Bem, boa tarde, irmãos e irmãs.
Ao nos voltarmos para a Palavra de Deus, há um princípio de estudo bíblico absolutamente indispensável — um princípio que jamais podemos considerar garantido, um princípio sem o qual não podemos viver.
Em nosso estudo da Palavra de Deus, Ele nos deu muitos recursos: concordâncias, estudos de palavras, comentários, livros de sermões, todo tipo de auxílio. Mas, no fim das contas, precisamos nos apresentar diante do Senhor como criancinhas. Precisamos clamar a Ele, e Ele precisa fazer a luz de Cristo raiar sobre nós.
Somente Deus pode revelar Deus. Somente o Senhor pode dar-Se a conhecer. E Ele prometeu que, se viermos como criancinhas, se viermos famintos, como terra seca, Ele derramará Sua água sobre nós. Ele nos convidou a abrir bem a boca para que possa nos suprir.
Ele tem prazer em revelar-Se. Não há relutância da parte Dele. Ele quer dar-Se a conhecer. Então, enquanto nos preparamos para examinar a Palavra de Deus, vou pedir que inclinem a cabeça comigo, enquanto entregamos este tempo a Ele.
Estas palavras são de 1 João 5:20:
Sabemos que o Filho de Deus é vindo,
e nos deu entendimento
para conhecermos Aquele que é verdadeiro.
Vamos orar.
Nosso Pai celestial, fazemos uma pausa agora e Te agradecemos porque não nos deixaste entregues a nós mesmos. Ao nos voltarmos para a Tua Palavra, para um assunto como a perfeição espiritual, Tu colocaste em nosso coração a Tua vida, o Teu Espírito Santo, para sondar as profundezas de Deus e nos dar a conhecer nosso Senhor Jesus.
Sabemos que, ao Te revelares a nós, tornaste Cristo central na Divindade. Por isso, oramos agora para que possamos contemplá-Lo. Sabemos que, quando O virmos, seremos semelhantes a Ele. Dá-nos, então, esse antegozo presente da glória que há de vir. Mostra-nos o Senhor nesta tarde.
Continua a encontrar-Te conosco enquanto nos reunimos nestes encontros com o Teu precioso povo. Reivindicamos essas coisas no nome incomparável de nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, é uma alegria poder compartilhar novamente com vocês sobre este grande tema. Como Dana sugeriu, tanto já foi escrito e dito sobre esse assunto que chega a deixar a cabeça da gente girando.
Não sei se vocês conhecem o nome Benjamin Warfield, mas ele era um presbiteriano de Princeton. Na verdade, foi duas vezes presidente daquele seminário — um teólogo reformado. Depois de sua morte, em 1921, publicaram suas obras em dez volumes, e dois desses dez volumes tratam deste assunto: a perfeição espiritual. Ele escreveu mais de mil páginas sobre a perfeição espiritual.
Mas sei que vocês não vieram neste fim de semana, nem eu, para ouvir o que Benjamin Warfield pensa sobre a perfeição espiritual — ou qualquer outro homem. Vocês não estão interessados no que o bispo Ryle disse, no que Calvino disse ou no que Wesley disse. E, para ser perfeitamente honesto, vocês realmente não vieram, em primeiro lugar, para ouvir o que Stephen Kaung diz, o que o irmão Anglin diz ou o que o irmão Miller diz.
Espero que tenham vindo porque querem saber o que Deus diz. Há uma palavra do céu? Deus falou sobre esse assunto tão extraordinário? Creio que Ele revelou Seu coração.
Desejamos apresentar a vocês aquilo que Ele colocou em nosso coração. Cremos que o Espírito Santo guiou cada um de nós enquanto esperávamos diante do Senhor, para que vocês recebam as porções que Ele nos deu. Nenhum de nós sabia de antemão o que o outro irmão iria preparar.
Não sei se os outros irmãos se sentiram assim, mas eu realmente queria saber que direção eles seguiriam. Contudo, pela graça de Deus, esperamos diante do Senhor. Buscamos Sua face. Pedimos que Ele Se revelasse, e cremos que Deus harmonizará nossas vidas para nos dar uma visão mais completa de nosso perfeito Salvador, o Senhor Jesus.
Nosso irmão Stephen começou a apresentar ao nosso coração o que é essa perfeição espiritual e o que ela não é. Ele dirigiu nossos olhos para nosso perfeito Senhor Jesus, para Sua vida imaculada, para a morte pela qual Ele liberou essa vida e para a maneira como O honramos ao permitir que essa vida seja progressivamente revelada em nós — conduzindo-nos à condição de filhos e manifestando Cristo por nosso intermédio.
Ele também mostrou como podemos saber que estamos nesse caminho. Mas agora podemos mudar um pouco de marcha. Gostaria de me voltar mais diretamente para o como de toda essa questão da perfeição espiritual.
Seja ela o que for, como posso entrar nela? Como pode ser minha? Como posso conhecer, por experiência, a provisão de Deus para eu prosseguir rumo à perfeição espiritual?
Penso que, às vezes, numa conferência como esta, podemos receber uma espécie de bênção geral, mas a verdade de Deus fica, de alguma forma, lá no alto, e não conseguimos trazê-la para dentro de nosso coração, para dentro de nosso ser. Como oro para que o Senhor nos capacite a entrar nessa realidade!
Gostaria de compartilhar alguns pensamentos sobre a provisão de Deus e sobre como entrar nessa grande realidade. Vou apresentar o que compartilharei hoje e, depois, dar uma visão geral da direção que seguirei amanhã, dentro do privilégio que me foi concedido.
Há tantos textos que poderiam ser escolhidos. Na verdade, o Senhor começou a abrir aquilo que vou compartilhar com vocês quando eu estava estudando Hebreus em outro contexto. Não estava pensando nesta conferência, neste encontro, enquanto estudava Hebreus.
Mas, à medida que avançava, o Senhor parecia chamar a atenção do meu coração para quantas vezes as palavras perfeito, perfeição e aperfeiçoado são usadas em Hebreus.
Em Hebreus 6:1, somos exortados a prosseguir até a perfeição. O livro termina com esta bênção em Hebreus 13:20-21:
Ora, o Deus de paz,
que tornou a trazer dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas,
pelo sangue da aliança eterna, a saber, Jesus, nosso Senhor,
vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a Sua vontade,
operando em nós o que perante Ele é agradável,
por Jesus Cristo, a Quem seja glória para todo o sempre.
A expressão ali é “vos aperfeiçoe em toda boa obra”. Hebreus tem muito a dizer sobre a perfeição espiritual, e, por isso, comecei a me concentrar nesse assunto.
Creio que Deus começou a abrir esta verdade: “Então, você quer entender a perfeição? Nesse caso, precisa entender isto”. E meu coração começou a estudar aquilo. De repente, Hebreus ganhou vida com essa verdade. Intimamente ligado a isso, Ele disse: “Mas você não consegue compreender isso sem compreender aquilo”.
Deus começou a abrir meu coração para essas duas realidades. Deixem-me apresentar a vocês quais são elas.
Abram, por favor, em Hebreus 7:19. Vou apresentar apenas alguns versículos isolados para comunicar a vocês aquilo que pesa em meu coração.
Porque a lei nenhuma coisa aperfeiçoou;
mas a introdução de uma esperança superior o fez,
pela qual nos chegamos a Deus.
Percebem que estamos dentro do assunto? A lei nada aperfeiçoou, mas a introdução de uma esperança superior o fez, pela qual nos aproximamos de Deus.
Agora, abram em Hebreus 10:1:
Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros,
e não a imagem exata das coisas,
nunca pode, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano,
aperfeiçoar os que se chegam a Deus.
Está claro que o autor humano está nos dizendo que a antiga aliança — isto é, a lei — não podia levar ninguém à perfeição espiritual. Hebreus 9 diz que ela não podia levar à perfeição os sacerdotes que realizavam as cerimônias, nem podia levar à perfeição os adoradores.
Hebreus 7:19 diz:
A lei nenhuma coisa aperfeiçoou.
Mas a introdução de uma esperança superior o fez. A versão New American Standard diz:
Por outro lado, há a introdução de uma esperança superior.
E estou sugerindo a vocês, irmãos e irmãs: já que isso não pode me levar à perfeição espiritual, mas a esperança superior pode, precisamos saber o que é essa esperança superior. Vocês concordam?
Abram, por favor, em Hebreus 8:7-8:
Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido irrepreensível,
nunca se teria buscado lugar para a segunda.
Porque, repreendendo-os, lhes diz:
Eis que vêm dias, diz o Senhor,
em que estabelecerei uma nova aliança.
Essa é a primeira coisa que Deus está nos ajudando a examinar: a esperança superior, a nova aliança. Porque, se algum dia chegarmos à perfeição espiritual, seja ela o que for, Deus disse: “Vou prover isso por meio da nova aliança”. Esta não funcionará. Nunca funcionará. Aquela funcionará.
Agora, Hebreus 7:11. Aqui está a segunda coisa que precisamos examinar, com a ajuda de Deus. Se for do Seu agrado, examinaremos isso amanhã:
De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico
— porque sob ele o povo recebeu a lei —,
que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse,
segundo a ordem de Melquisedeque,
e não fosse contado segundo a ordem de Arão?
Não havia apenas a necessidade de outra aliança; havia a necessidade de outro sacerdote. Hebreus 5:8-10 nos diz:
Ainda que era Filho,
aprendeu a obediência por aquilo que padeceu;
e, sendo Ele aperfeiçoado,
veio a ser, para todos os que Lhe obedecem,
a causa da eterna salvação;
chamado por Deus sumo sacerdote,
segundo a ordem de Melquisedeque.
Hebreus 8:6 diz a mesma coisa: Ele obteve um ministério mais excelente, na mesma medida em que é também o Mediador de uma aliança superior. Hebreus 10:19-22 diz a mesma coisa.
Há outra aliança, e há outro sacerdote. Preciso de ambos: uma nova aliança e um novo sacerdote. Ou, reunindo as duas coisas, preciso ver a nova aliança e preciso ver Aquele que é o Mediador da nova aliança.
Hebreus 7:22 O chama de fiador — a garantia — de uma aliança superior. Ele vai me oferecer isso na nova aliança e, depois, vai garantir seu cumprimento.
Nesta tarde, quero examinar com vocês a nova aliança, a provisão de Deus para me conduzir à perfeição espiritual. Mas vou dizer isso logo de início e repetirei no fim: a nova aliança é algo maravilhoso, mas ela não é Ele.
O mais maravilhoso na nova aliança não é a nova aliança. O mais maravilhoso na nova aliança é Jesus, o Mediador da nova aliança — a garantia, o fiador da nova aliança.
É isso, portanto, que gostaria de examinar nas oportunidades que me foram concedidas: a perfeição espiritual por meio da nova aliança e a perfeição espiritual por meio do Mediador da nova aliança.
Agora, vai parecer que estou voltando atrás, mas não estou, porque esta é a oração do meu coração. Deus abriu duas passagens para mim, e elas se tornaram minha oração para este fim de semana.
Vou pedir que examinem essas orações, porque quero que orem por mim e pelos irmãos com base nesses dois pedidos. Um está em Efésios 6, e o outro, em Colossenses 4.
Primeiro, Efésios 6. O apóstolo Paulo diz: “Por favor, orem por mim quando eu falar sobre o mistério do evangelho”. Ouçam Efésios 6:19-20:
Orai por mim,
para que me seja dada a palavra,
ao abrir a minha boca,
para fazer conhecido, com ousadia, o mistério do evangelho,
pelo qual sou embaixador em cadeias;
para que, ao proclamá-lo, eu fale com ousadia,
como me convém falar.
O apóstolo Paulo desejava falar como lhe convinha falar. E disse: “Quando falo do mistério do evangelho, é assim que devo falar: com ousadia. Por favor, orem por mim. Orem para que, ao falar do mistério do evangelho, eu possa falar com ousadia”.
Agora, vejam Colossenses 4:2-4:
Perseverai na oração,
velando nela com ações de graças;
orando também juntamente por nós,
para que Deus nos abra uma porta à palavra,
a fim de falarmos do mistério de Cristo,
pelo qual estou também preso;
para que eu o manifeste claramente,
como me convém falar.
Agora ele diz: “Preciso apresentar o mistério de Cristo e quero fazê-lo como devo”. Apenas duas vezes no Novo Testamento aparece a expressão “como me convém falar”, e nas duas ele diz: “Orem por mim. Orem por mim. Quero falar como devo falar”.
Quando falo do mistério do evangelho, devo falar com ousadia. Quando trato do mistério de Cristo, devo falar com clareza. Por isso, ele disse: “Orem por mim. Orem para que eu fale com ousadia, para que eu fale com clareza, quando tratar desses mistérios”.
Vocês sabem o que é um mistério bíblico, não sabem? Um mistério bíblico não é algo misterioso. Não é isso.
Algumas pessoas pensam que, se é um mistério, então é algo difícil, confuso, complicado, profundo, enigmático — alguma coisa difícil de compreender. Não, isso não é um mistério bíblico.
Um mistério bíblico é uma verdade que não pode ser conhecida a menos que Deus a revele. Isso é um mistério bíblico: uma verdade que precisa da luz de Deus. Nenhuma formação acadêmica no mundo, nenhum estudo, nenhuma lógica, nenhuma sabedoria humana pode desvendar um mistério bíblico. Deus precisa revelar um mistério bíblico.
Daniel 2:19 diz:
Então foi revelado o segredo a Daniel.
E Daniel 2:22 diz:
Ele revela o profundo e o escondido;
conhece o que está em trevas,
e com Ele mora a luz.
Sabem, quando Deus abre um mistério, ele deixa de ser um mistério. Quando Deus lança Sua luz sobre ele, fica simples como dois e dois são quatro.
Há muitos mistérios bíblicos. Marcos 4 fala sobre o mistério do reino. Em 1 Coríntios 15:51, lemos:
Eis aqui vos digo um mistério.
É o mistério do arrebatamento. Efésios 1 fala sobre o mistério da Sua vontade. Efésios 5 fala do mistério de Cristo e da igreja, da noiva e do Noivo.
Colossenses 1 fala de Cristo em vocês, o Cristo que habita em nós. Isso é um mistério. Há um mistério da iniquidade. Há um mistério da piedade. Há o mistério de Deus. Mas todos os mistérios se reúnem em dois: o mistério do evangelho e o mistério de Cristo.
Paulo toma todos esses mistérios e diz: “Orem. Por favor, orem por mim, para que eu fale como devo falar”. Vamos examinar a nova aliança. Esse é o mistério do evangelho. Orem para que eu tenha ousadia ao apresentar o mistério do evangelho. Por favor, levem isso a sério.
Depois, vamos examinar o mistério de Cristo. Orem para que eu fale como devo falar: com clareza, simplicidade e de maneira compreensível, quando tratarmos do mistério de Cristo.
Agora, o fato de eu ou meus irmãos falarmos com ousadia ou clareza não significa que a luz que recebemos será a luz de vocês. É um mistério. Somente Deus pode revelar Deus.
Vocês não vão compreender porque temos ousadia. Não vão compreender porque somos claros. Podemos ter a melhor ilustração do mundo, e vocês não compreenderão até que Deus faça essa luz raiar sobre vocês.
Portanto, oremos não apenas pelos que falam, para que, ao tratarem do mistério do evangelho e do mistério de Cristo, tenham ousadia e simplicidade, mas também para que Deus esteja com quem ouve, para que Ele abra esse mistério e possamos saber como entrar nessas realidades. Que Deus nos ajude.
Comecemos, então, com o mistério do evangelho. Deus diz: “Se a perfeição pudesse ter vindo por este caminho…”. Mas a lei nada aperfeiçoou.
Por que a primeira aliança, a lei, não pode levar ninguém à perfeição espiritual? Bem, pensem na primeira aliança e no que é uma aliança. Uma aliança é estabelecida entre duas partes. Deus fez uma promessa ao Seu povo. É um acordo entre duas partes.
Basicamente, a primeira parte cumpre a condição e, então, a segunda parte cumpre a promessa. Basicamente: se você fizer isto, então Eu farei aquilo. Isso é uma aliança.
Agora, o que é esse “isto”? Aqui está a aliança: se você for espiritualmente perfeito, então Eu lhe concederei vida. Bem, funcionou?
Hebreus 7:11, novamente:
Se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico,
que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse?
Hebreus 7:19:
A lei nenhuma coisa aperfeiçoou.
Hebreus 8:6-9 diz:
Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente,
quanto é Mediador de uma aliança superior,
estabelecida sobre melhores promessas.
Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido irrepreensível,
nunca se teria buscado lugar para a segunda.
Porque, repreendendo-os, lhes diz:
Eis que vêm dias, diz o Senhor,
em que estabelecerei uma nova aliança
com a casa de Israel e com a casa de Judá;
não segundo a aliança que fiz com seus pais,
no dia em que os tomei pela mão,
para os tirar da terra do Egito;
como não permaneceram naquela Minha aliança,
Eu para eles não atentei, diz o Senhor.
Digamos que vocês tivessem apenas Hebreus 8:7. Olhem novamente para Hebreus 8:7 e imaginem que isso é tudo o que têm. Falo como um insensato — vocês têm mais —, mas imaginem que isso é tudo o que têm.
Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido irrepreensível,
nunca se teria buscado lugar para a segunda.
Se vocês tivessem apenas o versículo 7, não pareceria que Deus está dizendo que havia algum defeito na primeira aliança? “Se aquela aliança tivesse sido irrepreensível, não haveria necessidade de outra.” Isso quase dá a entender que havia algum defeito naquela primeira aliança.
Mas observem o versículo 8: “Porque, encontrando falha neles”. A tradução que diz “Encontrando falha, Ele lhes diz” não expressa o grego. O grego literal é: “Encontrando falha neles”.
Não seria de esperar que dissesse: “Encontrando falha nela”? Se essa aliança não era irrepreensível… mas o texto diz que Ele encontrou falha neles. Ele não disse “nela”, porque a falha não estava na aliança. Estava neles.
E encontramos nessa única palavra, neles, uma diferença essencial entre as alianças. Não havia nada de errado com a aliança, com a exigência de ser espiritualmente perfeito. Não havia nada de errado com a lei. A lei é santa, justa, correta, pura, boa e espiritual. Não havia falha nisso. A falha estava nas pessoas. Estava neles.
Romanos 8:3 explica isso claramente:
Porquanto o que era impossível à lei,
visto como estava enferma pela carne,
Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado
e por causa do pecado, condenou o pecado na carne.
Essa é a falha. Eles tentaram fazer isso na carne. Não era possível fazê-lo na carne. Essa é a fraqueza. É por isso que a lei nada aperfeiçoou. É por isso que a lei não podia levar ninguém à maturidade, à plenitude, à completude: por causa da fraqueza da carne.
Agora, se vocês vão corrigir o problema, o que precisa mudar? Não a lei. Ser espiritualmente perfeito — isso permanece. Vocês não vão mudar isso. O que vão mudar?
A resposta é: eles. Preciso de uma aliança que os transforme, que transforme as pessoas. A nova aliança foi dada para corrigir a falha. Com a ajuda de Deus, precisamos examinar essa aliança.
Aqui está a diferença essencial entre as alianças: a primeira aliança foi estabelecida entre Deus e Seu povo, e não funcionou porque eles eram fracos na carne.
A segunda aliança não foi estabelecida entre Deus e Seu povo. A segunda aliança foi estabelecida entre Deus Pai e Deus Filho em favor de Seu povo. Não é a mesma coisa. É algo inteiramente diferente.
Deus fez uma aliança com Seu Filho. Vou pedir que abram em Hebreus 8:10-12:
Porque esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel
depois daqueles dias, diz o Senhor:
porei as Minhas leis no seu entendimento,
e em seu coração as escreverei;
e Eu lhes serei por Deus,
e eles Me serão por povo;
e não ensinará cada um ao seu concidadão,
nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor;
porque todos Me conhecerão,
desde o menor deles até o maior.
Porque serei misericordioso para com suas iniquidades,
e de seus pecados não Me lembrarei mais.
Hebreus 10:14-17 diz basicamente a mesma coisa.
Agora, para tornar isso intensamente prático, deixem-me compartilhar três características da nova aliança. Vocês estão perguntando: “Como posso entrar nessa realidade?”. Vou lhes dizer: não por este caminho. A lei nada aperfeiçoou. Vocês precisam sair inteiramente de cena.
Deus estabelece outra aliança com Seu Filho em favor de Seu povo. Deus diz: “Olhe para esta aliança e veja se ela o ajudará no caminho da perfeição espiritual”.
A primeira característica da nova aliança — quando digo três, não estou incluindo tudo; estas são as características básicas, e há outras. Ao lerem Hebreus 8, Hebreus 10, Jeremias 31, Ezequiel 36 e assim por diante, vocês encontrarão outras promessas. Mas, em todas as passagens sobre a nova aliança, esta característica está presente.
É um mistério. Vocês podem me ouvir dizer isso, e vou dizê-lo com clareza e ousadia, mas Deus precisa fazer essa luz raiar em seu coração. Milhares de cristãos conseguem recitar isso, mas não o conhecem. Nunca o aprenderam.
Aqui está a questão: a nova aliança é absolutamente incondicional. É incondicional. Está cheia de “Eu farei”. Não há um único “Eu farei se”. É simplesmente: “Eu farei”.
Hebreus 8:8:
Estabelecerei uma nova aliança.
Hebreus 8:10:
Porei as Minhas leis.
As escreverei.
Eu lhes serei por Deus.
Hebreus 8:12:
Serei misericordioso.
De seus pecados não Me lembrarei mais.
Leiam Ezequiel 36:22-32. Ali há uma espécie de sanduíche. No versículo 22, Deus diz: “Não é por amor de vocês que faço isso”. No versículo 32, Ele encerra dizendo: “Não é por amor de vocês que faço isso”. O que há entre esses dois “não é por amor de vocês”? Treze declarações de “Eu farei”.
“Eu demonstrarei, Eu tomarei, Eu aspergirei, Eu darei, Eu farei, Eu chamarei, Eu multiplicarei.” Eu farei, Eu farei, Eu farei. E nenhuma vez — nem uma única vez — Deus diz: “Se”.
Vejam, estamos falando de perfeição cristã, e levantamos as mãos, desesperados: “Ah, não! Como é que algum dia vou alcançar a perfeição cristã?”. Isso ajuda? Não há “ses”. Não há condições. É cem por cento incondicional. Deus está dizendo: “Eu farei isso”.
Quando Ele apresentou aquela exigência, o homem fracassou miseravelmente porque sua carne era fraca. Ele não conseguia cumprir a menor condição. Então Deus precisou tirar completamente o homem de cena e falar com nosso Substituto, um Homem representativo, o último Adão. E Ele cumpriu todas as condições. É por isso que vocês não têm nenhuma. É por isso que eu não tenho nenhuma.
Agora, alguém diz: “Espere aí. Eu leio minha Bíblia. Não há condições na vida cristã?”. Certamente. Não sou cego. “Se vocês Me amam.” “Se guardarem os Meus mandamentos.” “Se permanecerem na Minha palavra.” “Se pedirem com fé.” “Se confessarem seus pecados.” “Se andarem na luz.” Há muitos “ses”.
Mas nenhum deles diz respeito à nova aliança. Esses “ses” pertencem à superestrutura. Vocês precisam aprender a descansar no incondicional, e então o condicional se tornará automático.
Vocês descansam na aliança que Deus fez com Seu Filho. Não posso nem começar a cumprir o condicional enquanto não aprender a descansar no incondicional. O incondicional é o fundamento. O restante é a superestrutura. Apropriamo-nos do condicional ao nos apropriarmos do incondicional.
Vou lhes dizer: meu coração e meus braços estarão abertos a todas as condições de Deus se Ele fizer raiar sobre mim a luz do incondicional. Se eu pudesse descansar nisso! Milhares deixam de compreender essa verdade.
Vocês precisam compreender a ideia da perfeição espiritual e, como Dana disse, talvez tenham vindo assustados para uma conferência como esta. “Perfeição espiritual? Puxa vida! Sim, posso amadurecer. Posso me tornar um filho. Posso me tornar maduro se — se eu estudar, se eu chorar, se eu me arrepender, se eu mantiver fielmente meu tempo devocional, se eu contribuir para missões, se eu der o dízimo, se eu me entregar, se eu me reunir com os irmãos, se eu servir.”
Eu lhes digo: o coração natural sofre de um caso grave de se. Precisamos de cura. Enquanto Deus não fizer a luz desse mistério raiar sobre nós, continuaremos caindo na falha que a nova aliança veio corrigir.
Pedi que orassem para que eu falasse com ousadia. Não sei como dizer isso de maneira mais clara: absolutamente incondicional. É tão incondicional quanto o amor sobre o qual se baseia. Não há condições.
Essa era a falha da antiga aliança. A carne não conseguia cumprir a menor condição. Então Deus diz: “Muito bem, vou retirar todas as condições”.
A antiga aliança é “se”. A nova aliança é “Eu farei”. Deus não diz: “Eu farei se”. Ele simplesmente diz: “Eu farei”.
Vocês conseguem confiar que Deus removerá todas as barreiras e lhes permitirá crer nisso de todo o coração? Se introduzirem a menor condição, ela se tornará inimiga da nova aliança e contaminará a graça de Deus. Não pode haver “se”.
Não enxergar essa verdade — a natureza incondicional da nova aliança — tem deixado tantos cristãos apenas dando golpes no ar em sua experiência com o Senhor.
Se eu coloco um se onde Deus colocou um é, sou legalista. Se você coloca um se onde Deus colocou um é, você é legalista. Vamos confiar juntos no Senhor quanto a essa questão fundamental.
Se vocês levam a perfeição espiritual a sério — e não creio que estariam aqui se não levassem —, peçam a Deus que abra seu coração para essa verdade.
A lei nada aperfeiçoou. Nunca pôde fazê-lo. Não pode, por causa da fraqueza da carne. Mas a introdução de uma esperança superior o fez. Deus estabeleceu uma aliança com Seu Filho, e Seu Filho cumpriu todas as condições para que Ele a ofereça a vocês.
Espero que isso seja mais convidativo. Perfeição espiritual: posso começar por esse caminho sem condições. É um mistério, e Deus precisa nos mostrar essa realidade.
Vejam Hebreus 8:10. Aqui está a segunda característica da nova aliança:
Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel
depois daqueles dias, diz o Senhor:
porei as Minhas leis no seu entendimento,
e em seu coração as escreverei.
Há um versículo semelhante em Hebreus 10:16. A nova aliança não é apenas incondicional; ela é interior. Interior, em contraste com exterior.
Um dos contrastes mais expressivos entre a antiga e a nova aliança está em 2 Coríntios 3, onde o cristão é descrito como a carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas que são corações de carne.
Deus prometeu em Ezequiel 36:26 que daria um novo coração, colocaria um novo espírito nesse coração, retiraria o coração de pedra e faria vocês andarem em Seus caminhos.
Vejam, quando Ele fala sobre a perfeição espiritual nesses termos, vocês não ficam com medo. Deus diz: “Vou oferecer a você a perfeição espiritual”. Muito bem, ótimo.
“E Eu a escreverei em sua mente.” O que significa “Eu a escreverei em sua mente”? Significa: “Eu farei você conhecê-la”. “E Eu a escreverei em seu coração.” O que significa “Eu a escreverei em seu coração”? “Eu farei você amá-la.”
Ele diz: “Quero que você tenha perfeição espiritual. Tentei aquele caminho; não funcionou. Agora tenho outro caminho. Cumprirei todas as condições. Farei você conhecê-la. Vou colocá-la em seu coração. Farei você amá-la”.
Vocês conhecem a palavra filactério? Sabem como Jesus falou contra os fariseus por causa disso em Mateus 23. Eram pequenas caixas, e eles realmente as usavam na testa e no braço esquerdo.
Pensavam que estavam obedecendo a Deuteronômio 11:18, onde Deus diz:
Ponde, pois, estas Minhas palavras no vosso coração e na vossa alma;
e atai-as por sinal na vossa mão,
para que sejam por frontais entre os vossos olhos.
Então fizeram pequenas caixas. Colocavam versículos bíblicos dentro delas e as usavam na cabeça. Tinham uma tira para mantê-las ali.
Não importava que suas mentes fossem vis e corruptas, cheias de pensamentos impuros e profanos. Suas mãos praticavam todo tipo de mal. Não importava. Tinham um versículo bíblico na testa e no braço, e andavam carregando aquilo.
Eu lhes digo: poderia prender os Dez Mandamentos na minha testa com fita adesiva — vocês achariam que eu estava um pouco esquisito. Poderia prender os Dez Mandamentos e andar durante dez anos com aquilo colado na cabeça, ou tatuá-los no braço, e não estaria mais perto da perfeição espiritual. Tudo isso está do lado de fora. Tudo isso é exterior.
Mas Deus diz: “Eu escreverei isso em sua mente. Escreverei para que você conheça. Colocarei em seu coração para que você ame”.
Alguém diz: “Bem, vou lhe dizer como conhecer: é só ler. Deus quer dizer o que disse”. Não, Ele não quer. Não me expulsem ainda. Ele não quer dizer apenas aquilo que disse; Ele quer dizer aquilo que tem em mente.
Ele quer dizer aquilo que tem em mente, e precisa revelar o sentido do que diz. Vocês podem ouvir uma coisa de Seus lábios, mas Seu coração pode estar dizendo outra.
Em Lucas 17:14, Ele diz:
Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.
Foi isso que Ele disse. Depois, quando o samaritano voltou e se prostrou diante Dele, entregue ao louvor e à adoração, Ele perguntou, em Lucas 17:17:
Onde estão os nove?
Bem, a resposta é: “Eles foram se mostrar aos sacerdotes. Foi isso que Tu mandaste fazer”. Ele disse: “Não, não foi isso que lhes mandei fazer. Não foi isso que quis dizer”. O que Eu quis dizer é que vocês devem dar evidência de que foram purificados da lepra moral, e prostrar-se diante de Mim é uma evidência.
Ele pode dizer uma coisa e ter outra em mente. O rei Salomão, em 1 Reis 3, disse: “Tragam uma espada. Dividam a criança”. Foi isso que ele disse. Mas não era isso que seu coração dizia. Seu coração estava dizendo: “Salvem a criança”. Vocês precisam ouvir o coração do rei, não apenas as palavras do rei.
Vocês precisam entender o que Deus quer dizer quando fala, em Lucas 14, sobre odiar pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs. O que isso significa? Não apenas o que está escrito.
Em Mateus 5:48, lemos:
Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.
É isso que Ele diz. Precisamos chegar ao Seu coração. E Ele disse: “Vou lhes dizer uma coisa. Na nova aliança, escreverei isso em sua mente, por dentro, para que entendam, para que conheçam intuitivamente, espontaneamente, interiormente. Vocês conhecerão”.
E não apenas isso: “Eu escreverei em seu coração”.
Alguns de vocês que gostam de esportes — digamos que gostem de beisebol. E se Deus lhes ordenasse jogar beisebol? Teriam dificuldade com isso? Alguns gostam de passear de barco. Digamos que Deus lhes ordenasse passear de barco. Se vocês já gostam de fazer isso, que mandamento agradável!
Ele diz: “Vou tomar todos os Meus mandamentos e escrevê-los em seu coração, para que vocês amem fazer a Minha vontade, para que fiquem com água na boca diante da vontade de Deus”.
Vocês querem falar sobre perfeição espiritual? “Ah, vou ter de fazer isto. Vou ter de fazer aquilo para conseguir.” Nenhum “se”. Nenhum “se”. Incondicional. Ele vai escrever isso em sua mente. Ele fará vocês conhecerem.
Nesse contexto, amo Salmos 40:8:
Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus meu;
sim, a Tua lei está dentro do meu coração.
Não fazemos a vontade de Deus apenas nos conformando exteriormente a algum mandamento. A obediência da nova aliança contém prazer: “Deleito-me em fazer a Tua vontade”.
Na verdade, se o prazer não está presente, a obediência não está presente. Na perfeição espiritual, Ele prometeu fazer isso. Podemos fingir o exterior. Podemos cumprir os gestos. Mas não podemos fingir o prazer. Deus precisa colocá-lo ali: alegria em fazer a vontade de Deus.
Alguns ensinam: “Obedeça a Deus, tenha vontade ou não. Mesmo que seja penoso, obedeça ao Senhor. O que precisamos é de disciplina. Há coisas desagradáveis que Ele nos chamou a fazer”.
Penso que há um caminho mais excelente. Isso soa tanto como a mentalidade da antiga aliança. Precisa haver prazer, ou não é nova aliança.
Qualquer pessoa pode oferecer a outra face exteriormente. Tenha prazer em fazê-lo. Isso é nova aliança. É algo a milhões de quilômetros de distância. Há uma nota de alegria em toda obediência da nova aliança.
A carne pode trabalhar, dar, sacrificar e realizar, mas a carne não tem capacidade de gerar alegria. Não consegue colocar o prazer ali.
1 Tessalonicenses 5:18 diz:
Em tudo dai graças.
Efésios 5:20 diz:
Dando sempre graças por tudo.
Como vou agradecer a Deus em tudo e por tudo? A resposta é: por meio da nova aliança.
Às vezes me incomodam os testemunhos que têm cheiro de fumaça. Sabem, essa é uma referência a Daniel. “Aqui está meu testemunho: passei por uma luta amarga, mas finalmente me rendi à vontade de Deus.”
Isso não é nova aliança — a parte da luta amarga. Isso é a dor da antiga aliança. É uma contradição dizer “nova aliança” e “o fardo é pesado, e o jugo é duro”. É uma contradição.
Não respondam; apenas pensem. Vocês travam uma luta amarga toda vez que precisam perdoar seu irmão ou sua irmã por algum mal que fizeram? Travam uma luta amarga para amar sua esposa como Cristo ama a igreja? Uma luta amarga para considerar tudo motivo de alegria quando passam por diversas provações? Uma luta amarga quando precisam ser pacientes com os que praticam o mal?
Vocês dizem: “Tenho uma luta amarga no início, mas depois encontro alívio no fim”. Bem, louvado seja Deus pelo alívio no fim. Mas a nova aliança permite que vocês encontrem alívio no início. É disso que se trata.
Ele dá Sua graça no início e ao longo de todo o caminho, e isso resolve a questão. Essa é Sua promessa. É algo interior. Ele fará isso. Ele fará vocês conhecerem. Ele fará vocês amarem Sua vontade.
Vocês se deparam com um tema como a maturidade espiritual e ficam tão assustados, tão receosos. Não. Se enxergarem isso — se enxergarem a nova aliança, a aliança que Deus fez com Seu Filho —, Ele diz: “Cumprirei todas as condições por vocês. Colocarei isso em sua mente. Colocarei isso em seu coração”.
Alguém diz: “Ah, isso é perfeição espiritual. Não é para mim. É para os grandes craques espirituais, para todas aquelas pessoas que realmente sabem grego e hebraico”.
Deus colocou isso ao alcance de todos nós. Gosto de parafrasear Hebreus 8:11, “desde o menor deles até o maior”, desta maneira: do mais burro ao mais inteligente. Vejam, é isso que Ele está dizendo.
Pensem no cristão mais burro que conhecem. Espero que estejam pensando em vocês mesmos. Há esperança de um bobalhão como eu amadurecer no Senhor? Há esperança de um bobalhão como você amadurecer no Senhor? A resposta é sim. Por meio da nova aliança, há.
Não pela antiga, que nada aperfeiçoou, mas pela introdução de uma esperança superior, que o fez. E a esperança superior é a nova aliança. A nova aliança funcionará para qualquer pessoa porque é incondicional.
A nova aliança funcionará para qualquer pessoa porque Deus a escreve em sua mente. Funcionará para qualquer pessoa porque Deus a coloca em seu coração e faz você amá-la.
Vocês sabem a diferença entre a justiça da árvore de Natal e a justiça da macieira. Podem imaginar.
A justiça da árvore de Natal é uma vida decorada com coisas espirituais, como uma árvore natalina. Vocês colocam luzinhas, festões, bolinhas, bengalas de açúcar, estrelas, cartões e um anjo no topo.
Durante anos, essa foi toda a minha vida cristã. As pessoas diziam: “Sabe, você deveria ser cristão e agir como tal. Vá em frente. Você precisa ter seu tempo devocional. Precisa memorizar as Escrituras. Precisa dar o dízimo. Precisa contribuir para missões”.
Então eu decorava minha vida. Pendurava um pequeno estudo bíblico aqui e algumas conferências bíblicas ali. Aqui estava uma linda viagem missionária que eu havia feito. Pensava que estava vivo: “Olhem para mim, como sou bonito”. Cortado pela base, completamente morto.
A justiça da macieira — essa vem de dentro. Isso é vida. É comprovada pelo fruto que produz. É isso que Ele prometeu fazer por nós.
Mais uma característica, e encerraremos. A nova aliança não é apenas incondicional, não é apenas interior; ela também é íntima.
Se o Senhor permitir, amanhã desenvolveremos isso um pouco mais. Hebreus 8:10-11 diz:
Eu lhes serei por Deus,
e eles Me serão por povo;
e não ensinará cada um ao seu concidadão,
nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor;
porque todos Me conhecerão.
Essa palavra conhecer é como quando Adão conheceu Eva e Abraão conheceu Sara. É a intimidade do vínculo conjugal — conhecer nessa intimidade. Essa é a finalidade da nova aliança: ter união com Ele.
É uma união de tal maneira que vocês nem precisam dizer: “Conheça o Senhor”. As pessoas veem Seu caráter. Ele está Se manifestando em sua vida.
Aquilo que separa uma pessoa da união com o Senhor, como vocês sabem, é o pecado. Hebreus 8:12 diz:
Porque serei misericordioso para com suas iniquidades,
e de seus pecados não Me lembrarei mais.
Isso faz parte da nova aliança. O perdão não é apenas perdão. Deus não perdoa vocês simplesmente para que fiquem limpos. Ele os perdoa para remover os obstáculos, a fim de ter união e comunhão com vocês.
Observem que Ele não disse no versículo 12: “Eu esquecerei seu pecado”. Às vezes vocês ouvem: “Deus perdoa; Deus esquece”. Deus não esquece. Lembro a vocês: Ele é onisciente. Não pode esquecer. Isso é uma limitação; isso é uma fraqueza. Ele não esquece.
Para mim, esquecer é involuntário. Cada vez mais, à medida que envelheço, esqueço mais e mais. Mas alguém pode vir e me lembrar daquilo que esqueci: “Lembra daquela pessoa? Lembra daquele nome? Lembra daquela ocasião? Lembra daquela experiência?”. E então eu me recordo.
Se Deus esquecesse seus pecados, Satanás poderia lembrá-Lo. Ele não esqueceu seus pecados. Ele decide não Se lembrar. Não é a mesma coisa. Ele escolhe não Se lembrar.
Para mim, é involuntário; para Ele, o esquecimento é voluntário. Ele escolhe não Se lembrar. Mesmo quando vocês tentam lembrá-Lo de seus pecados, Ele escolhe não Se lembrar.
Eu lhes digo: essa nova aliança é extraordinária. Nenhum pecado entre vocês e o Senhor, entre o Senhor e nós; podemos andar nessa intimidade. Ele será nosso Deus; nós seremos Seu povo.
Falemos de maturidade espiritual. Deus disse: “Eu providenciei na nova aliança — providenciei neste mistério — uma aliança absolutamente incondicional, uma aliança que trata do interior, uma aliança que escreverá Minha lei em sua mente, para que vocês conheçam a vontade de Deus, conheçam Seu propósito”.
Vocês amarão Sua vontade, terão prazer naquilo que Lhe agrada e andarão em uma união ininterrupta com Ele.
Irmãos e irmãs em Cristo, não fujam assustados da gloriosa verdade da perfeição cristã. Deus fez provisão em Sua aliança e no Mediador da nova aliança para conduzir cada um de nós à perfeição espiritual.
Vocês dizem: “Isso parece tão impossível”. Bem, espero que, depois de ouvirem sobre a nova aliança, seu coração seja despertado para dizer: “Isso não é impossível. Sabe, talvez até funcione. Talvez até seja prático para mim”.
Se, de fato, não há condições; se Ele realmente colocará isso em minha mente, para que eu sempre conheça Sua vontade; se é verdade, se é real — na primeira noite, fomos chamados a crer em Deus quanto a essas coisas —, então Ele escreverá isso em meu coração, fará com que eu ame Sua vontade, ande em Seus caminhos, cumpra Suas ordens e tenha prazer em cumpri-las. E Ele será meu Deus, para que eu seja Seu filho.
Vocês dizem: “Uau, isso é tudo de que preciso. Você terminou. Pode ir embora. Nova aliança”. Muito bem, agora ouçam. Se isso fosse tudo o que vocês tivessem, não alcançariam a maturidade cristã.
Vocês não podem separar isso de Hebreus 7:22. Hebreus 7:22 chama nosso Senhor Jesus de garantia da nova aliança.
Preciso saber como trazer isso para dentro de mim. É maravilhoso por si só, mas isso é teologia. Vocês não podem se alimentar de um livro de receitas. Precisam de comida. Precisam ter a vida de Deus.
E agora Deus vai nos mostrar como Ele toma isso e o traz para dentro de nós por meio do Mediador da nova aliança, por meio Daquele que é perfeito, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Que Ele torne isso real em nosso coração.
Nosso Pai celestial, como Te agradecemos por Tua provisão! Sabemos que nada jamais foi aperfeiçoado pela antiga aliança.
E, em Tua grande graça, fizeste uma aliança com Teu Filho em favor de Teu povo — uma aliança que nos liberta. Tu a chamas de introdução de uma esperança superior.
Escreve essa esperança superior em nossa vida, em nosso coração. E oramos para que nenhum de Teus filhos saia desta conferência sem esperança.
Pedimos em nome do Mediador da nova aliança. Amém.