Disse-lhes, pois, Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.
Porque a Minha carne é verdadeiramente comida, e o Meu sangue é verdadeiramente bebida.
Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim, e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo por causa do Pai; assim, quem de Mim se alimenta também viverá por causa de Mim.
Este é o pão que desceu do céu: não como aquele que os pais comeram e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
Estas coisas disse Ele na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.Muitos, pois, dos Seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
Mas Jesus, sabendo em Si mesmo que os Seus discípulos murmuravam a respeito disso, disse-lhes: Isso vos faz tropeçar?
Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para onde primeiro estava?
O Espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita: as palavras que Eu vos tenho dito são espírito e são vida.
Mas há alguns de vós que não creem. Porque Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem O havia de trair.
E disse: Por isso vos tenho dito que ninguém pode vir a Mim, se pelo Pai não lhe for concedido.Desde então, muitos dos Seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com Ele.
Disse, pois, Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
Respondeu-Lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.
Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires aqui diante da Tua presença. Senhor, pedimos que o Teu Espírito nos conduza àquela cena na sinagoga de Cafarnaum. Permite-nos ouvir as palavras que Tu disseste naquela ocasião.
Senhor, pedimos que, pelo Teu Espírito, vivifiques para nós a Tua Palavra escrita. Fala ao nosso coração. Revela-nos mais uma vez a Ti mesmo, a Tua beleza e a Tua glória, para que possamos seguir-Te até o fim.
Entregamos este tempo em Tuas mãos, Senhor. Abre o nosso coração e o nosso entendimento. Conduze-nos àquela realidade eterna. Livra-nos de tudo o que é temporal, terreno e passageiro.
Senhor, precisamos de Ti. Vem a nós nesta manhã. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Muitos anos atrás, li um livro cujo título é Uma Vez Capturado, Não Há Como Escapar. É a autobiografia de Norman Grubb. Não sei quantos de vocês já ouviram falar de Norman Grubb. Ele é genro de C. T. Studd, e também não sei quantos de vocês conhecem C. T. Studd.
É a autobiografia dele, e aquele título me tocou profundamente. Desde então, nunca consegui esquecê-lo, porque nesse título você vê o cristianismo real. Você vê o verdadeiro discipulado. Você vê o que significa o chamado do nosso Senhor Jesus e o que os verdadeiros cristãos devem ser: uma vez capturados, não há como escapar.
Pergunto-me quantos dentre o povo de Deus foram capturados — não por um ensinamento, não por alguma forma ou sistema, mas pelo próprio Senhor. E, uma vez que você é capturado, não há como escapar.
Agora, como sabemos que você foi capturado? Sabemos porque, se você ainda não foi capturado, tem muitas saídas. Tem muitas alternativas. Tem muitos caminhos que pode seguir. Mas, uma vez capturado pelo Senhor, não há mais alternativa. Está tudo decidido — você pertence a Ele. Isso é o verdadeiro cristianismo.
Hoje, o povo de Deus vive sem muito compromisso. Tem alternativas demais. Quando as coisas vão bem, conforme os seus desejos, segue com o Senhor. Quando as coisas ficam difíceis, ou quando não consegue entender, deixa de andar com o Senhor.
Em certo sentido, o povo de Deus não foi capturado por Cristo. O cristianismo se torna fácil. Ser crente significa que você crê no Senhor Jesus como seu Salvador. Você é salvo pela graça e abençoado pelo Senhor. Espera ter uma vida fácil, tranquila, aqui na terra.
Você não pensa na cruz que precisa carregar. Quando a Palavra de Deus o desafia a entregar a sua vida, você encontra um desvio. Tem alternativas. Isso não é cristianismo. Isso não é discipulado. Esse não é o chamado do Senhor. Não é isso que um cristão deve ser.
Por isso, aquele título tem me acompanhado todos estes anos. O nosso cristianismo é real? Somos verdadeiros discípulos do Senhor Jesus? Por que a nossa vida cristã não alcança a sua plenitude e não é o que deveria ser?
Ser cristão é algo sério. Não é algo com que se possa brincar. C. T. Studd escreveu um livreto chamado Cristãos de Chocolate. Muitos cristãos são como cristãos de chocolate.
Então, o que é o nosso cristianismo? Somos verdadeiros discípulos do Senhor? Fomos capturados por Ele? Ou temos muitas alternativas entre as quais podemos escolher?
Isso me faz lembrar daquela cena de dois mil anos atrás, registrada em João 6. Vocês conhecem a alimentação dos cinco mil. Ela aparece em todos os Evangelhos: Mateus 14, Marcos 6, Lucas 9 e João 6.
Sempre que algo é registrado em todos os Evangelhos, percebemos a importância daquele acontecimento. A alimentação dos cinco mil está registrada nos quatro Evangelhos, mas somente o Evangelho de João nos apresenta o seu significado interior.
A alimentação dos cinco mil é um fato. Nosso Senhor realizou um milagre. Com cinco pães e dois peixes, Ele alimentou cinco mil homens, além de mulheres e crianças. E ainda sobraram doze cestos de pedaços.
Mas a Bíblia nos diz, no relato de João, que esse milagre é um sinal. Um milagre não é apenas um milagre; é um sinal. Em outras palavras, o milagre é como uma placa que aponta para algo mais profundo, algo mais importante.
Portanto, a alimentação dos cinco mil é um sinal. Mas, muitas vezes, vemos o milagre e não vemos o sinal. Ficamos no milagre, mas não seguimos o sinal para encontrar a fonte daquele milagre — o seu significado.
Esse acontecimento ocorreu na época em que João Batista foi decapitado. Os discípulos, os doze apóstolos que o Senhor havia enviado, voltaram. Então, o Senhor os levou Consigo e disse:
Vamos à parte e descansemos um pouco.
Assim, foram para um lugar deserto.
Estava próxima a época da Páscoa, e havia muitos peregrinos a caminho. Muitos seguiram o Senhor até o lugar deserto, e Ele os ensinou.
Vocês se lembram da história. Quando começou a escurecer, os Seus discípulos se aproximaram Dele e disseram:
Senhor, despede-os. Este lugar é deserto. Que eles vão às aldeias comprar comida.
E o Senhor disse aos Seus discípulos que dessem de comer à multidão. No relato de João 6, Ele falou com Filipe. E Filipe disse:
Como podemos alimentar tanta gente? Mesmo que comprássemos duzentos denários de pão, cada um receberia apenas um pouco.
Não havia como.
E ali estava André. André era uma pessoa muito atenta. Ele percebia as pequenas coisas. Entre milhares de pessoas, notou um menino que tinha cinco pães de cevada e dois peixinhos. A mãe havia preparado aquilo para a refeição do menino.
Então, André disse ao Senhor:
Há um menino que tem cinco pães e dois peixes, mas o que podes Tu fazer com tão pouco?
E o Senhor disse: “Dê isso a Mim”.
Graças a Deus por aquele menino, que não foi egoísta a ponto de se apegar aos seus cinco pães e dois peixes. Quando o Senhor pediu, ele entregou tudo ao Senhor. E espero que façamos o mesmo.
O Senhor tomou os cinco pequenos pães de cevada. E, vocês sabem, segundo o costume daquela época, a cevada era o alimento dos pobres. Ele tomou os pães, deu graças, abençoou-os e os distribuiu. E cinco mil homens, além de mulheres e crianças, ficaram plenamente satisfeitos. Ainda sobraram doze cestos cheios.
Quando o povo viu aquilo, qual foi a sua reação? O Senhor conhecia o coração humano. Sabia que eles tentariam obrigá-Lo a ser seu rei. Se alguém pudesse resolver o nosso problema de alimentação, esse poderia ser o nosso rei. Deveria ser o nosso rei. Então, todos os nossos problemas estariam resolvidos.
Por isso, nosso Senhor Jesus, antes de tudo, mandou os Seus discípulos embora. Por que Ele fez isso? Porque os discípulos não eram diferentes da multidão. Tinham a mesma ideia. E, na verdade, essa ideia nunca os abandonou. Mesmo quando nosso Senhor Jesus foi a Jerusalém pela última vez, eles ainda pensavam nisso. Mesmo depois da ressurreição do Senhor, antes da Sua ascensão, foi essa a pergunta que fizeram.
O Senhor sabia que os Seus discípulos fariam a mesma coisa com Ele, por isso os mandou embora. Depois, despediu a multidão. Subiu ao monte e orou.
E, é claro, vocês sabem que os discípulos estavam remando no mar de Tiberíades, e havia vento. Então, o Senhor andou sobre as águas e foi até eles. Vocês conhecem a história de Pedro. Enfim, chegaram à outra margem.
No dia seguinte, a multidão voltou ao lugar onde nosso Senhor havia alimentado os cinco mil e constatou que Ele não estava ali. Sabiam que o Senhor não havia partido com os discípulos, mas não havia outro barco. Quando chegaram alguns barcos, perceberam que o Senhor não estava ali e todos se apressaram para ir à outra margem. Encontraram nosso Senhor Jesus em Cafarnaum.
A julgar pelas aparências, qualquer pessoa ficaria satisfeita ao ver tanta gente à sua procura. Mas o Senhor sabia o que realmente estava acontecendo. Assim que aquela grande multidão veio até Ele, como se estivesse à Sua procura, o Senhor sabia o que de fato procuravam.
Então, o Senhor disse:
Vós vindes a Mim, não porque vistes os sinais, mas porque comestes.
Eles não viram o sinal. Foram alimentados. Foi um milagre. Foi um fato. Mas não viram o sinal.
Não perceberam que aquele milagre realizado pelo Senhor os conduziria a algo eterno. A mente deles estava no alimento terreno: “Como podemos resolver o nosso problema atual, o nosso problema físico, a necessidade do nosso corpo?”. Nosso corpo é o nosso deus, e qualquer um que possa satisfazer a nossa barriga pode ser o nosso rei.
Por isso, nosso Senhor disse:
Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna.
Bem, eles se apegaram à palavra “trabalhar”:
Se Tu estás falando de trabalho, então dize-nos: quais são as obras que devemos fazer?
E o Senhor disse:
Esta é a obra de Deus.
Não a obra de vocês. Esta é a obra de Deus. Deus já a realizou. Deus enviou o Seu único Filho amado a este mundo para ser o Pão da Vida. Ele já fez isso.
Tudo o que vocês precisam fazer, para realizar a obra de Deus, é crer Naquele que Deus enviou. É claro que eles não conseguiam entender, porque a sua mente estava no alimento que sustentaria o corpo, e não em algo eterno.
Então, perguntaram:
Que sinal fazes Tu, para que creiamos em Ti?
Eles já haviam visto o sinal, mas não o reconheceram.
E o Senhor começou a falar com eles, dizendo:
Eu sou o Pão da Vida. Eu desci do céu.
O outro pão — aquele que Ele havia multiplicado — pereceria. Mas quem se alimenta Dele jamais terá fome ou sede.
Temos vida Nele, e, no último dia, Ele nos ressuscitará dentre os mortos.
A Minha carne é verdadeiramente comida.
O Meu sangue é verdadeiramente bebida.
Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem vida.
Nosso Senhor procurava conduzi-los para longe daquilo que é físico, material, terreno e temporal, levando-os a algo eterno, celestial e permanente. O Senhor procurava conduzi-los até mesmo para além da Sua bênção, até Ele próprio. Essa é a vontade de Deus.
Mas vocês sabem o que aconteceu. Não apenas a multidão, mas, como diz a Bíblia, muitos dos Seus discípulos começaram a murmurar e a dizer:
Duro é este discurso. Como podemos aceitá-lo? É demais.
E o Senhor disse:
Se virdes o Filho do Homem subir ao céu, então vereis a diferença.
E, daquele dia em diante, muitos dos Seus discípulos se retiraram e já não andavam com Ele.
Irmãos e irmãs, essa cena tem se repetido inúmeras vezes ao longo dos séculos. Muitos se aglomeravam ao redor do Senhor, mas, quando Ele começou a tratar seriamente com eles, muitos se retiraram e já não andavam com Ele.
Então, finalmente, nosso Senhor Se voltou para os doze que havia escolhido e disse:
Quereis vós também retirar-vos?
Era como se dissesse: “Se vocês se sentem assim, estão livres para ir”.
Graças a Deus por Simão Pedro. Ele disse:
Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
Nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.
O que isso significa? Significa que, uma vez capturado, não há como escapar. “Senhor, Tu me capturaste. Mesmo que queiras me afastar, para onde posso ir? Para quem posso ir?”
“Fui capturado por Ti. Não tenho alternativa. Não tenho para onde ir. Estou preso a Ti. Tu tens as palavras da vida.”
Embora eu suponha que Pedro não tenha entendido de fato o que o Senhor disse:
Eu sou o Pão da Vida.
O Meu sangue pode ser bebido.
A Minha carne pode ser comida.
Pergunto-me se Pedro realmente entendeu. Provavelmente não. Mas ele havia sido capturado pelo Senhor. Não havia como escapar.
Pedro sempre foi assim? Eu me pergunto. Vocês se lembram da história: quando Simão foi levado ao Senhor por seu irmão André, o Senhor olhou para ele, como lemos em João 1.
A palavra olhar, ali, não significa apenas dar uma olhada. Significa olhar de cima a baixo, olhar profundamente, olhar para o íntimo do seu ser. O Senhor o examinou por inteiro. Em outras palavras, o Senhor sabia tudo a respeito dele.
E o Senhor disse:
Tu és Simão, mas serás Pedro.
E, por causa disso, Simão começou a seguir o Senhor.
Creio que, quando nosso Senhor realizou o Seu primeiro milagre na festa em Caná, os Seus discípulos estavam com Ele. Quem eram esses discípulos? Creio que Simão Pedro era um deles.
Depois que João Batista foi preso, nosso Senhor começou o Seu ministério público na Galileia. A primeira coisa que fez foi chamar discípulos. Ao passar junto ao mar da Galileia, viu Simão Pedro e André. Estavam lançando as redes, tentando apanhar peixes. E o Senhor disse:
Vinde e segui-Me. Eu vos farei pescadores de homens.
Eles deixaram as redes e o barco e seguiram o Senhor.
Mas, em Lucas 5, quando nosso Senhor voltou ao lugar onde Simão morava, vocês sabem o que aconteceu? Simão havia passado a noite inteira pescando.
No dia seguinte, quando nosso Senhor ia falar à multidão, tomou emprestado o barco de Simão. Falou à multidão e, depois de terminar, disse a Simão Pedro:
Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para a pesca.
Por quê? O Senhor conhecia o coração de Simão. Ele havia seguido o Senhor por algum tempo e então começou a se perguntar se conseguiria continuar. Conviveu com o Senhor Jesus. Ouviu as Suas palavras. Viu as Suas ações. E olhou para si mesmo: “Eu não estou à altura. Vou desistir. Não há como eu segui-Lo. Não vou conseguir”.
Então, tentou se afastar discretamente. Voltou à sua antiga profissão — a pesca. Mas, graças a Deus, naquela noite não apanhou nada. Se tivesse apanhado alguma coisa, não sei o que teria acontecido.
Deus sabia que ele não havia apanhado nada. Ele não podia voltar atrás. Deus não permitiria. E nosso Senhor Jesus sabia de tudo.
O Senhor conhecia o seu coração. Era como se o Senhor dissesse: “Se você realmente quer desistir, está bem. Já não está Me seguindo como Meu discípulo. Então, se Eu usar o seu barco, terei de pagar por isso. Vou lhe pagar bem — um barco cheio de peixes”.
Irmãos e irmãs, vocês se lembram da história. Simão era um especialista em pesca. Na opinião dele, nosso Senhor não sabia nada de pesca. Mas disse:
Por causa da Tua palavra, farei isso.
Embora não acreditasse que daria certo.
Mas, quando viu aquele barco cheio de peixes, viu a glória de Deus. Deus é todo-poderoso. Não há nada que Ele não possa fazer. Ele pode tornar possível o impossível.
Então, prostrou-se diante do Senhor e disse:
Afasta-Te de mim, porque sou um homem pecador, ó Senhor.
Ele é quem havia tentado se afastar do Senhor, mas agora fora capturado.
Afasta-Te de mim; sou pecador.
Vocês precisam compreender o sentimento humano por trás disso. “Não estou à altura. Sou indigno. Mas, Senhor, Tu me aceitarás?”
E o Senhor disse:
Não temas. De agora em diante, serás pescador de homens.
E, daquele momento em diante, esse homem estava capturado. Não havia como escapar.
“Para quem iremos, senão para seguir Contigo? Para nós, está tudo decidido.”
Irmãos e irmãs, pergunto-me se essa é a nossa condição. Qual é o nosso conceito de cristianismo? São apenas bênçãos?
Se o Senhor estiver procurando conduzir você para além das bênçãos, até Ele próprio, você irá com Ele? Se o Senhor retirar todas as bênçãos e permitir que você passe por dificuldades, você se afastará? Você tem alternativas — algum lugar para onde ir, alguma coisa para fazer?
Ou a glória do Senhor o capturou de tal maneira que, para você, está tudo decidido? Você não tem alternativa senão segui-Lo. Isso é cristianismo. Isso é discipulado.
Como chegamos a ser capturados pelo Senhor? Ao longo dos séculos, muitos servos de Deus — se vocês lerem as suas biografias — foram desafiados. Foram provados. E, na experiência de vida deles, encontraram o Senhor — ou o Senhor os encontrou — de tal maneira que Ele passou a ocupar o primeiro lugar em suas vidas.
Abraão: o Deus da glória lhe apareceu, e aquilo definiu tudo para ele. Teve de partir, separar-se de todos os antigos vínculos e, pela fé, seguir o Senhor, sem saber para onde ia.
Ele falhou muitas vezes, mas não havia como escapar. Isso não significa que, uma vez capturado, você nunca mais falhará. Você falha, sim. Não é mais forte que ninguém, nem melhor que ninguém. É a graça de Deus, a misericórdia de Deus.
Mas, mesmo assim, não há como escapar. Você pode tentar, mas não vai conseguir.
Irmãos e irmãs, pensem no apóstolo Paulo. No caminho de Damasco, ele foi capturado pelo Senhor. E, uma vez capturado, não há como escapar.
Ser cristão, ser discípulo do Senhor, é um desafio. Creio, irmãos e irmãs, que, ao longo da nossa vida cristã, depois de crermos no Senhor Jesus, precisamos ser desafiados pelo Senhor muitas vezes, de muitas maneiras.
Às vezes, trata-se de algo que você ama mais do que qualquer outra coisa, mas o Senhor o desafia.
Quando você é desafiado, qual é o significado por trás disso? É muito simples: quem ocupa o primeiro lugar? Quem é tudo? Cristo está em primeiro lugar, ou alguma outra coisa?
Pode ser algo que você ama, um hábito do qual não quer abrir mão, uma amizade, até mesmo alguém que lhe é muito próximo e querido.
O Senhor disse:
Se não Me amardes mais do que a vosso pai, mãe, irmão, irmã, esposa, marido, filhos, e até mesmo a vossa própria vida, não podeis ser Meus discípulos.
A exigência é absoluta.
O Senhor exige estar acima de todas as coisas. E é por isso que, em nossa vida cristã, quase diariamente nos deparamos com esses desafios: o Senhor ou alguma outra coisa que amamos. O que vem primeiro? Você está disposto a abrir mão daquilo que ama e amar o Senhor?
Receio, irmãos e irmãs, que estejamos vivendo um momento de grande provação. Como diz a Bíblia, não apenas a terra, mas também o céu está sendo abalado. Isso é muito real.
E, neste tempo de abalo, se você não tiver um relacionamento muito sólido com o Senhor, pergunto-me o que acontecerá com você.
Isso não significa, de maneira alguma, que você seja mais forte do que qualquer outra pessoa. Não. Mas você precisa de um ímã mais forte. O Senhor o atraiu de tal maneira que você não tem como escapar. Caso contrário, receio que não consigamos permanecer firmes.
Que o Senhor, queridos irmãos e irmãs, nos atraia de tal maneira que nada mais possa realmente nos atrair, senão Ele próprio: a Sua glória, o Seu amor, a Sua vontade, o Seu propósito perfeito a nosso respeito.
Somente isso é forte o suficiente para nos capturar. E, uma vez capturados, não há como escapar.
Essa é, portanto, a preocupação que pesa sobre o meu coração. E oro de fato ao Senhor para que cada um de nós volte verdadeiramente a Ele e Lhe peça que nos mostre onde estamos: se ainda temos muitas alternativas, muitos caminhos de fuga, ou se fomos capturados pelo Senhor.
Vamos orar?
Querido Senhor, nós Te louvamos e agradecemos pelo Teu amor por nós. Tu estás disposto a abrir mão de tudo por nós.
Que o Teu amor toque o nosso coração, para que não retenhamos nada de Ti. Não permitiremos que coisa alguma ocupe o lugar que pertence a Ti. Estamos dispostos a colocar tudo aos Teus pés e a reconhecer-Te verdadeiramente como nosso Senhor de tudo.
Não permitas que tratemos levianamente o nosso relacionamento Contigo. Senhor, Tu estás procurando um povo preparado para a Tua volta. Faz essa obra em nós.
Estamos dispostos a nos tornar dispostos. Queremos seguir-Te até o fim. Além de Ti, não há ninguém a quem possamos ir, nenhum lugar para onde possamos ir.
Tu tens as palavras da vida. Tu és o Santo de Deus. Nós Te adoramos em Teu precioso nome.