Abram comigo, mais uma vez, no Evangelho de João 14:16-17. Vamos ler esses versículos.
E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que esteja convosco para sempre, o Espírito da verdade, a Quem o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para vós.
Agora, abram no Evangelho de Mateus 3:11.
Eu, na verdade, vos batizo em água para arrependimento; mas Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar; Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo; a Sua pá está em Sua mão, e Ele limpará completamente a Sua eira; recolherá o Seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo inextinguível.
Agora, em Atos dos Apóstolos 2:1-4.
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. E, de repente, veio do céu um som como o de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram-lhes línguas que se repartiam, como de fogo; e uma pousou sobre cada um deles. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
Por fim, abram na Antiga Aliança, no livro de Êxodo 3:1-6.
Ora, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã; levou o rebanho para além do deserto e chegou ao monte de Deus, a Horebe. E o Anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, do meio de uma sarça; ele olhou, e eis que a sarça ardia em fogo, mas não se consumia. E Moisés disse: Agora me voltarei para ver esta grande visão, por que a sarça não se queima. Quando o Senhor viu que ele se voltava para ver, Deus o chamou do meio da sarça e disse: Moisés, Moisés. E ele disse: Eis-me aqui. E Ele disse: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Disse ainda: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.
Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui em Tua presença.
E, Senhor, ao nos aproximarmos do ministério da Tua Palavra, sabemos muito bem que nada podemos fazer sem Ti. A pregação, a tradução e o ouvir não terão valor algum, a menos que Tu, Senhor, sejas o poder em tudo isso.
Queremos agradecer-Te, Pai, porque providenciaste uma unção de graça, de poder e de sabedoria para um momento como este.
Pela fé, firmamo-nos nessa unção. Que a pregação esteja sob a unção, a tradução sob a unção e o nosso ouvir sob a unção.
Estamos numa encruzilhada da história mundial. Amado Senhor, precisamos de Ti. Fala ao nosso coração nesta noite e faz em nós algo que jamais possa ser tirado.
Pois tudo o que Tu fazes, Senhor, permanece para sempre. Teremos o cuidado de Te dar toda a gratidão e todo o louvor do nosso coração por responderes à nossa oração.
Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Bem, tenho certeza de que todos sabem que o tema desta conferência é Conhecendo o Espírito Santo. Como tenho dito a cada noite, não há assunto que possa ter maior ou mais vital importância neste momento do que este.
Minha parte tem sido falar sobre a pessoa do Espírito Santo.
De fato, conhecer o Espírito Santo como pessoa é a chave de tudo na vida e no serviço cristãos.
Em João 14:17, na passagem que lemos juntos há alguns instantes, o Senhor Jesus disse:
Vós O conheceis.
Uma coisa é saber a respeito Dele. Outra coisa é conhecê-Lo.
Você pode ter toda a doutrina, toda a teologia, toda a teoria e, ainda assim, ser um estranho para o Espírito Santo. Você realmente O conhece?
Há dois aspectos relacionados à pessoa do Espírito Santo, e é vital que os compreendamos.
O primeiro é a Sua habitação em nós. Ele veio morar em nós — não apenas nos visitar, apenas nos abençoar ou apenas nos usar. Ele veio habitar em nós. Fez de nós a Sua morada.
Por causa da obra consumada do Senhor Jesus, por causa dessa grande salvação que o nosso Senhor Jesus conquistou no Calvário, você foi justificado diante de Deus. O Espírito Santo veio fazer de você a Sua morada.
Esse é um dos aspectos. É vital, essencial e fundamental.
O segundo aspecto é igualmente importante, fundamental e essencial: a capacitação que Ele nos concede.
O Espírito Santo quer habitar em você e quer ser o poder de Deus em você. Esses dois aspectos resumem, de fato, aquilo que o nosso Senhor Jesus conquistou para nós. Ambos, como eu disse, são essenciais e têm igual importância.
Será que realmente nascemos de novo?
Você talvez ache muito estranho fazer essa pergunta numa conferência de cristãos. Mas será que realmente nascemos de novo? É possível ser convertido na cabeça e não ter nascido do Espírito de Deus.
Há cristãos de segunda geração, de terceira geração e de quarta geração para os quais tudo está aqui em cima, na cabeça.
Quando o Espírito habita em nós, temos fome do Senhor. Temos sede do Senhor. Ansiamos por conhecer o Senhor. Ansiamos por comunhão. Nossos olhos se abrem para outro mundo — abrem-se para o Espírito de Deus.
Todas essas coisas são evidências de que uma pessoa nasceu de Deus.
Mas, muitas vezes, quando ouvimos essas coisas desde a infância, cremos, cremos, e tudo fica guardado na cabeça. A habitação do Espírito Santo em nós é de tremenda importância.
Mas também é importante que Ele esteja em nós com poder. Fomos capacitados? Somos capazes de atuar? Somos capazes de contribuir com algo do Senhor? Somos capazes de adorar de verdade? Somos capazes de interceder? Temos o poder para ser aquilo que Deus nos criou para ser?
Para mim, esses dois aspectos são tão importantes.
Em João 20, há um acontecimento extraordinário que ocorreu quando Jesus Se pôs no meio daqueles discípulos. Era o Cristo ressuscitado. Tomé não estava ali, e o Senhor Jesus soprou sobre eles.
O que aconteceu? Pelo que entendo — e tenho certeza de que alguém me corrigirá se eu estiver errado —, o Espírito Santo ainda não havia sido dado. No entanto, aqui o Senhor Jesus fez isto: soprou sobre eles e disse:
Recebei o Espírito Santo.
O crescimento espiritual é tão silencioso. Você não o ouve. Você cresce — é isso.
Todos vocês cresceram; caso contrário, não poderiam estar sentados aqui nesses corpos já crescidos. É impressionante como vocês crescem.
Pensem nos frutos. Os frutos são tão silenciosos. Você não ouve uma maçã chegando: “Bum, bum, bum”, e então aparece uma maçã. Você não ouve uma manga crescendo. É tão silencioso.
O fruto do Espírito é algo tão silencioso.
Muitos cristãos pensam que isso é tudo o que há acerca do Espírito Santo. Mas há outro lado do Espírito Santo.
Há o som de um vento de vendaval. Todo o lugar foi cheio, e línguas de fogo foram distribuídas sobre eles. Todos falavam em outras línguas. Era algo tão impressionante, tão público, tão evidente.
Uma coisa é tão silenciosa, e a outra é tão pública. Ambas têm a ver com a pessoa do Espírito Santo.
Alguns de nós preferem o lado silencioso, mas, nesse caso, estamos limitando a pessoa do Espírito Santo. Algumas pessoas gostam do lado público, ruidoso. Ambos os aspectos da pessoa do Espírito Santo são absolutamente fundamentais e essenciais.
Você não pode ser filho de Deus sem o Espírito Santo. Você não pode fazer parte do corpo do Senhor Jesus sem o Espírito Santo. Esse é o lado silencioso.
Mas você não pode ser cheio do poder de Deus senão pelo Espírito Santo. A igreja jamais perseverará, nem será um testemunho para o mundo, sem o poder do Espírito Santo. A obra do evangelho não pode ser cumprida sem o poder do Espírito Santo.
Caso contrário, transformaremos a igreja num pequeno grupo elitista de santos que estão prosseguindo na fé. Os britânicos sempre acharam que seu temperamento era o temperamento de Deus — quieto, fleumático e sem entrar em pânico.
Mas há outro lado do Espírito Santo: Seu vento de vendaval, Seu fogo. Você e eu precisamos conhecer esses aspectos.
Nosso irmão falou nesta manhã sobre o aspecto histórico do batismo no Espírito. Mas há algo que você e eu precisamos experimentar pessoalmente.
Precisamos nos apoderar daquilo para o qual Cristo Se apoderou de nós. Foi assim que você se tornou filho de Deus. Você se entregou ao Senhor Jesus. Pediu que Ele fosse seu Salvador. Apropriou-se daquela obra consumada do Calvário. Você nasceu de Deus.
Da mesma maneira, precisamos entrar na experiência do poder do Espírito Santo. É muito importante compreendermos isso, e essa experiência precisa tornar-se nossa, viva e pessoal.
Há muitos símbolos do Espírito Santo, e eles são muito belos.
Um dos símbolos do Espírito Santo é o orvalho. Você nunca ouve o orvalho. Ele é tão silencioso e, no entanto, revigora, renova e refresca tudo.
Na Palestina, todos os frutos da Terra Santa — tâmaras, romãs, uvas, azeitonas e muitos outros — chegam à plena maturação por meio do orvalho.
Há muitos outros símbolos, mas acho muito interessante que um deles provavelmente seja usado mais do que qualquer outro: o fogo.
João Batista, falando do nosso Senhor Jesus em Mateus 3:11, disse:
Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
Lucas diz a mesma coisa:
Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
Não se trata apenas de um receber silencioso. Ele expira; nós inspiramos, como A. B. Simpson expressou em seu hino. Esse batismo é uma submersão no Espírito Santo, uma imersão no Espírito Santo.
Ao longo dos anos, muitas pessoas vieram a mim e disseram: “Eu tenho o Espírito Santo”.
Acho isso muito interessante. Você tem o Espírito Santo, mas nem sempre vemos isso. O Espírito Santo está preso dentro de você, contido pela sua carne, preso em seus problemas, derrotado pela sua vida centrada em si mesmo.
Mas, quando o Espírito Santo Se apodera de você, a história é outra.
Então você se perde na infinitude insondável de Deus. Então você é lançado na plenitude de Deus, nas riquezas insondáveis do Messias. O Espírito Santo Se apoderou de você.
Não é que você tenha o Espírito Santo; é o Espírito Santo que tem você. Isso é tremendo.
Eu costumava usar uma ilustração. Você desce até o litoral aqui, e lá está o Pacífico. Pega um balde e o enche. Então me diz: “Tenho o Pacífico no meu balde”.
Não, não, não. Você tem um balde cheio de água do Pacífico.
Mas, se você lançar esse balde ao mar, vem uma onda e o enche. Vem outra onda, e o balde desapareceu. O Pacífico ficou com o balde.
Essa é toda a diferença em relação a dizer: “Eu tenho o Espírito”. Graças a Deus por isso. Mas o mais importante é isto: a pessoa do Espírito Santo Se apoderou de você?
Então nada é impossível. Você foi lançado na grandeza e na infinitude do próprio Deus.
Não é interessante que, no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre aqueles cento e vinte, tenha sido fogo?
De repente, o fogo se repartiu, e havia uma língua sobre cada um dos cento e vinte. O fogo tornou-se cento e vinte línguas de fogo.
Acho isso muito interessante. Na tradição cristã, os santos sempre têm uma espécie de círculo de luz ou de ouro ao redor da cabeça. É assim que se distingue um santo: ele tem uma auréola.
Mas, na tradição judaica, é uma língua de fogo sobre a cabeça. É assim que se identifica um santo.
O que é isso? É esse símbolo da pessoa do Espírito Santo — o fogo —, que foi tão visível no dia de Pentecostes.
Pensem naquela congregação de cento e vinte pessoas. Era uma congregação perfeita: em jejum e oração, pura na doutrina. Eles criam em todo o seu Antigo Testamento. Criam no nascimento virginal do Senhor Jesus, em Sua vida sem pecado, em Seu ministério messiânico, em Seu sepultamento corporal e em Sua ressurreição corporal, e em Sua segunda vinda.
A maioria dos cristãos diria: “Isso é perfeito. Essa é a igreja perfeita. É isso que todos estamos procurando”.
Mas o Senhor Jesus disse — colocando em minhas próprias palavras —: “Não saiam por aí iniciando congregações. Esperem até que o Espírito Santo venha sobre vocês”.
Naquele dia, as cento e vinte unidades perfeitas daquela congregação tornaram-se cento e vinte membros de um corpo.
O Espírito Santo os introduziu num organismo vivo. A Cabeça estava à direita de Deus. O corpo estava na terra. O Espírito Santo era a união entre a Cabeça e o corpo.
Eles viraram o mundo de cabeça para baixo sem seminários teológicos, sem escolas bíblicas, sem grandes técnicas de arrecadação de fundos e sem toda a parafernália que consideramos absolutamente necessária à evangelização.
Enquanto a igreja permaneceu um organismo vivo, habitado pelo Espírito Santo e capacitado pelo Espírito Santo, eles eram invencíveis. A perseguição, a censura e o martírio só faziam com que ela crescesse ainda mais.
Que lição tremenda é essa.
De modo geral, quando alguém fala de fogo, as pessoas pensam apenas em refinamento e purificação. Mas o fogo fala de muito mais.
O fogo fala de refinamento. É isso que o Espírito Santo faz, e Ele nunca para. Somos refinados como pelo fogo.
Pedras preciosas são extraídas dos lugares profundos de escuridão em nossa vida, formadas por enorme calor e pressão. O ouro é produzido a partir daquilo que parece ser entulho sem valor na terra.
Esses são os três materiais com os quais é formada a cidade de Deus, a esposa do Cordeiro, a noiva do Messias.
O fogo também fala de poder. A energia vem do fogo.
Ele fala de calor — de amor.
Ele fala de atração.
Não sei o que acontece com os homens, em contraste com as mulheres, mas os homens têm um fascínio fatal pelo fogo. Não sei por quê, mas, quanto maior a fogueira, melhor.
Antigamente, tínhamos sempre de ficar de olho no pessoal de Halford House. Se os rapazes estavam trabalhando no jardim, faziam fogueiras tão grandes que, certo dia, um jumbo da British Airways, sobrevoando Halford House para pousar no aeroporto de Heathrow, em Londres, informou à polícia: “Há um incêndio em Richmond”. Era no nosso jardim.
Você não pode esconder um fogo. O fogo é visto. Ele chama a atenção.
Considero a maneira como Deus Se encontrou com Moisés um dos acontecimentos mais extraordinários de toda a Bíblia. Ele tem muito a nos dizer sobre o Espírito Santo.
Vocês se lembram: Moisés estava no deserto. Cuidava de ovelhas, cabras e camelos. Era uma bela queda de posição para o neto de Faraó.
Especialmente para os egípcios, cuidar de cabras e ovelhas estava entre as formas mais inferiores de trabalho. Moisés havia passado quarenta anos cuidando de cabras e ovelhas malcheirosas.
Um dia, ele viu um fogo. Isso não era tão incomum. Acontecia com muita frequência no deserto. Uma sarça pegava fogo espontaneamente por causa do calor.
A princípio, Moisés não prestou muita atenção. Depois, olhou novamente, dez minutos mais tarde, e ela ainda estava queimando. Normalmente, esses fogos duravam muito pouco.
Meia hora depois, olhou de novo. Uma hora depois, pensou: “É melhor eu ir até lá dar uma olhada. Essa deve ser uma sarça muito grande”.
Quando chegou perto daquela sarça, que nunca cresceria acima da altura do seu peito, era algo extraordinário. A sarça ardia em fogo, mas não era destruída.
Então, de repente, daquela sarça, quase ao nível do chão, ele ouviu a voz de Deus:
Moisés, Moisés. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa.
Se fosse uma palmeira, poderíamos entender. Uma palmeira fala de santidade; fala de lealdade. Poderíamos entender uma grande e vigorosa palmeira chamando Moisés: “Tire as sandálias dos seus pés. O lugar em que você está é santo”.
Se fosse uma oliveira, teríamos ficado maravilhados. Pensem na tipologia bíblica: a oliveira falando do homem cheio do Espírito. Teríamos dito: “Maravilhoso. Esse é um retrato de um homem cheio do Espírito”.
Se fosse uma árvore de sitim — uma acácia —, poderíamos entender. Toda a madeira do tabernáculo era de acácia. Era a casa de Deus.
Até mesmo uma humilde romãzeira teria sido maravilhosa — frutificação, frutificação. Que tipologia! Poderíamos entender isso.
Mas uma sarça? Não há valor num espinheiro. Até os camelos, se puderem encontrar outra coisa para comer, preferirão essa outra coisa.
Não era uma sarça verde, florescente. Era uma sarça morta.
Vocês entendem por que considero esse um dos encontros mais incríveis de toda a Bíblia: terra santa, uma sarça morta em chamas, e a sarça não se consumia.
Quando Moisés se recuperou do choque, Deus disse: “Eu sou o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Você irá a Faraó e lhe dirá: ‘Deixe o Meu povo ir’”.
Então Moisés disse: “Qual é o Teu nome? Se eu for a Faraó e ele me perguntar: ‘Quem é esse Deus? Qual é o Seu nome?’, o que direi?”
E o Senhor disse:
EU SOU.
Escutem-me com atenção. Aquela sarça era Moisés. Aquele fogo era o Espírito de Deus, o grande EU SOU, habitando na sarça.
Aquela sarça era os filhos de Israel. O fogo era o Espírito de Deus no meio dos filhos de Israel.
O Senhor havia levado quarenta anos para reduzir Moisés a uma sarça morta.
Sua educação na realeza, seu parentesco com Faraó, sua criação no palácio — o Senhor levou quarenta anos para conduzir Moisés ao ponto em que reconheceu que não era nada.
E o fogo era tudo.
Agora, vocês, cristãos, escutem-me. Poderia ter sido uma bela árvore cheia de frutos. Poderia ter sido mil e uma outras coisas. Mas era fogo.
Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.
Querida família de Deus, o que atrai o mundo? O fogo de Deus.
O fogo sempre foi o símbolo da pessoa do Espírito Santo. Quando Deus desceu ao monte, ele ardeu em fogo. Quando colocaram o holocausto sobre o altar, fogo desceu do céu e o consumiu.
Quando viajavam pelo deserto, havia uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo.
Se vocês olharem para a história da igreja, toda vez que houve homens e mulheres que voltaram a experimentar aquele grande poder do Espírito Santo — que conheciam Sua habitação neles e o poder de Sua presença —, foi como fogo numa sarça.
O fogo virou toda a Europa de cabeça para baixo.
Tomem John Wesley como exemplo. Ele era tão legalista — não foi à toa que o chamaram de metodista. Mas, quando sentiu aquele estranho aquecimento no coração, o fogo, isso virou o mundo de língua inglesa de cabeça para baixo.
Pensem em George Whitefield. Ele nasceu numa taverna — não era um começo muito feliz para alguém que se tornaria um grande servo de Deus. Além disso, tinha estrabismo. Um olho olhava para lá, e o outro olhava para o outro lado. Sempre que pregava, pelo menos duas pessoas eram convencidas do pecado.
Mas o fogo estava nele. Ele virou todo o mundo de língua inglesa de cabeça para baixo.
Amados irmãos e irmãs, é impressionante: quando Deus quis dar um ministério àqueles que passavam por sofrimentos inexplicáveis, tomou uma irmã preciosa e a deixou fisicamente incapacitada.
Seu nome era Amy Carmichael. Até hoje, o que ela escreveu — seus poemas e seus outros escritos — é um ministério para aqueles que passam por sofrimentos inexplicáveis. Era fogo numa sarça.
Queridos irmãos e irmãs, é isso que, em nossa vida, atrai homens e mulheres a Deus.
Eu mesmo vim a conhecer o Senhor por meio de um homem cuja aparência não tinha absolutamente nada de atraente.
Era um velhinho de nariz adunco, que usava colarinho de pontas dobradas. Seu nome era C. T. Studd. Ele era um homem difícil, como a maioria dos pioneiros.
Quando descobriu que não poderia ir à China com os Sete de Cambridge sem fazer um exame médico, foi consultar seu médico.
O médico disse: “Para que você quer que eu lhe dê esse atestado?”
“Quero ir à China como missionário”, disse ele. A propósito, ele era um famoso jogador de críquete.
Quando o médico o examinou, disse: “Você não pode ir à China. Você é um museu de doenças”.
C. T. Studd disse: “Deus me chamou para a China. Levarei o museu de doenças comigo”.
Ele foi à China, depois à Índia, depois à África. Nunca voltou à Inglaterra. Era uma sarça, mas o fogo de Deus ardia nele.
Nunca o conheci pessoalmente, mas ele era o tema do primeiro livro cristão que li. À medida que lia, ficava cada vez mais fascinado pelo Cristo que habitava naquela sarça.
Ele era absolutamente cem por cento do Senhor. Eu não conseguia acreditar. Nunca havia entrado numa igreja. Não sabia nada sobre o cristianismo. Nunca havia entrado numa sinagoga. Tínhamos ensino religioso na escola, mas era só isso.
Eu tinha quase treze anos quando li aquele livro. Tão poderoso era o fogo de Deus naquela vida.
Quando terminei o livro, quis ser igual. Lembro-me de estar em pé — eu nem sequer sabia orar. Não sabia se devia ficar em pé ou me ajoelhar. Mas então fiz uma oração espontânea:
“Senhor, se existe um Deus, por favor, faz em mim o que fizeste nele”.
Não senti nada. Não senti nenhuma mudança. Naquela tarde, fui assistir a um filme de Charlie Chaplin. Mas alguma coisa havia acontecido.
Disse à minha irmã: “Gostaria de ir a uma igreja amanhã de manhã”. O dia seguinte era domingo, e eu fui. Foi o primeiro culto cristão de que participei.
Achei tudo muito estranho — todos se levantando, cantando, sentando-se e inclinando a cabeça. Era muito estranho, mas parecia haver um fogo nas pessoas.
Então ouvi dizer que haveria um culto de batismo.
Minha irmã e eu perguntamos a uma das pessoas ali: “O que acontece num culto de batismo?”
“As pessoas são batizadas”, ele disse.
Minha irmã perguntou: “Elas usam roupas bonitas e coroas?” Ele disse: “Não, não. É melhor vocês virem ver”.
Antes de aquelas oito pessoas serem batizadas, cada uma deu um testemunho. O impressionante era que se tratava da mesma coisa que havia acontecido com C. T. Studd. Elas tinham uma experiência viva com o Senhor. O Senhor havia Se encontrado com elas.
Mais tarde, Alan Redpath fez o apelo. Travei uma luta tão grande. O que era aquilo? Fogo.
F. B. Meyer era um homem difícil. Eu o amava, mas ele era um homem difícil. Podia ficar sentado ali sem dizer uma palavra durante uma hora.
Ele não era o que vocês chamariam de um homem inflamado. Falava muito devagar e de maneira ponderada.
Mas havia um fogo naquela velha sarça. Ele nunca se apagava. Meyer foi uma voz profética em sua própria geração.
Entendem? Você tem o fogo de Deus em você?
Havia um homem na Grã-Bretanha na época em que fui salvo. Ele era famoso. Era o ateu mais conhecido da Grã-Bretanha.
Estava sempre escrevendo nos jornais nacionais mais conhecidos contra os cristãos e contra a igreja. Por ter estudado numa das universidades mais famosas, seu nome era conhecido em todos os lares britânicos. Estava sempre zombando da família real.
Seu nome era Malcolm Muggeridge.
Ele ouviu falar de uma velha freira na Índia e pensou: “Vou até lá desmascará-la”.
Estava na casa dos setenta anos quando foi a Calcutá e encontrou Madre Teresa. Seu plano era escrever uma série inteira de artigos desmentindo as alegações a respeito dela e da Igreja Católica.
Foi o maior choque de sua vida.
Madre Teresa tinha mais ou menos esta altura — uma pequena senhora albanesa, idosa e enrugada. Mas, enquanto convivia com ela, ele começou a se sentir estranhamente tocado.
Por fim, pensou: “É melhor acompanhá-la. Não consigo encontrar a hipocrisia”.
Ele saiu à noite com ela até os que estavam morrendo nas ruas de Calcutá e ficou observando-a. Ela foi absolutamente franca com ele.
“Você é um pecador”, ela disse. “Você está indo para o inferno”.
Mas, ao observá-la, ele a viu beijar pessoas tão sujas e tão malcheirosas que mal conseguia acreditar.
Malcolm Muggeridge voltou à Grã-Bretanha. Era como se toda a sua vida tivesse desmoronado. Ele se retirou para pensar.
Naquelas três semanas, encontrou o Senhor. O ateu mais conhecido nasceu de Deus.
Na semana seguinte, todos os jornais traziam manchetes: “Muggeridge Torna-se Religioso”. “Malcolm Muggeridge Fica Senil”.
Agora, não estou defendendo a Igreja Católica Romana. Mas o que estou dizendo é isto: aqui está algo que nos envergonha.
Ali estava uma freira que conhecia o Senhor e em cuja vida havia o fogo de Deus. Era uma sarça em chamas com o Espírito de Deus.
Um homem que era como uma fortaleza contra o evangelho, um homem que havia usado todas as armas acadêmicas imagináveis para destruir o evangelho, foi vencido ao encontrar o fogo na sarça.
Querida, querida família de Deus, precisamos do fogo. Precisamos do fogo.
Que o Espírito Santo acenda esse fogo na vida de cada um de nós e em nossa vida em conjunto como povo de Deus.
Vamos orar.
Senhor, nós nos curvamos diante de Ti. Talvez, na vida de muitos de nós, aquele fogo que antes ardia tenha se apagado. Aquele primeiro amor esfriou.
Outros de nós talvez nunca tenham tido esse fogo dentro de si. Pelo Teu Espírito, Senhor, acende esse fogo em nós.
Senhor, que estejamos em chamas para a Tua glória, como testemunhas e como testemunho para o mundo inteiro.
Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.