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    The Love of God & Jacob © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Love of God & Jacob
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    Lambert, Lance

    Jacó, o Amor Divino e a Eleição

    Agora, vamos abrir a Palavra de Deus em três passagens. Primeiro, Romanos 9:10-24. Vamos ler esta passagem novamente, a partir do versículo 10.

    E não somente isso; mas também Rebeca, quando concebeu de um só, de Isaque, nosso pai —
    pois, não tendo os filhos ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse, não por obras, mas por Aquele que chama —,
    foi-lhe dito: O maior servirá ao menor.
    Como está escrito: Amei Jacó, porém odiei Esaú.
    Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.
    Pois Ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem Eu tiver misericórdia, e Me compadecerei de quem Eu Me compadecer.
    Assim, pois, isso não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus, que tem misericórdia.
    Porque a Escritura diz a Faraó: Para este mesmo propósito te levantei, para mostrar em ti o Meu poder, e para que o Meu nome seja anunciado em toda a terra.
    Assim, pois, Ele tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer.
    Tu me dirás, então: Por que Ele ainda nos culpa? Pois quem resiste à Sua vontade?
    Mas, ó homem, quem és tu, que replicas contra Deus? Acaso a coisa formada dirá Àquele que a formou: Por que me fizeste assim?
    Ou não tem o oleiro direito sobre o barro, para, da mesma massa, fazer um vaso para honra e outro para desonra?
    E que diremos se Deus, querendo mostrar a Sua ira e tornar conhecido o Seu poder, suportou com muita longanimidade vasos de ira preparados para a destruição;
    e para tornar conhecidas as riquezas da Sua glória sobre vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, a saber, nós, a quem também chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

    Agora, abram o Antigo Testamento em Gênesis 25:21-26, a partir do versículo 21.

    E Isaque suplicou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril; e o Senhor ouviu a sua súplica, e Rebeca, sua mulher, concebeu.
    E os filhos lutavam entre si dentro dela; e ela disse: Se é assim, por que vivo eu? E foi consultar o Senhor.
    E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se separarão das tuas entranhas; um povo será mais forte que o outro povo; e o maior servirá ao menor.
    E, cumpridos os dias para dar à luz, eis que havia gêmeos no seu ventre.
    E saiu o primeiro, ruivo, todo como um manto de pelos; e chamaram-lhe Esaú.
    E depois saiu seu irmão, cuja mão segurava o calcanhar de Esaú; e chamaram-lhe Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando ela os deu à luz.

    Por fim, na profecia de Malaquias: Malaquias 1:1-3, os três primeiros versículos.

    A sentença da palavra do Senhor a Israel, por intermédio de Malaquias.
    Eu vos amei, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos amaste? Não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; contudo, amei Jacó;
    porém odiei Esaú.

    E Malaquias 3:6:

    Porque Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

    Vamos inclinar a cabeça juntos para uma palavra de oração?

    Pai amado, queremos agradecer-Te por estarmos aqui, em Tua presença, nesta noite, e agradecemos pela provisão que fizeste para todos nós. Agradecemos por essa provisão de purificação de toda contaminação, de tudo aquilo que nos afastaria de Ti ou dificultaria que Te ouvíssemos.

    Agradecemos pela provisão de poder que nos deste, tanto para falar a Tua Palavra como para ouvir a Tua Palavra. E olhamos para Ti, pedindo que nos recolhas a sós Contigo. Senhor, que um espírito de quietude venha sobre nós e sobre os pequeninos que estão conosco.

    Concede, ó Senhor, que, recolhidos a sós Contigo, ouçamos a Tua voz, e que o Teu Espírito Santo opere em nosso coração para tornar a Tua Palavra carne e sangue em nós. Ó Senhor, ouve-nos, pois juntos pedimos isso, com ações de graças, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Significado do Amor de Deus por Jacó

    Acho que esta pequena frase, que encontramos não uma vez, mas várias vezes na Bíblia, talvez seja uma das palavras mais maravilhosas e notáveis que Deus já pronunciou:

    Amei Jacó.

    Somente aqueles que não conhecem a Bíblia, ou não conhecem a história de Jacó, ou não sabem algo de sua trajetória e de seu caráter, não se surpreenderiam com essa declaração. Pois, se você desconhece a vida de Jacó, o tipo de pessoa que ele era, não se surpreenderá se Deus disser: “Eu amo Jacó”.

    Mas, se você conhece um pouco de Jacó e, especialmente, se conhece o próprio coração, então essas palavras resplandecem com a beleza da graça, da misericórdia e do amor de Deus:

    Amei Jacó.

    O fato de essa frase aparecer duas ou três vezes no Livro deve significar que ela tem alguma importância. Além disso, ela aparece ligada a um dos maiores temas da Bíblia — não muito popular hoje, em nossa geração, mas, ainda assim, um dos maiores temas da Bíblia —, que é o tema da eleição.

    Às vezes, as pessoas dizem que o Antigo Testamento termina com uma maldição porque, tecnicamente, tomam a última palavra do profeta Malaquias, em Malaquias 4:6:

    Para que Eu não venha e fira a terra com maldição.

    Essa é uma maneira muito legalista de ler o Livro.

    Não acho que Malaquias termine com uma maldição. Acho que Malaquias termina com uma declaração do amor imperecível de Deus por Seu povo. Encontramos isso nestas palavras, logo no início, em Malaquias 1:2-3:

    Eu vos amei, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos amaste? Não era Esaú irmão de Jacó? Diz o Senhor; contudo, amei Jacó;
    porém odiei Esaú.

    E, de maneira ainda mais notável, nas palavras de Malaquias 3:6:

    Porque Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

    Você pensaria que Ele continuaria dizendo: “Portanto, tomem cuidado”. Mas, em vez disso, Ele diz:

    Porque Eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

    Em outras palavras, a força de Deus, a infinitude de Deus e o poder de Deus são postos a favor deles, embora sejam fracos e pecadores. Que maravilha!

    A Influência de Jacó nas Escrituras

    Agora, como eu disse ontem à noite, nestes períodos que me foram concedidos, em que tenho a responsabilidade de trazer a vocês a Palavra de Deus e o encargo que está em meu coração, quero falar sobre Jacó.

    Não há personagem — nenhuma personalidade, como eu disse ontem à noite — na Bíblia que tenha exercido maior influência sobre tudo o que veio depois do que Jacó.

    Por toda a Escritura, lemos este maravilhoso título de Deus: o Deus de Jacó. Além daquele outro maravilhoso título, “o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó”, encontramos este título por si só, repetidas vezes: “O Deus de Jacó”.

    O Senhor dos Exércitos está conosco;
    o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

    Isso é apenas um exemplo, citado de Salmos 46:7.

    Ou, ainda, temos este outro título maravilhoso: o Poderoso de Jacó. Pensem em Salmos 132:13-14. Lembram-se daquelas palavras maravilhosas do salmista que às vezes cantamos sobre Sião?

    Porque o Senhor escolheu Sião;
    Ele a desejou para Sua habitação.
    Este é o Meu lugar de repouso para sempre;
    aqui habitarei, pois o desejei.

    Mas o salmo começa assim, em Salmos 132:1-5:

    Lembra-Te, Senhor, de Davi e de toda a sua aflição;
    de como jurou ao Senhor
    e fez um voto ao Poderoso de Jacó:
    Certamente não entrarei na tenda da minha casa,
    nem subirei ao meu leito;
    não darei sono aos meus olhos,
    nem descanso às minhas pálpebras;
    até que eu encontre um lugar para o Senhor,
    uma morada para o Poderoso de Jacó.

    E, é claro, o povo de Deus não recebeu o nome de nenhum outro personagem. Os nomes Jacó e Israel foram dados ao povo redimido de Deus para sempre. Encontramos o profeta falando conosco como se fôssemos Jacó — “Ó Jacó” —, falando de todos nós como Israel.

    Nós somos o Israel de Deus. Já não estamos afastados da comunidade de Israel, pois aqueles que têm origem gentílica foram feitos participantes da comunidade de Israel. Pela graça de Deus, você foi enxertado nessa oliveira que é o Israel de Deus. Como tudo isso é maravilhoso!

    Mas esse termo, Israel, que todos entendemos como uma nação, como um povo, como uma designação do povo redimido de Deus, na verdade começou com um homem chamado Jacó. Deus fez algo em sua vida e o transformou em Israel. Depois disso, tanto o nome Jacó como o nome Israel foram dados ao povo de Deus para sempre.

    Ora, parece-me que, se é assim, deve haver algo tremendo a aprender sobre esse homem, Jacó.

    O Amor de Deus e Jacó

    Então, nesta noite, quero começar falando sobre o amor de Deus e Jacó. Talvez você pense imediatamente que esse é um assunto de jardim de infância: o amor de Deus e Jacó.

    “Bem, todos nós sabemos sobre o amor de Deus, e não precisamos vir a uma conferência para ouvir sobre o amor de Deus. Esse é um tema de escola dominical. É algo que ouvimos de muitos e muitos púlpitos. Lemos sobre isso nas revistas cristãs.”

    Mas espere um pouco. Acho que há muito mais no amor de Deus do que algo meramente sentimental. Estas palavras maravilhosas, “Amei Jacó”, como são tremendas quando nos lembramos do tipo de pessoa que Jacó era!

    Agora, não quero ser injusto com Jacó, nem quero depreciá-lo ou desvalorizá-lo. Vou ter de encontrá-lo um dia, então quero tomar muito cuidado com tudo o que digo a respeito de Jacó.

    O Caráter Natural de Jacó

    Jacó não era, como tantas vezes se entende em certos círculos, uma pessoa desagradável, mesquinha e sem atrativos. Ele é retratado como o vigarista dos vigaristas, o enganador dos enganadores, o suplantador dos suplantadores, com toda espécie de coisa sombria e má abrigada em seu coração.

    Fizeram dele uma espécie de ogro, uma espécie de Fagin e Shylock reunidos numa só pessoa. Então Deus fez uma obra maravilhosa, e o homem se tornou o santo mais manso e doce que você já viu. Ora, isso não é bem verdade.

    Há algo muito interessante: Jacó deve ter sido um homem muito inteligente e muito atraente, porque encontramos nas Escrituras algumas indicações bastante notáveis. Por exemplo, Lia queria ficar com ele tanto quanto Raquel. Imagino que ele devia ser um tanto atraente, pois naquela época não tinha um centavo.

    Elas não estavam se casando por causa de riquezas; então, por que estavam se casando? Devia haver algo muito atraente, muito cativante, muito encantador nesse homem.

    A Escritura diz que ele era um homem caseiro — isto é, tinha uma inclinação para o lar. Era o tipo de pessoa que sabia fazer todo tipo de coisa em casa. Seu irmão era do tipo atlético, mas isso não significa que Jacó fosse alguma criatura encurvada e sem fibra que passava o dia inteiro sentada numa cadeira de balanço.

    O homem era um homem de negócios. Isso estava em seu coração. Era perspicaz. Tinha tino. É muito interessante, quando lemos a história com clareza e objetividade, perceber que esse homem, Jacó, na verdade não queria enganar.

    De fato, ele disse à mãe, quando ela lhe colocou a ideia na cabeça: “Mas meu pai certamente dirá: ‘Sou um enganador’, quando ouvir que a voz é de Jacó, apalpar meus braços e meu pescoço e descobrir que tenho a pele lisa, e não sou peludo como meu irmão Esaú”.

    Também é muito interessante ver como Jacó ficou escandalizado com seu tio Labão. Quando o tio o enganou e o ludibriou, ele falou de maneira muito indignada, em pelo menos duas ocasiões. Numa delas, disse à sua mulher, Raquel: “Seu pai me enganou”. Em outra, disse ao tio Labão: “Você me enganou e mudou meu salário dez vezes”.

    Ora, isso significa uma coisa simples: Jacó não percebia, ou não reconhecia, a força de sua própria natureza.

    Em outras palavras, o problema de Jacó não era ser uma criatura desagradável, sem atrativos, mesquinha e sem fibra, pertencente ao submundo. Pelo contrário, ele tinha uma natureza que não conseguia controlar.

    O Desejo de Jacó pelas Coisas Divinas

    Agora, há um lado pouco amável em Jacó, e talvez ele não estivesse à vista. Quando seu irmão entrou — seu irmão gêmeo, afinal, como lemos em Gênesis 25:21-26 —, fraco e faminto, sentiu o cheiro da comida que Jacó estava preparando e pediu uma porção. Jacó imediatamente lhe disse: “Você terá a porção; só que primeiro me venda o seu direito de primogenitura”.

    Ele não conseguia evitar. A Bíblia diz que Esaú desprezou seu direito de primogenitura. Não tinha interesse nisso. Não tinha interesse nas coisas de Deus. Jacó, com todos os seus defeitos, valorizava o direito de primogenitura.

    Ele não apenas valorizava o direito de primogenitura; valorizava também a bênção. Em outras palavras, no fundo do coração de Jacó havia um reconhecimento das coisas divinas e de seu valor.

    Talvez, em seu coração, ele não reconhecesse tanto o próprio ser de Deus, mas reconhecia o valor das coisas eternas. E ele as queria, porque percebia, em algum lugar bem no fundo de si, que eram essas as coisas que importavam.

    O que ele não conseguia controlar era sua própria força e energia naturais, e a maneira de obter essas coisas. Ele não conseguia esperar por Deus. Tinha de agir.

    Imagino que ele devia conhecer a profecia dada por ocasião de seu nascimento. Sua mãe, que o adorava, certamente deve ter dito em algum momento: “Sabe, antes de você nascer, fui consultar o Senhor. Eu estava passando muito mal”.

    “E o Senhor me disse: ‘Há duas nações no seu ventre, e dois povos. Um é mais forte que o outro, e o maior servirá ao menor’.”

    Embora eu não saiba — é uma questão técnica — quem era realmente o mais velho, porque nasceram ao mesmo tempo. Não era como dois irmãos com alguns anos de diferença. Esses dois meninos nasceram no mesmo dia e na mesma hora.

    Mas um nasceu primeiro, e o segundo nasceu com o braço envolvendo o calcanhar do outro. Isso era altamente significativo.

    Em hebraico, a palavra “calcanhar” é aqeb, e por isso Jacó recebeu o nome Yaakov. É muito difícil explicar isso em palavras, na verdade, mas há um jogo entre a palavra “calcanhar” e a palavra que significa “tirar alguém de seu lugar”, porque ele segurou o calcanhar do irmão como se fosse puxá-lo para trás e sair primeiro.

    Essa é uma maneira bem grosseira de explicar, mas vocês entendem o que quero dizer — não é exatamente uma linguagem adequada de obstetrícia.

    Desde o princípio, ele estava demonstrando o traço que se tornaria cada vez mais evidente com o passar do tempo.

    A Incapacidade de Esperar por Deus

    Agora, acho essa história impressionante. Ele não apenas roubou o direito de primogenitura do irmão, mas depois foi àqueles extremos incríveis, planejados por sua mãe, para enganar o pai cego e obter a bênção.

    Mais tarde, quando foi para a casa do tio Labão, vocês se lembram de que, embora Deus tivesse dito que aumentaria seus rebanhos e o faria prosperar, o velho Jacó tinha de dar uma ajuda.

    Até hoje, não entendemos exatamente o efeito de descascar aquelas varas de álamo. Isso continua sendo um mistério para os especialistas em agricultura e os agrônomos. Mas, evidentemente, ele achava que estava ajudando um processo pelo qual as crias nasceriam salpicadas, listradas ou pretas.

    Não importa muito se aquilo que ele fez funcionou ou não. O fato é que ele achava que estava levando vantagem sobre o tio Labão.

    Ora, ele sabia muito bem que Deus havia dito que o faria prosperar, mas não conseguia esperar por Deus. Deus poderia ter feito isso sem nenhuma ajuda de Jacó, mas ele não conseguia esperar por Deus.

    Agora, não sei; um pouco mais adiante, quando falarmos com mais profundidade sobre esse aspecto, vocês começarão a perceber que esse é o nosso problema. Temos milhares e milhares de pessoas que enxergam algo do Senhor, mas depois tentam colocar tudo em funcionamento.

    A confusão que se segue é incrível. Todos vocês sabem o tipo de coisa que acontece quando, recém-convertidos, entramos de supetão numa família e tentamos converter todo mundo à força. Vocês sabem como é: folhetos aqui, folhetos ali; livros aqui, livros ali; palavras aqui, palavras ali. E a família fica completamente farta de nós.

    O fato é que enxergamos alguma coisa, mas estamos tentando, com todas as nossas forças, fazer a obra de Deus. E isso nunca funciona.

    Da mesma forma, pensem nos milhares que enxergam o que é a casa de Deus — a igreja. Mas o cenário está cheio de tragédias porque as pessoas enxergaram o que é a igreja e depois tentaram colocá-la em funcionamento.

    Temos apóstolos que não são apóstolos, e profetas que não são profetas. Temos presbíteros que não são presbíteros. Temos diáconos que não são diáconos. Temos ministérios que não são ministérios. Temos pessoas que supostamente são autoridades enviadas por Deus, mas que nunca foram enviadas.

    Meu Deus, que confusão é tudo isso! Pegamos termos espirituais e estabelecemos sistemas. Temos hierarquias. Criamos rotinas inteiras.

    E qual é o problema? O problema não é que nosso coração não queira o Senhor. O problema é que nosso coração quer, sim, o Senhor. Nosso problema é a força de nossa vida natural. Não conseguimos evitar.

    Assim que enxergamos o valor de um direito de primogenitura, vamos fechar o negócio e obtê-lo — com a ajuda de Deus. Depois, quando enxergamos o valor da bênção, vamos obter a bênção. Talvez seja preciso um pouco de engano, mas não importa. De algum modo, temos de fazer isso; afinal, não vai cair do céu em cima de nós, vai?

    Então, se isso significa a mãe fazer suas artimanhas, costurar peles de bezerro e, de alguma maneira, falar com a voz grossa como o irmão gêmeo Esaú, bem, o fim justifica os meios. Afinal, Deus havia dito, antes de eu nascer, que o maior serviria ao menor.

    E, se Deus disse que eu prosperaria, então o tio Labão — bem, ele era um tanto vigarista. Trabalhei sete anos e, no fim, recebi Lia.

    Afinal, você nunca pensaria que seu tio faria uma coisa dessas com você, pensaria? Sete anos! Não acho que haja muitos maridos aqui que tenham trabalhado sete anos para conseguir suas esposas.

    Imagino que você ficaria chocado se tivesse trabalhado sete anos para conseguir sua tia, e não a conseguisse, mas recebesse a irmã dela.

    Vocês pensam: “Ai, ai, ai. Nós não viemos exatamente para ouvir isso”. Mas esperem um pouco. Nosso problema é que tornamos a história bíblica tão bonita. Não pensamos em como seria para nós mesmos se estivéssemos numa situação dessas.

    Jacó ficou escandalizado com o comportamento do tio. Era profundamente injusto ter trabalhado sete anos — e trabalhado duro durante sete anos — e acabar com outra pessoa.

    Bem, vamos entrar nesse assunto em outra noite. O que estou tentando dizer é isto: como é maravilhoso que Deus tenha dito: “Amei Jacó”.

    O Amor Inexplicável de Deus

    Apesar de suas falhas, apesar de suas fraquezas, apesar de seu pecado, apesar da iniquidade, a palavra ressoa pelos corredores do tempo:

    Amei Jacó.

    Você não consegue explicar o amor de Deus. Algumas pessoas dizem: “Bem, é claro, Deus viu algo de belo em Jacó. Foi por isso que Ele o amou”. Não tenho tanta certeza disso.

    Ouçam como isso é expresso em Deuteronômio, falando sobre o povo de Deus. É assim que lemos em Deuteronômio 7:6-8:

    Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu para seres o povo de Sua própria possessão, acima de todos os povos que estão sobre a face da terra.
    O Senhor não pôs o Seu amor em vós, nem vos escolheu, porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos;
    mas porque o Senhor vos ama.

    Encontramos novamente o mesmo pensamento em Deuteronômio 10:14-15:

    Eis que ao Senhor, teu Deus, pertencem os céus e os céus dos céus, a terra e tudo o que nela há.
    Somente o Senhor Se agradou de teus pais para os amar; e escolheu a sua descendência depois deles, a saber, vós, acima de todos os povos, como neste dia.

    Agora, acho isso bastante notável, porque o que está dizendo é o seguinte: o Senhor pôs Seu amor em vocês porque Ele os ama. Essa é a única explicação. Não há outra explicação.

    Por que Deus ama você? Talvez eu encontre em você algumas qualidades que expliquem por que Deus o ama, mas só posso dizer que, quando pergunto a mim mesmo: “Por que Deus me ama?”, fico completamente sem resposta. Não consigo entender por que Deus me ama.

    Só posso voltar a esta declaração impressionante:

    O Senhor pôs o Seu amor em vós porque vos ama.

    Não me perguntem por que as pessoas amam outras pessoas. Às vezes, vejo alguém que ama outra pessoa de maneira tão apaixonada, tão completa, e me pergunto: “O que será que essa pessoa vê na outra?”. Mas, para ela, aquela é a criatura mais bela que já agraciou esta terra — tudo nela é belo.

    O amor é uma coisa incrível.

    Agora, às vezes gostamos de pensar: “Ah, não, espere um pouco. Deus nos ama porque vai nos usar”. Isso não é verdade. É mentira. É mentira.

    Quando você chegar a um ponto em que fracasse, o diabo virá e dirá: “Deus não ama mais você. Você perdeu sua utilidade para Ele. Perdeu seu valor para Ele. Ele não ama você”.

    Como se Deus fosse uma espécie de pessoa calculista, com tino para os negócios, que apenas pesa os prós e os contras e só vê o que vai obter de você por toda a eternidade. Não!

    De alguma maneira incrível, que está muito além de nossa compreensão, Deus me ama porque me ama, e ama você porque ama você.

    É aí que está o cerne de toda essa questão. O povo de Deus recebe os nomes Jacó e Israel porque não se pode explicar o amor de Deus por Jacó. Não há explicação para isso. Não há uma razão para isso. Em certo sentido, é irracional. É a irracionalidade do amor.

    Jacó em Vez de Israel

    Acho tremenda a maravilha do amor de Deus. Ele não disse, como poderia ter dito: “Amei Israel”.

    Ora, se Ele tivesse dito isso, eu poderia entender teologicamente. Eu teria dito: “É claro. Ele ama Israel porque Israel era o Jacó mudado. Israel era o Jacó convertido. Israel era o Jacó transformado. Israel era o Jacó que Deus realmente desejava e tinha em mente desde o princípio”.

    Mas Deus nunca disse: “Amei Israel”. Ele diz — não uma vez, mas várias vezes —: “Amei Jacó”.

    Ele toma o ponto mais baixo. Toma a pessoa em seu pior estado e diz: “Eu o amo. É por isso que o escolhi: porque o amei”.

    A Eleição e o Propósito de Deus

    O apóstolo Paulo, é claro, expressa isso em palavras muito estranhas aos ouvidos do século XX, naquelas palavras de Romanos 9:11-13. É assim que ele explica:

    Para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse, não por obras, mas por Aquele que chama;
    foi-lhe dito: O maior servirá ao menor.
    Como está escrito: Amei Jacó, porém odiei Esaú.

    Isso está em Romanos 9:11-13. Depois, lemos estas palavras maravilhosas em Romanos 9:23-24:

    Para tornar conhecidas as riquezas da Sua glória sobre vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,
    a saber, nós, a quem chamou.

    Hoje, essas palavras soam estranhas aos nossos ouvidos. Somos tão democráticos em toda a nossa maneira de pensar que achamos isso quase difícil de aceitar — um pensamento, um conceito com o qual temos de lutar. Então sentimos que só poderemos ficar satisfeitos se encontrarmos uma explicação que esvazie seu sentido.

    Não conseguimos entender palavras como: “Odiei Esaú”. Achamos isso terrível. “Vasos” — vasos que Ele suportou com muita longanimidade, vasos de ira preparados para a destruição. Dizemos: “Ah, isso soa tão estranho aos nossos ouvidos”.

    Mas o lado positivo é glorioso:

    Vasos de misericórdia, de antemão preparados para a glória.

    Agora, não sei o que vocês extraem disso, mas eu extraio uma coisa tremenda. Sei que, neste ponto, muitos de vocês não vão me acompanhar, mas não importa; tenham paciência comigo. Essa é a maravilha do Corpo. Todos temos uma parte a desempenhar, e talvez eu esteja expressando uma verdade que está no extremo oposto à verdade da qual muitos de vocês se apropriaram. Não sei.

    Mas isto eu sei: minha salvação não começou com a decisão que tomei. Ela remonta a antes dos tempos eternos, ao próprio coração de Deus, e desafio qualquer pessoa a explicar isso.

    “Ah”, alguém diz, “você não entende? Deus, em Sua presciência, compreendeu que você iria decidir pelo Senhor de qualquer maneira, e o escolheu.” Isso eu não entendo. Por que Ele não me escolheu no momento em que tomei a decisão?

    O que significa Deus tornar conhecidas as riquezas de Sua glória sobre vasos de misericórdia, de antemão preparados para a glória?

    Agora, não estou dizendo que sua decisão não seja válida. Graças a Deus, se você chegou a um ponto em que tomou uma decisão — não sei se assinou um cartão de decisão, levantou a mão, foi à frente, ajoelhou-se num banco de penitentes ou fez qualquer outra coisa —, graças a Deus, Ele o levou até esse ponto.

    Mas o que quero conhecer é a história anterior a isso. E essa história anterior é esta:

    Amei Jacó.

    A Escolha de Cristo por Seu Povo

    Pensem nestas palavras maravilhosas de João 15:16. Não há como escapar delas.

    Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis muito fruto.

    Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis muito fruto.

    Que palavra misteriosa!

    Agora, eu creio, sim, na responsabilidade que os seres humanos têm de exercer sua vontade. Mas, além disso, encontro o mistério da eleição. Nunca o compreenderei, mas adoro a Deus por ele.

    João 6 contém alguns versículos que nunca me foram explicados satisfatoriamente por nenhum daqueles que dão tanta importância ao livre-arbítrio do homem. E aqui está.