu propósito tem dependido de o Seu povo se tornar oferta voluntária.

    Não importa para onde vocês olhem — seja para a Reforma, o movimento puritano, os quakers, os metodistas, os morávios, os Irmãos ou qualquer outro movimento ao longo da história da igreja. Todo verdadeiro movimento do Espírito de Deus tem sido um dia do Seu poder e um dia em que o Seu povo se tornou oferta voluntária.

    No dia em que o Seu povo se tornou oferta voluntária, no dia do Seu poder, o propósito de Deus tocou a terra.

    Esse é o registro da história da igreja. Ainda há mais do propósito de Deus a ser cumprido. Vocês percebem isso, não percebem? Ainda há mais do Seu propósito a ser cumprido. Ainda há mais da riqueza de Deus a ser explorada. Ainda há mais do poder de Deus do qual precisamos nos apropriar.

    O que se exige é que você e eu sejamos uma oferta voluntária.

    A beleza da santidade

    Por favor, observem esta pequena expressão com a qual temos tanta dificuldade: “na beleza da santidade”.

    Em algumas versões modernas, vocês encontrarão “em vestes sagradas”, o que não significa muita coisa para muitas pessoas. Em algumas, fizeram uma correção e colocaram “nos montes de santidade”. Mas, na verdade, essa palavra aparece em duas ou três passagens.

    Nós a encontramos em Salmo 29:2:

    Adorai o Senhor na beleza da santidade.

    Ou “em vestes sagradas”. Novamente, em Salmo 96:9:

    Adorai o Senhor na beleza da santidade;
    Tremei diante dEle, toda a terra.

    Vocês a encontram outra vez em 2 Crônicas 20:21, se quiserem anotar.

    O que ela realmente significa? Essa palavra hebraica vem de uma raiz — talvez vocês fiquem um pouco incomodados ao ouvir isso — que, segundo os rabinos, significa “inchar” ou “inflar”. Portanto, ela significava, na verdade, adornar-se. Vocês entendem? Tornar-se, por assim dizer, belo.

    Como uma ave que estufa o peito — é isso que os cavalheiros fazem. A bela ave macho estufa o peito para que vocês vejam sua glória. Essa é a raiz dessa palavra.

    Tem a ver com as vestes da salvação.

    Em outras palavras, significa isto:

    O Teu povo é constituído de ofertas voluntárias no dia do Teu poder, nas vestes da salvação e da santidade.

    É assim que poderíamos expressar melhor: na beleza da santidade.

    Quando o sumo sacerdote se apresentava diante de Deus, primeiro vestia a roupa de linho fino. Essa era a veste da justiça, ou da salvação. Depois vinha aquele magnífico manto, a veste de beleza, a bela veste do sumo sacerdote. Então, ele podia entrar na presença do Senhor.

    Em Isaías 61:10, lemos:

    Regozijar-me-ei muito no Senhor;
    A minha alma se alegrará no meu Deus;
    Porque Ele me vestiu com as vestes da salvação,
    Cobriu-me com o manto da justiça,
    Como o noivo se adorna com uma grinalda,
    E como a noiva se enfeita com as suas joias.

    Não é belo? Na beleza da santidade.

    Meu querido amigo, você jamais poderá ser uma oferta voluntária se não estiver devidamente vestido. Não pense que pode vir e simplesmente oferecer seus pensamentos a Deus, todos os seus recursos a Deus, todos os seus talentos a Deus, ou qualquer outra coisa que possua, como se, ao fazer isso, pudesse conquistar o favor de Deus.

    Não, queridos amigos. Se vocês querem vir, precisam vir como pecadores salvos pela Sua força, que sentem não poder fazer outra coisa senão entregar-se para sempre ao Senhor.

    Venham na beleza da santidade. Não há uma pessoa aqui nesta noite que não possa vir dessa maneira, se vocês conhecem a salvação de Deus, se nasceram do Espírito de Deus. Nenhum de vocês está desqualificado. Se foram salvos por Deus e estão dispostos a abandonar qualquer pecado em sua vida, então, revestidos das vestes da salvação e das vestes de louvor, podem se entregar como oferta voluntária.

    Então, vocês poderão conhecer a infinita e suprema grandeza do Seu poder e poderão conhecer as insondáveis riquezas de Cristo. Então, poderão ser bons soldados no Seu exército.

    O chamado à consagração

    Agora, deixem-me concluir. Tenho certeza de que vocês estão cansados.

    O que podemos dizer, por fim, ao levar esta lição à conclusão?

    Este não é um pequeno desafio a respeito de questões triviais e passageiras. É o desafio de saber se você e eu chegaremos ao trono de Deus e do Cordeiro. Esse é o desafio.

    O desafio não é que você possa apenas ser útil em algum grupo local de crentes, que possa dar uma pequena ajuda em algum lugar aqui na terra. A verdadeira questão é esta: você chegará ao trono de Deus e do Cordeiro para reinar com Cristo, ou não?

    O Senhor Jesus disse:

    Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono,
    Assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.

    Esse é o desafio.

    É inescapável, querido filho de Deus. É inescapável.

    Você precisa, em seu próprio coração, conhecer este desafio do Espírito de Deus nesta noite: você é uma oferta voluntária no dia do Seu poder, na beleza da santidade? É ou não é?

    A questão de o propósito de Deus poder ser plenamente realizado em minha vida ou em minha localidade depende de eu ser uma oferta voluntária.

    Querido filho de Deus, querido companheiro no corpo de Cristo, você faria do desejo dEle o seu desejo? Faria do prazer dEle o seu prazer? Faria do propósito dEle o seu propósito? Faria do sofrimento dEle o seu sofrimento? Faria do caminho dEle o seu caminho?

    Essa é a questão.

    Há muito tempo, o salmista expressou isso belamente em palavras que muitos de vocês conhecem, no Salmo 132:

    Lembra-Te, Senhor, de Davi
    E de toda a sua aflição;
    De como jurou ao Senhor
    E fez um voto ao Poderoso de Jacó:
    Certamente, não entrarei na tenda da minha casa,
    Nem subirei ao meu leito;
    Não darei sono aos meus olhos,
    Nem repouso às minhas pálpebras;
    Até que eu encontre um lugar para o Senhor,
    Uma habitação para o Poderoso de Jacó.

    É nesse mesmo salmo que encontramos aquelas palavras maravilhosas:

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Desejou-a para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de descanso para sempre:
    Aqui habitarei, porque o desejei.

    Você gostaria de ser assim? Esse é o tipo de oferta voluntária que Deus deseja.

    Encontramos a mesma coisa nas palavras do próprio Davi, em Salmo 27:4:

    Uma coisa pedi ao Senhor,
    E a buscarei:
    Que eu possa habitar na casa do Senhor
    Todos os dias da minha vida,
    Para contemplar a beleza do Senhor
    E inquirir no Seu templo.

    Não é de admirar que, depois de falar da nossa tão grande salvação e, em seguida, de uma experiência muito mais profunda da vida e do poder da ressurreição em Romanos 6, 7 e 8; depois de falar do grande propósito da eleição de Deus desde o princípio, começando com Abraão e percorrendo todos os patriarcas e os profetas, até o remanescente piedoso de Israel, estendendo-se à grande multidão inumerável de toda família, tribo, língua e nação e, finalmente, trazendo Israel, o povo judeu, de volta à sua própria oliveira — não é de admirar que o apóstolo Paulo então resuma tudo, dizendo que Deus é a origem e o fim de todas as coisas.

    Ele diz:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
    Que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo,
    Santo e agradável a Deus,
    Que é o vosso culto espiritual.

    Querido amigo, de que adianta termos uma conferência como esta se tudo o que fazemos é aprender mais algumas doutrinas?

    Agora, meus queridos amigos, não sou contra a doutrina. Deus me livre. A doutrina pura é um tesouro de enorme valor. Nunca deve ser desprezada nem desvalorizada. O mesmo vale para a verdadeira teologia — vocês nunca podem prescindir dela. Nunca a desprezem.

    Mas, meus queridos amigos, há outras conferências que podem fazer isso igualmente bem. Porém, não é só disso que estamos tratando.

    De que adianta um tempo como este se tudo o que vamos fazer é aprender um pouco mais de doutrina?

    Não, amigos. Aqui, pelo Espírito de Deus, temos visto o Senhor Jesus de uma maneira nova nestes dias. Se vimos um pouco mais do propósito eterno de Deus para o Seu Filho e para os redimidos, então, queridos, a questão é saber se estamos participando dele.

    É uma tragédia se, depois de ouvirmos o que ouvimos nestes dias, no fim, quando o Messias vier, descobrirmos que não estamos no Seu propósito — salvos, todavia como que pelo fogo, com tudo o que sabíamos. Ainda assim, não entramos.

    Ah, então, basta. Teria sido melhor nunca termos ouvido.

    Mas, ah, que alegria se, pela graça de Deus, tivermos um pequenino lugar no templo eterno de Deus — apenas uma minúscula pedra de pavimentação em algum lugar, um pequeno tijolo, de alguma maneira, bem pequeno e obscuro. Ah, que motivo de louvor isso será.

    Valerá a pena, não valerá? Valerá todas as colisões, todos os mal-entendidos, toda a entrega da própria vida, todo o cair na terra e morrer. Valerá todos os vales da sombra da morte. Valerá todos os espinhos na carne. Valerá cada parcela da comunhão dos Seus sofrimentos se, no fim, não apenas por algum tempo, mas por toda a eternidade, fizermos parte da noiva.

    A tragédia seria descobrirmos que, pela obra consumada do Cordeiro, tínhamos um lugar preparado do qual nunca nos apropriamos.

    Que Deus nos ajude. Vamos orar?

    Oração final

    Pai, até mesmo o apóstolo Paulo falou do seu temor de ser reprovado depois de ter pregado a outros. Ó Deus, nós Te pedimos que, pelo Teu Espírito, desafies nossos corações.

    Ó Senhor, livra-nos de pensar que, por ouvirmos estas coisas e crermos nelas, estamos seguros e protegidos. Ó Deus, faz cada um de nós saber, em seu coração, se realmente nos tornamos uma oferta voluntária — plenamente comprometidos Contigo, comprometidos com o que Tu estás fazendo, comprometidos uns com os outros, comprometidos com a Tua obra de edificação.

    Ó Deus, ó Senhor, faz esta obra, nós Te pedimos, em nossos corações nesta noite. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus.